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Crescimento microbiano
Você vai estudar a nutrição e o crescimento microbiano e os mecanismos bacterianos de patogenicidade,
assim como as estratégias eficazes para controle do crescimento microbiano. Esse conhecimento é
fundamental em diversas áreas, incluindo o controle higiênico-sanitário em hospitais, laboratórios de
análises clínicas, e laboratórios dedicados à pesquisa e ao desenvolvimento científico.
Prof. Daniel Clemente de Moraes
1. Itens iniciais
Objetivos
Reconhecer as exigências nutricionais e os principais aspectos do crescimento microbiano.
Identificar as principais formas de controlar o crescimento de microrganismos.
Empregar métodos de controle de crescimento microbiano de forma adequada.
Descrever os mecanismos envolvidos na patogenicidade bacteriana.
Introdução
Neste conteúdo, vamos estudar o crescimento microbiano, e você pode estar se perguntando qual é a
importância de estudar o crescimento dos microrganismos.
A resposta é muito simples: o estudo dos aspectos envolvidos no crescimento microbiano nos permite
entender sob quais condições os mais variados microrganismos apresentam mais facilidade ou mais
dificuldade de crescimento, além do tempo necessário para que esse crescimento ocorra.
Dessa forma, é possível conhecer mais profundamente as características metabólicas dos microrganismos, e
esse conhecimento é muito útil, principalmente para ser aplicado no controle do crescimento microbiano, que
é fundamental para as mais diversas áreas.
Na área da saúde (medicina, biomedicina, nutrição, farmácia, enfermagem etc.), os métodos de controle do
crescimento microbiano ajudam na prevenção das infecções hospitalares, no correto processamento dos
materiais utilizados, garantindo a segurança durante o atendimento tanto para os pacientes como para os
profissionais envolvidos. 
O controle microbiológico também é essencial na área industrial, pois garante a qualidade dos produtos
(medicamentos, cosméticos, alimentos e água). Em laboratórios de análises clínicas e de pesquisa, o controle
microbiológico está presente no preparo dos diversos materiais utilizados, que precisam estar livres de
contaminação.
Neste tema, teremos a oportunidade de estudar a nutrição e o crescimento dos microrganismos, as formas de
controlar esse crescimento e as estratégias utilizadas pelas bactérias para causar infecção.
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Símbolo do carbono.
1. Nutrição e crescimento microbiano
Exigências nutricionais
Neste vídeo, vamos explicar a diferença entre anabolismo e catabolismo, além do papel dos macro e
micronutrientes no crescimento microbiano.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Os microrganismos requerem nutrientes para poder crescer, e essa exigência varia muito entre os diferentes
microrganismos. Os nutrientes são utilizados no metabolismo da célula, tendo participação nos processos de
obtenção de energia e na síntese de componentes celulares. O conhecimento sobre os princípios da nutrição
microbiana é fundamental para o desenvolvimento da microbiologia, permitindo que microrganismos sejam
cultivados em laboratório.
O metabolismo pode ser definido como um conjunto de transformações da matéria orgânica composto por
dois processos:
Anabolismo
Envolve os processos biossintéticos, que
dependem de energia e são responsáveis por
formar componentes celulares a partir dos
nutrientes.
Catabolismo
É caracterizado pela degradação dos nutrientes
para liberação de energia.
Os diferentes tipos de microrganismos necessitam não apenas de nutrientes distintos, mas também de
quantidades variadas.
Você sabe quais são os principais nutrientes necessários à nutrição microbiana? Vamos descobrir?
Carbono, nitrogênio e outros macronutrientes
O carbono é necessário a todas as células;
aproximadamente 50% do peso seco de uma
célula é formado por ele. O carbono pode ser
encontrado na natureza na forma inorgânica
(como CO2 e carbonato) e a partir de
compostos orgânicos (como aminoácidos,
ácidos graxos, ácidos orgânicos, bases
nitrogenadas, compostos aromáticos, açúcares
etc.).
Vale ressaltar que os compostos orgânicos
podem ser utilizados pelas células microbianas
como fonte de energia ou de carbono. Nesse
sentido, os microrganismos que são capazes de
realizar a síntese de suas estruturas celulares a partir do CO2 são conhecidos como autotróficos. Já aqueles
que necessitam de compostos orgânicos são chamados de heterotróficos. 
Símbolo do nitrogênio.
O nitrogênio representa cerca de 13% de uma célula
bacteriana e é encontrado em ácidos nucleicos, proteínas e
outros compostos celulares. Na natureza, o nitrogênio se
encontra disponível como amônia, nitrato ou gás nitrogênio.
A maioria das células procarióticas utiliza amônia como
fonte de nitrogênio, enquanto algumas também usam o
nitrato.
Outros procariotos são capazes, ainda, de usar nitrogênio
obtido de fontes orgânicas, como os aminoácidos. Apenas
os procariotos fixadores de nitrogênio conseguem utilizar o
gás nitrogênio como fonte de nitrogênio.
As células necessitam também de outros macronutrientes que desempenham importantes funções:
Fósforo
Participa da síntese de ácidos nucleicos e fosfolipídios.
Enxofre
Presente em algumas vitaminas e aminoácidos.
Potássio
Participa da atividade de várias enzimas.
Magnésio
É necessário para a estabilização dos ribossomos, das membranas e dos
ácidos nucleicos e também para a atividade de enzimas.
Cálcio
É necessário para alguns microrganismos.
Sódio
É importante para os microrganismos marinhos.
Micronutrientes: elementos-traço e fatores de crescimento
São elementos necessários em quantidades muito pequenas, sendo, inclusive, difíceis de detectar.
Normalmente, são representados por íons metálicos. Esses micronutrientes são denominados elementos-
traço ou metais-traço, desempenhando, geralmente, papel de cofatores enzimáticos.
O ferro é o principal micronutriente para as células, sendo um componente fundamental dos
citocromos e de proteínas que têm ferro e enxofre, que participam das reações de transporte de
elétrons.
Alguns outros metais necessários e/ou metabolizados pelos microrganismos são cobalto, cobre, manganês,
molibdênio, níquel, selênio, tungstênio e zinco.
Por outro lado, os fatores de crescimento são representados pelos micronutrientes orgânicos, que são
requeridos em pequenas quantidades. As vitaminas são os exemplos mais comuns, mas alguns
microrganismos podem necessitar também de aminoácidos, purinas, pirimidinas e outras moléculas orgânicas.
As seguintes vitaminas são consideradas fatores de crescimento importantes:
Ácido fólico
Biotina
Cobalamina (vitamina B12)
Tiamina (vitamina B1)
Piridoxal (vitamina B6)
Ácido nicotínico (niacina)
Riboflavina
Ácido pantotênico
Ácido lipoico
Vitamina K
De modo geral, as vitaminas atuam como coenzimas (componentes não proteicos das enzimas), e as
necessidades vitamínicas variam muito de um microrganismo para o outro.
Atividade 1
Assim como os animais, os microrganismos também precisam de nutrientes para que possam se desenvolver
e sobreviver. Esses nutrientes contêm elementos químicos que serão inseridos em moléculas, como proteínas,
açúcares, vitaminas e cofatores, permitindo que o metabolismo dos microrganismos funcione de maneira
adequada. Qual dos seguintes elementos é geralmente um micronutriente necessário para o crescimento
microbiano?
A
Ferro
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B
Carbono
C
Nitrogênio
D
Fósforo
E
Potássio
A alternativa A está correta.
O ferro é um elemento essencial para muitos microrganismos, pois desempenha um papel fundamental em
várias reações metabólicas, incluindo a respiração celular e a síntese de proteínas. No entanto, ao contrário
dos macronutrientes como carbono, nitrogênio e fósforo, o ferro é necessário em quantidades menores,
sendo considerado um micronutriente.
Condições físicas para o cultivo de microrganismos
Neste vídeo, vamos abordar as implicações de temperatura, pH, oxigênio e disponibilidade de água no
crescimento microbiano.do vapor.
Escolha o ciclo adequado para os materiais (instrumental, líquidos, resíduos etc.). Observe as
instruções do fabricante da autoclave para parâmetros como temperatura, pressão e tempo.
Feche a porta e inicie o ciclo selecionado. Nunca tente abrir a autoclave durante a operação.
Observe os indicadores de pressão e temperatura para garantir que o ciclo está progredindo conforme
esperado.
Após a conclusão do ciclo, aguarde a autoclave liberar a pressão interna e voltar à temperatura
ambiente antes de abrir a porta.
Utilize proteção térmica para remover os itens esterilizados. Coloque-os em uma área designada para
esfriar completamente antes de armazenar ou usar.
Verifique se os indicadores químicos ou biológicos mudaram de cor, indicando sucesso na
esterilização.
Autoclavação de material
Neste vídeo, vamos preparar o material para autoclavação, destacando pontos mais relevantes, como
organizar os cuidados que devem ser tomados durante esse processo e mostrar o funcionamento e processo
de autoclavação em si.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Atividade discursiva 2
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Durante a rotina de esterilização de um laboratório de microbiologia, foi observado o seguinte cenário: uma
cultura de bactérias, que deveria ter sido completamente esterilizada após o processo de autoclavação,
continuou crescendo em meios de cultura pós-autoclavação, indicando que houve uma falha no processo de
esterilização. Liste pelo menos três possíveis causas para a ineficácia observada na esterilização e explique
como cada uma poderia levar à falha do processo.
Chave de resposta
A ineficácia observada na esterilização por autoclavação pode ser atribuída a várias causas. Em primeiro
lugar, uma carga excessiva ou arranjada de forma inadequada pode obstruir a circulação e penetração do
vapor, impedindo a esterilização completa. Isso ocorre quando os itens são sobrepostos ou embalados
muito densamente, ou se a capacidade da autoclave é excedida.
A esterilização ineficaz pode ocorrer se o tempo de exposição ou os parâmetros do ciclo de autoclavação
forem inadequados, resultando em ciclos muito curtos ou com temperaturas e pressões insuficientes para
a esterilização completa dos itens, permitindo a sobrevivência de microrganismos.
Por último, o desempenho deficiente da autoclave devido à manutenção negligenciada ou falhas
mecânicas (como selos de porta defeituosos ou sistemas de aquecimento falhos) pode impedir a máquina
de alcançar as condições necessárias para uma esterilização eficaz. É fundamental identificar
corretamente e resolver essas questões para assegurar a eficácia do processo de esterilização.
Como fazer um repique
Roteiro de prática
Tenha atenção ao seguinte procedimento:
Limpe a bancada com álcool 70% para minimizar a contaminação.
Organize os tubos de ensaio, a alça de inoculação e o bico de Bunsen para ficarem dispostos de forma
acessível.
Utilize o isqueiro ou fósforos para acender o bico de Bunsen. Ajuste a chama para azul, indicando a
temperatura ideal para esterilização.
Segure a alça pela extremidade do cabo e passe-a lentamente pela chama até que fique vermelha,
indicando que está esterilizada.
Aguarde alguns segundos para que a alça esfrie e evite matar os microrganismos por exposição ao
calor excessivo.
Flameje a boca do tubo contendo a cultura após a abertura, inclinando-o ligeiramente para evitar
contaminação.
Insira a alça resfriada, colete uma pequena quantidade do inóculo e transfira para o novo meio de
cultura.
Após o uso, flambe mais uma vez a alça de inoculação até que fique vermelha, garantindo que nenhum
microrganismo seja transferido acidentalmente.
Feche o gás e certifique-se de que a chama está completamente apagada.
Limpe a bancada com álcool 70%.
Como fazer um repique
Neste vídeo, vamos mostrar todo o processo de limpeza e assepsia de bancada, e os processos de
flambagem da alça de platina e de repique de uma cultura para um meio estéril.
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Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Atividade discursiva 3
Identifique e discuta os possíveis erros que podem ocorrer durante o processo de flambagem e repique, e
como podem afetar o resultado do cultivo. Forneça recomendações sobre como evitar ou corrigir esses erros.
Chave de resposta
Erros comuns no processo de flambagem e repique, como flambagem inadequada, manuseio impróprio da
alça e resfriamento inadequado após a flambagem, podem levar à contaminação cruzada ou ao insucesso
no cultivo. Para prevenir esses problemas, é crucial adotar técnicas de assepsia rigorosas, garantir uma
flambagem correta, permitir o resfriamento completo da alça antes do uso e evitar o contato com
superfícies não estéreis.
4. Mecanismos de patogenicidade bacteriana
Portas de entrada e mecanismos de adesão bacteriana
Neste vídeo, explicaremos os diferentes mecanismos de proteção que o organismo humano tem contra a
entrada de microrganismos no sistema, quais são as principais portas de entrada para infecção, os fatores
presentes em microrganismos que auxiliam na adesão e como ela ocorre.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
De modo geral, os patógenos precisam entrar em contato com o hospedeiro para causar doenças. Desse
modo, a patogênese bacteriana geralmente começa com a adesão aos tecidos do hospedeiro, seguida da
penetração nos tecidos ou evasão das defesas do sistema imune. As vias pelas quais os patógenos infectam o
organismo do hospedeiro são chamadas de portas de entrada.
As principais portas de entrada são:
As mucosas
São as membranas que recobrem os tratos gastrointestinal, geniturinário
e respiratório e a conjuntiva (membrana que recobre o globo ocular). Por
exemplo, o trato geniturinário representa a porta de entrada para os
microrganismos que causam as doenças sexualmente transmissíveis, que
são capazes de penetrar tanto na membrana mucosa lesionada como na
íntegra.
A pele
É maior órgão do corpo humano e também é uma porta de entrada para
infecções. A maioria dos patógenos não consegue penetrar na pele
íntegra, mas podem entrar pelos folículos pilosos e pelas glândulas
sudoríparas.
Além disso, os patógenos também podem entrar no organismo do hospedeiro por meio de lesões nas
mucosas e na pele. Essa situação é muito comum no ambiente hospitalar, em que o paciente passa
constantemente por punções, injeções e cirurgias e faz uso de acessos venosos e/ou cateteres. Porém, isso
também pode ocorrer fora dos hospitais, por meio de cortes, picadas, queimaduras e outros ferimentos
acidentais.
Uma vez que as bactérias patogênicas entram em contato com o hospedeiro, elas realizam um processo de
adesão às células epiteliais. O processo de adesão envolve a interação entre moléculas específicas do
patógeno e moléculas situadas nos tecidos dos hospedeiros, ou seja, a adesão nada mais é que a capacidade
de um microrganismo se ligar a uma célula ou a uma superfície.
Você conhece os principais mecanismos de adesão bacteriana?
Nas bactérias, diferentes estruturas podem estar envolvidas no processo de adesão. Entre elas, temos os
fatores de adesão não covalentes, ou seja, macromoléculas que atuam na adesão e não são covalentemente
ligadas às células bacterianas. Essas moléculas são conhecidas como glicocálix e são polímeros secretados
pelas próprias bactérias (geralmente polissacarídeos), responsáveis por recobrir a superfície da célula.
Um exemplo de glicocálix é a cápsula bacteriana, presente nas bactérias Bacillus anthracis (Causadora do
antraz) e Streptococcus pneumoniae (causadora da pneumonia).
Atenção
Além de participar do processo de adesão celular, a cápsula também pode proteger as bactérias dos
mecanismos de defesa do sistema imune, permitindo que elas ultrapassem as barreiras de defesa do
hospedeiro. 
Por exemplo, linhagens de S. pneumoniae encapsuladas conseguem se multiplicar no tecido pulmonar,
podendo levar o hospedeiroà morte; por outro lado, linhagens dessa mesma bactéria que não apresentam
cápsula são rapidamente destruídas pelas células do sistema imune, impedindo o desenvolvimento da doença.
Além disso, as bactérias podem apresentar outros fatores de adesão, como fímbrias, pili e flagelos. As
fímbrias e os pili participam da ligação às glicoproteínas localizadas na superfície da célula hospedeira.
Adesão de fímbrias a uma célula hospedeira.
Por exemplo, a bactéria Neisseria gonorrhoeae, causadora comum de infecções do trato geniturinário, tem pili
que atuam diretamente na ligação bacteriana ao epitélio urogenital; já as linhagens que não têm pili causam
infecções com uma frequência muito menor. Os flagelos também atuam no processo de adesão.
Por fim, outras proteínas da superfície celular bacteriana também estão envolvidas no processo de adesão. É
o caso da proteína Opa, de N. gonorrhoeae, que se liga de maneira específica à proteína CD66 do hospedeiro,
permitindo que a adesão ocorra.
Opa
Do inglês Opacity Associated Protein - Proteína associada a opacidade.
A bactéria Streptococcus pyogenes (causadora de infecção na garganta) se liga às células hospedeiras por
meio do ácido lipoteicóico e das proteínas F e M; a proteína M ainda impede que a bactéria seja fagocitada por
neutrófilos, facilitando ainda mais o estabelecimento da infecção.
Esquema mostrando as moléculas de adesão do S. pyogenes.
Devido a essas particularidades, muitas espécies bacterianas só são capazes de causar doença quando têm
contato com portas de entrada específicas, pois dependem da presença de determinadas moléculas do
hospedeiro para que o processo de adesão ocorra satisfatoriamente.
Atividade 1
Por serem procariontes, as bactérias não possuem diversas estruturas celulares encontradas nos eucariontes,
como mitocôndrias e núcleo. Entretanto, elas podem apresentar algumas estruturas especiais, como a
cápsula, que não são obrigatórias, mas conferem características vantajosas ao microrganismo. Qual é a
função dessa estrutura?
A
A cápsula bacteriana contribui para a regulação do pH intracelular, evitando assim a adesão a superfícies
ácidas.
B
A cápsula bacteriana aumenta a produção de toxinas que prejudicam a atividade dos linfócitos T.
C
A cápsula bacteriana impede a formação de biofilmes, reduzindo a capacidade de adesão a superfícies.
D
A cápsula bacteriana promove a diferenciação dos neutrófilos, facilitando sua adesão aos locais de infecção.
E
A cápsula bacteriana protege a bactéria contra o sistema imune e pode ajudar na adesão a superfícies.
A alternativa E está correta.
A cápsula bacteriana é uma camada externa de polissacarídeos que envolve algumas bactérias. Ela
desempenha um papel crucial na proteção contra a fagocitose pelos glóbulos brancos do sistema
imunológico, como os macrófagos. A cápsula dificulta a aderência dos fagócitos à superfície bacteriana,
impedindo sua captura e destruição. Além disso, pode facilitar a adesão da bactéria a superfícies,
contribuindo para a colonização e estabelecimento da infecção.
Toxinas, plasmídeos e lisogenia
Neste vídeo, explicaremos as diferenças entre os tipos de lesão causadas por toxinas e os conceitos de
exotoxinas e endotoxinas, plasmídeos e lisogenia.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Lesões diretas e lesões por toxinas
Ao entrar em contato com o hospedeiro e vencer suas barreiras de defesa, os patógenos bacterianos podem
causar danos às células hospedeiras por meio de lesões de dois tipos distintos, são elas:
Lesões diretas
Ocorrem quando alguns microrganismos, como determinados vírus, protozoários e bactérias, que
estão se multiplicando no interior de células humanas, rompem essas células, liberando grande
quantidade desses patógenos dentro do corpo do hospedeiro. Por exemplo: Chlamydia trachomatis.
Lesões causadas por toxinas
São ocasionadas por sua produção pelos patógenos. Toxigenicidade é a capacidade de um
microrganismo produzir toxinas; toxemia se refere à presença de toxinas no sangue do hospedeiro.
Por exemplo, a α-toxina produzida por Staphylococcus aureus forma poros na membrana da célula-
alvo.
Exotoxinas
São proteínas tóxicas, normalmente termolábeis (sujeitas a destruição pela elevação do calor), secretadas por
algumas bactérias (tanto gram-positivas quanto gram-negativas) durante seu crescimento.
Diferenças entre bactérias gram-positivas e gram-negativas.
As exotoxinas conseguem se deslocar do sítio de infecção em que se encontram e alcançar outras partes do
organismo do hospedeiro, causando danos. Elas têm uma ação bem específica em células ou tecidos, ligando-
se a receptores ou a determinadas estruturas celulares.
Dessa forma, podem ser classificadas em três categorias, descritas a seguir.
Toxinas citolíticas
Promovem a lise celular por meio da destruição da integridade da membrana citoplasmática da célula
hospedeira (exemplo: a α-toxina produzida por Staphylococcus forma poros na membrana da célula-
alvo, levando à lise de eritrócitos).
Toxinas AB
São formadas por duas subunidades, A e B; a subunidade B se liga à superfície da célula hospedeira
por meio de um receptor, transferindo a subunidade A pela membrana plasmática da célula-alvo,
resultando em danos à célula (exemplo: toxina diftérica e toxina botulínica (Clostridium botulinum),
sendo importantes fatores de virulência para essas bactérias).
Superantígenos
Causam reações inflamatórias intensas e danos teciduais devido ao estímulo exacerbado de células
do sistema imune.
Um subconjunto importante de exotoxinas são as enterotoxinas. Também são classificadas como toxinas
citolíticas, toxinas AB ou superantígenos. Sua ação ocorre no intestino delgado, causando vômitos e diarreia
devido à secreção de fluidos para o lúmen do intestino.
Você sabe como as enterotoxinas entram no organismo?
lustração 3D mostrando cistos do protozoário Giardia
intestinalis, agente causador da giardíase e diarréia,
contaminando a água potável.
Ilustração de uma Salmonella.
As enterotoxinas costumam ser adquiridas pela ingestão de
água ou alimentos contaminados, sendo produzidas por
diferentes bactérias causadoras de intoxicação alimentar,
como Bacillus cereus
Clostridium perfringens e Staphylococcus aureus e também
por bactérias patogênicas intestinais, como Escherichia coli
Salmonella enterica e Vibrio cholerae. 
De modo geral, as exotoxinas costumam ser extremamente
tóxicas, mesmo em quantidades muito pequenas, como
picogramas ou microgramas, chegando a ser fatais em
alguns casos.
As exotoxinas são proteínas imunogênicas, ou seja,
estimulam a resposta imune do hospedeiro, levando à produção de anticorpos neutralizantes (também
conhecidos como antitoxinas). Geralmente, o calor ou os agentes químicos são capazes de eliminar a
toxicidade das exotoxinas, porém elas continuam sendo imunogênicas.
Geralmente, as exotoxinas não causam febre no hospedeiro e, em sua maioria, são codificadas em elementos
extracromossômicos (como plasmídeos).
Endotoxinas
Diferente das exotoxinas, as endotoxinas são lipopolissacarídeos tóxicos, que são liberados no organismo do
hospedeiro pela lise bacteriana, como parte da membrana externa das bactérias gram-negativas. São
termoestáveis e costumam causar sintomas como febre, diarreia e vômito. 
São menos tóxicas que as exotoxinas, sendo
muito rara a morte do hospedeiro, e são pouco
imunogênicas, ou seja, a resposta imune do
hospedeiro não é capaz de neutralizar a toxina.
São codificadas por genes cromossômicos. As
endotoxinas de Salmonella, Escherichia e 
Shigella são bem estudadas e representam
importantes fatores de virulência para essas
bactérias.
Plasmídeos
Também conhecidos como os plasmídeos,
também conhecidos como DNA
extracromossômico, são estruturas acessórias que conferem características vantajosas às bactérias que os
têm. São moléculas de DNA dispersas no citoplasma da célula e se replicam independentemente do DNA
cromossômico.
Os plasmídeos são responsáveis por conferir duas características muito importantesàs bactérias
patogênicas, que lhes dão a capacidade de causar doença: a capacidade de ligação do patógeno a
tecidos específicos do hospedeiro e a produção de toxinas, de enzimas e de outras moléculas
capazes de causar danos ao hospedeiro.
Os plasmídeos podem conferir às bactérias perfil de resistência a diferentes classes de antimicrobianos
disponíveis para o tratamento das infecções, tornando-o desafiador.
Plasmídeos.
Por fim, a conversão fágica é um fenômeno que também pode contribuir para a virulência de uma bactéria. No
entanto, para entender o que é a conversão fágica, precisamos entender primeiro o que é lisogenia.
Lisogenia
Bacteriófagos são vírus que infectam bactérias. Em alguns casos, o genoma do vírus (conhecido como vírus
temperado) consegue se replicar em sincronia com o genoma da bactéria hospedeira, não provocando a
morte da célula. Esse fenômeno é chamado de lisogenia. Na lisogenia, o genoma do vírus consegue se
integrar ao DNA da bactéria hospedeira e, durante a divisão celular, as células-filhas bacterianas recebem o
genoma viral.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem
abaixo.
Esquema demonstrando o ciclo lisogênico.
Por esse motivo, o estado lisogênico pode proporcionar às bactérias novas propriedades genéticas que
aumentam sua virulência, ou seja, elevam sua capacidade de causar doença. Em muitos casos, a lisogenia é
fundamental para que a célula hospedeira seja capaz de sobreviver na natureza.
A conversão fágica nada mais é que a alteração do fenótipo da bactéria que ocorre em consequência da
lisogenização. Como exemplo, podemos citar a conversão de linhagens da bactéria Corynebacterium
diphtheriae (casuadora da difteria) não produtoras de toxina em produtoras de toxina pela lisogenização
causada pelo fago β, tornando a bactéria patogênica.
Atividade 2
Bactérias podem causar doenças por meio da produção de substâncias denominadas toxinas. De acordo com
determinadas características, essas toxinas são divididas em dois grupos: endotoxinas e exotoxinas. Qual é a
principal diferença entre esses grupos em relação à sua estrutura e ao modo de ação?
A
As endotoxinas são proteínas liberadas pelas bactérias durante a fase estacionária do crescimento, enquanto
as exotoxinas são componentes da parede celular bacteriana.
B
As exotoxinas são lipopolissacarídeos que compõem a membrana externa das bactérias, enquanto as
endotoxinas são proteínas solúveis secretadas pelas células bacterianas.
C
As endotoxinas são moléculas lipídicas localizadas na membrana externa das bactérias gram-positivas,
enquanto as exotoxinas são proteínas secretadas pelas bactérias durante o crescimento ativo.
D
As exotoxinas são proteínas solúveis secretadas pelas bactérias durante o crescimento ativo, enquanto as
endotoxinas são componentes da parede celular bacteriana liberados quando as bactérias morrem.
E
As endotoxinas são proteínas complexas sintetizadas pelas bactérias gram-negativas, enquanto as exotoxinas
são moléculas lipídicas liberadas durante a lise celular.
A alternativa D está correta.
As exotoxinas são toxinas liberadas por bactérias durante sua vida, visando a células específicas do
hospedeiro e causando danos variados, como à membrana celular ou à síntese proteica, além de estimular
respostas imunes. São proteínas altamente específicas, podendo ser neutralizadas por anticorpos. Em
contraste, as endotoxinas são componentes das paredes celulares de bactérias Gram-negativas,
principalmente lipopolissacarídeos (LPS), liberadas após a morte bacteriana. Desencadeiam uma resposta
inflamatória no hospedeiro, podendo causar febre, choque séptico, dependendo da quantidade e da
resposta do hospedeiro.
Relações da microbiota com o hospedeiro
Neste vídeo, explicaremos como funcionam as relações entre microrganismo e hospedeiro, os fatores que
podem desequilibrar essa relação e suas consequências.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Os microrganismos estão presentes nos mais variados ambientes, inclusive no corpo humano. As incontáveis
células microbianas que vivem no corpo humano são coletivamente chamadas de microbiota normal e vivem
em simbiose com o hospedeiro.
Todos são beneficiados com essa relação: a microbiota proporciona ao hospedeiro saúde e bem-estar por
meio da geração de produtos benéficos, além de dificultar o crescimento de microrganismos patogênicos; o
hospedeiro, por outro lado, oferece vários microambientes diferentes ideais para o crescimento e a
sobrevivência de determinadas populações de microrganismos, sendo fonte de nutrientes e fator de
crescimento indispensáveis, além de ter condições controladas de temperatura, pH e pressão osmótica.
Um indivíduo começa a desenvolver sua microbiota normal no momento de seu nascimento, já que o
útero é um ambiente estéril.
As diferentes partes do corpo, como a pele, o trato gastrointestinal, trato urogenital e trato respiratório, têm
características químicas e físicas distintas, sendo favoráveis ao crescimento de certos microrganismos e
desfavoráveis a outros.
Microbiota no intestino.
Além disso, diferentes regiões de um mesmo órgão também podem apresentar características distintas, como
acontece com a pele. A pele tem regiões mais úmidas, como a axila, o umbigo e o interior da narina, e regiões
mais secas, como os cotovelos, os joelhos e as palmas das mãos; existem, ainda, as regiões mais oleosas,
ricas em glândulas sebáceas, como a lateral do nariz, a parte superior das costas etc. Por esse motivo, os
microrganismos que colonizam cada região do corpo são diferentes. 
Representação dos diferentes microrganismos presentes na pele.
O intestino grosso, por exemplo, é um ambiente anóxico, no qual apenas bactérias anaeróbias conseguem
viver; as regiões mais secas da pele favorecem o crescimento de bactérias resistentes à desidratação, como 
Streptococcus e Staphylococcus.
Ambiente anóxico
Não contém oxigênio tanto na forma livre como combinada 
Atenção
É importante ressaltar que alguns tecidos, como o sangue e alguns órgãos como o sistema nervoso e o
coração, não são colonizados; a presença de microrganismos nesses locais indica a existência de uma
doença infecciosa. 
Alguns microrganismos que compõem a microbiota intestinal são capazes de produzir compostos essenciais
para o hospedeiro humano a partir de seu metabolismo. Esses compostos serão influenciados pela microbiota
intestinal e pela dieta do indivíduo. Por exemplo, o homem não é capaz de produzir as vitaminas B12e K; a
microbiota intestinal é responsável pela produção dessas vitaminas, que são absorvidas no cólon.
Por outro lado, bactérias fermentativas presentes na microbiota intestinal são responsáveis também pela
produção de gases e substâncias com odor fétido. Além disso, cerca de 1/3 do peso das fezes corresponde a
bactérias intestinais.
De modo geral, a perda das bactérias da microbiota resulta em diarreia ou fezes amolecidas. Com a alteração
da microbiota normal, microrganismos oportunistas presentes no intestino podem conseguir se desenvolver,
causando alterações digestivas e até doenças, como é o caso da bactéria Clostridium difficile (bactéria que
pode causar colite) e da levedura Candida albicans (causadora da candidíase).
Saiba mais
A microbiota normal do intestino pode ser alterada pelo uso de antibióticos, que podem afetar seu
crescimento, assim como dos patógenos. O restabelecimento da microbiota normalmente ocorre
rapidamente após o fim do uso de antibióticos, e esse processo pode ser agilizado pelo uso de bactérias
intestinais vivas, chamadas de probióticos. 
Atividade 3
O conjunto de microrganismos presentes no corpo humano compõe o que chamamos de microbiota. Todo o
corpo humano, incluindo órgãos internos, é colonizado por microrganismos?
A
Sim, todas as regiões do corpo humano possuem microbiota específica.
B
Não, existem regiões que não apresentam microbiota.
C
Não, o corpo humano apresenta microrganismos apenas em situações de doença.
D
Não, amicrobiota está presente apenas em regiões externas, como pele.
E
Sim, todos os órgãos são colonizados pela mesma microbiota encontrada no intestino.
A alternativa B está correta.
Enquanto a pele, mucosas e algumas cavidades, como a boca e o trato gastrointestinal, são naturalmente
habitadas por uma variedade de microrganismos, como bactérias e fungos, existem outras áreas do corpo,
especialmente órgãos internos como o coração, pulmões e rins, considerados estéreis e não possuem
microbiota. Esses órgãos internos normalmente não apresentam microrganismos, a menos que haja uma
infecção ou outra condição patológica presente.
Aplicando o conhecimento
Em um restaurante movimentado da cidade, Maria, uma cozinheira experiente, estava picando ingredientes
para o almoço quando cortou o dedo acidentalmente com uma faca afiada. Apesar de lavar o ferimento com
água e sabão, Maria continuou trabalhando, sem procurar tratamento médico imediato. Nos dias seguintes, o
dedo de Maria começou a inchar, ficar vermelho e dolorido, e ela desenvolveu febre e mal-estar.
Preocupada com sua saúde e com o risco de contaminar a comida servida no restaurante, Maria decidiu
consultar um médico. O médico examinou o ferimento e diagnosticou uma infecção bacteriana causada pela
bactéria Staphylococcus aureus, comumente encontrada na pele. O médico prescreveu antibióticos e instruiu
Maria a manter o ferimento limpo e protegido enquanto se recuperava.
Enquanto Maria estava de licença médica, a equipe de gerenciamento do restaurante revisou os protocolos de
segurança alimentar e higiene. Eles ressaltaram a importância de tratar imediatamente ferimentos e usar luvas
e curativos para cobrir cortes durante o trabalho na cozinha. Além disso, implementaram verificações de
saúde regulares para todos os funcionários e incentivaram a comunicação aberta sobre ferimentos ou
doenças, para que medidas pudessem ser tomadas rapidamente.
Após alguns dias de tratamento, Maria retornou ao trabalho, consciente da importância de cuidar de lesões
menores. O restaurante continua a implementar medidas rigorosas de higiene e segurança alimentar para
garantir a qualidade e a segurança dos alimentos servidos, além de priorizar a saúde e o bem-estar de seus
funcionários.
Questão 1
Como a negligência com ferimentos pequenos no ambiente de trabalho pode impactar a saúde do indivíduo
afetado?
Chave de resposta
Ao não tratar adequadamente um ferimento, mesmo que pareça pequeno, existe o risco de infecção.
Ferimentos na pele podem permitir a entrada de bactérias e outros microrganismos no organismo, levando
a infecções locais ou sistêmicas. Essas infecções podem causar sintomas como dor, inchaço, vermelhidão
e febre, e em casos mais graves, podem resultar em complicações sérias, como a disseminação da
infecção para outros órgãos ou a entrada na corrente sanguínea, podendo levar a condições
potencialmente fatais, como sepse (caracterizada por uma resposta inflamatória sistêmica do corpo à
infecção, o que pode resultar em uma ampla gama de complicações, incluindo a falha de múltiplos órgãos).
Questão 2
Por que não foi o suficiente Maria lavar a mão com água e sabão para impedir a infecção bacteriana?
Chave de resposta
Cortes ou feridas profundas permitem que as bactérias penetrem nas camadas mais internas da pele, onde
a limpeza superficial não alcança. Além disso, a água e o sabão podem remover sujeira e reduzir a
quantidade de patógenos, mas não eliminam completamente todas as bactérias presentes. E a ausência de
uma desinfecção mais profunda com soluções antissépticas e a falta de proteção adicional, como o uso de
curativos antibacterianos, facilitam a entrada e proliferação de novas bactérias no ferimento.
Questão 3
Considerando a revisão dos protocolos de segurança alimentar e higiene pelo restaurante, explique como
medidas, como o tratamento imediato de ferimentos e o uso de luvas, podem reduzir o risco de contaminação
alimentar e promover um ambiente de trabalho mais seguro.
Chave de resposta
Tratar feridas rapidamente evita a proliferação de microrganismos no local do ferimento e sua transferência
para os alimentos. O uso de luvas atua como uma barreira física, prevenindo a contaminação direta dos
alimentos pelas mãos dos funcionários.
5. Conclusão
Considerações finais
Nutrientes são essenciais para o crescimento microbiano, e os requerimentos nutricionais variam de
acordo com o microrganismo.
Além de nutrientes, condições ambientais como temperatura, pH, disponibilidade de água e teor de
oxigênio influenciam no crescimento microbiano.
O crescimento microbiano ocorre em fases bem definidas, denominadas lag, log, estacionária e de
morte, cuja duração varia de acordo com a disponibilidade de nutrientes.
A quantidade de microrganismos viáveis em superfícies vivas ou objetos pode ser diminuída por meio
de métodos físicos e químicos.
A escolha por um determinado método físico ou químico de controle de crescimento depende do
material a ser tratado.
Para causar doença, um microrganismo deve obter acesso ou produzir substâncias que entrem em
contato com o hospedeiro.
Os microrganismos podem causar lesões diretas ou indiretas nas células do hospedeiro.
O corpo humano é repleto de microrganismos, que constituem o que chamamos de microbiota e
confere vantagens ao hospedeiro.
Explore +
Assista ao documentário Fungos fantásticos (Louis Schwartzberg, 2029) e veja como os microrganismos são
importantes para o nosso ecossistema.
Referências
MADIGAN, M. T.; MARTINKO, J. M.; BENDER, K. S. et al. Microbiologia de Brock. Porto Alegre: Grupo A, 2016.
 
TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. L. Microbiologia. Porto Alegre: Grupo A, 2017.
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	Crescimento microbiano
	1. Itens iniciais
	Objetivos
	Introdução
	1. Nutrição e crescimento microbiano
	Exigências nutricionais
	Conteúdo interativo
	Anabolismo
	Catabolismo
	Carbono, nitrogênio e outros macronutrientes
	Fósforo
	Enxofre
	Potássio
	Magnésio
	Cálcio
	Sódio
	Micronutrientes: elementos-traço e fatores de crescimento
	Atividade 1
	Condições físicas para o cultivo de microrganismos
	Conteúdo interativo
	Temperatura
	Temperatura mínima de crescimento
	Temperatura ótima de crescimento
	Temperatura máxima de crescimento
	Microrganismos psicrófilos
	Microrganismos mesófilos
	Microrganismos termófilos
	Microrganismos hipertermófilos
	pH
	Neutrófilos
	Acidófilos
	Alcalifílicos
	Atenção
	Pressão osmótica
	Microrganismos halófilos
	Microrganismos halotolerantes
	Microrganismos halófilos extremos
	Microrganismos osmófilos
	Microrganismos xerófilos
	Oxigênio
	Aeróbios
	Aeróbios facultativos
	Anaeróbios aerotolerantes
	Microaerófilos
	Anaeróbios obrigatórios
	Atividade 2
	Tipos de meio de cultura
	Conteúdo interativo
	Composição química
	Meios quimicamente definidos
	Meios complexos
	Consistência
	Meios sólidos
	Meios líquidos
	Meios semissólidos
	Finalidade de uso
	Meio de cultura enriquecido
	Meio de cultura seletivo
	Meio de cultura diferencial
	Atividade 3
	Laboratório virtual
	Preparação de meio de cultura
	Conteúdo interativo
	Atividade laboratorial
	Preparação de meio de cultura
	Conteúdo interativo
	Curva de crescimento microbiano
	Conteúdo interativo
	Fase Lag
	Fase exponencial
	Fase estacionária
	Fase de declínio ou morte
	Analogia
	Atividade 4
	Aplicando o conhecimento
	Conteúdo interativo
	2. Controle de crescimento microbiano
	Introdução ao controle de crescimento microbiano
	Conteúdo interativo
	Esterilização
	Desinfecção
	Descontaminação
	Antissepsia
	Assepsia
	Quimioterapia
	Como preparar uma solução de álcool 70%?
	Conteúdo interativo
	Efeito estático
	Efeito microbicida
	Métodos antimicrobianos
	Atividade 1
	Métodos físicos de controle de crescimento microbiano
	Conteúdo interativo
	Calor
	Atenção
	Formas vegetativas de bactérias
	Esporos bacterianos (estruturas de resistência)
	Formas vegetativas de fungos
	Esporos fúngicos (estruturas de reprodução)
	Calor úmido
	Autoclave
	Conteúdo interativo
	Conteúdo interativo
	Tindalização
	Conteúdointerativo
	Pasteurização
	Ultra-high temperature
	Água em ebulição
	Calor seco
	Forno ou estufa
	Flambagem
	Incineração
	Radiação
	Radiações ionizantes
	Radiação ultravioleta
	Filtração
	Aplicação 1
	Aplicação 2
	Implementar um protocolo rigoroso de autoclavação.
	Utilizar fornos de calor seco para esterilizar instrumentos.
	Implementar a fervura como método de esterilização para instrumentos que possam suportar temperaturas elevadas.
	Atividade 2
	Métodos químicos de controle de
 crescimento microbiano
	Conteúdo interativo
	Desinfetantes
	Fenol
	Compostos que liberam cloro
	Ozônio (O3)
	Agentes surfactantes
	Agentes alquilantes
	Antissépticos
	Saiba mais
	Álcool (etílico ou isopropílico)
	Hexaclororeno
	Compostos que contêm metais pesados
	Agentes surfactantes
	Laboratório virtual
	Eficácia de agentes antissépticos
	Conteúdo interativo
	Atividade 3
	Aplicando o conhecimento
	Conteúdo interativo
	3. Controle de crescimento de microrganismos na prática
	Como preparar uma solução de álcool 70%?
	Roteiro de prática
	Como preparar uma solução de álcool 70%?
	Conteúdo interativo
	Atividade discursiva 1
	Autoclavação de material
	Roteiro de prática
	Autoclavação de material
	Conteúdo interativo
	Atividade discursiva 2
	Como fazer um repique
	Roteiro de prática
	Como fazer um repique
	Conteúdo interativo
	Atividade discursiva 3
	4. Mecanismos de patogenicidade bacteriana
	Portas de entrada e mecanismos de adesão bacteriana
	Conteúdo interativo
	As mucosas
	A pele
	Atenção
	Atividade 1
	Toxinas, plasmídeos e lisogenia
	Conteúdo interativo
	Lesões diretas e lesões por toxinas
	Lesões diretas
	Lesões causadas por toxinas
	Exotoxinas
	Toxinas citolíticas
	Toxinas AB
	Superantígenos
	Endotoxinas
	Plasmídeos
	Lisogenia
	Conteúdo interativo
	Atividade 2
	Relações da microbiota com o hospedeiro
	Conteúdo interativo
	Atenção
	Saiba mais
	Atividade 3
	Aplicando o conhecimento
	Questão 1
	Questão 2
	Questão 3
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	ReferênciasAlém disso, vamos explicar as diferentes classificações e fazer a relação com
estabilidade microbiológica de alimento e outros exemplos reais.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Os microrganismos são encontrados na natureza nos mais variados ambientes. As características físicas
desses ambientes são capazes de afetar esses microrganismos e seu crescimento. Capazes de crescer
exclusivamente na ausência de oxigênio, sendo o oxigênio nocivo ou letal para eles. Dessa forma, os principais
fatores físicos que afetam o crescimento dos microrganismos são:
Temperatura
pH
Disponibilidade de água
Oxigênio
Neste tópico, discutiremos a importância de cada um desses fatores.
Temperatura
• 
• 
• 
• 
Termômetro exibindo temperatura de 40 graus com o
sol brilhando ao fundo indicando dia muito quente.
A temperatura é um dos fatores físicos
determinantes no crescimento microbiano.
Existem microrganismos capazes de crescer
nas mais variadas faixas de temperatura, e essa
capacidade geralmente reflete a variação
térmica e a temperatura média dos lugares
onde vivem.
De modo geral, com o aumento da temperatura,
ocorre o aumento da velocidade das reações
enzimáticas e químicas das células, tornando
seu crescimento mais rápido. Existe, porém, um
limite de temperatura, a partir do qual os
componentes das células sofrem danos
irreparáveis, resultando em sua morte.
Assim, cada microrganismo apresenta uma:
Temperatura mínima de crescimento
Sendo os microrganismos incapazes de crescer
em temperaturas inferiores.
Temperatura ótima de crescimento
Representada pela temperatura mais favorável,
em que os microrganismos crescem mais
rapidamente.
Temperatura máxima de crescimento
Sendo os microrganismos incapazes de crescer
em temperaturas superiores.
Esse conjunto de temperaturas representa as temperaturas cardeais dos microrganismos, que podem ser
muito diferentes entre as espécies; existem microrganismos com temperatura ótima de crescimento de 0°C e
outros que têm temperatura ótima acima de 100°C, por exemplo.
O que determina as temperaturas máximas e mínimas de crescimento de um microrganismo?
O que determina a temperatura máxima de crescimento de um microrganismo é a desnaturação de proteínas,
como as enzimas. Assim, acima da temperatura máxima, as enzimas e as proteínas indispensáveis à
sobrevivência da célula desnaturam, resultando na morte celular.
Em relação à temperatura mínima, os fatores ainda não são completamente definidos, e acredita-se que
estejam relacionados a características da membrana plasmática. Como a membrana atua no transporte de
nutrientes e em funções bioenergéticas, ela precisa se manter em um estado semifluido para desempenhar
suas funções.
Temperaturas mínima, ótima e máxima.
Temperaturas muito baixas podem tornar a membrana mais rígida, impedindo o transporte de nutrientes ou a
força próton-motiva, o que impossibilita o crescimento microbiano. A composição de ácidos graxos da
membrana plasmática dos microrganismos é determinante para sua sobrevivência a baixas temperaturas.
Por último, você sabia que os microrganismos são classificados de acordo com sua temperatura
ótima de crescimento?
De acordo com essa classificação:
Microrganismos psicrófilos
Apresentam crescimento ótimo em baixas
temperaturas.
Microrganismos mesófilos
Apresentam crescimento ótimo em
temperaturas medianas.
Microrganismos termófilos
Apresentam crescimento ótimo em altas
temperaturas.
Microrganismos hipertermófilos
Apresentam crescimento ótimo em
temperaturas extremamente elevadas.
Observe o gráfico a seguir:
Temperatura X Crescimento de microrganismos.
Os microrganismos mesófilos são os mais comumente encontrados na natureza e os mais estudados, pois são
achados em locais com temperaturas temperadas e tropicais e nos animais de sangue quente. Os
hipertermófilos são geralmente encontrados em fontes termais e fendas hidrotermais no fundo do oceano,
têm enzimas altamente estáveis e são representados, principalmente, por bactérias e arqueias.
pH
Corresponde à concentração de íons hidrogênio [H+], e sua variação é grande nos diferentes ambientes.
Valores de pH iguais a 7 representam pH neutro, pH inferior a 7 é chamado de ácido e pH superior a 7 é
chamado de alcalino ou básico.
Escala de pH.
O aumento de uma unidade de pH representa uma alteração de 10 vezes na concentração de íons hidrogênio,
o que significa que a variação da quantidade de íons hidrogênio nos ambientes naturais é enorme!
Assim como a temperatura, o pH também influencia fortemente o crescimento microbiano. Cada
microrganismo é capaz de crescer em uma faixa de pH, sendo o pH ótimo aquele em que o crescimento
ocorre mais rapidamente. Os microrganismos podem ser classificados, de acordo com o pH ótimo de
crescimento, como:
Neutrófilos
Apresentam pH ótimo de crescimento entre 5,5
e 7,9.
Acidófilos
Apresentam crescimento ótimo em valores de
pH inferiores a 5,5.
Alcalifílicos
Apresentam crescimento ótimo em valores de
pH superiores a 7,9.
Há diferentes classes de microrganismos acidófilos e alcalifílicos, o que significa dizer que existe uma variação
de valores de pH ótimos entre os diferentes microrganismos. Por exemplo, as bactérias acidófilas Rhodopila
globiformis e cidithiobacillus ferrooxidans apresentam valores de pH para crescimento ótimo iguais a 5 e 3,
respectivamente; o mesmo acontece com os microrganismos alcalifílicos.
Atenção
É importante dizer que o pH ótimo para o crescimento de um microrganismo é referente ao pH
extracelular. De modo geral, o pH no interior da célula deve se manter próximo à neutralidade para evitar
que as macromoléculas celulares sejam destruídas. 
Pressão osmótica
Atividade de água é um termo que se refere à disponibilidade de água em um ambiente. Essa disponibilidade
não está apenas relacionada ao fato de o ambiente ser úmido ou seco, mas também à concentração de
diferentes solutos dissolvidos na água, como sais, açúcares etc.
Os solutos apresentam a capacidade de se ligar à água, deixando-a menos disponível para os
microrganismos. Ajustes fisiológicos são necessários para que os microrganismos sejam capazes de crescer
em ambientes com solução hipertônica, pois, quando a concentração de soluto do ambiente supera a do
citoplasma, a célula perde água por osmose, o que pode resultar em problemas sérios para a célula se ela não
tiver mecanismos para contrabalançar esse processo, já que uma célula desidratada não consegue crescer.
À direita: Bactéria em meio isotônico. À esquerda: Bactéria em meio hipertônico
perdendo água do citoplasma para o meio.
Os microrganismos podem ser classificados como:
Microrganismos halófilos
São aqueles que precisam de cloreto de sódio (NaCl) para crescer. A quantidade de NaCl necessária
varia de acordo com o microrganismo e com o ambiente em que ele vive. Assim, os microrganismos
marinhos geralmente necessitam de 1% a 4% de NaCl, enquanto os que vivem em ambientes mais
salgados que a água do mar (chamados hipersalinos) precisam de 3% a 12% de NaCl, ou até mais que
isso.
É importante destacar que os halófilos dependem de NaCl para seu crescimento, não sendo possível
substitui-lo por outros sais (como cloreto de potássio, de cálcio ou de magnésio).
Microrganismos halotolerantes
São aqueles capazes de crescer na presença de solutos dissolvidos, mas que apresentam melhor
crescimento na ausência dos solutos.
Microrganismos halófilos extremos
São aqueles que crescem na presença de concentrações extremamente altas de sal (de 15% a 30%)
e, na maioria dos casos, não conseguem crescer em concentrações menores de sal.
Microrganismos osmófilos
Sobrevivem em locais ricos em açúcar.
Microrganismos xerófilos
Crescem em locais muito secos (pela falta de água).
Oxigênio
O oxigênio faz parte da composição de todas as células, sendo fornecido em grandes quantidades
principalmente a partir da água. No entanto, a capacidade de metabolizar o oxigênio molecular não é
universal. Assim, para algumas células, o oxigênio é essencial,enquanto, para outras, é tóxico. Dessa forma,
os microrganismos podem ser classificados da seguinte maneira, de acordo com a sua necessidade ou
tolerância ao oxigênio: 
Aeróbios
Crescem apenas onde há altas concentrações de oxigênio difundidas no
meio, como é o caso do ar atmosférico.
Aeróbios facultativos
Crescem melhor na presença de oxigênio, mas ele não é essencial.
Anaeróbios aerotolerantes
São capazes de crescer na presença de oxigênio, mas sem utilizá-lo.
Microaerófilos
São capazes de crescer somente na presença de pequenas quantidades de
oxigênio (inferiores aos níveis de oxigênio do ar.)
Anaeróbios obrigatórios
São capazes de crescer exclusivamente na ausência de oxigênio, pois o
oxigênio é nocivo ou letal para eles.
Atividade 2
Diversos fatores ambientais influenciam o desenvolvimento de microrganismos. Nesse contexto, qual é a
relação entre temperatura e crescimento de microrganismos?
A
A temperatura não tem impacto no crescimento dos microrganismos.
B
O crescimento dos microrganismos aumenta linearmente com a temperatura.
C
O crescimento dos microrganismos atinge o pico em uma temperatura ótima e diminui em temperaturas mais
altas ou mais baixas.
D
O crescimento dos microrganismos é mais rápido em temperaturas mais baixas.
E
O crescimento dos microrganismos é mais rápido em temperaturas mais altas.
A alternativa C está correta.
Microrganismos possuem faixas de temperatura específicas em que seu crescimento é otimizado. Essa
faixa de temperatura ótima varia para diferentes tipos de microrganismos. Em geral, quando a temperatura
é muito baixa, suas atividades metabólicas diminuem significativamente, retardando o crescimento. Por
outro lado, quando a temperatura é muito alta, suas enzimas e outras estruturas celulares podem ser
danificadas, também reduzindo o crescimento.
Tipos de meio de cultura
Neste vídeo, vamos abordar os diferentes tipos de meio de cultura, ressaltando a diferença entre os meios
sólidos e líquido, quando cada um é mais utilizado, e as diferenças entre seletivo, enriquecido e diferencial.
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Os meios de cultura desempenham um papel fundamental no cultivo e crescimento de organismos, permitindo
o estudo de diferentes processos biológicos em laboratório. Esses meios são compostos por uma combinação
de nutrientes essenciais que fornecem os elementos necessários para o desenvolvimento e sobrevivência de
microrganismos, células e tecidos.
Enquanto alguns microrganismos crescem em diversos meios de cultura, outros necessitam de condições
específicas para seu crescimento, e há aqueles que ainda não foram cultivados com sucesso em meios não
vivos.
Quando introduzimos microrganismos em um meio de cultura para iniciar seu crescimento,
chamamos esse processo de inóculo. Os microrganismos que se multiplicam e se desenvolvem no
meio de cultura são denominados cultura.
Ao desejar cultivar um microrganismo específico, como os presentes em amostras clínicas, é crucial que o
meio de cultura atenda a certos critérios, como:
O meio deve conter os nutrientes adequados para o microrganismo em questão.
O meio deve possuir a quantidade correta de água e pH apropriado.
O meio deve estar livre de microrganismos no início, ou seja, estéril. A esterilidade é fundamental para
que apenas os microrganismos introduzidos e sua descendência estejam presentes na cultura em
crescimento.
O meio de cultura deve ser incubado em condições adequadas para promover o crescimento e
multiplicação dos microrganismos de interesse.
Esses meios são subdivididos em diversos grupos, considerando sua composição química, consistência e
finalidade de uso, como veremos a seguir.
1. 
2. 
3. 
4. 
Composição química
Meios quimicamente definidos
Sua composição é conhecida e especificada em termos de concentração de aminoácidos, vitaminas, açúcares
e outros componentes. 
Componentes Quantidades
Glicose 5 g
Fosfato de amônio monobásico 
(NH 4 H 2 PO 4 )
1 g
Cloreto de sódio (NaCl) 5 g
Sulfato de magnésio (MgSO 4 .7H 2 O) 0,2 g
Fosfato de potássio, dibásico (K 2 HPO 4 ) 1 g
Água 1 L
Tabela: Meio quimicamente definido para o crescimento de um quimio-heterotrófico típico, como Escherichia
coli. 
TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. L. 2017. p. 158.
Meios complexos
Contêm nutrientes como extratos de leveduras, de carnes ou de plantas, ou de produtos de digestão de
proteínas. A composição química exata pode variar de acordo com o lote dos extratos.
Componentes Quantidades 
Peptona (proteína parcialmente digerida) 5 g 
Extrato de carne 3 g 
Cloreto de sódio (NaCl) 8 g 
Ágar 15 g 
Ágar 1 L 
Tabela: Meio complexo. 
TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. L. 2017. p. 159.
Consistência
Quanto à sua consistência, os meios de cultura podem se apresentar como líquidos, sólidos e semissólidos. 
Meios sólidos
Contêm agentes solidificantes como ágar-ágar (uma substância gelatinosa derivada de algas marinhas
vermelhas. São utilizados em meios de cultura devido à sua capacidade de formar géis à temperatura
ambiente) proporcionando uma superfície sólida para o crescimento de microrganismos em placas de Petri.
Esse tipo de meio é ideal quando é necessário o isolamento de uma colônia específica ou quando queremos
quantificar o número de colônias de bactérias por certa quantidade de amostra, experimento muito comum no
controle de qualidade de produtos cosméticos e análise de água, por exemplo. 
Meios líquidos
São muito utilizados para cultivo em larga escala de microrganismos, produção de biomoléculas e
fermentação industrial, além de ser fundamental para o cultivo de células e tecidos em estudos de expressão
gênica, diferenciação celular e testes de toxicidade. Também são empregados em ensaios microbiológicos,
preparação de amostras por meio da diluição do número de células, e manutenção de células em cultura de
tecidos para experimentos em biologia celular. 
Meios semissólidos
Possuem menor quantidade de ágar que os meios sólidos, e são utilizados para verificar a motilidade de
microrganismos, ou para cultivo de microrganismos microaerófilos. 
Finalidade de uso
Há, ainda, uma classificação baseada na finalidade desse meio:
Meio de cultura enriquecido
É formulado para fornecer nutrientes adicionais que promovem o crescimento de microrganismos exigentes ou
que estão em baixa concentração em uma amostra. Esses meios são frequentemente utilizados para o
isolamento e cultivo de microrganismos fastidiosos. Esses são microrganismos que possuem requisitos
nutricionais específicos e são exigentes quanto ao seu ambiente de cultivo. Pode ser mais difícil de cultivar em
laboratório devido à sua sensibilidade a alterações nas condições de cultivo. Exemplo: caldo triptona de soja
enriquecido. 
Caldo triptona de soja enriquecido.
Meio de cultura seletivo
É desenvolvido para favorecer o crescimento de determinados tipos de microrganismos, inibindo o
crescimento de outros. Isso é alcançado pela adição de agentes seletivos como antibióticos, sais ou corantes
que prejudicam a multiplicação de certos grupos de microrganismos enquanto permite o crescimento dos
desejados. Exemplo: Ágar MacConkey seletivo para bactérias Gram-negativas, Salmonella sp. em ágar SS,
meio seletivo. 
Cultura de Salmonella sp. em meio de cultura SS.
Meio de cultura diferencial
É formulado para facilitar a identificação de microrganismos com base em características específicas, como
metabolismo de carboidratos, produção de enzimas ou pigmentação. 
Geralmente, esse meio contém indicadores que revelam atividades metabólicas distintas entre diferentes
microrganismos, permitindo a diferenciação entre eles. Exemplo: Ágar sangue diferencial usado para
diferenciar bactérias com base em sua capacidade de hemólise. 
Cultura de Streptococcus pyogenes, bactéria β-hemolítica em ágar sangue.
Atividade 3
Ao estudar microbiologia, é crucial compreender os diferentes tipos de meio de cultura e suas aplicações.
Qual é a principal característica de um meio de culturaseletivo?
A
Promover o crescimento de microrganismos exigentes em nutrientes.
B
Permitir o crescimento de uma ampla variedade de microrganismos.
C
Inibir o crescimento de determinados tipos de microrganismos.
D
Ser utilizado para cultivo de células e tecidos em laboratório.
E
Não possuir agentes seletivos, sendo utilizado para cultivo de microrganismos específicos.
A alternativa C está correta.
Um meio de cultura seletivo é caracterizado por inibir o crescimento de certos tipos de microrganismos,
enquanto permite o crescimento de outros. Isso é alcançado pela adição de agentes seletivos, como
antibióticos, sais ou corantes, que prejudicam a multiplicação de grupos específicos de microrganismos,
favorecendo assim o crescimento daqueles desejados.
Laboratório virtual
Vamos agora para o nosso laboratório virtual, onde vamos preparar um meio de cultura, que contém todos os
nutrientes necessários para os microrganismos crescerem em condições adequadas.
Preparação de meio de cultura
Neste vídeo, acompanhe a explicação sobre a prática e os procedimentos para preparar um meio de cultura. 
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Atividade laboratorial
Nesta atividade laboratorial, o professor fará o preparo do meio de cultura (1 líquido e 1 sólido), mostrando os
diferentes tipos de meio (sólido em placa/inclinado) e líquido, explicando quando cada um é mais usado, como
devem ser vertidos, os cuidados a serem tomados no preparo e na esterilização.
Preparação de meio de cultura
Acompanhe, neste vídeo, a preparação do meio de cultura. Você verá quando usamos os meios em placa e
inclinado, como devem ser vertidos e quais os cuidados a serem tomados no preparo e na esterilização. 
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Curva de crescimento microbiano
Neste vídeo, vamos abordar todas as fases do crescimento microbiano, explicando o que está acontecendo
em cada uma delas.
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O crescimento microbiano pode ser definido como o aumento do número de células de uma população. Nesse
sentido, uma população microbiana em um ambiente fechado, como um frasco ou tubo, não cresce
indefinidamente, apresentando o que chamamos de curva de crescimento.
A curva de crescimento microbiano apresenta algumas fases, nas quais eventos bioquímicos diferentes
ocorrem.
Fase Lag
A primeira fase, chamada de lag, é conhecida como a fase de adaptação.
Nessa fase, os microrganismos estão se preparando para a divisão
celular, transportando nutrientes, sintetizando DNA e enzimas
necessárias para esse processo. Nesse momento, as células aumentam
em tamanho, mas não em número. A duração dessa fase pode ser bem
variável, dependendo do inóculo e das condições de crescimento. Em
condições laboratoriais, a fase lag ocorre em algumas situações:
Quando a população microbiana é inoculada de um meio de
cultura para outro, de composição diferente (principalmente
quando a transferência é feita de um meio de cultura rico em
nutrientes para um meio mais pobre).
Quando as células microbianas sofrem algum tipo de dano (por
ação do calor, da radiação ou de compostos químicos tóxicos, por
exemplo) e necessitam de um tempo para que esses danos
possam ser reparados.
Quando o inóculo das células microbianas é proveniente de uma
cultura que se encontra na fase estacionária (ou seja, cultura
antiga).
Quando o inóculo tem poucas células viáveis.
Fase exponencial
Também chamada de fase log, representa a melhor fase do crescimento
microbiano, momento em que a divisão celular se encontra ativa e o
crescimento é intenso. Diversos fatores podem influenciar a taxa de
crescimento exponencial, como temperatura, pH, composição do meio de
cultura, além das características genéticas de cada microrganismo. 
Além disso, o tamanho celular afeta diretamente a taxa de crescimento:
células microbianas menores tendem a crescer mais rapidamente que
células maiores. Dessa forma, os procariotos crescem mais rápido que os
eucariotos, enquanto as células eucarióticas menores crescem mais
rápido que as células eucarióticas maiores. Isso se deve ao fato de as
células menores serem capazes de trocar nutrientes com o ambiente e
excretar produtos mais rapidamente, o que resulta em vantagem
metabólica que torna seu crescimento mais rápido.
Geralmente, as células que estão na fase exponencial de crescimento
estão mais saudáveis e, por esse motivo, são frequentemente escolhidas
para o estudo em laboratório de seus componentes celulares ou de
atividades enzimáticas.
1. 
2. 
3. 
4. 
Fase estacionária
Em um meio de cultura, o crescimento exponencial de microrganismos
não ocorre de maneira indefinida, pois os nutrientes do meio se esgotam
após um tempo, e substâncias tóxicas liberadas pelas próprias células
microbianas vão se acumulando no meio de cultura. Dessa forma, as
células param de crescer, não sendo observados aumento nem
diminuição do número de células. Essa fase é conhecida como
estacionária.
Entretanto, muitas funções celulares relacionadas ao metabolismo
energético e de síntese continuam ativas nessa fase. Um crescimento
muito lento ainda pode ser observado em alguns microrganismos.
Fase de declínio ou morte
Nessa fase, o número de células que morrem é maior que o número de
células que se multiplicam. Nesse momento, os nutrientes do meio já
estão completamente esgotados e ricos em substâncias tóxicas, e as
células perdem a viabilidade independentemente das condições
ambientais. A duração dessa fase é bem variável entre as diferentes
espécies microbianas, e até mesmo entre cepas diferentes de uma
mesma espécie.
De modo geral, a taxa de morte das células é mais lenta que a taxa de
crescimento exponencial e, muitas vezes, células podem continuar vivas
em cultura por muitos meses.
O crescimento microbiano geralmente é o aumento do número de células ou da massa celular por unidade de
tempo. Durante a divisão celular (que ocorre por fissão binária) todos os componentes celulares são
duplicados. O intervalo que uma célula origina duas é denominado tempo de geração. O tempo de geração
varia entre os organismos e as condições ambientais.
Podemos estimar o tamanho populacional por meio da seguinte fórmula:
Onde:
N é o número de microrganismos final.
N0 é o número de organismos inicial.
n é o tempo de geração.
Veja o seguinte exemplo:
Sabendo que o tempo de geração da bactéria Escherichia coli é de 20 minutos, partindo-se de uma única
bactéria, quantas células bacterianas serão obtidas após 1 hora de cultivo?
Resolução:
• 
• 
• 
1 hora de cultivo (60 minutos)
Tempo de geração: 20 minutos, então tivemos 3 gerações
N = 1
Então:
N = 1.23
N = 8 bactérias
Analogia
Para entender melhor as fases de crescimento, imagine o seguinte: 
Você está baixando um arquivo grande da internet. No começo, o download pode ser lento porque a
conexão ainda está se estabilizando (fase lag). Pensando nas bactérias, seria o momento em que elas
estão se adaptando ao ambiente e preparando seu metabolismo.
À medida que a conexão se estabiliza, o download ganha velocidade, aproveitando ao máximo a
largura de banda disponível (fase logarítmica). Isso também ocorre com as bactérias, que se
multiplicam muito rapidamente devido à disponibilidade de nutrientes.
No entanto, se mais dispositivos em sua casa começarem a usar a internet, a largura de banda
disponível para o seu download pode ser reduzida, desacelerando o progresso (fase estacionária). O
crescimento das bactérias também é desacelerado, pois, nessa fase, existem já muitas e os nutrientes
estão acabando.
Se a rede ficar muito congestionada, o download pode parar completamente (fase de morte). Esse
momento corresponde à ausência de nutrientes no meio. Assim, as bactérias não se multiplicam mais e
morrem.
Atividade 4
Qual é a fase da curva de crescimento microbiano em que as células estão se adaptando ao ambiente e se
preparando para a rápida divisão celular?
A
Fase lag
B
Fase exponencialC
Fase estacionária
D
Fase de morte
E
Fase de declínio
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
A alternativa A está correta.
A fase lag caracterizada pelo tempo necessário para que as células se adaptem ao novo ambiente de
crescimento, sintetizem os componentes necessários para a divisão celular e alcancem as condições ideais
para um crescimento exponencial.
Aplicando o conhecimento
Em uma indústria alimentícia que produz alimentos prontos para consumo, como sopas e molhos embalados,
há um desafio constante em garantir a segurança alimentar dos produtos. Recentemente, a empresa
enfrentou um problema com um lote de sopa que apresentou deterioração precoce após algumas semanas de
armazenamento, resultando em reclamações dos consumidores e prejuízos financeiros.
 
Após uma investigação interna, perceberam que o problema estava relacionado ao crescimento microbiano no
produto, causado pela presença de condições favoráveis para a proliferação de microrganismos. As condições
de armazenamento, incluindo temperatura e umidade, foram consideradas inadequadas, favorecendo o
crescimento de bactérias e fungos.
Para resolver esse problema, a equipe responsável pela qualidade e segurança alimentar da empresa realizou
uma análise detalhada das formulações dos produtos, verificando os ingredientes utilizados e sua composição
nutricional.
 
Com base nessa análise, ajustou as formulações dos produtos, reduzindo os nutrientes que poderiam servir
como substrato para o crescimento microbiano, como açúcares e proteínas, sem comprometer a qualidade ou
sabor dos alimentos. Além disso, revisou os processos de fabricação e as condições de armazenamento,
garantindo que fossem mantidos padrões adequados de higiene e segurança.
 
Para monitorar continuamente a qualidade dos produtos, a equipe implementou um sistema de controle de
qualidade mais rigoroso, realizando testes microbiológicos regulares em amostras de produtos acabados e
durante o processo de fabricação. Isso permitiu detectar, de antemão, qualquer sinal de contaminação
microbiana e tomar medidas corretivas imediatas para evitar problemas futuros.
 
Com essas medidas implementadas, a empresa conseguiu melhorar de forma significativa a qualidade e a
segurança de seus produtos, reduzindo o risco de deterioração precoce e garantindo a satisfação dos
consumidores. Além disso, fortaleceu sua reputação no mercado, demonstrando um compromisso contínuo
com a excelência em segurança alimentar.
 
Acompanhe, no vídeo, a discussão sobre o estudo de caso.
Questão 1
Explique os principais fatores ambientais que podem influenciar o crescimento microbiano em alimentos.
Chave de resposta
Os principais fatores incluem a temperatura de armazenamento, o teor de oxigênio e a umidade do
ambiente de embalagem.
Questão 2
Descreva como a alteração nas formulações dos produtos pode impactar na prevenção do crescimento de
microrganismos.
Chave de resposta
A alteração nas formulações dos produtos, especialmente a redução de nutrientes como açúcares e
proteínas, diminui a disponibilidade de fontes de energia e nutrientes essenciais para a proliferação de
muitos microrganismos, incluindo bactérias e fungos. Consequentemente, reduz-se o risco de
contaminação e deterioração precoce dos alimentos.
Questão 3
Avalie a importância de revisar os processos de fabricação e as condições de armazenamento para garantir a
segurança alimentar.
Chave de resposta
Processos bem planejados, que incluem etapas de eliminação ou redução de patógenos, juntamente com
rigorosas práticas de higiene, são fundamentais para manter a integridade dos alimentos. Além disso,
otimizar as condições de armazenamento, como manter temperaturas adequadas, ajuda a retardar a
deterioração e a prevenir o crescimento microbiano.
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2. Controle de crescimento microbiano
Introdução ao controle de crescimento microbiano
Neste vídeo, vamos explicar a diferença entre efeito estático e efeito biocida, além de abordar os pontos da
célula que os agentes podem afetar. 
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Os microrganismos estão presentes nos mais variados ambientes. Dessa forma, ao longo da nossa vida,
realizamos ações para manter os microrganismos controlados tanto no nosso corpo quanto no ambiente em
que vivemos. Em nosso cotidiano, realizamos tarefas para controlar o crescimento microbiano. Você consegue
pensar em algum exemplo?
Espelho: Tomar banho, escovar os dentes, limpar a casa e lavar as roupas e as louças são alguns exemplos de
coisas que fazemos em nosso dia a dia para controlar o crescimento microbiano, pois eliminam sujeiras e
resíduos de matéria orgânica, como restos de alimentos, que poderiam servir como fonte de nutrientes para o
crescimento de microrganismos.
O controle do crescimento microbiano é fundamental nas mais diversas áreas, como na área da saúde, nas
indústrias farmacêutica, alimentícia e de bebidas etc. Em hospitais, os cuidados para se evitar a transmissão
de doenças infecciosas envolvem os mais variados aspectos, que vão desde os cuidados para proteger tanto
os profissionais de saúde como os pacientes (ao fazer uso de equipamentos de proteção individual
adequados) até a higienização correta dos ambientes e a esterilização dos dispositivos utilizados nos
pacientes.
A eliminação total de microrganismos é fundamental em algumas situações, mas nem sempre é
alcançável na prática; nesses casos, processos que visam diminuir a carga microbiana a um nível
seguro são essenciais e muito empregados.
Agora, vamos conhecer a definição dos principais termos utilizados no controle do crescimento microbiano,
que nos ajudarão a entender os assuntos discutidos mais adiante.
Esterilização
Refere-se à eliminação total dos microrganismos. Assim, um objeto ou uma solução estéril não
apresenta nenhuma forma de vida. Durante uma cirurgia, por exemplo, todos os instrumentos
utilizados devem estar estéreis, para que sejam seguros e não atuem como fonte de infecção para o
paciente.
Desinfecção
Consiste na eliminação parcial (ou na redução) do número de microrganismos (principalmente
patogênicos) presentes em um material inanimado. A desinfecção é realizada com o uso de
desinfetantes. Por exemplo, a famosa água sanitária (hipoclorito de sódio) é um desinfetante muito
eficaz que pode ser utilizado com diversos fins.
Descontaminação
Consiste na redução da carga microbiana de um objeto ou uma superfície para tornar seu uso seguro,
porém é um processo mais simples, que não requer a utilização de desinfetantes e não está
relacionado especificamente a microrganismos patogênicos. Um exemplo simples seria a limpeza de
utensílios de cozinha para retirar restos de alimentos, removendo os microrganismos que possam
estar presentes ali, diminuindo a chance de crescimento de novos microrganismos.
Antissepsia
É um processo semelhante à desinfecção, ou seja, tem por objetivo reduzir o número de
microrganismos, porém se refere à utilização em tecidos vivos. A antissepsia é realizada com o uso de
antissépticos. Os antissépticos não devem provocar danos aos tecidos vivos e são de uso externo,
não podendo entrar em contato com mucosas ou com o sangue. Como exemplo, podemos citar a
utilização de álcool etílico a 70% para realizar a antissepsia das mãos.
Assepsia
Tem por objetivo impedir que microrganismos alcancem locais que devem permanecer estéreis, como
a corrente sanguínea ou um meio de cultura que tenha sido esterilizado em laboratório.
Quimioterapia
Visa eliminar seletivamente microrganismos de seres vivos. Assim, se uma pessoa apresenta um
quadro de infecção, antimicrobianos antimicrobianos (também chamados de quimioterápicos) devem
ser usados para que ela fique curada.
Faça a prática a seguir e veja como preparar uma solução de álcool 70% como uma forma de diminuir a carga
microbiana. 
Como preparar uma solução de álcool 70%?
Neste vídeo, vamos mostrar os cálculos envolvidos nessa prática, ressaltando ospassos mais importante e os
nomes das vidrarias utilizadas.
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As técnicas utilizadas para o controle do crescimento microbiano podem apresentar dois efeitos diferentes:
Efeito estático
Pode ser bacteriostático, fungistático ou
virustático. É assim caracterizado quando
apenas inibe o crescimento do microrganismo.
Efeito microbicida
Quando resulta na morte do microrganismo
(sendo o efeito ideal).
Por fim, essas técnicas podem apresentar diferentes alvos na célula microbiana, como:
Parede celular: resultando na lise osmótica da célula.
Membrana plasmática: levando à perda de integridade celular.
Enzimas citoplasmáticas: alterando o metabolismo da célula e a síntese de proteínas.
DNA: impedindo a replicação celular e a síntese de proteínas.
Agora que já conhecemos esses importantes termos, vamos, juntos, estudar os métodos utilizados para
controlar o crescimento dos microrganismos?
Métodos antimicrobianos
Existem diferentes métodos que podem ser utilizados para o controle do crescimento microbiano. Esses
métodos podem ser classificados como físicos e químicos. A escolha do método a ser utilizado deve ser feita
de acordo com as características do material e o uso a que se destina.
Atividade 1
Qual das seguintes afirmações melhor descreve a diferença entre esterilização e desinfecção no controle de
crescimento microbiano?
A
Esterilização e desinfecção são termos intercambiáveis que descrevem o mesmo processo de eliminação de
microrganismos.
B
Esterilização envolve a eliminação de todos os microrganismos, incluindo esporos bacterianos, enquanto a
desinfecção reduz significativamente o número de microrganismos patogênicos, mas não necessariamente
todos.
C
Desinfecção é um processo que garante a completa eliminação de microrganismos patogênicos, enquanto a
esterilização reduz apenas a carga microbiana a níveis aceitáveis.
D
A esterilização é um método mais suave que a desinfecção, pois mantém a integridade de substratos e
produtos, enquanto a desinfecção pode causar danos significativos.
E
Esterilização e desinfecção são processos idênticos, e diferem apenas no tempo necessário para sua
conclusão.
• 
• 
• 
• 
A alternativa B está correta.
A diferença fundamental entre esterilização e desinfecção é a extensão da eliminação microbiana, sendo a
esterilização mais abrangente, eliminando todos os microrganismos, incluindo esporos, enquanto a
desinfecção reduz, mas não necessariamente elimina todos os microrganismos patogênicos. O objetivo da
esterilização é tornar o ambiente ou objeto estéril, enquanto a desinfecção visa reduzir a carga microbiana
a um nível seguro.
Métodos físicos de controle de crescimento microbiano
Neste vídeo, vamos explicar os diferentes tipos de métodos físicos do controle de crescimento microbiano e
trazer exemplos de situações em que cada um é utilizado e o princípio deles. 
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Os principais métodos físicos de controle do crescimento microbiano incluem o calor, a radiação e a filtração.
Esses métodos são amplamente utilizados em nossas casas, no ambiente hospitalar e na indústria com o
objetivo de realizar a descontaminação, a desinfecção e a esterilização de objetos e ambientes.
Dentre os métodos físicos, o mais utilizado é o calor.
A seguir, vamos conhecer melhor cada um dos métodos físicos.
Calor
É o método mais utilizado para o controle do crescimento microbiano por ser eficaz, econômico e de fácil
aplicação. A susceptibilidade dos microrganismos ao calor é influenciada pela temperatura, pelo tempo de
duração do tratamento térmico e pelo tipo de calor utilizado (úmido ou seco).
Atenção
Cada microrganismo apresenta uma temperatura considerada letal, e o tempo necessário para sua
eliminação também depende do número de células presentes. As células microbianas são eliminadas em
escala exponencial pela ação do calor. 
A aplicação do calor pode levar à desnaturação de proteínas da célula, a quebras na molécula de DNA e à
perda da integridade de membrana, resultando na morte do microrganismo.
Os variados microrganismos apresentam uma susceptibilidade diferenciada ao calor:
Formas vegetativas de bactérias
São destruídas por temperaturas entre 60°C e 70°C.
Esporos bacterianos (estruturas de resistência)
São destruídos apenas por temperaturas superiores a 100°C.
Formas vegetativas de fungos
São destruídas por temperaturas entre 50°C e 60°C.
Esporos fúngicos (estruturas de reprodução)
São destruídos entre 70°C e 80°C.
Calor úmido
Refere-se à utilização da água na forma de vapor. O vapor apresenta maior poder de penetração na célula
microbiana, já que o principal componente das células é a água. A umidade em alta temperatura causa a
desnaturação de proteínas (coagulação) e auxilia no rompimento das ligações de hidrogênio. O calor úmido é
geralmente aplicado em materiais em solução aquosa. Os métodos que empregam o calor úmido são descritos
a seguir:
Autoclave
Equipamento de aquecimento fechado que utiliza o vapor d’água sob pressão (121°C/ 10-30 min.)
para esterilização de materiais. É capaz de destruir formas vegetativas e esporuladas de bactérias, sendo
muito utilizado para esterilização de vidrarias e meios de cultura em laboratório.
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abaixo.
Ciclo Tempo X Temperatura de uma autoclavação.
O autoclave tem o mesmo princípio de funcionamento de uma panela de pressão: ao atingir 100°C, a água no
interior do equipamento começa a ferver, produzindo vapor; como o vapor não tem por onde sair, a pressão no
interior da autoclave aumenta, permitindo, assim, que a temperatura ultrapasse 100°C. No processo de
autoclavação, não é a pressão no interior da autoclave que mata os microrganismos, mas, sim, as altas
temperaturas alcançadas.
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abaixo.
Estrutura e funcionamento da autoclave.
Tindalização
É um processo de esterilização fracionado ou intermitente, ou seja, realizado em etapas (100°C/20 min./3 dias
— o que significa dizer que, durante três dias seguidos, determinado material é exposto à temperatura de
100°C por 20 min.). Esse processo destrói formas vegetativas e esporuladas de microrganismos, sendo muito
usado em medicamentos termolábeis (sensíveis ao calor) e na produção de vacinas.
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abaixo.
Ebulição intermitente/Ebulição descontínua.
Pasteurização
Não é um método de esterilização, e sim um método utilizado para eliminar microrganismos patogênicos e
reduzir o número de células vegetativas dos outros microrganismos presentes. Consiste na exposição rápida a
uma temperatura relativamente elevada, existindo dois tipos:
 
Alta temperatura – HTST (High Temperature and Short Time) - 72°C/15 s.
Baixa temperatura – LTH (Low Temperature Holding) - 63°C/30 min.
 
É muito usado na fabricação de alimentos que não podem ser submetidos a temperaturas elevadas por um
período longo, como leite e cerveja.
Pasteurização.
Ultra-high temperature
Utiliza uma temperatura extremamente elevada por um tempo curto, para não alterar as características do
alimento e aumentar seu tempo de prateleira (termo utilizado para indicar o tempo de vida útil de um alimento,
como quanto tempo ele vai conseguir manter suas características (sabor, aroma e coloração). É muito usado
na fabricação do leite longa vida (141 °C/2 s).
Pasteurizador com desaerador a vácuo.
Água em ebulição
Consiste na utilização do vapor d’água livre (100°C/20 min). Como esse método não é aplicado em um sistema
fechado, a água não ultrapassa 100°C. A água em ebulição apenas destrói as formas vegetativas, ou seja, não
esteriliza o material. É muito usado no preparo de alimentos.
• 
• 
Água em ebulição.
Calor seco
Os métodos que empregam o calor seco são menos eficientes que aqueles que utilizam o calor úmido, pois o
poderde penetração nas células é menor. Assim, para garantir a eliminação dos microrganismos (incluindo os
esporos bacterianos), são necessárias temperaturas mais elevadas e um intervalo de tempo maior.
O calor seco age por meio da desidratação das células, resultando na precipitação de solutos e na oxidação
de macromoléculas. Geralmente, é aplicado em materiais que não estão em solução aquosa ou que são
impermeáveis ao vapor d’água. Os métodos que empregam calor seco são apresentados a seguir.
Forno ou estufa
É um método de esterilização quando usado a 180°C por duas horas. É muito
usado para esterilização de materiais resistentes ao calor, mas que não
podem entrar em contato com umidade, como metais oxidáveis (exemplos:
instrumentais cirúrgicos e odontológicos), óleos e materiais em pó. Também
pode ser usado para esterilização de vidrarias.
Flambagem
É um método de esterilização usado em alças e agulhas microbiológicas
(utilizadas para a transferência asséptica de microrganismos em laboratório).
Elas são feitas de metais resistentes ao fogo e, quando aquecidas ao rubro
na chama de um bico de Bunsen, garantem a combustão de qualquer
material que esteja presente em sua superfície.
Incineração
Consiste na combustão completa (500°C/1 h) de material hospitalar a ser
descartado (como seringas, agulhas, luvas, curativos etc.), evitando que
ocorra a contaminação do ambiente com microrganismos patogênicos que
possam estar nestes materiais.
Radiação
Consiste em energia na forma de ondas eletromagnéticas. A quantidade de energia de uma radiação é
inversamente proporcional ao seu comprimento de onda, ou seja, quanto menor o comprimento de onda,
maior a energia. Geralmente, a radiação ionizante e a radiação ultravioleta são usadas em produtos e
ambientes que não toleram variações de temperatura para o controle do crescimento microbiano.
Radiações ionizantes
Há dois tipos de radiações ionizantes, os raios X e os raios γ (gama). São radiações com alta energia
(apresentam baixo comprimento de onda), capazes de causar a ionização de moléculas pela perda de
elétrons, resultando na formação de radicais livres. Sua ação mais prejudicial é no DNA, cujas fitas são
clivadas; esse dano no material genético impede que a replicação do microrganismo ocorra, levando à
morte da célula.
Essas radiações têm alto poder de penetração, esterilizando materiais. São utilizadas principalmente
para a esterilização de materiais de plástico e alimentos termolábeis, pois não deixam resíduos de
radiação.
Radiação ultravioleta
Tem comprimento de onda maior e, consequentemente, menos energia. Porém, seu comprimento de
onda é absorvido pela molécula de DNA, resultando em mutações na célula, ou seja, a radiação
ultravioleta é mutagênica. Causa a morte de microrganismos, mas seu poder de penetração é muito
baixo, deixando seu uso restrito a superfícies (ela não traspassa sólidos, atravessando bem pouco
líquidos). É muito usada para esterilização de centros cirúrgicos e câmaras de fluxo laminar em
laboratórios.
Filtração
Não tem por objetivo a eliminação dos microrganismos, e sim sua separação dos componentes de uma
solução ou do ar por meio da sua retenção em um filtro. Os filtros podem ser feitos de diferentes materiais
(como celulose, amianto, acetato, teflon etc.) e apresentam poros muito pequenos (0,20 a 0,25 µm), que
impedem a passagem dos microrganismos, mas possibilitam a passagem de líquidos e gases.
Os filtros não são capazes de reter vírus.
Esse processo apresenta duas principais aplicações:
Aplicação 1
Esterilização de soluções que contenham componentes termolábeis (que,
portanto, não podem ser autoclavadas), como vitaminas, enzimas,
soluções para administração intravenosa etc.
Aplicação 2
Esterilização do ar, como em câmaras de fluxo laminar, centros cirúrgicos
e ambientes industriais; nesses casos, são utilizados filtros HEPA (feitos
de acetato de celulose), capazes de reter partículas menores que 0,3 µm.
Nas câmaras de fluxo laminar, por exemplo, o ar é forçado a circular em
seu interior por ação de um motor, passando pelos filtros HEPA, nos quais
os microrganismos ficam retidos. Esses equipamentos são utilizados em
indústrias e laboratórios de pesquisa, que trabalham com microrganismos
patogênicos que não podem ser dispersos no ambiente, por exemplo.
Imagine o seguinte:
O hospital onde você trabalha está passando por um problema alarmante: um aumento significativo nas taxas
de infecções pós-operatórias entre seus pacientes. A suspeita é que esse aumento esteja diretamente
relacionado à esterilização inadequada dos instrumentos cirúrgicos utilizados durante os procedimentos. Esse
cenário coloca em risco não apenas a saúde e a segurança dos pacientes, como também a reputação do
hospital.
Diante dessa situação crítica, você, como responsável pelo setor de esterilização do hospital, precisa avaliar
rapidamente os métodos de esterilização disponíveis para identificar a melhor estratégia para resolver esse
problema. A missão é assegurar que todos os instrumentos cirúrgicos sejam esterilizados de forma eficaz,
eliminando todos os microrganismos patogênicos, incluindo bactérias, vírus e fungos, para prevenir futuras
ocorrências de infecção. Qual abordagem você adotaria para lidar com essa questão?
Escolha uma das opções.
Implementar um protocolo rigoroso de autoclavação.
Essa é a melhor opção! A autoclavação tem sua eficiência comprovada na eliminação de uma ampla
variedade de microrganismos. É um método rápido e econômico para grandes volumes de
instrumentação que suportam altas temperaturas e umidade. Entretanto, alguns plásticos e materiais
termossensíveis não podem ser autoclavados. Além disso, requer monitoramento rigoroso para
garantir que os parâmetros de esterilização sejam consistentemente atingidos.
Utilizar fornos de calor seco para esterilizar instrumentos.
Apesar de os fornos de calor seco atingirem temperaturas que esterilizam com eficiência materiais
resistentes ao calor, o tempo de ciclo é mais longo em comparação com a autoclavação, o que pode
ser um gargalo para a rápida disponibilidade de equipamentos. Além disso, é menos eficaz na
penetração de cargas densas ou empacotadas, podendo reduzir a eficácia da esterilização.
Implementar a fervura como método de esterilização para instrumentos que possam
suportar temperaturas elevadas.
A fervura é um método simples e barato. Entretanto, não é considerado um método de esterilização,
pois não é eficaz contra todos os tipos de microrganismos, especialmente esporos bacterianos. Além
disso, pode causar danos ou desgaste prematuro aos instrumentos devido à corrosão ou alterações
estruturais provocadas pela exposição prolongada ao calor e à água.
Atividade 2
Em um laboratório de microbiologia, dois grupos de estudantes estão discutindo métodos de controle de
crescimento microbiano. Um estudante argumenta que a fervura e a autoclavação são métodos semelhantes,
enquanto outro estudante discorda, enfatizando suas diferenças. Qual dos seguintes pontos melhor apoia a
discordância do segundo estudante?
A
A fervura e a autoclavação usam temperaturas semelhantes para eliminar microrganismos.
B
A fervura é eficaz na esterilização de meios de cultura líquidos, enquanto a autoclavação é mais adequada
para instrumentos de laboratório.
C
A fervura é um método mais rápido do que a autoclavação para eliminar microrganismos.
D
A fervura é menos eficaz do que a autoclavação na eliminação de esporos bacterianos.
E
A fervura e a autoclavação são métodos de desinfecção, e não de esterilização.
A alternativa D está correta.
Os esporos bacterianos são formas resistentes de vida microbiana, projetadas para sobreviver a condições
adversas, como altas temperaturas. Na fervura, a temperatura não é alta o suficiente para destruir
completamente os esporos bacterianos, enquanto na autoclavação, as temperaturas são elevadas o
bastante para garantir a destruição dessas estruturas resistentes, resultando em uma esterilização eficaz.
Métodos químicos de controle decrescimento microbiano
Neste vídeo, vamos diferenciar os tipos de métodos químicos utilizados no controle do crescimento
microbiano.
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O crescimento microbiano pode ser controlado pelo uso de produtos químicos. Um produto químico natural ou
sintético capaz de matar ou inibir o crescimento de microrganismos é chamado de agente antimicrobiano. De
acordo com sua ação sobre células bacterianas, esses agentes podem ser classificados como:
Bacteriostáticos: quando inibem o crescimento.
Bactericidas: quando matam as células.
Bacteriolíticos: quando causam lise celular.
Os compostos químicos são geralmente utilizados em situações em que os métodos físicos não podem ser
empregados no controle do crescimento microbiano, como em equipamentos médicos termolábeis, pisos e
paredes de hospitais e clínicas, além das mãos e dos braços de profissionais da saúde e da pele dos
pacientes.
De modo geral, os agentes antimicrobianos têm maior ação sobre células vegetativas, ou seja, aquelas que
apresentam metabolismo ativo. Também eliminam os microrganismos em escala exponencial, de maneira
semelhante ao uso do calor.
Diversos fatores podem afetar a eficácia de um agente antimicrobiano, como:
Concentração da substância e o tempo de contato: geralmente, quanto maior a concentração, menor é
o tempo de exposição necessário.
pH: os agentes costumam ser mais ativos em valores de pH neutros ou levemente ácidos.
Temperatura: o aumento da temperatura pode favorecer a solubilidade de agentes antimicrobianos.
Presença de material orgânico: como sangue, fezes, urina, vômito, pus etc., que podem isolar o
microrganismo e dificultar a ação dos compostos químicos.
Tipo de microrganismo: Alguns microrganismos são mais sensíveis que outros a determinados
tratamentos antimicrobianos.
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Homem vestido com roupa própria e máscara e
segurando aparelho de detetização fazendo limpeza e
desinfecção em academia.
Todos esses fatores devem ser levados em conta no momento da escolha de um agente antimicrobiano.
Desinfetantes
São utilizados nos ambientes doméstico,
institucional (como escolas) e hospitalar.
Especialmente nos hospitais, essas substâncias
devem ser escolhidas cuidadosamente, pois,
geralmente, a matéria orgânica está presente
nos materiais e ambientes que precisam ser
desinfetados. Assim, os desinfetantes
desempenham um papel crucial para evitar a
contaminação cruzada nesses locais.
 
A contaminação cruzada consiste na
transferência de microrganismos de uma
pessoa para outra ou por meio de objetos
contaminados.
A seguir, veremos exemplos dos principais tipos de desinfetantes:
Fenol
Esse desinfetante foi o primeiro a ter sua eficácia comprovada. De acordo com sua concentração,
pode ser usado como antisséptico (0,5% a 1%), desinfetante (5%) ou cauterizante (89%). É capaz de
romper a membrana plasmática e a parede celular de bactérias, atuando também de forma muito
intensa na desnaturação de proteínas (esse processo é chamado de coagulação de proteínas).
O fenol não é muito estável na presença de matéria orgânica/ e é irritante para pele e mucosas. Para
contornar esses problemas, alterações em sua estrutura foram feitas, obtendo-se derivados fenólicos
menos tóxicos e com maior ação antimicrobiana. Como exemplo, temos os alquilfenóis (orto, meta e 
para-cresóis, que, juntos, formam a creolina, utilizada para a desinfecção de pisos e vasos sanitários).
Compostos que liberam cloro
Os halogênios cloro, bromo e iodo são capazes de oxidar enzimas, agindo nos grupos sulfidrila (-SH)
e amina (-NH2) das enzimas, inativando-as. Destes, o cloro é o mais usado, tanto na sua forma
gasosa como na forma de hipoclorito de sódio (água sanitária).
Em ambos os casos, sua ação se dá na presença de água, por meio da qual ocorre a formação do
ácido hipocloroso, capaz de atravessar a membrana plasmática, reagir com a água e formar o radical
livre oxigênio, que é um agente oxidante forte. O hipoclorito de sódio apresenta um baixo custo e é
frequentemente usado para desinfecção do ambiente hospitalar e da água (tanto de alimentos como
de piscinas). Sua principal vantagem é a permanência de uma atividade residual, que impede a
recontaminação da água por um tempo.
Ozônio (O3)
Esse desinfetante é um peroxigênio, ou seja, um composto que apresenta uma ligação química direta
entre dois átomos de oxigênio e é utilizado na desinfecção da água. Trata-se de um gás gerado a
partir do O2 em reatores elétricos denominados ozonizadores. É um agente microbicida, pois tem uma
forte ação oxidante e não deixa resíduos, mas apresenta como desvantagens o alto custo e a
ausência de atividade residual (por ser um gás muito instável, que rapidamente se decompõe em O2
quando dissolvido na água).
Agentes surfactantes
Esses agentes são moléculas que têm uma região polar e uma apolar, sendo esta última geralmente
formada por um hidrocarboneto de cadeia longa. Por esse motivo, são moléculas anfipáticas,
diminuindo a tensão superficial entre regiões polares e apolares que estão em contato. Assim, os
surfactantes agem desorganizando a bicamada lipídica das células, resultando na morte celular.
Os detergentes são os exemplos mais comuns e, de acordo com a sua polaridade, podem ser
classificados como não iônicos, catiônicos e aniônicos. Apresentam baixa toxicidade e alta
solubilidade. Suas principais desvantagens são a capacidade de enferrujar objetos de metal e o fato
de terem sua atividade diminuída pela absorção por materiais porosos, como algodão e gaze.
Agentes alquilantes
Promovem a alquilação de grupos carboxila (-COOH), hidroxila (-OH), sulfidrila (-SH) e amina (-NH2)
de enzimas, levando a sua inativação. Como exemplos de agentes alquilantes, podemos citar o
formaldeído e o glutaraldeído. Dependendo da concentração e do tempo de contato, ambos podem
ser usados como desinfetantes ou como agentes esterilizantes. Tanto o formaldeído como o
glutaraldeído são tóxicos e geralmente utilizados para esterilização de instrumentos médicos.
Antissépticos
São utilizados para reduzir a carga microbiana de tecidos vivos. Vamos conhecer os principais antissépticos:
Saiba mais
Catalase Enzima capaz de hidrolisar o peróxido de hidrogênio (H2O2) em água e gás oxigênio. A
formação de bolhas é decorrente do oxigênio liberado, que acaba matando os microrganismos, que não
conseguem sobreviver na presença de oxigênio. 
Álcool (etílico ou isopropílico)
É capaz de provocar a desnaturação de proteínas e a desorganização dos lipídios da membrana
plasmática e desidratar as células. Pode ser usado como antisséptico e desinfetante, apresentando
maior ação em células vegetativas do que em esporos. Sua eficácia aumenta quando diluído a 70%
em água, pois a presença de 30% de água facilita sua entrada na célula e a desnaturação de
proteínas. O etanol é muito utilizado para a antissepsia das mãos.
É o principal halogênio utilizado como antisséptico. Tem forte poder oxidante, sendo capaz de
complexar e inativar proteínas. Não é tóxico e apresenta ação sobre células vegetativas, esporos,
fungos e vírus. Um exemplo importante é a substância iodopovidona, presente na fórmula de
antissépticos, geralmente na concentração de 1% de iodo ativo (a solução mais conhecida de
iodopovidona é o Povidine), sendo muito utilizado no preparo pré-operatório de pacientes.
Hexaclororeno
É um derivado clorado do fenol presente em sabonetes (para assepsia das mãos antes de cirurgias),
em pastas de dente e em antitranspirantes.
Compostos que contêm metais pesados
Reagem com grupos sulfidrila de enzimas, inativando-as. No passado, compostos mercuriais
orgânicos eram muito usados, como mercuriocromo (com merbromina), mertiolate (timerosal) e
metafen (nitromersol). Atualmente, esses compostos não têm mais mercúrio devido ao alto índice de
toxicidade.
A marca Merthiolate substituiu seu princípio ativo por digliconato de clorexidina, mas não mudou seu
nome, por ser muito conhecido pela população.
É um antissépticofraco usado para a antissepsia de feridas devido à rápida liberação de oxigênio por
ação da enzima catalase. Sua ação é breve. A catalase é uma enzima capaz de hidrolisar o peróxido
de hidrogênio (H2O2) em água e gás oxigênio. A formação de bolhas é decorrente do oxigênio
liberado, que acaba matando os microrganismos, que não conseguem sobreviver na presença de
oxigênio.
Agentes surfactantes
São representados pelos sabões ou sabonetes, que são constituídos por sais de sódio ou potássio
com ácidos graxos de cadeia longa. Facilitam a mistura do óleo com a água, possibilitando a remoção
mecânica dos microrganismos da pele.
Laboratório virtual
Faça a prática “Eficácia dos agentes antissépticos” e veja a importância de assepsia adequada para o controle
da população bacteriana na mão de uma pessoa e a população de microrganismos presente no meio
ambiente.
Eficácia de agentes antissépticos
Acompanhe, neste vídeo, o experimento com os agentes antissépticos na prática.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Atividade 3
Qual das seguintes afirmações melhor diferencia os métodos químicos bacteriostáticos dos bactericidas?
A
Os métodos bacteriostáticos eliminam completamente as bactérias, enquanto os bactericidas apenas
reduzem sua reprodução.
B
Os métodos bacteriostáticos matam as bactérias rapidamente, enquanto os bactericidas inibem seu
crescimento por um longo período.
C
Os métodos bacteriostáticos impedem o crescimento bacteriano, enquanto os bactericidas matam as
bactérias.
D
Os métodos bactericidas evitam a replicação bacteriana, enquanto os bacteriostáticos aumentam a produção
de toxinas bacterianas.
E
Os métodos bacteriostáticos são mais eficazes contra bactérias gram-positivas, enquanto os bactericidas são
mais eficazes contra bactérias gram-negativas.
A alternativa C está correta.
Os métodos químicos de controle microbiano são classificados em bacteriostáticos e bactericidas.
Bacteriostáticos inibem o crescimento bacteriano sem matar as bactérias, enquanto bactericidas causam a
morte celular.
Aplicando o conhecimento
Uma indústria farmacêutica especializada na produção de medicamentos injetáveis enfrentou um sério desafio
relacionado ao controle de crescimento microbiano em seus produtos. Durante uma inspeção de rotina, foram
identificados sinais de contaminação microbiológica em 16% dos lotes de medicamentos, levantando
preocupações quanto à segurança e à eficácia dos produtos.
Diante dessa situação crítica, a equipe de controle de qualidade e os engenheiros de processo da empresa
optaram por uma abordagem focada no emprego de métodos físicos e químicos de controle de crescimento
microbiano.
Primeiramente, foram implementados procedimentos rigorosos de limpeza e desinfecção das instalações de
produção, equipamentos e utensílios utilizados na fabricação dos medicamentos injetáveis. Utilizou-se
desinfetantes químicos de amplo espectro, como o álcool isopropílico e o peróxido de hidrogênio, aplicados
em concentrações adequadas e seguido de enxágue para remover os resíduos.
Além disso, a empresa investiu na instalação de sistemas de filtração avançados em todas as etapas do
processo de produção. Foram empregados filtros de alta eficiência para remover microrganismos e partículas
do ar e da água, garantindo a manutenção de um ambiente estéril durante todo o processo de fabricação dos
medicamentos.
Com a implementação dessas medidas, a empresa conseguiu reduzir significativamente o risco de
contaminação microbiológica em seus medicamentos injetáveis, assegurando a qualidade e a segurança dos
produtos para os pacientes.
Questão 1
Considerando o caso apresentado, como os métodos físicos e químicos de controle de crescimento
microbiano contribuem para garantir a qualidade, a segurança e a eficácia dos produtos farmacêuticos?
Chave de resposta
Os métodos físicos (como a esterilização por calor ou a filtração) e os métodos químicos (como a
desinfecção) garantem que os produtos estejam livres de contaminação microbiana, assegurando sua
qualidade, segurança e eficácia, essenciais para proteger a saúde dos consumidores e cumprir os padrões
regulatórios da indústria farmacêutica.
Questão 2
Discuta como escolher o método de controle de crescimento mais adequado de acordo com o produto a ser
esterilizado.
Chave de resposta
Para escolher o melhor método de esterilização de um produto farmacêutico, é preciso considerar a
natureza do produto, sua sensibilidade a diferentes condições de esterilização, e fatores econômicos.
Questão 3
Com base nas medidas implementadas pela empresa para controlar a contaminação microbiológica, avalie
como essas ações podem afetar a confiança dos pacientes e dos profissionais de saúde nos produtos da
empresa.
Chave de resposta
Ao demonstrar um compromisso firme com a segurança e a eficácia dos seus produtos, a empresa não só
cumpre com as regulamentações sanitárias, como também reforça sua reputação no mercado
farmacêutico, assegurando que seus produtos são confiáveis e seguros para uso.
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3. Controle de crescimento de microrganismos na prática
Como preparar uma solução de álcool 70%?
Roteiro de prática
Tenha atenção ao seguinte procedimento:
Certifique-se de estar usando os equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados, como luvas,
óculos de segurança e jaleco.
Prepare sua área de trabalho, garantindo que esteja limpa e livre de quaisquer materiais inflamáveis.
Utilize um cilindro graduado para medir 802,1 mL de álcool etílico 96% v/v. Faça a medição com
cuidado para evitar derramamentos.
Avolume o conteúdo para 1000 mL utilizando água destilada.
Tampe o cilindro graduado e homogeneíze a solução.
Transfira a solução alcoólica para um recipiente de armazenamento limpo e seco, preferencialmente de
vidro, com tampa.
Etiquete o recipiente com a concentração de álcool, a data de preparo e quaisquer outras informações
relevantes.
Limpe todos os materiais utilizados com água e detergente, enxaguando-os bem.
Como preparar uma solução de álcool 70%?
Neste vídeo, vamos mostrar os cálculos envolvidos nessa prática, ressaltando os passos mais importante e os
nomes das vidrarias utilizadas.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Atividade discursiva 1
Considerando a importância da concentração do álcool na eficácia antimicrobiana, você foi encarregado de
preparar uma solução alcoólica apropriada para uso geral no laboratório. Você dispõe de álcool etílico 96% v/v
e água destilada. Calcule a quantidade de álcool etílico 96% v/v e água destilada necessária para preparar 1
litro de solução alcoólica a 77% v/v.
Chave de resposta
Para calcular a quantidade necessária, podemos usar a fórmula da diluição:
Onde:
 é a concentração inicial de álcool etílico .
 é a concentração final de álcool etílico desejada ( .
1. 
2. 
3. 
4. 
5. 
6. 
7. 
8. 
 é o volume de álcool etílico a ser encontrado.
 é o volume final de solução a ser preparada (1 litro ou ).
Rearranjando a fórmula para descobrir , temos: 
Substituindo os valores, temos que de álcool etílico .
Para descobrir a quantidade de água destilada a ser utilizada, devemos diminuir o volume de álcool etílico
usado do volume total:
Volume de água .
Ou seja, para preparar 1 litro de solução alcoólica a v/v, você precisará de aproximadamente 
 de álcool etílico v/v e 197,92 mL de água destilada.
Autoclavação de material
Roteiro de prática
Tenha atenção ao seguinte procedimento:
Certifique-se de que todos os itens a serem autoclavados estejam limpos. Resíduos podem interferir na
eficácia da esterilização.
Utilize embalagens próprias para autoclave, que permitam a penetração do vapor e mantenham a
esterilidade após o processo.
Coloque indicadores biológicos ou químicos dentro da embalagem ou entre os instrumentos para
validar a esterilização.
Distribua os pacotes de maneira uniforme, sem sobrepor ou compactar, para permitir a circulação
adequada

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