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Crescimento microbiano Você vai estudar a nutrição e o crescimento microbiano e os mecanismos bacterianos de patogenicidade, assim como as estratégias eficazes para controle do crescimento microbiano. Esse conhecimento é fundamental em diversas áreas, incluindo o controle higiênico-sanitário em hospitais, laboratórios de análises clínicas, e laboratórios dedicados à pesquisa e ao desenvolvimento científico. Prof. Daniel Clemente de Moraes 1. Itens iniciais Objetivos Reconhecer as exigências nutricionais e os principais aspectos do crescimento microbiano. Identificar as principais formas de controlar o crescimento de microrganismos. Empregar métodos de controle de crescimento microbiano de forma adequada. Descrever os mecanismos envolvidos na patogenicidade bacteriana. Introdução Neste conteúdo, vamos estudar o crescimento microbiano, e você pode estar se perguntando qual é a importância de estudar o crescimento dos microrganismos. A resposta é muito simples: o estudo dos aspectos envolvidos no crescimento microbiano nos permite entender sob quais condições os mais variados microrganismos apresentam mais facilidade ou mais dificuldade de crescimento, além do tempo necessário para que esse crescimento ocorra. Dessa forma, é possível conhecer mais profundamente as características metabólicas dos microrganismos, e esse conhecimento é muito útil, principalmente para ser aplicado no controle do crescimento microbiano, que é fundamental para as mais diversas áreas. Na área da saúde (medicina, biomedicina, nutrição, farmácia, enfermagem etc.), os métodos de controle do crescimento microbiano ajudam na prevenção das infecções hospitalares, no correto processamento dos materiais utilizados, garantindo a segurança durante o atendimento tanto para os pacientes como para os profissionais envolvidos. O controle microbiológico também é essencial na área industrial, pois garante a qualidade dos produtos (medicamentos, cosméticos, alimentos e água). Em laboratórios de análises clínicas e de pesquisa, o controle microbiológico está presente no preparo dos diversos materiais utilizados, que precisam estar livres de contaminação. Neste tema, teremos a oportunidade de estudar a nutrição e o crescimento dos microrganismos, as formas de controlar esse crescimento e as estratégias utilizadas pelas bactérias para causar infecção. • • • • Símbolo do carbono. 1. Nutrição e crescimento microbiano Exigências nutricionais Neste vídeo, vamos explicar a diferença entre anabolismo e catabolismo, além do papel dos macro e micronutrientes no crescimento microbiano. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Os microrganismos requerem nutrientes para poder crescer, e essa exigência varia muito entre os diferentes microrganismos. Os nutrientes são utilizados no metabolismo da célula, tendo participação nos processos de obtenção de energia e na síntese de componentes celulares. O conhecimento sobre os princípios da nutrição microbiana é fundamental para o desenvolvimento da microbiologia, permitindo que microrganismos sejam cultivados em laboratório. O metabolismo pode ser definido como um conjunto de transformações da matéria orgânica composto por dois processos: Anabolismo Envolve os processos biossintéticos, que dependem de energia e são responsáveis por formar componentes celulares a partir dos nutrientes. Catabolismo É caracterizado pela degradação dos nutrientes para liberação de energia. Os diferentes tipos de microrganismos necessitam não apenas de nutrientes distintos, mas também de quantidades variadas. Você sabe quais são os principais nutrientes necessários à nutrição microbiana? Vamos descobrir? Carbono, nitrogênio e outros macronutrientes O carbono é necessário a todas as células; aproximadamente 50% do peso seco de uma célula é formado por ele. O carbono pode ser encontrado na natureza na forma inorgânica (como CO2 e carbonato) e a partir de compostos orgânicos (como aminoácidos, ácidos graxos, ácidos orgânicos, bases nitrogenadas, compostos aromáticos, açúcares etc.). Vale ressaltar que os compostos orgânicos podem ser utilizados pelas células microbianas como fonte de energia ou de carbono. Nesse sentido, os microrganismos que são capazes de realizar a síntese de suas estruturas celulares a partir do CO2 são conhecidos como autotróficos. Já aqueles que necessitam de compostos orgânicos são chamados de heterotróficos. Símbolo do nitrogênio. O nitrogênio representa cerca de 13% de uma célula bacteriana e é encontrado em ácidos nucleicos, proteínas e outros compostos celulares. Na natureza, o nitrogênio se encontra disponível como amônia, nitrato ou gás nitrogênio. A maioria das células procarióticas utiliza amônia como fonte de nitrogênio, enquanto algumas também usam o nitrato. Outros procariotos são capazes, ainda, de usar nitrogênio obtido de fontes orgânicas, como os aminoácidos. Apenas os procariotos fixadores de nitrogênio conseguem utilizar o gás nitrogênio como fonte de nitrogênio. As células necessitam também de outros macronutrientes que desempenham importantes funções: Fósforo Participa da síntese de ácidos nucleicos e fosfolipídios. Enxofre Presente em algumas vitaminas e aminoácidos. Potássio Participa da atividade de várias enzimas. Magnésio É necessário para a estabilização dos ribossomos, das membranas e dos ácidos nucleicos e também para a atividade de enzimas. Cálcio É necessário para alguns microrganismos. Sódio É importante para os microrganismos marinhos. Micronutrientes: elementos-traço e fatores de crescimento São elementos necessários em quantidades muito pequenas, sendo, inclusive, difíceis de detectar. Normalmente, são representados por íons metálicos. Esses micronutrientes são denominados elementos- traço ou metais-traço, desempenhando, geralmente, papel de cofatores enzimáticos. O ferro é o principal micronutriente para as células, sendo um componente fundamental dos citocromos e de proteínas que têm ferro e enxofre, que participam das reações de transporte de elétrons. Alguns outros metais necessários e/ou metabolizados pelos microrganismos são cobalto, cobre, manganês, molibdênio, níquel, selênio, tungstênio e zinco. Por outro lado, os fatores de crescimento são representados pelos micronutrientes orgânicos, que são requeridos em pequenas quantidades. As vitaminas são os exemplos mais comuns, mas alguns microrganismos podem necessitar também de aminoácidos, purinas, pirimidinas e outras moléculas orgânicas. As seguintes vitaminas são consideradas fatores de crescimento importantes: Ácido fólico Biotina Cobalamina (vitamina B12) Tiamina (vitamina B1) Piridoxal (vitamina B6) Ácido nicotínico (niacina) Riboflavina Ácido pantotênico Ácido lipoico Vitamina K De modo geral, as vitaminas atuam como coenzimas (componentes não proteicos das enzimas), e as necessidades vitamínicas variam muito de um microrganismo para o outro. Atividade 1 Assim como os animais, os microrganismos também precisam de nutrientes para que possam se desenvolver e sobreviver. Esses nutrientes contêm elementos químicos que serão inseridos em moléculas, como proteínas, açúcares, vitaminas e cofatores, permitindo que o metabolismo dos microrganismos funcione de maneira adequada. Qual dos seguintes elementos é geralmente um micronutriente necessário para o crescimento microbiano? A Ferro • • • • • • • • • • B Carbono C Nitrogênio D Fósforo E Potássio A alternativa A está correta. O ferro é um elemento essencial para muitos microrganismos, pois desempenha um papel fundamental em várias reações metabólicas, incluindo a respiração celular e a síntese de proteínas. No entanto, ao contrário dos macronutrientes como carbono, nitrogênio e fósforo, o ferro é necessário em quantidades menores, sendo considerado um micronutriente. Condições físicas para o cultivo de microrganismos Neste vídeo, vamos abordar as implicações de temperatura, pH, oxigênio e disponibilidade de água no crescimento microbiano.do vapor. Escolha o ciclo adequado para os materiais (instrumental, líquidos, resíduos etc.). Observe as instruções do fabricante da autoclave para parâmetros como temperatura, pressão e tempo. Feche a porta e inicie o ciclo selecionado. Nunca tente abrir a autoclave durante a operação. Observe os indicadores de pressão e temperatura para garantir que o ciclo está progredindo conforme esperado. Após a conclusão do ciclo, aguarde a autoclave liberar a pressão interna e voltar à temperatura ambiente antes de abrir a porta. Utilize proteção térmica para remover os itens esterilizados. Coloque-os em uma área designada para esfriar completamente antes de armazenar ou usar. Verifique se os indicadores químicos ou biológicos mudaram de cor, indicando sucesso na esterilização. Autoclavação de material Neste vídeo, vamos preparar o material para autoclavação, destacando pontos mais relevantes, como organizar os cuidados que devem ser tomados durante esse processo e mostrar o funcionamento e processo de autoclavação em si. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade discursiva 2 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. Durante a rotina de esterilização de um laboratório de microbiologia, foi observado o seguinte cenário: uma cultura de bactérias, que deveria ter sido completamente esterilizada após o processo de autoclavação, continuou crescendo em meios de cultura pós-autoclavação, indicando que houve uma falha no processo de esterilização. Liste pelo menos três possíveis causas para a ineficácia observada na esterilização e explique como cada uma poderia levar à falha do processo. Chave de resposta A ineficácia observada na esterilização por autoclavação pode ser atribuída a várias causas. Em primeiro lugar, uma carga excessiva ou arranjada de forma inadequada pode obstruir a circulação e penetração do vapor, impedindo a esterilização completa. Isso ocorre quando os itens são sobrepostos ou embalados muito densamente, ou se a capacidade da autoclave é excedida. A esterilização ineficaz pode ocorrer se o tempo de exposição ou os parâmetros do ciclo de autoclavação forem inadequados, resultando em ciclos muito curtos ou com temperaturas e pressões insuficientes para a esterilização completa dos itens, permitindo a sobrevivência de microrganismos. Por último, o desempenho deficiente da autoclave devido à manutenção negligenciada ou falhas mecânicas (como selos de porta defeituosos ou sistemas de aquecimento falhos) pode impedir a máquina de alcançar as condições necessárias para uma esterilização eficaz. É fundamental identificar corretamente e resolver essas questões para assegurar a eficácia do processo de esterilização. Como fazer um repique Roteiro de prática Tenha atenção ao seguinte procedimento: Limpe a bancada com álcool 70% para minimizar a contaminação. Organize os tubos de ensaio, a alça de inoculação e o bico de Bunsen para ficarem dispostos de forma acessível. Utilize o isqueiro ou fósforos para acender o bico de Bunsen. Ajuste a chama para azul, indicando a temperatura ideal para esterilização. Segure a alça pela extremidade do cabo e passe-a lentamente pela chama até que fique vermelha, indicando que está esterilizada. Aguarde alguns segundos para que a alça esfrie e evite matar os microrganismos por exposição ao calor excessivo. Flameje a boca do tubo contendo a cultura após a abertura, inclinando-o ligeiramente para evitar contaminação. Insira a alça resfriada, colete uma pequena quantidade do inóculo e transfira para o novo meio de cultura. Após o uso, flambe mais uma vez a alça de inoculação até que fique vermelha, garantindo que nenhum microrganismo seja transferido acidentalmente. Feche o gás e certifique-se de que a chama está completamente apagada. Limpe a bancada com álcool 70%. Como fazer um repique Neste vídeo, vamos mostrar todo o processo de limpeza e assepsia de bancada, e os processos de flambagem da alça de platina e de repique de uma cultura para um meio estéril. 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade discursiva 3 Identifique e discuta os possíveis erros que podem ocorrer durante o processo de flambagem e repique, e como podem afetar o resultado do cultivo. Forneça recomendações sobre como evitar ou corrigir esses erros. Chave de resposta Erros comuns no processo de flambagem e repique, como flambagem inadequada, manuseio impróprio da alça e resfriamento inadequado após a flambagem, podem levar à contaminação cruzada ou ao insucesso no cultivo. Para prevenir esses problemas, é crucial adotar técnicas de assepsia rigorosas, garantir uma flambagem correta, permitir o resfriamento completo da alça antes do uso e evitar o contato com superfícies não estéreis. 4. Mecanismos de patogenicidade bacteriana Portas de entrada e mecanismos de adesão bacteriana Neste vídeo, explicaremos os diferentes mecanismos de proteção que o organismo humano tem contra a entrada de microrganismos no sistema, quais são as principais portas de entrada para infecção, os fatores presentes em microrganismos que auxiliam na adesão e como ela ocorre. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. De modo geral, os patógenos precisam entrar em contato com o hospedeiro para causar doenças. Desse modo, a patogênese bacteriana geralmente começa com a adesão aos tecidos do hospedeiro, seguida da penetração nos tecidos ou evasão das defesas do sistema imune. As vias pelas quais os patógenos infectam o organismo do hospedeiro são chamadas de portas de entrada. As principais portas de entrada são: As mucosas São as membranas que recobrem os tratos gastrointestinal, geniturinário e respiratório e a conjuntiva (membrana que recobre o globo ocular). Por exemplo, o trato geniturinário representa a porta de entrada para os microrganismos que causam as doenças sexualmente transmissíveis, que são capazes de penetrar tanto na membrana mucosa lesionada como na íntegra. A pele É maior órgão do corpo humano e também é uma porta de entrada para infecções. A maioria dos patógenos não consegue penetrar na pele íntegra, mas podem entrar pelos folículos pilosos e pelas glândulas sudoríparas. Além disso, os patógenos também podem entrar no organismo do hospedeiro por meio de lesões nas mucosas e na pele. Essa situação é muito comum no ambiente hospitalar, em que o paciente passa constantemente por punções, injeções e cirurgias e faz uso de acessos venosos e/ou cateteres. Porém, isso também pode ocorrer fora dos hospitais, por meio de cortes, picadas, queimaduras e outros ferimentos acidentais. Uma vez que as bactérias patogênicas entram em contato com o hospedeiro, elas realizam um processo de adesão às células epiteliais. O processo de adesão envolve a interação entre moléculas específicas do patógeno e moléculas situadas nos tecidos dos hospedeiros, ou seja, a adesão nada mais é que a capacidade de um microrganismo se ligar a uma célula ou a uma superfície. Você conhece os principais mecanismos de adesão bacteriana? Nas bactérias, diferentes estruturas podem estar envolvidas no processo de adesão. Entre elas, temos os fatores de adesão não covalentes, ou seja, macromoléculas que atuam na adesão e não são covalentemente ligadas às células bacterianas. Essas moléculas são conhecidas como glicocálix e são polímeros secretados pelas próprias bactérias (geralmente polissacarídeos), responsáveis por recobrir a superfície da célula. Um exemplo de glicocálix é a cápsula bacteriana, presente nas bactérias Bacillus anthracis (Causadora do antraz) e Streptococcus pneumoniae (causadora da pneumonia). Atenção Além de participar do processo de adesão celular, a cápsula também pode proteger as bactérias dos mecanismos de defesa do sistema imune, permitindo que elas ultrapassem as barreiras de defesa do hospedeiro. Por exemplo, linhagens de S. pneumoniae encapsuladas conseguem se multiplicar no tecido pulmonar, podendo levar o hospedeiroà morte; por outro lado, linhagens dessa mesma bactéria que não apresentam cápsula são rapidamente destruídas pelas células do sistema imune, impedindo o desenvolvimento da doença. Além disso, as bactérias podem apresentar outros fatores de adesão, como fímbrias, pili e flagelos. As fímbrias e os pili participam da ligação às glicoproteínas localizadas na superfície da célula hospedeira. Adesão de fímbrias a uma célula hospedeira. Por exemplo, a bactéria Neisseria gonorrhoeae, causadora comum de infecções do trato geniturinário, tem pili que atuam diretamente na ligação bacteriana ao epitélio urogenital; já as linhagens que não têm pili causam infecções com uma frequência muito menor. Os flagelos também atuam no processo de adesão. Por fim, outras proteínas da superfície celular bacteriana também estão envolvidas no processo de adesão. É o caso da proteína Opa, de N. gonorrhoeae, que se liga de maneira específica à proteína CD66 do hospedeiro, permitindo que a adesão ocorra. Opa Do inglês Opacity Associated Protein - Proteína associada a opacidade. A bactéria Streptococcus pyogenes (causadora de infecção na garganta) se liga às células hospedeiras por meio do ácido lipoteicóico e das proteínas F e M; a proteína M ainda impede que a bactéria seja fagocitada por neutrófilos, facilitando ainda mais o estabelecimento da infecção. Esquema mostrando as moléculas de adesão do S. pyogenes. Devido a essas particularidades, muitas espécies bacterianas só são capazes de causar doença quando têm contato com portas de entrada específicas, pois dependem da presença de determinadas moléculas do hospedeiro para que o processo de adesão ocorra satisfatoriamente. Atividade 1 Por serem procariontes, as bactérias não possuem diversas estruturas celulares encontradas nos eucariontes, como mitocôndrias e núcleo. Entretanto, elas podem apresentar algumas estruturas especiais, como a cápsula, que não são obrigatórias, mas conferem características vantajosas ao microrganismo. Qual é a função dessa estrutura? A A cápsula bacteriana contribui para a regulação do pH intracelular, evitando assim a adesão a superfícies ácidas. B A cápsula bacteriana aumenta a produção de toxinas que prejudicam a atividade dos linfócitos T. C A cápsula bacteriana impede a formação de biofilmes, reduzindo a capacidade de adesão a superfícies. D A cápsula bacteriana promove a diferenciação dos neutrófilos, facilitando sua adesão aos locais de infecção. E A cápsula bacteriana protege a bactéria contra o sistema imune e pode ajudar na adesão a superfícies. A alternativa E está correta. A cápsula bacteriana é uma camada externa de polissacarídeos que envolve algumas bactérias. Ela desempenha um papel crucial na proteção contra a fagocitose pelos glóbulos brancos do sistema imunológico, como os macrófagos. A cápsula dificulta a aderência dos fagócitos à superfície bacteriana, impedindo sua captura e destruição. Além disso, pode facilitar a adesão da bactéria a superfícies, contribuindo para a colonização e estabelecimento da infecção. Toxinas, plasmídeos e lisogenia Neste vídeo, explicaremos as diferenças entre os tipos de lesão causadas por toxinas e os conceitos de exotoxinas e endotoxinas, plasmídeos e lisogenia. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Lesões diretas e lesões por toxinas Ao entrar em contato com o hospedeiro e vencer suas barreiras de defesa, os patógenos bacterianos podem causar danos às células hospedeiras por meio de lesões de dois tipos distintos, são elas: Lesões diretas Ocorrem quando alguns microrganismos, como determinados vírus, protozoários e bactérias, que estão se multiplicando no interior de células humanas, rompem essas células, liberando grande quantidade desses patógenos dentro do corpo do hospedeiro. Por exemplo: Chlamydia trachomatis. Lesões causadas por toxinas São ocasionadas por sua produção pelos patógenos. Toxigenicidade é a capacidade de um microrganismo produzir toxinas; toxemia se refere à presença de toxinas no sangue do hospedeiro. Por exemplo, a α-toxina produzida por Staphylococcus aureus forma poros na membrana da célula- alvo. Exotoxinas São proteínas tóxicas, normalmente termolábeis (sujeitas a destruição pela elevação do calor), secretadas por algumas bactérias (tanto gram-positivas quanto gram-negativas) durante seu crescimento. Diferenças entre bactérias gram-positivas e gram-negativas. As exotoxinas conseguem se deslocar do sítio de infecção em que se encontram e alcançar outras partes do organismo do hospedeiro, causando danos. Elas têm uma ação bem específica em células ou tecidos, ligando- se a receptores ou a determinadas estruturas celulares. Dessa forma, podem ser classificadas em três categorias, descritas a seguir. Toxinas citolíticas Promovem a lise celular por meio da destruição da integridade da membrana citoplasmática da célula hospedeira (exemplo: a α-toxina produzida por Staphylococcus forma poros na membrana da célula- alvo, levando à lise de eritrócitos). Toxinas AB São formadas por duas subunidades, A e B; a subunidade B se liga à superfície da célula hospedeira por meio de um receptor, transferindo a subunidade A pela membrana plasmática da célula-alvo, resultando em danos à célula (exemplo: toxina diftérica e toxina botulínica (Clostridium botulinum), sendo importantes fatores de virulência para essas bactérias). Superantígenos Causam reações inflamatórias intensas e danos teciduais devido ao estímulo exacerbado de células do sistema imune. Um subconjunto importante de exotoxinas são as enterotoxinas. Também são classificadas como toxinas citolíticas, toxinas AB ou superantígenos. Sua ação ocorre no intestino delgado, causando vômitos e diarreia devido à secreção de fluidos para o lúmen do intestino. Você sabe como as enterotoxinas entram no organismo? lustração 3D mostrando cistos do protozoário Giardia intestinalis, agente causador da giardíase e diarréia, contaminando a água potável. Ilustração de uma Salmonella. As enterotoxinas costumam ser adquiridas pela ingestão de água ou alimentos contaminados, sendo produzidas por diferentes bactérias causadoras de intoxicação alimentar, como Bacillus cereus Clostridium perfringens e Staphylococcus aureus e também por bactérias patogênicas intestinais, como Escherichia coli Salmonella enterica e Vibrio cholerae. De modo geral, as exotoxinas costumam ser extremamente tóxicas, mesmo em quantidades muito pequenas, como picogramas ou microgramas, chegando a ser fatais em alguns casos. As exotoxinas são proteínas imunogênicas, ou seja, estimulam a resposta imune do hospedeiro, levando à produção de anticorpos neutralizantes (também conhecidos como antitoxinas). Geralmente, o calor ou os agentes químicos são capazes de eliminar a toxicidade das exotoxinas, porém elas continuam sendo imunogênicas. Geralmente, as exotoxinas não causam febre no hospedeiro e, em sua maioria, são codificadas em elementos extracromossômicos (como plasmídeos). Endotoxinas Diferente das exotoxinas, as endotoxinas são lipopolissacarídeos tóxicos, que são liberados no organismo do hospedeiro pela lise bacteriana, como parte da membrana externa das bactérias gram-negativas. São termoestáveis e costumam causar sintomas como febre, diarreia e vômito. São menos tóxicas que as exotoxinas, sendo muito rara a morte do hospedeiro, e são pouco imunogênicas, ou seja, a resposta imune do hospedeiro não é capaz de neutralizar a toxina. São codificadas por genes cromossômicos. As endotoxinas de Salmonella, Escherichia e Shigella são bem estudadas e representam importantes fatores de virulência para essas bactérias. Plasmídeos Também conhecidos como os plasmídeos, também conhecidos como DNA extracromossômico, são estruturas acessórias que conferem características vantajosas às bactérias que os têm. São moléculas de DNA dispersas no citoplasma da célula e se replicam independentemente do DNA cromossômico. Os plasmídeos são responsáveis por conferir duas características muito importantesàs bactérias patogênicas, que lhes dão a capacidade de causar doença: a capacidade de ligação do patógeno a tecidos específicos do hospedeiro e a produção de toxinas, de enzimas e de outras moléculas capazes de causar danos ao hospedeiro. Os plasmídeos podem conferir às bactérias perfil de resistência a diferentes classes de antimicrobianos disponíveis para o tratamento das infecções, tornando-o desafiador. Plasmídeos. Por fim, a conversão fágica é um fenômeno que também pode contribuir para a virulência de uma bactéria. No entanto, para entender o que é a conversão fágica, precisamos entender primeiro o que é lisogenia. Lisogenia Bacteriófagos são vírus que infectam bactérias. Em alguns casos, o genoma do vírus (conhecido como vírus temperado) consegue se replicar em sincronia com o genoma da bactéria hospedeira, não provocando a morte da célula. Esse fenômeno é chamado de lisogenia. Na lisogenia, o genoma do vírus consegue se integrar ao DNA da bactéria hospedeira e, durante a divisão celular, as células-filhas bacterianas recebem o genoma viral. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Esquema demonstrando o ciclo lisogênico. Por esse motivo, o estado lisogênico pode proporcionar às bactérias novas propriedades genéticas que aumentam sua virulência, ou seja, elevam sua capacidade de causar doença. Em muitos casos, a lisogenia é fundamental para que a célula hospedeira seja capaz de sobreviver na natureza. A conversão fágica nada mais é que a alteração do fenótipo da bactéria que ocorre em consequência da lisogenização. Como exemplo, podemos citar a conversão de linhagens da bactéria Corynebacterium diphtheriae (casuadora da difteria) não produtoras de toxina em produtoras de toxina pela lisogenização causada pelo fago β, tornando a bactéria patogênica. Atividade 2 Bactérias podem causar doenças por meio da produção de substâncias denominadas toxinas. De acordo com determinadas características, essas toxinas são divididas em dois grupos: endotoxinas e exotoxinas. Qual é a principal diferença entre esses grupos em relação à sua estrutura e ao modo de ação? A As endotoxinas são proteínas liberadas pelas bactérias durante a fase estacionária do crescimento, enquanto as exotoxinas são componentes da parede celular bacteriana. B As exotoxinas são lipopolissacarídeos que compõem a membrana externa das bactérias, enquanto as endotoxinas são proteínas solúveis secretadas pelas células bacterianas. C As endotoxinas são moléculas lipídicas localizadas na membrana externa das bactérias gram-positivas, enquanto as exotoxinas são proteínas secretadas pelas bactérias durante o crescimento ativo. D As exotoxinas são proteínas solúveis secretadas pelas bactérias durante o crescimento ativo, enquanto as endotoxinas são componentes da parede celular bacteriana liberados quando as bactérias morrem. E As endotoxinas são proteínas complexas sintetizadas pelas bactérias gram-negativas, enquanto as exotoxinas são moléculas lipídicas liberadas durante a lise celular. A alternativa D está correta. As exotoxinas são toxinas liberadas por bactérias durante sua vida, visando a células específicas do hospedeiro e causando danos variados, como à membrana celular ou à síntese proteica, além de estimular respostas imunes. São proteínas altamente específicas, podendo ser neutralizadas por anticorpos. Em contraste, as endotoxinas são componentes das paredes celulares de bactérias Gram-negativas, principalmente lipopolissacarídeos (LPS), liberadas após a morte bacteriana. Desencadeiam uma resposta inflamatória no hospedeiro, podendo causar febre, choque séptico, dependendo da quantidade e da resposta do hospedeiro. Relações da microbiota com o hospedeiro Neste vídeo, explicaremos como funcionam as relações entre microrganismo e hospedeiro, os fatores que podem desequilibrar essa relação e suas consequências. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Os microrganismos estão presentes nos mais variados ambientes, inclusive no corpo humano. As incontáveis células microbianas que vivem no corpo humano são coletivamente chamadas de microbiota normal e vivem em simbiose com o hospedeiro. Todos são beneficiados com essa relação: a microbiota proporciona ao hospedeiro saúde e bem-estar por meio da geração de produtos benéficos, além de dificultar o crescimento de microrganismos patogênicos; o hospedeiro, por outro lado, oferece vários microambientes diferentes ideais para o crescimento e a sobrevivência de determinadas populações de microrganismos, sendo fonte de nutrientes e fator de crescimento indispensáveis, além de ter condições controladas de temperatura, pH e pressão osmótica. Um indivíduo começa a desenvolver sua microbiota normal no momento de seu nascimento, já que o útero é um ambiente estéril. As diferentes partes do corpo, como a pele, o trato gastrointestinal, trato urogenital e trato respiratório, têm características químicas e físicas distintas, sendo favoráveis ao crescimento de certos microrganismos e desfavoráveis a outros. Microbiota no intestino. Além disso, diferentes regiões de um mesmo órgão também podem apresentar características distintas, como acontece com a pele. A pele tem regiões mais úmidas, como a axila, o umbigo e o interior da narina, e regiões mais secas, como os cotovelos, os joelhos e as palmas das mãos; existem, ainda, as regiões mais oleosas, ricas em glândulas sebáceas, como a lateral do nariz, a parte superior das costas etc. Por esse motivo, os microrganismos que colonizam cada região do corpo são diferentes. Representação dos diferentes microrganismos presentes na pele. O intestino grosso, por exemplo, é um ambiente anóxico, no qual apenas bactérias anaeróbias conseguem viver; as regiões mais secas da pele favorecem o crescimento de bactérias resistentes à desidratação, como Streptococcus e Staphylococcus. Ambiente anóxico Não contém oxigênio tanto na forma livre como combinada Atenção É importante ressaltar que alguns tecidos, como o sangue e alguns órgãos como o sistema nervoso e o coração, não são colonizados; a presença de microrganismos nesses locais indica a existência de uma doença infecciosa. Alguns microrganismos que compõem a microbiota intestinal são capazes de produzir compostos essenciais para o hospedeiro humano a partir de seu metabolismo. Esses compostos serão influenciados pela microbiota intestinal e pela dieta do indivíduo. Por exemplo, o homem não é capaz de produzir as vitaminas B12e K; a microbiota intestinal é responsável pela produção dessas vitaminas, que são absorvidas no cólon. Por outro lado, bactérias fermentativas presentes na microbiota intestinal são responsáveis também pela produção de gases e substâncias com odor fétido. Além disso, cerca de 1/3 do peso das fezes corresponde a bactérias intestinais. De modo geral, a perda das bactérias da microbiota resulta em diarreia ou fezes amolecidas. Com a alteração da microbiota normal, microrganismos oportunistas presentes no intestino podem conseguir se desenvolver, causando alterações digestivas e até doenças, como é o caso da bactéria Clostridium difficile (bactéria que pode causar colite) e da levedura Candida albicans (causadora da candidíase). Saiba mais A microbiota normal do intestino pode ser alterada pelo uso de antibióticos, que podem afetar seu crescimento, assim como dos patógenos. O restabelecimento da microbiota normalmente ocorre rapidamente após o fim do uso de antibióticos, e esse processo pode ser agilizado pelo uso de bactérias intestinais vivas, chamadas de probióticos. Atividade 3 O conjunto de microrganismos presentes no corpo humano compõe o que chamamos de microbiota. Todo o corpo humano, incluindo órgãos internos, é colonizado por microrganismos? A Sim, todas as regiões do corpo humano possuem microbiota específica. B Não, existem regiões que não apresentam microbiota. C Não, o corpo humano apresenta microrganismos apenas em situações de doença. D Não, amicrobiota está presente apenas em regiões externas, como pele. E Sim, todos os órgãos são colonizados pela mesma microbiota encontrada no intestino. A alternativa B está correta. Enquanto a pele, mucosas e algumas cavidades, como a boca e o trato gastrointestinal, são naturalmente habitadas por uma variedade de microrganismos, como bactérias e fungos, existem outras áreas do corpo, especialmente órgãos internos como o coração, pulmões e rins, considerados estéreis e não possuem microbiota. Esses órgãos internos normalmente não apresentam microrganismos, a menos que haja uma infecção ou outra condição patológica presente. Aplicando o conhecimento Em um restaurante movimentado da cidade, Maria, uma cozinheira experiente, estava picando ingredientes para o almoço quando cortou o dedo acidentalmente com uma faca afiada. Apesar de lavar o ferimento com água e sabão, Maria continuou trabalhando, sem procurar tratamento médico imediato. Nos dias seguintes, o dedo de Maria começou a inchar, ficar vermelho e dolorido, e ela desenvolveu febre e mal-estar. Preocupada com sua saúde e com o risco de contaminar a comida servida no restaurante, Maria decidiu consultar um médico. O médico examinou o ferimento e diagnosticou uma infecção bacteriana causada pela bactéria Staphylococcus aureus, comumente encontrada na pele. O médico prescreveu antibióticos e instruiu Maria a manter o ferimento limpo e protegido enquanto se recuperava. Enquanto Maria estava de licença médica, a equipe de gerenciamento do restaurante revisou os protocolos de segurança alimentar e higiene. Eles ressaltaram a importância de tratar imediatamente ferimentos e usar luvas e curativos para cobrir cortes durante o trabalho na cozinha. Além disso, implementaram verificações de saúde regulares para todos os funcionários e incentivaram a comunicação aberta sobre ferimentos ou doenças, para que medidas pudessem ser tomadas rapidamente. Após alguns dias de tratamento, Maria retornou ao trabalho, consciente da importância de cuidar de lesões menores. O restaurante continua a implementar medidas rigorosas de higiene e segurança alimentar para garantir a qualidade e a segurança dos alimentos servidos, além de priorizar a saúde e o bem-estar de seus funcionários. Questão 1 Como a negligência com ferimentos pequenos no ambiente de trabalho pode impactar a saúde do indivíduo afetado? Chave de resposta Ao não tratar adequadamente um ferimento, mesmo que pareça pequeno, existe o risco de infecção. Ferimentos na pele podem permitir a entrada de bactérias e outros microrganismos no organismo, levando a infecções locais ou sistêmicas. Essas infecções podem causar sintomas como dor, inchaço, vermelhidão e febre, e em casos mais graves, podem resultar em complicações sérias, como a disseminação da infecção para outros órgãos ou a entrada na corrente sanguínea, podendo levar a condições potencialmente fatais, como sepse (caracterizada por uma resposta inflamatória sistêmica do corpo à infecção, o que pode resultar em uma ampla gama de complicações, incluindo a falha de múltiplos órgãos). Questão 2 Por que não foi o suficiente Maria lavar a mão com água e sabão para impedir a infecção bacteriana? Chave de resposta Cortes ou feridas profundas permitem que as bactérias penetrem nas camadas mais internas da pele, onde a limpeza superficial não alcança. Além disso, a água e o sabão podem remover sujeira e reduzir a quantidade de patógenos, mas não eliminam completamente todas as bactérias presentes. E a ausência de uma desinfecção mais profunda com soluções antissépticas e a falta de proteção adicional, como o uso de curativos antibacterianos, facilitam a entrada e proliferação de novas bactérias no ferimento. Questão 3 Considerando a revisão dos protocolos de segurança alimentar e higiene pelo restaurante, explique como medidas, como o tratamento imediato de ferimentos e o uso de luvas, podem reduzir o risco de contaminação alimentar e promover um ambiente de trabalho mais seguro. Chave de resposta Tratar feridas rapidamente evita a proliferação de microrganismos no local do ferimento e sua transferência para os alimentos. O uso de luvas atua como uma barreira física, prevenindo a contaminação direta dos alimentos pelas mãos dos funcionários. 5. Conclusão Considerações finais Nutrientes são essenciais para o crescimento microbiano, e os requerimentos nutricionais variam de acordo com o microrganismo. Além de nutrientes, condições ambientais como temperatura, pH, disponibilidade de água e teor de oxigênio influenciam no crescimento microbiano. O crescimento microbiano ocorre em fases bem definidas, denominadas lag, log, estacionária e de morte, cuja duração varia de acordo com a disponibilidade de nutrientes. A quantidade de microrganismos viáveis em superfícies vivas ou objetos pode ser diminuída por meio de métodos físicos e químicos. A escolha por um determinado método físico ou químico de controle de crescimento depende do material a ser tratado. Para causar doença, um microrganismo deve obter acesso ou produzir substâncias que entrem em contato com o hospedeiro. Os microrganismos podem causar lesões diretas ou indiretas nas células do hospedeiro. O corpo humano é repleto de microrganismos, que constituem o que chamamos de microbiota e confere vantagens ao hospedeiro. Explore + Assista ao documentário Fungos fantásticos (Louis Schwartzberg, 2029) e veja como os microrganismos são importantes para o nosso ecossistema. Referências MADIGAN, M. T.; MARTINKO, J. M.; BENDER, K. S. et al. Microbiologia de Brock. Porto Alegre: Grupo A, 2016. TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. L. Microbiologia. Porto Alegre: Grupo A, 2017. • • • • • • • • Crescimento microbiano 1. Itens iniciais Objetivos Introdução 1. Nutrição e crescimento microbiano Exigências nutricionais Conteúdo interativo Anabolismo Catabolismo Carbono, nitrogênio e outros macronutrientes Fósforo Enxofre Potássio Magnésio Cálcio Sódio Micronutrientes: elementos-traço e fatores de crescimento Atividade 1 Condições físicas para o cultivo de microrganismos Conteúdo interativo Temperatura Temperatura mínima de crescimento Temperatura ótima de crescimento Temperatura máxima de crescimento Microrganismos psicrófilos Microrganismos mesófilos Microrganismos termófilos Microrganismos hipertermófilos pH Neutrófilos Acidófilos Alcalifílicos Atenção Pressão osmótica Microrganismos halófilos Microrganismos halotolerantes Microrganismos halófilos extremos Microrganismos osmófilos Microrganismos xerófilos Oxigênio Aeróbios Aeróbios facultativos Anaeróbios aerotolerantes Microaerófilos Anaeróbios obrigatórios Atividade 2 Tipos de meio de cultura Conteúdo interativo Composição química Meios quimicamente definidos Meios complexos Consistência Meios sólidos Meios líquidos Meios semissólidos Finalidade de uso Meio de cultura enriquecido Meio de cultura seletivo Meio de cultura diferencial Atividade 3 Laboratório virtual Preparação de meio de cultura Conteúdo interativo Atividade laboratorial Preparação de meio de cultura Conteúdo interativo Curva de crescimento microbiano Conteúdo interativo Fase Lag Fase exponencial Fase estacionária Fase de declínio ou morte Analogia Atividade 4 Aplicando o conhecimento Conteúdo interativo 2. Controle de crescimento microbiano Introdução ao controle de crescimento microbiano Conteúdo interativo Esterilização Desinfecção Descontaminação Antissepsia Assepsia Quimioterapia Como preparar uma solução de álcool 70%? Conteúdo interativo Efeito estático Efeito microbicida Métodos antimicrobianos Atividade 1 Métodos físicos de controle de crescimento microbiano Conteúdo interativo Calor Atenção Formas vegetativas de bactérias Esporos bacterianos (estruturas de resistência) Formas vegetativas de fungos Esporos fúngicos (estruturas de reprodução) Calor úmido Autoclave Conteúdo interativo Conteúdo interativo Tindalização Conteúdointerativo Pasteurização Ultra-high temperature Água em ebulição Calor seco Forno ou estufa Flambagem Incineração Radiação Radiações ionizantes Radiação ultravioleta Filtração Aplicação 1 Aplicação 2 Implementar um protocolo rigoroso de autoclavação. Utilizar fornos de calor seco para esterilizar instrumentos. Implementar a fervura como método de esterilização para instrumentos que possam suportar temperaturas elevadas. Atividade 2 Métodos químicos de controle de crescimento microbiano Conteúdo interativo Desinfetantes Fenol Compostos que liberam cloro Ozônio (O3) Agentes surfactantes Agentes alquilantes Antissépticos Saiba mais Álcool (etílico ou isopropílico) Hexaclororeno Compostos que contêm metais pesados Agentes surfactantes Laboratório virtual Eficácia de agentes antissépticos Conteúdo interativo Atividade 3 Aplicando o conhecimento Conteúdo interativo 3. Controle de crescimento de microrganismos na prática Como preparar uma solução de álcool 70%? Roteiro de prática Como preparar uma solução de álcool 70%? Conteúdo interativo Atividade discursiva 1 Autoclavação de material Roteiro de prática Autoclavação de material Conteúdo interativo Atividade discursiva 2 Como fazer um repique Roteiro de prática Como fazer um repique Conteúdo interativo Atividade discursiva 3 4. Mecanismos de patogenicidade bacteriana Portas de entrada e mecanismos de adesão bacteriana Conteúdo interativo As mucosas A pele Atenção Atividade 1 Toxinas, plasmídeos e lisogenia Conteúdo interativo Lesões diretas e lesões por toxinas Lesões diretas Lesões causadas por toxinas Exotoxinas Toxinas citolíticas Toxinas AB Superantígenos Endotoxinas Plasmídeos Lisogenia Conteúdo interativo Atividade 2 Relações da microbiota com o hospedeiro Conteúdo interativo Atenção Saiba mais Atividade 3 Aplicando o conhecimento Questão 1 Questão 2 Questão 3 5. Conclusão Considerações finais Explore + ReferênciasAlém disso, vamos explicar as diferentes classificações e fazer a relação com estabilidade microbiológica de alimento e outros exemplos reais. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Os microrganismos são encontrados na natureza nos mais variados ambientes. As características físicas desses ambientes são capazes de afetar esses microrganismos e seu crescimento. Capazes de crescer exclusivamente na ausência de oxigênio, sendo o oxigênio nocivo ou letal para eles. Dessa forma, os principais fatores físicos que afetam o crescimento dos microrganismos são: Temperatura pH Disponibilidade de água Oxigênio Neste tópico, discutiremos a importância de cada um desses fatores. Temperatura • • • • Termômetro exibindo temperatura de 40 graus com o sol brilhando ao fundo indicando dia muito quente. A temperatura é um dos fatores físicos determinantes no crescimento microbiano. Existem microrganismos capazes de crescer nas mais variadas faixas de temperatura, e essa capacidade geralmente reflete a variação térmica e a temperatura média dos lugares onde vivem. De modo geral, com o aumento da temperatura, ocorre o aumento da velocidade das reações enzimáticas e químicas das células, tornando seu crescimento mais rápido. Existe, porém, um limite de temperatura, a partir do qual os componentes das células sofrem danos irreparáveis, resultando em sua morte. Assim, cada microrganismo apresenta uma: Temperatura mínima de crescimento Sendo os microrganismos incapazes de crescer em temperaturas inferiores. Temperatura ótima de crescimento Representada pela temperatura mais favorável, em que os microrganismos crescem mais rapidamente. Temperatura máxima de crescimento Sendo os microrganismos incapazes de crescer em temperaturas superiores. Esse conjunto de temperaturas representa as temperaturas cardeais dos microrganismos, que podem ser muito diferentes entre as espécies; existem microrganismos com temperatura ótima de crescimento de 0°C e outros que têm temperatura ótima acima de 100°C, por exemplo. O que determina as temperaturas máximas e mínimas de crescimento de um microrganismo? O que determina a temperatura máxima de crescimento de um microrganismo é a desnaturação de proteínas, como as enzimas. Assim, acima da temperatura máxima, as enzimas e as proteínas indispensáveis à sobrevivência da célula desnaturam, resultando na morte celular. Em relação à temperatura mínima, os fatores ainda não são completamente definidos, e acredita-se que estejam relacionados a características da membrana plasmática. Como a membrana atua no transporte de nutrientes e em funções bioenergéticas, ela precisa se manter em um estado semifluido para desempenhar suas funções. Temperaturas mínima, ótima e máxima. Temperaturas muito baixas podem tornar a membrana mais rígida, impedindo o transporte de nutrientes ou a força próton-motiva, o que impossibilita o crescimento microbiano. A composição de ácidos graxos da membrana plasmática dos microrganismos é determinante para sua sobrevivência a baixas temperaturas. Por último, você sabia que os microrganismos são classificados de acordo com sua temperatura ótima de crescimento? De acordo com essa classificação: Microrganismos psicrófilos Apresentam crescimento ótimo em baixas temperaturas. Microrganismos mesófilos Apresentam crescimento ótimo em temperaturas medianas. Microrganismos termófilos Apresentam crescimento ótimo em altas temperaturas. Microrganismos hipertermófilos Apresentam crescimento ótimo em temperaturas extremamente elevadas. Observe o gráfico a seguir: Temperatura X Crescimento de microrganismos. Os microrganismos mesófilos são os mais comumente encontrados na natureza e os mais estudados, pois são achados em locais com temperaturas temperadas e tropicais e nos animais de sangue quente. Os hipertermófilos são geralmente encontrados em fontes termais e fendas hidrotermais no fundo do oceano, têm enzimas altamente estáveis e são representados, principalmente, por bactérias e arqueias. pH Corresponde à concentração de íons hidrogênio [H+], e sua variação é grande nos diferentes ambientes. Valores de pH iguais a 7 representam pH neutro, pH inferior a 7 é chamado de ácido e pH superior a 7 é chamado de alcalino ou básico. Escala de pH. O aumento de uma unidade de pH representa uma alteração de 10 vezes na concentração de íons hidrogênio, o que significa que a variação da quantidade de íons hidrogênio nos ambientes naturais é enorme! Assim como a temperatura, o pH também influencia fortemente o crescimento microbiano. Cada microrganismo é capaz de crescer em uma faixa de pH, sendo o pH ótimo aquele em que o crescimento ocorre mais rapidamente. Os microrganismos podem ser classificados, de acordo com o pH ótimo de crescimento, como: Neutrófilos Apresentam pH ótimo de crescimento entre 5,5 e 7,9. Acidófilos Apresentam crescimento ótimo em valores de pH inferiores a 5,5. Alcalifílicos Apresentam crescimento ótimo em valores de pH superiores a 7,9. Há diferentes classes de microrganismos acidófilos e alcalifílicos, o que significa dizer que existe uma variação de valores de pH ótimos entre os diferentes microrganismos. Por exemplo, as bactérias acidófilas Rhodopila globiformis e cidithiobacillus ferrooxidans apresentam valores de pH para crescimento ótimo iguais a 5 e 3, respectivamente; o mesmo acontece com os microrganismos alcalifílicos. Atenção É importante dizer que o pH ótimo para o crescimento de um microrganismo é referente ao pH extracelular. De modo geral, o pH no interior da célula deve se manter próximo à neutralidade para evitar que as macromoléculas celulares sejam destruídas. Pressão osmótica Atividade de água é um termo que se refere à disponibilidade de água em um ambiente. Essa disponibilidade não está apenas relacionada ao fato de o ambiente ser úmido ou seco, mas também à concentração de diferentes solutos dissolvidos na água, como sais, açúcares etc. Os solutos apresentam a capacidade de se ligar à água, deixando-a menos disponível para os microrganismos. Ajustes fisiológicos são necessários para que os microrganismos sejam capazes de crescer em ambientes com solução hipertônica, pois, quando a concentração de soluto do ambiente supera a do citoplasma, a célula perde água por osmose, o que pode resultar em problemas sérios para a célula se ela não tiver mecanismos para contrabalançar esse processo, já que uma célula desidratada não consegue crescer. À direita: Bactéria em meio isotônico. À esquerda: Bactéria em meio hipertônico perdendo água do citoplasma para o meio. Os microrganismos podem ser classificados como: Microrganismos halófilos São aqueles que precisam de cloreto de sódio (NaCl) para crescer. A quantidade de NaCl necessária varia de acordo com o microrganismo e com o ambiente em que ele vive. Assim, os microrganismos marinhos geralmente necessitam de 1% a 4% de NaCl, enquanto os que vivem em ambientes mais salgados que a água do mar (chamados hipersalinos) precisam de 3% a 12% de NaCl, ou até mais que isso. É importante destacar que os halófilos dependem de NaCl para seu crescimento, não sendo possível substitui-lo por outros sais (como cloreto de potássio, de cálcio ou de magnésio). Microrganismos halotolerantes São aqueles capazes de crescer na presença de solutos dissolvidos, mas que apresentam melhor crescimento na ausência dos solutos. Microrganismos halófilos extremos São aqueles que crescem na presença de concentrações extremamente altas de sal (de 15% a 30%) e, na maioria dos casos, não conseguem crescer em concentrações menores de sal. Microrganismos osmófilos Sobrevivem em locais ricos em açúcar. Microrganismos xerófilos Crescem em locais muito secos (pela falta de água). Oxigênio O oxigênio faz parte da composição de todas as células, sendo fornecido em grandes quantidades principalmente a partir da água. No entanto, a capacidade de metabolizar o oxigênio molecular não é universal. Assim, para algumas células, o oxigênio é essencial,enquanto, para outras, é tóxico. Dessa forma, os microrganismos podem ser classificados da seguinte maneira, de acordo com a sua necessidade ou tolerância ao oxigênio: Aeróbios Crescem apenas onde há altas concentrações de oxigênio difundidas no meio, como é o caso do ar atmosférico. Aeróbios facultativos Crescem melhor na presença de oxigênio, mas ele não é essencial. Anaeróbios aerotolerantes São capazes de crescer na presença de oxigênio, mas sem utilizá-lo. Microaerófilos São capazes de crescer somente na presença de pequenas quantidades de oxigênio (inferiores aos níveis de oxigênio do ar.) Anaeróbios obrigatórios São capazes de crescer exclusivamente na ausência de oxigênio, pois o oxigênio é nocivo ou letal para eles. Atividade 2 Diversos fatores ambientais influenciam o desenvolvimento de microrganismos. Nesse contexto, qual é a relação entre temperatura e crescimento de microrganismos? A A temperatura não tem impacto no crescimento dos microrganismos. B O crescimento dos microrganismos aumenta linearmente com a temperatura. C O crescimento dos microrganismos atinge o pico em uma temperatura ótima e diminui em temperaturas mais altas ou mais baixas. D O crescimento dos microrganismos é mais rápido em temperaturas mais baixas. E O crescimento dos microrganismos é mais rápido em temperaturas mais altas. A alternativa C está correta. Microrganismos possuem faixas de temperatura específicas em que seu crescimento é otimizado. Essa faixa de temperatura ótima varia para diferentes tipos de microrganismos. Em geral, quando a temperatura é muito baixa, suas atividades metabólicas diminuem significativamente, retardando o crescimento. Por outro lado, quando a temperatura é muito alta, suas enzimas e outras estruturas celulares podem ser danificadas, também reduzindo o crescimento. Tipos de meio de cultura Neste vídeo, vamos abordar os diferentes tipos de meio de cultura, ressaltando a diferença entre os meios sólidos e líquido, quando cada um é mais utilizado, e as diferenças entre seletivo, enriquecido e diferencial. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Os meios de cultura desempenham um papel fundamental no cultivo e crescimento de organismos, permitindo o estudo de diferentes processos biológicos em laboratório. Esses meios são compostos por uma combinação de nutrientes essenciais que fornecem os elementos necessários para o desenvolvimento e sobrevivência de microrganismos, células e tecidos. Enquanto alguns microrganismos crescem em diversos meios de cultura, outros necessitam de condições específicas para seu crescimento, e há aqueles que ainda não foram cultivados com sucesso em meios não vivos. Quando introduzimos microrganismos em um meio de cultura para iniciar seu crescimento, chamamos esse processo de inóculo. Os microrganismos que se multiplicam e se desenvolvem no meio de cultura são denominados cultura. Ao desejar cultivar um microrganismo específico, como os presentes em amostras clínicas, é crucial que o meio de cultura atenda a certos critérios, como: O meio deve conter os nutrientes adequados para o microrganismo em questão. O meio deve possuir a quantidade correta de água e pH apropriado. O meio deve estar livre de microrganismos no início, ou seja, estéril. A esterilidade é fundamental para que apenas os microrganismos introduzidos e sua descendência estejam presentes na cultura em crescimento. O meio de cultura deve ser incubado em condições adequadas para promover o crescimento e multiplicação dos microrganismos de interesse. Esses meios são subdivididos em diversos grupos, considerando sua composição química, consistência e finalidade de uso, como veremos a seguir. 1. 2. 3. 4. Composição química Meios quimicamente definidos Sua composição é conhecida e especificada em termos de concentração de aminoácidos, vitaminas, açúcares e outros componentes. Componentes Quantidades Glicose 5 g Fosfato de amônio monobásico (NH 4 H 2 PO 4 ) 1 g Cloreto de sódio (NaCl) 5 g Sulfato de magnésio (MgSO 4 .7H 2 O) 0,2 g Fosfato de potássio, dibásico (K 2 HPO 4 ) 1 g Água 1 L Tabela: Meio quimicamente definido para o crescimento de um quimio-heterotrófico típico, como Escherichia coli. TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. L. 2017. p. 158. Meios complexos Contêm nutrientes como extratos de leveduras, de carnes ou de plantas, ou de produtos de digestão de proteínas. A composição química exata pode variar de acordo com o lote dos extratos. Componentes Quantidades Peptona (proteína parcialmente digerida) 5 g Extrato de carne 3 g Cloreto de sódio (NaCl) 8 g Ágar 15 g Ágar 1 L Tabela: Meio complexo. TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. L. 2017. p. 159. Consistência Quanto à sua consistência, os meios de cultura podem se apresentar como líquidos, sólidos e semissólidos. Meios sólidos Contêm agentes solidificantes como ágar-ágar (uma substância gelatinosa derivada de algas marinhas vermelhas. São utilizados em meios de cultura devido à sua capacidade de formar géis à temperatura ambiente) proporcionando uma superfície sólida para o crescimento de microrganismos em placas de Petri. Esse tipo de meio é ideal quando é necessário o isolamento de uma colônia específica ou quando queremos quantificar o número de colônias de bactérias por certa quantidade de amostra, experimento muito comum no controle de qualidade de produtos cosméticos e análise de água, por exemplo. Meios líquidos São muito utilizados para cultivo em larga escala de microrganismos, produção de biomoléculas e fermentação industrial, além de ser fundamental para o cultivo de células e tecidos em estudos de expressão gênica, diferenciação celular e testes de toxicidade. Também são empregados em ensaios microbiológicos, preparação de amostras por meio da diluição do número de células, e manutenção de células em cultura de tecidos para experimentos em biologia celular. Meios semissólidos Possuem menor quantidade de ágar que os meios sólidos, e são utilizados para verificar a motilidade de microrganismos, ou para cultivo de microrganismos microaerófilos. Finalidade de uso Há, ainda, uma classificação baseada na finalidade desse meio: Meio de cultura enriquecido É formulado para fornecer nutrientes adicionais que promovem o crescimento de microrganismos exigentes ou que estão em baixa concentração em uma amostra. Esses meios são frequentemente utilizados para o isolamento e cultivo de microrganismos fastidiosos. Esses são microrganismos que possuem requisitos nutricionais específicos e são exigentes quanto ao seu ambiente de cultivo. Pode ser mais difícil de cultivar em laboratório devido à sua sensibilidade a alterações nas condições de cultivo. Exemplo: caldo triptona de soja enriquecido. Caldo triptona de soja enriquecido. Meio de cultura seletivo É desenvolvido para favorecer o crescimento de determinados tipos de microrganismos, inibindo o crescimento de outros. Isso é alcançado pela adição de agentes seletivos como antibióticos, sais ou corantes que prejudicam a multiplicação de certos grupos de microrganismos enquanto permite o crescimento dos desejados. Exemplo: Ágar MacConkey seletivo para bactérias Gram-negativas, Salmonella sp. em ágar SS, meio seletivo. Cultura de Salmonella sp. em meio de cultura SS. Meio de cultura diferencial É formulado para facilitar a identificação de microrganismos com base em características específicas, como metabolismo de carboidratos, produção de enzimas ou pigmentação. Geralmente, esse meio contém indicadores que revelam atividades metabólicas distintas entre diferentes microrganismos, permitindo a diferenciação entre eles. Exemplo: Ágar sangue diferencial usado para diferenciar bactérias com base em sua capacidade de hemólise. Cultura de Streptococcus pyogenes, bactéria β-hemolítica em ágar sangue. Atividade 3 Ao estudar microbiologia, é crucial compreender os diferentes tipos de meio de cultura e suas aplicações. Qual é a principal característica de um meio de culturaseletivo? A Promover o crescimento de microrganismos exigentes em nutrientes. B Permitir o crescimento de uma ampla variedade de microrganismos. C Inibir o crescimento de determinados tipos de microrganismos. D Ser utilizado para cultivo de células e tecidos em laboratório. E Não possuir agentes seletivos, sendo utilizado para cultivo de microrganismos específicos. A alternativa C está correta. Um meio de cultura seletivo é caracterizado por inibir o crescimento de certos tipos de microrganismos, enquanto permite o crescimento de outros. Isso é alcançado pela adição de agentes seletivos, como antibióticos, sais ou corantes, que prejudicam a multiplicação de grupos específicos de microrganismos, favorecendo assim o crescimento daqueles desejados. Laboratório virtual Vamos agora para o nosso laboratório virtual, onde vamos preparar um meio de cultura, que contém todos os nutrientes necessários para os microrganismos crescerem em condições adequadas. Preparação de meio de cultura Neste vídeo, acompanhe a explicação sobre a prática e os procedimentos para preparar um meio de cultura. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade laboratorial Nesta atividade laboratorial, o professor fará o preparo do meio de cultura (1 líquido e 1 sólido), mostrando os diferentes tipos de meio (sólido em placa/inclinado) e líquido, explicando quando cada um é mais usado, como devem ser vertidos, os cuidados a serem tomados no preparo e na esterilização. Preparação de meio de cultura Acompanhe, neste vídeo, a preparação do meio de cultura. Você verá quando usamos os meios em placa e inclinado, como devem ser vertidos e quais os cuidados a serem tomados no preparo e na esterilização. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Curva de crescimento microbiano Neste vídeo, vamos abordar todas as fases do crescimento microbiano, explicando o que está acontecendo em cada uma delas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O crescimento microbiano pode ser definido como o aumento do número de células de uma população. Nesse sentido, uma população microbiana em um ambiente fechado, como um frasco ou tubo, não cresce indefinidamente, apresentando o que chamamos de curva de crescimento. A curva de crescimento microbiano apresenta algumas fases, nas quais eventos bioquímicos diferentes ocorrem. Fase Lag A primeira fase, chamada de lag, é conhecida como a fase de adaptação. Nessa fase, os microrganismos estão se preparando para a divisão celular, transportando nutrientes, sintetizando DNA e enzimas necessárias para esse processo. Nesse momento, as células aumentam em tamanho, mas não em número. A duração dessa fase pode ser bem variável, dependendo do inóculo e das condições de crescimento. Em condições laboratoriais, a fase lag ocorre em algumas situações: Quando a população microbiana é inoculada de um meio de cultura para outro, de composição diferente (principalmente quando a transferência é feita de um meio de cultura rico em nutrientes para um meio mais pobre). Quando as células microbianas sofrem algum tipo de dano (por ação do calor, da radiação ou de compostos químicos tóxicos, por exemplo) e necessitam de um tempo para que esses danos possam ser reparados. Quando o inóculo das células microbianas é proveniente de uma cultura que se encontra na fase estacionária (ou seja, cultura antiga). Quando o inóculo tem poucas células viáveis. Fase exponencial Também chamada de fase log, representa a melhor fase do crescimento microbiano, momento em que a divisão celular se encontra ativa e o crescimento é intenso. Diversos fatores podem influenciar a taxa de crescimento exponencial, como temperatura, pH, composição do meio de cultura, além das características genéticas de cada microrganismo. Além disso, o tamanho celular afeta diretamente a taxa de crescimento: células microbianas menores tendem a crescer mais rapidamente que células maiores. Dessa forma, os procariotos crescem mais rápido que os eucariotos, enquanto as células eucarióticas menores crescem mais rápido que as células eucarióticas maiores. Isso se deve ao fato de as células menores serem capazes de trocar nutrientes com o ambiente e excretar produtos mais rapidamente, o que resulta em vantagem metabólica que torna seu crescimento mais rápido. Geralmente, as células que estão na fase exponencial de crescimento estão mais saudáveis e, por esse motivo, são frequentemente escolhidas para o estudo em laboratório de seus componentes celulares ou de atividades enzimáticas. 1. 2. 3. 4. Fase estacionária Em um meio de cultura, o crescimento exponencial de microrganismos não ocorre de maneira indefinida, pois os nutrientes do meio se esgotam após um tempo, e substâncias tóxicas liberadas pelas próprias células microbianas vão se acumulando no meio de cultura. Dessa forma, as células param de crescer, não sendo observados aumento nem diminuição do número de células. Essa fase é conhecida como estacionária. Entretanto, muitas funções celulares relacionadas ao metabolismo energético e de síntese continuam ativas nessa fase. Um crescimento muito lento ainda pode ser observado em alguns microrganismos. Fase de declínio ou morte Nessa fase, o número de células que morrem é maior que o número de células que se multiplicam. Nesse momento, os nutrientes do meio já estão completamente esgotados e ricos em substâncias tóxicas, e as células perdem a viabilidade independentemente das condições ambientais. A duração dessa fase é bem variável entre as diferentes espécies microbianas, e até mesmo entre cepas diferentes de uma mesma espécie. De modo geral, a taxa de morte das células é mais lenta que a taxa de crescimento exponencial e, muitas vezes, células podem continuar vivas em cultura por muitos meses. O crescimento microbiano geralmente é o aumento do número de células ou da massa celular por unidade de tempo. Durante a divisão celular (que ocorre por fissão binária) todos os componentes celulares são duplicados. O intervalo que uma célula origina duas é denominado tempo de geração. O tempo de geração varia entre os organismos e as condições ambientais. Podemos estimar o tamanho populacional por meio da seguinte fórmula: Onde: N é o número de microrganismos final. N0 é o número de organismos inicial. n é o tempo de geração. Veja o seguinte exemplo: Sabendo que o tempo de geração da bactéria Escherichia coli é de 20 minutos, partindo-se de uma única bactéria, quantas células bacterianas serão obtidas após 1 hora de cultivo? Resolução: • • • 1 hora de cultivo (60 minutos) Tempo de geração: 20 minutos, então tivemos 3 gerações N = 1 Então: N = 1.23 N = 8 bactérias Analogia Para entender melhor as fases de crescimento, imagine o seguinte: Você está baixando um arquivo grande da internet. No começo, o download pode ser lento porque a conexão ainda está se estabilizando (fase lag). Pensando nas bactérias, seria o momento em que elas estão se adaptando ao ambiente e preparando seu metabolismo. À medida que a conexão se estabiliza, o download ganha velocidade, aproveitando ao máximo a largura de banda disponível (fase logarítmica). Isso também ocorre com as bactérias, que se multiplicam muito rapidamente devido à disponibilidade de nutrientes. No entanto, se mais dispositivos em sua casa começarem a usar a internet, a largura de banda disponível para o seu download pode ser reduzida, desacelerando o progresso (fase estacionária). O crescimento das bactérias também é desacelerado, pois, nessa fase, existem já muitas e os nutrientes estão acabando. Se a rede ficar muito congestionada, o download pode parar completamente (fase de morte). Esse momento corresponde à ausência de nutrientes no meio. Assim, as bactérias não se multiplicam mais e morrem. Atividade 4 Qual é a fase da curva de crescimento microbiano em que as células estão se adaptando ao ambiente e se preparando para a rápida divisão celular? A Fase lag B Fase exponencialC Fase estacionária D Fase de morte E Fase de declínio • • • • • • • • • A alternativa A está correta. A fase lag caracterizada pelo tempo necessário para que as células se adaptem ao novo ambiente de crescimento, sintetizem os componentes necessários para a divisão celular e alcancem as condições ideais para um crescimento exponencial. Aplicando o conhecimento Em uma indústria alimentícia que produz alimentos prontos para consumo, como sopas e molhos embalados, há um desafio constante em garantir a segurança alimentar dos produtos. Recentemente, a empresa enfrentou um problema com um lote de sopa que apresentou deterioração precoce após algumas semanas de armazenamento, resultando em reclamações dos consumidores e prejuízos financeiros. Após uma investigação interna, perceberam que o problema estava relacionado ao crescimento microbiano no produto, causado pela presença de condições favoráveis para a proliferação de microrganismos. As condições de armazenamento, incluindo temperatura e umidade, foram consideradas inadequadas, favorecendo o crescimento de bactérias e fungos. Para resolver esse problema, a equipe responsável pela qualidade e segurança alimentar da empresa realizou uma análise detalhada das formulações dos produtos, verificando os ingredientes utilizados e sua composição nutricional. Com base nessa análise, ajustou as formulações dos produtos, reduzindo os nutrientes que poderiam servir como substrato para o crescimento microbiano, como açúcares e proteínas, sem comprometer a qualidade ou sabor dos alimentos. Além disso, revisou os processos de fabricação e as condições de armazenamento, garantindo que fossem mantidos padrões adequados de higiene e segurança. Para monitorar continuamente a qualidade dos produtos, a equipe implementou um sistema de controle de qualidade mais rigoroso, realizando testes microbiológicos regulares em amostras de produtos acabados e durante o processo de fabricação. Isso permitiu detectar, de antemão, qualquer sinal de contaminação microbiana e tomar medidas corretivas imediatas para evitar problemas futuros. Com essas medidas implementadas, a empresa conseguiu melhorar de forma significativa a qualidade e a segurança de seus produtos, reduzindo o risco de deterioração precoce e garantindo a satisfação dos consumidores. Além disso, fortaleceu sua reputação no mercado, demonstrando um compromisso contínuo com a excelência em segurança alimentar. Acompanhe, no vídeo, a discussão sobre o estudo de caso. Questão 1 Explique os principais fatores ambientais que podem influenciar o crescimento microbiano em alimentos. Chave de resposta Os principais fatores incluem a temperatura de armazenamento, o teor de oxigênio e a umidade do ambiente de embalagem. Questão 2 Descreva como a alteração nas formulações dos produtos pode impactar na prevenção do crescimento de microrganismos. Chave de resposta A alteração nas formulações dos produtos, especialmente a redução de nutrientes como açúcares e proteínas, diminui a disponibilidade de fontes de energia e nutrientes essenciais para a proliferação de muitos microrganismos, incluindo bactérias e fungos. Consequentemente, reduz-se o risco de contaminação e deterioração precoce dos alimentos. Questão 3 Avalie a importância de revisar os processos de fabricação e as condições de armazenamento para garantir a segurança alimentar. Chave de resposta Processos bem planejados, que incluem etapas de eliminação ou redução de patógenos, juntamente com rigorosas práticas de higiene, são fundamentais para manter a integridade dos alimentos. Além disso, otimizar as condições de armazenamento, como manter temperaturas adequadas, ajuda a retardar a deterioração e a prevenir o crescimento microbiano. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. 2. Controle de crescimento microbiano Introdução ao controle de crescimento microbiano Neste vídeo, vamos explicar a diferença entre efeito estático e efeito biocida, além de abordar os pontos da célula que os agentes podem afetar. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Os microrganismos estão presentes nos mais variados ambientes. Dessa forma, ao longo da nossa vida, realizamos ações para manter os microrganismos controlados tanto no nosso corpo quanto no ambiente em que vivemos. Em nosso cotidiano, realizamos tarefas para controlar o crescimento microbiano. Você consegue pensar em algum exemplo? Espelho: Tomar banho, escovar os dentes, limpar a casa e lavar as roupas e as louças são alguns exemplos de coisas que fazemos em nosso dia a dia para controlar o crescimento microbiano, pois eliminam sujeiras e resíduos de matéria orgânica, como restos de alimentos, que poderiam servir como fonte de nutrientes para o crescimento de microrganismos. O controle do crescimento microbiano é fundamental nas mais diversas áreas, como na área da saúde, nas indústrias farmacêutica, alimentícia e de bebidas etc. Em hospitais, os cuidados para se evitar a transmissão de doenças infecciosas envolvem os mais variados aspectos, que vão desde os cuidados para proteger tanto os profissionais de saúde como os pacientes (ao fazer uso de equipamentos de proteção individual adequados) até a higienização correta dos ambientes e a esterilização dos dispositivos utilizados nos pacientes. A eliminação total de microrganismos é fundamental em algumas situações, mas nem sempre é alcançável na prática; nesses casos, processos que visam diminuir a carga microbiana a um nível seguro são essenciais e muito empregados. Agora, vamos conhecer a definição dos principais termos utilizados no controle do crescimento microbiano, que nos ajudarão a entender os assuntos discutidos mais adiante. Esterilização Refere-se à eliminação total dos microrganismos. Assim, um objeto ou uma solução estéril não apresenta nenhuma forma de vida. Durante uma cirurgia, por exemplo, todos os instrumentos utilizados devem estar estéreis, para que sejam seguros e não atuem como fonte de infecção para o paciente. Desinfecção Consiste na eliminação parcial (ou na redução) do número de microrganismos (principalmente patogênicos) presentes em um material inanimado. A desinfecção é realizada com o uso de desinfetantes. Por exemplo, a famosa água sanitária (hipoclorito de sódio) é um desinfetante muito eficaz que pode ser utilizado com diversos fins. Descontaminação Consiste na redução da carga microbiana de um objeto ou uma superfície para tornar seu uso seguro, porém é um processo mais simples, que não requer a utilização de desinfetantes e não está relacionado especificamente a microrganismos patogênicos. Um exemplo simples seria a limpeza de utensílios de cozinha para retirar restos de alimentos, removendo os microrganismos que possam estar presentes ali, diminuindo a chance de crescimento de novos microrganismos. Antissepsia É um processo semelhante à desinfecção, ou seja, tem por objetivo reduzir o número de microrganismos, porém se refere à utilização em tecidos vivos. A antissepsia é realizada com o uso de antissépticos. Os antissépticos não devem provocar danos aos tecidos vivos e são de uso externo, não podendo entrar em contato com mucosas ou com o sangue. Como exemplo, podemos citar a utilização de álcool etílico a 70% para realizar a antissepsia das mãos. Assepsia Tem por objetivo impedir que microrganismos alcancem locais que devem permanecer estéreis, como a corrente sanguínea ou um meio de cultura que tenha sido esterilizado em laboratório. Quimioterapia Visa eliminar seletivamente microrganismos de seres vivos. Assim, se uma pessoa apresenta um quadro de infecção, antimicrobianos antimicrobianos (também chamados de quimioterápicos) devem ser usados para que ela fique curada. Faça a prática a seguir e veja como preparar uma solução de álcool 70% como uma forma de diminuir a carga microbiana. Como preparar uma solução de álcool 70%? Neste vídeo, vamos mostrar os cálculos envolvidos nessa prática, ressaltando ospassos mais importante e os nomes das vidrarias utilizadas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. As técnicas utilizadas para o controle do crescimento microbiano podem apresentar dois efeitos diferentes: Efeito estático Pode ser bacteriostático, fungistático ou virustático. É assim caracterizado quando apenas inibe o crescimento do microrganismo. Efeito microbicida Quando resulta na morte do microrganismo (sendo o efeito ideal). Por fim, essas técnicas podem apresentar diferentes alvos na célula microbiana, como: Parede celular: resultando na lise osmótica da célula. Membrana plasmática: levando à perda de integridade celular. Enzimas citoplasmáticas: alterando o metabolismo da célula e a síntese de proteínas. DNA: impedindo a replicação celular e a síntese de proteínas. Agora que já conhecemos esses importantes termos, vamos, juntos, estudar os métodos utilizados para controlar o crescimento dos microrganismos? Métodos antimicrobianos Existem diferentes métodos que podem ser utilizados para o controle do crescimento microbiano. Esses métodos podem ser classificados como físicos e químicos. A escolha do método a ser utilizado deve ser feita de acordo com as características do material e o uso a que se destina. Atividade 1 Qual das seguintes afirmações melhor descreve a diferença entre esterilização e desinfecção no controle de crescimento microbiano? A Esterilização e desinfecção são termos intercambiáveis que descrevem o mesmo processo de eliminação de microrganismos. B Esterilização envolve a eliminação de todos os microrganismos, incluindo esporos bacterianos, enquanto a desinfecção reduz significativamente o número de microrganismos patogênicos, mas não necessariamente todos. C Desinfecção é um processo que garante a completa eliminação de microrganismos patogênicos, enquanto a esterilização reduz apenas a carga microbiana a níveis aceitáveis. D A esterilização é um método mais suave que a desinfecção, pois mantém a integridade de substratos e produtos, enquanto a desinfecção pode causar danos significativos. E Esterilização e desinfecção são processos idênticos, e diferem apenas no tempo necessário para sua conclusão. • • • • A alternativa B está correta. A diferença fundamental entre esterilização e desinfecção é a extensão da eliminação microbiana, sendo a esterilização mais abrangente, eliminando todos os microrganismos, incluindo esporos, enquanto a desinfecção reduz, mas não necessariamente elimina todos os microrganismos patogênicos. O objetivo da esterilização é tornar o ambiente ou objeto estéril, enquanto a desinfecção visa reduzir a carga microbiana a um nível seguro. Métodos físicos de controle de crescimento microbiano Neste vídeo, vamos explicar os diferentes tipos de métodos físicos do controle de crescimento microbiano e trazer exemplos de situações em que cada um é utilizado e o princípio deles. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Os principais métodos físicos de controle do crescimento microbiano incluem o calor, a radiação e a filtração. Esses métodos são amplamente utilizados em nossas casas, no ambiente hospitalar e na indústria com o objetivo de realizar a descontaminação, a desinfecção e a esterilização de objetos e ambientes. Dentre os métodos físicos, o mais utilizado é o calor. A seguir, vamos conhecer melhor cada um dos métodos físicos. Calor É o método mais utilizado para o controle do crescimento microbiano por ser eficaz, econômico e de fácil aplicação. A susceptibilidade dos microrganismos ao calor é influenciada pela temperatura, pelo tempo de duração do tratamento térmico e pelo tipo de calor utilizado (úmido ou seco). Atenção Cada microrganismo apresenta uma temperatura considerada letal, e o tempo necessário para sua eliminação também depende do número de células presentes. As células microbianas são eliminadas em escala exponencial pela ação do calor. A aplicação do calor pode levar à desnaturação de proteínas da célula, a quebras na molécula de DNA e à perda da integridade de membrana, resultando na morte do microrganismo. Os variados microrganismos apresentam uma susceptibilidade diferenciada ao calor: Formas vegetativas de bactérias São destruídas por temperaturas entre 60°C e 70°C. Esporos bacterianos (estruturas de resistência) São destruídos apenas por temperaturas superiores a 100°C. Formas vegetativas de fungos São destruídas por temperaturas entre 50°C e 60°C. Esporos fúngicos (estruturas de reprodução) São destruídos entre 70°C e 80°C. Calor úmido Refere-se à utilização da água na forma de vapor. O vapor apresenta maior poder de penetração na célula microbiana, já que o principal componente das células é a água. A umidade em alta temperatura causa a desnaturação de proteínas (coagulação) e auxilia no rompimento das ligações de hidrogênio. O calor úmido é geralmente aplicado em materiais em solução aquosa. Os métodos que empregam o calor úmido são descritos a seguir: Autoclave Equipamento de aquecimento fechado que utiliza o vapor d’água sob pressão (121°C/ 10-30 min.) para esterilização de materiais. É capaz de destruir formas vegetativas e esporuladas de bactérias, sendo muito utilizado para esterilização de vidrarias e meios de cultura em laboratório. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Ciclo Tempo X Temperatura de uma autoclavação. O autoclave tem o mesmo princípio de funcionamento de uma panela de pressão: ao atingir 100°C, a água no interior do equipamento começa a ferver, produzindo vapor; como o vapor não tem por onde sair, a pressão no interior da autoclave aumenta, permitindo, assim, que a temperatura ultrapasse 100°C. No processo de autoclavação, não é a pressão no interior da autoclave que mata os microrganismos, mas, sim, as altas temperaturas alcançadas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Estrutura e funcionamento da autoclave. Tindalização É um processo de esterilização fracionado ou intermitente, ou seja, realizado em etapas (100°C/20 min./3 dias — o que significa dizer que, durante três dias seguidos, determinado material é exposto à temperatura de 100°C por 20 min.). Esse processo destrói formas vegetativas e esporuladas de microrganismos, sendo muito usado em medicamentos termolábeis (sensíveis ao calor) e na produção de vacinas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Ebulição intermitente/Ebulição descontínua. Pasteurização Não é um método de esterilização, e sim um método utilizado para eliminar microrganismos patogênicos e reduzir o número de células vegetativas dos outros microrganismos presentes. Consiste na exposição rápida a uma temperatura relativamente elevada, existindo dois tipos: Alta temperatura – HTST (High Temperature and Short Time) - 72°C/15 s. Baixa temperatura – LTH (Low Temperature Holding) - 63°C/30 min. É muito usado na fabricação de alimentos que não podem ser submetidos a temperaturas elevadas por um período longo, como leite e cerveja. Pasteurização. Ultra-high temperature Utiliza uma temperatura extremamente elevada por um tempo curto, para não alterar as características do alimento e aumentar seu tempo de prateleira (termo utilizado para indicar o tempo de vida útil de um alimento, como quanto tempo ele vai conseguir manter suas características (sabor, aroma e coloração). É muito usado na fabricação do leite longa vida (141 °C/2 s). Pasteurizador com desaerador a vácuo. Água em ebulição Consiste na utilização do vapor d’água livre (100°C/20 min). Como esse método não é aplicado em um sistema fechado, a água não ultrapassa 100°C. A água em ebulição apenas destrói as formas vegetativas, ou seja, não esteriliza o material. É muito usado no preparo de alimentos. • • Água em ebulição. Calor seco Os métodos que empregam o calor seco são menos eficientes que aqueles que utilizam o calor úmido, pois o poderde penetração nas células é menor. Assim, para garantir a eliminação dos microrganismos (incluindo os esporos bacterianos), são necessárias temperaturas mais elevadas e um intervalo de tempo maior. O calor seco age por meio da desidratação das células, resultando na precipitação de solutos e na oxidação de macromoléculas. Geralmente, é aplicado em materiais que não estão em solução aquosa ou que são impermeáveis ao vapor d’água. Os métodos que empregam calor seco são apresentados a seguir. Forno ou estufa É um método de esterilização quando usado a 180°C por duas horas. É muito usado para esterilização de materiais resistentes ao calor, mas que não podem entrar em contato com umidade, como metais oxidáveis (exemplos: instrumentais cirúrgicos e odontológicos), óleos e materiais em pó. Também pode ser usado para esterilização de vidrarias. Flambagem É um método de esterilização usado em alças e agulhas microbiológicas (utilizadas para a transferência asséptica de microrganismos em laboratório). Elas são feitas de metais resistentes ao fogo e, quando aquecidas ao rubro na chama de um bico de Bunsen, garantem a combustão de qualquer material que esteja presente em sua superfície. Incineração Consiste na combustão completa (500°C/1 h) de material hospitalar a ser descartado (como seringas, agulhas, luvas, curativos etc.), evitando que ocorra a contaminação do ambiente com microrganismos patogênicos que possam estar nestes materiais. Radiação Consiste em energia na forma de ondas eletromagnéticas. A quantidade de energia de uma radiação é inversamente proporcional ao seu comprimento de onda, ou seja, quanto menor o comprimento de onda, maior a energia. Geralmente, a radiação ionizante e a radiação ultravioleta são usadas em produtos e ambientes que não toleram variações de temperatura para o controle do crescimento microbiano. Radiações ionizantes Há dois tipos de radiações ionizantes, os raios X e os raios γ (gama). São radiações com alta energia (apresentam baixo comprimento de onda), capazes de causar a ionização de moléculas pela perda de elétrons, resultando na formação de radicais livres. Sua ação mais prejudicial é no DNA, cujas fitas são clivadas; esse dano no material genético impede que a replicação do microrganismo ocorra, levando à morte da célula. Essas radiações têm alto poder de penetração, esterilizando materiais. São utilizadas principalmente para a esterilização de materiais de plástico e alimentos termolábeis, pois não deixam resíduos de radiação. Radiação ultravioleta Tem comprimento de onda maior e, consequentemente, menos energia. Porém, seu comprimento de onda é absorvido pela molécula de DNA, resultando em mutações na célula, ou seja, a radiação ultravioleta é mutagênica. Causa a morte de microrganismos, mas seu poder de penetração é muito baixo, deixando seu uso restrito a superfícies (ela não traspassa sólidos, atravessando bem pouco líquidos). É muito usada para esterilização de centros cirúrgicos e câmaras de fluxo laminar em laboratórios. Filtração Não tem por objetivo a eliminação dos microrganismos, e sim sua separação dos componentes de uma solução ou do ar por meio da sua retenção em um filtro. Os filtros podem ser feitos de diferentes materiais (como celulose, amianto, acetato, teflon etc.) e apresentam poros muito pequenos (0,20 a 0,25 µm), que impedem a passagem dos microrganismos, mas possibilitam a passagem de líquidos e gases. Os filtros não são capazes de reter vírus. Esse processo apresenta duas principais aplicações: Aplicação 1 Esterilização de soluções que contenham componentes termolábeis (que, portanto, não podem ser autoclavadas), como vitaminas, enzimas, soluções para administração intravenosa etc. Aplicação 2 Esterilização do ar, como em câmaras de fluxo laminar, centros cirúrgicos e ambientes industriais; nesses casos, são utilizados filtros HEPA (feitos de acetato de celulose), capazes de reter partículas menores que 0,3 µm. Nas câmaras de fluxo laminar, por exemplo, o ar é forçado a circular em seu interior por ação de um motor, passando pelos filtros HEPA, nos quais os microrganismos ficam retidos. Esses equipamentos são utilizados em indústrias e laboratórios de pesquisa, que trabalham com microrganismos patogênicos que não podem ser dispersos no ambiente, por exemplo. Imagine o seguinte: O hospital onde você trabalha está passando por um problema alarmante: um aumento significativo nas taxas de infecções pós-operatórias entre seus pacientes. A suspeita é que esse aumento esteja diretamente relacionado à esterilização inadequada dos instrumentos cirúrgicos utilizados durante os procedimentos. Esse cenário coloca em risco não apenas a saúde e a segurança dos pacientes, como também a reputação do hospital. Diante dessa situação crítica, você, como responsável pelo setor de esterilização do hospital, precisa avaliar rapidamente os métodos de esterilização disponíveis para identificar a melhor estratégia para resolver esse problema. A missão é assegurar que todos os instrumentos cirúrgicos sejam esterilizados de forma eficaz, eliminando todos os microrganismos patogênicos, incluindo bactérias, vírus e fungos, para prevenir futuras ocorrências de infecção. Qual abordagem você adotaria para lidar com essa questão? Escolha uma das opções. Implementar um protocolo rigoroso de autoclavação. Essa é a melhor opção! A autoclavação tem sua eficiência comprovada na eliminação de uma ampla variedade de microrganismos. É um método rápido e econômico para grandes volumes de instrumentação que suportam altas temperaturas e umidade. Entretanto, alguns plásticos e materiais termossensíveis não podem ser autoclavados. Além disso, requer monitoramento rigoroso para garantir que os parâmetros de esterilização sejam consistentemente atingidos. Utilizar fornos de calor seco para esterilizar instrumentos. Apesar de os fornos de calor seco atingirem temperaturas que esterilizam com eficiência materiais resistentes ao calor, o tempo de ciclo é mais longo em comparação com a autoclavação, o que pode ser um gargalo para a rápida disponibilidade de equipamentos. Além disso, é menos eficaz na penetração de cargas densas ou empacotadas, podendo reduzir a eficácia da esterilização. Implementar a fervura como método de esterilização para instrumentos que possam suportar temperaturas elevadas. A fervura é um método simples e barato. Entretanto, não é considerado um método de esterilização, pois não é eficaz contra todos os tipos de microrganismos, especialmente esporos bacterianos. Além disso, pode causar danos ou desgaste prematuro aos instrumentos devido à corrosão ou alterações estruturais provocadas pela exposição prolongada ao calor e à água. Atividade 2 Em um laboratório de microbiologia, dois grupos de estudantes estão discutindo métodos de controle de crescimento microbiano. Um estudante argumenta que a fervura e a autoclavação são métodos semelhantes, enquanto outro estudante discorda, enfatizando suas diferenças. Qual dos seguintes pontos melhor apoia a discordância do segundo estudante? A A fervura e a autoclavação usam temperaturas semelhantes para eliminar microrganismos. B A fervura é eficaz na esterilização de meios de cultura líquidos, enquanto a autoclavação é mais adequada para instrumentos de laboratório. C A fervura é um método mais rápido do que a autoclavação para eliminar microrganismos. D A fervura é menos eficaz do que a autoclavação na eliminação de esporos bacterianos. E A fervura e a autoclavação são métodos de desinfecção, e não de esterilização. A alternativa D está correta. Os esporos bacterianos são formas resistentes de vida microbiana, projetadas para sobreviver a condições adversas, como altas temperaturas. Na fervura, a temperatura não é alta o suficiente para destruir completamente os esporos bacterianos, enquanto na autoclavação, as temperaturas são elevadas o bastante para garantir a destruição dessas estruturas resistentes, resultando em uma esterilização eficaz. Métodos químicos de controle decrescimento microbiano Neste vídeo, vamos diferenciar os tipos de métodos químicos utilizados no controle do crescimento microbiano. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O crescimento microbiano pode ser controlado pelo uso de produtos químicos. Um produto químico natural ou sintético capaz de matar ou inibir o crescimento de microrganismos é chamado de agente antimicrobiano. De acordo com sua ação sobre células bacterianas, esses agentes podem ser classificados como: Bacteriostáticos: quando inibem o crescimento. Bactericidas: quando matam as células. Bacteriolíticos: quando causam lise celular. Os compostos químicos são geralmente utilizados em situações em que os métodos físicos não podem ser empregados no controle do crescimento microbiano, como em equipamentos médicos termolábeis, pisos e paredes de hospitais e clínicas, além das mãos e dos braços de profissionais da saúde e da pele dos pacientes. De modo geral, os agentes antimicrobianos têm maior ação sobre células vegetativas, ou seja, aquelas que apresentam metabolismo ativo. Também eliminam os microrganismos em escala exponencial, de maneira semelhante ao uso do calor. Diversos fatores podem afetar a eficácia de um agente antimicrobiano, como: Concentração da substância e o tempo de contato: geralmente, quanto maior a concentração, menor é o tempo de exposição necessário. pH: os agentes costumam ser mais ativos em valores de pH neutros ou levemente ácidos. Temperatura: o aumento da temperatura pode favorecer a solubilidade de agentes antimicrobianos. Presença de material orgânico: como sangue, fezes, urina, vômito, pus etc., que podem isolar o microrganismo e dificultar a ação dos compostos químicos. Tipo de microrganismo: Alguns microrganismos são mais sensíveis que outros a determinados tratamentos antimicrobianos. • • • • • • • • Homem vestido com roupa própria e máscara e segurando aparelho de detetização fazendo limpeza e desinfecção em academia. Todos esses fatores devem ser levados em conta no momento da escolha de um agente antimicrobiano. Desinfetantes São utilizados nos ambientes doméstico, institucional (como escolas) e hospitalar. Especialmente nos hospitais, essas substâncias devem ser escolhidas cuidadosamente, pois, geralmente, a matéria orgânica está presente nos materiais e ambientes que precisam ser desinfetados. Assim, os desinfetantes desempenham um papel crucial para evitar a contaminação cruzada nesses locais. A contaminação cruzada consiste na transferência de microrganismos de uma pessoa para outra ou por meio de objetos contaminados. A seguir, veremos exemplos dos principais tipos de desinfetantes: Fenol Esse desinfetante foi o primeiro a ter sua eficácia comprovada. De acordo com sua concentração, pode ser usado como antisséptico (0,5% a 1%), desinfetante (5%) ou cauterizante (89%). É capaz de romper a membrana plasmática e a parede celular de bactérias, atuando também de forma muito intensa na desnaturação de proteínas (esse processo é chamado de coagulação de proteínas). O fenol não é muito estável na presença de matéria orgânica/ e é irritante para pele e mucosas. Para contornar esses problemas, alterações em sua estrutura foram feitas, obtendo-se derivados fenólicos menos tóxicos e com maior ação antimicrobiana. Como exemplo, temos os alquilfenóis (orto, meta e para-cresóis, que, juntos, formam a creolina, utilizada para a desinfecção de pisos e vasos sanitários). Compostos que liberam cloro Os halogênios cloro, bromo e iodo são capazes de oxidar enzimas, agindo nos grupos sulfidrila (-SH) e amina (-NH2) das enzimas, inativando-as. Destes, o cloro é o mais usado, tanto na sua forma gasosa como na forma de hipoclorito de sódio (água sanitária). Em ambos os casos, sua ação se dá na presença de água, por meio da qual ocorre a formação do ácido hipocloroso, capaz de atravessar a membrana plasmática, reagir com a água e formar o radical livre oxigênio, que é um agente oxidante forte. O hipoclorito de sódio apresenta um baixo custo e é frequentemente usado para desinfecção do ambiente hospitalar e da água (tanto de alimentos como de piscinas). Sua principal vantagem é a permanência de uma atividade residual, que impede a recontaminação da água por um tempo. Ozônio (O3) Esse desinfetante é um peroxigênio, ou seja, um composto que apresenta uma ligação química direta entre dois átomos de oxigênio e é utilizado na desinfecção da água. Trata-se de um gás gerado a partir do O2 em reatores elétricos denominados ozonizadores. É um agente microbicida, pois tem uma forte ação oxidante e não deixa resíduos, mas apresenta como desvantagens o alto custo e a ausência de atividade residual (por ser um gás muito instável, que rapidamente se decompõe em O2 quando dissolvido na água). Agentes surfactantes Esses agentes são moléculas que têm uma região polar e uma apolar, sendo esta última geralmente formada por um hidrocarboneto de cadeia longa. Por esse motivo, são moléculas anfipáticas, diminuindo a tensão superficial entre regiões polares e apolares que estão em contato. Assim, os surfactantes agem desorganizando a bicamada lipídica das células, resultando na morte celular. Os detergentes são os exemplos mais comuns e, de acordo com a sua polaridade, podem ser classificados como não iônicos, catiônicos e aniônicos. Apresentam baixa toxicidade e alta solubilidade. Suas principais desvantagens são a capacidade de enferrujar objetos de metal e o fato de terem sua atividade diminuída pela absorção por materiais porosos, como algodão e gaze. Agentes alquilantes Promovem a alquilação de grupos carboxila (-COOH), hidroxila (-OH), sulfidrila (-SH) e amina (-NH2) de enzimas, levando a sua inativação. Como exemplos de agentes alquilantes, podemos citar o formaldeído e o glutaraldeído. Dependendo da concentração e do tempo de contato, ambos podem ser usados como desinfetantes ou como agentes esterilizantes. Tanto o formaldeído como o glutaraldeído são tóxicos e geralmente utilizados para esterilização de instrumentos médicos. Antissépticos São utilizados para reduzir a carga microbiana de tecidos vivos. Vamos conhecer os principais antissépticos: Saiba mais Catalase Enzima capaz de hidrolisar o peróxido de hidrogênio (H2O2) em água e gás oxigênio. A formação de bolhas é decorrente do oxigênio liberado, que acaba matando os microrganismos, que não conseguem sobreviver na presença de oxigênio. Álcool (etílico ou isopropílico) É capaz de provocar a desnaturação de proteínas e a desorganização dos lipídios da membrana plasmática e desidratar as células. Pode ser usado como antisséptico e desinfetante, apresentando maior ação em células vegetativas do que em esporos. Sua eficácia aumenta quando diluído a 70% em água, pois a presença de 30% de água facilita sua entrada na célula e a desnaturação de proteínas. O etanol é muito utilizado para a antissepsia das mãos. É o principal halogênio utilizado como antisséptico. Tem forte poder oxidante, sendo capaz de complexar e inativar proteínas. Não é tóxico e apresenta ação sobre células vegetativas, esporos, fungos e vírus. Um exemplo importante é a substância iodopovidona, presente na fórmula de antissépticos, geralmente na concentração de 1% de iodo ativo (a solução mais conhecida de iodopovidona é o Povidine), sendo muito utilizado no preparo pré-operatório de pacientes. Hexaclororeno É um derivado clorado do fenol presente em sabonetes (para assepsia das mãos antes de cirurgias), em pastas de dente e em antitranspirantes. Compostos que contêm metais pesados Reagem com grupos sulfidrila de enzimas, inativando-as. No passado, compostos mercuriais orgânicos eram muito usados, como mercuriocromo (com merbromina), mertiolate (timerosal) e metafen (nitromersol). Atualmente, esses compostos não têm mais mercúrio devido ao alto índice de toxicidade. A marca Merthiolate substituiu seu princípio ativo por digliconato de clorexidina, mas não mudou seu nome, por ser muito conhecido pela população. É um antissépticofraco usado para a antissepsia de feridas devido à rápida liberação de oxigênio por ação da enzima catalase. Sua ação é breve. A catalase é uma enzima capaz de hidrolisar o peróxido de hidrogênio (H2O2) em água e gás oxigênio. A formação de bolhas é decorrente do oxigênio liberado, que acaba matando os microrganismos, que não conseguem sobreviver na presença de oxigênio. Agentes surfactantes São representados pelos sabões ou sabonetes, que são constituídos por sais de sódio ou potássio com ácidos graxos de cadeia longa. Facilitam a mistura do óleo com a água, possibilitando a remoção mecânica dos microrganismos da pele. Laboratório virtual Faça a prática “Eficácia dos agentes antissépticos” e veja a importância de assepsia adequada para o controle da população bacteriana na mão de uma pessoa e a população de microrganismos presente no meio ambiente. Eficácia de agentes antissépticos Acompanhe, neste vídeo, o experimento com os agentes antissépticos na prática. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade 3 Qual das seguintes afirmações melhor diferencia os métodos químicos bacteriostáticos dos bactericidas? A Os métodos bacteriostáticos eliminam completamente as bactérias, enquanto os bactericidas apenas reduzem sua reprodução. B Os métodos bacteriostáticos matam as bactérias rapidamente, enquanto os bactericidas inibem seu crescimento por um longo período. C Os métodos bacteriostáticos impedem o crescimento bacteriano, enquanto os bactericidas matam as bactérias. D Os métodos bactericidas evitam a replicação bacteriana, enquanto os bacteriostáticos aumentam a produção de toxinas bacterianas. E Os métodos bacteriostáticos são mais eficazes contra bactérias gram-positivas, enquanto os bactericidas são mais eficazes contra bactérias gram-negativas. A alternativa C está correta. Os métodos químicos de controle microbiano são classificados em bacteriostáticos e bactericidas. Bacteriostáticos inibem o crescimento bacteriano sem matar as bactérias, enquanto bactericidas causam a morte celular. Aplicando o conhecimento Uma indústria farmacêutica especializada na produção de medicamentos injetáveis enfrentou um sério desafio relacionado ao controle de crescimento microbiano em seus produtos. Durante uma inspeção de rotina, foram identificados sinais de contaminação microbiológica em 16% dos lotes de medicamentos, levantando preocupações quanto à segurança e à eficácia dos produtos. Diante dessa situação crítica, a equipe de controle de qualidade e os engenheiros de processo da empresa optaram por uma abordagem focada no emprego de métodos físicos e químicos de controle de crescimento microbiano. Primeiramente, foram implementados procedimentos rigorosos de limpeza e desinfecção das instalações de produção, equipamentos e utensílios utilizados na fabricação dos medicamentos injetáveis. Utilizou-se desinfetantes químicos de amplo espectro, como o álcool isopropílico e o peróxido de hidrogênio, aplicados em concentrações adequadas e seguido de enxágue para remover os resíduos. Além disso, a empresa investiu na instalação de sistemas de filtração avançados em todas as etapas do processo de produção. Foram empregados filtros de alta eficiência para remover microrganismos e partículas do ar e da água, garantindo a manutenção de um ambiente estéril durante todo o processo de fabricação dos medicamentos. Com a implementação dessas medidas, a empresa conseguiu reduzir significativamente o risco de contaminação microbiológica em seus medicamentos injetáveis, assegurando a qualidade e a segurança dos produtos para os pacientes. Questão 1 Considerando o caso apresentado, como os métodos físicos e químicos de controle de crescimento microbiano contribuem para garantir a qualidade, a segurança e a eficácia dos produtos farmacêuticos? Chave de resposta Os métodos físicos (como a esterilização por calor ou a filtração) e os métodos químicos (como a desinfecção) garantem que os produtos estejam livres de contaminação microbiana, assegurando sua qualidade, segurança e eficácia, essenciais para proteger a saúde dos consumidores e cumprir os padrões regulatórios da indústria farmacêutica. Questão 2 Discuta como escolher o método de controle de crescimento mais adequado de acordo com o produto a ser esterilizado. Chave de resposta Para escolher o melhor método de esterilização de um produto farmacêutico, é preciso considerar a natureza do produto, sua sensibilidade a diferentes condições de esterilização, e fatores econômicos. Questão 3 Com base nas medidas implementadas pela empresa para controlar a contaminação microbiológica, avalie como essas ações podem afetar a confiança dos pacientes e dos profissionais de saúde nos produtos da empresa. Chave de resposta Ao demonstrar um compromisso firme com a segurança e a eficácia dos seus produtos, a empresa não só cumpre com as regulamentações sanitárias, como também reforça sua reputação no mercado farmacêutico, assegurando que seus produtos são confiáveis e seguros para uso. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. 3. Controle de crescimento de microrganismos na prática Como preparar uma solução de álcool 70%? Roteiro de prática Tenha atenção ao seguinte procedimento: Certifique-se de estar usando os equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados, como luvas, óculos de segurança e jaleco. Prepare sua área de trabalho, garantindo que esteja limpa e livre de quaisquer materiais inflamáveis. Utilize um cilindro graduado para medir 802,1 mL de álcool etílico 96% v/v. Faça a medição com cuidado para evitar derramamentos. Avolume o conteúdo para 1000 mL utilizando água destilada. Tampe o cilindro graduado e homogeneíze a solução. Transfira a solução alcoólica para um recipiente de armazenamento limpo e seco, preferencialmente de vidro, com tampa. Etiquete o recipiente com a concentração de álcool, a data de preparo e quaisquer outras informações relevantes. Limpe todos os materiais utilizados com água e detergente, enxaguando-os bem. Como preparar uma solução de álcool 70%? Neste vídeo, vamos mostrar os cálculos envolvidos nessa prática, ressaltando os passos mais importante e os nomes das vidrarias utilizadas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade discursiva 1 Considerando a importância da concentração do álcool na eficácia antimicrobiana, você foi encarregado de preparar uma solução alcoólica apropriada para uso geral no laboratório. Você dispõe de álcool etílico 96% v/v e água destilada. Calcule a quantidade de álcool etílico 96% v/v e água destilada necessária para preparar 1 litro de solução alcoólica a 77% v/v. Chave de resposta Para calcular a quantidade necessária, podemos usar a fórmula da diluição: Onde: é a concentração inicial de álcool etílico . é a concentração final de álcool etílico desejada ( . 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. é o volume de álcool etílico a ser encontrado. é o volume final de solução a ser preparada (1 litro ou ). Rearranjando a fórmula para descobrir , temos: Substituindo os valores, temos que de álcool etílico . Para descobrir a quantidade de água destilada a ser utilizada, devemos diminuir o volume de álcool etílico usado do volume total: Volume de água . Ou seja, para preparar 1 litro de solução alcoólica a v/v, você precisará de aproximadamente de álcool etílico v/v e 197,92 mL de água destilada. Autoclavação de material Roteiro de prática Tenha atenção ao seguinte procedimento: Certifique-se de que todos os itens a serem autoclavados estejam limpos. Resíduos podem interferir na eficácia da esterilização. Utilize embalagens próprias para autoclave, que permitam a penetração do vapor e mantenham a esterilidade após o processo. Coloque indicadores biológicos ou químicos dentro da embalagem ou entre os instrumentos para validar a esterilização. Distribua os pacotes de maneira uniforme, sem sobrepor ou compactar, para permitir a circulação adequada