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Luis Eduardo Magalhães - BA 2023 ANNA BEATRYS MARÇAL MARTINS COELHO CURSO DE NUTRIÇÃO RELATÓRIO DE ESTÁGIO EM NUTRIÇÃO CLÍNICA Luis Eduardo Magalhães - BA 2023 RELATÓRIO DE ESTÁGIO EM NUTRIÇÃO CLÍNICA Relatório de Estágio em Nutrição Clínica apresentado como requisito obrigatório para a obtenção de média bimestral na disciplina de Estágio em Nutrição Clínica. Orientador: Prof. Julianna Matias Vagula ANNA BEATRYS MARÇAL MARTINS COELHO SUMÁRIO 1 APRESENTAÇÃO ................................................................................................... 3 2 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 4 3 ATIVIDADES DO ESTAGIÁRIO.............................................................................. 5 4 CASO CLÍNICO ..................................................................................................... 11 3.1. Introdução .......................................................................................................... 11 3.2. Identificação do paciente.....................................................................................12 3.3. Queixa Principal. ............................................................................................... 13 3.4. História da Doença Atual (HDA). ........................................................................13 3.5. História Familiar..................................................................................................14 3.6. História Patológica Pregressa. ...........................................................................14 3.7. História socioeconômica. . ..................................................................................14 3.8. Exame clínico. .................................................................................................. 14 3.9. Avaliação do estado nutricional do paciente: . ...................................................15 3.9.1 – Avaliação Clínica (sinais físicos).........................................................15 3.9.2 - Avaliação Antropométrica...................................................................15 3.9.3 – Avaliação Bioquímica..........................................................................17 3.9.4 - Avaliação Dietética...............................................................................19 3.9.5 - Diagnóstico Nutricional Conclusivo......................................................21 3.11. Evolução nutricional do paciente.......................................................................27 3.12. Conclusão ........................................................................................................ 28 3.13 Referências .......................................................................................................29 5 ATIVIDADE DE ESTUDO DE CASO....................................................................... 3 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................35 TERMO DE VALIDAÇÃO DO RELATÓRIO ........................................................... 36 3 1 APRESENTAÇÃO Estagio de Nutrição Clinica, realizado na Policlinica Municipal de Luis Eduardo Magalhães, fundada em 2007, mudou de endereço e foi reinaugurada em 2016, com 24 especialidades e serviços, fisioterapia, nutrição, farmacia basica e raio-X . Em 07/09/2022 mudou novamente de endereço sendo inaugurada a Nova Policlínica Municipal, oferecendo uma área de 1.225 m² com 31 consultórios, recepção e triagem, ampliando a oferta de saúde especializada no município, contando agora com exames de endoscopia, mamografia e a realização de pequenas cirurgias, alem de uma sala de gesso, para os pacientes com fraturas ou lesões . O prédio é localizado na Avenida Ayrton Senna, no bairro Santa Cruz, oferece mais acessibilidade e melhores instalações para a população de Luís Eduardo Magalhães. Foi cedido uma sala ampla, com um computador com programa de saúde do proprio municipio instalado e tinha todos os equipamentos necessários para o atemdimento que foram agendados pela Policlinica Municipal. 4 2 INTRODUÇÃO A hipertensão arterial é uma das patologias mais comuns na gravidez, tendo repercussões tanto para a saúde materna como para o desenvolvimento do feto. Com uma prevalência, aproximada, de 10% em todas as gestações, torna-se imperativo o seu diagnóstico precoce, bem como a eficácia dos procedimentos terapêuticos. Definida pelo Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) como a pressão arterial sistólica ≥140 mmHg e/ou a diastólica ≥90 mmHg, esta, pode dividir-se em 4 grandes grupos: préeclâmpsia, hipertensão gestacional, hipertensão crónica e hipertensão crónica com sobreposição de eclâmpsia. Distintas e até então, escassamente cógnitas, alterações fisiopatológicas como diminuição do fluxo materno-fetal, aspetos imunogenéticos, uma provável presença do gene da produção do óxido nítrico e do sistema HLA, alterações endoteliais e, consequente má adaptação placentária estarão associadas a esta intercorrência na gravidez. As medidas terapêuticas empregues deverão acordar a eficácia medicamentosa com as mínimas consequências exequíveis para o feto. Sabe-se também que apesar de alguns fármacos conseguirem efetivamente diminuir a pressão arterial, a única solução efetiva em síndromes hipertensivas como a pré-eclampsia e a hipertensão induzida pela gravidez é o parto. Esse relatorio vai relatar os atendimentos feitos no periodos de estagio de Nutrição clinica, e tambem o caso clinico que se baseia na hipertensão arterial de uma gestante com 34 semanas, com apenas15 anos, 5 3 ATIVIDADES DO ESTAGIÁRIO 1º dia de estágio (21/08/2023) Neste dia realizei o atendimento de adulto, com 31 anos, no qual o paciente foi de primeira consulta, o paciente buscou atendimento nutricional para perda de peso, paciente com obesidade grau II, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para obesidade e ingestão de água. 2º dia de estágio (22/08/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma gestante com 34 semanas, com 15 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para tratar para melhorar a alimentação para uma gestação melhor e saudavel, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para ingestão de alimentos ricos em vitaminas e nutrientes e ingestão de água. 3º dia de estágio (23/08/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma criança , com 11 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para constipação, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para contipação e ingestão de água. 4º dia de estágio (24/08/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma idosa, com 72 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para obesidade e diabetes realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para obesidade e diabetes, e ingestão de água. 5º dia de estágio (25/08/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adolescente, com 14 anos, na qual o paciente buscou atendimento nutricional para obesidade grau I e constipada, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta 6 foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para obesidade e constipação, ingestão de água. 6º dia de estágio (28/08/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adulta , com 49 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para obesidade, hipertensão e diabetes,pois iria realizar uma cirurgia de hérnia, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passeio diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para obesidade, HAS e DM, e ingestão de água. 7º dia de estágio (29/08/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adulta , com 28 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para DM e intolerância a lactose, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para DM e intolerância a lactose e ingestão de água. 8º dia de estágio (30/08/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma idosa , com 60 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para DM, HAS, colesterol alto e constipação, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para DM, HAS, colesterol alto e constipação e ingestão de água. 9º dia de estágio (31/08/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma idosa , com 77 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para DM, colesterol e inchaço, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para DM, colesterol e ingestão de água. 7 10º dia de estágio (01/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma gestante com 5 semanas, com 24 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional pois estava com queixa de muitos enjoos, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para ingestão de alimentos ricos em vitaminas e nutrientes e ingestão de água. 11º dia de estágio (04/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adolescente , com 14 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para transtorno alimentar, obesidade, depressão, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para obesidade e ingestão de água. 12º dia de estágio (05/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de um adulto , com 30 anos, na qual o paciente buscou atendimento nutricional para Diabetes, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para DM e ingestão de água. 13º dia de estágio (06/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adolescente , com 14 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para transtorno alimentar, obesidade, depressão, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para obesidade e ingestão de água. 14º dia de estágio (08/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adulta , com 29 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para alergia a níquel, doença celíaca, TDHA – transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, gastrite causada pela H. pylori, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações e o consumo de água. 8 15º dia de estágio (11/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma criança, com 3 anos, na qual a os pais do paciente buscou atendimento nutricional para ingestão de alimdentos, pois o paciete é autista e nao tem facilidade em aceitar as texturas, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar personalizado, com orientações e ingestão de água. 16º dia de estágio (12/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adulta , com 19 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para diabetes mellitus tipo 2, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para diabetes mellitus tipo 2 e o consumo de água. 17º dia de estágio (13/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adulta , com 25 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para obesidade grau II, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para obesidade e ingestão de água. 18º dia de estágio (14/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adulta , com 44 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para sedentarismo, ansiedade, fibromialgia, depressão, síndrome do pânico, pré-diabética , colesterol alto, gordura no fígado, tem o rim virado, hérnia de disco, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações adequada e o consumo de água. 19º dia de estágio (15/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adolescente , com 15 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para colesterol alto, diabetes e início de sobrepeso, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para 9 obesidade e DM e o consumo de água. 20º dia de estágio (18/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adulto , com 31 anos, na qual o paciente buscou atendimento nutricional para esquizofrenia e sobrepeso, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para obesidade e DM e o consumo de água. 21º dia de estágio (19/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma criança , com 5 anos, na qual o paciente buscou atendimento nutricional para sobrepeso e constipação, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para obesidade e constipação e o consumo de água. 22º dia de estágio (20/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adulto , com 31 anos, na qual o paciente buscou atendimento nutricional para esquizofrenia e sobrepeso, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para obesidade e DM e o consumo de água. 23º dia de estágio (21/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adulta , com 45 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para diabetes, hipertensão, gastrite e gordura no fígado grau 2, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações e o consumo de água. 24º dia de estágio (22/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de um adulto , com 38 anos, na qual o paciente buscou atendimento nutricional para diabetes, hipertrigliceridemia, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações e o consumo de água. 10 25º dia de estágio (25/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de um adolescente, com 13 anos, na qual o paciente buscou atendimento nutricional para obesidade e depressao realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para obesidade e o consumo de água. 26º dia de estágio (26/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma idosa , com 71 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para DM, HAS, com cegueira, fumante, triglicerides alto e constipação, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para DM, HAS e constipação e o consumo de água. 27º dia de estágio (27/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adulto , com 38 anos, na qual a pacientebuscou atendimento nutricional para diabetes, sobrepeso, hipertensão e colesterol alto, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações diabetes, sobrepeso, hipertensão e colesterol alto e o consumo de água. 28º dia de estágio (28/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adulto , com 23 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para, sobrepeso, esquizofrenia, pré-diabetico realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações, sobrepeso, esquizofrenia e DM e o consumo de água. 29º dia de estágio (29/09/2023) Neste dia realizei o atendimento de uma adulto , com 38 anos, na qual a paciente buscou atendimento nutricional para Obesidade, DM2, hipertensão, convulsão, realizei anamnese, avaliação antropométrica, e passei o diagnóstico nutricional, a conduta foi a prescrição de plano alimentar, com orientações para obesidade, DM2, hipertensão e o consumo de água. 11 4 CASO CLÍNICO 3.1. Introdução Com a iniciação sexual precoce e desprotegida, os adolescentes estão expostos a possíveis contaminações por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e susceptíveis a gravidez indesejada (REGO, M., et. al., 2018). O progresso da gestação na adolescência está relacionado, nas mães, a uma maior incidência de doença hipertensiva especifica na gravidez (DHEG), anemia materna, prematuridade, complicações no parto, hemorragias e dificuldades para amamentar. Além de que, para o bebê, há uma chance maior de baixo peso ao nascer, sendo definido abaixo de 2kg500g, segundo a OMS, classificando-a como a maior causa de morbimortalidade neonatal. (CABRAL A., et. al., 2020). Então, além de impactar negativamente na saúde de ambos, repercute também na qualidade de vida pessoal e profissional da mãe, que acabam abandonando os estudos, aumentando evasão escolar e proporcionando um ambiente familiar desestruturado (REGO, M., et. al., 2018). Nessa fase, a gestação pode ser bem sucedida caso as adolescentes realizem o pré-natal precoce e de forma regular durante todos os meses da gestação. O que nem sempre acontece devido a não aceitação da gestação e dificuldade de reconhecimento social (NASCIMENTO T., et. al., 2015). Diante de todos os dados, a gestação na adolescência é considerada como um problema de saúde pública, pois mundialmente, todos os anos, pelo menos 60 mil adolescentes morrem em decorrência de complicações da gravidez e no momento do parto (NASCIMENTO T., et. al., 2015). E, quando associado ao aumento da pressão sanguínea nas gestantes, os efeitos se elevam e prejudicam diversos sistemas, principalmente vascular, renal, cerebral e hepático. Todas essas complicações explicam a morbimortalidade materna e perinatal em mulheres com pré-eclâmpsia e hipertensão gestacional, pois essas condições são as principais causas de morte materna no Brasil e no mundo (MARTINEZ, N., et. al., 2014). O distúrbio mais comum na gravidez é Doença Hipertensiva Especifica da Gestação (DHEG), na qual é caracterizada por hipertensão acompanhada de edema e proteinúria, sendo conhecidos pela tríade da DHEG. Também chamada de pré- eclampsia (NASCIMENTO T., et. al., 2015). Ocorre principalmente em primíparas 12 após a vigésima semana de gestação. Com a intensificação progressiva e evolução do quadro, diversas situações podem surgir (KAHHALE, S.,et. al., 2018), podendo evoluir para quadros mais graves e complexos como eclampsia e síndrome de HELLP (NASCIMENTO T., et. al., 2015). Embora a causa exata seja desconhecida, os processos fisiopatológicos contidos nessa doença ocorrem em dois momentos, na qual, o primeiro é definido pela diminuição da perfusão placentária, que provavelmente está relacionada à placentação anormal, à deficiente invasão trofoblástica e a remodelação inadequada das artérias espiraladas. Já a segunda parte refere-se a manifestações sistêmicas na mãe que seguem para alteração da função vascular, o que pode resultar em danos em múltiplos órgãos (MARTINEZ, N., et. al., 2014). O desencadeamento desse processo pode ser destacado devido às condições socioeconômicas precárias, maternidade precoce, peso antes e durante a gestação, baixo nível de escolaridade e deficiência no cuidados do pré-natal (NASCIMENTO T., et. al., 2015). O risco da pré-eclâmpsia na saúde vai além da gestação, pois aumenta na mulher o risco cardiovascular a logo prazo e para as crianças que nascem acometidas de pré-eclâmpsia apresentam riscos de hipertensão arterial sistêmica mais cedo e síndrome metabólica (KAHHALE, S.,et. al., 2018). É fundamental diferenciar a hipertensão arterial que antecede a gravidez da que é condição especifica da mesma. Pois, no primeiro exemplo, é ocasionado pela fisiopatologia básica da doença, já a segunda, é o resultado de um organismo mal adaptado com a gravidez. As duas condições se diferem no impacto sobre mãe/feto e seu controle (NASCIMENTO T., et. al., 2015). Os exames laboratoriais dependem da gravidade da situação: Hemograma completo com contagem de plaquetas, proteinúria de fita e/ou de 24 horas, creatinina e ureia, ácido úrico, urina tipo I, perfil hemolítico (DHL), enzimas hepáticas (TGO e TGP) e bilirrubinas totais e frações. (KAHHALE, S.,et. al., 2018). 3.2. Identificação do paciente. Y. A. S., sexo feminino, 15 anos, casada, gestante de 34 semanas, estudante do 1º ano do ensino médio, natural de Barreiras-Bahia, e atual moradora da rua Eunapolis, localizada no bairro Santa Cruz, na cidade de Luís Eduardo Magalhães. 13 3.3. Queixa Principal. A paciente não possuía hipertensão arterial sistêmica anterior a gravidez, tampouco, picos de pressão. Com isso, nunca realizou o consumo de nenhum medicamento referente à doença. 3.4. História da Doença Atual (HDA). Paciente foi referenciada pela Unidade Básica de Saúde para o Hospital e maternidade Dr. Gileno de Sá Oliveira (HMDGSO), apresentando cefaléia, pressão arterial 130x80 mmHg, com edemas nos membros superiores (MMSS) e inferiores (MMII) e face, além de visão turva. Ao ser admitida no HMDGSO, a paciente apresentava a pressão arterial 150x120 mmHg, além dos outros sintomas, com isso, foi internada para da continuidade à assistência e estabilização do quadro. Apresenta-se com um equipamento de Monitoração Ambulatorial da Pressão Arterial (M.A.P.A), na qual obtém o registro da pressão a cada 20 minutos, durante 24 horas por dia. Data Hora P.A. TPT F.C. 1º dia 15h34min 150x120 15h55min 140x80 16h55min 160x110 17h25min 140x110 18h10min 140x100 19h10min 120x100 21h00min 140x100 23h40min 140x100 2º dia 02h00min 145x85 06h00min 135x85 36,3º 10h18min 141x81 12h00min 137x91 36,4º 18h00min 125x73 36,2º 92 bpm 00h00min 126x78 36,6º 3º dia 06h00min 126x78 36,5º 95 bpm 14 3.5. História Familiar. No histórico familiar não existem casos de hipertensão arterial sistêmica, somente de diabetes mellitus na avó. 3.6. História Patológica Pregressa. Nasceu a termo de parto normal, sem complicações. Recebeu aleitamento materno até os dois anos de idade. Teve desenvolvimento neuropsicomotor e crescimento normais – suas curvas de crescimento da caderneta de vacinação se encontram nos níveis de normalidade. Paciente relata vida sexual ativa. Nega uso de álcool, cigarro e outras drogas. Nega ocorrências anteriores de sarampo, caxumba, coqueluche, rubéola e parasitoses. Relata um episódio de catapora aos 10 anos, mas que se resolveu bem com o devido tratamento à época. Nega cirurgias e hospitalizações prévias. Nega comorbidades e alergias. Caderneta de vacinação em dia. 3.7. História socioeconômica. Reside com o marido em casa de aluguel, sua renda mensal familiar é de um salario minimo, proveniente do emprego do marido. As condições de moradia são descritas como casa de alvenaria e acesso a rede elétrica. 3.8. Exame clínico. Dispneia durante as refeições: () sim ( x ) não Fadiga durante as refeições: ( ) sim (x) não Saciedade precoce: ( x ) sim ( ) não Dentição: ( x ) sim ( ) não Mastigação: normal Deglutição: normal Flatulência: ( ) sim ( x ) não Apetite: ( x ) normal ( ) reduzido ( ) aumentado Paladar: normal Preferências alimentares: come de tudo Intolerâncias: Não apresenta Aversão alimentar: somente a leguumes 15 Ingestão hídrica: 3 copos diarios. Hábito intestinal: ( ) diarreia ( ) normal ( x ) constipado Suplementos: ( )Sim ( x )Não Adição extra de Sal de cozinha: Sim Óleo: 3 frascos no mês Fritura: consome muito 3.9. Avaliação do estado nutricional do paciente: 3.9.1 – Avaliação Clínica (sinais físicos); Paciente se apresentava em regular estado geral, lúcido e orientado no espaço- tempo 3.9.2 - Avaliação Antropométrica; Peso habitual Altura IMC 54 kg 1,60 21 Peso 1º dia Peso 2º dia Peso 3º dia 78,7 kg 78,8 kg 78,9 kg Não foi possível realizar pregas cutâneas e circunferências devido ao inchaço da paciente, que podem mascarar as medidas corporais e resultar em diagnóstico errôneo. Com isso, os únicos parâmetros utilizados foram peso e altura. Com o decorrer dos dias de internação, a paciente apresentava aumento gradual de 10 gramas por dia, o que sugere o aumento da gravidade das áreas edemaciadas. De acordo com o peso habitual pré-gestacional, revelado pela paciente seu Índice de Massa Corporal é classificado como eutrófica. Com isso, o seu ganho de peso durante a gestação não-gemelar deve ser entre 11,5 a 16 kg, com a 16 recomendação de ganho de peso semanalmente, em 0,42 kg (0,35 a 0,50) ou 420 gramas a partir do 2º e do 3º trimestre de gestação. (IOM 2009; Luke et al. 2003). De acordo com a recomendação de ganho de peso que uma gestação não- gemelar deve ocorrer (entre 11,5 a 16 kg), seu peso atual deveria está entre 65,5 e 70 até o final da gestação. (IOM 2009; Luke et al. 2003). No entanto, segundo Riella e Martins (2001), a estimativa de retenção hídrica conforme o edema, classificado com ++++ (anasarca), deve-se subtrair do peso aferido entre 10 a 12 kg, na qual, sugere um peso atual entre 66,9 a 68,9 kg. Sugere-se que, sem o edema generalizado, a paciente esteja com o peso entre 66,9 e 68,9 ou seja, apresenta-se com ganho de peso adequado no decorrer da gestação. E isso pode ser exemplificado de acordo coma tabela a seguir, gráfico no qual, ocorre o acompanhamento nutricional da gestante. 17 9 s e 1 dia = IMC 21,8 13 semanas = IMC 21,8 15 s e 5dias = IMC 22,65 18 semanas = IMC 23,43 21 s 4 dias = IMC 24,76 24 s e 5 dias = IMC 24,3 26 semanas = IMC 26 31 s e 6 dias = IMC 27,7 33 s e 5 dias = IMC 30,66 34 semanas = IMC 30,7 Através do gráfico, observa-se que a paciente possuía ganho de peso adequado no decorrer da gestação, no entanto, nas duas ultimas semanas, esse ganho ultrapassou os índices de sobrepeso devido à complicações da Doença Hipertensiva Específica da Gestação (DHEG) e seu consequente edema. 3.9.3 – Avaliação Bioquímica; HEMOGRAMA Resultado Valor de referência Classificaçã o Hemoglobina 13,0 g/dL 11,9 a 14,4 g % Adequado Hematócrito 38,7% 36 a 44,5% Adequado Hemácias 4,39 milhões 3 a 5,8 milhões Adequado Eosinófilos 1% 2 a 5 % Adequado Basófilos 0,4% 0 a 1 % Adequado Linfócitos 25,9% 20 a 35 % Adequado Monócitos 5,8% 3 a 8 % Adequado Contagem de plaquetas 199.000mm ³ 145.000 a 450.000mm³ Adequado 18 Resultado Valor de referência Classificaçã o UREIA 14 mg/dL 15 a 45 mg/dL Abaixo CREATININA 0,6 mg/dL 0,4 a 1,3 mg/dL Adequado LDH 442 U/L Até 450U/L Adequado ÁCIDO ÚRICO 5,9 mg/dL 1,5 a 6 mg/dL Adequado URINA Resultado Valor de referência Classificação Aspecto Turvo Límpido Inadequado Glicose Ausente Ausente Adequado Corpos cetônicos Ausente Ausente Adequado Bilirrubina Ausente Ausente Adequado Proteínas 30 mg/dL Ausente Acima Sedimentoscopi a Resultado Valor de referência Classificação Leucócitos 3.000/mL Até 7.000 /mL Adequado Hemácias Ausente Até 5.000 /mL Adequado Células epiteliais 17.000 /mL Até 10.500 /mL Acima Bactérias + Raras Acima FÍGADO Resultado Valor de Referencia Classificação AST/TGO 22 U/L 5 a 36 U/L Adequado ALT/TGP 15 U/L 19 a 44 UL Adequado Os exames laboratoriais dependem da gravidade da situação: Hemograma completo com contagem de plaquetas, proteinúria de fita e/ou de 24 horas, creatinina e ureia, ácido úrico, urina tipo I, perfil hemolítico (DHL), enzimas hepáticas (TGO e TGP) (KAHHALE, S.,et. al., 2018). 19 O hemograma e os exames referentes ao fígado (TGO e TGP) encontram-se adequados e dentro dos valores de referência. A análise da ureia pode ser solicitada quando o paciente apresenta sinais e sintomas, como: edema nas pernas, tornozelos, pés, braços, mãos, face ou abdômen, assim como se apresentava a paciente. Mediante aos níveis fora dos valores de referencia, encontra-se a ureia no sangue, que se apresenta abaixo do valor de referencia. Normalmente, esse resultado não é preocupante, pois pode acontecer devido a falta de proteína na alimentação e outro fator que também pode alterar o resultado da ureia é a gravidez. Pois, na gestação, ocorre o aumento do fluxo sanguíneo renal, resultando em redução das concentrações séricas de ureia (MARTINEZ, N., et. al., 2014). A proteína acima dos valores de referencia da urina, também chamado de proteinúria, também é justificado pela gravidez e, em casos mais graves de pré- eclampsia, pois sua positividade é selo de diagnóstico da patologia. (COELHO, T., et. al., 2004). Na urina, as células epiteliais e as bactérias elevadas são as principais causas de contaminação que podem acontecer no momento da coleta, sendo mais comum em mulheres, devido a não realização da higiene correta ou não desprezar o primeiro jato de urina. O que é confirmada contaminação devido a leucócitos normais e dentro dos valores de referencia (CLÍNICO, 2012). Quando + ou raras bactérias, ou seja, quando são visualizadas 1 a 10 bactérias em 10 campos microscópicos observados, geralmente é indicativo de microbiota normal do sistema urinário, não sendo nenhum motivo de preocupação 3.9.4 - Avaliação Dietética Na avaliação dietética, a paciente afirmou realizar quatro refeições no dia, que são: café da manhã, almoço, lanche e janta. Acorda às 09h00min da manhã e dorme 22h30min da noite. Como já estava internada à um dia, não foi realizado o recordatório 24 horas referente a alimentação dentro de casa, mas sim foi perguntado o que geralmente costuma comer rotineiramente. Desjejum (09h30min/10h00min): Cuscuz com margarina + mortadela ou ovo + 1 xícara de café com leite 20 Almoço (12h00min) e Jantar (19h00min/19h30min): 2 concha de arroz + 2 conchas de feijão + 1 colher de servir de macarrão + 2 a 3 pedaços de carne/frango + 1,5 copos de suco de saquinho. Lanche da tarde (16h30min): 2 unidades de pão francês com margarina + 1 xícara de café Foi realizado também um questionário de frequência alimentar, na qual foi esclarecido o consumo diário de: proteína como carnes/ovos/frangos; cereais e tubérculos como arroz e mandioca; leguminosas como feijão; frituras, principalmente nas carnes; e, óleo de cozinha e café preto. Semanalmente, relatou o consumo de leites e derivados, refrigerantes e doces, alimentos industrializados (biscoito, salgadinho e miojo), embutidos e enlatados e manteiga ou margarina. Mensalmente consome frutas e nunca ingere hortaliças. A preferência alimentar descrita pela paciente foram: arroz, feijão, macarrão e batata e aversão somente a legumes. Não foi referida nenhuma alergia ou intolerância. Questionário de Frequência Alimentar Alimento D S M N Observações Carnes, aves, ovos, pescados X Cereais, tubérculos e derivados X Arroz e mandioca Leguminosas X Só o feijão Hortaliças X Frutas X Melancia, morango, manga e banana Leites e derivados X Só no café Refrigerante e doces X Refrigerante 1 vez na semana Doces 2 vezes na semana 21 FriturasX Nas carnes Alimentos industrializados (biscoitos, salgadinhos, miojo) X 1 vez na semana Embutidos e enlatados X 1 vez no mês Manteiga ou margarina X 2 a 3 vezes na semana Banha de porco, óleo de cozinha X Café, chá-mate, chá preto X Chá nunca Achocolatado X É a própria paciente que prepara suas refeições, com isso, relatou não utilizar temperos prontos ou completos, somente naturais. A ingesta hídrica revelada pela paciente é de 3 copos diários. Com o questionário de frequência alimentar, observamos a divergência de algumas informações. A mesma relatou consumo rotineiramente de café com leite, no entanto, no questionário, o leite aparece semanalmente. Consumo rotineiro de margarina pela manhã e a tarde, mas na frequência alimentar, semanalmente. A mortadela também apareceu como hábito alimentar e no questionário de frequência alimentar, os embutidos aparecem mensalmente. . 3.9.5 - Diagnóstico Nutricional Conclusivo. Paciente adolescente com 34 semanas de gestação, diagnóstico de doença hipertensiva específica na gestação (DHEG), com edema nos membros inferiores (MMII) e superiores (MMSS) ++++/4+. Os exames laboratoriais indicam proteinúria, o hábito alimentar relatou baixo consumo de frutas, verduras, legumes, fibras, baixo consumo hídrico, alto consumo de sódio e consumo frequente de ultra-processados. E, apresenta ganho de peso adequado de acordo semanas de gestação, com exceção das ultimas semanas devido complicações da patologia. 22 3.10. Evolução dietoterápica do paciente. No hábito alimentar da paciente, foi encontrado o valor energético total equivalente à 103.281 Kcal, na qual, a proteína ficou com 117,29 g (0,5%); carboidratos a 25.511,03g (98,8%) e lipídeos 83,99 g (0,7%). Ou seja, uma alimentação rica em carboidratos simples e baixa em proteínas e lipídeos. Além disso, deficiências nutricionais como: Baixo consumo de cálcio, apenas 384,15 mg, sendo o ideal para a fase da vida e gestação segundo a DRI, são de 1.300 mg. Baixa vitamina A 262,3 mcg e o ideal são 750 mcg. Baixa vitamina E 6,2 mg e o ideal são 15 mg. E, por fim, alto consumo de sódio, equivalente à 2.253,26 mg, na qual o ideal seria apenas 1.500 mg. No Hospital e Maternidade, a dieta ofertada à paciente durante os três dias de internamento era livre hipossódica, por não possuir nenhuma dificuldade de mastigação e deglutição e pobre em sódio para melhora do quadro patológico. Ou seja, a refeição servida não era específica para a paciente, era mesma de todos os pacientes que recebiam dieta livre (de acordo cardápio da empresa). No entanto, a única diferença, era que, esses alimentos que vinham não continham sal na preparação. Com isso, paciente hospitalar com ingesta nutricional adequada e foi orientada quanto à mudança de alguns hábitos alimentares. Objetivos da dietoterapia; 1. Aumentar o consumo hídrico 2. Diminuir o consumo excessivo de sódio na alimentação 3. Aumentar a oferta de alimentos com alto teor nutritivo 4. Diminuir o consumo de frituras 5. Evitar o consumo de temperos prontos/completos Metas da dietoterapia; 23 1. Deixar garrafa de água próximo ou colocar, aplicativo no celular lembrando de beber água; 2. Evitar alimentos embutidos, processados e ultra-processados como, sucos de saquinhos, mortadela, presuntos, margarinas, entre outros. 3. Consumo diário de frutas na alimentação, vegetais verdes folhosos e, legumes e verduras preparados de formas diferentes. 4. Dá preferencia a carnes sempre cozidas ou grelhadas 5. Dá preferencia à temperos naturais, como: Cebolas, alho, salsa, cebolinha, entre outros. PRESCRIÇÃO Encontra-se na 34º SG com um suposto ganho de 13,9 Total de semanas restantes = 6 Programação de ganho de peso para o 3º TRIM = 0,42 kg (0,35 a 0,50) Ganho programado até o fim da gestação = 6 x 0,35 = 2,1 kg Já ganhou 13,9 kg e vai ganhar 2,1 kg = Total 16 kg (11,5 a 16 kg) Para cada 1 Kg são necessárias 6.440 Kcal Ganho programado de 2,1 Kg x 6.400Kcal = 13.440 Kcal; Adicional total para 6 semanas; Adicional energético diário: 6 semanas x 7 dias= 42dias 13.440Kcal / 42 dias = 320 Kcal/dia NECESSIDADE HÍDRICA 78,9 x 35 = 2,8 litros NECESSIDADE CALÓRICA DIÁRIA TMB = (12,2 x 54) + 746 TMB = 658,8 + 746 TMB = 1.404,8 24 (OMS, et. al., 1985; KING et al., 1994). VET = GE + ADICIONAL ENERGÉTICO (INDIVIDUALIZADO) VET = (TMB x FA) + 320 VET = (1.404,8 x 1,56) + 320 VET = 2.191,4 + 320 VET = 2.511,4 (FAO/OMS/UNU, 2001) Levando em consideração o diagnóstico clínico e nutricional e fase da vida da paciente, a intervenção dietoterápica planejada foi: dieta livre, normocalórica, normoglicídica, normoproteica e normolipídica. Optou-se por uma dieta livre com o teor de gordura e sódio reduzido, rica em vitaminas e minerais, considerando a necessidade estabelecida pela gestante, por entender que as necessidades nessa fase estão aumentadas em comparação a mulheres não grávidas da mesma faixa etária, na qual, a quantidade foi ajustada conforme as recomendações da DRI para a idade e gestação e para tratar o quadro clínico (pré-eclâmpsia). Para um melhor crescimento e desenvolvimento do feto, foram prescritos alimentos fontes de vitaminas A, C, D, E, K complexo B, cálcio, fósforo, ferro, zinco e magnésio. Segundo a DRI 2002, a recomendação de proteínas é normoproteica de 0,8 a 1,0, no entanto há um adicional de 25g/dia no 3º trimestre. % KCAL/DIA G/DIA G/KG/DIA PTN 12,5 % 316 79 + AE 1,0 LIP 22,5 % 565,06 62,7 1,16 CHO 65 % 1.632,4 408,1 7,55 25 RECOMENDAÇÕES MACRONUTRIENTES (IOM 2008) Proteína 10 –15% DO VET Carboidratos 55 –75% DO VET Lipídeos 15 –30% DO VET PLANO ALIMENTAR INDIVIDUALIZADO PLANO ALIMENTAR Paciente: Y.A.S Refeiçõe s Preparação Alimentos Medidas caseiras Café da manhã 09h30min Cuscuz com ovo cozido Café Cuscuz Ovo cozido Café 1 porção (120 gramas) 1 unidade 1 xícara Almoço 12h30min Arroz integral Feijão carioca Carne bovina Salada rica Couve folha Fruta cítrica Arroz integral cozido Feijão carioca cozido Carne/frango cozido Alface Tomate picado Manga picada Abacaxi picado Couve folha refogada Laranja 2 conchas média 2 conchas média 1 bife 2 folhas médias 1 colher de sopa cheia 1 unidade 1 fatia pequena 1 colher de sopa 1 unidade Lanche da tarde 15h30min Salada de frutas com aveia e granola Mamão picado Banana picada Morango Melancia Aveia Granola 1 fatia pequena 1 unidade 4 unidades 1 fatia pequena 3 colheres de sopa 2 colheres de sopa Jantar 19h00min Macarrão Feijão carioca Carne bovina Salada rica Macarrão cozido Feijão carioca cozido Carne/frango cozido Alface 2 colheres de servir 2 conchas média 1 bife 2 folhas médias 26 Suco verde Tomate picado Manga picada Abacaxi picado Água, limão, brócolis, beterraba e cenoura 1 colher de sopa cheia 1 unidade 1 fatia pequena 1 copo médio (200ml) Ceia 22h00min Vitamina de fruta Leite Abacate 200 ml 1 fatia média VALOR ENERGÉTICO Valor estimado Valor calculado Adequação 2.511,4 kcal 2.553 kcal 101 % MACRONUTRIENTES Valor estimado Valor calculado Adequação Proteína 1,50 g/kg 2,50 g/kg 166 % Carboidratos 7,55 g/kg 7,07 g/kg 93,6 % Lipídeos 1,16 g/kg 1,11 g/kg 95,6 % MICRONUTRIENTES Valor estimado Valor calculado Adequação Vitamina A 750 mcg 1.796,71 mcg 239 % Vitamina C 80 mg 338,76 mg 423 % Vitamina D 5 mcg 2,64 mcg 52,8 % Vitamina E 15 mg 12,63 mg 84,2 % Vitamina K 4.700 g 4.934 mg 104,9 % Vitamina B1 1,4 mg 1,88 mg 134 % Vitamina B2 1,4 mg 1,66 mg 118 % Vitamina B3 18 mg 18,28 mg 101 % Vitamina B6 1,9 mg 1,84 mg 96 % Vitamina B9 400 mcg 440,79 mcg 110 % Vitamina B12 2,6 mcg 1,41 mcg 54 % Fibras 28 g 81,27 g 290 % Cálcio 1.300 mg 668,68 mg 51,4 % 27 Fósforo 1.250 mg 1.751,92 mg 140 % Ferro 27 mg 18,2 mg 67 % Zinco 13 mg 19,13 mg 147 % Magnésio 400 mg 570,55 mg 142 % Sódio 1.500 mg 1.013,97 mg 67,5 % ORIENTAÇÕES NUTRICIONAIS Evitar a utilização de temperos prontos ou completos Da preferência a temperosnaturais na preparação de refeições, como: alho, cebola, salsa, cebolinha, entre outros; Evitar o consumo de embutidos como: presunto, mortadela, salsicha, salames e linguiças. Evitar o consumo de ultra processados como refrigerantes, sucos em pó, ketchup, mostarda, molhos de salada, entre outros; Evitar frituras na preparação dos alimentos, substituindo por preparações cozidas ou grelhadas; Consumir 2,7 litros de água por dia; Aumentar o consumo de frutas, verduras e legumes em geral, diversificando as preparações; Consumir apenas uma opção de carboidratos no almoço e janta: Arroz ou macarrão ou batata ou mandioca. 3.11. Evolução nutricional do paciente Todas as refeições ofertadas apresentavam alimentos altamente nutritivos, como frutas na colação, lanche da tarde e ceia; saladas, verduras e legumes no almoço, sucos de frutas no almoço, vitaminas de fruta no lanche da tarde, alimentos ricos em fibras na ceia, como mingaus. Ou seja, foi mudado o quadro de alimentos com baixos valores nutricionais e/ou uma alimentação rica em carboidratos simples, de dentro de casa, sendo ofertada uma alimentação mais balanceada e diversificada, enriquecida com vitaminas, minerais e proteínas, visto que, são nutrientes essenciais para o organismo materno sustentar um bom e adequado desenvolvimento fetal. 28 Através de todas essas mudanças realizadas, foram repassadas orientações à paciente com objetivos já pré-estabelecidos. Com isso, foi entregue os cuidados necessários e mudanças de hábitos alimentares que a mesma deverá realizar sobre preparações e novo estilo de vida até a chegada do parto, para evitar aumento da pressão arterial, retorno ao hospital com piora, e para que preserve tanto a sua saúde, quanto a do bebê que está por vir. 3.12. Conclusão. Pessoas menos favorecidas, normalmente possuem uma menor disponibilidade de alimentos nutricionalmente adequados, devido a baixa capacidade de aquisição, sem contar também em todo o envolvimento cultural e as experiências individuais da paciente. Tudo isso pode justificar a pouca diversidade do consumo dos principais grupos alimentares e a elevada porcentagem de inadequação da maioria dos nutrientes observados, como as baixas adequações para o consumo de vitaminas A, E, cálcio e alto em sódio. (OLIVEIRA, A., et. al., 2016). Com isso, a importância da atenção e do acompanhamento pré-natal para identificar fatores de risco a respeito da pré-eclâmpsia, a fim de investigar e identificar gestações de riscos. Além de que, estratégias de educação alimentar e nutricional, como a realizada, com a finalidade de adequar a ingesta alimentar, é totalmente indispensável por contribuir com um bom prognóstico da doença. 29 3.13 Referências AMORIM, R. A., PEREIRA, T. A. EQUIVALÊNCIA FARMACÊUTICA DO PARACETAMOL EM COMPRIMIDOS REFERÊNCIA E GENÉRICO. 2019. BRUNO, R. M. Tratamento da hipertensão grave na gestação: comparação entre nifedipina e hidralazina. 1990. CABRAL, A. L. B., ANDRADE RIBEIRO, A., LIMA, L. R. C., DE SOUSA MACHADO, L. C. A gravidez na adolescência e seus riscos associados: revisão de literatura. Brazilian Journal of Health Review, v. 3, n. 6, p. 19647-19650, 2020. CLÍNICO, E. A. A. M. P. O EXAME DOS ELEMENTOS FIGURADOS DA URINA. 2012. COELHO, T.M., MARTINS, M.D.G., VIANA, E., MESQUITA, M.R.D.S., CAMANO, L., SASS, N. Proteinúria nas síndromes hipertensivas gestacionais: prognóstico materno e perinatal. Revista da Associação Médica Brasileira , v. 50, não. 2 P. 207-213, 2004. KAHHALE, S., FRANCISCO, R.P.V., ZUGAIB, M. Pré-eclâmpsia. Revista de Medicina , v. 97, n. 2, pág. 226-234, 2018. MARTINEZ, N. F., FILGUEIRA, G. C. D. O., MACHADO, J. D. S. R., SANTOS, J. E. T. D., SANDRIM, V. C., DUARTE, G., CAVALLI, R. D. C. 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Considerando que a massa magra da nadadora é de 64,78 kg (82 kg × 0,79, sendo 0,79 a porcentagem de massa magra), a TMB é de aproximadamente 1912 kcal. Para calcular a necessidade energética diária, multiplique a TMB pelo fator de atividade física (1,9 para atletas de alto rendimento): 1912 × 1,9 = 3633 kcal/dia. A distribuição dos macronutrientes pode ser: 50-60% carboidratos, 15-20% proteínas e 20-30% gorduras. Considerando as deficiências vitamínicas e a alta demanda energética da nadadora, pode ser necessário vitaminas suplementares B1, B3, B5, B6, folato, vitamina B12 e vitamina C para atender às suas necessidades nutricionais. Não há evidências de anemia megaloblástica no exame de sangue, já que os níveis de hemoglobina e hematócrito estão normais. A carência vitamínica e o aumento dos níveis de homocisteína sanguínea: A deficiência de vitaminas B6, B9 (folato) e B12 pode aumentar os níveis de homocisteína no sangue, pois essas vitaminas desempenham um papel crucial no metabolismo da homocisteína. Altos níveis de homocisteína estão associados a um risco aumentado de doenças cardiovasculares. O nível de vitamina C no sangue é de 25 mg, abaixo do recomendado para mulheres adultas (75 mg). Isso indica uma deficiência de vitamina C, que pode levar a sintomas como fadiga, 32 fraqueza muscular e, em casos mais graves, escorbuto. Plano alimentar: Café da manhã Opção 1 Shake com 200 ml de leite desnatado + 2 colheres de sopa de whey protein (qualquer sabor). Bata no mixer ou liquidificador para dissolver bem o whey protein + enroladinho com 2 fatias de queijo mussarela light + 2 fatias de presunto magro. Opção 2 1 iogurte desnatado + 2 colheres de sopa de whey protein (qualquer sabor). Bata no mixer ou liquidificador para dissolver bem o whey protein + 2 fatias de queijo branco light (fatia de 0,5 cm cada) + 4 fatias de peito de peru. Opção 3 1 taça de mousse de morango de whey protein + 1 ovo mexido. Lanche da manhã Opção 1 1 garrafinha de iogurte zero (pode ser com sabor) ou desnatado com adoçante stevia. Opção 2 1 polenguinho light + 2 fatias de peito de peru. Opção 3 1 xícara de leite desnatado com café e adoçante stevia. 33 Almoço Opção 1 1 filé de frango (100 g) grelhado + salada de folhas verdes (agrião, alfafa, alface, espinafre, pepino, rabanete,broto de feijão) à vontade. Opção 2 1 filé mignon (100 g) grelhado + salada de folhas verdes (agrião, alfafa, alface, espinafre, pepino, rabanete, broto de feijão) à vontade. Opção 3 4 colheres de atum em conserva (100 g) + salada de folhas verdes (agrião, alfafa, alface, espinafre, pepino, rabanete, broto de feijão) à vontade. Opção 4 2 coxas de frango grandes assadas ou cozidas + salada de folhas verdes (agrião, alfafa, alface, espinafre, pepino, rabanete, broto de feijão) à vontade. Opção 5 1 filé de salmão ou cação ou sardinha ou pescada (100 g) assado, cozido ou grelhado + salada de folhas verdes (agrião, alfafa, alface, espinafre, pepino, rabanete, broto de feijão) à vontade. Lanche da tarde Opção 1 34 Shake com 200 ml de leite desnatado + 2 colheres de sopa de whey protein (qualquer sabor). Bata no mixer ou liquidificador para dissolver bem o whey protein. Opção 2 1 iogurte desnatado + 2 colheres de sopa de whey protein (qualquer sabor). Bata no mixer ou liquidificador para dissolver bem o whey protein. Opção 3 1 taça de gelatina cremosa de morango com whey protein. Jantar Opção 1 Omelete com 2 claras + 1 gema + 1 xícara de verduras cozidas (couve-flor, brócolis, berinjela). Opção 2 200 g de filé de pescada ou cação ou merluza ou 100 g de peito de frango grelhado + salada de folhas verdes à vontade (rúcula, agrião, alface, tomate, palmito, pepino). Opção 3 1 filé de frango grelhado (100 g) + 1 prato de sopa de creme de brocolis 35 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS O acompanhamento nutricional é essencial para melhorar o estado nutricional dos pacientes. Diante disso, podemos observar a importância do estágio em nutrição clínica e nas demais áreas, onde se torna possível o conhecimento prático nas diversas situações que o profissional nutricionista lida diariamente, estabelecendo assim uma conduta dietoterápica para os pacientes a fim de recuperar ou manter um bom estado nutricional. 36 ANEXO - TERMO DE VALIDAÇÃO DO RELATÓRIO SUMÁRIO 1 APRESENTAÇÃO 2 INTRODUÇÃO 3 ATIVIDADES DO ESTAGIÁRIO 4 caso clínico 5 ATIVIDADE DE ESTUDO DE CASO 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS anexo - termo de validação do relatório