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manual de direito publico e privado

Resumo sobre noções gerais de Instituições de Direito: origem e finalidade do Direito; conceito de Direito; direito objetivo e subjetivo; Direito positivo e natural; Direito internacional e nacional.

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INSTITUIÇÕES DE DIREITO
  N O Ç Õ E S    G E R A I S
 
1. Origem e finalidade do Direito
 
O Direito nasceu junto com a civilização. Sua história é a história da própria vida. Por mais que
mergulhemos no passado, sempre vamos encontrar o Direito, ainda que em estágio rudimentar,
regulando as relações humanas. É que os homens, obrigados ao convívio, labutando uns ao lado
dos outros, carecem de certas regras de conduta, de um mínimo de ordem e direção.  Onde está
o homem, está o Direito. Essas regras de procedimento, disciplinadoras da vida em sociedade,
recebem o nome de Direito. Portanto, a finalidade do direito se resume em regular as
relações humanas, a fim de que haja paz e prosperidade no seio social, impedindo a
desordem ou o crime. Sem o Direito estaria a sociedade em constante processo de
contestação, onde a lei do mais forte imperaria sempre, num verdadeiro caos.
 
2. Conceito de Direito - o Direito é um complexo de normas reguladoras da conduta
humana, com força coativa. Sim, a vida em sociedade seria impossível sem a existência de um
certo número de normas reguladoras do procedimento dos homens, por estes mesmos julgadas
obrigatórias, e acompanhadas de punições para os seus transgressores. A punição é que torna a
norma respeitada. De nada adiantaria a lei dizer, por exemplo, que matar é crime, se,
paralelamente, não impusesse uma sanção àquele que matasse. A coação, ou possibilidade de
constranger o indivíduo à observância da norma, torna-se inseparável do Direito. Por isso,
como mostra conhecida imagem, a justiça sustenta numa das mãos a balança em que pesa o
direito, e na outra a espada de que se serve para defender. A espada sem a balança é a força
bruta; a balança sem a espada é a impotência do Direito.
 
3. Direito objetivo e Direito subjetivo
 
A palavra Direito tem diferentes significados, tornando-se praticamente impossível reuni-los
numa única fórmula. Os mais importantes são os traduzidos pelas expressões direito objetivo e
direito subjetivo.
Direito objetivo é o conjunto de regras vigentes num determinado momento, para reger as
relações humanas, impostas, coativamente, à obediência de todos (norma agendi).
Os Códigos Penal, Civil etc., bem como qualquer uma de suas regras, são exemplos de direito
objetivo.
O direito subjetivo é a faculdade ou prerrogativa do indivíduo de invocar a lei na defesa
de seu interesse (facultas agendi). Assim, ao direito subjetivo de uma pessoa corresponde
sempre o dever de outra, que, se não o cumprir, poderá ser compelida a observá-lo através de
medidas judiciais.
A Constituição Federal garante o direito de propriedade, ao dispor no art. 5.º, XXII, que “é
garantido o direito de propriedade”. Essa regra é um preceito de direito objetivo. Se alguém
violar a minha propriedade, poderei acionar o Poder Judiciário, para que a irregularidade seja
sanada. Essa faculdade que tenho, de movimentar a máquina judiciária para o reconhecimento de
um direito que a lei me garante, é que constitui o direito subjetivo. Disso resulta que o direito
objetivo é o conjunto de leis dirigidas a todos, ao passo que o direito subjetivo é a faculdade
que tem cada um de invocar essas leis a seu favor, sempre que houver violação de um direito por
elas resguardado.
 
4. Direito Positivo e Direito Natural
 
O Direito Positivo compreende o conjunto de regras jurídicas em vigor num país
determinado e numa determinada época. É o Direito histórico e objetivamente estabelecido,
encontrado em leis, códigos, tratados internacionais, costumes, decretos, regulamentos etc.  É o
Direito cuja existência não é contestada por ninguém. É com esse significado que nos referimos
ao direito romano, ao direito alemão, ao direito português, ao direito brasileiro.
O Direito Natural, para os que aceitam a sua existência, é aquele que não se
consubstancia em regras impostas ao indivíduo pelo Estado, mas em uma lei anterior e
superior ao Direito Positivo, que se impõe a todos os povos pela própria força dos princípios
supremos dos quais resulta, constituídos pela própria natureza e não pela criação dos homens,
como, por exemplo, o direito de reproduzir, o direito de viver etc. Numa palavra, o Direito
Positivo é o direito que depende da vontade humana, enquanto o Direito Natural, é o que
independe do ato de vontade, por refletir exigências sociais da natureza humana, comuns a
todos os homens.
 
5. Direito Internacional e Direito Nacional
 
Direito Internacional vem a ser o complexo de normas aplicáveis nas relações entre países
(Direito Internacional Público), e aos particulares que tenham interesses em mais de um país
(Direito Internacional Privado). Exemplificando: se o Brasil e Paraguai, na exploração da Usina
Hidrelétrica de Itaipu, construída por ambos, tiverem alguma divergência, a questão será
resolvida por meio de aplicação de normas de Direito Internacional Público. Já o inventário de
um falecido que tenha deixado bens em vários países cria problemas de Direito Internacional
Privado, por isso que em jogo estão interesses de particular em mais de um país.
Direito Nacional é o que existe dentro das fronteiras de um país.
 
6. Direito Público e Direito Privado
 
O Direito Nacional, assim como o Internacional, se desdobra em dois grandes ramos: o Direito
Público e o Direito Privado. O Direito Público disciplina os interesses gerais da coletividade, e
se caracteriza pela imperatividade de suas normas, que não podem nunca ser afastadas por
convenção dos particulares. Já o Direito Privado versa sobre as relações dos indivíduos
entre si, tendo na supletividade de seus preceitos a nota característica, isto é, vigora apenas
enquanto a vontade dos interessados não disponha de modo diferente que o previsto pelo
legislador.
 Para melhor compreensão, tomemos dois exemplos:
a) Empregado e patrão celebram um contrato de trabalho, convencionando que o primeiro
ganhará 2/3 do salário mínimo, visto que não tem mulher nem filho. É válido o acordo?
Obviamente, não. O patrão terá que pagar de qualquer forma o salário mínimo, por se tratar de
uma norma de ordem pública, de proteção ao trabalhador.
b) Peço emprestadas 20 sacas de arroz. O art. 1.256 do CC diz que sou obrigado a restituir
coisas do mesmo gênero, qualidade e quantidade. No entanto, quem me emprestou aceita que eu
faça a devolução com sacas de milho. É válido o acordo? Sim, porque aqui estamos no terreno do
Direito Privado, onde o particular pode exigir ou deixar de exigir o cumprimento da lei. A lei lhe
dará a faculdade de agir, ou o direito subjetivo de agir, deixando-lhe porém a iniciativa da ação.
dará a faculdade de agir, ou o direito subjetivo de agir, deixando-lhe porém a iniciativa da ação.
 
7. Abrangência
 
O primeiro dos ramos do Direito Público interno é o Direito Constitucional (tem por objeto fixar
a estrutura do Estado e estabelecer os direitos fundamentais da pessoa humana). Pertencem,
ainda, ao Direito Público interno, o Direito Administrativo (estabelece os preceitos relativos à
administração da coisa pública), Direito Penal (define as condutas criminosas, visando preveni-
las e reprimi-las), Direito Financeiro (cuida da organização das finanças do Estado), Direito
Processual Civil e Penal (tratam da distribuição da Justiça, regulando o processamento das ações
perante o Poder Judiciário) e Direito Trabalhista (tem por objeto reger as relações de trabalho
subordinado).
 O Direito Privado, por seu turno, compreende o Direito Civil (regula os direitos e obrigações de
ordem privada concernentes às pessoas, aos bens e às relações) e o Direito Comercial (regula a
profissão dos comerciantes, seus atos e contratos).
 
8. FONTES DO DIREITO - Conceito de Fonte
 
Quando falamos de fontes do Direito queremos referir-nos às nascentes, aos mananciais do
Direito, ou seja, os meios pelos quais se formam as regras jurídicas.
 
Fontes imediatas ou positivas: a Constituição, lei, o costume e a jurisprudência. Fontes
mediatas ouauxiliares: a doutrina, o direito anterior, o direito comparado  e os princípios
gerais do direito.
 
 Fontes  imediatas são aquelas que, por si sós, pela sua própria força, são suficientes para gerar
a regra jurídica.
Fontes indiretas ou mediatas são as que não têm tal virtude, porém encaminham os espíritos,
mais cedo ou mais tarde, à elaboração da norma. Servem como fontes de estudo.
 
Constituição é a Lei Fundamental do Estado.
 
 Lei: Para dirimir uma questão submetida à apreciação do Poder Judiciário, a primeira fonte de
que se lança mão é a lei. Em países como o nosso, em que o Direito é escrito, a lei assume papel
de suma importância, figurando como a principal fonte do Direito.
Lei é uma regra geral, que, emanando de autoridade competente é imposta, coativamente, à
obediência de todos. Observe-se que a lei, para ser válida, deve ser constitucional.
A lei é uma norma dotada de generalidade, dirigindo-se a todos os membros da coletividade, sem
exclusão de ninguém. O Poder competente para editá-la é o Legislativo, conquanto, entre nós, em
casos excepcionais, ditados pela urgência e relevância da matéria, possa também o Presidente da
República editar medidas provisórias, com força de lei (CF, art. 62).
 Por fim, é ela provida de coação, visando tornar o preceito inviolável. Regra jurídica sem coação,
disse Jhering, é uma contradição em si, um fogo que não queima, uma luz que não ilumina.
 
 Costume: as leis escritas não compreendem todo o Direito. Há normas costumeiras, também
chamadas consuetudinárias, que obrigam, igualmente, ainda que não constem de preceitos
votados por órgãos competentes.
O Direito revelado pelo costume chama-se consuetudinário. Era ele muito importante antes do
Direito escrito. Hoje perdeu a maior parte de sua importância, sendo aplicado somente por
exceção, em caso de omissão da lei (v.art. 4.º da lei de Introdução ao Código Civil).
exceção, em caso de omissão da lei (v.art. 4.º da lei de Introdução ao Código Civil).
Enquanto o costume é espontâneo e se expressa oralmente, a lei dimana de um órgão do Estado
(o Legislativo), através de um processo próprio de elaboração, e se expressa por fórmula
escrita. Essas as principais diferenças entre eles.
 
A Jurisprudência resulta das decisões dos juízes e tribunais, na aplicação da lei aos casos
concretos. São as regras gerais que se extraem das reiteradas decisões dos tribunais num
mesmo sentido, numa mesma direção interpretativa. Sempre que uma questão é decidida
reiteradamente no mesmo modo, surge a jurisprudência. Em geral, a jurisprudência não vincula o
juiz, mas costuma dar-lhe importantes subsídios na solução de cada caso. A exceção é a chamada
súmula vinculante.
 
A Doutrina é o conjunto de investigações e reflexões teóricas e princípios metodicamente
expostos, analisados e sustentados pelos autores, tratadistas, jurisconsultos, no estudo das leis.
É fonte indireta do Direito.
Como salienta Caio Mário da Silva Pereira, “em determinadas fases da cultura jurídica
sobressaem escritores, a cujos trabalhos todos recorrem de tal forma que as suas opiniões se
convertem em preceitos obrigatórios. No século passado e no começo deste, os livros de
Lafayette, Teixeira de Freitas, Ribas, Coelho Rodrigues, tiveram esse prestígio: citados pelos
juízes, fundamentavam as decisões. Também Clóvis Beviláqua em nosso tempo”.
Com efeito, é de grande valor o trabalho dos doutrinadores na elaboração do direito objetivo, já
que, apontando as falhas, os inconvenientes e defeitos da lei vigente, acaba encaminhando o
legislador para a feitura de lei mais perfeita.
 
 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL
 
Direito Constitucional é o ramo do Direito Público que expõe, interpreta e sistematiza os
princípios e normas fundamentais do Estado; é a ciência positiva das constituições; tem por
Objeto a constituição política do Estado, cabendo a ele o estudo sistemático das normas
que integram a constituição.
 
CONSTITUIÇÃO
 
Conceito: considerada sua lei fundamental, seria, então, a organização dos seus elementos
essenciais: um sistema de normas jurídicas, escritas ou costumeiras, que regula a forma do
Estado, a forma de seu governo, o modo de aquisição e o exercício do poder, o estabelecimento
de seus órgãos, os limites de sua ação, os direitos fundamentais do homem e as respectivas
garantias; em síntese, é o conjunto de normas que organiza os elementos constitutivos do
Estado.
 
A constituição é algo que tem, como forma, um complexo de normas; como conteúdo, a conduta
humana motivada das relações sociais; como fim, a realização dos valores que apontam para o
existir da comunidade; e, finalmente, como causa criadora e recriadora, o poder que emana do
povo; não podendo ser compreendida e interpretada, se não tiver em mente essa estrutura,
considerada como conexão de sentido, como é tudo aquilo que integra um conjunto de valores.
 
SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO
 
Rigidez e supremacia constitucional: A rigidez decorre da maior dificuldade para sua
modificação do que as demais normas jurídicas; dela emana o princípio da supremacia da
constituição, colocando-a no vértice do sistema jurídico.
Supremacia da Constituição Federal: por ser rígida, toda autoridade só nela encontra
fundamento e só ela confere poderes e competências governamentais; o Governo exerce as suas
atribuições de acordo com a Constituição; sendo que todas as normas que integram a ordenação
jurídica nacional só serão válidas se se conformarem com as normas constitucionais federais.
 
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
 
Inconstitucionalidade: a conformidade com os ditames constitucionais não se satisfaz apenas
com a atuação positiva; exige mais, pois omitir a aplicação das normas, quando a Constituição
determina, também constitui conduta inconstitucional, sendo reconhecida sas seguintes formas
de inconstitucionalidade:
- Por ação: ocorre com a produção de atos legislativos ou administrativos que contrariem
normas ou princípios da Constituição; seu fundamento resulta da compatibilidade vertical das
normas (as inferiores só valem se compatíveis com as superiores); essa incompatibilidade é que
se chama de inconstitucionalidade da lei ou dos atos do Poder Público;
- Por omissão: verifica-se nos casos em que não sejam praticados os atos requeridos para
tornar plenamente aplicáveis as normas constitucionais; não realizado um direito por omissão do
legislador, caracteriza-se como inconstitucional; pressuposto para a propositura de uma ação de
inconstitucionalidade por omissão.
 
EMENDA À CONSTITUIÇÃO
 
Emenda é o processo formal de mudança das constituições rígidas, por meio de atuação de
certos órgãos, mediante determinadas formalidades, estabelecidas nas próprias constituições,
para o exercício do poder reformador; é a modificação de certos pontos, cuja estabilidade o
legislador constituinte não considerou tão grande como outros mais valiosos, se bem que
submetida a obstáculos e formalidades mais difíceis que os exigidos para a alteração das leis
ordinárias; é o único sistema de mudança formal da Constituição.
 
Poder constituinte e poder reformador: a Constituição conferiu ao Congresso Nacional a
competência para elaborar emendas a ela; o próprio poder constituinte originário, ao criar a
Constituição Federal, instituiu um poder constituinte reformador; no fundo, o agente ou sujeito
da reforma, é o poder constituinte originário, que, por esse método, atua em segundo grau, de
modo indireto, pela outorga de competência a um órgão constituído para, em seu lugar, proceder
às modificações na Constituição, que a realidade exige; segundo o Prof. Manoel G. Ferreira Filho,
poder constituinte de revisão “é aquele poder, inerente à Constituição rígida, que se destina a
modificá-la, segundo o que a mesma estabelece; visa permitir a mudança da Constituição,
adaptação da Constituição a novas necessidades, a novos impulsos, a novas forças, sem que para
tanto seja preciso recorrer à revolução, semque seja preciso recorrer ao poder constituinte
originário”.
 
Limitações ao poder de reforma constitucional: é limitado, porque a própria norma
constitucional lhe impõe procedimento e modo de agir, dos quais não se pode arredar sob pena
de sua obra sair viciada, ficando sujeita ao sistema de controle de constitucionalidade.
Configura as limitações formais.
 
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
As normas são preceitos que tutelam situações subjetivas de vantagem ou de vínculo, ou seja,
reconhecem a pessoa ou a entidade, a faculdade de realizar certos interesses por ato próprio,
ou  exigindo ação ou abstenção de outrem; vinculam elas à obrigação de submeter-se às
exigências de realizar uma prestação.
Os princípios são ordenações que se irradiam e imantam os sistemas de normas; são como
núcleos de condensações nos quais confluem valores e bens constitucionais.
 
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO ESTADO BRASILEIRO
 
O País e o Estado brasileiros: País se refere aos aspectos físicos, ao habitat, ao torrão
nacional; manifesta a unidade geográfica, histórica, econômica e cultural das terras ocupadas
pelos brasileiros. Estado é uma ordenação que tem por fim específico e essencial a
regulamentação global das relações sociais entre os membros de uma dada população, sobre um
dado território; constitui-se de um poder soberano de um povo situado num território com
certas finalidades; a constituição organiza esses elementos.
Território e forma de Estado: território é o limite espacial dentro do qual o Estado exerce de
modo efetivo o poder de império sobre pessoas e bens. Forma de Estado é o modo de exercício
do poder político em função do território.
  Estado Federal - forma do Estado brasileiro: o federalismo refere-se a uma forma de
Estado (federação ou Estado Federal) caracterizada pela união de coletividades públicas
dotadas de autonomia político-constitucional, autonomia federativa; a federação consiste na
união de coletividades regionais autônomas (estados federados, estados-membros ou estado).
Estado federal é o todo, dotado de personalidade jurídica de Direito Público Internacional. A
União é a entidade federal formada pela reunião das partes componentes, constituindo pessoa
jurídica de Direito Público interno, autônoma em relação aos Estados e a que cabe exercer as
prerrogativas da soberania do Estado brasileiro. A autonomia federativa  assenta-se em dois
elementos:
a) na existência de órgãos governamentais próprios;
b) na posse de competências exclusivas. O Estado federal apresenta-se como um Estado que,
embora parecendo único nas relações internacionais, é constituído por Estados-membros
dotados de autonomia, notadamente quanto ao exercício de capacidade normativa sobre
matérias reservadas à sua competência.
Forma de Governo - a República: Forma de governo é conceito que se refere à maneira como
se dá a instituição do poder na sociedade e como se dá a relação entre governantes e
governados. República é uma forma de governo que designa uma coletividade política com
características da res pública, ou seja, coisa do povo e para o povo, que se opõe a toda forma de
tirania. O princípio republicano (art. 1º) não instaura a República, recebe-a da evolução
constitucional. Sistema de Governo é o modo como se relacionam os poderes, especialmente o
Legislativo e o Executivo, que dá origem aos sistemas parlamentarista, presidencialista e
diretorial.
 
Fundamentos do Estado brasileiro: segundo o art. 1º, o Estado brasileiro tem como
fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do
fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do
trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político.
Objetivos fundamentais do Estado brasileiro: a Constituição consigna como objetivos
fundamentais (art. 3º): construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o
desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização; reduzir as desigualdades
sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade
e de outras formas de discriminação.
 
PODER E DIVISÃO DE PODERES
 
A divisão de poderes é um princípio fundamental da Constituição. Consta no seu art. 2º: são
poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário;
exprimem, a um tempo, as funções legislativa, executiva e jurisdicional e indicam os respectivos
órgãos, estabelecidos na organização dos poderes.
 
 Poder político: pode ser definido como uma energia capaz de coordenar e impor decisões,
visando à realização de determinados fins; é superior a todos os outros poderes sociais, os quais
reconhece, rege e domina, visando a ordenar as relações entre esses grupos de indivíduos entre
si e reciprocamente, de maneira a manter um mínimo de ordem e estimular o máximo de
progresso à vista do bem comum; possui três características fundamentais; unidade,
indivisibilidade e indelegabilidade.
 
Governo e distinção de funções do poder: Governo é o conjunto de órgãos mediante os quais a
vontade do Estado é formulada, expressada e realizada, ou  o conjunto de órgãos supremos a
quem incumbe o exercício das funções do poder político. São as seguintes essas funções:  
­                   a legislativa, que  consiste na edição de regras gerais (leis), abstratas, impessoais e
inovadoras da ordem pública;
­                   a executiva, que  resolve os problemas concretos e individualizados, de acordo com as
leis;
­          a jurisdicional, que  tem por objeto aplicar o direito aos casos concretos, a fim de dirimir
conflitos de interesse.
 
Divisão dos poderes: consiste em confiar cada uma das funções governamentais a órgãos
diferentes, que tomam os nomes das respectivas funções; fundamenta-se em dois elementos: a
especialização funcional e a independência orgânica.
 
Independência e harmonia entre os poderes: a independência dos poderes significa que a
investidura e a permanência das pessoas num dos órgãos não dependem da confiança nem da
vontade dos outros, de modo que, no exercício das atribuições que lhe sejam próprias, não
precisam os titulares consultar os outros nem necessitam de sua autorização, e que, na
organização dos respectivos serviços, cada um é livre, observadas apenas as disposições
constitucionais e legais. A harmonia entre os poderes verifica-se pelas normas de cortesia no
trato recíproco e no respeito às prerrogativas e faculdades a que mutuamente todos têm
direito; a divisão de funções entre os órgãos do poder e a sua independência não são absolutas;
há interferências, que visam ao estabelecimento de um sistema de freios e contrapesos, à busca
do equilíbrio necessário à realização do bem da coletividade.
 
O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
 
A democracia, como realização de valores de convivência humana, é conceito mais abrangente do
A democracia, como realização de valores de convivência humana, é conceito mais abrangente do
que o de Estado de Direito, que surgiu como expressão jurídica da democracia liberal. O Estado
Democrático de Direito reúne os princípios do Estado Democrático e do Estado de Direito, não
como simples reunião formal dos respectivos elementos, mas revela um conceito novo que os
supera, na medida em que incorpora um componente revolucionário de transformação do status
quo.
 
A lei no Estado Democrático de Direito: o princípio da legalidade é também um princípio
basilar desse Estado; é da essência do seu conceito subordinar-se à Constituição e fundar-se na
legalidade democrática; sujeita-se ao império da lei, mas da lei que realize o princípio da
igualdade e da justiça, não pela sua generalidade, mas pela busca da equalização das condições
dos socialmente desiguais.
 
REGIME POLÍTICO
 
Conceito de regime político: é um complexo estrutural de princípios e forças políticas que
configuram determinada concepção do Estado e da sociedade, e que inspiramseu ordenamento
jurídico; antes de tudo, pressupõe a existência de um conjunto de instituições e princípios
fundamentais que informam determinada concepção política do Estado e da sociedade, sendo
também um conceito ativo, pois ao fato estrutural há que superpor o elemento funcional, que
implica uma atividade e um fim, supondo dinamismo, sem redução a uma simples atividade de
governo.
 
Regime político brasileiro: segundo a CF/88, funda-se no princípio democrático; o preâmbulo e
o art. 1º o enunciam de maneira insofismável.
 
DEMOCRACIA
 
Conceito de Democracia: é um processo de convivência social em que o poder emana do povo, e
há de ser exercido, direta ou indiretamente, pelo povo e em proveito do povo.
Pressupostos da democracia: a democracia não necessita de pressupostos especiais; basta a
existência de uma sociedade; se seu governo emana do povo, é democracia; se não, não o é; a
Constituição estrutura um regime democrático consubstanciando esses objetivos de equalização
por via dos direitos sociais e da universalização de prestações sociais; a democratização dessas
prestações, ou seja, a estrutura de modos democráticos, constitui fundamento do Estado
Democrático de Direito, instituído no art. 1º.
Exercício do poder democrático
Democracia direta é aquela em que o povo exerce, por si, os poderes governamentais, fazendo
leis, administrando e julgando;
Democracia indireta, chamada representativa, é aquela na qual o povo, fonte primária do poder,
não podendo dirigir os negócios do Estado diretamente, em face da extensão territorial, da
densidade demográfica e da complexidade dos problemas sociais, outorga as funções de governo
aos seus representantes, que elege periodicamente;
Democracia semidireta é, na verdade, democracia representativa, com alguns institutos de
participação direta do povo nas funções de governo, institutos que, entre outros, integram a
democracia participativa.
 
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
 
Conceito de direitos fundamentais: direitos fundamentais do homem constitui a expressão
Conceito de direitos fundamentais: direitos fundamentais do homem constitui a expressão
mais adequada a este estudo, porque, além de referir-se a princípios que resumem a concepção
do mundo e informam a ideologia política de cada ordenamento jurídico, é reservada para
designar, no nível do direito positivo, aquelas prerrogativas e instituições que ele concretiza em
garantia de uma convivência digna, livre e igual de todas as pessoas; no qualitativo
“fundamentais” acha-se a indicação de que se trata de situações jurídicas sem as quais a pessoa
humana não se realiza, não convive e, as vezes, nem mesmo sobrevive; “fundamentais do homem”,
  no sentido de que a todos, por igual, devem ser, não apenas formalmente reconhecidos, mas
concreta e materialmente efetivados; é a limitação imposta pela soberania popular aos poderes
constituídos do Estado que dela dependem.
 
Classificação dos direitos fundamentais: em síntese, com base na CF/88. podemos
classificar os direitos fundamentais em 5 grupos:
1 - direitos individuais (art. 5º); 2 - direitos coletivos (art. 5º); 3 - direitos sociais (arts. 6º e
193 e ss.); 4 - direitos à nacionalidade (art. 12); 5 - direitos políticos (arts. 14 a 17).
 
 DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS
 
Conceito de direito individual: são os direitos fundamentais do homem-indivíduo, que são
aqueles que reconhecem a autonomia aos particulares, garantindo a iniciativa e independência
aos indivíduos diante dos demais membros da sociedade política e do próprio Estado.
 
Destinatários dos direitos e garantias individuais: são os brasileiros e os estrangeiros
residentes no País (art. 5º); quanto aos estrangeiros não residentes, é difícil delinear sua
posição, pois o artigo só menciona “brasileiros e estrangeiros residentes”.
 
 Direitos coletivos: a rubrica do Capítulo I, do Título II anuncia uma especial categoria dos
direitos fundamentais: os coletivos, mas nada mais diz a seu respeito; onde estão, nos incisos do
art. 5º, esses direitos coletivos?; muitos desses ditos interesses coletivos sobrevivem no texto
constitucional, caracterizados, na maior parte, como direitos sociais (arts, 8º e 37, VI; 9º e 37,
VII; 10; 11; 225) ou caracterizados como instituto de democracia direta nos arts. 14, I, II e
III, 27, § 4º, 29, XIII, e 61, § 2º, ou ainda, como instituto de fiscalização financeira, no art. 31,
§ 3º; apenas as liberdades de reunião e de associação, o direito de entidades associativas de
representar seus filiados e os direitos de receber informação de interesse coletivo e de petição
restaram subordinados à rubrica dos direitos coletivos.
 
Deveres individuais e coletivos: os deveres que decorrem dos incisos do art. 5º, têm como
destinatários mais o Poder Público e seus agentes, em qualquer nível, do que os indivíduos em
particular; a inviolabilidade dos direitos assegurados impõe deveres a todos, mas especialmente
às autoridades e detentores de poder; Ex: incisos XLIX, LXII, LXIII, LXIV, e etc.. do art. 5º.
 
DIREITOS SOCIAIS
 
 Ordem social e direitos sociais: a CF/88 traz um capítulo próprio dos direitos sociais e, bem
distanciado deste, um titulo especial sobre a ordem social, não ocorrendo uma separação radical,
como se os direitos sociais não fossem algo ínsito na ordem social; o art. 6º diz que são direitos
sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social ......, na forma
desta Constituição; esta forma é dada precisamente no título da ordem social, onde trata dos
mecanismos e aspectos organizacionais desses direitos.
Direitos sociais e direitos econômicos: a Constituição inclui o direito dos trabalhadores como
espécie de direitos sociais, e o trabalho como primado básico da ordem social (arts. 7º e 193); o
direito econômico tem uma dimensão institucional, enquanto os sociais constituem forma de
tutela pessoal; o direito econômico é a disciplina jurídica de atividades desenvolvidas nos
mercados, visando a organizá-los sob a inspiração dominante do interesse social; os sociais
disciplinam situações objetivas, pessoais ou grupais de caráter concreto.
Conceito de direitos sociais: são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou
indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de
vida aos mais fracos, direitos que tendem a realizar a equalização de situações sociais desiguais.
Classificação dos direitos sociais: à vista do Direito positivo, e com base nos arts. 6º a 11, são
agrupados em 5 classes:
a)     direitos sociais relativos ao trabalhador;
b)         relativos à seguridade, compreendendo os direitos à saúde, à previdência e assistência
social;
c)     relativos à educação e cultura;
d)     relativos à família, criança, adolescente e idoso;
e)     relativos ao meio ambiente.
 
DIREITO DE NACIONALIDADE
Conceito de Nacionalidade: segundo Pontes de Miranda, nacionalidade é o vínculo jurídico-
político de Direito Público interno, que faz da pessoa um dos elementos componentes da
dimensão pessoal do Estado; no Direito Constitucional vigente, os termos nacionalidade e
cidadania, ou nacional e cidadão, têm sentido distinto; nacional é o brasileiro nato ou
naturalizado; cidadão qualifica o nacional no gozo dos direitos políticos e os participantes da
vida do Estado.
 Fonte constitucional do direito de nacionalidade: estão previstos no art. 12 da Constituição;
só esse dispositivo diz quais são os brasileiros, distinguindo-se em dois grupos, com
conseqüências jurídicas relevantes: os brasileiros natos (art. 12, I), e os brasileiros
naturalizados (art. 12, II).
Os brasileiros natos: o art. 12, I, dá os critérios e pressupostos para que alguém seja
considerado brasileiro nato, revelando quatro situações definidoras de nacionalidade primária no
Brasil.  São elas:
1)            os nascidos no Brasil, quer sejam filhos de pais brasileiros ou de pais
estrangeiros,a não ser que estejam em serviço oficial;
2)          os nascidos no exterior, de pai ou mãe brasileiros, desde que qualquer deles
esteja a serviço do Brasil;
3)     os nascidos no exterior, de pai ou mãe brasileiros, desde que venham a residir no
Brasil antes da maioridade e optem, em qualquer tempo, pela nacionalidade
brasileira;
4)     os nascidos no exterior, registrados em repartição brasileira competente.
Os brasileiros naturalizados: o art. 12, II, prevê o processo de naturalização, só reconhecendo
a naturalização expressa, aquela que depende de requerimento do naturalizando, e compreende
2 classes:
a)         ordinária: é a concedida ao estrangeiro residente no país, que preencha os requisitos
previstos na lei de naturalização, exigidas aos originários de países de língua portuguesa
apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral (art. 12, I, a);
b)         extraordinária: é reconhecida aos estrangeiros, residente no Brasil há mais de 15 anos
ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira.
 
DIREITO DE CIDADANIA - DIREITOS POLÍTICOS
 
Conceito e abrangência: Os direitos políticos consistem na disciplina dos meios necessários ao
exercício da soberania popular; a Constituição emprega a expressão direitos políticos, em seu
sentido estrito, como o conjunto de regras que regula os problemas eleitorais.
Modalidades de direitos políticos: o núcleo fundamental dos direitos políticos consubstancia-se
no direito de votar e ser votado, possibilitando-se falar em direitos políticos ativos e passivos,
sem que isso constitua divisão deles, porque são apenas modalidades de seu exercício ligadas à
capacidade eleitoral ativa, consubstanciada nas condições do direito de votar (ativo), e à
capacidade eleitoral passiva, que assenta na elegibilidade, atributo de quem preenche as
condições do direito de ser votado (passivo).
Aquisição de cidadania: os direitos de cidadania adquirem-se mediante alistamento eleitoral na
forma da lei; a qualidade de eleitor decorre do alistamento, que é obrigatório para os maiores de
18 anos e facultativo para os analfabetos, os maiores de 70 anos e maiores de 16 e menores de
18 (art. 14, § 1º, I e II); pode-se dizer, então, que a cidadania se adquire com a obtenção da
qualidade de eleitor, que documentalmente se manifesta na posse do título de eleitor válido.
 
 GARANTIAS CONSTITUCIONAIS  - DIREITOS E SUAS GARANTIAS
 
Garantia dos direitos: os direitos são bens e vantagens conferidos pela norma jurídica,
enquanto as garantias são meios destinados a fazer valer esses direitos, são instrumentos pelos
quais se asseguram o exercício e gozo daqueles bens e vantagens.
Garantias constitucionais dos direitos: se caracterizam como imposições, positivas ou
negativas, especialmente aos órgãos do Poder Público, limitativas de sua conduta, para assegurar
a observância do direito violado.
 
GARANTIAS CONSTITUCIONAIS INDIVIDUAIS
 
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
 
Conceito e fundamento constitucional: o princípio da legalidade sujeita-se ao império da lei,
mas da lei que realize o princípio da igualdade e da justiça não pela sua generalidade, mas pela
busca da equalização das condições dos socialmente desiguais; está consagrado no inciso II, do
art. 5º, segundo o qual ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em
virtude de lei.
 
PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO JUDICIÁRIA
 
Fundamento: fundamenta-se no princípio da separação dos poderes, reconhecido pela doutrina
como uma das garantias constitucionais; junta-se aí uma constelação de garantias. (art. 5º,
XXXV, LIV e LV)
 
ESTABILIDADE DOS DIREITOS SUBJETIVOS
 
 Segurança das relações jurídicas: a segurança jurídica consiste no conjunto de condições que
tornam possível às pessoas o conhecimento antecipado e reflexivo das conseqüências diretas de
seus atos e de seus fatos à luz da liberdade reconhecida; se vem lei nova, revogando aquela sob
cujo império se formara o direito subjetivo, prevalece o império da lei velha, conforme
consagrado na Constituição, no art. 5º , XXXVI: a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato
jurídico perfeito e a coisa julgada.
jurídico perfeito e a coisa julgada.
 Direito adquirido: a LICC declara que se consideram adquiridos os direitos que o seu titular,
ou alguém por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo prefixo,
ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem (art. 6º, § 2º); se o direito
subjetivo não foi exercido, vindo a lei nova, transforma-se em direito adquirido, porque era
direito exercitável e exigível à vontade de seu titular.
Ato jurídico perfeito: nos termos do art. 153, § 3º (art. 5º, XXXVI) é aquele que sob regime
da lei antiga se tornou apto para produzir os seus efeitos pela verificação de todos os requisitos
indispensáveis; é perfeito ainda que possa estar sujeito a termo ou condição; é aquela situação
consumada ou direito consumado, direito definitivamente exercido.
Coisa julgada: a garantia, refere-se à coisa julgada material, prevalecendo hoje o conceito do
CPC: denomina-se coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença,
não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário (art. 467); a lei não pode desfazer a coisa
julgada, mas pode prever licitamente, como o fez o art. 485 do CPC, sua rescindibilidade por
meio de ação rescisória.
 
DIREITO À SEGURANÇA
 
Segurança do Domicílio: o art. 5º, XI, consagra o direito do indivíduo ao aconchego do lar com
sua família ou só, quando define a casa como o asilo inviolável do indivíduo; também o direito
fundamental da privacidade, da intimidade; a proteção dirige-se basicamente contra as
autoridades, visa impedir que estas invadam o lar.
Segurança das comunicações pessoais: visa assegurar o sigilo de correspondência e das
comunicações telegráficas e telefônicas (art. 5º, XII), que são meio de comunicação
interindividual, formas de manifestação do pensamento de pessoa a pessoa, que entram no
conceito mais amplo de liberdade de pensamento em geral (IV).
Segurança em matéria penal: visam tutelar a liberdade pessoal.
Segurança em matéria tributária: realiza-se nas garantias consubstanciadas no art. 150:
a)     nenhum tributo será exigido nem aumentado senão em virtude de lei; princípio da
legalidade tributária;
b)     de que não se instituirá tratamento desigual entre contribuintes;
c)     de que nenhum tributo será cobrado em relação a fatos geradores ocorridos antes
do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado, nem no mesmo
exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou;
d)     de que não haverá tributo com efeito confiscatório.
 
REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS
 
Direito de petição: define-se como direito que pertence a uma pessoa de invocar a atenção dos
poderes públicos sobre uma questão ou situação, seja para denunciar uma lesão concreta, e pedir
reorientação da situação, seja para solicitar uma modificação do direito em vigor do sentido
mais favorável à liberdade (art. 5º, XXXIV).
Direito a certidões: está assegurado a todos, no art. 5º, XXXIV, independentemente do
pagamento de taxas, a obtenção de certidões em repartições públicas para defesa de direito e
esclarecimentos de situações de interesse pessoal.
Habeas corpus: é um remédio destinado a tutelar o direito de liberdade de locomoção,
liberdade de ir e vir, parar e ficar; tem natureza de ação constitucional penal. (art. 5º, LXVIII)
Mandado de segurança individual: visa amparar direito pessoal líquido e certo; só o próprio
titular desse direito tem legitimidade para impetrá-lo, que é oponível contra qualquer autoridade
pública ou contra agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições públicas, com o objetivo
pública ou contra agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições públicas, com o objetivo
de corrigir ato ou omissão ilegal decorrente doabuso de poder. (art. 5º, LXIX)
Mandado de injunção: constitui um remédio ou ação constitucional posto à disposição de quem
se considere titular de qualquer daqueles direitos, liberdades ou prerrogativas inviáveis por
falta de norma regulamentadora exigida ou suposta pela Constituição; sua finalidade consiste em
conferir imediata aplicabilidade à norma constitucional portadora daqueles direitos e
prerrogativas, inerte em virtude de ausência de regulamentação (art. 5º, LXXI).
Habeas data: remédio que tem por objeto proteger a esfera íntima dos indivíduos contra usos
abusivos de registros de dados pessoais coletados por meios fraudulentos, desleais e ilícitos,
introdução nesses registros de dados sensíveis (origem racial, opinião política. etc) e
conservação de dados falsos ou com fins diversos dos autorizados em lei (art. 5º, LXXII).
 
GARANTIA DOS DIREITOS COLETIVOS, SOCIAIS E POLÍTICOS
 
Mandado de segurança coletivo: instituído no art. 5º, LXX, que pode ser impetrado por partido
político ou organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída, em
defesa dos interesses de seus membros ou associados; o requisito do direito líquido e certo será
sempre exigido quando a entidade impetra o mandado de segurança coletivo na defesa de direito
subjetivo individual; quando o sindicato usá-lo na defesa do interesse coletivo de seus membros
e quando os partidos o impetrarem na defesa do interesse coletivo difuso exigem-se ao menos a
ilegalidade e a lesão do interesse que o fundamenta.
Mandado de injunção coletivo: pode também ser um remédio coletivo, já que pode ser
impetrado por sindicato (art. 8º, III) no interesse de Direito Constitucional de categorias de
trabalhadores quando a falta de norma regulamentadora desses direitos inviabilize seu
exercício.
Ação popular: consta no art. 5º, LXXIII; trata-se de um remédio constitucional pelo qual
qualquer cidadão fica investido de legitimidade para o exercício de um poder de natureza
essencialmente política, e constitui manifestação direta da soberania popular consubstanciada
no art.1º, da CF; podemos definir ação popular como instituto processual civil, outorgado a
qualquer cidadão como garantia político-constitucional, para a defesa do interesse da
coletividade, mediante a provocação do controle jurisdicional corretivo de atos lesivos do
patrimônio público, da moralidade administrativa, do meio ambiente e do patrimônio histórico e
cultural.
 
GARANTIA DOS DIREITOS SOCIAIS
 
 Sindicalização e direito de greve: são os dois instrumentos mais eficazes para a efetividade
dos direitos sociais dos trabalhadores (arts. 8º e 9º).
Decisões judiciais normativas: a importância dos sindicatos se revela na possibilidade de
celebrarem convenções coletivas de trabalho e, conseqüentemente, na legitimação que têm para
suscitar dissídio coletivo de trabalho. (114, § 2º)
Garantia de outros direitos sociais: fontes de recursos para a seguridade social, com aplicação
obrigatória nas ações e serviços de saúde e às prestações previdenciárias e assistenciais (194 e
195); a reserva de recursos orçamentários para a educação (212); aos direitos culturais (215);
ao meio ambiente (225).
 
DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E DOS PODERES
 
I - DA ESTRUTURA BÁSICA DA FEDERAÇÃO
 
Componentes do Estado Federal: a organização político-administrativa compreende, como se vê
no art. 18, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.
Brasília: é a capital federal; assume uma posição jurídica específica no conceito brasileiro de
cidade; é o pólo irradiante, de onde partem, aos governados, as decisões mais graves, e onde
acontecem os fatos decisivos para os destinos do País. A posição dos territórios: não são mais
considerados componentes da federação; a CF lhes dá posição correta, de acordo com sua
natureza de mera-autarquia, simples descentralização administrativo-territorial da União,
quando os declara integrantes desta (art. 18, § 2º).
Formação dos Estados: não há como formar novos Estados, senão por divisão de outro ou
outros; a Constituição prevê a possibilidade de transformação deles por incorporação entre si,
por subdivisão ou desmembramento quer para se anexarem a outros, quer para formarem novos
Estados, quer, ainda, para formarem Territórios Federais, mediante aprovação da população
diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar,
ouvidas as respectivas Assembléias Legislativas (art. 18, § 3º, combinado com o art. 48, VI).
Os Municípios na Federação: a intervenção neles é da competência dos Estados, o que mostra
serem vinculados a estes, tanto que sua criação, incorporação, fusão e desmembramento, far-se-
ão por lei estadual, dentro do período determinado por lei complementar federal (EC-15/96), e
dependerão de plebiscito.
Vedações constitucionais de natureza federativa: o art. 19 contém vedações gerais dirigidas à
União, Estados, Distrito Federal e Municípios; visam o equilíbrio federativo; a vedação de criar
distinções entre brasileiros coliga-se com o princípio da igualdade; a paridade federativa
encontra apoio na vedação de criar preferência entre os Estados.
 
II - DO GOVERNO DA UNIÃO
 
DA UNIÃO COMO ENTIDADE FEDERATIVA
 
  Conceito de União: é a entidade federal formada pela reunião das partes componentes,
constituindo pessoa jurídica de Direito Público interno, autônoma em relação às unidades
federadas e a cabe exercer as prerrogativas da soberania do Estado brasileiro.
União e pessoa jurídica de Direito Internacional: o Estado federal é que é a pessoa jurídica
de Direito Internacional; quando se diz que a União é pessoa jurídica de Direito Internacional,
refere-se a 2 coisas: as relações internacionais do Estado realizam-se por intermédio de órgãos
da União, integram a competência deste (art. 21, I a IV), e os Estados federados não tem
representação nem competência em matéria internacional.
União como pessoa jurídica de direito interno: nessa qualidade, é titular de direitos e sujeitos
de obrigações; está sujeita à responsabilidade pelos atos que pratica, podendo ser submetida
aos Tribunais; como tal, tem domicílio na Capital Federal (18, § 1º); para fins processuais,
conforme o caso (109, §§ 1º a 4º).
 
ORGANIZAÇÃO DOS PODERES DA UNIÃO
 
Poderes da União: são, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário. (art. 2º).
Sistema de governo: são técnicas que regem as relações entre o Legislativo e o Executivo no
exercício das funções governamentais; são três os sistemas básicos, o presidencial, o
parlamentar e o sistema colegiado.
Presidencialismo; o Presidente exerce o Poder Executivo, acumula as funções de Chefe de
Estado, Chefe de Governo e Chefe da Administração; cumpre um mandato por tempo fixo; o
Estado, Chefe de Governo e Chefe da Administração; cumpre um mandato por tempo fixo; o
órgão do Poder Legislativo não é Parlamento; eventual plano de governo, mesmo quando aprovado
por lei, depende exclusivamente da coordenação do Presidente, que o executará ou não, bem ou
mal, sem dar satisfação jurídica a outro poder. Parlamentarismo, é típico das monarquias
constitucionais; o Executivo se divide em duas partes: um Chefe de Estado e um Primeiro
Ministro.
 
DO PODER LEGISLATIVO
 
 O Congresso Nacional: a função legislativa de competência da União é exercida pelo Congresso
Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, integrados
respectivamente por deputados e senadores; no bicameralismo brasileiro, não há predominância
substancial de uma câmara sobre outra.
A Câmara dos Deputados: compõe-se de representantes do povo, eleitos em cada Estado e no
Distrito Federal pelo sistema proporcional; a CF não fixa o número total de Deputados Federais,
deixando isso e a representação por Estados para serem estabelecidos por lei complementar;
fazendo-o proporcionalmente à população.
O Senado Federal: compõe-se de representantes dos Estados e do DistritoFederal, elegendo,
cada um, 3 Senadores (com 2 suplentes cada), pelo princípio majoritário, para um mandato de 8
anos, renovando-se a representação de 4 em 4 anos, alternadamente, por um e dois terços (art.
46).
 
PROCEDIMENTO LEGISLATIVO
Conceito e objeto: entende-se o conjunto de atos (iniciativa, emenda, votação, sanção, veto)
realizados pelos órgãos legislativos visando a formação das leis constitucionais, complementares
e ordinárias, resoluções e decretos legislativos; tem por objeto (art. 59) a elaboração de
emendas à Constituição, leis complementares, ordinárias, delegadas, medidas provisórias,
decretos legislativos e resoluções.
 
Atos do processo legislativo:
a)          iniciativa legislativa: é a faculdade que se atribui a alguém ou a algum órgão para
apresentar projetos de lei ao Legislativo;
b)          emendas: constituem proposições apresentadas como acessória a outra; sugerem
modificações nos interesses relativos à matéria contida em projetos de lei;
c)     votação: constitui ato coletivo das casas do Congresso; é o ato de decisão (65 e 66) que
se toma por maioria de votos, simples ou absoluta, conforme o caso;
d)         sanção e veto: são atos legislativos de competência exclusiva do Presidente; somente
recaem sobre projeto de lei; sanção é a adesão; veto é a discordância com o projeto
aprovado.
 
DO PODER EXECUTIVO
Eleição e mandato do Presidente da República: é eleito, simultaneamente com o Vice-
presidente, dentre brasileiros natos que preencham as condições de elegibilidade previstas no
art. 14, § 3º; a eleição realizar-se-á, em primeiro turno, no primeiro domingo de outubro e, em
segundo turno, se houver, no último domingo de outubro, do ano anterior ao do término do
mandato presidencial vigente; o mandato é de 4 anos (art. 82), do qual tomará posse, no dia
01/01 do ano seguinte ao de sua eleição, perante o CN, em sessão conjunta, prestando o
compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem
geral do povo, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil.
 
 Substitutos e sucessores do Presidente: ao vice cabe substituir o Presidente, nos casos de
impedimento, e suceder-lhe no caso de vaga, e, além de outras atribuições que lhe forem
conferidas por lei complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele for convocado para
missões especiais (79, par.único); o outros substitutos são: o Presidente de Câmara, o
Presidente do Senado e o Presidente do STF, que serão sucessivamente chamados ao exercício
da Presidência, se ocorrer o impedimento concomitante do Presidente e do Vice ou no caso de
vacância de ambos os cargos.
 
DO PODER JUDICIÁRIO
A função jurisdicional: os órgãos do Judiciário têm por função compor conflitos de interesse
em cada caso concreto. Isso é a função jurisdicional, que se realiza por meio de um processo
judicial, dito, por isso mesmo, sistema de composição de conflitos de interesses ou sistema de
composição de lides.
Jurisdição e legislação: não é difícil distinguir a jurisdição e a legislação. Esta edita normas de
caráter geral e abstrato e a jurisdição se destina a aplicá-las, na solução das lides.
Jurisdição e administração: jurisdição é aquilo que o legislador constituinte incluiu na 
competência dos órgãos judiciários; e administração o que conferiu aos órgãos do Executivo,
que, em verdade, não se limita à execução da lei; nesse caso, ato jurisdicional é o que emana dos
órgãos jurisdicionais no exercício de sua competência constitucional respeitante à solução de
conflitos de interesses.
Órgãos da função jurisdicional: STF, STJ , Tribunais Federais de Juízes Federais, Tribunais
de Juízes do Trabalho, Tribunais de Juízes Eleitorais, Tribunais de Juízes Militares, Tribunais
de Juízes dos Estados e do Distrito Federal.
 
 
DAS FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA
 
 Funcionamento da Justiça - Nemo iudex sine actore: significa que não há juiz sem autor;
revela que a justiça não funcionará se não for provocada; a inércia é para o juiz, garantia de
equilíbrio, isto é, imparcialidade; isso justifica as funções essenciais à justiça,
institucionalizadas nos arts. 127 a 135.
 
ADVOGADO
 O advogado e a administração da justiça: a advocacia não é apenas um pressuposto da
formação do Judiciário, é também necessária ao seu funcionamento; é indispensável à
administração da justiça (133).
 
MINISTÉRIO PÚBLICO
Natureza e princípios institucionais: a Constituição lhe dá o relevo de instituição permanente,
essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime
democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis; as normas constitucionais lhe
afirmam os princípios institucionais da unidade, da indivisibilidade e da independência funcional
e lhe asseguram autonomia administrativa (169).
 
ADVOCACIA PÚBLICA
 
Advocacia Geral da União: é prevista no art. 131, que diretamente ou através de órgãos
vinculados, representa a União judicial e extrajudicialmente; tem por chefe o Advogado-Geral
da União, de livre nomeação do Presidente dentre cidadãos maiores de 35, de notável saber
jurídico e reputação ilibada; serão organizados em carreira, em cuja classe inicial ingressarão
por concurso.
 Representação das unidades federadas: competem aos seus Procuradores, organizados em
carreira, em que ingressarão por concurso; com isso se institucionalizam os serviços jurídicos
estaduais.
Defensorias Públicas e a defesa dos necessitados: a CF prevê em seu art. 134, a Defensoria
Pública como instituição essencial à função jurisdicional, incumbida da orientação jurídica e
defesa, em todos os graus, dos necessitados, na forma do art. 5º, LXXIV; lei complementar a
organizará, conforme disposto nos art. 21, XIII, e 22, XVII.
 
III - DOS ESTADOS, DOS MUNICÍPIOS E DO DISTRITO FEDERAL
 
DOS ESTADOS FEDERADOS
 
 Autonomia dos Estados: a CF a assegura, consubstanciando-se na sua capacidade de auto-
organização, de auto-legislação, de auto-governo e de auto-administração (arts. 18, 25 e 28).
Auto-organização e Poder Constituinte Estadual: a auto organização se concretiza na
capacidade de dar-se a própria Constituição (25); a CF assegurou aos Estados a capacidade de
auto-organizar-se por Constituição própria, observados os princípios dela; a CF é poder supremo,
soberano; o Poder Constituinte Estadual é apenas autônomo.
 
ORGANIZAÇÃO DOS GOVERNOS ESTADUAIS
 
 Poder Legislativo estadual: Assembléia Legislativa é o seu órgão, é unicameral; compõe-se de
Deputados, eleitos diretamente pelo sistema proporcional, para um mandato de quatro anos;
sobre o seu funcionamento, reúne-se na Capital, em sessão legislativa ordinária, independente de
convocação, na data fixada pela CE.
Poder Executivo estadual: é exercido por um Governador, eleito para um mandato de quatro
anos; a posse se dá perante a Assembléia; as atribuições do Governador serão definidas na CE;
os impedimentos decorrem da natureza de suas atribuições, assim como ocorre com o
Presidente, independentemente de previsão especificada na CE; o processo e o julgamento dos
crimes de responsabilidade serão estabelecidos na respectiva Constituição, seguindo o modelo
federal.
Poder Judiciário estadual: o constituinte estadual é livre para estruturar sua Justiça, desde
que preveja o Tribunal de Justiça, como órgão de cúpula da organização judiciária; a divisão
judiciária compreende a criação, a alteração e a extinção das seções, circunscrições, comarcas,
termos e distritos judiciários, bem como sua classificação; a competência dos Tribunais e Juízes
é matéria da Constituição e leis de organização judiciária do Estado; a CF indica algumas
competências do TJ (96 e 99).
 
CONTEÚDO DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL
Elementos limitativos: referem-se aos direitos fundamentais do homem; a CE não tem que
tratar dos direitos fundamentais que constam no Título II da CF; a CE pode ampliar os limites à
atuação das autoridades; os princípiosda legalidade e da moralidade administrativa podem ser
reforçados.
Elementos orgânicos: terá que aceitar a forma republicana e representativa de Governo, o
sistema eleitoral majoritário em 2 turnos para Governador, etc, sequer pertine a ela cuidar
desses assuntos, definidos em definitivo pela CF; terá maior autonomia na organização do
Judiciário, estabelecendo os órgãos que melhor atendam os interesses da Justiça local,
Judiciário, estabelecendo os órgãos que melhor atendam os interesses da Justiça local,
observados os princípios constitucionais (125).
Elementos sócio-ideológicos: são regras de ordem econômica e social.
 
DOS MUNICÍPIOS
Fundamentos constitucionais: são considerados componentes da estrutura federativa (arts. 1º
e 18).
Base constitucional da autonomia municipal: a autonomia municipal é assegurada pelos arts. 18
e 29, e garantida contra os Estados no art. 34, VII, c.; autonomia significa capacidade de poder
gerir os próprios negócios, dentro de um círculo prefixado por entidade superior; a autonomia
municipal se assenta em quatro capacidades: de auto-organização, de autogoverno, normativa
própria e de auto-administração.
Capacidade de auto-organização: consiste na possibilidade da elaboração da lei orgânica
própria (29).
 
GOVERNO MUNICIPAL
Poderes municipais: é constituído só de Poder Executivo, exercido pelo Prefeito, e de Poder
Legislativo, exercido pela Câmara Municipal.
Poder Executivo municipal: é exercido pelo Prefeito, cabendo a lei orgânica discriminar suas
funções.
Poder Legislativo municipal: a Câmara municipal deverá também ter suas atribuições
discriminadas pela lei orgânica, as quais se desdobram em 4 grupos: função legislativa,
meramente deliberativa, fiscalizadora e julgadora.
Subsídios de Prefeitos, Vice e Vereadores: será fixado por lei de iniciativa da Câmara,
sujeita aos impostos gerais, nos termos do art. 39, § 4º (EC-19/98).
 
DO DISTRITO FEDERAL
Natureza: tem como função primeira servir de sede do governo federal; goza de autonomia
político-constitucional; podemos concebê-lo como uma unidade federada com autonomia
parcialmente tutelada.
Autonomia: está reconhecida no art. 32, que declara que o DF se regerá por lei orgânica
própria; compreende, em princípio, as capacidades de auto-organização, auto-governo, auto-
legislação e auto-administração sobre áreas de competência exclusiva.
Auto-organização: essa capacidade efetiva-se com a elaboração de sua lei orgânica, que
definirá os princípios básicos de sua organização, suas competências e a organização de seus
poderes governamentais.
Competências: são atribuídas as competências tributárias e legislativas que são reservadas aos
Estados e Municípios (32 e 147); observe-se que nem tudo que cabe aos Estados foi
efetivamente atribuído à competência do DF, como legislar sobre a organização judiciária (22,
XVII).
 
GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL
Poder Legislativo: a Câmara Legislativa compõe-se de Deputados Distritais, eleitos pelo sistema
proporcional, aplicando-se-lhes as regras da CF, referidas aos congressistas (53, 54 e 55) sobre
inviolabilidade, imunidades, renumeração, perda do mandato, licença, impedimentos e
incorporação às Forças Armadas (32, § 3º, c/c o 27).
Poder Executivo: é exercido pelo  Governador, que será eleito para um mandato de quatro anos,
na mesma época das eleições estaduais.
 
IV - DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
ESTRUTURAS BÁSICAS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
Noção de Administração: Administração Pública é o conjunto de meios institucionais, materiais,
financeiros e humanos preordenados à execução das decisões políticas.
Organização da Administração: é complexa, porque a função administrativa é
institucionalmente imputada a diversas entidades governamentais autônomas, expressas no art.
37.
Administração direta, indireta e fundacional: direta é a administração centralizada, definida
como conjunto de órgãos administrativos subordinados diretamente ao Poder Executivo de cada
entidade.; indireta é a descentralizada, que são órgão integrados nas muitas entidades
personalizadas de prestação de serviços ou exploração de atividades econômicas, vinculadas a
cada um dos Executivos daquelas entidades; fundacional são as fundações instituídas pelo Poder
Público, através de lei.
 
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
 
 Colocação do tema: A Administração é informada por diversos princípios gerais, destinados,
de um lado, a orientar a ação do administrador na prática dos atos administrativos e, de outro
lado, garantir a boa administração, que se consubstancia na correta gestão dos negócios e no
manejo dos recursos públicos no interesse coletivo.
Princípio da finalidade: o ato administrativo só é válido quando atende seu fim legal, ou seja,
submetido à lei; impõe que o administrador público só pratique o ato para o seu fim legal; a
finalidade é inafastável do interesse público.
Princípio da impessoalidade: significa que os atos e provimentos administrativos são imputáveis
não ao funcionário que os pratica mas ao órgão ou entidade administrativa em nome do qual age o
funcionário.
Princípio da moralidade: a moralidade é definida como um dos princípios da Administração
Pública (37); consiste no conjunto de regras de conduta tiradas da disciplina interior da
Administração.
Princípio da probidade administrativa: consiste no dever de o funcionário servir a
Administração com honestidade, procedendo no exercício da suas funções, sem aproveitar os
poderes ou facilidades delas decorrentes em proveito pessoal ou de outrem a quem queira
favorecer.
Princípio da publicidade: o Poder Público, por ser público, deve agir com a maior transparência
possível, a fim de que os administrados tenham, a toda hora, conhecimento de que os
administradores estão fazendo.
Princípio da eficiência: introduzido no art. 37 pela EC-19/98, orienta a atividade administrativa
no sentido de conseguir os melhores resultados com os meios escassos de que se dispõe e a
menor custo; rege-se pela regra da consecução do maior benefício com o menor custo possível.
Princípio da licitação pública: significa que essas contratações ficam sujeitas ao procedimento
de seleção de propostas mais vantajosas para a Administração; constitui um princípio
instrumental de realização dos princípios da moralidade administrativa e do tratamento
isonômico dos eventuais contratantes com o Poder Público.
Princípio da prescritibilidade dos ilícitos administrativos: nem tudo prescreverá; apenas a
apuração e punição do ilícito, não, porém, o direito da Administração ao seu ressarcimento, à
indenização, do prejuízo causado ao erário (37, § 5º).
Princípio da responsabilidade civil da Administração: significa a obrigação de reparar os danos
ou prejuízos de natureza patrimonial que uma pessoa causa a outrem; o dever de indenizar
ou prejuízos de natureza patrimonial que uma pessoa causa a outrem; o dever de indenizar
prejuízos causados a terceiros por agente público, compete a pessoa jurídica a que pertencer o
agente, sem necessidade de comprovar se houve culpa ou dolo (art. 37, § 6º).
 
DOS SERVIDORES PÚBLICOS
Agentes públicos e administrativos: o elemento subjetivo do órgão público (titular) denomina-
se genericamente agente público, que, dada a diferença de natureza das competências e
atribuições a ele cometidas, se distingue em: agentes políticos e agentes administrativos, que
são os titulares de cargo, emprego ou função pública, compreendendo todos aqueles que mantêm
com o Poder Público relação de trabalho, não eventual.
Acessibilidade à função administrativa: a CF estatui que os cargos, empregos e funções são
acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos
estrangeiros, na forma da lei (art. 37, I, cf. EC-19/98).
Investidura em cargo ou emprego: a exigência de aprovação prévia em concurso público implica
a classificação dos candidatos e nomeação na ordem dessa classificação; não basta, pois, estaraprovado em concurso para ter direito à investidura; necessária também é que esteja
classificado e na posição correspondente às vagas existentes, durante o período de validade do
concurso, que é de 2 anos (37, III); independem de concurso as nomeações para cargo em
comissão (37, II).
Contratação de pessoal temporário: será estabelecido por lei, para atender a necessidade
temporária de excepcional interesse público (art. 37, IX).
 
Aposentadoria, pensão e seus proventos: a aposentadoria dos servidores abrangidos pelo
regime previdenciário de caráter contributivo (art. 40, cf. EC-20/98) se dará: por invalidez
permanente, compulsoriamente aos 70 anos com provento proporcionais ao tempo de
contribuição e voluntariamente; sobre a pensão, é determinado que os benefícios da pensão por
morte será igual ao valor dos proventos do falecido ou ao valor dos proventos a que teria direito
em atividade na data de seu falecimento, observado o disposto no § 3º do art. 40.
Efetividade e estabilidade: o art. 41, cf. a EC-19/98 diz que são estáveis após 3 anos de
efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de
concurso público; cargo de provimento efetivo é aquele que deve ser preenchido de caráter
definitivo; são requisitos para adquirir a estabilidade: a nomeação por concurso e o exercício
efetivo após 3 anos.
Vitaliciedade: é assegurada pela CF a magistrados, membros do Tribunal de Contas e membros
do MP; essa garantia não impede a perda do cargo pelo vitalício em 2 hipóteses: extinção do
cargo, caso em que o titular ficará em disponibilidade com vencimentos integrais; e demissão, o
que só poderá ocorrer em virtude de sentença judicial.
  Sindicalização e greve dos servidores públicos: é expressamente proibida aos militares,
cabível só aos civis; quanto à sindicalização, não há restrições (37, VI); quanto à greve, o texto
constitucional estabelece que o direito de greve dos servidores será exercido nos termos e nos
limites definidos em lei específica, o que, na prática, é quase o mesmo que recusar o direito
prometido.
 
SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL
Componentes: o sistema tributário nacional compõe-se de tributos, que, de acordo com a
Constituição, compreendem, os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria (145); tributo
é gênero.
Empréstimo compulsório: só pode ser instituído pela União, mediante lei complementar no caso
de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional ou para atender a
despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua
despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua
iminência (148).
Contribuições sociais: é competência exclusiva da União instituir contribuições sociais
(seguridade social e previdenciária, 195, I a III, e 201), de intervenção no domínio econômico e
de interesse das categorias profissionais ou econômicas; a doutrina entende que todas essas
contribuições compulsórias têm natureza tributárias, reputadas como tributos parafiscais.
Elementos do sistema tributário nacional: distinguem-se os seguintes elementos, além das
disposições gerais (145 a 149): a) limitações do poder de tributar (150 a 152); b) a discriminação
da competência tributária, por fontes (153 a 156); c) as normas do federalismo cooperativo,
consubstanciadas nas disposições sobre a repartição das receitas tributárias, discriminação pelo
produto (157 a 162).
 
LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR
Princípios constitucionais da tributação e sua classificação: podemos classificá-los em: 
princípios gerais, especiais, específicos e as imunidades tributárias;
Os princípios gerais são expressos (da legalidade, igualdade tributária, da personalização dos
impostos e da capacidade contributiva, da irretroatividade, da proporcionalidade razoável,
liberdade de tráfego) ou decorrentes (da universalidade e da destinação pública dos tributos);
Os princípios especiais, constituem-se das vedações constantes dos arts. 151 e 152; os
específicos referem-se a determinados impostos, e assim se apresentam: da progressividade, da
não cumulatividade do imposto e da seletividade do imposto; as imunidades fiscais, instituídas
por razões de privilégio, ou de considerações de interesse geral, excluem a atuação do poder de
tributar.
 
DA DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS
 
DO ESTADO DE DEFESA E DO ESTADO DE SÍTIO
Defesa do Estado e compromissos democráticos: defesa do Estado é defesa do território
contra invasão estrangeira (34, II, e 137, II), é defesa da soberania nacional (91), é defesa da
Pátria (142), não mais defesa deste ou daquele regime político ou de uma particular ideologia ou
de um grupo detentor do poder.
Defesa das instituições democráticas: o equilíbrio constitucional consiste na existência de uma
distribuição relativamente igual de poder, de tal maneira que nenhum grupo, ou combinação de
grupos, possa dominar sobre os demais; a democracia é o equilíbrio mais estável entre os grupos
de poder.
 
ESTADO DE DEFESA
Defesa do Estado e estado de defesa: o primeiro significa uma ordenação que tem por fim
específico e essencial a regulamentação global das relações sociais entre os membros de uma
dada população sobre um dado território; o segundo, segundo o art. 136, consiste na instauração
de uma legalidade extraordinária, por certo tempo, em locais restritos e determinados,
mediante decreto do Presidente, para preservar a ordem pública ou a paz social ameaçadas por
grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções
na natureza.
Pressupostos e objetivo: tem por objetivo preservar ou restabelecer a ordem pública ou a paz
social ameaçadas por aqueles fatores de crise; os fundamentos para sua instauração acham-se
estabelecidos no art. 136, e são de fundo e de forma.
 
ESTADO DE SÍTIO
Pressupostos, objetivos e conceito: causas do estado de sítio são as situações críticas que
Pressupostos, objetivos e conceito: causas do estado de sítio são as situações críticas que
indicam a necessidade de instauração de correspondente legalidade de exceção para fazer
frente à anormalidade manifestada; sua instauração depende de preenchimento de requisitos
(pressupostos) formais (137 e 138, §§ 2º e 3º); consiste, pois, na instauração de uma legalidade
extraordinária, por determinado tempo e em certa área, objetivando preservar ou restaurar a
normalidade constitucional, perturbada por motivo de comoção grave de repercussão nacional ou
por situação de beligerância com Estado estrangeiro.
 
DAS FORÇAS ARMADAS
Destinação constitucional: se destinam à defesa da Pátria, à garantia dos poderes
constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem (142).
  Instituições nacionais permanentes: as Forças Armadas são instituições nacionais,
permanentes e regulares.
  Hierarquia e disciplina: Hierarquia é o vinculo de subordinação escalonada e graduada de
inferior a superior; disciplina é o poder que têm os superiores hierárquicos de impor condutas e
dar ordens aos inferiores.
Componentes das Forças Armadas: são constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela
Aeronáutica.
 
DA SEGURANÇA PÚBLICA
Polícia e segurança pública: a segurança pública consiste numa situação de preservação ou
restabelecimento dessa convivência social que permite que todos gozem de seus direitos e
exerçam suas atividades sem perturbação de outrem, salvo nos limites de gozo e reivindicação
de seus próprios direitos e defesa de seus legítimos interesses. Polícia, assim, passa a significar
a atividade administrativa tendente a assegurar a ordem, a paz interna, a harmonia e o órgão do
Estado que zela pela segurança dos cidadãos.
Organização da segurança pública: é de competência e responsabilidade de cada unidade da
federação, tendo em vista as peculiaridades regionais e o fortalecimento do princípio
federativo.
Polícias Federais: estão mencionadas 3 no art. 144, I aIII, a polícia federal propriamente dita,
a rodoviária federal e a ferroviária federal; são organizadas e mantidas pela União (21, XIV);
todas elas hão de ser instituídas em lei, como órgãos permanentes estruturados em carreira.
Polícias estaduais: são responsáveis pelo exercício das funções de segurança pública e de
polícia judiciária: a polícia civil, a militar e o corpo de bombeiros militar.
Guardas municipais: a Constituição apenas reconheceu aos Municípios a faculdade de constituí-
las, destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DIREITO ADMINISTRATIVO
 
  “Direito Administrativo é o conjunto harmonioso de princípios que regulam os órgãos, os
agentes e as atividades administrativas, tendentes a realizar concreta, direta e
imediatamente os fins desejados pelo Estado" (Hely Lopes Meireles).
A atividade abstrata do Estado é fazer a lei.
"Estado de direito" é aquele que se submete à norma jurídica.
 
Regime jurídico administrativo:
1.º elemento: sujeição do Estado à lei (princípio da legalidade).
2.º elemento: prerrogativas do Estado (supremacia do interesse público sobre o interesse
particular).
De posse disso, teremos o bem comum.
 
Princípios da Administração Pública (art. 37, CF):
princípio da legalidade: é um princípio que decorre do próprio Estado de Direito. O Estado só
fará algo se houver base legal. Se não há lei, o Estado não faz, visto que esse é o caminho único
e exclusivo que ele deve percorrer.
  princípio da impessoalidade: decorre de um princípio genérico do art. 5.º, CF, (princípio da
igualdade). O Estado deve tratar o administrado de forma imparcial, sem distinção, não podendo
favorecer determinados grupos.
  princípio da moralidade: a Administração Pública, na prática de seus atos, deve observar o
padrão de comportamento médio da sociedade.
 princípio da publicidade: os atos da Administração Pública devem ser transparentes, ou seja, de
conhecimento de todos os administrados.
  princípio da eficiência (Emenda Constitucional n.º 19): é a otimização da receita pública,
objetivando a melhoria do serviço oferecido pelo Estado, buscando o menor custo, oferecendo
um serviço mais perfeito e qualificado.
 
Órgãos Públicos
"São centros de competência instituídos pela Administração Pública para o desempenho das
funções estatais através de seus agentes, que se encontram vinculados à pessoa jurídica de
direito público" (Hely Lopes Meireles).
Os órgãos públicos são centros de competência porque eles são responsáveis por algumas
atividades do Estado, recebendo parte de seu poder.
São abstratos porque trata-se de uma ficção jurídica, criação do homem.
São hierarquizados porque estão dispostos e organizados hierarquicamente.
É necessário um elemento físico para levar o Estado à prática do bem comum e é ele chamado de
"agente".
 
Agente Público
É toda Pessoa Física ou Jurídica que se liga com a administração mediante um vínculo, ou às
vezes sem ele, para o desempenho das atividades típicas do Estado.
 
Deveres do agente: Os agentes públicos possuem os seguintes deveres:
dever de agir: o agente público, quando a lei determinar que se faça algo, deve fazer, pois
omitindo-se, responderá civil, administrativa e criminalmente.
dever de probidade: o agente público, em suas atitudes, deve agir sempre com honestidade.
dever de prestar conta de seus atos: decorre do dever de probidade e transparência.
 
Ato Administrativo
O ato administrativo é toda manifestação de vontade, de juízo, de valor, de conhecimento,
predisposta à produção de efeito jurídico (art. 81, CC), praticada pela Administração Pública ou
por quem lhe representar no exercício de suas atividades.
 
Características do ato administrativo:
requisitos de validade:
competência: o ato administrativo, para ter validade, necessita de agente competente, que nasce
em razão de lei, pois é ela que estabelece qual agente poderá realizar determinado ato. Ex.: a lei
determina que somente o Presidente da República poderá nomear Ministros de Estado.
finalidade: o ato administrativo deve ter uma finalidade normativa.
forma: o ato administrativo deve ser escrito, expresso e só terá validade se assim for.
motivo: o ato administrativo, para ter validade, deve possuir sempre o motivo de atender ao
interesse público, com o fim de atingir o bem comum.
objeto: é o núcleo do ato administrativo. Ex.: no ato de exonerar um Ministro, o objeto é a
dispensa.
A ausência de qualquer um desses requisitos pode viciar o ato.
  
Espécies de ato administrativo:
ato discricionário: é o ato praticado pelo agente, obedecendo-se os critérios de conveniência e
de oportunidade para a sua realização. O agente, neste tipo de ato, pode escolher se age, ou não,
levando em consideração os critérios mencionados.
 
ato vinculado: é o ato praticado pelo agente em virtude de lei. Pelo ato vinculado, o agente
deverá agir de acordo com o que a lei determinar.
 
Processo Administrativo
É uma série de atos ordenados, lógica e cronologicamente, tendentes à satisfação dos fins da
Administração Pública.
O poder hierárquico + o poder disciplinar = processo administrativo.
No processo, há procedimentos a serem seguidos.
 
 Espécies de processo administrativo:
  processo disciplinar: é o processo administrativo que tem por objetivo a apuração e
conseqüentemente a aplicação de uma sanção a um servidor faltoso.
As fases do processo e os procedimentos que podem ser utilizados dependem da regulamentação
do respectivo estatuto (municipal, estadual etc.).
Nesse processo disciplinar pode existir uma comissão processante. Servidores são designados
Nesse processo disciplinar pode existir uma comissão processante. Servidores são designados
para integrá-la. Cada órgão público possui uma.
A comissão será formada por agentes hierarquicamente superiores ao servidor faltoso.
 
processo sumário: nesse processo, como espécie, há a sindicância e a verdade sabida.
Natureza jurídica da sindicância: uma corrente de pensamento aponta a sindicância como um
procedimento de preparação para a instauração do processo, que é uma colheita de provas.
Outra corrente, a aponta como um meio para a punição do servidor.
A verdade sabida é a possibilidade, que o agente hierarquicamente superior possui, de punir seu
subordinado tendo apenas conhecimento do fato que deu causa ao ato. Não deve ter mais
aplicação após a superveniência da Constituição Federal de 1988. É um procedimento que não se
coaduna com o contraditório e a ampla defesa.
No Estado de São Paulo, a verdade sabida ainda pode ser utilizada para repreensão; entretanto,
mesmo nesse caso, não deveria ser utilizada.
 
processo fiscal: é instaurado no órgão encarregado dos negócios da fazenda. É um ato
estritamente vinculado.
 
Licitação
 1. Generalidades:
A licitação é um instituto extremamente formal, de rigor excessivo. É através dele que a
Administração Pública efetuará concessões, permissões, obras, aquisições.
É um ato estritamente vinculado à Lei 8666/93.
 
2. Conceito:
Licitação é o processo, ou procedimento, pelo qual a Administração Pública de qualquer dos
poderes da União vai adquirir obras, serviços, compras, efetuará alienações, concessões e
permissões.
É considerado por uns como processo, por outros como procedimento. Há divergência doutrinária
nesse sentido.
O objeto da licitação são as compras, os serviços, as obras, alienações e permissões da
Administração Pública.
O parágrafo único do art. 1.º da Lei 8666/93 estabelece que são obrigados a lançar mão desse
instituto os órgãos da administração direta, os fundos especiais, as Autarquias, as fundações
públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas
direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
O artigo 1.º da referida lei dispõe que é de competência da União a criação de legislação acerca
dotema, Contudo, podem os Estados e Municípios legislar a respeito, desde que as disposições
sejam compatíveis com a norma geral.
 
3. Dispensa e inexigibilidade do processo de licitação:
Há circunstâncias, que, por sua natureza, inviabilizam a licitação. Nesses casos, há dispensa ou
inexigibilidade da realização desse processo.
O art. 24, Lei 8666/93, dispõe sobre a dispensa.
O art. 25, Lei 8666/93, dispõe sobre a inexigibilidade.
A diferença básica entre as duas hipóteses está no fato de que, na dispensa, há possibilidade de
competição que justifique a licitação; de modo que a lei faculta a dispensa, que fica inserida na
competência discricionária da administração. Nos casos de inexigibilidade, não há possibilidade
de competição, porque só existe um objeto ou uma pessoa que atenda às necessidades da
Administração Pública; a licitação é, portanto, inviável.
Administração Pública; a licitação é, portanto, inviável.
A dispensa pode ocorrer, por exemplo, em casos de extrema urgência, para o atendimento de
situações de calamidade pública, ou grave perturbação da ordem.
A inexigibilidade pode ocorrer, por exemplo, nos casos de contratação de pessoa conhecida do
meio artístico, ou ainda nos casos em que a aquisição de materiais, equipamentos ou gêneros só
possam ser fornecidos por um produtor, dada a exclusividade do produto.
 
Contrato Administrativo
É o ajuste, previsto em lei, que a Administração, nessa qualidade, celebra com Pessoas Físicas ou
Jurídicas, Públicas ou Privadas, vencedoras do processo de licitação, para a consecução de fins
públicos, segundo o regime jurídico de Direito Público.
A Administração Pública poderá instabilizar (desequilibrar) a relação jurídica contratual em
razão do bem comum.
 
Características:
O contrato administrativo se caracteriza pela vontade da Administração Pública em adquirir
algo e o desejo do vencedor da licitação em fornecê-lo.
O objeto do contrato administrativo é o objeto da licitação. A forma é aquela prescrita em lei,
não deixando de ressaltar que ele sempre deverá ser realizado por escrito (art. 60, parágrafo
único, Lei 8666/93).
 
 Serviço Público
Serviço Público – conceito:
A doutrina conceitua o Serviço Público como toda comodidade fruível (desfrutável)
preponderantemente pelo administrado, prevista em lei, e executada pela Administração Pública
ou por quem lhe faça as vezes.
O fornecimento de serviços ao administrado é um dever do Estado.
 
Características:
A lei é o veículo que trata do Serviço Público. Tanto a sua criação quanto a sua extinção é
realizada através de lei.
O Serviço Público é dirigido ao administrado. Todavia, nada impede que o Estado também se
utilize dele.
Quando a Administração Pública possuir a titularidade do Serviço Público e realizar a sua
execução, estamos diante da administração ou execução direta do Serviço Público.
Quando a Administração Pública não possuir a titularidade do Serviço Público, realizando apenas
a sua execução; ou possuir apenas a titularidade, havendo transferência da execução, estamos
diante da administração ou execução indireta do Serviço Público.
 
 Transferência da titularidade e execução do serviço público:
Quando há transferência da titularidade e execução, as entidades que as recebem só podem
possuir personalidade jurídica de Direito Público. Poderão ser criadas em qualquer esfera de
poder (União, Estados, Municípios, Distrito Federal) e dividem-se em:
 
autarquias: é a Pessoa Jurídica de Direito Público, criada por lei, com capacidade de auto-
administração, para o desempenho de serviço público descentralizado, mediante controle
administrativo exercido nos limites da lei.
O seu conceito se encontra no art. 5.º, Decreto-lei 200/67.
A Administração Pública confere a essa entidade as prerrogativas necessárias para a execução
do serviço para o qual foi criada.
do serviço para o qual foi criada.
A Autarquia é criada através de lei e é instituída por Decreto do chefe do Poder Executivo. A
sua extinção também só poderá ser realizada através de lei. Ex.: INSS.
Os servidores públicos, anteriormente, possuíam o mesmo regime jurídico da administração
direta. Entretanto, as Emendas n.º 19 e 20 alteraram-no, conforme pode ser verificado no art.
39, CF.
O ingresso do profissional para trabalhar na Autarquia far-se-á por concurso público (art. 37,
inciso II, CF).
As Autarquias possuem prerrogativas típicas do Estado, como a impenhorabilidade de bens,
imprescritibilidade de bens imóveis (não podem ser usucapidos), a execução dos seus créditos só
pode ser realizada através de lei específica (lei 6830/80), a prescrição de seus débitos difere
da prescrição do direito comum etc.
As Autarquias são remuneradas através dos tributos, mais especificamente das contribuições
sociais (art. 195, CF).
A competência tributária (aptidão para a criação de um tributo) não pertence às Autarquias,
mas à União, Estados, Municípios e Distrito Federal e é indelegável. Já a capacidade tributária
(capacidade para arrecadar, fiscalizar e administrar um tributo) pode ser delegada.
O regime jurídico das Autarquias não é o mesmo da administração direta, pois possui diferenças
em relação a ela, mas é, em geral, o mesmo do Estado (prerrogativas + sujeição).
Para a aquisição de bens, a Autarquia também deve realizar licitação.
fundações públicas: A fundação pública é o patrimônio, total ou parcialmente público, dotado de
personalidade jurídica de Direito Público, e destinado, por lei, ao desempenho de atividades do
Estado na ordem social, com capacidade de auto-administração e mediante controle da
Administração Pública, nos limites da lei.
O seu conceito legal se encontra no art. 5.º, inciso IV, Decreto-lei 200/67. Faz-se uma
observação a esse conceito, pois ele dispõe que as fundações públicas tem apenas personalidade
jurídica de Direito Privado, enquanto que, na verdade, também pode possuir personalidade
jurídica de Direito Público.
Tudo o que se aplica à Autarquia, com relação à prerrogativas, sujeitos, servidores, é aplicado
também à Fundação Pública, exceto no que diz respeito aos tributos, porque assim já decidiu o
STF.
 
Transferência apenas da execução do serviço público:
Quando há transferência apenas da execução, as entidades que as recebem podem ser Pessoa
Física ou possuir personalidade jurídica de Direito Privado, ou de Direito Público, incluindo as
sociedades de economia mista e empresas públicas.
Para a transferência da execução do Serviço Público, é necessária a realização de um processo
licitatório.
Essa transferência se procede através da autorização, concessão e da permissão.
 
autorização do serviço público: consiste no ato administrativo, no qual a Administração Pública
vai transferir a alguém a execução de uma atividade material. Ex.: a exploração de jazidas
minerais compete a União; entretanto, ela é executada por terceiros e não pela Administração
Pública (essa transferência da execução para a exploração da jazida mineral se faz através da
autorização).
 
concessão do serviço público: consiste num contrato administrativo pelo qual a Administração
Pública vai transferir a alguém a execução de um determinado serviço público, para que o
execute em seu próprio nome, por sua conta e risco, assegurando-lhe a remuneração mediante
tarifa paga pelo usuário ou outra forma de remuneração decorrente da exploração do serviço.
tarifa paga pelo usuário ou outra forma de remuneração decorrente da exploração do serviço.
Na concessão, o poder concedente só transfere ao concessionário a execução do serviço,
continuando titular do mesmo, o que lhe permite dele dispor de acordo com o interesse público;
essa titularidade é que lhe permite alterar as cláusulas regulamentares ou rescindir o contrato
por motivo de interesse público.
A concessão deve ser precedida de licitação (art. 175, CF), na sua modalidade concorrência.
A norma que dispõe sobre a concessão é a Lei 8987/95.
Existem duas espécies de concessão:concessão de um serviço público (art. 2.º, inciso II, Lei 8987/95): nesta hipótese, o
concessionário realiza a prestação de uma atividade concedida pelo Poder Público. Ex.: concessão
de transporte coletivo. Este tipo de concessão demanda apenas a execução do serviço público.
concessão de um serviço público precedida da execução de obra pública (art. 2.º, inciso III, Lei
8987/95): nesta hipótese, o concessionário realiza uma obra pública, sua reforma, conservação,
ampliação ou melhoramento e retira, do seu resultado, a sua remuneração, mediante exploração
dos serviços ou utilidades que a obra proporciona. Ex.: concessão de rodovias, telecomunicações
etc. Este tipo de concessão não demanda apenas a execução do serviço público, mas todo um
conjunto de obras que são necessárias para o pleno funcionamento do seu objeto.
 
Sociedades de economia mista e empresas públicas:
São entidades que, apesar de possuírem personalidade jurídica de Direito Privado, detém a
participação do Estado.
 
sociedades de economia mista: são as entidades dotadas de personalidade jurídica de Direito
Privado, criadas por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade
anônima, cujas ações com direito a voto pertencem, em sua maioria, à União ou à entidade de
administração indireta (art. 5.º, inciso III do Decreto-lei 200/67).
São suas características:
criação e extinção: através de lei;
forma: exteriorização apenas sob a forma de sociedade anônima;
capital híbrido: uma parte pertence ao Estado, outra parte ao particular, bastando que a pessoa
política criadora da sociedade de economia mista detenha a maioria das ações ou da maioria do
capital com direito a voto.
empresas públicas: é a entidade dotada de personalidade jurídica de Direito Privado com
patrimônio próprio e capital exclusivo da União ou da pessoa política criadora, instituída por lei
para a exploração da atividade econômica que o governo seja levado a exercer por força de
contingência administrativa, podendo revestir-se de qualquer das formas em direito admitidas
(art. 5.º, inciso II, Decreto-lei 200/67).
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
D I R E I T O    C I V I L
 
É o ramo do Direito Privado que regula as relações jurídicas entre particulares, protegendo
o interesse particular. É o conjunto de princípios e normas concernentes às atividades dos
particulares. É comum a todas as pessoas da sociedade, regendo os mais diversos aspectos
da vida: nome, estado civil, capacidade, bens, família, transmissão de herança, etc.
 
SUJEITO DE DIREITO – É todo aquele que, de acordo com a lei, está em condições de
assumir obrigações e de adquirir direitos. É quem detém o poder de agir. Não apenas a
pessoa humana tem direitos e obrigações. Há outras pessoas, denominadas por lei de
pessoas jurídicas, que são também sujeitos de direitos e obrigações.
 
PESSOA FÍSICA NATURAL - É todo “ser humano”, sujeito de direitos e obrigações.   Para
ser considerado PESSOA NATURAL basta que o homem exista.  Todo homem é dotado de
personalidade, isto é, tem CAPACIDADE para figurar numa relação jurídica, tem aptidão para
adquirir direitos e contrair obrigações.
 
 CAPACIDADE:        é a medida da personalidade.  Pode ser de DIREITO ou de FATO
 
Capacidade de Direito:  é própria de todo ser humano, que a adquire assim que nasce
(começa a respirar) e só a perde quando morre; Em face do ordenamento jurídico
brasileiro a personalidade se adquire com o nascimento com vida, ressalvados os direitos
do nascituro desde a concepção.
 
         Capacidade de Fato:  nem todos a possuem; é a aptidão para exercer, pessoalmente, os
atos da vida civil (capacidade de ação).  Só se adquire a Capacidade de Fato com a
plenitude da consciência e da vontade.
 
         A pessoa tem a CAPACIDADE DE DIREITO, mas pode não ter a CAPACIDADE DE
FATO.
 
Ex.:  os recém nascidos e os loucos têm somente a capacidade de direito, pois esta
capacidade é adquirida assim que a pessoa nasce.  Eles podem, por exemplo exercer o
direito de herdar.  Mas não têm capacidade de fato, ou seja, não podem exercer o direito
de propor qualquer ação em defesa da herança recebida, precisam ser representados 
pelos pais ou curadores.
 
Se a mãe puder exercer o pátrio poder, comprovando a sua gravidez, pode ser investida
judicialmente na posse dos direitos sucessórios que caibam ao nascituro.
 
         Capacidade Plena -  é quando a pessoa tem as duas espécies de capacidade (de direito e
de fato). 
 
         Capacidade Limitada - Quando a pessoa possui somente a capacidade de direito;  ela é
denominada INCAPAZ, e necessita de outra pessoa que a substitua, auxilie e complete a
sua vontade.
 
Começo da Personalidade -          A personalidade começa com o nascimento com vida, o que
se constata com a respiração (docimásia hidrostática de
Galeno).  Antes do nascimento não há personalidade, mas a lei,
todavia, lhe resguarda direitos para que os adquira se vier a
nascer com vida.
 
Extinção da Personalidade -  A personalidade se extingue com a morte real, física.
 
a)     Morte Real –             A sua prova se faz pelo atestado de óbito ou pela justificação, em
caso de catástrofe e não encontro do corpo. A existência da pessoa natural termina com
a morte, e suas conseqüências são:  extinção do pátrio poder;  dissolução do
casamento;  extinção dos contratos pessoais;  extinção das obrigações; etc
 
b)     Morte Simultânea (comoriência) – é quando duas ou  mais pessoas (quando houver entre
elas relação de sucessão  hereditária) morrem simultaneamente, não tendo como saber
quem morreu primeiro.
 
Graus de Parentesco  -              Existem graus de parentesco em Linha Reta e Linha
Colateral.
 
Em Linha Reta:     Pai, Filho, Neto, Bisneto.
 
Em Linha Colateral:   Irmão (2º grau), Tio/Sobrinho (3º grau); Primos (4º grau).
 
Linha Sucessória -        Quando uma pessoa morre e deixa herança, a linha sucessória
é a seguinte: Descendentes, Ascendentes, Cônjuge e
é a seguinte: Descendentes, Ascendentes, Cônjuge e
Parentes até 4º grau. 
 
c)  Morte Civil – Quando um filho atenta contra a vida de seu pai ele pode ser   
excluído da herança por indignidade,  como se “morto fosse”, somente para o fim
de afastá-lo da herança.    Outra forma de Morte Civil é a ofensa à honra (injúria,
calunia e difamação), ou a pessoa evitar o cumprimento de um testamento.
 
d)  Morte Presumida – ocorre quando a pessoa for declarada ausente, desaparecida
do seu domicilio, ou que deixa de dar noticias  por longo período de tempo.  Os
efeitos da Morte Presumida são apenas patrimoniais.  O ausente não é
declarado morto, nem sua mulher é considerada viúva.  Os herdeiros poderão
requerer a sucessão definitiva 05 (cinco) anos após a constatação do
desaparecimento.
 
Legitimação -      é a aptidão para a prática de determinados atos jurídicos.  Consiste em
saber se uma pessoa tem, no caso concreto, CAPACIDADE para exercer
PESSOALMENTE seus direitos.  Tolhem a legitimação:  saúde física e
mental, a idade e o estado.    A falta de legitimação não retira a
capacidade e pode ser suprida.
 
Representação:  p/  absolutamente incapazes;    
Assistência:  p/ relativamente incapazes.
 
 
Graus de Capacidade -
 
         Capazes 
                 maiores de 21 anos (excetuando-se as pessoas  possuidoras de uma ou mais
características abaixo elencadas);
 
         Absolutamente Incapazes – devem ser representados; não podem participar do ato jurídico
- o ato  é NULO; Os atos praticados pelos absolutamente incapazes são considerados  nulos
de pleno direito quando não tiverem sido realizados por seu representante legal.  São
absolutamente incapazes:
 
         menores de 16 anos;
         loucos/alienados de todo gênero (submetidos à perícia médica);
         surdos e mudos quenão conseguirem exprimir sua vontade;
         ausentes (declarados judicialmente – morte presumida).
 
         Relativamente Incapazes – devem ser assistidos; o ato jurídico pode ser anulável. Os atos
praticados pelos relativamente incapazes são considerados anuláveis quando praticados sem
a devida assistência.  São relativamente incapazes:
         maiores de 16 anos e menores de 21 anos;
                 pródigos (que têm compulsão em gastar e comprar); o pródigo para casar
precisa de autorização do seu curador.
         silvícolas (índios).
 
Observações:
         Quanto à incapacidade relativa, pode-se afirmar que o menor - entre 16 e 21
anos - equipara-se ao maior quanto às obrigações resultantes de atos ilícitos,
em que for declarado culpado. (artigo 156-CC).
                 A incapacidade do menor cessará com o seu casamento. (homem:  só com
autorização dos pais ou responsável ,e só a partir dos 18 anos;  mulheres: a
partir dos 16 anos)
         Se uma pessoa relativamente incapaz vender um imóvel, o adquirente sabendo
que ele só tinha 18 anos de idade, sem a devida assistência dos seus
representantes legais, este ato será anulável.
         Os relativamente incapazes podem ser  mandatários.
1.2.1.   EMANCIPAÇÃO:       É a aquisição da plenitude da capacidade antes dos 21 anos,
habilitando-o para todos os atos da vida civil.  A emancipação,
por concessão dos pais ou por sentença judicial, só produzirá
efeito após sua inscrição no Registro Civil.
 
         Adquire-se a emancipação e conseqüente capacidade civil plena:
                 por ato dos pais ou de quem estiver no exercício do pátrio poder, se o
menor tiver entre 18 e 21 anos. Neste caso não precisa homologação do
juiz, bastando uma escritura pública ou particular, e registrada em
cartório;
         por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver 18 anos;
         pelo casamento;
         pelo exercício de emprego público efetivo, na Administração Direta;
         pela formatura em grau superior;
         pelo estabelecimento civil ou comercial com economia própria.
 
A capacidade plena civil (maioridade civil) se dá aos 21 anos e a maioridade penal se dá aos 18
anos.
 
1.3.  DOMICÍLIO  E  RESIDÊNCIA
 
Domicílio –                 é a sede jurídica da pessoa, onde ela se presume presente para efeitos
de direito.   É o lugar pré-fixado pela lei onde a pessoa presumivelmente
se encontra.
Residência -             é uma situação de fato,
Domicílio da Pessoa Natural -         é o lugar onde a pessoa estabelece a sua residência
com ânimo definitivo.    A residência é, portanto, um
elemento do conceito de domicílio, o seu elemento
objetivo.  O elemento subjetivo é o ânimo definitivo.
 
         Algumas regras para se estabelecer o domicílio das pessoas naturais:
 
Regra Básica -                 O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece sua
residência com ânimo definitivo;
 
Elemento objetivo =  a fixação a pessoa em determinado lugar
Elemento subjetivo =  a intenção de aí fixar-se definitivamente.
 
Outras Regras:
 
1.                               Pessoas com várias residências onde alternativamente vivam ou com vários
centros de ocupação habitual: domicílio é qualquer um deles;
2.                  Pessoas sem residência habitual, nem ponto central de negócios
 (Ex.: circenses) - domicílio é o lugar onde for encontrado;
 
Domicílios necessários e legais
a)  dos incapazes - o dos seus representantes;
b)  da mulher casada -       o do marido;
c)  do funcionário público - o lugar onde exerce suas funções, não temporárias;
d)  do militar  -        o do lugar onde serve;
e)  dos oficiais e tripulantes da marinha mercante -   o do lugar onde o navio está matriculado
f)  do preso  - o do lugar onde cumpre a sentença
 
Domicílio  Contratual ou Foro de Eleição - é o domicílio eleito pelas partes contratantes.
Domicílio das Pessoas Jurídicas - A pessoa jurídica tem por domicílio a sede ou a filial,
para os atos ali praticados. 
 
         NO BRASIL, PREVALECE A TEORIA DA PLURALIDADE DE DOMICÍLIOS
 
1.4.  PESSOA  JURÍDICA
 
Conceito   são entidades em que a Lei empresta personalidade, capacitando-as a serem
sujeitos de direitos e obrigações.   Não possuem realidade física.
 
         Pessoa Jurídica  de Direito Público   
         União; Estados; Municípios; Distrito Federal; Autarquias; Partidos Políticos;
         Pessoa Jurídica de Direito Privado
                 Sociedades Civis, religiosas, científicas, literárias;  Associações de Utilidade
Pública;  Fundações;  Sociedades Mercantis.
 
Requisitos p/ a constituição da Pessoa Jurídica
         vontade humana -  “affectio” -  se materializa no ATO DE CONSTITUIÇÃO que se
denomina Estatuto (associações sem fins lucrativos), Contrato Social (sociedades
civis ou mercantis) e Escritura Pública ou Testamento (fundações).
         Registro -  o ato constitutivo deve ser levado a Registro para que comece, então, a
existência legal da pessoa jurídica de Direito Privado.  Antes do Registro, não passará
de mera “sociedade de fato”. 
         Autorização do Governo -  algumas pessoas jurídicas precisam de AUTORIZAÇÃO
DO GOVERNO para existir. Ex.:  seguradoras, factoring, financeiras, bancos,
administradoras de consórcio, etc.
 
Classificação da Pessoa Jurídica
1.  Quanto à nacionalidade:              nacionais ou  estrangeiras
2.      Quanto à função ou órbita de sua atuação:     Direito Público ou  Direito Privado
         Direito Público -  Externo (as diversas nações, ONU, UNESCO, FAO, etc) e Interno
(administração direta:  União, Estados, Distrito Federal e Municípios;  e 
administração indireta:  autarquias, fundações públicas);
         Direito Privado -  são as corporações (associações e sociedades civis e comerciais) e
as fundações particulares.
 
                  Associações – não têm fins lucrativos, mas religiosos, morais, culturais,
desportivos ou recreativos (Ex.: igrejas, clubes de futebol, clubes desportivos,
etc.)
                  Sociedades Civis -  têm fins econômicos e visam lucro, que deve ser
distribuído entre os sócios. (Ex.: escritórios contábeis, escritórios de
engenharia e advocacia, etc).    Podem, eventualmente, praticar atos de
comércio, mas não alterará sua situação, pois o que se considera é a atividade
principal por ela exercida.
                  Sociedades Comerciais – Visam unicamente o lucro.  Distinguem-se das
sociedades civis porque praticam  HABITUALMENTE, atos de comércio.
                  A única diferença entre a Sociedade Civil e a Associação é a     
finalidade  econômica.
         Fundações -  Conjunto ou reunião de bens;
         recebe personalidade para a realização de FINS PRÉ-DETERMINADOS;
         têm objetivos externos, estabelecidos pelo instituidor;
         o Patrimônio é o elemento essencial;
         Não visam lucro. 
         São sempre civis. 
 
2.  DOS  BENS
CONCEITO:   Coisa é tudo o que existe fora do homem.  Ex.: o ar, a terra, a água, uma jóia.  
BENS -     são coisas economicamente valoráveis, qualquer coisa que sirva para satisfazer uma
necessidade do indivíduo ou da comunidade, tanto material como espiritual.  BENS
são valores materiais ou imateriais que podem ser objeto de uma relação de
direito.  Toda relação jurídica entre dois sujeitos tem por objeto um bem sobre o
qual recaem direitos e obrigações.
 
4.  ATO JURÍDICO
As relações jurídicas têm como fonte geradora os fatos jurídicos.
 
FATO JURÍDICO:                          é o acontecimento que tem conseqüências jurídicas; é  qualquer
acontecimento em virtude do qual nascem, subsistem ou se
extinguem direitos.
Ex.: nascimento de uma pessoa, confecção de algo, a maioridade, a
morte, etc.
Podem ser:
 
                  INVOLUNTÁRIOS (naturais):  Fatos jurídicosem sentido estrito.  Ocorrem
independentemente da vontade do ser humano.  Ocorrem pela ação da natureza.  Ex.: 
a morte, uma inundação, o nascimento, etc.
 
         VOLUNTÁRIOS (humanos):  Atos jurídicos em sentido amplo.  Derivam da vontade
direta do ser humano e podem ser:
 
                 Lícitos:  quando produzem efeitos legais, conforme a vontade de quem os
pratica.  Ex.: casamento,  contrato de compra e venda;
         Ilícitos:  quando produzem efeitos legais contrários à Lei;
Ex.: o homicídio, o roubo, a agressão, etc.
 
ATO JURÍDICO:    é todo acontecimento voluntário e lícito que tenha conseqüências jurídicas. 
Têm por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar ou
extinguir direitos.
 
O  ATO JURÍDICO  pode ser:
 
                 UNILATERAL -  se existe apenas a manifestação de vontade de um agente.  Ex.: 
declaração de nascimento de filho, emissão de NP, etc.
         BILATERAL -  se existe a manifestação da vontade de dois agentes, criando entre
eles uma relação jurídica.  Ex.: contrato de compra e venda.     Neste caso, o ato
jurídico passa a chamar-se Negócio Jurídico.  Ex.:  todos os contratos, o empréstimo
pessoal, etc.
 
VALIDADE DO ATO JURÍDICO   
 
                      A falta de algum elemento substancial do ato jurídico torna-o nulo (nulidade
absoluta) ou anulável (nulidade relativa). A diferença entre o nulo e o anulável é
uma diferença de grau ou gravidade, a critério da lei.
         A nulidade absoluta pode ser argüida a qualquer tempo  por qualquer pessoa, pelo
Ministério Público e pelo Juiz, inclusive, não se admitindo convalidação nem
ratificação.
         A nulidade relativa, ao contrário, só pode ser argüida dentro do prazo previsto  (4
anos, em regra) - somente pelos interessados diretos, admitindo convalidação e
ratificação.
         Ato jurídico inexistente  é o ato que contém um grau de nulidade tão grande e visível,
que dispensa ação judicial para ser declarado sem efeito.
         Ato jurídico ineficaz  é o ato que vale plenamente entre as partes, mas não produz
efeitos em relação a certa pessoa (ineficácia relativa) ou em relação a todas as
outras pessoas (ineficácia absoluta). Exs.: alienação fiduciária não registrada, venda
não registrada de automóvel, bens alienados pelo falido após a falência.
          
4.1.   Requisitos  p/ um NEGÓCIO JURÍDICO ser  VÁLIDO
 
a)               agente capaz  -  o agente deve estar apto a praticar os atos da vida civil.  Os
absolutamente incapazes devem ser representados e os relativamente incapazes
devem ser assistidos;
b)       Objeto Lícito e possível  -  o objeto do ato jurídico deve ser permitido pelo direito
e possível de ser efetivado;
c)               Forma Prescrita (estabelecida) ou não vedada em Lei  -  a forma dos atos
jurídicos tem que ser a prevista em Lei, se houver esta previsão, ou não proibida.
 
                 É nulo o ATO JURÍDICO - Quando praticado por pessoa absolutamente
incapaz ou  quando não revestir a forma prescrita em lei ou quando o objeto
for ilícito ou não possível.
         Os atos jurídicos a que não se impõe forma especial prescrita em lei, poderão
provar-se mediante: confissão, atos processados em juízo, documentos
públicos e particulares, testemunhas, presunção, exames, vistorias e
arbitramentos. Face ao exposto, não podem ser admitidas como testemunhas:
os loucos de todo gênero, os cegos e surdos  (quando a ciência do fato, que se
quer provar, dependa dos sentidos que lhes faltam), o interessado do objeto
do litígio, bem como o ascendente e o descendente, ou o colateral, até 3º grau
de alguma das partes, por consangüinidade, ou afinidade.
         A nulidade é um vício intrínseco ou interno do ato jurídico.
                 O Ato jurídico é nulo quando:  for preterida a forma que a lei considere
essencial para a sua validade; for ilícito ou impossível o seu objeto;  for 
praticado por pessoa absolutamente incapaz.
         O ato jurídico é anulável quando: as declarações de vontade emanarem de erro
essencial,  viciado por erro, dolo, coação ou simulação.
                 A respeito da nulidade, pode-se afirmar que:   opera de pleno direito;  pode
ser invocada por qualquer interessado e pelo Ministério Público; o negócio não
pode ser confirmado nem prevalece pela prescrição.
 
                Formas prescritas nos Atos Jurídicos -     Locação, Mútuo, Comodato,
Depósito, Fiança  (Escrita ou verbal); 
Testamento (Escrita e exige cinco
testemunhas);  Pacto Antenupcial e Doação de
Imóveis (só podem ser feitos por escritura
pública);  Procuração (Escrita e exige o
reconhecimento de firma p/validade perante
3ºs).
 
         Se houver FORMA PREVISTA EM LEI, a desobediência ANULA o Ato.
 
Os ATOS JURÍDICOS podem ser:
         formais ou solenes - casamento, testamento, compra/venda de imóveis, etc.
         não formais ou consensuais – locação, comodato, etc.
 
 
VÍCIOS OU DEFEITOS DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS
            Os Atos ou Negócios Jurídicos podem apresentar-se com vícios ou defeitos, que
provocando a sua ineficácia tornam NULO o Negócio Jurídico.
 
VÍCIOS DE CONSENTIMENTO:  ocorrem da própria vontade. Ex.: erro, dolo, coação. 
         Podem ser objeto de ação anulatória;
         são prescritíveis após 4 anos;
ERRO:       é a FALSA noção que se tem de um objeto ou de uma pessoa.  Ocorre quando
o agente pratica o ato baseando-se em falso juízo ou engano.  A pessoa se engana
sozinha, ninguém a induz a erro.  Pode ser cometido por conta própria.
         Só anula o ato jurídico o erro SUBSTANCIAL ou essencial. Ex.: compra de um quadro
de um autor como se fosse de outro.
         Não acarreta nulidade de um ato o erro acidental ou secundário.  Ex.: comprar uma 
casa com seis janelas, pensando que tinha sete.
 
DOLO:   é o artifício empregado pelo agente para enganar outra pessoa.  O agente emprega
artifício para levar alguém à prática  de um ato que o prejudica, sendo por ele
beneficiado ou mesmo beneficiando um terceiro. 
 
COAÇÃO:          é a pressão psicológica exercida sobre alguém para obrigá-lo a praticar
determinado ato.  Para que a coação vicie o ato é necessário que se incuta medo de
dano à pessoa do coagido, à sua família ou a seus bens e que o dano objeto da
ameaça seja providência física ou moral.
 
VÍCIOS SOCIAIS: são decorrentes da malícia humana. Ex.: simulação, fraude contra credores,
reserva mental e lesão.
 
         Podem ser objeto de ação anulatória;
         são prescritíveis após 4 anos;
 
SIMULAÇÃO:   é a declaração enganosa da vontade, visando obter resultado diverso do que
aparece, para iludir terceiros ou burlar a lei.  A Simulação não será um defeito
do ato jurídico se não houver prejuízo a alguém ou violação da lei. Só terceiros
lesados pela simulação é que podem demandar a nulidade dos atos simulados. 
Ex.:  faço contrato de compra e venda objetivando, na verdade, fazer uma
doação.  Há um desacordo entre a vontade declarada e a vontade interna e não
manifestada.
 
                 Poderão demandar a nulidade dos atos SIMULADOS:  os  terceiros  lesados
pela  simulação  e  os  representantes  do  poder  público  (a  bem  da  lei  ou  da
Fazenda)
          
FRAUDE CONTRA CREDORES:                         é a manobra ardilosa para prejudicar terceiros.  Ë
utilizada pelo devedor para prejudicar o credor; é a
venda do patrimônio em prejuízo dos credores. 
Ocorre quando o devedor atinge um estado de
insolvência (aumento de dívidas com conseqüente
diminuição do patrimônio)
 
Elemento Objetivo  = dano, prejuízo;
Elemento Subjetivo = conluio (acordo)
 
         Pode ser objeto de ação anulatória, também chamada Ação Pauliana;
 
RESERVA MENTAL (Simulação Inocente):    A pessoa que oculta de forma deliberada sua
verdadeira intenção com o objetivode
prejudicar terceiros; Ex.:  Uma pessoa escreve
um livro e marca noite de autógrafos.  Diz que
destinará 10 % da arrecadação para a área
social de uma fundação pública.    A verdade é
que os 10 %  vão  para o “bolso dele” .
 
LESÃO:                ocorre quando uma pessoa obtém um lucro exagerado se aproveitando da
imaturidade / necessidade / inexperiência de alguém. Ex.:  agiotagem
 
Lucro exagerado -    é considerado quando o valor de venda atinge 5 x o valor de mercado ou
quando o valor de compra atinge 1/5 do valor de mercado.
Elemento objetivo -   lucro exagerado;
Elemento subjetivo -  imaturidade, necessidade, inexperiência;
 
         gera ação de nulidade absoluta; que pode ser pleiteada a qualquer momento
         é imprescritível;
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 D I R E I T O     P E N A L
 
1) Conceito: é o ramo do direito público que trata do estudo das normas que ligam o crime a
pena, disciplinando as relações jurídicas daí resultantes. Poderíamos defini-lo também como o
conjunto de leis que pretende tutelar bens jurídicos, cuja violação denomina-se crime e importa
uma coerção jurídica particularmente grave, cuja imposição propõe-se a evitar que o autor
cometa novas violações.
1.1) Função: Segurança jurídica - conjunto de condições externas que criam o sentimento de
certeza acerca da disponibilidade de tudo o que se necessita para realizar a coexistência.
 
2) Conteúdo do Direito Penal: enumera os crimes, estabelece as penas, analisa o delinqüente e
as situações daí decorrentes.
3) Código Penal: data de 1940 (Decreto-lei 2.848) com uma alteração substancial em 1984 (Lei
7.209) e contém a maioria das leis penais. Divide-se em parte geral  (princípios gerais) e parte
especial (enumera os crimes).
4) Fontes do Direito Penal: A fonte que produz o direito e o Estado é a fonte material.
A lei é a única fonte formal imediata do direito penal, pois não há crime e nem pena sem previa
cominação legal.
Há também, as fontes mediatas que são:
a) Costumes: regra de conduta de prática geral, constante e uniforme.
b) Eqüidade: que é a correspondência jurídica e ética perfeita da norma as circunstâncias do
caso concreto a que é aplicada.
c) Princípios Gerais do Direito: São eles a legalidade, a moralidade, a isonomia, etc.
d) Analogia:  Não pode ser aplicada para prejudicar, só em benefício do acusado (in  bonam
partem).
Ainda temos a doutrina, a jurisprudência e os tratados e convenções, que muito interessam e
ajudam na interpretação e aplicação do direito.
 
5) Infração Penal: É o gênero dos quais são espécies:
- Crime ou delito: Infração mais grave. Conduta humana ilícita (elemento formal) que contrasta
com os valores e interesses da social (elemento material), decorrente de uma ação ou omissão,
definida em lei, necessária e suficiente para que ocorrendo faça nascer o “jus puniendi” do
Estado. Os infratores sujeitam-se as penas de detenção e reclusão. O crime não tem definição
legal.
- Contravenção: Infração menos grave (“crime anão”) por definição do legislador, são punidas
apenas com multa ou prisão simples e estão arroladas na Lei de Contravenções Penais.
OBS.: O enquadramento é ato de escolha do legislador. O traço distintivo entre ambos é a
cominação do tipo de pena (critério prático)
 
6) Elementos do crime:
- Subjetivo-  é a culpabilidade, é a vontade dirigida para o ato considerado crime, em razão de:
a) dolo: deseja e quer o resultado ou assume o risco de produzi-lo, é um defeito de vontade ou
sentimento.
 
b) culpa:  não há vontade, há falta de cuidados, o agente age com imprudência, negligência ou
imperícia.
a.1) Elementos da Culpa: conduta humana voluntária de fazer ou não fazer; inobservância do
cuidado objetivo manifestado pela negligência, imprudência ou imperícia; resultado involuntário;
nexo de causalidade, tipicidade.
 
7)  Penas: É a imposição da perda ou diminuição de um bem jurídico, previsto em lei, aplicada
pelos órgãos judiciários, a quem praticou um ilícito penal. Suas características são:
- legalidade (previsão em lei),
- proporcionalidade (a sanção deve ser proporcional a infração),
- personalidade (não passa para os sucessores do condenado),
- inderrogabilidade (uma vez transitada em julgado deve ser executada)
 
As penas podem ser:
- detentivas (privativas de liberdade: prisão simples, reclusão e detenção - internação em
estabelecimento judiciário ou em colônia agrícola),
- não detentivos (liberdade vigiada, proibição de permanecer em determinados lugares,
prestação de serviços a comunidade, limitações de fim de semana e interdição temporária de
direitos) e
- patrimoniais (confisco, multa, interdição de pessoa jurídica).
 
A medida de segurança é também uma sanção penal diferindo desta pelo fundamento que no caso
é o dever do Estado em preservar a segurança social em razão da periculosidade do agente. São
indeterminadas no tempo, findando somente com o fim da periculosidade. São aplicáveis aos
indeterminadas no tempo, findando somente com o fim da periculosidade. São aplicáveis aos
inimputáveis (periculosidade presumida) ou semi-responsáveis (periculosidade reconhecida). Para
sua aplicação são necessários:
- prática de um crime
- periculosidade.
As medidas dão-se mediante internação (manicômio judiciário) e tratamento ambulatorial.
A execução das penas privativas de liberdade é feita em regime progressivo (fechado, semi-
aberto e aberto). São características da progressividade:
- isolamento inicial, não superior a três meses
- individualização do preso
- preparação para seu retorno à liberdade
- trabalho comum
- livramento condicional.
 
8) Excludentes de Imputabilidade (art. 26/7): Há excludente de imputabilidade quando o
sujeito é incapaz de compreender a ilicitude e de agir de acordo com esse entendimento. São
inimputáveis:
- o doente mental ou quem tem desenvolvimento mental incompleto ou retardado - comprovada
pericialmente
- e não tenha consciência de seus atos e nem capacidade  de entender o caráter ilícito do fato, o
menor de idade (18 anos, desenvolvimento mental incompleto presumido) e o embriagado
fortuito completo, como por exemplo agente drogado à força ou por meio de ardil (a embriaguez
parcial, reduz a pena).
 
9) Código de Menores: a prática de crimes por menores de 18 anos não é de ordem penal, sendo
atribuição do Juiz de menores a aplicação de medidas administrativas destinadas a reeducar e
recuperar o menor infrator ou o que apresente desvio de conduta.
10) Reincidência: Ocorre quando o agente comete novo crime, depois de ter sido transitado em
julgado a sentença (reincidência ficta) que, no país ou no estrangeiro, o tenha condenado por
crime anterior. Não é necessário que o crime seja da mesma espécie do anterior para a
consideração da reincidência (a reincidência é do tipo genérica e não específica). Porém não
prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da pena (após o
término da pena) e a infração posterior tiver decorrido período de tempo superior a cinco anos,
computado o período de prova ou suspensão ou do livramento condicional, se não houver
revogação. Não é necessário o cumprimento da pena para sua caracterização. Para efeitos de
reincidência, não se consideram os crimes militares próprios, os políticos e as contravenções.
Caso ocorra o inverso, sendo o agente condenado primeiro por um crime, e, posteriormente,
pratica uma contravenção, tal fato importa em reincidência ( art. 7° da Lei das Contravenções).
Não é necessário o cumprimento da pena para sua caracterização
Conseqüências da Reincidência:
- circunstância agravante (art. 61 do CP)
- impede a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direito (art. 44, II - CP)
- impede a suspensão condicional da pena (art. 77, I do CP)
- aumenta o prazo para o livramento condicional (art. 83, II do CP)
- revoga a reabilitação (art. 95 do CP).
OBS.: Primário é o quecomete um crime pela primeira vez.
No caso de uma pena de reclusão imposta a um reincidente o regime inicial  para seu
cumprimento será sempre o aberto, independentemente da duração da pena imposta (art. 33 do
CP).
No caso de uma pena de reclusão imposta a um reincidente o regime inicial para seu cumprimento
No caso de uma pena de reclusão imposta a um reincidente o regime inicial para seu cumprimento
será sempre em regime semi-aberto, independentemente da duração da pena imposta (dúvidas
doutrinárias).
11) Circunstâncias do delito: são elementos acidentais que envolvem o delito - fatos materiais,
pessoais ou psíquicos. Temos:
- atenuantes - atenuam a pena
- agravantes - agravam a pena
12) Excludentes de criminalidade ou Ilicitude: São eles:
- Legítima Defesa: (art. 25) é a utilização moderada dos meios necessários para repelir injusta
agressão, atual ou iminente, a qualquer direito seu ou de outrem. A honra também pode ser
defendida desde que, em se tratando de legítima defesa, haja, moderação. Alguém pode
defender terceiro, um homem defender uma criança, e invocar esta excludente. O sujeito nesta
excludente é o agente que legitimamente exercita o direito. Quem se excede nos meios,
responde pelo excesso na modalidade culposa. A chama B de ladrão. B mata A com um tiro. Não
há como se falar em legítima defesa e sim em excesso culposo de  B.
- Legítima defesa putativa: é o erro de fato ou que faz supor  uma situação que se realmente
existisse, tornaria sua ação legítima.
- Legítima defesa recíproca: ocorre quando não se pode determinar quem foi o agressor ou o
agredido.
- Estado de necessidade: (art. 24) é a prática de fato para salvar de perigo atual, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. O padrão é o homem normal, não o
herói. Quem tem o dever legal de enfrentar o perigo, como o bombeiro, não pode alegar estado
de necessidade. Caso seja razoável se exigir comportamento diverso a pena pode ser reduzida
de um a dois terços. Alguém que mata um cachorro que lhe ataca se investe desta excludente.
obs.: Estado de necessidade é diferente de legítima defesa: o Estado de necessidade é um
choque de direitos, enquanto a legítima defesa é a agressão a um direito.
- Estrito cumprimento do dever legal: Não pode ocorrer tal excludente em crimes do tipo
culposo. O soldado que mata um bandido no exercício de sua profissão não comete crime.
- Exercício regular de direito:  médico, advogado, esportista. “Age no exercício regular de
direito aquele que expulsa do recinto de seu escritório, empurrando-o para fora, quem ali fora
ter para insultá-lo.” (RT 421/248)
13) Concurso de pessoas: há quando duas ou mais pessoas concorrem para a prática do mesmo
crime.
 Para que ocorra o concurso de pessoas é indispensável:
- pluralidade de agentes e condutas com nexo causal;
- relevância causal de cada uma das ações com o resultado;
- liame subjetivo (psicológico) entre os agentes (consciência de que cooperam numa ação
comum);
- identidade de crime ou fato (infração penal deve ser igual - todos contribuem para o mesmo
crime).
Ex.: Empregado deixa propositadamente aberta a porta da casa de seu patrão  objetivando que
alguém a furte, ainda que o ladrão desconheça a vontade daquele em auxiliá-lo na subtração:
concurso de pessoas.
Co-autoria: É a ciente e voluntária participação de duas ou mais pessoas na infração penal. Há
convergência de vontades objetivando o crime, independentemente de acordo prévio. É uma
convergência ocasional de vontades. Não é necessário que todos exerçam a mesma conduta.
OBS.: Co-autoria é diferente do concurso necessário. Existem delitos que só podem ser
cometidos por duas ou mais pessoas: adultério, bigamia, rixa, quadrilha. Estamos diante dos
crimes plurissubjetivos.
crimes plurissubjetivos.
14) Co-autor: é quem executa, juntamente  com outras pessoas, ação ou omissão que configura
o delito. Funda-se no princípio da divisão do trabalho. A menoridade, o estado civil, a filiação,
etc.,  são circunstâncias especiais, para a individualização das penas e comunicam-se aos co-
autores de um crime quando elementares do mesmo.
15) Extinção da punibilidade:
 Ocorre graças:
- morte do agente
- anistia (Congresso Nacional concede) , graça (favor individual do Presidente da República) ou
indulto (favor coletivo do Presidente da República)
- retroatividade da lei que não mais considera o fato como crime.
- prescrição (fluência do tempo), decadência (ocorre antes do oferecimento da queixa) ou
perempção (ocorre após o oferecimento da queixa - inércia do querelante).
- renúncia da queixa
- perdão aceito, nos crimes de ação privada
- pela retratação do agente, nos crimes que a lei admite
- pelo casamento do agente com a vítima nos crimes contra os costumes (
- casamento da vítima com terceiro, nos crimes contra os costumes, caso não requeira o
prosseguimento da ação penal no prazo de 60 dias da celebração
- perdão judicial
16) Efeitos da Condenação:
- genéricos (automáticos) - art. 91 - obrigação de indenizar o dano, confisco dos instrumentos do
crime de seu produto.
- específicos (não automáticos) - art. 92 - perda da função pública, incapacidade para pátrio
poder, tutela e curatela, inabilitação para dirigir veículos.
 
17) Tipos Penais Específicos:
- Crimes mais importantes:
a) Lesão corporal - art. 129
Ofender a integridade ou a saúde corporal de outrem. A autolesão é impunível. Delito omissivo
ou comissivo. A dor ou a crise nervosa não configura lesão corporal. É necessário o exame de
corpo de delito para sua caracterização e de um exame complementar após o 30° dia. Caso a
vítima sofra mais de uma lesão o crime será único.
b) Aborto
Além do auto aborto, temos o aborto praticado por terceiro com e sem o consentimento da
mulher, estando nestes caso diante da prática de crime de aborto autônomo. São permitido o
aborto terapêutico (risco para gestante) e o humanitário (estupro) desde que praticados por
médico. A ação é pública Incondicionada.
c) Infanticídio
homicídio praticado pela mãe sob o efeito do estado puerperal, durante ou logo após o parto. Só
ocorre o infanticídio se a mãe matar o recém nascido, não o feto sem vida ou o inviável.
d) Homicídio
Matar alguém que tem vida, incluindo-se aí o recém-nascido independentemente de sua menor ou
maior vitalidade. Alguém que dá o revólver para um alienado mental, sabendo que ele deseja se
matar pratica homicídio, assim como, aquele que sabendo-se portador de AIDS, mantém relação
sexual com B que vem a morrer da doença contraída.
e)  Induzimento ao suicídio
O suicídio não é crime, o induzimento sim. Pode haver, porém, o crime de homicídio se a vítima
não tem discernimento, é forçada a suicidar-se ou não apresenta resistência alguma.
f) Crimes de trânsito
A culpa recíproca não isenta a responsabilidade (culpa concorrente)
g) Corrupção de  menores
Corromper ou facilitar a corrupção, contra maior de 14 e menor de 18, praticando ato de
libidinagem, ou induzindo-o a praticá-lo ou presenciá-lo. Não há modalidade culposa. É
controvertido a admissão da tentativa. Não se pode corromper o menor já corrompido.
h) Prevaricação
Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou pratica-lo contra disposição
expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.
i) Peculato
Apropriação por funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer bem móvel, público ou
particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em  proveito próprio ou alheio. É
um crime contra a administração pública, sendo que a abstração da condição do funcionário
público desclassifica-se este tipo penal podendo  vir a tona o crime de apropriação indébita.
- Crimes contra o patrimônio:
a) Furto: Subtrair, sem violência, para si ou para outrem, coisa alheia móvel (luz, energia
elétrica, toras de madeira, etc.), com o intento deapoderar-se de maneira definitiva, de alguém
que a tem a título de proprietário, possuidor ou detentor. O furto de uso não é crime, é ilícito
civil. o furto de talão de cheque fica absorvido pelo estelionato. Ele absorve porém a de violação
de sepultura se o objetivo é o furto. O furto noturno, o que importa em violência contra
obstáculo à subtração da coisa (quem rompe obstáculo que não externo a coisa furtada, por
exemplo, o quebra vento de um carro, a porta de um cofre, não comete furto qualificado) ou com
abuso de confiança (relação empregatícia não é o único pressuposto para este crime, sendo
necessário confiança. O furto praticado por caixa geralmente o é) é qualificado. O furto é
privilegiado quando o autor é primário e a coisa furtado de pequeno valor. A ação é pública
Incondicionada.
b) Roubo: Furto com violência, requer dolo específico. A ação é pública Incondicionada.
c) Extorsão: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com intuito de obter
para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de
fazer alguma coisa.
d) Usurpação: Suprimir ou deslocar tapume, marca ou sinal indicativo de linha divisória, no todo
ou em parte, de coisa imóvel alheia. Pode incidir sobre água e esbulho possessório.
e) Dano: Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. Admite tentativa. Sem violência o dano é
simples, sendo a ação penal privada. Não admite forma culposa.
f) Apropriação indébita: Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção.
Ação pública Incondicionada.
g) Estelionato: Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou
mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer meio fraudulento. Ação Pública
Incondicionada.
h) Recepção: Adquirir, receber ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser
produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa fé, a adquira, receba ou oculte.
i) Supressão ou alteração de marca em animais.
- Crimes contra a Honra:
a) Calúnia: imputar falsamente (caso seja verdade não existe o crime) a alguém vivo ou não,
inclusive as de má fama,  fato determinado definido como crime (conceito diferente de
contravenção). Consuma-se quando chega ao conhecimento de terceira pessoa e não apenas do
ofendido. (admite exceção da verdade).
b) Injúria: ofender, alguém vivo ou morto, através de palavras vagas e imprecisas a dignidade ou
o decoro de alguém mediante a emissão de opinião.
c) Difamação: imputar a alguém, vivo ou não, fato determinado mas não especificado em todas as
c) Difamação: imputar a alguém, vivo ou não, fato determinado mas não especificado em todas as
suas circunstâncias, ofensivo a  reputação. O fato não necessita ser falso, salvo se for imputado
a funcionário público quando deve ser mentiroso para configurar o crime. Admite portanto 
exceção da verdade neste caso.
Os três tipos sujeitam o ofensor a penas de detenção.
- Crimes contra a administração da justiça:
a) Exercício arbitrário das próprias razões: fazer justiça com as próprias mãos,
independentemente da legitimidade da pretensão. Admite tentativa. Pode se tipificar na relação
de emprego.
b) Falso testemunho ou falsa perícia: É falso aquilo que é feito em desacordo com o que
aconteceu. Quem pode pratica-lo são a testemunha, o perito (oficial ad doc.), o tradutor ou o
interprete. A testemunha que mente em audiência e depois se retrata confessando a falsidade
pratica fato que deixou de ser punível.
c) Denunciação Caluniosa: Instaurar investigação policial ou processo judicial contra alguém ,
imputando-lhe crime de que o sabe inocente. A denúncia de boa fé exclui o crime, é necessário o
dolo. A calúnia é absolvida.
d) Coação no curso do processo: basta a ameaça.
e) patrocínio infiel e simultâneo (tergiversação): advogado que trabalha contra o seu cliente,
seja ele contratado ou dativo. É necessário o dolo.
f) Reingresso de estrangeiro expulso: ser estrangeiro e ter sido expulso.
g) Fraude processual (Civil): alterar dados materiais de modo  a induzir o juiz ou o perito em
erro. O crime ocorre embora o processo não tenha se iniciado ainda, o processo pode se inclusive
o administrativo.
h) Favorecimento Pessoal: Auxiliar a subtrair à ação da autoridade pública autor de crime a que
é cominada pena de reclusão. É necessário a prática de um crime anterior. Existe uma escusa
absolutória para ascendente, descendente, cônjuge ou irmão, inclusive os adotivos.
i) Favorecimento Real: auxiliar o criminoso a tornar seguro o proveito do crime, isto é, manter a
posse. Tal ajuda se dá em proveito alheio, caso seja em proveito próprio o crime é o da recepção
própria.
j) Exercício arbitrário ou abuso de poder: Ordenar ou executar medida privativa de liberdade
individual, sem as formalidades legais ou com abuso de poder. Este crime não é mais regulado
pelo código Penal, vez que o artigo está revogado, mas sim pela lei 4898/65.
Segundo a lei o abuso de poder da autoridade civil ou militar, ainda que transitoriamente e sem
remuneração, sujeita o autor à sanção administrativa (penas estatutárias - anotação na ficha
funcional), sanção ccivil (indenização) e penal (multa, detenção, perda do cargo e inabilitação
para o exercício de qualquer outra função pública pelo prazo de até 3 anos).
A ação penal é pública com a representação da vítima do abuso.
Os prazos são especiais:
- Juiz: 48 horas para despachar
- audiência de instrução e julgamento: 5 dias (que só não se realizará se ausente o juiz), entre 10
e 18 horas, em dia útil.
OBS.: Prazo pode ser em dobro nas comarcas onde os meios de transporte forem difíceis.
- Lei 8.429/92
- Sanções aplicáveis a agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de
mandato, cargo, emprego ou função na Administração Pública direta, indireta e fundacional.
- Sujeito ativo - agente público - art. 2° da lei - “todo aquele que exerce, ainda que
transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou
qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função das
entidades mencionadas no artigo anterior.”
- aquele que, mesmo não sendo agente público na concepção da palavra, induz ou concorre para a
- aquele que, mesmo não sendo agente público na concepção da palavra, induz ou concorre para a
prática de improbidade.
- O dano tem que ser ressarcido, mesmo que a lesão seja culposa.
- Os bens do indiciado ficam indisponíveis, até o montante do valor da lesão, no enriquecimento
ilícito.
- Os sucessores ficam responsáveis pelo ressarcimento, até o limite do valor da herança.
- Ato de improbidade (enriquecimento ilícito) - art. 9° - auferir qualquer tipo de vantagem
patrimonial indevida, em razão do exercício de cargo, mandato, função emprego ou atividades
públicas
Pena: perda de bens ou valores acrescidos ao patrimônio; ressarcimento total do dano, quando
houver; perda da função pública; suspensão dos direitos políticos de oito à dez anos; multa civil
de até 3 vezes o valor do acréscimo ao patrimônio; proibição de contratar com o poder público
ou de receber benefícios ou incentivos fiscais e creditícios por dez anos.
- Ato de improbidade (lesão ao erário) - art. 10 - ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje
perda patrimonial, desvio, apropriação, melhoramento ou dilapidação dos bens ou haveres das
entidades públicas.
Pena: perda dos bens acrescidos ilicitamente ao patrimônio; ressarcimento total do dano, se
houver; perda da função pública; suspensão dos direitos políticos de 5 a 8 anos; multa civil de
até 2 vezes o valor do dano; proibição de contrato, incentivos ou benefícios fiscais e creditícios
por 5 anos.
- Ato de improbidade (contra os princípios da Administração Pública) - art. 11 - ação ou omissão
que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições.
Pena: ressarcimento total  do dano; perda da função pública; suspensão dos direitospolíticos de
3 a 5 anos; multa civil de até cem vezes o valor da remuneração do agente; proibição de
contratar com o poder público ou de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios pelo
prazo de 3 anos.
- Declaração de Bens: a posse e o exercício de agente público está condicionado a apresentação
de declaração  de bens, renovada anualmente.
Pena: demissão para quem se recusar a apresentá-la no prazo estipulado ou que a apresentar
com declarações falsas.
Obs.: Pode ser substituída pela apresentação de bens do imposto de renda.
 - Da Representação e do Procedimento: A representação pode ser feita por qualquer pessoa,
por escrito ou reduzida a termo e assinada. Poderá ser aceita ou rejeitada. Nada impede que,
rejeitada, seja apresentada ao MP. Atendidos os requisitos, serão apurados os fatos, sendo
informado o procedimento ao MP e ao Tribunal de Contas, que poderão designar representantes
para acompanhar o caso. Se houver forte indício do fato o MP será representado para pedir ao
juízo competente o seqüestro dos bens (arts. 822 e 825 do CPC) - ação principal pelo MP ou
entidade interessada, em 30 dias. É vedado transação ou acordo. Obrigatoriedade da
intervenção do MP, sob pena de nulidade. Conversão dos bens, na sentença, em favor da pessoa
jurídica prejudicada.
Obs.: O MP pode requerer a instauração de inquérito policial ou procedimento administrativo.
- Representação falsa, contra agente público, que sabe inocente.
Pena: seis a dez meses e multa, com sujeição a indenizar o denunciado.
- perda da Função: só com o trânsito em julgado da sentença, podendo, porém, ser afastado o
agente pela autoridade.
- Aplicação das sanções: depende de efetiva ocorrência de dano e aprovação ou rejeição das
contas pelo Tribunal de Contas
- Prescrição: até 5 anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de
função pública.
dentro do prazo previsto em lei para faltas disciplinares punidas com demissão.
dentro do prazo previsto em lei para faltas disciplinares punidas com demissão.
- Lei n° 8.078/90 - Código de Defesa do consumidor
- infrações penais - arts. 61 “usque” 74 da Lei
- circunstâncias agravantes - cometidos em épocas de grave crise econômica ou calamidade;
- ocasionar grave dano, individual ou coletivo;
- dissimular a natureza ilícita do procedimento;
-                     cometidos por servidor público, por pessoa em condição econômico-social manifestamente
superior a da vítima, em detrimento de rurícola, operário, menor de 18 anos ou maior de 60 anos,
portador de deficiência mental, interditadas ou não;
- praticados em operações de alimentos, medicamentos, ou produto ou serviço essencial;
- Pena pecuniária: corresponde ao número mínimo ou máximo dias de duração da pena privativa
de liberdade (observar o disposto no art. 60, § 1° do CP)
- Outras medidas: além da privativa de liberdade e multa, podem ser aplicadas,
cumulativamente: interdição temporária de direitos; publicação de notícias, a expensa do
condenado, dos fatos e a condenação; prestação de serviços à comunidade.
- valor da fiança: 100 a 200.000 BTN‛s, ou índice substituto da época da condenação, podendo
ser reduzido até a metade do menor valor ou ampliado até 20 vezes.
 
 
- Lei n° 8.072/90 - Crimes Hediondos:
Deve ser lembrado sempre que os crimes hediondos, segundo a definição legal, são aqueles
constantes do art. 1° da Lei, o que faz com que o tráfico de entorpecentes, prática de tortura e
terrorismo não sejam, exatamente, crimes hediondos, na verdadeira definição da lei, mas fazem
parte dela.
São todos insuscetíveis de anistia, graça ou indulto, bem como fiança ou liberdade provisória,
sendo cumprida a pena integralmente em regime fechado.
- Lei n° 8.069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente:
Das medidas de proteção - arts. 98 à 102 da lei - proteção dos direitos ameaçados ou violados
por ação ou omissão da sociedade, do Estado, dos pais, ou abusos deste, ou em razão de sua
conduta.
Da Prática de Atos Infracionais - arts. 103 a 109 - “Considera-se ato infracional a conduta
descrita como crime ou contravenção penal”, sendo abrangidos por esta lei os menores de
dezoito anos.
Adolescente - entre 12 e 18 anos - privação da liberrdade só em flagrante ou por ordem escrita
e fundamentada da autoridade judiciária competente.
- tem direito à identificação dos responsáveis pela apreensão e informação de seus direitos.
- apreensão e local de guarda comunicado imediatamente à autoridade judiciária.
- exame imediato da possibilidade de liberação.
- internação antes da sentença, prazo máximo de 45 dias;
- decisão fundamentada na materialidade e autoria e necessidade imperiosa da medida.
- adolescente civilmente identificado, não pode ser submetido a identificação compulsória, salvo
para confrontação, havendo dúvida fundada.
Dos Crimes e das Infrações Administrativas - arts. 225 a 258 da Lei - crimes praticados contra
criança e o adolescente, por ação ou omissão, sem prejuízo do disposto na legislação penal.
- crimes de ação pública incondicionada
- aplicam-se a eles as regras da parte geral do CP e do CPC.
 
 
 
 
 
 
 
D I R E I T O    T R I B U T Á R I O
 
1.  COMPETÊNCIA  LEGISLATIVA
 
A competência para legislar sobre o direito tributário, financeiro e sobre orçamento é
concorrente da União, Estados e Distrito Federal (art. 24, I e II, da CF), embora
algumas leis orgânicas municipais abordem a matéria.
               Cabe à União legislar sobre normas gerais, mas o Estado mantém competência
suplementar.
        Se não houver lei federal, o Estado fica com a competência legislativa plena. Mas,
sobrevindo a lei federal, somente serão válidas as disposições estaduais que não
contrariem as federais recém editadas.
Soberania  qualidade invulgar e exclusiva concedida pela sociedade ao Estado, para
que ele atinja seus objetivos
Atividade Financeira  além das atividades políticas, sociais, econômicas,
administrativas, educacionais, policiais, etc, o Estado exerce uma atividade financeira
 visa à obtenção, a administração e o emprego de meios patrimoniais.  A atividade
financeira se desenvolve em 3 campos:
        receita  obtenção de recursos patrimoniais;
        despesa  emprego de recursos patrimoniais;
        gestão  administração e conservação do patrimônio público;
 
Exercício da atividade financeira   para exercer a sua atividade financeira, por meio
de seus órgãos administrativos, sob estrita legalidade e, também, com o intuito de
obrigar legalmente os cidadãos a se sujeitarem às suas exigências (pagar tributos), o
Estado lança mão do DIREITO TRIBUTÁRIO.
DIREITO TRIBUTÁRIO  Dividido entre Direito Público (Externo e Interno) e Direito
Privado.  É adstrito ao campo da receita pública e alheio aos campos da gestão patrimonial e
despesa.  É o ramo do direito público que rege as relações entre o Estado e os
particulares, decorrentes da atividade financeira do Estado no que se refere à obtenção
de receitas (tributos).
 
Receitas Tributárias   são obrigatórias, porque o seu pagamento decorre da lei e não
de um contrato, ao qual o particular adere voluntariamente.
Competência  a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir
os seguintes tributos:
        impostos  receitas que o Estado cobra tendo em vista, unicamente, o interesse
público da atividade desempenhada pelo Governo; os impostos terão caráter
pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte
               taxas  receitas que o Estado cobra em razão do poder de policia ou pela
utilização dos serviços públicos, prestados ao contribuinte ou postos a sua
disposição; Ex.: serviços de justiça, saúde pública, segurança, prestados pelo
Governo. As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos.
               contribuições de melhoria  decorrente de obras públicas e que venham a
valorizar os imóveis vizinhos;  Ex.: construçãode pontes, estradas, viadutos
 
Além destes tributos, o Estado conta com mais 2 tipos de receitas:
               Preços quase-privados  são as receitas cobradas pelo Estado tendo em vista
exclusivamente o interesse dos particulares na atividade desempenhada pelo
Governo, sendo o interesse público meramente acidental.  Ex.:  exploração de ramo
industrial ou comercial pelo Estado.
                Preços Públicos   são as receitas cobradas pelo Estado tendo em vista
principalmente o interesse dos particulares na atividade desempenhada pelo Poder
Público, e atendendo à existência de um interesse geral e coletivo nessa atividade. 
Ex.:  exploração dos Correios e Telégrafos pela União.
 
2.  LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR
 
Princípios Limitadores 
        princípio da legalidade dos tributos
        princípio da igualdade;
        princípio da anterioridade;
        proibição de efeitos confiscatórios;
 
Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
        princípio da legalidade dos tributos   é vedado exigir ou aumentar tributo sem lei
que o   estabeleça;
                princípio da igualdade   é proibido instituir tratamento desigual entre
contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção
em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente
da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos;
        princípio da anterioridade   é vedado cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da
lei que os houver instituído ou aumentado;
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os
instituiu ou aumentou;
 
               princípio da irretroatividade  a lei que cria ou aumenta tributos não pode ser
retroativa;
        é proibido utilizar tributo com efeito de confisco;
               estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos
interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização
de vias conservadas pelo Poder Público;
                imunidade recíproca das pessoas jurídicas de direito público com respeito ao
patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros, ou seja, uma PJDP não pode cobrar
imposto de outra PJDP;
        proibida a adoção de base de cálculo própria dos impostos para as taxas;
               proibição de serem criados pela União, novos impostos que sejam cumulativos ou
tenham base de cálculo ou fato gerador próprios dos discriminados na CF.
               proibição de serem criados outros impostos pelos Estados, DF e municípios, além
daqueles outorgados pela CF.
        proibição de serem criados instrituídos empréstimos compulsórios pelos Estados,
DF e municípios;
 
Outras limitações 
        imunidade de impostos aos templos de qualquer culto;
                imunidade aos impostos sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos
políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das
instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os
requisitos da lei;
        imunidade aos impostos sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua
impressão.
               Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito
presumido, anistia ou remissão, relativo a impostos, taxas ou contribuições, só
poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal.
                A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de
responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva
ocorrer posteriormente, assegurada à imediata e preferencial restituição da quantia
paga, caso não se realize o fato gerador presumido.
 
É PROIBIDO À UNIÃO 
I – Uniformidade dos tributos federais  instituir tributo que não seja
uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência
em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro,
admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do
desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País;
II - tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos
respectivos agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar para suas
obrigações e para seus agentes;
III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito
Federal ou dos Municípios.
 
É PROIBIDO AOS ESTADOS, DISTRITO FEDERAL E AOS MUNICIPIOS 
                estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer
natureza, em razão de sua procedência ou destino.
3.  NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO
 
Fontes do Direito Tributário   o lugar donde nasce uma regra jurídica que ainda não
existia na sociedade. 
 
Poderes das Leis   matérias reservadas exclusivamente à lei;  compete somente à LEI
:
        instituir, extinguir,  reduzir ou  majorar  tributos;
        definir fato gerador da obrigação tributária principal;
        fixar alíquotas ou base de cálculo de tributos;
        cominar penalidades;
        excluir, suspender ou extinguir crédito tributário;
 
4. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA
Conceito  É a aptidão para criar in abstrato tributos, descrevendo legislativamente
(LEI) todos os seus elementos (hipótese de incidência, sujeito ativo e passivo, base
de cálculo e alíquota).
   Exercitar a competência é dar nascimento, no plano abstrato, a tributos. Inclui
a competência para aumentá-los, isentá-los, diminuí-los, etc.
   Só as pessoas políticas tem competência tributária.
 
Discriminação das Competências Tributárias  
a.     UNIÃO  tem a competência para criar taxas, impostos e contribuições de
melhoria
               TAXAS – poderão ser cobradas tendo em vista o poder de polícia ou serviços
prestados aos contribuintes ou postos à sua disposição, no âmbito das respectivas
atribuições da entidade;
 
        CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA – poderão ser cobradas dos proprietários de
imóveis beneficiados por obras públicas, no âmbito das respectivas atribuições;
 
        IMPOSTOS -  são impostos federais :
        I I – Imposto de Importação;
        I E – Imposto de Exportação;
        I R – Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza;
        I P I – Imposto sobre Produtos Industrializados;
        I O F – Imposto sobre Operações Financeiras;
        I  T R – Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural;        
        Impostos extraordinários de guerra;
        Novos impostos, pelo exercício da competência residual;
 
b.    ESTADOS    competência para instituir taxas, impostos e contribuições de   
melhoria
        IMPOSTOS – são impostos estaduais:
        I C M S  - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e sobre prestações
de Serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de
comunicação;
        Imposto sobre a transmissão “causa mortis” e doação, de quaisquer bens
ou direitos;
        I P V A – Imposto sobre a propriedade de Veículos automotores;
        Imposto adicional de imposto de renda do que for pago à União;
 
c.     MUNICÍPIOS  competência para cobrar taxas, impostos e contribuições de
melhoria
        IMPOSTOS – são impostos municipais:
        I P T U  - Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana;
                Imposto sobre transmissão “inter vivos” a qualquer título, por ato
oneroso, de bens imóveis;
        I V V – Imposto sobre vendas a varejo de combustíveis e gasosos;
        I S S – Imposto sobre serviços de qualquer natureza;
 
d.                               DISTRITO FEDERAL o DF é também unidade federadae não apresenta
divisão em municípios.  Ele mostra configuração própria e tem direito aos
impostos estaduais e municipais.  Pode instituir taxas e contribuições de 
melhoria.
 
e.                TERRITÓRIOS FEDERAIS   integram a União e sua criação, transformação
em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em Lei
Complementar.
      não são pessoas de Direito Público, tais como a União, os Estados e os
Municípios, mas simples circunscrições administrativas (órgãos). 
   Não têm competência tributária
   Os municípios integrantes dos Territórios são competentes para criarem taxas,
impostos e contribuições de melhoria;
 
5. SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL
 
Conceito   o Sistema Tributário Nacional acha-se embasado em dois pressupostos
fundamentais: 
   consolidação dos impostos de idêntica natureza em figuras unitárias, levando-se
em conta suas bases econômicas;
   coexistência de 4 sistemas tributários autônomos: federal, estadual, municipal e
do Distrito Federal.
 
Composição  O Sistema Tributário Nacional compõe-se de:
   IMPOSTOS
   TAXAS
   CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA
   CONTRIBUIÇÕES PARAFISCAIS
   CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS
   EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS
Tributo   é toda prestação pecuniária compulsória (obrigatória), em moeda ou cujo
valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, constituída em lei e
cobrada mediante atividade administrativa, plenamente vinculada;
      a receita proporcionada pela arrecadação de tributo é da espécie derivada. 
Todavia, nem toda receita derivada provém de tributos.  Ex.: multas
      Tributo Fiscal  quando sua imposição objetiva tão somente propiciar a
arrecadação de recursos financeiros à pessoa jurídica de direito público.
      Tributo Extra-Fiscal  quando sua imposição não visa unicamente à
arrecadação de recursos financeiros, mas, também, corrigir situações
econômicas ou sociais anômalas.
 
IMPOSTO   é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação
independente de qualquer atividade estatal.
 
Competência Residual  é a permissão dada pela CF à União para a criação de
novos impostos.
 
Tipos de Impostos 
        sobre o comércio exterior;
        sobre o patrimônio e a renda;
        sobre a produção e a circulação;
        sobre operações relativas a combustíveis, lubrificantes, energia elétrica
e minerais e impostos extraordinários;
TAXAS   podem ser criadas e exigidas ela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal
e pelos municípios, mas limitados ao âmbito de suas respectivas atribuições. 
     têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia ou a utilização
efetiva ou potencial de serviço público específico ou posto a sua disposição
Tipos de Taxas 
        taxas de polícia
        taxas de serviços
CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA      podem ser criadas e exigidas pela União,
Estados, Municípios e Distrito Federal, no âmbito de suas respectivas atribuições, tendo
em vista obras públicas de que decorram benefícios aos proprietários de imóveis;
CONTRIBUIÇÕES “PARAFISCAIS”   são certos tributos que ora são verdadeiros
impostos, ora taxas, e às vezes, um misto destas duas categorias e que por delegação,
são arrecadadas  por entidades beneficiárias. Ex.: as contribuições arrecadadas pelo
INSS, pelos Sindicatos, pela OAB e outras entidades profissionais ou econômicas.
EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS   são tributos criados no caso de investimento
público;  possuem natureza contratual.
 
Elementos Fundamentais  
     discriminação das rendas tributárias -  é a partilha das rendas tributárias
entre os membros autônomos da federação (União, Estado, DF e Municípios);
é a outorga de competências (para legislar, arrecadar ou fiscalizar tributos)
e estabelecimento de direitos de participação no produto da arrecadação;
   repartição das receitas tributárias;
   limitações constitucionais ao poder de tributar.
 
Poder Fiscal   é o poder que o Estado (Nação politicamente organizada) possui de
criar tributos e exigi-los das pessoas que se encontrem em sua soberania nacional.
6.  PRINCÍPIOS  GERAIS  TRIBUTÁRIOS
 
Princípios  são vetores das normas. As normas constitucionais não têm a mesma
importância.  Não importa se está implícita ou explícita  a sua importância se mede
pela abrangência da norma.
 
a)      Princípio da Legalidade  ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma
coisa, senão em virtude de lei (princípio da universalidade da legislação).
 
                É vedado às pessoas políticas criar ou aumentar tributo sem lei que o
estabeleça; deve ser lei da pessoa política competente (o sistema tributário foi
redundante).
        Em razão deste princípio se exige que só lei reduza tributos, altere os prazos,
parcelamento, obrigação acessória, enfim, tudo que for importante em matéria
tributária deve ser previsto por lei.
               Alguns definem como princípio da estrita legalidade ou da reserva legal da lei
formal o que leva ao princípio da tipicidade fechada da tributação, o que exige
que a lei seja minuciosa, evitando o emprego da analogia ou da discricionariedade.
 
b)     Princípio da anterioridade  princípio comum do campo tributário, diz que a lei que
cria ou aumenta tributo, ao entrar em vigor, fica com sua eficácia suspensa até
o início do próximo exercício financeiro, quando incidirá e produzirá todos os seus
efeitos no mundo jurídico (não adia a cobrança e sim suspende a eficácia, não há
incidência). Este princípio e o princípio da segurança jurídica evitam a surpresa.
 
        As isenções tributárias devem obedecer a este princípio.
                Exceções: As exceções a este princípio não podem ser criadas pelo poder
reformador, só pelo poder constituinte originário.
        I I - Imposto sobre importação;
        I E - Imposto sobre exportação;
        I P I (pode ter alíquota alterada por decreto)
        I O F (pode ter alíquota alterada por decreto)
        Imposto por Motivo de Guerra;
        empréstimos compulsórios (por  guerra e calamidade publica)
        princípio  da nonagésima  os impostos só podem ser cobradas 90 dias
após a sua edição.
 
c)           Princípio da segurança jurídica   (ou irretroatividade) - princípio universal do
direito.  A segurança jurídica em sua dupla manifestação que é a certeza do direito e
a proibição do arbítrio exige que as leis sejam irretroativas (só produzem efeitos
para o futuro), salvo se para beneficiar o contribuinte (neste caso depende de
previsão expressa).   Como acontece no direito penal a lei deve ser anterior ao fato
imponível.
d)           Princípio da Isonomia  a lei, em princípio, não deve dar tratamento desigual a
contribuintes que se encontrem em situação equivalente.
e)            Princípio da Capacidade Contributiva  faz parte do princípio da isonomia,
consiste em tratar os desiguais de modo desigual, podendo assim o tributo ser
cobrado de acordo com as possibilidades de cada um
f)           Princípio da Vedação de efeitos confiscatórios   o tributo deve ser razoável,
não podendo ser tão oneroso que chegue a representar um verdadeiro confisco;
g)           Princípio da Imunidade recíproca das esferas públicas  a União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios não podem instituir impostos sobre o patrimônio,
renda ou serviço, uns dos outros
h)           Princípio da Imunidade de tráfego  não pode a lei tributária limitar o tráfego
interestadual ou intermunicipal de pessoas ou bens, salvo o pedágio de via
conservada pelo poder público
i)               Princípio da Uniformidade nacional  o tributo da União deve ser igual em todo
território nacional, sem distinção entre os Estados
j)             Princípio da Vedação de distinção em razão de procedência ou destino  é
vedado aos Estados, ao DF e aos Municípios estabelecerdiferença tributária entre
bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino
k)           Princípio da Não-cumulatividade  por este princípio compensa-se o tributo que
for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores.
      Este princípio não é geral, sendo aplicado apenas no IPI, no ICMS e em
eventuais impostos que vierem a ser criados pela União, na sua competência
residual.  Na apuração contábil do IPI e do ICMS, o imposto a ser pago é
lançado como débito, e o que já foi pago nas operações anteriores é lançado
como crédito, a diferença entre esses débitos e créditos é que efetivamente
deve ser recolhido em determinado período.
 
l)        Princípio da Tipicidade  o tributo só incide no caso de fato ou situação típica, ou
seja, de fato ou situação previamente descrita em lei.
 
7.  CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL
 
Teoria da Recepção   Segundo esta teoria, a ordem jurídica implantada pela nova
Constituição recepciona as normas jurídicas infraconstitucionais vigentes sob a égide
da Constituição anterior, desde que sejam compatíveis com a nova Carta Magna. As
normas imcompatíveis são automaticamente revogadas com a vigência da nova
Constituição. O Código Tributário Nacional teve recepcionado a sua maior parte, e
revogados, total ou parcialmente, vários dispositivos, como os relativos aos impostos em
espécie, aos empréstimos compulsórios, etc.
 
8.  TRIBUTO
Conceito é uma obrigação ex lege em moeda, que não se constitui sanção por ato
ilícito e tem como sujeito ativo, normalmente uma pessoa política e, por sujeito passivo,
qualquer pessoa apontada na lei da entidade tributante.
a) é uma obrigação ex lege – Obrigação é o vínculo abstrato de conteúdo patrimonial,
pelo qual, alguém, sujeito passivo, vê-se compelido a dar, fazer, não fazer ou suportar
algo em favor de outrem, sujeito ativo.
        O tributo deriva direta e imediatamente da vontade da lei, por isso, é uma
obrigação ex lege.  Nasce do fato descrito na lei e, por ela considerado, apto
a desencadear obrigações tributárias.  É diferente da obrigação ex vontate –
a Fazenda não vai saber se o contribuinte queria ou não pagar .  Por esta razão
que a capacidade tributária passiva é diferente de capacidade civil (louco tem
que pagar tributo)
 
b) em moeda - a lei só pode obrigar o contribuinte a pagar o tributo em moeda, não terá
que pagar em espécie. Deve ser moeda corrente - reais. É obrigação de dar – dare
pecuniam.
É possível, se o contribuinte quiser ou puder poderá pagar o tributo com algo que, em
moeda, possa se exprimir. (Dação)
c) não constitui sanção - O tributo além de ser uma obrigação ex lege de dar moeda,
não se constitui sanção por ato ilícito. O tributo não é multa. Tem por pressuposto a
prática de um fato lícito qualquer, diferente de multa que pressupõe o descumprimento
de um dever jurídico.
d) sujeito ativo: é o credor do tributo, é a pessoa que tem a titularidade do crédito
tributário, que tem o direito subjetivo de cobrar, de arrecadar o tributo.
        capacidade tributária ativa  O direito subjetivo de cobrar o tributo.
                O sujeito ativo é, normalmente, uma pessoa política, aquela que cria em
abstrato o tributo (quase sempre). Normalmente a mesma pessoa que exerce a
competência tributária (aptidão para criar tributos) também tem a
capacidade tributária (aptidão para cobrar o tributo).
 
e) sujeito passivo: é o devedor do tributo, é a pessoa que tem o dever jurídico de
efetuar o pagamento do tributo, é a que tem capacidade tributária passiva.
                Qualquer pessoa tem capacidade tributária passiva, inclusive as pessoas
políticas, as jurídicas (autarquias, sociedade de economia mista, empresas
públicas, empresas privadas) ou físicas, independentemente de ter ou não
capacidade civil.
                As pessoas políticas e as autarquias são imunes somente aos impostos,
podendo Ter que pagar outro tipo de tributo.
 
Função dos Tributos:
 
      Fiscal  quando seu principal objetivo é a arrecadação de recursos
financeiros para o Estado;
     Extrafiscal   quando seu objetivo principal é a interferência do domínio
econômico, buscando um efeito diverso da simples arrecadação de recursos
financeiros;
      Parafiscal    quando seu objetivo é a arrecadação de recursos para o
custeio de atividades que, em princípio, não integram funções próprias do
Estado, mas este as desenvolve através de entidades específicas.
 
Natureza Jurídica   é determinada pelo seu fato gerador, sendo irrelevantes para
qualificá-la a denominação, a destinação legal.  Assim, o imposto é imposto SE TIVER
FATO GERADOR PRÓPRIO DE IMPOSTO e não de taxa ou contribuição. A análise do
fator gerador não é suficiente, sendo necessária a base de cálculo. As taxas não
poderão ter base de cálculo própria de impostos.
Nascimento da obrigação tributária o tributo nasce quando se verifica, no mundo em
que vivemos, o fato lícito (diferente de multa) e não-voluntário (decorre da vontade da
lei) descrito na hipótese de incidência da norma jurídica tributária (é a lei da pessoa
política competente).
Elementos do tributo  hipótese de incidência, sujeito ativo e passivo, base de cálculo
e alíquota.
        hipótese de incidência: é o fato descrito na lei que acontecido faz nascer
a relação jurídica tributária (o dever de pagar tributo) que tem por objeto a
dívida tributária. Existe no mundo abstrato, é o tipo tributário, é o elemento
diferenciador dos tributos (fato gerador in abstrato). Cuidado com a
expressão fato gerador – é equívoca.
        Fato imponível: é a ocorrência do fato que já era previsto em como apto
a gerar uma obrigação tributária.  É a ocorrência real da descrição
abstrata, é o fato típico do tributo (fato gerador in concreto)
               base de cálculo: é a dimensão legal da materialidade do tributo. Deve
guardar correlação lógica com a Hipótese de Incidência (está embutida na
Hipótese de Incidência), se houver descompasso entre ambas nada poderá ser
cobrado. (é elemento quantitativo). Ex.: IR = a Hipótese de Incidência é obter
rendimentos e a base de cálculo é o quanto do rendimento.
                Na década de 60 em Porto Alegre criaram um IPTU que tinha por
Hipótese de Incidência = ser proprietário e como base de cálculo =
aluguéis (no lugar do valor venal, valor de mercado) - é inconstitucional.
               alíquota: é o critério legal, normalmente expresso em %, que, conjugado à
base de cálculo  permite que se chegue ao quantum debeatur.  Não pode ser
confiscatória (tributo confiscatório é o que retira do contribuinte o mínimo
necessário para sua sobrevivência.  A base de cálculo e a alíquota são
fixadas pela pessoa política tributante).
 
Classificação Jurídica dos Tributos 
I) Quanto às ordens jurídicas podem ser:
a) federais (art. 153 e 154) ,
b) estaduais (art. 155),
c) municipais (art. 156) e
d) distritais.
 
        Todas as leis devem conviver simultânea e harmonicamente, cada qual obedecendo
ao seu campo de atuação, sem hierarquia (uma lei federal não pode criar tributo
municipal e vice-versa).
 
II) Quanto ao fato estar ou não vinculado à atuação estatal :
a) impostos,
b) taxas;
c) contribuições de melhoria.
 
                Impostos  são os tributos que trazem maior retorno econômico, mas
juridicamente têm a mesma importância dos outros.  É o tipo de tributo que
tem por hipótese de incidência um fato qualquer não consistente numa atuação
estatal (não vinculado).
        os impostos podem ser: 
        federais – II, IPI, IE, IOF, IR, ITR, etc.
        estaduais – ICMS, IPVA, etc.        
        municipais – IPTU, ISS, ITBI, etc
 
                A União tem ainda a competência residual, pode, por lei
complementar criar impostos ainda não existentes da CF. Tem
também competência para criar  os impostos extraordinários.        Ao DF cabem tanto os impostos estaduais e os municipais
                IPI, II, IE e IOF não se sujeitam ao princípio da
anterioridade.
 
        Outra classificação de imposto:
                reais (incidem sobre coisa) ou pessoais (incidem sobre
pessoas). Para o direito todos os tributos são pessoais,
porque coisa não pode ser pelo passivo da obrigação
tributária (casa não paga tributo)
               diretos (não repercutem – a carga econômica é suportada
pelo realizador do fato imponível - IR)
                  indiretos (repercutem – a carga econômica é, de algum
modo, transferido para terceira pessoa, que é o consumidor
final - ICMS).
 
 
               imposto extraordinário   permite que a União em caso ou na
iminência de guerra externa, crie qualquer imposto, ainda que
para isso invada o campo que, em época de paz, pertença à outra
pessoa política.
               principal informador dos impostos capacidade contributiva. 
Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão
graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte – é
efeito através da progressividade das alíquotas (ex.: IR tem
alíquota de 15% e 27,5%, dependendo da renda mas, é raro) e
aplica o sistema de deduções de algumas despesas (não se abate
vestuário, alimentos, lazer, transporte, moradia, remédios. Na
verdade deveria incidir só sobre supérfluos).
 
 
        Taxas  é o tipo de tributo que tem por hipótese de incidência uma atuação
estatal diretamente referida ao contribuinte.  A atuação estatal pode
consistir em um: serviço público = taxa de serviço ou um ato de polícia = taxa
de polícia.  O serviço público e ato de polícia podem ser gratuitos mas, se
forem cobrados deve ser por taxa.
a)     taxa de serviço: tem por hipótese de incidência um serviço
público específico e divisível.
Temos duas modalidades:
I)                 gerais - alcançam a comunidade como um todo, não se
refere diretamente a ninguém, a título universal, uti
universi – Ex. iluminação pública, segurança pública,
serviço diplomático, bombeiro etc.
II)                        específicos - alcançam pessoas individualmente
consideradas, refere-se diretamente a alguém, uti
singuli, dotados de divisibilidade.  Ex. iluminação
domiciliar, água potável, telefone etc.
b)                taxa de polícia: tributos que tem por hipótese de incidência
atos de polícia de efeitos concretos. Ex.: taxa de fiscalização
e inspeção de bebidas alcoólicas (federal), taxa de porte de
arma (estadual), taxa de licença para construir (municipal)
        principal informador das taxas  princípio  da retributividade
– a finalidade da taxa é compensar a pessoa política pelo ato que
presta, portanto, deve haver uma correlação entre o custo da
atuação estatal e o valor cobrado a título de taxa, segundo certa
dose de razoabilidade (não serve para encher os cofres públicos
como os impostos).
                as taxas não poderão ter base de cálculo própria de
impostos (a CVM – taxa de comissão de valores mobiliários,
tinha como base de cálculo o patrimônio líquido das
empresas – típico de imposto – é inconstitucional)
 
               Contribuição de melhoria  é o tipo de tributo que tem por hipótese de
incidência uma atuação estatal indiretamente referida ao contribuinte. 
Tributo que tem por hipótese de incidência  a valorização imobiliária causada
por uma obra pública.  Para a cobrança da contribuição é necessário a obra
pública e que esta cause valorização no imóvel do contribuinte – relação
causalidade (não precisa ser absoluta). Só pode ser cobrada depois de
concluída a obra.
                Principal  informador: princípio da proporcionalidade – o
contribuinte devolve à comunidade parte do especial benefício
recebido em razão da obra.
        Empréstimos compulsórios:
               Somente a União pode instituir e exige Lei Complementar.  Poderão ser
criados para:
        atender as despesas extraordinárias decorrentes de guerra externa ou
sua iminência e calamidade pública;
                investimento público de caráter urgente e de relevante interesse
nacional, obedecido o princípio da anterioridade.

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