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Universidade Federal de Goiás
Instituto de Química
Curso de Bacharelado em Química
Prof. Dr. Paulo Sérgio de Souza
Carlos Rafael Dufrayer, Isabella Fonseca e Michel Moreira
1. DETERMINAÇÃO DE NITRITO EM PRODUTO COMERCIAL POR ESPECTROFOTOMETRIA NO VISÍVEL
Goiânia – GO
22 de outubro de 2016
Universidade Federal de Goiás
Instituto de Química
Curso de Bacharelado em Química
Prof. Dr. Paulo Sérgio de Souza
Carlos Rafael Dufrayer, Isabella Fonseca e Michel Moreira
1. DETERMINAÇÃO DE NITRITO EM PRODUTO COMERCIAL POR ESPECTROFOTOMETRIA NO VISÍVEL
 
 
Relatório da disciplina de Análise Instrumental 1 do Curso de Bacharelado em Química como requisito parcial para obtenção da média semestral
Goiânia – GO
22 de outubro de 2016
1. INTRODUÇÃO 
O nitrito de sódio, comumente referenciado como salitre, é utilizado pela indústria de alimentos como auxiliar no processamento de embutidos. Tem a função de impedir a deterioração do alimento por ação antimicrobiana, além de conferir ao embutido coloração avermelhada e odor agradável (BELL, 2006).
Quando ingerido, o nitrito é absorvido pela mucosa do estomago na forma de ácido nitroso (HNO2), tendo acesso facilmente à corrente sanguínea, onde é distribuído por todo o organismo. O nitrito causa relaxamento muscular, por converter a mioglobina e metamioglobina, por oxidação do Fe2+ à Fe3+, reduzindo a capacidade da contração muscular. Sendo a intoxicação em elevadas concentrações, podem levar a relaxamento do diafragma e do miocárdio, resultando em problemas na frequência cardíaca e respiratória. Uma vez metabolizados, são excretados na forma de nitratos pelos rins (WEXLER, 2005).
O nitrito é analisado por técnica espectrofotométrica de absorção direta, na região do visível, em meio aquoso. Esta técnica depende da diazotização da -naftilamina pelo ácido nitroso (nitrito em meio ácido), seguido pela união com a sulfanilamida, para formar um complexo de coloração vermelha conforme a Figura 1, cuja concentração obedece à lei de Lambert-Beer em um comprimento de onda entre de 480 e 520 nm (VOGEL, 1990).
Figura 1. Formação do complexo de coloração vermelha. Disponível em: .
1.2 OBJETIVO 
O objetivo do experimento consiste na determinação do nitrito em produto comercial através da técnica de espectrofotometria na região do visível.
2. PROCEDIMENTO 
2.1 MATERIAIS 
· Espectrofotômetro Femto 700 Plµs;
· Bureta de 10 mL;
· Balão volumétrico de 50 mL;
· Béquer de 100 mL;
· Béquer de 50 mL;
· Micropipeta de 1000 μL;
· Ponteira com capacidade para 1000 μL;
· Funil de vidro;
· Papel filtro;
· Pipeta de Pasteur;
· Suporte com garra.
2.2 REAGENTES UTILIZADOS 
· Solução estoque de Nitrito 1000 mg/L;
· Solução de sulfanilamida;
· Solução de -naftilamina.
2.3 PROCEDIMENTO 
a) Para a preparação dos padrões:
Os padrões de Nitrito foram obtidos por diluição a partir de uma solução padrão secundário de NO2- a 10 mg/L, sendo este obtido a partir de uma alíquota de 1,0 mL padrão de 1000 mg, utilizando uma micropipeta, com posterior diluição para 100 mL. 
Para a obtenção destes padrões, foi realizada uma transferência de alíquotas de 0,5; 1,0; 1,5; 2,0; 2,5 mL da solução estoque para cinco balões volumétricos de 50 mL, com o auxílio de uma bureta de 10 mL, previamente ambientada e aferida. 
Após a transferência da alíquota da solução estoque para os balões, adicionou-se 1,0 mL do reagente de cor A (sulfanilamina), onde procedeu-se a homogeneização e manteve-se a solução em repouso por 5 minutos. Após este período, adicionou-se 1,0 mL do reagente de cor B (-naftilamina), permanecendo-se em repouso por 20 minutos antes da diluição para o volume final com água. 
Completou-se o volume destes balões volumétricos com água destilada, resultando em padrões de 1,0; 2,0; 3,0; 4,0; 5,0 mg/L respectivamente.
b) Para o ajuste de máximo de absorção: 
Com o intuito de estabelecer o comprimento de onda de maior absorção, realizou-se uma varredura espectral entre 580 e 640 nm, em intervalo de 5 nm de resolução, utilizando o padrão de 1,0 mg/L, estabelecendo-se então o comprimento de 500 nm o de maior absorção.
c) Para o preparo da amostra:
A salsicha comercial foi selecionada como o embutido para determinação de nitrito. Pesou-se uma massa de 1,0757 gramas de salsicha comercial. Colocou-se em um béquer de 100 mL a amostra, e adicionou-se 50 mL de água destilada. Após esse procedimento, colocou-se o béquer em uma manta de aquecimento, previamente aquecida, por 50 minutos, para a extração do nitrito da amostra do embutido e redução do volume do extrato.
Após o aquecimento, filtrou-se o extrato com o auxílio de um funil de vidro contendo o papel filtro, diretamente num balão volumétrico de 50 mL. 
Finalizada a filtragem, transferiu-se para o balão volumétrico contendo a amostra 1,0 mL do reagente de cor A, com repouso por 5 minutos; após o período de tempo em repouso, colocou-se 1,0 mL do reagente de cor B, com repouso por 20 minutos. Preencheu-se o balão volumétrico até o traço de aferição com água destilada, e homogeneizou-se a solução obtida.
d) Para a obtenção da curva de calibração e análise da amostra:
Realizou-se o procedimento em triplicada para a obtenção dos valores obtidos para a curva de calibração. Uma vez estabelecido o máximo de absorção, as leituras foram feitas na ordem crescente de concentração. 
Antes leitura de um novo padrão, foi procedida a lavagem da cubeta com enxágue de três vezes, com referido padrão para eliminar interferências do padrão anterior.
O mesmo procedimento foi realizado para a leitura da solução contendo a amostra, ou seja, “lavagem” em três vezes com a solução da amostra e a leitura da mesma em triplicata.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 
Partindo de uma solução padrão de concentração 10 mg/L foram preparadas 5 soluções com diferentes concentrações, de 0,2 à 1,0 mg/L. É necessário o cálculo do volume de padrão necessário para cada concentração, e então adicionar 1,0 mL do reagente cor A e 20 minutos depois, 1,0 mL do reagente cor B. A adição desses dois reagentes forma um complexo rosa na presença de NO2-. A intensidade dessa cor é proporcional à concentração de NO2- na solução.
· Cálculo do volume necessário da solução padrão de NO2- para as concentrações necessárias: 
· 0,2 mg/L:
Ca x Va = Cb x Vb
(10 mg/L) x Va = (0,2 mg/L) x (50,0 mL)
Va = (0,2 mg/L) x (50,0 mL) / (10 mg/L)
Va = 1,0 mL.
· 0,4 mg/L:
Ca x Va = Cb x Vb
(10 mg/L) x Va = (0,4 mg/L) x (50,0 mL)
Va = (0,4 mg/L) x (50,0 mL) / (10 mg/L)
Va = 2,0 mL.
· 0,6 mg/L:
Ca x Va = Cb x Vb
(10 mg/L) x Va = (0,6 mg/L) x (50,0 mL)
Va = (0,6 mg/L) x (50,0 mL) / (10 mg/L)
Va = 3,0 mL.
· 0,8 mg/L:
Ca x Va = Cb x Vb
(10 mg/L) x Va = (0,8 mg/L) x (50,0 mL)
Va = (0,8 mg/L) x (50,0 mL) / (10 mg/L)
Va = 4,0 mL.
· 1,0 mg/L:
Ca x Va = Cb x Vb
(10 mg/L) x Va = (1,0 mg/L) x (50,0 mL)
Va = (1,0 mg/L) x (50,0 mL) / (10 mg/L)
Va = 5,0 mL.
· Varredura espectral da amostra padrão:
 
Realizou-se a varredura espectral da amostra de 0,2 mg/L do padrão preparado, este procedimento é realizado para que se possa determinar o comprimento de onda (nm) em que ocorre a maior absorbância da amostra de NO2-. A Tabela 1 contém os dados obtidos da varredura espectral.
Tabela 1. Dados obtidos da varredura espectral do padrão de NO2- 0,2 mg/L para o intervalo de comprimento de onda 500-570 (nm):
	λ (nm)
	Absorbância
	λ (nm)
	Absorbância
	500
	0,186
	535
	0,133
	505
	0,167
	540
	0,098
	510
	0,184
	545
	0,102
	515
	0,173
	550
	0,052
	520
	0,153
	555
	0,048
	525
	0,167
	560
	0,029
	530
	0,162
	570
	0,015
A partir da varredura espectral, foi selecionado o comprimento de onda mais adequado, de 500 nm, no qual ocorre a maior absorbância. Com base no valor selecionado, foi construída a curva analítica da solução padrãode NO2- nas concentrações de 0,2 à 1,0 mg/L. Cada análise foi realizada em triplicata, para cada concentração, visando assim uma maior precisão dos valores. Os valores de absorbância obtidos para as amostras de diferentes concentrações estão presentes na Tabela 2.
Tabela 2. Dados relativos aos valores e média de absorbância aferidos para cada concentração específica do padrão de NO2-:
	NO2- (mg/L)
	Absorbância 1
	Absorbância 2
	Absorbância 3
	Média
	0,2
		0,186
	0,182
	0,184
	0,184
	0,4
	0,343
	0,349
	0,345
	0,345
	0,6
	0,524
	0,524
	0,523
	0,524
	0,8
	0,724
	0,727
	0,720
	0,724
	1,0
	0,889
	0,883
	0,886
	0,886
A partir da média dos valores de absorbância, construiu-se a curva de calibração concentrações x absorbância, e então obteve-se os valores da equação da reta.
Gráfico 1. Curva de calibração obtida da absorbância x concentração.
· Preparação da amostra para análise:
Pesou-se 1,0757 g de salsicha, adicionou-se 50 mL de água e colocou para ferver. O processo de fervura é importante na extração do corante da salsicha, que contém a maior parte do NO2- presente na amostra. Após o processo de fervura, a amostra foi filtrada para um balão volumétrico de 50 mL e então houve a adição dos reagentes necessários, cor A e cor B. Como a amostra já estava dentro da curva de calibração, não sendo necessário fazer diluições.
Tabela 3. Dados relativos aos valores e média de absorbância aferidos para a amostra preparada da salsicha:
	Amostras
	Absorbância 1
	Absorbância 2
	Absorbância 3
	Média
	1
	0,187
	0,189
	0,192
	0,189
A partir da equação da reta (x = y – 0,0011 / 0,8899), onde x é a concentração real da amostra e y é a absorbância, é possível determinar o valor real da concentração de NO2- na salsicha.
· Cálculo do valor real da concentração de NO2- na amostra de salsicha comercial:
X1 = y – 0,0011 / 0,8899
X1 = 0,189 – 0,0011 / 0,8899
X1 = 0,211 mg/L.
0,211 mg --------- 1000 mL
 X2 --------- 50 mL
X2 = 0,01055 mg.
0,01055 mg --------- 1,0757 g
 X3 ---------- 1000 g
X3 = 9,80 mg/kg.
A amostra preparada e analisada apresentou uma concentração real de NO2- de 9,8 mg/kg. 
4. CONCLUSÃO 
Utilizando a técnica de espectrofotometria na região do visível, foi possível realizar a análise da concentração real de NO2-, presente na amostra de salsicha fornecida. 
Como pôde-se observar, o valor encontrado da concentração real para a amostra de salsicha foi de 9,8 mg/kg, sendo este resultado muito discrepante do estipulado pela ANVISA, que seria entre 150 – 300 mg/kg.
Portanto, conclui-se que conforme o resultado obtido foi baixo, não se obteve êxito por fatores internos, tais como a abertura da amostra que não foi efetiva, erros no preparo das soluções ou erros nos reagentes utilizados para a efetivação da análise, entre outros. 
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SOUZA, P. S. de. Apostila de Análise Instrumental 1. (2016) Goiânia–GO, p. 41-42.
VOGEL, A. Análise Química Quantitativa. (1990), Guanabara Koogan, 5ª ed., Rio de Janeiro - RJ, p. 566-567.
BELL, S. Forensic Chemistry. (2006), Paerson Prentice Hal, 10ª ed., New Jersey, p. 443-445.
WEXLER, P. Encyclopedia of Toxicology. (2005), Academic Press, 1ª ed., v. 3, New York, p. 232-235.
0	0.2	0.4	0.6	0.8	1	0	0.184	0.34499999999999997	0.52400000000000002	0.72399999999999998	0.88600000000000001	Concentração mg/L
Absorbância
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image2.wmf
N
H
2
N
N
+
H
N
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