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Considere-se, agora, de férias em um país estrangeiro; você repara que nesse Estado é comum que crianças comecem a trabalhar desde idades muito precoces. Ao classificar tal fato como algo incorreto, você provavelmente acredita que existem padrões mínimos de respeito à infância que devem ser observados no Brasil, no país onde você se encontra e em qualquer outro lugar do mundo, sob uma perspectiva universalista. Se, no entanto, você admite que existem particularidades culturais desse povo que justifiquem tal situação, é o enfoque relativista que se sobrepõe em seu raciocínio. Esses impasses e outros dilemas morais presentes em nossas vidas ressaltam a pluralidade de situações em que não há respostas absolutas ou preconcebidas, elevando a importância do estudo da ética em nosso desenvolvimento individual e coletivo. A emergência dessas questões é algo incontornável da vida humana, e a desatenção em relação aos dilemas tende a ser ainda mais problemática do que as dúvidas por eles suscitadas, na medida em que sugere uma condução automatizada dos afazeres cotidianos, cujo efeito prático é a negação da própria liberdade (Conti, 2019). Passados mais de dois mil anos do advento da ética enquanto campo fundamental do conhecimento humano, continuamos a deparar com situações nas quais o exercício de nossa liberdade de escolha encontra-se cheio de dúvidas e angústias diante da inexistência de valores ou critérios incontestáveis para agir humano. Se é verdade que os avanços tecnológicos nos auxiliam a encontrar algumas respostas para problemas cotidianos que atingem a humanidade, formulando maiores certezas em temas antes duvidosos, temos de reconhecer que as potencialidades oferecidas pelo desenvolvimento científico contemporâneo abrem novos campos de discussão envolvendo a ética.

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