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Lín gu a Po rt ug ue sa Prefeitura de São João de Meriti – RJ Agente Comunitário de Saúde Língua Portuguesa Leitura, compreensão e interpretação de textos ............................................................ 1 Vocabulário: sentido denotativo e conotativo, sinonímia, antonímia, homonímia, paronímia e polissemia................................................................................................... 5 Ortografia: emprego das letras, das palavras e da acentuação gráfica. ........................ 6 Pontuação: emprego de todos os sinais de pontuação ................................................. 9 Classes de palavras: pronomes - classificação, emprego e colocação pronominal (pró- clise, ênclise e mesóclise) .............................................................................................. 14 Verbos - emprego dos modos e tempos, flexões dos verbos irregulares, abundantes e defectivos ....................................................................................................................... 19 vozes verbais.................................................................................................................. 23 Preposições - relações semânticas estabelecidas pelas preposições e locuções prep- ositivas; conjunções - classificação, relações estabelecidas por conjunções, locuções conjuntivas; substantivos - classificação e flexões; adjetivos - classificação e flexões ............................................................................................................................ 25 Concordância nominal e concordância verbal................................................................ 34 Regência nominal e regência verbal .............................................................................. 36 Emprego do acento indicativo de crase ......................................................................... 39 Exercícios ....................................................................................................................... 40 Gabarito .......................................................................................................................... 51 Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 1 Leitura, compreensão e interpretação de textos. Definição Geral Embora correlacionados, esses conceitos se distinguem, pois sempre que compreendemos adequadamente um texto e o objetivo de sua mensagem, chegamos à interpretação, que nada mais é do que as conclusões específicas. Exemplificando, sempre que nos é exigida a compreensão de uma questão em uma avaliação, a resposta será localizada no próprio no texto, posteriormente, ocorre a interpretação, que é a leitura e a conclusão fundamentada em nossos conhecimentos prévios. Compreensão de Textos Resumidamente, a compreensão textual consiste na análise do que está explícito no texto, ou seja, na identificação da mensagem. É assimilar (uma devida coisa) intelectualmente, fazendo uso da capacidade de entender, atinar, perceber, compreender. Compreender um texto é apreender de forma objetiva a mensagem transmitida por ele. Portanto, a compreensão textual envolve a decodificação da mensagem que é feita pelo leitor. Por exemplo, ao ouvirmos uma notícia, automaticamente compreendemos a mensagem transmitida por ela, assim como o seu propósito comunicativo, que é informar o ouvinte sobre um determinado evento. Interpretação de Textos É o entendimento relacionado ao conteúdo, ou melhor, os resultados aos quais chegamos por meio da associação das ideias e, em razão disso, sobressai ao texto. Resumidamente, interpretar é decodificar o sentido de um texto por indução. A interpretação de textos compreende a habilidade de se chegar a conclusões específicas após a leitura de algum tipo de texto, seja ele escrito, oral ou visual. Grande parte da bagagem interpretativa do leitor é resultado da leitura, integrando um conhecimento que foi sendo assimilado ao longo da vida. Dessa forma, a interpretação de texto é subjetiva, podendo ser diferente entre leitores. Exemplo de compreensão e interpretação de textos Para compreender melhor a compreensão e interpretação de textos, analise a questão abaixo, que aborda os dois conceitos em um texto misto (verbal e visual): FGV > SEDUC/PE > Agente de Apoio ao Desenvolvimento Escolar Especial > 2015 Português > Compreensão e interpretação de textos A imagem a seguir ilustra uma campanha pela inclusão social. “A Constituição garante o direito à educação para todos e a inclusão surge para garantir esse direito também aos alunos com deficiências de toda ordem, permanentes ou temporárias, mais ou menos severas.” A partir do fragmento acima, assinale a afirmativa incorreta. (A) A inclusão social é garantida pela Constituição Federal de 1988. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 2 (B) As leis que garantem direitos podem ser mais ou menos severas. (C) O direito à educação abrange todas as pessoas, deficientes ou não. (D) Os deficientes temporários ou permanentes devem ser incluídos socialmente. (E) “Educação para todos” inclui também os deficientes. Comentário da questão: Em “A” o texto é sobre direito à educação, incluindo as pessoas com deficiência, ou seja, inclusão de pessoas na sociedade. = afirmativa correta. Em “B” o complemento “mais ou menos severas” se refere à “deficiências de toda ordem”, não às leis. = afirmativa incorreta. Em “C” o advérbio “também”, nesse caso, indica a inclusão/adição das pessoas portadoras de deficiência ao direito à educação, além das que não apresentam essas condições. = afirmativa correta. Em “D” além de mencionar “deficiências de toda ordem”, o texto destaca que podem ser “permanentes ou temporárias”. = afirmativa correta. Em “E” este é o tema do texto, a inclusão dos deficientes. = afirmativa correta. Resposta: Logo, a Letra B é a resposta Certa para essa questão, visto que é a única que contém uma afirmativa incorreta sobre o texto. IDENTIFICANDO O TEMA DE UM TEXTO O tema é a ideia principal do texto. É com base nessa ideia principal que o texto será desenvolvido. Para que você consiga identificar o tema de um texto, é necessário relacionar as diferentes informações de forma a construir o seu sentido global, ou seja, você precisa relacionar as múltiplas partes que compõem um todo significativo, que é o texto. Em muitas situações, por exemplo, você foi estimulado a ler um texto por sentir-se atraído pela temática re- sumida no título. Pois o título cumpre uma função importante: antecipar informações sobre o assunto que será tratado no texto. Em outras situações, você pode ter abandonado a leitura porque achou o título pouco atraente ou, ao con- trário, sentiu-se atraído pelo título de um livro ou de um filme, por exemplo. É muito comum as pessoas se interessarem por temáticas diferentes, dependendo do sexo, da idade, escolaridade, profissão, preferências pessoais e experiência de mundo, entre outros fatores. Mas, sobre que tema você gosta de ler? Esportes, namoro, sexualidade, tecnologia, ciências, jogos, novelas, moda, cuidados com o corpo? Perceba, portanto, que as temáticas são praticamente infinitas e saber reco- nhecer o tema de um texto é condição essencial para se tornar um leitor hábil. Vamos, então, começar nossos estudos? Propomos, inicialmente, que você acompanhe um exercício bem simples, que, intuitivamente, todo leitor faz ao ler um texto: reconhecer o seu tema. Vamos ler o texto a seguir? CACHORROS Os zoólogos acreditam que o cachorro se originou de uma espécie de lobo que vivia na Ásia. Depois os cães se juntaram aos seres humanos e se espalharam por quase todo o mundo. Essa amizade começou há uns 12 mil anos, no tempo em que as pessoas precisavam caçar para se alimentar. Os cachorros perceberam que, se não atacassem os humanos, podiam ficar perto deles e comer a comida que sobrava. Já os homens descobriram que os cachorros podiam ajudar a caçar, apernis. - por eis (paroxítonas): fóssil, fósseis / réptil, répteis / projétil, projéteis. - m por ns: nuvem, nuvens / som, sons / vintém, vinténs / atum, atuns. - zito, zinho - 1º coloca-se o substantivo no plural: balão, balões. 2º elimina-se o S + zinhos. Balão – balões – balões + zinhos: balõezinhos. Papel – papéis – papel + zinhos: papeizinhos. Cão – cães - cãe + zitos: Cãezitos. Alguns substantivos terminados em X são invariáveis (valor fonético = cs): os tórax, os tórax / o ônix, os ônix / a fênix, as fênix / uma Xerox, duas Xerox / um fax, dois fax. Substantivos terminados em ÃO com mais de uma forma no plural: aldeão, aldeões, aldeãos; verão, verões, verãos; anão, anões, anãos; guardião, guardiões, guardiães; corrimão, corrimãos, corrimões; ancião, anciões, anciães, anciãos; ermitão, ermitões, ermitães, ermitãos. Metafonia - apresentam o “o” tônico fechado no singular e aberto no plural: caroço (ô), caroços (ó) / imposto (ô), impostos (ó). Substantivos que mudam de sentido quando usados no plural: Fez bem a todos (alegria); Houve separação de bens. (Patrimônio); Conferiu a féria do dia. (Salário); As férias foram maravilhosas. (Descanso). Substantivos empregados somente no plural: Arredores, belas-artes, bodas (ô), condolências, cócegas, costas, exéquias, férias, olheiras, fezes, núpcias, óculos, parabéns, pêsames, viveres, idos, afazeres, algemas. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 31 Plural dos Substantivos Compostos Somente o segundo (ou último) elemento vai para o plural: - palavra unida sem hífen: pontapé = pontapés / girassol = girassóis / autopeça = autopeças. - verbo + substantivo: saca-rolha = saca-rolhas / arranha-céu = arranha-céus / bate-bola = bate-bolas / guar- da-roupa = guarda-roupas / guarda-sol = guarda-sóis. - elemento invariável + palavra variável: sempre-viva = sempre-vivas / abaixo-assinado = abaixo-assinados / recém-nascido = recém-nascidos / ex-marido = ex-maridos / autoescola = autoescolas. - palavras repetidas: o reco-reco = os reco-recos / o tico-tico = os tico-ticos / o corre-corre = os corre-corres. - substantivo composto de três ou mais elementos não ligados por preposição: o bem-me-quer = os bem- -me-queres / o bem-te-vi = os bem-te-vis / o fora-da-lei = os fora-da-lei / o ponto-e-vírgula = os ponto e vírgulas / o bumba meu boi = os bumba meu bois. - quando o primeiro elemento for: grão, grã (grande), bel: grão-duque = grão-duques / grã-cruz = grã-cruzes / bel-prazer = bel-prazeres. Somente o primeiro elemento vai para o plural: - substantivo + preposição + substantivo: água de colônia = águas-de-colônia / mula-sem-cabeça = mulas- -sem-cabeça / pão-de-ló = pães-de-ló / sinal-da-cruz = sinais-da-cruz. - quando o segundo elemento limita o primeiro ou dá ideia de tipo, finalidade: samba-enredo = sambas-en- redo / pombo-correio = pombos-correio / salário-família = salários-família / banana-maçã = bananas-maçã / vale-refeição = vales-refeição (vale = ter valor de, substantivo+especificador) Os dois elementos ficam invariáveis quando houver: - verbo + advérbio: o ganha-pouco = os ganha-pouco / o cola-tudo = os cola-tudo / o bota-fora = os bota-fora - os compostos de verbos de sentido oposto: o entra-e-sai = os entra-e-sai / o leva-e-traz = os leva-e-traz / o vai-e-volta = os vai-e-volta. Os dois elementos, vão para o plural: - substantivo + substantivo: decreto-lei = decretos-leis / abelha-mestra = abelhas-mestras / tia-avó = tias-a- vós / tenente-coronel = tenentes-coronéis / redator-chefe = redatores-chefes. - substantivo + adjetivo: amor-perfeito = amores-perfeitos / capitão-mor = capitães-mores / carro-forte = carros-fortes / obra-prima = obras-primas / cachorro-quente = cachorros-quentes. - adjetivo + substantivo: boa-vida = boas-vidas / curta-metragem = curtas-metragens / má-língua = más-lín- guas / - numeral ordinal + substantivo: segunda-feira = segundas-feiras / quinta-feira = quintas-feiras. Composto com a palavra guarda só vai para o plural se for pessoa: guarda-noturno = guardas-noturnos / guarda-florestal = guardas-florestais / guarda-civil = guardas-civis / guarda-marinha = guardas-marinha. Plural dos nomes próprios personalizados: os Almeidas / os Oliveiras / os Picassos / os Mozarts / os Ken- nedys / os Silvas. Plural das siglas, acrescenta-se um s minúsculo: CDs / DVDs / ONGs / PMs / Ufirs. Grau (aumentativo/diminutivo) Os substantivos podem ser modificados a fim de exprimir intensidade, exagero ou diminuição. A essas mo- dificações é que damos o nome de grau do substantivo. Os graus aumentativos e diminutivos são formados por dois processos: - Sintético: com o acréscimo de um sufixo aumentativo ou diminutivo: peixe – peixão; peixe-peixinho; sufixo inho ou isinho. - Analítico: formado com palavras de aumento: grande, enorme, imensa, gigantesca (obra imensa / lucro enorme / carro grande / prédio gigantesco); e formado com as palavras de diminuição (diminuto, pequeno, mi- núscula, casa pequena, peça minúscula, saia diminuta). Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 32 - Sem falar em aumentativo e diminutivo alguns substantivos exprimem também desprezo, crítica, indiferen- ça em relação a certas pessoas e objetos: gentalha, mulherengo, narigão, gentinha, coisinha, povinho, livreco. - Já alguns diminutivos dão ideia de afetividade: filhinho, Toninho, mãezinha. - Em consequência do dinamismo da língua, alguns substantivos no grau diminutivo e aumentativo adquiri- ram um significado novo: portão, cartão, fogão, cartilha, folhinha (calendário). - As palavras proparoxítonas e as palavras terminadas em sílabas nasal, ditongo, hiato ou vogal tônica recebem o sufixo zinho(a): lâmpada (proparoxítona) = lampadazinha; irmão (sílaba nasal) = irmãozinho; herói (ditongo) = heroizinho; baú (hiato) = bauzinho; café (voga tônica) = cafezinho. - As palavras terminadas em s ou z, ou em uma dessas consoantes seguidas de vogal recebem o sufixo inho: país = paisinho; rapaz = rapazinho; rosa = rosinha; beleza = belezinha. - Há ainda aumentativos e diminutivos formados por prefixação: minissaia, maxissaia, supermercado, mini- calculadora. ADJETIVO — Adjetivo É a classe de palavras que se associa ao substantivo para alterar o seu significado, atribuindo-lhe caracterização conforme uma qualidade, um estado e uma natureza, bem como uma quantidade ou extensão à palavra, locução, oração ou pronome. Os tipos de adjetivos – Simples e composto: com apenas um radical, é adjetivo simples (bonito, grande, esperto, miúdo, regular); apresenta mais de um radical, é composto (surdo-mudo, afrodescendente, amarelo-limão). – Primitivo e derivado: o adjetivo que origina outros adjetivos é primitivo (belo, azul, triste, alegre); adjetivos originados de verbo, substantivo ou outro adjetivo são classificados como derivados (ex.: substantivo morte → adjetivo mortal; verbo lamentar → adjetivo lamentável). – Pátrio ou gentílico: é a palavra que indica a nacionalidade ou origem de uma pessoa (paulista, brasileiro, mineiro, latino). O gênero dos adjetivos – Uniformes: possuem forma única para feminino e masculino, isto é, não flexionam seu termo. Exemplo: “Fred é um amigo leal.” / “Ana é uma amiga leal.” – Biformes: os adjetivos desse tipo possuem duas formas, que variam conforme o gênero. Exemplo: “Meni- no travesso.”/”Menina travessa”. O número dos adjetivos Por concordarem com o número do substantivo a que se referem, os adjetivos podem estar no singular ou no plural. Assim, a sua composição acompanha os substantivos. Exemplos: pessoa instruída → pessoas instruídas; campo formoso → campos formosos. O grau dos adjetivos Quanto ao grau, os adjetivos se classificam em comparativo (compara qualidades) e superlativo (intensifica qualidades). – Comparativo de igualdade: “O novo emprego é tão bom quanto o anterior.” – Comparativo de superioridade: “Maria é mais prestativa do que Luciana.” – Comparativo de inferioridade:“O gerente está menos atento do que a equipe.” – Superlativo absoluto: refere-se a apenas um substantivo, podendo ser: • Analítico: “A modelo é extremamente bonita.” • Sintético: “Pedro é uma pessoa boníssima.” – Superlativo relativo: refere-se a um grupo, podendo ser de: • Superioridade - “Ela é a professora mais querida da escola.” Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 33 • Inferioridade - “Ele era o menos disposto do grupo.” Pronome adjetivo Recebem esse nome porque, assim como os adjetivos, esses pronomes alteram os substantivos aos quais se referem. Assim, esse tipo de pronome flexiona em gênero e número para fazer concordância com os subs- tantivos. Exemplos: “Esta professora é a mais querida da escola.” (o pronome adjetivo esta determina o subs- tantivo comum professora). Locução adjetiva Uma locução adjetiva é formada por duas ou mais palavras, que, associadas, têm o valor de um único adje- tivo. Basicamente, consiste na união preposição + substantivo ou advérbio. Exemplos: – Criaturas da noite (criaturas noturnas). – Paixão sem freio (paixão desenfreada). – Associação de comércios (associação comercial). Número O plural dos adjetivos simples flexiona de acordo com o substantivo a que se referem: menino chorão = meninos chorões / garota sensível = garotas sensíveis. - quando os dois elementos formadores são adjetivos, só o segundo vai para o plural: questões político-par- tidárias, olhos castanho-claros, senadores democrata-cristãos. - composto formado de adjetivo + substantivo referindo-se a cores, o adjetivo cor e o substantivo perma- necem invariáveis, não vão para o plural: terno azul-petróleo = ternos azul-petróleo (adjetivo azul, substantivo petróleo); saia amarelo-canário = saias amarelo-canário (adjetivo, amarelo; substantivo canário). - as locuções adjetivas formadas de cor + de + substantivo, ficam invariáveis: papel cor-de-rosa = papéis cor-de-rosa / olho cor-de-mel = olhos cor-de-mel. - são invariáveis os adjetivos raios ultravioleta / alegrias sem-par, piadas sem-sal. Grau O grau do adjetivo exprime a intensidade das qualidades dos seres. O adjetivo apresenta duas variações de grau: comparativo e superlativo. O grau comparativo é usado para comparar uma qualidade entre dois ou mais seres, ou duas ou mais qua- lidades de um mesmo ser. Pode ser de igualdade, de superioridade e de inferioridade: - de igualdade: iguala duas coisas ou duas pessoas: Sou tão alto quão / quanto / como você. (As duas pes- soas têm a mesma altura) - de superioridade: iguala duas pessoas / coisas sendo que uma é mais do que a outra: Minha amiga Manu é mais elegante do que / que eu. (Das duas, a Manu é mais) Podem ser: Analítico: mais bom / mais mau / mais grande / mais pequeno: O salário é mais pequeno do que justo (salá- rio pequeno e justo). Quando comparamos duas qualidades de um mesmo ser, podemos usar as formas: mais grande, mais mau, mais bom, mais pequeno. Em comparação de qualidades ou atributos, use mais bom, mais mau: O homem é mais bom que mau. O mesmo vale para grande e pequeno. Use mais grande e mais pequeno, em vez de maior e menor, em casos como: A cidade é mais pequena que grande (e não menor que maior).[ https://www12.senado.leg.br/ manualdecomunicacao/redacao-e-estilo/estilo/mais-bom-mais-mau.] Sintético: bom, melhor / mau, pior / grande, maior / pequeno, menor: Esta sala é melhor do que / que aquela. - de inferioridade: um elemento é menor do que outro: Somos menos passivos do que / que tolerantes. O grau superlativo apresenta característica intensificada. Pode ser absoluto ou relativo: - Absoluto: atribuída a um só ser; de forma absoluta. Pode ser: Analítico: advérbio de intensidade muito, intensamente, bastante, extremamente, excepcionalmente + adje- tivo (Nicola é extremamente simpático). Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 34 Sintético: adjetivo + issimo, imo, ílimo, érrimo (Minha comadre Mariinha é agradabilíssima). - o sufixo -érrimo é restrito aos adjetivos latinos terminados em r; pauper (pobre) = paupérrimo; macer (ma- gro) = macérrimo; - forma popular: radical do adjetivo português + íssimo (pobríssimo); - adjetivos terminados em vel + bilíssimo: amável = amabilíssimo; - adjetivos terminados em eio formam o superlativo apenas com i: feio = feíssimo / cheio = cheíssimo. - os adjetivos terminados em io forma o superlativo em iíssimo: sério = seriíssimo / necessário = necessa- riíssimo / frio = friíssimo. Usa-se também, no superlativo: - prefixos: maxinflação / hipermercado / ultrassonografia / supersimpática. - expressões: suja à beça / pra lá de sério / duro que nem sola / podre de rico / linda de morrer / magro de dar pena. - adjetivos repetidos: fofinho, fofinho (=fofíssimo) / linda, linda (=lindíssima). - diminutivo ou aumentativo: cheinha / pequenininha / grandalhão / gostosão / bonitão. - linguagem informal, sufixo érrimo, em vez de íssimo: chiquérrimo, chiquetérrimo, elegantérrimo. - Relativo: ressalta a qualidade de um ser entre muitos, com a mesma qualidade. Pode ser: De Superioridade: Wilma é a mais prendada de todas as suas amigas. (Ela é a mais de todas) De Inferioridade: Paulo César é o menos tímido dos filhos. Concordância nominal e concordância verbal Visão Geral: sumariamente, as concordâncias verbal e nominal estudam a sintonia entre os componentes de uma oração. – Concordância verbal: refere-se ao verbo relacionado ao sujeito, sendo que o primeiro deve, obrigatoriamente, concordar em número (flexão em singular e plural) e pessoa (flexão em 1a, 2a, ou 3a pessoa) com o segundo. Isto é, ocorre quando o verbo é flexionado para concordar com o sujeito. – Concordância nominal: corresponde à harmonia em gênero (flexão em masculino e feminino) e número entre os vários nomes da oração, ocorrendo com maior frequência sobre os substantivos e o adjetivo. Em outras palavras, refere-se ao substantivo e suas formas relacionadas: adjetivo, numeral, pronome, artigo. Tal concordância ocorre em gênero e pessoa Casos específicos de concordância verbal Concordância verbal com o infinitivo pessoal: existem três situações em que o verbo no infinitivo é fle- xionado: I – Quando houver um sujeito definido; II – Sempre que se quiser determinar o sujeito; III – Sempre que os sujeitos da primeira e segunda oração forem distintos. Observe os exemplos: “Eu pedir para eles fazerem a solicitação.” “Isto é para nós solicitarmos.” Concordância verbal com o infinitivo impessoal: não há flexão verbal quando o sujeito não for definido, ou sempre que o sujeito da segunda oração for igual ao da primeira oração, ou mesmo em locuções verbais, com verbos preposicionados e com verbos imperativos. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 35 Exemplos: “Os membros conseguiram fazer a solicitação.” “Foram proibidos de realizar o atendimento.” Concordância verbal com verbos impessoais: nesses casos, verbo ficará sempre em concordância com a 3a pessoa do singular, tendo em vista que não existe um sujeito. Observe os casos a seguir: – Verbos que indicam fenômenos da natureza, como anoitecer, nevar, amanhecer. Exemplo: “Não chove muito nessa região” ou “Já entardeceu.» – O verbo haver com sentido de existir. Exemplo: “Havia duas professoras vigiando as crianças.” – O verbo fazer indicando tempo decorrido. Exemplo: “Faz duas horas que estamos esperando.” Concordância verbal com o verbo ser: diante dos pronomes tudo, nada, o, isto, isso e aquilo como sujeito, há concordância verbal com o predicativo do sujeito, podendo o verbo permanecer no singular ou no plural: – “Tudo que eu desejo é/são férias à beira-mar.” – “Isto é um exemplo do que o ocorreria.” e “Isto são exemplos do que ocorreria.” Concordância verbal com pronome relativo quem: o verbo, ou faz concordância com o termo precedente ao pronome, ou permanece na 3a pessoa do singular: – “Fui eu quem solicitou.» e “Fomos nósquem solicitou.» Concordância verbal com pronome relativo que: o verbo concorda com o termo que antecede o pronome: – “Foi ele que fez.» e “Fui eu que fiz.» – “Foram eles que fizeram.” e “Fomos nós que fizemos.» Concordância verbal com a partícula de indeterminação do sujeito se: nesse caso, o verbo cria concordância com a 3a pessoa do singular sempre que a oração for constituída por verbos intransitivos ou por verbos transitivos indiretos: – «Precisa-se de cozinheiro.” e «Precisa-se de cozinheiros.” Concordância com o elemento apassivador se: aqui, verbo concorda com o objeto direto, que desempe- nha a função de sujeito paciente, podendo aparecer no singular ou no plural: – Aluga-se galpão.” e “Alugam-se galpões.” Concordância verbal com as expressões a metade, a maioria, a maior parte: preferencialmente, o verbo fará concordância com a 3° pessoa do singular. Porém, a 3a pessoa do plural também pode ser empregada: – “A maioria dos alunos entrou” e “A maioria dos alunos entraram.” – “Grande parte das pessoas entendeu.” e “Grande parte das pessoas entenderam.” Concordância nominal muitos substantivos: o adjetivo deve concordar em gênero e número com o substantivo mais próximo, mas também concordar com a forma no masculino plural: – “Casa e galpão alugado.” e “Galpão e casa alugada.” – “Casa e galpão alugados.” e “Galpão e casa alugados.” Concordância nominal com pronomes pessoais: o adjetivo concorda em gênero e número com os pronomes pessoais: – “Ele é prestativo.” e “Ela é prestativa.” – “Eles são prestativos.” e “Elas são prestativas.” Concordância nominal com adjetivos: sempre que existir dois ou mais adjetivos no singular, o substantivo permanece no singular, se houver um artigo entre os adjetivos. Se o artigo não aparecer, o substantivo deve estar no plural: Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 36 – “A blusa estampada e a colorida.” e “O casaco felpudo e o xadrez.” – “As blusas estampada e colorida.” e “Os casacos felpudo e xadrez.” Concordância nominal com é proibido e é permitido: nessas expressões, o adjetivo flexiona em gênero e número, sempre que houver um artigo determinando o substantivo. Caso não exista esse artigo, o adjetivo deve permanecer invariável, no masculino singular: – “É proibida a circulação de pessoas não identificadas.” e “É proibido circulação de pessoas não identificadas.” – “É permitida a entrada de crianças.” e “É permitido entrada de crianças acompanhadas.” Concordância nominal com menos: a palavra menos permanece é invariável independente da sua atua- ção, seja ela advérbio ou adjetivo: – “Menos pessoas / menos pessoas”. – “Menos problema /menos problemas.” Concordância nominal com muito, pouco, bastante, longe, barato, meio e caro: esses termos instauram concordância em gênero e número com o substantivo quando exercem função de adjetivo: – “Tomei bastante suco.” e “Comprei bastantes frutas.” – “A jarra estava meia cheia.” e “O sapato está meio gasto”. – “Fizemos muito barulho.” e “Compramos muitos presentes.” Regência nominal e regência verbal Visão geral: na Gramática, regência é o nome dado à relação de subordinação entre dois termos. Quando, em um enunciado ou oração, existe influência de um tempo sobre o outro, identificamos o que se denomina termo determinante, essa relação entre esses termos denominamos regência. — Regência Nominal É a relação entre um nome o seu complemento por meio de uma preposição. Esse nome pode ser um substantivo, um adjetivo ou um advérbio e será o termo determinante. O complemento preenche o significado do nome, cujo sentido estaria impreciso ou ambíguo se não fosse pelo complemento. Observe os exemplos: “A nova entrada é acessível a cadeirantes.” “Eu tenho o sonho de viajar para o nordeste.” “Ele é perito em investigações como esta.” Na primeira frase, adjetivo “acessível” exige a preposição a, do contrário, seu sentido ficaria incompleto. O mesmo ocorre com os substantivos “sonho“ e “perito”, nas segunda e terceira frases, em que os nomes exigem as preposições de e em para completude de seus sentidos. Veja nas tabelas abaixo quais são os nomes que regem. Veja nas tabelas abaixo quais são os nomes que regem uma preposição para que seu sentido seja completo. REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO A acessível a cego a fiel a nocivo a agradável a cheiro a grato a oposto a alheio a comum a horror a perpendicular a análogo a contrário a idêntico a posterior a anterior a desatento a inacessível a prestes a Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 37 apto a equivalente a indiferente a surdo a atento a estranho a inerente a visível a avesso a favorável a necessário a REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO POR admiração por devoção por responsável por ansioso por respeito por REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO DE amante de cobiçoso de digno de inimigo de natural de sedento de amigo de contemporâneo de dotado de livre de obrigação de seguro de ávido de desejoso de fácil de longe de orgulhoso de sonho de capaz de diferente de impossível de louco de passível de cheio de difícil de incapaz de maior de possível de REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO EM doutor em hábil em interesse em negligente em primeiro em exato em incessante em lento em parco em versado em firme em indeciso em morador em perito em REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO PARA apto para essencial para mau para bastante para impróprio para pronto para bom para inútil para próprio para REGÊNCIA COM A PREPOSIÇÃO COM amoroso com compatível com descontente com intolerante com aparentado com cruel com furioso com liberal com caritativo com cuidadoso com impaciente com solícito com — Regência Verbal Os verbos são os termos regentes, enquanto os objetos (direto e indireto) e adjuntos adverbiais são os termos regidos. Um verbo possui a mesma regência do nome do qual deriva. Observe as duas frases: I – “Eles irão ao evento.” O verbo ir requer a preposição a (quem vai, vai a algum lugar), e isso o classifica como verbo transitivo direto; “ao evento” são os termos regidos pelo verbo, isto é, constituem seu complemento. II – “Ela mora em região pantanosa.” O verbo morar exige a preposição em (quem mora mora em algum lugar), portanto, é verbo transitivo indireto. VERBO No sentido de / pela transitividade REGE PREPOSIÇÃO? EXEMPLO Assistir ajudar, dar assistência NÃO “Por favor, assista o time.” ver SIM “Você assistiu ao jogo?” pertencer SIM “Assiste aos cidadãos o direito de protestar.” Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 38 Custar valor, preço NÃO “Esse imóvel custa caro.” desafio, dano, peso moral SIM “Dizer a verdade custou a ela.” Proceder fundamento / verbo instransitivo NÃO “Isso não procede.” origem SIM “Essa conclusão procede de muito vivência.” Visar finalidade, objetivo SIM “Visando à garantia dos direitos.” avistar, enxergar NÃO “O vigia logo visou o suspeito.” Querer desejo NÃO “Queremos sair cedo.” estima SIM “Quero muito aos meus sogros.” Aspirar pretensão SIM “Aspiro a ascensão política.” absorção ou respiração NÃO “Evite aspirar fumaça.” Implicar consequência / verbo transitivo direto NÃO “A sua solicitação implicará alteração do meu trajeto.” insistência, birra SIM “Ele implicou com o cachorro.” Chamar convocação NÃO “Chame todos!” apelido Rege complemento, com e sem preposição “Chamo a Talita de Tatá.” “Chamo Talita de Tatá.” “Chamo a Talita Tatá.” “Chamo Talita Tatá.” Pagar o que se paga NÃO “Paguei o aluguel.” a quem se paga SIM “Pague ao credor.” Chegar quem chega, chega a algum lugar / verbo transitivo indireto SIM “Quando chegar ao local, espere.” Obedecer quem obedece a algo / alguém / transitivo indireto SIM “Obedeçam às regras.” Esquecer verbo transitivo direito NÃO “Esqueci as alianças.” Informar verbo transitivo direito e indireto, portanto... ... exige um complemento sem e outro com preposição “Informe o ocorrido ao gerente.” Ir quem vai vai a algum lugar/ verbo transitivo indireto SIM “Vamos ao teatro.” Morar Quem mora em algum lugar (verbo transitivo indireto) SIM “Eles moram no interior.” (Preposição “em” + artigo “o”). Namorar verbo transitivio direito NÃO “Júlio quer namorar Maria.” Preferir verbo bi transitivo (direto e indireto) SIM “Prefira assados a frituras.” Simpatizar quem simpatiza simpatiza com algo/ alguém/ verbo transitivo indireto SIM “Simpatizei-me com todos.” Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 39 Emprego do acento indicativo de crase. Definição: na gramática grega, o termo quer dizer “mistura “ou “contração”, e ocorre entre duas vogais, uma final e outra inicial, em palavras unidas pelo sentido. Basicamente, desse modo: a (preposição) + a (artigo feminino) = aa à; a (preposição) + aquela (pronome demonstrativo feminino) = àquela; a (preposição) + aquilo (pronome demonstrativo feminino) = àquilo. Por ser a junção das vogais, a crase, como regra geral, ocorre dian- te de palavras femininas, sendo a única exceção os pronomes demonstrativos aquilo e aquele, que recebem a crase por terem “a” como sua vogal inicial. Crase não é o nome do acento, mas indicação do fenômeno de união representado pelo acento grave. A crase pode ser a contração da preposição a com: – O artigo feminino definido a/as: “Foi à escola, mas não assistiu às aulas.” – O pronome demonstrativo a/as: “Vá à paróquia central.” – Os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo: “Retorne àquele mesmo local.” – O a dos pronomes relativos a qual e as quais: “São pessoas às quais devemos o maior respeito e consi- deração”. Perceba que a incidência da crase está sujeita à presença de duas vogais a (preposição + artigo ou prepo- sição + pronome) na construção sintática. Técnicas para o emprego da crase 1 – Troque o termo feminino por um masculino, de classe semelhante. Se a combinação ao aparecer, ocor- rerá crase diante da palavra feminina. Exemplos: “Não conseguimos chegar ao hospital / à clínica.” “Preferiu a fruta ao sorvete / à torta.” “Comprei o carro / a moto.” “Irei ao evento / à festa.” 2 – Troque verbos que expressem a noção de movimento (ir, vir, chegar, voltar, etc.) pelo verbo voltar. Se aparecer a preposição da, ocorrerá crase; caso apareça a preposição de, o acento grave não deve ser empre- gado. Exemplos: “Vou a São Paulo. / Voltei de São Paulo.” “Vou à festa dos Silva. / Voltei da Silva.” “Voltarei a Roma e à Itália. / Voltarei de Roma e da Itália.” 3 – Troque o termo regente da preposição a por um que estabeleça a preposição por, em ou de. Caso essas preposições não se façam contração com o artigo, isto é, não apareçam as formas pela(s), na(s) ou da(s), a crase não ocorrerá. Exemplos: “Começou a estudar (sem crase) – Optou por estudar / Gosta de estudar / Insiste em estudar.” “Refiro-me à sua filha (com crase) – Apaixonei-me pela sua filha / Gosto da sua filha / Votarei na sua filha.” “Refiro-me a você. (sem crase) – Apaixonei-me por você / Gosto de você / Penso em você.” Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 40 4 – Tratando-se de locuções, isto é, grupo de palavras que expressam uma única ideia, a crase somente deve ser empregada se a locução for iniciada por preposição e essa locução tiver como núcleo uma palavra feminina, ocorrerá crase. Exemplos: “Tudo às avessas.” “Barcos à deriva.” 5 – Outros casos envolvendo locuções e crase: Na locução «à moda de”, pode estar implícita a expressão “moda de”, ficando somente o à explícito. Exemplos: “Arroz à (moda) grega.” “Bife à (moda) parmegiana.” Nas locuções relativas a horários, ocorra crase apenas no caso de horas especificadas e definidas: Exemplos: “À uma hora.” “Às cinco e quinze”. Exercícios 1. CÂMARA DE ITAUÇU-GO – PROFESSOR NÍVEL III – ITAME – 2019 Texto 1: Opiniões diferentes Em um fim de tarde, ao pôr do sol, Jane Andrews, Gilbert Blythe e Anne Shirley se encontraram junto a uma cerca, à sombra dos galhos de abetos que uma brisa balançava gentilmente, onde um atalho no bosque conhe- cido como Rosa das Bétulas se juntava à estrada principal. Jane havia passado a tarde com Anne, que agora acompanhava a amiga até uma parte do caminho de volta, e, ao passarem pela cerca, depararam-se com Gil- bert. Os três estavam conversando sobre a fatídica manhã do dia seguinte, que seria a primeira de setembro, quando as escolas voltam a abrir suas portas. [...] — Vocês dois têm certa vantagem — suspirou Anne. — Vão lecionar para crianças que não conhecem, enquanto eu terei que dar aulas para os meus antigos colegas, e a senhora Lynde disse que tem medo de que eles não me respeitem como fariam com um estranho, a menos que eu seja muito severa desde o primeiro momento. Mas eu não acredito que uma professora deva ser severa. Ai, parece tanta responsabilidade! — Creio que vamos nos sair bem — apaziguou Jane. [...] — O mais importante é manter a ordem, e um professor tem que ser um pouco severo para isso. Se meus alunos não fizerem o que digo, eu os castigarei. — Como? — Dando-lhes uma boa palmatória, é claro. — Jane, você não faria isso! — Lamentou Anne, chocada. — Você não poderia! [...] Eu jamais conseguiria bater em uma criança. — Replicou Anne, igualmente decidida. — Não acredito de forma alguma nesse méto- do. A senhorita Stacy nunca surrou nenhum de nós, e ela mantinha a ordem perfeitamente; e o senhor Phillips estava sempre fazendo isso e não tinha nenhum controle sobre a classe. Não, se eu não conseguir dar aulas sem palmatória, desistirei de lecionar. [...] Trecho do livro Anne de Avonlea, de Lucy Maud Montgomery. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 41 Considerando as classes de palavras, no trecho “Ai, parece tanta responsabilidade!”, a palavra destacada é: (A) Um advérbio. (B) Uma conjunção. (C) Uma interjeição. (D) Uma preposição. 2. FADCT - 2022 - Prefeitura de Ibema - PR - Assistente Administrativo- A frase “ O estudante foi convidado para assistir os debates políticos.” apresenta, de acordo com a norma padrão da Língua portuguesa, um desvio de: (A) Concordância nominal. (B) Concordância verbal. (C) Regência verbal. (D) Regência nominal 3. FUNCERN - 2019 - Prefeitura de Apodi - RN - Professor de Ensino Fundamental I ( 1º ao 5º ano)- Os pontos cegos de nosso cérebro e o risco eterno de acidentes Luciano Melo O motorista aguarda o momento seguro para conduzir seu carro e atravessar o cruzamento. Olha para os lados que atravessará e, estático, aguarda que outros veículos deixem livre o caminho pela via transversal à sua frente. Enquanto espera, olha de um lado a outro a vigiar a pista quase livre. Finalmente não avista mais nenhum veículo que poderá atrapalhar seu planejado movimento. É hora de dirigir, mas, no meio da travessia, ele é surpreendido por uma grave colisão. Uma motocicleta atinge a traseira de seu veículo. Eu tomo a defesa do motorista: ele não viu a moto se aproximar. Presumo que vários dos leitores já pas- saram por situação semelhante, mas, caso você seja exceção e acredite que enxergaria a motocicleta, eu o convido a assistir a um vídeo que existe sobre isso. O filme prova quão difícil é perceber objetos que de repente somem ou aparecem em uma cena. Nossa condição humana está casada com uma inabilidade de perceber certas mudanças. Claro que notamos muitas alterações à nossa volta, especialmente se olharmos para o ponto alvo da modificação no momento em que ela ocorrerá. Assim, se olharmos fixamente para uma janela cheia de vasos de flores, po- deremos assistir à queda de um deles. Mas, se desviarmos brevemente nossos olhos da janela, justamente no momento do tombo, é possível que nem notemos a falta do enfeite. O fenômeno se chama cegueira para mudança: nossa incapacidade de visualizar variações do ambiente entre uma olhada e outra. No mundo real, mudanças são geralmente antecedidas por uma série de movimentos.Se esses movi- mentos superam um limiar atrativo, vão capturar nossa atenção que focará na alteração considerada domi- nante. Por sua vez, modificações que não ultrapassam o limiar não provocarão divergência da atenção e serão ignoradas. Quando abrimos nossos olhos, ficamos com a impressão de termos visão nítida, rica e bem detalhada do mundo que se estende por todo nosso campo visual. A consciência de nossa percepção não é limitada, mas nossa atenção e nossa memória de curtíssimo prazo são. Não somos capazes de memorizar tudo instantaneamente à nossa volta e nem podemos nos ater a tudo que nos cerca. Nossa introspecção da grandiosidade de nossa experiência visual confronta com nossas limitações perceptivas práticas e cria uma vivência rica, porém efêmera e sujeita a erros de interpretações. Dimensiona um gradiente entre o que é real e o que se presume, algo que favorece os acidentes de trânsito. Podemos interpretar que o acidente do exemplo do início do texto se deu porque o motorista convergiu sua atenção às partes centrais da pista, por onde os carros preferencialmente circulam sob velocidade mais ou menos previsível. Assim que o último carro passou, ficou fácil pressupor que o centro da pista Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 42 permaneceria vazio por um intervalo de tempo seguro para a travessia. As laterais da pista, locais em que motocicletas geralmente trafegam, não tiveram a atenção merecida, e a velocidade da moto não estava no padrão esperado. O mundo aqui fora é um caos repleto de acontecimentos, e nossos cérebros têm que coletar e reter al- guns deles para que possamos compreendê-lo e, assim, agirmos em busca da nossa sobrevivência. Mas essas informações são salpicadas, incompletas e mutáveis. Traçar uma linha que contextualize todos esses dados não é simples. Eventualmente, esse jogo mental de ligar pontinhos cria armadilha para nós mesmos, pois por vezes um ponto que deveria ser descartado é inserido em uma lógica apenas por ser chamativo. E outro, ao contrário, deveria ser considerado, mas é menosprezado, pois à primeira vista não atendeu a um pressuposto. Essas interpretações podem provocar outras tragédias além de acidentes de carro. Disponível em:. Acesso em: 20 abr. 2019. (texto adaptado) No trecho “[...]poderemos assistir à queda de um deles.”, a ocorrência do acento grave é justificada (A) pela exigência de artigo do termo regente, que é um verbo, e pela exigência de preposição do termo regido, que é um nome. (B) pela exigência de preposição do termo regente, que é um nome, e pela exigência de artigo do termo regido, que é um verbo. (C) pela exigência de artigo do termo regente, que é um nome, e pela exigência de artigo do termo regido, que é um verbo. (D) pela exigência de preposição do termo regente, que é um verbo, e pela exigência de artigo do termo regido, que é um nome. 4. MPE-GO - 2022 - MPE-GO - Oficial de Promotoria - Edital nº 006 A importância dos debates É promissor que os candidatos ao governo gaúcho venham dando ênfase nas conversas diretas a projetos de governo de interesse específico dos eleitores O primeiro confronto direto entre os candidatos Eduardo Leite (PSDB) e José Ivo Sartori (MDB), que dispu- tam o governo do Estado em segundo turno, reafirmou a importância dessa alternativa democrática para ajudar os eleitores a fazer suas escolhas. Uma das vantagens do sistema de votação em dois turnos, instituído pela Constituição de 1988, é justamente a de propiciar um maior detalhamento dos programas de governo dos dois candidatos mais votados na primeira etapa. Foi justamente o que ocorreu ontem entre os postulantes ao Palácio Piratini. Colocados frente a frente nos microfones da Rádio Gaúcha, ambos tiveram a oportunidade de enfrentar questões importantes ligadas ao co- tidiano dos eleitores. A viabilidade de as principais demandas dos gaúchos serem contempladas vai depender acima de tudo da estratégia de cada um para enfrentar a crise das finanças públicas. Diferentemente do que os eleitores estão habituados a assistir no horário eleitoral obrigatório e a acompa- nhar por postagens dos candidatos nas redes sociais, debates se prestam menos para propaganda pessoal, estratégias de marketing e para a disseminação de informações inconfiáveis e notícias falsas, neste ano usa- das largamente em campanhas. Além disso, têm a vantagem de desafiar os candidatos com questionamentos de jornalistas e do público. As respostas, inclusive, podem ser conferidas por profissionais de imprensa, com divulgação posterior, o que facilita o discernimento por parte de eleitores sobre o que corresponde ou não à verdade. O Rio Grande do Sul enfrenta uma crise fiscal no setor público que, se não contar com uma perspectiva de solução imediata, praticamente vai inviabilizar a implantação de qualquer plano de governo. Por isso, é promis- sor que, enquanto em outros Estados predominam denúncias e acusações, os candidatos ao governo gaúcho venham dando ênfase nas conversas diretas a projetos de governo de interesse específico dos eleitores. Democracia se faz com diálogo e transparência. Sem discussões amplas, perdem os cidadãos, que ficam privados de informações essenciais para fazer suas escolhas com mais objetividade e menos passionalismo. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 43 (A IMPORTÂNCIA dos debates. GaúchaZH, 17 de outubro de 2018. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs. com.br. Acesso em: 30 de agosto de 2022) No segundo parágrafo do texto, há a frase: “Colocados frente a frente nos microfones da Rádio Gaúcha, ambos tiveram a oportunidade de enfrentar questões importantes ligadas ao cotidiano dos eleitores.” Conforme se observa, na expressão em destaque, não há ocorrência da crase. Assim, seguindo a regra gramatical acerca da crase, assinale a alternativa em que há o emprego da crase indevidamente: (A) cara a cara; às ocultas; à procura. (B) face a face; às pressas; à deriva. (C) à frente; à direita; às vezes. (D) à tarde; à sombra de; a exceção de. 5. INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder à questão que a ele se refere. Texto 01 Disponível em: https://brainly.com.br/tarefa/38102601. Acesso em: 18 set. 2022. De acordo com o texto, “[...] sair de um acidente em alta velocidade pelo vidro da frente” indica uma (A) solução. (B) alternativa. (C) prevenção. (D) consequência. (E) precaução. 6. FGV - 2022 - TJ-DFT - Oficial de Justiça Avaliador Federal- “Quando se julga por indução e sem o neces- sário conhecimento dos fatos, às vezes chega-se a ser injusto até mesmo com os malfeitores.” O raciocínio abaixo que deve ser considerado como indutivo é: (A) Os funcionários públicos folgam amanhã, por isso meu marido ficará em casa; Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 44 (B) Todos os juízes procuram julgar corretamente, por isso é o que ele também procura; (C) Nos dias de semana os mercados abrem, por isso deixarei para comprar isso amanhã; (D) No inverno, chove todos os dias, por isso vou comprar um guarda-chuva; (E) Ontem nevou bastante, por isso as estradas devem estar intransitáveis. 7. FGV - 2022 - TJ-DFT - Analista Judiciário - Segurança da Informação- “Também leio livros, muitos livros: mas com eles aprendo menos do que com a vida. Apenas um livro me ensinou muito: o dicionário. Oh, o dicio- nário, adoro-o. Mas também adoro a estrada, um dicionário muito mais maravilhoso.” Depreende-se desse pensamento que seu autor: (A) nada aprende com os livros, com exceção do dicionário; (B) deve tudo que conhece ao dicionário; (C) adquire conhecimentos com as viagens que realiza; (D) conhece o mundo por meio da experiência de vida; (E)constatou que os dicionários registram o melhor da vida. 8. COTEC - 2022 - Prefeitura de Paracatu - MG - Técnico Higiene Dental - INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 a seguir para responderà questão que a ele se refere. Texto 01 Disponível em: http://bichinhosdejardim.com/triste-fim-relacoes-afetivas/. Acesso em: 18 set. 2022. A vírgula, na fala do primeiro quadro, foi usada de acordo com a norma para separar um (A) vocativo. (B) aposto explicativo. (C) expressão adverbial. (D) oração coordenada. (E) predicativo. 9. CESPE / CEBRASPE - 2022 - Prefeitura de Maringá - PR - Médico Texto CG1A1 Por muitos séculos, pessoas surdas ao redor do mundo eram consideradas incapazes de aprender simplesmente por possuírem uma deficiência. No Brasil, infelizmente, isso não era diferente. Essa visão capacitista só começou a mudar a partir do século XVI, com transformações que ocorreram, num primeiro momento, na Europa, quando educadores, por conta própria, começaram a se preocupar com esse grupo. Um dos educadores mais marcantes na luta pela educação dos surdos foi Ernest Huet, ou Eduard Huet, como também era conhecido. Huet, acometido por uma doença, perdeu a audição ainda aos 12 anos; contudo, como era membro de uma família nobre da França, teve, desde cedo, acesso à melhor educação possível de sua época e, assim, aprendeu a língua de sinais francesa no Instituto Nacional de Surdos-Mu- dos de Paris. No Brasil, tomando-se como inspiração a iniciativa de Huet, fundouse, em 26 de setembro de Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 45 1856, o Imperial Instituto de SurdosMudos, instituição de caráter privado. No seu percurso, o instituto rece- beu diversos nomes, mas a mudança mais significativa se deu em 1957, quando foi denominado Instituto Nacional de Educação dos Surdos – INES, que está em funcionamento até hoje! Essa mudança refletia o princípio de modernização da década de 1950, pelo qual se guiava o instituto, com suas discussões sobre educação de surdos. Dessa forma, Huet e a língua de sinais francesa tiveram grande influência na língua brasileira de sinais, a Libras, que foi ganhando espaço aos poucos e logo passou a ser utilizada pelos surdos brasileiros. Contudo, nesse mesmo período, muitos educadores ainda defendiam a ideia de que a melhor maneira de ensinar era pelo método oralizado, ou seja, pessoas surdas seriam educadas por meio de línguas orais. Nesse caso, a comunicação acontecia nas modalidades de escrita, leitura, leitura labial e também oral. No Congresso de Milão, em 11 de setembro de 1880, muitos educadores votaram pela proibição da utilização da língua de sinais por não acreditarem na efetividade desse método na educação das pessoas surdas. Essa decisão prejudicou consideravelmente o ensino da Língua Brasileira de Sinais, mas, mesmo diante dessa proibição, a Libras continuou sendo utilizada devido à persistência dos surdos. Posterior- mente, buscou-se a legitimidade da Língua Brasileira de Sinais, e os surdos continuaram lutando pelo seu reconhecimento e regulamentação por meio de um projeto de lei escrito em 1993. Porém, apenas em 2002, foi aprovada a Lei 10.436/2002, que reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e expressão no país. Internet:: (com adaptações) Assinale a opção correta a respeito do emprego das formas verbais e dos sinais de pontuação no texto CG1A1. (A) A correção gramatical e a coerência do texto seriam preservadas, caso a vírgula empregada logo após o vocábulo “mas” (primeiro período do quarto parágrafo) fosse eliminada. (B) A forma verbal “tiveram” (primeiro período do terceiro parágrafo) poderia ser substituída por “obtiveram” sem prejuízo aos sentidos e à correção gramatical do texto. (C) A forma verbal “continuou” (primeiro período do quarto parágrafo) está flexionada no singular para con- cordar com o artigo definido “a”, mas poderia ser substituída, sem prejuízo à correção gramatical, pela forma verbal “continuaram”, que estabeleceria concordância com o termo “Libras”. (D) A forma verbal “acreditarem” (quarto período do terceiro parágrafo) concorda com “educadores” e por isso está flexionada no plural. (E) No primeiro período do terceiro parágrafo do texto, é facultativo o emprego da vírgula imediatamente após “Libras”. 10. FCC - 2022 - TRT - 14ª Região (RO e AC) - Analista Judiciário - Área Judiciária- A chama é bela Nos anos 1970 comprei uma casa no campo com uma bela lareira, e para meus filhos, entre 10 e 12 anos, a experiência do fogo, da brasa que arde, da chama, era um fenômeno absolutamente novo. E percebi que quando a lareira estava acesa eles deixavam a televisão de lado. A chama era mais bela e va- riada do que qualquer programa, contava histórias infinitas, não seguia esquemas fixos como um programa televisivo. O fogo também se faz metáfora de muitas pulsões, do inflamar-se de ódio ao fogo da paixão amorosa. E o fogo pode ser a luz ofuscante que os olhos não podem fixar, como não podem encarar o Sol (o calor do fogo remete ao calor do Sol), mas devidamente amestrado, quando se transforma em luz de vela, permite jogos de claro-escuro, vigílias noturnas nas quais uma chama solitária nos obriga a imaginar coisas sem nome... O fogo nasce da matéria para transformar-se em substância cada vez mais leve e aérea, da chama rubra ou azulada da raiz à chama branca do ápice, até desmaiar em fumaça... Nesse sentido, a natureza do fogo é ascensional, remete a uma transcendência e, contudo, talvez porque tenhamos aprendido que ele vive no coração da Terra, é também símbolo de profundidades infernais. É vida, mas é também experiência de seu apagar-se e de sua contínua fragilidade. (Adaptado de: ECO, Umberto. Construir o inimigo. Rio de Janeiro: Record, 2021, p. 54-55) Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 46 Está plenamente adequada a pontuação da seguinte frase: (A) Os filhos do autor diante da lareira, não deixaram de se espantar, com o espetáculo inédito daquelas chamas bruxuleantes. (B) Como metáfora, o fogo por conta de seus inúmeros atributos, chega mesmo a propiciar expansões, simbólicas e metafóricas. (C) Tanto como a do Sol, a luz do fogo, uma vez expandida, pode ofuscar os olhos de quem, imprudente, ouse enfrentá-la. (D) O autor do texto em momentos descritivos, não deixa de insinuar sua atração, pela magia dos poderes e do espetáculo do fogo. (E) Disponíveis metáforas, parecem se desenvolver quando, por amor ou por ódio extremos somos tomados por paixões incendiárias. 11. AGIRH - 2022 - Prefeitura de Roseira - SP - Enfermeiro 36 horas - Assinale o item que contém erro de ortografia. (A) Na cultura japonesa, fica desprestigiado para sempre quem inflinge as regras da lealdade. (B) Não conseguindo prever o resultado a que chegariam, sentiu-se frustrado. (C) Desgostos indescritíveis, porventura, seriam rememorados durante a sessão de terapia. (D) Ao reverso de outros, trazia consigo autoconhecimento e autoafirmação. 12. Unoesc - 2022 - Prefeitura de Maravilha - SC - Agente Administrativo - Edital nº 2- Considerando a acen- tuação tônica, assinale as alternativas abaixo com (V) verdadeiro ou (F) falso. ( ) As palavras “gramática” e “partir” são, respectivamente, proparoxítona e oxítona. ( ) “Nós” é uma palavra oxítona. ( ) “César” não é proparoxítona, tampouco oxítona. ( ) “Despretensiosamente” é uma palavra proparoxítona. ( ) “Café” é uma palavra paroxítona. A sequência correta de cima para baixo é: (A) F, V, V, F, V. (B) V, V, F, V, F. (C) V, F, V, F, V. (D) V, V, V, F, F. 13. CESPE / CEBRASPE - 2022 - TCE-PB - Médico- Texto CB1A1-I A história da saúde não é a história da medicina, pois apenas de 10% a 20% da saúde são determinados pela medicina, e essa porcentagem era ainda menor nos séculos anteriores. Os outros três determinantes da saúde são o comportamento, o ambiente e a biologia – idade, sexo e genética. As histórias da medicina centradas no atendimento à saúde não permitem uma compreensão global da melhoria da saúde humana. A história dessa melhoria é uma história desuperação. Antes dos primeiros progressos, a saúde humana estava totalmente estagnada. Da Revolução Neolítica, há 12 mil anos, até meados do século XVIII, a ex- pectativa de vida dos seres humanos ocidentais não evoluíra de modo significativo. Estava paralisada na faixa dos 25-30 anos. Foi somente a partir de 1750 que o equilíbrio histórico se modificou positivamente. Vários elementos alteraram esse contexto, provocando um aumento praticamente contínuo da longevidade. Há 200 anos, as suecas detinham o recorde mundial com uma longevidade de 46 anos. Em 2019, eram as japonesas que ocupavam o primeiro lugar, com uma duração média de vida de 88 anos. Mesmo sem al- Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 47 cançar esse recorde, as populações dos países industrializados podem esperar viver atualmente ao menos 80 anos. Desde 1750, cada geração vive um pouco mais do que a anterior e prepara a seguinte para viver ainda mais tempo. Jean-David Zeitoun. História da saúde humana: vamos viver cada vez mais? Tradução Patrícia Reuillard. São Paulo: Contexto, 2022, p. 10-11 (com adaptações). No que se refere a aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item seguinte. A inserção de uma vírgula imediatamente após o termo “aumento” (nono período) prejudicaria a correção gramatical e o sentido original do texto. ( )CERTO ( )ERRADO 14. CESPE / CEBRASPE - 2022 - Prefeitura de Maringá - PR - Médico- Texto CG1A1 Por muitos séculos, pessoas surdas ao redor do mundo eram consideradas incapazes de aprender simplesmente por possuírem uma deficiência. No Brasil, infelizmente, isso não era diferente. Essa visão capacitista só começou a mudar a partir do século XVI, com transformações que ocorreram, num primeiro momento, na Europa, quando educadores, por conta própria, começaram a se preocupar com esse grupo. Um dos educadores mais marcantes na luta pela educação dos surdos foi Ernest Huet, ou Eduard Huet, como também era conhecido. Huet, acometido por uma doença, perdeu a audição ainda aos 12 anos; contudo, como era membro de uma família nobre da França, teve, desde cedo, acesso à melhor educação possível de sua época e, assim, aprendeu a língua de sinais francesa no Instituto Nacional de Surdos-Mu- dos de Paris. No Brasil, tomando-se como inspiração a iniciativa de Huet, fundouse, em 26 de setembro de 1856, o Imperial Instituto de SurdosMudos, instituição de caráter privado. No seu percurso, o instituto rece- beu diversos nomes, mas a mudança mais significativa se deu em 1957, quando foi denominado Instituto Nacional de Educação dos Surdos – INES, que está em funcionamento até hoje! Essa mudança refletia o princípio de modernização da década de 1950, pelo qual se guiava o instituto, com suas discussões sobre educação de surdos. Dessa forma, Huet e a língua de sinais francesa tiveram grande influência na língua brasileira de sinais, a Libras, que foi ganhando espaço aos poucos e logo passou a ser utilizada pelos surdos brasileiros. Contudo, nesse mesmo período, muitos educadores ainda defendiam a ideia de que a melhor maneira de ensinar era pelo método oralizado, ou seja, pessoas surdas seriam educadas por meio de línguas orais. Nesse caso, a comunicação acontecia nas modalidades de escrita, leitura, leitura labial e também oral. No Congresso de Milão, em 11 de setembro de 1880, muitos educadores votaram pela proibição da utilização da língua de sinais por não acreditarem na efetividade desse método na educação das pessoas surdas. Essa decisão prejudicou consideravelmente o ensino da Língua Brasileira de Sinais, mas, mesmo diante dessa proibição, a Libras continuou sendo utilizada devido à persistência dos surdos. Posterior- mente, buscou-se a legitimidade da Língua Brasileira de Sinais, e os surdos continuaram lutando pelo seu reconhecimento e regulamentação por meio de um projeto de lei escrito em 1993. Porém, apenas em 2002, foi aprovada a Lei 10.436/2002, que reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e expressão no país. Internet:: (com adaptações) A conjunção “contudo”, no segundo período do segundo parágrafo do texto CG1A1, poderia ser substituída, mantidas a coesão e a coerência textuais, por (A) destarte. (B) entretanto. (C) ademais. (D) embora. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 48 (E) portanto. 15. OBJETIVA - 2022 - Prefeitura de Dezesseis de Novembro - RS - Controlador Interno- Considerando-se a concordância nominal, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: ( ) Agora que tudo passou, sinto que tenho menas tristezas na minha vida. ( ) Posso pedir teu bloco e tua caneta emprestada? ( ) É proibido a entrada de animais na praia. (A) C - E - C. (B) C - E - E. (C) E - E - C. (D) E - C - E. 16. FCC - 2022 - TRT - 14ª Região (RO e AC) - Analista Judiciário - Área Judiciária O meu ofício O meu ofício é escrever, e sei bem disso há muito tempo. Espero não ser mal-entendida: não sei nada sobre o valor daquilo que posso escrever. Quando me ponho a escrever, sinto-me extraordinariamente à vontade e me movo num elemento que tenho a impressão de conhecer extraordinariamente bem: utilizo ins- trumentos que me são conhecidos e familiares e os sinto bem firmes em minhas mãos. Se faço qualquer ou- tra coisa, se estudo uma língua estrangeira, se tento aprender história ou geografia, ou tricotar uma malha, ou viajar, sofro e me pergunto como é que os outros conseguem fazer essas coisas. E tenho a impressão de ser cega e surda como uma náusea dentro de mim. Já quando escrevo nunca penso que talvez haja um modo mais correto, do qual os outros escritores se servem. Não me importa nada o modo dos outros escritores. O fato é que só sei escrever histórias. Se tento escrever um ensaio de crítica ou um artigo sob encomenda para um jornal, a coisa sai bem ruim. O que escrevo nesses casos tenho de ir buscar fora de mim. E sempre tenho a sensação de enganar o próximo com palavras tomadas de empréstimo ou furtadas aqui e ali. Quando escrevo histórias, sou como alguém que está em seu país, nas ruas que conhece desde a in- fância, entre as árvores e os muros que são seus. Este é o meu ofício, e o farei até a morte. Entre os cinco e dez anos ainda tinha dúvidas e às vezes imaginava que podia pintar, ou conquistar países a cavalo, ou inventar uma nova máquina. Mas a primeira coisa séria que fiz foi escrever um conto, um conto curto, de cinco ou seis páginas: saiu de mim como um milagre, numa noite, e quando finalmente fui dormir estava exausta, atônita, estupefata. (Adaptado de: GINZBURG, Natalia. As pequenas virtudes. Trad. Maurício Santana Dias. São Paulo: Cosac Naify, 2015, p, 72-77, passim) As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas em: (A) As palavras que a alguém ocorrem deitar no papel acabam por identificar o estilo mesmo de quem as escreveu. (B) Gaba-se a autora de que às palavras a que recorre nunca falta a espontaneidade dos bons escritos. (C) Faltam às tarefas outras de que poderiam se incumbir a facilidade que encontra ela em escrever seus textos. (D) Os possíveis entraves para escrever um conto, revela a autora, logo se dissipou em sua primeira tenta- tiva. (E) Não haveria de surgir impulsos mais fortes, para essa escritora, do que os que a levaram a imaginar histórias. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 49 17 SELECON - 2019 - Prefeitura de Cuiabá - MT - Técnico em Nutrição Escolar- Considerando a regência nominal e o emprego do acento grave, o trecho destacado em “inerentes a esta festa” está corretamente subs- tituído em: (A) inerentes à determinado momento (B) inerentes à regras de convivência (C) inerentes à regulamentos anteriores (D) inerentes à evidência de incorreções 18. Assinale a frase com desvio de regência verbal.(A) Informei-lhe o bloqueio do financiamento de pesquisas. (B) Avisaram-no a liberação de recursos para ciência e tecnologia. (C) Os acadêmicos obedecem ao planejamento estratégico. (D) Todos os homens, por natureza, aspiram ao saber. (E) Assistimos ao filme que apresentou a obra daquele grande cientista. 19. MPE-GO - 2022 - MPE-GO - Oficial de Promotoria - Edital nº 007- Sendo (C) para as assertivas corretas e (E) para as erradas, assinale a alternativa com a sequência certa considerando a observância das normas da língua portuguesa: ( ) O futebol é um esporte de que o povo gosta. ( ) Visitei a cidade onde você nasceu. ( ) É perigoso o local a que você se dirige. ( ) Tenho uma coleção de quadros pela qual já me ofereceram milhões. (A) E – E – E – C (B) C – C – C – E (C) C – E – E – E (D) C – C – C – C 20. PREFEITURA DE SANTANA DO DESERTO-MG – FISIOTERAPEUTA – PREFEITURA DE SANTANA DO DESERTO-MG – 2019 INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto abaixo para responder à questão que se segue. A zica do Planalto Zica com “c” é uma gíria brasileira que significa mau agouro, azar, maldição, momento de baixoastral, quando tudo dá errado. A origem da palavra não se sabe ao certo, mas há quem jure que seria uma contração da palavra ziquizira. Faz sentido. Não tem nada a ver com a zika, triste doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Triste porque infecta o cérebro de bebês no útero materno, triste porque atesta nossa incompetência de país subdesenvolvido diante do mosquito que também transmite a dengue, triste porque pode atingir 1,5 milhão de pessoas no Brasil neste ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Cada fala da presidente Dilma Rousseff sobre a zika vira uma festa para humoristas e um constrangimento para a maioria da população – não, claro, para os militantes dilmistas, que a perdoam sempre e atribuem esses lapsos à pressão da dieta argentina ou da “inquisição medieval” contra ela e contra Lula. Dilma já chamou o mosquito de vírus. Dilma já chamou a zika de vetor. Dilma já disse que a doença é transmitida por ovos infectados por vírus. Dilma já inventou um outro inseto que seria especializado em zika, e que não seria o mesmo da dengue. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 50 Dilma também disse que “o Brasil não parou e nem vai parar” – e não vai mesmo parar de piorar enquanto ela achar que o inferno são os outros. A microcefalia do Planalto não permite que criatura e criador caiam na real. Dilma e Lula estão juntos na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. Juntos no idioma maltratado. Juntos na solidariedade a Zé Dirceu, o consultor-modelo que mais voou em jatinhos de empreiteiros e lobistas, abastecidos por propinas. Juntos no discurso de perseguição da “mídia”, da Lava Jato e dos delatores premiados. Pode continuar a trocar o ministro da Saúde, o ministro da Fazenda, o ministro do Planejamento, o ministro da Educação (aliás, por onde anda Aloizio Mercadante, qual será seu bloco escolar este ano?). De nada vai adiantar essa dança das cadeiras ministeriais para agradar a um ou outro partido. Não são eles os mosquitos vetores que contaminaram o Brasil com uma ziquizira da qual será muito difícil sair. O da Saúde, Marcelo Castro, formado em psiquiatria, depois de espalhar piadinhas de mau gosto com mulheres grávidas, cometeu o pecado fatal: foi sincero. Marcelo Castro disse que o Brasil “está perdendo feio” a guerra contra o mosquito – e isso é o fim da picada, não é, presidente? Dilma não convive com a sinceridade. Seu governo não erra. Aliás, “se erra”, como admitiu há alguns meses, erra pouco e sem maldade – e tudo tem conserto. Erra porque foi vítima. Suas amigas, do gênero Erenice Guerra, também sempre acertam. Se erram, é por ingenuidade ou por falta de memória. A ex-ministra Erenice é ingênua, dá para sentir. E nem lembra quem pagou viagens aéreas dela. Dilma também já se esqueceu de muitas canetadas nessa roda-viva de Petrobras, Casa Civil, Presidência da República. Seu problema não foi o mosquito, mas a mosca azul. Para a mosca azul não há antídoto nem vacina. A mosca, num passe de mágica, tira as contas do vermelho num gráfico ilusório, com a sua, a nossa ajuda. Uns bilhões do FGTS aqui, outros da CPMF ali, e pronto. O país fica cor-de-rosa, a cor dos programas eleitorais do PT. Só que não, a conta não fecha mesmo assim, porque o Estado brasileiro é voraz e gigantesco. Não há foco na redução do tamanho. Só no aumento de taxas, impostos e contas de serviços públicos. A dívida pública federal terminou 2015 em R$ 2.793 trilhões. A dívida – assim como o Brasil – não vai parar. Diante do Conselhão de quase uma centena de empresários, empreendedores, banqueiros e autoridades – sem a presença incômoda da imprensa –, Dilma lançou um plano de sete medidas para liberar R$ 83 bilhões em crédito para habitação, agricultura, infraestrutura, pequenas e médias empresas. A maior parte desse dinheiro viria do FGTS. Crédito para um país em recessão, que não acredita na capacidade do governo para enfrentar a crise. Dilma disse que, para “a travessia a um porto seguro”, a CPMF é “a melhor solução disponível”. Não existe nem espaço para o crédito moral, quando se vê Lula, o fiador de Dilma, acuado por delações que o envolvem em reformas milionárias e obscuras de imóveis como o tríplex do Guarujá ou o sítio de Atibaia – hoje amaldiçoados. Na vida real, os juros batem recorde e famílias endividadas precisam refinanciar seus débitos porque não podem lançar mão do dinheiro alheio. O Solaris não nasce para todos. A zica que contaminou o país tem origem na Capital. (Disponível em : https://oglobo.globo.com/epoca/colunas-e-blogs/ruth-de) Considere o trecho: “Zica com “c” é uma gíria brasileira que significa mau agouro, azar, maldição, momento de baixo-astral, quando tudo dá errado. A origem da palavra não se sabe ao certo, mas há quem jure que seria uma contração da palavra ziquizira. Faz sentido. Não tem nada a ver com a zika, triste doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. ” (Parágrafo 1º) Tendo em vista a significação das palavras, é CORRETO afirmar que as palavras negritadas são: (A) Homônimas homógrafas. (B) Parônimas. (C) Homônimas homófonas. (D) Sinônimas. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 51 Gabarito 1 C 2 C 3 D 4 D 5 D 6 E 7 D 8 A 9 D 10 C 11 A 12 D 13 CERTO 14 B 15 D 16 B 17 D 18 B 19 D 20 C Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62cuidar de rebanhos e a tomar conta da casa, além de serem ótimos companheiros. Um colaborava com o outro e a parceria deu certo. Ao ler apenas o título “Cachorros”, você deduziu sobre o possível assunto abordado no texto. Embora você imagine que o texto vai falar sobre cães, você ainda não sabia exatamente o que ele falaria sobre cães. Repare que temos várias informações ao longo do texto: a hipótese dos zoólogos sobre a origem dos cães, a associa- ção entre eles e os seres humanos, a disseminação dos cães pelo mundo, as vantagens da convivência entre cães e homens. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 3 As informações que se relacionam com o tema chamamos de subtemas (ou ideias secundárias). Essas informações se integram, ou seja, todas elas caminham no sentido de estabelecer uma unidade de sentido. Portanto, pense: sobre o que exatamente esse texto fala? Qual seu assunto, qual seu tema? Certamente você chegou à conclusão de que o texto fala sobre a relação entre homens e cães. Se foi isso que você pensou, parabéns! Isso significa que você foi capaz de identificar o tema do texto! Fonte: https://portuguesrapido.com/tema-ideia-central-e-ideias-secundarias/ IDENTIFICAÇÃO DE EFEITOS DE IRONIA OU HUMOR EM TEXTOS VARIADOS Ironia Ironia é o recurso pelo qual o emissor diz o contrário do que está pensando ou sentindo (ou por pudor em relação a si próprio ou com intenção depreciativa e sarcástica em relação a outrem). A ironia consiste na utilização de determinada palavra ou expressão que, em um outro contexto diferente do usual, ganha um novo sentido, gerando um efeito de humor. Exemplo: Na construção de um texto, ela pode aparecer em três modos: ironia verbal, ironia de situação e ironia dra- mática (ou satírica). Ironia verbal Ocorre quando se diz algo pretendendo expressar outro significado, normalmente oposto ao sentido literal. A expressão e a intenção são diferentes. Exemplo: Você foi tão bem na prova! Tirou um zero incrível! Ironia de situação A intenção e resultado da ação não estão alinhados, ou seja, o resultado é contrário ao que se espera ou que se planeja. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 4 Exemplo: Quando num texto literário uma personagem planeja uma ação, mas os resultados não saem como o esperado. No livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, a personagem título tem obsessão por ficar conhecida. Ao longo da vida, tenta de muitas maneiras alcançar a notoriedade sem su- cesso. Após a morte, a personagem se torna conhecida. A ironia é que planejou ficar famoso antes de morrer e se tornou famoso após a morte. Ironia dramática (ou satírica) A ironia dramática é um efeito de sentido que ocorre nos textos literários quando o leitor, a audiência, tem mais informações do que tem um personagem sobre os eventos da narrativa e sobre intenções de outros per- sonagens. É um recurso usado para aprofundar os significados ocultos em diálogos e ações e que, quando captado pelo leitor, gera um clima de suspense, tragédia ou mesmo comédia, visto que um personagem é posto em situações que geram conflitos e mal-entendidos porque ele mesmo não tem ciência do todo da narrativa. Exemplo: Em livros com narrador onisciente, que sabe tudo o que se passa na história com todas as per- sonagens, é mais fácil aparecer esse tipo de ironia. A peça como Romeu e Julieta, por exemplo, se inicia com a fala que relata que os protagonistas da história irão morrer em decorrência do seu amor. As personagens agem ao longo da peça esperando conseguir atingir seus objetivos, mas a plateia já sabe que eles não serão bem-sucedidos. Humor Nesse caso, é muito comum a utilização de situações que pareçam cômicas ou surpreendentes para pro- vocar o efeito de humor. Situações cômicas ou potencialmente humorísticas compartilham da característica do efeito surpresa. O humor reside em ocorrer algo fora do esperado numa situação. Há diversas situações em que o humor pode aparecer. Há as tirinhas e charges, que aliam texto e imagem para criar efeito cômico; há anedotas ou pequenos contos; e há as crônicas, frequentemente acessadas como forma de gerar o riso. Os textos com finalidade humorística podem ser divididos em quatro categorias: anedotas, cartuns, tiras e charges. Exemplo: ANÁLISE E A INTERPRETAÇÃO DO TEXTO SEGUNDO O GÊNERO EM QUE SE INSCREVE Compreender um texto trata da análise e decodificação do que de fato está escrito, seja das frases ou das ideias presentes. Interpretar um texto, está ligado às conclusões que se pode chegar ao conectar as ideias do texto com a realidade. Interpretação trabalha com a subjetividade, com o que se entendeu sobre o texto. Interpretar um texto permite a compreensão de todo e qualquer texto ou discurso e se amplia no entendimen- to da sua ideia principal. Compreender relações semânticas é uma competência imprescindível no mercado de trabalho e nos estudos. Quando não se sabe interpretar corretamente um texto pode-se criar vários problemas, afetando não só o desenvolvimento profissional, mas também o desenvolvimento pessoal. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 5 Busca de sentidos Para a busca de sentidos do texto, pode-se retirar do mesmo os tópicos frasais presentes em cada pará- grafo. Isso auxiliará na apreensão do conteúdo exposto. Isso porque é ali que se fazem necessários, estabelecem uma relação hierárquica do pensamento defendi- do, retomando ideias já citadas ou apresentando novos conceitos. Por fim, concentre-se nas ideias que realmente foram explicitadas pelo autor. Textos argumentativos não costumam conceder espaço para divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas entrelinhas. Deve-se ater às ideias do autor, o que não quer dizer que o leitor precise ficar preso na superfície do texto, mas é funda- mental que não sejam criadas suposições vagas e inespecíficas. Importância da interpretação A prática da leitura, seja por prazer, para estudar ou para se informar, aprimora o vocabulário e dinamiza o raciocínio e a interpretação. A leitura, além de favorecer o aprendizado de conteúdos específicos, aprimora a escrita. Uma interpretação de texto assertiva depende de inúmeros fatores. Muitas vezes, apressados, descuidamo- -nos dos detalhes presentes em um texto, achamos que apenas uma leitura já se faz suficiente. Interpretar exi- ge paciência e, por isso, sempre releia o texto, pois a segunda leitura pode apresentar aspectos surpreendentes que não foram observados previamente. Para auxiliar na busca de sentidos do texto, pode-se também retirar dele os tópicos frasais presentes em cada parágrafo, isso certamente auxiliará na apreensão do conteúdo exposto. Lembre-se de que os parágrafos não estão organizados, pelo menos em um bom texto, de maneira aleatória, se estão no lugar que estão, é porque ali se fazem necessários, estabelecendo uma relação hierár- quica do pensamento defendido, retomando ideias já citadas ou apresentando novos conceitos. Concentre-se nas ideias que de fato foram explicitadas pelo autor: os textos argumentativos não costumam conceder espaço para divagações ou hipóteses, supostamente contidas nas entrelinhas. Devemos nos ater às ideias do autor, isso não quer dizer que você precise ficar preso na superfície do texto, mas é fundamental que não criemos, à revelia do autor, suposições vagas e inespecíficas. Ler com atenção é um exercício que deve ser praticado à exaustão, assim como uma técnica, que fará de nós leitores proficientes. Diferença entre compreensão e interpretação A compreensão de um texto é fazer uma análise objetiva do texto e verificar o que realmente está escrito nele. Já a interpretação imagina o que as ideias do texto têm a ver com a realidade. O leitor tira conclusões subjetivas do texto. Vocabulário: sentido denotativo e conotativo, sinonímia, antonímia, homonímia, pa- ronímia e polissemia Visão Geral: o significado das palavras é objeto de estudoda semântica, a área da gramática que se dedica ao sentido das palavras e também às relações de sentido estabelecidas entre elas. Denotação e conotação Denotação corresponde ao sentido literal e objetivo das palavras, enquanto a conotação diz respeito ao sentido figurado das palavras. Exemplos: “O gato é um animal doméstico.” “Meu vizinho é um gato.” No primeiro exemplo, a palavra gato foi usada no seu verdadeiro sentido, indicando uma espécie real de animal. Na segunda frase, a palavra gato faz referência ao aspecto físico do vizinho, uma forma de dizer que ele é tão bonito quanto o bichano. Hiperonímia e hiponímia Dizem respeito à hierarquia de significado. Um hiperônimo, palavra superior com um sentido mais abrangente, engloba um hipônimo, palavra inferior com sentido mais restrito. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 6 Exemplos: – Hiperônimo: mamífero: – hipônimos: cavalo, baleia. – Hiperônimo: jogo – hipônimos: xadrez, baralho. Polissemia e monossemia A polissemia diz respeito ao potencial de uma palavra apresentar uma multiplicidade de significados, de acordo com o contexto em que ocorre. A monossemia indica que determinadas palavras apresentam apenas um significado. Exemplos: – “Língua”, é uma palavra polissêmica, pois pode por um idioma ou um órgão do corpo, dependendo do contexto em que é inserida. – A palavra “decalitro” significa medida de dez litros, e não tem outro significado, por isso é uma palavra monossêmica. Sinonímia e antonímia A sinonímia diz respeito à capacidade das palavras serem semelhantes em significado. Já antonímia se refere aos significados opostos. Desse modo, por meio dessas duas relações, as palavras expressam proximidade e contrariedade. Exemplos de palavras sinônimas: morrer = falecer; rápido = veloz. Exemplos de palavras antônimas: morrer x nascer; pontual x atrasado. Homonímia e paronímia A homonímia diz respeito à propriedade das palavras apresentarem: semelhanças sonoras e gráficas, mas distinção de sentido (palavras homônimas), semelhanças homófonas, mas distinção gráfica e de sentido (palavras homófonas) semelhanças gráficas, mas distinção sonora e de sentido (palavras homógrafas). A paronímia se refere a palavras que são escritas e pronunciadas de forma parecida, mas que apresentam significados diferentes. Veja os exemplos: – Palavras homônimas: caminho (itinerário) e caminho (verbo caminhar); morro (monte) e morro (verbo morrer). – Palavras homófonas: apressar (tornar mais rápido) e apreçar (definir o preço); arrochar (apertar com força) e arroxar (tornar roxo). – Palavras homógrafas: apoio (suporte) e apoio (verbo apoiar); boto (golfinho) e boto (verbo botar); choro (pranto) e choro (verbo chorar) . – Palavras parônimas: apóstrofe (figura de linguagem) e apóstrofo (sinal gráfico), comprimento (tamanho) e cumprimento (saudação). Ortografia: emprego das letras, das palavras e da acentuação gráfica — Definições Com origem no idioma grego, no qual orto significa “direito”, “exato”, e grafia quer dizer “ação de escrever”, ortografia é o nome dado ao sistema de regras definido pela gramática normativa que indica a escrita correta das palavras. Já a Ortografia Oficial se refere às práticas ortográficas que são consideradas oficialmente como adequadas no Brasil. Os principais tópicos abordados pela ortografia são: o emprego de acentos gráficos que sinalizam vogais tônicas, abertas ou fechadas; os processos fonológicos (crase/acento grave); os sinais de pontuação elucidativos de funções sintáticas da língua e decorrentes dessas funções, entre outros. Os acentos: esses sinais modificam o som da letra sobre a qual recaem, para que palavras com grafia similar possam ter leituras diferentes, e, por conseguinte, tenham significados distintos. Resumidamente, os acentos são agudo (deixa o som da vogal mais aberto), circunflexo (deixa o som fechado), til (que faz com que o som fique nasalado) e acento grave (para indicar crase). Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 7 O alfabeto: é a base de qualquer língua. Nele, estão estabelecidos os sinais gráficos e os sons representados por cada um dos sinais; os sinais, por sua vez, são as vogais e as consoantes. As letras K, Y e W: antes consideradas estrangeiras, essas letras foram integradas oficialmente ao alfabeto do idioma português brasileiro em 2009, com a instauração do Novo Acordo Ortográfico. As possibilidades da vogal Y e das consoantes K e W são, basicamente, para nomes próprios e abreviaturas, como abaixo: – Para grafar símbolos internacionais e abreviações, como Km (quilômetro), W (watt) e Kg (quilograma). – Para transcrever nomes próprios estrangeiros ou seus derivados na língua portuguesa, como Britney, Washington, Nova York. Relação som X grafia: confira abaixo os casos mais complexos do emprego da ortografia correta das palavras e suas principais regras: «ch” ou “x”?: deve-se empregar o X nos seguintes casos: – Em palavras de origem africana ou indígena. Exemplo: oxum, abacaxi. – Após ditongos. Exemplo: abaixar, faixa. – Após a sílaba inicial “en”. Exemplo: enxada, enxergar. – Após a sílaba inicial “me”. Exemplo: mexilhão, mexer, mexerica. s” ou “x”?: utiliza-se o S nos seguintes casos: – Nos sufixos “ese”, “isa”, “ose”. Exemplo: síntese, avisa, verminose. – Nos sufixos “ense”, “osa” e “oso”, quando formarem adjetivos. Exemplo: amazonense, formosa, jocoso. – Nos sufixos “ês” e “esa”, quando designarem origem, título ou nacionalidade. Exemplo: marquês/marque- sa, holandês/holandesa, burguês/burguesa. – Nas palavras derivadas de outras cujo radical já apresenta “s”. Exemplo: casa – casinha – casarão; análise – analisar. Porque, Por que, Porquê ou Por quê? – Porque (junto e sem acento): é conjunção explicativa, ou seja, indica motivo/razão, podendo substituir o termo pois. Portanto, toda vez que essa substituição for possível, não haverá dúvidas de que o emprego do porque estará correto. Exemplo: Não choveu, porque/pois nada está molhado. – Por que (separado e sem acento): esse formato é empregado para introduzir uma pergunta ou no lugar de “o motivo pelo qual”, para estabelecer uma relação com o termo anterior da oração. Exemplos: Por que ela está chorando? / Ele explicou por que do cancelamento do show. – Porquê (junto e com acento): trata-se de um substantivo e, por isso, pode estar acompanhado por artigo, adjetivo, pronome ou numeral. Exemplo: Não ficou claro o porquê do cancelamento do show. – Por quê (separado e com acento): deve ser empregado ao fim de frases interrogativas. Exemplo: Ela foi embora novamente. Por quê? ACENTUAÇÃO GRÁFICA. — Definição A acentuação gráfica consiste no emprego do acento nas palavras grafadas com a finalidade de estabelecer, com base nas regras da língua, a intensidade e/ou a sonoridade das palavras. Isso quer dizer que os acentos gráficos servem para indicar a sílaba tônica de uma palavra ou a pronúncia de uma vogal. De acordo com as regras gramaticais vigentes, são quatro os acentos existentes na língua portuguesa: – Acento agudo: Indica que a sílaba tônica da palavra tem som aberto. Ex.: área, relógio, pássaro. – Acento circunflexo: Empregado acima das vogais “a” e” e “o”para indicar sílaba tônica em vogal fechada. Ex.: acadêmico, âncora, avô. – Acento grave/crase: Indica a junção da preposição “a” com o artigo “a”. Ex: “Chegamos à casa”. Esse acento não indica sílaba tônica! Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 8 – Til: Sobre as vogais “a” e “o”, indica que a vogal de determinada palavra tem som nasal, e nem sempre recai sobre a sílaba tônica. Exemplo: a palavra órfã tem um acento agudo, que indica que a sílaba forte é “o” (ou seja, é acento tônico), e um til (˜), que indica que a pronúncia da vogal “a” é nasal, não oral. Outro exemplo semelhante é a palavra bênção. — Monossílabas Tônicas e Átonas Mesmo as palavrascom apenas uma sílaba podem sofrer alteração de intensidade de voz na sua pronún- cia. Exemplo: observe o substantivo masculino “dó” e a preposição “do” (contração da preposição “de” + artigo “o”). Ao comparar esses termos, percebermos que o primeiro soa mais forte que o segundo, ou seja, temos uma monossílaba tônica e uma átona, respectivamente. Diante de palavras monossílabas, a dica para identifi- car se é tônica (forte) ou fraca átona (fraca) é pronunciá-las em uma frase, como abaixo: “Sinto grande dó ao vê-la sofrer.” “Finalmente encontrei a chave do carro.” Recebem acento gráfico: – As monossílabas tônicas terminadas em: -a(s) → pá(s), má(s); -e(s) → pé(s), vê(s); -o(s) → só(s), pôs. – As monossílabas tônicas formados por ditongos abertos -éis, -éu, -ói. Ex: réis, véu, dói. Não recebem acento gráfico: – As monossílabas tônicas: par, nus, vez, tu, noz, quis. – As formas verbais monossilábicas terminadas em “-ê”, nas quais a 3a pessoa do plural termina em “-eem”. Antes do novo acordo ortográfico, esses verbos era acentuados. Ex.: Ele lê → Eles lêem leem. Exceção! O mesmo não ocorre com os verbos monossilábicos terminados em “-em”, já que a terceira pessoa termina em “-êm”. Nesses caso, a acentuação permanece acentuada. Ex.: Ele tem → Eles têm; Ele vem → Eles vêm. Acentuação das palavras Oxítonas As palavras cuja última sílaba é tônica devem ser acentuadas as oxítonas com sílaba tônica terminada em vogal tônica -a, -e e -o, sucedidas ou não por -s. Ex.: aliás, após, crachá, mocotó, pajé, vocês. Logo, não se acentuam as oxítonas terminadas em “-i” e “-u”. Ex.: caqui, urubu. Acentuação das palavras Paroxítonas São classificadas dessa forma as palavras cuja penúltima sílaba é tônica. De acordo com a regra geral, não se acentuam as palavras paroxítonas, a não ser nos casos específicos relacionados abaixo. Observe as exceções: – Terminadas em -ei e -eis. Ex.: amásseis, cantásseis, fizésseis, hóquei, jóquei, pônei, saudáveis. – Terminadas em -r, -l, -n, -x e -ps. Ex.: bíceps, caráter, córtex, esfíncter, fórceps, fóssil, líquen, lúmen, réptil, tórax. – Terminadas em -i e -is. Ex.: beribéri, bílis, biquíni, cáqui, cútis, grátis, júri, lápis, oásis, táxi. – Terminadas em -us. Ex.: bônus, húmus, ônus, Vênus, vírus, tônus. – Terminadas em -om e -ons. Ex.: elétrons, nêutrons, prótons. – Terminadas em -um e -uns. Ex.: álbum, álbuns, fórum, fóruns, quórum, quóruns. – Terminadas em -ã e -ão. Ex.: bênção, bênçãos, ímã, ímãs, órfã, órfãs, órgão, órgãos, sótão, sótãos. Acentuação das palavras Proparoxítonas Classificam-se assim as palavras cuja antepenúltima sílaba é tônica, e todas recebem acento, sem exceções. Ex.: ácaro, árvore, bárbaro, cálida, exército, fétido, lâmpada, líquido, médico, pássaro, tática, trânsito. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 9 Ditongos e Hiatos Acentuam-se: – Oxítonas com sílaba tônica terminada em abertos “_éu”, “_éi” ou “_ói”, sucedidos ou não por “_s”. Ex.: anéis, fiéis, herói, mausoléu, sóis, véus. – As letras “_i” e “_u” quando forem a segunda vogal tônica de um hiato e estejam isoladas ou sucedidas por “_s” na sílaba. Ex.: caí (ca-í), país (pa-ís), baú (ba-ú). Não se acentuam: – A letra “_i”, sempre que for sucedida por de “_nh”. Ex.: moinho, rainha, bainha. – As letras “_i” e o “_u” sempre que aparecerem repetidas. Ex.: juuna, xiita. xiita. – Hiatos compostos por “_ee” e “_oo”. Ex.: creem, deem, leem, enjoo, magoo. O Novo Acordo Ortográfico Confira as regras que levaram algumas palavras a perderem acentuação em razão do Acordo Ortográfico de 1990, que entrou em vigor em 2009: 1 – Vogal tônica fechada -o de -oo em paroxítonas. Exemplos: enjôo – enjoo; magôo – magoo; perdôo – perdoo; vôo – voo; zôo – zoo. 2 – Ditongos abertos -oi e -ei em palavras paroxítonas. Exemplos: alcalóide – alcaloide; andróide – androide; alcalóide – alcaloide; assembléia – assembleia; asteróide – asteroide; européia – europeia. 3 – Vogais -i e -u precedidas de ditongo em paroxítonas. Exemplos: feiúra – feiura; maoísta – maoista; taoísmo – taoismo. 4 – Palavras paroxítonas cuja terminação é -em, e que possuem -e tônico em hiato. Isso ocorre com a 3a pessoa do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo. Exemplos: deem; lêem – leem; relêem – releem; revêem. 5 – Palavras com trema: somente para palavras da língua portuguesa. Exemplos: bilíngüe – bilíngue; enxágüe – enxágue; linguïça – linguiça. 6 – Paroxítonas homógrafas: são palavras que têm a mesma grafia, mas apresentam significados diferentes. Exemplo: o verbo PARAR: pára – para. Antes do Acordo Ortográfico, a flexão do verbo “parar” era acentuada para que fosse diferenciada da preposição “para”. Atualmente, nenhuma delas recebe acentuação. Assim: Antes: Ela sempre pára para ver a banda passar. [verbo / preposição] Hoje: Ela sempre para para ver a banda passar. [verbo / preposição] Pontuação: emprego de todos os sinais de pontuação — Visão Geral O sistema de pontuação consiste em um grupo de sinais gráficos que, em um período sintático, têm a função primordial de indicar um nível maior ou menor de coesão entre estruturas e, ocasionalmente, manifestar as propriedades da fala (prosódias) em um discurso redigido. Na escrita, esses sinais substituem os gestos e as expressões faciais que, na linguagem falada, auxiliam a compreensão da frase. O emprego da pontuação tem as seguintes finalidades: – Garantir a clareza, a coerência e a coesão interna dos diversos tipos textuais; Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 10 – Garantir os efeitos de sentido dos enunciados; – Demarcar das unidades de um texto; – Sinalizar os limites das estruturas sintáticas. — Sinais de pontuação que auxiliam na elaboração de um enunciado Vírgula De modo geral, sua utilidade é marcar uma pausa do enunciado para indicar que os termos por ela isolados, embora compartilhem da mesma frase ou período, não compõem unidade sintática. Mas, se, ao contrário, houver relação sintática entre os termos, estes não devem ser isolados pela vírgula. Isto quer dizer que, ao mesmo tempo que existem situações em que a vírgula é obrigatória, em outras, ela é vetada. Confira os casos em que a vírgula deve ser empregada: • No interior da sentença 1 – Para separar elementos de uma enumeração e repetição: ENUMERAÇÃO Adicione leite, farinha, açúcar, ovos, óleo e chocolate. Paguei as contas de água, luz, telefone e gás. REPETIÇÃO Os arranjos estão lindos, lindos! Sua atitude foi, muito, muito, muito indelicada. 2 – Isolar o vocativo “Crianças, venham almoçar!” “Quando será a prova, professora?” 3 – Separar apostos “O ladrão, menor de idade, foi apreendido pela polícia.” 4 – Isolar expressões explicativas: “As CPIs que terminaram em pizza, ou seja, ninguém foi responsabilizado.” 5 – Separar conjunções intercaladas “Não foi explicado, porém, o porquê das falhas no sistema.” 6 – Isolar o adjunto adverbial anteposto ou intercalado: “Amanhã pela manhã, faremos o comunicado aos funcionários do setor.” “Ele foi visto, muitas vezes, vagando desorientado pelas ruas.” 7 – Separar o complemento pleonástico antecipado: Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 11 “Estas alegações, não as considero legítimas.” 8 – Separar termos coordenados assindéticos (não conectadas por conjunções) “Os seres vivos nascem, crescem, reproduzem-se, morrem.” 9 – Isolar o nome de um local na indicação de datas: “São Paulo, 16 de outubro de 2022”. 10 – Marcar a omissão de um termo: “Eu faço o recheio, e você, a cobertura.” (omissão do verbo “fazer”). • Entre as sentenças 1 – Para separar as orações subordinadas adjetivas explicativas “Meu aluno, que mora no exterior, fará aulas remotas.” 2 – Para separar as orações coordenadas sindéticas e assindéticas, com exceção das orações iniciadas pela conjunção “e”: “Liguei para ela, expliquei o acontecido e pedipara que nos ajudasse.” 3 – Para separar as orações substantivas que antecedem a principal: “Quando será publicado, ainda não foi divulgado.” 4 – Para separar orações subordinadas adverbiais desenvolvidas ou reduzidas, especialmente as que antecedem a oração principal: Reduzida Por ser sempre assim, ninguém dá atenção! Desenvolvida Porque é sempre assim, já ninguém dá atenção! 5 – Separar as sentenças intercaladas: “Querida, disse o esposo, estarei todos os dias aos pés do seu leito, até que você se recupere por completo.” • Antes da conjunção “e” 1 – Emprega-se a vírgula quando a conjunção “e” adquire valores que não expressam adição, como consequência ou diversidade, por exemplo. “Argumentou muito, e não conseguiu convencer-me.” 2 – Utiliza-se a vírgula em casos de polissíndeto, ou seja, sempre que a conjunção “e” é reiterada com com a finalidade de destacar alguma ideia, por exemplo: “(…) e os desenrolamentos, e os incêndios, e a fome, e a sede; e dez meses de combates, e cem dias de cancioneiro contínuo; e o esmagamento das ruínas...” (Euclides da Cunha) Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 12 3 – Emprega-se a vírgula sempre que orações coordenadas apresentam sujeitos distintos, por exemplo: “A mulher ficou irritada, e o marido, constrangido.” O uso da vírgula é vetado nos seguintes casos: separar sujeito e predicado, verbo e objeto, nome de adjunto adnominal, nome e complemento nominal, objeto e predicativo do objeto, oração substantiva e oração subordinada (desde que a substantivo não seja apositiva nem se apresente inversamente). Ponto 1 – Para indicar final de frase declarativa: “O almoço está pronto e será servido.” 2 – Abrevia palavras: – “p.” (página) – “V. Sra.” (Vossa Senhoria) – “Dr.” (Doutor) 3 – Para separar períodos: “O jogo não acabou. Vamos para os pênaltis.” Ponto e Vírgula 1 – Para separar orações coordenadas muito extensas ou orações coordenadas nas quais já se tenha utilizado a vírgula: “Gosto de assistir a novelas; meu primo, de jogos de RPG; nossa amiga, de praticar esportes.” 2 – Para separar os itens de uma sequência de itens: “Os planetas que compõem o Sistema Solar são: Mercúrio; Vênus; Terra; Marte; Júpiter; Saturno; Urano; Netuno.” Dois Pontos 1 – Para introduzirem apostos ou orações apositivas, enumerações ou sequência de palavras que explicam e/ou resumem ideias anteriores. “Anote o endereço: Av. Brasil, 1100.” “Não me conformo com uma coisa: você ter perdoado aquela grande ofensa.” 2 – Para introduzirem citação direta: Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 13 “Desse estudo, Lavoisier extraiu o seu princípio, atualmente muito conhecido: “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma’.” 3 – Para iniciar fala de personagens: “Ele gritava repetidamente: – Sou inocente!” Reticências 1 – Para indicar interrupção de uma frase incompleta sintaticamente: “Quem sabe um dia...” 2 – Para indicar hesitação ou dúvida: “Então... tenho algumas suspeitas... mas prefiro não revelar ainda.” 3 – Para concluir uma frase gramaticalmente inacabada com o objetivo de prolongar o raciocínio: “Sua tez, alva e pura como um foco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa...” (Cecília - José de Alencar). 4 – Suprimem palavras em uma transcrição: “Quando penso em você (...) menos a felicidade.” (Canteiros - Raimundo Fagner). Ponto de Interrogação 1 – Para perguntas diretas: “Quando você pode comparecer?” 2 – Algumas vezes, acompanha o ponto de exclamação para destacar o enunciado: “Não brinca, é sério?!” Ponto de Exclamação 1 – Após interjeição: “Nossa Que legal!” 2 – Após palavras ou sentenças com carga emotiva “Infelizmente!” 3 – Após vocativo “Ana, boa tarde!” 4 – Para fechar de frases imperativas: “Entre já!” Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 14 Parênteses a) Para isolar datas, palavras, referências em citações, frases intercaladas de valor explicativo, podendo substituir o travessão ou a vírgula: “Mal me viu, perguntou (sem qualquer discrição, como sempre) quem seria promovido.” Travessão 1 – Para introduzir a fala de um personagem no discurso direto: “O rapaz perguntou ao padre: — Amar demais é pecado?” 2 – Para indicar mudança do interlocutor nos diálogos: “— Vou partir em breve. — Vá com Deus!” 3 – Para unir grupos de palavras que indicam itinerários: “Esse ônibus tem destino à cidade de São Paulo — SP.” 4 – Para substituir a vírgula em expressões ou frases explicativas: “Michael Jackson — o retorno rei do pop — era imbatível.” Aspas 1 – Para isolar palavras ou expressões que violam norma culta, como termos populares, gírias, neologismos, estrangeirismos, arcaísmos, palavrões, e neologismos. “Na juventude, ‘azarava’ todas as meninas bonitas.” “A reunião será feita ‘online’.” 2 – Para indicar uma citação direta: “A índole natural da ciência é a longanimidade.” (Machado de Assis) Classes de palavras: pronomes - classificação, emprego e colocação pronominal (próclise, ênclise e mesóclise); — Pronome O pronome tem a função de indicar a pessoa do discurso (quem fala, com quem se fala e de quem se fala), a posse de um objeto e sua posição. Essa classe gramatical é variável, pois flexiona em número e gênero. Os pronomes podem suplantar o substantivo ou acompanhá-lo; no primeiro caso, são denominados “pronome substantivo” e, no segundo, “pronome adjetivo”. Classificam-se em: pessoais, possessivos, demonstrativos, interrogativos, indefinidos e relativos. Pronomes pessoais Os pronomes pessoais apontam as pessoas do discurso (pessoas gramaticais), e se subdividem em pronomes do caso reto (desempenham a função sintática de sujeito) e pronomes oblíquos (atuam como complemento), sendo que, para cada caso reto, existe um correspondente oblíquo. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 15 CASO RETO CASO OBLÍQUO Eu Me, mim, comigo. Tu Te, ti, contigo. Ele Se, o, a , lhe, si, consigo. Nós Nos, conosco. Vós Vos, convosco. Eles Se, os, as, lhes, si, consigo. Observe os exemplos: – Na frase “Maria está feliz. Ela vai se casar.”, o pronome cabível é do caso reto. Quem vai se casar? Maria. – Na frase “O forno? Desliguei-o agora há pouco. O pronome “o” completa o sentido do verbo. Fechei o que? O forno. Lembrando que os pronomes oblíquos o, a, os, as, lo, la, los, las, no, na nos, e nas desempenham apenas a função de objeto direto. Pronomes possessivos Esses pronomes indicam a relação de posse entre o objeto e a pessoa do discurso. PESSOA DO DISCURSO PRONOME 1a pessoa – Eu Meu, minha, meus, minhas 2a pessoa – Tu Teu, tua, teus, tuas 3a pessoa– Seu, sua, seus, suas Exemplo: “Nossos filhos cresceram.” → o pronome indica que o objeto pertence à 1ª pessoa (nós). Pronomes de tratamento Tratam-se termos solenes que, em geral, são empregados em contextos formais — a única exceção é o pronome você. Eles têm a função de promover uma referência direta do locutor para interlocutor (parceiros de comunicação). São divididos conforme o nível de formalidade, logo, para cada situação, existe um pronome de tratamento específico. Apesar de expressarem interlocução (diálogo), à qual seria adequado o emprego do pronome na segunda pessoa do discurso (“tu”), no caso dos pronomes de tratamento, os verbos devem ser usados em 3a pessoa. PRONOME USO ABREVIAÇÕES Você situações informais V./VV Senhor (es) e Senhora (s) pessoas mais velhas Sr. Sr.a (singular) e Srs. , Sra.s. (plural) Vossa Senhoria em correspondências e outros textos redigidos V. S.a/V.Sas Vossa Excelência altas autoridades, como Presidente da República, senadores, deputados, embaixadores V. Ex.a/ V. Ex.as Vossa Magnificência reitores das Universidades V. Mag.a/V. Mag.as Vossa Alteza príncipes, princesas, duques V.A (singular) e V.V.A.A. (plural) Vossa Reverendíssima sacerdotes e religiososem geral V. Rev. m.a/V. Rev. m. as Vossa Eminência cardeais V. Ex.a/V. Em.as Vossa Santidade Papa V.S. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 16 Pronomes demonstrativos Sua função é indicar a posição dos seres no que se refere ao tempo ao espaço e à pessoa do discurso – nesse último caso, o pronome determina a proximidade entre um e outro. Esses pronomes flexionam-se em gênero e número. PESSOA DO DISCURSO PRONOMES POSIÇÃO 1a pessoa Este, esta, estes, estas, isto. Os seres ou objetos estão próximos da pessoa que fala. 2a pessoa Esse, essa, esses, essas, isso. Os seres ou objetos estão próximos da pessoa com quem se fala. 3a pessoa Aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo. Com quem se fala. Observe os exemplos: “Esta caneta é sua?” “Esse restaurante é bom e barato.” Pronomes Indefinidos Esses pronomes indicam indeterminação ou imprecisão, assim, estão sempre relacionados à 3ª pessoa do discurso. Os pronomes indefinidos podem ser variáveis (flexionam conforme gênero e número) ou invariáveis (não flexionam). Analise os exemplos abaixo: – Em “Alguém precisa limpar essa sujeira.”, o termo “alguém” quer dizer uma pessoa de identidade indefinida ou não especificada). – Em “Nenhum convidado confirmou presença.”, o termo “nenhum” refere-se ao substantivo “convidado” de modo vago, pois não se sabe de qual convidado se trata. – Em “Cada criança vai ganhar um presente especial.”, o termo “cada” refere-se ao substantivo da frase “criança”, sem especificá-lo. – Em “Outras lojas serão abertas no mesmo local.”, o termo “outras” refere-se ao substantivo “lojas” sem especificar de quais lojas se trata. Confira abaixo a tabela com os pronomes indefinidos: CLASSIFICAÇÃO PRONOMES INDEFINIDOS VARIÁVEIS Muito, pouco, algum, nenhum, outro, qualquer, certo, um, tanto, quanto, bastante, vários, quantos, todo. INVARIÁVEIS Nada, ninguém, cada, algo, alguém, quem, demais, outrem, tudo. Pronomes relativos Os pronomes relativos, como sugere o nome, se relacionam ao termo anterior e o substituem, sendo importante, portanto, para prevenir a repetição indevida das palavras em um texto. Eles podem ser variáveis (o qual, cujo, quanto) ou invariáveis (que, quem, onde). Observe os exemplos: – Em “São pessoas cuja história nos emociona.”, o pronome “cuja” se apresenta entre dois substantivos (“pessoas” e “história”) e se relaciona àquele que foi dito anteriormente (“pessoas”). – Em “Os problemas sobre os quais conversamos já estão resolvidos.” , o pronome “os quais” retoma o substantivo dito anteriormente (“problemas”). Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 17 CLASSIFICAÇÃO PRONOMES RELATIVOS VARIÁVEIS O qual, a qual, os quais, cujo, cuja, cujos, cujas, quanto, quanta, quantos, quantas. INVARIÁVEIS Quem, que, onde. Pronomes interrogativos Os pronomes interrogativos são palavras variáveis e invariáveis cuja função é formular perguntas diretas e indiretas. Exemplos: “Quanto vai custar a passagem?” (oração interrogativa direta) “Gostaria de saber quanto custará a passagem.” (oração interrogativa indireta) CLASSIFICAÇÃO PRONOMES INTERROGATIVOS VARIÁVEIS Qual, quais, quanto, quantos, quanta, quantas. INVARIÁVEIS Quem, que. COLOCAÇÃO PRONOMINAL A colocação do pronome átono está relacionada à harmonia da frase. A tendência do português falado no Brasil é o uso do pronome antes do verbo – próclise. No entanto, há casos em que a norma culta prescreve o emprego do pronome no meio – mesóclise – ou após o verbo – ênclise. De acordo com a norma culta, no português escrito não se inicia um período com pronome oblíquo átono. Assim, se na linguagem falada diz-se “Me encontrei com ele”, já na linguagem escrita, formal, usa-se “Encon- trei-me’’ com ele. Sendo a próclise a tendência, é aconselhável que se fixem bem as poucas regras de mesóclise e ênclise. Assim, sempre que estas não forem obrigatórias, deve-se usar a próclise, a menos que prejudique a eufonia da frase. Próclise Na próclise, o pronome é colocado antes do verbo. Palavra de sentido negativo: Não me falou a verdade. Advérbios sem pausa em relação ao verbo: Aqui te espero pacientemente. Havendo pausa indicada por vírgula, recomenda-se a ênclise: Ontem, encontrei-o no ponto do ônibus. Pronomes indefinidos: Ninguém o chamou aqui. Pronomes demonstrativos: Aquilo lhe desagrada. Orações interrogativas: Quem lhe disse tal coisa? Orações optativas (que exprimem desejo), com sujeito anteposto ao verbo: Deus lhe pague, Senhor! Orações exclamativas: Quanta honra nos dá sua visita! Orações substantivas, adjetivas e adverbiais, desde que não sejam reduzidas: Percebia que o observavam. Verbo no gerúndio, regido de preposição em: Em se plantando, tudo dá. Verbo no infinitivo pessoal precedido de preposição: Seus intentos são para nos prejudicarem. Ênclise Na ênclise, o pronome é colocado depois do verbo. Verbo no início da oração, desde que não esteja no futuro do indicativo: Trago-te flores. Verbo no imperativo afirmativo: Amigos, digam-me a verdade! Verbo no gerúndio, desde que não esteja precedido pela preposição em: Saí, deixando-a aflita. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 18 Verbo no infinitivo impessoal regido da preposição a. Com outras preposições é facultativo o emprego de ênclise ou próclise: Apressei-me a convidá-los. Mesóclise Na mesóclise, o pronome é colocado no meio do verbo. É obrigatória somente com verbos no futuro do presente ou no futuro do pretérito que iniciam a oração. Dir-lhe-ei toda a verdade. Far-me-ias um favor? Se o verbo no futuro vier precedido de pronome reto ou de qualquer outro fator de atração, ocorrerá a pró- clise. Eu lhe direi toda a verdade. Tu me farias um favor? Colocação do pronome átono nas locuções verbais Verbo principal no infinitivo ou gerúndio: Se a locução verbal não vier precedida de um fator de próclise, o pronome átono deverá ficar depois do auxiliar ou depois do verbo principal. Exemplos: Devo-lhe dizer a verdade. Devo dizer-lhe a verdade. Havendo fator de próclise, o pronome átono deverá ficar antes do auxiliar ou depois do principal. Exemplos: Não lhe devo dizer a verdade. Não devo dizer-lhe a verdade. Verbo principal no particípio: Se não houver fator de próclise, o pronome átono ficará depois do auxiliar. Exemplo: Havia-lhe dito a verdade. Se houver fator de próclise, o pronome átono ficará antes do auxiliar. Exemplo: Não lhe havia dito a verdade. Haver de e ter de + infinitivo: Pronome átono deve ficar depois do infinitivo. Exemplos: Hei de dizer-lhe a verdade. Tenho de dizer-lhe a verdade. Observação Não se deve omitir o hífen nas seguintes construções: Devo-lhe dizer tudo. Estava-lhe dizendo tudo. Havia-lhe dito tudo. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 19 Verbos - emprego dos modos e tempos, flexões dos verbos irregulares, abundantes e defectivos Verbo é a palavra que indica ação, movimento, fenômenos da natureza, estado, mudança de estado. Fle- xiona-se em: - número (singular e plural); - pessoa (primeira, segunda e terceira); - modo (indicativo, subjuntivo e imperativo, formas nominais: gerúndio, infinitivo e particípio); - tempo (presente, passado e futuro); - e apresenta voz (ativa, passiva, reflexiva). De acordo com a vogal temática, os verbos estão agrupados em três conjugações: 1ª conjugação – ar: cantar, dançar, pular. 2ª conjugação – er: beber, correr, entreter. 3ª conjugação – ir: partir, rir, abrir. O verbo pôr e seus derivados (repor, depor, dispor, compor, impor) pertencem a 2ª conjugação devido à sua origem latina poer. Elementos Estruturais do Verbo As formas verbais apresentam três elementos em sua estrutura: radical, vogal temática e tema. Radical: elemento mórfico (morfema) que concentra o significado essencial do verbo. Observe as formas verbais da 1ª conjugação: contar, esperar, brincar. Flexionando esses verbos, nota-se que há uma parte que não muda,e que nela está o significado real do verbo. cont é o radical do verbo contar; esper é o radical do verbo esperar; brinc é o radical do verbo brincar. Se tirarmos as terminações ar, er, ir do infinitivo dos verbos, teremos o radical desses verbos. Também po- demos antepor prefixos ao radical: desnutrir / reconduzir. Vogal Temática: é o elemento mórfico que designa a qual conjugação pertence o verbo. Há três vogais te- máticas: 1ª conjugação: a; 2ª conjugação: e; 3ª conjugação: i. Tema: é o elemento constituído pelo radical mais a vogal temática. Ex.: contar - cont (radical) + a (vogal temática) = tema. Se não houver a vogal temática, o tema será apenas o radical (contei = cont ei). Desinências: são elementos que se juntam ao radical, ou ao tema, para indicar as flexões de modo e tempo, desinências modo temporais e desinências número pessoais. Contávamos Cont = radical a = vogal temática va = desinência modo temporal mos = desinência número pessoal Flexões Verbais Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 20 Flexão de número e de pessoa: o verbo varia para indicar o número e a pessoa. - eu estudo – 1ª pessoa do singular; - nós estudamos – 1ª pessoa do plural; - tu estudas – 2ª pessoa do singular; - vós estudais – 2ª pessoa do plural; - ele estuda – 3ª pessoa do singular; - eles estudam – 3ª pessoa do plural. - Algumas regiões do Brasil, usam o pronome tu de forma diferente da fala culta, exigida pela gramática oficial, ou seja, tu foi, tu pega, tu tem, em vez de: tu fostes, tu pegas, tu tens. - O pronome vós aparece somente em textos literários ou bíblicos. - Os pronomes: você, vocês, que levam o verbo na 3ª pessoa, é o mais usado no Brasil. Flexão de tempo e de modo: os tempos situam o fato ou a ação verbal dentro de determinado momento; pode estar em plena ocorrência, pode já ter ocorrido ou não. Essas três possibilidades básicas, mas não únicas, são: presente, pretérito e futuro. O modo indica as diversas atitudes do falante com relação ao fato que enuncia. São três os modos: - Modo Indicativo: a atitude do falante é de certeza, precisão. O fato é ou foi uma realidade. Apresenta pre- sente, pretérito perfeito, imperfeito e mais que perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito. - Modo Subjuntivo: a atitude do falante é de incerteza, de dúvida, exprime uma possibilidade. O subjuntivo expressa uma incerteza, dúvida, possibilidade, hipótese. Apresenta presente, pretérito imperfeito e futuro. Ex: Tenha paciência, Lourdes; Se tivesse dinheiro compraria um carro zero; Quando o vir, dê lembranças minhas. - Modo Imperativo: a atitude do falante é de ordem, um desejo, uma vontade, uma solicitação. Indica uma ordem, um pedido, uma súplica. Apresenta imperativo afirmativo e imperativo negativo. Emprego dos Tempos do Indicativo - Presente do Indicativo: para enunciar um fato momentâneo. Ex.: Estou feliz hoje. Para expressar um fato que ocorre com frequência. Ex.: Eu almoço todos os dias na casa de minha mãe. Na indicação de ações ou estados permanentes, verdades universais. Ex.: A água é incolor, inodora, insípida. - Pretérito Imperfeito: para expressar um fato passado, não concluído. Ex.: Nós comíamos pastel na feira; Eu cantava muito bem. - Pretérito Perfeito: é usado na indicação de um fato passado concluído. Ex.: Cantei, dancei, pulei, chorei, dormi... - Pretérito Mais-Que-Perfeito: expressa um fato passado anterior a outro acontecimento passado. Ex.: Nós cantáramos no congresso de música. - Futuro do Presente: na indicação de um fato realizado num instante posterior ao que se fala. Ex.: Cantarei domingo no coro da igreja matriz. - Futuro do Pretérito: para expressar um acontecimento posterior a um outro acontecimento passado. Ex.: Compraria um carro se tivesse dinheiro 1ª Conjugação: -AR Presente: danço, danças, dança, dançamos, dançais, dançam. Pretérito Perfeito: dancei, dançaste, dançou, dançamos, dançastes, dançaram. Pretérito Imperfeito: dançava, dançavas, dançava, dançávamos, dançáveis, dançavam. Pretérito Mais-Que-Perfeito: dançara, dançaras, dançara, dançáramos, dançáreis, dançaram. Futuro do Presente: dançarei, dançarás, dançará, dançaremos, dançareis, dançarão. Futuro do Pretérito: dançaria, dançarias, dançaria, dançaríamos, dançaríeis, dançariam. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 21 2ª Conjugação: -ER Presente: como, comes, come, comemos, comeis, comem. Pretérito Perfeito: comi, comeste, comeu, comemos, comestes, comeram. Pretérito Imperfeito: comia, comias, comia, comíamos, comíeis, comiam. Pretérito Mais-Que-Perfeito: comera, comeras, comera, comêramos, comêreis, comeram. Futuro do Presente: comerei, comerás, comerá, comeremos, comereis, comerão. Futuro do Pretérito: comeria, comerias, comeria, comeríamos, comeríeis, comeriam. 3ª Conjugação: -IR Presente: parto, partes, parte, partimos, partis, partem. Pretérito Perfeito: parti, partiste, partiu, partimos, partistes, partiram. Pretérito Imperfeito: partia, partias, partia, partíamos, partíeis, partiam. Pretérito Mais-Que-Perfeito: partira, partiras, partira, partíramos, partíreis, partiram. Futuro do Presente: partirei, partirás, partirá, partiremos, partireis, partirão. Futuro do Pretérito: partiria, partirias, partiria, partiríamos, partiríeis, partiriam. Emprego dos Tempos do Subjuntivo - Presente: é empregado para indicar um fato incerto ou duvidoso, muitas vezes ligados ao desejo, à supo- sição. Ex.: Duvido de que apurem os fatos; Que surjam novos e honestos políticos. - Pretérito Imperfeito: é empregado para indicar uma condição ou hipótese. Ex.: Se recebesse o prêmio, voltaria à universidade. - Futuro: é empregado para indicar um fato hipotético, pode ou não acontecer. Quando você fizer o trabalho, será generosamente gratificado. 1ª Conjugação –AR Presente: que eu dance, que tu dances, que ele dance, que nós dance- mos, que vós danceis, que eles dancem. Pretérito Imperfeito: se eu dançasse, se tu dançasses, se ele dançasse, se nós dançássemos, se vós dançásseis, se eles dançassem. Futuro: quando eu dançar, quando tu dançares, quando ele dançar, quan- do nós dançarmos, quando vós dançardes, quando eles dançarem. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 22 2ª Conjugação -ER Presente: que eu coma, que tu comas, que ele coma, que nós comamos, que vós comais, que eles comam. Pretérito Imperfeito: se eu comesse, se tu co- messes, se ele comesse, se nós comêssemos, se vós comêsseis, se eles comessem. Futuro: quando eu comer, quando tu comeres, quando ele comer, quando nós comermos, quando vós comerdes, quando eles comerem. 3ª conjugação – IR Presente: que eu parta, que tu partas, que ele parta, que nós partamos, que vós partais, que eles partam. Pretérito Imperfeito: se eu partisse, se tu par- tisses, se ele partisse, se nós partíssemos, se vós partísseis, se eles partissem. Futuro: quando eu partir, quando tu partires, quando ele partir, quando nós partirmos, quando vós partirdes, quando eles partirem. Emprego do Imperativo Imperativo Afirmativo - Não apresenta a primeira pessoa do singular. - É formado pelo presente do indicativo e pelo presente do subjuntivo. - O Tu e o Vós saem do presente do indicativo sem o “s”. - O restante é cópia fiel do presente do subjuntivo. Presente do Indicativo: eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos, vós amais, eles amam. Presente do subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem. Imperativo afirmativo: ama tu, ame ele, amemos nós, amai vós, amem vocês. Imperativo Negativo - É formado através do presente do subjuntivo sem a primeira pessoa do singular. - Não retira os “s” do tu e do vós. Presente do Subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem. Imperativo negativo: não ames tu, não ame você, não amemos nós, não ameis vós, não amem vocês. Além dos três modos citados (Indicativo, Subjuntivo e Imperativo), osverbos apresentam ainda as formas nominais: infinitivo – impessoal e pessoal, gerúndio e particípio. Verbos Irregulares São os verbos que sofrem modificações no radical ou em suas desinências. DAR: dou, dava, dei, dera, darei, daria, dê, desse, der CABER: caibo, cabia, coube, coubera, caberei, caberia, caiba, coubesse, couber. AGREDIR: agrido, agredia, agredi, agredira, agredirei, agrediria, agrida, agredisse, agredir. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 23 Verbos Defectivos São aqueles que possuem um defeito. Não têm todos os modos, tempos ou pessoas. Verbo Pronominal: é aquele que é conjugado com o pronome oblíquo. Ex.: Eu me despedi de mamãe e parti sem olhar para o passado. Verbos Abundantes: são os verbos que têm duas ou mais formas equivalentes, geralmente de particípio. Infinitivo: Aceitar, Anexar, Acender, Desenvolver, Emergir, Expelir. Particípio Regular: Aceitado, Anexado, Acendido, Desenvolvido, Emergido, Expelido. Particípio Irregular: Aceito, Anexo, Aceso, Desenvolto, Emerso, Expulso. Tempos Compostos: são formados por locuções verbais que têm como auxiliares os verbos ter e haver e como principal, qualquer verbo no particípio. São eles: - Pretérito Perfeito Composto do Indicativo: é a formação de locução verbal no Presente do Indicativo, indi- cando fato que tem ocorrido com frequência ultimamente. Ex.: Eu tenho estudado demais ultimamente. - Pretérito Perfeito Composto do Subjuntivo: é a formação de locução verbal no Presente do Subjuntivo, in- dicando desejo de que algo já tenha ocorrido. Ex.: Espero que você tenha estudado o suficiente, para conseguir a aprovação. - Pretérito Mais-que-Perfeito Composto do Indicativo: é a formação de locução verbal no Pretérito Imperfei- to do Indicativo, tendo o mesmo valor que o Pretérito Mais-que-Perfeito do Indicativo simples. Ex.: Eu já tinha estudado no Maxi, quando conheci Magali. - Pretérito Mais-que-perfeito Composto do Subjuntivo: é a formação de locução verbal no Pretérito Imperfei- to do Subjuntivo, tendo o mesmo valor que o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo simples. Ex.: Eu teria estudado no Maxi, se não me tivesse mudado de cidade. Perceba que todas as frases remetem a ação obrigatoriamente para o passado. A frase Se eu estudasse, aprenderia é completamente diferente de Se eu tivesse estudado, teria aprendido. - Futuro do Presente Composto do Indicativo: é a formação de locução verbal no Futuro do Presente simples do Indicativo, tendo o mesmo valor que o Futuro do Presente simples do Indicativo. Ex.: Amanhã, quando o dia amanhecer, eu já terei partido. - Futuro do Pretérito Composto do Indicativo: é a formação de locução verbal no Futuro do Pretérito simples do Indicativo, tendo o mesmo valor que o Futuro do Pretérito simples do Indicativo. Ex.: Eu teria estudado no Maxi, se não me tivesse mudado de cidade. - Futuro Composto do Subjuntivo: é a formação de locução verbal no Futuro do Subjuntivo simples, tendo o mesmo valor que o Futuro do Subjuntivo simples. Ex.: Quando você tiver terminado sua série de exercícios, eu caminharei 6Km. - Infinitivo Pessoal Composto: é a formação de locução verbal no Infinitivo Pessoal simples, indicando ação passada em relação ao momento da fala. Ex.: Para você ter comprado esse carro, necessitou de muito dinheiro Vozes verbais São três as vozes verbais: Ativa, Passiva e Reflexão. Voz ativa: apresenta sujeito agente, que pratica a ação expressa pelo verbo, a qual recai em um termo paciente (objeto direto). Exemplo O professor instruiu os alunos sobre o trabalho. Voz passiva: apresenta sujeito paciente, que recebe a ação expressa pelo verbo. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 24 Exemplo A igreja foi construída por escravos no século 16. Voz reflexiva: o sujeito pratica a ação expressa pelo verbo, a qual recai sobre o próprio sujeito. Exemplo O cozinheiro cortou-se com a faca. A voz reflexiva é sempre construída com o verbo acompanhado de pronome obliquo de pessoa igual à que o verbo se refere. Pronomes reflexivos me: a mim mesmo te: a ti mesmo se: a si mesmo nos: a nos mesmos vos: a vos mesmos se: a si mesmos Voz reflexiva recíproca Podem indicar a noção de reciprocidade, ação mutua ou correspondida. Os verbos aparecem no plural e podem vir reforçados por expressões como “um ao outro”, “reciprocamente”, “mutuamente”. Exemplo Os dois abraçavam-se apaixonadamente. Os pronomes oblíquos nas construções reflexivas e reciprocas funcionam, como objeto direto ou objeto indireto, dependendo da regência do verbo. Exemplos Objeto direto reflexivo Eu me feri com o martelo. Objeto indireto reflexivo Ela se pôs a chorar copiosamente. Objeto direto recíproco Os torcedores abraçavam-se a cada gol marcado. Objeto indireto recíproco Deram-se as mãos e aguardaram o resultado. Formação da Voz Passiva Existem dois processos: Analítico e Sintético. Voz Passiva Analítica: Verbo Ser + particípio (-ado / -ido) do verbo principal. O jogador será substituído. O agente da passiva geralmente é acompanhado da preposição por, e às vezes de. A ilha ficou cercada de pássaros. Pode acontecer ainda que o agente da passiva não esteja explícito na frase: A loja será inaugurada em breve. A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar “ser”, pois o seu particípio é invariável. Observe: Ele faz o conserto. (presente do indicativo) O conserto é feito por ele. (presente do indicativo) Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 25 Em frases com locuções verbais, o verbo “ser” assume o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa. Voz Passiva Sintética: verbo na 3ª pessoa, seguido do pronome apassivador “se”: Ouviram-se as rajadas de vento. Vendeu-se a última caixa de produtos. Geralmente, o agente não vem expresso na voz passiva sintética. Preposições - relações semânticas estabelecidas pelas preposições e locuções pre- positivas; conjunções - classificação, relações estabelecidas por conjunções, locuções conjuntivas; substantivos - classificação e flexões; adjetivos - classificação e flexões. — Preposição Essa classe de palavras tem o objetivo de marcar as relações gramaticais que outras classes (substantivos, adjetivos, verbos e advérbios) exercem no discurso. Por apenas marcarem algumas relações entre as unidades linguísticas dentro do enunciado, as preposições não possuem significado próprio se isoladas no discurso. Em razão disso, as preposições são consideradas classe gramatical dependente, ou seja, sua função gramatical (organização e estruturação) é principal, embora o desempenho semântico, que gera significado e sentido, esteja presente, apenas possui um menor valor. Classificação das preposições Preposições essenciais: só aparecem na língua propriamente como preposições, sem outra função. São elas: – Exemplo 1) ”Luís gosta de viajar.” e “Prefiro doce de coco.” Em ambas as sentenças, a preposição de man- teve-se sempre sendo preposição, apesar de ter estabelecido relação entre unidades linguísticas diferentes, garantindo-lhes classificações distintas conforme o contexto. – Exemplo 2) “Estive com ele até o reboque chegar.” e “Finalizei o quadro com textura.” Perceba que nas duas fases, a mesma preposição tem significados distintos: na primeira, indica recurso/instrumento; na segun- da, exprime companhia. Por isso, afirma-se que a preposição tem valor semântico, mesmo que secundário ao valor estrutural (gramática). Classificação das preposições – Preposições acidentais: são aquelas que, originalmente, não apresentam função de preposição, porém, a depender do contexto, podem assumir essa atribuição. São elas: Exemplo: ”Segundo o delegado, os depoimentos do suspeito apresentaram contradições.” A palavra “segun- do”, que, normalmente seria um numeral (primeiro, segundo, terceiro), ao ser inserida nesse contexto, passou a ser uma preposição acidental, por tem o sentido de “de acordo com”, “em conformidade com”.Locuções prepositivas Recebe esse nome o conjunto de palavras com valor e emprego de uma preposição. As principais locuções prepositivas são constituídas por advérbio ou locução adverbial acrescido da preposição de, a ou com. Confira algumas das principais locuções prepositivas. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 26 — Conjunção As conjunções integram a classe de palavras que tem a função de conectar os elementos de um enunciado ou oração e, com isso, estabelecer uma relação de dependência ou de independência entre os termos ligados. Em função dessa relação entre os termos conectados, as conjunções podem ser classificadas, respectivamente e de modo geral, como coordenativas ou subordinativas. Em outras palavras, as conjunções são um vínculo entre os elementos de uma sentença, atribuindo ao enunciado maior clareza e precisão. – Conjunções coordenativas: observe o exemplo: Eles ouviram os pedidos de ajuda. Eles chamaram o socorro.” – “Eles ouviram os pedidos de ajuda e chamaram o socorro.” No exemplo, a conjunção “e” estabelece uma relação de adição ao enunciado, ao conectar duas orações em um mesmo período: além de terem ouvido os pedidos de ajuda, chamaram o socorro. Perceba que não há relação de dependência entre ambas as sentenças, e que, para fazerem sentido, elas não têm necessidade uma da outra. Assim, classificam-se como orações coordenadas, e a conjunção que as relaciona, como coordenativa. – Conjunções subordinativas: analise este segundo caso: Não passei na prova, apesar de ter estudado muito.” Neste caso, temos uma locução conjuntiva (duas palavras desempenham a função de conjunção). Além disso, notamos que o sentido da segunda sentença é totalmente dependente da informação que é dada na primeira. Assim, a primeira oração recebe o nome de oração principal, enquanto a segunda, de oração subordinada. Logo, a conjunção que as relaciona é subordinativa. Classificação das conjunções Além da classificação que se baseia no grau de dependência entre os termos conectados (coordenação e subordinação), as conjunções possuem subdivisões. – Conjunções coordenativas: essas conjunções se reclassificam em razão do sentido que possuem cinco subclassificações, em função o sentido que estabelecem entre os elementos que ligam. São cinco: Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 27 Conjunções subordinativas: com base no sentido construído entre as duas orações relacionadas, a conjunção subordinativa pode ser de dois subtipos: 1 – Conjunções integrantes: introduzem a oração que cumpre a função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal ou aposto de outra oração. Essas conjunções são que e se. Exemplos: “É obrigatório que o senhor compareça na data agendada.” “Gostaria de saber se o resultado sairá ainda hoje.” 2 – Conjunções adverbiais: introduzem sintagmas adverbiais (orações que indicam uma circunstância adverbial relacionada à oração principal) e se subdividem conforme a tabela abaixo: Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 28 SUBSTANTIVO Substantivo é a palavra que dá nomes aos seres. Inclui os nomes de pessoas, de lugares, coisas, entes de natureza espiritual ou mitológica: vegetação, sereia, cidade, anjo, árvore, respeito, criança. Classificação - Comuns: nomeiam os seres da mesma espécie. Ex.: menina, piano, estrela, rio, animal, árvore. - Próprios: referem-se a um ser em particular. Ex.: Brasil, América do Norte, Deus, Paulo, Lucélia. - Concretos: são aqueles que têm existência própria; são independentes; reais ou imaginários. Ex.: mãe, mar, água, anjo, alma, Deus, vento, saci. Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 29 - Abstrato: são os que não têm existência própria; depende sempre de um ser para existir. Designam quali- dades, sentimentos, ações, estados dos seres: dor, doença, amor, fé, beijo, abraço, juventude, covardia. Ex.: É necessário alguém ser ou estar triste para a tristeza manifestar-se. Formação - Simples: são aqueles formados por apenas um radical: chuva, tempo, sol, guarda. - Compostos: são os que são formados por mais de dois radicais: guarda-chuva, girassol, água-de-colônia. - Primitivos: são os que não derivam de outras palavras; vieram primeiro, deram origem a outras palavras. Ex.: ferro, Pedro, mês, queijo. - Derivados: são formados de outra palavra já existente; vieram depois. Ex.: ferradura, pedreiro, mesada, requeijão. - Coletivos: os substantivos comuns que, mesmo no singular, designam um conjunto de seres de uma mes- ma espécie. Ex.: Reflexão do Substantivo Os substantivos apresentam variações ou flexões de gênero (masculino/feminino), de número (plural/singu- lar) e de grau (aumentativo/diminutivo). Gênero (masculino/feminino) Na língua portuguesa há dois gêneros: masculino e feminino. A regra para a flexão do gênero é a troca de o por a, ou o acréscimo da vogal a, no final da palavra: mestre, mestra. Formação do Feminino O feminino se realiza de três modos: - Flexionando-se o substantivo masculino: filho, filha / mestre, mestra / leão, leoa; - Acrescentando-se ao masculino a desinência “a” ou um sufixo feminino: autor, autora / deus, deusa / côn- sul, consulesa / cantor, cantora / reitor, reitora. - Utilizando-se uma palavra feminina com radical diferente: pai, mãe / homem, mulher / boi, vaca / carneiro, ovelha / cavalo, égua. Substantivos Uniformes - Epicenos: designam certos animais e têm um só gênero, quer se refiram ao macho ou à fêmea. – jacaré macho ou fêmea / a cobra macho ou fêmea. - Comuns de dois gêneros: apenas uma forma e designam indivíduos dos dois sexos. São masculinos ou femininos. A indicação do sexo é feita com uso do artigo masculino ou feminino: o, a intérprete / o, a colega / o, a médium / o, a pianista. - Sobrecomuns: designam pessoas e têm um só gênero para homem ou a mulher: a criança (menino, me- nina) / a testemunha (homem, mulher) / o cônjuge (marido, mulher). Alguns substantivos que mudam de sentido, quando se troca o gênero: o lotação (veículo) - a lotação (efeito de lotar); o capital (dinheiro) - a capital (cidade); o cabeça (chefe, líder) - a cabeça (parte do corpo); o guia (acompanhante) - a guia (documentação). Apostila gerada especialmente para: Francisco carlos 141.129.567-62 30 São masculinos: o eclipse, o dó, o dengue (manha), o champanha, o soprano, o clã, o alvará, o sanduíche, o clarinete, o Hosana, o espécime, o guaraná, o diabete ou diabetes, o tapa, o lança-perfume, o praça (soldado raso), o pernoite, o formicida, o herpes, o sósia, o telefonema, o saca-rolha, o plasma, o estigma. São femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a aluvião, a análise, a cal, a gênese, a entorse, a faringe, a cólera (doença), a cataplasma, a pane, a mascote, a libido (desejo sexual), a rês, a sentinela, a sucuri, a usu- capião, a omelete, a hortelã, a fama, a Xerox, a aguardente. Número (plural/singular) Acrescentam-se: - S – aos substantivos terminados em vogal ou ditongo: povo, povos / feira, feiras / série, séries. - S – aos substantivos terminados em N: líquen, liquens / abdômen, abdomens / hífen, hífens. Também: líquenes, abdômenes, hífenes. - ES – aos substantivos terminados em R, S, Z: cartaz, cartazes / motor, motores / mês, meses. Alguns terminados em R mudam sua sílaba tônica, no plural: júnior, juniores / caráter, caracteres / sênior, seniores. - IS – aos substantivos terminados em al, el, ol, ul: jornal, jornais / sol, sóis / túnel, túneis / mel, meles, méis. Exceções: mal, males / cônsul, cônsules / real, reais. - ÃO – aos substantivos terminados em ão, acrescenta S: cidadão, cidadãos / irmão, irmãos / mão, mãos. Trocam-se: - ão por ões: botão, botões / limão, limões / portão, portões / mamão, mamões. - ão por ãe: pão, pães / charlatão, charlatães / alemão, alemães / cão, cães. - il por is (oxítonas): funil, funis / fuzil, fuzis / canil, canis / pernil,