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AULA 1 MISSÃO INTEGRAL

Aula introdutória sobre Missão Integral da Igreja: apresenta o evangelho como resposta total às necessidades humanas e aborda fundamentos bíblicos (Reino de Deus), o Pacto de Lausanne, evangelização integrada à responsabilidade social, pobreza latino‑americana e dimensão ecológica.

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MISSÃO INTEGRAL 
DA IGREJA
AULA 1 
Prof. Marlon Ronald Fluck 
 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Estimados e estimadas estudantes, estamos dando início ao estudo da 
Missão Integral da Igreja e de suas perspectivas. Nosso objetivo capacitar os 
alunos a compreender a Integralidade da Missão da Igreja à luz das Escrituras e 
a desenvolver ações estratégicas relacionadas ao ministério integral. 
A tese principal é a de que o Evangelho é a resposta total de Deus para a 
necessidade total do homem. Estudaremos os princípios do Evangelho voltados 
a atender o ser humano em todas as suas necessidades. Abordaremos o próprio 
ministério de Jesus como fundamento da integralidade e o Pacto de Lausanne 
como referencial contemporâneo para o mundo evangélico, destacando a 
importância da educação teológica. Estudaremos a questão dos pobres e da 
pobreza, com destaque para a realidade latino-americana e para a perspectiva 
bíblica acerca do assunto. Faremos uma análise ampla da pós-modernidade, 
capacitando os alunos a se tornarem líderes proativos, com discernimento da 
realidade presente, que exercerão tarefas a fim de atender ao bem comum da 
sociedade. 
Em nossa abordagem inicial, estabeleceremos o fundamento da Teologia 
da Missão Integral, situando o Reino de Deus como chave hermenêutica e 
interpretativa das Escrituras. Abordaremos também a tríade teológica Criação – 
Queda – Redenção como síntese da abordagem integral das Escrituras, e a 
superação da dicotomia sagrado X profano como condição para uma teologia 
integral. Vamos apontar os caminhos para a apropriação deste conceito por parte 
da Igreja, em sua vivência e Missão, como sal da Terra e Luz do mundo. 
TEMA 1 – MISSÃO INTEGRAL E SUAS PERSPECTIVAS 
“O evangelho todo, para todos os homens”. Este foi um lema adotado nos 
caminhos estabelecidos pelo Pacto de Lausanne, em 1974, quanto à Missão da 
Igreja na contemporaneidade. Reforçaremos a fundamentação bíblica a partir do 
conceito de senhorio cósmico de Cristo, situando a Missão Integral como um 
conceito e uma práxis muito acima de qualquer modismo ou ideologia 
sociopolítica. Abordaremos também a questão da contextualização socio 
histórica da Verdade bíblica, apontando a necessidade do diálogo da Teologia 
 
 
 
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com a realidade brasileira e latino-americana, na busca por soluções para os 
problemas e dilemas da sociedade. 
A partir do Congresso de Lausanne, os evangélicos consideraram o 
evangelho de forma integral, declarando que “o evangelho é a raiz da qual tanto 
o evangelismo quanto a responsabilidade social são frutos” (Stott, 1985, p. 185). 
No resultante pacto de Lausanne, “os evangélicos se posicionaram contra 
um evangelho mutilado e um conceito limitado da missão cristã” (Padilla, 2014, 
p. 10). O evangelho bíblico integral desafia ao arrependimento e ao trabalho pela 
justiça. Efésios, no capítulo 2, versículo 10, declara que somos salvos para 
realizar boas obras, o que faz do engajamento social dos cristãos não só uma 
consequência, mas também um dos objetivos da evangelização (Padilla, 2014, 
p. 25). A Missão Integral testemunha do casamento entre evangelização e 
engajamento social. A plena satisfação das necessidades humanas básicas faz 
parte, portanto, da missão cristã no mundo. 
 Padilla ainda faz perceber que: 
não há lugar para a dicotomia entre evangelização e responsabilidade 
social. Por um lado, evangeliza-se com consciência social porque se 
proclama a mensagem do reino de Deus que afeta todos os aspectos 
da vida humana em nível pessoal e social, e se convida os 
evangelizados a colaborarem com os outros cristãos na transformação 
de toda a criação segundo o propósito de Deus. (Padilla, 2014, p. 34) 
Não se quer, portanto, uma evangelização que se reduza a salvar almas 
ou a plantar igrejas só por meio de comunicação oral. Busca-se uma 
evangelização encarnada na realidade contemporânea. 
O crescimento numérico das igrejas nos desafia a examinar se o 
evangelho tem feito diferença: o evangelho do reino e a sua justiça refletem o 
que na sociedade atual? 
No documento de Lausanne n. 3, “O compromisso da cidade do Cabo”, 
nos é dito que: 
Se o evangelho não estiver profundamente arraigado no contexto, 
desafiando e transformando as cosmovisões subjacentes e os 
sistemas de injustiça, então quando chegar o dia mau, a lealdade cristã 
será descartada como um manto indesejável e as pessoas 
retrocederão a lealdades e ações não regeneradas. A evangelização 
sem discipulado, ou o avivamento sem uma obediência radical aos 
mandamentos de Deus não são só deficientes; são perigosos. 
(Movimento Lausanne, 2014) 
Faz parte da visão de Missão Integral a dimensão ecológica da missão 
cristã. O cuidado com a criação é certamente um tema do Evangelho. A 
 
 
 
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totalidade da criação precisa ser protegida da idolatria do consumismo. 
Precisamos plantar sinais de esperança no mundo. 
A teologia da missão integral existe desde muito antes de sua 
redescoberta na América Latina e seu endosso pelo Congresso de Lausanne. 
Podemos percebê-la presente em toda a história da igreja. 
À luz disso, está sendo traduzido ao português o livro Raízes de um 
evangelho integral. Missão em perspectiva histórica, editado por Rene Padilla, 
teólogo tido como “pai da missão integral”, livro que deverá estar disponível até 
o final do ano e apresentará uma visão panorâmica da missão integral na 
história. Elaborei, para essa coletânea, o estudo sobre Martinho Lutero e a 
missão integral, pois entendo que em cada período a manifestação da missão 
adquire características próprias para a época e contexto. 
A missão no Novo Testamento é sempre missão integral, pois somos 
supridos com o Pão da vida e com o pão que mata a fome do miserável, como 
ensinado em Mateus 25:31-46. A missão, portanto, se conecta com todo o 
contexto teológico da Bíblia. A vida cristã também se vincula com a missão cristã 
integral. 
A integralidade da missão também inclui “a saúde da igreja e sua 
honestidade em relação à pregação do Evangelho, além de apontar para a 
plenitude ou completude da Missão” (Gouvêa, 2015, p.14). 
TEMA 2 – MISSÃO INTEGRAL E SALVAÇÃO 
O conceito do ministério integral da Igreja apresenta Jesus como ponto de 
partida fundamental para a salvação cristã, mas enfatiza que a salvação não se 
resume apenas a uma experiência emocional, subjetiva, mística e religiosa. É 
necessário que seja praticado um estilo de vida; é necessário que a vida seja 
totalmente adequada aos princípios do reino de Deus. 
De certa forma, na atualidade, a pregação do Evangelho tem sido limitada 
a uma mensagem que se destina à “alma” do indivíduo, sendo esquecida a 
mensagem integral. O ser humano é composto de corpo, alma e espírito, e a 
complexidade do ser humano precisa ser abordada em todas as áreas. 
A mensagem do Evangelho e os valores do reino de Deus são suficientes 
para isso. Nesta aula, abordaremos a questão da salvação na perspectiva da 
 
 
 
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Missão Integral, relacionando-a com a prática das boas obras e a importância da 
integração entre proclamação e demonstração. 
A salvação tem a ver com a totalidade da vida humana. Ela atinge uma 
pessoa individualmente, mas também todo o contexto em que essa pessoa se 
relaciona. A sua família, a sua vizinhança, seus colegas de trabalho, bem como 
todo o contexto existencial da pessoa transformada pelo evangelho experimenta 
os resultados de sua influência. 
O evangelho considerado integralmente também gera um ministério 
integral da igreja. O evangelho transforma as pessoas, produzindo um novo 
estilo de vida na pessoa transformada por ele. Os princípios do reino de Deus 
passam a gerir a pessoa. Ela não vive mais para si mesma, mas sim para que 
Cristo cresça em sua vida (João 3:30). A totalidade da vida humana passa a ser 
dirigida por Cristo. 
 Cristo é o centro de nossa fé. Nele temos a salvação pela graça mediante 
a fé (Efésios 2:8-10).Estamos unidos a Cristo em sua morte e ressurreição (Cl 
2:12; 2 Tm 2.11). Em Cristo vivemos uma vida abundante (Jo 10:10). A redenção 
em Cristo nos leva ao discipulado, que é a marca do evangelho da salvação em 
nós. 
 A única missão cristã no mundo é a missão integral, que nos vincula com 
a salvação em Cristo Jesus, que também é salvação integral. A missão integral 
não é simplesmente uma teoria missiológica dentre outras. 
A minimização da noção é algo que a teologia da missão integral nunca 
tolerou nem pode tolerar. Além disso, torna-la meramente uma teoria 
da teologia pastoral põe em risco a centralidade do conceito na 
constituição do evangelho, e essa marginalização do conceito é 
também algo que a teologia da missão integral nunca tolerou nem pode 
tolerar. (Gouvêa, 2015, p. 91-92). 
Missão integral não é, portanto, somente diaconia, como por vezes se 
ouve. Não é o ministério de ação social da igreja local. A diaconia faz parte, pois 
quem está em Cristo serve, mas a missão integral abrange a totalidade do nosso 
ser e da nossa salvação. 
TEMA 3 – NECESSIDADE DE TEOLOGIA BÍBLICA DA MISSÃO 
Nesta aula, estudaremos que os fundamentos para uma teologia bíblica 
da Missão Integral vêm desde o Antigo Testamento, permeando toda a Escritura 
e tendo o seu ápice na pessoa e na Obra de Cristo. Vamos abordar a Teologia 
 
 
 
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da Missão Integral como uma resposta ao fundamentalismo reducionista do 
modelo de "salvação das almas", reforçando a elaboração contextual da teologia 
e da missiologia. Aqui, mencionaremos os avanços e desafios da Missão 
Integral, apontando influências do Pacto de Lausanne e outros movimentos 
cristãos, e reforçaremos a superação da dicotomia "sagrado X profano" como 
condição para uma teologia verdadeiramente integral. 
A obra de Cristo é o marco do testemunho da história da salvação. Essa 
obra somente pode ser entendida dentro do marco da Bíblia. A obra de Cristo é 
a substancia da revelação especial de Deus na história. Se reconhece a 
autoridade da Bíblia para a construção cristológica do testemunho missionário. 
O único Jesus histórico é o Jesus do Novo Testamento, e se se aceita 
a validez da função apostólica para a transmissão do fato histórico, há 
de se aceitar também a que concerne à interpretação doutrinal. As 
alternativas são: um cristianismo apostólico, com um Cristo 
interpretado pelos apóstolos e autor da redenção, ou um cristianismo 
místico, com um Cristo imaginário e como tal incapaz de redimir. 
(Padilla, 1972, p. 134) 
 A mensagem apostólica se dirige a tornar possível o encontro do ser 
humano com Deus por meio de Jesus Cristo, sendo que 
O encontro com Jesus Cristo se dá na doutrina dos apóstolos. Não é o 
encontro com um Cristo imaginário, senão com o Cristo mediado pela 
tradição apostólica; não é um encontro inefável, senão um encontro 
factível de expressar-se em uma confissão de fé. Se se nega isto, se 
remove toda possibilidade de fazer teologia, já que a teologia 
pressupõe o ‘estar na verdade’ e o ‘conhecer a verdade’, o encontro e 
a doutrina, o existencial e o conceitual. (Padilla, 1972, p. 137) 
 Na verdade, a missão integral é a expressão bíblica da missão de Cristo. 
O senhorio de Cristo se estabelece na prática pela obediência, e não pelas 
palavras e declarações formais. Fazer a vontade do Senhor é o que importa 
(Mateus 7:21-23). Ninguém pode ser cristão sem estar envolvido e 
comprometido com a missão da Igreja de Cristo (Romanos 8:28-30). Toda 
teologia precisa ser repensada à luz da missiologia. A centralidade da missão, 
nesse sentido, está clara. 
 A missiologia faz a teologia andar, a tornando dinâmica e força viva da 
igreja de Cristo. A interpretação da Bíblia e a missiologia são duas rodas que 
conduzem o corpo de Cristo adiante. A igreja existe “a serviço” da missão. A 
missão possui a igreja. Deus formou a igreja para a realizar. É com Cristo que 
tudo começa. Cristo é Deus em missão. Não há aliança com Deus sem a missão. 
 
 
 
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 A missão pode ser vista como “o cumprimento da grande comissão de 
Cristo à luz do Mandato Sociocultural do Gênesis” (Gouvêa, 2015, p.32). 
No esquema Criação-Queda-Redenção, o Mandato Cultural é 
recuperado na redenção em Cristo pela chamada Grande Comissão. 
O Mandato sociocultural de Gênesis nos aponta para o projeto de Deus 
para a espécie humana. O projeto não está explicitamente descrito, 
mas implícito naquilo que a narrativa bíblica apresenta na forma de 
comando divino. Ele inclui: (i) apoio à família e à educação (Gn 1.28a); 
(ii) apoio à pesquisa científica e tecnológica (Gn 1.28b); (iii) promoção 
da nutrição alimentar e, por inferência, de todas as necessidades 
básicas para a sobrevivência e saúde de todos, sem exceção de 
ninguém (Gn 1.29-30); (iv) descanso e lazer para todos, e, por 
inferência, trabalho para todos (Gn 2.2-3). (Gouvêa, 2015, p. 33) 
 Devemos agradecer pelos avanços científicos e tecnológicos da 
humanidade. As ciências naturais e as ciências humanas são dádivas de Deus. 
São parte do plano de Deus para a humanidade. 
 Faz parte do mandato cultural o trabalho para todos e a possibilidade do 
descanso semanal. A benção do trabalho foi concedida desde o início aos seres 
humanos. O mandato sociocultural apresenta um “projeto de Deus para a 
humanidade, um programa de sustentabilidade que traz o bem comum e a 
possibilidade de uma sociedade feliz, com justiça e paz” (Gouvêa, 2015, p.38). 
TEMA 4 – EVANGELHO INTEGRAL E AS MARCAS DA IGREJA 
Nesta aula, estudaremos o impacto e a influência do Evangelho Integral 
sobre a Igreja, sua vivência e sua Missão. Nesse sentido, abordaremos a 
necessidade de um compromisso ético com os fundamentos da Missão Integral 
e o serviço incondicional ao ser humano, assim como com a verdade bíblica em 
toda a sua amplitude, o testemunho, a proclamação e a denúncia profética das 
injustiças. O entendimento do Evangelho Integral levará a Igreja a exercer ações 
proféticas de justiça e transformação. 
 A obra de Cristo visou a reconciliação, a restauração da unidade da 
humanidade e da comunhão quebrada, o que dependia da solução do problema 
do pecado. O perdão se viabilizou por meio dos padecimentos do Servo de Javé 
(Jesus). 
 A missão da Igreja sempre envolverá sua integralidade. Ela é 
completamente missão integral. Qualquer missão que “se diga cristã, mas que 
não seja ‘integral’ é, na verdade, uma falsificação, uma enganação, um grave 
 
 
 
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equívoco cometido, infelizmente, por muitos pensadores, igrejas e missionários” 
(Gouvêa, 2015, p. 14). 
 A missão de Deus e da Igreja é por natureza e por definição integral. A 
missão outorgada ao povo da aliança é integral. A missão integral abrange os 
aspectos espirituais, físicos, mentais, sociais e políticos. Uma salvação somente 
da alma: 
[...] Se aproxima de um espiritualismo que advoga um pessimismo 
quanto ao futuro (o que gera uma atitude apocalíptica) e um desprezo 
em relação à Criação e à sociedade que não condiz com a cosmovisão 
judaico-cristã e nem com os ensinos das Escrituras Sagradas. 
Esta postura gera também um sectarismo em relação à sociedade, o 
que promove o surgimento de uma nefanda subcultura, a subcultura 
evangélica (ou subcultura gospel) que tem seu próprio dialeto, suas 
práticas e celebrações, em contraste com a sociedade em geral. Nada 
poderia ser mais contrário ao ensino de Cristo, que nos convida a ser 
sal e luz no mundo, a nos envolvermos em todas as áreas da sociedade 
para que possamos levar a luz de Cristo a todos os âmbitos da cultura. 
Isso significa que a Igreja de Cristo deveria participar das celebrações 
sociais e populares, participar das festas cívicas, tornar claro a todos 
seu desejo de ser uma força positiva no desenvolvimento da cultura e 
no progresso político e econômico do país. (Gouvêa, 2015, p.48). 
 A igreja não deve se mostrar sectária. Ela precisa agir no mundo, 
mostrando que quer colaborar na busca de soluções para osproblemas sociais 
e políticos, lutando por uma sociedade justa e igualitária. A solidariedade e a 
justiça devem ser manifestadas, com vistas ao respeito e à paz social. 
 A igreja que pratica a missão integral precisa agir como uma igreja íntegra. 
Missão integral “é missão honesta, que apresenta à sociedade tudo aquilo que 
a salvação em Cristo acarreta, tudo que ela implica, como fez o próprio Senhor 
Jesus ao chamar seus discípulos para segui-lo” (Gouvêa, 2015, p. 50). 
 Ser cristão, portanto, implica em discipulado e em amar como Cristo 
amou, e isso implica serviço, cuidado e amor ao próximo. 
TEMA 5 – MISSÃO E INTEGRALIDADE NA BÍBLIA 
Nesta aula, reforçaremos a responsabilidade social da Igreja, a partir de 
um conceito de Missão Integral. Abordaremos o conceito de "Missio Dei" e suas 
implicações para a atuação da Igreja. Destacaremos as diversas possibilidades 
de serviço e influência, tais como a oração, missões, incentivo ao cuidado, 
recuperação, acolhimento, desenvolvimento, crianças e adolescentes em 
situação de risco, treinamento de lideranças, participação sociopolítica, etc. No 
entanto, expandiremos o conceito de Missão Integral para além do 
 
 
 
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enfrentamento à pobreza, exercendo as suas marcas e influências nos diferentes 
domínios sociais. 
Quando vinculamos a missão com a teologia da criação então sua 
aplicação não é somente espiritual, mas envolverá todas as dimensões da vida 
existente no mundo. O Evangelho não consistirá então em dualidade de visão 
sobre o ser humano e da sociedade humana. O reino de Deus, quando oramos 
“venha o teu reino” não é somente realidade futura, mas tem a ver com a 
realidade da vida daquele que está em Cristo. A vontade de Deus deve ser feita 
assim na terra como no céu. 
Assim o pecado não será visto somente como questão individual, mas 
também possuidora da dimensão social e estrutural. Os pecados são, portanto, 
entrelaçados com a própria sociedade. 
Deus é um Deus de justiça, enquanto a pobreza é expressão de injustiça. 
Deus é predisposto para a justiça. Deus produz homens novos que representem 
a esperança de um novo mundo, decorrente de um encontro pessoal com Cristo. 
O arrependimento e a fé produzem essa conversão verdadeira. Deus trará seu 
reino usando pessoas convertidas pelo Evangelho. O mundo transformado é 
decorrência do discipulado cristão. 
A missão é a razão de existência da Igreja. Nela ganhamos pessoas 
integrais para Cristo e para a luta a favor do projeto de Deus para a humanidade 
e seu projeto sociocultural. 
As opções escolhidas por Jesus para seu próprio ministério foram, ao 
mesmo tempo, pertinentes para o contexto e de acordo com seu projeto redentor. 
Jesus escolheu Galileia como local de desenvolvimento de seu ministério. Ali se 
dava uma encruzilhada racial e cultural. Jesus atuou a partir da periferia da 
época, desenvolvendo um ministério de implicação universal. 
O alcance global da contextualização evangelizadora deve 
corresponder ao princípio galileu. Concretamente isso implica que a 
evangelização deve estar dirigida, em primeiro lugar, à periferia das 
nações, onde se encontram as multidões e onde a fé cristã sempre tem 
tido a oportunidade de estabelecer uma base sólida. (Costas, 1990, p. 
65-66) 
A universalidade de Jesus Cristo em meio a um mundo de pluralidade 
religiosa testemunha a busca de uma Cristologia missionária para a América 
Latina. Anunciamos Cristo e sua universalidade a partir da periferia. Estamos 
aprendendo a fazer missão em nome de Cristo e a partir de baixo. 
 
 
 
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A missão integral desenvolvida por Jesus respondia às diversas 
necessidades das pessoas. Ele sarava todos os tipos de doenças (Mateus 9:35). 
Jesus era movido pela compaixão. A Bíblia destaca o impacto da presença e 
ação de Jesus sobre a totalidade da vida das pessoas. Ela mostra a missão e a 
integralidade das ações a partir da presença de Jesus Cristo. 
NA PRÁTICA 
Nesta aula estabelecemos uma primeira aproximação, introdutória e 
exploratória, à teologia da Missão Integral. Procuramos compreender a 
Integralidade da Missão da Igreja. 
A abordagem considerou a tríade Criação – Queda – Redenção como 
síntese das Escrituras, apontando para caminhos de apropriação do conceito de 
Missão como sal da terra e luz do mundo. 
A necessidade do diálogo da teologia com a realidade precisa nos levar à 
busca por soluções para os problemas e dilemas da sociedade. A missão integral 
testemunha o casamento entre evangelização e engajamento social. Busca-se 
uma evangelização encarnada na realidade contemporânea. 
Também se percebe que a dimensão ecológica do mundo faz parte da 
visão de Missão Integral. A totalidade da criação precisa ser protegida da 
idolatria do consumismo. Precisa-se de sinais de esperança no mundo. 
O pão da vida também precisa matar a fome do miserável. A saúde da 
igreja aponta para a plenitude da Missão. A salvação não se destina somente à 
alma do indivíduo. A complexidade do ser humano precisa ser abordada em 
todas as áreas por parte da Igreja. A salvação tem a ver com a totalidade da vida 
humana. Toda a vida experimenta os resultados da influência do evangelho. 
Missão integral não é somente diaconia, não é o ministério de ação social 
da igreja local. A diaconia faz parte, mas a missão integral abrange a totalidade 
do nosso ser e da nossa salvação. 
A obra de Cristo é o marco do testemunho da história da salvação. A 
missão integral é expressão da missão de Cristo. A missão faz a teologia andar, 
a tornando dinâmica e força viva da igreja de Cristo. A interpretação da Bíblia e 
a missiologia são as duas rodas que conduzem o corpo de Cristo adiante. 
A missão da Igreja sempre envolverá a sua integralidade. Ela é 
completamente missão integral. A igreja precisa agir no mundo, mostrando que 
 
 
 
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colabora na busca de soluções para os problemas sociais e políticas, lutando por 
justiça e igualdade. 
Ser cristão implica em discipulado e amar como Cristo amou, e isso 
implica em serviço, cuidado e amor ao próximo. O Evangelho não aceita a 
dualidade de visão sobre o ser humano e da sociedade humana. 
Deus é um Deus de justiça, enquanto a pobreza é expressão de injustiça. 
Deus é predisposto para a justiça. Deus produz seres novos, que representem 
esperança de um novo mundo. A missão é a razão de existência da igreja. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, você compreendeu que a missão integral da Igreja é 
desafiadora. Quando entendemos a missão integral da Igreja, percebemos que 
não podemos ficar “parados”. As pessoas que fazem parte da igreja por meio do 
serviço cristão precisam estar dispostas a servir e atender às necessidades do 
próximo. 
Todos querem ser tratados e curados. No entanto, quanto tempo alguém 
está disposto a conceder para ser tratado integralmente? A missão integral e o 
crescimento da Igreja podem caminhar juntos? Olhando para o Mestre Jesus, 
percebemos que não temos alternativa. Missão integral, libertação, liderança 
proativa, igreja participativa, pessoas ajudadas e libertas, todas essas questões 
estão relacionadas com o ensino de Jesus – e aquilo que o Mestre nos ensinou 
deve ser posto em prática. Desse modo, quem sabe, juntos acharemos na 
missão integral algo que nos motiva como nunca antes. 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
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Teologia. Curitiba: InterSaberes, 2017. 
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GOUVÊA,R. Q. Missão integral: a única missão. São Paulo: Garimpo, 2015. 
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PADILLA, C. R. La autoridade de la Biblia em la teologia latino-americana. In: 
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PADILLA, C. R. Missão integral; o reino de Deus e a igreja. Viçosa: Ultimato, 
2014. 
STOTT, J. Evangelização e responsabilidade cristã. São Paulo; Belo 
Horizonte: ABU; Visão Mundial, 1985. (Série Lausanne)

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