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MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA AULA 1 Prof. Marlon Ronald Fluck 2 CONVERSA INICIAL Estimados e estimadas estudantes, estamos dando início ao estudo da Missão Integral da Igreja e de suas perspectivas. Nosso objetivo capacitar os alunos a compreender a Integralidade da Missão da Igreja à luz das Escrituras e a desenvolver ações estratégicas relacionadas ao ministério integral. A tese principal é a de que o Evangelho é a resposta total de Deus para a necessidade total do homem. Estudaremos os princípios do Evangelho voltados a atender o ser humano em todas as suas necessidades. Abordaremos o próprio ministério de Jesus como fundamento da integralidade e o Pacto de Lausanne como referencial contemporâneo para o mundo evangélico, destacando a importância da educação teológica. Estudaremos a questão dos pobres e da pobreza, com destaque para a realidade latino-americana e para a perspectiva bíblica acerca do assunto. Faremos uma análise ampla da pós-modernidade, capacitando os alunos a se tornarem líderes proativos, com discernimento da realidade presente, que exercerão tarefas a fim de atender ao bem comum da sociedade. Em nossa abordagem inicial, estabeleceremos o fundamento da Teologia da Missão Integral, situando o Reino de Deus como chave hermenêutica e interpretativa das Escrituras. Abordaremos também a tríade teológica Criação – Queda – Redenção como síntese da abordagem integral das Escrituras, e a superação da dicotomia sagrado X profano como condição para uma teologia integral. Vamos apontar os caminhos para a apropriação deste conceito por parte da Igreja, em sua vivência e Missão, como sal da Terra e Luz do mundo. TEMA 1 – MISSÃO INTEGRAL E SUAS PERSPECTIVAS “O evangelho todo, para todos os homens”. Este foi um lema adotado nos caminhos estabelecidos pelo Pacto de Lausanne, em 1974, quanto à Missão da Igreja na contemporaneidade. Reforçaremos a fundamentação bíblica a partir do conceito de senhorio cósmico de Cristo, situando a Missão Integral como um conceito e uma práxis muito acima de qualquer modismo ou ideologia sociopolítica. Abordaremos também a questão da contextualização socio histórica da Verdade bíblica, apontando a necessidade do diálogo da Teologia 3 com a realidade brasileira e latino-americana, na busca por soluções para os problemas e dilemas da sociedade. A partir do Congresso de Lausanne, os evangélicos consideraram o evangelho de forma integral, declarando que “o evangelho é a raiz da qual tanto o evangelismo quanto a responsabilidade social são frutos” (Stott, 1985, p. 185). No resultante pacto de Lausanne, “os evangélicos se posicionaram contra um evangelho mutilado e um conceito limitado da missão cristã” (Padilla, 2014, p. 10). O evangelho bíblico integral desafia ao arrependimento e ao trabalho pela justiça. Efésios, no capítulo 2, versículo 10, declara que somos salvos para realizar boas obras, o que faz do engajamento social dos cristãos não só uma consequência, mas também um dos objetivos da evangelização (Padilla, 2014, p. 25). A Missão Integral testemunha do casamento entre evangelização e engajamento social. A plena satisfação das necessidades humanas básicas faz parte, portanto, da missão cristã no mundo. Padilla ainda faz perceber que: não há lugar para a dicotomia entre evangelização e responsabilidade social. Por um lado, evangeliza-se com consciência social porque se proclama a mensagem do reino de Deus que afeta todos os aspectos da vida humana em nível pessoal e social, e se convida os evangelizados a colaborarem com os outros cristãos na transformação de toda a criação segundo o propósito de Deus. (Padilla, 2014, p. 34) Não se quer, portanto, uma evangelização que se reduza a salvar almas ou a plantar igrejas só por meio de comunicação oral. Busca-se uma evangelização encarnada na realidade contemporânea. O crescimento numérico das igrejas nos desafia a examinar se o evangelho tem feito diferença: o evangelho do reino e a sua justiça refletem o que na sociedade atual? No documento de Lausanne n. 3, “O compromisso da cidade do Cabo”, nos é dito que: Se o evangelho não estiver profundamente arraigado no contexto, desafiando e transformando as cosmovisões subjacentes e os sistemas de injustiça, então quando chegar o dia mau, a lealdade cristã será descartada como um manto indesejável e as pessoas retrocederão a lealdades e ações não regeneradas. A evangelização sem discipulado, ou o avivamento sem uma obediência radical aos mandamentos de Deus não são só deficientes; são perigosos. (Movimento Lausanne, 2014) Faz parte da visão de Missão Integral a dimensão ecológica da missão cristã. O cuidado com a criação é certamente um tema do Evangelho. A 4 totalidade da criação precisa ser protegida da idolatria do consumismo. Precisamos plantar sinais de esperança no mundo. A teologia da missão integral existe desde muito antes de sua redescoberta na América Latina e seu endosso pelo Congresso de Lausanne. Podemos percebê-la presente em toda a história da igreja. À luz disso, está sendo traduzido ao português o livro Raízes de um evangelho integral. Missão em perspectiva histórica, editado por Rene Padilla, teólogo tido como “pai da missão integral”, livro que deverá estar disponível até o final do ano e apresentará uma visão panorâmica da missão integral na história. Elaborei, para essa coletânea, o estudo sobre Martinho Lutero e a missão integral, pois entendo que em cada período a manifestação da missão adquire características próprias para a época e contexto. A missão no Novo Testamento é sempre missão integral, pois somos supridos com o Pão da vida e com o pão que mata a fome do miserável, como ensinado em Mateus 25:31-46. A missão, portanto, se conecta com todo o contexto teológico da Bíblia. A vida cristã também se vincula com a missão cristã integral. A integralidade da missão também inclui “a saúde da igreja e sua honestidade em relação à pregação do Evangelho, além de apontar para a plenitude ou completude da Missão” (Gouvêa, 2015, p.14). TEMA 2 – MISSÃO INTEGRAL E SALVAÇÃO O conceito do ministério integral da Igreja apresenta Jesus como ponto de partida fundamental para a salvação cristã, mas enfatiza que a salvação não se resume apenas a uma experiência emocional, subjetiva, mística e religiosa. É necessário que seja praticado um estilo de vida; é necessário que a vida seja totalmente adequada aos princípios do reino de Deus. De certa forma, na atualidade, a pregação do Evangelho tem sido limitada a uma mensagem que se destina à “alma” do indivíduo, sendo esquecida a mensagem integral. O ser humano é composto de corpo, alma e espírito, e a complexidade do ser humano precisa ser abordada em todas as áreas. A mensagem do Evangelho e os valores do reino de Deus são suficientes para isso. Nesta aula, abordaremos a questão da salvação na perspectiva da 5 Missão Integral, relacionando-a com a prática das boas obras e a importância da integração entre proclamação e demonstração. A salvação tem a ver com a totalidade da vida humana. Ela atinge uma pessoa individualmente, mas também todo o contexto em que essa pessoa se relaciona. A sua família, a sua vizinhança, seus colegas de trabalho, bem como todo o contexto existencial da pessoa transformada pelo evangelho experimenta os resultados de sua influência. O evangelho considerado integralmente também gera um ministério integral da igreja. O evangelho transforma as pessoas, produzindo um novo estilo de vida na pessoa transformada por ele. Os princípios do reino de Deus passam a gerir a pessoa. Ela não vive mais para si mesma, mas sim para que Cristo cresça em sua vida (João 3:30). A totalidade da vida humana passa a ser dirigida por Cristo. Cristo é o centro de nossa fé. Nele temos a salvação pela graça mediante a fé (Efésios 2:8-10).Estamos unidos a Cristo em sua morte e ressurreição (Cl 2:12; 2 Tm 2.11). Em Cristo vivemos uma vida abundante (Jo 10:10). A redenção em Cristo nos leva ao discipulado, que é a marca do evangelho da salvação em nós. A única missão cristã no mundo é a missão integral, que nos vincula com a salvação em Cristo Jesus, que também é salvação integral. A missão integral não é simplesmente uma teoria missiológica dentre outras. A minimização da noção é algo que a teologia da missão integral nunca tolerou nem pode tolerar. Além disso, torna-la meramente uma teoria da teologia pastoral põe em risco a centralidade do conceito na constituição do evangelho, e essa marginalização do conceito é também algo que a teologia da missão integral nunca tolerou nem pode tolerar. (Gouvêa, 2015, p. 91-92). Missão integral não é, portanto, somente diaconia, como por vezes se ouve. Não é o ministério de ação social da igreja local. A diaconia faz parte, pois quem está em Cristo serve, mas a missão integral abrange a totalidade do nosso ser e da nossa salvação. TEMA 3 – NECESSIDADE DE TEOLOGIA BÍBLICA DA MISSÃO Nesta aula, estudaremos que os fundamentos para uma teologia bíblica da Missão Integral vêm desde o Antigo Testamento, permeando toda a Escritura e tendo o seu ápice na pessoa e na Obra de Cristo. Vamos abordar a Teologia 6 da Missão Integral como uma resposta ao fundamentalismo reducionista do modelo de "salvação das almas", reforçando a elaboração contextual da teologia e da missiologia. Aqui, mencionaremos os avanços e desafios da Missão Integral, apontando influências do Pacto de Lausanne e outros movimentos cristãos, e reforçaremos a superação da dicotomia "sagrado X profano" como condição para uma teologia verdadeiramente integral. A obra de Cristo é o marco do testemunho da história da salvação. Essa obra somente pode ser entendida dentro do marco da Bíblia. A obra de Cristo é a substancia da revelação especial de Deus na história. Se reconhece a autoridade da Bíblia para a construção cristológica do testemunho missionário. O único Jesus histórico é o Jesus do Novo Testamento, e se se aceita a validez da função apostólica para a transmissão do fato histórico, há de se aceitar também a que concerne à interpretação doutrinal. As alternativas são: um cristianismo apostólico, com um Cristo interpretado pelos apóstolos e autor da redenção, ou um cristianismo místico, com um Cristo imaginário e como tal incapaz de redimir. (Padilla, 1972, p. 134) A mensagem apostólica se dirige a tornar possível o encontro do ser humano com Deus por meio de Jesus Cristo, sendo que O encontro com Jesus Cristo se dá na doutrina dos apóstolos. Não é o encontro com um Cristo imaginário, senão com o Cristo mediado pela tradição apostólica; não é um encontro inefável, senão um encontro factível de expressar-se em uma confissão de fé. Se se nega isto, se remove toda possibilidade de fazer teologia, já que a teologia pressupõe o ‘estar na verdade’ e o ‘conhecer a verdade’, o encontro e a doutrina, o existencial e o conceitual. (Padilla, 1972, p. 137) Na verdade, a missão integral é a expressão bíblica da missão de Cristo. O senhorio de Cristo se estabelece na prática pela obediência, e não pelas palavras e declarações formais. Fazer a vontade do Senhor é o que importa (Mateus 7:21-23). Ninguém pode ser cristão sem estar envolvido e comprometido com a missão da Igreja de Cristo (Romanos 8:28-30). Toda teologia precisa ser repensada à luz da missiologia. A centralidade da missão, nesse sentido, está clara. A missiologia faz a teologia andar, a tornando dinâmica e força viva da igreja de Cristo. A interpretação da Bíblia e a missiologia são duas rodas que conduzem o corpo de Cristo adiante. A igreja existe “a serviço” da missão. A missão possui a igreja. Deus formou a igreja para a realizar. É com Cristo que tudo começa. Cristo é Deus em missão. Não há aliança com Deus sem a missão. 7 A missão pode ser vista como “o cumprimento da grande comissão de Cristo à luz do Mandato Sociocultural do Gênesis” (Gouvêa, 2015, p.32). No esquema Criação-Queda-Redenção, o Mandato Cultural é recuperado na redenção em Cristo pela chamada Grande Comissão. O Mandato sociocultural de Gênesis nos aponta para o projeto de Deus para a espécie humana. O projeto não está explicitamente descrito, mas implícito naquilo que a narrativa bíblica apresenta na forma de comando divino. Ele inclui: (i) apoio à família e à educação (Gn 1.28a); (ii) apoio à pesquisa científica e tecnológica (Gn 1.28b); (iii) promoção da nutrição alimentar e, por inferência, de todas as necessidades básicas para a sobrevivência e saúde de todos, sem exceção de ninguém (Gn 1.29-30); (iv) descanso e lazer para todos, e, por inferência, trabalho para todos (Gn 2.2-3). (Gouvêa, 2015, p. 33) Devemos agradecer pelos avanços científicos e tecnológicos da humanidade. As ciências naturais e as ciências humanas são dádivas de Deus. São parte do plano de Deus para a humanidade. Faz parte do mandato cultural o trabalho para todos e a possibilidade do descanso semanal. A benção do trabalho foi concedida desde o início aos seres humanos. O mandato sociocultural apresenta um “projeto de Deus para a humanidade, um programa de sustentabilidade que traz o bem comum e a possibilidade de uma sociedade feliz, com justiça e paz” (Gouvêa, 2015, p.38). TEMA 4 – EVANGELHO INTEGRAL E AS MARCAS DA IGREJA Nesta aula, estudaremos o impacto e a influência do Evangelho Integral sobre a Igreja, sua vivência e sua Missão. Nesse sentido, abordaremos a necessidade de um compromisso ético com os fundamentos da Missão Integral e o serviço incondicional ao ser humano, assim como com a verdade bíblica em toda a sua amplitude, o testemunho, a proclamação e a denúncia profética das injustiças. O entendimento do Evangelho Integral levará a Igreja a exercer ações proféticas de justiça e transformação. A obra de Cristo visou a reconciliação, a restauração da unidade da humanidade e da comunhão quebrada, o que dependia da solução do problema do pecado. O perdão se viabilizou por meio dos padecimentos do Servo de Javé (Jesus). A missão da Igreja sempre envolverá sua integralidade. Ela é completamente missão integral. Qualquer missão que “se diga cristã, mas que não seja ‘integral’ é, na verdade, uma falsificação, uma enganação, um grave 8 equívoco cometido, infelizmente, por muitos pensadores, igrejas e missionários” (Gouvêa, 2015, p. 14). A missão de Deus e da Igreja é por natureza e por definição integral. A missão outorgada ao povo da aliança é integral. A missão integral abrange os aspectos espirituais, físicos, mentais, sociais e políticos. Uma salvação somente da alma: [...] Se aproxima de um espiritualismo que advoga um pessimismo quanto ao futuro (o que gera uma atitude apocalíptica) e um desprezo em relação à Criação e à sociedade que não condiz com a cosmovisão judaico-cristã e nem com os ensinos das Escrituras Sagradas. Esta postura gera também um sectarismo em relação à sociedade, o que promove o surgimento de uma nefanda subcultura, a subcultura evangélica (ou subcultura gospel) que tem seu próprio dialeto, suas práticas e celebrações, em contraste com a sociedade em geral. Nada poderia ser mais contrário ao ensino de Cristo, que nos convida a ser sal e luz no mundo, a nos envolvermos em todas as áreas da sociedade para que possamos levar a luz de Cristo a todos os âmbitos da cultura. Isso significa que a Igreja de Cristo deveria participar das celebrações sociais e populares, participar das festas cívicas, tornar claro a todos seu desejo de ser uma força positiva no desenvolvimento da cultura e no progresso político e econômico do país. (Gouvêa, 2015, p.48). A igreja não deve se mostrar sectária. Ela precisa agir no mundo, mostrando que quer colaborar na busca de soluções para osproblemas sociais e políticos, lutando por uma sociedade justa e igualitária. A solidariedade e a justiça devem ser manifestadas, com vistas ao respeito e à paz social. A igreja que pratica a missão integral precisa agir como uma igreja íntegra. Missão integral “é missão honesta, que apresenta à sociedade tudo aquilo que a salvação em Cristo acarreta, tudo que ela implica, como fez o próprio Senhor Jesus ao chamar seus discípulos para segui-lo” (Gouvêa, 2015, p. 50). Ser cristão, portanto, implica em discipulado e em amar como Cristo amou, e isso implica serviço, cuidado e amor ao próximo. TEMA 5 – MISSÃO E INTEGRALIDADE NA BÍBLIA Nesta aula, reforçaremos a responsabilidade social da Igreja, a partir de um conceito de Missão Integral. Abordaremos o conceito de "Missio Dei" e suas implicações para a atuação da Igreja. Destacaremos as diversas possibilidades de serviço e influência, tais como a oração, missões, incentivo ao cuidado, recuperação, acolhimento, desenvolvimento, crianças e adolescentes em situação de risco, treinamento de lideranças, participação sociopolítica, etc. No entanto, expandiremos o conceito de Missão Integral para além do 9 enfrentamento à pobreza, exercendo as suas marcas e influências nos diferentes domínios sociais. Quando vinculamos a missão com a teologia da criação então sua aplicação não é somente espiritual, mas envolverá todas as dimensões da vida existente no mundo. O Evangelho não consistirá então em dualidade de visão sobre o ser humano e da sociedade humana. O reino de Deus, quando oramos “venha o teu reino” não é somente realidade futura, mas tem a ver com a realidade da vida daquele que está em Cristo. A vontade de Deus deve ser feita assim na terra como no céu. Assim o pecado não será visto somente como questão individual, mas também possuidora da dimensão social e estrutural. Os pecados são, portanto, entrelaçados com a própria sociedade. Deus é um Deus de justiça, enquanto a pobreza é expressão de injustiça. Deus é predisposto para a justiça. Deus produz homens novos que representem a esperança de um novo mundo, decorrente de um encontro pessoal com Cristo. O arrependimento e a fé produzem essa conversão verdadeira. Deus trará seu reino usando pessoas convertidas pelo Evangelho. O mundo transformado é decorrência do discipulado cristão. A missão é a razão de existência da Igreja. Nela ganhamos pessoas integrais para Cristo e para a luta a favor do projeto de Deus para a humanidade e seu projeto sociocultural. As opções escolhidas por Jesus para seu próprio ministério foram, ao mesmo tempo, pertinentes para o contexto e de acordo com seu projeto redentor. Jesus escolheu Galileia como local de desenvolvimento de seu ministério. Ali se dava uma encruzilhada racial e cultural. Jesus atuou a partir da periferia da época, desenvolvendo um ministério de implicação universal. O alcance global da contextualização evangelizadora deve corresponder ao princípio galileu. Concretamente isso implica que a evangelização deve estar dirigida, em primeiro lugar, à periferia das nações, onde se encontram as multidões e onde a fé cristã sempre tem tido a oportunidade de estabelecer uma base sólida. (Costas, 1990, p. 65-66) A universalidade de Jesus Cristo em meio a um mundo de pluralidade religiosa testemunha a busca de uma Cristologia missionária para a América Latina. Anunciamos Cristo e sua universalidade a partir da periferia. Estamos aprendendo a fazer missão em nome de Cristo e a partir de baixo. 10 A missão integral desenvolvida por Jesus respondia às diversas necessidades das pessoas. Ele sarava todos os tipos de doenças (Mateus 9:35). Jesus era movido pela compaixão. A Bíblia destaca o impacto da presença e ação de Jesus sobre a totalidade da vida das pessoas. Ela mostra a missão e a integralidade das ações a partir da presença de Jesus Cristo. NA PRÁTICA Nesta aula estabelecemos uma primeira aproximação, introdutória e exploratória, à teologia da Missão Integral. Procuramos compreender a Integralidade da Missão da Igreja. A abordagem considerou a tríade Criação – Queda – Redenção como síntese das Escrituras, apontando para caminhos de apropriação do conceito de Missão como sal da terra e luz do mundo. A necessidade do diálogo da teologia com a realidade precisa nos levar à busca por soluções para os problemas e dilemas da sociedade. A missão integral testemunha o casamento entre evangelização e engajamento social. Busca-se uma evangelização encarnada na realidade contemporânea. Também se percebe que a dimensão ecológica do mundo faz parte da visão de Missão Integral. A totalidade da criação precisa ser protegida da idolatria do consumismo. Precisa-se de sinais de esperança no mundo. O pão da vida também precisa matar a fome do miserável. A saúde da igreja aponta para a plenitude da Missão. A salvação não se destina somente à alma do indivíduo. A complexidade do ser humano precisa ser abordada em todas as áreas por parte da Igreja. A salvação tem a ver com a totalidade da vida humana. Toda a vida experimenta os resultados da influência do evangelho. Missão integral não é somente diaconia, não é o ministério de ação social da igreja local. A diaconia faz parte, mas a missão integral abrange a totalidade do nosso ser e da nossa salvação. A obra de Cristo é o marco do testemunho da história da salvação. A missão integral é expressão da missão de Cristo. A missão faz a teologia andar, a tornando dinâmica e força viva da igreja de Cristo. A interpretação da Bíblia e a missiologia são as duas rodas que conduzem o corpo de Cristo adiante. A missão da Igreja sempre envolverá a sua integralidade. Ela é completamente missão integral. A igreja precisa agir no mundo, mostrando que 11 colabora na busca de soluções para os problemas sociais e políticas, lutando por justiça e igualdade. Ser cristão implica em discipulado e amar como Cristo amou, e isso implica em serviço, cuidado e amor ao próximo. O Evangelho não aceita a dualidade de visão sobre o ser humano e da sociedade humana. Deus é um Deus de justiça, enquanto a pobreza é expressão de injustiça. Deus é predisposto para a justiça. Deus produz seres novos, que representem esperança de um novo mundo. A missão é a razão de existência da igreja. FINALIZANDO Nesta aula, você compreendeu que a missão integral da Igreja é desafiadora. Quando entendemos a missão integral da Igreja, percebemos que não podemos ficar “parados”. As pessoas que fazem parte da igreja por meio do serviço cristão precisam estar dispostas a servir e atender às necessidades do próximo. Todos querem ser tratados e curados. No entanto, quanto tempo alguém está disposto a conceder para ser tratado integralmente? A missão integral e o crescimento da Igreja podem caminhar juntos? Olhando para o Mestre Jesus, percebemos que não temos alternativa. Missão integral, libertação, liderança proativa, igreja participativa, pessoas ajudadas e libertas, todas essas questões estão relacionadas com o ensino de Jesus – e aquilo que o Mestre nos ensinou deve ser posto em prática. Desse modo, quem sabe, juntos acharemos na missão integral algo que nos motiva como nunca antes. 12 REFERÊNCIAS BEZERRA, Cícero. Missão integral da Igreja. Série Conhecimentos em Teologia. Curitiba: InterSaberes, 2017. CAVALCANTI, R. A utopia possível: em busca de um cristianismo integral. Viçosa: Ultimato, 1997a. _____________. Evangelho e política na América Latina. In: STEUERNAGEL, V. (Org.). No princípio era o verbo. Curitiba: Encontro, 1996. p. 179-186. COSTAS, Orlando. Evangelización contextual. Fundamentos teológicos y pastorales. 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(Série Lausanne)