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Extinção dos Contratos ● Formas de Extinção: ↳ A legislação e a doutrina nos apresentam quatro formas de se extinguir um contrato: a) extinção normal dos contratos; b) extinção por fatos anteriores ou concomitantes à celebração; c) extinção por fatos posteriores à celebração; d) extinção pela morte. ● Extinção normal dos contratos: ↳ Acontece quando a obrigação é cumprida. ↳ Exemplos: quando o valor da obrigação é pago imediatamente, quando todas as parcelas da obrigação de trato sucessivo são pagas, quando a coisa é entrega conforme combinado etc. ↳ Dessa forma, quando o contrato é extinto, não há que se falar em obrigações dele decorrentes. Entretanto, não se pode esquecer que a boa-fé objetiva, assim como seus deveres anexos, deve estar presente mesmo após a celebração do contrato. ● Extinção por fatos anteriores ou concomitantes à celebração: ➔ teoria das nulidades (absolutas): ↳ haverá invalidade absoluta, envolvendo o contrato nulo. ⇘ Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz; II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; IV - não revestir a forma prescrita em lei; V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa; VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. ⇘ Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. #VIS ABSOLUTA (coação física) X VIS RELATIVA (coação moral) ➔ teoria das nulidades (relativas): ↳ haverá invalidade relativa. ↳ contrato anulável, onde está presente a nulidade relativa. ⇘ Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico: I - por incapacidade relativa do agente; II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores. ⇘ Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. ⇘ Art. 1.649. A falta de autorização, não suprida pelo juiz, quando necessária (art. 1.647), tornará anulável o ato praticado, podendo o outro cônjuge pleitear-lhe a anulação, até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. ➔ teoria da inexistência do contrato: ↳ pouca parte da doutrina defende essa teoria, que diz que o contrato é inexistente, quando faltar um dos elementos essenciais do pacto (contrato), ou seja, quando não existir um de seus pressupostos de existência. ↳ Álvaro Villaça diz “a inexistência do contrato ocorrerá quando faltar qualquer um dos seus elementos essenciais, como, por exemplo, a vontade dos contratantes”. ↳ contudo, a grande maioria da doutrina, inclusive o professor Flávio Tartuce, discorda dessa teoria, pois afirmam que o plano da existência está embutido no plano da validade e por isso não haveria necessidade da criação dessa teoria. ➔ cláusulas resolutiva e de arrependimento: ⇘ Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita depende de interpelação judicial. ↳ Não é necessário interpelação judicial ● pacto comissório contratual X pacto compromissório real: a) contratual: cláusula de condição que enseja desfazimento. b) real: retomada do bem dado em garantia em levá-lo à execução. ● Extinção por fatos posteriores à formação contratual: ↳ Sempre que há a extinção do contrato por fatos posteriores à sua celebração, tendo uma das partes sofrido prejuízo, fala-se em rescisão contratual. ↳ Nesses casos, a ação que irá extinguir o contrato nessas hipóteses é chamada de ação de rescisão contratual. ⇘ na prática segue o procedimento comum do CPC. ↳ todas as causas de extinção contratual posteriores à sua formação se localizam no campo da eficácia. 1) RESCISÃO CONTRATUAL: ↳ é o GÊNERO, e possui as seguintes espécies: a) resolução: ↳ extinção do contrato por descumprimento. ↳ é puramente baseada em inadimplemento e ocorre: ➔ inexecução voluntária (resolução culposa): ↳ decorre de dolo ou culpa. ↳ opera independente da lei. ↳ as partes decidem a forma como irão prosseguir com o contrato (tutela específica ou indenização). ⇘ Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos. ⇘ “Caracterizada a violação de dever contratual, incumbe ao devedor o ônus de demonstrar que o fato causador do dano não lhe pode ser imputado”. - Enunciado 548 VI JDC. ➢ TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL: ↳ Princípio da manutenção contratual no viés quantitativo e qualitativo. ↳ Viés objetivo e subjetivo. ↳ Incabível para financiamento de bens móveis garantidos por alienação fiduciária. ⇘ “O adimplemento substancial decorre dos princípios gerais contratuais, de modo a fazer preponderar a função social do contrato e o princípio da boa-fé objetiva, balizando a aplicação do art. 475”. - Enunciado 361 IV JDC. ⇘ Art. 421. A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato. ⇘ Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé. ⇘ Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos. ➔ inexecução involuntária (sem culpa): ↳ Lastreada no caso fortuito (evento TOTALMENTE IMPREVISÍVEL), ou força maior (evento PREVISÍVEL, MAS INEVITÁVEL). ↳ circunstâncias alheias às vontade das partes. ↳ via de regra, as partes retornam ao status quo ante, salvo estipulação em contrário. ⇘ Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. ➢ TEORIA DO INADIMPLEMENTO - DIREITO OBRIGACIONAL: ⇘ Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado. ➔ cláusula resolutiva tácita: ↳ a cláusula resolutiva pode ser: a) expressa: anterior ou concomitante ao contrato, operando-se de PLENO DIREITO (pela mora). b) tácita: subentendida em contratos bilaterais e onerosos, operando-se pela INTERPELAÇÃO JUDICIAL. ⇘ Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita depende de interpelação judicial. ↳ Nos casos de contrato não cumprido (exceptio non adimpleti contractus), se aplica o art. 476. ⇘ Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro. ↳ A Doutrina e a Jurisprudência vêm acordando também o instituto da “quebra antecipada do contrato” ou “inadimplemento antecipado”, que decorre da exceptio non adimpleti contractus. ⇘ “A resolução da relação jurídica contratual também pode decorrer do inadimplemento antecipado”. - Enunciado 437 V JDC. ⇘ “A exceção de inseguridade, prevista no art. 477, também pode ser oposta à parte cuja conduta põe, manifestamente em risco, a execução do programa contratual”. - Enunciado 438 V JDC. ↳ No caso da cláusula tácita é possível resolver de outra forma, o que via de regra, não poderia ocorrer na cláusula expressa, mas a doutrina e a jurisprudência vêm flexibilizando esse posicionamento, com base na função social e na boa-fé. b) resilição: ↳ dissolução por vontade unilateral ou bilateral, quando admissível por LEI, de forma expressa ou implícita, pelo reconhecimento do direito potestativo. ➔ resilição bilateral(o distrato): ↳ ocorre por vontade das partes. ↳ tem por objetivo neutralizar os efeitos futuros, portanto serve aos contratos válidos e eficazes. ↳ opera efeitos “ex nunc”, salvo disposição contratual contrária. ↳ NÃO cabe nos contratos de execução instantânea. ⇘ Art. 472. O distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato. ➔ resilição unilateral (exceção ao pacta sunt servanda): ↳ ocorre somente em casos previstos em LEI, nos contratos sem prazos ou nos contratos com prazo, quando prorrogados indeterminadamente. ↳ opera-se pela DENÚNCIA. ↳ trata-se de um DIREITO POTESTATIVO e que se opera por declaração receptícia. ↳ preservação da boa-fé contratual, da função social do contrato e vedação do abuso de direito. ⇘ Art. 473. A resilição unilateral, nos casos em que a lei expressa ou implicitamente o permita, opera mediante denúncia notificada à outra parte. Parágrafo único. Se, porém, dada a natureza do contrato, uma das partes houver feito investimentos consideráveis para a sua execução, a denúncia unilateral só produzirá efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos. ● Extinção contratual pela morte de um dos contratantes: ↳ Para se extinguir em razão da morte, o contrato deve ser intuito personae, ou seja, uma obrigação personalíssima. - CESSAÇÃO CONTRATUAL. Revisão Contratual - Código Civil ● Cláusula Rebus sic Stantibus e a Teoria da Imprevisão: ↳ Mitigação do pacta sunt servanda. ⇘ Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. ⇘ Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação. ↳ Trabalha com fato superveniente, que torne a prestação excessiva e muito vantajosa a outra parte. ↳ A doutrina entende que a vantagem excessiva é CIRCUNSTANCIAL e não presumida. ↳ Cabe em contratos bilaterais, sinalagmáticos, onerosos e comutativos. ↳ A mora não é requisito para ingresso da ação de revisão. ↳ O juiz estimula a revisão por meio do princípio da preservação contratual, mas não a determina de ofício. ⇘ Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo-se o réu a modificar eqüitativamente as condições do contrato. ↳ O depósito do valor incontroverso é feito na petição inicial - duty to mitigate de loss. ⇘ Art. 330. A petição inicial será indeferida quando: § 2º Nas ações que tenham por objeto a revisão de obrigação decorrente de empréstimo, de financiamento ou de alienação de bens, o autor terá de, sob pena de inépcia, discriminar na petição inicial, dentre as obrigações contratuais, aquelas que pretende controverter, além de quantificar o valor incontroverso do débito. § 3º Na hipótese do § 2º, o valor incontroverso deverá continuar a ser pago no tempo e modo contratados. ↳ Onerosidade excessiva e a manutenção dos contratos. ⇘ Art. 480. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-la, a fim de evitar a onerosidade excessiva. Revisão Contratual - CDC ● Revisão Contratual no Código de Defesa do Consumidor: ⇘ Art. 6º São direitos básicos do consumidor: V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; ↳ Basta a simples onerosidade excessiva - DESEQUILÍBRIO CONTRATUAL!. ↳ Teoria da Base Objetiva do Negócio - Karl Larenz ⇘ reserva mental por parte dos envolvidos de que o negócio não se tornará oneroso - expectativa do consumidor. ⇘ comprovação da onerosidade é + simples, já que o ônus da prova é invertido. Enunciados ⇘ “A extrema vantagem do art. 478 deve ser interpretada como elemento acidental da alteração das circunstâncias, que comporta a incidência da resolução ou revisão do negócio por onerosidade excessiva, independentemente de sua demonstração plena”. - Enunciado 365 IV JDC. ⇘ “O fato extraordinário e imprevisível causador de onerosidade excessiva é aquele que não está coberto objetivamente pelos riscos próprios da contratação” - Enunciado 366 IV JDC. ⇘ “A revisão do contrato por onerosidade excessiva fundada no Código Civil deve levar em conta a natureza do objeto do contrato. Nas relações empresariais, observar-se-á a sofisticação dos contratantes e a alocação de riscos por eles assumidas com o contrato” - Enunciado 439 V JDC.