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Arbitragem ● Regulamentação: ↳ Regulado pela Lei 9,307/96, com alterações feitas pela Lei 13.129/15. ↳ Esse instituto é antigo, por isso sofreu mudanças dessa última lei e ganhou muita relevância após o novo Código de Processo Civil, devido ao incentivo dos métodos de solução consensual de conflitos. ⇘ conciliação, mediação e ARBITRAGEM. ↳ A arbitragem tem como base o princípio da autonomia de VONTADE das partes, já que é um procedimento FACULTATIVO. ● Conceito: ↳ É um instituto facultativo, que as partes podem escolher antes mesmo da existência do conflito. ↳ Configura um acordo de vontade entre as partes, que devem ser pessoas maiores e capazes, que preferem não se submeter às decisões judiciais. ● limitação subjetiva: as partes devem ser CAPAZES. ⇘ mesmo que sejam incapazes sob representação, NÃO podem ser parte no instituto da arbitragem. ↳ Dessa forma, as partes confiam a solução de seus conflitos aos árbitros, desde que se refiram à direitos patrimoniais DISPONÍVEIS. ● limitação objetiva, em relação a matéria: a arbitragem deve versar sobre direito patrimonial disponível (excluindo direito indisponível). ⇘ o árbitro é o juiz escolhido pelas partes, conduzindo o processo, produzindo as provas, e proferindo decisão que produz os mesmos efeitos de uma sentença judicial. ↳ As partes também podem escolher uma pessoa jurídica de direito privado para ocupar o cargo de árbitro, nesse caso a PJ é denominada de “câmara de arbitragem”. ● Aspectos Gerais: ↳ Advindas das modificações feitas pela Lei 13.129/15 1) Possibilidade da Administração Pública (Direta ou Indireta) UTILIZAR da arbitragem: ↳ Antes, era vedado a sua participação na arbitragem. ⇘ Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis. § 1o A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 2) Possibilidade de concessão de TUTELA PROVISÓRIA: ↳ Os árbitros podem conceder tutela provisória, o que antes não era possível. ↳ Entretanto, embora possuam várias prerrogativas de um juiz togado, ainda não possuem poder de polícia. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13129.htm 3) Dispensa da homologação das decisões arbitrais pelo Judiciário: ↳ Anteriormente, todo laudo arbitral deveria ser submetido ao Judiciário para homologação, para produzir os efeitos legais. ⇘ Art. 18. O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. ↳ Porém, agora, no momento em que as sentenças arbitrais são proferidas, já se tornam título executivo judicial. ⇘ Art. 31. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e, sendo condenatória, constitui título executivo. ↳ Dessa forma, em caso de descumprimento, as partes podem utilizar da sentença e já exigir o cumprimento direito no judiciário. ● Vantagens da Arbitragem: 1) Solução mais rápida: ↳ Há sim uma solução mais rápida do conflito de interesse, já que não está submetida a morosidade do processo judicial. ↳ Isso porquê a arbitragem possui um prazo determinado para terminar. 2) Conhecimento técnico particular: ↳ Quando as partes precisam de um conhecimento técnico particular, preferem esse instituto, para que possam ter a decisão proferida por um árbitro especialista na área. ● Limites da Arbitragem: 1) Interesse de incapaz: ↳ O interesse de incapaz não pode ser objeto da arbitragem, MESMO que esse incapaz esteja representado ou assistido. 2) Direitos não patrimoniais e indisponíveis: 3) Direitos indisponíveis no curso do processo? ↳ Se após instaurado a arbitragem surgir uma questão que versa sobre direito indisponível que irá influenciar na sentença arbitral . ↳ O árbitro irá SUSPENDER o procedimento arbitral e encaminhar as partes ao Poder Judiciário para que lá resolvam essa questão de direito indisponível. ↳ Assim que essa questão for resolvida por sentença judicial transitada em julgado, voltarão ao procedimento arbitral para que o árbitro analise o direito indisponível. 4) Súmula 485 STJ: ⇘ “A Lei de Arbitragem aplica-se aos contratos que contenham cláusula arbitram, ainda que celebrados antes da sua edição”. ↳ O instituto da arbitragem pode ser aplicada aos contratos, ainda que eles tenham sido firmados, celebrados antes da vigência da Lei. ● Constitucionalidade da Arbitragem: ↳ Desde o início do instituo existem inúmeros debates acerca de sua constitucionalidade. ↳ Isso porquê em que não há necessidade de homologação da sentença proferida para que ela tenha eficácia executiva. ↳ Com isso, a discussão que surgiu, foi que, a arbitragem feria o art. 5, XXXV da CF/88. ⇘ Art. 5º XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; ↳ Entretanto, esses argumentos foram rebatidos: ● a arbitragem é FACULTATIVA para pessas MAIORES e CAPAZES; ● a sentença proferida PODE ser submetida à homologação no Poder Judiciário; ↳ Com isso, a constitucionalidade da arbitragem foi instituída pelo RE 5.206-7, por maioria. ● Espécies: 1) Arbitragem de Direito: ↳ Acontece quando as partes convencionam que a sentença arbitral DEVE ser proferida de acordo com o ordenamento jurídico brasieiro e até mesmo internacional. ↳ Dessa forma, o árbitro deve basear nos termos de uma lei específica, que será previamente definida pelas partes. ⇘ Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de eqüidade, a critério das partes. § 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. ↳ Quando as partes decidem por esse modalidade de arbitragem, o árbitro não pode decidir fora do ordenamento jurídico vigente. 2) Arbitragem de Equidade: ↳ Acontece quando o árbitro ou o tribunal usam da solução que entenderem mais JUSTA e ADEQUADA ao conflito de interesse. ⇘ Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de eqüidade, a critério das partes. § 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. ↳ Nessa situação, o árbitro pode decidir fora da lei, dando a solução que considerar mais adequada para o caso concreto. Isso é possível, pois a matéria discutida na arbitragem é direito patrimonial disponível. ↳ Importante ressaltar que a decisão mais adequada NÃO PODE desrespeitar os princípios gerais que norteiam a arbitragem. 3) Escolha da Administração Pública (Direta ou Indireta): ↳ Quando a Adm. Pública, seja direta ou indireta, fizer o uso do instituto da arbitragem, ela não poderá escolher pela arbitragem por equidade. ↳ Nesses casos, só poderá se utilizar da arbitragem por direito. ⇘ Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de eqüidade, a critério das partes. § 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade. 4) Princípio da Publicidade: ↳ Na arbitragem as partes podem optar pelo sigilo, pela confidencialidade do procedimento. ↳ Entretanto, quando a Adm.Pública optar pelo instituo o princípio DEVE ser respeitado. ⇘ mesmo que o processo da arbitragem tenha essa opção, que ele não seja público, se uma dar partes for a Adm. Pública, ele DEVE ser público! ● Formas de Convenção de Arbitragem: 1) Cláusula Compromissória: ↳ É a cláusula que deixa a arbitragem fixada de forma expressa no contrato. ↳ Isso acontece quando as partes estabelecem um determinado contrato e já determinam que em caso de eventuais conflitos, eles serão solucionados por meio da arbitragem.↳ Com isso, essa modalidade de arbitragem pressupõe um contrato escrito, sendo admitida a arbitragem por cláusula compromissória em contrato de adesão. ⇘ Art. 4º A cláusula compromissória é a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir, relativamente a tal contrato. § 2º Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar, expressamente, com a sua instituição, desde que por escrito em documento anexo ou em negrito, com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. ↳ Resumidamente: a) é estabelecida antes do conflito; b) de forma escrita no contrato celebrado entre as partes; c) admitida no contrato de adesão, porém não se aplica aos contratos regidos pelo CDC. ⇘ nos contratos de adesão pode ser feito em um documento próprio, mas deve ser escrito em letras GARRAFAIS e deve ter a anuência EXPRESSA em relação à essa cláusula específica. ➔ EFEITOS DA CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA: ↳ Em tese, não há conflito pois a cláusula foi feita para caso houvesse um conflito ele ser resolvido por meio da arbitragem. ↳ Mas, surgindo o conflito, a parte ignorar a cláusula compromissória e recorrer ao Poder Judiciário para a solução, o que acontece? ↳ Nesse caso, como o juiz não pode reconhecer a convenção de arbitragem de ofício, cabe ao réu alegar na contestação, caso queira, a convenção de arbitragem. ⇘ Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: X - convenção de arbitragem; ↳ Dessa forma, o juiz deve decretar a extinção do processo sem resolução de mérito. ⇘ Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; ↳ O réu, não alegando a existência da cláusula na contestação, terá a renúncia tácita de seu direito à arbitragem. ↳ Porém, se o réu não alegar em preliminar a existência de cláusula compromissória, o juiz entende que ambas as pares renunciaram de forma tácita à arbitragem e que preferiram a solução judicial.. ➔ CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA NÃO REGULAMENTADA: ↳ É a cláusula que não vem com todas as condições estabelecidas, ou seja, é uma cláusula compromissória vazia, pois não traz as especificações do procedimento da arbitragem. ↳ Ao adotar a cláusula compromissória, não á comum que as partes já deixem fixado as condições da arbitragem do eventual conflito. ↳ Dessa forma, é necessário que as partes que concordaram com a arbitragem deixem convencionado quais serão as suas regras (se haverá contestação, quem será o árbitro ec), sem necessidade de recorrer ao Judiciário. ↳ Porém, se não houver esse acordo prévio, a parte interessada irá manifestar à outra a sua intenção de dar início à arbitragem, por via postal ou qualquer outro meio de comunicação mediante aviso de recebimento. ↳ Nessa manifestação irá convocá-la a comparecer em dia, hora e local certo para firmar o compromisso arbitral. ⇘ Art. 6º Não havendo acordo prévio sobre a forma de instituir a arbitragem, a parte interessada manifestará à outra parte sua intenção de dar início à arbitragem, por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, convocando-a para, em dia, hora e local certos, firmar o compromisso arbitral. ↳ Caso a parte não compareça ou se recuse a firmar o compromisso, poderá propor a demanda parente o Judiciário. ⇘ Art. 6º Parágrafo único. Não comparecendo a parte convocada ou, comparecendo, recusar-se a firmar o compromisso arbitral, poderá a outra parte propor a demanda de que trata o art. 7º desta Lei, perante o órgão do Poder Judiciário a que, originariamente, tocaria o julgamento da causa. ↳ Porém se há a cláusula compromissória NÃO regulamentada e apenas uma dar partes quiser se submeter à arbitragem, deve ir ao Judiciário para estabelecer as regras do COMPROMISSO ARBITRAL. ↳ Com esse pedido, o juiz irá citar a parte contrária, para lavrar o compromisso inicialmente fixado no contrato, designando dia e hora certa para a audiência. ⇘ Art. 7º Existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto à instituição da arbitragem, poderá a parte interessada requerer a citação da outra parte para comparecer em juízo a fim de lavrar-se o compromisso, designando o juiz audiência especial para tal fim. ↳ Assim, tentará resolver o litígio através de um acordo, pois se a tentativa for positiva o conflito será resolvido independentemente de compromisso arbitral. ⇘ Art. 7º § 2º Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, previamente, a conciliação acerca do litígio. Não obtendo sucesso, tentará o juiz conduzir as partes à celebração, de comum acordo, do compromisso arbitral. ↳ Por outro lado, se não for resolvido, o juiz tentará estabelecer os moldes do compromisso arbitral de forma em que ambas as partes estejam em comum acordo. ↳ De forma resumida, se essa audiência de conciliação for infrutífera: a) o juiz deve decidir sobre as condições da arbitragem, nessa mesma audiência. b) deve proferir a sentença em no máximo 10 DIAS. ↳ Se as partes não comparecem à essa audiência: a) ausência do autor: implica em extinção do processo sem resolução de mérito. b) ausência do réu: o juiz ouvirá o autor e irá decidir na própria audiência, ou no prazo máximo de 10 dias. ↳ Com isso o juiz profere a sentença que acolhe o compromisso arbitral, implantando a cláusula compromissória e estabelecendo as suas condições. 2) Compromisso Arbitral: ↳ É a cláusula implantada APÓS o surgimento do conflito. ⇘ Art. 9º O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas, podendo ser judicial ou extrajudicial. § 1º O compromisso arbitral judicial celebrar-se-á por termo nos autos, perante o juízo ou tribunal, onde tem curso a demanda. § 2º O compromisso arbitral extrajudicial será celebrado por escrito particular, assinado por duas testemunhas, ou por instrumento público. ↳ Nessa situação, o compromisso arbitral pode ser: a) judicial: ↳ o compromisso é elaborado por termo nos próprios auto, mediante convenção das partes. b) extrajudicial: ↳ o compromisso é elaborado por documento escrito,assinado por duas testemunhas, ou instrumento público. ➔ EFEITOS DO COMPROMISSO ARBITRAL: ↳ Assim que elaborado, seja judicial ou extrajudicial, o processo existente no Judiciário é extinto sem resolução de mérito, já que as parte procuram pela arbitragem para a solução do conflito. ⇘ Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; ↳ Existem dados que devem constar obrigatoriamente no compromisso arbitral, como: ● nome e qualificação das partes; ● entidade que as partes querem que sejam resolvido o conflito; ● lugar em que a sentença via ser proferida etc. ⇘ Art. 10. Constará, obrigatoriamente, do compromisso arbitral: I - o nome, profissão, estado civil e domicílio das partes; II - o nome, profissão e domicílio do árbitro, ou dos árbitros, ou, se for o caso, a identificação da entidade à qual as partes delegaram a indicação de árbitros; III - a matéria que será objeto da arbitragem; e IV - o lugar em que será proferida a sentença arbitral. ↳ Entretanto, existem outras informações que não são obrigatórias constar no compromisso arbitral: ⇘ Art. 11. Poderá, ainda, o compromisso arbitral conter: I - local, ou locais, onde se desenvolverá a arbitragem; II - a autorização para que o árbitro ou os árbitros julguem por eqüidade, se assim for convencionado pelas partes; III - o prazo para apresentação da sentença arbitral; IV - a indicação da lei nacional ou das regras corporativas aplicáveis à arbitragem, quando assim convencionarem as partes; V - a declaraçãoda responsabilidade pelo pagamento dos honorários e das despesas com a arbitragem; e VI - a fixação dos honorários do árbitro, ou dos árbitros. Parágrafo único. Fixando as partes os honorários do árbitro, ou dos árbitros, no compromisso arbitral, este constituirá título executivo extrajudicial; não havendo tal estipulação, o árbitro requererá ao órgão do Poder Judiciário que seria competente para julgar, originariamente, a causa que os fixe por sentença. ● Árbitros: ↳ Podem ser livramento escolhidos pelas partes. ↳ Não há exigências legais para a escolha, apenas que eles sejam capazes. que tenham conhecimento específico na sua área de atuação e que também possua a confiança das partes. ⇘ podem escolher de acordo com a especialidade técnica que seja mais útil para a solução mais útil do conflito. ↳ Estão sujeitos ao impedimento e suspeição, portanto espera-se que declarem essa exceção na primeira oportunidade. ⇘ Art. 14. Estão impedidos de funcionar como árbitros as pessoas que tenham, com as partes ou com o litígio que lhes for submetido, algumas das relações que caracterizam os casos de impedimento ou suspeição de juízes, aplicando-se-lhes, no que couber, os mesmos deveres e responsabilidades, conforme previsto no Código de Processo Civil. ↳ Caso contrário, as partes podem alegar, também, na primeira oportunidade. ⇘ Art. 20. A parte que pretender argüir questões relativas à competência, suspeição ou impedimento do árbitro ou dos árbitros, bem como nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem, deverá fazê-lo na primeira oportunidade que tiver de se manifestar, após a instituição da arbitragem. 1) Deveres dos Árbitros: ↳ Devem ser imparciais, independentes, competentes, diligentes e dotados de discrição. ↳ Todas essas condições são exigidas, pois ele atua como se fosse um JUIZ TOGADO. ↳ As partes podem escolher mais de um árbitro, porém o número deve ser sempre ÍMPAR, para a decisão ser dada por maioria. ↳ Com vários árbitros, eles devem nomear um presidente, e caso mais de um deles tenha interesse, o mais velho deverá ocupar o cargo. ⇘ Art. 13. Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a confiança das partes. § 4º Sendo nomeados vários árbitros, estes, por maioria, elegerão o presidente do tribunal arbitral. Não havendo consenso, será designado presidente o mais idoso. ↳ Se houver o falecimento ou impedimento de um dos árbitro, será nomeado o seu substituto, ou se não houver essa previsão o processo poderá ser EXTINTO, já que não pode a decisão ser dada árbitros em número par, porém é MUITO RARO. ⇘ Art. 16. Se o árbitro escusar-se antes da aceitação da nomeação, ou, após a aceitação, vier a falecer, tornar-se impossibilitado para o exercício da função, ou for recusado, assumirá seu lugar o substituto indicado no compromisso, se houver. ↳ No exercício de sua função, o árbitro é comparado ao funcionário público, recebendo todas as sanções penais cabíveis, como por exemplo o peculato. ⇘ Art. 17. Os árbitros, quando no exercício de suas funções ou em razão delas, ficam equiparados aos funcionários públicos, para os efeitos da legislação penal. ↳ Mesmo que atue como um juiz, a decisão de um árbitro NÃO está sujeito a RECURSO OU HOMOLOGAÇÃO. ⇘ Art. 18. O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. ● Aspectos Procedimentais na Arbitragem: 1) Início do Procedimento Arbitral: ↳ O procedimento se inicia por iniciativa das partes por meio de cláusula compromissória ou por compromisso arbitral, de forma pessoal ou contratação de advogado. ↳ É recomendado que seja feito por meio de advogado, porém não é obrigatório. ↳ A comunicação da parte deve ser feita através de via postal (correio) ou outro meio diverso de comunicação para que, em dia e hora marcado, realiza o compromisso arbitral. ↳ Caso haja recusa ou resistência ao compromisso essas condições de arbitragem serão fixadas pelo Poder Judiciário. ↳ Em resumo: a) condições já definidas: o procedimento segue normalmente sem necessidade de ir ao judiciário. b) condições não definidas, partes não estão de acordo: é necessário ir ao judiciário para firmar o compromisso arbitral. 2) Aceitação do Árbitro: ↳ A arbitragem é instaurada, de fato, com a aceitação do árbitro indicado pelas partes. ⇘ Art. 19. Considera-se instituída a arbitragem quando aceita a nomeação pelo árbitro, se for único, ou por todos, se forem vários. ↳ Ele deverá indicar se possui ou não competência para solucionar o conflito. ⇘ competência-competência: o árbitro possui competência para dizer se tem COMPETÊNCIA para solucionar o litígio. ↳ Se o árbitro RECUSAR participar da arbitragem, o procedimento é EXTINTO, se outro profissional não puder substituí-lo. 3) Conciliação das Partes: ↳ Com a aceitação do árbitro, é dada a tentativa de conciliação entre as partes. ⇘ Art. 21. A arbitragem obedecerá ao procedimento estabelecido pelas partes na convenção de arbitragem, que poderá reportar-se às regras de um órgão arbitral institucional ou entidade especializada, facultando-se, ainda, às partes delegar ao próprio árbitro, ou ao tribunal arbitral, regular o procedimento. ↳ Sendo positiva, o árbitro irá proferir sentença homologatória das condições do acordo firmado consequentemente com a extinção do procedimento. ↳ Não conseguindo a conciliação, o procedimento segue para a instrução, se necessário. 4) Instrução Processual: ↳ É admitida a produção de provas se for necessário. ↳ Poderá ser feita a oitiva de testemunhas (depoimento pessoal), através de uma audiência de instrução, se não for feito um acordo entre as partes. ↳ A instrução será definida no momento em que for fixada a arbitragem. pelas partes ou pelo próprio árbitro. ↳ Também é admitido a produção de prova pericial, se o árbitro entender necessário. ⇘ não há impedimento com relação a determinadas provas. ↳ Se houver a ausência das partes E das testemunhas, serão impostos ônus à elas. a) ausência da AUTOR injustificada: procedimento poderá ser EXTINTO. b) ausência do RÉU injustificada: não há informação sobre revelia, devendo ser decidido sem oitiva da parte autora. c) ausência das testemunhas: árbitro irá requerer ao Poder Judiciário, por meio de carta arbitral, eventual medida coercitiva, já que não possui poder de polícia. ⇘ medida coercitiva para que a testemunha compareça à audiência. ⇘ Art. 22-C. O árbitro ou o tribunal arbitral poderá expedir carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência territorial, de ato solicitado pelo árbitro. 5) Necessidades de Medias Cautelares ou Antecipadas: ↳ Com a arbitragem devidamente instruída e sendo necessário medidas cautelares ou antecipadas, a parte interessada deve requerê-las ao árbitro competente. ↳ O árbitro irá analisar o pedido sempre verificando a urgência, necessidade e eventual prejuízo de direito das partes. ↳ Em arbitragem não instruída a parte interessada deve requerer ao Poder Judiciário, atendendo a todos os requisitos necessários para a concessão. ⇘ é necessário a presença de um advogado para pleitear a tutela provisória no Judiciário. ⇘ Art. 22-A. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou de urgência. Parágrafo único. Cessa a eficácia da medida cautelar ou de urgência se a parte interessada não requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de efetivação da respectiva decisão. ↳ Caso o Judiciário efetive a medica cautelar ou antecipada, a arbitragem deve ser instituída no prazo de 30 dias, sob pena de cessação de eficácia da medida deferida. ↳ O cumprimento da medida cautelar/antecipada que foi efetivada pelo Judiciário, será requerido por meio de carta arbitral ao juiz competente.6) Sentença Arbitral: ↳ Elementos: ● relatório + fundamentação + dispositivo + data e lugar em que foi proferida + responsabilidades pelas despesas da arbitragem. ⇘ Art. 26. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: I - o relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio; II - os fundamentos da decisão, onde serão analisadas as questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por eqüidade; III - o dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso; e IV - a data e o lugar em que foi proferida. Parágrafo único. A sentença arbitral será assinada pelo árbitro ou por todos os árbitros. Caberá ao presidente do tribunal arbitral, na hipótese de um ou alguns dos árbitros não poder ou não querer assinar a sentença, certificar tal fato. ↳ Pode ser proferida por um único árbitro ou vários deles (maioria). ⇘ Art. 24. A decisão do árbitro ou dos árbitros será expressa em documento escrito. § 1º Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. § 2º O árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado. ↳ Será proferia no prazo máximo fixado pelas partes, caso não tenham acordado nada, será o prazo máximo da lei (6 MESES). ⇘ Art. 23. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. ⇘ apesar da lei fixar o prazo de 6 meses, as partes podem estabelecer um prazo maior, mas é muito difícil. ↳ A sentença arbitral dispensa homologação. ↳ Assim que for proferida, as partes são intimadas e em regra recebem uma cópia da sentença. ↳ Sentença de eficácia CONDENATÓRIA. ↳ Vale como TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL. ↳ A sentença arbitral NÃO ADMITE RECURSO, entretanto a parte que se sentir prejudicada pode solicitar no prazo de 5 DIAS a CORREÇÃO, por erro material ou para esclarecimento (embargos de declaração). ⇘ Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral que: I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral; II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão. Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art. 29. ↳ Com isso, o árbitro possui 10 DIAS para proferir nova decisão acerca do pedido de correção/esclarecimento. 7) Nulidade da Sentença Arbitral: ↳ A parte interessa pode ajuizar AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DA SENTENÇA ARBITRAL. ↳ Essa ação deve ser ajuizada no Poder Judiciário. ⇘ a ação é de CONHECIMENTO pelo RITO COMUM. ↳ Deve contar com os motivos efetivos para declarar a nulidade, que estão elencados no art. 32, que é um rol taxativo. ⇘ Art. 32. É nula a sentença arbitral se: I - for nulo o compromisso; II - emanou de quem não podia ser árbitro; III - não contiver os requisitos do art. 26 desta Lei; IV - for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem; VI - comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou corrupção passiva; VII - proferida fora do prazo, respeitado o disposto no art. 12, inciso III, desta Lei; e VIII - forem desrespeitados os princípios de que trata o art. 21, § 2º, desta Lei. ↳ Deve-se ajuizar essa ação dentro do prazo de 90 DIAS (prazo DECADENCIAL), a partir do momento que as partes foram notificadas da sentença. ⇘ Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos previstos nesta Lei. § 1o A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou final, seguirá as regras do procedimento comum, previstas na Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), e deverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos. ↳ O pedido pode ser arguido até a fase do cumprimento de sentença, desde que o prazo de 90 dias não tenha ultrapassado. ↳ Se a nulidade for acolhida o juiz pode: a) declarar a nulidade da sentença arbitral; ou b) determinar a substituição da sentença. ⇘ Art. 33. § 2o A sentença que julgar procedente o pedido declarará a nulidade da sentença arbitral, nos casos do art. 32, e determinará, se for o caso, que o árbitro ou o tribunal profira nova sentença arbitral. ↳ Como a sentença arbitral gera um título executivo a sua nulidade pode ser alegada em impugnação do cumprimento de sentença. ⇘ Art. 33. § 3o A decretação da nulidade da sentença arbitral também poderá ser requerida na impugnação ao cumprimento da sentença, nos termos dos arts. 525 e seguintes do Código de Processo Civil, se houver execução judicial.