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Arbitragem 
 
● Regulamentação: 
↳ Regulado pela Lei 9,307/96, com alterações feitas pela Lei 13.129/15. 
↳ Esse instituto é antigo, por isso sofreu mudanças dessa última lei e ganhou 
muita relevância após o novo Código de Processo Civil, devido ao incentivo dos 
métodos de solução consensual de conflitos. 
⇘ conciliação, mediação e ARBITRAGEM. 
↳ A arbitragem tem como base o princípio da autonomia de VONTADE das 
partes, já que é um procedimento FACULTATIVO. 
 
● Conceito: 
↳ É um instituto facultativo, que as partes podem escolher antes mesmo da 
existência do conflito. 
↳ Configura um acordo de vontade entre as partes, que devem ser pessoas 
maiores e capazes, que preferem não se submeter às decisões judiciais. 
● limitação subjetiva: as partes devem ser CAPAZES. 
⇘ mesmo que sejam incapazes sob representação, NÃO podem ser 
parte no instituto da arbitragem. 
↳ Dessa forma, as partes confiam a solução de seus conflitos aos árbitros, 
desde que se refiram à direitos patrimoniais DISPONÍVEIS. 
● limitação objetiva, em relação a matéria: a arbitragem deve versar sobre 
direito patrimonial disponível (excluindo direito indisponível). 
⇘ o árbitro é o juiz escolhido pelas partes, conduzindo o processo, produzindo 
as provas, e proferindo decisão que produz os mesmos efeitos de uma 
sentença judicial. 
↳ As partes também podem escolher uma pessoa jurídica de direito privado 
para ocupar o cargo de árbitro, nesse caso a PJ é denominada de “câmara de 
arbitragem”. 
 
● Aspectos Gerais: 
↳ Advindas das modificações feitas pela Lei 13.129/15 
 
1) Possibilidade da Administração Pública (Direta ou Indireta) UTILIZAR da 
arbitragem: 
↳ Antes, era vedado a sua participação na arbitragem. 
⇘ Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da 
arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais 
disponíveis. 
§ 1o A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da 
arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais 
disponíveis. 
 
2) Possibilidade de concessão de TUTELA PROVISÓRIA: 
↳ Os árbitros podem conceder tutela provisória, o que antes não era 
possível. 
↳ Entretanto, embora possuam várias prerrogativas de um juiz togado, 
ainda não possuem poder de polícia. 
 
 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13129.htm
 
3) Dispensa da homologação das decisões arbitrais pelo Judiciário: 
↳ Anteriormente, todo laudo arbitral deveria ser submetido ao Judiciário 
para homologação, para produzir os efeitos legais. 
⇘ Art. 18. O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir 
não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. 
↳ Porém, agora, no momento em que as sentenças arbitrais são 
proferidas, já se tornam título executivo judicial. 
⇘ Art. 31. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, 
os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder 
Judiciário e, sendo condenatória, constitui título executivo. 
↳ Dessa forma, em caso de descumprimento, as partes podem utilizar da 
sentença e já exigir o cumprimento direito no judiciário. 
 
● Vantagens da Arbitragem: 
 
1) Solução mais rápida: 
↳ Há sim uma solução mais rápida do conflito de interesse, já que não 
está submetida a morosidade do processo judicial. 
↳ Isso porquê a arbitragem possui um prazo determinado para terminar. 
 
2) Conhecimento técnico particular: 
↳ Quando as partes precisam de um conhecimento técnico particular, 
preferem esse instituto, para que possam ter a decisão proferida por um 
árbitro especialista na área. 
 
● Limites da Arbitragem: 
 
1) Interesse de incapaz: 
↳ O interesse de incapaz não pode ser objeto da arbitragem, MESMO 
que esse incapaz esteja representado ou assistido. 
 
2) Direitos não patrimoniais e indisponíveis: 
 
3) Direitos indisponíveis no curso do processo? 
↳ Se após instaurado a arbitragem surgir uma questão que versa sobre 
direito indisponível que irá influenciar na sentença arbitral . 
↳ O árbitro irá SUSPENDER o procedimento arbitral e encaminhar as 
partes ao Poder Judiciário para que lá resolvam essa questão de direito 
indisponível. 
↳ Assim que essa questão for resolvida por sentença judicial transitada 
em julgado, voltarão ao procedimento arbitral para que o árbitro analise 
o direito indisponível. 
 
4) Súmula 485 STJ: 
⇘ “A Lei de Arbitragem aplica-se aos contratos que contenham cláusula 
arbitram, ainda que celebrados antes da sua edição”. 
↳ O instituto da arbitragem pode ser aplicada aos contratos, ainda que 
eles tenham sido firmados, celebrados antes da vigência da Lei. 
 
● Constitucionalidade da Arbitragem: 
↳ Desde o início do instituo existem inúmeros debates acerca de sua 
constitucionalidade. 
 
↳ Isso porquê em que não há necessidade de homologação da sentença 
proferida para que ela tenha eficácia executiva. 
↳ Com isso, a discussão que surgiu, foi que, a arbitragem feria o art. 5, XXXV da 
CF/88. 
⇘ Art. 5º 
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a 
direito; 
↳ Entretanto, esses argumentos foram rebatidos: 
● a arbitragem é FACULTATIVA para pessas MAIORES e CAPAZES; 
● a sentença proferida PODE ser submetida à homologação no Poder 
Judiciário; 
 
↳ Com isso, a constitucionalidade da arbitragem foi instituída pelo RE 5.206-7, 
por maioria. 
 
● Espécies: 
 
1) Arbitragem de Direito: 
↳ Acontece quando as partes convencionam que a sentença arbitral 
DEVE ser proferida de acordo com o ordenamento jurídico brasieiro e 
até mesmo internacional. 
↳ Dessa forma, o árbitro deve basear nos termos de uma lei específica, 
que será previamente definida pelas partes. 
⇘ Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de eqüidade, a critério 
das partes. 
§ 1º Poderão as partes escolher, livremente, as regras de direito que 
serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons 
costumes e à ordem pública. 
↳ Quando as partes decidem por esse modalidade de arbitragem, o 
árbitro não pode decidir fora do ordenamento jurídico vigente. 
 
2) Arbitragem de Equidade: 
↳ Acontece quando o árbitro ou o tribunal usam da solução que 
entenderem mais JUSTA e ADEQUADA ao conflito de interesse. 
⇘ Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de eqüidade, a critério 
das partes. 
§ 2º Poderão, também, as partes convencionar que a arbitragem se 
realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e 
nas regras internacionais de comércio. 
↳ Nessa situação, o árbitro pode decidir fora da lei, dando a solução que 
considerar mais adequada para o caso concreto. Isso é possível, pois a 
matéria discutida na arbitragem é direito patrimonial disponível. 
↳ Importante ressaltar que a decisão mais adequada NÃO PODE 
desrespeitar os princípios gerais que norteiam a arbitragem. 
 
3) Escolha da Administração Pública (Direta ou Indireta): 
↳ Quando a Adm. Pública, seja direta ou indireta, fizer o uso do instituto 
da arbitragem, ela não poderá escolher pela arbitragem por equidade. 
↳ Nesses casos, só poderá se utilizar da arbitragem por direito. 
⇘ Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de eqüidade, a critério 
das partes. 
§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de 
direito e respeitará o princípio da publicidade. 
 
 
4) Princípio da Publicidade: 
↳ Na arbitragem as partes podem optar pelo sigilo, pela 
confidencialidade do procedimento. 
↳ Entretanto, quando a Adm.Pública optar pelo instituo o princípio DEVE 
ser respeitado. 
⇘ mesmo que o processo da arbitragem tenha essa opção, que ele não 
seja público, se uma dar partes for a Adm. Pública, ele DEVE ser público! 
 
● Formas de Convenção de Arbitragem: 
 
1) Cláusula Compromissória: 
↳ É a cláusula que deixa a arbitragem fixada de forma expressa no 
contrato. 
↳ Isso acontece quando as partes estabelecem um determinado 
contrato e já determinam que em caso de eventuais conflitos, eles serão 
solucionados por meio da arbitragem.↳ Com isso, essa modalidade de arbitragem pressupõe um contrato 
escrito, sendo admitida a arbitragem por cláusula compromissória em 
contrato de adesão. 
⇘ Art. 4º A cláusula compromissória é a convenção através da qual as 
partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os 
litígios que possam vir a surgir, relativamente a tal contrato. 
§ 2º Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória só terá 
eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou 
concordar, expressamente, com a sua instituição, desde que por escrito 
em documento anexo ou em negrito, com a assinatura ou visto 
especialmente para essa cláusula. 
↳ Resumidamente: 
a) é estabelecida antes do conflito; 
b) de forma escrita no contrato celebrado entre as partes; 
c) admitida no contrato de adesão, porém não se aplica aos 
contratos regidos pelo CDC. 
⇘ nos contratos de adesão pode ser feito em um documento 
próprio, mas deve ser escrito em letras GARRAFAIS e deve ter a 
anuência EXPRESSA em relação à essa cláusula específica. 
 
➔ EFEITOS DA CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA: 
↳ Em tese, não há conflito pois a cláusula foi feita para caso 
houvesse um conflito ele ser resolvido por meio da arbitragem. 
↳ Mas, surgindo o conflito, a parte ignorar a cláusula 
compromissória e recorrer ao Poder Judiciário para a solução, o 
que acontece? 
↳ Nesse caso, como o juiz não pode reconhecer a convenção de 
arbitragem de ofício, cabe ao réu alegar na contestação, caso 
queira, a convenção de arbitragem. 
⇘ Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: 
X - convenção de arbitragem; 
↳ Dessa forma, o juiz deve decretar a extinção do processo sem 
resolução de mérito. 
⇘ Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
VII - acolher a alegação de existência de convenção de 
arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua 
competência; 
 
↳ O réu, não alegando a existência da cláusula na contestação, 
terá a renúncia tácita de seu direito à arbitragem. 
↳ Porém, se o réu não alegar em preliminar a existência de 
cláusula compromissória, o juiz entende que ambas as pares 
renunciaram de forma tácita à arbitragem e que preferiram a 
solução judicial.. 
 
➔ CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA NÃO REGULAMENTADA: 
↳ É a cláusula que não vem com todas as condições 
estabelecidas, ou seja, é uma cláusula compromissória vazia, pois 
não traz as especificações do procedimento da arbitragem. 
↳ Ao adotar a cláusula compromissória, não á comum que as 
partes já deixem fixado as condições da arbitragem do eventual 
conflito. 
↳ Dessa forma, é necessário que as partes que concordaram com 
a arbitragem deixem convencionado quais serão as suas regras 
(se haverá contestação, quem será o árbitro ec), sem necessidade 
de recorrer ao Judiciário. 
↳ Porém, se não houver esse acordo prévio, a parte interessada irá 
manifestar à outra a sua intenção de dar início à arbitragem, por 
via postal ou qualquer outro meio de comunicação mediante 
aviso de recebimento. 
↳ Nessa manifestação irá convocá-la a comparecer em dia, hora e 
local certo para firmar o compromisso arbitral. 
⇘ Art. 6º Não havendo acordo prévio sobre a forma de instituir a 
arbitragem, a parte interessada manifestará à outra parte sua 
intenção de dar início à arbitragem, por via postal ou por outro 
meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de 
recebimento, convocando-a para, em dia, hora e local certos, 
firmar o compromisso arbitral. 
↳ Caso a parte não compareça ou se recuse a firmar o 
compromisso, poderá propor a demanda parente o Judiciário. 
⇘ Art. 6º 
Parágrafo único. Não comparecendo a parte convocada ou, 
comparecendo, recusar-se a firmar o compromisso arbitral, 
poderá a outra parte propor a demanda de que trata o art. 7º 
desta Lei, perante o órgão do Poder Judiciário a que, 
originariamente, tocaria o julgamento da causa. 
↳ Porém se há a cláusula compromissória NÃO regulamentada e 
apenas uma dar partes quiser se submeter à arbitragem, deve ir 
ao Judiciário para estabelecer as regras do COMPROMISSO 
ARBITRAL. 
↳ Com esse pedido, o juiz irá citar a parte contrária, para lavrar o 
compromisso inicialmente fixado no contrato, designando dia e 
hora certa para a audiência. 
⇘ Art. 7º Existindo cláusula compromissória e havendo 
resistência quanto à instituição da arbitragem, poderá a parte 
interessada requerer a citação da outra parte para comparecer 
em juízo a fim de lavrar-se o compromisso, designando o juiz 
audiência especial para tal fim. 
↳ Assim, tentará resolver o litígio através de um acordo, pois se a 
tentativa for positiva o conflito será resolvido independentemente 
de compromisso arbitral. 
⇘ Art. 7º 
 
§ 2º Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, 
previamente, a conciliação acerca do litígio. Não obtendo 
sucesso, tentará o juiz conduzir as partes à celebração, de 
comum acordo, do compromisso arbitral. 
↳ Por outro lado, se não for resolvido, o juiz tentará estabelecer os 
moldes do compromisso arbitral de forma em que ambas as 
partes estejam em comum acordo. 
↳ De forma resumida, se essa audiência de conciliação for 
infrutífera: 
a) o juiz deve decidir sobre as condições da arbitragem, 
nessa mesma audiência. 
b) deve proferir a sentença em no máximo 10 DIAS. 
↳ Se as partes não comparecem à essa audiência: 
a) ausência do autor: implica em extinção do processo sem 
resolução de mérito. 
b) ausência do réu: o juiz ouvirá o autor e irá decidir na 
própria audiência, ou no prazo máximo de 10 dias. 
↳ Com isso o juiz profere a sentença que acolhe o compromisso 
arbitral, implantando a cláusula compromissória e estabelecendo 
as suas condições. 
 
2) Compromisso Arbitral: 
↳ É a cláusula implantada APÓS o surgimento do conflito. 
⇘ Art. 9º O compromisso arbitral é a convenção através da qual as 
partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas, 
podendo ser judicial ou extrajudicial. 
§ 1º O compromisso arbitral judicial celebrar-se-á por termo nos autos, 
perante o juízo ou tribunal, onde tem curso a demanda. 
§ 2º O compromisso arbitral extrajudicial será celebrado por escrito 
particular, assinado por duas testemunhas, ou por instrumento público. 
↳ Nessa situação, o compromisso arbitral pode ser: 
a) judicial: 
↳ o compromisso é elaborado por termo nos próprios auto, 
mediante convenção das partes. 
b) extrajudicial: 
↳ o compromisso é elaborado por documento escrito,assinado 
por duas testemunhas, ou instrumento público. 
 
➔ EFEITOS DO COMPROMISSO ARBITRAL: 
↳ Assim que elaborado, seja judicial ou extrajudicial, o processo 
existente no Judiciário é extinto sem resolução de mérito, já que 
as parte procuram pela arbitragem para a solução do conflito. 
⇘ Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
VII - acolher a alegação de existência de convenção de 
arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua 
competência; 
↳ Existem dados que devem constar obrigatoriamente no 
compromisso arbitral, como: 
● nome e qualificação das partes; 
● entidade que as partes querem que sejam resolvido o 
conflito; 
● lugar em que a sentença via ser proferida etc. 
⇘ Art. 10. Constará, obrigatoriamente, do compromisso arbitral: 
I - o nome, profissão, estado civil e domicílio das partes; 
 
II - o nome, profissão e domicílio do árbitro, ou dos árbitros, ou, 
se for o caso, a identificação da entidade à qual as partes 
delegaram a indicação de árbitros; 
III - a matéria que será objeto da arbitragem; e 
IV - o lugar em que será proferida a sentença arbitral. 
↳ Entretanto, existem outras informações que não são 
obrigatórias constar no compromisso arbitral: 
⇘ Art. 11. Poderá, ainda, o compromisso arbitral conter: 
I - local, ou locais, onde se desenvolverá a arbitragem; 
II - a autorização para que o árbitro ou os árbitros julguem por 
eqüidade, se assim for convencionado pelas partes; 
III - o prazo para apresentação da sentença arbitral; 
IV - a indicação da lei nacional ou das regras corporativas 
aplicáveis à arbitragem, quando assim convencionarem as 
partes; 
V - a declaraçãoda responsabilidade pelo pagamento dos 
honorários e das despesas com a arbitragem; e 
VI - a fixação dos honorários do árbitro, ou dos árbitros. 
Parágrafo único. Fixando as partes os honorários do árbitro, ou 
dos árbitros, no compromisso arbitral, este constituirá título 
executivo extrajudicial; não havendo tal estipulação, o árbitro 
requererá ao órgão do Poder Judiciário que seria competente 
para julgar, originariamente, a causa que os fixe por sentença. 
 
● Árbitros: 
↳ Podem ser livramento escolhidos pelas partes. 
↳ Não há exigências legais para a escolha, apenas que eles sejam capazes. que 
tenham conhecimento específico na sua área de atuação e que também 
possua a confiança das partes. 
⇘ podem escolher de acordo com a especialidade técnica que seja mais útil 
para a solução mais útil do conflito. 
↳ Estão sujeitos ao impedimento e suspeição, portanto espera-se que declarem 
essa exceção na primeira oportunidade. 
⇘ Art. 14. Estão impedidos de funcionar como árbitros as pessoas que tenham, 
com as partes ou com o litígio que lhes for submetido, algumas das relações 
que caracterizam os casos de impedimento ou suspeição de juízes, 
aplicando-se-lhes, no que couber, os mesmos deveres e responsabilidades, 
conforme previsto no Código de Processo Civil. 
↳ Caso contrário, as partes podem alegar, também, na primeira oportunidade. 
⇘ Art. 20. A parte que pretender argüir questões relativas à competência, 
suspeição ou impedimento do árbitro ou dos árbitros, bem como nulidade, 
invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem, deverá fazê-lo na 
primeira oportunidade que tiver de se manifestar, após a instituição da 
arbitragem. 
 
1) Deveres dos Árbitros: 
↳ Devem ser imparciais, independentes, competentes, diligentes e 
dotados de discrição. 
↳ Todas essas condições são exigidas, pois ele atua como se fosse um 
JUIZ TOGADO. 
 
↳ As partes podem escolher mais de um árbitro, porém o número deve ser 
sempre ÍMPAR, para a decisão ser dada por maioria. 
 
↳ Com vários árbitros, eles devem nomear um presidente, e caso mais de um 
deles tenha interesse, o mais velho deverá ocupar o cargo. 
⇘ Art. 13. Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a confiança das 
partes. 
§ 4º Sendo nomeados vários árbitros, estes, por maioria, elegerão o presidente 
do tribunal arbitral. Não havendo consenso, será designado presidente o mais 
idoso. 
↳ Se houver o falecimento ou impedimento de um dos árbitro, será nomeado o 
seu substituto, ou se não houver essa previsão o processo poderá ser EXTINTO, 
já que não pode a decisão ser dada árbitros em número par, porém é MUITO 
RARO. 
⇘ Art. 16. Se o árbitro escusar-se antes da aceitação da nomeação, ou, após a 
aceitação, vier a falecer, tornar-se impossibilitado para o exercício da função, 
ou for recusado, assumirá seu lugar o substituto indicado no compromisso, se 
houver. 
↳ No exercício de sua função, o árbitro é comparado ao funcionário público, 
recebendo todas as sanções penais cabíveis, como por exemplo o peculato. 
⇘ Art. 17. Os árbitros, quando no exercício de suas funções ou em razão delas, 
ficam equiparados aos funcionários públicos, para os efeitos da legislação 
penal. 
↳ Mesmo que atue como um juiz, a decisão de um árbitro NÃO está sujeito a 
RECURSO OU HOMOLOGAÇÃO. 
⇘ Art. 18. O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir não fica 
sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. 
 
 
● Aspectos Procedimentais na Arbitragem: 
1) Início do Procedimento Arbitral: 
↳ O procedimento se inicia por iniciativa das partes por meio de 
cláusula compromissória ou por compromisso arbitral, de forma 
pessoal ou contratação de advogado. 
↳ É recomendado que seja feito por meio de advogado, porém não é 
obrigatório. 
↳ A comunicação da parte deve ser feita através de via postal (correio) 
ou outro meio diverso de comunicação para que, em dia e hora 
marcado, realiza o compromisso arbitral. 
↳ Caso haja recusa ou resistência ao compromisso essas condições de 
arbitragem serão fixadas pelo Poder Judiciário. 
↳ Em resumo: 
a) condições já definidas: o procedimento segue normalmente sem 
necessidade de ir ao judiciário. 
b) condições não definidas, partes não estão de acordo: é 
necessário ir ao judiciário para firmar o compromisso arbitral. 
 
2) Aceitação do Árbitro: 
↳ A arbitragem é instaurada, de fato, com a aceitação do árbitro 
indicado pelas partes. 
⇘ Art. 19. Considera-se instituída a arbitragem quando aceita a 
nomeação pelo árbitro, se for único, ou por todos, se forem vários. 
↳ Ele deverá indicar se possui ou não competência para solucionar o 
conflito. 
⇘ competência-competência: o árbitro possui competência para dizer 
se tem COMPETÊNCIA para solucionar o litígio. 
 
↳ Se o árbitro RECUSAR participar da arbitragem, o procedimento é 
EXTINTO, se outro profissional não puder substituí-lo. 
 
3) Conciliação das Partes: 
↳ Com a aceitação do árbitro, é dada a tentativa de conciliação entre as 
partes. 
⇘ Art. 21. A arbitragem obedecerá ao procedimento estabelecido pelas 
partes na convenção de arbitragem, que poderá reportar-se às regras 
de um órgão arbitral institucional ou entidade especializada, 
facultando-se, ainda, às partes delegar ao próprio árbitro, ou ao 
tribunal arbitral, regular o procedimento. 
↳ Sendo positiva, o árbitro irá proferir sentença homologatória das 
condições do acordo firmado consequentemente com a extinção do 
procedimento. 
↳ Não conseguindo a conciliação, o procedimento segue para a 
instrução, se necessário. 
 
4) Instrução Processual: 
↳ É admitida a produção de provas se for necessário. 
↳ Poderá ser feita a oitiva de testemunhas (depoimento pessoal), através 
de uma audiência de instrução, se não for feito um acordo entre as 
partes. 
↳ A instrução será definida no momento em que for fixada a arbitragem. 
pelas partes ou pelo próprio árbitro. 
↳ Também é admitido a produção de prova pericial, se o árbitro 
entender necessário. 
⇘ não há impedimento com relação a determinadas provas. 
↳ Se houver a ausência das partes E das testemunhas, serão impostos 
ônus à elas. 
a) ausência da AUTOR injustificada: procedimento poderá ser 
EXTINTO. 
b) ausência do RÉU injustificada: não há informação sobre revelia, 
devendo ser decidido sem oitiva da parte autora. 
c) ausência das testemunhas: árbitro irá requerer ao Poder 
Judiciário, por meio de carta arbitral, eventual medida coercitiva, 
já que não possui poder de polícia. 
⇘ medida coercitiva para que a testemunha compareça à 
audiência. 
⇘ Art. 22-C. O árbitro ou o tribunal arbitral poderá expedir carta 
arbitral para que o órgão jurisdicional nacional pratique ou 
determine o cumprimento, na área de sua competência 
territorial, de ato solicitado pelo árbitro. 
 
5) Necessidades de Medias Cautelares ou Antecipadas: 
↳ Com a arbitragem devidamente instruída e sendo necessário medidas 
cautelares ou antecipadas, a parte interessada deve requerê-las ao 
árbitro competente. 
↳ O árbitro irá analisar o pedido sempre verificando a urgência, 
necessidade e eventual prejuízo de direito das partes. 
↳ Em arbitragem não instruída a parte interessada deve requerer ao 
Poder Judiciário, atendendo a todos os requisitos necessários para a 
concessão. 
⇘ é necessário a presença de um advogado para pleitear a tutela 
provisória no Judiciário. 
 
⇘ Art. 22-A. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão 
recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida cautelar ou 
de urgência. 
Parágrafo único. Cessa a eficácia da medida cautelar ou de urgência se 
a parte interessada não requerer a instituição da arbitragem no prazo 
de 30 (trinta) dias, contado da data de efetivação da respectiva decisão. 
↳ Caso o Judiciário efetive a medica cautelar ou antecipada, a 
arbitragem deve ser instituída no prazo de 30 dias, sob pena de 
cessação de eficácia da medida deferida. 
↳ O cumprimento da medida cautelar/antecipada que foi efetivada pelo 
Judiciário, será requerido por meio de carta arbitral ao juiz competente.6) Sentença Arbitral: 
↳ Elementos: 
● relatório + fundamentação + dispositivo + data e lugar em que foi 
proferida + responsabilidades pelas despesas da arbitragem. 
 
⇘ Art. 26. São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: 
I - o relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio; 
II - os fundamentos da decisão, onde serão analisadas as questões de 
fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros 
julgaram por eqüidade; 
III - o dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes 
forem submetidas e estabelecerão o prazo para o cumprimento da 
decisão, se for o caso; e 
IV - a data e o lugar em que foi proferida. 
Parágrafo único. A sentença arbitral será assinada pelo árbitro ou por 
todos os árbitros. Caberá ao presidente do tribunal arbitral, na 
hipótese de um ou alguns dos árbitros não poder ou não querer assinar 
a sentença, certificar tal fato. 
↳ Pode ser proferida por um único árbitro ou vários deles (maioria). 
⇘ Art. 24. A decisão do árbitro ou dos árbitros será expressa em 
documento escrito. 
§ 1º Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por 
maioria. Se não houver acordo majoritário, prevalecerá o voto do 
presidente do tribunal arbitral. 
§ 2º O árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu 
voto em separado. 
↳ Será proferia no prazo máximo fixado pelas partes, caso não tenham 
acordado nada, será o prazo máximo da lei (6 MESES). 
⇘ Art. 23. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas 
partes. Nada tendo sido convencionado, o prazo para a apresentação 
da sentença é de seis meses, contado da instituição da arbitragem ou 
da substituição do árbitro. 
⇘ apesar da lei fixar o prazo de 6 meses, as partes podem estabelecer 
um prazo maior, mas é muito difícil. 
↳ A sentença arbitral dispensa homologação. 
↳ Assim que for proferida, as partes são intimadas e em regra recebem 
uma cópia da sentença. 
↳ Sentença de eficácia CONDENATÓRIA. 
↳ Vale como TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL. 
↳ A sentença arbitral NÃO ADMITE RECURSO, entretanto a parte que se 
sentir prejudicada pode solicitar no prazo de 5 DIAS a CORREÇÃO, por 
erro material ou para esclarecimento (embargos de declaração). 
 
⇘ Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da 
notificação ou da ciência pessoal da sentença arbitral, salvo se outro 
prazo for acordado entre as partes, a parte interessada, mediante 
comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal 
arbitral que: 
I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral; 
II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença 
arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia 
manifestar-se a decisão. 
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 
(dez) dias ou em prazo acordado com as partes, aditará a sentença 
arbitral e notificará as partes na forma do art. 29. 
↳ Com isso, o árbitro possui 10 DIAS para proferir nova decisão acerca do 
pedido de correção/esclarecimento. 
 
7) Nulidade da Sentença Arbitral: 
↳ A parte interessa pode ajuizar AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DA 
SENTENÇA ARBITRAL. 
↳ Essa ação deve ser ajuizada no Poder Judiciário. 
⇘ a ação é de CONHECIMENTO pelo RITO COMUM. 
↳ Deve contar com os motivos efetivos para declarar a nulidade, que 
estão elencados no art. 32, que é um rol taxativo. 
⇘ Art. 32. É nula a sentença arbitral se: 
I - for nulo o compromisso; 
II - emanou de quem não podia ser árbitro; 
III - não contiver os requisitos do art. 26 desta Lei; 
IV - for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem; 
VI - comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou 
corrupção passiva; 
VII - proferida fora do prazo, respeitado o disposto no art. 12, inciso III, 
desta Lei; e 
VIII - forem desrespeitados os princípios de que trata o art. 21, § 2º, desta 
Lei. 
↳ Deve-se ajuizar essa ação dentro do prazo de 90 DIAS (prazo 
DECADENCIAL), a partir do momento que as partes foram notificadas da 
sentença. 
⇘ Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder 
Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, 
nos casos previstos nesta Lei. 
§ 1o A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, 
parcial ou final, seguirá as regras do procedimento comum, previstas na 
Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), e deverá 
ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da 
notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do 
pedido de esclarecimentos. 
↳ O pedido pode ser arguido até a fase do cumprimento de sentença, 
desde que o prazo de 90 dias não tenha ultrapassado. 
↳ Se a nulidade for acolhida o juiz pode: 
a) declarar a nulidade da sentença arbitral; ou 
b) determinar a substituição da sentença. 
⇘ Art. 33. 
§ 2o A sentença que julgar procedente o pedido declarará a nulidade da 
sentença arbitral, nos casos do art. 32, e determinará, se for o caso, que 
o árbitro ou o tribunal profira nova sentença arbitral. 
 
↳ Como a sentença arbitral gera um título executivo a sua nulidade pode 
ser alegada em impugnação do cumprimento de sentença. 
⇘ Art. 33. 
§ 3o A decretação da nulidade da sentença arbitral também poderá ser 
requerida na impugnação ao cumprimento da sentença, nos termos dos 
arts. 525 e seguintes do Código de Processo Civil, se houver execução 
judicial.

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