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NÃO PODE FALTAR
BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO
Gabriele Wander Ruas de Lima
PRATICAR PARA APRENDER
Nesta seção, serão apresentadas as normas de boas práticas de fabricação de
medicamentos aplicadas à indústria farmacêutica, além das boas práticas de
manipulação de preparações magistrais e o�cinais para uso humano em farmácias
magistrais. Estas instruções regulatórias, que trazem as normas exigidas para a
fabricação e manipulação de medicamentos em território nacional, têm caráter
compulsório e são instrumentos de �scalização sanitária.
Conheceremos: os marcos históricos relevantes para a qualidade de
medicamentos; a estrutura básica de farmácias de manipulação e indústrias
farmacêuticas; a interface entre seus setores; e a documentação da qualidade,
incluindo o Manual da Qualidade e o Procedimento Operacional Padrão (POP).
O QUE SÃO AS BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO? 
As BPFs são normas aplicáveis às atividades relacionadas à produção e à manipulação de
medicamentos, com o objetivo de garantir qualidade e segurança. 
Fonte: Shutterstock.
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Para trabalharmos os temas discutidos nesta seção dentro de um contexto
pro�ssional, acompanharemos a rotina de um pro�ssional farmacêutico que atua
na prestação de serviços de consultoria para uma empresa especializada, voltada à
área farmacêutica.
Assim, imagine que você é o farmacêutico consultor. Sua empresa foi contratada
para auditar uma indústria farmacêutica com relação à conformidade das Boas
Práticas de Fabricação (BPF). Essas regras foram atualizadas recentemente pela
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da publicação da RDC nº
301/2019, adequando o Brasil ao Esquema de Cooperação em Inspeção
Farmacêutica (Pharmaceutical Inspection Co-operation Scheme – PIC/s). Como você
explicaria todo esse contexto para seu cliente, a �m de que fosse bem
compreendido, enfatizando a importância da adoção das BPFs, bem como o
re�exo das BPFs na rotina de uma indústria farmacêutica e o impacto do esquema
de cooperação – PIC – no mercado farmacêutico nacional?
Convidamos você a conhecer esse arcabouço regulatório e a aplicá-lo no seu dia a
dia como futuro farmacêutico.
CONCEITO-CHAVE
CONTEXTO HISTÓRICO E CONCEITO DAS BOAS PRÁTICAS DE
FABRICAÇÃO (BPF) E MANIPULAÇÃO (BPMF)
As boas práticas de fabricação são normas aplicáveis às atividades relacionadas à
produção e à manipulação de medicamentos, com o objetivo de garantir qualidade
e segurança. São elaboradas pelas agências regulatórias dos países; no Brasil, esse
papel é desempenhado pela Anvisa, que foi criada em 26 de janeiro de 1999, pela
publicação da Lei Federal nº 9.782/1999. 
O primeiro marco regulatório sanitário no contexto das boas práticas de fabricação
brasileira foi a Lei Federal n° 6.437, de agosto de 1977, que possibilitou a
publicação da Portaria nº 14, da secretaria de vigilância sanitária do Ministério da
Saúde, no dia 16 de outubro de 1981. Esta portaria estabeleceu um roteiro de
inspeção nas indústrias fabricantes de medicamentos, visando a avaliar o
atendimento às boas práticas de fabricação. Foi a primeira versão de BPF
brasileira. 
A Portaria nº 16, de 6 de março de 1995, determinou que os estabelecimentos
fabricantes de medicamentos seguissem as diretrizes estabelecidas pelo guia de
boas práticas de fabricação para a indústria farmacêutica, documento aprovado na
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28° Assembleia da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizada no ano de
1975.
Em 13 de julho de 2001, foi publicada a RDC nº 134, atualizando a regulamentação
anterior com base nas novas recomendações da OMS em relação à certi�cação de
qualidade de produtos farmacêuticos. O objetivo desta atualização regulatória foi
adequar o Brasil às normas para a exportação de medicamentos. Pela primeira
vez, os princípios e conceitos das atividades de validação foram devidamente
regulamentados neste setor.
Em 2003, tivemos uma nova atualização das normas de BPF por meio da
publicação da RDC nº 210, de 4 de agosto de 2003, que instituía a norma de
autoinspeção como principal ponto de atualização neste documento jurídico.
Também foi incluído um capítulo especí�co referente à produção de
medicamentos estéreis, seguindo as orientações da OMS quanto ao sistema de
classi�cação da qualidade do ar.
A publicação da RDC nº 17, de 16 de abril de 2010, altera alguns pontos críticos da
regulamentação anterior, a começar pela sua abrangência, que agora institui o
âmbito do Mercado Comum do Sul (Mercosul). Três novos assuntos foram
abordados na RDC nº 17/2010, sendo eles: água para uso farmacêutico, sistemas
de informação computadorizados e boas práticas de fabricação de medicamentos
�toterápicos. Há também um detalhamento a respeito da autoinspeção, incluindo:
frequência e áreas inspecionadas; equipamentos utilizados na produção;
quali�cação de fornecedores; validação de limpeza de equipamentos; e aumento
da criticidade dos parâmetros para validação do sistema de puri�cação de água,
especialmente a água para injetáveis.
Nos Estados Unidos, as normas de BPF são publicadas pelo Food and Drug Administration
(FDA). Os documentos jurídicos publicados por essa agência também são de caráter
compulsório aos fabricantes de medicamentos, assim como no Brasil. Na Europa, as regras
e normas sanitárias são ditadas pela European Medicine Agency (EMEA) e têm o mesmo
caráter normativo e compulsório.
Outro órgão internacional que merece atenção no âmbito das boas práticas de
fabricação é a Pharmaceutical Inspection Co-operation Scheme (PIC/s). Fundada
em 1970, tem o objetivo de harmonizar os assuntos referentes aos sistemas de
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inspeção de boas práticas de fabricação. A última RDC publicada pela Anvisa, RDC
nº 301/2019, adota justamente as boas práticas de fabricação harmonizadas por
essa organização internacional.
No cenário americano, as normas de BPF surgiram num período histórico anterior
ao brasileiro. O primeiro marco regulatório nos Estados Unidos foi em 30 de junho
de 1906, com a publicação do Food and Drug Act, que tratava da proibição de
adulteração de alimentos, bebidas e medicamentos comercializados nos Estados
Unidos. Em 1938, foi implementada a Federal Food, Drug and Cosmetic, com uma
atuação mais abrangente: este documento jurídico incluía o controle de
cosméticos, fármacos, equipamentos e inspeções em indústrias. Além disso, tinha
o objetivo de garantir a segurança dos produtos comercializados nos Estados
Unidos. Essa atualização se deu por conta de um evento trágico, ocorrido em 1937,
quando 107 pessoas morreram, a maioria crianças, devido à administração de um
medicamento contendo um componente tóxico. Tratava-se de um elixir de
sulfanilamida contaminado por dietilenoglicol. Na década de 1960, precisamente
em 1962, outro evento trágico também impulsionou o novo marco regulatório. Na
Europa, foram registrados centenas de casos de bebês com focomelia, uma
anomalia congênita caracterizada pelo encurtamento dos membros superiores,
associada ao consumo de talidomida por gestantes. Por isso, houve a publicação
de um novo documento que exigia a avaliação de e�cácia de medicamentos,
originando a primeira versão das normas de boas práticas de fabricação. Nesta
época, a publicação The United States Pharmacopeia - National formulary foi
instituída como compêndio o�cial para as indústrias farmacêuticas. Assim, a
Farmacopeia Americana (United States Pharmacopea – USP) passa a de�nir os
padrões de qualidade para os medicamentos e insumos farmacêuticos. No Brasil,
ligada à Anvisa, existe a Farmacopeia Brasileira, de�nida como o código o�cial
farmacêutico do país, que estabelece os requisitos mínimos de qualidade para os
insumos farmacêuticos ativos, insumos farmacêuticos inertes, drogas vegetais,
medicamentos e correlatos. 
No setor magistral temos a publicação das primeiras normas de boaspráticas de
manipulação em farmácia pela RDC nº 33, de 19 de abril de 2000, e sua atualização,
de 8 de janeiro de 2001, que aprovou o regulamento técnico de boas práticas de
manipulação em farmácia. Em 2006, uma nova exigência regulatória foi publicada
na RDC nº 214, de 12 de dezembro de 2006, abordando exigências com relação à
qualidade, e�cácia e segurança dos produtos magistrais. Uma nova publicação foi
feita em 2007, a RDC nº 67, de 8 de outubro de 2007, que aborda, principalmente,
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o controle de qualidade das matérias-primas utilizadas para a manipulação de
produtos magistrais e o�cinais. Questões adicionais a este tema foram
regulamentadas por uma atualização da norma RDC nº 87, de 21 de novembro de
2008.
DEFINIÇÕES E ATIVIDADES DOS SETORES NA INDÚSTRIA
FARMACÊUTICA E FARMÁCIA DE MANIPULAÇÃO
Muitas são as de�nições de qualidade disponíveis na literatura, uma das mais
aceitas no setor farmacêutico é a de Juran e Godfrey (1998 apud PINTO et al.,
2015), que de�ne a qualidade de um produto como sua adequação ao uso, ou seja,
são características que o usuário reconhece como bené�cas. Em termos técnicos,
damos o nome de especi�cações a este conjunto de características de qualidade
de um material. Tratando-se de medicamentos, essas características seriam a
e�cácia e a segurança (PINTO et al., 2015).
Para assegurar a qualidade de um medicamento, diversas etapas devem ser
atendidas. A primeira delas, sem dúvida, é o atendimento às normas das boas
práticas de fabricação. Para se adequar a estas normas, todos os colaboradores de
uma empresa devem estar conscientes de seu papel e desempenhar suas tarefas
de acordo com os procedimentos estabelecidos.
DEFINIÇÕES E ATIVIDADES DOS SETORES NA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA E
FARMÁCIA DE MANIPULAÇÃO
Alguns setores dentro das empresas têm uma relação mais íntima com a
qualidade, estando diretamente relacionados a ela, como é o caso do controle de
qualidade e da garantia da qualidade. Dentro da indústria farmacêutica, é comum
a subdivisão dos laboratórios de controle de qualidade de acordo com o tipo de
análise executada, por exemplo: laboratório de controle de qualidade
microbiológico, laboratório de controle de qualidade físico-químico, laboratório de
controle de embalagem. No ambiente magistral, essa subdivisão não é frequente,
existindo apenas um laboratório de controle de qualidade.
Para compreender as interfaces entre o controle de qualidade e demais setores,
conheceremos um pouco das atividades dos setores da indústria farmacêutica
(Figura 1.2). A mesma estrutura é aplicada às farmácias de manipulação, porém,
em menor escala. Os insumos são adquiridos de fornecedores quali�cados e têm a
sua qualidade assegurada por testes realizados pelo departamento de controle de
qualidade. Em seguida, são armazenados no almoxarifado ou depósito,
aguardando a emissão da ordem de produção. Quando este documento é emitido,
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inicia-se a produção de um medicamento, tendo como primeira etapa a separação
dos insumos necessários. Cada medicamento envolve um conjunto de operações
farmacêuticas pertinentes. Ao longo do processo produtivo, diversas análises de
controle de qualidade são executadas. Ao �nal do processo, com o medicamento já
acondicionado na sua embalagem primária original, são realizadas mais análises
de qualidade para liberação do lote ao mercado consumidor.
Figura 1.2 | Fluxograma simpli�cado de produção de medicamentos
Fonte: elaborada pelo autor.
Neste contexto, temos algumas interfaces possíveis entre o setor de controle de
qualidade e os demais, dentro de uma indústria farmacêutica:
Controle de qualidade e compras – discutir com os colegas os motivos de
determinadas especi�cações; participar do processo de quali�cação de
fornecedores, analisar amostras de insumos dos fornecedores.
Controle de qualidade e almoxarifado – assegurar a estocagem adequada de
matérias-primas e produtos acabados; analisar os insumos adquiridos.
Controle de qualidade e desenvolvimento de novos produtos – participar dos
estudos de estabilidade de novos produtos; quali�car fornecedores alternativos
de matérias-primas; desenvolver métodos de análise para os produtos
inovadores; veri�car impacto de mudanças de fornecedores e de processos na
qualidade do medicamento.
Controle de qualidade e produção – veri�car o atendimento aos procedimentos
relacionados à produção de medicamento; veri�car as condições da sala de
produção; realizar análises de controle de operador; avaliar a qualidade do
produto semiacabado e acabado.
O setor de controle de qualidade é responsável pelo desenvolvimento e validação
de metodologias analíticas, além da execução de análises físico-químicas e
microbiológicas em materiais de embalagem, matérias-primas, produtos em
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processo, semiacabado e acabado. É também o setor responsável por autorizar ou
rejeitar o uso de cada lote de insumo recebido, bem como revisar registros de
produção para assegurar que não foram cometidos enganos, acompanhar o
processo de produção para certi�car-se de que os procedimentos de produção
estão sendo seguidos, avaliar as condições ambientais da área produtiva,
investigar causas de desvios da qualidade e adotar ações corretivas, participar de
estudos de validação de processos e emitir certi�cados analíticos das análises
realizadas.
GARANTIA E GESTÃO DA QUALIDADE
O setor de garantia da qualidade atua como um gestor da qualidade, dando um
tratamento gerencial a este tema; é um dos setores mais importantes da indústria
farmacêutica. Trata-se de um setor que conhece todos os processos envolvidos na
produção do medicamento e deve ser capaz de integrá-los, garantindo que ações
independentes de cada setor colaborem para a qualidade do produto, e
explicitando que a veri�cação da conformidade das especi�cações não é somente
uma exigência regulatória, e sim um requisito necessário para a garantia da
qualidade, segurança e e�cácia do produto. O controle de qualidade deve:
quali�car fornecedores de insumos; realizar autoinspeções e auditorias de
qualidade; participar de processos de validação e quali�cação; investigar desvios
da qualidade e adotar medidas preventivas e corretivas em conjunto com os
setores envolvidos; gerenciar os procedimentos operacionais padrão (POP);
realizar treinamento em boas práticas de fabricação com os colaboradores; revisar
a documentação de lotes de medicamentos produzidos.
VALIDAÇÃO DA QUALIDADE
As atividades de validação visam a assegurar a produção de lotes uniformes,
atendendo às especi�cações preestabelecidas. Os estudos de validação são
essenciais para a adequação às boas práticas de fabricação, e seu conceito surgiu
associado à implementação dessas normas, como um elemento da garantia da
qualidade de um produto, ou a um processo especí�co. A legislação vigente
estabelece que validação e quali�cação são componentes obrigatórios e essenciais
às boas práticas de fabricação. A quali�cação é, geralmente, utilizada para
equipamentos e sistemas, enquanto a validação é aplicada a processos. Dessa
forma, a quali�cação é incluída no processo de validação e pode ser dividida em
quatro etapas diferentes: quali�cação de projeto, quali�cação de instalação,
quali�cação de operação e quali�cação de desempenho. Ou seja, a quali�cação é
um conjunto de operações realizadas para assegurar que as instalações, sistemas
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e equipamentos estejam funcionando adequadamente, conduzindo aos resultados
esperados. Já a validação é classi�cada em três tipos: validação prospectiva,
validação concorrente (também chamada de simultânea) e validação retrospectiva.
A validação prospectiva é realizada durante o estágio de desenvolvimento de um
novo produto. A validação concorrente é realizada durante a produção de rotina
de um medicamento. Por último, a validação retrospectiva é baseada na revisão e
análise dos registros de umsistema, processo ou equipamento, atestando que ele
desempenha sua função dentro do esperado e atende às especi�cações
estabelecidas.
DOCUMENTAÇÃO DA QUALIDADE
O principal documento da qualidade é o Manual da Qualidade, que descreve o
sistema da qualidade de uma empresa. Engloba instalações, procedimentos,
processos, recursos e ações relacionadas à política de qualidade institucional da
empresa (EUROPEAN MEDICINES AGENCY, 2015). O Procedimento Operacional
Padrão (POP) é indispensável ao treinamento e pode servir como uma ferramenta
de avaliação de desempenho dos colaboradores, além de ser uma exigência das
boas práticas de fabricação.
EXEMPLIFICANDO
Uma das ferramentas de gestão da qualidade farmacêutica é o sistema de
ação corretiva e ação preventiva (CAPA). É um processo que compreende o
uso de diversas ferramentas de gestão da qualidade e gerenciamento de
risco, buscando a identi�cação, avaliação e investigação de causa raiz para
desvios da qualidade ocorridos no passado. Um plano de ação é elaborado
e executado, as ações corretivas são veri�cadas em termos de efetividade,
evitando, assim, a reincidência destes desvios e não conformidades em
eventos futuros (BRASIL, 2019).
De acordo com a RDC nº 67/2007, o Manual da Qualidade é de�nido como a
descrição pormenorizada de técnicas e operações a serem utilizadas na farmácia,
visando a proteger e garantir a preservação da qualidade das preparações
manipuladas e a segurança dos manipuladores (BRASIL, 2007).
Este documento descreve detalhadamente uma determinada tarefa com o intuito
de padronizar sua execução. Tanto no setor industrial farmacêutico como no setor
magistral, é imprescindível a adoção de procedimentos operacionais padrão para
minimizar contaminações cruzadas, contaminações físico-químicas ou
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microbiológicas, além de outros desvios da qualidade, erros e não conformidades.
Esses documentos devem trazer uma linguagem uniforme, clara e que possibilite o
entendimento por todos os colaboradores. Periodicamente, devem passar por
uma revisão e atualização. As cópias ou o acesso a essa documentação de maneira
virtual é gerenciada pelo setor de garantia da qualidade, ou seja, não são todos os
funcionários de uma empresa que têm acesso a todos os procedimentos
operacionais padrão vigentes.
Para elaborar um procedimento operacional padrão, é necessário, primeiramente,
estabelecer um objetivo. Em seguida, devem-se listar todos os passos necessários
para a execução dessa tarefa, obedecendo a uma sequência lógica. Em geral, o
cabeçalho do POP traz a identi�cação da instituição e do documento, o título do
procedimento, o seu código interno da empresa e a identi�cação dos
colaboradores responsáveis pela elaboração, conferência e provação, bem como
as respectivas datas. Informações com relação à revisão e substituição de versões
também são frequentes. No corpo do POP, descrevemos o objetivo do documento,
as possíveis referências normativas, a abrangência, a responsabilidade e a
descrição do procedimento em si. É comum trazer o histórico das revisões,
identi�cando quais são as alterações feitas em cada uma das revisões editadas,
além de anexos, caso sejam necessários.
DESTAQUES DO ARCABOUÇO REGULATÓRIO NACIONAL
As BPF são divididas de acordo com a área ou o setor de aplicação. Para o setor
magistral, é utilizada a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 67, de 8 de
outubro de 2007, e sua atualização, RDC nº 87, de 21 de novembro de 2008,
publicadas pela Anvisa. No setor industrial farmacêutico, é utilizada a RDC nº 301,
de 21 de agosto de 2019. É imprescindível a adequação da empresa a essas
normas mínimas exigidas, cabe ressaltar que atitudes e medidas além das exigidas
nesses documentos jurídicos podem ser adotadas pelas empresas, já o inverso não
é permitido. Ou seja, não é permitido e não é possível adotar atitudes ou medidas
menos criteriosas do que aquelas descritas nas boas práticas de fabricação.
Iniciaremos nossa discussão com as boas práticas do setor magistral, RDC nº
67/2007, e sua atualização, RDC nº 87, de 21 de novembro de 2008. Este
regulamento técnico institui as boas práticas de manipulação de preparações
magistrais e o�cinais para uso humano em farmácias, ou seja, institui as Boas
Práticas de Manipulação em Farmácia (BPMF). O regulamento aborda os requisitos
mínimos necessários às instalações e equipamentos das farmácias, recursos
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humanos, aquisição, armazenamento e controle de qualidade da matéria-prima,
avaliação farmacêutica da prescrição, manipulação, fracionamento, conservação,
transporte, dispensação das preparações e atenção farmacêutica aos pacientes.
REFLITA
Para a manipulação dos fármacos de baixo índice terapêutico, é necessário
atender aos requisitos técnicos especí�cos deste grupo de medicamentos,
que incluem a entrega de bula simpli�cada ao paciente no momento da
dispensação do medicamento, mediante atenção farmacêutica, conforme
estabelece o Anexo VIII da RDC nº 67/2007 (BRASIL, 2007). Consulte a lista
de fármacos de baixo índice terapêutico e a bula de dispensação
obrigatória na RDC citada.
Para cada área de manipulação ou tipo de substâncias manipuladas pela farmácia,
temos a classi�cação em um grupo diferente. Cada grupo recebe uma numeração
e segue um conjunto de regras especí�cas descritas em anexos da RDC nº 67/2007
(Quadro 1.2). No caso de um medicamento se enquadrar em mais de um grupo de
atividade, devem ser seguidos todos os anexos envolvidos.
Quadro 1.2 | Classi�cação de acordo com a atividade desempenhada pela farmácia
GRUPO NATUREZA DA MANIPULAÇÃO
1 Medicamentos a partir de insumos, inclusive de origem vegetal.
2 Fármacos de baixo índice terapêutico.
3 Antibióticos, hormônios, citostáticos e substâncias sujeitas a controle
especial.
4 Produtos estéreis.
5 Medicamentos homeopáticos.
6 Doses unitárias e unitarização de dose de medicamentos em serviços
de saúde.
Fonte: adaptada de Brasil (2007).
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A avaliação da prescrição é uma atividade privativa do farmacêutico e
consiste numa etapa chave para o aviamento da receita. Informações
imprescindíveis para esta tarefa são listadas no checklist a seguir.
Checklist para a avaliação farmacêutica da prescrição:
Legibilidade e ausência de rasuras;
Identi�cação da instituição ou do pro�ssional prescritor, incluindo o
número de registro no conselho pro�ssional, endereço do consultório
ou da instituição a que pertence;
Identi�cação do paciente, endereço da residência ou localização do leito
hospitalar para farmácias hospitalares;
Identi�cação do fármaco segundo a Denominação Comum Brasileira
(DCB) ou Denominação Comum Internacional (DCI);
Dosagem;
Forma farmacêutica;
Quantidade necessária ao tratamento;
Posologia ou indicação de utilização;
Duração do tratamento;
Local e data de emissão da receita;
Assinatura e identi�cação do prescritor.
Quando encontrada qualquer inconsistência nas informações veri�cadas, é
necessária a con�rmação expressa do pro�ssional prescritor. Na ausência
desta con�rmação ou negativa, a farmácia não deve dispensar o
medicamento. Não é permitido aviar fórmulas magistrais codi�cadas,
contendo símbolos ou nome fantasia do medicamento.
Logo no recebimento da receita, o farmacêutico avalia esta prescrição quanto ao
atendimento a requisitos técnicos, clínicos e logísticos. Quando os parâmetros
avaliados na prescrição estão de acordo com as normas exigidas, é emitida uma
ordem de manipulação. Este documento indica quais são as matérias-primas
necessárias para atender a esta prescrição, bem como as quantidades e números
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de lotes das matérias-primas. No caso de cápsulas, a cor e o tamanho das cápsulas
também são descritos neste documento. A ordem de manipulação acompanha o
medicamento até a sua dispensação (Figura 1.3).
Figura 1.3 | Fluxograma operacional de uma farmácia de manipulaçãoFonte: adaptada de Aguiar et al. (2018, p. 3).
Diversos requisitos com relação à infraestrutura são exigidos nas farmácias, por
exemplo: cantos arredondados entre o piso e as paredes, cabine ou sistema de
exaustão de ar para manipulação de pós, ralos sifonados, ausência de janelas,
salas para a manipulação das diversas formas farmacêuticas (laboratórios de
sólidos, líquidos e semissólidos), controle de temperatura e umidade, além de
copa, vestiário e área administrativa separados �sicamente da área de
manipulação. Requisitos especí�cos para antibióticos, hormônios e citostáticos
também são exigidos, assim como para a manipulação de medicamentos estéreis,
alguns desses requisitos são cabines com pressão positiva, �ltros de alta e�ciência
e salas limpas.
Para a rotulagem dos produtos manipulados, as seguintes informações são
obrigatórias: nome do prescritor, nome do paciente, número de registro da
formulação no livro de receituário da farmácia, data da manipulação, prazo de
validade, composição da formulação, quantidade de unidades, peso ou volume do
medicamento, posologia, identi�cação da farmácia (CNPJ e endereço) e
identi�cação do farmacêutico responsável, com o número de inscrição no
Conselho Regional de Farmácia (CRF).
Para garantir a qualidade dos medicamentos manipulados, é necessária a implantação de
um sistema de garantia da qualidade. Assim, algumas análises de controle de qualidade
são minimamente exigidas dos produtos manipulados, sendo divididas de acordo com a
forma farmacêutica. No caso de formas farmacêuticas sólidas, é necessária a descrição,
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aspecto, características organolépticas e peso médio. Para as formas farmacêuticas
semissólidas são necessários os ensaios de descrição, aspecto, características
organolépticas, pH e peso. Já as formas farmacêuticas líquidas não estéreis são avaliadas
quanto à descrição, aspecto, características organolépticas, pH e volume antes do envase.
A RDC nº 301/2019 dispõe sobre as boas práticas de fabricação de medicamentos
na indústria farmacêutica. Essa atualização da resolução segue as diretrizes globais
do esquema de cooperação em inspeção farmacêutica (Pharmaceutical Inspection
Co-operation Scheme - PIC/s), trazendo os requisitos mínimos obrigatórios para a
fabricação de medicamentos. Esse esquema de cooperação trata-se de um esforço
de 47 países para a uniformização e a normatização de boas práticas de fabricação
de medicamentos.
ASSIMILE
Os estudos de validação são essenciais para a adequação às boas práticas
de fabricação. Figuram como elemento da garantia da qualidade,
assegurando a produção de lotes de medicamentos uniformes e em
conformidade com as especi�cações. Sendo assim, validação é de�nida
como:
Este documento jurídico é segmentado em capítulos, abordando os seguintes
temas: sistema de gestão; sistema da qualidade farmacêutica; pessoal; instalações
e equipamentos; documentação; produção; controle de qualidade; atividades
terceirizadas; reclamações e recolhimento de produto; e autoinspeção. 
Nesta seção, conseguimos compreender a importância do contexto normativo que
regulamenta a produção de medicamentos em nosso país e para o Mercosul, no
contexto das BPF. Aprofunde esses conhecimentos a partir de todos os materiais
disponibilizados e dedique-se ao autoestudo.
FAÇA A VALER A PENA
[...] ação de provar, de acordo com os princípios das Boas Práticas de Fabricação, que qualquer
procedimento, processo, equipamento, material, atividade ou sistema realmente leva aos resultados
esperados. (BRASIL, 2019, [s.p])
— 
“
Questão 1
A RDC nº 301/2019 apresenta o seguinte conceito: “ação de provar, de acordo com
os princípios das Boas Práticas de Fabricação, que qualquer procedimento,
processo, equipamento, material, atividade ou sistema realmente leva aos
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resultados esperados” (BRASIL, 2019, [s.p.]).
A de�nição descrita no enunciado refere-se a qual conceito?
a. Validação.
b. Controle de qualidade.
c. Produção de medicamentos.
d. Manual da qualidade.
Procedimento Operacional Padrão. 
 Tente novamente...
Questão 2
Com relação às atividades desempenhadas pelos diferentes setores de uma
indústria farmacêutica, correlacione a coluna dos setores com a coluna contendo a
descrição das atividades.
Coluna - A Coluna - B
1. Compras I. Realiza as operações farmacotécnicas necessárias à
fabricação de medicamentos.
2. Almoxarifado II. Realiza ensaios de qualidade para veri�car o
atendimento às especi�cações preestabelecidas.
3. Pesquisa &
Desenvolvimento
III. Responsável pela aquisição de insumos para a
fabricação de medicamentos.
4. Produção IV. Armazena adequadamente os insumos recebidos.
5. Controle de
qualidade
V. Responsável pelo desenvolvimento de novos
produtos.
Assinale a alternativa que apresenta a associação correta entre as colunas.
a. 1 – II; 2 – III; 3 – IV; 4 – V; 5 – I.
b. 1 – IV; 2 – V; 3 – I; 4 – II; 5 – III.
c. 1– III; 2 – IV; 3 – V; 4 – I; 5 – II. 
d. 1 – V; 2 – I; 3 – II; 4 – III; 5 – IV.
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REFERÊNCIAS
AGUIAR, K. S.; SANTOS, J. M.; CAMBRUSSI, M. C.; PICOLOTTO, S.; CARNEIRO, M. B.
Segurança do paciente e o valor da intervenção farmacêutica em um hospital
oncológico. einstein, São Paulo – SP, v. 16, n. 1, p. 1-7, 2018. Disponível em:
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Questão 3
A RDC nº 67/2007 dispõe sobre as boas práticas de manipulação em farmácia,
trazendo informações relevantes sobre as atividades que podem ser
desempenhadas nesses estabelecimentos farmacêuticos. Analise as a�rmativas
listadas abaixo, classi�cando-as como permitas e não permitidas, com base na
referida regulamentação.
I. Avaliação farmacêutica da prescrição como exigência das farmácias.
II. Manutenção de estoque mínimo de bases galênicas.
III. Manipulação de medicamentos a partir de receitas codi�cadas.
IV. Preparo de medicamentos de uso humano e animal no mesmo laboratório.
V. Exposição de produtos cosméticos manipulados para venda direta ao
consumidor.
Considerando as informações e a análise das a�rmativas, é permitido o que se
a�rma em:
a. I, apenas.
b. III, apenas.
c. I e II, apenas.
d. I, III e IV, apenas.
e. II, III e IV, apenas. 
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