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SOCIEDADE EDUCACIONAL LEONARDO DA VINCI - UNIASSELVI CURSO SUPERIOR DE FARMÁCIA RELATÓRIO PARCIAL ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM FARMÁCIA III Felipe Junio Alves Ferancini Cataguases MG – abril de 2025 SOCIEDADE EDUCACIONAL LEONARDO DA VINCI - UNIASSELVI CURSO SUPERIOR DE FARMÁCIA Felipe Junio Alves Ferancini Drogaria da Vila Giovanna Lêdo da Silva Relatório Parcial de Estágio Curricular Supervisionado, apresentado a Uniasselvi-MG, como requisito para obtenção de créditos para a disciplina de Estágio Supervisionado em Farmácia III. Cataguases MG – abril de 2025 DADOS DO ESTÁGIÁRIO Aluno: Felipe Junio Alves Ferancini Data de nascimento: 26/11/1996 Conclusão do curso: 2025.2 Rua: Antero Ribeiro Fone: (32) 9 99484055 Curso: Bacharelado em Farmácia Endereço: R. Cel. João Duarte Bairro: Centro Cidade: Cataguases - MG CEP: 36770-032 Fone: (32) 99850-3816 Dados Do Estágio Razão Social: Drogaria Guido Marliere LTDA Endereço: Rua Ten Luiz Ribeiro Bairro: Vila Domingos Lopes Cidade: Cataguases Data de fundação:28/09/1981 Natureza: Sociedade Empresária Limitada Área de atuação da empresa Período do estágio: 07/04/2025 a 13/05/2025 Representante legal da empresa: Carlos Alberto Silva Barbosa SUMÁRIO Sumário 1.Introdução 5 2.Objetivos 6 2.2 Objetivo geral 6 2.3 Objetivo especifico .6 3.Desenvolvimento............................................................................................7 3.1 A estrutura da farmacia.......................................................................7 3.2 Gestão de estoque de medicamento..................................................7 3.3 Dispensação de medicamento............................................................8 3.3.1 Dispensação de medicamento controlado.......................................9 3.3.2 Aplicação do SNGPC no campo de estágio...................................10 3.3.3 Dispensação de medicamentos isentos de prescrição (MIPs).......11 3.4 GESTÃO FARMACÊUTICA...........................................................................11 3.4.1 Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS)...........................................................................................................11 3.4.2 Processo de Regularização Sanitária (Alvará sanitário e Autorização de Funcionamento – AFE) .................................................................................13 3.4.3 Manual de Boas Práticas Farmacêutica – RDC 44/2009...................14 3.4.4 Procedimentos Operacionais Padrão (POP`s) ................................15 3.4.5 Responsabilidade Técnica e Certidão de Regularidade do Conselho Regional em Farmácia.........................................................................,............15 3.5 Atenção Farmacêutica................................................................................16 4 Conclusão.....................................................................................................16 5. Referências....................................................................................................17 1. INTRODUÇÃO O estágio supervisionado é uma etapa fundamental na formação do profissional farmacêutico, pois permite a aplicação prática dos conhecimentos teóricos adquiridos ao longo do curso. Por meio do contato direto com a rotina profissional, o estudante desenvolve habilidades técnicas, éticas e interpessoais indispensáveis ao exercício da profissão, conforme as diretrizes da Resolução nº 6/2009 do Conselho Nacional de Educação. (CAD 2022) A principal função do farmacêutico é oferecer a atenção farmacêutica, que envolve cuidados voltados ao uso de medicamentos, com o objetivo de alcançar resultados concretos que contribuam para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. A farmácia passou a ser reconhecida como um Estabelecimento de Saúde, deixando de ser considerada apenas um ponto de venda comercial. Com isso, passou a ter a responsabilidade de oferecer serviços de saúde, conforme previsto. Antes da vigência da Lei nº 13.021/2014, a legislação anterior, representada pela Lei nº 5.991/1973, definia farmácias e drogarias apenas como locais destinados à dispensação e comercialização de medicamentos e substâncias, sem prever a prestação de serviços farmacêuticos. A partir da nova lei, a farmácia é caracterizada como “uma unidade de prestação de serviços voltada à assistência farmacêutica, à atenção à saúde e à orientação sanitária, tanto individual quanto coletiva”. Dessa forma, assume um papel essencial na promoção do uso racional de medicamentos. (Jus Brasil 2015) Este relatório tem como objetivo descrever as atividades realizadas durante o estágio supervisionado em Farmácia, desenvolvido na instituição Drogaria da Vila, no período de 07 de abril 2025 a 13 de abril de 2025. Durante esse período, foram observados e executados procedimentos relacionados à farmácia, como dispensação de medicamentos, atenção farmacêutica, controle de estoque, entre outros, sempre sob a supervisão de um profissional habilitado. Durante o estágio fui supervisionado pelo Dr. Farmacêutico Carlos Alberto, responsável técnico e proprietário da Drogaria. Com o objetivo de possibilitar ao acadêmico a associação entre os conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula e a prática desempenhada pelo profissional farmacêutico, destaca-se a relevância do estágio supervisionado em farmácias comerciais para a formação do futuro farmacêutico. Essa vivência permite ao estudante obter uma experiência prática por meio da observação da rotina da farmácia e das atividades desenvolvidas pelo farmacêutico, analisando sua conduta ética e profissional. O presente documento visa, portanto, relatar as experiências adquiridas, refletir sobre os desafios encontrados e demonstrar a importância do estágio para a consolidação da formação acadêmica e futura atuação profissional do farmacêutico. 2. OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL O objetivo deste relatório é descrever as práticas e procedimentos vivenciados durante o Estágio Supervisionado em Farmácia, com foco na atuação do profissional farmacêutico em farmácias comerciais. O trabalho aborda atividades como a orientação aos pacientes, a dispensação de medicamentos e a realização de tarefas administrativas relacionadas às responsabilidades técnicas do farmacêutico, além de destacar a importância do uso racional de medicamentos e o cumprimento das exigências legais e regulatórias no ambiente farmacêutico. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Observar e compreender a rotina de funcionamento da farmácia, incluindo aspectos técnicos e administrativos. • Acompanhar as atividades do farmacêutico na dispensação e orientação aos pacientes. • Garantir conformidade legal das prescrições médicas na farmácia. • Promover o uso racional de medicamentos entre os pacientes. • Reconhecer a importância do farmacêutico na promoção do uso seguro e racional de medicamentos. 3. DESENVOLVIMENTO 3.1 A ESTRUTURA DA FARMÁCIA Fundada no dia 02 de setembro de 1991, a Drogaria da vila trata-se de um estabelecimento tradicional localizada em um bairro próximo ao centro da cidade. Possui uma estrutura simples e layout básico, que atende principalmente à comunidade local ao longo desses 34 anos de serviço. A empresa funciona de segunda a sábado abrindo suas portas as 8:00 e as fechando as 19:00. A equipe é composta por apenas dois colaboradores: o proprietário que também é o farmacêutico responsável, e um balconista. Grande parte do layout da drogaria é destinado ao espaço de vendas onde podemos encontrar produtos de perfumaria. A drogaria conta com uma pequena sala que funciona como escritório onde o farmacêutico responsável faz compras, lançamentos, entradas e opera administrativo da empresa. Os medicamentos como de costume são expostos em uma prateleira atras do balcão, com exceção dos medicamentos controlados e antibióticos que apesar de também estarem atras do balcão são guardados e trancados em um armário transparente o qual apenaso farmacêutico responsável tem a chave. A drogaria é equipada com uma geladeira destinada a medicamentos termolábeis como insulinas a fim de preservar a estabilidade desses produtos. A drogaria não oferece serviços como aferição de pressão e aplicação de injetáveis por não possuir uma sala específica para serviços farmacêuticos. 3.2 GESTÃO DE ESTOQUE DE MEDICAMENTOS Todos os dias são entregues mercadorias na drogaria que são recebidas pelo farmacêutico. Durante o recebimento da mercadoria é de extrema importância que seja conferido o material recebido em comparação ao descrito na nota fiscal. O farmacêutico deve se atentar aos lotes, validades, apresentações farmacêuticas e a integridade das embalagens verificando se há danos aos produtos. Após a conferência de toda mercadoria os produtos são levados a sala do farmacêutico para serem incluídos ao inventario da farmácia e guardados nos seus devidos lugares: • Medicamentos termolábeis: são guardados na geladeira • Medicamentos controlados e antibióticos: são guardados no armário de controlados • Medicamentos isentos de prescrição: são colocados na prateleira em frete ao balcão • Medicamento de indicação medica: são guardados na prateleira atras ao balcão • Perfumaria: são expostos na área de venda em frente ao balcão 3.3 DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS A dispensação é a mais importante função executada pelo farmacêutico, por meio dela é que o paciente terá acesso ao medicamento e receberá o seu tratamento. Por isso é preciso que o dispensador (seja ele o farmacêutico ou balconista) dedique toda sua atenção a atividade para garantir que o paciente tenha o devido tratamento. Durante a dispensação deve se fazer uma rigorosa avaliação de alguns aspectos, são eles: • Legibilidade da prescrição; • Identificação completa do paciente e do prescritor (nome, CRM, endereço, telefone); • Data de emissão da receita e validade; • Verificação da posologia, forma farmacêutica, via de administração e duração do tratamento. A dispensação deve ser feita de forma orientada, com a entrega correta do medicamento acompanhado das devidas informações ao paciente, como forma de uso, horários para auxiliar o paciente no tratamento. É importante que todas as informações do paciente sejam coletadas. O estágio também permitiu a aplicação prática dos conhecimentos relacionados à legislação sanitária e farmacêutica, fundamentais para o exercício da profissão. Dentre as principais normas observadas durante as atividades na farmácia comercial, destacam-se: • Lei nº 5.991/1973, que estabelece as diretrizes para o controle sanitário do comércio de medicamentos, drogas e insumos farmacêuticos no Brasil; • RDC nº 44/2009, que dispõe sobre as Boas Práticas Farmacêuticas, regulamentando o funcionamento das farmácias e a prestação de serviços farmacêuticos à população; • Portaria SVS/MS nº 344/1998, que regula o controle e a fiscalização das substâncias entorpecentes, psicotrópicas e outras sob regime especial. • PORTARIA Nº 344, DE 12 DE MAIO DE 1998, aprova o Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial A observância rigorosa dessas normas foi indispensável para assegurar a qualidade do atendimento, a segurança dos pacientes e a conformidade legal das atividades desenvolvidas sob a responsabilidade técnica do farmacêutico Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso racional de medicamentos ocorre quando os pacientes recebem terapias farmacológicas apropriadas para suas condições clínicas, nas doses corretas, pelo tempo necessário e com o menor custo possível tanto para o indivíduo quanto para a coletividade. Nesse contexto, o farmacêutico desempenha um papel fundamental ao garantir a correta dispensação, orientar sobre o uso seguro e eficaz dos medicamentos e promover a educação em saúde, contribuindo diretamente para a adesão ao tratamento e para a prevenção de problemas relacionados à farmacoterapia. 3.3.1 DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS CONTROLADOS No caso de dispensação de medicamentos controladas devem ser tomados cuidados especiais, esses se dividem em Listas dependendo de sua classe. Cada lista possui diferentes exigências a serem observadas para dispensação adequada de cada: • Lista A: Os medicamentos pertencentes a lista A são os entorpecentes. Para dispensação desses medicamentos é necessário receita de controle especial de cor amarela. Esse receituário tem validade de 30 dias, e a dispensação da medicação deve ser suficiente para o tratamento de no máximo 30 dias. É obrigatório a retenção da primeira via da receita. • Lista B: Os medicamentos pertencentes a lista B são os Psicotrópicos e ansiolíticos. Para dispensação dessa dos medicamentos dessa lista é necessário a notificação de classe B, um receituário de controle especial de cor azul. Esse receituário tem validade de 30 dias, e a dispensação da medicação deve ser suficiente para o tratamento de no máximo 60 dias. É obrigatório a retenção da primeira via da receita. • Lista B2: Os medicamentos pertencentes a essa lista são os anorexígenos. Para a dispensação dessa medicação é necessário a notificação de classe B2, um receituário de controle especial de cor azul similar a notificação de classe B1. Também é exigido o termo de responsabilidade preenchido e assinado pelo paciente. Esse receituário tem validade de 30 dias, e a dispensação da medicação deve ser suficiente para o tratamento de no máximo 60 dias. É obrigatório a retenção da primeira via da receita. • Lista C: Os medicamentos pertencentes a lista C são “outras substâncias sujeitas a controle especial”. Para a dispensação dessas medicações é necessário a receita comum em duas vias. Esse receituário tem validade de 30 dias, e a dispensação da medicação deve ser suficiente para o tratamento de no máximo 60 dias. É obrigatório a retenção da primeira via da receita. • Lista C2: Os medicamentos pertencentes a lista C2 são os retinóides. Para dispensação dessa medicação é necessário notificação de receituário especial acompanhado de termo de responsabilidade preenchido e assinado pelo paciente e médico. A dispensação deve ser feita para 30 dias de tratamento no máximo. É obrigatório a retenção da notificação e do termo de responsabilidade. • Antibióticos: Para dispensar dos antibióticos é necessário receituário comum em duas vias e poderá conter medicações de outras classes desde que não sejam sujeitos a controle especial. A validade da receita é de10 dias e a dispensação deve ser suficiente para o tratamento completo. É obrigatório a coleta de informações do paciente como data de nascimento e a retenção da primeira via da receita. 3.3.2 APLICAÇÃO DO SNGPC NO CAMPO DE ESTAGIO O Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) é uma ferramenta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criada para monitorar e controlar a venda e o estoque de medicamentos sujeitos a controle especial em farmácias e drogarias privadas. O SNGPC representa a primeira etapa de um projeto mais amplo da Anvisa, que visa futuramente abranger toda a cadeia de produção e distribuição de medicamentos, incluindo farmácias hospitalares, unidades públicas, indústrias farmacêuticas e distribuidoras. Para utilizar o sistema, a empresa deve possuir a Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) e/ou a Autorização Especial (AE) devidamente regularizadas junto à Anvisa. A dispensação de medicamentos controlados é de responsabilidade do farmacêutico, que deve registrar os dados da receita no sistema reconhecido pela Anvisa. Dessa forma, a venda do medicamento é registrada e reconhecida pelo SNGPC, garantindo o controle e a rastreabilidade das substâncias. 3.3.3 DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS ISENTOS DE PRESCRIÇÃO MEDICA (MIPs) Conhecidos também com OTC (Over The Counter), diferente dos medicamentos indicados por prescrição medica, os MIPs são exibidos em uma prateleira na área de venda e são separados por indicação terapêutica. Esses medicamentos são expostos fora do balcão para quesejam acessados pelos clientes, trata se de medicamentos destinados a tratamentos de condições leves, prevenção e alivio de sintomas. Os Medicamentos Isentos de Prescrição são importantes ferramentas de autocuidado, mas seu uso requer responsabilidade. O farmacêutico tem um papel-chave em orientar a população, evitando erros de uso, interações medicamentosas e a automedicação inadequada, promovendo a saúde e a segurança do paciente. 3.4 GESTÃO FARMACÊUTICA 3.4.1 PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESUDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE (PGRSS) O gerenciamento dos resíduos provenientes dos serviços de saúde consiste em um conjunto de ações planejadas e sistematizadas, fundamentadas em princípios científicos, técnicos, normativos e legais. Seu principal objetivo é a redução na geração de resíduos. A aplicação eficaz dessas práticas assegura o encaminhamento seguro dos resíduos, promovendo a proteção dos profissionais envolvidos, a preservação da saúde pública, a conservação dos recursos naturais e a proteção do meio ambiente. Assim como outros tipos de estabelecimentos de saúde, as farmácias comerciais geram diversos tipos de resíduos que exigem manejo adequado, conforme estabelece a Resolução RDC nº 222/2018 da Anvisa. A correta segregação, acondicionamento e destinação desses resíduos são fundamentais para a segurança dos colaboradores, da população e do meio ambiente. Os principais tipos de resíduos gerados em farmácias comerciais podem ser classificados em quatro grupos: · Grupo A (biológicos): resíduos com potencial risco de contaminação, como materiais perfusos com sangue, swabs utilizados em testes rápidos, gazes e algodões com fluido orgânico. Esses resíduos são comuns em farmácias que realizam serviços clínicos, como aplicação de injetáveis e aferição de glicemia. · Grupo B (químicos): inclui medicamentos vencidos, deteriorados ou em desuso, cosméticos descartados, restos de saneantes e produtos manipulados fora de especificação. Esse grupo representa grande parte dos resíduos perigosos gerados em farmácias, especialmente nas que recebem devoluções de medicamentos. · Grupo D (resíduos comuns): são resíduos que não oferecem risco biológico ou químico, como embalagens não contaminadas, papel, plástico, papelões e materiais de escritório. Esses resíduos podem ser recicláveis ou destinados ao lixo comum, desde que não tenham contato com substâncias perigosas. · Grupo E (perfurocortantes): resíduos que podem causar perfuração ou corte, como agulhas e seringas descartáveis utilizadas em procedimentos farmacêuticos. Devem ser descartados em recipientes rígidos apropriados, garantindo a segurança dos profissionais envolvidos. Como a farmácia onde realizei o estágio não oferece serviços de saúde, como aplicação de injetáveis ou testes rápidos (por exemplo, teste de Covid-19), os principais resíduos gerados são medicamentos vencidos ou danificados, os quais se enquadram no Grupo B, conforme a classificação da RDC nº 222/2018 da Anvisa. O descarte de medicamentos vencidos ou fora de uso é uma etapa essencial no gerenciamento de resíduos em farmácias comerciais. Esses produtos, quando eliminados de forma inadequada (em pias, vasos sanitários ou lixo comum), podem causar sérios danos ao meio ambiente, como contaminação do solo e da água, além de representar riscos à saúde pública. Os medicamentos vencidos são resíduos químicos com risco potencial à saúde ou ao meio ambiente. Essa categoria exige tratamento e destinação final adequados, por meio de empresas especializadas e licenciadas pelos órgãos ambientais competentes. 3.4.2 PROCESSO DE REGULARIZAÇÃO SANITÁRIA (ALVARÁ E AUTORIZAÇÃO DE FUNCIONAMENTO – AFE A Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) é um documento emitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária que permite que farmácias e drogarias realizem atividades específicas, como o comércio de medicamentos controlados, manipulação de fórmulas e aplicação de injetáveis. A AFE garante que o estabelecimento esteja devidamente registrado e em conformidade com as normas sanitárias federais. (Gov, 2023) O primeiro passo é a emissão do Alvará Sanitário, concedido pela Vigilância Sanitária municipal ou estadual. Esse documento autoriza o funcionamento da farmácia após a análise documental e a vistoria técnica do local, assegurando que a estrutura e as práticas adotadas estejam em conformidade com as normas sanitárias. (Gov, 2023) Para solicitar o Alvará Sanitário e a AFE, a empresa deve reunir documentos como: · Alvará de funcionamento municipal; · Certidão de uso do solo; · Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB); · Licença ambiental; · Certificados de limpeza de caixa d'água e controle de pragas; · Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) e Manual de Boas Práticas; · Contratos de serviços terceirizados (laboratórios, transporte); · Laudo Técnico de Avaliação (LTA), fluxograma e organograma da empresa. É importante destacar que o Alvará Sanitário tem validade determinada, geralmente de um ano, e deve ser renovado periodicamente para que o estabelecimento mantenha sua regularidade. A renovação requer a solicitação junto à Vigilância Sanitária local, podendo incluir nova vistoria e atualização documental, garantindo que a farmácia continue cumprindo todos os requisitos sanitários. A AFE é solicitada por meio de peticionamento eletrônico, acompanhada de documentos como o contrato social, Alvará Sanitário, nomeação do responsável técnico farmacêutico e comprovantes de regularidade junto ao CRF. 3.4.3 MANUAL DE BOAS PRATICAS FARMACEUTICAS O Manual de Boas Práticas Farmacêuticas é um documento obrigatório que descreve todas as atividades, rotinas e procedimentos adotados por uma farmácia ou drogaria, com base nas normas da Anvisa. Ele tem como objetivo garantir a qualidade dos serviços, a segurança dos pacientes e o cumprimento das exigências sanitárias, servindo como guia para a atuação da equipe. O Manual de Boas Práticas Farmacêuticas, embora seja obrigatório nas farmácias e drogarias, não é um modelo pronto fornecido pela Anvisa. Ele deve ser elaborado individualmente por cada estabelecimento, com base nas exigências da RDC nº 44/2009. Entende-se como Boas Práticas Farmacêuticas o conjunto de procedimentos, técnicas e medidas adotadas para garantir a qualidade, a segurança e a eficácia dos produtos comercializados, bem como dos serviços oferecidos em farmácias e drogarias. Seu principal objetivo é promover o uso racional de medicamentos e contribuir para a melhoria da saúde e da qualidade de vida dos pacientes. (Anvisa,2009) O farmacêutico é o responsável pela elaboração do Manual de Boas Práticas Farmacêuticas, considerando as características específicas do estabelecimento e os serviços prestados. Esse documento deve refletir a rotina da farmácia e garantir a conformidade com as exigências sanitárias. Entre os tópicos fundamentais para a elaboração do manual, destacam-se: · Armazenamento de medicamentos · Organograma funcional · Controle de validade dos produtos · Higiene e limpeza das áreas · Dispensação de medicamentos com orientação ao paciente · Controle de medicamentos sujeitos a controle especial · Descarte adequado de medicamentos vencidos ou danificados · Documentação e registros operacionais · Treinamento e capacitação da equipe 3.4.4 PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS PADRÃO (POP’s) O Procedimento Operacional Padrão (POP) é um documento que descreve, de forma clara e detalhada, como uma determinada atividade deve ser executada dentro da farmácia. Sua principal função é padronizar as rotinas, garantindo a qualidade dos serviços, a segurança dos processos e o cumprimento das normas sanitárias vigentes. Os POPs são obrigatórios conforme determina a RDC nº 44/2009 da Anvisa e devem ser elaborados de acordo com as características e atividades do estabelecimento. Para fazer um POP, é necessário seguir uma estrutura que geralmente inclui: · Título e código do procedimento; · Objetivo; · Campo de aplicação; · Responsabilidades; · Passo a passo do procedimento; · Registros e formuláriosutilizados; · Referências legais. Durante meu estágio, pude observar a importância dos POPs no dia a dia da farmácia, principalmente na organização das atividades, no controle de validade de medicamentos, na higienização do ambiente e na dispensação de produtos sob prescrição médica. 3.4.5 RESPONSABILIDADE TÉCNICA E CERTIDÃO DE REGULARIDADE DO CONSELHO O farmacêutico exerce o papel de Responsável Técnico, sendo incumbido de aplicar seus conhecimentos técnico-científicos, orientar a população quanto ao uso racional de medicamentos, zelar pela valorização da profissão e atuar em conformidade com os preceitos do código de ética farmacêutica. (Farmacêutico digital, 2022) Para o exercício da Responsabilidade Técnica, o farmacêutico deve estar regularmente inscrito no CRF e possuir a Certidão de Regularidade, documento emitido pelo Conselho que comprova que o profissional e o estabelecimento atendem aos requisitos legais e éticos para o funcionamento. A Certidão de Regularidade é um documento emitido pelo CRF, que atesta a conformidade legal do estabelecimento de saúde e assegura a presença e a assistência técnica de um farmacêutico durante todo o seu horário de funcionamento. (Farmacêutico digital, 2022) 3.5 ATENÇÃO FARMACÊUTICA Em 1990, Hepler e Strand introduziram na literatura científica o termo Pharmaceutical Care, que no Brasil passou a ser conhecido como Atenção Farmacêutica. Nesse estudo, os autores definiram a Atenção Farmacêutica como a provisão responsável da terapia medicamentosa, visando alcançar resultados terapêuticos eficazes e promover a melhoria da qualidade de vida do paciente. (Scielo, 2008) O farmacêutico, por meio da Atenção Farmacêutica, realiza o acompanhamento individualizado dos pacientes, identifica possíveis interações medicamentosas, orienta sobre a forma correta de administração, armazenamento e descarte de medicamentos, além de esclarecer dúvidas frequentes sobre efeitos adversos, horários e duração do tratamento. A prática da Atenção Farmacêutica também envolve a escuta ativa e a criação de um vínculo de confiança com o paciente, fortalecendo seu papel como protagonista no tratamento. Essa abordagem humanizada e ética valoriza o profissional farmacêutico como agente de saúde, contribuindo para a integralidade do cuidado, a promoção da saúde e a prevenção de agravos. 4. CONCLUSÃO O estágio supervisionado em farmácia proporcionou uma oportunidade valiosa para aplicar os conhecimentos teóricos adquiridos durante a graduação, aproximando o aprendizado da prática profissional. A vivência no ambiente farmacêutico permitiu compreender a importância do papel do farmacêutico, especialmente em relação à responsabilidade técnica, à dispensação adequada de medicamentos e à atenção farmacêutica centrada no paciente. Além disso, foi possível observar como a atuação ética e técnica do farmacêutico impacta diretamente na segurança e no bem-estar dos usuários, reforçando a necessidade do cumprimento das normas regulamentadoras e do relacionamento interpessoal para um atendimento de qualidade. A experiência também evidenciou os desafios enfrentados no dia a dia da farmácia e a relevância do profissional como agente de saúde na promoção do uso racional de medicamentos. Por fim, o estágio contribuiu para o desenvolvimento de competências técnicas, comunicativas e éticas, fundamentais para a formação de um farmacêutico comprometido e preparado para atuar com excelência no mercado de trabalho. Gostaria de expressar meus sinceros agradecimentos pela oportunidade de realizar meu estágio na Drogaria da Vila, onde pude aprender e crescer profissionalmente. Em especial, agradeço ao Dr. farmacêutico Carlo Alberto, meu supervisor de estágio, pela orientação, paciência e por compartilhar seu conhecimento durante todo o período. 5. REFERÊNCIAS CAD – Catalogo de Normas e Atos Administrativos, Resolução nº 6, de 25 de setembro de 2009. Disponível em:https://cad.capes.gov.br/ato-administrativo-detalhar?idAtoAdmElastic=897. Acessado em abril de 2025 Jus Brasil, LEI Nº 13.021, DE 08 DE AGOSTO DE 2014. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/133179583/lei-13021-14. Acessado em abril de 2025. Planalto, Lei nº 5.991/1973. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5991.htm Acessado em maio de 2025. Anvisa, RDC nº 44/2009. Disponível em: https://anvisalegis.datalegis.net/action/ActionDatalegis.php?acao=abrirTextoAto&tipo=RDC&numeroAto=00000044&seqAto=000&valorAno=2009&orgao=RDC/DC/ANVISA/MS&codTipo=&desItem=&desItemFim=&cod_menu=1696&cod_modulo=134&pesquisa=true. Acessado em maio de 2025. Anvisa, PORTARIA Nº 344, DE 12 DE MAIO DE 1998. Disponível em: https://anvisalegis.datalegis.net/action/ActionDatalegis.php?acao=abrirTextoAto&tipo=POR&numeroAto=00000344&seqAto=000&valorAno=1998&orgao=SVS/MS&codTipo=&desItem=&desItemFim=&cod_menu=1696&cod_modulo=134&pesquisa=true. Acessado em maio de 2025. Ministério da saúde, PORTARIA Nº 344, DE 12 DE MAIO DE 1998. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/svs/1998/prt0344_12_05_1998_rep.html. Acessado em maio de 2025. CFF, RESOLUÇÃO RDC Nº 471, De 23 De Fevereiro De 2021. Disponível em: https://www.cff.org.br/userfiles/RDC%20471_21%20ANTIMICROBIANOS.pdf. Acessado em maio de 2025 Anvisa, RDC nº 222/2018, Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2018/rdc0222_28_03_2018.pdf. Acessado em maio de 2025. GOV, Solicitar Autorização de Funcionamento (AFE). Disponível em: https://www.gov.br/pt-br/servicos/solicitar-autorizacao-de-funcionamento-afe-medicamentos-e-insumos-farmaceuticos. Acessado em maio de 2025 Farmacêutico digital, O que é Responsabilidade Técnica e Certidão de Regularidade Técnica. Disponível em: https://farmaceuticodigital.com/2022/01/o-que-e-responsabilidade-tecnica-e-certidao-de-regularidade-tecnica.html. Acessado em maio de 2025 Scielo, A evolução da Atenção Farmacêutica e a perspectiva para o Brasil, dezembro de 2028. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbcf/a/d9zrdFQdY8tSqMsCXQ8WWBC/?lang=pt. Acessado em maio de 2025. 2