Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

APG 3º PERÍODO 
ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA 
 
 O P. vivax é o mais comum, geralmente 
associado a quadros menos graves, porém 
com risco de recaídas. 
 O P. falciparum é o mais perigoso, podendo 
evoluir rapidamente para formas graves com 
risco de morte. 
 Espécies de Plasmodium que infectam humanos: 
Espécie Distribuição Gravidade 
Período de 
incubação 
Plasmodium 
falciparum 
África, Ásia, 
América 
Mais grave, pode 
causar malária 
cerebral, alta 
parasitemia. 
7-14 dias 
Plasmodium 
vivax 
América 
Latina, Ásia 
Forma Mais 
comum no Brasil. 
Pode formar 
hipnozoítos 
(formas dormentes 
no fígado). 
recorrente, menos 
grave 
12-17 dias 
Plasmodium 
malariae 
Mundial, 
menos 
comum 
Ciclo mais longo 
(febre a cada 72 
horas). Não grave 
18-40 dias 
Plasmodium 
ovale 
África 
Ocidental 
Raro no Brasil 
Semelhante ao P. 
vivax, forma 
hipnozoítos. 
Recorrente, mais 
branda (Moderada) 
14-18 dias 
Plasmodium 
knowlesi 
Casos 
humanos 
relatados no 
Sudeste 
Asiático 
Pode ser grave, 
zoonose (primatas) 9-12 dias 
RESUMO: Ciclo de vida do Plasmodium: 
1. Fase no mosquito (sexual): 
O mosquito Anopheles pica um humano 
infectado → ingere gametócitos → 
reprodução sexual no intestino do mosquito 
→ formação de esporozoítos → migram para 
glândulas salivares. 
2. Fase no humano (asexual): 
O mosquito infectado pica outro humano → 
esporozoítos entram na corrente sanguínea 
→ vão para o fígado → hepatócitos → 
formam esquizontes → liberam merozoítos 
→ invadem hemácias → multiplicam-se → 
rompem as hemácias → causam febre e 
sintomas → novo ciclo. 
3. P. vivax e P. ovale: formam hipnozoítos no 
fígado → podem reativar meses ou anos 
depois → causam recidiva. 
 
S15P2: MALÁRIA 
Objetivos: 
 Compreender a epidemiologia, etiologia da Malária; 
 Caracterizar o gente etiológico e ciclo biológico da 
Malária; 
 Entender os fatores de risco, fisiopatologia e as 
manifestações clínicas da Malária; 
 Elucidar as classificações, diagnóstico e tratamento 
medicamentoso e seu mecanismo de ação da Malária; 
1. EPIDEMIOLOGIA DA MALÁRIA 
Distribuição geográfica 
A malária é uma doença infecciosa febril aguda, 
endêmica em mais de 90 países, especialmente 
nas regiões tropicais e subtropicais da África, Ásia, 
América Latina e Oceania. 
 Segundo a Organização Mundial da Saúde 
(OMS): 
 Houve 249 milhões de casos de 
malária em 2022. 
 Mais de 95% dos casos e mortes 
ocorrem na África Subsaariana. 
 A maioria das mortes ocorre em 
crianças menores de 5 anos. 
No Brasil: 
 A malária é endêmica na região Amazônica 
(Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato 
Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e 
Tocantins). 
 O Plasmodium vivax é o mais prevalente no 
Brasil (cerca de 85% dos casos). 
 Dados do Ministério da Saúde (2023) 
indicam redução de casos nos últimos anos, 
mas surtos locais ainda ocorrem, 
especialmente em áreas de garimpo e 
migração. 
Fatores de risco epidemiológicos: 
 Viagens para áreas endêmicas sem 
profilaxia. 
 Populações em áreas de mata tropical, com 
vetores. 
 Condições socioeconômicas precárias. 
 Falta de saneamento básico e acesso 
limitado a serviços de saúde. 
2. ETIOLOGIA DA MALÁRIA 
A malária é causada por protozoários do gênero 
Plasmodium e transmitida por picadas da fêmea do 
mosquito Anopheles infectada. No Brasil, circulam 
principalmente três espécies: P. vivax, P. falciparum 
e P. malariae, sendo as 2 primeiras responsáveis 
pela maioria dos casos. 
APG 3º PERÍODO 
ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA 
 
A ruptura cíclica das hemácias leva aos sintomas 
clássicos: 
 Febre periódica 
 Calafrios 
 Sudorese 
 Hemólise 
 Anemia hemolítica 
 Esplenomegalia (hiperplasia do baço por 
eritrofagocitose) 
 Mal-estar, fadiga e cefaleia. 
Esse ciclo dura: 
 P. vivax e P. falciparum: 48h (febre terçã) 
 P. malariae: 72h (febre quartã) 
a. Mecanismos de destruição eritrocitária 
(hemólise) 
1.Hemólise de hemácias infectadas (intravascular 
direta) 
 O parasita consome a hemoglobina da 
hemácia e libera hemozoína. 
 O crescimento do parasita leva à ruptura da 
membrana celular → hemólise intravascular. 
 Quando os esquizontes eclodem, a 
membrana eritrocitária se rompe, liberando 
hemoglobina no plasma. 
 Essa lise direta é causada pelo próprio 
parasita ao consumir a hemoglobina e alterar 
o citoesqueleto da célula. 
2. Hemólise extravascular 
 Ocorre principalmente no baço e fígado, 
onde macrófagos fagocitam: 
 Hemácias parasitadas 
 Hemácias não parasitadas marcadas 
por anticorpos 
 Citocinas inflamatórias (TNF-α, IFN-γ, IL-1) 
também marcam hemácias para destruição. 
3. Hemólise de hemácias não infectadas 
 Estima-se que até 10 hemácias não 
parasitadas sejam destruídas para cada uma 
infectada. 
Mecanismos: 
 Alteração da membrana das hemácias por 
ação inflamatória (TNF-α, radicais livres). 
 Opsonização por anticorpos, 
reconhecimento por receptores de 
macrófagos e eliminação pelo sistema 
reticuloendotelial (principalmente no baço). 
 Disfunção da membrana celular por acúmulo 
de hemozoína e alterações do pH 
intracelular. 
 Acidose e inflamação local reduzem a 
estabilidade da membrana 
eritrocitária. 
 
3. CICLO BIOLÓGICO DA MALÁRIA 
O ciclo de vida do Plasmodium envolve dois 
hospedeiros: 
 Hospedeiro definitivo: o mosquito Anopheles 
→ onde ocorre a fase sexuada (esporogonia) 
 Hospedeiro intermediário: o ser humano → 
onde ocorre a fase assexuada 
(esquizogonia) 
1. CICLO ASSEXUADO DO PLASMODIUM (NO 
HOMEM) 
1. Início com os esporozoítos — Ciclo pré-
eritrocítico (hepático) 
 O ciclo começa quando a fêmea do mosquito 
Anopheles infectado injeta esporozoítos 
durante a picada. 
 Esses esporozoítos entram na circulação 
sanguínea e em poucos minutos atingem os 
hepatócitos (células do fígado). 
 No fígado, os esporozoítos se transformam 
em esquizontes hepáticos, que se 
multiplicam assexuadamente (esquizogonia 
hepática). 
 Cada esquizonte hepático origina milhares 
de merozoítos, que após 5–15 dias são 
liberados no sangue quando os hepatócitos 
se rompem → início da fase eritrocítica. 
Tempo médio: 
 P. vivax e P. falciparum: cerca de 7 a 10 dias 
 P. malariae: 18 dias 
 Obs.: P. vivax e P. ovale podem formar 
hipnozoítos, que permanecem dormentes no 
fígado e causam recidiva meses ou anos 
depois. 
2. Merozoítos no sangue — Ciclo eritrocítico (fase 
sanguínea) 
 Os merozoítos liberados do fígado invadem 
hemácias (glóbulos vermelhos). 
 Dentro das hemácias, passam pelas 
seguintes formas: 
1. Trofozoíto jovem (anel) 
2. Trofozoíto maduro 
3. Esquizonte eritrocítico, que sofre nova 
divisão assexuada 
 Ao final, a hemácia se rompe, liberando 
novos merozoítos e toxinas parasitárias 
(como pigmento hemozoína e GPI) 
 A liberação de pigmento hemozoína 
(produto da degradação da 
hemoglobina) e glicofosfatidilinositol 
(GPI) ativa o sistema imune inato. 
 
APG 3º PERÍODO 
ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA 
 
2. Ciclo sexuado / esporogonia (Fase no Mosquito) 
 Alguns trofozoítos diferenciam-se em 
gametócitos masculinos e femininos, que 
não continuam o ciclo no homem. 
 São ingeridos por outro mosquito durante 
nova picada → ocorre a fase sexual no 
mosquito (esporogonia), completando o 
ciclo. 
 Quando o mosquito pica uma pessoa 
infectada, ele ingere formas 
gametócitos do Plasmodium. 
 No intestino do mosquito, os 
gametócitos se transformam em 
gametas, fecundam e originam um 
zigoto, que vira oocineto; 
 O oocineto penetra a parede do 
intestino e forma um oocisto; 
 Dentro do oocisto, formam-se 
milhares de esporozoítos, que se 
rompe e libera esporozoítos, que 
migram para as glândulas salivares do 
mosquito. 
 O mosquito torna-se infectante e pode 
transmitir a malária ao picar outra 
pessoa. 
Tempo médio: 10 a 21 dias para o mosquito se 
tornar infectante após ingerir gametócitos. 
4. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA MALÁRIA 
a. SINTOMAS INICIAIS 
Tríade Clássica: 
 Febre alta, calafrios e cefaleia ocorrem de 
formacíclica (acessos maláricos), 
coincidindo com a ruptura sincronizada das 
hemácias. 
 ACESSOS MALÁRICOS: Picos de febre 
ocorrem ciclicamente, sempre que hemácias 
se rompem. Cada pico tem 3 fases: 
1. Calafrio intenso (15–60 min) 
vasoconstrição 
2. Febre alta (atinge 40 °C ou mais; 2–6 
horas) liberação de pirógenos 
3. Sudorese intensa com queda da 
temperatura 
Outros sintomas: 
 Mialgia 
 Fadiga intensa 
 Náuseas, vômitos e anorexia 
 Esplenomegalia (em casos prolongados) 
TIPOS DE FEBRE CONFORME A ESPÉCIE 
Espécie Febre Descrição 
P. vivax Terçã benigna Febre a cada 48h 
P. falciparum Terçã maligna 
Febre irregular ou a 
cada 48h 
P. malariae Quartã benigna Febre a cada 72h 
P. ovale Terçã benigna Similar ao P. vivax 
 
b. Resposta inflamatória sistêmica 
 A destruição dos eritrócitos libream produtos 
parasitários como GPI (glicofosfatidilinositol) 
atuam como endotoxinas, ativando: 
 Macrófagos 
 Monócitos 
 Células dendríticas 
 Que vão liberar citocinas pró-inflamatórias: 
 TNF-α, IL-1, IFN-γ 
 Essas citocinas causam: 
 Febre alta 
 Mialgia e cefaleia 
 Náuseas, vômitos, prostração 
 A inflamação crônica gera: 
 Disfunção endotelial 
 Aumento da permeabilidade vascular 
 Acidose metabólica 
Em infecção por P. falciparum: 
As hemácias parasitadas expressam proteínas 
(PfEMP1) que aderem ao endotélio → sequestro 
em capilares: 
 Cérebro (Malária cerebral) 
 Eritrócitos parasitados expressam 
proteínas adesivas (ex: PfEMP1). 
 Ligam-se ao endotélio cerebral → 
sequestração vascular. 
 Resulta em: 
 Obstrução do fluxo sanguíneo 
 Hipóxia e edema cerebral 
 Convulsões e coma. 
 Pulmões: síndrome de angústia respiratória 
aguda (SDRA), Insuficiência respiratória 
 Rins: Lesão renal aguda 
 Hemoglobina livre (de hemólise) é 
nefrotóxica. 
 Hipoperfusão + inflamação = necrose 
tubular aguda. 
 insuficiência renal aguda 
 Síndrome da malária grave 
 Febre alta, anemia severa, 
hipoglicemia, acidose lática, choque 
séptico. 
 Pode evoluir rapidamente para óbito 
sem tratamento. 
Esse sequestro promove hipóxia tecidual e 
aumento da gravidade clínica. 
c. Imunidade e modulação da resposta 
 Indivíduos em áreas endêmicas 
desenvolvem imunidade parcial (sem 
eliminação total). 
 Crianças pequenas, gestantes e turistas são 
mais vulneráveis. 
 A resposta imune pode: 
 Controlar parasitemia 
 Mas também causar lesões teciduais 
secundárias pela inflamação exagerada. 
APG 3º PERÍODO 
ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA 
 
ANEMIA E COMPLICAÇÕES 
P. vivax e P. malariae 
 Invadem preferencialmente hemácias jovens 
(reticulócitos) no caso de P. vivax e maduras 
no caso de P. malariae. 
 Causam anemia hemolítica leve a moderada 
com episódios recorrentes, por meio de: 
 Ruptura de hemácias infectadas e 
não infectadas 
 Redução da eritropoese (pela 
inflamação) 
 Sequestro esplênico 
P. falciparum 
 Forma mais grave da doença. 
 Infecta todos os tipos de hemácias, gerando 
parasitemia intensa e a adesão das 
hemácias parasitadas ao endotélio 
microvascular (fenômeno conhecido como 
citolocalização) leva a: 
 Formação de rosetas: as hemácias 
infectadas se aderem à parede dos 
capilares, formando rosetas → 
prejudicam a circulação. 
 Inibe a eritropoese → redução da produção 
de novas hemácias. 
 Obstrução de capilares 
 Dano isquêmico a órgãos 
 A gravidade é potencializada pelas 
complicações sistêmicas. 
COMPLICAÇÕES GRAVES 
Principais: 
Complicação Mecanismo 
Anemia grave 
Hemólise intensa e disfunção 
medular 
Hipoglicemia 
Consumo aumentado de glicose 
pelo fígado e pelo parasita 
Icterícia Hemólise e disfunção hepática 
Insuficiência renal 
aguda 
Necrose tubular aguda, 
hipoperfusão e liberação de 
pigmentos 
Insuficiência 
respiratória 
Inflamação alveolar e edema 
(SDRA) 
Malária cerebral 
Obstrução microvascular no 
cérebro → coma, convulsões, 
risco de morte 
Acidose 
metabólica 
Disfunção multiorgânica e 
hipoperfusão tecidual 
🚨 P. falciparum é a principal espécie associada a 
formas graves e fatais, especialmente em gestantes 
e crianças. 
 
b. Sintomas clássicos e inespecíficos: 
 Febre alta (com ou sem padrão cíclico), 
geralmente de início súbito; 
 Calafrios intensos, seguidos de: 
 Sudorese profusa; 
 Sensação de melhora, até o próximo 
ciclo febril; 
 Cefaleia (dor de cabeça); 
 Mialgia (dor muscular); 
 Artralgia (dor articular); 
 Náuseas e vômitos, com ou sem diarreia; 
 Mal-estar generalizado e fadiga; 
 Esplenomegalia (aumento do baço), que 
pode surgir com a progressão da doença; 
 Icterícia leve ou moderada (em casos com 
hemólise significativa). 
c. Manifestações clínicas da malária grave (Mais 
comum com P. falciparum) 
É uma emergência médica que pode levar ao óbito 
se não tratada a tempo. Pode ocorrer em qualquer 
fase da doença. 
Principais manifestações graves: 
A) MALÁRIA CEREBRAL 
 Convulsões; 
 Sonolência, delírio, coma; 
 Sinais neurológicos focais; 
 Resultado da sequestração de hemácias 
parasitadas nos capilares cerebrais → 
hipóxia tecidual. 
B) ANEMIA HEMOLÍTICA SEVERA 
 Causada pela destruição de hemácias 
infectadas e não infectadas; 
 Palidez intensa, fraqueza e taquicardia. 
C) INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA 
 Redução do débito urinário; 
 Elevação da creatinina e ureia; 
 Pode evoluir para necessidade de diálise. 
D) ICTERÍCIA INTENSA 
 Hemólise + disfunção hepática. 
E) CHOQUE E COLAPSO CIRCULATÓRIO 
 Hipotensão grave, acidose metabólica e 
falência de múltiplos órgãos. 
F) EDEMA PULMONAR AGUDO 
 Por lesão da barreira alveolar-capilar; 
 Insuficiência respiratória aguda. 
 
APG 3º PERÍODO 
ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA 
 
6. DIAGNÓSTICO DA MALÁRIA 
a) Diagnóstico laboratorial (padrão-ouro) 
1. Gotinha espessa: 
 Método com alta sensibilidade. 
 Permite visualizar parasitas em 
hemácias lisadas. 
 Determina a espécie e a carga 
parasitária. 
2. Esfregaço delgado: 
 Permite melhor identificação da 
espécie por morfologia do parasita. 
Importante: a coleta ideal deve ser feita no início da 
febre. 
b) Testes rápidos imunocromatográficos (TDRs) 
 Detectam antígenos específicos do 
Plasmodium (HRP2 para falciparum, pLDH 
para vivax). 
 Úteis onde não há microscopia disponível, 
mas não substituem o exame laboratorial. 
 Menos sensíveis em infecções com baixa 
parasitemia. 
c) PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) 
 Muito sensível e específica. 
 Usada principalmente em pesquisa ou 
diagnóstico diferencial. 
 Detecta DNA do parasita no sangue. 
7. TRATAMENTO MEDICAMENTOSO 
O tratamento depende da espécie infectante, forma 
clínica, local de infecção e estado do paciente 
(gestação, idade, comorbidades). 
1. CLOROQUINA 
 Uso: P. vivax, P. ovale e P. malariae 
 Mecanismo de ação: 
 Acumula-se no vacúolo digestivo do 
parasita, onde impede a 
polimerização do heme tóxico 
(ferriprotoporfirina IX) derivado da 
digestão da hemoglobina. 
 O heme livre se acumula e destrói o 
parasita por estresse oxidativo. 
 Via: oral 
 Duração: 3 dias 
Não atua sobre os hipnozoítos hepáticos de P. 
vivax/P. ovale → por isso é usada junto com 
primaquina. 
 
c. Grupos com maior risco de formas graves 
 Crianças menores de 5 anos (sem 
imunidade desenvolvida); 
 Gestantes (maior risco de malária 
placentária e aborto); 
 Imunossuprimidos; 
 Turistas ou recém-chegados a áreas 
endêmicas (sem imunidade parcial); 
 Pacientes não tratados ou tratados 
inadequadamente. 
d. Recorrência e recaída 
 P. vivax e P. ovale podem formar hipnozoítos 
no fígado: 
 Formas dormentes que causam 
recaídas semanas ou meses após a 
cura da fase aguda. 
 As recaídas geram reinfecção espontânea, 
com sintomas semelhantes à fase inicial. 
Categoria Manifestações 
Iniciais 
Febre, calafrios, sudorese, mialgia, 
cefaleia 
Gastrointestinais Náuseas, vômitos, diarreia 
Hematológicas Anemia, icterícia 
Graves (P. 
falciparum) 
Malária cerebral, insuficiência renal, 
choque, edema pulmonar, comaRecorrência 
Febres episódicas por hipnozoítos 
(P. vivax, P. ovale) 
6. CLASSIFICAÇÕES DA MALÁRIA 
A malária pode ser classificada com base em 
diferentes critérios: 
a) Pelo agente etiológico (espécie do Plasmodium) 
Espécie Características 
Plasmodium 
falciparum 
Forma mais grave e letal, com risco 
de malária cerebral, anemia severa e 
óbito 
Plasmodium 
vivax 
Mais comum no Brasil, pode causar 
recaídas (hipnozoítos hepáticos) 
Plasmodium 
ovale 
Semelhante ao vivax, mais raro e 
também com hipnozoítos 
Plasmodium 
malariae 
Pode causar infecção crônica e febre 
quartã (a cada 72h) 
Plasmodium 
knowlesi 
Zoonose, ciclo eritrocítico rápido, 
mais comum no sudeste asiático 
b) Pela gravidade clínica 
 Malária não complicada: sintomas clássicos 
(febre, calafrios, sudorese), sem sinais de 
gravidade nem disfunção orgânica. 
 Malária grave (ou complicada): associada a 
disfunção de órgãos, hipoglicemia, acidose, 
malária cerebral, insuficiência renal, icterícia 
grave, entre outros. Mais comum com P. 
falciparum. 
APG 3º PERÍODO 
ACADÊMICA: AMANDA MARTINS COSTA 
 
6. MEFLOQUINA 
 Uso: alternativa para P. falciparum e 
profilaxia 
 Mecanismo de ação: 
o Afeta a degradação da hemoglobina e 
a função do vacúolo digestivo, 
acumulando heme tóxico 
 Via: oral 
 Efeitos adversos: tontura, insônia, distúrbios 
psiquiátricos (limitam seu uso) 
7. QUININA (uso em casos graves ou em gestantes 
no 1º trimestre) 
 Uso: malária grave por P. falciparum (se 
artesunato indisponível); gestantes 
 Mecanismo de ação: 
 Semelhante à cloroquina, inibe a 
digestão da hemoglobina e a 
detoxificação do heme no vacúolo 
digestivo 
 Via: intravenosa ou oral 
 Efeitos adversos: hipoglicemia, distúrbios 
visuais e auditivos, cardiotoxicidade 
8. CLINDAMICINA e DOXICICLINA 
 Uso: combinadas com quinina (casos graves 
ou gravidez) 
 Mecanismo de ação: 
 Inibem a síntese proteica parasitária 
(ação lenta, usadas como adjuvantes) 
 
OBSERVAÇÕES IMPORTANTES 
 Formas graves (ex.: malária cerebral): 
artesunato EV ou quinina EV + suporte 
intensivo 
 Gestantes: 
 1º trimestre: quinina + clindamicina 
 2º/3º trimestres: artesunato + 
mefloquina 
 Pacientes com deficiência de G6PD: não 
usar primaquina (risco de hemólise grave) 
 
2. PRIMAQUINA 
 Uso: erradicação dos hipnozoítos (formas 
hepáticas dormentes de P. vivax/P. ovale), 
prevenção de recaídas 
 Mecanismo de ação: 
 Produz radicais livres que causam 
dano oxidativo às mitocôndrias dos 
parasitas hepáticos e gametócitos. 
 Via: oral 
 Duração: 7 a 14 dias (depende do esquema) 
Contraindicada em pacientes com deficiência de 
G6PD (pode causar hemólise grave) 
3. ARTEMISININAS (ex.: Artemeter, Artesunato, 
Dihidroartemisinina) 
 Uso: P. falciparum (não complicado e grave); 
esquemas combinados 
 Mecanismo de ação: 
o Interagem com o ferro do heme, 
levando à produção de radicais livres 
tóxicos que danificam proteínas e 
membranas do parasita. 
 Via: oral, intramuscular ou intravenosa 
(artesunato EV para formas graves) 
 Rápido efeito antiparasitário 
Sempre utilizadas em combinação com outras 
drogas para evitar resistência (ex.: Artemeter + 
Lumefantrina). 
4. ARTEMETER + LUMEFANTRINA (ex.: 
Coartem®) 
 Uso: primeira linha para P. falciparum não 
complicado 
 Mecanismos de ação: 
 Artemeter: ação rápida por geração 
de radicais livres (como explicado 
acima) 
 Lumefantrina: inibe a conversão do 
heme livre em hemozoína, levando à 
toxicidade no vacúolo digestivo do 
parasita 
 Via: oral 
 Duração: 3 dias 
5. ATOVAQUONA + PROGUANIL (ex.: Malarone®) 
 Uso: P. falciparum e profilaxia de viajantes 
 Mecanismos de ação: 
 Atovaquona: inibe o citocromo bc1 
mitocondrial, interrompendo a cadeia 
respiratória do parasita 
 Proguanil: inibe a dihidrofolato 
redutase, bloqueando a síntese de 
DNA 
 Via: oral 
 Boa tolerância; alternativa em caso de 
resistência

Mais conteúdos dessa disciplina