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Jorge Bernardi - Processo Legislativo Brasileiro - Pesquisável - Ano 2009

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ser efetivado por 1/4 
dos senadores, ou por líderes que representem esse número, sc o 
objetivo incluir 1 1a ordem do dia matéria pendente de parecer.
As comissões também poderão requerer a urgência nos casos de 
apreciação na segunda sessão subsequente ou incluir matéria na 
ordem do dia. A Comissão de Assuntos Econômicos poderá reque­
rer urgência nas matérias relativas às autorizações sobre crédito 
externo, sobre convênios para aquisição dc bens e serviços 1 1 0 exte­
rior, sobre emissão de títulos da dívida pública e de emissão de de- 
bêntures ou, ainda, sobre a assunção de obrigações por entidades 
controladas pelos estados. Distrito Federal c municípios.
No Senado, poderão encaminhar à votação do pedido de urgên­
cia, por cinco minutos, um dos signatários e um representante de 
cada partido ou bloco parlamentar e, quando o pedido for dc uma 
comissão, podem usar a palavra o presidente e o relator da comis­
são que solicitou a urgência.
Apreciação de matérias em regime de urgência
Uma vez aprovado 0 requerimento do regime de urgência na Câmara 
dos Deputados ou 1 10 Senado Federal, os regimentos internos de 
ambas as Casas estabelecem normas próprias para a apreciação 
dos projetos que se encontram em urgência. Um dado projeto em 
regime de urgência sempre será deliberado pelo plenário, mesmo 
que esteja tramitando cm caráter terminativo ou conclusivo cm co­
missões do Senado ou da Câmara dos Deputados (art. 24, II, h, 
RICD e arts. 336 a 338, Risf). A urgência não permite pedido de 
vistas (art. 57, XVI, RICD).
No âmbito da Câmara dos Deputados, o projeto será encaminha­
do, em razão da matéria, 1 1 0 regime de urgência (art. 151,1, RICD) 
às comissões que possuem o prazo em conjunto de cinco sessões 
para emitirem os pareceres, que serão votados ao mesmo tempo 
em cada uma delas (arts. 52 e 139, III c VI, RICD). Se ocorrer a 
hipótese de uma reunião conjunta de duas ou mais comissões (art. 
49. § 2o, RICD), poderá ser designado um relator geral e relatores 
parciais, correspondentes a cada comissão, que terão o prazo fixa­
do pela metade para darem seus respectivos pareceres.
As emendas também deverão ser encaminhadas aos relatores 
parciais. Elas poderão ser apresentadas por comissões ou por 1/5 
dos membros da Câmara, ou líderes que representem esse número 
de deputados (art. 120, § 4o, RICD).
Vencida essa etapa, a proposição será enviada ao plenário, já que 
esta goza de preferência para ser incluída na ordem do dia, mesmo 
que não tenha sido proferido parecer, mediante requerimento de 
1/3 dos membros da comissão, aprovado por maioria absoluta.
Nessas situações, o presidente poderá designar relator para pro­
ferir o parecer verbalmente (art. 52, § 5o, RICD). Na hipótese das 
urgências requeridas com base nos arts. 153 e 155 do RICD, não 
está estabelecido um prazo; porém, se houver requerimento para 
que o projeto seja analisado pelas comissões, o período permitido 
será dc duas sessões (art. 157, § 2o, RICD) para que seja elaborado 
e votado parecer nas comissões, que, como se verá adiante, em al­
gumas das situações previstas o projeto será deliberado na mesma 
sessão em que foi aprovada a urgência.
Findo o prazo máximo de duas sessões, a matéria será imedia­
tamente incluída na ordem do dia para discussão e votação. Se não 
houver parecer de qualquer comissão, o presidente designará re­
lator que dará o parecer verbalmente 1 10 decorrer da sessão ou na 
seguinte, se assim solicitar (art. 157, § 2o, RICD).
Uma vez a matéria estando na ordem do dia, em regime de ur­
gência, somente o autor, o relator c os deputados inscritos poderão 
discuti-la, devendo, quando possível, haver uma alternância na dis­
cussão entre os favoráveis e contrários. 0 tempo para discutir de 
cada autor será dc dois minutos e meio, ou seja, a metade do tempo 
da discussão dos projetos que estejam tramitando no rito ordinário. 
Após seis deputados terem utilizado da palavra, o requerimento da 
maioria absoluta dos deputados ou líderes que representem essa 
maioria poderão solicitar o fim dos debates (art. 157, § 3o, RICD).
Se houver emendas, estas serão distribuídas para as respectivas 
comissões dc mérito, que terão o prazo dc uma sessão para emitir o 
parecer, que, se justificado, poderá ser também verbal (art. 157, § 4°, 
RICD). Nada poderá estender o prazo de deliberação de matéria 
em urgência, nem mesmo diligências que tenham sido requeridas 
por deputado ou comissão (art. 157, § 5°, RICD).
Sobre o regime de urgência, esclarecem Amaral e Gerônimo (2001, 
p. 92) que “um projeto dc Ici ordinária não necessariamente é apre­
ciado em regime de tramitação ordinária'’. E concluem que “embora 
a matéria seja ordinária, a natureza pode ser de matéria urgente, o 
mesmo ocorrendo com matéria dc lei complementar, que tramita em 
regime de prioridade, porém pode se tornar matéria urgente”.
No Senado Federal, de acordo com a espécie de urgência que te­
nha sido aprovada, também haverá prazos para que cia seja incluí­
da na ordem do dia para apreciação pelos senadores. Em relação às 
matérias que envolvem perigo à segurança nacional ou em situação 
dc calamidade pública (art. 336 ,1, Risf), estas serão imediatamen­
te submetida ao plenário.
Nas outras duas situações (art. 336, II, Risf), a matéria será 
incluída respectivamente na segunda e na quarta sessão delibera­
tiva ordinária que se seguir à aprovação da urgência. Observe-se 
aqui que a urgência possui mais um caráter de vontade política do 
Senado no que diz respeito à apreciação dessas matérias, já que
não liá outra exigência a não ser a do desejo de que essas propostas 
entrem em pauta na segunda ou na quarta sessão após a aprovação 
do regime de urgência.
Nessas duas hipóteses analisadas no parágrafo anterior, se for 
impossível o imediato início das deliberações, em virtude da com­
plexidade da matéria, é assegurado à Mesa para preparo da votação 
o prazo não superior a 24 horas (art. 345, parágrafo único, Risf).
Os parccercs nas matérias em regime dc urgência no Senado pode­
rão ser apresentados imediatamente nos casos de perigo à segurança 
nacional ou em caso de calamidade pública. O relator poderá soli­
citar duas horas para apresentar o seu parecer, que poderá scr oral, 
prosseguindo normalmente a sessão (art. 346, §§1° e 2°, I, Risf).
Na discussão de matérias relacionadas aos casos citados no pa­
rágrafo anterior, só poderão utilizar da palavra o autor da propo­
sição, os relatores e um orador de cada partido, pela metade do 
tempo dos projetos que estão em regime de tramitação ordinária 
(art. 347, Risí). Nessas matérias, encerrada a discussão e havendo 
emendas, os pareceres serão proferidos imediatamente por relator 
designado pelo presidente, que poderá requerer o tempo de duas 
horas (art. 348 ,1, Risf).
Nas outras situações, o prazo poderá ser de 24 horas (art. 336, 
II, Risf), em caso de existência de emendas, em virtude da comple­
xidade da matéria, saindo o projeto da ordem do dia para entrar na 
sessão deliberativa subsequente (art. 348, II, Risf). Ou, na outra 
hipótese (art. 336, III, Risf), o projeto sairá da ordem do dia, retor­
nando na quarta sessão deliberativa posterior. Mas, nesse caso, o 
parecer sobre as emendas deverá ser apresentado 24 horas antes de 
retornar à deliberação (art. ,348, III, Risf). Nessa última situação, 
é possível a realização de diligências, pelo prazo máximo dc quatro 
sessões (art. 349, Risf).
No Senado, a redação final de matéria em regime de urgência 
será imediatamente submetida à deliberação, independente de
publicação, nos casos de perigo à segurança nacional ou em caso 
de calamidade pública c, nas outras situações, a apreciação