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87% 2:16 Sáb 19 de jan Toxoplasmose Definição Doença infecto contagiosa aguda, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. É uma zoonose. O Toxoplasma gondii é um parasita coccídeo, produtor de oocistos com dois esporocistos, cada um contendo quatro esporozoítos. É uma doença cosmopolita, com sintomatologia variada, podendo ter sintomas gerais, digestivos, respiratórios, nervosos ou reprodutivos. Agente etiológico Toxoplasma gondii. O parasita se mantém infectante em todas as suas fases evolutivas. Tem O gato como hospedeiro definitivo e O homem e outros animais como hospedeiros intermediários. Transmissão Ingestão de bradizoitas (em hospedeiros intermediários bovinos, suínos) através de carnes mal cozidas; Ingestão de alimentos vegetais ou água, contaminados com oocistos (provenientes das fezes do gato); Através da mão contaminada, após ter entrado em contato com solo, areia, latas de lixo ou qualquer outro local onde OS gatos defecam; Através de hospedeiros transportadores, como baratas, mosca, etc.; Infecções intra-uterinas (causam má formação, aborto); Transfusões e transplantes (raros). Os herbívoros, por não comerem carne, só se infectam ingerindo oocistos na vegetação ou na água. Esta doença pode provocar graves lesões sistêmicas, variando de sinais neurológicos, ósteo-musculares, respiratórios a oculares, dentre outros. Ciclo No gato ocorrem todas as formas evolutivas. Os gatos se infectam principalmente pela ingestão dos microrganismos encistados presentes nos tecidos dos hospedeiros intermediários, tais como OS roedores (hábito de carnivorismo dos gatos). A parede dos cistos é digerida, liberando organismos infectantes (esporozoítos) na luz intestinal, que penetram pela parede do intestino e rapidamente multiplicam-se (em células não epiteliais, como macrófagos, células musculares, neurônios, etc.), formando taquizoítos (forma de reprodução rápida) que espalham-se por todos OS órgãos do animal.22:16 Sáb 19 de jan 86% Simultaneamente O parasito reproduz-se (sexualmente, com a formação de merozoitos que originam macrogametas) nas células da parede intestinal, denominando-se ciclo entero-epitelial, culminando na formação de oocistos, que são excretados com as fezes. Na medida que se produz a resposta imune no gato, a eliminação de oocistos é detida e OS taquizoítos reproduzem-se cada vez mais lentamente, modulando-se em bradizoítos (forma de reprodução lenta) que se organizam em cistos teciduais, localizados nos mais diversos tecidos do corpo dos animais. Os gatos que não se expuseram previamente começam a eliminar oocistos entre três e dez dias após a ingestão de bradizoítos e continuam a eliminação por até dez a quatorze dias, produzindo vários milhões de oocistos. Epidemiologia Os felídeos são ponto-chave da epidemiologia da toxoplasmose, sendo únicos hospedeiros da forma sexuada do parasita e, por eliminarem oocistos nas fezes, são a única fonte de infecção dos animais herbívoros. Nestes animais como suínos, caprinos, ovinos, roedores e outros mais, ocorre apenas ciclo extra-intestinal, com proliferação de taquizoítos nos órgãos e, com a resposta imune, desenvolvem-se cistos teciduais (com bradizoítos). Estes permanecem viáveis e são infectantes para gatos e para OS outros hospedeiros intermediários como homem e cão. Nestes últimos, a infecção geralmente pode acontecer pela ingestão de oocistos, presentes no solo ou alimentos de origem vegetal, ou de carne com cistos tissulares. Patogenia A patogenia está diretamente ligada à divisão taquizoíta intracelular, pois causa morte celular, gerando necrose no baço, fígado e pulmões do animal hospedeiro e nos linfonodos mesentéricos pode causar linfoadenomegalia com focos de necrose. Se distribui por todo organismo, via linfática e hemática, na forma livre ou no interior dos macrófagos, podendo inclusive chegar ao SNC. Em três semanas originam bradizoítos, que se encistam principalmente no tecido nervoso e muscular, ficando hospedeiro como portador inaparente. Baixas de resistência por estresse, gestação, uso de corticóides, doenças intercorrentes e outras causas podem permitir reaparecimento da doença. Fetos abortados e natimortos revelam a transmissão congênita, transplacentária da toxoplasmose. Estes neonatos apresentam as mesmas lesões dos adultos. A transmissão congênita do T. gondii pode ocorrer quando a infecção aguda coincide com a prenhez, com conseqüências mais sérias aos fetos no primeiro terço ou metade da gestação, embora quanto mais adiantada a gestação, maior é a probabilidade da infecção fetal, porém com menos riscos de fetopatias graves. Primeiramente Toxoplasma gondii multiplica-se na placenta e então difunde-se para OS tecidos fetais. 722:16 Sáb 19 de jan 86% Sintomas Gatos raramente apresentam a doença clínica. Quando fazem, apresentam sintomas como dispnéia, hipertermia, apatia, anorexia, conjuntivite e rinite purulenta. A necropsia mostrará principalmente lesões necróticas focais (puntiformes) nos pulmões. Coelhos é a espécie mais afetada, com instalação rápida, sem sintomatologia aparente, havendo alta mortalidade. Morrem tanto coelhos adultos quanto jovens. O diagnóstico é dado pela necropsia, onde se observa esplenomegalia, com pontos branco-amarelados de aspecto necrótico. A impressão de fragmentos esplênicos fixados em metanol e corados pelo Giemsa, revelam OS taquizoitas. Cães doença febril, anorexia, tristeza, dispnéia e pneumonia, rinorréia e conjuntivite catarral, linfoadenomegalia e diarréia (quadro muito parecido com sinomose). Alguns animais mudam OS hábitos, ficam agressivos ou apáticos, podem apresentar sialorréia, convulsões, paresia e paralisias (diagnóstico diferencial com a raiva). Suínos é relativamente rara, sendo mais comum em leitões. Sinais pneumônicos, encefalíticos e aborto. Ovinos e caprinos é uma importante enfermidade, com alta proporção de abortos, principalmente quando a infecção ocorre entre 45 e 55 dias de gestação. Nos abortamentos observam-se lesões necróticas cotiledonárias. Eqüinos pouco se sabe sobre a doença nesta espécie, mas OS casos referenciais são de toxoplasmose com sintomas principalmente de paresia e paralisia dos membros posteriores. Homem a infecção é muito comum, sendo que desenvolvimento da doença é de baixa incidência, ocorrendo esporadicamente. Os sintomas são febre ligeira, mal estar e linfadenopatia geral. Pode ocorrer pneumonia, miocardite, encefalite e retinocoroidite. Pode causar infecções congênitas, em mulheres grávidas, levando ao aborto, natimortos ou lesão no SNC do feto (podem nascer cegos). Diagnóstico Associação das manifestações clínicas com a confirmação através de testes sorológicos ou por demonstração dos organismos em tecidos de camundongos inoculados com material suspeito. Mas testes sorológicos dificilmente são praticados, pois tem valor elevado. Deve ser feito como pré-natal. Como é comum a presença de anticorpos contra Toxoplasma gondii na população, O diagnóstico sorológico deve apresentar um significante aumento nos títulos de anticorpos para diagnosticar a doença. Em cães e gatos O diagnóstico se baseia em métodos diretos, que consistem na identificação do parasita em materiais dos animais infectados, eletroforese do soro mostrando hipograma ou a gamaglobulinemia, e métodos 822:17 Sáb 19 de jan 86% Toxoplasma. O diagnóstico diferencial deve ser praticado quando sintomas são semelhantes aos de outras doenças, para excluir a possibilidade de ser uma destas outras doenças. Particularmente em cães, DD deve ser feito com a sinomose, isosporose, estrongiloidose, dipilidiose, intoxicação por inseticidas e raiva (mais raramente). Tratamento O tratamento específico nem sempre é indicado nos casos em que hospedeiro é imunocompetente (está com sistema imunológico OK), exceto em infecção inicial durante a gestação ou na vigência de coriorretinite, miocardite, dano em outros órgãos. Os medicamentos utilizados mais comumente na terapêutica da toxoplasmose canina e felina são as sulfonamidas, a pirimetamina e a clindamicina, tendo sempre apoio dos testes sorológicos baseados na identificação de IgG e de IgM, que possibilitaria rastreamento da infecção. Normalmente usa-se a pirimetamina (Daraprim antimalárico) associado a sulfadiazina. Ambos são administrados via oral, sendo a pirimetamina na dose diária de 0,5mg/kg, e a sulfa a 100 mg/kg de peso, por 2 a 3 semanas. Para coelhos pode-se dissolver 1 comprimido de Daraprim (25mg/5 litros) na água de beber, associada a sulfamezatina a por 3 semanas. Para cães pode-se utilizar medicamento Fansidar Roche, de uso humano, que já é a associação de sulfadoxina e Daraprim. Dilui-se um comprimido (25mg de Daraprim) em 10ml de água e administra-se 1ml/5kg de peso. Prevenção e controle Cozimento das carnes tanto para homem como para animais. Os animais devem ser mantidos domiciliados e bem alimentados, dificultando-lhes hábito de caçar roedores e aves, que podem estar infectados. Nem as pessoas que criam gatos, bem como OS veterinários, possuem um risco significante maior de adquirir a toxoplasmose do que a população em geral, mesmo valendo-se para gestantes e pacientes imunodeprimidos. Assim, esta população não deve ser afastada dos seus animais. Há de se tomar precauções, removendo as fezes dos felinos diariamente, prevenindo a esporulação de possíveis oocistos no convívio humano, tarefa que não deve ser realizada por gestantes e pacientes com imunodepressão. Devem ser utilizadas luvas sempre que sejam manipuladas as fezes dos gatos, assim como nos procedimentos de jardinagem. A administração de corticóides aos gatos faz com que eles logo comecem a eliminar oocistos com as fezes. Estes oocistos precisam de poucos dias para 9