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Katia Cilene Balugar Firmino - Portabilidade da Previdência Complementar

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com valores diferentes das reservas matemáticas. Entendemos que, para os 
Planos de “BD”, que podem gerar situações deficitárias ou superavitárias, 
deve-se agregar esses resultados às reservas matemáticas. Ou seja, o valor 
ideal seria liberar, para o participante que optou por um dos institutos em 
questão, as reservas matemáticas, acrescidas do correspondente superávit ou 
reduzidas do respectivo déficit.”61
A resolução CGPC n. 6/03, ao equiparar o valor portado ao montante ao qual teria 
direito o participante na hipótese de abandono do regime complementar, desestimula a opção pela 
portabilidade, na medida em que confere ao participante direito sobre montante em nada superior 
ao resgate, com a desvantagem da indisponibilidade dos valores, traço inerente à portabilidade, o 
que faz evidentemente mais vantajoso o desligamento, em comparação à persistência do 
participante no regime complementar. 
Nesse aspecto, a resolução CGPC n. 6/03 contraria o espírito da Lei 
Complementar n. 109/01, que albergou o instituto da portabilidade como modo de incentivar a 
persistência em plano de previdência privada, desbordando ainda dos limites impostos pelo 
parágrafo único do art. 15 da referida norma, já que neste ponto a lei não permite regulamentação 
diferenciadora, nada dispondo que fizesse inferir sobre qualquer particularidade a depender da 
modalidade do plano ou da data em que foi instituído quanto à fixação de parâmetro outro que 
não o da superioridade entre a reserva constituída e a reserva matemática para fim de 
dimensionamento dos valores portáveis. 
 
 
 
 
61 CONDE, Newton Cezar. Portabilidade e vesting. In: REIS, Adacir (Coordenador). Fundos de Pensão em Debate, 
Brasília : Brasília Jurídica, 2002, p. 161/169. 
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6.2.2 Planos instituídos a partir da Lei Complementar n. 109/01 
 
No que respeita aos planos instituídos a partir da Lei Complementar n. 109/01, 
cujos cálculos atuariais devem considerar os saques decorrentes da portabilidade, a 
regulamentação pautou-se segundo o disposto no parágrafo único do art. 15 da referida norma, 
limitando-se às adaptações necessárias segundo o tipo de plano tratado, salvo a questão quanto à 
composição das reservas constituídas nos planos de benefícios definidos. 
Observe-se quanto aos planos de benefício definido que o quantum portado tomará 
por base o maior valor dentre a reserva constituída e a reserva matemática, enquanto nos planos 
de contribuição definida tal equivalerá à reserva constituída com base nas contribuições do 
participante e do patrocinador ou empregador, o que é facilmente justificado, já que neste tipo de 
plano o valor do benefício é definido apenas na data da concessão. 
Até aqui, o poder regulamentar foi fiel às disposições legais, apenas adaptando os 
comandos normativos de modo a torná-los concretos segundo os tipos de planos. 
Contudo, não se vê fundamento legal, ou razão de ordem atuarial, que justifique a 
distinção de como se apura a reserva constituída em plano de benefício definido. 
Veja que, nos termos da resolução, em plano de contribuição definida a reserva 
matemática corresponderá às contribuições do participante e do patrocinador ou empregador, 
conforme já referido (b, II, art. 15, resolução CGPC n. 6/03), ao passo que nos planos 
organizados segundo o benefício definido as reservas constituídas seriam formadas tão-só com 
os valores acumulados pelas contribuições vertidas pelo participante (§ 3o, art. 15, resolução 
CGPC n. 6/03). 
É fato que o mutualismo é mais presente em planos do tipo benefício definido, o 
que dificulta a apuração do quinhão ao qual teria direito o participante em caso de portabilidade, 
havendo ainda previsão regulamentar de que se a reserva matemática for maior, ela servirá como 
parâmetro a fixar o valor portado, ao invés da reserva constituída. 
Porém, tal não justifica separar os valores vertidos pelo patrocinador, esvaziando a 
reserva constituída, a qual, no caso concreto, poderia resultar maior que a reserva matemática se 
considerado o conjunto das contribuições do participante e do patrocinador. 
A regra normativa em exame trata de plano formado a partir da Lei Complementar 
n. 109/01, de modo que o empregador, ao optar por patrocinar plano de benefício definido, 
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deveria considerar essa modalidade de plano mais o instituto da portabilidade, levando em conta 
isso tudo por ocasião dos cálculos atuariais, o que bastaria para evitar inconvenientes ao 
equilíbrio financeiro do plano. 
Sob outro giro, vale lembrar o quanto dito no tópico em que se discorreu sobre as 
contribuições vertidas pelo patrocinador e seu reflexo à esfera de interesses do participante, de 
modo que a premissa à interpretação conforme os ditames constitucionais, especialmente aquele 
relativo à independência entre a relação trabalhista e a relação previdenciária, pressupõe o sentido 
de que as reservas constituídas são aquelas relativas à totalidade das contribuições vertidas, não 
importando em qual percentagem foram suportadas pelo participante ou pelo patrocinador. 
Nesse sentido é que se interpreta o disposto no parágrafo único, art. 15 da Lei 
Complementar n. 109/01 quanto à definição legal de direito acumulado como sendo 
correspondente às reservas constituídas pelo participante, conforme já defendido, e neste 
parâmetro é que deveria ter-se operado a regulamentação do dispositivo legal. 
Além de não encontrar ressonância no mandamento constitucional indicativo de 
como deve ser disciplinada a matéria em nível legal e, conseqüentemente, infralegal, a resolução 
do Conselho Gestor da Previdência Complementar, na parte em que despreza as contribuições 
vertidas pelo patrocinador em caso de participante de plano de benefício definido que opta pela 
portabilidade, desconsidera a razão de ser do patrocínio, tornando mera ilusão a idéia do 
participante de que a vantagem considerada, quando da celebração do contrato de trabalho, 
relativa ao patrocínio do plano, reverteria em seu interesse mesmo que desfeito o vínculo laboral. 
Fixada a aferição dos termos reservas constituídas pelo participante de modo 
compatível aos princípios constitucionais, a disposição regulamentar conflita com o ordenamento 
jurídico na parte em que define reserva constituída pelo participante como sendo o valor 
acumulado das contribuições vertidas por ele ao plano. (§ 3o, art. 15, resolução CGPC n. 6/03). 
 
 
 
 
 
 
 
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7 A PORTABILIDADE NAS DIVERSAS MODALIDADES DE PLANOS E SITUAÇÕES 
 
7.1 Questões Relativas ao Tipo do Plano 
 
A portabilidade é instituto cujo exercício não se apresenta de forma idêntica, visto 
que seu caráter atuarial propicia variações a depender da modalidade do plano adotado. 
Neste ponto, os questionamentos em decorrência do exercício da portabilidade são 
ocasionados muito mais em razão da modalidade dos planos envolvidos do que por conta do tipo 
de entidades que comparecem na condição de cedente e cessionária – entidades abertas e 
entidades fechadas. 
Linhas gerais, os planos organizam-se segundo duas grandes vertentes: os planos 
de contribuição definida e os planos de benefícios definidos. 
Nos planos de contribuição definida, o valor da contribuição é fixado quando da 
adesão ao plano, e o benefício tem definição por ocasião de sua concessão. 
Os valores vertidos pelos participantes são, portanto, individualizados, de modo 
que a mensuração do valor a ser portado é operação de relativa simplicidade. 
Os planos de benefícios definidos podem ou não se apresentar com características 
mutualistas, hipótese em que a portabilidade de valores torna-se operação bem mais complexa. 
Há planos de benefícios definidos organizados