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UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS Núcleo de Ensino a Distância UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS Núcleo de Ensino a Distância UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS Núcleo de Ensino a Distância Estética e História da Arte Brasileira I NÚCLEO COMUM Créditos e Copyright M386e MARTINI, Fatima Regina Sans Estética e História da Arte Brasileira I Fátima Regina Sans Martini. Atualizado por Scarlet Karen, Buzzi. – Santos, 2023. 93 fls. Universidade Metropolitana de Santos, Artes Visuais, 2006. 1. Artes Visuais. 2. Educação a distância. 3.História da Arte Brasileira. CDD 709.81 Vanessa Laurentina Maia Crb8 71/97 Bibliotecária UNIMES Este curso foi concebido e produzido pela UNIMES Virtual. Eventuais marcas aqui publicadas são pertencentes aos seus respectivos proprietários. A UNIMES Virtual terá o direito de utilizar qualquer material publicado neste curso oriundo da participação dos alunos, colaboradores, tutores e convidados, em qualquer forma de expressão, em qualquer meio, seja ou não para fins didáticos. É proibida a reprodução total ou parcial deste curso, em qualquer mídia ou formato. SUMÁRIO Aula 01_Arte Rupestre 4 Aula 02_Arte Marajoara 7 Aula 03_Arte Indígena 10 Aula 04_Arte Colonial 13 Aula 05_Arquitetura Colonial 17 Aula 06_Holandeses no Brasil 25 Aula 07_Frans Post e Eckhout 28 Aula 08_Igrejas do Brasil 31 Aula 09_Barroco I 37 Aula 10_Barroco II 45 Aula 11_Antônio Francisco Lisboa 54 Aula 12_Pintura Mineira 59 Aula 13_Missão Francesa no Brasil 63 Aula 14_O Neoclassicismo 68 Aula 15_Victor Meirelles e Pedro Américo 76 Aula 16_O Ecletismo 83 Aula 01_Arte Rupestre Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; Arte Rupestre. Os primeiros colonizadores no Brasil, no sentido de propagação territorial, foram os povos ameríndios. A origem desses povos ainda não foi plenamente esclarecida, mas segundo as opiniões há os que acreditam na descendência de antigas raças asiáticas e da Oceania, que teriam chegado à América pelo estreito de Bering ou pela navegação no Oceano Pacífico ou, ainda, no parentesco dos povos que aqui chegaram através da Corrente Malaio-polinésia pelo Sudeste Asiático até a América Central. A descoberta de um fóssil de onze mil anos, apelidado de Luzia, em Lagoa Santa, Minas Gerais, pertence a uma mulher com nítidas características de pessoas da Polinésia, indicando que deve ter havido alguma forma de povoamento vindo do Pacífico Sul. Acredita-se que, espalhados pelo território que hoje se denomina Brasil, existiam cerca de três mil nações indígenas. Apesar das pesquisas da arqueologia e antropologia, não sabemos com segurança como viviam alguns dos diversos grupos, pois esses não utilizaram a escrita, não deixando, portanto, nenhum documento sobre seus hábitos ou história. Sabemos, com certeza, que eles viviam da pesca e caça e que eram nômades, enquanto algumas tribos praticavam a agricultura e se mudavam quando os recursos alimentares acabavam. As dificuldades aumentam mais quando se busca pelos artefatos, os quais eram feitos de madeira, osso e fibra, não resistindo à passagem do tempo. Ao longo do tempo, principalmente após a conquista do território, muitas tribos foram dizimadas, restando hoje poucos grupos sobreviventes. Sítios Arqueológicos Sítios arqueológicos brasileiros muito antigos foram achados desde São Raimundo Nonato no Piauí, no Sítio da Pedra Furada, com aproximadamente 60.000 anos até à região dos pampas com 10.000 anos. Existe também um antiquíssimo conjunto achado na região de Lagoa em Minas Gerais, cujos descendentes mais próximos, hoje, seriam os indígenas cariris e botocudos. Alguns grupos habitavam o território do Ceará há cerca de trinta mil anos. Figura 1: Pintura Rupestre. Fonte: Um caçador prestes a pegar um tatu, pintura rupestre. Parque Nacional da Serra da Capivara, Piauí. Fonte: https://ensinarhistoria.com.br/pre-historia-do-brasil-parte-2/. Acesso: 26 out. 2022 Descrição da imagem: Essa obra é representada por meio de um desenho feito na parede da caverna no Parque Nacional da Serra da Capivara em Piau, usando sangue de animal para representar um caçador prestes a pegar um tatu. A parede tem a cor alaranjada e o desenho feito com sangue tem a cor vermelha. O desenho tem uma forma orgânica, característica dos desenhos rupestres. Os grupos étnicos que viveram na Serra da Capivara – Parque Nacional Serra da Capivara – por cerca de doze mil anos, deixaram como testemunho as pinturas rupestres. A comunicação social através dos desenhos com uma iconografia e significação próprias, perdeu-se no tempo. Ficando para nossa leitura somente as características de cada grupo e a interpretação de alguns desenhos e composições questionáveis quanto às formas. Caverna da Pedra Pintada Em 1996, foram encontrados vestígios da presença do homem há pelo menos onze mil anos na Caverna da Pedra Pintada, na região de Monte Alegre, às margens do Rio Amazonas. As pinturas rupestres sugerem o estágio paleolítico no Novo Mundo. A partir dos vestígios, os pesquisadores acreditam que os habitantes da região dominavam o fogo e eram caçadores. REFERÊNCIAS ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. São Paulo: Pioneira, 1986. BEUTTERNMULLER, Alberto Frederico. Viagem pela Arte Brasileira. São Paulo, Aquariana, 2002. CRANDELL, Anne Shaver. A Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. ECO, Umberto (org). História da beleza. São Paulo: Record, 2012. GARCEZ, Lucília. Explicando a Arte Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. Aula 02_Arte Marajoara Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; Arte Marajoara. Na Ilha de Marajó, no Pará, foram encontradas diversas urnas funerárias e peças para preparo e guarda de alimentos em cerâmica ornamentada com desenhos geométricos. Diversas hipóteses surgiram indicando possíveis origens da cerâmica da ilha do Marajó. Uma delas é a de que as fases arqueológicas da ilha do Marajó foram cinco, correspondendo, cada uma, a diferentes culturas, instaladas na região e a diferentes níveis de ocupação. A fase Marajoara, teria ocorrido, provavelmente, entre os anos 200 e 690 d.C. Segundo pesquisas arqueológicas e antropológicas uma parte dos habitantes da ilha teria se transferido para a região da selva Amazônica. No Amazonas, no Amapá e ao norte do Pará, em Belém, também foram encontradas peças ornamentadas, porém, em forma de animais e seres humanos, o que representa a grande diversidade de povos que habitaram esse imenso país e que ainda foi tão pouco diagnosticada. Figura 2: Cerâmica Marajoara. Fonte: Cerâmica Marajoara. 200 e 690 d. C. Ilha de Marajá, Pará, Brasil. Fonte: http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2008/jusp823/pag09.htm. Acesso: 26 out. 2022. Descrição da imagem: Nessa imagem encontra-se uma urna funerária, com pintura em vermelho e preto sobre um fundo branco. Apresenta a superfície totalmente recoberta por grafismos com excisão em motivos geométricos e representações de seres híbridos que misturam características antropomorfas e zoomorfas. Cerâmica Tapajônica Representando a fauna amazônica. Objetos de cerâmica em estilo Santarém, achados em lugares distantes entre si, indicam que havia um contato intenso entre os índios tapajós e as tribos vizinhas, seja pelo comércio, seja pela dominação direta. É possível que houvesse um poder central exercido por um chefe tapajó, reunindo tribos vizinhas. A cerâmica oferece aos arqueólogos pistas sobre o dia a dia dos tapajós. É feito com argila e cauxixi, uma esponja de rio. A mistura fica dura e leve como porcelana. Figura 3: Cerâmica Tapajônica. Fonte: Cerâmica Tapajônica. Jarro de formas rebuscadas feito por indígenas tapajós que até o século XVII habitavam o lugar onde hoje é Santarém, no Pará. Fonte: http://www.terrabrasileira.com.br/folclore/ca-ntapajo.html. Acesso: 26 out. 2022.dos pintores com tradição colonial e José Leandro de Carvalho foi retratista oficial da família real. SÃO PAULO NO SÉCULO XVIII São Paulo passava por um período de estagnação quando as primeiras vilas mineiras se formaram. O isolamento do litoral e a pobreza geraram uma criação artística diferente das outras cidades no mesmo período. A arquitetura paulista girou ao redor dos estabelecimentos agrícolas. As construções das casas em terrenos inclinados passaram a ser assobradadas com entradas em dois níveis, no sistema de taipa de mão e pau a pique com muros de pedra. No litoral, o desenvolvimento proveniente da cana de açúcar, em meados do século XVIII, gerou a construção de engenhos entre a Serra do Mar, entre eles, o Engenho D’Água ou Engenho São Matias em São Sebastião. As construções serviam como habitação e como local de trabalho. Das poucas construções do período, “destacam-se o conjunto formado pela igreja e o convento da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência e a igreja e convento de Nossa Senhora da Luz.” (Proença, 2005, p. 202) Atuando em São Paulo em fins do século XVIII, encontramos o pintor, dourador e restaurador José Patrício da Silva Manso. O artista atuou em São Paulo entre 1770 e 1780, pintando o teto da Capela-mór da nova igreja do Mosteiro dos Beneditinos. Trabalhou em Itu, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária e no teto da Capela mór[footnoteRef:10] da Ordem Terceira do Carmo. [10: Capela mór – O mesmo que abside, localizado para dentro da igreja] Retornando em 1784, para São Paulo, executou a decoração do teto e pintou alguns quadros para Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, a Ordem Terceira do Carmo e a Igreja da Ordem Terceira das Chagas do Seráfico Pai São Francisco até 1793. Outro pintor reconhecido que atuou na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, em Itu, foi Jesuíno Francisco de Paula Gusmão, nascido em Santos, em 1764, mais conhecido como Jesuíno de Monte Carmelo. Jesuíno do Monte Carmelo foi discípulo de José Patrício da Silva Manso e atuaram quase em todas as mesmas igrejas. Os retábulos executados no século XVIII nas igrejas paulistas são exemplares da decoração barroca e rococó, em uma combinação de elementos arquitetônicos executados em madeira dourada e policromada. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário, do Embu, abriga preciosos conjunto de talha, no qual se destaca uma mescla entre as formas dos modelos eruditos e as interpretações com sabor popular (Arte Sacra Colonial, 2005, p. 73-74). O SUL DO BRASIL Pelo interior do sul do país, seguiram os jesuítas em trabalho de catequese. A zona de colonização foi chamada de Missões. Estabelecidos nas terras de ninguém, os jesuítas puderam realizar um trabalho de integração com os guaranis, durante aproximadamente 140 anos. Os primeiros povos ou povos originais da região do atual estado do Rio Grande do Sul já estavam aculturados, em boa parte, especialmente devido ao estabelecimento dessas missões jesuíticas. ________________________ Em 1753, porém, os bandeirantes, unidos às forças espanholas, atacaram essas regiões. Finalmente, em 1759 os jesuítas foram expulsos, sendo impossível qualquer tentativa de reconstrução da cultura original das Missões. Tropeiros paulistas e mineiros, reforçados com a chegada de casais açorianos, estabeleceram o domínio português na região. As pessoas escravizadas de origem africana começaram a ser levadas em maior número ao estado do Rio Grande do Sul, a partir do final do século XVIII, com o desenvolvimento das charqueadas, e chegaram a representar metade da população rio-grandense em 1822. Os espanhóis introduziram a criação de gado que, rapidamente, tornou-se a economia predominante no Rio Grande do Sul. Espanhóis, portugueses e indígenas deram origem ao tipo regional gaúcho, com uma fusão de costumes. MINAS GERAIS NO SÉCULO XVIII No início da formação das vilas mineiras, os construtores utilizaram a mão de obra mameluca, mulata e negra disponíveis no local. Os padres mineiros não pertenciam às ordens religiosas e conventos, a imprensa era proibida e a indústria não existia. Estruturada assim, de modo diverso das outras regiões, a sociedade de Minas Gerais se subdividiu em brancos, pardos e negros escravos e em irmandades religiosas ou confrarias. Essas irmandades lutavam entre si e impulsionaram a Arquitetura, procurando, na ostentação, o poder e prestígio. Nas moradias foi aplicada a técnica de estruturas autônomas de madeira preenchidas pela taipa de mão. Pouco a pouco surgiram as construções de pedra, iniciando pelas casas mais modestas e capelas mais humildes. Com ângulos retos, paredes brancas, apresentavam molduras nas portas e janelas na cor azul, graças ao anil de certas plantas das redondezas. Mais tarde, foram construídas grandes igrejas de taipa e de pedra. Os acabamentos evidenciavam as origens culturais. As construções, levantadas pelos mamelucos, por exemplo, que trabalhavam com os carpinteiros do Reino, peritos em cortar pedras, apresentava um exterior muito simples. Apesar do exterior simples, o interior das igrejas apresentava uma decoração muito rica. Os retábulos compunham-se de colunas torsas, ou retorcidas profusamente, ornamentadas com motivos fitomorfos, como folhas de acanto e cachos de uva, por exemplo e com motivos zoomorfos. A partir de 1760, os retábulos internos passam a ser executados somente com elementos do rococó francês: conchas, laços, guirlandas e flores; revestimento com fundos brancos e douramentos nas partes principais da decoração. Em meados do século, as alvenarias de pedra dura, chamada de canga12 foram aperfeiçoadas e as paredes puderam ser mais altas, delgadas e curvadas à vontade. As construções possuíam fachadas com soluções decorativas as mais diversas. Em um processo demorado e difícil, escultores e construtores conseguiram dar uniformidade plástica aos espaços, tetos e paredes. Os vilarejos cresceram muito. Vila Rica, Mariana, Sabará, Congonhas do Campo, São João del Rei, Caeté, Catas Altas começaram a desenvolver- se e construir seus primeiros edifícios importantes. (Proença, 2005, p. 204) O Barroco português influenciou toda arquitetura mineira, no entanto, através dos artistas e construtores da própria região, as construções foram adquirindo características próprias. 1. Igreja de Nossa Senhora do Pilar, Ouro Preto. Remodelada em 1736 pelo português Francisco Antônio Pombal, o interior da Igreja de Nossa Senhora do Pilar, foge às paredes planas e apresenta retábulo joanino, de autoria de Francisco Xavier de Brito. O interior antigo foi revestido com um excesso de motivos ornamentais, em que predominam os elementos escultóricos. A partir de 1760, os retábulos internos passam a ser executados somente com elementos do rococó francês: conchas, laços, guirlandas e flores; revestimento com fundos brancos e douramentos nas partes principais da decoração. _________________________ 12Minério de ferro contido na pedra mineira. 2. Igreja de São Francisco de Assis, Ouro Preto. Construída em 1765, a Igreja de São Francisco de Assis foi planejada, esculpida, talhada e ornamentada por Antônio Francisco Lisboa, o ALEIJADINHO (c. 1730-1814). É considerada a obra-prima do período rococó brasileiro. As pinturas no teto são de autoria de Manuel da Costa Ataíde (1762-1830). 3. Igreja de Santa Efigênia, Ouro Preto. A construção da Igreja de Santa Efigênia, em Ouro Preto, é datada de 1733 a 1785. A Capela mór recebeu talha de Francisco Xavier de Brito e a construção recebeu a supervisão técnica de Manuel Francisco Lisboa. 4. Igreja Nossa Senhora do Rosário, Mariana. A Igreja Nossa Senhora do Rosário substituiu a primitiva capela datada de 1709. O projeto da igreja atribuído a Antônio Pereira de Souza Calheiros é composto por duas grandes elipses que se juntam para formar a nave e a abside. O risco do frontispício e da empena é atribuído a Manuel Francisco de Araújo. REFERÊNCIAS ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. São Paulo: Pioneira,1986. BEUTTERNMULLER, Alberto Frederico. Viagem pela Arte Brasileira. São Paulo, Aquariana, 2002. CRANDELL, Anne Shaver. A Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. ECO, Umberto (org). História da beleza. São Paulo: Record, 2012. GARCEZ, Lucília. Explicando a Arte Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. PROENÇA, G. História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. Aula 11_Antônio Francisco Lisboa Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; Aleijadinho. Vimos, o início das construções mineiras com a chegada dos bandeirantes e o impulso da região graças às minas de pedras e metais preciosos. Observamos, também, a Arquitetura religiosa de Minas Gerais no século XVIII, no estilo barroco e rococó. Escultor, entalhador, desenhista, projetista e construtor. Com um estilo entre o Barroco e o Rococó, Antônio Francisco de Lisboa (c. 1730-1814), conhecido por ALEIJADINHO, é considerado o maior artista brasileiro do final do século XVIII e início do século XIX Antônio Francisco Lisboa nasceu em Ouro Preto por volta de 1738. Filho do arquiteto português Manoel Francisco Lisboa e de uma negra, escrava de sua propriedade, chamada Isabel. De personalidade forte e perseverante, teve noções de música e latim, aprendeu a ler, escrever, e estudou desenho e arquitetura com os mestres da época. Em 1812, ficou totalmente paralítico e morreu pobre em 1814. Seu corpo foi enterrado no interior da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição. A cidade de Minas Gerais decaía, abarrotada de padres, procissões, cruzes, festas, tradição. À noitinha, o povo mineiro meditava, passeando pelas ruas mal iluminadas. Aceito como artista de valor, Antônio Francisco Lisboa, segundo Mário de Andrade, quase não foi reconhecido em seu tempo e esquecido no século passado. Os que o descobrem tem a tendência a deformá-lo ou a não compreender sua obra, chamando-o muitas vezes de primitivo, o qual pode significar iniciador de novas ideias, perturbado ou próximo à feiura. O que os brasileiros conhecem desse artista mineiro é que esculpia com mãos deformadas e que ajudou na construção de algumas igrejas e é nelas que aparecem as contradições entre a arte conservadora lusitana e os processos de uma solução pessoal. O tipo de igrejas como São Francisco, de Ouro Preto, e São João D’el-Rei, não corresponde apenas ao gosto do tempo, “como já se distingue das soluções barrocas luso-coloniais, por uma tal ou qual denguice, por uma graça mais sensual e encantadora, por uma ‘delicadeza’ tão suave, eminentemente brasileiras”. (Andrade, 1965, p. 34) Sobre a individualidade de ALEIJADINHO deve-se determinar e constatar sua obra e as diversas fases relacionadas à sua doença. Madeira e pedra foram tratadas de maneiras diferentes, numa variedade assombrosa. E, na escultura, segundo Mário de Andrade, “é toda uma história da arte. Bizantino, gótico, renascente, frequentemente expressionista” e continua “o único que se poderá dizer nacional, pela originalidade das suas soluções. Era já um produto da terra, e do homem vivendo nela.” (Andrade, 1965, p. 44) Acredito que esse texto, com as citações maravilhosamente redigidas por Mário de Andrade, deu uma mostra dos preconceitos que os nossos artistas sofreram ao longo do tempo, principalmente em termos de características raciais. Finalizo com mais um pouquinho de Mário de Andrade sobre o artista Aleijadinho. Mas abrasileirando a coisa lusa, lhe dando graça, delicadeza e dengue na arquitetura, por outro lado, mestiço, ele vagava no mundo. Ele reinventava o mundo. [...] Evoca os primitivos itálicos, bosqueja a Renascença, se afunda no gótico, quase francês por vezes, muito germânico quase sempre, espanhol no realismo místico. É um mestiço, mais que um nacional E só é o Aleijadinho na riqueza [. ] de suas idiossincrasias. E nisto em principal é que ele profetizava americanamente o Brasil. (Andrade, 1965, p. 46) Apesar dos preconceitos em relação aos artistas e aos mestiços, principalmente, o Aleijadinho obteve celebridade ainda em vida. O artista era solicitado e disputado por Ordens religiosas e municípios mineiros. Antônio Francisco Lisboa efetuou riscos, projetos, esculturas, talhas e/ou detalhamento de muitas das igrejas levantadas no período. Quando observamos bem as obras de Aleijadinho, compreendemos a força do seu gênio e da sua arte. As características próprias do Barroco adquirem um seus trabalhos uma feição particular. Observe que os olhos são expressivos, espaçados e amendoados. Têm um ar oriental. As maças do rosto não são arredondadas, como em geral se apresentam nos anjos barrocos. O nariz é reto e alongado, o que dá muita força às fisionomias. Os lábios estão entreabertos, trazendo uma ideia de movimento e vida à figura. O queixo é pontiagudo e o pescoço é alongado, conferindo elegância e altivez à imagem esculpida. As obras das vestes indicam movimento e energia. Figura 15: Aleijadinho Fonte: Aleijadinho/Minas Gerais Disponível: https://oestadodaarte.com.br/o-aleijadinho// acesso em 21 mar. 2023. Descrição da imagem: Na imagem, vemos um dos discípulos de Aleijadinho. Todo feito em pedra sabão. Temos apenas o rosto com o nariz pontudo, lábios pequenos e olhos amendoados, uma característica do artista. Cabelos enrolados longos e barba enrolada até o queixo. Entre as obras destacam-se: 1. Em Ouro Preto Igreja de São Francisco de Assis e Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias. Nos anos de 1769 a 1771, o artista trabalhou nas esculturas em pedra-sabão da fachada e na porta da Igreja da Ordem Terceira do Carmo. Entre 1771 e 1794 realizou a decoração das Igrejas Nossa Senhora das Mercês e Perdões e Nossa Senhora do Pilar. 2. Em Congonhas Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Construída em meados do século XVIII, apresenta fachada com duas torres laterais ligadas ao corpo central. O portal recebe pedra sabão esculpida com volutas. Os Doze Profetas em pedra sabão no adro da Matriz de Bom Jesus de Matosinhos. 3. Em Sabará Igreja de Nossa Senhora do Carmo. A igreja possui características do Barroco e Rococó. Construída a partir da década de Sessenta do século XVIII. As imagens dos irmãos carmelitas, os dois púlpitos, o portal e frontão em volutas e querubins em pedra sabão, e o conjunto do coro são obras do Mestre Aleijadinho. 4. Em Caeté Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso. A igreja é uma das primeiras construídas em Minas Gerais no estilo barroco e decoração Rococó. Antônio Francisco Lisboa participou da construção e da decoração como aprendiz. 5. Em São João del-Rei Antônio Francisco Lisboa é o autor do risco do portal da Igreja de São Francisco de Assis. 6. Em Tiradentes Igreja Matriz de Santo Antônio. A fachada e o portal da igreja foram desenhados por Antônio Francisco Lisboa, no início do século XIX. Clique no link abaixo e conheça um pouco mais sobre Aleijadinho: https://oestadodaarte.com.br/o-aleijadinho/ REFERÊNCIAS ANDRADE, Mário de. Aspectos das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Martins, 1965 ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. São Paulo: Pioneira, 1986. BEUTTERNMULLER, Alberto Frederico. Viagem pela Arte Brasileira. São Paulo, Aquariana, 2002. CRANDELL, Anne Shaver. A Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. ECO, Umberto (org). História da beleza. São Paulo: Record, 2012. GARCEZ, Lucília. Explicando a Arte Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. PROENÇA, G. História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. Aula 12_Pintura Mineira Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; Pintura Mineira. Observamos a obra do artista mineiro Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido pelo nome de Aleijadinho. Uma obra de influências múltiplas, produzida por um grande artista, de caráter regional, formado em Minas Gerais. Com uma defasagem de quase quarenta anos em relação à arquitetura e à escultura, a pintura mineira sobressai com váriosnomes expressivos. A pintura mineira atingiu uma grande força na cobertura dos tetos religiosos, com diversos exemplos espalhados por várias cidades. Na década de Sessenta do século XVIII, podemos citar as pinturas de Manuel Rebelo e Souza e José Soares de Araújo. Na década de 70, Manuel Antônio da Fonseca e Silvestre de Almeida Lopes se destacam. No final do século XVIII, desponta os nomes dos pintores mineiros, Bernardo Pires da Silva, João Nepomuceno Correia e Castro; Manuel Ribeiro da Rosa, Antônio Martins da Silveira, João Batista de Figueiredo e Manuel da Costa ATAÍDE (batizado em 1762-1830), os quais se destacam por pinturas no teto das principais igrejas das cidades de Minas Gerais. 1. Manuel da Costa Ataíde Manuel da Costa Ataíde nasceu em Mariana. Filho do militar Luís da Costa Ataíde e de Maria Barbosa de Abreu. Começou a pintar por volta do ano de 1781, ano em que há registro de seu primeiro trabalho: a pintura de imagens para o santuário de Bom Jesus dos Matozinhos, em Congonhas do Campo. Foi o único pintor mineiro do período a receber destaque. Fiel à temática religiosa, seus santos, anjos e demais personagens tinham como principal característica os inconfundíveis traços mestiços, bem brasileiros. O artista buscava inspiração na Bíblia, nos missais e nos livros que chegavam da Europa, evidenciando a transição para o estilo Rococó. Muitos dos trabalhos de Ataíde foram executados paralelamente às obras do Mestre Aleijadinho, como por exemplo, o painel que decora o teto da nave (parte central mais alta da igreja) da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto. No teto da nave da igreja, Ataíde representa a Assunção de Nossa Senhora, com anjinhos mulatos substituindo os rosados querubins dos modelos tradicionais europeus. A Virgem Maria, também mulata, exibe os traços da mulher que era companheira do pintor, Maria do Carmo. Figura 16: Assunção de Nossa Senhora. Fonte: ATAIDE, Manuel Da Costa (Batizado Em 1762-1830) Assunção De Nossa Senhora, Início Do Século XIX. Pintura No Teto Da Igreja São Francisco De Assis Em Ouro Preto. Disponível: Http://Celacc.Eca.Usp.Br/Sites/Default/Files/Media/Tcc/Gabriela_Ramos_Ribeiro_Martins.Pdf. Acesso: 26 out. 2022. Descrição da imagem: A obra do artista Mestre Ataíde é uma pintura no teto da Igreja São Francisco de Assis em Ouro Preto. Certamente, essa é uma das obras mais aclamadas de Mestre Ataíde. Vemos um medalhão central onde retrata a gloriosa Assunção da Virgem, rodeada por uma orquestra de anjos de todas as idades. Maria está em uma atitude de oração, com um semblante sereno, assentada em um trono de nuvens, rodeada por raios de luz e apoiada em um crescente lunar. Ao seu lado está o Menino Jesus, em pé sobre uma mesa, diante de um devoto Santo Antônio. Essa é uma composição complexa, muito colorida, com ênfase no vermelho e azul, e integrada à arquitetura da igreja. Outra obra notável de Ataíde é a pintura do teto da nave da Igreja do Santuário do Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo, onde estão os Doze Profetas de Aleijadinho. No teto azul voam e se entrelaçam anjos mestiços, sem dúvida, brasileirinhos. Artesanato e Mobiliário Brasileiro no Século XVII A ourivesaria brasileira no século XVIII, mais precisamente das regiões de Minas, Bahia e Rio de Janeiro, foi confeccionada com uma grande dose de ingenuidade, despojamento e criatividade. O estilo sóbrio inicial transformou-se nos ricos ornamentos do estilo rococó, com folhas de acanto, conchas e volutas. O número de ourives fiscalizados em rédeas curtas pela Coroa era muito grande em fins do século XVIII. Apesar do controle severo e dos impostos altos, uma imensa produção de ornamentos em ouro e prata saía das principais cidades. Somente a partir de 1815, os ourives puderam trabalhar em paz. O revestimento arquitetônico à base de azulejos floresceu no século XVIII, predominando a policromia no azul e branco, representando vidas de santos, temas marítimos, paisagens, cenas pastoris, quase sempre com molduras barrocas. Os azulejos ficaram tão famosos que passaram a decorar as fachadas e fazer parte das construções civis. A imaginária no século XVIII torna-se vulgar com uma comercialização intensa. O mobiliário se define pelos três estilos segundo os monarcas dos períodos: D. João V, de 1706 a 1750, com um estilo fortemente influenciado por Portugal D. José, de 1750 a 1777, com um estilo rococó francês. Dona Maria I, de 1777 a 1792, com um estilo mais simples e sóbrio. REFERÊNCIAS ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. São Paulo: Pioneira, 1986. BEUTTERNMULLER, Alberto Frederico. Viagem pela Arte Brasileira. São Paulo, Aquariana, 2002. CRANDELL, Anne Shaver. A Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. ECO, Umberto (org). História da beleza. São Paulo: Record, 2012. GARCEZ, Lucília. Explicando a Arte Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. PROENÇA, G. História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. Aula 13_Missão Francesa no Brasil Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; Missão Francesa. Em 1808, chegou ao Brasil a Corte portuguesa fugindo das tropas francesas de Napoleão. Com sua chegada, os portos foram abertos às nações amigas, entre elas, a Inglaterra. Até 1814, os ingleses tiveram exclusividade sobre o comércio brasileiro, provocando a queda de preço na entrada dos produtos industrializados, mas limitando as possibilidades de crescimento industrial, restringido a duas fábricas de ferro em São Paulo e Minas Gerais. A família real trouxe uma corte parasitária, prepotente e exigente frente aos habitantes do Rio de Janeiro, transformada em capital do reino português. Apesar de algumas instituições serem criadas a maioria só serviu de cabide de emprego. Os costumes se alteraram e a aristocracia rural passou para a cidade em busca de palacetes e bens importados. A nova realidade imposta gerou um protesto armado em Recife, em 1817. A Revolução Pernambucana sentiu a violência armada e a repressão portuguesa, quando os líderes foram sumariamente executados. Em 1821, as Cortes portuguesas exigiram o retorno de D. João a Portugal, permanecendo no Brasil seu filho D. Pedro. A seguir, subordinaram todas as províncias ao comando direto de Portugal esquecendo-se da cidade do Rio de Janeiro, fecharam órgãos públicos, favoreceram os comerciantes portugueses e tentaram recolonizar o Brasil. As abastadas camadas sociais urbanas e rurais se uniram para envolver D. Pedro para que o mesmo realizasse a emancipação definitiva, mantendo o povo à margem do processo. Em 1822, o príncipe regente aceitou ficar no Brasil, destacando um ministério tendo à frente José Bonifácio. Em sete de setembro de 1822, a independência do Brasil se oficializou sob a velha estrutura conservadora e escravista dependente dos mercados externos, bem ao gosto da aristocracia. Os choques políticos entre a elite e o imperador marcaram o Primeiro Reinado resultando na abdicação de D. Pedro I em 1831, consolidando uma vez mais o poder dos grandes proprietários de terra. O período Regencial, de 1831 a 1840, foi marcado por lutas e reivindicações das camadas inferiores urbanas e rurais13. Em 1840, os líderes no governo se uniram em favor da maioridade do menino Pedro de Alcântara, restaurando o reinado, mantendo a monarquia e abandonando os princípios liberais. Assim se iniciava o Segundo Reinado. A situação política e econômica colonial de feição agrária foi a base que condicionou e limitou a criação artística no Brasil. O Iluminismo e as descobertas arqueológicas na Itália no final do século XVIII já haviam modificado o gosto e a arte do europeu. Contudo, no Brasil, a infiltração das novas ideias clássicas demorou um pouco. Com a chegada da Corte portuguesa em 1808, alguns dos elementos do classicismo expandiram-se ao gosto do próprio regente. A classe média era pouco numerosa e a elite se resumia às cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, onde a imigraçãoportuguesa se expandiu. A pintura de temas literários, históricos e alegorias militares correspondiam ao gosto dos círculos oficiais e da elite. O regente, embora não fosse culto, estimulou a criação de museus, bibliotecas e escolas. Professores, cientistas e artistas vieram participar da formação de escolas. A vinda de artistas e artífices, exilados bonapartistas, para o Brasil acelerou as transformações nos níveis artísticos. A missão ou colônia de Joaquim Lebreton (1760-1819) Antigo secretário da classe de Belas Artes na França, Lebreton trouxe um sistema de ensino em academia, onde o ensino de belas-artes se funde aos ofícios. Com ele chegou à baía da Guanabara, Nicolas-Antoine Taunay (1755- 1830), pintor de gênero e de batalhas; Jean Baptiste Debret (1768-1848), pintor de História; o arquiteto Auguste-Henri Victor Grandjean De Montigny (1776- 1850); o escultor Auguste-Marie Taunay (1768-1824); mecânicos, serralheiros, ferreiros, carpinteiros e comerciantes. Em novembro de 1820, a Academia e Escola Real das Artes, oficializa-se e se estabelece no Rio de Janeiro, formada por docentes franceses. _______________________ 13Cabanagem, no Grão Pará, de 1835 a 1839; Sabinada, em Salvador, de 1837 a 1838; Balaiada, no Maranhão e Piauí; e a Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul, de 1835 a 1845. Não foi fácil para a Missão o convívio e a sobrevivência no Brasil, pois o neoclassicismo imposto produziu uma grande tensão entre a população colonial que tendia a rejeitar a arte em níveis aristocrático e burguês. 1. Nicolas-Antoine Taunay Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830), desde cedo um grande artista, iniciou a vida artística pintando paisagens. Participou da Academia em Roma e na França. No período de Napoleão, Taunay pintou cenas de batalha em uma intensa atividade artística. A produção do artista no Brasil compreendeu paisagens, personagens bíblicos, mitológicos e históricos, em um estilo baseado nos grandes paisagistas holandeses. Os filhos de Taunay, Felix-Émile Taunay (1795-1881) e Adrien-Aimé Taunay (1803-1828), também se destacaram como pintores no Brasil. 2. Auguste-Henri Victor Grandjean de Montigny O primeiro trabalho no Brasil de Auguste-Henri Victor Grandjean de Montigny (1776-1850) foi o projeto para o edifício da futura sede da Academia de Belas Artes. O prédio da Academia construído em 1826 foi derrubado em 1937. Montigny realizou diversos projetos de arquitetura e urbanismo no Rio de Janeiro. 3. Jean Baptiste Debret Figura 17: Debret, Jean Baptiste (1768-1848) DETALHE. Negros Movimentando um Carro Fonte: DEBRET, Jean Baptiste (1768-1848) DETALHE. Negros Movimentando um Carro. Gravura extraída da obra Voyage Pittoresque et Historique au Brésil. Obra publicada em três volumes, entre 1834 e 1839, na França. Disponível: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Jean-Baptiste_Debret_-_Negros_de_Carro.jpg. Acesso: 26 out. 2022. Descrição da imagem: A obra de Debret, chamada: DETALHE. Negros Movimentando um Carro é uma ilustração que consiste em cinco pessoas negras escravizados em trabalho braçal empurrando um carro com caixotes em cima. Todos estão sem camisas e alguns de turbante e outros de chapéu de palha. Em frente a essa cena, em primeiro plano encontramos dois cachorros pequenos brincando e atrás vemos também casarios no estilo colonial em tons pastéis. Jean Baptiste Debret (1768-1848) viveu no Brasil por 15 anos, não se deixando abater pela hostilidade e pouco caso do ambiente estranho. A partir de 1823 viajou pelo Brasil desenhando a natureza e os tipos humanos de diversos estados, tornando-se professor de Pintura Histórica na Academia. Realizou gravuras a água-forte14 , aquarelas e organizou o Primeiro Salão de Belas Artes no Brasil, no Rio de Janeiro. De volta a Paris, depois de se desentender com o Imperador Pedro I, editou o livro em três volumes – Viagem pitoresca e histórica ao Brasil – com aquarelas e gravuras, ilustrando os usos e costumes brasileiros no período inicial do século XIX. Debret deixou muitos alunos e aprendizes no Brasil: Francisco Pedro do Amaral (1790-1831); Simplício Rodrigues De Sá (1785-1839); José de Cristo Moreira; Francisco Souza Lobo; José da Silva Arruda; José dos Reis Carvalho (c.1798-c.1892); Guilherme e Auguste Muller (1815-c.1883); Alphonse Auguste Falcoz; Joaquim Lopes de Barros Cabral Teive (1816-1863) e Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879). SAIBA MAIS Sobre a História do Brasil em: FIGUEIRA, D. G. História. São Paulo: Ática, 2005. Leia sobre a Missão francesa em: ARTE NO BRASIL, 1986, pp. 148-160. ______________________ 14Água-forte - Técnica de gravura na qual se utiliza a ação corrosiva de ácido sobre as partes postas a descoberto na superfície de uma placa metálica revestida de camada protetora. REFERÊNCIAS ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. São Paulo: Pioneira, 1986. BEUTTERNMULLER, Alberto Frederico. Viagem pela Arte Brasileira. São Paulo, Aquariana, 2002. CRANDELL, Anne Shaver. A Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. ECO, Umberto (org). História da beleza. São Paulo: Record, 2012. GARCEZ, Lucília. Explicando a Arte Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. PROENÇA, G. História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. Aula 14_O Neoclassicismo Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; Neoclassicismo. Observamos a chegada, no Brasil, em 1816, de artistas e artífices por meio da Missão francesa. Os mestres franceses deixaram alunos que continuaram a produção neoclássica no Brasil. A Academia e Escola Real das Artes impulsionaram a pintura neoclássica e histórica, incluindo a pintura de retratos. O estimulo romântico chegou através de novos artistas em viagens curtas ou através dos mestres que se fixaram no Brasil a pedido de D. Pedro II. Aquele impulso para o exagero, próprio do espírito barroco, começa a ser suavizado. O excesso de curvas e de expressividade vai sendo atenuado para dar lugar a uma arte mais tranquila e equilibrada. A passagem de um estilo para outro é sempre gradativa, vai acontecendo aos poucos, com pequenas transformações. No século XVIII, as manifestações populares de inspiração africana como o bumba-meu-boi, os reisados e as danças típicas continuavam prosperando, mesmo contra as ordens da igreja Católica, que reprimia o que não fosse de orientação religiosa. Alem disso, na colônia era proibido criar escolas superiores, tipografias e importar livros, ou seja, Portugal temia a emancipação cultural do Brasil. Na primeira fase de ação da Academia destacou-se o trabalho dos artistas Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879) e Simplício Rodrigues De Sá (17851839). Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879) foi contratado como professor de Pintura Histórica da Academia Imperial de Belas Artes, em 1837, no Rio de Janeiro. De 1854 a 1857 investido como diretor da Academia reformou os métodos de ensino e contratou novos professores. Poeta, teatrólogo, tradutor e diplomata, Porto-Alegre dedicou-se à literatura no Brasil e Portugal, sendo um dos pioneiros do romantismo. Simplício Rodrigues De Sá (1785-1839) estudou com Debret na Academia Imperial de Belas Artes. Em 1831 foi contratado como professor de Pintura Histórica e Desenho, onde atuou até 1837. Foi professor de desenho do imperador D. Pedro II e suas irmãs. Simplício foi acima de tudo um grande retratista. Outro artista que atuou no mesmo período dos alunos da Missão francesa foi Miguel Arcanjo Benício de Assunção Dutra, mais conhecido como Miguelzinho Dutra (1812-1875) escritor, artífice e ourives da cidade de Itu, interior de São Paulo. Com uma formação interiorana, sua obra foi composta com componentes intimistas, retratando populares, festas e paisagens de campo. Pintura de Paisagens – A presença dos Itinerantes. Durante o século XIX, veio para o Brasil grande número de pintores estrangeiros. Alguns integrantes de expedições científicas e artísticas,como a Missão austríaca e a Expedição Langsdorff, outros por conta própria. Encantados com a luz e o cenário tropical, eles desenharam e pintaram paisagens, marinhas e cenas de costume, sobretudo do Rio de Janeiro, documentando com detalhes aspectos pitorescos da vida brasileira. Entre os ingleses, estiveram no Brasil: Richard Bates (1775-1856); Henry Chamberlain (1796-1844) e Emeric Essex Vidal (1791-1861). Dos artistas portugueses destacaram-se: Joaquim Cândido GuillobeL (17871859) e Augusto Rodrigues Duarte (1848-1888), discípulo de Vítor Meirelles. Do grupo de italianos chegaram ao Brasil: Alessandro Cicarelli (1811- 1879); Luigi Stallone e Nicollo Antonio Facchinetti (1824- 1900), que permaneceu pintando a serra da Mantiqueira e outros recantos brasileiros. Entre os franceses: François-René Moreau (1807-1860), que se fixou no Rio de Janeiro, produzindo retratos brasileiros e pinturas históricas; Charles Othon Jean Baptiste (1777-1847) e Hercule Florence (1804-1879) entre outros. Da Áustria, o pintor Thomas Ender (1793 - 1875) veio para o Brasil em 1817, permanecendo por um ano, durante o qual pintou aquarelas e desenhos com observações do Brasil. O grupo de pintores alemães que veio para o Brasil foi um pouco maior. Alguns artistas permaneceram no país e outros foram chegando até o final do século XIX. Dentre eles os que mais se destacaram foram: Johann Moritz Rugendas (1802-1858), Edward Hildebrandt, Ferdinand Krumholz, Fridrich Hagedorn e Johann Georg Grimm (1846-1887), entre outros. Johann Moritz Rugendas (1802-1858) esteve no Brasil em 1822, acompanhando a comitiva da expedição de Langsdorff. Em 1825 voltou para a Europa depois de ter pintado paisagens e cenas de costumes por várias regiões. Retornou em 1831, por conta própria, permanecendo até 1846 no Brasil e outros países da América Latina. O Brasil em Meados do Século XIX Com a posse do imperador D. Pedro II, em 1840, restabeleceu-se a paz no Brasil convulsionado pelas rebeliões e consolidaram-se as instituições. A principal garantia material dessa estabilidade foi a prosperidade econômica, assegurada pela exportação do café. Do vale do Paraíba, os cafezais alcançaram São Paulo e o sul de Minas. A partir de 1870, as plantações chegaram ao Oeste paulista e por volta de 1880, o Brasil já produzia mais da metade de todo o café cultivado no mundo. Surgia assim uma nova camada de prósperos senhores de terra: os cafeicultores. Com um grande volume de dinheiro circulando, na década de 50 foram fundadas empresas industriais, bancos, caixas econômicas, companhias de navegação a vapor, companhias de seguro, estradas de ferro, empresas de mineração, transporte urbano e serviços de gás. A fase de relativo desenvolvimento só foi quebrada com a Guerra do Paraguai de 1865 a 1870. Em meados do século XIX a escravidão começou a ser contestada por amplos setores da sociedade. As pressões internacionais, principalmente da Inglaterra se intensificaram. O primeiro passo do governo após muita pressão foi extinguir o tráfico negreiro em 1850. Vale lembrar que a partir de 1870, surgiu um cafeicultor com uma mentalidade mais evoluída, que trocava a mão de obra escrava pela dos imigrantes vindos da Europa. Os primeiros imigrantes a chegar ao Brasil fixaram-se em algumas zonas rurais do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, e foram chamados de colonos. O Neoclassicismo na Arquitetura Introduzido por Auguste-Henri Victor Grandjean de Montigny (1776- 1850), o Neoclássico na arquitetura teve numerosos alunos, no Rio de Janeiro, como Justino de Alcântara Barros, autor do zimbório da Igreja da Candelária; José Maria Jacinto Rebelo, autor do projeto do atual Palácio do Itamaraty (1851-1855); entre outros. Foram esses discípulos que difundiram a Arquitetura neoclássica por toda a Corte como estilo oficial do Império. As investigações acerca das orientações teóricas da arquitetura produzida no Brasil da Independência levantam a forma de composição arquitetônica do Neoclassicismo como causa intelectual e política. O Neoclassicismo teria sido então adotado no Brasil durante a monarquia como instrumento civilizador, isto é, como meio de aproximar o país do modelo europeu de civilização. Algumas características da Arquitetura Neoclássica: Materiais nobres, como pedra, mármore, granito e madeiras. Processos técnicos avançados e sistemas construtivos simples. Esquemas mais complexos com linhas ortogonais. Formas regulares, geométricas e simétricas. Volumes corpóreos, maciços, bem definidos por planos murais lisos. Uso de abóbadas de berço ou de aresta. Uso de cúpulas. Espaços interiores organizados segundo critérios geométricos e formais Pórticos com colunatas e frontões triangulares A decoração recorreu a elementos estruturais com formas clássicas, à pintura rural e ao relevo em estuque, acentuando a intimidade e o conforto nas mansões familiares. O Brasil do século XIX graças à cultura do café propiciou um conforto para a sociedade que povoou de casas neoclássicas as regiões de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas e Nordeste. 1. No Nordeste No Nordeste, comandados pelo alemão Augusto Koersting, cerca de cem artistas e artífices modernizaram e atualizaram as construções em Pernambuco, a partir de 1839. “O neoclássico foi introduzido graças a Francisco do Rego Barros, conde da Boa Vista.” (ARTE NO BRASIL, 1986, p.160) O Palácio do Governo de Pernambuco, reformado pelo conde da Boa Vista, no ano de 1841, é um exemplo de Arquitetura no estilo neoclássico. 2. Na Bahia Na primeira metade do século XIX foi concluído o prédio da Associação Comercial, uma das construções pioneiras do estilo neoclássico na Bahia, com influência inglesa. O prédio apresenta o pórtico com quatro colunas, frontão triangular, escadaria externa com duas entradas e decoração na fachada composta de guirlandas. 3. No Rio de Janeiro No Rio de Janeiro, foi construído pelo arquiteto particular de D. Pedro I, o francês Pierre Joseph Pézerat, um palacete neoclássico, ao lado do palácio imperial, para a Marquesa dos Santos, que ali viveu entre 1826 e 1829. Figura 18: Marquesa de Santos, RJ. Palacete neoclássico Fonte: Marquesa de Santos, RJ. Palacete neoclássico. Século XIX. Disponível: http://mapadecultura.com.br/manchete/museu-do-primeiro-reinado-solar-damarquesa-de- santos. Acesso: 26 out. 2022. Descrição da imagem: A casa de Marquesa de Santos é localizada no Rio de Janeiro. É um casarão de estilo colonial e tem o estilo neoclássico. A casa possui dois andares, na cor branca e a fachada é totalmente simétrica, com disposição de colunas e um frontão que é a parte triangular da fachada ornado com esculturas em alto relevo. Possui uma porta central e o restante são janelas. Na foto está um dia lindo de sol aparecendo algumas folhas de uma arvore acima da foto. Arte Neoclássica, Romântica e Realista. A Arte Realista, por volta de 1850 a 1860, já se expandia na França, surgindo como expressão revolucionária, representando trabalhadores e as injustiças sociais, sobrepondo-se ao Romantismo na era industrial. No Brasil, o Realismo surgiu em meados do século, nas paisagens, dentro das limitações estéticas. Como a classe operária e os problemas urbanos e sociais ainda não ocorriam, os temas sociais não ocuparam espaço, só surgindo no final do século, mesmo assim de forma indelével e superficial. Aliás, os termos naturalismo e classicismo encobrem a arte figurativa e o ecletismo acadêmico tardio aplicado por muito tempo no Brasil. Dentre os artistas que se destacaram, de meados ao final do século XIX, com uma pintura em amplos termos figurativa acadêmica, às vezes neoclássica, às vezes romântica, outras realista, se encontram: Agostinho José da Motta (1824-1878), Johann Georg Grimm (1846-1887), Garcia Y Vasquez (Espanha,1859-1912); Joaquim José da França Junior (1838-1890); Giovanni Battista Felice Castagneto (1851-1900), os irmãos Francisco Renato e Luís Augusto Moreaux; Hipólito Caron (1862-1892); Vitor Meireles (1832-1903), Pedro Américo de Figueiredoe Melo (1843-1905) e José Ferraz de Almeida Junior (1850-1899). Agostinho José da Motta (1824-1878), em 1850, tornou-se o primeiro paisagista a obter o prêmio de viagem à Europa. Em 1856 funda com outros artistas a Sociedade Propagadora das Belas Artes no Rio de Janeiro. Foi Professor de Desenho e Paisagens na Academia Imperial de Belas Artes. Johann Georg Grimm (1846-1887) chegou ao Brasil em 1878, executando estudos das paisagens e iconografias das fazendas de café. Quando professor na Cadeira de Paisagem, Flores e Animais, de 1882 a 1884 na Academia Imperial de Belas Artes, Grimm introduziu a pintura ao ar livre, lembrando os Impressionistas franceses e italianos do final de 1870 em oposição aos acadêmicos. Em 1884, Georg Grimm, com os artistas Giovanni Battista Felice Castagneto (1851-1900), Hipólito Caron (1862-1892); Garcia Y Vasquez (1859-1912); Francisco Ribeiro (c. 1855-1900), Antônio Parreiras (1860-1937), Joaquim José da França Junior (1838-1890) e Thomas Driendl (1849-1916), fundou o Grupo Grimm, no Rio de Janeiro. Genovês, Giovanni Battista Felice Castagneto (1851-1900) veio para o Brasil em 1874 e estudou na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Em 1882, trabalhou como professor de Desenho no Liceu de Artes e Ofícios. Em 1885, o artista já pintava com técnicas no estilo impressionista. Figura 19: Castagneto, Giovanni Battista Felice Fonte: Castagneto, Giovanni Battista Felice. (1851 – 1900). Uma Salva em Dia de Grande Gala na Baia do Rio de Janeiro, 1887. Óleo sobre tela, MASP. Disponível: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra1114/uma-salva-em-dia-de-grande- gala-na-baia-do-rio-de-janeiro. Acesso: 26/10/2022. Descrição da imagem: O pintor preocupa-se em captar a luz sobre a água, à beira-mar. Nesta obra, as formas se desfazem através da bruma-luz à distância, e, em primeiro plano, os diversos elementos são compostos como manchas de cor, que ele aplica sobre a superfície da tela. Temos as cores pasteis nas tonalidades do marrom. Ao fundo vemos um pequeno morro e a frente navios se descolocando da Baia de Guanabara sombreado com o céu. A frente vemos um barco com uma bandeira e 5 pessoas remando. REFERÊNCIAS ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. São Paulo: Pioneira, 1986. BEUTTERNMULLER, Alberto Frederico. Viagem pela Arte Brasileira. São Paulo, Aquariana, 2002. CRANDELL, Anne Shaver. A Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. ECO, Umberto (org). História da beleza. São Paulo: Record, 2012. GARCEZ, Lucília. Explicando a Arte Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. PROENÇA, G. História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. Aula 15_Victor Meirelles e Pedro Américo Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; Victor Meirelles; Pedro Américo. Na última aula, observamos os artistas atuando em meados do século XIX. Continuamos com os dois maiores representantes e consagrados pintores desse período. VITOR MEIRELES (1832-1903) Natural de Desterro, atual Florianópolis, Santa Catarina, Vitor Meireles embarcou para o Rio de Janeiro para se matricular na Academia Imperial Brasileira (AIBA) em 1846. Em 1852 com o prêmio de viagem para a Europa mudou-se para Paris. Autor da mais popular das telas brasileiras: A Primeira Missa no Brasil - reproduzida em cadernos escolares, selos, cédulas monetárias, livros de arte, catálogos e revistas. Quero convidar você para olhar essa pintura e o seu passado histórico, mas com o seu olhar voltado no presente. Figura 20: A Primeira Missa no Brasil. MEIRELLES, Victor. Fonte: A Primeira Missa no Brasil. MEIRELLES, Victor (1832-1903). Óleo sobre tela. MNBA - Museu Nacional de Belas Artes, RJ. Brasil. Disponível: https://www.infoescola.com/historia/primeira-missa-no-brasil/. Acesso: 26 out. 2022. Descrição da imagem: O quadro Primeira Missa no Brasil retrata uma missa conduzida por um bispo, cuja figura ocupa a parte central da tela levemente à esquerda. Em pé com braços em para cima em direção a uma cruz de madeira. O bispo veste roupas brancas e a barra de sua capa amarela é segurada por um homem ajoelhado na estrutura de dois degraus que sustenta a cruz. Entre os poucos homens mais próximos da cena principal estão religiosos que rezam ajoelhados, ocupando o centro da tela, e uma dupla de homens de armaduras também observa a cena. Formando uma roda mais distante do centro, índios, expressando espanto, também observam. Do lado direito da obra, alguns deles se dispõe em uma árvore, que emoldura o mesmo lado da obra, ocupando o topo da tela com sua copa. No último plano, a paisagem é composta por árvores de copas cheias com folhas verde-amarelas, morros e um céu branqueado cujos tons gradativos chegam ao azul à medida que se aproxima da parte superior da obra. Também se vê, ao fundo no canto direito, um pequeno trecho de orla e mar. A obra “A primeira Missa no Brasil” trata da representação de um Brasil em colonização. Na pintura vemos a missa sendo realizada em solo Brasileiro em 1500, conforme indica o relato da carta de Pero Vaz de Caminha. De maneira acadêmica e com tendências românticas, próprias da Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro, a qual foi à formação do artista. A obra aborda o tema de modo acrítico, onde não há violência e as contradições civilizatórias são tratadas como curiosidade e receio por parte dos indígenas. Até então, na pintura colonial predominavam os gêneros como: paisagens, retratos e naturezas-mortas. A pintura histórica era vista como uma arte maior, entre os demais gêneros da pintura, portanto, era comum ter um grande tema, onde, além das informações pictóricas, ficassem expressos outros conhecimentos, tais como ciência, filosofia, história e religião. A obra “Primeira Missa” é uma das pinturas mais conhecidas e reproduzidas no Brasil. A tela tem proporções grandiosas, 2 metros e 68 cm de altura por 3 metros e 56 cm de largura. A história do descobrimento do Brasil é repleta de contradições, dentre as quais se encontram questões sobre o acaso e sobre a intenção dos portugueses que aportaram no Brasil em 1500. O quadro que aqui se propõe analisar também se encontra envolto em divergências, se levarmos em consideração a narrativa feita por Pero Vaz de Caminha em sua carta ao rei de Portugal, Dom Manuel. A primeira missa foi realizada em 26 de abril, domingo de Páscoa, na Bahia e, nela, a cruz ainda não havia sido “chantada”. O célebre quadro de Victor Meirelles representaria, portanto, a segunda missa rezada em terra firme, a 1º de maio, sexta-feira, o que contradiria o título. A partir de documentos históricos e pesquisas, Victor Meirelles é influenciado no seu processo de criação, onde cria-se uma construção de personagens heroicos, com elementos que exaltam a beleza da natureza, ganhando ares de nobreza. Os indígenas são retratados de forma inocente e com uma certa curiosidade ao assistir a missa. O que gera uma grande dúvida, pois os Tupiniquins eram guerreiros e ferozes, o que mostra que aliados aos portugueses, perderam um pouco da sua cultura. Como mencionamos na quarta aula, toda produção artística, além do reflexo de um contexto e de um momento histórico, ela é também um agente transformador de uma sociedade. Dessa forma, é sempre interessante pensarmos em quais discursos que uma obra de arte pode nos levar. Pensar nessa produção artística é essencial quando consideramos ela, uma produção de uma identidade nacional. É necessário quebrar as certezas que foram criadas pela obra no século XIX no período imperial. É necessário desconstruir, criticar e ressignifcar a ideia identitária existente na obra de ontem em tempos contemporâneos. Reflexão: Qual identidade conseguimos visualizar na obra “A primeira Missa”? Quais discursos podemos fazer, por meio da análise da obra “A Primeira Missa”? Pedro Américo de Figueiredo e Melo (1843-1905) Paraibano, natural de Areia, Pedro Américo iniciou os estudos no Colégio D. Pedro II no Rio de Janeiroe na AIBA. Em 1859, o estudante partiu para estudar na Academia de Belas Artes de Paris, sob a tutela de D. Pedro II. Ao retornar da França, tornou-se professor de Desenho na AIBA - Academia Imperial Brasileira do Rio de Janeiro. Entre as obras mais conhecidas de Pedro Américo encontra-se: a Independência ou Morte, de 1888, em óleo sobre tela, 415 × 760, encomenda do império, para o salão nobre do atual Museu Ipiranga, ou Museu Paulista, em São Paulo. Figura 21: Pedro Américo. Independência ou morte Fonte: Pedro Américo. Independência ou morte, óleo sobre tela (1886) Disponível: https://revistapesquisa.fapesp.br/as-raizes-do-quadro-independencia-ou-morte-2/. Acesso: 26 out. 2022. Descrição da imagem: A pintura tem 4 metros de altura por 7 metros de largura e representa Dom Pedro I proclamando a independência brasileira às margens do córrego Ipiranga. A cena se passa em um terreno levemente inclinado, com grama alta e estradas de terra estreitas. No plano intermediário do retrato, isto é, atrás do primeiro plano e à frente do terceiro e último, nota-se um pequeno morro. O céu é azul, mas acinzenta-se com a presença de várias nuvens. No terceiro plano, está ilustrada uma casa simples de cor marrom claro e, ao lado desta casa, há pequenos trechos de plantações com árvores ao fundo. Dom Pedro I aparece no topo do morro, ao centro da imagem, erguendo sua espada e montado em um cavalo marrom. Atrás dele, há um grupo de oito homens enfileirados também montados em cavalos. Em alusão ao movimento de Dom Pedro com a espada, alguns deles erguem seus chapéus. Eles vestem roupas tipicamente atribuídas à nobreza, como coletes e botas. Em frente a esse conjunto formado pelos nobres e Dom Pedro, apresenta-se um grupo numeroso de soldados, com 24 homens. Eles vestem fardas brancas e vermelhas, levantam suas espadas e também estão montados em cavalos. Ao lado esquerdo deste batalhão, há um homem descalço, com roupas simples e um chapéu de palha. Ele olha para Dom Pedro e está à frente de dois bois, que carregam itens rurais diversos. De modo geral, predominam na pintura a completude do marrom com os elementos verdes. A pintura de Pedro Américo é acadêmica e neoclássica. “Mesmo tendo estado na Europa onde que já começavam as manifestações impressionistas, sua produção manteve-se fiel aos princípios da Imperial Academia de Belas Artes.” (Proença, 2005, p. 216) A obra de Pedro Américo: A pintura Independência ou Morte, também conhecida como Grito do Ipiranga, representa a proclamação da Independência do Brasil. O artista Pedro Américo terminou de pintar o quadro em 1888 em Florença, na Itália (66 anos após a independência ser proclamada). Foi a Família Real que encomendou a obra, pois ela investia na construção do Museu do Ipiranga (atual Museu Paulista), com o intuito de registrar o momento da independência do Brasil ou Grito do Ipiranga. Se fizermos uma análise mais técnica sobre essa obra, ela se encaixa em todas as características do neoclassicismo. A cena é uma idealização do momento em que Dom Pedro I declara que o Brasil já não era mais colônia de Portugal. Vamos analisar juntos? · Pedro Américo é um pintor italiano, então, é obvio que a obra seria inspirada por quadros europeus, ou seja, com essa característica neoclássica que vemos. · Pedro Américo era um pintor acadêmico e estudou arte na França por muitos anos, assim, novamente encontramos referências europeias em sua trajetória. · A intenção do artista foi criar uma obra icônica que exibisse de modo glorioso e solene um importante marco histórico brasileiro. · O artista realizou diversos esboços e estudos inspirados em outras obras, uma delas é a tela Batalha de Friedland (1875), do francês Ernest Meissonier, que serviu como referência. Figura 22: Batalha de Friedland Fonte: Batalha de Friedland (1875), do francês Ernest Meissonier. Disponível: https://www.obeltrano.com.br/portfolio/no-pais-da-farsa/. Acesso: 26 out. 2022 Descrição da imagem: A obra 1807 de Friedland se assemelha muito a uma pintura marcante para a história brasileira, o quadro Independência ou Morte, pintado por Pedro Américo em 1888. Napoleão é colocado sobre uma elevação do terreno, cercada por seus estados-maiores. Ao seu redor, em movimento circular, soldados entusiasmados saúdam com as espadas desembainhadas. Sobressai em primeiro plano o movimento dos cavalos. As cores são nos tons pasteis. A grama é verde com tonalidades de marrom. Temos cavalos marrons e dois cavalos brancos. Um branco está bem ao centro da obra e o outro ao canto direito. O céu é coberto por nuvens brancas. · Qual a semelhança da obra de Pedro Américo sobre a obra de Ernest Meissonier? · A cena pintada por Pedro Américo exibe um caráter teatral, com gestos amplos e muitos personagens em uma atmosfera que exalta o patriotismo e coloca Dom Pedro como um herói nacional. · A maneira como a cena é construída foi muito bem pensada para exaltar o momento e provocar no espectador a impressão de estar participando da situação. · Até um clima de aventura pode ser percebido através da sensação de movimento que tem a cena. O nosso olhar é direcionado. Perceba que há uma organização dos elementos em dois semicírculos, um que orienta o olhar para a direita e para cima, seguindo a linha da cavalaria e outro que segue um caminho para baixo e para a esquerda, na estrada de terra. Como já vimos, essa obra foi feita com o intuito de transmitir um caráter glorioso, imaginativo e imponente para a nação brasileira. A pintura Independência ou Morte é o resultado de um processo de criação bastante complexo. Pedro Américo tomou diversas decisões sobre como devia representar esse episódio do passado brasileiro. O pintor não tinha a intenção de que essa obra fosse um retrato fiel do momento do grito. Ele pretendia criar uma imagem que lembrasse o passado de forma solene e heroica, de acordo com os padrões seguidos pelos artistas da época. E mais uma vez pergunto: · Depois dessa análise, de que forma temos essa obra como um marco na história do Brasil e no imaginário da população? · Onde está o povo brasileiro? Onde está o nosso Brasil colonial? Onde está a nossa cultura? UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS Núcleo de Ensino a Distância UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS Núcleo de Ensino a Distância UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS Núcleo de Ensino a Distância 10 10 10 REFERÊNCIAS ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. São Paulo: Pioneira, 1986. BEUTTERNMULLER, Alberto Frederico. Viagem pela Arte Brasileira. São Paulo, Aquariana, 2002. CRANDELL, Anne Shaver. A Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. ECO, Umberto (org). História da beleza. São Paulo: Record, 2012. GARCEZ, Lucília. Explicando a Arte Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. PROENÇA, G. História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. Aula 16_O Ecletismo Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; Ecletismo. Observamos a História, a Arte e a Arquitetura do século XIX até próximo ao seu final. A partir dessa Unidade, estaremos acompanhando a evolução da Arte e Arquitetura em torno dos anos 80, do século XIX até o início do século XX no Brasil, pois muito pouco se alterou durante esse período, que abrange a Primeira Guerra Mundial. Do final do século XIX e início do século XX, o Brasil conviveu com várias tendências artísticas denominadas ecléticas, correspondendo à falta de decisão pela filiação a um só estilo, refletindo períodos de transição ou de indefinição artística e, assim, ressuscitando estilos anteriores. Mas essa indecisão não foi só do Brasil e, sim, universal. Pesou o fato, porém, de que, no Brasil, a duração do ecletismo foi maior e mais intensa. Na arquitetura, o termo ecletismo se refere a tolerância no emprego de diversos padrões de estilos utilizados nas construções nas principais cidades do Brasil. O Ecletismobrasileiro também aparece de duas formas: Como erudito e como popular. Na forma erudita, os edifícios foram construídos por arquitetos europeus que aqui estiveram ou sob projetos trazidos nas bagagens. Na forma popular, são aqueles edifícios construídos por mestres de obras, que utilizavam detalhes ao sabor das novidades, às vezes redecorando alguns edifícios tradicionais construídos nas grandes cidades. 1. São Paulo Os fazendeiros paulistas foram os primeiros a providenciar casas luxuosas na cidade, com ornamentação baseada em relevos de estuques pré-moldados e importada; A população, de modo geral, passou a construir suas casas com tijolo e com afastamentos laterais, ganhando mais arejamento e luz. Durante a Primeira Guerra Mundial, surgiram as primeiras casas neocoloniais, um estilo também considerado eclético. O prédio ocupado pela Pinacoteca do Estado em São Paulo foi projetado por Ramos de Azevedo em 1897, para abrigar o Liceu de Artes e Ofícios, instituição que formavam técnicos e artesãos para construir as cidades que se enriqueciam com o café. 2. Rio de Janeiro Capital do país, o Rio de Janeiro reformulou a arquitetura e a estrutura urbana, de modo geral. Sob a ordem do presidente Rodrigues Alves, a cidade recebeu grandes melhorias. Foi aberta a avenida central, hoje Rio Branco, a qual recebeu diversos edifícios com fachadas ecléticas. Prefeito do Rio de Janeiro, entre os anos de 1902 e 1906, o engenheiro Pereira Passos planejou a construção do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Todo o material usado na construção foi importado da Europa: mármores, ônix, bronze, cristais, espelhos, mosaicos, vitrais e maquinaria de palco. Os maiores artistas brasileiros da época – Rodolfo Amoedo (1857-1941); Henrique Bernardelli (1858-1936) e Eliseu D’Ângelo Visconti (1866-1944) – criaram as pinturas e esculturas que enfeitam a sala de espetáculos, a fachada e as áreas de circulação. 3. Minas Gerais Em Minas Gerais, a cidade de Belo Horizonte, uma das primeiras cidades brasileiras planejadas foi construída inteiramente sob a arquitetura eclética. A cidade foi inaugurada em 1897. O Palácio da Liberdade foi construído em Belo Horizonte no ano de 1897. Com um traçado neoclássico, o palácio mescla estilos arquitetônicos que vão desde Luís XV ao mourisco. A escadaria principal foi fundida na Bélgica e apresenta um elegante estilo Art Nouveau. 4. Bahia O Palácio do Rio Branco começou a ser construído pelo primeiro governador geral do Brasil, Tomé de Souza, em meados do século XVI, para ser o centro da administração portuguesa. No início era de taipa de pilão, mas recebeu posteriormente pequenas ampliações. Teve várias funções, como quartel e prisão. Abrigou Dom Pedro II quando visitou a Bahia em 1859. No fim do século XIX, o palácio ainda ostentava a velha fachada colonial portuguesa. Após uma profunda reforma; ficou pronto em 1900, quando passou a exibir um nobre e imponente estilo neoclássico, bem ao gosto francês. O Palácio do Paranaguá está localizado na cidade de Ilhéus e foi construído no estilo neoclássico em 1907, no mesmo local onde existiam ruínas de um colégio jesuíta. A construção é um dos símbolos da opulência na região do cacau. Em Salvador encontra-se o Palácio da Aclamação. A construção exibe uma bela fachada em estilo neoclássico. Interiormente é decorado com belos painéis emoldurados, guirlandas, laços e medalhões, pintados por Presciliano Silva (1883- 1965). Seu acervo é composto de mobiliários nos estilos Dom José e Luís XV, porcelanas, cristais, bronzes, tapetes persas e franceses e telas de pintores famosos. O atual prédio que abriga o Mercado Modelo começou a ser construído em 1854. Foi inaugurado em 1868 para ser a terceira Casa da Alfândega de Salvador. Com formas consagradas da segunda metade do século XIX, a construção apresenta uma planta quadrada e uma construção circular ao fundo. 5. Belém do Pará O Teatro da Paz ostenta e simboliza a riqueza dos tempos áureos da borracha. Seu projeto foi elaborado pelo engenheiro Tibúrcio Pereira Magalhães no estilo neoclássico. A construção começou em 1868 e só terminou seis anos depois, em 1874. No espaço interior, piso, teto, paredes, lustres e escadarias atestam a fama de excelente casa de espetáculos. O Palácio Antônio Lemos foi construído para ser a sede do poder municipal. O autor do projeto foi José Coelho de Gama e Abreu, o Barão de Marajó. As obras começaram em 1868. A inauguração foi em 15 de agosto de 1883, quinze anos depois do início das obras. 6. Manaus Trabalhadores de diferentes nacionalidades – brasileiros, portugueses, espanhóis, italianos, alemães, ingleses, americanos, sírios, libaneses, judeus, gregos – formavam os fortes elos da cadeia produtiva da borracha, o que fez o intercâmbio das atividades econômicas entre Manaus, os seringais e os grandes centros industriais e financeiros da Europa e dos Estados Unidos. Artistas, intelectuais, médicos, advogados, engenheiros, professores, jornalistas, militares, homens de negócio, seringalistas, seringueiros de saldo, todos falavam com maior ou menor desenvoltura a linguagem das libras esterlinas que fazia a riqueza de poucos e inseria a cidade na rota internacional dos negócios da borracha. O Palácio da Justiça, inaugurado em 1900, possui estilo eclético, inspirado na arquitetura do Segundo Império francês e do neoclassicismo inglês, com uma profusão de elementos que misturam vários ornamentos. O prédio foi construído sobre uma área elevada e é protegido por um espesso muro com balaustradas. Projetado para ser a sede do Palácio da Justiça, esse monumento arquitetônico cumpre até hoje a mesma função. O térreo tem revestimento em alvenaria, janelas e portas em arco pleno e colunas de pórtico da ordem toscana. O segundo piso tem alvenaria lisa, janelas de púlpito de verga reta, com frontões curvos e irregulares e colunas do pórtico da ordem compósita. O aspecto barroco do seu ambiente interno contrasta acentuadamente com sua fachada sóbria e austera. Artistas, técnicos e operários vieram da Europa e de outros pontos do Brasil para trabalhar na obra do Teatro Amazonas, iniciada em 1884 e finalizada em 1896. Os navios que chegavam da Europa traziam lustres de bronze e de cristal, tapeçarias, espelhos, estátuas, grades para janelas e camarotes, peças em ferro fundido, vigas de aço e até a estrutura metálica da cúpula, com telhas cerâmicas. Crispim do Amaral (1858-1911) artista pernambucano que vivia em Paris, foi chamado para cuidar da pintura, do mobiliário e de toda a decoração interna do edifício. Foi Amaral quem pintou o pano de boca do palco, representativo do encontro das águas dos rios Negro e Solimões. Sob sua inspiração foram pintadas, em Paris, as telas que foram afixadas ao teto da luxuosa sala de espetáculos, alusivas à Dança, à Música, à Tragédia e às óperas do maestro Carlos Gomes15. As máscaras afixadas nas colunas que circundam a sala de espetáculos destacam as grandes figuras da música e do teatro – Esquilo16, Aristófanes17, Shakespeare18, Rossini19, Schiller20, Verdi21 e outros. Construído para ser a residência de um rico comerciante da borracha, o Palácio Rio Negro foi inaugurado no final do século XIX. A fachada, dividida em dois pavimentos, com três corpos, apresenta elementos ecléticos com predomínio de características clássicas. A porta de entrada é de arco pleno. No interior, objetos vindos do oriente compõem a ambientação. Uma imponente escada de madeira leva até o segundo pavimento com uma sacada em ferro fundido. 15CARLOS GOMES, Antônio (1836-1896). Foi o mais importante compositor de óperas brasileiro, com carreira de destaque principalmente na Europa. 16ESQUILO (c. 525 a.C.- 456 a.C.). Foi um poeta trágico grego. É considerado o fundador da tragédia. 17ARISTÓFANES (c. 447 a.C. - c.385 a.C.). Dramaturgo grego. Representante da Comédia Antiga. 18SHAKESPEARE, William (1564-1616). Dramaturgo e poeta inglês. 19ROSSINI, GioacchinoAntonio (1792-1868). Grande compositor italiano do romantismo. 20SCHILLER, Johann Christoph Friedrich von (1759-1805). Poeta, dramaturgo, filósofo e historiador alemão, um dos líderes do romantismo literário. 21VERDI, Giuseppe Fortunino Francesco (1813-1901). Compositor de óperas românticas. O Ecletismo II Artista eclético é aquele que se filia simultaneamente às várias escolas, ou que, não se filiando a nenhuma delas, busca inspiração em fontes diversificadas. O ecletismo no Brasil vigorou entre cerca de 1870 a 1922, portanto, entre o esgotamento da Academia Imperial de Belas Artes e o Modernismo. Artistas são únicos e suas obras também, por isso, não podemos classificar todos os artistas e obras produzidas nesse período como ecléticas. No Brasil, o neoclássico se arrastou por um longo tempo se juntando a outros estilos como o impressionismo e o simbolismo. Enquanto na Europa a Belle Époque contrastava com o expressionismo, no Brasil a arte se situava bem longe da angústia e da experimentação. Entre artistas desse período destacaram-se: Eliseu D’Ângelo Visconti (1866- 1944); Oscar Pereira Da Silva (1867-1939) Antônio Diogo da Silva Parreiras (18601937); Rodolfo Amoedo (1857-1941); Henrique Bernardelli (1858-1936); Belmiro Barbosa de Almeida (1858-1935), José Ferraz de Almeida Junior (1850-1899), Georgina Albuquerque (1885-1962), Arthur Timotheo Da Costa (1882-1923), Lucílio de Albuquerque (1877- 1939), Benedito Calixto (1853-1927), Pedro Alexandrino Borges (1856-1942) e João Batista da Costa (1865-1926) 1.Henrique Bernardelli Senhor de uma técnica com composições livres e elementos essenciais, com pinceladas largas e espontâneas, Henrique Bernardelli (1858-1936) participou com outros artistas da reforma da Academia transformada em Escola Nacional de Belas Artes, em 1890. 2.João Batista da Costa Em 1892, João Batista Da Costa (1865-1926) recebeu o prêmio de viagem pelo Salão Nacional de Belas Artes para a França. De 1905 a 1926 foi professor de pintura na Escola Nacional de Belas Artes, tendo como alunos Quirino Campofiorito (1902-1993), Candido Portinari (1903-1962), Francisco Acquarone (1898-1954) e Henrique Campos Cavalleiro (1892-1975). Entre os brasileiros, o artista é um dos mais importantes paisagistas com influência da Escola de Barbizon. UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS Núcleo de Ensino a Distância UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS Núcleo de Ensino a Distância UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS Núcleo de Ensino a Distância 10 10 10 3.Antônio Parreiras (1860-1937) As primeiras obras de Antônio Diogo da Silva Parreiras (1860-1937) retratam casas ensolaradas e árvores vislumbradas através de frestas luminosas. Com o prêmio de aquisição na Exposição Geral de Belas Artes, o artista viajou para Veneza em 1888. Em 1890 criou, no Brasil, a Escola de Pintura ao Ar livre, de onde se destacaram os nomes de: Candido de Souza Campos, Hortênsia Goulart, Paulo de Mendonça, entre outros. Em 1902 abre um curso só para mulheres: Angelina de Figueiredo, Olga Parreiras, Alzira de Oliveira, entre outras. A partir de 1906, Antônio Parreiras viaja para a Europa constantemente a trabalho, exercendo as atividades de desenhista e pintor, ilustrador, cenógrafo e crítico de arte. São Paulo Observamos a estética do Realismo Burguês impregnando toda a pintura brasileira do final do século XIX e alcançando os primeiros anos do século XX. O ecletismo se mantinha às margens das renovações pictóricas, refletindo o deslumbramento da sociedade e a Belle Époque francesa. Mesmo na França, o Simbolismo, Impressionismo e outros movimentos de vanguarda se mantinham afastados do gosto burguês pelo refinamento do desenho e a predileção por temas religiosos e alegóricos. São Paulo, no final do século XIX, tinha uma população que crescia devagar, comprimida entre os rios Tamanduateí e o Anhangabaú, divertindo-se com o jogo de bilhar, peteca e frequentando o Teatro São José. A iluminação paulista apresentava problemas e os carros e bondes de tração animal corriam na cidade escura e deserta. A vida cotidiana era copiada dos hábitos europeus em que a vestimenta importada pesada contrastava tristemente com o clima brasileiro. A vida noturna era insignificante e os estudantes animavam as poucas casas alegres existentes. As famílias de organização patriarcal se isolavam com pretensões fidalgas, negando-se a quaisquer ofícios, vivendo à custa de cargos públicos. A elite regional considerava os bacharéis, principalmente aqueles que estudavam fora. Os artistas bem nascidos e os que iam estudar fora eram apenas toleráveis. O consumo artístico era copiado da burguesia europeia e aos artistas brasileiros restava apenas cumprir seu papel. 1.José Ferraz de Almeida Junior José Ferraz de Almeida Junior (1850-1899) matriculou-se em 1869, na Academia Imperial de Belas Artes com os professores de desenho Jules Le Chevrel e de pintura Victor Meirelles (1832-1903). Em 1874, tornou-se professor de desenho na Academia. A partir do ano seguinte fixou residência em Itu, no interior de São Paulo, abrindo um atelier. Em 1876, Almeida Junior viu-se em Paris graças à bolsa de estudos proporcionada por D. Pedro II, impressionado com sua obra. Na cidade dos impressionistas e simbolistas, Almeida Junior manteve-se próximo aos românticos e aos realistas. De volta ao Brasil chegou carregado de medalhas e prêmios. A partir de 1883, em São Paulo, com a técnica dominada, os vínculos com os temas históricos e acadêmicos desapareceram e a obra de Almeida Junior passou a apresentar primorosas e delicadas cenas caboclas que o consagraram como o melhor pintor da época. 2.Lasar Segall Lasar Segall (1891-1957) foi o primeiro artista a introduzir obras expressionistas e modernas no Brasil. Com uma mostra pioneira, porém pequena, no ano de 1913 nas cidades de São Paulo e Campinas, Lasar Segall não teve condições de surpreender e movimentar a classe artística e a crítica brasileira. 3.Anita Malfatti A exposição em 1917, de Annita Catharina Malfatti, ou Anita Malfatti (1889- 1964), em São Paulo, com uma mostra no campo de Expressionismo e Cubismo, teve o dom de irritar, entre outros, Monteiro Lobato. “Medíocre como pintor, mas já consagrado como escritor. Lobato fulminou Anita com um artigo intitulado Paranoia ou Mistificação?” Em defesa de Anita se juntaram alguns intelectuais, “além de artistas como Di Cavalcanti, que, anos mais tarde, se alinharia entre os organizadores e participantes da Semana de Arte Moderna.” (ARTE NO BRASIL, 1986, p.193). Figura 23: MALFATTI, Anita (1889-1964), A Boba. Fonte: MALFATTI, Anita (1889-1964), A Boba, 1915/ 1916. Óleo sobre tela. MAC – Museu de Arte Contemporânea, USP, SP. Brasil. Disponível: https://www.culturagenial.com/anita-malfatti-obras-biografia/. Acesso: 26 out. 2022. Descrição da imagem: A Boba é um dos quadros mais conhecidos e notáveis da pintora Anita Malfatti que, não se atrelando aos rigores da época, ousou tanto na temática quanto no tratamento pictórico e no uso das cores. A personagem encontra-se assentada numa cadeira de espaldar arredondado com o estofamento em azul e vermelho, contrastando com sua roupa amarela, pintada com pinceladas ligeiras. A mulher possui um olhar distante e mostra-se perdida em si mesma, não ousando fitar o observador. Seus olhos escuros são delimitados por contornos pretos, com sobrancelhas em forma de acento circunflexo. Seus cabelos pretos estão repartidos ao meio e cobrem suas orelhas. O fundo da composição é pintado em azul e verde, contrastando com a roupa da figura e sua cadeira. Fonte: https://virusdaarte.net/anita-malfatti-a-boba/ Com eventos separados e artistas com novas pretensões artísticas surgiram movimentos intelectuais que decretaram o fim do academismo na Arte brasileira a partir de 1922. Mas, esse é um assunto para o próximo semestre em Estética e História da Arte Brasileira II. Aguardem! Espero que você mantenha o hábito da pesquisa.Agora que chegamos ao fim, é muito importante rever suas anotações, resumos etc. Bons estudos! REFERÊNCIAS ARANHA, Maria. Lúcia. Filosofando – introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 1993. ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. São Paulo: Pioneira, 1986. BEUTTERNMULLER, Alberto Frederico. Viagem pela Arte Brasileira. São Paulo, Aquariana, 2002. CRANDELL, Anne Shaver. A Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. ECO, Umberto (org). História da beleza. São Paulo: Record, 2012. GARCEZ, Lucília. Explicando a Arte Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. GOMBRICH, E. H. Arte e Ilusão. São Paulo: Martins Fontes, 1986. GRAHAM, Gordon. Filosofia das artes. Lisboa: Edições 70, 2001. HAUSER, Arnold. História Social da Arte e da Literatura. São Paulo: Martins Fontes, 2003. HEGEL, Georg W.F. Estética in Coleção Os Pensadores. Tradução Orlando Vitorino. São Paulo: Nova Cultural, 1999. JANSON, H. W. História da Arte. Tradução J. A. F. de Almeida e. São Paulo: Martins Fontes, 1992. JANSON, H. W. Iniciação à História da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 2009. LANGER, Susanne K. Sentimento e Forma. São Paulo: Perspectiva, 2013. LETTS, Rosa Maria. O Renascimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. NUNES, Benedito. Introdução à filosofia da arte. São Paulo: Buriti, 1966. OSBORNE, Harold. Estética e Teoria da Arte. São Paulo: Cultrix, 4. ed. OSBORNE, Harold. A apreciação da Arte. Tradução Agenor S. dos Santos. São Paulo: Cultrix, 1978. PANOFSKY, Erwin. Significado nas Artes Visuais. Tradução Maria Clara F. Kneese e J.Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 2001. PANOFSKY, Erwin. Estudos de Iconologia. Temas Humanísticos na Arte do Re- nascimento. São Paulo: Edições 70, 1995. PROENÇA, G. História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. READ, Herbert. O sentido da Arte. Tradução e. Jacy Monteiro. São Paulo: Ibrasa, 1978. 10 10 10 image9.jpg image10.jpg image11.jpg image3.jpg image12.jpg image13.jpg image4.jpg image14.jpg image5.jpg image15.jpg image16.jpg image17.jpg image18.jpg image19.jpg image20.jpg image21.jpg image6.jpg image22.jpg image23.jpg image24.jpg image25.jpg image1.jpg image2.jpeg image7.jpg image2.jpg image8.jpg image7.jpegDescrição da imagem: Essa obra é um jarro feito de barro com formas rebuscadas, feito por indígenas tapajós em Santarém, no Pará. Encontramos bem acima da obra grafismos indígenas e abaixo tem apliques em forma de anta que são modelados a mão. Temos três figuras que sustentam o vaso, que chamamos de cariátides, que representam sacerdotes com os olhos bem avantajados. Há também aves da Amazônia, chamado urubu-rei, muito comum e sagrado para os Tapajós. Esse jarro é sustentado por uma base em forma circular por grafismos com excisão. UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS Núcleo de Ensino a Distância UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS Núcleo de Ensino a Distância 2 2 SAIBA MAIS Pesquise sobre as artes primitivas dos diversos grupos indígenas que aqui viviam na época da chegada do homem branco. Descubra as aldeias sobreviventes e o que eles produzem atualmente em relação à atividade artística. REFERÊNCIAS ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. São Paulo: Pioneira, 1986. BEUTTERNMULLER, Alberto Frederico. Viagem pela Arte Brasileira. São Paulo, Aquariana, 2002. CRANDELL, Anne Shaver. A Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. ECO, Umberto (org). História da beleza. São Paulo: Record, 2012. GARCEZ, Lucília. Explicando a Arte Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. PROENÇA, G. História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. Aula 03_Arte Indígena Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; Arte Indígena. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, encontraram seis milhões de índios, que falavam centenas de idiomas. Hoje, somam poucos milhares. Os indígenas foram abatidos pelas doenças dos brancos, como tuberculose, gripe, varíola, etc. Para o índio, o que ele faz não é arte. As pecas que produz são manifestação da vida cotidiana. Somo nós que achamos que são pecas artísticas, pois são feitas com exatidão, ordem e equilíbrio. Ou seja, têm o caráter estético da obra de arte. São varias manifestações artísticas indígenas no Brasil: pintura corporal, arte plumária, cerâmica, mascaras, adereços. Tais peças sempre foram e ainda são usadas nos rituais religiosos. A arte plumária talvez seja a maior manifestação de arte dos indígenas no Brasil. Hoje é reconhecida mundialmente. Plumária é a palavra que designa as peças feitas com pena de aves, usadas como enfeite. Há diversos objetos feitos com plumas de aves: diademas, braceletes, brincos, pulseiras, anéis, colares, mascaras etc. A arte plumária dos indígenas brasileiros já foi exibida em exposições pelo mundo todo. Os kadiweu são os que têm a pintura corporal mais bonita no Brasil. Eles vivem no Mato Grosso. Hoje já existe uma artista na aldeia, pois os Kadiweu mudaram os hábitos no contato com os brancos. A indígena mulher kadiweu Anoã é a que faz as pinturas corporais na aldeia. A tradição Kadiweu diz que arte é coisa de mulher, por isso, no passado, se um homem da aldeia tivesse dons artísticos, tinha de viver como uma indígena e conviver somente com elas. Hoje já não é mais assim. Os grupos indígenas que até hoje mantêm suas tradições, demonstram como a pintura corporal é uma forma de expressão artística e uma linguagem visual em estreita relação com outros meios de comunicação verbais e não-verbais. Alem disso, apresenta outras funções. Com efeito prático, a pintura corporal espanta insetos e defende o pelo dos efeitos do sol. Tem também a intenção mágica de afastar os maus espíritos. Mas, acima de tudo, é uma forma de expressão que pode ser lida, pois revela intenções pacificas ou guerreiras, sentimentos, emoções, situações festivas ou circunstancias religiosas, importância social. A arte indígena, em todas as suas manifestações, demonstra não apenas recursos técnicos em diferentes matérias-primas, como também ricas linguagens simbólicas, representativas, criatividade, sensibilidade e habilidade dos povos pré- históricos. Muitas dessas formas de expressão são preservadas atualmente. Figura 4: Mulher Kadiwéu fotografada em 1892 Fonte: Mulher Kadiwéu fotografada em 1892. Foto: Coleção Boggiani. Disponível: https://brasil.mongabay.com/2021/05/povo-kadiweu-faz-da-arte-uma-estrategia-de- sobrevivencia// Acesso em 21 mar. 2023. Descrição da imagem: Na figura temos uma mulher indígena de cabelos lisos e curtos na cor preta. Está com a mão direita sobre o ombro direito. Temos um pano cobrindo os peitos e várias desenhos indígenas desenhado por todo o corpo. Temos também várias pulseiras no braço direito e uma gargantilha no pescoço. Toda a imagem está em preto e branco. Segue link para estudos sobre os povos Kadiweus: 1) https://brasil.mongabay.com/2021/05/povo-kadiweu-faz-da-arte-uma- estrategia-de-sobrevivencia/ 2) https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Kadiw%C3%A9u#:~:text=Os%20fin os%20desenhos%20corporais%20realizados,lasca%20de%20madeira% 20ou%20taquara. 3) file:///C:/Users/Leopoldo/Downloads/editor_react,+Anais_ST14_3_Duran. pdf REFERÊNCIAS BEUTTENMULLER, Alberto Frederico. Viagem pela Arte Brasileira/ São Paulo; Aquariana, 2002. GARCEZ, Lucília. Explicando a Arte Brasileira/Lucília Garcez e Jô Oliveira. – Rio de Janeiro: Edioro, 2004. Aula 04_Arte Colonial Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; Arte Colonial. O termo Descoberta do Brasil é atribuído à chegada da esquadra sob o comando de Pedro Alvares Cabral, no ano de 1500 e tomada de posse pelo reino de Portugal, do território denominado Brasil. Nesse período, o litoral baiano estava ocupado por duas nações indígenas que falavam o tupi: os Tupinambás e os Tupiniquins. Mais para o interior, ocupando faixa paralela àquela apropriada pelos Tupiniquins, estavam os Aimorés. O período Pré-Colonial se refere aos primeiros trinta anos após a chegada de Cabral ao Brasil. Aos portugueses interessava mais a exploração do Oriente, onde predominava o comércio das especiarias, por isso pouco foi feito no Brasil, em termos de colonização, nos primeiros anos do século XVI. O único interesse do rei de Portugal nessas terras foi a descoberta de uma árvore semelhante a que existia no Oriente, chamada de pau-brasil, onde de sua madeira extraía-se um corante vermelho excelente para tingir tecidos. Para comercializar essa madeira chegaram alguns comerciantes portugueses que a deixavam cortada e armazenada nas feitorias à espera do embarque para a Europa. Os portugueses só resolveram controlar o território quando perceberam a cobiça dos corsários franceses interessados também na madeira vermelha. A primeira medida foi enviar a expedição de Martim Afonso de Souza para fundar os primeiros povoados. Assim, foi fundada a vila de São Vicente em 1532, transformando o Brasil em Colônia de Portugal. Em 1534, o rei português dividiu o Brasil em quinze faixas paralelas a partir do Tratado de Tordesilhas, as quais receberam o nome de capitanias hereditárias. À espreita, os piratas e corsários franceses foram aos poucos adentrando os mares, penetrando na costa potiguar em 1535, travando grande camaradagem com os indígenas da área e estabelecendo o comércio e o tráfico do pau-brasil. Para controlar a posse do território, estabeleceu-se o Governo-geral na capitania da Bahia, em 1549, onde Tomé de Souza fundou a cidade de Salvador, a primeira capital da colônia. No decorrer do século, em Pernambuco, Sergipe e Bahia as fazendas de cana-de-açúcar se multiplicaram com a chegada dos escravos. Assegurada à posse da terra, estabeleceram-se os poderes civis e religiosos. Os jesuítas chegaram em 1549 com a tarefa de cristianização dos indígenas, dedicando-se à educação dos filhos dos colonos. Na construção de colégios fundaram as vilas de São Paulo, Rio de Janeiro, Olinda, Ilhéus, Recife, São Luís, Santos, entre outras. Em 1581 chegaram os beneditinos e os franciscanos em 1584. A partir da chegada da religião ocorrem manifestações artísticas dos colonizadores na Bahia, Pernambuco, São Vicente, Paraíba, Espírito Santo e Rio deJaneiro. Os portugueses dispunham de arquitetos, mestres-de-obras, pedreiros, marmoristas, carpinteiros, marceneiros e artesãos vindos da Europa. Foi somente no final do século XVI que os portugueses, temerosos, decidiram-se pela ocupação definitiva da área. O motivo político se deu quando em 1580, Portugal passou a ser governado por Felipe II da Espanha. Produção Artística Colonial Figura 5: Muiraquitã Fonte: Muiraquitã. Datação incerta. Peça de Jadeíta, original do estado do Amazonas. Disponível: https://pt.wikipedia.org/wiki/Muiraquit%C3%A3/ acesso em 21 mar. 2023. Descrição da imagem: Na figura encontramos um Muiraquitã com a forma estilizada de um sapo. Encontramos uma simplificação geométrica da peça. Há representação dos olhos e do nariz. Nota- se a total ausência de indicação das patas anteriores. As patas traseiras são representadas em posição de repouso e sem dedos. Os detalhes são incisos que apresentam uma leve convexidade que reforça a forma geométrica. Acredita-se que a tradição de produzir muiraquitãs, amuletos de significado místico, tenha se originado na região do Baixo Amazonas, desde muito antes da chegada dos europeus às terras que viriam a ser o Brasil em 1500. Produzidos normalmente a partir de jade ou madeira, retratando rãs, peixes, tartarugas ou figuras humanas (embora esses fossem mais raros), esses amuletos eram produzidos com o intuito de proteger o seu portador de males, além de aumentar a fertilidade da mulher que o possuísse. É possível perceber, através da riqueza de detalhes da peça, que os povos indígenas pré-cabralinos também possuíam um refinamento técnico em suas peças. A simetria era um valor estético muito apreciado, o que pode ser visto também nos padrões de pinturas corporais indígenas. Pode-se analisar a perspectiva impossível da peça do ponto de vista técnico. Como as pinturas egípcias, famosas por apresentarem figuras humanas vistas de perfil e, ao mesmo tempo, de frente, este muiraquitã é produzido de modo semelhante, em que se pode ver diversos ângulos do animal representado em uma única vista. A perspectiva tridimensional na representação artística não era plenamente desenvolvida entre os povos que habitavam o Brasil antes da chegada dos europeus. A peça demonstra como a arte manual era vista nas comunidades indígenas que habitavam o Brasil durante o período précabralino: todas as produções dos indivíduos serviam a um propósito social prático, sendo o misticismo um deles. Fonte: https://www.ucs.br/site/midia/arquivos/livro-pierre-erica-uma-conversa.pdf - Ao observar uma peça assim, como esse muiraquitã, como não ficar fascinado pela arte indígena do Brasil? Toda produção artística não é apenas um reflexo de um momento histórico no contexto de uma organização social, nem tampouco pertence ao estrito domínio da ideologia. Ela é também, uma das modalidades do trabalho social e, dessa forma, um agente transformador de sua sociedade. O Brasil sempre teve um papel de dominado, desde o momento histórico de sua descoberta pelos europeus, por toda a relação de dominação na qual foi desempenhado. Sua produção artística caracterizou-se, em consequência da dominação europeia. A forma de sua representação obedeceu aos interesses dos colonizadores, numa imposição num contexto completamente diferente do original. O artista se colocava numa concepção estreita de sua práxis e impondo-lhes dogmas que deviam ser seguidos. Durante o período colonial, a produção artística foi dominada com exclusividade pelas diversas ordens religiosas que se instalaram no Brasil para catequizar os indígenas. A produção artística concentrou-se nas igrejas, que na época era o grande centro da vida social. Manifestou-se na imposição de uma arte de caráter religioso, respondendo evidentemente às necessidades do jogo político. A produção artística era imposta e classificada de acordo com os vários sistemas formais existentes na Europa na mesma época ou em períodos anteriores, ou seja, a produção artística maneirista, a produção artística barroca, a produção artística rococó... REFERÊNCIAS ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. São Paulo: Pioneira, 1986. BEUTTERNMULLER, Alberto Frederico. Viagem pela Arte Brasileira. São Paulo, Aquariana, 2002. CRANDELL, Anne Shaver. A Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. ECO, Umberto (org). História da beleza. São Paulo: Record, 2012. GARCEZ, Lucília. Explicando a Arte Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. PROENÇA, G. História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. Aula 05_Arquitetura Colonial Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; Arquitetura Colonial. Vimos um resumo histórico do período da descoberta do Brasil, em 1500. No século XVI, além da luta diária pela sobrevivência que os portugueses enfrentaram, aprenderam a conviver com os indígenas, e desenvolveram estratégias para se defender dos corsários que aqui chegavam. Referimo-nos também às imagens sagradas que eram executadas aqui, possivelmente copiadas das originais e trazidas pelos portugueses. A precariedade das condições de vida dos colonos no início do século XVI explica a pobreza das primeiras construções. As obras religiosas iniciaram-se com a edificação de igrejas e conventos de extrema rusticidade e singelos, construídos com os recursos naturais disponíveis e mão de obra limitada e inexperiente. Jesuítas, franciscanos, beneditinos e carmelitas implantaram suas missões de forma precária e provisória. Na verdade, isso explica porque tão pouco dessas obras resistiram ao tempo. Dentre as obras conhecidas executadas no século XVI, podem ser citadas algumas mais conhecidas: 1. Igreja de São Cosme e Damião Datada de 1535, a Igreja de São Cosme e Damião em Igaraçu (ou Igarassu), Pernambuco, muito alterada, ainda conserva a estrutura original quinhentista com uma única nave e uma fachada, cuja parte superior é um frontão triangular. Fundada a mando de Duarte Coelho, para celebrar a vitória sobre os índios que habitavam aquelas terras. No século XVII, a igreja foi incendiada pelos invasores holandeses. Na fachada, no centro há dois nichos de cantaria[footnoteRef:1] com as imagens dos santos. [1: Cantaria – pedra usada em construção, para dar acabamento de portas ou janelas. ] __________________________ Figura 6: Igaraçu – Igreja Matriz de São Cosme e São Damião Igaraçu – Igreja Matriz de São Cosme e São Damião. Pernambuco. C. 1535. Fonte: http://www.ipatrimonio.org/igarassu-igreja-matriz-de-sao-cosme-e-sao-damiao/igarassu- igreja-matriz-de-sao-cosme-e-sao-damiao-imagem-patrimonio-de-influencia-portuguesa/. Acesso: 26 out. 2022 Descrição da imagem: A imagem representa a Igreja de São Cosme e Damião em Igaraçu no Pernambuco. Ainda conserva a estrutura original quinhentista com uma única nave e uma fachada, cuja parte superior é um frontão triangular. Temos uma porta na frente, com quatro janelas acima. Há uma cruz no topo do seu frontão e pequenos pináculos nas extremidades. A cor é branca com detalhes em marrom claro. 2. Igreja de Nossa Senhora da Graça A Igreja de Nossa Senhora da Graça foi construída no século XVI, na cidade de Olinda, Pernambuco e incendiada em 1631 pelos holandeses. Localizada no alto do Morro do Seminário, foi uma das primeiras a serem construídas no Brasil, para catequizar os indígenas. O incêndio de Olinda, em 1631, danificou o complexo seriamente. A igreja e o colégio foram reerguidos, entre 1661 e 1662. A fachada foi restaurada nos padrões do século XVI. O teto em duas águas com forro de madeira é do século XVII. Figura 7: Igreja de Nossa Senhora da Graça Fonte: Igreja de Nossa Senhora da Graça. Olinda, Pernambuco. Disponível: http://www.ipatrimonio.org/igarassu-igreja-matriz-de-sao-cosme-e-sao-damiao/igarassu- igreja-matriz-de-sao-cosme-e-sao-damiao-imagem-patrimonio-de-influencia-portuguesa/. Acesso: 26 out. 2022. Descrição da imagem: A fachada segue o modelo maneirista, bastante singeloe despojado, constituído por apenas uma porta de entrada num frontispício mínimo, sob um óculo redondo, e um frontão triangular sem adornos salvo a cruz no topo e pequenos pináculos nas extremidades. A cor é branca com detalhes em marrom claro. Em 1585, foram iniciados os trabalhos de construção da Igreja de Nossa Senhora das Neves, com projeto do Frei Francisco dos Santos. Hoje, a igreja comporta três arcadas e três janelas superiores em verga reta, no estilo do século XVII. O primeiro prédio a abrigar a Igreja Matriz, em São Vicente, foi construído por Martim Afonso de Sousa, em 1532, próximo à praia onde aconteceu a fundação oficial da Vila de São Vicente. A construção foi destruída por um maremoto, que varreu a cidade em 1542. A segunda sede foi erguida pelo povo em local mais distante do mar, mas foi destruída por piratas que atacaram São Vicente. Em 1757, a atual igreja foi construída sobre as ruínas da anterior, alterando a fachada. Fundado em 1588, o Convento e igreja de Santo Antônio de Igaraçu, em Pernambuco, foi atacado e saqueado pelos holandeses, permanecendo abandonado até 1654. A reconstrução se deu até 1693, no estilo do século XVII. A igreja, inicialmente dedicada a Nossa Senhora de Misericórdia, passou a chamar-se Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso. A igreja foi levantada junto à enfermaria da Irmandade de Misericórdia, em 1582, no Rio de Janeiro. A portada de lioz português e a sineira são do século XVII. Dentre as construções do século XVI ainda se encontram a Igreja e o Colégio dos Jesuítas em Salvador, construídos entre 1561 e 1565 e, posteriormente, reconstruídos. Também a Matriz de São Sebastião e do Colégio dos Jesuítas, no Morro do Castelo, no Rio de Janeiro, reconstruídos ainda em 1588 e dos quais, hoje, nada mais resta, a não ser os altares e retábulos na igreja da Misericórdia. A igreja jesuítica de Reritiba (Santuário Nacional de Anchieta) no litoral sul do Espírito Santo e a igreja de São Lourenço dos índios em Niterói, também são do final do século XVI e início do século XVII. As cidades em geral eram fundadas sem planificação e cresciam desordenadamente. Salvador, Rio de Janeiro, Olinda e São Paulo foram edificadas em locais altos para defesa dos possíveis ataques indígenas. Outras cidades nasciam na planície costeira, nas proximidades de portos naturais ou rios que funcionavam como vias de comunicação para o interior. Os primeiros templos erguidos precocemente nos arraiais dos primórdios da colonização foram executados à maneira de cabanas indígenas, usando-se folhas de palmeira sustentadas por traves de madeira. Por muito tempo as igrejas, mesmo construídas de pau-a-pique ou de taipa de pilão, eram recobertas com folhas de palmeira. A igreja de São Paulo de Piratininga, inaugurada em 1556 foi edificada em taipa de mão e coberta com palha. Métodos de Construção 1. Pau a pique, taipa de mão ou taipa de sebe. Consistia em criar um suporte de estacas de madeira para reter a terra molhada que era amassada. A armação compunha-se de estacas verticais, cravadas na terra, de barras horizontais de madeira e entre elas varetas que apoiavam o suporte. O barro era socado à mão sobre essa armação. Todas as construções provisórias do princípio da colonização eram de taipa de mão. 2. Taipa de pilão A taipa de pilão consiste em amassar a terra ou argila umedecida com água ou água de cal dentro de moldes. A concretagem se torna mais consistente com o emprego de materiais aglutinantes, como, palha ou crina, excrementos de animais e até óleo de baleia. As paredes ficavam com uma espessura de 50 a 60 cm. O teto era bem avançado na beirada para suportar a água da chuva e não prejudicar as paredes. A construção também recebia uma calçada ao redor para proteção das paredes e evitar a erosão. A igreja de São Vicente, depois do desaparecimento da cidade por uma enorme ressaca em 1542, foi reconstruída em taipa de pilão sobre fundação de pedra. 3. Pedra e cal Encontramos ruínas executadas em pedra e cal nas regiões onde a pedra era fácil de ser extraída. A cal era obtida dos sambaquis, depósitos de esqueletos e conchas da época Pré-Histórica, ao longo do litoral. Sabe-se que algumas construções de edifícios administrativos construídos na Bahia e Olinda com estrutura em pedra foram confiadas ao arquiteto português Luís Dias, que trabalhou no Brasil entre 1549 e 1553. O Colégio construído em Ilhéus, entre 1563 e 1572 foi executado em pedra e cal de ostra, assim como a segunda igreja do Colégio no Rio de Janeiro, construída em 1585 a 1588. Arquitetura no século XVII Em Arquitetura do século XVI, observaram-se alguns métodos de construção como a utilização de madeira, folhas e palha nas primeiras obras levantadas; a taipa de mão ou pau a pique; a taipa de pilão e o emprego de pedra e cal, nas regiões onde a pedra era natural, assim que a colonização se estabeleceu. Em algumas construções aparecem técnicas combinadas. Em certas igrejas encontramos algumas partes de madeira ou taipa de pilão e até mesmo pau a pique alternados com alvenaria. Após a expulsão dos holandeses em 1654, o Nordeste, única região brasileira economicamente importante, renovou totalmente sua arquitetura. Uma nova “linguagem espacial, na qual a exuberância da decoração tinha um papel fundamental, substituía a sobriedade maneirista e as rígidas normas dos artistas do século XVI”. (ARTE NO BRASIL, 1986, p. 41) Algumas obras foram reconstruídas e outras restauradas, mantendo-se os projetos originais, as quais recebiam o novo estilo só internamente. Torres e Frontões A regra geral eram as coberturas de madeira. As abóbadas construídas em pedra ou tijolo são raras e, quando encontradas, estão nos conventos do século XVII. Os claustros apresentam na maioria abóbadas em berço, instaladas nas naves únicas ou principais. As abóbadas de arestas são empregadas nas naves laterais e nas galerias. No século XVII, os grandes tetos de madeira imitam a pedra. Exemplo magnífico é a abobada com caixotões, da igreja do colégio jesuíta de Salvador, hoje a Catedral. Algumas construções podem ser classificadas quanto ao formato e localização das torres ou quanto à evolução dos frontões. 1. Frontão mais largo ou espaçado Frontão mais largo ou espaçado era comum no século XVI. A Igreja de Nossa Senhora da Graça (1580-1592) em Olinda, Pernambuco, foi restaurada dentro dos padrões do século XVI. Apresenta nave única e fachada com porta central e Frontão geométrico triangular. 2. Frontão mais alto e mais estreito Em meados do século XVII, os frontões são altos e mais estreitos, enquanto no final do século XVII, eles se simplificam e se tornam mais baixos. 3. Torre piramidal A igreja apresenta uma nave central e duas laterais. A Fachada abriga uma porta central e duas laterais. As torres na lateral apresentam acabamento piramidal. A Igreja da Sé ou Igreja de São Salvador do Mundo (restaurada em 1584 e 1656) Olinda, Pernambuco, é um exemplo de torres em formato piramidal. Outras técnicas 1. Alvenaria A alvenaria é uma espécie de cascalho grosseiro aglomerado com argamassa. Essa argamassa pode ser de toda espécie de elementos, como por exemplo, a cal, a argila crua, pedras ou tijolos. Em Minas, além do uso muito grande da argila, também pode ser encontrada na argamassa, um minério de ferro extraído da serra de Ouro Preto com o nome de canga. 2. Adobe Os adobes são tijolos secos ao sol, de grandes dimensões: 20x20x40. Esse tipo de tijolo foi menos usado do que a taipa de pilão, que resiste melhor ao tempo se bem executada. Os adobes eram normalmente reservados para as partes secundárias da construção. 3. Tijolo A partir do século XVII, o emprego do tijolo cozido nas construções tornou-se comum, principalmente na Bahia. Em 1711, a cidade de Ouro Preto, recém-fundada, já tinha uma olaria. No entanto, a região de São Paulo só passou a utilizar o tijolo no século XIX. 4. Cantaria O uso da cantaria era reservado às partes nobres da construção, as quais necessitavam demoldura, como pilastras, soleiras, peitoris de janelas, umbrais de janelas e portas, cornijas, faixas e frontispício ou fachada. Do solo brasileiro foram extraídas para cantarias, a pedra Itacolomi e a pedra- sabão, de Minas Gerais. No século XVIII, para igrejas mais luxuosas importava-se de Portugal, principalmente, uma espécie de mármore chamado de Lioz. REFERÊNCIAS ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. São Paulo: Pioneira, 1986. BEUTTERNMULLER, Alberto Frederico. Viagem pela Arte Brasileira. São Paulo, Aquariana, 2002. CRANDELL, Anne Shaver. A Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. ECO, Umberto (org). História da beleza. São Paulo: Record, 2012. GARCEZ, Lucília. Explicando a Arte Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. PROENÇA, G. História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. Aula 06_Holandeses no Brasil Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; holandeses no Brasil. Para enfraquecer a Holanda, inimiga da Espanha, Felipe II pensou em destruir o poderio comercial holandês, proibindo que seus navios atracassem nos portos portugueses. Com a intenção de agir nas Américas, os holandeses criaram a Companhia de Comércio das Índias Ocidentais. Em 1630, os holandeses dirigiram-se a Pernambuco, dominando a capitania e instalando um governo na cidade de Olinda e depois Recife. Durante o período da dominação no Nordeste, de 1630 a 1654, os holandeses mantiveram uma grande área dominada que ia de Alagoas até o Rio Grande do Norte. De início os senhores de engenho defenderam suas terras, resultando em destruição das lavouras e fuga de escravos para o quilombo de Palmares, o qual estava se formando. Cedo os proprietários perceberam que a Holanda não tinha interesse em terras, mas no comércio do açúcar, assim, se aquietaram, principalmente depois da chegada de Maurício de Nassau. A política da Companhia das Índias Ocidentais foi a de relações amigáveis também com os Tapuias. O próprio Conde de Nassau reconhecia a importância da amizade indígena, para fins de sossego e conservação da própria colônia. Ao contrário dos portugueses, os holandeses concederam aos Tapuias uma aparente liberdade e a não escravização. Foi financiada nesse período, a vinda de médicos, astrônomos, cientistas e artistas, resultando em um desenvolvimento cultural até então desconhecido na região. Em 1644, porém, Maurício de Nassau se afasta do cargo em desacordo com a Companhia de Comércio, modificando, desde então, as relações entre holandeses e colonos. Leia abaixo recorte do texto – O Diário do Conde de Nassau – em que o Príncipe de Orange, se despede do Brasil: Dentro de mais dois dias estarei deixando esta grande terra. Ainda me lembro, quando aqui cheguei, do estado em que se encontrava a Conquista. A Companhia, em 1630, tinha tomado Pernambuco. [...] Em 1637, após uma longa viagem desembarquei em terras do Brasil. Foi um deslumbramento - o verde das matas, os pássaros, o grande rio, que me lembrou as terras e os canais de Amsterdam. [...] Não fiquei morando no Recife, estava muito desarrumado para o meu gosto, fui para a ilha, que se chamou antes de Antônio Vaz. Nela me instalei em um grande sobrado, perto do rio, e, de onde avistava o Recife. [...] Sobre o seu telhado, meu amigo [...] instalou um observatório; várias vezes ali subi para observar os astros e ver, à distância, o mar e as terras em redor. [...] A silhueta de Olinda é muito bonita, ao se recortar contra o céu. [...] Chegando, naquela antiga vila, pude percorrer as suas ruas incendiadas; o incêndio da cidade, ateado pelos da Companhia, em 1631, foi extenso e, não fossem os índios que acudiram os padres, teriam se consumido totalmente algumas das grandes construções dos religiosos. Perto da antiga Matriz, bastante arruinada, me deparei, ao lado do mar, com a grande construção dos padres da Companhia. Que maravilha, - estes jesuítas não construíam para o momento, mas sim, vendo o futuro. Na Matriz, no Colégio da Companhia de Jesus e noutras em ruínas ainda pude ver os ricos altares. Não vi imagens de santos, deviam ter sido tiradas dos altares pelos portugueses. [...] Quando considerei a minha maior permanência me interessei pelas melhoras das condições do Recife. [...] Assim logo cuidou-se da construção de dois palácios. Um para residência oficial, onde seriam os despachos e onde se pudesse receber e, outro, para repouso, poderia dizer, de inverno. O primeiro deles construído na parte de terra ao Norte do Forte Ernesto e voltado para o continente, Olinda e o Recife. Lugar encantador e onde se tem, além do palácio, com suas duas altas torres, um jardim, no qual, para divertimento dos da casa, instalou-se viveiros, jaulas com animais e plantou-se coqueiros, muitos dos quais transplantou-se já adultos. Para os palácios mandou-se fazer móveis e adquirir tapetes, além de orná-los com quadros pintados pelos nossos artistas. [...] foi encarregado o irmão do pintor Frans Post, o arquiteto Pieter Post, de fazer o traçado das ruas para a expansão do casario em direção ao Forte, e isto deveria ser feito a maneira nova, numa cidade moderna. Nela, praças ao lado do canal principal, e casinhas pequenas foram construídas. Como ficou elegante, aprazível - moderna. Dela fez desenhos o Sr. Post. Espera-se usá-los no futuro. [...] É com tristeza que deixo esta terra e antevejo o seu futuro grandioso. Eles, os que ficaram, dirão futuramente o quanto devem a esse período do governo. Hoje, neste instante da partida vejo, comparando com o Recife que vi quando cheguei, o quanto esta cidade é linda, debruçada no grande rio. […] Dessa terra levo muitas memórias e dela fixou aspectos extraordinários, de suas paisagens e da gente, os pintores, Srs. F. Post, Zacharias Wagner, e o notável Albert Eckhout. Um dia irão falar muito disto tudo. (Disponível em http://www.recife.pe.gov.br/cidade/projetos/bairrodorecife/tx3.htm Acesso em 02 mar. 2023.) Entre 1645 e 1654, os colonos lutaram pele expulsão dos holandeses, destacando-se as batalhas de Guararapes em 1648 e 1649. Em 1654, colonos, escravos e índios, com o auxílio de Portugal apoiado pela Inglaterra, obrigaram os holandeses a se retirarem do Brasil. A presença holandesa originou um período rico para a arte e a cultura no Brasil. Na capital de Pernambuco, Recife, chamada de Maurícia, ou Mauritsstad, na época, Maurício de Nassau coordenou pessoalmente a ampliação e restauração urbanística da cidade, deixando, na ocasião de sua partida, mais de duas mil edificações inteiramente de pedra e tijolo, de estilo tipicamente nórdico, com fachadas de dois andares e teto pontiagudo. Os materiais das construções vieram da Europa e das ruínas das construções portuguesas. Da mesma forma, quando os portugueses reassumiram, demoliram toda administração anterior. O período Nassau teve intensa atividade de um grupo de pintores que foram os primeiros aqui, a ousarem pintar temas de caráter não religioso, representando paisagens locais, natureza morta com flores e frutos tropicais, indígenas e animais que para eles eram exóticos. Entre eles estavam os pintores: Frans Post (1612- 1680), de Haarlem; Albert Eckhout (1610-1666), de Gröningene, e Zacharias Wagener (1614-1668) de origem alemã, os quais possibilitaram referências sobre o modo de vida dos colonos e são até hoje importantes fontes de pesquisa histórica. REFERÊNCIAS ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. São Paulo: Pioneira, 1986. BEUTTERNMULLER, Alberto Frederico. Viagem pela Arte Brasileira. São Paulo, Aquariana, 2002. CRANDELL, Anne Shaver. A Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. ECO, Umberto (org). História da beleza. São Paulo: Record, 2012. GARCEZ, Lucília. Explicando a Arte Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. PROENÇA, G. História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. Aula 07_Frans Post e Eckhout Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; Frans Post; Eckhout. Em 1630, os holandeses ocuparamPernambuco e boa parte da região Nordeste, de onde somente foram expulsos em 1654. Nesses vinte e quatro anos de permanência, o trabalho dos pintores holandeses foi a herança cultural mais notável. Convidados pelo príncipe Maurício de Nassau, governante do Brasil Holandês de 1637 a 1643, vieram artistas que pela primeira vez focalizaram assuntos desligados de temas religiosos. Paisagens, naturezas-mortas, retratos, figuras humanas e de animais constituíram um grande painel do Brasil no período. Frans Post (1612-1680) pintou paisagens, vistas de portas e fortificações. O seu quadro “Vista de Itamaracá” é considerado a primeira pintura que retrata fielmente o novo mundo. Figura 8: Vista da Ilha de Itamaracá. Fonte: Vista da Ilha de Itamaracá, 1637 Frans Post Disponível: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra24406/vista-da-ilha-de-itamaraca/ Acesso em 21 mar. 2023 Descrição da imagem: A figura é uma paisagem nas tonalidades marrons. Vemos em primeiro plano dois cavalos, um branco e um preto. E quatro pessoas negras. Atrás vemos um rio com pequenas colinas e ao fundo um céu. Alberto Eckhout veio com Nassau e aqui permaneceu durante sete anos. Um de seus temas principais era o habitante nativo do território brasileiro. Os personagens retratados obedecem a um esquema estrutural predominante: são vistos solitários, em meio à exuberância vegetação tropical, numa composição vertical. Um quadro que foge dessa regra é “Dança dos Tapuias”, que representa um grupo de indígenas dançando com seus tacapes, e alcança grande realismo e senso de movimento. Figura 9: Dança Tarairiu. Fonte: Dança dos Tarairiu (Tapuias) Albert Eckhout Disponível: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra14525/danca-dos-tarairiu-tapuias.%20/ acesso em 21 mar. 2023. Descrição da imagem: Mostra oito indígenas dançando, observados por duas indígenas. As grandes dimensões da tela não eram comuns para este tipo de temática. Além disso, a dança era reprovada pelo calvinismo e a nudez dos corpos tão fora dos padrões renascentistas fizeram com que a pintura não fosse aceita. Esses dois pintores mencionados acima refletem o interesse que a Europa tinha pelo “exótico” proveniente das novas terras descobertas. Embora tenham incorporado os temas tropicais em suas obras, ainda representam a arte europeia feita por europeus no Brasil, e não uma arte propriamente brasileira. SAIBA MAIS Pesquise sobre as pinturas efetuadas por esses artistas na ocasião da invasão holandesa do Brasil, no século XVII. Compare a flora e a fauna executadas por meio de efeitos pictóricos e do gosto estilístico do momento com a diversidade paisagística brasileira que você conhece. Aula 08_Igrejas do Brasil Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; Igrejas do Brasil. Vimos, na última aula, mais algumas técnicas de construção empregadas na arquitetura a partir do século XVII e exemplos de algumas igrejas classificadas por torres, lanternins ou frontões. Algumas construções foram iniciadas no século XVI ou XVII. Algumas igrejas foram restauradas e mantiveram a planta e/ou fachada originais, outras receberam inovações arquitetônicas. Outras, ainda, foram construídas no século XVII e terminaram as obras no século XVIII, sobretudo com relação à decoração no interior das mesmas. Outras vezes, as fachadas já acabadas recebiam decoração posterior. Fique atento às características das torres e frontões. 1. Igreja do Convento de Santo Antônio do Carmo, Olinda, Pernambuco. A Igreja do Convento de Santo Antônio do Carmo, de 1588, da Ordem dos Carmelitas em Olinda, Pernambuco apresenta restauração e adição de elementos no século XVII. Fachada com uma porta central. Nicho superior central, ladeado por janelas. Torres laterais com cobertura em forma de meia laranja. Frontão mais largo com nervuras. O Convento foi demolido no início do século passado. No 1º andar, está instalado a Regional de Olinda do IPHAN · Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS Núcleo de Ensino a Distância UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS Núcleo de Ensino a Distância UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS Núcleo de Ensino a Distância 2 10 10 2. Igreja do Mosteiro de São Bento, Rio de Janeiro. A Igreja do Mosteiro de São Bento, do Rio de Janeiro (1617-1690) apresenta a fachada composta por formas geométricas, com um frontão triangular, ladeada por duas torres em formato piramidal. A fachada de dois andares apresenta no piso térreo, uma galilé[footnoteRef:2] composta por três portais; no piso superior, três janelas. [2: Galilé ou nartex. Avançado do corpo principal, formando uma espécie de varanda coberta, constituída por arcos que antecedem os portais, ou pelos próprios portais. ] ____________________________ 3. Catedral Basílica Primacial de São Salvador, Bahia. A antiga igreja Jesuíta de Salvador, em alvenaria, foi inaugurada e consagrada em 1572 e restaurada na segunda metade do século XVII. A construção, iniciada em 1604, sobre o projeto original de frei Francisco Dias, foi completada no final do século XVII. O atual edifício é o quarto construído no local, hoje Catedral Basílica Primacial de São Salvador. A fachada apresenta Frontão mais alto com volutas laterais e duas torres com sineiras. Três portais são decorados com frontão quebrado e nichos com imagens (os três santos jesuítas: Santo Inácio de Loyola, S. Francisco Xavier e S. Francisco de Borja). As cinco janelas superiores também apresentam frontão quebrado. 4. Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso, Rio de Janeiro. A Igreja Nossa Senhora de Bonsucesso, Rio de Janeiro, de 1582. Apresenta Frontão mais alto e mais estreito, construído na 2ª metade do século XVII. Literatura e Arte na Colônia do Século XVII No século XVII, além de textos dos religiosos e viajantes, destacou-se o poeta Gregório de Matos (1633-1695). Perseguido na colônia por causa das sátiras que escrevia contra as autoridades foi exilado em Angola e só voltou um ano antes de sua morte. O poeta também escreveu temas de amor e religião. Também se destacou na literatura o jesuíta padre Antonio Vieira (1608-1697), que escreveu 207 sermões contidos em 15 livros, editados na Bahia. No século XVII, a escultura permaneceu ligada à arquitetura religiosa. Os franciscanos produziram inúmeras imagens de barro cozido durante os períodos de 1650 a 1680, encontradas nos conventos de Santo Antônio, do Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Santos, Itanhaém e Taubaté, entre outros. Nas missões do Rio Grande do Sul, também foram encontradas muitas imagens que, certamente, os jesuítas que ali estiveram, no século XVII, ensinaram a produzir. São obras diferenciadas por grupos e períodos distintos. Existem as imagens trabalhadas pelos indígenas com inspiração de esquemas europeus e são encontradas imagens totalmente executadas com o espírito aborígine. Três nomes se destacaram entre os artistas escultores beneditinos: freis Agostinho da Piedade (nascido em Portugal no final do século XVI-1661), de Salvador; Agostinho de Jesus e Domingos da Conceição e Silva, ambos do Rio de Janeiro. Frei Agostinho da Piedade, nascido em Portugal no final do século XVI e falecido em 1661, em Salvador, executou todas as esculturas em barro cozido na Bahia. Frei Agostinho de Jesus foi o primeiro grande escultor brasileiro. Nascido no Rio de Janeiro, no início do século XVII, faleceu em 1661. Durante a maior parte de sua vida esculpiu em São Paulo, Santana de Parnaíba e Santos. O frei, Domingos da Conceição e Silva, trabalhou durante quarenta e oito anos no Mosteiro de São Bento no Rio de Janeiro, onde faleceu em 1718. Além das imagens, Frei Domingos produziu grande parte da talha do mosteiro e executou o retábulo e o revestimento da Capela-Mor, assim como, as grades e os balaústres. Retábulos Uma primeira manifestação artística realmentenacional aparece nos retábulos para as igrejas. Construído de talha na madeira ou pedra lavrada, guarnece a parede em que se encosta um altar. Possui nichos e pranchas para imagens ou caixilhos para quadros. Com estrutura de colunas ornamentadas por flores e caneluras, ladeiam painéis e nichos para estátuas e sustentavam uma espécie de frontão com um painel pintado no centro. Nas igrejas mais modestas do interior de São Paulo, os retábulos são executados em madeira talhada e pintada provavelmente por artesãos indígenas. A decoração é semelhante aos modelos portugueses, do estilo plateresco[footnoteRef:3], trazidos pelos jesuítas. [3: Plateresco - Mistura de elementos artísticos do mudéjar e do gótico, um estilo decorativo espanhol e português, no renascimento. ] ___________________ As pequenas e simples mesas ou armários, colocados ao fundo do altar, utilizados em algumas igrejas da idade média e que tinham a única função de sustentar os objetos sacros, foram aos poucos adquirindo uma importância maior. E é a partir do renascimento Europeu que passam a ter uma atenção maior e assumir um caráter não só utilitário, mas principalmente estético. Surgem, então, os retábulos que, do renascimento ao neoclássico, irão se apresentar de diversas formas. 1. Capela de Santana, Ouro Preto, 1720. Colunas torsas (ou retorcidas) profusamente ornamentadas com motivos fitomorfos (folhas de acanto, cachos de uva, por exemplo) e zoomorfos (aves, geralmente um pelicano); coroamento formado por arcos concêntricos; revestimento em talha dourada e policromia em azul e vermelho. 2. Matriz de Nossa Senhora do Pilar em Ouro Preto. Excesso de motivos ornamentais, com predominância de elementos escultóricos; coroamento com sanefas e falsos cortinados com anjos; revestimento com policromia em branco e dourado. 3. Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto. Coroamento encimado por grande composição escultórica; elementos ornamentais baseados no estilo rococó francês (conchas, laços, guirlandas e flores); revestimento com fundos brancos e douramentos nas partes principais da decoração. Sofre influência do estilo francês dominante na Europa a partir da segunda metade do século XVIII. No Brasil, o rococó é uma das fases do barroco, por ter se desenvolvido paralelamente à sobrevivência desse estilo. SAIBA MAIS Sobre a produção artística do século XVII em: MARINO, João. Coleção de Arte Brasileira. São Paulo, 1983, pp. 37-65. Leia sobre os Retábulos coloniais e as esculturas em barro em: TIRAPELLI, Percival. Igrejas Paulistas Barroco e Rococó. São Paulo: UNESP, 2003, pp. 38-53 e 54-57. Leia sobre as igrejas paulistas construídas no século XVII em: TIRAPELLI, P. Igrejas Paulistas: Barroco e Rococó. São Paulo: UNESP, [2] Galilé ou nartex. Avançado do corpo principal, formando uma espécie de varanda coberta, constituída por arcos que antecedem os portais, ou pelos próprios portais. REFERÊNCIAS ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. São Paulo: Pioneira, 1986. BEUTTERNMULLER, Alberto Frederico. Viagem pela Arte Brasileira. São Paulo, Aquariana, 2002. CRANDELL, Anne Shaver. A Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. ECO, Umberto (org). História da beleza. São Paulo: Record, 2012. GARCEZ, Lucília. Explicando a Arte Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. PROENÇA, G. História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. Aula 09_Barroco I Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; Barroco. Nas aulas anteriores, aprendemos a reconhecer a arte produzida no Brasil dos séculos XVI e XVII. Classificamos as igrejas no Nordeste e Rio de Janeiro e suas características diferenciadas. Iniciamos aqui, uma nova etapa, com a História do Brasil no século XVIII e a grande produção intelectual e artística do período. Depois de um curto período no século XVI, cultivando cana no litoral, os vicentinos subiram a serra do Mar, fixando-se em São Paulo. Os habitantes do planalto, muito pobres, desenvolveram uma agricultura de subsistência baseada no trabalho indígena. Durante o século XVII, numerosas expedições armadas iniciaram a conquista do sertão atrás de índios para comercializarem e de ouro, prata e pedras preciosas para se enriquecerem. Explorando o interior do continente, os bandeirantes realizaram o maior sonho do governo português: encontraram ouro, quase no fim do século, na região que hoje denominamos Minas Gerais. Com a descoberta do ouro, houve uma verdadeira corrida às regiões mineradoras. Assim, foram fundadas as vilas de Caeté, Sabará, Vila Rica, Ribeirão do Carmo e outras. Essas áreas se viram, de uma hora para outra, tomadas por milhares de pessoas. Entre as consequências da exploração do ouro, surgiram núcleos urbanos e novos estilos de vida para os colonos, a elevação do Estado do Brasil à categoria de vice-reino e a transferência da capital da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763. Parte do ouro que ficava na colônia foi utilizado no revestimento dos interiores das igrejas, na confecção de objetos religiosos e para o enriquecimento e melhoria de vida, principalmente dos que lidavam com o comércio minerador. A maior parte do ouro, no entanto, foi para a Inglaterra como pagamento das dívidas da corte de Portugal. Dessa forma, o ouro do Brasil financiou a Inglaterra e a transformou no maior produtor manufatureiro, contribuindo para o processo de industrialização inglês em meados do século XVIII. A Revolução Industrial, a independência das colônias inglesas na América do Norte e a Revolução Francesa são alguns dos acontecimentos que marcaram o século XVIII, promovendo mudanças expressivas no cenário mundial e agitaram os jovens intelectuais no Brasil. Durante o período colonial, o Brasil presenciou, em diferentes regiões, revoltas contra o governo português e outras entre diferentes grupos sociais. Revolta de Beckman[footnoteRef:4], Guerra dos Emboabas[footnoteRef:5], Guerra dos Mascates[footnoteRef:6], Revolta de Vila Rica[footnoteRef:7], Conjuração Mineira[footnoteRef:8] e Conjuração Baiana[footnoteRef:9] foram conflitos em que prevaleceram interesses particulares, ficando à margem os interesses dos grupos oprimidos, como escravos e índios. [4: Revolta de Beckman – Também conhecida como Revolta do Maranhão. 1684. ] [5: Guerra dos Emboabas – Em 1709, os paulistas são mortos em uma emboscada por emboabas (pessoas de outras regiões que chegavam a Minas à procura de ouro) ] [6: Guerra dos Mascates - Conflito entre os habitantes de Olinda e Recife. De 1710 a 1711. ] [7: Revolta de Vila Rica - Insatisfação dos colonos em 1720. Execução de Felipe dos Santos. ] [8: Conjuração Mineira - Em 1789, revolta das camadas mais favorecidas, com intelectuais e sociedade mineira. Execução de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes em 1792. ] [9: Conjuração Baiana - Também conhecida por Revolta dos Alfaiates. 1798. Execução de dois soldados e dois alfaiates. ] A Cultura do Século XVIII Com dinheiro sobrando, os filhos dos ricos colonos foram estudar na Europa. De volta, a jovem elite trazia os ideais iluministas que agitavam a Europa no período. Na música, como na literatura, encontrarmos indícios que revelam um leve e oculto caráter de nacionalidade. Para os críticos mais ferozes, porém, o barroco brasileiro em termos de música, principalmente, não teria passado de simples cópia portuguesa, ou seja, uma reprodução do que era criado na Espanha e Itália, na verdade. Acredita-se que a poesia brasileira tenha-se iniciado com os Árcades no século XVIII, sendo os mais famosos os de Minas Gerais, pois se relacionaram ao primeiro movimento de independência no Brasil, no fim do século XVIII. Esses poetas, no entanto, ainda estavam muito presos aos cânones clássicos e portugueses das Academias. Além da formação de grupos dinâmicos e intelectuais, a riqueza gerada pelo ouro possibilitoua produção de um importante conjunto arquitetônico e artístico em regiões que despontavam política e economicamente no período. Vale lembrar que o Barroco, nas artes plásticas, chegou com atraso no Brasil em relação à literatura e à música. Como consequência, quando se trata da arquitetura, depara-se com um grande número de construções com estrutura barroca e decoração rococó, um estilo que já se encontrava decadente na Europa neoclássica, do final do século XVIII. Bahia Sede do governo, no início do século XVIII, a Bahia produziu uma arte admirável, mantida ainda pelo comércio do açúcar. A cidade de Salvador, com sua riqueza e arquitetura inspirada nos modelos Europeus, serviu de base para outras cidades da Colônia. 1. Igreja e Convento de São Francisco O complexo mais famoso de Salvador é constituído pela Igreja e Convento de São Francisco. O complexo foi iniciado em 1686, com a construção do novo convento sobre o antigo destruído pelos holandeses. Em 1708, iniciaram-se as obras da igreja, sob o projeto de Gabriel Ribeiro. Figura 10: Igreja e convento de São Francisco, Salvador, Bahia. Fonte: Igreja e convento de São Francisco, Salvador, Bahia. Disponível: https://cronicasmacaenses.com/2019/09/20/igreja-e-convento-de-sao-francisco- a-igreja-dourada-de-salvador-bahia-parte-1/. Acesso: 26 out. 2022. Descrição da imagem: A imagem acima é representada por uma igreja com duas colunas. A fachada é voltada para um grande largo onde existe uma cruz central com pequenos pináculos nas extremidades, com duas torres laterais relativamente simples e um volume central mais decorado, especialmente no frontão. É considerada uma das mais ricas igrejas do país e um importante representante do Barroco. O interior da igreja é formado por talha de madeira com todos os símbolos do barroco; folhas de acanto, pelicanos, flores, anjinhos e sereias. As pinturas do teto da nave principal apresentam forma de estrelas, hexágonos e octógonos. 2. Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia. A construção da Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia foi iniciada em 1739, em pedra de cantaria, vindas de Portugal e numeradas. A obra só terminou em 1820, após passar por três mestres de obra. Seu interior possui uma das primeiras demonstrações do barroco de D. João V no Brasil, destacando-se a pintura do teto da nave, de autoria de José Joaquim da Rocha (1737-1807), fundador da escola baiana de Pintura na segunda metade do século XVIII. 3. Igreja de Nosso Senhor do Bonfim. A construção da mais popular igreja baiana foi iniciada em 1754 e concluída em 1772. A fachada é parcialmente coberta por azulejos brancos portugueses, que chegaram à igreja cem anos depois da construção. A fachada é rococó e o interior, que recebe pintura de anjos e nuvens, entre 1818 e 1820, já é no estilo neoclássico. Escultores e Pintores na Bahia do Século XVIII Dos escultores que trabalharam para os Carmelitas, em meados do século XVIII, temos os nomes de Francisco Chagas, codinome Cabra e Félix Pereira Guimarães. Segundo Arte no Brasil, “o maior escultor baiano da época foi Manuel Inácio da Costa que se manteve sempre fiel às formas Rococó.” (Arte no Brasil, 1986, pp.58) Em relação à pintura, Antonio Simões Ribeiro desenvolveu a pintura sob o conceito da perspectiva nos tetos das igrejas em Salvador, influenciando vários artistas do seu tempo. Domingos da Costa Filgueira trabalhou, em meados do século XVIII, nas igrejas de Nossa Senhora da Saúde e Glória e na Ordem Terceira de São Francisco da Penitência em Salvador. José Joaquim da Rocha, após decorar o teto da Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia, ficou tão famoso que se fez necessário passar a pintura para seus discípulos, após desenhar nos tetos das diversas igrejas baianas. O último trabalho importante de José Joaquim foi a pintura e o douramento da sacristia da Igreja do Pilar, construída em pedra lioz, na metade do século XVIII. Dos seus discípulos destacaram-se José Teófilo de Jesus e Antonio Joaquim Franco Velasco. Nordeste A economia nordestina decaiu no século XVIII, com a queda do comércio de cana de açúcar. Com a implantação das companhias comerciais, Recife suplantou a cidade de Olinda, transformando-se em florescente centro comercial, com aumento da população e novas construções, após as reformas nos templos danificados e saqueados no período das invasões holandesas. Pernambuco O estilo barroco, exibindo frontões decorados em voltas e contravoltas com decoração rococó, já aparece em meados do século XVIII em Pernambuco. 1. Igreja Nossa Senhora do Carmo, Recife. A Igreja Nossa Senhora do Carmo, terminada em 1767, em Recife, apresenta a mistura do barroco com o rococó. A planta da igreja em forma de salão caracteriza a maioria das construções em Pernambuco. Figura 11: Igreja Nossa Senhora do Carmo 1687 Fonte: Igreja Nossa Senhora do Carmo 1687 – 1767. Recife, Pernambuco. Disponível: http://www.ipatrimonio.org/recife-convento-e-igreja-do-carmo/#!/map=38329&loc=- 8.066019999999995,-34.88005100000001,17. Acesso: 26 out. 2022 Descrição da imagem: A Basílica do Carmo é um dos mais importantes monumentos religiosos de Pernambuco. Sua fachada tem estilo rococó. Tem uma portada central destacada em relação às duas portas laterais, adornadas com cantaria. Acima das portas, encontramos as janelas e entre elas há três portas de acesso para canto ou reza do coral. Há também duas janelas circulares que propicia a iluminação e a ventilação. Temos um brasão da Ordem das Carmelitas. O monumento foi projetado com dois campanários, entretanto, apenas a torre sineira da esquerda da fachada é que foi concluída, com vãos em arco pleno, sino e fechamento em coroa. A outra torre apresenta- se interrompida, dispondo apenas de óculo central. 2. Igreja da Ordem Terceira de São Francisco do Convento de Santo Antônio, Recife. A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco do Convento de Santo Antônio, em Recife, Pernambuco, foi restaurada no século XVII. A fachada e o pórtico com cinco arcos se destacam de outras construções. O arquiteto Antonio Fernandes de Matos utilizou a forma de salão na Capela da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco. A Capela é anexa ao Convento de Santo Antônio, Recife, Pernambuco e foi inaugurada no século XVII. A decoração interna da Capela Dourada, como é conhecida, perdurou por todo século XVIII e é um dos mais belos exemplos de revestimento de talha dourada intercalada com painéis pintados, no estilo barroco. Figura 12: Capela Dourada Fonte: Capela Dourada. Igreja da Ordem Terceira de São Francisco do Convento de Santo Antônio, de Recife, Pernambuco. Disponível: https://sanctuaria.art/2015/06/22/convento-de-santo- antonio-e-a-capela-dourada-recife-pe/. Acesso: 26 out. 2022 Descrição da imagem: A Capela Dourada encontra-se muito ornamentada num estilo barroco-rococó. O seu altar apresenta-se todo construído em talhas douradas com imagens de Cristo Crucificado. O teto é dividido em segmentos retangulares e em cada um destes segmentos há painéis pintados a óleo com cenas diversas. Nas laterais observam-se dois longos painéis de franciscanos sendo presos. Há duas fileiras de assentos que foram trabalhados em jacarandá. No interior da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco do Convento de Santo Antônio, de Recife, encontram-se as famosas paredes revestidas de azulejos portugueses. A maioria dos azulejos do século XVIII encontrados nos interiores das igrejas é apresentada em tons monocromáticos de azul cobalto sob fundo branco, na forma figurativa ou historiada, segundo Olympio Pinheiro em Arte Sacra Colonial, “construindo um discurso icônico, uma cenografia teatral de sedução” com cenas “bíblicas, morais, clássicas, de paisagens, e costumes locais, exóticos ou europeus.” (ARTE SACRA COLONIAL, 2005, pp. 139). Paraíba 1. Convento franciscano de Santo Antônio, João Pessoa. A Igreja de São Francisco começou a ser construída em 1589, a partir de um pequenoconvento de taipa. Apenas em 1602, foi erguida uma construção em pedra. No século XVII, serviu de residência durante a invasão holandesa. Após o domínio holandês, iniciou-se a restauração do complexo. O final da restauração do Convento franciscano de Santo Antônio se deu somente no século XVIII. A fachada e o pórtico com cinco arcos se destacam de outras construções. A Igreja de São Francisco e o Convento de Santo Antônio, em João Pessoa, são interligados e no seu interior se encontram talhas em madeira recoberta de ouro, painéis de azulejos portugueses, cantarias e pinturas. REFERÊNCIAS ARNHEIM, R. Arte e Percepção Visual. São Paulo: Pioneira, 1986. BEUTTERNMULLER, Alberto Frederico. Viagem pela Arte Brasileira. São Paulo, Aquariana, 2002. CRANDELL, Anne Shaver. A Idade Média. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. ECO, Umberto (org). História da beleza. São Paulo: Record, 2012. GARCEZ, Lucília. Explicando a Arte Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 2000. PROENÇA, G. História da Arte. São Paulo: Ática, 2008. Aula 10_Barroco II Palavras-chave: Educação a distância; Artes Visuais; Barroco. Escultores, Entalhadores e Santeiros Figuram poucos nomes dos trabalhadores contratados para a decoração interna das igrejas no Nordeste. Entre eles, aparecem os nomes do pintor e escultor Antonio Spangler Aranha; e o mestre entalhador e escultor João Pereira. A pintura pernambucana é influenciada pela arte flamenga e espanhola cuja produção se restringe ao anonimato. João de Deus Sepúlveda é um dos raros nomes reconhecidos. Sua obra, mais antiga, é mal conservada e a série sobre a vida de Santa Teresa está na Igreja de Santa Teresa da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, no Recife. Sepúlveda pintou também em Recife, o forro da Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares; e o teto da Igreja de São Pedro dos Clérigos, considerada a obra prima de toda a pintura colonial pernambucana. A obra, do século XVIII, mostra São Pedro abençoando o Mundo Católico. Na segunda metade do século aparecem os nomes dos pintores Francisco Bezerra, Manuel de Jesus Pinto e José Elói, entre outros. RIO DE JANEIRO NO SÉCULO XVIII Após a descoberta do ouro em Minas Gerais, a cidade do Rio de Janeiro transformou-se no mais importante centro de intercâmbio comercial. A partir de 1735, foi aperfeiçoado o sistema defensivo da cidade para manter os piratas distantes e escoar as riquezas. Em 1738, chegou à cidade, o professor de engenharia militar José Fernandes Pinto Alpoim (1700-1765), responsável pela construção de várias obras de utilidade pública, residências e obras para os franciscanos. O engenheiro permaneceu em Minas Gerais, um tempo, voltando para construir mais obras famosas no Rio. Entre os diversos projetos de construção de Alpoim, encontram-se o Convento de Santa Teresa, a fachada interna do claustro de São Bento, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Boa Morte e o aprimoramento do Aqueduto da Carioca. Outro engenheiro militar, de nome José Cardoso Ramalho, foi responsável também pela arquitetura civil e religiosa do Rio de Janeiro, no início do século XVIII, introduzindo a planta poligonal de solução barroca. Na segunda metade do século XVIII, a maioria das igrejas do Rio de Janeiro apresentava a planta poligonal ou nave retangular com corredores laterais. Entre as igrejas de planta retangular, destacam-se a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e a Igreja de São Francisco de Paula. A Igreja de Nossa Senhora da Candelária, projetada por Francisco João Róscio (1733-1805), em 1775, destaca-se por apresentar uma planta em cruz latina, decoração e aplicações de mármore inspiradas nos projetos italianos. O projeto foi ampliado até o século XIX, recebendo detalhes do período neoclássico. Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, no Rio de Janeiro, foi construída, com interrupções, entre 1653 e 1773. A construção localiza- se ao lado da Igreja e Convento de Santo Antônio. Na fachada, encontram-se quatro pilastras com pináculos de cantaria, ligados por simples cimalha10. A fachada apresenta seis janelas e três portas. Frontão com óculo central e portal trabalhado no estilo barroco em pedra lioz trazida de Portugal. ____________________________ 10Cimalha – O mesmo que arquitrave. Figura 13: Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Penitência. Fonte: Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. RJ. Disponível: https://viajarcorrendo.com.br/2018/11/igreja-ordem-terceira-de-sao-francisco-da-penitencia.html. Acesso: 26 out.2022 Descrição da imagem: A imagem ao lado tem uma fachada dividida em três corpos verticais. Apresenta no frontispício um frontão barroco decorado com linhas sinuosas. A porta e as janelas foram feitas de mármore e encima são entalhados com detalhes sinuosos. Há um óculo no centro da igreja em forma de losango e uma cruz ao centro bem acima do monumento. O interior, revestido de talha dourada, recebeu decoração de dois nomes importantes na escultura: Manuel de Brito e Francisco Xavier de Brito. Manuel de Brito chegou ao Brasil em 1726 e iniciou os trabalhos no retábulo para a Capela-mór da igreja. Em 1735, Francisco Xavier de Brito foi contratado para a execução da talha e os dois trabalharam juntos a partir de 1738 até meados do século XVIII. O arco triunfal da abside é de autoria de Francisco Xavier de Brito, sob projeto de Manuel de Brito. Figura 14: Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência Fonte: Interior da Igreja Ordem Terceira. RJ. Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. Disponível: https://viajarcorrendo.com.br/2018/11/igreja-ordem-terceira-de-sao-francisco-da- penitencia.html. Acesso: 26/10/2022 Descrição da imagem: A fachada externa dessa igreja é toda revestida de pedra. A imagem mostra uma foto de ângulo frontal. Onde vemos o interior da igreja todo revestido por madeira de lei talhada com riquíssimos detalhes no estilo rococó. No altar da igreja temos a imagem de Nossa Senhora do Carmo bem ao centro ladeada por Santa Teresa D’ávila. Na escultura, além dos nomes de Manuel de Brito e Francisco Xavier de Brito, o nome de Valentim da Fonseca e Silva, chamado de MESTRE VALENTIM (c. 1745- 1813) é um dos mais conceituados, depois de Aleijadinho, em Minas Gerais. Valentim pertenceu à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e trabalhou sempre no Rio de Janeiro. Suas maiores obras encontram-se na Capela e na Igreja Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, no Mosteiro de São Bento. O artista também executou algumas obras para os projetos urbanísticos. Os representantes da pintura no Rio de Janeiro receberam o nome de Escola Fluminense de Pintura. Caetano da Costa Coelho, de origem portuguesa é um dos maiores nomes. Em 1730, o artista firma contrato com a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência e inicia o douramento dos entalhes e painéis e a pintura do teto da nave. Caetano da Costa Coelho foi um dos primeiros artistas, no Brasil, a pintar os tetos em perspectiva, muito divulgados na Itália a partir do século XVII. José de Oliveira Rosa, chefe da Escola Fluminense, pintou cenas sagradas, alegorias e retratos. Trabalhou para o Convento de Santa Teresa e para o Mosteiro de São Bento. João Francisco Muzzi, discípulo de José de Oliveira Rosa, distinguiu-se como cenógrafo da Casa de Ópera e do Teatro de Manuel Luis e deixou documentos artísticos e históricos que revelam a moda e mobiliário do final do século XVIII, no Rio de Janeiro. Manuel Dias de Oliveira, chamado de brasiliense, foi nomeado regente da Aula Pública de Desenho e Figura no Rio de Janeiro. São de sua autoria vários painéis sacros para as igrejas. José Leandro de Carvalho e Francisco Pedro do Amaral são os dois últimos nomes da Escola Fluminense de Pintura. Francisco Pedro do Amaral foi considerado o último