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Farmacologia 
 Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINES) 
Definição 
AINEs são fármacos que possuem propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antipiréticas, 
sem serem derivados de esteróides. Eles atuam principalmente inibindo a enzima ciclooxigenase 
(COX), responsável pela produção de prostaglandinas envolvidas na dor, febre e inflamação. 
 
Diclofenaco 
Ibuprofeno 
Naproxeno 
Dipirona 
Nimesulida 
Aspirina 
Piroxicam 
Paracetamol 
 
Fisiologia da Inflamação 
O processo inflamatório é uma resposta natural do organismo a lesões teciduais, caracterizado por 
um fenômeno complexo, dinâmico e multimediado, que pode ser desencadeado por agentes 
físicos, biológicos ou químicos. Seu objetivo é neutralizar ou eliminar invasores e preparar o tecido 
para reparo, envolvendo uma cascata de reações bioquímicas, vasculares e celulares. 
 
Mediadores químicos da inflamação 
São moléculas responsáveis por iniciar e manter a resposta inflamatória. 
 
 Principais mediadores: 
Histamina: vasodilatação e aumento da permeabilidade. 
Bradicinina: dor, vasodilatação. 
Interleucinas (IL-1, IL-6): febre, ativação de células do sistema imune. 
Prostaglandinas: vasodilatação, dor, febre, quimiotaxia. 
 Inflamação Aguda 
1. Representa a primeira resposta biológica do organismo frente a uma lesão celular ou 
tecidual. 
2. Caracteriza-se por reações rápidas e intensas, que visam conter o dano, eliminar o agente 
agressor e iniciar a reparação tecidual. 
3. Os principais eventos são: 
○ Aumento da permeabilidade vascular, permitindo que proteínas plasmáticas e 
leucócitos cheguem ao tecido lesado. 
○ Migração de leucócitos, principalmente neutrófilos, que são células de defesa 
especializadas na fagocitose e destruição de agentes patogênicos. 
 
 
 
 
 
 Prostaglandinas e ácido araquidônico (AA) 
● As prostaglandinas são produzidas a partir do ácido araquidônico, liberado das membranas 
celulares lesionadas. 
● A enzima ciclooxigenase (COX) transforma o ácido araquidônico em prostaglandinas e 
tromboxanos. 
Síntese de prostaglandinas 
 
 COX - 1: Indutiva 
 ○ Proteção gástrica; 
○ Produção de PG e TX 
○ Função plaquetária. 
 
COX - 2: Inflamatória 
○ Dor, rubor e edema; 
○ Febre; 
○ Endotélio vascular; 
○ Produção de IL1, IL2 e TNFalfav 
 
COX-3 - Provável isoforma da cicloxigenase encontrada no SNC (devido a ação do Paracetamol) 
 
 Diferenças 
COX-1 COX-2 
 
1. Continuamente estimulada no organismo; 
 
2. Constitutiva de sua concentração se mantém 
estável; 
 
3. Gera as prostaglandinas usadas na 
manutenção dos processos básicos do 
organismo; 
 
4. Prostaglandinas estimulam funções tais como, 
produção de muco na parede do estômago, 
regulação do ácido gástrico e excreção de 
água pelos rins. 
 
 
1. Induzida (normalmente não está presente nas células); 
 
2. .Geradas somente em células especiais do pulmão 
(EXa 549): 
 
5. Usadas na sinalização da dor e da inflamação: 
 
6. Produzem prostaglandinas para a resposta 
inflamatória; 
 
7. Estimulada somente como parte da resposta imune; 
 
8. Produção é estimulada pelas citocinas inflamatórias e 
pelos fatores de crescimento 
 
 
 
 
 
Mecanismo de ação 
Ação analgésica: menos sensibilização dos nociceptores. 
Ação antipirética: redução de prostaglandinas no hipotálamo. 
Ação anti inflamatória: menor vasodilatação e permeabilidade vascular. 
 
Início do processo inflamatório 
● Um estímulo nocivo (trauma, infecção, lesão tecidual) ativa células do sistema imune. 
● Essa ativação leva à liberação da enzima fosfolipase A2. 
● A fosfolipase A2 rompe os fosfolipídios da membrana celular, liberando ácido araquidônico. 
 
Formação de mediadores inflamatórios 
O ácido araquidônico é convertido por duas vias principais: 
 
Via da ciclooxigenase (COX) → produz prostaglandinas e tromboxanos. 
Via da lipoxigenase (LOX) → produz leucotrienos (os AINEs não agem nessa via). 
 
Os produtos da via COX são os principais responsáveis por sintomas como dor, febre e 
inflamação. 
 
Função da enzima COX 
➔ Existem duas isoformas principais: 
COX-1: presente normalmente no corpo, regula funções como proteção gástrica, fluxo 
renal e agregação plaquetária. 
COX-2: é induzida em processos inflamatórios e produz prostaglandinas inflamatórias 
(como a PGE2). 
 
Papel das prostaglandinas na inflamação 
➔ PGE2: aumenta a sensibilidade à dor, provoca febre e vasodilatação (aumenta o fluxo 
sanguíneo local). 
➔ PGI2 (prostaciclina): dilata vasos e inibe a agregação de plaquetas. 
➔ TXA2 (tromboxano A2): promove vasoconstrição e agregação plaquetária. 
 
Durante a inflamação, ocorre ativação da fosfolipase A2, que libera ácido araquidônico das 
membranas celulares. 
 
 
 
AINEs seletivos x não seletivos 
 
AINEs Não Seletivos 
● Inibem COX-1 e COX-2. 
COX-1: responsável por funções fisiológicas como proteção gástrica, função renal e 
coagulação. 
COX-2: induzida à inflamação. 
● Efeitos positivos: ação anti-inflamatória, analgésica e antipirética eficaz. 
● Efeitos adversos: alto risco de gastrite, úlceras e sangramentos; possíveis problemas renais. 
● Exemplos: ibuprofeno, diclofenaco, naproxeno, AAS. 
AINEs Seletivos (COX-2) 
Inibem preferencialmente a COX-2, poupando a COX-1. 
Vantagem: menor risco de efeitos gastrointestinais. 
Desvantagem: maior risco cardiovascular (infarto, trombose, AVC). 
Indicação: pacientes com histórico de úlcera ou intolerância gástrica. 
Exemplo principal: celecoxibe. 
 
Efeitos colaterais dos AINEs 
❖ Gastrite e úlceras (principalmente com COX-1) 
❖ Comprometimento renal 
❖ Riscos cardiovasculares (com COX-2 seletivos) 
❖ Hepatotoxicidade (nimesulida) 
❖ Trombogenicidade, hipertensão (coxibes) 
Farmacocinética dos AINEs 
❖ Boa absorção oral. 
❖ Alta ligação às proteínas plasmáticas. 
❖ Metabolizados no fígado. 
❖ Excretados pelos rins. 
Medicamentos 
 
Ácido acetil salicílico (AAS) 
○ Inibidor irreversível da COX-1 nas plaquetas. 
○ Usado como antiplaquetário na prevenção de infarto e AVC. 
○ Efeitos colaterais: úlceras gástricas, asma induzida, zumbidos. 
 
 
 
Paracetamol e Dipirona 
○ Atuam predominantemente no SNC. 
○ Paracetamol: escolha para crianças; risco de necrose hepática em altas doses. 
○ Dipirona: antipirético e analgésico; risco de agranulocitose (raro, mas grave) 
 
Diclofenaco 
○ Utilizado no tratamento da dor associada a cálculos renais. 
○ A ulceração GI pode ocorrer menos frequentemente. 
○ Pode comprometer o fluxo sanguíneo renal e a taxa de filtração glomerular 
 
Nimesulida 
○ Maior seletividade para COX-2. 
○ Indicado para dor aguda, miosite, mialgia, febre e dismenorreia. 
○ Alto risco de hepatotoxicidade 
 
	 Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINES) 
	Definição 
	Fisiologia da Inflamação 
	 Inflamação Aguda 
	 Prostaglandinas e ácido araquidônico (AA) 
	 
	Mecanismo de ação 
	AINEs Seletivos (COX-2) 
	Farmacocinética dos AINEs 
	Paracetamol e Dipirona 
	○​Atuam predominantemente no SNC. 
	○​Paracetamol: escolha para crianças; risco de necrose hepática em altas doses. 
	○​Dipirona: antipirético e analgésico; risco de agranulocitose (raro, mas grave)

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