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DIREITO LINDOMAR SILVA FERREIRA MAYCON VINICIUS PEREIRA VIEIRA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: MEDIDAS DE ENFRENTAMENTO APRESENTADAS NA LEI MARIA DA PENHA E AS INICIATIVAS DE COMBATE NA CIDADE DE RIO VERDE-GO RIO VERDE-GOIÁS 2023 ( 1 ) ( CENTRO UNIVERSITÁRIO DO SUDOESTE GOIANO - UNIBRÁS RIO VERDE-GO ) DIREITO LINDOMAR SILVA FERREIRA MAYCON VINICIUS PEREIRA VIEIRA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: MEDIDAS DE ENFRENTAMENTO APRESENTADAS NA LEI MARIA DA PENHA E AS INICIATIVAS DE COMBATE NA CIDADE DE RIO VERDE-GO Projeto de Pesquisa apresentado à Banca Examinadora do Curso de Direito, Ecossistema Brasília Educacional - Faculdade Unibrás de Rio Verde, como exigência parcial para a obtenção do título de Bacharel em Direito. Orientador: Prof. [titulação] [nome] RIO VERDE - GOIÁS 2023 LINDOMAR SILVA FERREIRA MAYCON VINICIUS PEREIRA VIEIRA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: MEDIDAS DE ENFRENTAMENTO APRESENTADAS NA LEI MARIA DA PENHA E AS INICIATIVAS DE COMBATE NA CIDADE DE RIO VERDE-GO Artigo apresentado ao Ecossistema Brasília Educacional - Faculdade Unibrás de Rio Verde como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Direito, sob orientação do Prof. [titulação] [nome], aprovada em [ ] de [ ] de [ ]. BANCA EXAMINADORA Prof. [titulação] [nome do professor] (orientador) Centro Universitário do Centro Oeste Goiano de Rio Verde – GO Prof. [titulação] [nome do professor] (orientador) Centro Universitário do Centro Oeste Goiano de Rio Verde – GO Prof. [titulação] [nome do professor] (orientador) Centro Universitário do Centro Oeste Goiano de Rio Verde – GO ( 11 ) RESUMO De acordo com a ABNT (NBR 6028:2003), o resumo é considerado uma apresentação concisa dos pontos relevantes de um trabalho científico. Sugere-se a elaboração de resumo do tipo informativo, que permite uma visão precisa do trabalho, informando o leitor sobre o(s) objetivo(s), a metodologia, os resultados e as considerações finais/conclusões do documento. O resumo deve ser composto de uma sequência de frases coesas, objetivas e não de enumeração de tópicos. Recomenda- se o uso de parágrafo único, sem recuo de primeira linha. A primeira frase deve ser significativa, explicando o tema principal do documento. A seguir, deve-se indicar a informação sobre a categoria do tratamento (memória, estudo de caso, análise de conteúdo, entre outros). Utiliza-se o verbo na voz ativa, na terceira pessoa do singular ou primeira do plural. O texto deve ser digitado em espaçamento simples e deve-se evitar o uso de citações bibliográficas, devendo conter no mínimo 150 e no máximo 500 palavras (exceto para artigos, que devem conter entre 100 e 250 palavras). Palavras-chave: As palavras-chave (em número de 3 a 5) devem figurar logo abaixo do resumo, antecedidas da expressão “Palavras-chave:” separadas entre si por ponto e finalizadas também por ponto. 1 INTRODUÇÃO Este estudo possui por intenção analisar os mecanismos legais dispostos na sanção da Lei 11.340/06, frente à reflexão sobre a importância, aplicabilidade e eficácia na defesa da integridade e dos Direitos Humanos do gênero feminino, tendo-se por intenção discutir a respeito do respectivo tema: “VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: medidas de enfrentamento apresentadas na Lei Maria da Penha e as iniciativas de combate na cidade de Rio Verde-GO.” A Lei Maria da Penha sancionada em 2006 surge como ferramenta legal, para combater qualquer tipo de violência doméstica, sob uma demanda social inadiável, fazendo-se relevante afirmar que infelizmente vivemos em uma sociedade que se construiu em suma de forma misógina e que partindo daí tem enfoque maior ao aumento da violência de gênero, que agride e nos piores casos, ceifa a vida de milhares de mulheres, dos mais diversificados grupos sociais, e possui natureza física, moral, sexual, psíquica ou patrimonial. Contudo, acredita-se que faz-se de extrema grandeza a criação de leis específicas de proteção a mulher como é o caso da Lei Maria da Penha, partindo-se da premissa de que a legislação deve ser cada vez mais intransigente para as medidas de proteção contidas na Lei estejam sempre dispostas para diminuição de qualquer tipo de violência contra a mulher, trazendo-lhe mais segurança, qualidade de vida e confiança na legislação brasileira e seus agentes que zelam para colocá-la em prática com efetividade. 1.1 - Problema de Pesquisa A pergunta que norteia esse trabalho buscou responder ao seguinte questionamento: “A cidade de Rio Verde-GO possui iniciativas de enfrentamento à violência doméstica que abrangem as diversas frentes apresentadas na Lei Maria da Penha ou se limita à punição dos agressores? 1.2 – OBJETIVOS 1.2.1 Geral Analisar quais são as origens, complexidades, e os principais desafios encontrados no combate a violência doméstica contra a mulher, na cidade de Rio Verde-GO, principalmente no que diz respeito ao papel do Estado na implementação de iniciativas que visem coibir essas agressões. 1.2.2 – Objetivos Específicos a) Refletir acerca dos aspectos históricos e sociais da violência de gênero e violência doméstica; b) Identificar as diversas abordagens de prevenção e combate à violência doméstica apresentadas na Lei Maria da Penha; c) Esclarecer o debate sobre a punição prevista na Lei Maria da Penha e a subsidiariedade do Direito Penal; d) Compreender porque muitas mulheres mesmo tendo sofrido violência doméstica, ainda continuam com seus agressores; e) Mapear as iniciativas de combate à violência doméstica na cidade de Rio Verde-GO, frente às exigências previstas na Lei 11.340/06. 1.3 – Justificativa Este estudo possui por justificativa, levantar algumas questões acerca de acredita-se que a Lei Maria da Penha é uma ferramenta de suma importância para resguardar a integridade física e moral das mulheres, levando-se em consideração que pouco se fala sobre como realmente esta Lei surgiu e porque foi sancionada, sabendo-se que o Brasil foi pressionado por várias Comissões de Direitos Humanos até “obrigatoriamente” concorda em dispor a mulher uma legislação específica, que oferecesse mecanismos de amparo, proteção e tutela contra possíveis agressores. 2- METODOLOGIA Para a sustentação desse trabalho, serão realizadas dois tipos de metodologias, utilizando-se assim um estudo através de uma Revisão Exploratório- Bibliográfica, tendo por suporte obras e seus respectivos autores, que muito auxiliaram para oferecer contribuições sobre o princípio da subsidiariedade do Direito Penal e a punição presente na Lei 11.340/06, onde nesse sentido, este estudo buscará verificar se a cidade de Rio Verde-GO adequa suas políticas públicas de combate à violência doméstica para atuar nas diversas frentes previstas na Lei Maria da Penha. O outro método empregado para a sustentação e base desse estudo ocupar-se-á de uma pesquisa de cunho qualitativo, que terá como procedimento metodológico a realização de um mapeamento das principais iniciativas de combate à violência doméstica na cidade de Rio Verde-GO, com o objetivo de verificar se, e como, as diretrizes apresentadas pela Lei Maria da Penha estão sendo implementadas e se o município possui uma política pública eficaz de combate a este tipo de violência. A realização do mapeamento ocorrerá através da busca de dados que serão coletados a partir do contato com os órgãos públicos e pesquisas nos sites oficiais das Secretaria municipais e Estaduais, Poder Judiciário e Legislativo de Rio Verde-GO, bem como, buscar dados de 2013 a 2023, na DEAM (Delegacia Especializada de Atendendimento a Mulher), no que se refere as mulheres que foram vítimas de violência doméstica e que assim, buscaram algum tipo de ajuda, neste órgão público. Outra forma metodológica deste estudo será a Revisão de Literatura que dispor-se-á de importantes ponderações acerca de pontuar sobre a Lei Maria da Penha seu princípio de igualdade legal de direitos, levando-se em consideração que esta lei objetiva modificar um lamentável contextosocial de grande desigualdade em relação ao gênero feminino. Outro enloque a ser refletido neste trabalho culminará em citar alguns dos agentes integrados que na composição da Lei Maria da Penha, lutam com veemência coibir, inibir e se possível for aniquilar agressões contra a mulher, na intenção de dispor de uma legislação totalmente forte e eficaz, na construção por uma sociedade livre de preconceitos, intolerâncias ou qualquer outra forma de discriminação contra o gênero. Contudo, este trabalho também ocupar-se-á dos procedimentos bibliográficos cuja pesquisa terá prosseguimentos já com o material elaborado, por ter como finalidade a obtenção de maiores informações, pois utilizar-se-á de obras em formato de livros, projetos e artigos científicos, disponibilizando-se assim também da pesquisa explicativa, por se preocupar com a classificação, análise e interpretação dos fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos, onde deste modo, ela aproximará o mais possível da realidade na busca de explicar a razão e o porquê das coisas, onde nesta abordagem por meio de pesquisa literária, os autores teóricos-científicos que dispostos e aqui citados, abordam com objeção, clareza e dinamismo o tema proposto neste trabalho, para estabelecimento significativo de atribuições de saberes e conhecimentos que poderão assim servir para outros frutos. 3- REFERENCIAL TEÓRICO 3.1 As questões de gênero e os desafios para a mulher na sociedade atual A família é considerada uma das instituições mais importante da sociedade em quase todas as culturas e civilizações, na qual se reproduzem assimetricamente, as relações de gênero, que assinalam o contexto sociocultural no qual as mulheres estão incluídas (FREITAS, 2016). Por isso, durante muito tempo a mulher foi vista na sociedade como um ser vulnerável e com papéis sociais secundários. Este entendimento geral tem mudado bastante nas últimas décadas a partir de algumas transformações sociais, como a inserção da mulher no mercado de trabalho, passando a ser mais participativa nas questões políticas, o que proporcionou mudanças nos papéis sociais da mulher como mãe e esposa (PINTO, 2016). As circunstâncias em que a mulher se desenvolve e vive impactam diretamente sua saúde, que é agrava pela discriminação nas relações de trabalho e a sobrecarga com a ocupação doméstica, tornando as mais vulneráveis a agravos diversos a saúde e com grande frequência. Outras circunstancias como etnia, raça e situação de pobreza ressaltam ainda mais as desigualdades sociais entre homens e mulheres (PAISM, 2004). A segurança ao atendimento à saúde é um benefício de todos cidadãos brasileiros, considerando suas particularidades de gênero, raça/etnia, descendência, orientação e atividades afetivas e sexuais (MS, 2010). A idealização social dos gêneros impõe diferentes desafios para homens e mulheres, pois, há um entendimento equivocado de que a mulher tem maiores dificuldades para exercer cargos de liderança, por exemplo, o que acaba por desvalorizá-la, tornando-a subordinada por seu gênero (PNEVC, 2004). A cultura do machismo presente em nossa sociedade, posiciona a mulher como instrumento de desejo e de domínio do homem, o que acaba causando inúmeros tipos de violência e abusos diversos, dentre estes, com grande prevalência, o sexual (ANDRADE, 2004). Neste sentido, duas situações acabam por piorar a já hedionda realidade da violência sexual infringida as mulheres: a responsabilização pelo crime cometido contra ela e a estrutura e simbolismo de gênero na sociedade atual, onde o próprio Sistema de Justiça Criminal, que em inúmeros casos, vitimiza em dobro a mulher. A violência contra mulher é um espelho dos princípios familiares, que delimita as atribuições e o empoderamento entre os gêneros(PINTO, 2016). A violência contra mulher constitui de qualquer ato violento, por razões de gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no contexto público ou privado (PNEVC, 2011). A violência contra mulher é categorizada como física, sexual, psicológica, moral ou patrimonial, de forma individual ou agrupado (FREITAS, 2016). Os fatos referenciais sobre a violência doméstica acometidas contra a mulher, são constantemente adulterados ou omitidas em benefício do ofensor, principalmente quando o violentado é do gênero masculino, a apuração torna-se mais complexa por ser necessário o sigilo ocasionado pela vergonha sobre a vítima causando o dobro de constrangimento (SOUZA e KÜMPEL, 2016). A violência contra as mulheres e as crianças e adolescentes, que são as principais vítimas no âmbito doméstico e tem nos homens uma visão imortalizadora, descreve-se continuamente as tentativas de assistência em situações injustas, e banalizar em nossa sociedade, sustentadas por visões que afirmam a inferioridade feminina, o adultocentrismo e o patriarcardo (AMARAL et al., 2013). Segundo Silva, Coelho e Caponi (2007) a agressão contra mulheres há mais de três décadas tem apresentado índice crescente, estabelecendo uma grave infração dos direitos humanos, calcula-se que a violência sexual abranja cerca de 12 milhões de pessoas por ano no mundo. As estatísticas, da violência sexual não são precisas devido as subnotificações. Estudos de organizações internacionais demonstram que uma em cada quatro mulheres no mundo é vítima de violência de gênero o que diminui um ano de vida saudável a cada cinco anos, em função das mesmas (PINTO, 2016). O percentual de mulheres em alguns países, violentadas fisicamente por um homem, chegou a 50%. A Fundação Perseu Abramo, em pesquisa realizada em 2001, relata que a cada 15 segundos uma mulher é violentada no Brasil e mais de 2 milhões são espancadas a cada ano por seus companheiros (FONSECA; RIBEIRO; LEAL, 2012). Existe um sistema em que o objetivo neste caso é analisar as inúmeras circunstancias que identificam a violência contra a mulher, trata-se do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Saúde, nele foram registrados no país 107.572 atendimentos à violência doméstica, sexual e/ou outras violências: 70.285 (65,4%) mulheres e 37.213 (34,6%) homens (74 não tem indicação de gênero da vítima), (SINAN, 2011). Aproximadamente dois a cada três casos, as vítimas são mulheres, o que sugere um claro indicativo das classes de agressões cometidas contra as mulheres (WAISELFISZ, 2012). A residência da mulher é o local onde mais ocorrem situações de violência, independente da faixa etária, mostrando um dado de 71,8%, demostrando que a violência doméstica é, de fato, a de maior incidência. Em segundo lugar, com 15,6% dos casos de agressões contra mulheres, ocorrem em vias públicas, (WAISELFISZ, 2012). A violência direcionada às mulheres representa um fenômeno excessivamente complexo, que alcança toda parte do mundo e tem suas origens na inter-relação de fatores biológicos, socioeconômicos, culturais e políticos. Essas agressões exercidas pela parceria íntima no âmbito doméstico estabelece as formas mais prevalentes e endêmicas de violência contra a mulher (GONTIJO et al., 2010). Apesar de caracterizar grave problema social e de saúde pública, somente alçou a relevância da discussão nacional no Brasil, com a origem da Lei 11.340/2006, Lei Maria da Penha, que passou a configurar crime, as violências cometidas contra a mulher, com aplicação de penalidades aos agressores (AMARAL et al., 2013). 3.3 Breve apanhado acerca do Surgimento da Lei Maria da Penha A Lei Maria da Penha surge como forma de homenagear uma importante mulher, símbolo da luta e persistência de que seu então marido e agressor fosse punido por todos os crimes acometidos contra sua vida, fazendo-se de suma importância ressalvar que o nome desta guerreira é Maria da Penha Maia Fernandes, uma cearense, biofarmacêutica que foi casada com o boliviano e professor universitário Marco Antônio HerediaViveros, acusado de cometer violência familiar contra a esposa por aproximadamente vinte três anos de casamento, tentando assassiná-la porduas vezes, uma com arma de fogo que deixou Maria da Penha paraplégica e na segunda tentativa, Marco Antônio usa a eletrocussão e afogamento (MINEO, 2011). Mesmo estando em uma cadeira de rodas esta magnífica mulher trava uma grande batalha judicial em prol de justiça contra seu agressor, bem como a busca por segurança tanto para ela, quanto para suas duas filhas, fazendo-se relevante apontar que seu ex marido foi julgado duas vezes e após alegações do advogado que o acompanhava, o processo permaneceu em aberto por alguns anos, e a punição ao cônjuge apenas aconteceu dezenove anos e seis meses depois (BRUNO, 2016). De acordo com Maia (2015, p.12): Após longos anos os advogados de Antônio conseguiram recorrer e anular o referido julgamento, porém somente em 1996, Antônio foi julgado e culpado, condenado a dez anos de reclusão, entretanto conseguiu recorrer novamente. Depois de 15 anos de luta sobre o fato e repercussão internacional, a justiça brasileira ainda não havia dado decisão ao caso, onde por intermédio de ONG’s, Maria da Penha conseguiu remeter o acontecimento para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA), a qual acatou sua denúncia de violência doméstica, sendo Antônio preso no ano 2002, cumprindo assim apenas pena de dois anos de reclusão (MAIA, 2015, p.12). Maria da Penha lutou não somente por ela mesmo e pela justiça necessária ao ex marido e pai de suas filhas, mas esta brasileira batalhou incansavelmente para que o Brasil tivesse uma legislação específica e mais rígida, que puna agressões e assim proteja as mulheres contra qualquer tipo de violência doméstica e familiar, tornando-se esta “Maria” uma das maiores representantes femininas nesta batalha de extrema importância em favor da preservação da vida e contra qualquer ato acometido em desfavor do gênero feminino (BRUNO, 2016). Segundo Piovesan e Pimentel (2007) pode-se considerar que a Lei Maria da Penha é um dos mais importantes instrumento de igualdade material, que confere efetividade aos preceitos constitucionais: A "Lei Maria da Penha, ao enfrentar a violência que, de forma desproporcional, acomete tantas mulheres, é instrumento de concretização da igualdade material entre homens e mulheres, conferindo efetividade à vontade constitucional, inspirada em princípios éticos compensatórios. A Lei nº 11.340/06 ganha destaque como exercício afirmativo e concreto, partindo-se de que ela traz novos elementos que buscam erradicar a cultura da violência acometida contra a população feminina, abarcando medidas que na prática visam proteger e resguardar as mulheres brasileiras em qualquer contexto social (MINEO, 2011). Assim em 07 de Agosto de 2006, após diversas pressões e como forma de buscar punir o Brasil a OEA (Organização dos estados Americanos) propôs a criação de uma legislação adequada a qualquer tipo de violência em desfavor do gênero feminino, partindo através de várias entidades à compreensão de criar um projeto de lei para coibir inúmeras formas de agressões acontecidas no seio doméstico ou familiar, garantindo-se assim, segurança dentro e fora da residência, definindo linhas políticas de prevenção à atenção no combate abarbárie, crueldade ou perversidade contra a mulher (MINEO, 2011). Frente a tantas ocorrências humilhantes, constrangedoras e perversas que tantas mulheres vivenciam ou vivenciaram, cria-se e sanciona-se assim a Lei nº 11.340/06, visando banir atos de violência doméstica e familiar contra a mulher, onde no Art. 10 da respectiva Lei dispõe que: Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8o do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar (BRASIL, 2006). Para Campos (2015) a Lei Maria da Penha determina normativas de extrema seriedade, uma das alterações fora no Código Penal, no conceito de lesão corporal que decorra de violência doméstica, aumentando assim a pena máxima de um ano para três anos, porém a Lei nº 11.340/06 cita diretrizes que acompanham as políticas públicas na intenção de coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, com implementações, ações articuladas entre os entes estatais (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) e os órgãos não governamentais. 3.2 Alguns dos agentes responsáveis pela aplicação e eficácia da Lei Maria da Penha A Lei nº 11.340/06 é um grande passo para a busca da proteção a mulher, alvo constante de violência doméstica e familiar, levando-se em conta que antes de sua sanção os agressores contavam com uma legislação branda e falhar, sendo eles agraciados por uma liberdade provisória que em diversos casos resultava em diversas óbitos, pois o ofendedor se vingava de sua ofendida, ou com mais agressão ou em vias de fato, optava por ceifar a vida de sua vítima. Assim no Art. 14 da Lei Maria da Penha dispões de: Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher,órgãos da Justiça Ordinária com competência cível e criminal, poderão ser criados pela União, no Distrito Federal e nos Territórios, e pelos Estados, para o processo, o julgamento e a execução das causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher. Parágrafo único: Os atos processuais poderão realizar-se em horário noturno, conforme dispuserem as normas de organização judiciária (BRASIL, 2006). A Lei alterou o Código Penal e permitiu que agressores sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada, bem como excluiu as penas pecuniárias, aquelas em que o réu é condenado a pagar cestas básicas ou multas, alteando-se ainda a Lei de Execuções Penais para permitir que o juiz determine o comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e reeducação (OLIVEIRA, 2011). Ainda, Oliveira (2011) corrobora em afirmar que a Lei Maria da Penha trouxe um conjunto de medidas de grande beneficência para proteger a mulher agredida, que está em situação de violência ou que corra risco de vida. Entre elas, a saída do agressor de casa, a proteção dos filhos e o direito de a mulher reaver seus bens e cancelar procurações feitas em nome do agressor e por conseguinte a agressão psicológica passa a ser caracterizada também como violência doméstica. No Art. 20 da Lei nº 11.340/06 as medidas protetivas podem ser concedidas pelo juiz, mediante pedido da ofendida ou a requerimento do Ministério Público e assim por serem de natureza provisória, poderão ser revogadas a qualquer tempo, bem como substituídas por outras de maior eficácia, de modo proporcional à efetiva proteção da ofendida, podendo culminar na prisão preventiva (BRASIL, 2006). No Art. 5º da Lei nº 11. 340/06 assente que “para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial” (BRASIL, 2006). Destarte no Art. 6º da Lei Maria da Penha decreta que a violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma das formas de violação dos direitos humanos”. O Art. 11 da Lei nº 11.340/06 retrata que sobre as primeiras providências que deverão ser tomadas pelo policial: - Garantir proteção à vítima e seus familiares; - Comunicar imediatamente o que aconteceu ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, agilizando a adoção das medidas protetivas de urgência e evitando danos ainda maiores; - Encaminhar a mulher ao hospital, posto de saúde ou Instituto Médico Legal, se for o caso; _ Quando houver risco de vida, levá-la, junto com seus dependentes, para um abrigo ou local seguro, antes mesmo da ordem do Juiz e ainda dispõeque as mulheres devem ser informadas dos seus direitos para que: tenham conhecimento dos serviços disponíveis; - Decidam sobre as medidas protetivas que podem requerer; -Decidam se irão ou não oferecer representação (confirmar a denúncia); e informem-se dos procedimentos judiciais para não perderem prazos; -Tomem atitudes ativas nas audiências; -Resolvam se querem ou não interromper uma gravidez decorrente de violência sexual (BRASIL, 2006). Assim, como dispõe-se no Art. 12 da Lei Maria da Penha os procedimentos a serem tomados em todas as situações de violência doméstica e familiar contra a mulher, feito o registro da ocorrência, deverá a autoridade policial adotar, de imediato, os seguintes procedimentos, sem prejuízo daqueles previstos no Código de Processo Penal: I - ouvir a ofendida, lavrar o boletim de ocorrência e tomar a representação a termo, se apresentada; II - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e de suas circunstâncias; III - remeter, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, expediente apartado ao juiz com o pedido da ofendida, para a concessão de medidas protetivas de urgência; IV - determinar que se proceda ao exame de corpo de delito da ofendida e requisitar outros exames periciais necessários; V - ouvir o agressor e as testemunhas; VI - ordenar a identificação do agressor e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes criminais, indicando a existência de mandado de prisão ou registro de outras ocorrências policiais contra ele; VII - remeter, no prazo legal, os autos do inquérito policial ao juiz e ao Ministério Público. § 1° O pedido da ofendida será tomado a termo pela autoridade policial e deverá conter: I - qualificação da ofendida e do agressor; II - nome e idade dos dependentes; III - descrição sucinta do fato e das medidas protetivas solicitadas pela ofendida. § 2° A autoridade policial deverá anexar ao documento referido no § 1o o boletim de ocorrência e cópia de todos os documentos disponíveis em posse da ofendida. § 3° Serão admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde (BRASIL, 2006). Outro ponto importante a ser ressalvado sobre a sanção da mais recente e nova Lei nº 13.827/2019, que em síntese além de reforçar que cabe ao Poder Judiciário, permite também que as Medidas Protetivas no âmbito da Lei Maria da Penha sejam aplicadas por Delegado de Polícia ou por policiais, com chancela “a posteriori” do Poder Judiciário. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, Vera Regina Pereira de Andrade. A Soberania Patriarcal: o Sistema de Justiça Criminal no Tratamento da Violência Sexual Contra a Mulher. Revista Brasileira de Ciências Criminais, n. 48, p. 260/290, maio/jun. 2004. Disponível em: file:///C:/Users/user/Downloads/1300-4183-1-PB.pdf. Acesso em: 19 de Jun. 2023. BRASIL. LEI Nº 11.340, de 7 de Agosto de 2006. Brasília, DF, 07 de agosto de 2016. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm. Acesso em: 10 de Jun. 2023. __________. BRASIL. Ministério da Saúde. Aspectos Jurídicos do Atendimento às Vítimas de Violência Sexual. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Dep. de Ações Programáticas Estratégicas. Brasília. 2010. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/aspectos_juridicos_atendimento_vitimas_violencia_2ed.pdf. Acesso realizado em: 18 de Jun. 2023. __________. Lei 13.827 de 13 de maio de 2019. Altera a Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha), para autorizar, nas hipóteses que especifica, a aplicação de medida protetiva de urgência, pela autoridade judicial ou policial, à mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou a seus dependentes, e para determinar o registro da medida protetiva de urgência em banco de dados mantido pelo Conselho Nacional de Justiça. Diário Oficial da União, Brasília, 14 mai. 2019. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/L13827.htm. Acesso em: 10 de Jun. 2023. BRUNO, Cecilia Roxo. Lei Maria Da Penha: Um Estudo Sobre Os Mecanismos De Proteção À Mulher Em Situação De Violência. 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