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Intoxicações por Medicamentos 
 
Toxicologia de Medicamentos: 
• Estuda os efeitos nocivos produzidos pela interação de medicamentos ou 
cosméticos com o organismo, decorrentes de uso inadequado ou da 
suscetibilidade individual. 
Nas intoxicações por medicamentos é importante avaliar: 
• Idade do paciente - Pacientes com idades nos extremos da vida são mais sensíveis 
às intoxicações por medicamentos. 
• Peso: 
➢ Baixo peso: têm menor volume de distribuição e maior possibilidade de 
desenvolver quadros clínicos graves. 
➢ Obesos: por disporem de um volume de distribuição maior, risco menor 
de intoxicação grave. 
• Doenças de base 
• Local onde o paciente foi encontrado 
• Tempo decorrido entre a ingestão e o atendimento 
• Tempo decorrido entre a ingestão e o início dos sintomas 
• Uso concomitante de medicamentos 
• Tentativas anteriores de suicídio 
Em relação ao produto, é importante saber: 
• Quais os produtos que estavam à disposição? É necessário identificar os produtos 
consumidos pelos diferentes moradores de uma casa ou dos lugares frequentados 
pelo intoxicado, sobretudo se o paciente está inconsciente ou desorientado. 
• Quanto ingeriu? A quantidade ingerida vai determinar a gravidade da intoxicação. 
Condutas básicas no atendimento do paciente agudamente intoxicado: 
• Manutenção das funções/interrupção da absorção/eliminação do AT/Identificação 
do AT. 
• Reconhecimento das Síndromes Tóxicas 
➢ Simpatomimética 
➢ Serotoninérgica 
➢ Síndrome de liberação extrapiramidal (distonia aguda) 
➢ Anticolinérgica 
➢ Síndrome da Hipnótica Sedativa 
 
SIMPATOMIMÉTICA 
É determinada por agentes que promovem estimulação da atividade simpática através de: 
• aumento de liberação de catecolaminas (anfetaminas) 
• bloqueio da recaptação (cocaína) 
• interferência no metabolismo (inibidores da MAO) 
• estimulação direta de receptor (adrenalina) 
• Principais sintomas: Midríase, alucinação, paranoia, hipertermia e sudorese. 
• Outros: Taquicardia, Hipertensão, Tremor, Convulsão, Rigidez Muscular, 
Rabdomiólise. 
 
SÍNDROME DE LIBERAÇÃO EXTRAPIRAMIDAL (DISTONIA AGUDA) 
• Ocorre quando há bloqueio de receptores dopaminérgicos 
• Manifestações Clínicas: Opistotono, catatonia, acatisia. 
• Agentes envolvidos: bloqueadores dopaminérgicos D2, como: 
➢ Domperidona (Motilium) 
➢ Metoclopramida (Plasil) 
➢ Butirofenonas (Haloperidol) 
➢ Fenotiazínicos (Clorpromazina). 
 
SÍNDROME ANTICOLINÉRGICA → bloqueio receptor muscarínico da acetilcolina 
Agentes: 
• Antiparksonianos: Biperideno 
• Antipsicóticos: Clorpromazina, Quetiapina 
• Tricíclicos: Amitriptilina, Nortriptilina 
• Alcalóides Beladonados: Atropina 
• Antiespasmódicos: Hioscina/Escopolamina 
 
 
SÍNDROME HIPNÓTICA SEDATIVA 
• Potencialização da inibição neuronal mediada por GABA. O GABA é sintetizado 
a partir do glutamato, por ação da enzima glutamato descarboxilase. 
• Agentes envolvidos: 
➢ diazepam 
➢ bromazepam 
➢ flunitrazepam 
➢ clonazepam 
➢ fenobarbital 
➢ álcool 
• Manifestações Clínicas: 
➢ sonolência, confusão mental, coma, parada respiratória, parada cardíaca, 
hipotensão, bradicardia e dermatite. 
 
Caso clínico: 
Mme P., 73 anos, aposentada dos correios, vive só, tem boa saúde e autonomia. Única 
medicação no momento: lorazepam 2,5 mg/ dia, iniciada a alguns anos com a dose de 1 
mg/dia, pois seu médico concordou que seria bom regularizar o sono dessa paciente. Certo 
dia, por uma queda, ela é hospitalizada com fratura no punho. Fica sob paracetamol e 
dextropropoxifeno e sem lorazepam pois o corpo clínico não gosta de soníferos que, 
normalmente, confundem as pessoas idosas dificultando os procedimentos hospitalares. 
Logo no 1o dia, Mme P. se queixa de pesadelos de morte e de perseguição. No dia 
seguinte, ela está insone e inquieta. Ela chora por qualquer coisa, circula muito, não 
consegue dizer seu endereço, recusa as refeições e se confunde de quarto. A equipe 
precisa conduzi-la com uma “doce firmeza” ao seu leito. Dois dias depois, surge uma 
convulsão generalizada que regride com Rivotril® (Clonazepam). A equipe retoma o 
lorazepam 2,5 mg e a paciente se torna sonolenta e tranquila em 48h. 
 
Benzodiazepínicos 
 
Benzodiazepínicos: Psicolépicos (anxiolytics (NO5B)/ 
Hipnóticos-Sedativos (NO5C)/anticonvulsivante (NO3). 
 
• 1960: Síntese dos primeiros BZD (clordiazepóxido) 
• Usos: 
➢ Insônia 
➢ Depressão – atualmente se usa os ATD 
➢ Convulsões 
➢ Síndrome de Pânico 
➢ Abstinência Alcoólica → são utilizados porque atuam no mesmo receptor, 
alivia os sintomas da abstinência do álcool. 
➢ Procedimentos médicos – endoscopia 
 
Mecanismo de Ação: 
• Os BZN potencializam a resposta ao GABA, por facilitarem a abertura dos canais 
de cloreto – resultam em hiperpolarização da membrana e diminuição da 
resistência da membrana: INIBINDO A EXCITACAO CELULAR. 
 
Intoxicação aguda: 
• Sonolência, ataxia, disartria e nistagmo, hipotensão e bradicardia → Depressão 
hipnótica sedativa. 
• Depressão respiratória - ocasionalmente ocorrem, mas raramente são graves se 
estas drogas são tomadas isoladamente. 
• Coma geralmente dura apenas algumas horas, mas pode ser prolongada em 
pacientes idosos. 
• Os efeitos graves na sobredosagem também incluem rabdomiólise e hipotermia. 
• Disartria/Ataxia 
• Usado com outros depressores do SNC, particularmente o álcool, podem causar 
depressão respiratória severa (+ comum com os de ação curta). 
 
Doses utilizadas e o fenômeno da Tolerância: 
• USO CRONICO – primeiro fenômeno é a tolerância e a velocidade de instalação 
depende do efeito. 
1) Efeitos de sedação e ataxia – são os primeiros a serem a ser atenuados. 
2) Efeitos anticonvulsivantes são reduzidos mais vagarosamente. 
3) Efeitos ansiolíticos demoram mais para desaparecer 
 
Tolerância é Farmacodinâmica (relacionada a mecanismo de ação): funcional, alteração 
de número/sensibilidade de RECP DE BZD/modificações no acoplamento de GABA ao 
seu RECP ou mudanças na transmissão NORA/SERONINERGICA em sistemas onde o 
GABA interage. 
→ O receptor pode estar em número reduzido, com sensibilidade diminuída, ou ele pode 
sofrer alteração em sua composição (chamado de modificação na plasticidade neuronal), 
isso ocorre pois o uso crônico do medicamento leva a modificação na transcrição gênica, 
ou seja, as proteínas que produzem os receptores podem receber codificação na 
transcrição do RNAm modificada e o receptor se modifica e não reconhece o 
medicamento. 
 
Dependência: 
Uso Crônico – segundo fenômeno é a DEPENDÊNCIA 
1) Síndrome comportamental, caracterizada pela compulsão sobre o consumo do 
fármaco, corroborando para o desenvolvimento de intensos prejuízos individuais 
e sociais. 
2) É considerada uma doença crônica, incurável e sujeita a recaída, até mesmo 
anos após a abstinência. 
 
Síndrome de abstinência: 
• É uma alteração do sistema nervoso central devido à presença de uma droga ou 
fármaco, mobilizando processos fisiológicos opostos as alterações causadas por 
eles. 
• BZN: Depressão da excitabilidade neuronal, mudança no fluxo de íons e prejuízo 
na liberação de neurotransmissores 
• Adaptação na membrana celular: Consiste no aumento da excitabilidade neuronal, 
facilidade do fluxo de íons e liberação do neurotransmissor (Tolerância 
Farmacodinâmica). 
• Com a retirada da droga ou fármaco ocorre → Síndrome de Abstinência (SA). 
 
Critérios para que um indivíduo seja diagnosticado como dependente de acordo com o 
Manual de Diagnóstico e Estatísticos de Doenças Mentais (DSM – 5 a ed. Publicado 
pela APA). 
1. Tolerância: definida por qualquer um dos seguintes aspectos. 
a. necessidade de quantidades maiores progressivamente maiores da 
substância para obter a intoxicação ou o efeito desejado; 
b. acentuada redução do efeito com o uso continuado da mesma quantidade 
da substância. 
2. Abstinência: manifestada por qualquer um dos seguintes aspectos. 
a. Síndrome de Abstinência.b. A mesma substância (ou outra estritamente relacionada) é consumida para 
aliviar os sintomas da abstinência. 
3. Uso frequente de quantidades maiores ou por períodos mais longos do que o 
pretendido. 
4. Desejo persistente ou esforços malsucedidos para controlar o uso. 
5. Muito tempo é consumido em conseguir, usar ou recuperar-se do uso. 
6. Abandono ou redução das atividades sociais, ocupacionais ou recreativas. 
7. Uso mantido apesar do reconhecimento de problemas. 
*Três ou mais critérios ocorrendo durante os últimos 12 meses → indivíduo considerado 
fármaco-dependente. 
 
Tratamento: 
• ABCD – Manter via aérea e assegurar adequada ventilação 
• Monitorar o nível de consciência, a respiração e a pressão sanguínea. 
• ECG: avaliar o ritmo cardíaco, duração QRS e intervalo QT. 
• Observar o paciente por 24 horas – tratar o coma, hipotermia e hipotensão. 
Hipotensão normalmente responde a fluidos intravenosos. 
• Descontaminação Gástrica é incerta: Não se recomenda a LG. 
• CA, se recomenda: paciente consciente e se o uso foi de até 1 hora. 
• Não se recomenda diurese forçada. 
• Observar todos os pacientes durante pelo menos 4 horas. Pacientes assintomáticos 
podem então ser considerados para alta com aconselhamento para retornar se os 
sintomas se desenvolvem. 
• Antagonista: Flumazenil® (Lanexat) 
➢ Recomenda-se: coma e depressão respiratória. 
➢ Contraindicação: intoxicações mistas por BENZO + ADT, pois pode levar 
a convulsões. Quando associado a 
CARBAMAZEPINA/ADT/FENOTAZÍNICOS: Arritmias cardíacas. 
• FLUMAZENIL: arritmias cardíacas, hipotensão e alterações hemodinâmicas 
(volume/taquicardia). 
 
Antidepressivos Tricíclicos 
Depressão 
O termo pode ser usado comumente para descrever uma reação humana normal diante de 
uma perda importante. 
• Pode representar um sentimento de tristeza. 
• EM PSIQUIATRIA: 
o 1)Transtornos do humor: representa uma síndrome com sinais e sintomas 
bem definidos. Caracterizam-se por uma alteração fixa do humor que 
influencia profundamente o pensamento e o comportamento. 
• Na doença depressiva observa-se: rebaixamento do HUMOR. 
• Na MANIA: elevação do humor (EUFORIA) duradora ou grande irritabilidade 
(disforia). 
• Transtornos Depressivos: 
o 1) Transtorno Depressivo Maior (episódio recorrente ou único). 
o 2) Transtorno Distímico – alteração persistente do humor, caracterizado 
por uma depressão leve/crônica, de pelo menos dois anos de duração. 
o 3) Transtorno Depressivo sem outras especificações (SOE). 
• Transtorno Bipolar. 
o 1) Transtorno Bipolar I 
o 2) Transtorno Bipolar II 
o 3) Transtorno do HUMOR SOE 
Hipótese Monoaminérgica 
Neurotransmissores podem estar diminuídos nas sinapses em locais específicos do 
cérebro durante um episódio depressivo. 
o Descoberta: ADTs inibem a recaptação da noradrenalina (NA) e serotonina (5-
HT) e inibem a MAO. 
Outras observações haviam conduzido a essas hipóteses: 
1) A Reserpina: causa depleção da noradrenalina e do 5-hidroxitriptofano (precursor da 
serotonina) – causa depressão no homem. 
2) A Anfetamina: provoca liberação de NA – elevação transitória do humor no homem. 
Sugere tratar a DP a partir do seu perfil metabólico: 
1) DP ditas noradrenérgica (depressões inibidas): indicação de ADT mais seletivos 
quanto a recaptação da NA - Nortriptilina e Reboxetina. 
2) DP ditas serotoninérgicas (depressões ansiosas): indicação de ISRS - (Fluoxetina e 
Sertralina). 
Hipóteses sobre a alteração de receptores: 
1) A disparidade no tempo entre a inibição e recaptação dos NT (horas) e a eficácia 
antidepressiva (semanas) – torna a teoria monoaminérgica uma explicação insuficiente. 
2) Sulser: observou que o número e a sensibilidade dos REC β-adrenérgicos pós-
sinápticos centrais estariam diminuídos com o uso crônico de praticamente todos os AD 
– a modificação nesses receptores coincide, no tempo, com a melhora clínica da 
depressão. 
A deficiência da monoaminas pode ser explicada: 
1)Hipersensibilidade dos receptores monoaminérgicos, e o organismo, por mecanismo de 
feedback, diminuiria a síntese e liberação de monoaminas. 
ASSIM: a DP resulta da disfunção no número e na sensibilidade de receptores. 
Outros tratamentos: Eletroconvulsoterapia (ECT); Estimulação Magnética Craniana. 
 
Antidepressivos Tricíclicos 
Antidepressivos Tricíclicos (NO6A) ou Timoanalépticos: 
Esses compostos, também chamados de timoanalépticos por aumentarem o tônus 
psíquico, são classificados pela ATC como drogas que atuam no SNC (NO (timolépticos 
ou psicoanalépticos) 6A (atividade antidepressiva)). 
São usados na terapêutica para tratar: 
• Depressão e outros transtornos psíquicos. 
• Dor crônica (coadjuvantes) 
• Profilaxia da enxaqueca (e na enxaqueca crônica) 
• Abstinência à cocaína 
• Enurese noturna em crianças (A atividade colinérgica tende a relaxar os 
esfíncteres, por possuírem atividade anticolinérgica, esses antidepressivos 
prendem os esfíncteres). 
• Síndrome do pânico 
• Ansiedade 
• Transtorno do déficit de atenção-hiperatividade (TDAH). 
Possuem baixo índice terapêutico, o que reflete a baixa segurança relativa desse 
medicamento. 
O índice terapêutico é calculado a partir da curva dose/resposta obtida em animais de 
experimentação, e se refere à relação DL50/DE50 (Dose letal para 50% /dose efetiva para 
50%). Quanto mais próximas essas doses, menor o índice terapêutico. 
• Nível terapêutico próximo ao nível tóxico (quando comparados com os inibidores 
da recaptação da Serotonina). 
Principais agentes: amitriptilina e imipramina (1o geração de antidepressivos). 
 
Mecanismo de ação no SNC e SNP 
• São inibidores não seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina, pelos 
terminais nervosos, competindo pelo sítio ligante da proteína de transporte, 
exercendo efeito antidepressivo. 
• Produzem antagonismo competitivo dos receptores muscarínicos, 
serotoninérgicos, noradrenérgicos (atuam inibindo α1 que tem ação 
vasoconstrictora) e histamínicos. Efeitos colaterais. 
o Bloqueio dos receptores muscarínicos (secura de boca, visão turva, 
constipação). 
o Bloqueio dos receptores α-adrenérgicos: hipotensão (vasodilatação), 
taquicardia reflexiva, disfunção erétil, vertigens e tremores. 
o Bloqueio dos receptores histaminérgicos: sonolência, fadiga, tontura, 
ganho de peso, hipotensão e potencialização das drogas depressoras 
centrais. 
• Altas concentrações: bloqueio dos canais de sódio, interferindo na condução 
nervosa, levando a uma cardiotoxicidade, que geralmente é a causa do óbito. 
 
 
 
• Causas frequentes de óbito - toxicidade cardíaca (devido à diminuição na 
condução elétrica cardíaca). 
Intoxicação por ADTs 
• É muito comum a entrada na emergência de pacientes suicidas utilizando 
antidepressivos tricíclicos. 
• Estima-se que um quarto dos pacientes que foram diagnosticados com depressão 
grave tentam suicídio durante a vida. 
• 15% desses pacientes morrem por suicídio (o sucesso se deve principalmente à 
dose muito alta ingerida, e à cardiotoxicidade desses medicamentos). 
• Os antidepressivos demostram ser um tratamento eficaz para a depressão. 
Paradoxalmente, os médicos dão aos pacientes acesso a uma droga que pode ser 
tóxica (suicídio). 
Síndromes causadas: (o mesmo fármaco pode causar todas essas síndromes). 
1. Síndrome Serotoninérgica 
Clinicamente essa síndrome se caracteriza por uma tríade de sintomas envolvendo 
disfunção autonômica, alterações neurológicas e mentais. O diagnóstico é sugestivo 
quando há manifestações de quatro ou mais sintomas em cada grupo descrito no quadro 
abaixo: 
 
Por exemplo: O paciente tem diaforese, febre, taquipneia e midríase. Além de apresentar 
mioclonia (contração muscular), convulsões, opistótono (é o espasmo da coluna vertebral 
e as extremidades que se curvam para frente, resultando em posição de arco, apoiado pela 
parte de trás da cabeça e calcanhares) e ataxia (coordenação motora prejudicada). Pode 
terainda agitação, insônia e alucinação. 
Na prática, o diagnóstico com os sintomas da tabela é difícil. Por exemplo, um paciente 
que faz uso de benzodiazepínicos com antidepressivos tricíclicos, a agitação e a 
alucinação serão tratadas pelo próprio benzo. 
O que se observa normalmente é a apresentação de um quadro comatoso, com 
necessidade de intubação, já que a janela terapêutica desses antidepressivos é bastante 
estreita. 
A síndrome serotoninérgica ocorre devido ao aumento da estimulação do 
neurotransmissor serotonina, e esse aumento pode ser causado por: 
• Aumento da produção de serotonina a partir do triptofano 
• Diminuição da recaptação da serotonina pelo neurônio pré-sináptico. 
o Causados por: inibidores seletivos da recaptação da serotonina – ISRS 
(fluoxetina, paroxetina, sertralina, etc.), venlafaxina e antidepressivos 
tricíclicos (são inespecíficos, atuando na serotonina e noradrenalina, 
impedindo sua recaptação). 
• Inibição da monoaminooxidase (MAO), responsável pelo metabolismo da 
serotonina 
o Causada por: moclobemida (inibidor seletivo da MAO-A) e inibidores 
não-seletivos da MAO (isocarboxazida, iproniazida, etc.) 
• Aumento da resposta pós-sináptica à estimulação causada pela serotonina, 
provocado pelo lítio (usado pra tratar mania e depressão). 
 
O envenenamento pelos inibidores seletivos da MAO, inibidores seletivos da recaptação 
da serotonina, e inibidores seletivos da noradrenalina pode causar esses sintomas, em 
uma síndrome serotoninérgica de moderada a severa. 
2. Síndrome Estaminérgica 
3. Síndrome Adrenérgica 
4. Síndrome Anticolinégica 
Sintomas apresentados: 
Completamente cego, quente como o inferno, vermelho como uma beterraba, seco como 
osso, louco varrido. 
E ainda uma toxicidade no SNC, com alteração do estado mental (hiperexcitabilidade, 
delírio, confusão), e mioclonia (contrações, espasmos, diplopia (duas imagens de um 
único objeto) e nistagmo (movimentos repetitivos do olho)), além de convulsões 
(aumento de catecolaminas). 
 
Antidrepressivos Tricíclicos: Diagnóstico Clínico 
Tem início em 30 a 40 minutos após a ingestão e pode ser uma síndrome bastante 
complexa, porém com evidente caráter colinérgico: 
• Fase I (12 a 24 horas): 
Primeira Fase - aparece no primeiro dia de intoxicação. 
SINDROME ANTICOLINÉRGICA: mucosas secas, hipertermia, hiperemia, visão turva, 
taquicardia, excitação, delírios, alucinações, mioclonias, convulsões do tipo tônico-
clônicas e outras distonias, além de midríase. 
• Fase II (24-72 horas): 
Aparece após o primeiro dia e pode durar até o terceiro dia, com um quadro de depressão 
dos estímulos neuroquímicos, com o aparecimento de diminuição do nível de consciência 
até coma, com grau variável de depressão respiratória com consequente hipóxia, 
hiporreflexia, hipotensão e hipotermia. 
• Fase III (>72 horas): 
Retorno ao quadro de agitação, delírios e marcada síndrome anticolinérgica. 
Completamente cego, quente como o inferno, vermelho como uma beterraba, seco como 
osso, louco varrido. 
Tratamento 
Estudo do Centro de Controle de Intoxicações no Estados Unidos, levou à elaboração de 
um protocolo sobre as medidas mais adequadas a serem tomadas em casos de intoxicação 
por antidepressivos. 
Consenso de que as decisões sobre o encaminhamento do paciente para serviços de 
emergência de ser baseada no estado clínico do paciente dentro das primeiras seis horas 
de ingestão: 
Pacientes assintomáticos com ADTs/superdosagem/depois de 6 horas que não 
procuraram serviço de saúde: monitorados em casa. 
Diagnóstico: Algoritmo para triagem em caso de ingestão de antidepressivos 
tricíclicos. 
 
 
Tratamento 
A – Aeração 
B - Respiração 
C - Circulação 
D - Descontaminação 
E – Diminuir a exposição 
Pacientes: 
1) Agitação/convulsão/agitação – tratar com benzodiazepínicos: Diazepam 
(observar depressão respiratória) 
2) Obnubilados: entubar (paciente parece bêbado) 
3) Disritmia/hipoventilação/hipoperfusão 
ECG 
Suporte cardíaco avançado de vida 
Uso de fluidos isotônicos: melhora o clearence renal e da 
mioglobina (porque pode ocorrer mioglobinúria nesses tipos de 
intoxicação). 
Os antidepressivos tricíclicos retardam o esvaziamento gástricos (devido à atividade 
anticolinérgica), e a lavagem gástrica pode ser feita até doze horas após a ingestão (única 
intoxicação em que é recomendada). A lavagem deve ser feita com água aquecida a 38ºC 
para evitar a hipotermia. 
Em casos de ingestão do Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina a lavagem 
gástrica não é recomendada, raramente dão fatais. 
Carvão ativado em múltiplas doses: pois eles possuem baixo volume de distribuição, 
meia-vida longa com circulação entero-hepática. Estudos sugerem aumento da 
eliminação de amitriptilina. 
Um estudo apontou falta de eficácia da administração do CA várias horas após a 
overdose. Entrentanto, se fizer a administração seriada (4 em 4 horas até 24 horas), por 
ter circulação entero-hepática acredita que seja eficaz. Ela não recomendou pra uma 
paciente depois de 16 horas. 
Como os ADTs se ligam as proteínas plasmáticas, a plasmaferese pode ser escolhida 
como tratamento seguindo o critério da presença dos sintomas: depressão respiratória, 
convulsões, arritmias com prolongamento QRS ou taquicardia ventricular. 
Para a Síndrome Cardíaca deve ser feita monitorização. 
Síndrome serotoninérgica: BZD – hiperatividade neuromuscular 
Hipertermia: medidas físicas - manter a pele úmida/imersão em água de gelo. 
A importância do ECG: 
• Altera a condução cardíaca causando alargamento do intervalo QRS, PR e QT e 
bloqueio atrioventricular que causam: 
o Arritmias 
o Hipotensão 
Levando a um quadro de vasodilatação e hipofunção miocárdica. 
Exames de sangue: 
Exame para detectar ADTs na urina 
Ionograma (principalmente Na e K – pode causar hipocalemia e hipopotassemia). 
Hemograma 
AST e ALT 
Creatina fosofoquinase (CPK – mioglobinúria; rompe a proteína muscular aumentando a 
CPK), creatinofosfoquinase – MB fraction (CK-MB), desidrogenase láctica (DHL), e 
sumário de urina (rabdomiólise – consequência da mioglobinúria). Devido à rabdomiólise 
pode ocorrer insuficiência renal, por isso é necessária a avaliação da ureia e creatinina. 
 
Carbamazepina 
Apresentação do fármaco: 
• Comprimido - 100 mg, 200 mg, 400 mg. 
• Suspensão oral - 100 mg/5 mL. 
• Comprimidos de liberação sustentada - 200 mg, 400 mg. 
• Supositórios - 125 mg, 250 mg. 
É importante ter conhecimento sobre as apresentações para que se possa calcular a dose 
tóxica e na situação em que por exemplo, no caso de intoxicação por comprimidos que 
tenham liberação sustentada, pode-se fazer o tratamento com múltiplas doses de carvão 
ativado. Isso aliado ao fato de que esse fármaco possui circulação entero-hepática. 
Utilização: 
• A carbamazepina é um anticonvulsivante; 
• Trata neuralgia do trigêmio e neuropatia diabética; 
• É um adjuvante na abstinência de álcool; 
• E utilizado na profilaxia para transtorno bipolar; 
Epilepsia: 
• É uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que não 
tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. 
• Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais, que 
podem ficar restritos a esse local. 
• Estima‐se que a prevalência mundial de epilepsia ativa esteja em torno de 0,5% a 
1,0% da população. 
• A prevalência da epilepsia difere com as diferentes idades, gêneros, grupos 
étnicos e fatores socioeconômicos. 
• Nos países desenvolvidos, a prevalência da epilepsia aumenta proporcionalmente 
com o aumento da idade, enquanto nos países em desenvolvimento geralmente 
atinge picos na adolescência e idade adulta. 
• No Brasil, Marino e cols encontraram uma prevalência da doença de 11,9/1.000 
na Grande SP, enquanto Fernandes e cols descreveram 16,5 indivíduos com 
epilepsia ativa para cada 1.000 habitantes em Porto Alegre. 
Convulsões 
•Resulta de descargas elétricas excessivas num grupo de células cerebrais, sendo 
que diferentes partes do cérebro podem ser atingidas; 
• Elas podem variar entre breves lapsos de atenção e espasmos musculares até 
episódios prolongados e severos; 
• Acontecem em casos de convulsão febril, meningites e 
nas encefalites. 
 
Os anticonvulsivantes atuam em diversas áreas do cérebro, como por exemplo o 
fenobarbital e os benzodiazepínicos que potencializam a ação do GABA que se dá pela 
abertura dos canais de cloreto gerando como resposta uma ação inibitória controlando as 
convulsões, sendo assim o GABA é um receptor anticonvulsivante. E se ele não está em 
equilíbrio com o glutamato, o GABA pode estar fisiologicamente alterado o que pode 
levar a um quadro de convulsão. Então os anticonvulsivantes irão regular essa ação. 
Outros anticonvulsivantes que podem ser utilizados são: Fenitoina, carbamazepina, 
valproato, lamotrigina, que vão atuar inibindo a função dos canais de sódio. 
Por fim, a etossuximida e gabapentina atuam com a inibição da Função dos canais de 
cálcio. 
Mecanismo de ação da Carbamazepina 
Inibição da função dos canais de sódio voltagem dependente (NAV); 
A atividade elétrica dos neurônios sensoriais periféricos está intimamente relacionada a 
sua capacidade de geração e condução de potencial de ação promovida pelos canais 
iônicos (ou ionóforos) de sódio dependentes de voltagem (Nav) localizados ao longo da 
membrana axonal. 
Os Nav permanecem inativos e fechados em repouso, mas 
desenvolvem mudanças conformacionais e estruturais em 
resposta a despolarização inicial da membrana, causando 
um fenômeno cíclico de ativação ou abertura e fechamento 
dos canais durante o processo de transmissão sensorial 
fisiológica. 
 
Os canais iônicos se abrem em resposta as seguintes alterações na membrana plasmática: 
I) Variação na voltagem do potencial de membrana (voltagem-dependentes); 
II) Estimulação mecânica – nas células pilosas da orelha; 
III) Ligação de uma molécula sinalizadora (ligante - neurotransmissor, íon, PG), 
o receptor está ligado a um canal. 
Foram propostos múltiplos mecanismos de ação para a Carbamazepina. No entanto, dois 
mecanismos básicos são importantes: 
I) Alteração da condutância dos canais de sódio neuronais, reduzindo os 
potenciais de ação de alta frequência; 
II) Ação na transmissão sináptica e em receptores para neurotransmissores, 
incluindo purinas (Adenosina e ATP), monoaminas, acetilcolina e receptores 
ionotrópicos (NMDA); 
 
 
Toxicidade da Carbamazepina 
• O mecanismo de toxicidade é devido ao bloqueio dos canais de sódio no SNC e 
no coração a toxicidade ocorre através da síndrome anticolinérgica; o paciente 
apresenta taquicardia, rubor facial, diminuição do peristaltismo intestinal entre 
outros sintomas; 
• A toxicidade está diretamente relacionada às concentrações sanguíneas de 
carbamazepina; 
• Quando as concentrações plasmáticas são maiores que 20 mg/L observa-se no 
paciente: ataxia (desequilíbrio na coordenação motora, possivelmente devido aos 
danos no cérebro), nistagmo, midríase, distúrbios do movimento e características 
anticolinérgicas; 
• Concentrações maiores que 40 mg/L pode levar ao coma, depressão respiratória e 
convulsões; 
• A ingestão de 50 mg/kg seria considerada potencialmente fatal. 
 
Manifestações clínicas 
• Sintomas neurológicos: 
Alerta Acordado e com respostas adequadas as perguntas. 
Sonolência Mas responde ao chamado com respostas adequadas. 
Obnubilação Apresenta um olhar cansado como se estivesse com sono, tem uma 
sonolência mais profunda, mas responde em voz alta ou após estímulo 
moderado. 
Torpor Sonolência profunda e responde parcialmente somente a estímulos 
dolorosos. 
Coma Não abre os olhos nem emite sons mesmo com estímulos vigorosos. 
 
 
 
 
 
 
 
• Sintomas cardiovascular 
Nistagmo: são movimentos involuntários dos 
olhos, que pode fazer com que a pupila fique em 
movimento, que pode ser vertical, horizontal ou 
circular. 
Marcha atáxica: tem os movimentos 
normais prejudicados. 
Disartria: a fala fica prejudicada, 
ficando lenta e arrastada 
O paciente pode apresentar taquicardia sinusal e taquicardia atriofocal. 
 
Apresentando prolongamento da onda QRS 
 
 
Exames complementares 
• Níveis séricos da carbamazepina (mensuração seriada) - Níveis terapêuticos (4 a 
10 mcg mg/5 ml); 
• Fazer um ECG de forma seriada devido as arritmias, 12 derivações na admissão; 
• Exames laboratoriais: hemograma, ionograma, aminotransferase e função renal; 
• CK; 
• A carbamazepina pode determinar a ocorrência de falso-positivo para ADT. 
Tratamento 
• ABCDE 
• Absorção retardada do FAR e recirculação êntero-hepática: manter o paciente em 
observação até melhora clínica do paciente; 
• Carvão Ativado: pode ser prescrito até 48 horas, devido a atividade anticolinérgica 
que pode reduzir a eficácia do CA porque ele vai ficar preso no intestino; então, 
pode-se fazer o uso de múltiplas doses; 
• Lavagem gástrica; 
• Remoção extracorpórea: avaliar a remoção extracorpórea embora apresente alta 
taxa de ligação a lipoproteínas em caso de intoxicação graves (arritmias 
ventriculares e status epilepticus) podendo se orientar a hemodiálise (essa deve 
ser feita de forma rápida, logo na primeira hora porque depois que se liga as 
proteínas vai ficar ali armazenado por um tempo); 
• Hipotensão: administração de cristaloides ou uso de vasopressores (esse último 
em caso de pacientes com restrições a administração de volumes); 
• Convulsões: tratar com benzodiazepínicos. 
A terapia extracorpórea (ECT) é a circulação do sangue através de um circuito artificial 
externo conectado a um hemofiltro que realiza a “purificação” do sangue (remoção de 
toxinas, trocas gasosas ou correção de anormalidades metabólicas). Os tipos de sistema 
de ECT mais utilizados na medicina humana e veterinária incluem a hemodiálise 
intermitente (IH)... 
Alerta 
• Todos os doentes que tenham tomado uma sobredosagem deliberada devem ser 
encaminhados para avaliação; 
• Crianças menores de 6 anos de idade devem ser encaminhadas para avaliação 
médica após ingestão de qualquer quantidade de carbamazepina, a menos que 
estejam a tomar terapêutica, caso em que devem ser encaminhadas se tiverem 
tomado mais do dobro da dose habitual ou se forem sintomáticas; 
• As crianças de ≥ 6 anos e os adultos que ingeriram 20 mg/kg ou mais de 
carbamazepina, ou aqueles que são sintomáticos, devem ser encaminhados para 
avaliação médica; 
• Crianças de ≥ 6 adultos que ingeriram acidentalmente menos de 20 mg/kg de 
carbamazepina e que não apresentam novos sintomas desde o momento da 
ingestão não precisam ser encaminhados para avaliação médica. 
 
 
Antipsicóticos 
Toxicologia de Medicamentos: 
Estuda os efeitos nocivos produzidos pela interação de medicamentos ou cosméticos com 
o organismo, decorrentes de uso inadequado ou da suscetibilidade individual. 
As reações adversas são estudas na farmacovigilância, enquanto que o uso inadequado, 
seja acidental ou proposital, de medicamentos é estudo da toxicologia. 
Importância de Neuropsicofármacos: 
• O que seria dos epilépticos? 
• Como aliviar a dor de pacientes terminais de doenças crônico-degenerativas/e os que 
sofrem acidentes violentos? 
• Como melhorar a qualidade de vida e a ressocialização de psicopatas? 
De perto ninguém é normal: Vida moderna → estresse, competitividade, ansiedade e 
depressão 
Síndrome de liberação extrapiramidal (distonia aguda): 
Incoordenação de um membro (mão ou fala). 
 
Opistótono → Rigidez muscular (impossibilidade de relaxamento): 
 
Antipsicóticos ou Neurolépticos (N05A) 
• Início da década de 1950. 
• Tratamento da esquizofrenia: antipsicóticos. 
• Representaram um marco na farmacoterapia psiquiátrica, melhorando 
consideravelmente o prognóstico desta e de outras patologias do SNC. 
• Eram chamados de Neurolépticos ou TranquilizantesMaiores (Fenotiazinas). 
• Em oposição aos benzodiazepínicos (Tranquilizantes Menores): são atualmente 
agrupados em duas categorias: Antipsicóticos Típicos e Antipsicóticos Atípicos. 
• 1980: Lançamento dos Neurolépticos Atípicos: 
 Capacidade de promover a ação antipsicótica em doses que não produzam, de 
modo significativo, sintomas extrapiramidais. 
 Exemplos: clozapina/risperidona/olanzapina e quetiapina. Ainda, dispõe-se: 
benzamidas substituídas (sulpirida e amisulprida) e tioridazina. 
 Outras características que estreitam a definição de atipicidade incluem: 
→ Ausência de hiperprolactinemia (ocorria devido ao bloqueio de D2 dos 
típicos, levando a uma diminuição na atividade inibitória da dopamina sobre 
a prolactina, aumentando a produção desse hormônio). 
→ Maior eficácia nos sintomas positivos, negativos e de desorganização; e 
ausência de discinesia tardia ou distonia após administração crônica (por isso, 
são atípicos, pois os típicos produzem esses efeitos). Porém, esse segundo 
grupo de propriedades parece caracterizar apenas a clozapina. 
→ Têm graves problemas vasculares, ganho de peso e intolerância à glicose. 
• Antipsicóticos de Alta Potência: 
 Pouca ação Anticolinérgica. 
 Reduzida ação adrenérgica. 
 Menos efeitos sedativos. 
• Antipsicóticos de Baixa Potência: 
 Elevada ação Anticolinérgica. 
 Ação adrenérgica. 
• Os mais conhecidos: 
Clorpromazina, Haloperidol, 
Clozapina, Quetiapina e 
Risperidona. 
 
 
• O que são? 
 São medicamentos inibidores das funções psicomotoras, que podem estar 
elevadas em estados de excitação e de agitação. 
 Reduzem os distúrbios neuropsíquicos chamados de psicóticos, tais como os 
delírios e as alucinações. 
 Ex: Haloperidol e Clorpromazina (Amplictil). 
 
• Usos: 
 Tratamento de doenças mentais, principalmente, esquizofrenia/distúrbios 
bipolares. 
 Síndrome de Tourette: tiques, hiperatividade, movimentos involuntários, surtos 
de agressividade e vocalização obscenas, diabetes insipidus. 
 
• Histórico: Ação antipsicótica da Clorpromazina: 
 1950: Laborit (cirurgião Frances) - Testes (várias subst) pacientes com estresse 
pós-cirurgico: prometazina (calmante mais do que sedativo – calma beatitude). 
 1951: Delay, Deniker e Harl: em doses crescentes (doses menores já tinham sido 
testadas sem sucesso), a pacientes agitados, ansiosos, maníacos, maníacos e 
hiperativos). → observaram que os pacientes, em uso de clorpromazina, 
apresentaram melhoras, pois não induz o SONO como os barbitúricos. 
 
A natureza da esquizofrenia: 
• O termo PSICOSE, descreve distúrbios psiquiátricos graves. 
• Etiologia: Heterogeneidade - com múltiplos fatores envolvidos. 
• Fatores Genéticos. 
• Fatores Ambientais (complicações obstétricas, infecções virais, desnutrição durante 
a vida precoce, estresse materno durante a amamentação. 
• Sintomas Positivos: Delírios, Alucinações/Pseudo-alucinações, Incoerência do 
pensamento, Alterações afetivas e Alterações psicomotoras. 
• Sintomas Negativos: Embotamento afetivo, Pobreza do discurso, Pobreza do 
conteúdo do discurso, Empobrecimento funcional, Distratibilidade e Isolamento 
social. 
 Os antipsicóticos típicos tratam melhor os sintomas positivos, enquanto que os 
atípicos tratam melhor os negativos. 
• Sintomas Catatônicos: podem predominar numa minoria de quadros agudos. 
• A incidência na população e de 1% - surge entre 15 e 35 anos. 
• Evidência Farmacológica: 
1) atividade excessiva dopaminérgica – achados bioquímicos e de imagem. 
 Diminuição no número e na densidade de receptores dopaminérgicos. 
2) hipofunção glutamatérgica central (principal neurotransmissor excitatório) 
3) anormalidades do 5-HT. 
4) redução da atividade da MAO. 
5) deficiência noradrenérgica. 
• Há também evidência do envolvimento do glutamato e da serotonina. 
 
• Há uma hiperatividade do sistema mesocorticolímbico, na área tegumental ventral e 
no núcleo accumbens, para provocar os sintomas positivos. 
• Já para os sintomas negativos, há uma hipoatividade mesolímbica. 
• A hipótese da hiperfunção dopaminérgica é o modelo neuroquímico mais aceito: 
 A Anfetamina induz quadro psicótico: libera dopamina → sintomas positivos. 
 O mecanismo da ação das drogas antipsicóticas está ligado ao bloqueio dos 
receptores D2 de dopamina. 
 
• Dopamina: 
 Catecolamina endógena/precursor metabólico da Noradrenalina e Adrenalina. 
 Neurotransmissor Central de grande potência, estando relacionada à 
fisiopatologia várias manifestações neurológicas e à gênese de algumas doenças 
mentais. 
 Atua: receptores dopaminérgicos, no SNC, nos vasos mesentéricos, renais e nas 
coronárias. 
 Catecolamina que atua diretamente em receptores β e α dopaminérgico e 
indiretamente por liberação de NA dos terminais adrenérgicos. 
 É degradada pela MAO e pela COMT (catecol-O-metiltransferase). 
 
De acordo com a estrutura química, os antipsicóticos são agrupados em: 
• Fenotiazínicos: Clorpromazina/Prometazina/Promazina. 
• Tioxantenos: Clorproxiteno. 
• Butirofenonas (Haloperidol). 
• Dibenzazepinas: 
 Clozapina: Antipsicótico atípico, com atividade fortemente sedativa e relaxante 
muscular. Deve ser usada com controle hematológico e agranulocitose. 
 Quetiapina: sem necessidade de monitorização sanguínea. 
• Benzamidas Substituídas: 
 Sulpirida. 
 Metoclopramida → não possui efeitos antipsicóticos (náusea). 
• Derivados Benzisoxazol: 
 Risperidona: Antipsicótico atípico com intensa ação bloqueadora dos receptores 
D2 combinada com o bloqueio dos receptores 5-HT2 → eficaz no tratamento 
dos sintomas negativos. 
Relação Estrutura Atividade 
 
A presença do cloro é importante para a atividade neuroléptica (info extra). 
Prometazina (Anti-Histamínico) X Clorpromazina (Antipsicótico). 
Mecanismo de Ação dos Antipsicóticos 
• Bloqueio competitivo e reversível dos receptores dopaminérgicos nos núcleos de 
base no SNC. 
• Vias Dopaminérgicas (SNC): 
 Sistema Nigroestriatal: modulação dos aspectos involuntários dos movimentos. 
 Sistema Mesolímbico/Mesocortical: Modulação dos aspectos afetivos e 
emocionais – efeitos positivos. 
 Sistema Túbero Infundibular: Regula a ação da Prolactina → O bloqueio dessa 
via resulta em lactação e amenorreia. 
 
 Ação nos receptores dopaminérgicos nos núcleos de base no SNC: 
→ Os receptores da dopamina mais conhecidos são o D1 (ativa a adenilato 
ciclase) e D2 (inibe a adenilato ciclase). 
→ Atividade terapêutica dos antipsicóticos: parece estar relacionada, 
principalmente, com o bloqueio da dopamina nos receptores pós-sinápticos 
do tipo D2 no sistema mesocorticolímbíco. 
→ Recente Identificação: Sistema Límbico e Gânglios de Base - D3 e D4. 
→ Teorias: A ação em receptores D3 e D4 é responsável pela atividade 
antipsicótica, enquanto que o bloqueio de D2 na via nigroestriatal é 
responsáveis pelos efeitos colaterais extrapiramidais. 
 
• Inicialmente, o bloqueio dos receptores pós-sinápticos provoca aumento na produção 
e liberação de dopamina, no receptor pré-sináptico, devido ao aumento da atividade 
da Tirosina-Hidroxilase (enzima que produz dopamina). 
• Normalmente, a dopamina atua tanto no receptor pós quanto no pré-sináptico. No 
pré-sináptico, ela inibe a Tirosina Hidroxilase (TH) e, como o pré-sináptico também 
está bloqueado pelo antipsicótico, a ação inibitória da dopamina sobre a TH não 
ocorre. Como consequência, há aumento na atividade da TH, com aumento da 
produção e liberação da dopamina na fenda sináptica. 
• Portanto, tanto as ações terapêuticas quanto os efeitos neurológicos indesejáveis e 
endócrinos dependem da inibição dopaminérgica. 
 
Toxicidade 
• Os efeitos: SNC/SC/SN Autônomo: 
• SNC: 6 Síndromes Neurológicas – dividida em dois grupos 
1) Poucos dias de uso terapêutico: 
 Síndrome da liberação Extrapiramidal: Distonia Aguda: Hipertonia, 
espasmos musculares, sinal da roda denteada, catatonia, acatisia, crises 
oculógiras,opistótono, mímica facial pobre, choro monótono. 
*Características de intoxicação por antipsicótico em crianças. 
 Acatisia: inquietação mental e motora/necessidade incontrolável de 
movimentação. 
 Parkinsonismo farmacológico: bradicinesia, rigidez muscular, tremor de 
repouso-extremidades superiores, máscara facial pobre. 
 Síndrome Neuroléptica Maligna (SNM). 
 Síndrome Neuroléptica Maligna (SNM) 
→ Síndrome da Deficiência Aguda de Dopamina. 
→ Reação Idiossincrática → depende do organismo do indivíduo. 
→ Agentes Neurolépticos: Clorpromazina e Haloperidol → Bloqueio dos 
receptores de dopamina. 
→ Febre, Alteração do Nível de Consciência, Hipertonia, Insuficiência 
Renal, Rabdomiólise ou Leucocitose. 
 Distúrbios motores (efeitos extrapiramidais) 
→ Direta ou indiretamente → Bloqueio de D2. 
→ Principal problema ATPs de 1a geração (atuam exatamente em D2). 
2) Meses ou anos depois do uso continuado: 
 Discinesia Tardia: 
→ Incapacitante, irreversível e aumento com supressão do fármaco. 
→ Movimentação involuntária (face, língua, tronco e extremidades) 
→ Possível explicação: bloqueio prolongado de D2, levando ao aumento 
gradual de D2 no estriado e ao aumento na liberação de catecolaminas 
e/ou glutamato no estriado (neurodegeneração). 
 
 Distonias agudas: 
→ Agitações, Espasmos, Protrusão da língua, Olhar fixo para cima, 
Torcicolo, Sintomas de Parkinson. 
→ Comuns nas 1as semanas: reversíveis com suspenção do tratamento. 
→ Relação: com via nigroestriatal, menos frequente em atípicos. 
 Sistema Cardiovascular: 
→ Bloqueio dos receptores alfa-adrenérgicos e vasomotor central. 
→ Sintomas: hipotensão ortostática/miose. 
→ Ocorre com mais frequência: Clorpromazina e Tioridazina 
→ Grupos vulneráveis: Crianças ou pacientes com doenças 
cardiovasculares pré-existentes. 
 Sistema Nervoso Autônomo: 
→ Ação Anticolinérgica: bloqueio dos receptores muscarínicos da 
acetilcolina (sistema nervoso autônomo). 
→ Sintomas: visão turva/secura de boca/diminuição da motilidade e da 
secreção gástrica/constipação e suor. 
Blind as a bat: completamente cego 
Hot as hare: quente como o inferno 
Red as a beet: vermelho como pimentão 
Dry as a bone: seco como osso 
Mad as a hatter: louco varrid 
 
Farmacocinética dos Antipsicóticos 
• São drogas lipossolúveis e, com isso, acumulam-se facilmente no SNC (Volume de 
distribuição = 10 a 30 L/Kg). Por isso, não é recomendada hemodiálise. 
• Forte ligação as proteínas plasmáticas. 
• Oral: Efeito de primeira passagem. 
• Metabolização: hepática, com formação de metabólitos ativos – 168 de produtos de 
biotransformação da Clorpromazina/ 10 a 12 em concentrações significativas na 
circulação. 
• A Clorpromazina é um indutor enzimático, induzindo a biotransformação dela 
própria e de outros fármacos. 
• A meia-vida de excreção entre 20 e 40 horas. 
• Eliminação: Renal, biliar e encontrado no leite materno. 
Biotransformação da Clorpromazina 
 
A Clorpromazina passa, primeiramente, por uma reação pré-sintética de oxirredação e, 
em seguida, sofre hidroxilação, para conjugar com ácido glicurônico (reações sintéticas). 
Sinais e sintomas de Intoxicação por Antipsicóticos 
• Leves → efeitos anticolinérgicos (taquicardia, mucosas secas, midríase, rubor). 
• Bloqueio alfa-adrenérgico: hipotensão. 
• Distonias agudas X Discinesia tardia = Síndrome Extrapiramidal. 
 
Dopaminérgicas + Colinérgicas 
• Neste caso, há um bloqueio dos receptores dopaminérgicos e, consequentemente, 
uma predominância da atividade colinérgica, com aparição dos sintomas 
extrapiramidais: 
 Distonias: movimentos involuntários (espamos musculares, língua protusa e 
torcicolo). 
 Discinesia: movimentos involuntários (face, língua e de membros superiores e 
inferiores). 
A Síndrome Neuroléptica Maligna 
• Manifestações Clínicas: 
 Hipertermia, Rigidez muscular, Rabdomiólise, Taquicardia, Sudorese, 
Insuficiência Renal e Febre. 
 É um quadro extremamente grave, que também pode ocorrer com doses 
terapêuticas pelo fato de não ser dose dependente. A mortalidade é alta e o óbito 
ocorre em cerca de 20-30% dos casos. 
• Diagnóstico: 
 História de Ingestão: crianças, administração intencional pelos pais (calmante). 
→ Sedação/miose, hipotensão e prolongamento da onda QT. 
 Análise Toxicológica: suco gástrico e urina. 
 Eletrocardiograma: Prolongamento da onda QT. 
 Outras Análises: eletrólitos, glicose, ureia e creatina (observar rabdomiólise), 
CK, gasometria arterial oximetria, radiografia abdominal. 
 
• Eletrocardiograma → Prolongamento da onda QT: 
 
 Tratamento de Toxicidade por Antipsicóticos 
• Manutenção das funções vitais e assistência respiratória: ABCDE. 
• Descontaminação: Carvão ativado, se o paciente chegou dentro de 1h. 
• Não fazer lavagem gástrica → o benefício da descontaminação gástrica é incerto. 
• Tratamento da distonia aguda, Parkinsonismo e acatisia: 
 Antagonista: Biperideno (Akineton®) intramuscular/Diazepam. 
• Tratamento da SNM: 
 Rabdomiólise: Hidratação 
 Diminuição da temperatura por medidas físicas, pois antitérmicos não são muito 
efetivos. 
 Dialise: hemofiltração, diálise peritoneal e hemodiálise. 
 Dantrolene Sódico (VO). 
 Prologamento da onda QTC e taquicardia ventricular: Sulfato de Magnésio. 
• Após ABCDE e uso de carvão ativado, é feito o tratamento dos sintomas. 
Papel da P-gP (MDR1) na Interação com Medicamentos 
• Metadona (analgésico opioide) e Quetiapina (antipsicótico) são substratos da 
glicoproteína P (P-gP), proteína de membrana responsável pela extrusão de 
xenobióticos de dentro para fora da célula. 
• Após a coadministração, a Quetiapina inibe a P-gP, impedindo transporte e excreção 
da metadona nos rins (aumento nos níveis plasmáticos e toxicidade). 
• Interação Farmacocinética. 
Algoritmo de Tratamento 
 
 
 
 
 
Toxicologia Aplicada: Toxicologia Ocupacional, Ambiental e Alimentar 
 
❖ Toxicologia Ocupacional: 
➔ É a aplicação dos princípios e da metodologia da toxicologia aos agentes químicos 
e biológicos perigosos encontrados no ambiente de trabalho. 
➔ Toxicologista Ocupacional: tem como objetivo prevenir os efeitos adversos à 
saúde de trabalhadores que resultem de exposições ocupacionais (a substâncias 
tóxicas). Como por exemplo quem trabalha na indústria bélica, na indústria de 
agrotóxicos, na indústria automobilística, agricultores. 
➔ Toxicologia dos agrotóxicos: 
 
Fosfina - gás de feijão, usado para exterminar nematóides de solo nesse tipo de cultura, 
como o milho e arroz também. 
Muito utilizada para tentar suícidio, que vem na forma de pastilhas na forma de sal. 
● Agrotóxicos no Brasil: 
➢ Os agrotóxicos são considerados extremamente relevantes no modelo de 
desenvolvimento da agricultura no País, pois somos um país que tem uma 
produção agrícola considerável, exportando alimentos, sendo necessário o uso 
desses produtos. 
➢ É o maior consumidor de produtos agrotóxicos no mundo. 
➢ Significativa importância: Relação à sua toxicidade quanto à escala de uso: ampla 
cobertura legal no Brasil, com um grande número de normas legais. 
➢ O referencial legal mais importante é a Lei nº 7.802/89, que rege o processo de 
registro de um produto agrotóxico, regulamentada pelo Decreto nº 4.074/02. 
Atualmente já se faz um manejo utilizando produtos biológicos, tendo-se no 
mercado produtos orgânicos. 
➢ Segundo a lei 7.802, agrotóxicos são: “Os produtos e os componentes de 
processos físicos, químicos ou biológicos destinados aos setores de produção, 
armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, pastagens, proteção de 
florestas e também em ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade 
seja alterar a composição da flora e da fauna, a fim de preservá-la da ação danosa 
de seres vivos considerados nocivos, bem como aqueles empregados como 
desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores do crescimento” - Lei 
Federal nº 7.802 de 11/07/89,regulamentada através do Decreto nº 4.074/2002. 
Atualmente a nova denominação desses produtos é PESTICIDA. 
➢ NOTA TÉCNICA Nº 15/2018/SEI/DICOL/ANVISA: 68 artigos que alteram a 
LEI. 
➢ Essa definição exclui fertilizantes e químicos administrados a animais para 
estimular o crescimento ou modificar comportamento reprodutivo. 
➢ Registro: 
★ Para serem produzidos, exportados, importados, comercializados e utilizados 
devem ser previamente registrados em órgão federal, de acordo com as diretrizes 
e exigências dos órgãos federais responsáveis pelos setores da saúde, do meio 
ambiente e da agricultura. 
★ O IBAMA: Faz a Avaliação do Potencial de Periculosidade Ambiental. 
★ MAPA: Realiza a Avaliação da eficiência e do potencial de uso na agricultura. 
★ ANVISA: Avaliação Toxicológica nos seres humanos (Dossiê Toxicológico). 
● Sinônimos: 
➢ Praguicida, defensivo agrícola, biocida, agroquímico, produto fitossanitário. 
● Histórico: 
➢ Século XX/II Guerra Mundial/Inseticidas orgânicos sintéticos. 
● O Brasil é considerado “o maior consumidor de agrotóxicos do mundo” é motivo 
de discordância entre grupos favoráveis e contrários à flexibilização da legislação 
sobre os químicos (FIOCRUZ, 2021). Há necessidade da flexibilização pois dura 
em torno de 5 anos para uma indústria dar entrada na ANVISA e obter o registro 
final, e a indústria de agroquímicos quer diminuir esse percurso, tendo uma rápida 
avaliação e liberação para o mercado. 
● O principal dado sobre uso de agrotóxicos é o da Organização das Nações Unidas 
para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) feito pela consultoria 
de mercado Phillips McDougall (FIOCRUZ, 2021). 
● Produção e consumo: 
➢ Mundial: 
★ 13 grandes indústrias. 
★ Vendas: 51,2 bilhões de dólares/ano. 
★ Volume de produção: 2,5 milhões de toneladas/ano. 
(48% herbicidas, 26% inseticidas, 22% fungicida, 4% outros) 
➢ Brasileiro: 
★ Possui 10 grandes indústrias. 
★ Venda: 7,3 bilhão de dólares/Ano. 
★ Volume de produção: 539,9 mil toneladas (2017). 
432 ingredientes ativos (Ias), cerca de 750 produtos técnicos em 1.400 produtos 
comerciais. 
(45% herbicidas, 12% inseticidas, 14% fungicidas) 
★ O mercado mundial aumentou o consumo em 93% nos últimos dez anos, só o 
Brasil aumentou 190%. 
★ Um único produto, o glifosato, responde por 29% de todo o mercado brasileiro de 
agrotóxicos. 
★ O primeiro ranking: valor investido em pesticidas pelos 20 maiores mercados 
globais: número absolutos. 
Figura 01: Maiores consumidores de agrotóxicos no mundo (o Brasil: US$ 10 bilhões) 
★ O segundo ranking: consumo por área cultivada nos 20 maiores mercados 
globais: número absolutos. 
 
Figura 02: Consumo de agrotóxicos no mundo por área cultivada 
★ O terceiro ranking: consumo por produção agrícola dos 20 maiores mercados 
globais: 
 
Figura 03: Consumo de agrotóxicos no mundo por produção agrícola. 
 
 
● Epidemiologia: 
 
Figura 01: Distribuição dos casos de intoxicações agudas, no Brasil, em humanos, em 
2019, notificados no SINAN. 
➢ Nas intoxicações agudas: 
★ Ocupam a quinta posição dentre os agentes causais. 
★ Os mais frequentes são os inseticidas (73%): organofosforados, carbamato e 
piretróides; rodenticidas (15%) e herbicidas (9,7%). 
➢ Exposição inclui: 
★ Tentativa de Suicídio (55%) - chumbinho. 
★ Acidentes Ocupacionais (20%) - uso agrícola. 
★ Outras causas - 25%. 
● Avaliação pós-registro - Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em 
Alimentos (PARA): 
➢ Criado em 2000 e instituído em 2003, pela Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária – ANVISA, conforme Resolução RDC nº 119, de 19 de maio de 2003. 
➢ Objetivo: avaliar continuamente os níveis de resíduos de agrotóxicos nos 
alimentos, fortalecendo a capacidade do Governo no que se refere a atender a 
segurança alimentar e evitando possíveis danos à saúde da população. 
➢ É uma ação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), coordenado 
pela ANVISA em conjunto com os órgãos estaduais e municipais de vigilância 
sanitária, e os laboratórios estaduais de Saúde Pública. 
➢ No relatório do PARA 2013-2015: 
★ Alimentos avaliados: cereais, leguminosas, frutas, hortaliças e raízes, totalizando 
25 tipos de alimentos. 
★ O critério de escolha foi o fato de que estes itens representam mais de 70% dos 
alimentos de origem vegetal consumidos pela população brasileira, conforme 
detalhados na tabela a seguir: 
 
 
LMR = limite máximo de resíduo 
 
Alguns alimentos possuem resíduo, mas eles estão dentro do que a legislação permite, 
que é o LMR permitido. 
➢ Avaliação de risco agudo - NOVO: 
★ Metodologia preconizada pela OMS/FAO. 
★ Intoxicação aguda: agravo à saúde 24 horas após o consumo. 
★ Em 98,89% das amostras não foram identificadas situações de potencial risco 
agudo. Ou seja, fiz a ingestão desse alimento que tinha resíduo de agrotóxico, mas 
ele não causou uma intoxicação em 24h. 
★ Em 1,11% das amostras monitoradas, identificou-se um potencial de risco agudo 
relativo em 13 alimentos. 
★ A maior parte das situações de risco agudo está relacionada à detecção de 
carbofurano (FURADAN; Inibidor da colinesterase, não sendo mais permitido 
pela legislação). 
 
Tabela 01: Resultado do Programa de Avaliação de Resíduo de Agrotóxicos, 2013-2015 
★ Alguns estudos trazem indícios de que a casca da laranja e do abacaxi tem baixa 
permeabilidade aos principais agrotóxicos detectados nas situações de risco, 
reduzindo a concentração dos resíduos na polpa. Assim, esses agrotóxicos são de 
casca e não sistêmico. 
★ As análises foram feitas com o alimento inteiro, incluindo a casca, que, no caso 
da laranja e abacaxi, não é comestível. Ou seja, com a eliminação da casca, a 
possibilidade de danos à saúde pode ser diminuída. 
★ A IMEA é definida como a quantidade máxima estimada de resíduo de agrotóxico 
em alimentos consumida durante um período de até 24 horas, expressa em 
miligrama de resíduo por quilograma de peso corpóreo (mg/kg p.c.). 
 
 
 
Classificação: 
 
Diversidade de produtos com centenas de princípios ativos em mais de 2 mil 
formulações comerciais diferentes no Brasil, por isso, é importante conhecer a 
classificação. Essa, também é útil para o diagnóstico das intoxicações e instituição de 
tratamento específico. 
 
1. O uso 
2. Organismo Alvo (inseticidas, fungicidas, herbicidas) 
3. Classe Toxicológica 
4. Grau de Toxicidade 
5. Identificação do Rótulo 
6. Formulação (comprimidos, pó solúvel/seco, granulado, pasta, pastilha, óleo 
emulsionável) 
7. Grupo Químico. 
8. Biológicos (microbianos: bactérias e bioquímicos: feromônios). 
 
Quanto ao uso: 
 
● Uso Agrícola: Inseticidas(inseto); Acaricida(acaries); Fungicida(fungos); 
Fumigante (demartoides de terra); Herbicida (ervas daninhas); Formicida( 
formiga); Dessecante e Desfolhante. 
● Uso Doméstico: Baraticidas; Piolhos; Raticidas; Repelente de insetos; 
Desinfetantes; Jardinagem Amadora (grama e jardim); Piscina: alvejantes e 
algicidas. 
● Uso Veterinário: Carrapatos; Piolhos; Sarnas e Miíase (mosca grande). 
● Saúde Pública: Combater o mosquito Anopheles (Mosquiteiro tratado com 
inseticida de longa duração (MTILD)). 
 
Classe Toxicológica :Ministério da Saúde - MS - Brasil: baseada na DL50 (ratos) oral das 
formulações líquidas e sólidas. 
 
 
 
Organização Mundial da Saúde - OMS: baseada na DL50 em ratos, oral e dérmica, por 
mg/kg de peso, das formulações líquidas e sólidas. 
 
 
 
Identificação no Rótulo 
 
Por determinação legal, todos os produtos devem apresentar nos rótulos, uma 
faixa colorida, indicativa de sua classe toxicológica. 
 
 
ex: 
 
Classificação de acordo com o órgão alvo e o grupo químico. 
 
A. Inseticidas: Piretróides, Organofosforados e Carbamatos (inibidor da 
colinesterase), Fumigante e Neonicotinóides. 
 
Mecanismo de ação clássico de inibição da acetilcolinesterase pelos os organofosforados, 
esse organofosforado irá se ligarcom a histidina e a serina por ligação covalente, havendo 
o compartilhamento de elétrons, inibindo a enzima no aminoácido da serina. Por isso, que 
essa ligações com organofosforado é do tipo irreversível, porque ele casa com a enzima, 
enquanto que carbamatos não ocorre uma transferência de elétrons, é uma ligação 
reversível, pela força de Van Der Waals e se desfaz rapidamente é só cessar a exposição. 
 
 
 
 
Organofosforados: 
 
● Clorpirifós:Ingrediente ativo ou nome comum: CLORPIRIFÓS (chlorpyrifos) 
● Sinonímia: Chlorpyriphos; Chlorpyrifos-ethyl 
● Nome químico: O,O-diethyl O-3,5,6-trichloro-2-pyridylphosphorothioate 
● Fórmula bruta: C9H11Cl3NO3PS 
● Grupo químico: Organofosforado 
● Classe: Inseticida, formicida e acaricida 
● Classificação Toxicológica: Classe II 
● Uso agrícola: autorizado conforme indicado. 
 
Carbamato: 
 
● C06 – Carbofurano: Ingrediente ativo proibido no Brasil em decorrência de 
reavaliação toxicológica realizada pela Anvisa, conforme dispõe a Resolução 
RDC nº 185, de 18 de outubro de 2017, publicada no Diário Oficial da União de 
19 de outubro de 2017. 
● Ingrediente ativo ou nome comum: CARBOFURANO (carbofuran) 
● Grupo químico: Metilcarbamato de benzofuranila 
● Classe: Inseticida, cupinicida, acaricida e nematicida 
● Classificação toxicológica: Classe I 
 
B. Acaricidas: Benzilatos, Tetrazinas, Carboxamidas, Amitraz 
C. Herbicidas: Pentaclorofenol, Paraquat e Diquat (compostos quaternário de 
amônio), Glifosato (organofosforado) 
D. Fungicidas: Etileno-bis-ditiocarbamatos, Trifenil estânico, Captan, 
Hexaclorobenzeno 
E. Rodenticidas: Anticoagulantes: Warfarina e análogos (cumarinas e Indandiona). 
 
Inibidores da Colinesterase: Organofosforados e Carbamatos 
 
● Os organofosforados são compostos derivados: 
 
Ácido Fosfórico (paraoxon etílico) 
Ácido Tionofosfórico (paration etílico, diazinon) 
Ácido ditionofosfórico (dimetoato, malation) 
Ácido pirofosfórico (paraoxon etílico) 
Ácido ditionopirofosfórico. 
 
● Os carbamatos são compostos derivados: 
Ácido carbâmico 
Ácido N-metilcarbâmico (carbaril, baygon, zectran). 
 
Farmacocinética dos Inibidores da Colinesterase 
 
 
 
Biotransformação: 
 
● Hepática: Hidrólise, oxidação e conjugação. 
 
Distribuição: 
 
● Todos os tecidos 
● OF atravessam a BE 
● Alta concentração no fígado e no rim. 
 
Eliminação: Urina /Fezes (70-80% em 48 horas). 
 
Farmacodinâmica dos Inibidores da Colinesterase 
 
● Colinesterases 
 
As colinesterases pertencem ao grupo das B-esterases que hidrolisam a 
acetilcolina em colina e ácido acético. Encontrada principalmente nas no tecido nervoso 
e na junção neuromuscular. 
 
● Acetilcolina 
 
É um mediador químico necessário para a transmissão do impulso nervoso nas 
fibras pré-ganglionares do SNA em todas as fibras parassimpáticas pós-ganglionares e 
em algumas fibras simpáticas pós-ganglionar do SNC. 
 
Tipos de esterases 
 
● Tipo “A” - são capazes de hidrolisar compostos OP, sem serem inibidas por 
estes – Cisteína. 
● Tipo “B” - são capazes de hidrolisar estes compostos, mas, entretanto, são 
inibidas por estes compostos – Serina. 
● Tipo “C”- não possuem qualquer forma de interação com os pesticidas OP. 
 
1. Naturalmente com o sinal pré-sináptico os canais de sódio irão abrir, vão liberar 
para a vesícula sináptica e o neurotransmissor será liberado. 
 
2. Abertura dos canais de sódio que leva a despolarização do axônio terminal, essa 
despolarização causa abertura dos canais de cálcio que entram no terminal e 
causa uma fusão entre a vesícula e a membrana pré-sináptica. 
 
3. A Acetilcolina se liga ao canal iônico que se abre, sódio entra e potássio sai da 
célula pós-sináptica. Uma vez que a acetilcolina é liberada, ela deve ser 
inativada pela acetilcolinesterase, causando o fechamento do canal e permitindo 
que ocorra a repolarização, a colina é liberada para o terminal para que haja a 
ressíntese da acetilcolina. 
 
 
 
4. As vesículas são recicladas por endocitose e são reabastecidas com a molécula 
do neurotransmissor e ficam disponíveis uma outra transmissão sináptica. 
 
 
 
Manifestações Muscarínicas: 
 
● Sistema Respiratório: hipersecreção brônquica, rinorréia, broncoespasmo, 
dispnéia, cianose. 
● Trato Gastrintestinal: náuseas, vômitos, diarréia, tenesmo, dor e cólica abdominal, 
incontinência fecal. 
● Glândulas exócrinas: sialorréia, sudorese, lacrimejamento… 
● Sistema cardiovascular: bradicardia, hipotensão com hipotensão secundária, 
prolongamento da onda QTc. 
● Olhos: miose, visão turva, hiperemia conjuntival. 
 
Manifestações Nicotínicas (excesso da acetilcolina na placa mioneural do músculo). 
 
● Músculo esquelético: fasciculações e fraqueza muscular, cãibras, paralisia, 
tremores. 
● Sistema cardiovascular: taquicardia, hipertensão, palidez. 
 
Manifestações do SNC 
 
● Alterações Neuropsiquiátricas: tensão, ansiedade, inquietação, Sonolência, 
Confusão mental 
● Alterações Neurológicas Puras: Cefaléia, Vertigens, Convulsões; Atonia; 
Disartria; Coma; Manifestações Extrapiramidais (tremores involuntários, marcha 
atáxica e incoordenação dos movimentos). 
Síndrome Neurotóxica Intermediária (SNI) 
 
● Período de instalação: 12 horas a sete dias/exposição e, em alguns casos logo após 
a resolução dos sintomas colinérgicos agudos: 
● Quadro Clínico: dificuldade para respirar, movimentar o pescoço e levantar a 
cabeça, oftalmoparesia, movimentos oculares lentos, fraqueza dos músculos da 
face, dificuldade para deglutir: Fraqueza das extremidades proximais. 
● Compostos: Dimetil, Metmidofós, Malation, Fention, Dimetoato, Sumition, 
Metilparation, Diazion. 
● Tratamento: é baseado em medidas de suporte da UTI 
A mortalidade é elevada e a recuperação dos sobreviventes é lenta. 
 
Síndrome Neurotóxica Tardía (SNT) 
 
● Fosforilação de uma esterase-alvo neurotóxica (Neuro Toxic Esterase-NTE) 
específica do sistema nervoso/Envelhecimento da 
Enzima: 6 a 21 dias após exposição por qualquer via. 
● Quadro Patológico: fraqueza muscular nas pernas, depressão dos reflexos 
tendinosos, seguida de hipertonia e hiperreflexia: Axonopatia distal com 
degeneração nervosa . 
● Clorofós, Diclorfos, Dipterex, Fention, Malation, Metamidofós. 
Carbamatos: Carbaril, Carbofuran e m-tolimetilcarbamato. 
● O tratamento é baeado em medidas de suporte da UTI. 
A mortalidade é elevada e a recuperação dos sobreviventes é lenta (6 a 12 meses). 
 
Diagnóstico 
INDICADOR DE EFEITO: 
 
● A Acetilcolinesterase (colinesterase verdadeira/específica/ eritrocitária): É 
encontrada nos GV, tecido nervoso e na junção neuromuscular. Sendo produzida 
na eritropoiese, com renovação de 90 a 120 dias. 
● A Butirilcolinesterase (pseudocolinesterase/plasmática ou sérica/ colinesterase 
inespecífica): plasma, fígado, pâncreas e na substância branca do SNC. É 
produzida no fígado, com renovação de 30 a 60 dias. 
Não é específica: pode estar inibida nos casos de desnutrição, enfermidade 
hepática, anemia ferropriva, deficiência hereditária da enzima. 
 
Monitorização Biológica de Exposição a Inseticidas Organofosforados. 
 
● Indicador de Dose Interna: reflete a concentração real da substância no local onde 
ela exerce sua ação tóxica/Avalia a concentração do agente químico nos órgãos e 
tecidos a partir dos quais é lentamente liberada – Paration: metabólitos. 
● Indicador de efeito: identificam alterações precoces e reversíveis no organismo, 
resultantes da ação do xenobiótico, oriundos da ação deste em qualquer tecido, 
órgão ou sitema- atividade da enzima. 
● Indicador de Suscetibilidade: determinação de indivíduos com maior ou menor 
sensibilidade à ação tóxica de um determinado xenobiótico – Paraoxonase: 
Humanos X Pássaros. 
 
A figura mostra que o paration é biotransformado em paraoxon (uma forma mais 
tóxica), porque o paration tem uma afinidade grande pela albumina, se ligando, assim o 
paraoxonfica livre, ele apresenta uma atividade anticolinesterase maior. depois disso, ele 
sofre ação da paraoxonase metabolizando em p-nitrofenol e dietil fosfato, como proteção. 
Por isso, chamamos de indicador suscetível, o metabolico p-nitrofenol é um indicador de 
dose interna. 
 
 
 
● Paraoxonase: principal responsável pela detoxificação de agentes 
organofosforados em nosso organismo (MACKESS, 1989). 
● Em mamíferos, qualquer oxon que escape da detoxicação hepática, pode ser 
hidrolisado no sangue pela paraoxonase antes de chegar ao tecido nervoso. 
● Alguns organofosforados como, por exemplo, o PIRIMIFÓS-METÍLICO 
rapidamente hidrolisados pela paraoxonase/estima-se que nenhuma molécula 
ativa deste pesticida chegue ao cérebro (BREALEY et al, 1980). 
● Assim, no caso dos pesticidas organofosforados, a paraoxonase pode atuar como 
um indicador de susceptibilidade FAGGIONI, 2003). 
 
Diagnóstico 
 
● Hemograma. 
● Gasometria: acidose metabólica. 
● Provas de Função Hepática: Transaminases, bilirrubina e fosfatase alcalina. 
● Prova de Função Renal. 
● Glicemia. 
● Amilase elevada e 1,2% que pode apresentar pancreatite/Valor > de 360 UI fator 
preditor para a Pancreatite. 
● EGC: taquicardia sinusal/bloqueio AV/prolongamento da onda QT/alteracoes do 
segmento ST. 
 
Tratamento dos Organofosforados e Carbamatos 
 
A LINHA DE FRENTE DO ATENDIMENTO 
 
● Uso de EPI. 
● Toxicologia dos Agrotóxicos 
● As roupas contaminadas devem ser removidas, duplamente embaladas, seladas e 
armazenadas de forma segura. 
● Manter via aérea limpa/ventilação adequada/oxigênio. 
● A sucção contínua da via aérea pode ser necessária devido a secreções excessivas. 
● A intubação endotraqueal e a ventilação assistida serão necessárias em casos 
graves. 
 
MANEJO DO PACIENTE NA EMERGÊNCIA 
 
● Mantenha via aérea desobstruída e assegure a ventilação adequada. 
● Pacientes com hipóxia, bradicardia e/ou hipotensão clinicamente significativas 
requerem oxigênio e atropina antes da descontaminação. 
● Parada cardíaca no hospital ou presenciada fora do hospital com RCP, a 
ressuscitação deve ser continuada por pelo menos 1 hora e interrompida após 
discussão com um médico. 
● A ressuscitação prolongada, mesmo por várias horas, pode ser apropriada após o 
envenenamento, uma vez que pode ocorrer recuperação com bom resultado 
neurológico. 
● Os pacientes devem idealmente ser atendidos em UTI. 
● A administração parenteral rápida pré-hospitalar de atropina em pacientes com 
rinorreia e broncorreia pode salvar vidas- EXPERTISE (PROFISSIONAL COM 
EXPERIÊNCIA). 
 
Descontaminação 
 
● Ocular: Lavagem ocular com jato suave de água corrente por 10-15’, pálpebras 
abertas. 
● Dérmica: Retirar roupas contaminadas seguidas de lavagem corporal com água 
corrente e sabão. Atentar: pregas da pele e regiões de pêlos. 
● Gastrintestinal: 1. LG: até 1 hora após a exposição nas intoxicações por via 
ORAL- Nos casos graves com proteção das vias aéreas. (não administrar leite pois 
os organofosforados são lipossolúveis aumentando a absorção). 2.Não usar 
substâncias oleosas. 
 
Eliminação 
 
1. Diálise e Hemoperfusão não são indicadas pelo grande volume de distribuição dos 
OF e devido à curta duração do quadro nas intoxicações por carbamatos. 
2. Estudos clínicos em voluntários recomenda o uso da Alcalinização Urinária, como 
primeira linha de tratamento, apenas para duas situações: 
EX 1: Pacientes com intoxicação moderada ou grave por salicilatos que não 
preenchem os critérios para Hemodiálise. 
EX 2: Pacientes com intoxicação pelo herbicida ácido 2,4 diclorofenoxiacético 
(2,4 D). 
 
● Antagonista: Atropina® 
 
Pacientes com hipóxia, bradicardia e/ou hipotensão (síndrome colinérgica muscarínica): 
Administrar-se urgentemente atropina intravenosa: 
2,0 mg para adultos 
50-75 microgramas/kg para crianças. 
Repetidos a cada 5 minutos - conforme necessário. 
OBS: NÃO É REGRA, ADMINISTRAR ATÉ NORMALIZAR. 
 
● Paciente Atropinizado. 
 
Estudo recente mostrou que em casos de envenenamento grave, dobrando a dose de 
atropina a cada 5-10 minutos até que a melhora clínica seja evidente, acelera a 
atropinização e reduz a mortalidade (ABEDIN et al, 2012). 
OBS: SE O PACIENTE CHEGAR COM A SÍNDROME COLINÉRGICA 
NICOTÍNICA SE FAZ DIAZEPAM. 
 
● Antídoto: Contrathion® 
 
Em virtude da falta do Contrathion® no mercado Brasileiro e devido a publicação de 
estudos recentes que questionam a segurança e eficácia deste medicamento, o CIT/SC 
não indica a compra e utilização deste produto, até novas pesquisas. 
OBS: TRATA COM ATROPINA E O SUPORTE.

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