Prévia do material em texto
867 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 Abordagem técnica nas suturas em pronto atendimento e suas características: uma revisão integrativa Technical approach to sutures in emergency care and its characteristics: an integrative review DOI: 10.54022/shsv4n3-016 Recebimento dos originais: 01/09/2023 Aceitação para publicação: 04/10/2023 Tito Aurélio Gonçalves Pós-Graduando em Cirurgia Geral Instituição: Sabin Ensino e Pesquisa Juiz de Fora Endereço: Rua Willis Castro Rollim, 101, Santa Clara, Barra Mansa – RJ, CEP: 27340-700 E-mail: titoauréliogonçalves@gmail.com Thales Parussoli Gonçalves Graduando em Medicina Instituição: Centro Universitário de Volta Redonda (UNIFOA) Endereço: Rua Willis Castro Rollim, 101, Santa Clara, Barra Mansa – RJ, CEP: 27340-700 E-mail: thales.g.bm@hotmail.com Daniel de Souza Weiss Graduando em Medicina Instituição: Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde - Suprema Endereço: Rua Ivon José Couri, 42, Bairro Portal da Torre, Juiz de Fora – MG, CEP: 36037-467 E-mail: dsweiss13@gmail.com Marcelo Barros Weiss Doutor em Saúde Pública pela Universidad de Ciencias Empresaliales y Socyales (UCES) Instituição: Sabin Ensino e Pesquisa Juiz de Fora Endereço: Rua Judith de Paula, 39, Bairro Aeroporto, Juiz de Fora – MG, CEP: 3603-836 E-mail: marcelobarrosweiss@gmail.com RESUMO Trata-se de uma revisão integrativa sobre os tipos e condutas mais apropriadas em suturas no pronto atendimento de urgência. Objetivo: Estudar e apresentar os modelos mais comuns e de melhor aplicabilidade em suturas comuns encontradas em nossas unidades de pronto atendimento. Método: Por meio de levantamento bibliográfico e baseado na vivência e experiências dos autores. Resultados: Foram aqui apresentados os principais e mais frequentes métodos de suturas em pronto atendimento com as suas características e necessidades para sua mailto:titoauréliogonçalves@gmail.com mailto:thales.g.bm@hotmail.com mailto:dsweiss13@gmail.com mailto:marcelobarrosweiss@gmail.com 868 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 execução com correção e segurança. Palavras-chave: sutura, pronto atendimento, feridas. ABSTRACT This is an integrative review on the most appropriate types and procedures for sutures in emergency emergency care. Objective: To study and present the most common models that best apply to common sutures found in our emergency care units. Method: Through bibliographical research and based on the authors' experience. Results: The main and most frequent suture methods in emergency care were presented here, with their characteristics and needs for correct and safe execution. Keywords: suture, emergency care, wounds. 1 INTRODUÇÃO A sutura realizada em pronto socorro pode ser realizada de acordo com vários aspectos, incluindo a profundidade, os planos anatômicos , o fio utilizado, a finalidade, a espessura do tecido, a sequência de pontos e a posição das bordas. A observação de seus detalhes e aspectos de indicação e utilização, proporciona maior efetividade em seu objetivo final que é a melhor condição para uma cicatrização satisfatória em sentidos que vão da funcionalidade e da estética. Pode ser classificada segundo aspectos específicos e receber classificações segundo sua natureza que definirão desde a técnica empregada até o tipo de fio e agulha a serem utilizados. Ao escolher o fio de sutura, o material a ser utilizado não deve prejudicar o processo de cicatrização, e o melhor fio é aquele capaz de manter sua força tênsil até que a cicatrização da ferida cirúrgica esteja completa e seja absorvido, permitindo a funcionalidade do órgão, com a menor reação inflamatória possível. Os fios de sutura podem ser classificados de acordo com suas características e propriedades, como a capilaridade (multifilamentados ou monofilamentados), origem (orgânicos, sintéticos, minerais ou mistos) e degradação (inabsorvíveis e absorvíveis), tempo que cada fio leva para perder sua força tênsil e ser absorvido ou incorporado pelo organismo. Outras propriedades diferenciam os fios cirúrgicos entre si, incluindo absorção de fluidos, aderência bacteriana, elasticidade, plasticidade, pliabilidade, diâmetro, coeficiente de atrito e reação tecidual. 869 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 Um fio com alta capilaridade (multifilamentado) pode ser menos útil em tecidos expostos a coleções ou fluidos, já um fio multifilamentado permite maior aderência bacteriana e deve ser evitado em tecidos contaminados. Os fios que possuem muita memória (capacidade de voltar ao seu estado original quando dobrado ou enrolado) ou fios que possuem alta pliabilidade (dificuldade de se dar nós) podem dificultar suturas delicadas. Os fios têm diâmetros ou calibres variados expressos em zeros. Quanto maior o número de zeros, mais fino é o fio. A sutura de mucosa oral, por exemplo, possui uma cicatrização rápida e, consequentemente, sem necessidade de tensão, podendo ser realizada com fio absorvível de curta permanência. Para a sutura de musculatura estriada e fáscia, é preciso usar um fio que ofereça resistência, com maior permanência, baixo coeficiente de atrito e que cause pouca reação tecidual. O fio 6-0 é o mais fino e deve ser utilizado na face e áreas esteticamente importantes; os fios 4-0 e 5-0, sendo o último mais utilizado em reparos da mão e dedos e o primeiro para lesões de tronco e extremidades proximais; o fio mais calibroso é o 3-0, que é empregado em suturas do couro cabeludo e planta dos pés. A biocompatibilidade dos fios de sutura é muito importante para conhecer a resposta biológica ao material, principalmente para que possa ser indicado em situações com risco de prejuízo na cicatrização. O fio de sutura pode agir como fator irritativo permanente, exacerbando e cronificando a resposta inflamatória local e resultando em retardo na reepitelização da linha de sutura, predisposição à formação de granulomas e fibroplasia exacerbada. Quando comparamos os fios multifilamentares com os monofilamentares, observamos que a reação tecidual é mais favorável nos fios monofilamentares devido à menor possibilidade de retenção bacteriana. Os fios multifilamentares permitem a penetração e proliferação de bactérias, que ficam protegidas das células de defesa e são incapazes de penetrar pelas capilaridades desses materiais, pois têm um diâmetro maior. 870 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 Quadro 1: Tipos de fios cirúrgicos. Fonte: Weiss, 2021 2 TÉCNICA DE SUTURA Condições para uma boa síntese: A sutura ideal tem como objetivo a adequada cicatrização, com perfeito confrontamento anatômico. Assepsia: Passo fundamental para evitar infecções e o enfraquecimento e destruição do tecido, resultando em deiscência da sutura. Anestesia: o anestésico mais frequentemente usado em procedimentos ambulatoriais é a lidocaína, com ou sem vasoconstritor. A associação ao vasoconstritor permite uma analgesia mais rápida, longa duração do efeito, maior controle da dor pós-operatória, redução do uso de torniquetes ou de outras manobras para controle de sangramento, menor absorção sistêmica e menor quantidade de anestésico necessária. Seu uso deve ser evitado em pacientes portadores de doenças vasculares periféricas primárias ou secundárias (diabéticos e tabagistas). A dose máxima de lidocaína sem vasoconstritor é de 7 mg/kg/dose, e 10 mg/kg/dose com vasoconstritor. É recomendada a administração de uma dose segura de 5 mg/kg/dose para lidocaína sem vasoconstritor e 7 mg/kg/dose com vasoconstritor. 871 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 Figura 1: Bloqueio troncular Fonte: Tolosa 2001 Bordas regulares: Promovem a coaptaçãodas bordas da ferida e facilitam a execução da sutura. É fundamental inspecionar a ferida em busca de possíveis corpos estranhos, que devem ser removidos. Além disso, pode ser feito o desbridamento do tecido desvitalizado para facilitar a sutura. Hemostasia: Promove uma melhor visualização do campo operatório e evita o acúmulo de sangue entre os tecidos e no espaço morto, o que prejudica a cicatrização pela distração mecânica, além de fornecer um meio propício para a proliferação de microrganismos e consequente infecção. O método mais usado é a compressão direta e, além disso, o uso de epinefrina é uma opção, exceto em locais de anatomia distal como dedos, pênis, pavilhão auricular e nariz. Confrontamento anatômico: Sempre que possível, a síntese deve ser realizada respeitando os planos anatômicos, a fim de minimizar a permanência de espaço morto entre eles. Figura 2: Passagem correta dos pontos para afrontamento dos tecidos Fonte: Fuller, 2000 Boa vitalidade tecidual: Condição fundamental para a manutenção da sutura e a evolução favorável. É fundamental determinar o tempo do trauma, pois toda ferida é considerada contaminada após 6 horas do trauma ou se apresentar 872 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 sujidade no leito da lesão. Técnica perfeita: A adequação entre a sutura e o tecido, associada à tensão exata e ao espaçamento correto dos pontos, assegura condições para uma boa cicatrização. Estes princípios devem ser respeitados com o objetivo de evitar a ineficiência do processo, traduzida em sua forma mais grave pela ruptura das bordas suturadas (deiscência) ou, no mínimo, pelo desenvolvimento de uma cicatriz pouco estética. Figura 3: Vários tipos de sutura. Fonte: Fuller, 2000 3 TIPOS DE PONTO 3.1 PONTO SIMPLES Sinônimos: Sutura Simples Interrompida / Ponto Simples Separado / Entrecortada Descrição: A agulha penetra a poucos milímetros da borda da ferida em sentido transversal a esta, para penetrar no lábio oposto, de dentro para fora, saindo a uma distância igual à primeira penetração. O nó dado fica situado em um dos lados da ferida, evitando a linha de incisão. 873 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 Figura 4: Ponto simples Fonte: Tolosa, 2001 Aspectos gerais: É uma sutura de aposição, mas pode ocorrer inversão caso seja aplicada tensão excessiva. Resulta em um bom confrontamento tanto das partes superficiais como das profundas e proporciona oclusão anatômica segura. São mais indicados em locais sob tensão, distribuindo o estresse por todos os pontos individuais. É utilizada em praticamente todos os tecidos e é relativamente fácil de realizar, e quando executada de modo correto não deixa espaço cavitário na ferida cirúrgica. No entanto, se houver dúvida quanto à assepsia, deve-se deixar aberta a extremidade distal da ferida para garantir a eventual saída de exsudatos. 3.2 PONTO SIMPLES INVERTIDO Sinônimos: Swift (para órgãos ocos) / Hasted / Sutura intradérmica interrompida / Subcuticular Descrição: É uma modificação do ponto simples em que o nó fica oculto dentro do tecido, quando aplicado como nó subcutâneo ou para o lado da mucosa em órgãos ocos. A agulha é introduzida de dentro para fora (mucosa para serosa) e penetra no lábio oposto de fora para dentro (serosa para mucosa), deixando os cabos dos fios situados internamente. Após a aplicação do nó, suas pontas são cortadas e o nó ficará situado internamente. 874 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 Figura 5: Ponto simples invertido Fonte: Fuller, 2000 Aspectos Gerais: Utilizado na redução do espaço morto, oclusão cutânea intradérmica e cirurgias gastrointestinais. Esses pontos causam mínima interferência no suprimento das bordas dos ferimentos e evitam a possibilidade de aderência quando aplicados em órgãos ocos. 3.3 SUTURA DE WOLF Sinônimos: Ponto Horizontal Interrompido / Sutura Evertida Transfixante / Sutura em "U" / Ponto em "U" Horizontal / Colcheteiro Horizontal / Ponto em Barra Grega Descrição: A agulha é introduzida próxima à borda da ferida e é dirigida em sentido transversal a esta para penetrar no lábio oposto, de dentro para fora e saindo a uma distância da borda igual à primeira penetração. A agulha é novamente introduzida do mesmo lado que saiu, ou a poucos milímetros desta, e reconduzida a sair, também a mesma distância da primeira entrada, formando assim um "U" deitado. Figura 6: Sutura tipo Wolf Fonte: Weiss, 2021 875 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 Aspectos Gerais: Esta sutura pode ser de aposição até eversão, dependendo da tensão aplicada e se a sutura penetra no tecido completamente ou apenas superficialmente. Apresenta menor tempo de execução e proporciona uma boa oclusão de ferida. É usado em áreas de tensão e, quando utilizada para síntese de pele, é necessário apoiar o fio para reduzir a tensão sobre a pele. Também pode ser usado para sutura de aponeurose e síntese de seção transversal dos músculos. Apresenta características hemostáticas devido à sua geometria, com tendência a reduzir o suprimento de sangue no tecido alçado, sendo ideal para órgãos parenquimatosos, como fígado e baço. 3.4 PONTO DE DONATTI Sinônimos: Ponto em “U” vertical Descrição: A agulha é introduzida a cerca de 8 a 10 mm da borda de incisão de um lado, transpassa todas as camadas da pele, saindo no subcutâneo, atravessa a linha de incisão e numa distância equivalente, penetra e transpassa a pele da outra borda. A agulha é revertida e inserida no mesmo lado a cerca de 4 a 5mm da borda da incisão, saindo na derme ou hipoderme, atravessa a linha de incisão e penetra na derme ou hipoderme da outra borda, saindo na epiderme numa distância equivalente a primeira borda. Figura 7: Sutura tipo Donatti Fonte: Fuller, 2000 Aspectos gerais: Utiliza a técnica de fechamento “perto-longe” com objetivo de aproximar a pele e minimizar a tensão na borda da ferida. Isto se deve ao distanciamento da passagem do fio, onde a maior distância tem a finalidade de sustentação de pele minimizando a tensão na linha de incisão e também servindo de apoio para o confrontamento das camadas de pele, e o distanciamento menor 876 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 produz um excelente resultado. 3.5 PONTO EM X Sinônimos: Sutura em X / Sutura interrompida em X / Ponto de X Descrição: A agulha é introduzida a 3 a 4mm de um dos lados da ferida, passando para o lado oposto. A agulha avança 5mm, cruzando o tecido sem penetrá-lo, passando uma segunda vez paralela à primeira passagem. A sutura termina dando um nó com os cabos dos fios formando um X. Figura 8: Sutura tipo “X” Fonte: Tolosa, 2001 Aspectos Gerais: É utilizado para fechamento de paredes, suturas musculares e pele, especialmente em cotos de amputação de cauda e dedos. Promove hemostasia de vasos e pode ser utilizado para reforçar uma sutura contínua, pois é resistente à tensão e impede a eversão dos bordos da ferida. 3.6 PONTO HELICOIDAL Descrição: Confecção de uma alça dupla em uma das bordas, introduzindo a agulha a 5 mm da margem da borda, saindo pela linha de incisão e entrando novamente mais adiante do mesmo lado. A agulha atravessa a linha de incisão, penetrando pela face interna da outra borda, retornando pela linha de incisão e penetrando novamente na mesma borda tendo como base a mesma distância da primeira penetração na borda contralateral. O nó é confeccionado do lado que iniciou o ponto. 877 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 Figura 9: Sutura tipo helicoidal Fonte: Tolosa, 2001 Aspectos Gerais: Utilizadono fechamento de suturas e em musculatura seccionada transversalmente devido à tendência deste tecido ao esgarçamento. 3.7 SUTURA CONTINUA SIMPLES Sinônimos: Sutura corrida / Sutura simples sobreposta / Sutura de chuleio simples Descrição: Realização de um ponto inicial e um nó de sustentação. A agulha é introduzida na borda distal da ferida a uma distância de 1 a 5 mm e é dirigida ao centro da mesma para penetrar na borda proximal, onde emerge a uma mesma distância da penetração, porém um pouco mais adiante, voltando à borda distal, onde penetrará, repetindo a primeira manobra e assim sucessivamente até o fim, onde um novo nó separado e que irá consolidar a sutura é confeccionado. A agulha sempre entra pelo mesmo lábio da ferida e sempre sai do lado oposto, e as suturas são inseridas perpendicularmente ao plano dos tecidos sem interrupção. 878 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 Figura 10: Sutura contínua simples Fonte: Tolosa, 2001 Aspectos Gerais: Está indicada quando se deseja boa acomodação e elasticidade para uma distribuição uniforme da força de aproximação, sendo recomendada em anastomoses vasculares. Proporciona uma aproximação tecidual máxima e é relativamente resistente ao ar e fluidos, promovendo uma oclusão anatômica segura. É utilizada em quase todos os tecidos, desde que sejam elásticos e não submetidos a uma tensão considerável. É uma sutura de fácil e rápida execução, mas proporciona menor resistência do que as suturas simples, pois se um fio dessa sutura se romper durante a cicatrização, resultará na abertura da ferida em toda sua extensão. Além disso, pode franzir a linha de sutura e estreitar a luz do intestino, permitindo a eversão da mucosa para o lado peritoneal, o que obriga outra sutura invaginante no plano seromuscular. 3.8 SUTURA CONTINUA COM PONTOS ANCORADOS Sinônimos: Sutura contínua com laçadas / Sutura entrelaçada de Ford / Sutura retrógrada / Sutura festonada / Sutura de Reverdin / Sutura contínua ancorada / Sutura de chuleio ancorado / Sutura de entrelaçamento de Ford. Descrição: A agulha é passada perpendicularmente através dos tecidos na mesma direção e, em seguida, por dentro do laço pré-formado, que é apertado. Cada ponto subsequente é fechado até que a extremidade da incisão seja alcançada. Para finalizar o ponto de fechamento, a agulha deve ser introduzida na direção oposta à da inserção das suturas anteriores e o final deve ser seguro nesse lado. O laço da extremidade é formado e as extremidades são amarradas. 879 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 Figura 11: Sutura contínua com pontos ancorados (festonado) Fonte: Tolosa, 2001 Aspectos gerais: É uma modificação de um padrão contínuo simples, com ancoramento para maior firmeza da sutura, apresentando uma grande estabilidade caso ocorra rompimento dos pontos. Sua desvantagem é a necessidade de mais material de sutura, e a acomodação do fio é mais difícil em virtude do ponto passado. Promove uma boa aproximação das bordas de peles espessas e tem principal aplicabilidade em cirurgias gastrointestinais. Quando comparada ao chuleio simples, não franze tanto a sutura nem estreita a luz intestinal, mas apresenta a desvantagem de permitir a eversão da mucosa. 3.9 WOLF CONTINUA Sinônimo: Ponto em Barra Grega / Colchoeiro Horizontal / Sutura Horizontal de Colchoeiro Contínua Descrição: Após aplicar o ponto inicial, a agulha é introduzida na borda distal da ferida, a uma distância variável, e direcionada para a borda oposta, de modo que a saída ocorra na mesma altura da entrada, cruzando perpendicularmente a linha de incisão. Em seguida, a agulha é introduzida alguns milímetros na mesma borda da saída, emergindo no lado oposto, repetindo-se a manobra anterior. 880 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 Figura 12: Sutura tipo Wolf contínua Fonte: Tolosa, 2001 Aspectos Gerais: É um ponto de "U" hemostático contínuo que resulta em boa coaptação dos bordos da incisão. Dependendo da tensão, esta sutura pode ser de aposição até eversão. Sua execução promove uma rápida oclusão, e apresenta a vantagem de não passar o fio sobre a ferida, mas não promove a coaptação perfeita dos lábios da ferida. 3.10 SUTURA INTRADÉRMICA LONGITUDINAL Descrição: É uma sutura colchoeiro horizontal modificada, que deve ser iniciada e terminada com a internalização do nó na derme. Constitui-se de uma sequência de pontos simples longitudinais alternados nas bordas da pele, pelo lado interno dos lábios da ferida. A agulha é introduzida a 5mm do ângulo superior à esquerda da incisão e sai na derme, tracionando-se o fio. Com a pinça de Adson fixando a borda direita da incisão, a agulha é introduzida longitudinalmente na derme por uma extensão de 0,5cm e o mesmo é feito do outro lado, repetindo-se este processo até chegar ao ângulo inferior da incisão para internalizar o nó. 881 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 Figura 13: Sutura intradérmica longitudinal Fonte: Cirino, 2003 Aspectos Gerais: É uma sutura contínua que apresenta um excelente confrontamento e características hemostáticas, através das quais se obtém uma ótima cicatriz 3.11 SUTURA CONTINUA EM BOLSA Sinônimo: Sutura em Bolsa de Tabaco Descrição: Consiste em passar o fio em pontos simples ao redor da alça, em um sentido transversal, apertando-o em seguida e invaginando a extremidade. Figura 14: Sutura tipo em “bolsa” Fonte: Tolosa, 2001 Aspectos Gerais: É uma variação circular da sutura de Lembert, usada para fechar canais e orifícios, bem como isolar cavidades do ambiente externo. Além disso, tem um efeito hemostático. É frequentemente utilizada para aproximar a extremidade aberta de uma estrutura tubular oca, como uma bolsa herniária ou o coto apendicular. 882 Studies in Health Sciences, Curitiba, v.4, n.3, p. 867-882, 2023 REFERÊNCIAS BELLEN, V. B.; MAGALHÃES, H. P. Suturas. In: MAGALHÃES, H. P. Técnica cirúrgica e cirurgia experimental. São Paulo: Sarvier, 1993c. p. 99 – 111. BERNIS-FILHO, W O.; WOUTERS, F.; WOUTERS, AAB.; VALÉRIA MAGRO, O.; LOPES, LR.; ANDREOLLO, NA. Comparative study of cotton, polyglactin and polyglecaprone sutures in intestinal anastomoses in dogs. ABCD, arq. bras. cir. dig; 26( 1 ): 18-26. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102- 67202013000 100005&lng=pt. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-67202013000100005. Acessado em 07 de maio de 2022. CIRINO, L. M. I. Manual de técnica cirúrgica para graduação. São Paulo: Sarvier, 2003. 111p. FULLER, J. R. Fechamento da ferida cirúrgica. In: ______. Tecnologia cirúrgica: princípios e prática. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2000. p.101 – 122. MAGALHÃES, H. P; CONFORTI, V. L. P. Técnicas cirúrgicas. In: MAGALHÃES, H. P. Técnica cirúrgica e cirurgia experimental. São Paulo: Sarvier, 1993. p. 134 - 163. PARRA, O. M.; SAAD, W. A. Técnica operatória fundamental. Rio de Janeiro: Atheneu, 1987. 558p. SMEAK, D.D. Evaluation of video tape and a simulator for instruction of basic surgical skills. Vet Surg, v.20, p.30, 1991. Disponível em: Acesso em 07 de maio de 2019. SWAIM, S. F. General principles of delayed wound excision and closure. In: ______. Surgery of Traumatized Skin: Management and Reconstrucion in the Dog and Cat. Philadelphia: W. B. Saunders, 1980. p. 237 – 296. TOLOSA, E. M. C.; CARNEVALE, J.; SOUZA JR, J.A. Síntese cirúrgica. In: GOFFI, F. S. Técnica cirúrgica: Bases anatômicas e fisiopatológicas e técnicas da cirurgia. 4. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2001. p. 67 – 74. VARELLA, A. L. B.; PETIT, F.A.;GOMES, O. M. Técnicas de síntese microcirúrgica. In: GOMES, O. M. Cirurgia experimental. São Paulo: Sarvier, 1978. p. 191 – 203. WEISS, MB. Urgências e Emergências Médicas. Rio de Janeiro: Thieme Revinter Publicações. 2021. p: 515 - 522 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102- http://dx.doi.org/10.1590/S0102-67202013000100005 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids