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UNIP – UNIVERSIDADE PAULISTA
ENGENHARIA CIVIL – 6º/7º SEMESTRE
DISCIPLINA: ESTRADAS E AEROPORTOS
PROJETO DE APS – ESTUDO E PROJETO DE ESTRADA RURAL
ENTRE SERRA DOURADA E VALE VERDE
Integrantes do grupo:
Lucas Pagioro Scarpassa – G44H1B1
Arthur Bernecoli Machado - N8514H0
Abdiel Grano - T541he0
Professor Orientador: Prof. Eng. Ênio
Campus: UNIP – São José do Rio Preto
Semestre: 2025/1
São Paulo
2025
PROJETO DE APS – ESTUDO E PROJETO DE ESTRADA RURAL
ENTRE SERRA DOURADA E VALE VERDE
Projeto apresentado à Universidade Paulista – UNIP, como parte das exigências da disciplina Estradas e Aeroportos, do curso de Engenharia Civil, sob orientação do Prof. Eng. [Nome do Professor].
São Paulo
2025
Projeto de APS – Estudo e Projeto de Estrada Rural entre Serra Dourada e Vale Verde
Sumário
1. Introdução
2. Objetivos
3. Revisão Teórica
4. Metodologia
5. Desenvolvimento do Estudo de Caso
5.1 Etapa 1 – Escolha do traçado
5.2 Etapa 2 – Estudo ambiental e hidrológico
5.3 Etapa 3 – Projeto de trecho com curvas
5.4 Etapa 4 – Maquete e registro fotográfico
6. Conclusão
7. Bibliografia
1. Introdução
O sistema rodoviário brasileiro representa a principal infraestrutura de transporte terrestre do país, sendo responsável por mais de 60% da movimentação de cargas e passageiros. O desenvolvimento de novas estradas é essencial para promover a integração regional, facilitar o escoamento da produção e garantir o acessoda população a serviço básicos.
Neste contexto, a presente Atividade Prática Supervisionada (APS) tem como finalidade a elaboração do estudo completo de uma rodovia hipotética, ligando dois polos do interior de Minas Gerais: o povoado de Serra Dourada à cidade de Vale Verde.
2. Objetivos
Objetivo Geral:
Elaborar um estudo técnico de viabilidade e projeto geométrico de uma estrada rural ligando dois polos de interesse, considerando os aspectos topográficos, ambientais e de engenharia rodoviária.
Objetivos Específicos:
- Definir o traçado ideal para a estrada com base em carta topográfica fictícia.
- Classificar a rodovia e estabelecer os parâmetros de projeto geométrico.
- Realizar estudo ambiental preliminar da área escolhida.
- Determinar as vazões de bacias hidrográficas locais por meio de estudo hidrológico.
- Projetar trecho com curvas horizontais e verticais, incluindo superlargura e superelevação.
3. Revisão Teórica
3.1 Classificação das Rodovias
As rodovias podem ser classificadas sob dois aspectos principais: classificação funcional e classificação técnica.
Funcionalmente, classificam-se como:
Rodovias arteriais: interligam grandes centros urbanos ou regiões de importância econômica.
Rodovias coletoras: captam tráfego das vias locais e o encaminham para as arteriais.
Rodovias locais: atendem ao tráfego de acesso imediato às propriedades e áreas rurais.
Tecnicamente, segundo o DNIT, as rodovias são classificadas em Classes I a V, considerando aspectos como:
Velocidade de projeto
Número de faixas
Tipo de tráfego
Condições do terreno
Neste trabalho, foi adotada uma rodovia de Classe III, destinada a tráfego moderado, com pista simples e velocidade de projeto de até 60 km/h.
3.2 Projeto Geométrico de Estradas
O projeto geométrico de uma estrada tem como objetivo garantir conforto, segurança e eficiência na circulação de veículos, atendendo a normas técnicas. Os principais elementos incluem:
Velocidade de projeto (Vp): utilizada como base para definir outros parâmetros.
Raio mínimo de curva (R): depende da velocidade e do atrito lateral admissível.
Declividade máxima e mínima: importante para segurança e escoamento de água.
Largura da plataforma e faixa de rolamento.
A velocidade de projeto de 60 km/h resulta, segundo o DNIT, em um raio mínimo de curva horizontal de aproximadamente 120 m (em terreno montanhoso, com atrito lateral 0,15).
3.3 Curvas Horizontais
As curvas horizontais são responsáveis pela mudança de direção no plano da estrada. Podem ser:
Circulares simples
Com transição (clotoides)
Com superlargura: alargamento da faixa em curvas para acomodar a trajetória de veículos grandes.
Com superelevação: inclinação transversal da pista para compensar a força centrífuga.
A superelevação máxima admissível em rodovias de pista simples é de 8%, segundo o DNIT.
3.4 Curvas Verticais
As curvas verticais garantem a transição entre trechos de rampa e declive. Classificam-se em:
Convexas: de aclive para declive
Côncavas: de declive para aclive
Essas curvas são projetadas com base no fator K, definido como o comprimento necessário para uma variação de 1% na declividade. A visibilidade, principalmente em ultrapassagens, é um critério crucial na definição de K.
3.5 Drenagem em Estradas
A drenagem rodoviária é fundamental para a durabilidade do pavimento e segurança. Envolve:
Drenagem superficial: sarjetas, valetas e canaletas.
Drenagem profunda: tubos coletores, valas e caixas de retenção.
A análise hidrológica, com base em bacias de contribuição e cálculos de vazão (usando fórmulas como Rational ou IFD), permite dimensionar esses dispositivos corretamente.
3.6 Sinalização Rodoviária
A sinalização garante segurança e orientação ao usuário. Divide-se em:
Sinalização vertical: placas (regulamentação, advertência, indicativa).
Sinalização horizontal: pinturas no pavimento (faixas, setas, zebrados).
Dispositivos auxiliares: tachões, tachas, defensas metálicas.
3.7 Maquetes em Projetos de Engenharia
A confecção de maquetes é uma prática comum no ensino de engenharia civil, permitindo a visualização tridimensional de elementos como:
Corpo estradal (plataforma, taludes de corte/aterro)
Drenagem (valetas, bueiros)
Sinalização
Curvas e relevos com curvas de nível
Além de ajudar no entendimento do projeto, a maquete favorece a comunicação dos resultados em apresentações técnicas e acadêmicas.
4. Metodologia
A metodologia adotada neste projeto seguiu os princípios básicos de planejamento e projeto geométrico de rodovias estabelecidos pelos manuais do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e as diretrizes da disciplina de Estradas e Aeroportos.
O desenvolvimento do estudo foi dividido em quatro etapas principais, conforme orientações da APS:
4.1 Escolha da Região e Análise Topográfica
A primeira etapa consistiu na seleção de uma área fictícia, situada no interior do estado de Minas Gerais, utilizando uma carta topográfica hipotética em escala 1:25.000. Essa carta foi fundamental para a identificação do relevo, da hidrografia e da vegetação local, permitindo a análise do terreno para definição do melhor traçado.
Foram definidos dois polos de interesse:
Serra Dourada (ponto de origem): pequeno povoado com atividades agrícolas e pecuárias.
Vale Verde (ponto de destino): cidade de médio porte com presença de indústria alimentícia e comércio regional.
4.2 Definição do Traçado
Com base na carta topográfica, foram considerados os seguintes critérios para a escolha do traçado:
Menor interferência ambiental possível
Compatibilidade com o relevo natural (evitando cortes e aterros excessivos)
Redução de curvas acentuadas
Distância total inferior a 15 km
Evitar cruzamentos com corpos d’água sempre que possível
A escolha do traçado ótimo foi validada por meio de análises visuais do mapa, respeitando o relevo e observando o desenvolvimento urbano dos polos de interesse.
4.3 Classificação da Rodovia e Parâmetros de Projeto
Após a definição do traçado, estabeleceu-se a classificação da rodovia como Classe III, considerando:
Tráfego local e de ligação regional
Plataforma simples, com duas faixas de rolamento
Pavimento do tipo TSD (tratamento superficial duplo)
Velocidade de projeto: 60 km/h
Raio mínimo de curva horizontal: 120 m
Faixa de rolamento: 3,5 m por pista
Largura da plataforma: 7,2 m (incluindo acostamentos)
Superelevação máxima: 8%
Intervalo de estaqueamento: 1 estaca = 20 m
A escolha do estaqueamento a cada 20 metros foi adotada para proporcionar maior precisão nas curvas e elevações em um trecho de relevo acentuado, como é característico da regiãomontanhosa fictícia.
4.4 Estudo Ambiental e Hidrológico
Com o traçado definido, foi realizada uma análise preliminar de impacto ambiental, considerando:
Áreas de vegetação nativa
Corpos hídricos
Preservação de nascentes
Erosões ou áreas de instabilidade geológica
O estudo hidrológico envolveu a definição de três microbacias contribuintes ao longo do trecho. Utilizou-se o método racional para estimativa das vazões de projeto, considerando:
Coeficiente de escoamento
Área da bacia
Intensidade de chuvas (dados simulados)
Tempo de concentração
Essas informações subsidiaram o dimensionamento dos dispositivos de drenagem previstos no projeto, como bueiros tubulares e sarjetas.
4.5 Projeto de Trecho com Curvas
Foi selecionado um trecho de 800 metros contendo:
Curva horizontal circular simples
Superelevação
Superlargura
Curva de transição (clotoide)
Curva vertical (côncava)
Foram elaboradas todas as memórias de cálculo para esses elementos, com apoio em planilhas e ferramentas CAD para a geração da vista planimétrica do trecho.
4.6 Registro Fotográfico
Foram tiradas fotos do trajeto como mostra abaixo.
5. Desenvolvimento do Estudo de Caso
Esta seção apresenta o desenvolvimento prático das quatro etapas previstas na APS, baseadas na aplicação dos conceitos teóricos abordados anteriormente.
5.1 Etapa 1 – Escolha do Traçado e Parâmetros Geométricos
5.1.1 Seleção do Trecho
Foi selecionada uma região fictícia do interior de Minas Gerais, entre os polos de Serra Dourada (ponto inicial) e Vale Verde (ponto final), distantes aproximadamente 12 km em linha reta. A área apresenta relevo predominantemente montanhoso, com variações altimétricas significativas.
5.1.2 Escolha do Traçado
Foram analisadas três alternativas de traçado, sendo escolhida a que apresentou:
Menor impacto ambiental
Menor número de curvas acentuadas
Menor necessidade de obras de arte especiais
Melhor aproveitamento do relevo natural
O traçado definitivo foi marcado diretamente sobre a carta topográfica em escala 1:25.000, com curvas de nível espaçadas de 10 em 10 metros.
5.1.3 Classe da Rodovia e Parâmetros
Parâmetro
Valor Adotado
Classe da Rodovia
III
Velocidade de Projeto
60 km/h
Raio Mínimo de Curva
120 m
Largura da Faixa de Rolamento
3,50 m
Largura da Plataforma
7,20 m
Acostamento
0,60 m cada lado
Superelevação Máxima
8%
Intervalo de Estaqueamento
1 estaca = 20 m
5.1.4 Justificativa do Estaqueamento
O estaqueamento foi definido com intervalo de 20 metros para garantir maior precisão nos levantamentos de campo e facilitar os cálculos nas curvas e variações de relevo. Este espaçamento é comum em terrenos acidentados e está de acordo com boas práticas de engenharia.
5.2 Etapa 2 – Estudo Ambiental e Hidrológico
5.2.1 Estudo Ambiental
A análise da carta topográfica permitiu identificar:
Uma área de mata ciliar ao longo do Rio das Palmeiras (preservada no projeto)
Presença de duas pequenas nascentes, respeitadas com recuos
Terreno com vegetação arbustiva e pastagem na maior parte da extensão
Foram evitados cortes excessivos em áreas sensíveis, e o traçado foi desviado de encostas de risco.
5.2.2 Estudo Hidrológico
Foram consideradas três microbacias de contribuição ao longo do trecho, com áreas aproximadas de:
Bacia 1: 0,8 km²
Bacia 2: 1,3 km²
Bacia 3: 1,1 km²
Utilizou-se o método racional para o cálculo das vazões:
Q=C⋅i⋅AQ = C \cdot i \cdot AQ=C⋅i⋅A
Onde:
C=0,5C = 0,5C=0,5 (coeficiente de escoamento para área mista)
i=90 mm/hi = 90 \ mm/hi=90 mm/h (chuva com período de retorno de 10 anos)
A=área da bacia em haA = \text{área da bacia em ha}A=área da bacia em ha
As vazões obtidas foram:
Bacia
Área (km²)
Vazão Estimada (m³/s)
1
0,8
10,0
2
1,3
16,3
3
1,1
13,8
Com base nesses dados, foram dimensionados bueiros circulares de 80 cm a 1,2 m de diâmetro para drenagem transversal, além de sarjetas triangulares com revestimento vegetal para drenagem longitudinal.
5.3 Etapa 3 – Projeto de Trecho com Curvas
5.3.1 Trecho Selecionado
Foi escolhido um trecho de 800 metros contendo:
Uma curva horizontal circular simples
Uma curva de transição (clotoide)
Superelevação e superlargura
Uma curva vertical côncava
5.3.2 Memória de Cálculo (Resumo)
Raio horizontal adotado: 150 m
Comprimento da transição (clotoide): 60 m
Superelevação máxima aplicada: 8% (gradualmente distribuída)
Superlargura calculada: 0,60 m (adicional à faixa de rolamento)
Curva vertical (K): 20 m/% (valor suficiente para visibilidade mínima de parada)
As curvas foram projetadas em vista planimétrica com auxílio de software CAD, com detalhamento dos elementos, posicionamento das estacas e inserção de dispositivos de drenagem e sinalização.
6. Conclusão
O desenvolvimento desta Atividade Prática Supervisionada permitiu a aplicação de conceitos fundamentais de projeto geométrico de rodovias, bem como a integração entre teoria e prática em um cenário simulado.
A partir da definição de dois polos fictícios — Serra Dourada e Vale Verde —, foi possível realizar todas as etapas previstas no cronograma do projeto: escolha do traçado, definição dos parâmetros geométricos, estudo ambiental e hidrológico, detalhamento de curvas e elementos técnicos, além da construção de uma maquete física representando um trecho da estrada.
O exercício proporcionou uma compreensão mais profunda sobre os desafios enfrentados em projetos reais, como a necessidade de equilibrar segurança, viabilidade técnica, custo e impacto ambiental. Além disso, o trabalho em grupo contribuiu para o desenvolvimento de habilidades interpessoais, organização e divisão de tarefas, essenciais para a atuação profissional em engenharia civil.
Conclui-se que, mesmo em um contexto fictício, este projeto simulado de estrada proporciona uma formação mais sólida e prática para os futuros engenheiros, preparando-os para os desafios reais da profissão.
7. Bibliografia
- DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. Manual de Projeto Geométrico de Rodovias Rurais – 2022.
- ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 7187 – Projeto de Pontes de Concreto Armado.
- DER-SP – Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo. Normas para Projetos Viários.
- TUCCI, C. E. M. Hidrologia: Ciência e Aplicação. Porto Alegre: Ed. da UFRGS, 1997.
- LEONARDI, M. C. et al. Projetos de Estradas. São Paulo: Oficina de Textos, 2012.
- SOARES, A. P. Topografia Aplicada à Engenharia Civil. LTC, 2010.