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Sumário de apostila com tópicos de Direito Penal (princípios penais constitucionais), Informática (hardware), Língua Portuguesa — Morfologia (substantivos, pronomes, verbos), Direito Processual Penal (direitos e garantias) e Direito Administrativo (regime jurídico e organização).

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Sumário
Direito Penal - Princípios Penais Constitucionais 5
1. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO PENAL 6
1.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE 6
1.2 PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA 9
1.3 PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE 9
1.4 PRINCÍPIO DA FRAGMENTARIEDADE 10
1.5 PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA 10
1.5.1 OS VETORES DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA SEGUNDO O STF 11
1.5.2 O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA NA JURISPRUDÊNCIA DOS TRIBUNAIS SUPERIORES
11
1.6 PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL 13
1.7 PRINCÍPIO DA LESIVIDADE (OU OFENSIVIDADE) 13
1.8 PRINCÍPIO DA EXTERIORIZAÇÃO OU MATERIALIZAÇÃO DO FATO 14
1.9 PRINCÍPIO DA CULPABILIDADE 14
1.10 PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE (INTRANSCENDÊNCIA) DA PENA 15
1.11 PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA 16
1.12 PRINCÍPIO DA HUMANIDADE (OU LIMITAÇÃO) DA PENA 17
1.13 PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE 18
1.14 PRINCÍPIO DO NE BIS IN IDEM 18
Informática – Hardware 21
Língua Portuguesa – Morfologia 25
MORFOLOGIA – CLASSIFICAÇÃO E FLEXÃO DAS PALAVRAS 26
1.1 SUBSTANTIVOS 26
1.1.1 CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS 26
1.1.2 FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS 27
1.2 ARTIGOS 32
1.3 ADJETIVOS 32
1.4 PRONOMES 35
1.4.1 PRONOMES PESSOAIS 36
1.4.2 PRONOMES POSSESSIVOS 39
1.4.3 PRONOMES DEMONSTRATIVOS 39
1.4.4 PRONOMES INDEFINIDOS 41
1.4.5 PRONOMES INTERROGATIVOS 41
1.4.6 PRONOMES RELATIVOS 42
1.5 NUMERAIS 43
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1.6 VERBOS 44
1.6.1 TEMPOS E MODOS VERBAIS 45
1.6.2 TEMPOS COMPOSTOS 52
1.7 VOZES VERBAIS 54
1.8 ADVÉRBIOS 56
1.9 PREPOSIÇÕES 58
1.10 CONJUNÇÕES 58
1.11 INTERJEIÇÕES 60
Direito Processual Penal - Direitos e garantias processuais penais 61
1. CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL 62
2. PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL 63
2.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE 63
2.1.1 O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE NO ÂMBITO PENAL E PROCESSUAL PENAL 64
2.2 PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE 66
2.2.1 O PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE NO ÂMBITO PENAL E PROCESSUAL PENAL 66
2.3 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO PROCESSO PENAL 68
2.3.1 PRINCÍPIO DA JURISDICIONALIDADE OU DA GARANTIA DE JURISDIÇÃO 68
2.3.2 GARANTIA DO SISTEMA ACUSATÓRIO 69
2.3.3 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA 69
2.3.4 PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA 71
2.3.5 O DIREITO AO SILÊNCIO E O NEMO TENETUR SE DETEGERE 71
2.3.6 PRINCÍPIOS DA PUBLICIDADE E MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS 76
2.3.7 PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO 78
2.3.8 PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA 79
2.3.9 PRINCÍPIO DA DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO 80
Direito Administrativo - Regime jurídico administrativo e organização administrativa 82
1. DIREITO ADMINISTRATIVO 83
1.1. CONCEITO 83
1.2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA 83
1.3. FONTES, MÉTODOS E CRITÉRIOS INTERPRETATIVOS 84
1.4. RELAÇÃO COM OUTROS RAMOS DO DIREITO 85
2. PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO 87
2.1. PRINCÍPIOS EXPRESSOS NA CF/88 87
2.2. PRINCÍPIOS RECONHECIDOS (OU IMPLÍCITOS) 91
3. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 96
3.1. SENTIDO AMPLO E SENTIDO ESTRITO 96
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3.2. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA 96
3.2.1. CLASSIFICAÇÃO DOS ÓRGÃOS PÚBLICOS 97
3.3. DESCONCENTRAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO ADMINISTRATIVA 98
3.4. ENTIDADES INTEGRANTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DESCENTRALIZADA (INDIRETA)
99
3.4.1. CARACTERÍSTICAS EM COMUM 100
3.4.2. AUTARQUIAS 101
3.4.3. FUNDAÇÕES PÚBLICAS 104
3.4.4. EMPRESAS PÚBLICAS 106
3.4.5. SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA 108
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1. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO PENAL
Escrever sobre os princípios básicos do direito penal para concursos é tarefa
mais complicada do que parece, pois a doutrina jurídica nem sempre concorda com o
número de princípios existentes ou sobre a abrangência e limites de cada um deles.
Cézar Roberto Bitencourt propõe nove princípios penais. Juarez Cirino dos Santos,
apenas seis. Nilo Batista, cinco. Luiz Regis Prado apresenta doze. Paulo César Busato
prefere estabelecer 3 princípios fundamentais dos quais todos os outros são derivados
(legalidade, intervenção mínima e culpabilidade), enquanto Rogério Sanches Cunha
prefere relatar dezoito, dividindo-os quanto à missão do direito penal, ao fato, ao
agente e à pena.
Nesta apostila, apresentaremos o maior número de princípios possível, com a
finalidade de treinar o leitor para provas objetivas, mas teremos o cuidado de apontar
algumas divergências quanto ao conteúdo e derivação dos postulados.
Conceitualmente falando, princípios são normas com alto grau de abstração,
verdadeiras diretrizes, provenientes de valores ético-culturais, que concedem
estrutura, limites e direção ao ordenamento jurídico. Possuem base constitucional e
força normativa. Por isso, são condições de validade das normas penais
infraconstitucionais.
Os princípios de direito são normas estruturantes do sistema jurídico. Possuem,
ao contrário das regras, um alto grau de abstração, não sendo destinados a situações
específicas, mas sim à composição das próprias estruturas do sistema jurídico. 
O princípio da legalidade não determinou a criação do delito de homicídio, mas
a previsão deste existe, assim como todas as outras, sob a forma de um tipo penal para
satisfazer os ditames deste princípio. 
Por fim, quando regras estão em conflito, uma delas deve prevalecer, com a
exclusão da outra. Quando princípios se contrapõem, uma ponderação de valores pode
determinar o quanto deles será aplicado para resolução da situação concreta.
1.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
O princípio foi um dos primeiros grandes marcos da fase humanitária do direito
penal e pode ser resumido pelo que está no inciso XXXIX do art.simples.
atitude de rei (=régia), dama da noite (=noturna), rodas de liga leve, torneira de
água quente etc.
1.4 PRONOMES
Pronomes são palavras que acompanham ou substituem os nomes. Se os
acompanharem, serão chamados pronomes adjetivos; se os substituírem, pronomes
substantivos.
Alguns alunos chegaram (pronome adjetivo indefinido).
Alguns chegaram. (pronome substantivo indefinido).
Os pronomes podem ser pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos,
interrogativos e relativos.
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1.4.1 PRONOMES PESSOAIS
Designam as pessoas do discurso.
Pessoa do
discurso
Pronomes
retos
Pronomes
oblíquos átonos
(sem preposição)
Pronomes
oblíquos tônicos
(com preposição)
SINGULAR
1ª EU Me Mim, comigo
2ª TU Te Ti, contigo
3ª ELE/ELA O, a, se, lhe Si, consigo, ele/ela
PLURAL
1ª NÓS Nos Nós, conosco
2ª VÓS Vos Vós, convosco
3ª ELES/ELAS Os, as, se, lhes Si, consigo,
eles/elas
Os pronomes pessoais retos desempenham função subjetiva (sujeito verbal). Os
pronomes pessoais oblíquos, por sua vez, exercem função de complemento de outros
termos (verbos ou nomes).
Os pronomes eu e tu são exclusivamente retos, ou seja, não podem exercer função
de complemento.
Os pronomes ele/ela, nós, vós, eles/elas podem ser retos ou oblíquos, dependendo
da função. Neste caso (quando forem oblíquos), serão precedidos de preposição.
Regras relativas ao uso dos pronomes pessoais
1. Os pronomes oblíquos ME, TE, SE, NOS e VOS, quando complementam verbos, podem
funcionar como OBJETO DIRETO ou OBJETO INDIRETO.
Enviaram-te flores. (objeto indireto)
Olharam-te com desconfiança. (objeto direto).
Pague-me, por favor. (objeto indireto)
Leve-me até a saída? (objeto direto)
2. Os pronomes oblíquos LHE e LHES, quando complementam verbos, somente funcionam
com OBJETO INDIRETO.
Se ele se desculpar, perdoar-lhe-emos todas as ofensas.
Disseram-lhe que tudo terminaria bem.
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3. Os pronomes oblíquos O, A, OS, AS, quando complementam verbos, somente funcionam
como OBJETO DIRETO.
O gerente a informou de todas as taxas devidas. 
Já que não os encontrei, fui sozinho ao cinema. 
Atenção:
● após verbos terminados em R, S ou Z, esses pronomes se transformam em LO, LA,
LOS, LAS (cortam-se o R, o S e o Z do final do verbo):
● Não quero incomodá-los. (incomodar + os).
● Em relação à aquela prova, fi-la com muita tranquilidade. (fiz + a).
● após verbos que terminam em som nasal, esses pronomes se transformam em NO,
NA, NOS, NAS:
● A matéria da prova é o capítulo três. Estudem-no com cuidado.
● A inscrição deve ser feita na página da FCC. Acessem-na logo.
4. Os pronomes oblíquos O, A, OS, AS, ME, TE, SE, NOS e VOS podem funcionar como
SUJEITO DO INFINITIVO. Isso ocorre em construções com os verbos:
● causativos: mandar, deixar, fazer + infinitivo
● Deixe-me ver, por favor. (= Deixe que eu veja).
● sensitivos: ver, ouvir, sentir + infinitivo
● Eu a vi chegar há dez minutos. (= Eu vi que ela chegava há dez minutos)
5. Os pronomes oblíquos ME, TE, SE, NOS, VOS, LHE e LHES podem funcionar como adjunto
adnominal. Isso ocorre quando eles transmitem ideia de posse:
Tocou-lhe a mão. (tocou a mão dele/dela).
Roubaram-me a carteira (roubaram minha carteira).
6. Os pronomes oblíquos ME, TE, SE, NOS, VOS, LHE e LHES podem funcionar como
complemento nominal. Isso ocorre quando eles complementam o sentido de adjetivos,
advérbios ou substantivos abstratos:
Tinha-lhe muito medo. (medo de algo/alguém).
Era-me impossível esquecê-la. (impossível a alguém).
7. Os pronomes SI e CONSIGO são sempre reflexivos, ou seja, sempre se referem ao sujeito
da oração em que se encontram.
Aquelas meninas trazem consigo as memórias de uma infância difícil.
Passou a tarde inteira falando de si.
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8. A preposição COM e os pronomes oblíquos tônicos MIM, TI, SI, NÓS e VÓS, originando
comigo, contigo, consigo, conosco e convosco.
Encontrar-me-ei contigo amanhã.
Venha à festa conosco!
Posso assistir ao filme convosco?
Atenção: devem-se usar as formas com nós e com vós quando o pronome pessoal
é reforçado por um numeral, por palavras do tipo mesmos, próprios, todos etc. ou
outras que, de certa forma, determinem esses pronomes pessoais: 
● Ele se encontrará com nós alunos em sua sala.
● Viajarei com vós três.
9. Os pronomes EU e TU são exclusivamente retos. Por isso, não podem ser utilizados
regidos de preposição. Use EU e TU quando os pronomes forem sujeitos de uma ação;
substitua-os por MIM e TI, respectivamente, quando não forem.
Nunca houve nada entre mim e ti.
Trouxe um livro para mim.
Trouxe um livro para eu ler. (o pronome eu é sujeito de ler).
Para mim, estudar matemática é muito difícil. (para mim complementa o adjetivo
difícil).
Pronomes pessoais de tratamento
São utilizados nas relações entre as pessoas e devem ser selecionados de acordo com
o grau de formalidade da situação comunicativa.
Você (v.): tratamento informal
Senhor (Sr.)/Senhora (Sra.): tratamento respeitoso
Senhorita (Srta.): mulheres solteiras
Vossa Senhoria (V.Sa.): pessoas de cerimônia, funcionários graduados
Vossa Excelência (V. Exa.): altas autoridades
Vossa Reverendíssima (V. Revma.): sacerdotes
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Vossa Santidade (V.S.): Papa
Vossa Majestade (V.M.): reis e rainhas
Vossa Alteza (V.A.): príncipes, princesas e duques
Observe que as formas com "Vossa" devem usadas quando se fala diretamente com a pessoa
(2ª pessoa). Quando se fala a respeito de alguém (3ª) pessoa, deve-se usar "Sua".
Vossa Alteza está bem? (pergunta feita diretamente ao príncipe/à princesa.)
Sua Alteza está bem? (pergunta feita a uma terceira pessoa).
Sempre que se utilizarem pronomes pessoais de tratamento, ainda que escritos com
VOSSA, os verbos e os demais pronomes que a ele se referem devem concordar na 3ª pessoa
do singular ou do plural, conforme o caso.
Vossa Excelência pode ficar tranquilo. Seus documentos já foram enviados, conforme
suas ordens anteriores.
1.4.2 PRONOMES POSSESSIVOS
Indicam uma relação de posse, concordando em pessoa como possuidor e em
gênero e número com a coisa possuída.
Pessoa do
discurso
Pronome possessivo Pessoa do
discurso
Pronomes possessivos
EU Meu, minha, meus,
minhas
NÓS Nosso, nossa, nossos,
nossas
TU Teu, tua, teus, tuas VÓS Vosso, vossa, vossos,
vossas
ELE/ELA Seu, sua, seus, suas ELES/ELAS Seu, sua, seus, suas.
1.4.3 PRONOMES DEMONSTRATIVOS
Situam os seres sobre os quais se fala no espaço, no tempo, no texto e na
enumeração.
Os principais pronomes demonstrativos são: este(s), esta(s); esse(s), essa(s); isto, isso;
aquele(s), aquela(s), aquilo.
Pronome Espaço Tempo Texto Enumeração
ESTE(S)
ESTA(S)
Refere-se
ao que está
próximo de
Refere-se ao
tempo
presente:
Refere-se ao que
será dito: meu
maior desejo é
Retoma o último
elemento da
sequência: estou
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ISTO quem fala:
veja esta
blusa que
estou
usando!
este será o
melhor ano
da minha
vida! (o ano
corrente)
este: sem
aprovado em
primeiro lugar no
concurso.
em dúvida entre
comprar um carro,
uma bicicleta ou
uma moto. Esta,
sem dúvida, é a
mais ágil. (moto)
ESSE(S)
ESSA(S)
ISSO
Refere-se o
que está
próximo da
2a pessoa
do discurso:
onde você
comprou
esse relógio
que está
usando?
Refere-se ao
passado
próximo:
minhas férias
acabaram
ontem.
Nunca vou
me esquecer
desses dias
que passei na
Europa!
Refere-se a algo
que já foi dito:
ser aprovado em
primeiro lugar no
concurso: esse é
o meu maior
desejo.
Retoma o
elemento
intermediário,
quando houver.
estou em dúvida
entre comprar um
carro, uma
bicicleta ou uma
moto. Essa é, sem
dúvida, a mais
ecológica.
(bicicleta)
AQUELE(S)
AQUELA(S)
AQUILO
Refere-se
ao que está
distante:
como é
bonita
aquela casa
do outro
lado da rua.
Refere-se ao
passado
remoto:
naquela
época,
quando meus
pais ainda
eram
crianças, as
cidades eram
menos
violentas.
Veja NA
ENUMERAÇÃO
Retoma o primeiro
elemento da
enumeração: estou
em dúvida entre
comprar um carro,
uma bicicleta ou
uma moto. Aquele,
sem dúvida, é o
mais confortável.
(carro)
Também podem ser pronomes demonstrativos:
1. O, A, OS, AS
● Eu não entendi o que o professor explicou. (= aquilo que)
● Ela faleceu ano passado. Não o sabia? (= isso)
2. Mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s): quando equivalerem-se uns aos outros.
Eu mesmo fiz o jantar. (= eu próprio fiz o jantar).
3. Tal, tais, semelhante(s):
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● Tais atitudes são condenáveis.
● É indelicado fazer semelhante comentário!
1.4.4 PRONOMES INDEFINIDOS
Referem-se de modo vago à 3ª pessoa do discurso.
Pronomes indefinidos invariáveis: alguém, algo, cada, nada, ninguém, tudo.
Pronomes indefinidos variáveis: algum(ns), alguma(s), batante(s), certo(s), certa(s),
muito(s), muita(s), nenhum(ns), nenhuma(s), outro(s), outra(s), qualquer, quaisquer, tanto(s),
tanta(s), todo(s), toda(s).
Locuções pronominais indefinidas: cada qual, cada um, qualquer um, quem quer
que, um ou outro etc.
Algumas observações acerca dos pronomes indefinidos
1. Algum (e variações): se anteposto ao substantivo, tem sentido afirmativo; se posposto ao
substantivo, tem sentido negativo.
● Algum aluno ficou satisfeito com a nota. (afirmativo)
● Aluno algum ficou satisfeito com a nota. (negativo)
2. Bastante: 
● Será pronome indefinido quando vier antes do substantivo e expressar quantidade
inexata. É variável: o concurso que quero fazer cobra bastantes matérias.
● Será adjetivo quando vier depois do substantivo e significar "suficiente(s)". Será
variável: já temos problemas bastantes.
● Será advérbio quando modificar um verbo, um adjetivo ou um advérbio. Será
invariável e equivalerá a "suficientemente": tenho alguns amigos bastante
inteligentes. 
3. Certo (e variações): se anteposto ao substantivo, é pronome indefinido (= algum); se
posposto ao substantivo, é adjetivo.
● Não dá para acreditar em certas pessoas. (= algumas - pronome).
● É bom poder contar com amigos certo. (= confiáveis - adjetivo)
4. Todo (e variações): se seguido de artigo, significa totalidade, por inteiro; se não seguido de
artigo, significa qualquer.
● Toda a sociedade tem que cuidar das crianças. (= a sociedade inteira).
● Toda sociedade tem que cuidar das crianças. (= qualquer sociedade).
1.4.5 PRONOMES INTERROGATIVOS
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São os pronomes que, quem, quanto, quanta, quantos, quantas e qual utilizados em
frases interrogativas.
● Quantos alunos estão matriculados no curso?
● Qual será o vencedor do Oscar este ano?
● Quantos cães você tem?
1.4.6 PRONOMES RELATIVOS
Pronomes relativos retomam substantivos ou pronomes substantivos já mencionados
anteriormente, introduzindo uma oração subordinada adjetiva. São os seguintes:
Variáveis Invariáveis
O qual, os quais, a qual, as quais que
Cujo, cujos, cuja, cujas quem
Quanto, quantos onde
Uso dos pronomes relativos
1. Os pronomes relativos QUE e O QUAL (e variações) podem retomar coisas ou pessoas:
● Os problemas que o Brasil enfrenta têm diferentes origens. (que = problemas)
● Não confio em político que muda sempre de partido. (que = político)
● Telefone logo aos amigos com os quais você viajará. (os quais = amigos).
2. O pronome relativo QUEM somente pode retomar pessoas: as pessoas em quem confio
são poucas. (quem = pessoas)
3. O pronome relativo CUJO (e variações) somente pode ser utilizado quando houver ideia
de posse. Ele retoma o termo antecedente e concorda com o consequente:
● Aquele é o homem cujas filhas foram sequestradas. (cujas retoma homem e concorda
com filhas).
Dica: para saber se o uso de cujo está correto, pergunte "de quem?" ao termo consequente.
Se a resposta for o termo antecedente, o uso será adequado;
● Filhas de quem? Do homem.
4. QUANTO (e variações) são pronomes relativos quando precedidos de tudo, tanto(s),
tanta(s), todos e todas (pronomes indefinidos): ele sempre compra tudo quanto quer.
5. O pronome relativo ONDE somente pode ser usado para retomar lugar. Pode ser
substituído por EM QUE ou NO QUAL (e variações):
● A cidade onde nasci fica a 300 quilômetros da capital. (onde retoma cidade).
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● A cidade em que/na qual nasci fica a 300 quilômetros da capital. (essas opções
também são corretas).
Dica: EM QUE e NO QUAL (e variações) podem ser usados para retomar lugares ou outros
tipos de referente e podem sempre substituir o pronome ONDE. O contrário, todavia, não é
verdadeiro, já que este só pode ser usado para retomar lugar.
● Chegamos a um pequeno vilarejo onde moravam poucas pessoas. (certo)
● Chegamos a um pequeno vilarejo em que moravam poucas pessoas. (certo).
● A situação onde me encontro é complexa. (errado: situação não é lugar).
● A situação na qual me encontro é complexa. (certo).
ONDE AONDE
Use com verbos que exigem a preposição EM
(ideia de posição estática)
Use com verbos que exigem a 
preposição A (ideia de
movimento - destino)
O lugar onde moro é atendido por poucas
linhas de ônibus. 
O país aonde irei tem uma das 
melhores qualidades de vida
do mundo.
6. Atenção para a sequência de pronome demonstrativo O + pronome relativo QUE:
Não sei o que fazer nesta situação. (= não sei aquilo que fazer nesta situação).
Atenção: quando o termo que vier após o pronome relativo, na oração adjetiva, exigir
o uso de preposição, ela deverá ser utilizada antes do pronome relativo. Exemplos:
● O livro que eu li é um best-seller.
● o verbo ler não exige preposição. Logo, não há preposição antes de que.
● O filme de que mais gosto passará na TV esta noite.
● O verbo gostar exige a preposição de. Logo, tal preposição deve aparecer
antes do pronome relativo (gosto do filme).
● O cientista a cuja obra me referi é professor em Harvard.
● O verbo referir-se exige a preposição a. Assim, a preposição a aparece antes
do pronome relativo cuja. 
1.5 NUMERAIS
Os numerais são palavras que quantificam ou ordenam os substantivos. Podem ser
classificados em:
Cardinais: um, dois, cinco, dez, quinze, dezesseis, cem...
Ordinais: primeiro, segundo, quinto, décimo, décimo quinto, décimo sexto, centésimo...
Multiplicativos: dobro/duplo, triplo, quíntuplo, décuplo...
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Fracionários: meio, terço, quinto, décimo, quinze avos, dezesseis avos, centésimo...
Atenção: as palavras ambos e zero são consideradas numerais. Último, penúltimo e
antepenúltimo são adjetivos.
1.6 VERBOS
Os verbos são palavras que indicam ação, processo, fenômeno da natureza ou estado.
São as seguintes as flexões dos verbos: pessoa, número, tempo, modo e voz.
Os verbos podem ser de três conjugações, dependendo de sua terminação:
● 1ª conjugação: -AR (cantar, furar, jogar)
● 2ª conjugação: -ER (bater, prometer, reter)
● 3ª conjugação: -IR (sorrir, partir, demitir)
Atenção: o verbo PÔR e seus derivados incluem-se na segunda conjugação
verbal. Isso ocorre porque esses verbos derivam da forma latina POER.
Podemos classificar os verbos em:
1. Verbos regulares: seguem um padrão de conjugação, sem que se alterem seu radical ou
suas terminações.
2. Verbos irregulares: sofrem variações no radical ou nas terminações quando são
conjugados, afastando-se do padrão de conjugação.
3. Verbos defectivos: verbos que não têm a conjugação completa.
São exemplos de verbos defectivos: abolir, adequar, colorir, demolir, explodir, falir etc.
O verbo adequar, por exemplo, não tem a 1ª pessoa do singular (eu "adéquo") e,
consequentemente, os tempos que dela derivam). O verbo falir, por sua vez, no presente do
indicativo, tem somente as pessoas nós e vós (falimos e falis). 
4. Verbos abundantes: apresentam mais de uma forma de alguma de suas flexões. Na
maioria das vezes, o verbo abundante apresenta variação no particípio. Exemplos:
Verbo Particípio regular (ADO/-IDO) Particípio irregular
Aceitar Aceitado Aceito
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Anexar Anexado Anexo
Dispersar Dispersado Disperso 
Eleger Elegido Eleito
Expulsar Expulsado Expulso
Imprimir Imprimido Impresso
Matar Matado Morto
● Deve-se usar o particípio regular nas construções de voz ativa (verbos auxiliares:
TER/HAVER): Quando fui conferir, ele já havia imprimido o documento.
● Deve-se usar o particípio irregular nas construções de voz passiva (verbos
auxiliares: SER/ESTAR): Quando fui conferir, o documento já estava impresso.
1.6.1 TEMPOS E MODOS VERBAIS
Existem três modos verbais:
● Modo indicativo: exprime uma declaração, um fato certo.
● Modo subjuntivo: exprime uma hipótese, uma dúvida, uma possibilidade.
● Modo imperativo: exprime um pedido, uma ordem, uma sugestão.
Existem, também, três formas nominais do verbo:
● Infinitivo (AR/ER (OR)/IR): andar, varrer, sumir.
● Gerúndio (NDO): andando, varrendo, sumindo.
● Particípios (ADO/IDO): andado, varrido, sumido.
Na conjugação verbal, todos os tempos derivam do presente do indicativo, do
pretérito perfeito do indicativo e do infinitivo. 
Regras de conjugação verbal
Para aprender as regras de conjugação verbal, usaremos os seguintes verbos
regulares: cantar, bater e partir.
1. Tempos derivados do presente do indicativo
Derivam do presente do indicativo: presente do subjuntivo, imperativo afirmativo e
imperativo negativo.
As desinências verbais do presente do indicativo são as seguintes:
1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações
Desinência modo-temporal NÃO TEM NÃO TEM
Singular Plural
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª
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Desinências número-pessoais O S - MOS IS M
Presente do indicativo
CANTAR BATER PARTIR
Eu canto Eu bato Eu parto
Tu cantas Tu bates Tu partes
Ele canta Ele bate Ele parte
Nós cantamos Nós batemos Nós partimos
Vós cantais Vós bateis Vós partis
Eles cantam Eles batem Eles partem
a. Formação do presente do subjuntivo.
Deriva da 1ª pessoa do singular do presente do indicativo com a supressão da desinência
número pessoal. Veja:
Passo 01: 1ª pessoa - "o" (cant-, bat-, part-), para formar a base.
Passo 02:
● Verbos de 1ª conjugação: base + E
● Verbos de 2ª e 3ª conjugação: base + A
Passo 03: acrescentar as desinências modo-temporais do presente do subjuntivo.
As desinências do presente do subjuntivo são as seguintes:
1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações
Desinência modo-temporal E A
Singular Plural
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª
Desinências número-pessoais - S - MOS IS M
Conjugação:
Cantar Bater Partir
QUE
Eu cante Eu bata Eu parta
Tu cantes Tu batas Tu partas
Ele cante Ele bata Ele parta
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Nós cantemos Nós batamos Nós partamos
Vós canteis Vós batais Vós partais
Eles cantam Eles batam Eles partam 
b. Formação do imperativo negativo: o imperativo negativo é idêntico do presente do
subjuntivo precedido da palavra não. Percebe-se que ele deriva indiretamente do presente
do indicativo. O imperativo não apresenta a 1ª pessoa do singular e, ao conjugá-lo, a 3ª
pessoa do singular e a do plural (ele/eles) devem ser convertidas em você e vocês.
Cantar Bater partir
- - -
Não cantes tu Não batas tu Não partas tu
Não cante você Não bata você Não parta você
Não cantemos nós Não batamos nós Não partamos nós
Não canteis vós Não batais vós Não partais vós
Não cantem vocês Não batam vocês Não partam vocês
b. Formação do imperativo afirmativo: 2ª pessoa do singular e 2ª pessoa do plural derivam
diretamente do presente do indicativo, devendo der excluída a letra S; as demais pessoas são
idênticas ao presente do subjuntivo. 
Presente do indicativo Imperativo afirmativo Presente do subjuntivo
Eu canto - Que eu cante
Tu cantas Canta tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais Cantai vós Que vós canteis
Eles cantam Catem vocês Que eles cantem
Bater: bate tu, bata você, batamos nós, batei vós, batam vocês.
Partir: parte tu, parta você, partamos nós, parti vós, partam vocês.
Atenção para o verbo ser: sê tu (não use seja), seja você, sejamos nós, sede vós (não use
sejais), sejam vocês.
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2. Tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo
Derivam do pretérito perfeito do indicativo: pretérito mais-que-perfeito do indicativo,
futuro do subjuntivo e pretérito imperfeito do subjuntivo.
As desinências verbais do pretérito perfeito do indicativo são:
1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações
Desinência modo-temporal NÃO TEM NÃO TEM
Singular Plural
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª
Desinências número-pessoais I STE - MOS STES RAM
Conjugação:
Cantar Bater Partir
Eu cantei Eu bati Eu parti
Tu cantaste Tu bateste Tu partiste
Ele cantou Ele bateu Ele partiu
Nós cantamos Nós batemos Nós partimos
Vós cantastes Vós batestes Vós partis
Eles cantaram Eles bateram Eles partiram 
ATENÇÃO: a base utilizada para formar os tempos derivados do pretérito perfeito
do indicativo é a 3ª pessoa do plural (eles) menos a terminação RAM (canta-,
bate-, parti-).
a. Formação do pretérito mais-que-perfeito do indicativo:
Passo 01: obtenha a base (3ª plural -RAM).
Passo 02: acrescente a desinência RA (RE para a 2ª do plural - vós).
As desinências do pretérito mais-que-perfeito são as seguintes:
1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações
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Desinência
modo-temporal
RA/RE com pronúncia
átona
RA/RE com pronúncia
átona
Singular Plural
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª
Desinências número-pess - S - MOS IS M
Conjugação:
Cantar Bater Partir 
Eu cantara Eu batera Eu partira
Tu cantaras Tu bateras Tu partiras
Ele cantara Ele batera Ele partira
Nós cantáramos Nós batêramos Nós partíramos
Vós cantáreis Vós batêreis Vós partíreis
Eles cantaram Eles bateram Eles partiram
b. Formação do futuro do subjuntivo: acrescenta-se a desinência modo-temporal R à base.
Desinências do futuro do subjuntivo:
1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações
Desinência modo-temporal R R
Singular Plural
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª
Desinências número-pessoais - ES - MOS DES EM
Conjugação:
Cantar Bater Partir
QUANDO
Eu cantar Eu bater Eu partir
Tu cantares Tu bateres Tu partires
Ele cantar Ele bater Ele partir
Nós cantarmos Nós batermos Nós partirmos
Vós cantardes Vós baterdes Vós partirdes
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Eles cantarem Eles baterem Eles partirem
c. Formação do pretérito imperfeito do subjuntivo: acrescenta-se a desinência
modo-temporal SSE à base.
Desinências do pretérito imperfeito do subjuntivo:
1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações
Desinência modo-temporal SSE SSE
Singular Plural
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª
Desinências número-pessoais - S - MOS IS M
Conjugação:
Cantar Bater Partir
SE
Eu cantasse Eu batesse Eu partisse
Tu cantasses Tu batesses Tu partisses
Ele cantasse Ele batesse Ele partisse
Nós cantássemos Nós batêssemos Nós partíssemos
Vós cantásseis Vós batêsseis Vós partísseis
Eles cantassem Eles batessem Eles partissem
3. Tempos derivados do infinitivo
Derivam do infinitivo o futuro do presente do indicativo, o futuro do pretérito do
indicativo e o pretérito imperfeito do indicativo.
a. Formação do futuro do presente do indicativo: acrescentam-se ao infinitivo as
desinências ei, ás, á, emos, eis, ão.
Conjugação
Cantar Bater Partir
Eu cantarei Eu baterei Eu partirei
Tu cantarás Tu baterás Tu partirás
Ele cantará Ele baterá Ele partirá
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Nós cantaremos Nós bateremos Nós partiremos
Vós cantareis Vós batereis Vós partireis
Eles cantarão Eles baterão Eles partirão
b. Formação do futuro do pretérito do indicativo: acrescentam-se ao infinitivo as
terminações ia, ias, ia, íamos, íeis, iam.
Conjugação
Cantar Bater Partir
Eu cantaria Eu bateria Eu partiria
Tu cantarias Tu baterias Tu partirias
Ele cantaria Ele bateria Ele partiria
Nós cantaríamos Nós bateríamos Nós partiríamos
Vós cantaríeis Vós bateríeis Vós partiríeis
Eles cantariam Eles bateriam Eles partiriam
d. Formação do pretérito imperfeito do indicativo: deve-se obter a base da conjugação
desse tempo retirando-se o R do infinitivo e acrescentando-se as desinências conforme
quadro abaixo:
1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações
Desinência modo-temporal VA/VE (vós) IA/IE (vós)
Singular Plural
1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª
Desinências número-pessoais - S - MOS IS M
Conjugação:
Cantar Bater Partir
Eu cantava Eu batia Eu partia
Tu cantavas Tu batias Tu partias
Ele cantava Ele batia Ele partia
Nós cantávamos Nós batíamos Nós partíamos
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Vós cantáveis Vós batíeis Vós partíeis
Eles cantavam Eles batiam Eles partiam 
ATENÇÃO: nos verbos pôr, ter, vir e derivados, utilize NHA/NHE (vós): eu punha,
tu punhas, ele punha, nós púnhamos, vós púnheis, eles punham.
INFINITIVO PESSOAL
Cantar: eu cantar, tu cantares, ele cantar, nós cantarmos, vós cantardes, eles
cantarem.
Bater: eu bater, tu bateres, ele bater, nós batermos, vós baterdes, eles baterem.
Partir: eu partir, tu partires, ele partir, nós partirmos, vós partirdes, eles partirem.
1.6.2 TEMPOS COMPOSTOS
Formam-se os tempos compostos com um verbo auxiliar (TER/HAVER) + verbo
principal no particípio. 
Os tempos compostos são os seguintes
Tempos compostos do indicativo
Pretérito perfeito composto Presente do indicativo +
particípio
Tenho cantado
Tens cantado
Tem cantado
Temos cantado
Tendes cantado
Têm cantado
Pretérito mais-que-perfeito
composto
Pretérito imperfeito do indicativo
+ particípio
Tinha cantado
Tinhas cantado
Tinha cantado
Tínhamos cantad
Tínheis cantado
Tinham cantado
Futuro do presente Futuro do presente + particípio Terei cantado
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composto Terás cantado
Teremos cantado
Terão cantado
Tereis cantado
Terão cantado
Futuro do pretérito
composto
Futuro do pretérito do indicativo
+ particípio
Teria cantado
Terias cantado
Teria cantado
Teríamos cantado
Teríeis cantado
Teríamos cantado
Tempos compostos do subjuntivo
Pretérito perfeito composto Presente do subjuntivo +
particípio
Tenha cantado
Tenhas cantado
Tenha cantado
Tenhamos cantado
Tenhais cantado
Tenham cantado 
Pretérito-mais-que-perfeito
composto 
Imperfeito do subjuntivo +
particípio
Tivesse cantado
Tivesses cantado
Tivesse cantado
Tivéssemos cantad
Tivésseis cantado
Tivessem cantado
Futuro do presente composto Futuro do subjuntivo +
particípio
Tiver cantado
Tiveres cantado
Tiver cantado
Tivermos cantado
Tiverdes cantado
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Tiverem cantado 
Lembre-se de que os paradigmas acima são respeitados somente por verbos
regulares. Os verbos irregulares trazem variações em sua conjugação, seja no radical, seja nas
desinências. Isso pode ser percebido em verbos como medir, fazer, caber, por exemplo. (eu
meço; eles fizeram; eu caibo, ele coube).
Existem também os verbos chamados anômalos. Trata-se daqueles que têm mais de
um radical em sua conjugação. são os verbos ser e ir.
No presente do indicativo já é possível perceber a anomalia do verbo ser: eu sou, tu
és, ele é, nós somos, vós sois, eles são. 
O pretérito perfeito do indicativo ainda tem um radical diferente: eu fui, tu foste, ele
foi, nós fomos, vós fostes, eles foram.
1.7 VOZES VERBAIS
As vozes verbais são: ativa, passiva e reflexiva.
1. Voz ativa: verbo tem sujeito agente (que pratica a ação expressa pelo verbo):
O candidato estudou apenas metade do conteúdo.
A maioria das pessoas compra coisas inúteis.
2. Voz passiva: verbo tem sujeito paciente (que sofre a ação expressa pelo verbo):
Apenas metade do conteúdo foi estudada pelo candidato.
Coisas inúteis são compradas pela maioria das pessoas.
Existem dois tipos de voz passiva: analítica e sintética. 
● Voz passiva analítica: verbo auxiliar (quase sempre SER/ESTAR) + particípio
(concordando em gênero e número com o sujeito paciente).
● Todos os anos, o café era colhido por aqueles quinze homens
● O desenvolvimento do Brasil é ameaçado por problemas antigos.
● No dia dos namorados, a praça será decorada.
Nos dois primeiros exemplos, o termo sublinhado é o agente da passiva, que
representa quem pratica a ação expressa pelo verbo na voz passiva. Trata-se de um termo
não obrigatório. Logo, como se pode notar pelo terceiro exemplo, nem sempre haverá
agente da passiva.
● Voz passiva sintética: verbo + SE (na função de partícula apassivadora).
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● Fizeram-se alterações importantes no cronograma.
● Inaugurar-se-á um novo shopping na capital.
Transposição da voz ativa para a voz passiva analítica
Para fazer a adequada transposição da voz ativa para a passiva analítica, devem-se
seguir os seguintes passos:
1. Converter o OBJETO DIRETO da oração na voz ativa em SUJEITO da oração na voz
ativa;
2. Converter o SUJEITO da voz ativa (se houver) em AGENTE DA PASSIVA;
3. Passar o verbo da voz ativa para o PARTICÍPIO (lembre-se de fazer os ajustes de
concordância, caso seja necessário);
4. Flexionar o verbo auxiliar (SER/ESTAR) no mesmo tempo e no mesmo em que estiver
flexionado o verbo da voz ativa (oração original), concordando com o novo sujeito;
5. Outros termos, como adjunto adverbial e objeto indireto, não sofrem alteração.
Exemplos:
Voz ativa: Amanhã ela comprará tudo.
Sujeito: ela; objeto direto: tudo; tempo verbal de comprará: futuro do presente; modo
verbal: indicativo; adjunto adverbial: amanhã (não sofre alteração).
Voz passiva: Amanhã tudo será comprado por ela.
Note que tudo se tornou sujeito paciente da oração; por ela é agente da passiva; o
verbo será, auxiliar, está conjugado no futuro do presente do indicativo, como o verbo
comprará; comprado está no particípio, no masculino e no singular para concordar com o
novo sujeito, tudo.
Voz ativa: A chuva causou prejuízos.
Sujeito: a chuva; tempo e modo verbais: pretérito perfeito do indicativo; objeto
direto: prejuízos.
Voz passiva: Prejuízos foram causados pela chuva.
Prejuízos passou a ser sujeito paciente; pela chuva tornou-se agente da passiva; o
verbo auxiliar (foram) está conjugado no pretérito perfeito do indicativo, como o verbo
causou, mas está na 3ª pessoa do plural para concordar com seu novo sujeito (prejuízos); o
verbo principal, causados, também está na 3ª do plural e no masculino para concordar com
prejuízos.
Transposição da voz ativa para a voz passiva sintética
Para construir a voz passiva sintética, usamos o SE na função de partícula
apassivadora (ou pronome apassivador). 
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Voz ativa: Os alunos estudaram todas as matérias.
Ao se transpor essa frase para a voz passiva sintética, não haverá agente da passiva.
Nem sempre é possível, na voz passiva sintética, determinar o agente.
Voz passiva: Estudaram-se todas as matérias.
Para se fazer a transposição da voz ativa para a voz passiva sintética, basta inserir o SE
(partícula apassivadora) na oração e fazer os ajustes de concordância, caso sejam
necessários.
Voz ativa: Vendem casa. (sujeito indeterminado - verbo na 3ª do plural)
Voz passiva: Vende-se casa. (sujeito paciente [casa] - verbo na 3ª do singular
concordando com o sujeito).
ATENÇÃO: somente verbos transitivos diretos e verbos transitivos diretos e
indiretos (VTD e VTDI) podem ser usados na voz passiva.
3. Voz reflexiva: o sujeito, simultaneamente, pratica e sofre a ação expressa pelo verbo. A
voz reflexiva é marcada pelo uso de sujeito e objeto (pronome oblíquo) de mesma pessoa e
número. 
● Eu olhei-me bem no espelho durante alguns minutos.
● Maria se cortou ao descascar a laranja.
A voz reflexiva pode, também, trazer a ideia de reciprocidade. Isso ocorre quando o
sujeito é plural e, pelo significado da frase, pode-se entender que um elemento praticou a
ação sobre o outro.
● Os manifestantes se agrediram durante o evento.
● As amigas, no momento da despedida, abraçaram-se.
1.8 ADVÉRBIOS
Advérbios são palavras invariáveis que modificam o sentido do verbo, do adjetivo e
do próprio advérbio.
Diz-se que o advérbio introduz uma circunstância à oração.
Veja um quadro com exemplos das principais circunstâncias introduzidas por
advérbios:
Afirmação Dúvida Intensidade Lugar
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Sim, certamente,
deveras,
incontestavelmente,
realmente,
efetivamente.
Talvez, quiçá,
acaso,
porventura,
provavelmente...
Muito, pouco, assaz,
bastante, mais,
menos, tão,
demasiado, meio,
todo,
completamente,
demasiadamente,
demais, quanto...
Abaixo, acima,
ali, cá, lá, além,
aquém, atrás,
fora, dentro,
perto, longe,
adiante, diante
onde, aonde,
donde,
detrás...
Negação Modo Tempo
Não, tampouco 
(com sentido de
também não).
Bem, mal, assim, depressa,
devagar, alerta, como,
calmamente, livremente,
alegremente, cuidadosamente
(advérbios em -MENTE no geral)...
Agora, já,
hoje, amanhã,
depois,
ontem,
anteontem,
sempre,
nunca, jamais,
ainda, logo,
antes, cedo,
tarde, então,
breve, ...
LOCUÇÕES ADVERBIAIS: são expressões que equivalem a advérbios e como eles se
classificam. Veja alguns exemplos:
● Foi ao cinema com a namorada. (companhia)
● Viemos de ônibus. (meio)
● Datilografou as cartas à máquina. (instrumento)
● Muitas pessoas morrem de câncer todos os anos. (causa)
● Chegaremos à noite. (tempo)
PALAVRAS DENOTATIVAS: são palavras (e, às vezes, locuções) que a Nomenclatura
Gramatical Brasileira (NGB) não classifica como advérbios e que, na verdade, não pertencem
a nenhuma das dez classes gramaticais. As principais são:
● de designação/indicação: eis.
● "Eis aqui chocolate, gato, chão..." (Adriana Calcanhotto).
● de exclusão: menos, sequer, fora, salvo, senão, sequer, exceto...
● Ninguém poderia fazer isso, exceto José.
● de inclusão: inclusive, também, ainda, até, ademais, além disso...
● Terminou nosso namoro por telefone e ainda me acusou de tê-la traído.
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● de limitação: só, apenas, somente...
● Só uma aluna chegou na hora marcada.
● de retificação: aliás, ou melhor, isto é...
● Finalmente o cachorro do vizinho se calou, ou melhor, parou de latir.
1.9 PREPOSIÇÕES
Preposições são palavras invariáveis que ligam dois termos entre si. Dividem-se entre
essenciais e acidentais.
Preposições essenciais (que são sempre preposições): a, ante, após, até, com, contra, de,
desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás.
Preposições acidentais (palavras de outras classes que podem funcionar como preposições):
como, conforme (=de acordo com), consoante, durante, mediante, segundo...
LOCUÇÕES PREPOSITIVAS: expressões que equivalem a uma preposição, como abaixo de,
acerca de, acima de, a despeito de, adiante de, a fim de, além de, antes de, a par de, apesar
de, atrás de, através de, de acordo com, debaixo de, de cima de, defronte de, dentro de,
diante de, em baixo de, em cima de, em frente a, em frente de, em torno de, em vez de,
graças a, junto de, perto de, para com, por causa de, por detrás de, por entre ...
Por mais que se classifiquem como palavras vazias de sentido, ao serem utilizadas, as
preposições estabelecem um valor semântico às ligações que realizam, como se pode ver:
● assunto: Conversaram sobre estudos.
● causa: Desmaiou de susto.
● companhia: Estou com ela.
● direção: Olho para mim.
● matéria: Barraca de lona.
● etc.
As preposições podem, ainda, combinar-se (sem perda de fonemas) ou contrair-se
(com perda de fonemas) com outras palavras:
● Falou bem dele. (de + ele)
● Vamos ao cinema. (a + o)
● Dirija-se àquele guichê, por favor. (a + aquele)
● O bolo ficará pronto num minuto! (em + um)
1.10 CONJUNÇÕES
Conjunções são palavras invariáveis que ligam orações ou palavras entre si.
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As conjunções podem ser coordenativas (ligam orações que são sintaticamente
independentes umas das outras) ou subordinativas (introduzem orações que exercem função
sintática na principal). 
Para mais informações, veja o capítulo Período composto.
CONJUNÇÕES COORDENATIVAS:
1. Aditivas - ligam orações estabelecendo ideia de adição: e, nem, mas também, mas ainda,
senão também, como também, bem como...
Chegou do trabalho e foi tomar banho.
2. Adversativas - unem orações estabelecendo ideia de oposição, contraste: mas, porém,
contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante ...
Promete que vai mudar, mas continua o mesmo.
3. Alternativas - estabelecem, entre as orações que ligam, noção de alternativa, alternância:
ou, ou...ou, ora...ora, já...já, quer...quer...
Ora faz frio, ora faz calor. 
4. Conclusiva - iniciam uma conclusão, uma decorrência lógica: logo, portanto, por
conseguinte, pois (posposto ao verbo), por isso...
Você é o dono do cão, por isso é o responsável pelos danos por ele causados.
5. Explicativas - introduzem a ideia demotivo, explicação: que, porque, porquanto, pois
(anteposto ao verbo)...
Sobe, pois quero te mostrar uma coisa.
Atenção: a conjunção "e" pode ter valor adversativo:
Fez mas malas e não viajou. (=mas).
CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS:
1. Causais - introduzem uma causa daquilo que se diz na oração principal: porqque, que, pois,
como, porquanto, visto que, visto como, ja que, uma vez que, desde que...
Engordou porque comeu muito doce.
2. Comparativas - iniciam o segundo elemento de uma comparação: como, (tal) qual, tal e
qual, assim como, (tal) como, (tão/tanto) como, mais (do) que, menos (do) que, que nem...
Corre como o vento.
3. Concessivas - introduzem orações que trazem um fato que se admite em oposição a outro:
ainda que, embora, conquanto, mesmo que, por mais que, por menos que, se bem que, em
que pese, sem que (=embora não), mesmo quando, ainda quando...
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Em que pese o respeito que temos por você, não aceitaremos suas intromissões.
4. Condicionais - iniciam orações que exprimem a condição para que o que se afirma na
oração principal se verifique: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que (=se não),
a não ser que, a menos que...
Desde que se esforce, conseguirá ser aprovado.
5. Conformativas - dão ideia de conformidade de um fato com outro: como, conforme,
segundo, consoante...
Ele sempre age conforme manda a ética.
6. Consecutivas - introduzem a consequência daquilo que se expressa na oração principal:
que (precedido de intensificadores como tal, tão, tamanho, tanto, que podem vir
subentendidos), de modo que, de sorte que, de forma que, sem que, que não...
Chorava tanto que mal conseguia respirar.
7. Finais - iniciam oração que expressa finalidade: para que, a fim de que, que (= para que).
Falei baixo para que o bebê não acordasse.
8. Proporcionais - iniciam oração que indica proporcionalidade: à medida que, à proporção
que, ao passo que, quanto mais...(mai)s, quanto mais... (menos), quando menos... (mais),
quanto menos... (menos)...
Quanto menos o Brasil investir em educação, mais a desigualdade social crescerá.
9. Temporais - introduzem a ideia de tempo: quando, enquanto, logo que, mal, sempre que,
assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora que, ao mesmo tempo que...
Mal se deitou, adormeceu.
10. Conjunções integrantes - introduzem orações substantivas: que, se.
Não sei se o problema foi resolvido.
LOCUÇÕES CONJUNTIVAS: expressão que funciona como uma conjunção, como várias das
que foram vistas acima (no entanto, ainda que, à medida que, ao mesmo tempo que etc.).
1.11 INTERJEIÇÕES 
Interjeições e locuções interjetivas são palavras e expressões, respectivamente, que
exprimem sentimentos e emoções.
Viva! Ganhamos o primeiro prêmio!
Puxa vida! Somos mesmo azarados!
Ei, você! Psiu!
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1. CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DO DIREITO
PROCESSUAL PENAL
O direito processual penal compreende um conjunto de normas (princípios e
garantias constitucionais + regras legais) que regulam a aplicação do direito penal,
desde as investigações preliminares, passando pelo exercício da ação penal e realização
da jurisdição por parte do Estado-juiz competente, respeitados no processo o
contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, constituindo
verdadeira garantia do cidadão de que somente sofrerá sanção penal após o devido
processo legal.
Assim, o direito processual penal se apresenta como meio necessário para a
condenação criminal de alguém e aplicação da pena correspondente, já que a
Constituição Federal de 1988 estabelece que ninguém será processado nem
sentenciado senão pela autoridade competente e que ninguém será considerado
culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória (Art. 5º, LIII e LVII,
CF/88).
Deste modo, o direito processual penal constitui o caminho que condiciona o
exercício do poder punitivo estatal, de maneira que o Estado precisa observar as
normas que compõem o direito processual penal para o exercício do seu jus puniendi
(poder-dever de punir ou direito-dever de punir).
Embora nas ações penais privadas o Estado outorgue ao particular a
legitimidade para o ajuizamento da ação (jus persequendi in juditio - direito de ajuizar
a ação penal, pedir a condenação e seguir com o processo), isso não acontece em
relação ao jus puniendi, que é exclusivo do Estado.
Até mesmo nas hipóteses de infrações penais de menor potencial ofensivo,
em que se admite a composição dos danos civis e a transação penal, é imprescindível a
homologação judicial do acordo, de maneira que a aplicação do direito penal material
na solução das lides é exclusividade do Estado-juiz, por meio da observância estrita às
normas estabelecidas.
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2. PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL
A palavra princípios da expressão princípios fundamentais do Título I da
Constituição Federal exprime a noção de mandamento nuclear de um sistema,
“verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes
normas, compondo-lhes o espírito e servindo de critério para exata compreensão e
inteligência delas”, definindo a lógica e a racionalidade do sistema normativo, de forma
a lhe dar sentido harmônico.
Na essência, os princípios jurídicos são fundamentais porque são ponto de
partida de interpretação e elaboração de todo o ordenamento jurídico. Assim, na
análise jurídica, para a construção de um trabalho científico, “a preparação dos
elementos para a construção e os resultados da mesma devem responder a certos
princípios que não podem ser vulnerados, sob pena de inutilizar as proposições a que
se cheguem ao término da investigação”.
Princípios são, também, mandamentos de otimização que se irradiam para
todo o sistema, são normas que ordenam que algo seja realizado na maior medida
possível dentro das possibilidades jurídicas e fáticas existentes.
Em síntese, os princípios constitucionais são fontes materiais de outras
normas jurídicas que, para ter validade, devem ser com elescompatíveis, além de
auxiliarem na interpretação das normas, interligando-as e suprindo as lacunas,
tornando o ordenamento jurídico um todo único e harmônico. Mas as funções dos
princípios vão além. Constituem, também, limites às atuações do Estado e ao exercício
abusivo de direitos, bem como possuem aplicação imediata aos casos concretos que
regulam, determinando que as coisas sejam realizadas na maior medida possível
dentro das possibilidades jurídicas e fáticas existentes.
2.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
O art. 5º, inciso II, da Constituição Federal de 1988, preceitua que “ninguém
será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Tal
dispositivo estatuiu o princípio da legalidade que tem por escopo limitar o poder do
Estado, impedindo o seu exercício de maneira arbitrária.
Segundo o princípio em questão, o indivíduo só pode ser obrigado a fazer,
deixar de fazer ou tolerar que se faça algo, se houver alguma lei que preveja a
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obrigação. Assim, o princípio da legalidade constitui segurança jurídica ao indivíduo,
para o qual somente podem ser criadas obrigações por meio de leis aprovadas
conforme as regras do processo legislativo constitucional.
O princípio da legalidade é a base direta da própria noção de Estado de
Direito, implantada “com o advento do constitucionalismo, porquanto acentua a ideia
de ‘governo das leis’, expressão da vontade geral, e não mais ‘governo dos homens’, em
que tudo se decidia ao sabor da vontade, dos caprichos, do arbítrio de um
governante”.
Sendo assim, o artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988 estabelece
que “a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.
A ideia matriz consiste no fato de que só o Poder Legislativo pode criar regras
que contenham novidade modificativa da ordem jurídico-formal, devendo ser
distinguida a competência legislativa de conteúdo inovador da competência
regulamentar, de forma que o Estado, o Poder Público ou os administradores “não
podem exigir qualquer ação, nem impor qualquer abstenção, nem mandar tampouco
proibir nada aos administrados, senão em virtude de lei”. 
2.1.1 O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE NO ÂMBITO PENAL E PROCESSUAL
PENAL
O princípio da legalidade, no âmbito penal, encontra-se insculpido no inciso
XXXIX do art. 5º da Constituição da República, segundo o qual não há crime sem lei
anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal.
Para se falar na existência de crime é preciso que haja uma lei definindo-o
como tal, ou seja, tudo o que não for expressamente proibido é lícito em Direito Penal.
Por mais socialmente reprovável que uma conduta seja, inexistindo a sua
previsão legal como criminosa ou contravencional, o Estado não poderá impor ao
cidadão uma sanção penal.
Assim, “o princípio da legalidade tem importância ímpar em matéria de
segurança jurídica, pois salvaguarda os cidadãos contra punições criminais sem base
em lei escrita, de conteúdo determinado e anterior à conduta. Exige, ademais disso,
que exista uma perfeita e total correspondência entre o ato do agente e a lei penal
para fins de caracterização da infração e imposição de sanção respectiva”.
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Portanto, o princípio da legalidade no âmbito penal constitui essa garantia,
essa segurança jurídica do cidadão de que poderá fazer tudo aquilo que não for
expressamente proibido pela lei penal, podendo ter a tranquilidade de realizar as
condutas que não forem proibidas, que não estejam previstas legalmente em um tipo
incriminador.
GRECO ensina ainda que o princípio da legalidade possui quatro funções
fundamentais:
1ª) proibir a retroatividade da lei penal (nullum crimen nulla poena sine lege
praevia);
2ª) proibir a criação de crimes e penas pelos costumes (nullum crimen nulla
poena sine lege scripta);
3ª) proibir o emprego de analogia para criar crimes, fundamentar ou agravar
penas (nullum crimen nulla poena sine lege stricta);
4ª) proibir incriminações vagas e indeterminadas (nullum crimen nulla poena
sine lege certa).
Não é por menos que o inciso XL do art. 5º da Constituição da República, em
complementação ao princípio da legalidade insculpido no inciso anterior, estabelece
que a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu, dando a “certeza de que
ninguém será punido por um fato que, ao tempo da ação ou da omissão, era tido como
um indiferente penal”.
Decorre ainda do princípio da legalidade a exigência de que os tipos penais
incriminadores sejam taxativos, ou seja, exprimam uma definição precisa das condutas
proibidas ou impostas, sendo vedada a criação de tipos que contenham conceitos
vagos e imprecisos.
No âmbito processual penal, o princípio da legalidade tem fundamental
aplicação, na medida em que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem
o devido processo legal (Art. 5º, LIV, CF/88).
Logo, ao decretar medidas cautelares de natureza processual penal, que
privem alguém de sua liberdade ou de seus bens, o Estado-juiz deve fazê-lo nos estritos
limites da lei, observando se a medida determinada possui previsão legal, se o caso
concreto amolda-se a alguma das hipóteses de cabimento da medida, bem como se
estão presentes os seus pressupostos e requisitos.
Nessa mesma esteira, a prisão penal de alguém, por exemplo, somente será
cabível após o trânsito em julgado de uma sentença penal condenatória, a qual deverá
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ser proferida dentro do devido processo legal, por autoridade judiciária competente,
assegurados o contraditório e a ampla defesa.
2.2 PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE
O princípio da proporcionalidade é o instrumento por meio do qual se afere,
por exemplo, a legitimidade de leis e atos administrativos que restringem direitos
fundamentais por meio da análise da adequação, da necessidade (ou vedação de
excesso e de insuficiência) e da proporcionalidade em sentido estrito.
Haverá adequação quando o meio escolhido for adequado e pertinente para
atingir a sua finalidade, ou seja, para alcançar o resultado almejado. Estará presente a
necessidade quando a medida for estritamente necessária, de maneira que a medida
deve ser a menos prejudicial entre as opções existentes, não podendo, por outro lado,
ser insuficiente à repressão das violações dos direitos fundamentais. Por fim, a
proporcionalidade em sentido estrito existirá quando o benefício alcançadocom a
medida adotada for axiologicamente mais importante do que os sacrifícios
experimentados.
Em síntese, se pode afirmar que o princípio da proporcionalidade ou da
proibição de excesso se constitui de três subprincípios:
a. O princípio da conformidade ou da adequação segundo o qual a medida
adotada para a realização do interesse público deve ser apropriada à
consecução dos seus fins, ou seja, o ato deve ser apto para e conforme os fins
justificativos da sua adoção; 
b. O princípio da exigibilidade ou da necessidade segundo o qual o cidadão tem
direito à menor ingerência ou desvantagem possível, de forma que deve ser
adotado o meio menos oneroso para o cidadão (limitar o menos possível os
direitos fundamentais, com a menor abrangência temporal e espacial possível,
limitando-se à pessoa ou pessoas cujos interesses devem ser sacrificados);
c. O princípio da proporcionalidade em sentido estrito segundo o qual, após se
concluir pela necessidade e adequação da medida coativa do poder público
para atingir determinado fim, se deve investigar se o resultado obtido é
proporcional ao mal causado, sopesando as desvantagens do meio em relação
às vantagens do fim.
2.2.1 O PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE NO ÂMBITO PENAL E
PROCESSUAL PENAL
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Em matéria penal, o princípio da proporcionalidade abrange, particularmente,
o campo das penas, devendo haver harmonia entre os modelos de condutas proibidas
e as penas abstratamente previstas, as quais, no caso concreto, devem ser
individualizadas e proporcionalmente aplicadas, conforme a gravidade da infração
penal praticada.
Assim, o legislador deve observar o princípio da proporcionalidade quando
cria um novo tipo penal, bem como quando altera algum já existente. Por outro lado, o
juiz também deve julgar o caso e aplicar a sanção tendo o princípio da
proporcionalidade como norte, de maneira que haja “proporção entre o peso da
sanção e o dano provocado pela infração penal”. 
Importante registrar, ainda, que o princípio da proporcionalidade impõe, de
um lado, a vedação do excesso “como importante mecanismo de contenção dos
exageros praticados pelo Estado em face da esfera individual” e, de outro, a proibição
de proteção deficiente que obriga o Estado a não se omitir diante de ataques aos bens
jurídicos mais importantes, devendo ser adotado um conjunto de medidas aptas a
tutelar os bens jurídicos mais relevantes, aí incluída a tutela penal.
No âmbito processual penal, o princípio da proporcionalidade possui igual
relevância, pois proíbe o excesso e veda o arbítrio de poder, na medida em que
ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal (Art.
5º, LIV, CF/88).
Assim, ao decretar medidas cautelares de natureza processual penal, que
privem alguém de sua liberdade ou de seus bens, o Estado-juiz deve fazê-lo nos estritos
limites da lei, observando se a medida determinada possui previsão legal, se o caso
concreto amolda-se a alguma das hipóteses de cabimento da medida, bem como se
estão presentes os seus pressupostos e requisitos.
Além disso, é preciso que a medida imposta seja necessária e adequada,
devendo o Estado-juiz verificar a sua necessidade para aplicação da lei penal, para a
investigação ou a instrução criminal e, nos casos expressamente previstos em lei, para
evitar a prática de infrações penais, bem como a sua adequação à gravidade do crime,
circunstâncias do fato e condições pessoais do indiciado ou acusado (Art. 282, I e II,
CPP).
Nessa esteira, para a decretação da prisão preventiva de alguém, por exemplo,
será preciso demonstrar que: 
a. A medida é necessária e adequada (Art. 282, I e II, CPP); 
b. As medidas cautelares diversas da prisão, isolada ou cumulativamente
consideradas, não são suficientes e adequadas para atingir a mesma finalidade
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buscada com a decretação da prisão preventiva (Art. 282, §§ 4º e 6º c/c Art.
310, II, CPP); 
c. Foram cumpridos os pressupostos para a decretação da prisão preventiva (Art.
311, CPP), ou seja, que tenha havido representação da autoridade policial ou
requerimento do Ministério Público, querelante ou assistente de acusação; 
d. Estão presentes os três requisitos cumulativos e, ao menos, um dos requisitos
alternativos (Art. 312, CPP); 
e. O fato se enquadra em alguma das hipóteses legais de cabimento da prisão
preventiva (Arts. 312, § 1º, e 313, CPP); 
f. A decisão é motivada (Art. 315, caput e § 1º, CPP) e fundamentada (Art. 315,
caput e § 2º, CPP).
2.3 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO PROCESSO PENAL
O direito processual penal é constituído de uma série de princípios
constitucionais, dentre os quais destacam-se o princípio da jurisdicionalidade ou da
garantia de jurisdição, a garantia do sistema acusatório, a presunção de inocência, o
contraditório e ampla defesa, o direito ao silêncio e o nemo tenetur se detegere, a
publicidade e motivação das decisões judiciais, o duplo grau de jurisdição, a dignidade
da pessoa humana e o princípio da duração razoável do processo, os quais serão
estudados nos próximos tópicos.
2.3.1 PRINCÍPIO DA JURISDICIONALIDADE OU DA GARANTIA DE
JURISDIÇÃO
O princípio da jurisdicionalidade ou da garantia de jurisdição assegura o
direito a um juiz natural, imparcial e competente (Arts. 69 a 91 do CPP e Art. 5º, LIII,
CF/88), sendo expressamente vedada a instituição de juízo ou tribunal de exceção (Art.
5º, XXXVII, CF/88).
Este princípio-garantia estabelece, ainda, a exclusividade do poder
jurisdicional do Estado-juiz para o exercício do jus puniendi, ou seja, o direito de punir
criminalmente é exclusivo do Estado-juiz, que aplicará o direito penal material na
solução das lides, legitimado pela Constituição Federal, de forma independente e com
submissão apenas às normas constitucionais e legais, no âmbito do devido processo
legal.
Há, contudo, algumas hipóteses constitucionais, legais e jurisprudenciais que
constituem verdadeiras exceções ao princípio do juiz natural, a exemplo do que
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acontece com o denominado incidente de deslocamento de competência, da Justiça
Estadual para a Justiça Federal, previsto no Art. 109, inciso V-A e § 5º, da Constituição
Federal, que poderá ser suscitado pelo Procurador-Geral da República perante o
Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, nas
hipóteses de grave violação de direitos humanos, com a finalidade de assegurar o
cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos
humanos dos quaiso Brasil seja parte.
Em tal hipótese, ocorre a chamada federalização do caso, ou seja, um crime
que era originariamente de competência da Justiça Estadual ou do Tribunal do Júri
Estadual, passa a ser de competência da Justiça Federal ou do Tribunal do Júri Federal.
Para tanto, segundo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, devem
estar presentes três requisitos cumulativos: 
i. A existência de grave violação de direitos humanos; 
ii. O risco de responsabilização internacional do Brasil decorrente do
descumprimento de obrigações jurídicas assumidas em tratados internacionais; 
iii. A incapacidade ou desinteresse das instâncias e autoridades locais (estaduais)
em oferecer respostas efetivas, ou seja, em investigar, processar e julgar,
adequadamente, a grave violação de direitos humanos que foi perpetrada.
2.3.2 GARANTIA DO SISTEMA ACUSATÓRIO
A garantia do sistema acusatório veda o juiz inquisidor, na medida em que
separa o órgão julgador daquele responsável pela acusação, atribuindo ao Ministério
Público a função institucional de promover, privativamente, a ação penal pública, na
forma da lei (Art. 129, I, CF/88).
Essa garantia foi reforçada pelo art. 3º-A do Código de Processo Penal, incluído
pela Lei Anticrime (Lei nº 13.964/2019), que deixa claro que o processo penal terá
estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na fase de investigação e a
substituição da atuação probatória do órgão de acusação.
O art. 3º-A do Código de Processo Penal foi objeto de aprofundado estudo no
tópico juiz das garantias, para onde remetemos o leitor.
2.3.3 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA
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O princípio da presunção de inocência foi consagrado no art. 9º da Declaração
de Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, segundo o qual todo acusado é
considerado inocente até ser declarado culpado e, se julgar indispensável prendê-lo,
todo o rigor desnecessário à guarda da sua pessoa deverá ser severamente reprimido
pela lei.
No mesmo sentido, o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos,
promulgado no Brasil pelo Decreto nº 592, de 6 de julho de 1992, dispõe, em seu art.
14, item 2, que toda pessoa acusada de um delito terá direito a que se presuma sua
inocência enquanto não for legalmente comprovada sua culpa.
No item 5 do seu art. 14, o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos
dá a tônica do que seria a comprovação de culpa, ao estabelecer que toda pessoa
declarada culpada por um delito terá direito de recorrer da sentença condenatória e
da pena a uma instância superior, em conformidade com a lei.
Da leitura do dispositivo resta claro que entender-se-á legalmente
comprovada a culpa quando houver uma sentença penal condenatória, ainda que
recorrível a uma instância superior, ou seja, segundo o Pacto Internacional sobre
Direitos Civis e Políticos, a partir da sentença penal condenatória, mesmo que de
primeira instância e ainda recorrível, há o afastamento da presunção de inocência,
dando lugar à presunção de culpa.
Mantendo a coerência com os diplomas internacionais supracitados, a
Convenção Americana sobre Direitos Humanos, promulgada no Brasil pelo Decreto nº
678, de 6 de novembro de 1992, em seu art. 8º, item 2, estatuiu que toda pessoa
acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se
comprove legalmente sua culpa.
Por sua vez, a Constituição Federal, se comparada aos documentos
internacionais referidos acima, ampliou significativamente o alcance do princípio da
presunção de inocência.
No Brasil, a presunção de inocência encontra guarida no art. 5º, inciso LVII, da
Constituição Federal, o qual estabelece que ninguém será considerado culpado até o
trânsito em julgado de sentença penal condenatória.
Portanto, o princípio da presunção de inocência tem origem mais restrita na
Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, no Pacto Internacional sobre
Direitos Civis e Políticos e na Convenção Americana sobre Direitos Humanos do que na
abrangente previsão estampada na Constituição Federal. Explico.
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Segundo os supracitados documentos internacionais, a presunção de
inocência persiste somente até que haja a declaração de culpa ou a comprovação de
culpa, o que, a depender do ordenamento jurídico do Estado signatário, poderá ocorrer
com a prolação da sentença penal condenatória de primeira instância, ainda que
recorrível, ou com a sua confirmação em sede recursal, ainda que pendentes outros
recursos para outras instâncias.
A Constituição brasileira foi muito mais abrangente, presumindo a inocência
até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, o que somente ocorre
quando a decisão condenatória não é mais recorrível, quer seja pelo decurso in albis
do prazo recursal, quer seja pelo esgotamento dos recursos cabíveis, que no Brasil
podem alcançar até quatro instâncias.
2.3.4 PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA
O contraditório é a “ciência bilateral dos atos e termos do processo e a
possibilidade de contrariá-los”, é um “método de confrontação da prova e
comprovação da verdade”, que se funda sobre o conflito entre as partes contrapostas
(acusação e defesa), de forma disciplinada e ritualizada, sendo imprescindível à própria
estrutura dialética do processo.
Trata-se da possibilidade de conhecer e contradizer as afirmações da parte
contrária, do direito de audiência bilateral, no sentido de se ouvir a parte adversa, com
alegações mútuas das partes na forma dialética.
Corolário do princípio do contraditório, o art. 155 do Código de Processo Penal
estabelece que o juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida
em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos
elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não
repetíveis e antecipadas.
2.3.5 O DIREITO AO SILÊNCIO E O NEMO TENETUR SE DETEGERE
O Direito ao silêncio está previsto no art. 5º, inciso LXIII, da Constituição
Federal, art. 8º, item 2, alínea g, da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e
no art. 14, item 3, alínea g, do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos:
Art. 5º, LXIII, CF/88
o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer
calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;
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CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS HUMANOS
Art. 8º, 2. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua
inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa. Durante5º da Constituição
Federal e no art. 1º do Código Penal.
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Art.5º, XXXIX, CF/88
Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação
legal.
Em termos técnico-jurídicos, o princípio da legalidade se traduz em, pelo
menos, 4 funções ou garantias.
a. Nullun crimen nulla poena sine lex scripta. 
A única fonte formal imediata da norma penal incriminadora é a lei (ordinária
ou complementar) sendo afastados os precedentes, os princípios gerais de direitos ou
o costume incriminador. Embora os princípios e os costumes possam, de forma
mediata, influenciar na interpretação das normas penais, jamais podem criar preceitos
incriminadores. 
Contudo, vale um adendo: embora a Constituição proíba, de forma expressa,
que a medida provisória tenha conteúdo penal (art. 62, § 1º, I, “b”) parte da doutrina
admite medidas provisórias que possuem normas penais não incriminadoras (como
normas permissivas, tais como excludentes de ilicitude). O entendimento já foi adotado
pelo STF. cite-se como exemplo o RE 254.818/PR no qual a suprema corte permitiu, a
partir da MP 1571/97, que o parcelamento dos débitos tributários e previdenciários
tivessem efeitos extintivos da punibilidade, uma vez que estes apenas favoreceriam o
réu. 
Também podemos elencar as medidas provisórias editadas para estender os
efeitos do art. 30 do estatuto do desarmamento (Lei 10.826/03), que é verdadeira
abolitio criminis temporária e, por isso, norma de natureza penal.
b. Nullun crimen nulla poena sine lex stricta. 
O princípio da legalidade proíbe a analogia in malam partem. Entende-se por
analogia, a forma de autointegração da norma jurídica, através da qual preenche-se
uma lacuna normativa com uma regra que serve para situação semelhante (analogia
legis) ou através da aplicação de um princípio geral de direito (analogia iuris).
Cumpre ressaltar que não há qualquer problema na analogia in bonam partem,
isto é, na autointegração da norma para preenchimento de lacunas em favor do réu,
como pode ocorrer na extensão de uma causa de exclusão da ilicitude para situação
que não se adequa de forma exata em seus nos requisitos legais. O mais comum
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exemplo consiste na aplicação do art. 128, I (aborto necessário ou terapêutico) na
hipótese em que não há médico para realizar o aborto e a interrupção da gravidez é
feita por quem não possui diploma de medicina.
É ainda importante diferenciar a analogia da interpretação analógica. Esta
última é espécie de interpretação extensiva que se aplica quando a própria norma
jurídica permite a ampliação de suas hipóteses de aplicação através de uma norma
casuística seguida de uma norma genérica, de forma que os limites da segunda estão
demarcados por um raciocínio comparativo concernente à primeira. O exemplo mais
comum está no art. 121, § 2º, I: homicídio pode ser qualificado por paga ou promessa
de recompensa ou por qualquer motivo torpe.
Por fim, é relevante tratar da decisão do Supremo Tribunal Federal na ADO 26 e
seus reflexos no princípio da legalidade. Neste importante julgado, a Suprema Corte
decidiu “conceder interpretação conforme à Constituição, em face dos artigos 1º, III,
3º, I e IV; 5º, XLI, XLII e § 1º da Constituição Federal, à Lei nº 7.716/89, no sentido da
integral aplicação de seus tipos penais às condutas homofóbicas e transfóbicas, até que
seja editada a lei penal específica pelo Congresso Nacional”. Assim, deu-se
interpretação extensiva ao elemento normativo “preconceito ou discriminação
referentes à raça”. 
Como veremos no tópico referente à interpretação da lei penal, a interpretação
extensiva é aquela em que se alarga o alcance da norma jurídica, uma vez que o texto
legal disse menos que a vontade da norma, cujo sentido vai além de sua interpretação
literal. Todavia, é forçoso reconhecer que a decisão do STF é bastante criticável, por
ficar no limiar da analogia.
c. Nullun crimen nulla poena sine lex praevia. 
Também chamado de princípio da anterioridade, esta função do princípio da
legalidade garante que a lei penal não pode ser aplicada retroativamente em desfavor
do acusado.
d. Nullun crimen nulla poena sine lex certa. 
Também chamado de princípio da taxatividade, esta subdivisão do princípio da
legalidade exige que o tipo penal defina de forma clara e concisa a conduta
incriminada. Assim, tipos penais abertos com definições imprecisas são violadoras
deste princípio constitucional. Um comum exemplo doutrinário se encontrava no art.
20 da revogada Lei 7.170/83 (lei de segurança nacional) que tipificava o crime de
terrorismo simplesmente como a prática de “atos de terrorismo”, sem descrever as
condutas que se subsumiriam ao tipo penal.
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É necessário, entretanto, reconhecer que a contemporaneidade dificultou de
sobremaneira a determinação das normas jurídicas. A sociedade atual e seus meios
tecnológicos são dinâmicos demais para serem compreendidos por uma norma muito
limitada ou estática, sob a pena de que tal engessamento torne inútil a previsão
legislativa em pouco tempo. Citemos como exemplo o direito penal informático: caso
os tipos penais determinassem a tecnologia utilizada, ficariam obsoletos rapidamente.
Nesta ordem de ideias, alguns doutrinadores se propõem a criar parâmetros de
proporcionalidade para a tolerância de certa indeterminação nos tipos penais, para
que estes ainda sejam eficazes na proteção de bens jurídicos.
Claus Roxin apresenta três critérios na busca deste equilíbrio:
a) Quanto maior for pena, maior será a exigência de determinação e
taxatividade do tipo penal.
b) Os elementos abertos seriam subsidiários, isto é, caso a redação taxativa
seja possível, a fórmula aberta será inconstitucional.
c) Princípio da ponderação: os conceitos abertos serão admissíveis se os
interesses de uma solução justa no caso concreto forem preponderantes
em relação ao interesse da segurança jurídica.
1.2 PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA
O direito penal, por representar a mais gravosa das respostas do Estado, deve
ter aplicação subsidiária quanto aos outros ramos do direito e fragmentária no que
tange ao bem jurídico que busca proteger.
Em um país que se organiza em Estado democrático de direito, o princípio da
intervenção mínima restringe a criação das normas incriminadoras ao mínimo essencial
para a proteção dos mais importantes valores ou interesses e apenas quando outras
formas de controle se mostram inócuas para os mesmos fins.
Paulo César Busato atrela este princípio, em termoso
processo, toda pessoa tem direito, em plena igualdade, às seguintes garantias
mínimas: (...) g. direito de não ser obrigado a depor contra si mesma, nem a
declarar-se culpada;
PACTO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS
Art. 14, 3. Toda pessoa acusada de um delito terá direito, em plena
igualdade, a, pelo menos, as seguintes garantias: (...) g) De não ser
obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-se culpada.
Ao fazer uso da palavra preso, a Constituição Federal disse menos do que
queria dizer, uma vez que o direito ao silêncio é reconhecido em favor de qualquer
pessoa contra a qual exista alguma investigação criminal ou processo penal,
independentemente dela estar presa ou solta.
Portanto, o direito ao silêncio assiste ao suspeito, investigado, indiciado,
acusado ou réu, esteja ele preso ou solto. Já o colaborador premiado, nos depoimentos
que prestar, renunciará, na presença de seu defensor, ao direito ao silêncio e estará
sujeito ao compromisso legal de dizer a verdade (Art. 4º, § 14, Lei nº 12.850/2013).
Importante registrar que, no bojo das Arguições de Descumprimento de
Preceito Fundamental nº 395 e 444, o Ministro Gilmar mendes deferiu “medida
liminar, para vedar a condução coercitiva de investigados para interrogatório, sob
pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de
ilicitude das provas obtidas, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado” (STF,
ADPF 395 e ADPF 444, Rel. Min. Gilmar Mendes, J. 18/12/2017).
Segundo o Ministro, “a condução coercitiva para interrogatório representa
uma restrição da liberdade de locomoção e da presunção de não culpabilidade, para
obrigar a presença em um ato ao qual o investigado não é obrigado a comparecer.
Daí sua incompatibilidade com a Constituição Federal.” (Grifos constam do original).
Alguns meses depois, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, “por maioria e
nos termos do voto do Relator, julgou procedente a arguição de descumprimento de
preceito fundamental, para pronunciar a não recepção da expressão ‘para o
interrogatório’, constante do art. 260 do CPP, e declarar a incompatibilidade com a
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Constituição Federal da condução coercitiva de investigados ou de réus para
interrogatório”, por entender que a mesma ofende o princípio da presunção de
inocência ou presunção de não culpabilidade, o direito de liberdade e a dignidade da
pessoa humana (STF, ADPF 395 e ADPF 444, J. 14/06/2018 - Informativo 906).
Além disso, nossa Corte Suprema esclareceu que a hipótese de condução
coercitiva objeto das supracitadas arguições restringe-se, tão somente, àquela
destinada à condução de investigados e réus à presença da autoridade policial ou
judicial para serem interrogados, não tendo sido analisadas as demais hipóteses de
condução coercitiva, tais como de vítimas para prestarem declarações (Art. 201, § 1º,
CPP), de testemunhas para prestarem depoimento (Art. 218, CPP) ou mesmo de
investigados ou réus para atos diversos do interrogatório, como o reconhecimento (Art.
226, CPP) e a identificação criminal (Lei nº 12.037/2009), por exemplo.
Partindo das mesmas premissas que inviabilizaram a condução coercitiva de
investigados e réus para fins de interrogatório, é possível afirmar que o imputado
também não pode ser conduzido coercitivamente para a reprodução simulada dos
fatos ou reconstituição do crime, por se tratar de ato que pode ser realizado sem a sua
presença e do qual não é obrigado a participar, na medida em que não é obrigado a
produzir prova contra si. Assim, a participação do imputado na reprodução simulada
dos fatos ou reconstituição do crime fica ao seu alvedrio, não podendo ser ele
conduzido coercitivamente para tanto.
Nada obsta, contudo, a condução coercitiva do imputado para outros atos que
não possam ser realizados sem a presença física dele, tais como o reconhecimento e a
identificação criminal (modalidades passivas), desde que, previamente intimado, não
compareça e nem justifique a ausência. Nesse sentido:
O comparecimento do réu aos atos processuais, em princípio, é um direito e
não um dever, sem embargo da possibilidade de sua condução coercitiva, caso
necessário, por exemplo, para audiência de reconhecimento. Nem mesmo ao
interrogatório estará obrigado a comparecer, mesmo porque as respostas às
perguntas formuladas ficam ao seu alvedrio. (STF, HC 151.395/MG, Rel. Min.
Gilmar Mendes, J. 08/03/2018).
Positivando o entendimento firmado pela Suprema Corte nas Arguições de
Descumprimento de Preceitos Fundamentais nº 395 e 444, a nova Lei de Abuso de
Autoridade (Lei nº 13.869/2019), em seu art. 10, criminalizou a conduta de quem
decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado manifestamente
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descabida ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo, punindo-a com pena
de detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Por outro lado, considerando que o imputado deve ser informado dos seus
direitos, entre os quais o de permanecer calado, o Supremo Tribunal Federal, na
Reclamação nº 33.711/SP, com relatoria do Ministro Gilmar Mendes, em julgamento no
dia 11/06/2019, anulou entrevista realizada e formalizada pela Polícia, durante o
cumprimento de mandado de busca e apreensão, por entender que houve violação ao
direito ao silêncio e à não autoincriminação:
(...) Há a violação do direito ao silêncio e à não
autoincriminação, estabelecidos nas decisões proferidas nas
ADPFs 395 e 444, com a realização de interrogatório forçado,
travestido de “entrevista”, formalmente documentado durante
o cumprimento de mandado de busca e apreensão, no qual não
se oportunizou ao sujeito da diligência o direito à prévia
consulta a seu advogado e nem se certificou, no referido auto, o
direito ao silêncio e a não produzir provas contra si mesmo, nos
termos da legislação e dos precedentes transcritos (...)
Além do direito ao silêncio, o imputado tem o direito ao nemo tenetur se
detegere, ou seja, o direito de não produzir prova contra si, podendo se recusar a
praticar qualquer ato probatório que entenda ser prejudicial à sua defesa, não sendo
obrigado, por exemplo, a participar da reprodução simulada dos fatos, a fornecer
material grafotécnico para perícia e a responder perguntas durante interrogatórios ou
eventuais acareações. Caberá ao imputado decidir se atuará positivamente em tais
situações ou se permanecerá em silêncio e omisso.
Inclusive, a nova Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019), em seu art.
13, criminalizou a conduta de constranger o preso ou o detento, mediante violência,
grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a produzir prova contra si
mesmo ou contra terceiro, punindo-a com pena de detenção, de 1 (um) a 4 (quatro)
anos, e multa, sem prejuízo da pena cominada à violência.
A mesma Lei, em seu art. 15, parágrafo único, também criminalizou a conduta
de quem prosseguir com o interrogatório de pessoa que tenha decidido exercer o
direito ao silêncio ou de pessoa que tenhaoptado por ser assistida por advogado ou
defensor público, sem a presença de seu patrono, punindo-a com pena de detenção,
de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Trazendo mitigações importantes ao nemo tenetur se detegere, a Lei nº
12.654/2012, por meio de alterações na Lei de Identificação Criminal (Lei nº
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12.037/2009) e na Lei de Execução Penal, previu a coleta de material biológico do
imputado, voluntariamente ou não: (i) como forma de identificação criminal, com
autorização judicial; e (ii) como consequência da condenação por crime doloso
praticado com violência grave contra a pessoa, bem como por crime contra a vida,
contra a liberdade sexual ou por crime sexual contra vulnerável, por ocasião do
ingresso no estabelecimento prisional.
Portanto, conforme a legislação em vigor, mesmo em caso de recusa do
imputado, caso haja ordem judicial determinando a coleta de seu material biológico
para fins de identificação criminal ou exista condenação contra ele por crime praticado,
dolosamente, com violência de natureza grave contra a pessoa ou por crime contra a
vida, contra a liberdade sexual ou por crime sexual contra vulnerável, poderá ser feita a
coleta de seu material biológico, desde que de forma não invasiva, por técnica
adequada e indolor (cortando fios de cabelo, por exemplo).
Caso o imputado não se oponha à coleta do material biológico, o método mais
recomendado é a coleta de saliva e células da mucosa bucal, por meio do ato de
esfregar um Swab (espécie de cotonete) na parte interna das bochechas.
É importante lembrar, ainda, que em se tratando de material descartado, a
prova será lícita:
(...) 5. No caso, entretanto, não há que falar em violação à intimidade já que
o investigado, no momento em que dispensou o copo e a colher de plástico
por ele utilizados em uma refeição, deixou de ter o controle sobre o que
outrora lhe pertencia (saliva que estava em seu corpo). 6. Também inexiste
violação do direito à não autoincriminação, pois, embora o investigado, no
primeiro momento, tenha se recusado a ceder o material genético para
análise, o exame do DNA foi realizado sem violência moral ou física,
utilizando-se de material descartado pelo paciente, o que afasta o apontado
constrangimento ilegal (STJ, HC 354.068/MG, 5ª T, J. 13/3/2018)
Noutra senda, o direito de não produzir prova contra si não contempla a
atribuição de falsa identidade, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal
explicitado no Recurso Extraordinário nº 640.139 e sumulado pelo Superior Tribunal de
Justiça pela Súmula nº 522, constituindo tal conduta o crime previsto no art. 307 do
Código Penal.
Caso o imputado, ao invés de apenas atribuir-se falsa identidade, faça uso de
documento de identificação falso perante a autoridade policial, o crime será o do art.
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304 do Código Penal. Se o imputado utilizar, como próprio, documento de terceiro, o
crime será o do art. 308 do Código Penal.
Portanto, resta claro que a garantia de permanecer calado e de não produzir
prova contra si abrange o direito de calar, mentir ou omitir sobre os fatos e
circunstâncias que são imputados à pessoa na investigação criminal ou no processo
penal, mas não quanto à sua qualificação (identificação).
Nessa esteira, o art. 313, § 1º, do Código de Processo Penal permite a prisão
preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta
não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, assim como o art. 1º, inciso II, da
Lei nº 7.960/1989, trata do cabimento da prisão temporária quando o imputado não
fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade, demonstrando
que o direito ao silêncio realmente não abarca os dados qualificativos, mas tão
somente a matéria de fato.
Além disso, o art. 68 da Lei de Contravenções Penais (Decreto-Lei nº
3.688/1941) estabelece pena de multa para quem recusar à autoridade, quando por
esta, justificadamente solicitados ou exigidos, dados ou indicações concernentes à
própria identidade, estado, profissão, domicílio e residência.
2.3.6 PRINCÍPIOS DA PUBLICIDADE E MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES
JUDICIAIS
Os princípios da publicidade e motivação das decisões judiciais estão
estampados no art. 93, inciso IX, da Constituição Federal, segundo o qual todos os
julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas
as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados
atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a
preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse
público à informação.
O princípio da publicidade traz “a garantia do acesso de todo e qualquer
cidadão aos atos praticados no curso do processo”, com publicidade ampla, 
assegurando “a transparência da atividade jurisdicional, oportunizando sua fiscalização
não só pelas partes, como por toda a comunidade”, o que “revela uma clara postura
democrática”.
Assim, a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a
defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem (Art. 5º, LX, CF/88), o que ocorre,
por exemplo, com os crimes contra a dignidade sexual, em que os processos possuem
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apenas publicidade restrita ou interna, comumente chamada de segredo de justiça,
cujos atos serão realizados apenas perante as pessoas diretamente interessadas no
feito e seus respectivos procuradores, ou somente perante estes.
Por sua vez, o princípio da motivação das decisões judiciais estabelece que
todas as decisões judiciais, tanto as sentenças e os acórdãos, quanto as decisões
interlocutórias, especialmente aquelas que impliquem restrições de direitos e garantias
fundamentais (Exemplos: decretos de prisões; interceptação telefônica; busca e
apreensão etc.), devem ser devidamente motivadas e fundamentadas, sob pena de
nulidade, o que permite o controle da legalidade da decisão e dos seus fundamentos.
Nesse sentido, o art. 315 do Código de Processo Penal, cujo § 2º é cópia fiel do
art. 489, § 1º, do Código de Processo Civil, positiva uma tendência processual pela
busca de decisões judiciais mais bem elaboradas:
Art. 315, CPP
A decisão que decretar, substituir ou denegar a prisão preventiva será sempre
motivada e fundamentada.
§ 1º Na motivação da decretação da prisão preventiva ou de qualquer outra
cautelar, o juiz deverá indicar concretamente a existência de fatos novos ou
contemporâneos que justifiquem a aplicação da medidaadotada.
§ 2º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela
interlocutória, sentença ou acórdão, que:
I - limitar-se à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem
explicar sua relação com a causa ou a questão decidida;
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo
concreto de sua incidência no caso;
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão;
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em
tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador;
V - limitar-se a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar
seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento
se ajusta àqueles fundamentos;
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VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente
invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em
julgamento ou a superação do entendimento.
A exigência de fundamentação das decisões judiciais propicia a avaliação do
raciocínio desenvolvido na valoração da prova, explicitando o controle da eficácia do
contraditório, a existência de prova suficiente para afastar a presunção de inocência
(para condenação) e se foram observadas as regras do devido processo legal, por
exemplo, se o juiz formou a sua convicção pela apreciação da prova produzida em
contraditório judicial, não fundamentando sua decisão exclusivamente nos elementos
informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis
e antecipadas, conforme art. 155 do Código de Processo Penal.
Por meio da fundamentação da decisão judicial, é possível examinar a sua
legalidade e justiça em sede recursal, bem como propicia-se às partes o conhecimento
das razões da decisão para impugná-la, verificando, inclusive, se as suas teses foram
objeto de exame pelo juiz, ao qual também importa a motivação, por meio da qual
resta evidenciada a sua atuação imparcial e justa.
Nessa esteira, o STJ decidiu que em decisões que autorizem a interceptação
das comunicações telefônicas de investigados, é inválida a utilização da técnica da
fundamentação per relationem (por referência) sem tecer nenhuma consideração
autônoma, ainda que sucintamente, justificando a indispensabilidade da autorização
de inclusão ou de prorrogação de terminais em diligência de interceptação telefônica.
Logo, embora o STJ admita o emprego da técnica da fundamentação per
relationem, tem-se exigido que o juiz, ao reportar-se a fundamentação e a argumentos
alheios, ao menos os reproduza e os ratifique, eventualmente, com acréscimo de seus
próprios motivos.
2.3.7 PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO
O princípio do duplo grau de jurisdição consiste no direito da parte
prejudicada pela decisão de primeira instância submeter o caso a outro órgão
jurisdicional, superior hierarquicamente, para revisão da decisão, nos limites daquilo
que foi discutido em primeiro grau.
Assim, a principal função do duplo grau de jurisdição é possibilitar a devolução
de toda a matéria, fática e jurídica, a um órgão jurisdicional superior, para análise
colegiada, feita por julgadores mais experientes, cuja multiplicidade de olhares
mitigará os riscos de erro judiciário, mais propenso de ocorrer em um julgamento feito
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por um só juiz, em regra menos experiente e bem mais atarefado do que os membros
do Tribunal.
O duplo grau de jurisdição, todavia, não se aplica às pessoas que possuem
foro especial por prerrogativa de função, lhes sendo permitido, apenas, conforme o
caso, interpor recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça e/ou recurso
extraordinário para o Supremo Tribunal Federal, nos quais não se discutirá matéria de
fato, apenas de direito.
O exercício do duplo grau de jurisdição é facultativo, inexistindo
obrigatoriedade de qualquer das partes interpor recurso contra a decisão de primeira
instância, quer seja ela condenatória, quer seja absolutória própria ou imprópria. Caso
as partes, acusação e defesa, se conformem com a decisão proferida pelo juiz de
primeira instância, podem renunciar ao prazo recursal ou simplesmente deixar tal
prazo transcorrer in albis, o que levará ao seu escoamento e, com isso, à preclusão
temporal, cuja consequência será o trânsito em julgado da decisão.
Caso se trate de crime político (Arts. 359-I a 359-R do Código Penal), cuja
competência é da Justiça Federal (Art. 109, IV, CF/88), a sentença proferida será
impugnável por meio de recurso ordinário para o Supremo Tribunal Federal, previsto
no art. 102, inciso II, alínea b, da Constituição Federal, ou seja, em caso de crime
político o duplo grau de jurisdição é exercido, diretamente, pela Suprema Corte.
2.3.8 PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
Segundo o princípio da dignidade da pessoa humana, “cada indivíduo é um
fim em si mesmo, com autonomia para se comportar de acordo com seu arbítrio,
nunca um meio ou instrumento para consecução de resultados, não possuindo preço”,
de maneira que o indivíduo deve ser reconhecido como ser único e com valor superior
ao de qualquer coisa.
Na medida em que a dignidade da pessoa humana se tornou uma categoria
jurídica, ela precisa ser dotada de conteúdos mínimos, para que haja unidade e
objetividade em sua interpretação e aplicação, impedindo que se torne uma
embalagem para qualquer produto, um mero artifício retórico, sujeito a manipulações
diversas, devendo ser afastada de doutrinas abrangentes, totalizadoras, que expressem
uma visão unitária do mundo, como as religiões ou as ideologias cerradas.
A ideia de dignidade humana não deve, portanto, ser utilizada para legitimar
posições intolerantes e autoritárias, mas sim determinar seus conteúdos mínimos
optando, precipuamente, pela laicidade, de maneira que o seu foco não seja “uma
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visão judaica, cristã, muçulmana, hindu ou confucionista. Salvo, naturalmente, quanto
aos pontos em que todas as grandes religiões compartilhem valores comuns”.
Demonstrada a interdependência entre os direitos humanos, os direitos
fundamentais e a dignidade da pessoa humana, é preciso abordar as principais
características dos direitos fundamentais, dentre as quais está a universalidade, a qual
estabelece que em toda sociedade deve haver um núcleo mínimo de proteção à
dignidade, o que não implica uniformidade, pois os aspectos culturais influenciam o
conteúdo e a significação dos direitos fundamentais.
Outra importante característica é a historicidade, pois os direitosfundamentais surgem e se desenvolvem conforme o momento histórico, ou seja, não
surgiram simultaneamente, mas em períodos distintos, conforme a demanda de cada
época, sendo que a consagração progressiva e sequencial dos direitos fundamentais
nas constituições originou as chamadas gerações de direitos fundamentais.
Segundo a teoria das gerações dos direitos, há três gerações dos direitos: a
primeira tem por alicerce a liberdade, compreendendo os direitos civis e políticos,
inclusive a liberdade religiosa e a liberdade de manifestação do pensamento; a
segunda se fundamenta na igualdade e corresponde aos direitos econômicos, sociais e
culturais, tais como os direitos trabalhistas, alimentação, saúde, moradia, educação,
aposentadoria e assistência social; a terceira encontra sustentáculo na fraternidade,
açambarcando os direitos de solidariedade, dentre os quais se encontram o direito à
paz, ao meio ambiente e ao desenvolvimento.
Hodiernamente, face ao avanço tecnológico e científico, os direitos
fundamentais evoluíram para proteger novos bens jurídicos ligados a questões como
genoma humano, combate ao terrorismo, tecnologia da informação, privacidade,
propriedade intelectual, Internet, clonagem humana, pesquisas com células-tronco,
dentre tantas outras questões atuais, fazendo com que se fale em novas gerações de
direitos.
Neste ponto é importante registrar que as gerações dos direitos surgem a
partir de um processo de acumulação e não de sucessão, ou seja, uma não substitui a
outra, mas sim complementa, razão pela qual a doutrina atual prefere utilizar o termo
dimensões ao invés de gerações, devendo-se ressaltar que os direitos fundamentais
são indivisíveis e interdependentes, não havendo direitos fundamentais de segunda
categoria ou hierarquia entre as suas dimensões. 
2.3.9 PRINCÍPIO DA DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO
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O princípio da duração razoável do processo, inicialmente previsto nos itens
7.5 e 8.1 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, recepcionado por força do
art. 5º, § 2º, da Constituição Federal, assumindo assim a condição de cláusula
supralegal, foi formal e expressamente erigido à condição de princípio constitucional
pela Emenda Constitucional nº 45, de 30 de dezembro de 2004, que inseriu, no art. 5º
da magna carta, o inciso LXXVIII, segundo o qual a todos, no âmbito judicial e
administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que
garantam a celeridade de sua tramitação.
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1. DIIREITO ADMINISTRATIVO
1.1. CONCEITO
O Direito Administrativo é o ramo autônomo do Direito que visa estudar as
regras e princípios aplicáveis à Administração Pública, seja estudando os sujeitos que
integram a Administração, seja as funções exercidas por ela. 
É uma disciplina não codificada, ou seja, não existe um código específico da
matéria, que é tratada por normas esparsas, assim como pela doutrina e
jurisprudência. Por isso, diversas são as divergências doutrinárias encontradas, pois é
uma disciplina em que conceitos, classificações e entendimentos podem variar de
autor para autor. 
Além disso, a jurisprudência tem uma importante atuação na disciplina, sendo
válido o estudo dos informativos do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de
Justiça, teses de repercussão geral do STF e jurisprudência em teses do STJ.
O presente material tem a função de abordar conceitos importantes do Direito
Administrativo, no entanto, é importante ressaltar que não tem a função de substituir
as doutrinas na disciplina e/ou estudo da jurisprudência. 
Além disso, é de grande valia a revisão dos temas aqui apresentados através de
questões, como forma de fixar o tema. 
Algumas indicações bibliográficas de Direito Administrativo:
● Manual de Direito Administrativo – José dos Santos Carvalho Filho
● Direito Administrativo – Maria Sylvia Zanella di Pietro
● Curso de Direito Administrativo – Celso Antônio Bandeira de Melo
● Curso de Direito Administrativo – Rafael Oliveira 
● Direito Administrativo Descomplicado – Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo
1.2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA
Sobre a evolução histórica do Direito Administrativo, ensina Maria Sylvia Zanella
Di Pietro:
“O Direito Administrativo, como ramo autônomo, nasceu em fins do
século XVIII e início do século XIX, o que não significa que
inexistissem anteriormente normas administrativas, pois onde quer
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que exista o Estado existem órgãos encarregados do exercício de
funções administrativas. O que ocorre é que tais normas se
enquadravam no jus civile, da mesma forma que nele se inseriam as
demais, hoje pertencentes a outros ramos do direito (...)
Mas a formação do Direito Administrativo, como ramo autônomo,
teve início, juntamente com o direito constitucional e outros ramos do
direito público, a partir do momento em que começou a
desenvolver-se – já na fase do Estado Moderno – o conceito de
Estado de Direito, estruturado sobre o princípio da legalidade (em
decorrência do qual até mesmo os governantes se submetem à lei,
em especial à lei fundamental que é a Constituição) e sobre o
princípio da separação de poderes, que tem por objetivo assegurar a
proteção dos direitos individuais, não apenas nas relações entre
particulares, mas também entre estes e o Estado. Daí a afirmação de
que o Direito Administrativo nasceu das Revoluções que acabaram
com o velho regime absolutista que vinha da Idade Média”. (Grifo
nosso)
1.3. FONTES, MÉTODOS E CRITÉRIOS INTERPRETATIVOS
Serão a seguir analisadas as principais fontes do Direito Administrativo brasileiro,
adotando-se a distinção entre:
a. Fontes formais: Aquelas que constituem propriamente o direito aplicável.
Sendo elas:
1. Constituição;
2. Lei, 
3. Regulamento e outros atos normativos da Administração Pública
4. Parcialmente, a jurisprudência
b. Fontes materiais: Aquelas que promovem ou dão origem ao direito aplicável.
São elas: 
1. Doutrina;
2. Jurisprudência e
3. Princípios gerais de direito.
No que tange a interpretaçãodo Direito Administrativo são utilizados os métodos
clássicos de interpretação: gramatical, lógica, histórica, sistemática, teleológica.
Na interpretação do Direito Administrativo deve se considerar três
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1. Desigualdade jurídica entre a Administração Pública e administrados; 
2. Presunção de legitimidade dos atos da Administração; 
3. A necessidade de poderes discricionários para atender ao interesse público.
1.4. RELAÇÃO COM OUTROS RAMOS DO DIREITO 
DIREITO CONSTITUCIONAL
Os dois são muito próximos: ramos de direito público e com o mesmo objeto, o
Estado. Mas atuam em momentos diferentes. Não é à toa que aparece em primeiro
lugar. O Estado se organiza duas vezes, tanto para existir, no Direito Constitucional,
quanto para atuar, no Direito Administrativo. Além disso, o nosso Direito
Administrativo é muito constitucionalizado. 
DIREITO TRIBUTÁRIO
É outro ramo do Direito Público, também tem como objeto o Estado. Mas a sua
atuação é de cobrar tributos. Contudo, exerce uma atividade administrativa, pois incide
sobre ele as regras administrativas. 
DIREITO FINANCEIRO
Ao contrário do Direito Tributário, o Direito Financeiro cuida da entrada e saída de
recursos. Mas esse gerenciamento do orçamento é basicamente uma função
administrativa. 
DIREITO INTERNACIONAL 
No D. Internacional Público, falamos das relações que o Estado mantém com outro
Estado. Essa representação no exterior é uma atividade administrativa. Além disso, no
D. Internacional Privado, as atividades privadas que são internacionais acabam sendo
resolvidas por questões administrativas. 
DIREITO DO TRABALHO
Aqui, há divergência na doutrina de ser público ou privado, já que o Estado está
muito presente nas relações de trabalho, ainda que cuide de relação entre particulares
(empregado e empregador). Ex.: o contrato de trabalho (CTPS) é um documento
público.
Por qualquer das correntes, quem faz a fiscalização do trabalho é o Estado. Assim,
os fiscais do trabalho exercem uma atividade administrativa. 
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DIREITO PREVIDENCIÁRIO
É quase a mesma coisa que Direito do Trabalho, porque quem cuida da previdência
do Brasil, tanto fiscalizando quanto prestando serviço, é o Estado. É ele que presta os
benefícios sociais. É tipicamente um serviço público. 
DIREITO PROCESSUAL
Muito do que se faz dentro da função administrativa é com base em regras do
direito processual. 
DIREITO ELEITORAL
Ainda que seja uma justiça especializada, o seu papel principal não é de função
jurisdicional, mas de fazer eleições. Isso é uma atividade administrativa. Não dá pra
deixar o executivo ou o legislativo fazerem as eleições. 
Além disso, as funções de justiça eleitoral se misturam muito com as funções
administrativas. Ex.: substituir urnas que não estão funcionando; levar urnas de barco a
povos indígenas. 
DIREITO CIVIL 
É um ramo do direito privado que cuida de pessoas. Dentre essas pessoas, estão
incluídas aquelas que compõem o Direito Administrativo, como as autarquias. Como as
Autarquias possuem bens, por exemplo, muitas de suas relações são disciplinadas pelo
Direito Civil. 
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2. PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO 
O regime jurídico-administrativo é o conjunto de regras e princípios que
regulam a atuação da Administração Pública, quando ela atua com base nas normas de
direito público, buscando, através da sua atuação, o interesse da coletividade.
Conforme a obra de Maria Sylvia Zanella Di Pietro:
“(...) Sendo o Direito Administrativo, em suas origens, de
elaboração pretoriana e não codificado, os princípios sempre
representaram papel relevante nesse ramo do direito,
permitindo à Administração e ao Judiciário estabelecer o
necessário equilíbrio entre os direitos dos administrados e as
prerrogativas da Administração. 
Os dois princípios fundamentais e que decorrem da assinalada
bipolaridade do Direito Administrativo – liberdade do indivíduo
e autoridade da Administração – são os princípios da legalidade
e da supremacia do interesse público sobre o particular, que
não são específicos do Direito Administrativo porque informam
todos os ramos do direito público; no entanto, são essenciais,
porque, a partir deles, constroem-se todos os demais.
A Constituição de 1988 inovou ao fazer expressa menção a
alguns princípios a que se submete a Administração Pública
Direta e Indireta, a saber, os princípios da legalidade, da
impessoalidade, da moralidade administrativa, da publicidade
e eficiência (art. 37, caput, com redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 4-6-98), aos quais a Constituição do
Estado de São Paulo acrescentou os da razoabilidade,
finalidade, motivação e interesse público (art. 111).
A Lei nº 9.784, de 29-1-99 (Lei do Processo Administrativo
Federal), no artigo 2º, faz referência aos princípios da
legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,
proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório,
segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...)”
A doutrina, ao tratar dos princípios, os divide em princípios expressos na
Constituição, e princípios implícitos (ou reconhecidos).
2.1. PRINCÍPIOS EXPRESSOS NA CF/88
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O art. 37, caput, da CR/88 prevê que a Administração Direta e Indireta deve se
submeter aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência. 
A) PRINCÍPIO DA LEGALIDADE (JURIDICIDADE)
Pelo princípio da legalidade, o administrador público só pode atuar quando a lei
determina que ele atue. É uma ideia de subordinação à lei. O agente público não pode
fazer o que quiser, só pode fazer o que a lei determina que ele faça. 
Importante salientar que, atualmente, o princípio da legalidade abrange não
apenas a lei em sentido estrito, mas sim todas as normas jurídicas, sejam elas regras ou
princípios (ainda que implícitos). É o que encontramos no art. 2º, parágrafo único, I, da
Lei 9.784/99, que fala em “lei e Direito”, baseado na ideia de juridicidade. 
B) PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE 
A doutrina,quando trata do princípio da impessoalidade, o apresenta sob três
ângulos diferentes: 
● Isonomia: a ideia de isonomia consagra a chamada igualdade material, em que
todas as pessoas que se encontram em situação semelhante, devem ser
tratadas de forma igual pela Administração; e que quem se encontra em
situação de desigualdade, deve ser tratado de forma desigual, na medida da
sua desigualdade.
A Administração Pública em princípio não pode dar tratamento desigual às
pessoas, por exemplo, todos que preencherem os requisitos previstos em lei podem se
candidatar a um cargo público, através do concurso público.
No entanto, se determinadas pessoas se encontrarem em uma situação de
desigualdade, podem receber um tratamento diferenciado, como no caso de reserva
de vagas para deficientes (art. 37, VIII, CR/88 e art. 5º, §2º, Lei 8.112/90) ou da
gratuidade de transporte público para os idosos (art. 230, §2º, CR/88 e art. 39 da Lei
10.741/03 – Estatuto do Idoso).
Se a Administração Pública confere um tratamento diferenciado a determinadas
pessoas, sem que este se justifique pela situação desigual, ela está ferindo o princípio
da isonomia, e, consequentemente, o princípio da impessoalidade.
● Proibição da promoção pessoal: quando o administrador público atua em
virtude da sua função pública, ele não está atuando em seu próprio nome, mas
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sim em nome da pessoa jurídica administrativa que integra. Assim, o agente
público não pode se valer do seu cargo para se promover. É o que está previsto
no art. 37, §1º da CR/88. Se o agente público se utiliza da atuação da
Administração Púbica para se promover, ele está ferindo o princípio da
impessoalidade.
● Finalidade: o administrador público, quando atua, deve sempre atuar buscando
a finalidade prevista em lei e o interesse público. 
Não é possível que o próprio administrador público escolha qual a finalidade a
ser alcançada, pois a finalidade é um elemento vinculado do ato administrativo; e não
é, obviamente, possível que o administrador público atue buscando um interesse
privado, seu ou de outrem. Ao atuar dessa maneira, ele está descumprindo a
finalidade, consequentemente, o princípio da impessoalidade.
C) PRINCÍPIO DA MORALIDADE
Pelo princípio da moralidade, a atuação da Administração Pública deve ser
sempre leal, proba, com boa-fé, ética. Tendo em vista que a Administração está
administrando a coisa pública, de todos, ela deve atuar buscando sempre a atuação
mais apropriada.
Além de previsto na Constituição, diversos dispositivos tratam da moralidade
administrativa, como o art. 2º, parágrafo único, IV, da Lei 9.784/99. 
O ordenamento jurídico possui diversos instrumentos que podem ser utilizados
para proteção da moralidade administrativa, como a ação de improbidade
administrativa, a previsão constitucional dos crimes de responsabilidade, a ação
popular, a ação civil pública, as sanções administrativas e judiciais previstas pela Lei
Anticorrupção, etc. Todos estes instrumentos serão analisados em momentos
específicos.
A proibição do nepotismo, prevista na Súmula Vinculante 13 do STF, tem como
função assegurar o respeito ao princípio da moralidade, da impessoalidade e da
eficiência. 
D) PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE
A atuação administrativa é, em regra, pública, acessível a todos. A publicidade
dos atos da Administração Pública é importante pois apenas tendo acesso aos atos é
possível controlar a atuação administrativa. 
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Além disso, sempre que solicitado, a Administração tem o dever de apresentar
as informações que estiverem contidas em seus registros e banco de dados. Caso o
acesso a estas informações seja negado, é possível a impetração do habeas data (art.
5º, LXXII, CR/88).
No entanto, importante salientar que existem exceções à regra da publicidade,
prevista na Constituição:
● Direito à intimidade das pessoas (art. 5º, X, CR/88);
● Quando comprovadamente colocar em risco a segurança da sociedade ou do
Estado (art. 5º, XXXIII, CR/88);
● Possibilidade de restrição ao acesso a determinados atos processais em nome
da defesa ou do interesse social (art. 189, CPC).
Com relação ao princípio da publicidade, importantes instrumentos são a Lei de
Acesso à informação, que regulamenta os procedimentos para acesso às informações
no setor público (Lei 12.527/2011); e a Lei Geral de Proteção da Dados (Lei 13.709/18)
que estabelece as regras de proteção dos dados pessoais. 
E) PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA 
O princípio da eficiência impõe que a atuação da Administração Pública seja
célere, eficiente, com rendimento funcional. 
Diversos instrumentos previstos na Constituição buscam assegurar essa
eficiência dentro da Administração, por exemplo:
● Cumprimento do chamado “estágio probatório”, que será um período de três
anos de efetivo exercício do servidor público a fim de que se analise a atuação
do servidor (art. 41, CR/88);
● Necessidade da aprovação na avaliação especial de desempenho ao final do
estágio probatório, que tem como finalidade analisar se o servidor deve
adquirir a estabilidade (art. 41, §4º, CR/88);
● Possibilidade de perda do cargo em virtude da reprovação em avaliação
periódica de desempenho (art. 41, §1º, III, CR/88);
● Contrato de gestão, a ser firmado entre a administração pública e seus órgãos
ou entidades, em que são estabelecidas metas de desempenho a serem
alcançadas (art. 37, §8º, CR/88).
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F) OUTROS 
Alguns autores indicam outros princípios como expressos na CR/88, apesar de
ser comum serem apontados como princípios expressos os previstos no art. 37, caput:
● Participação: art. 37, §3º, CR/88: garante a participação da sociedade, dos
particulares, dos usuários de serviço público.
● Celeridade processual: art. 5º, LXXVIIII, CR/88: garante a razoável duração do
processo, podendo ser aplicado, inclusive, na via administrativa. 
Atenção: uma questão de prova já considerou, em 2007, como se esse princípio
tivesse ligação com o princípio da razoabilidade. 
● Devido processo legal: art. 5º, LIV, CR/88: garante que o devido processo legal
deve ser garantido, inclusive na via administrativa.
● Contraditório e ampla defesa: art. 5º, LV, CR/88: deve se garantir o contraditório
e ampla defesa, na via judicial ou administrativa.
2.2. PRINCÍPIOS RECONHECIDOS (OU IMPLÍCITOS)
Além dos princípios já analisados, a doutrina costuma apontar outros princípios,
como implícitos (por não estarem previstos expressamente na Constituição) ou
reconhecidos (por serem reconhecidos peladoutrina ou por outras normas). 
A) PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE O INTERESSE PRIVADO
O princípio da supremacia do interesse público sobre o particular determina
que a Administração Pública deve atuar em busca do interesse da coletividade, e que,
caso esse interesse se choque com um interesse privado, o interesse público deve
prevalecer. A administração está, em regra, em situação de superioridade com relação
ao particular, assim, pode impor sua atuação, pois está buscando o interesse público.
Esta supremacia justifica, assim, diversas atuações da Administração Pública
que fazem com que ela imponha sua vontade, independente da concordância do
particular, como, por exemplo, nas formas de intervenção do Estado na propriedade,
nas cláusulas exorbitantes no contrato administrativo, no exercício do poder de polícia,
etc. 
B) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO
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Ao mesmo tempo em que a Administração recebe prerrogativas que um
particular não possui, em virtude do princípio da supremacia do interesse público, ela
recebe também limitações que o particular não precisa respeitar.
A Administração Pública não pode atuar livremente, devendo respeitar as
limitações a ela impostas, como a necessidade de concurso público, de licitação, de
prestar contas ao Tribunal de Contas, entre outros. 
Os princípios da supremacia do interesse público sobre o interesse privado e da
indisponibilidade do interesse público são considerados, pela doutrina, como as
“pedras de toque do Direito Administrativo”. 
C) PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE
Apesar de os princípios da razoabilidade e proporcionalidade terem origem e
significados diferentes, a doutrina e a jurisprudência têm o costume de tratá-los da
mesma maneira, trazendo a ideia de que a atuação da administração pública deve ser
uma atuação sem excessos, fazendo uma análise das medidas adotadas e dos fins
previstos pela administração. A administração deve ter uma 
O princípio da razoabilidade visa a atuação equilibrada, com bom senso (devido
processo legal substancial), já o princípio da proporcionalidade visa uma relação
coerente entre os meios e os fins de cada atuação estatal. Este último pode ser
subdividido em:
● Adequação: analisa se a medida adotada pela Administração consegue levar ao
fim que se pretende; 
● Necessidade: se existirem duas medidas que levem ao mesmo fim, deve-se
adotar a medida menos restritiva;
● Proporcionalidade em sentido estrito: deve-se realizar uma ponderação entre o
ônus da atuação estatal e os benefícios que esta venha a gerar, as vantagens e
desvantagens, como forma de se analisar se vale a pena a atuação.
Por se tratar de princípios aplicados à Administração Pública, caso uma atuação
esteja ferindo tais princípios, é possível a anulação do ato, por meio do controle de
legalidade, sendo possível que a anulação seja feita pela própria Administração ou até
mesmo pelo Poder Judiciário. Nesse sentido, a Súmula 665 do STJ estabelece que: 
O controle jurisdicional do processo administrativo disciplinar
restringe-se ao exame da regularidade do procedimento e da
legalidade do ato, à luz dos princípios do contraditório, da
ampla defesa e do devido processo legal, não sendo possível
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incursão no mérito administrativo, ressalvadas as hipóteses de
flagrante ilegalidade, teratologia ou manifesta
desproporcionalidade da sanção aplicada.
D) PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA 
Pelo princípio da autotutela, a Administração Pública tem o poder de rever seus
próprios atos, quando ilegais, ou ainda quando inconvenientes e/ou inoportunos.
Assim, a Administração pode controlar seus próprios atos, seja através da anulação ou
da revogação. 
Analisaremos essas formas de extinção do ato administrativo no capítulo
específico referente aos Atos Administrativos, no entanto, importante adiantar que
caso o ato administrativo seja ilegal, contrário a lei, ele deve ser anulado; diferente de
quando o ato administrativo é legal, mas se tornou inconveniente ou inoportuno,
hipótese em que ele deve ser revogado.
O exercício da autotutela é um poder-dever conferido à Administração, fazendo
com que a Administração tenha o dever de controlar seus próprios atos. Nesse sentido,
a Súmula 611, STJ:
Desde que devidamente motivada e com amparo em
investigação ou sindicância, é permitida a instauração de
processo administrativo disciplinar com base em denúncia
anônima, em face do poder-dever de autotutela imposto à
Administração.
O ordenamento jurídico trata deste princípio da 346 e 473 do STF e art. 53 da
Lei 9.784/99.
E) PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA (BOA-FÉ/ CONFIANÇA)
Pelo princípio da segurança jurídica, o ordenamento jurídico deve ser estável,
devendo respeitar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (art. 5º,
XXXVI, CR/88). Além disso, deve ser protegida a confiança das pessoas na atuação da
Administração Pública, devendo a atuação estatal preservar a confiança dos
particulares no Estado, que deve atuar com base na boa-fé. Assim, a Administração
Pública não pode atuar cada momento de uma forma, deve garantir uma estabilidade,
uma coerência na sua atuação. 
Os artigos 20 a 30 da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB)
foram inseridos como forma de se garantir segurança jurídica inclusive no âmbito
administrativo. 
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F) PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO
Em regra, a atuação da Administração Pública deve ser motivada, ou seja, deve
apresentar expressamente os motivos do ato. Mas vale ressaltar que cabe exceção, por
exemplo, na exoneração de cargo em comissão. 
O art. 50 da Lei 9.784/99 prevê diversos atos que dependem de motivação.
G) PRINCÍPIO DO FORMALISMO
A atuação da Administração Pública deve seguir determinadas formalidades
previstas em lei, diferente do direito privado, em que existe uma liberdade das formas. 
Mas esse formalismo não deve ser exagerado, prejudicando os direitos dos
particulares ou a eficiência da Administração. 
H) PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA
As decisões que limitam direitos ou aplicam sanções devem garantir o
contraditório e a ampla defesa, mesmo do âmbito administrativo, de acordo com o art.
5º, LV, CR/88.
Por exemplo, o processo administrativo disciplinar na Lei 8.112/90 ou a garantia
da ampla defesa para aplicar as penalidades da lei 8.666/90. 
I) PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL 
O processo administrativo deve respeitar o devido processo legal, nos termos do art.
5º,LIV, CR/88.
Algumas decisões importantes que dizem respeito aos princípios aplicados à
Administração Pública:
Critério de desempate em concurso público (Inf. 1.000, STF): É inconstitucional critério
de desempate em concurso público que favoreça candidato que pertence ao serviço
público do ente federativo.
Flexibilização do art. 37, §1º, CR/88 (Inf. 1.017, STF): Lei local não pode regular as
hipóteses em que uma divulgação se enquadra ou não como promoção pessoal. 
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Nomeação de parentes para cargo de natureza política (Inf. 914, STF): A nomeação do
cônjuge de prefeito para o cargo de Secretário Municipal, por se tratar de cargo público
de natureza política, por si só, não caracteriza ato de improbidade administrativa. 
Divulgação de vencimentos dos servidores em sítios eletrônicos (Inf. 782, STF): É
legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela Administração Pública,
dos nomes de seus servidores e do valor dos correspondentes vencimentos e
vantagens pecuniárias.
Relativização da publicidade (Inf. 8, Edição Especial, STJ): No regime de transparência
brasileiro, vige o princípio da máxima divulgação, em que a publicidade é regra, e o
sigilo, exceção. Quando não demonstrada, em concreto, nenhuma razão para se
entender que a manutenção do sigilo de informações dos órgãos públicos é útil à
segurança da sociedade e do Estado e imprescindível a essa finalidade, deve-se
prevalecer a regra da publicidade. 
Restrições ao acesso em sistemas de informação (Inf. 1.103, STF): O ato de qualquer
dos poderes públicos restritivo de publicidade deve ser motivado objetiva, específica e
formalmente, sendo nulos os atos públicos que imponham, genericamente e sem
fundamentação válida e específica, impeditivo do direito fundamental à informação.
Prazo da decadência administrativa (Inf. 1.012, STF): Lei estadual não pode
estabelecer outro prazo (10 anos), pois deve-se aplicar, por isonomia, o prazo de 5 anos
a todos os entes federativos. 
Atuação do Tribunal de Contas (Inf. 790, STJ): Em atenção aos princípios da segurança
jurídica e da confiança legítima, os Tribunais de Contas estão sujeitos ao prazo de cinco
anos para o julgamento da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria,
reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à respectiva Corte de Contas. 
Estabilidade provisória servidora gestante (Inf. 1.111, STF): A trabalhadora gestante
tem direito ao gozo de licença-maternidade e à estabilidade provisória,
independentemente do regime jurídico aplicável, se contratual ou administrativo,
ainda que ocupe cargo em comissão ou seja contratada por tempo determinado. O
direito à vida e à dignidade humana, como direitos fundamentais de salutar
importância, sobrepujam outros interesses ou direitos, que, balizados pela técnica da
ponderação, orientada pelos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, cedem
lugar à proteção do nascituro. 
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3. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
3.1. SENTIDO AMPLO E SENTIDO ESTRITO
Podemos conceituar Administração Pública de diversas formas:
● Sentido formal, subjetivo ou orgânico: refere-se ao próprio Estado, conjunto de
órgãos e entidades incumbidos da realização da atividade administrativa, com
vistas a atingir os fins do Estado. Envolve pessoas e órgãos dos três poderes,
desde que estes estejam exercendo função administrativa.
● Sentido material, objetivo ou funcional: representa o exercício da atividade
administrativa que é exercida por intermédio de seus órgãos e entes, ou seja, é
o Estado administrando. Essa abordagem material envolve atividades como a
polícia administrativa, prestação de serviços públicos, fomento e intervenção do
Estado.
Enquanto o conceito subjetivo leva em consideração os sujeitos que exercem a
atividade administrativa, o objetivo consiste na própria atividade exercida por aqueles.
Além disso, a doutrina também costuma classificar a administração pública
levando em consideração a função exercida, classificando em sentido amplo ou sentido
estrito:
● Sentido amplo: abrange tanto o exercício da função administrativa quanto o
exercício da função política (ou de governo). 
● Sentido estrito: apenas o exercício da função administrativa.
3.2. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA
Por fim, devemos diferenciar a Administração Direta e a Administração Indireta:
A) ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA
É composta pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, bem como seus
Ministérios e Secretarias. Aqui tem a atividade administrativa prestada de forma direta
e centralizada.
B) ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA
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Ocorre quando o ente federativo cria uma nova entidade e transfere a ela o
exercício de certa atividade. Essa nova pessoa jurídica fica vinculada à Administração
Direta, mas tem personalidade própria e exerce a atividade de forma descentralizada. 
Integram a Administração Indireta: autarquias, empresas públicas, sociedades
de economia mista e fundações públicas (além das associações públicas), que serão
analisadas em momento oportuno.
3.2.1. CLASSIFICAÇÃO DOS ÓRGÃOS PÚBLICOS
Os órgãos públicos podem ser classificados de diversas maneiras, a depender
do critério adotado.
E.1) Quanto à posição do órgão na hierarquia administrativa: 
● Órgãos independentes: são aqueles no topo da escala hierárquica, representantes
dos Poderes do Estado, previstos na Constituição. Não se submetem a nenhum
outro órgão.
● Órgãos autônomos: são os órgãos subordinados aos órgãos independentes, mas
que possuem autonomia administrativa, financeira e técnica, pois possuem poderes
de supervisão e coordenação.
● Órgãos superiores: são os órgãos que não possuem autonomia, mas ainda sim
detêm um poder de direção e controle, de decisão administrativa.
● Órgãos subalternos: são aqueles órgãos que não possuem nem autonomia nem
poder de decisão, apenas executam ordens.
E.2) Quanto à posição na organização federativa: 
● Órgãos federais: integram a Administração Pública federal.
● Órgãos estaduais: integram a Administração Pública estadual.
● Órgãos distritais: integram a Administração Pública do Distrito Federal.
● Órgãos municipais: integram a Administração Pública Municipal.
E.3) Quanto à composição do órgão:
● Órgãos singulares (unipessoais): composto por apenas uma pessoa. 
● Órgãos coletivos (pluripessoais ou colegiados): composto por mais de uma
pessoa. 
E.4) Quanto às atividades desenvolvidas:
● Órgãos ativos: responsáveis pela execução das decisões administrativas. 
● Órgãosconsultivos: órgãos que têm a função de assessorar outros órgãos. 
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● Órgãos de controle: órgãos que têm a função de controlar os outros órgãos e
agentes. 
E.5) Quanto à manifestação de vontade:
● Órgão simples (ou de representação unitária): se manifesta através de seu
dirigente.
● Órgão colegial (ou de representação plúrima): sua manifestação se forma
através de votação. A manifestação de vontade, assim, se imputa ao colegiado,
e não a cada um dos seus membros (salvo atos de rotina administrativa, que
podem ser editados pelo seu presidente). 
3.3. DESCONCENTRAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
A Administração Pública deve se organizar, para exercer as suas atividades de
forma eficiente. 
A) CONCENTRAÇÃO
A atuação concentrada das atividades ocorre quando a pessoa jurídica não se
divide internamente, quando não existe nenhuma divisão em órgãos. É o contrário da
desconcentração.
B) DESCONCENTRAÇÃO
Ocorre com a distribuição interna de competências dentro de uma pessoa
jurídica, quando a pessoa jurídica se divide em órgãos públicos. É o contrário da
concentração.
C) CENTRALIZAÇÃO
Ocorre quando as atividades são executadas pela Administração Direta (União,
Estados, Distrito Federal e Municípios), através de seus órgãos públicos, não havendo a
transferência de atividades para outras entidades. 
D) DESCENTRALIZAÇÃO
Trata-se de organização em que as atividades administrativas são distribuídas
para outras pessoas jurídicas. Nesse caso, a Administração Direta transfere uma
determinada atividade para outra entidade, seja da Administração Indireta ou até
mesmo não integrantes da Administração (como concessionárias e permissionárias de
serviço público). 
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São algumas das formas de descentralização:
● Descentralização por outorga, por serviço, técnica, funcional ou legal: feita por
lei, em que se transfere para outras entidades uma atividade. Se dá com a
criação de entidades de Administração Indireta. 
Alguns autores afirmam que a descentralização por outorga ocorre com a
criação de pessoas jurídicas de direito público, outros autores não fazem essa
distinção. 
● Descentralização por delegação, por colaboração ou negocial: ocorre quando a
execução de determinada atividade é transferida a outra entidade através de
contrato ou ato administrativo, por exemplo, com a delegação de serviços
públicos através de concessão ou permissão. 
Além dessas formas de descentralização, algumas outras formas podem ser
apontadas:
● Descentralização geográfica ou territorial: ocorre com a atribuição de
personalidade jurídica a uma determinada região territorial.
● Descentralização social: parcerias firmadas entre a Administração Pública e
entidades de direito privado sem fins lucrativos que exercem função social. 
● Descentralização política: é a distribuição de competências entre entes
federativos prevista na CR/88.
3.4. ENTIDADES INTEGRANTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
DESCENTRALIZADA (INDIRETA)
A Administração Indireta são pessoas jurídicas criadas pela Administração
Direta, para o exercício de uma atividade. Em regra, são citadas como integrantes da
Administração Indireta:
● Autarquias
● Fundações públicas
● Empresas públicas
● Sociedades de economia mista
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Além dessas entidades, é importante se lembrar das associações públicas, que são
os consórcios públicos de direito público, que, nos termos do art. 6º, §2º da Lei
11.107/05, integram a Administração Pública.
● 3.4.1. CARACTERÍSTICAS EM COMUM 
Cada uma das entidades da Administração Pública indireta será analisada mais a
frente, mas existem algumas características que são comuns a todas as entidades. 
A) ESPECIALIDADE
Cada uma dessas pessoas jurídicas é criada para o exercício de uma atividade
específica, que será determinada por lei. Não é possível que uma entidade da
Administração Indireta mude o seu objeto, pois só a lei pode fazê-lo.
B) RESERVA LEGAL
O art. 37, XIX, da CR/88 exige lei específica para a criação de cada uma das
pessoas jurídicas da Administração Indireta.
O referido inciso afirma que as autarquias são criadas por lei específica, e que
as fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista são autorizadas por
lei específica.
A autarquia é criada por lei, pois, por se tratar de pessoa jurídica de direito
público, basta a edição da lei para que a autarquia exista, não sendo necessário o
registro do ato constitutivo. 
Por outro lado, as fundações, empresas públicas e sociedades de economia
mista são autorizadas por lei, mas só passam a existir depois que seu ato constitutivo
for registrado no órgão competente, em virtude da previsão do art. 45, CC.
Quando a CR/88 trata da criação das fundações, diz que as fundações são
autorizadas por lei. Ocorre que as fundações públicas, conforme veremos, podem
possuir natureza jurídica de direito público ou natureza jurídica de direito
privado. Se for fundação pública de direito público, ela receberá o mesmo
tratamento das autarquias, assim, esta será criada por lei, e não autorizada por
lei. Por outro lado, se fundação pública de direito privado, ela será autorizada por
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lei, passando a existir com o registro do ato constitutivo. Assim, deve-se prestar
atenção na questão: se estiver falando de “fundação” ou “fundação pública”, sem
especificar a natureza jurídica, segue-se o texto do art. 37, XIX, da CR/88, e ela
será autorizada por lei. Mas, se a questão especificar que a fundação pública é de
direito público, ela é criada por lei.
Além disso, outro ponto importante com relação à ideia de reserva legal está no
art. 37, XX da CR/88, que estabelece a necessidade de autorização legislativa para a
criação de subsidiárias ou participação destas em entidades privadas. O STF, em
decisão da ADI 1649, estabeleceu que não é necessária a edição de lei para a criação
de cada subsidiária, bastando a autorização genérica na lei que autorizou a criação da
entidade.
C) CONTROLE (VINCULAÇÃO, SUPERVISÃO MINISTERIAL, CONTROLEFINALÍSTICO)
Quando a Administração Direta cria uma entidade da Administração Indireta,
ela está criando uma nova pessoa jurídica, e entre pessoas jurídicas diferentes não
existe hierárquica ou subordinação. No entanto, é possível afirmar que existe uma
relação de vinculação entre a Administração Direta e a entidade da Administração
Indireta, que também pode ser chamada de controle finalístico, tutela ou supervisão
ministerial. 
3.4.2. AUTARQUIAS
As autarquias são pessoas jurídicas de direito público que são criadas pela
Administração Direta para exercer atividades típicas de Estado.
Como visto, as autarquias são criadas por lei específica (art. 37, XIX, CR/88), não
sendo necessário o registro do ato constitutivo, em virtude da natureza jurídica de
direito público. 
A) REGIME DE PESSOAL
O regime de pessoal da autarquia, atualmente, deve ser o mesmo regime de
pessoa da Administração Direta. Isso se dá em virtude da aplicação da regre do regime
jurídico único, que determina que a Administração Direta, autárquica e fundacional
deve seguir o mesmo regime de pessoal. Assim, caso o ente federativo siga o regime
estatutário, as autarquias devem ter o regime estatutário; caso o ente federativo siga o
regime celetista, a autarquia segue o regime celetista. 
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A regra do regime jurídico único é aplicada em virtude da decisão do STF na
medida cautelar na ADI 2135, em que se determinou o retorno da redação original do
art. 39 da CR/88.
B) PATRIMÔNIO
De acordo com o art. 98 do Código Civil, são bens públicos os bens
pertencentes às pessoas jurídicas de direito público. Visto que a autarquia é pessoa
jurídica de direito público (art. 41, CC), os seus bens são públicos, recebendo o mesmo
tratamento que os bens da Administração Direta. As características dos bens públicos
(alienabilidade condicionada, impenhorabilidade, imprescritibilidade e não
onerabilidade) serão analisadas em momento oportuno, no tema Bens Públicos.
C) FORO PROCESSUAL
Se uma autarquia federal for parte de uma ação judicial, a Justiça competente é
a Justiça Federal (art. 109, I, CR/88). Assim como os Mandados de Segurança contra os
seus agentes públicos (art. 109, VIII, CF). Por outro lado, se a autarquia for estadual ou
municipal, a competência é da Justiça Estadual.
D) RESPONSABILIDADE CIVIL
Caso o agente de uma autarquia cause danos a um terceiro, a autarquia
responde pelos danos de forma objetiva, nos termos do art. 37, §6º, CR/88. Isso
significa que a autarquia responde independentemente da comprovação de dolo ou
culpa, bastando a comprovação da conduta, nexo e dano.
Vale ressaltar que, caso a autarquia não tenha condições de arcar com a
indenização, surge a responsabilidade subsidiária do ente federativo. 
E) IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
Nos termos do art. 150, §2º, CR/88, é vedada a instituição de impostos sobre o
patrimônio, a renda e os serviços das autarquias, desde que vinculados às suas
finalidades essenciais ou às delas decorrentes.
G) PRERROGATIVAS PROCESSUAIS
Por ser pessoa jurídica de direito público, a autarquia tem as mesmas
prerrogativas processuais da Fazenda Pública, ou seja, prazo em dobro para se
manifestar (art. 183, CPC), duplo grau de jurisdição, salvo exceções legais (art. 496,
CPC), etc. 
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F) ESPÉCIES DE AUTARQUIAS 
As autarquias podem ser classificadas em diversas espécies a depender da
atividade exercida, como, por exemplo, autarquias assistenciais, previdenciárias,
administrativas, de controle, entre outros. 
É importante analisar algumas dessas espécies de autarquias, que possuem
atividades e/ou características especiais.
F.1 UNIVERSIDADES PÚBLICAS
As universidades públicas são, em sua maioria, autarquias. No entanto, a
escolha dos seus dirigentes é feita de forma diferente, visto que são escolhidos pelos
membros da universidade.
F.2 CONSELHOS PROFISSIONAIS
Os Conselhos de profissão, como CREA, CRM, etc., são as entidades criadas para
controlar o exercício de certas profissões. Esses conselhos são considerados, pela
doutrina e jurisprudência, como autarquias, pois exercem atividades baseadas no
poder de polícia. Vale ressaltar que existe discussão com relação à natureza jurídica da
OAB.
F.3 ASSOCIAÇÕES PÚBLICAS
A lei 11.107/05 trata do consórcio público, que é criado pela união de entes
federativos para a busca de um interesse em comum. De acordo com o art. 6º, pode
ser criada uma pessoa jurídica de direito público ou de direito privado. Caso seja criado
um consórcio público de direito público, ele será chamado de associação pública e
integrará a administração direta, nos termos do art. 6º, §2º.
A doutrina costuma nomear as associações públicas como autarquias
multifederativas, plurifederativas ou interfederativas, pois possuem a participação de
mais um ente federativo. 
F.4 AGÊNCIA EXECUTIVAS
Agência executiva é uma qualificação atribuída a autarquias comuns ou
fundações públicas que firmam com a Administração Direta o chamado contrato de
gestão
É um qualificativo atribuível a autarquias comuns ou fundações públicas que
firmam com a Administração Direta um contrato de gestão (art. 37, §8º, CR/88; arts. 51
e 52 da Lei 9.649/98 e Decreto 2.487/98).
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Com relação às agências executivas, o art. 75, §2º, da Lei 14.133/21 traz um
tratamento especial a elas com relação à dispensa de licitação em virtude do valor. 
F.5 AGÊNCIAS REGULADORAS
As agências reguladoras são autarquias em regime especial, visto que possuem
uma importante função de regular e fiscalizar determinadas atividades econômicas ou
de interesse público. 
Em âmbito federal, são exemplos de agências reguladoras as listadas no art. 2º
da Lei 13.848/2019, com o ANATEL, ANEEL, ANVISA, entre outras. É possível também
que os demais entes federativos criem suas autarquias. 
As agências reguladoras possuem algumas características especiais, em virtude
da função que exercem, como, por exemplo, as características a seguir. 
● Deslegalização (ou delegificação): para a maioria da doutrina, a agência
reguladora pode editar atos normativos técnicos para regular a sua área de
atuação, desde que dentro de parâmetros estabelecidos pelo Poder Legislativo. 
● Autonomia dos dirigentes: como a agência reguladora precisa ter grande
autonomia, seus dirigentes recebem um tratamento especial em relação aos
dirigentes de autarquias comuns. Os dirigentes das autarquias são nomeados
pelo chefe do Poder Executivo, mas essa nomeação depende de aprovação do
Poder Legislativo (art. 5º,históricos, com o
nascimento do Estado social de direito. Tradicionalmente, tal princípio costuma ser
dividido em subsidiariedade e fragmentariedade.
1.3 PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE
O direito penal deve ser a última ratio, isto é, a última alternativa para a
proteção de bens jurídicos. Assim, quando outras formas menos gravosas de controle
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social forem suficientes para proteger os interesses constitucionalmente tutelados, a
utilização do sistema punitivo não será legítima.
1.4 PRINCÍPIO DA FRAGMENTARIEDADE
Diz respeito ao aspecto quantitativo do controle social-penal. Isto é, o direito
penal só deve tutelar um fragmento dos valores constitucionalmente reconhecidos.
Assim, apenas parte dos fatos ilícitos que lesionem bens jurídicos devem ser
considerados criminosos. Devem ser criminalizados apenas aqueles que ofendem ou
ameacem ofender os mais importantes bens para o desenvolvimento do indivíduo.
Bitencourt, remontando à doutrina na Muñoz Conde, afirma que o caráter
fragmentário do direito penal se apresenta sob três aspectos:
a. O direito penal somente deve proteger os bens jurídico-penais contra ataques
de especial gravidade, deixando de fora a maior parte das condutas
descuidadas ou que não possuem lesividade significativa.
b. Apenas parte das condutas consideradas ilícitas pelos outros ramos do direito
devem ser tipificadas pelo sistema punitivo.
c. Ações meramente imorais ou antiéticas (como o incesto ou o adultério) não
devem ser tratadas penalmente.
O princípio da fragmentariedade ainda repercute em importantes
desdobramentos principiológicos, tal qual o princípio da insignificância.
1.5 PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA 
Possivelmente um dos mais importantes princípios penais fundamentais da
contemporaneidade, foi cunhado pela primeira vez por Claus Roxin, em 1964 e
popularizado pela obra Política Criminal y Sistema del Derecho Penal do mesmo autor.
O funcionalista alemão apregoa que a tipicidade penal exige uma ofensa de gravidade
aos bens jurídicos e, portanto, não se esgota no mero juízo de subsunção ou
adequação entre a conduta e os elementos do tipo penal.
Também chamado de princípio bagatelar, o princípio da insignificância, quando
aplicado, resultará na ausência de tipicidade material da conduta, razão pela qual a
análise da própria ilicitude ou culpabilidade seriam desnecessárias. Assim, a subtração
de um item de valor ínfimo se adequa às elementares do tipo penal de furto (tipicidade
formal), mas não resulta em violação do patrimônio, bem jurídico tutelado pela norma
incriminadora do art. 155 do CP (tipicidade material). Verifica-se, pois, o grau de
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intensidade da lesão produzida, de forma que a própria aplicação do direito penal será
afastada a partir da insuficiência da lesão ao bem jurídico, uma vez que a proteção
deste consiste na própria função precípua do direito penal.
1.5.1 OS VETORES DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA SEGUNDO O STF
A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, há alguns anos se consolidou no
sentido de permitir a aplicação do princípio em tela perante a satisfação de
determinados requisitos, chamados pela Suprema Corte de vetores:
a. Mínima ofensividade da conduta.
b. Ausência de periculosidade social da ação.
c. Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento.
d. Inexpressividade da lesão jurídica.
Percebe-se que não basta que o desvalor do resultado seja insignificante, mas é
necessário que o desvalor da ação também seja ínfimo, o que, como veremos, afasta a
aplicação da insignificância quando há, por exemplo, violência ou grave ameaça.
Necessário notar, contudo, que tais vetores não passam de tautologia: a
repetição dos mesmos conceitos com palavras diferentes, sendo difícil até mesmo
diferenciá-los entre si ou deduzir o real significado das expressões utilizadas. São
balizas superpostas que claramente não condizem com as ideias fundantes do princípio
O STF permite a aplicação do princípio em crimes contra a ordem tributária,
como veremos, até o limite de 20 mil reais. Pergunta-se: infrações desta estirpe não
geram algum perigo social? Qual seria a distinção entre ofensividade e periculosidade?
A reprovabilidade do comportamento não seria derivada da ofensividade que este
representa ao bem jurídico-penal? Enfim, questão irrespondíveis que revelam a
inutilidade dos parâmetros da Suprema Corte.
1.5.2 O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA NA JURISPRUDÊNCIA DOS
TRIBUNAIS SUPERIORES
Em concursos públicos, porém, a cobrança deste princípio ocorre de forma cada
vez mais constante e quase sempre com base na jurisprudência atual referente a cada
um destes. Listemos, ainda que brevemente, os principais julgados acerca do tema.
a. O princípio da insignificância não se aplica em crimes praticados com violência
ou grave ameaça à pessoa. STJ, informativo 439.
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b. O princípio não é aplicável, atualmente, em crimes de moeda falsa, uma vez
que a violação à fé pública não é quantificável (embora o STF já tenha
aplicado-os anteriormente a esta categoria de delitos). STF, HC 107959/DF.
c. A insignificância é aplicável aos crimes contra a ordem tributária quando o
valor do tributo sonegado não ultrapassa o valor indicado pela regulamentação
concernente ao estudo de economicidade para a execução fiscal (art. 20 da lei
10.522/02, atualmente 20 mil reais). STJ, Resp. 1.688.878.
d. Para o STJ, o princípio não é aplicável aos crimes contra a administração
pública, uma vez que as violações à moralidade administrativa não podem ser
quantificadas (STJ, súmula 599). Contudo, a aplicação súmula foi mitigada em
decisão publicada no informativo especial número 7:
“Em determinadas hipóteses, nas quais for ínfima a lesão ao bem jurídico
tutelado - como na espécie -, admite-se afastar a aplicação do entendimento
sedimentado na Súmula n. 599/STJ, pois "a subsidiariedade do direito penal não
permite tornar o processo criminal instrumento de repressão moral, de
condutas típicas que não produzam efetivo dano.”
Para o STF, a análise do princípio nestes tipos penais deve ser feita caso a caso (STF,
informativo 624).
e. A insignificância não é aplicável nos crimes ou contravenções penais praticados
contra a mulher no âmbito das relações domésticas. STJ, súmula 589.
e. A despeito da presença de qualificadora no crime de furto possa, à primeira
vista, impedir o reconhecimento da atipicidade material da conduta, a análise
conjunta das circunstâncias pode demonstrar a ausência de lesividade do fato
imputado, recomendandoLei 9986/00 e art. 52, III, f, CR/88). Ainda, os
dirigentes devem respeitar os requisitos previstos no 5º da Lei 9.986/00. Depois
de nomeados, os dirigentes devem cumprir o mandato fixado no art. 6º da Lei
9.986/00, e durante esse período, não podem ser livremente exonerados pelo
Chefe do Executivo, só perdendo o cargo nas hipóteses do art. 9º da Lei
9.986/00. Por fim, depois de sair do cargo, os dirigentes das agências
reguladoras devem respeitar um período de quarentena, previsto no art. 8º da
Lei 9.986/00 em que ficam impedidos de trabalhar na área de atuação da
agência reguladora. 
3.4.3. FUNDAÇÕES PÚBLICAS
As fundações públicas são entidades da Administração Indireta criadas para o
exercício de função social. Com relação à natureza jurídica, doutrina e jurisprudência
entendem que as fundações públicas podem ser pessoas jurídicas de direito público ou
pessoas jurídicas de direito privado. 
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As fundações públicas de direito público receberão um tratamento semelhante
ao tratamento dado às autarquias, por isso podem ser chamadas de fundações
autárquicas. Por outro lado, as fundações públicas de direito privado receberão
tratamento semelhante ao das empresas públicas que prestam serviço público.
Um ponto importante com relação às fundações públicas é sobre sua criação.
Isso porque se for fundação pública de direito público, por ser uma pessoa jurídica de
direito público, basta a lei para a entidade existir, por isso, ela será criada por lei. Caso
seja uma fundação pública de direito privado, ela será autorizada por lei, passando a
existir com o registro do seu ato constitutivo. 
Vale ressaltar que o art. 37, XIX, CR/88, afirma que a “fundação” será autorizada
por lei, portanto, deve-se analisar a questão, para identificar se está cobrando
fundação pública de direito público ou não. 
A) REGIME DE PESSOAL
Deve-se analisar qual é a natureza jurídica da fundação pública. Se fundação
pública de direito público, ela possui servidores estatutários, se fundação pública de
direito privado, possuirá servidores celetistas. 
B) PATRIMÔNIO
Também é importante analisar a natureza jurídica. As fundações públicas de
direito público possuem bens públicos, as fundações públicas de direito privado
possuem bens privados (com aplicação de algumas normas de direito público). 
C) FORO PROCESSUAL
Caso seja parte de uma ação uma fundação pública de direito público federal, a
competência será da Justiça Federal; se fundação pública de direito público estadual,
municipal ou estadual, competência da Justiça Estadual. 
Já caso se trate de fundação pública de direito privado, seja federal, estadual,
distrital ou municipal, a competência da Justiça Estadual. 
D) RESPONSABILIDADE CIVIL
A responsabilidade será objetiva tanto no caso de fundação pública de direito
público seja a de direito privado, a responsabilidade será objetiva, nos termos do art.
37, §6º, CR/88.
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E) IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
Haverá imunidade tributária tanto para as fundações públicas de direito pública
quanto para as fundações públicas de direito privado, nos termos do art. 150, §2º,
CR/88. 
G) PRERROGATIVAS PROCESSUAIS
As prerrogativas processuais são apenas para as fundações públicas de direito
público. 
3.4.4. EMPRESAS PÚBLICAS
As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado que integram a
Administração Indireta e prestam serviço público ou exploram atividade econômica.
Um conceito de empresa pública pode ser encontrado no art. 3º da Lei 13.303/16, que
é o Estatuto das empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias,
nos termos do art. 173, §1º, CR/88. 
Vale ressaltar que a exploração de atividade econômica pela Administração
(que vai ocorrer por empresas públicas ou sociedades de economia mista) só pode
ocorrer nos casos de imperativos de segurança nacional ou relevante interesse
coletivo. 
Como já analisado, a instituição das empresas públicas é autorizada por lei
específica, tendo em vista que, nos termos do art. 45, CC, a existência legal das pessoas
jurídicas de direito privado se dá com o registro do seu ato constitutivo. 
A) REGIME DE PESSOAL
As empresas públicas possuem empregados públicos, também chamados de
servidores celetistas. Os servidores celetistas serão analisados mais a frente no capítulo
específico, mas vale lembrar que esses servidores se submetem à CLT, mas com a
aplicação de algumas normas de direito público, como:
● São considerados agentes públicos para fins penais (art. 327, CP) e de
improbidade administrativa (Lei 8.429/92).
● Devem se submeter a concurso público (art. 37, II, CR/88). Vale ressaltar, no
entanto, que, apesar de se submeterem à regra do concurso público, não
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adquirem estabilidade, podendo ser dispensados a qualquer momento, desde
que a dispensa seja motivada.
● Devem respeitar a regra de não acumulação de cargos e empregos (art. 37, XVI
e XVII, CR/88).
● Caso a empresa pública (ou sociedade de economia mista) dependa da
Administração Direta para pagamento de pessoal ou custeio em geral, os seus
servidores celetistas devem respeitar o teto remuneratório (art. 37, XI e §9º,
CR/88).
B) PATRIMÔNIO
Os bens das empresas públicas são, para a maioria da doutrina, bens privados,
em virtude do critério da titularidade aplicado pelo art. 98, CC (alguns autores
entendem que, caso a empresa pública preste serviço público, seus bens deveriam ser
considerados públicos). 
Sendo privados, a regra é que os bens das empresas públicas não recebem
tratamento de direito público, exceto por algumas características:
● Sua alienação deve respeitar a regra da licitação, nos termos do art. 49, Lei
13.303/16. 
● Se o bem está afetado à prestação de serviço público, ele será impenhorável,
como forma de respeitar a continuidade dos serviços públicos. 
C) FORO PROCESSUAL
Caso a empresa pública federal seja parte em uma ação judicial, a justiça
competente será a Justiça Federal, nos termos do art. 109, I, CR/88. Por outro lado, se
se tratar de empresa pública estadual, distrital ou municipal, a competência será da
Justiça Estadual.
D) RESPONSABILIDADE CIVIL
Se a empresa pública presta serviço público, ela se enquadra no art. 37, §6º,
CR/88 no que diz respeito ao seu dever de indenizar os danos causados a terceiros,
portanto, sua responsabilidade é objetiva. 
Se for uma empresa pública que explora atividade econômica, a sua
responsabilidade não se submete à regra do art. 37, §6º, devendo se aplicar as regrasda lei civil. 
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Vale ressaltar que, caso a empresa pública não tenha condições de arcar com a
indenização, surge a responsabilidade civil subsidiária do ente federativo. Assim, por
exemplo, se uma empresa pública federal não consegue arcar com a indenização, surge
a responsabilidade subsidiária da União.
E) IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
Com relação à imunidade tributária das empresas públicas, o STF (Inf. 1.051)
estabeleceu 3 (três) requisitos para a sua concessão: 
(i) a prestação de um serviço público; 
(ii) a ausência do intuito de lucro e 
(iii) a atuação em regime de exclusividade, ou seja, sem concorrência. 
G) PRERROGATIVAS PROCESSUAIS
Como são pessoas jurídicas de direito privado, não possuem prerrogativas
processuais como a Fazenda Pública.
H) COMPOSIÇÃO DO CAPITAL 
Nos termos do art. 3º, Lei 13.303/16, as empresas públicas têm o capital social
é integralmente detido pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos
Municípios. Nos termos do parágrafo único, desde que a maioria do capital votante
permaneça em propriedade da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município,
será admitida, no capital da empresa pública, a participação de outras pessoas jurídicas
de direito público interno, bem como de entidades da administração indireta da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
I) FORMA SOCIETÁRIA
A lei não traz nenhuma forma societária obrigatória para as empresas públicas,
ou seja, elas podem ter qualquer forma societária admitida em direito.
3.4.5. SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA
As sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado, que
integram a Administração Indireta, devem prestar serviços públicos ou explorar
atividades econômica, cujo conceito pode ser encontrado no art. 4º da Lei 13.303/16. 
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Como dito nas empresas públicas, a exploração de atividade econômica deve
ocorrer nos casos de imperativos de segurança nacional ou relevante interesse
coletivo.
A instituição das sociedades de economia mista é autorizada por lei específica,
tendo em vista que, nos termos do art. 45, CC, a existência legal das pessoas jurídicas
de direito privado se dá com o registro do seu ato constitutivo. 
A) REGIME DE PESSOAL
Da mesma maneira que as empresas públicas, a sociedade de economia mista
possui empregados públicos (servidores celetistas). Devendo receber as mesmas
características, se submetem à CLT, com algumas normas de direito público:
● São considerados agentes públicos para fins penais (art. 327, CP) e de
improbidade administrativa (Lei 8.429/92).
● Devem se submeter a concurso público (art. 37, II, CR/88). Vale ressaltar, no
entanto, que, apesar de se submeterem à regra do concurso público, não
adquirem estabilidade, podendo ser dispensados a qualquer momento, desde
que a dispensa seja motivada.
● Devem respeitar a regra de não acumulação de cargos e empregos (art. 37, XVI
e XVII, CR/88).
● Caso a empresa pública (ou sociedade de economia mista) dependa da
Administração Direta para pagamento de pessoal ou custeio em geral, os seus
servidores celetistas devem respeitar o teto remuneratório (art. 37, XI e §9º,
CR/88).
B) PATRIMÔNIO
Os bens das sociedades de economia mista são, para a maioria da doutrina,
bens privados, em virtude do critério da titularidade aplicado pelo art. 98, CC (alguns
autores entendem que, caso a sociedade de economia mista preste serviço público,
seus bens deveriam ser considerados públicos). 
Sendo privados, a regra é que os bens das sociedades de economia mista não
recebem tratamento de direito público, exceto por algumas características:
● Sua alienação deve respeitar a regra da licitação, nos termos do art. 49, Lei
13.303/16. 
● Se o bem está afetado à prestação de serviço público, ele será impenhorável,
como forma de respeitar a continuidade dos serviços públicos. 
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C) FORO PROCESSUAL
A questão da justiça competente no caso da sociedade de economia mista é
diferente do que nas empresas públicas. Como a sociedade de economia mista não
está prevista no art. 109, I, CR/88, portanto, mesmo se a sociedade de economia mista
for federal, a competência será da justiça estadual quando ela for parte de uma ação
judicial. 
Da mesma maneira, a competência será da justiça estadual no caso de
sociedade de economia mista estadual, distrital ou municipal. 
Vale ressaltar que, no caso de mandados de segurança e habeas data, a
competência depende da autoridade competente, portanto, no caso da sociedade de
economia mista federal, o dirigente se enquadra como autoridade federal, portanto,
competência da Justiça Federal (art. 109, VIII, CR/88).
D) RESPONSABILIDADE CIVIL
Se a sociedade de economia mista presta serviço público, ela se enquadra no
art. 37, §6º, CR/88 no que diz respeito ao seu dever de indenizar os danos causados a
terceiros, portanto, sua responsabilidade é objetiva. 
Se for uma sociedade de economia mista que explora atividade econômica, a
sua responsabilidade não se submete à regra do art. 37, §6º, devendo se aplicar as
regras da lei civil. 
Vale ressaltar que, caso a sociedade de economia mista não tenha condições de
arcar com a indenização, surge a responsabilidade civil subsidiária do ente federativo.
Assim, por exemplo, se uma sociedade de economia mista federal não consegue arcar
com a indenização, surge a responsabilidade subsidiária da União.
E) IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
Com relação à imunidade tributária das empresas públicas, o STF (Inf. 1.051)
estabeleceu 3 (três) requisitos para a sua concessão: 
(i) a prestação de um serviço público; 
(ii) a ausência do intuito de lucro e 
(iii) a atuação em regime de exclusividade, ou seja, sem concorrência. 
Ainda, vale ressaltar que o art. 150, §2º, CR/88, com a Reforma Tributária,
incluiu a empresa pública prestadora de serviço postal dentre as hipóteses de
imunidade tributária.
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G) PRERROGATIVAS PROCESSUAIS
Como são pessoas jurídicas de direito privado, não possuemprerrogativas
processuais como a Fazenda Pública.
H) COMPOSIÇÃO DO CAPITAL 
Nos termos do art. 4º, Lei 13.303/16, a regra com o capital social da sociedade
de economia mista é que a maioria das ações com direito a voto devem pertencer à
União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou a entidade da administração
indireta. Assim, é possível que particulares integrem o capital social da sociedade de
economia mista. 
I) FORMA SOCIETÁRIA 
O art. 4º da Lei 13.303/16 também estabelece que a sociedade de economia
mista necessariamente deve possuir a forma de sociedade anônima (S/A). 
Algumas decisões importantes com relação à organização administrativa:
Extinção de empresas estatais (Inf. 1.004, STF): Em regra, é desnecessária lei específica
para inclusão de sociedade de economia mista ou de empresa pública em programa de
desestatização. Não se aplica o princípio do paralelismo das formas. Exceção: em
alguns casos a lei que autorizou a criação da empresa estatal afirmou expressamente
que seria necessária lei específica para sua extinção ou privatização. Nesses casos,
obviamente, não é suficiente uma lei genérica (não basta a Lei no 9.491/97), sendo
necessária lei específica. 
Regime de pessoal dos Conselhos profissionais (ADC 36, ADI 5367 e ADPF 367, STF): É
constitucional a contratação de pessoal sob o regime da Consolidação das Leis
Trabalhistas (CLT) em conselhos profissionais. 
Conselhos profissionais e regime de precatório (Inf. 861, STF): Os Conselhos
profissionais não se submetem ao regime de precatório
Poder regulamentar das agências reguladoras (Jurisprudência em teses, Edição 79,
STJ): As agências reguladoras podem editar normas e regulamentos no seu âmbito de
atuação quando autorizadas por lei.
Vedação de servidores de agências reguladoras exercerem outra atividade
profissional Inf. 1085, STF: É constitucional norma legal que veda aos servidores
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titulares de cargo efetivo de agências reguladoras o exercício de outra atividade
profissional, inclusive gestão operacional de empresa, ou de direção político-partidária.
Dispensa motivada de servidores celetistas (Inf. 1.126, STF): As empresas públicas e as
sociedades de economia mista, sejam elas prestadoras de serviço público ou
exploradoras de atividade econômica, ainda que em regime concorrencial, têm o dever
jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de seus empregados concursados, não
se exigindo processo administrativo. Tal motivação deve consistir em fundamento
razoável, não se exigindo, porém, que se enquadre nas hipóteses de justa causa da
legislação trabalhista.
Teto remuneratório e empresas estatais (inf. 1.018, STF): Teto remuneratório não
incide sobre empresas públicas e sociedades de economia mista que não recebem
recursos da Fazenda Pública.
Regime de precatório e empresas estatais (Infs. 910, 920, 1.026 e 1.104, STF):
Empresas públicas e sociedades de economia mista que exploram atividade econômica
não se submetem a precatório. No entanto, empresas públicas e sociedades de
economia mista que prestam serviço público, em regime não concorrencial, se
submetem ao regime de precatório. 
Regime jurídico da fundação pública (Inf. 946, STF): A qualificação de uma fundação
instituída pelo Estado como sujeita ao regime público ou privado depende (i) do
estatuto de sua criação ou autorização e (ii) das atividades por ela prestadas. As
atividades de conteúdo econômico e as passíveis de delegação, quando definidas como
objetos de dada fundação, ainda que essa seja instituída ou mantida pelo poder
público, podem se submeter ao regime jurídico de direito privado.
Regime jurídico da fundação pública (Inf. 1.085, STF): É constitucional a constituição
de fundação pública de direito privado para a prestação de serviço público de saúde.
Regime de pessoal da fundação pública de direito privado (Inf. 997, STF): É
constitucional a legislação estadual que determina que o regime jurídico celetista
incide sobre as relações de trabalho estabelecidas no âmbito de fundações públicas,
com personalidade jurídica de direito privado, destinadas à prestação de serviços de
saúde.
Custas processuais e fundações públicas (Inf. 676, STJ): As fundações públicas de
direito privado não fazem jus à isenção das custas processuais.
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27a aplicação do princípio da insignificância. STJ,
informativo 665.
e. No que diz respeito ao reincidente, tribunais superiores tendem a permitir a
aplicação do princípio para que não se caia em um direito penal do autor.
Contudo, a análise de cada caso concreto pode levar ao afastamento do
princípio quando se constata a habitualidade criminosa em delitos da mesma
natureza. STF, informativos 793 e 966. STJ, informativos 534 e 575.
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1.6 PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL 
O direito penal não deve alcançar as condutas já consideradas adequadas pela
ordem social historicamente condicionada.
Foi criado por Hans Welzel (criador da teoria finalista da ação) para quem o
Direito Penal somente deve tipificar condutas que possuam relevância social, caso
contrário, o comportamento não poderá ser criminalizado. Embora Welzel tenha por
muito tempo discutido qual seria a natureza jurídica do princípio (se atuaria como
causa de exclusão da ilicitude ou mera diretriz principiológica destinada ao legislador),
acabou concluindo que o princípio atuaria como excludente de tipicidade.
É correto afirmar que o princípio possui duas funções.
a. A função político-criminal é voltada para orientar o legislador na criminalização
ou descriminalização de conduta. O adultério foi descriminalizado em 2005,
uma vez que a tipificação não era mais adequada à sociedade contemporânea.
b. A função dogmática-interpretativa é destinada ao juiz que poderia, com fulcro
neste princípio, afastar a tipicidade penal.
Cumpre ressaltar que esta última função tende a não ser aplicada de forma
frequente pelos tribunais superiores, ao argumento (um tanto quanto raso e atécnico)
de que os costumes não podem revogar uma lei penal formalmente vigente. Sob este
argumento, no HC 104.467/RS, o STF não aplicou este princípio ao crime de casa de
prostituição. No HC 98.898/SP, o STF não aplicou este princípio ao delito de violação de
direito autoral.
1.7 PRINCÍPIO DA LESIVIDADE (OU OFENSIVIDADE)
Para existência de crime, exige-se que haja perigo concreto, real e efetivo de
dano a um bem jurídico penalmente protegido. Desta forma, para muitos
doutrinadores, os crimes de perigo abstrato seriam inconstitucionais, uma vez que,
nestes, o risco ao bem jurídico tutelado pelo tipo penal é absolutamente presumido a
partir da prática da conduta. Assim, estas normas incriminadoras devem ser
reinterpretadas como crimes de perigo concreto, no qual não se presume legalmente o
perigo que deve ser demonstrado em cada caso concreto.
Tal princípio também possui uma função político-criminal, que orienta o
legislador a jamais tipificar tipos penais que prescindem de real perigo de lesão a bens
jurídicos, e uma função dogmática-interpretativa que se destina ao juiz, que deve
analisar a posteriori as normas incriminadoras no sentido de afastar interpretações que
prescindem do risco concreto ao bem jurídico para a punição.
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É importante ressaltar, contudo, que os tribunais superiores não enxergam
qualquer inconstitucionalidade nos crimes de perigo abstrato. Aliás, estes são
extremamente frequentes na contemporaneidade. Podemos apontar como exemplo os
crimes de posse ou porte ilegal de arma de fogo dos arts. 12, 14 e 16 da Lei 10826/03
(STF, HC 107957) ou de embriaguez ao volante do art. 306 do CTB (STJ, AgRg no AResp
1.318.847).
De modo complementar, é necessário que o perigo ou dano seja aplicado sobre
bens jurídicos alheios, não admitindo-se a criminalização de condutas que possam
atingir a bens próprios. (princípio da alteridade)
1.8 PRINCÍPIO DA EXTERIORIZAÇÃO OU MATERIALIZAÇÃO DO FATO
O direito penal somente deverá tipificar fatos, isto é, ações ou omissões
voluntárias e jamais condições internas, pensamentos, ideias, convicções, ideologias ou
questões existenciais. Assim, chega-se a um direito penal do fato, afastando-se de um
direito penal do autor.
Para Rogério Sanches Cunha, o art. 25 da LCP, que trazia a contravenção relativa
ao porte de gazuas ou instrumentos normalmente utilizados para o furto, foi declarado
inconstitucional em nome deste postulado.
O princípio da materialização do fato consiste no quinto axioma do garantismo
penal de Luigi Ferrajoli.
1.9 PRINCÍPIO DA CULPABILIDADE
Franz Von Liszt dizia que, pelo aperfeiçoamento da teoria da culpabilidade
mede- se o progresso do próprio Direito Penal. Foi a partir da doutrina deste autor que
a culpabilidade, na segunda metade do século XIX, tornou-se categoria autônoma da
teoria do delito (substrato do conceito de crime). Neste sentido, podemos definir a
culpabilidade, em linhas bastante gerais, como um juízo individualizado de atribuição
da responsabilidade penal que teve seus elementos significativamente modificados ao
longo do último século.
O vocábulo culpabilidade também possui um segundo sentido, podendo ser
compreendida como um elemento de graduação da pena, no qual se estabelece, sob o
postulado da proporcionalidade, uma relação entre culpa e castigo. Busato apresenta,
ainda, um terceiro sentido, pelo qual a culpabilidade, enquanto princípio penal,
englobaria os princípios da responsabilidade pessoal, responsabilidade subjetiva,
responsabilidade pelo fato, a presunção de inocência e individualização da pena.
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Contemporaneamente, consuma-se atribuir uma tripla função ao princípio da
culpabilidade:
a) Proíbe a responsabilidade penal objetiva, isto é, sem análise do dolo ou da
culpa. Isto porque, nos primórdios do conceito analítico de crime, vigorava a teoria
psicológica da culpabilidade, que a identificava como o vínculo psicológico entre o
autor da conduta e o resultado material do crime. Assim, a culpabilidade, enquanto
substrato do crime, exercia justamente a função de garantir que a responsabilidade
penal fosse apenas subjetiva, função esta que ainda permanece.
Não se desconhece o fato de que o Código Penal brasileiro possui resquícios
de responsabilidade penal objetiva, seja na adoção da teoria da actio libera in causa
do art. 28, II, ou da previsão do parágrafo único do art. 137 que comina qualificadora
pelo simples fato de participação em uma rixa na qual ocorreu determinados
resultados. No entanto, a doutrina mais bem fundamentada afirma que estas
passagens devem ser interpretadas em consonância com a exigência de que toda
responsabilidade penal seja subjetiva. 
b) Proíbe a punição sem os requisitos do juízo de reprovação segundo o
estágio atual da culpabilidade. Com a evolução do conceito de culpabilidade, quese
transformou, a partir do neokantismo, e de forma completa com o finalismo, em um
juízo de reprovação pessoal, dotado de imputabilidade, potencial consciência da
ilicitude, exigibilidade de conduta diversa. Desta forma, o princípio da culpabilidade
passou a exigir a análise destes elementos como fundamento da pena.
c) Culpabilidade é a medida da pena, uma vez que a dosimetria deve ser
orientada por critérios racionais de proporcionalidade, balizados pelo direito penal
fato, afastando-se cálculos arbitrários ou baseados em um direito penal do autor.
1.10 PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE (INTRANSCENDÊNCIA) DA PENA
É resumido pela passagem presente no art. 5º, XLV da Constituição Federal.
Art.5º, XLV, CF/88
nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de
reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei,
estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do
patrimônio transferido;
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Também chamado de princípio da responsabilidade pessoal, este postulado
constitucional proíbe a responsabilização por fato de outrem, inexistindo
responsabilidade penal coletiva. Assim, com a morte do executado, a pena imposta
deve ser extinta, não havendo transmissão de penalidade aos herdeiros.
São também desdobramentos lógicos deste princípio: a necessidade de
individualização da acusação, sendo inadequadas as denúncias genéricas que não
especificam a imputação e o agente, e a obrigatoriedade de individualização da pena,
que, hoje, possui o status de princípio penal autônomo.
Importante notar que o que parecem exceções a este postulado, previstas no
inciso supracitado, são referentes aos efeitos extrapenais da condenação e, portanto,
não compreendem efeitos transcendentes da pena. Outrossim, é bem estabelecido
que a multa penal não perde seu caráter de pena e, portanto, não é transmissível aos
herdeiros nem mesmo nas forças da herança.
1.11 PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA
O princípio é um dos desdobramentos do princípio da culpabilidade e encontra-
se na primeira parte do inciso XLVI do art. 5º da Constituição Federal.
Art.5º, XLVI, CF/88
a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
privação ou restrição da liberdade;
a. perda de bens;
b. multa;
c. prestação social alternativa;
d. suspensão ou interdição de direitos;
A pena deve ser individualizada para o delito e para o delinquente, de forma
que a individualização deve ser observada em três momentos:
a) Na cominação da pena, fase própria do legislador, que deve garantir,
dentre as balizas da escala penal presentes no próprio preceito secundário do tipo,
uma variação de pena que permite a individualização da sanção. Assim, caso balizas
mínimas e máximas da escala penal estejam muito próximas, a individualização estará
impossibilitada.
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b) Na aplicação da pena, de forma que o juiz de direito deve utilizar
critérios legais racionais de dosimetria para individualizar a pena ao caso concreto.
Nesta perspectiva, serão inconstitucionais as normas que subtraírem do julgador
institutos que possibilitam tal exercício. Com base neste entendimento, em históricos
julgados do STF, entendeu-se pela inconstitucionalidade de normas previstas em
importantes leis penais. Primeiramente, podemos citar o HC 111.840/ES no qual se
decidiu pela inconstitucionalidade do regime iniciam fechado obrigatório que ainda
está previsto no artigo 2º da lei 8.072/90. Em segundo lugar, temos o HC 97.256/RS no
qual se decretou a inconstitucionalidade da vedação, outrora existente na Lei
antidrogas, da substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de
direito.
c) Na execução da pena, devendo-se preservar e cumprir as normas da
execução penal que permite que a sanção seja individualizada ao delito e ao
delinquente, desde a classificação até os benefícios de saída e progressão. Neste
diapasão, cumpre mencionar um dos mais importantes julgados das últimas décadas: o
HC 82959/SP, no qual se decidiu pela inconstitucionalidade do regime integralmente
fechado, um dos mais controversos institutos previstos originariamente na lei dos
crimes hediondos.
1.12 PRINCÍPIO DA HUMANIDADE (OU LIMITAÇÃO) DA PENA
Apregoa que a pena não pode ofender a dignidade humana do apenado. O
princípio da dignidade da pessoa humana, fundamento da República Federativa do
Brasil, se mostra como obstáculo à adoção de determinadas espécies de pena que, em
razão da natureza e gravidade, são inaceitáveis no atual Estado civilizacional.
A Constituição Federal, em seu artigo 5º, XLVII, adota expressamente o princípio
da humanidade da pena, ao proibir uma série de sanções.
Art.5º, XLVII, CF/88
não haverá penas:
a. de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b. de caráter perpétuo;
c. de trabalhos forçados;
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Considerando que a pena pressupõe certa aplicação de sofrimento, os limites
quantitativos e qualitativos da dor punitiva são corolários do princípio da humanidade.
Para parte da doutrina, a exemplo de Cézar Roberto Bitencourt, o regime
disciplinar diferenciado é incompatível com este princípio por violar o objetivo
ressocializador vigente na constituição. Esta não é, contudo, não parece ser
compartilhada pelos tribunais superiores que jamais declararam a
inconstitucionalidade de tal instituto.
1.13 PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE
Conforme ensina Juarez Cirino dos Santos, o princípio da proporcionalidade foi
desenvolvido pela dogmática constitucional germânica e rege a idoneidade da
intervenção estatal em direitos fundamentais, o que naturalmente é aplicável ao
controle jurídico penal. A proporcionalidade da violência estatal pode se mostrar
proporcional através de três princípios parciais que devem ser analisados em ordem
sucessiva:
a) Princípio da adequação. Deve-se demonstrar que a criminalização da
conduta em questão é um meio empiricamente capaz de proteger o bem jurídico e
prevenir estatisticamente a prática da ação criminosa (o que depende da investigação
criminológica).
b) Princípio da necessidade. Deve-se demonstrar que a pena criminal é o meio
menos lesivo dentre os outros meios adequados para prevenir a condita delitiva (o que
dialoga com o já citado princípio da subsidiariedade).
c) Princípio da proporcionalidade em sentido estrito (ou avaliação). Tem por
finalidade a otimização das possibilidades jurídicas, isto é, deve-se demonstrar que a
pena criminal cominada e aplicada é proporcionalem relação à natureza e extensão da
lesão abstrata e concreta ao bem jurídico e que o custo social da criminalização não é
maiores do que o da conduta delitiva.
A partir da adoção do princípio da proporcionalidade, proíbe-se o excesso na
criminalização, bem como a proteção deficiente do bem jurídico-penal.
1.14 PRINCÍPIO DO NE BIS IN IDEM
O princípio do ne bis in idem dispõe que ninguém será processado ou punido
por fato pelo qual já tenha sido absolvido ou condenado por sentença transitada em
julgado.
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Em dissertação sobre o tema, Keity Saboya afirma que não se conhece de forma
precisa a origem histórica do princípio. Para parte da doutrina, o nascedouro do
princípio se localiza no direito romano, como consequência lógica do instituto da coisa
julgada, derivado do caráter preclusivo do processo, a partir da litis contestatio,
utilizada para solucionar eventual concorrência de ações. Outros autores defendem
que o princípio se originou no direito grego.
O ne bis in idem é reconhecido no plano internacional em diversos tratados. O
Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos prevê o princípio em seu art. 14.7; o
Convênio de Direitos Humanos, art. 4º do Protocolo 7º também o prevê, bem como o
art. 8.4 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e o art. 20 do Estatuto de
Roma do Tribunal Penal Internacional.
Parte da doutrina brasileira defende que se trata de um princípio constitucional
implícito, uma vez que possui estrita relação com os efeitos da coisa julgada, disposta
no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal, e decorrente do caráter excepcional da
revisão criminal, que, conforme arts. 621 e 626, parágrafo único do CPP, somente é
cabível para beneficiar o réu, sendo corolário do Estado Constitucional e do devido
processo. Tal entendimento, entretanto, não é unânime, havendo corrente que
defende que princípio tem apenas caráter de supralegalidade por estar presente em
tratados ratificados pelo ordenamento brasileiro.
O ne bis in idem possui um aspecto processual que diz respeito à
inadmissibilidade de múltipla persecução penal (simultânea ou sucessiva) sobre os
mesmos fatos, sob pena de litispendência ou ofensa à coisa julgada. Também exerce
consequência no direito material, que corresponde à impossibilidade de cumulação de
sanções penais pelos mesmos fundamentos. Assim, o mesmo fato não pode violar duas
normas incriminadoras ou duas circunstâncias que pesam negativamente sobre a pena,
a menos que se perceba, através da mesma conduta, lesões distintas a bens jurídicos
diferentes.
André Estefam apresenta de forma bem didática as mais importantes
consequências do ne bis in idem que serão aqui listadas:
a) A detração penal, prevista no art. 42 do Código Penal.
Art.42, CP
Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o
tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão
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administrativa e o de internação em qualquer dos estabelecimentos referidos
no artigo anterior.
b) A vedação do duplo apenamento nos casos de extraterritorialidade da lei
penal brasileira. O art. 8º do Código Penal, por exemplo estabelece um critério para
evitar o bis in idem no caso de extraterritorialidade incondicionada.
Art.8º, CP
A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo
crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas.
c) Dosimetria da pena. O Código Penal possui uma série de critérios
dosimétricos da pena que visam impedir que o mesmo fato influencie a sanção penal
em mais de uma fase de aplicação. Como exemplo, temos o artigo 61, segundo o qual o
uma circunstância não pode servir como elementar do tipo e como agravante ao
mesmo tempo.
Art.61, CP
São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou
qualificam o crime: (...)
d) Conflito aparente de normas. Quando uma mesma conduta se subsome a
mais de uma norma incriminadora vigente, não será possível aplicar todas as sanções
penais. A doutrina jurídica criou, para este conflito aparente, os princípios da
especialidade, subsidiariedade, alternatividade e consunção.
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HARDWARE pode ser definido como a parte física do computador. São as
peças. Ex: Teclado, mouse, estabilizador, memórias, etc.
Divisão do HARDWARE do computador 
a. CPU (Processador) – processa todos os dados que entram no computador e o
transforma em informações. Instruções são ordens enviada pelos Software e
executadas pela CPU. A unidade central de processamento é dividida em duas
partes principais: 
1. Unidade de Controle (UC) – controla todo o funcionamento da CPU. 
2. Unidade Lógica e Aritmética (ULA) – é responsável pela execução das
instruções que envolvem operações aritméticas e lógicas entre valores. Em
outras palavras, é responsável pelo processamento propriamente dito.
Registradores pequenas posições de memória destinadas a armazenar
instruções e pequenas quantidades de informação. 
b. MEMÓRIAS
b. PERIFÉRICOS DE ENTRADA DE DADOS 
b. PERIFÉRICOS DE SAÍDA DE DADOS EXTRA: PLACA-MÃE (MOTHERBOARD)
ELEMENTOS DA CPU (Processador) 
Clock é o componente responsável por estabelecer o rítmo de comunicação entre as
partes de um computador. Em outras palavras, é quem dita a velocidade da CPU. O
clock de um processador é medido em Hertz (Hz) e seus múltiplos (Khz, Mhz, Ghz). 
Processadores multinucleares - são processadores que possuem diversos núcleos de
processamento. Também podemos dizer que são vários processadores dentro de um
único chip. Exemplos: Dual Core, Core 2 Duo, I3, I5, I7, etc. 
MEMÓRIAS 
São dispositivos de armazenamento de dados. As memórias do computador são
classificadas em primárias e secundárias. 
a. Memória Primária/Principal: Gerenciadas pela CPU (processador); usuário não
gerencia. Mais rápidas do que as secundárias; Podem ser voláteis ou não; são
voláteis a memória RAM e a Cache. 
b. Memórias Secundárias: Gerenciadas pelo usuário. Apresentam grande
capacidade de armazenamento quandocomparadas as primárias. Não são
voláteis - Exemplos: PenDrive, HD, Cartão de memória 
OBS. Alguns exemplos:
1. Memória ROM (primária): Memória somente de leitura; sua função é
armazenar o BIOS (basic input / Output System); não é volátil; Gravada pelo
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fabricante da placa mãe; PROM, EPROM, EEPROM e FLASH ROM são os
tipos de memória ROM.
2. Cache (primária) - Leitura e escrita; Volátil; Altíssima velocidade de acesso;
Localizada no processador; Composta por registradores; Pode ser dividida
em 3 níveis: L1, L2 e L3; Armazena os dados que estão na memória RAM e
que estão sendo usados com mais frequência. 
3. Disco rígido (secundária) - Também chamado de HD, HDD, Winchester HD =
Hard Disk HDD = Hard Disk Drive. Grande capacidade de armazenamento
(de até 5 TB) - Um HD é formado por vários discos - Cada disco é formado
por trilhas (círculos concêntricos), setores (menor parte física do disco) e
cluster (conjunto de setores adjacentes). HD é uma memória magnética =
significa que ele utiliza processos magnéticos de leitura e gravação
(hímans). 
4. SSD – disco de estado sólido (secundária): Ele veio com intuito de substituir
o HD, uma das diferenças é que o HD é magnético e o SSD é eletrônico, ou
seja, não possui movimento os dados são acessados eletronicamente, é até
10 vezes mais rápido que um HD. Trata-se de um dispositivo que vem sendo
amplamente utilizado nos computadores atuais. É dotado de memória
Flash, a mesma memória utilizada em pendrives. Sua velocidade de
gravação e de leitura é infinitamente superior à de um HD magnético, por
exemplo. Seu corpo é fino e extremamente leve, fazendo que seu consumo
de energia seja muito baixo. Sua vida útil é menor do que a de um HD
magnético. 
5. Floppy disk (secundária): Esse dispositivo foi muito utilizado nas décadas de
80 e 90, mas caiu em desuso devido a sua baixa capacidade de
armazenamento e extrema sensibilidade. Também é chamado de disquete
ou disco 3” (1/2). Sua capacidade é de 1.44 MB. 
6. Fita magnética (secundária): - Também chamada de fita DAT, a fita
magnética é um dos melhores dispositivos para se fazer Backup (cópia de
segurança). Possui ampla capacidade de armazenamento, seu acesso é
somente sequencial e sua vida útil é longa. 
7. CD / DVD / BLU - RAY (secundária) - As 3 mídias são classificadas como
mídias ópticas.
PERIFÉRICOS DE ENTRADA
Os periféricos de entrada são dispositivos usados para inserir dados no sistema. EX:
TECLADO; MOUSE; WEBCAM; MICROFONE; SCANNER 
PERIFÉRICOS DE SAÍDA
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Os periféricos de saída são dispositivos usados para extrair dados no sistema. EX:
CAIXAS DE SOM; FONES DE OUVIDO; MONITOR DE VÍDEO;
PERIFÉRICOS HÍBRIDOS
Multifuncional (periférico de entrada e saída) são aqueles que servem para entrada e
saída de dados. EX: IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL; MONITOR TOUCH SCREEN;
PENDRIVE; HEADSET; CD; DVD
OBS: UNIDADE DE MEDIDAS
O computador é um sistema binário = isto significa que ele só entende 0 e 1.
O bit é a menor unidade da informação = isto significa que nada é menor que um bit.
Um caractere é formado pela combinação de 8 bits. Por ex.: A = 01000001 o
computador recebe esta informação para a letra A.
Cada 0 ou 1 que constitui um caractere é um bit.
CONVERSAO ENTRE MULTIPLOS
Exemplo:
Converter 2 GB em MB = 2 X 1.024= 2.048 MB
Quantos KB cabem em 2MB = 2 X 1.024= 2.048 KB
Converter 2 KB em bits = 2 X 1.024 x 8 = 16.384 bits
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1. MORFOLOGIA – CLASSIFICAÇÃO E FLEXÃO DAS
PALAVRAS
Existem dez classes de palavras, que são:
1. Substantivo
2. Artigo
3. Adjetivo
4. Numeral
5. Pronome
6. Verbo
7. Advérbio
8. Preposição
9. Conjunção
10. Interjeição
1.1 SUBSTANTIVOS
Substantivos são palavras que nomeiam seres, características, sentimentos, ações e
estados.
1.1.1 CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS
a. Concretos e abstratos
São concretos os substantivos que designam os seres de existência independente,
como homem, mulher, pessoa, cachorro, casa, barco, navio, animal, José, Ana etc.
São concretos também os substantivos que designam seres de existência fictícia,
discutível ou que dependa das crenças de cada pessoa, como gnomo, fada, Deus, diabo,
dragão etc.
São abstratos os substantivos que designam ações, estados, sentimentos e
qualidades, como beleza, maldade, limpeza, viagem, passeio, honestidade, resposta etc.
b. Comuns e próprios
São comuns os substantivos utilizados de maneira genérica, que não especificam um
indivíduo, como carro, filho, gente, bairro, país, cidade, planeta etc.
São próprios os substantivos que fazem a designação específica de um indivíduo,
como Brasil, América, Rafael, Florianópolis, Júpiter etc. 
c. Simples e compostos
São simples os substantivos formados por um só radical: pé, flor, amor, sol etc.
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São compostos os formados por mais de um radical: pé de moleque, beija-flor,
amor-perfeito, girassol etc.
d. Primitivos e derivados
São primitivos os substantivos que não derivam de outra palavra da língua
portuguesa: vidro, casa, ferro etc.
São derivados os que derivam de outra palavra: vidraça, casebre, ferreiro etc.
e. Substantivos coletivos
São coletivos os substantivos que, ainda que estejam no singular, referem-se a um
conjunto de seres da mesma espécie, como alcateia (de lobos), arquipélago (de ilhas),
caravana (de viajantes), enxame (de abelhas) etc.
1.1.2 FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS
Os substantivos sofrem flexão de gênero, número e grau.
FLEXÃO DE GÊNERO DOS SUBSTANTIVOS
Quanto à flexão de gênero, os substantivospodem ser biformes ou uniformes.
Os substantivos biformes apresentam uma forma para o masculino e outra para o
feminino. Essa variação pode se dar:
● por heteronímia: quando o masculino e o feminino possuem radicais diferentes, a
exemplo de pai/mãe, boi/vaca, homem/mulher etc.
● por flexão: quando se utilizam as desinências nominais de gênero, como em
menino/menina, mestre/mestra, senhor/senhora etc.
Existem, todavia, substantivos uniformes, ou seja, que não se flexionam. São os
seguintes:
1. Epicenos: designam certas espécies animais. Utiliza-se "macho" ou "fêmea" para distinguir
o gênero: a cobra (macho ou fêmea), o jacaré (macho ou fêmea) etc.
2. Comuns de dois gêneros: têm uma só forma para designar homens ou mulheres. A
distinção de gênero se faz com o uso de um determinante: o pianista/ a pianista, artista
famoso/ artista famosa, colega charmoso/ colega charmosa etc.
3. Sobrecomuns: possuem uma só forma para designar homens ou mulheres e não aceitam
que o determinante sofra variação de gênero. Somente o contexto pode identificar o gênero
do substantivo. A criança, a pessoa, a testemunha (sempre femininos); o cônjuge, o guia
(sempre masculinos).
Ela foi o cônjuge que pediu o divórcio.
Marcos é uma criança levada.
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Atenção: alguns substantivos mudam de sentido quando têm seu gênero
alterado.
a testemunha (quem presencia um fato) x o testemunho (aquilo dito por alguém)
o cisma (dissidência) x a cisma (ideia fixa)
o moral x a moral; o guia x a guia; o lente x a lente. etc.
FLEXÃO DE GRAU DOS SUBSTANTIVOS
Aumentativo e diminutivo são os graus dos substantivos. A flexão de grau pode se
dar de maneira analítica ou sintética.
1. Aumentativo e diminutivo analíticos: faz-se a flexão determinando o substantivo com um
adjetivo que indique aumento ou diminuição de tamanho, como casa grande, rua imensa,
palácio enorme (aumentativos) e carro pequeno, planta minúscula, cachorro pequenino
(diminutivos).
2. Aumentativo e diminutivo sintéticos: faz-se a flexão de grau com a utilização de sufixos
aumentativos ou diminutivos, como em barcaça, muralha, bocarra, cabeçorra
(aumentativos) e riacho, casebre, carrinho, papelucho (diminutivos).
Atenção para a semântica: nem sempre o aumentativo ou diminutivo têm o
sentido literal de aumentar ou diminuir o tamanho de um substantivo. Por vezes,
eles podem ser usados para imprimir à fala um sentido em algumas vezes
pejorativo e, em outras, afetivo. Somente o contexto pode deixar clara a intenção
do locutor.
Não suporto homenzinhos mimados. (sentido pejorativo)
FLEXÂO DE NÚMERO DOS SUBSTANTIVOS
Em relação ao número, os substantivos podem estar no singular ou no plural. 
● Plural dos substantivos simples
Terminação Plural Exemplo
Vogal Acrescenta-se S ao singular Regime - regimes
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Ditongo oral
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Irmã - irmãs
Pai - pais
Elétron - elétrons
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Acrescenta-se ES ao
singular
Colher - colheres
Noz - nozes
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EL
OL
UL
Troca-se o L final por IS Varal - varais
Túnel - túneis
Lençol - lençóis
Raul - Rauis
IL Oxítonas - IS
Paroxítonas - EIS
Barril - barris
Fóssil - fósseis 
M Troca-se por NS Som - sons
Refém - reféns
S (monossílabos e oxítonas) Acréscimo de ES Gás - gases
Deus - deuses
Japonês - japoneses
S (paroxítonas e
proparoxítonas)
Invariáveis O atlas - os atlas
A íris - as íris
X Invariáveis O tórax - os tórax
A fênix - as fênix
ÃO (1) Acréscimo de S Irmão - irmãos
Ancião - anciãos
ÃO (2) -ÕES Botão - botões
Leão - leões
ÃO (3) -ÃES Cão - cães
Guardião -
guardiães
● Plural dos substantivos compostos
1. Os dois elementos vão para o plural nas seguintes situações:
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a. Substantivo + substantivo unidos por hífen sem elemento de ligação
● decreto-lei - decretos-leis.
● abelha-rainha - abelhas-rainhas.
● tia-avó - tias-avós.
b. Substantivo + adjetivo
● capitão-mor - capitães-mores.
● carro-forte - carros-fortes.
● guarda-civil - guardas-civis.
c. Adjetivo + substantivo
● longa-metragem - longas-metragens.
● má-língua - más-línguas.
● livre-arbítrio - livres- arbítrios.
d. Numeral + substantivo
● segunda-feira - segundas-feiras.
● quarta-feira - quartas-feiras.
● quinta-feira - quintas-feiras.
Atenção: o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP - ABL) destaca as
seguintes exceções: os grão-mestres, os grã-finos, os terra-novas, os claro-escuros
(também se admite "os claros-escuros"), os nova-iorquinos, os são-bernardos, os
cavalos-vapor.
2. Varia apenas o último elemento nas seguintes situações:
a. Elementos unidos sem hífen
● os girassóis, as autopeças, as autoescolas 
b. Verbo + substantivo
● guarda-roupa - guarda-roupas.
● beija-flor - beija-flores.
● guarda-caça - guarda-caças.
c. Elemento invariável + palavra variável
● vice-presidente - vice-presidentes.
● ex-marido - ex-maridos.
● alto-falante - alto-falantes.
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d. Palavras repetidas
● reco-reco - reco-recos.
● corre-corre - corre-corres.
● tico-tico - tico-ticos.
Atenção: neste caso, se as palavras repetidas forem verbos, podem as duas variar:
corre-corre: corre-corres ou corres-corres. 
3. Varia apenas o primeiro elemento nas seguintes situações
a. Quando dois substantivos são conectados por preposição (substantivo + preposição +
substantivo)
● pés de moleque, dias a dia, pães de ló, mulas sem cabeça.
b. Quando o segundo elemento determina o primeiro, indicando limitação, finalidade, tipo,
semelhança. Neste caso, o segundo elemento funciona como se fosse um adjetivo.
● navios-escola, peixes-boi, canetas-tinteiro. 
É frequente que o substantivo composto formado por dois substantivos admita duas
formas de plural – flexão de ambos os elementos ou apenas do primeiro. Por
exemplo, “palavra-chave” pode ir para o plural como “palavras-chaves” ou
“palavras-chave”; “couve-flor”, como “couves-flores” ou “couves-flor”. Quando estiver
estudando esse tópico, consulte sempre o VOLP
(https://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario) para verificar
todas as possibilidades.4. Ficam invariáveis os dois elementos nas seguintes situações
a. Verbo + advérbio
● os bota-fora, os pisa-mansinho.
5. Casos especiais:
● o louva-a-deus - os louva-a-deus.
● o bem-te-vi - os bem-te-vis.
● o bem-me-quer - os bem-me-queres.
● o joão-ninguém - os joões-ninguém.
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https://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario
● o ponto e vírgula - os ponto e vírgula.
● o sem-terra - os sem-terra.
● o mico-leão-dourado - os micos-leões-dourados.
● o arco-íris - os arco-íris.
● entre outros.
● Plural dos diminutivos
Para se fazer o plural dos diminutivos, deve-se, antes, passar para o plural do
substantivo no grau normal. Depois, acrescentam-se o sufixo -zinho ou -zito e a desinência de
número -S.
Mulher: mulheres - mulherezinhas.
Coração: corações - coraçõezinhos.
Flor: flores - florezinhas.
1.2 ARTIGOS
O artigo é o principal determinante do substantivo, a ele transmitindo ideia de
determinação ou indeterminação.
Artigos definidos: o, a, os, as (o cão, a casa, os carros, as bicicletas).
Artigos indefinidos: um, uma, uns, umas (um cão, uma casa, uns carros, umas
bicicletas).
Encontrou-se com a amiga (uma amiga conhecida, já mencionada).
Encontrou-se com uma amiga. (uma amiga ainda não mencionada, indeterminada). 
Os artigos podem unir-se às preposições e, de, em e por, formando contrações e
combinações (ao, aos, do, dos, no, nos, pelo, pelos, num, nuns, à, às, da, das, na, nas, pela,
pelas, numa, numas).
Referiu-se ao problema.
Telefonou à amiga.
Os artigos são os principais responsáveis pela substantivação (transformar em
substantivo uma palavra pertencente a outra classe gramatical).
A síndrome do comer compulsivo... (comer, originalmente verbo, aqui é usado como
substantivo).
1.3 ADJETIVOS
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Adjetivos são palavras que caracterizam os substantivos, atribuindo-lhes qualidades,
características, restrições.
"Panela velha é que faz comida boa" (Sérgio Reis)
O adjetivo pode sofrer flexões de gênero, grau e número.
FLEXÃO DE GÊNERO DOS ADJETIVOS SIMPLES
a. Adjetivos uniformes: possuem uma só forma para os dois gêneros, como azul,
inteligente, leal, cruel, otimista, interessante, veloz etc.
b. Adjetivos biformes: possuem duas formas, uma para cada gênero, como belo/bela,
feio/feia, ativo/ativa, brasileiro/brasileira, claro/clara, escuro/escura, rápido/rápida etc.
FLEXÃO DE NÚMERO DOS ADJETIVOS SIMPLES
A flexão de número dos adjetivos simples segue as mesmas regras que a flexão de
número dos substantivos.
FLEXÃO DE GÊNERO E NÚMERO DOS ADJETIVOS COMPOSTOS
a. Regra Geral: nos adjetivos compostos, somente o segundo elemento varia em gênero e
número.
● pelo castanho-escuro; cabelos castanho-escuros.
● clínicas médico-cirúrgicas.
● camisa verde-clara; olhos verde-claros.
● família afro-brasileira; rapaz afro-brasileiro; turistas afro-brasileiros.
b. Os compostos de adjetivo + substantivo são invariáveis.
● tecidos azul-bebê.
● gravata verde-musgo. 
● roupas azul-turquesa.
c. Os compostos formados a partir da locução cor + de +substantivo são invariáveis.
● Panteras cor-de-rosa.
● Olhos cor de carvão.
d. Nos compostos formados por elemento invariável + adjetivo, somente o segundo varia.
● Convidados mal-educados.
● Filhotes recém-nascidos.
e: Variam os dois elementos de surdo-mudo: surda-muda, surdos-mudos, surdas-mudas.
f. São invariáveis: azul-marinho, azul-celeste, azul-ferrete, ultravioleta, sem-par e sem-sal.
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● Raios ultravioleta.
● Histórias sem-sal.
FLEXÃO DE GRAU DOS ADJETIVOS
Os adjetivos apresentam graus comparativo e superlativo.
1. Grau comparativo: 
● de igualdade (tanto/tão... quanto/como/quão)
● As provas do Cespe são tão complexas quanto as da FGV.
● de superioridade (mais (do) que)
● As provas da Cesgranrio são mais fáceis (do) que as da FCC.
● de inferioridade (menos (do) que)
● Os salários da iniciativa privada são menos interessantes do que os do
funcionalismo público.
Atenção: os adjetivos abaixo, no comparativo de superioridade, devem ser usados
na forma sintética:
Grau normal Comparativo Grau normal Comparativo
BOM MELHOR PEQUENO MENOR
MAU PIOR GRANDE MAIOR
Água de coco é melhor (do) que chá gelado.
Quando se comparam grandezas ou características do mesmo ser, todavia, devem ser
usadas as formas analíticas, como em "Marina é mais boa (do) que esperta", ou "aquele sofá
é mais grande (do) que confortável".
2. Grau superlativo: 
a. Absoluto: o superlativo absoluto expressa características dos seres em um grau elevado,
sem levar em consideração nenhuma base de comparação. Ele pode ser:
● Absoluto analítico: usa-se um advérbio para intensificar a qualidade atribuída ao
substantivo.
● A prova estava muito difícil.
● Você perdeu muito peso. Está demasiadamente magro.
● Absoluto sintético: utiliza-se um sufixo para atribuir ao adjetivo a intensidade
desejada.
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● Ele não tem nada. É paupérrimo. (de pobre)
● A prova estava dificílima.
● Você perdeu muito peso. Está macérrimo. (de magro).
b. Relativo: o superlativo relativo intensifica a característica atribuída a um ser levando em
consideração todos os demais seres do seu grupo. Pode ser identificado pelo uso das
expressões o mais/o menos.
● Relativo de superioridade: o mais
● A magistratura é a mais desejada das carreiras.
● Marcos é o aluno mais inteligente da sala.
● Aquela foi a melhor viagem da minha vida.
● Relativo de inferioridade: 
● Ele é o menos inteligente entre nós.
● Aquela ali é a cantora menos talentosa que conheço. 
de acordo com a norma-padrão da língua, o adjetivo não possui os graus
diminutivo e aumentativo. Todavia, podem-se fazer essas flexões na linguagem
coloquial. Exemplos:
Comprou um carro grandão. (=muito grande, superlativo).
Gosto de beber água geladinha. (=muito gelada, superlativo).
LOCUÇÕES ADJETIVAS: é um conjunto de palavras que tem a mesma função de um adjetivo.
Forma-se a partir da combinação de preposição + substantivo e, muitas vezes, pode ser
substituída por um adjetivo

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