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C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Sumário Direito Penal - Princípios Penais Constitucionais 5 1. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO PENAL 6 1.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE 6 1.2 PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA 9 1.3 PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE 9 1.4 PRINCÍPIO DA FRAGMENTARIEDADE 10 1.5 PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA 10 1.5.1 OS VETORES DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA SEGUNDO O STF 11 1.5.2 O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA NA JURISPRUDÊNCIA DOS TRIBUNAIS SUPERIORES 11 1.6 PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL 13 1.7 PRINCÍPIO DA LESIVIDADE (OU OFENSIVIDADE) 13 1.8 PRINCÍPIO DA EXTERIORIZAÇÃO OU MATERIALIZAÇÃO DO FATO 14 1.9 PRINCÍPIO DA CULPABILIDADE 14 1.10 PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE (INTRANSCENDÊNCIA) DA PENA 15 1.11 PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA 16 1.12 PRINCÍPIO DA HUMANIDADE (OU LIMITAÇÃO) DA PENA 17 1.13 PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE 18 1.14 PRINCÍPIO DO NE BIS IN IDEM 18 Informática – Hardware 21 Língua Portuguesa – Morfologia 25 MORFOLOGIA – CLASSIFICAÇÃO E FLEXÃO DAS PALAVRAS 26 1.1 SUBSTANTIVOS 26 1.1.1 CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS 26 1.1.2 FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS 27 1.2 ARTIGOS 32 1.3 ADJETIVOS 32 1.4 PRONOMES 35 1.4.1 PRONOMES PESSOAIS 36 1.4.2 PRONOMES POSSESSIVOS 39 1.4.3 PRONOMES DEMONSTRATIVOS 39 1.4.4 PRONOMES INDEFINIDOS 41 1.4.5 PRONOMES INTERROGATIVOS 41 1.4.6 PRONOMES RELATIVOS 42 1.5 NUMERAIS 43 2 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 1.6 VERBOS 44 1.6.1 TEMPOS E MODOS VERBAIS 45 1.6.2 TEMPOS COMPOSTOS 52 1.7 VOZES VERBAIS 54 1.8 ADVÉRBIOS 56 1.9 PREPOSIÇÕES 58 1.10 CONJUNÇÕES 58 1.11 INTERJEIÇÕES 60 Direito Processual Penal - Direitos e garantias processuais penais 61 1. CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL 62 2. PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL 63 2.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE 63 2.1.1 O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE NO ÂMBITO PENAL E PROCESSUAL PENAL 64 2.2 PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE 66 2.2.1 O PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE NO ÂMBITO PENAL E PROCESSUAL PENAL 66 2.3 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO PROCESSO PENAL 68 2.3.1 PRINCÍPIO DA JURISDICIONALIDADE OU DA GARANTIA DE JURISDIÇÃO 68 2.3.2 GARANTIA DO SISTEMA ACUSATÓRIO 69 2.3.3 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA 69 2.3.4 PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA 71 2.3.5 O DIREITO AO SILÊNCIO E O NEMO TENETUR SE DETEGERE 71 2.3.6 PRINCÍPIOS DA PUBLICIDADE E MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS 76 2.3.7 PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO 78 2.3.8 PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA 79 2.3.9 PRINCÍPIO DA DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO 80 Direito Administrativo - Regime jurídico administrativo e organização administrativa 82 1. DIREITO ADMINISTRATIVO 83 1.1. CONCEITO 83 1.2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA 83 1.3. FONTES, MÉTODOS E CRITÉRIOS INTERPRETATIVOS 84 1.4. RELAÇÃO COM OUTROS RAMOS DO DIREITO 85 2. PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO 87 2.1. PRINCÍPIOS EXPRESSOS NA CF/88 87 2.2. PRINCÍPIOS RECONHECIDOS (OU IMPLÍCITOS) 91 3. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 96 3.1. SENTIDO AMPLO E SENTIDO ESTRITO 96 3 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 3.2. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA 96 3.2.1. CLASSIFICAÇÃO DOS ÓRGÃOS PÚBLICOS 97 3.3. DESCONCENTRAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO ADMINISTRATIVA 98 3.4. ENTIDADES INTEGRANTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DESCENTRALIZADA (INDIRETA) 99 3.4.1. CARACTERÍSTICAS EM COMUM 100 3.4.2. AUTARQUIAS 101 3.4.3. FUNDAÇÕES PÚBLICAS 104 3.4.4. EMPRESAS PÚBLICAS 106 3.4.5. SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA 108 4 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 5 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 1. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO PENAL Escrever sobre os princípios básicos do direito penal para concursos é tarefa mais complicada do que parece, pois a doutrina jurídica nem sempre concorda com o número de princípios existentes ou sobre a abrangência e limites de cada um deles. Cézar Roberto Bitencourt propõe nove princípios penais. Juarez Cirino dos Santos, apenas seis. Nilo Batista, cinco. Luiz Regis Prado apresenta doze. Paulo César Busato prefere estabelecer 3 princípios fundamentais dos quais todos os outros são derivados (legalidade, intervenção mínima e culpabilidade), enquanto Rogério Sanches Cunha prefere relatar dezoito, dividindo-os quanto à missão do direito penal, ao fato, ao agente e à pena. Nesta apostila, apresentaremos o maior número de princípios possível, com a finalidade de treinar o leitor para provas objetivas, mas teremos o cuidado de apontar algumas divergências quanto ao conteúdo e derivação dos postulados. Conceitualmente falando, princípios são normas com alto grau de abstração, verdadeiras diretrizes, provenientes de valores ético-culturais, que concedem estrutura, limites e direção ao ordenamento jurídico. Possuem base constitucional e força normativa. Por isso, são condições de validade das normas penais infraconstitucionais. Os princípios de direito são normas estruturantes do sistema jurídico. Possuem, ao contrário das regras, um alto grau de abstração, não sendo destinados a situações específicas, mas sim à composição das próprias estruturas do sistema jurídico. O princípio da legalidade não determinou a criação do delito de homicídio, mas a previsão deste existe, assim como todas as outras, sob a forma de um tipo penal para satisfazer os ditames deste princípio. Por fim, quando regras estão em conflito, uma delas deve prevalecer, com a exclusão da outra. Quando princípios se contrapõem, uma ponderação de valores pode determinar o quanto deles será aplicado para resolução da situação concreta. 1.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE O princípio foi um dos primeiros grandes marcos da fase humanitária do direito penal e pode ser resumido pelo que está no inciso XXXIX do art.simples. atitude de rei (=régia), dama da noite (=noturna), rodas de liga leve, torneira de água quente etc. 1.4 PRONOMES Pronomes são palavras que acompanham ou substituem os nomes. Se os acompanharem, serão chamados pronomes adjetivos; se os substituírem, pronomes substantivos. Alguns alunos chegaram (pronome adjetivo indefinido). Alguns chegaram. (pronome substantivo indefinido). Os pronomes podem ser pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e relativos. 35 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 1.4.1 PRONOMES PESSOAIS Designam as pessoas do discurso. Pessoa do discurso Pronomes retos Pronomes oblíquos átonos (sem preposição) Pronomes oblíquos tônicos (com preposição) SINGULAR 1ª EU Me Mim, comigo 2ª TU Te Ti, contigo 3ª ELE/ELA O, a, se, lhe Si, consigo, ele/ela PLURAL 1ª NÓS Nos Nós, conosco 2ª VÓS Vos Vós, convosco 3ª ELES/ELAS Os, as, se, lhes Si, consigo, eles/elas Os pronomes pessoais retos desempenham função subjetiva (sujeito verbal). Os pronomes pessoais oblíquos, por sua vez, exercem função de complemento de outros termos (verbos ou nomes). Os pronomes eu e tu são exclusivamente retos, ou seja, não podem exercer função de complemento. Os pronomes ele/ela, nós, vós, eles/elas podem ser retos ou oblíquos, dependendo da função. Neste caso (quando forem oblíquos), serão precedidos de preposição. Regras relativas ao uso dos pronomes pessoais 1. Os pronomes oblíquos ME, TE, SE, NOS e VOS, quando complementam verbos, podem funcionar como OBJETO DIRETO ou OBJETO INDIRETO. Enviaram-te flores. (objeto indireto) Olharam-te com desconfiança. (objeto direto). Pague-me, por favor. (objeto indireto) Leve-me até a saída? (objeto direto) 2. Os pronomes oblíquos LHE e LHES, quando complementam verbos, somente funcionam com OBJETO INDIRETO. Se ele se desculpar, perdoar-lhe-emos todas as ofensas. Disseram-lhe que tudo terminaria bem. 36 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 3. Os pronomes oblíquos O, A, OS, AS, quando complementam verbos, somente funcionam como OBJETO DIRETO. O gerente a informou de todas as taxas devidas. Já que não os encontrei, fui sozinho ao cinema. Atenção: ● após verbos terminados em R, S ou Z, esses pronomes se transformam em LO, LA, LOS, LAS (cortam-se o R, o S e o Z do final do verbo): ● Não quero incomodá-los. (incomodar + os). ● Em relação à aquela prova, fi-la com muita tranquilidade. (fiz + a). ● após verbos que terminam em som nasal, esses pronomes se transformam em NO, NA, NOS, NAS: ● A matéria da prova é o capítulo três. Estudem-no com cuidado. ● A inscrição deve ser feita na página da FCC. Acessem-na logo. 4. Os pronomes oblíquos O, A, OS, AS, ME, TE, SE, NOS e VOS podem funcionar como SUJEITO DO INFINITIVO. Isso ocorre em construções com os verbos: ● causativos: mandar, deixar, fazer + infinitivo ● Deixe-me ver, por favor. (= Deixe que eu veja). ● sensitivos: ver, ouvir, sentir + infinitivo ● Eu a vi chegar há dez minutos. (= Eu vi que ela chegava há dez minutos) 5. Os pronomes oblíquos ME, TE, SE, NOS, VOS, LHE e LHES podem funcionar como adjunto adnominal. Isso ocorre quando eles transmitem ideia de posse: Tocou-lhe a mão. (tocou a mão dele/dela). Roubaram-me a carteira (roubaram minha carteira). 6. Os pronomes oblíquos ME, TE, SE, NOS, VOS, LHE e LHES podem funcionar como complemento nominal. Isso ocorre quando eles complementam o sentido de adjetivos, advérbios ou substantivos abstratos: Tinha-lhe muito medo. (medo de algo/alguém). Era-me impossível esquecê-la. (impossível a alguém). 7. Os pronomes SI e CONSIGO são sempre reflexivos, ou seja, sempre se referem ao sujeito da oração em que se encontram. Aquelas meninas trazem consigo as memórias de uma infância difícil. Passou a tarde inteira falando de si. 37 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 8. A preposição COM e os pronomes oblíquos tônicos MIM, TI, SI, NÓS e VÓS, originando comigo, contigo, consigo, conosco e convosco. Encontrar-me-ei contigo amanhã. Venha à festa conosco! Posso assistir ao filme convosco? Atenção: devem-se usar as formas com nós e com vós quando o pronome pessoal é reforçado por um numeral, por palavras do tipo mesmos, próprios, todos etc. ou outras que, de certa forma, determinem esses pronomes pessoais: ● Ele se encontrará com nós alunos em sua sala. ● Viajarei com vós três. 9. Os pronomes EU e TU são exclusivamente retos. Por isso, não podem ser utilizados regidos de preposição. Use EU e TU quando os pronomes forem sujeitos de uma ação; substitua-os por MIM e TI, respectivamente, quando não forem. Nunca houve nada entre mim e ti. Trouxe um livro para mim. Trouxe um livro para eu ler. (o pronome eu é sujeito de ler). Para mim, estudar matemática é muito difícil. (para mim complementa o adjetivo difícil). Pronomes pessoais de tratamento São utilizados nas relações entre as pessoas e devem ser selecionados de acordo com o grau de formalidade da situação comunicativa. Você (v.): tratamento informal Senhor (Sr.)/Senhora (Sra.): tratamento respeitoso Senhorita (Srta.): mulheres solteiras Vossa Senhoria (V.Sa.): pessoas de cerimônia, funcionários graduados Vossa Excelência (V. Exa.): altas autoridades Vossa Reverendíssima (V. Revma.): sacerdotes 38 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Vossa Santidade (V.S.): Papa Vossa Majestade (V.M.): reis e rainhas Vossa Alteza (V.A.): príncipes, princesas e duques Observe que as formas com "Vossa" devem usadas quando se fala diretamente com a pessoa (2ª pessoa). Quando se fala a respeito de alguém (3ª) pessoa, deve-se usar "Sua". Vossa Alteza está bem? (pergunta feita diretamente ao príncipe/à princesa.) Sua Alteza está bem? (pergunta feita a uma terceira pessoa). Sempre que se utilizarem pronomes pessoais de tratamento, ainda que escritos com VOSSA, os verbos e os demais pronomes que a ele se referem devem concordar na 3ª pessoa do singular ou do plural, conforme o caso. Vossa Excelência pode ficar tranquilo. Seus documentos já foram enviados, conforme suas ordens anteriores. 1.4.2 PRONOMES POSSESSIVOS Indicam uma relação de posse, concordando em pessoa como possuidor e em gênero e número com a coisa possuída. Pessoa do discurso Pronome possessivo Pessoa do discurso Pronomes possessivos EU Meu, minha, meus, minhas NÓS Nosso, nossa, nossos, nossas TU Teu, tua, teus, tuas VÓS Vosso, vossa, vossos, vossas ELE/ELA Seu, sua, seus, suas ELES/ELAS Seu, sua, seus, suas. 1.4.3 PRONOMES DEMONSTRATIVOS Situam os seres sobre os quais se fala no espaço, no tempo, no texto e na enumeração. Os principais pronomes demonstrativos são: este(s), esta(s); esse(s), essa(s); isto, isso; aquele(s), aquela(s), aquilo. Pronome Espaço Tempo Texto Enumeração ESTE(S) ESTA(S) Refere-se ao que está próximo de Refere-se ao tempo presente: Refere-se ao que será dito: meu maior desejo é Retoma o último elemento da sequência: estou 39 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 ISTO quem fala: veja esta blusa que estou usando! este será o melhor ano da minha vida! (o ano corrente) este: sem aprovado em primeiro lugar no concurso. em dúvida entre comprar um carro, uma bicicleta ou uma moto. Esta, sem dúvida, é a mais ágil. (moto) ESSE(S) ESSA(S) ISSO Refere-se o que está próximo da 2a pessoa do discurso: onde você comprou esse relógio que está usando? Refere-se ao passado próximo: minhas férias acabaram ontem. Nunca vou me esquecer desses dias que passei na Europa! Refere-se a algo que já foi dito: ser aprovado em primeiro lugar no concurso: esse é o meu maior desejo. Retoma o elemento intermediário, quando houver. estou em dúvida entre comprar um carro, uma bicicleta ou uma moto. Essa é, sem dúvida, a mais ecológica. (bicicleta) AQUELE(S) AQUELA(S) AQUILO Refere-se ao que está distante: como é bonita aquela casa do outro lado da rua. Refere-se ao passado remoto: naquela época, quando meus pais ainda eram crianças, as cidades eram menos violentas. Veja NA ENUMERAÇÃO Retoma o primeiro elemento da enumeração: estou em dúvida entre comprar um carro, uma bicicleta ou uma moto. Aquele, sem dúvida, é o mais confortável. (carro) Também podem ser pronomes demonstrativos: 1. O, A, OS, AS ● Eu não entendi o que o professor explicou. (= aquilo que) ● Ela faleceu ano passado. Não o sabia? (= isso) 2. Mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s): quando equivalerem-se uns aos outros. Eu mesmo fiz o jantar. (= eu próprio fiz o jantar). 3. Tal, tais, semelhante(s): 40 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 ● Tais atitudes são condenáveis. ● É indelicado fazer semelhante comentário! 1.4.4 PRONOMES INDEFINIDOS Referem-se de modo vago à 3ª pessoa do discurso. Pronomes indefinidos invariáveis: alguém, algo, cada, nada, ninguém, tudo. Pronomes indefinidos variáveis: algum(ns), alguma(s), batante(s), certo(s), certa(s), muito(s), muita(s), nenhum(ns), nenhuma(s), outro(s), outra(s), qualquer, quaisquer, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s). Locuções pronominais indefinidas: cada qual, cada um, qualquer um, quem quer que, um ou outro etc. Algumas observações acerca dos pronomes indefinidos 1. Algum (e variações): se anteposto ao substantivo, tem sentido afirmativo; se posposto ao substantivo, tem sentido negativo. ● Algum aluno ficou satisfeito com a nota. (afirmativo) ● Aluno algum ficou satisfeito com a nota. (negativo) 2. Bastante: ● Será pronome indefinido quando vier antes do substantivo e expressar quantidade inexata. É variável: o concurso que quero fazer cobra bastantes matérias. ● Será adjetivo quando vier depois do substantivo e significar "suficiente(s)". Será variável: já temos problemas bastantes. ● Será advérbio quando modificar um verbo, um adjetivo ou um advérbio. Será invariável e equivalerá a "suficientemente": tenho alguns amigos bastante inteligentes. 3. Certo (e variações): se anteposto ao substantivo, é pronome indefinido (= algum); se posposto ao substantivo, é adjetivo. ● Não dá para acreditar em certas pessoas. (= algumas - pronome). ● É bom poder contar com amigos certo. (= confiáveis - adjetivo) 4. Todo (e variações): se seguido de artigo, significa totalidade, por inteiro; se não seguido de artigo, significa qualquer. ● Toda a sociedade tem que cuidar das crianças. (= a sociedade inteira). ● Toda sociedade tem que cuidar das crianças. (= qualquer sociedade). 1.4.5 PRONOMES INTERROGATIVOS 41 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 São os pronomes que, quem, quanto, quanta, quantos, quantas e qual utilizados em frases interrogativas. ● Quantos alunos estão matriculados no curso? ● Qual será o vencedor do Oscar este ano? ● Quantos cães você tem? 1.4.6 PRONOMES RELATIVOS Pronomes relativos retomam substantivos ou pronomes substantivos já mencionados anteriormente, introduzindo uma oração subordinada adjetiva. São os seguintes: Variáveis Invariáveis O qual, os quais, a qual, as quais que Cujo, cujos, cuja, cujas quem Quanto, quantos onde Uso dos pronomes relativos 1. Os pronomes relativos QUE e O QUAL (e variações) podem retomar coisas ou pessoas: ● Os problemas que o Brasil enfrenta têm diferentes origens. (que = problemas) ● Não confio em político que muda sempre de partido. (que = político) ● Telefone logo aos amigos com os quais você viajará. (os quais = amigos). 2. O pronome relativo QUEM somente pode retomar pessoas: as pessoas em quem confio são poucas. (quem = pessoas) 3. O pronome relativo CUJO (e variações) somente pode ser utilizado quando houver ideia de posse. Ele retoma o termo antecedente e concorda com o consequente: ● Aquele é o homem cujas filhas foram sequestradas. (cujas retoma homem e concorda com filhas). Dica: para saber se o uso de cujo está correto, pergunte "de quem?" ao termo consequente. Se a resposta for o termo antecedente, o uso será adequado; ● Filhas de quem? Do homem. 4. QUANTO (e variações) são pronomes relativos quando precedidos de tudo, tanto(s), tanta(s), todos e todas (pronomes indefinidos): ele sempre compra tudo quanto quer. 5. O pronome relativo ONDE somente pode ser usado para retomar lugar. Pode ser substituído por EM QUE ou NO QUAL (e variações): ● A cidade onde nasci fica a 300 quilômetros da capital. (onde retoma cidade). 42 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 022 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 ● A cidade em que/na qual nasci fica a 300 quilômetros da capital. (essas opções também são corretas). Dica: EM QUE e NO QUAL (e variações) podem ser usados para retomar lugares ou outros tipos de referente e podem sempre substituir o pronome ONDE. O contrário, todavia, não é verdadeiro, já que este só pode ser usado para retomar lugar. ● Chegamos a um pequeno vilarejo onde moravam poucas pessoas. (certo) ● Chegamos a um pequeno vilarejo em que moravam poucas pessoas. (certo). ● A situação onde me encontro é complexa. (errado: situação não é lugar). ● A situação na qual me encontro é complexa. (certo). ONDE AONDE Use com verbos que exigem a preposição EM (ideia de posição estática) Use com verbos que exigem a preposição A (ideia de movimento - destino) O lugar onde moro é atendido por poucas linhas de ônibus. O país aonde irei tem uma das melhores qualidades de vida do mundo. 6. Atenção para a sequência de pronome demonstrativo O + pronome relativo QUE: Não sei o que fazer nesta situação. (= não sei aquilo que fazer nesta situação). Atenção: quando o termo que vier após o pronome relativo, na oração adjetiva, exigir o uso de preposição, ela deverá ser utilizada antes do pronome relativo. Exemplos: ● O livro que eu li é um best-seller. ● o verbo ler não exige preposição. Logo, não há preposição antes de que. ● O filme de que mais gosto passará na TV esta noite. ● O verbo gostar exige a preposição de. Logo, tal preposição deve aparecer antes do pronome relativo (gosto do filme). ● O cientista a cuja obra me referi é professor em Harvard. ● O verbo referir-se exige a preposição a. Assim, a preposição a aparece antes do pronome relativo cuja. 1.5 NUMERAIS Os numerais são palavras que quantificam ou ordenam os substantivos. Podem ser classificados em: Cardinais: um, dois, cinco, dez, quinze, dezesseis, cem... Ordinais: primeiro, segundo, quinto, décimo, décimo quinto, décimo sexto, centésimo... Multiplicativos: dobro/duplo, triplo, quíntuplo, décuplo... 43 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Fracionários: meio, terço, quinto, décimo, quinze avos, dezesseis avos, centésimo... Atenção: as palavras ambos e zero são consideradas numerais. Último, penúltimo e antepenúltimo são adjetivos. 1.6 VERBOS Os verbos são palavras que indicam ação, processo, fenômeno da natureza ou estado. São as seguintes as flexões dos verbos: pessoa, número, tempo, modo e voz. Os verbos podem ser de três conjugações, dependendo de sua terminação: ● 1ª conjugação: -AR (cantar, furar, jogar) ● 2ª conjugação: -ER (bater, prometer, reter) ● 3ª conjugação: -IR (sorrir, partir, demitir) Atenção: o verbo PÔR e seus derivados incluem-se na segunda conjugação verbal. Isso ocorre porque esses verbos derivam da forma latina POER. Podemos classificar os verbos em: 1. Verbos regulares: seguem um padrão de conjugação, sem que se alterem seu radical ou suas terminações. 2. Verbos irregulares: sofrem variações no radical ou nas terminações quando são conjugados, afastando-se do padrão de conjugação. 3. Verbos defectivos: verbos que não têm a conjugação completa. São exemplos de verbos defectivos: abolir, adequar, colorir, demolir, explodir, falir etc. O verbo adequar, por exemplo, não tem a 1ª pessoa do singular (eu "adéquo") e, consequentemente, os tempos que dela derivam). O verbo falir, por sua vez, no presente do indicativo, tem somente as pessoas nós e vós (falimos e falis). 4. Verbos abundantes: apresentam mais de uma forma de alguma de suas flexões. Na maioria das vezes, o verbo abundante apresenta variação no particípio. Exemplos: Verbo Particípio regular (ADO/-IDO) Particípio irregular Aceitar Aceitado Aceito 44 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Anexar Anexado Anexo Dispersar Dispersado Disperso Eleger Elegido Eleito Expulsar Expulsado Expulso Imprimir Imprimido Impresso Matar Matado Morto ● Deve-se usar o particípio regular nas construções de voz ativa (verbos auxiliares: TER/HAVER): Quando fui conferir, ele já havia imprimido o documento. ● Deve-se usar o particípio irregular nas construções de voz passiva (verbos auxiliares: SER/ESTAR): Quando fui conferir, o documento já estava impresso. 1.6.1 TEMPOS E MODOS VERBAIS Existem três modos verbais: ● Modo indicativo: exprime uma declaração, um fato certo. ● Modo subjuntivo: exprime uma hipótese, uma dúvida, uma possibilidade. ● Modo imperativo: exprime um pedido, uma ordem, uma sugestão. Existem, também, três formas nominais do verbo: ● Infinitivo (AR/ER (OR)/IR): andar, varrer, sumir. ● Gerúndio (NDO): andando, varrendo, sumindo. ● Particípios (ADO/IDO): andado, varrido, sumido. Na conjugação verbal, todos os tempos derivam do presente do indicativo, do pretérito perfeito do indicativo e do infinitivo. Regras de conjugação verbal Para aprender as regras de conjugação verbal, usaremos os seguintes verbos regulares: cantar, bater e partir. 1. Tempos derivados do presente do indicativo Derivam do presente do indicativo: presente do subjuntivo, imperativo afirmativo e imperativo negativo. As desinências verbais do presente do indicativo são as seguintes: 1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações Desinência modo-temporal NÃO TEM NÃO TEM Singular Plural 1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª 45 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Desinências número-pessoais O S - MOS IS M Presente do indicativo CANTAR BATER PARTIR Eu canto Eu bato Eu parto Tu cantas Tu bates Tu partes Ele canta Ele bate Ele parte Nós cantamos Nós batemos Nós partimos Vós cantais Vós bateis Vós partis Eles cantam Eles batem Eles partem a. Formação do presente do subjuntivo. Deriva da 1ª pessoa do singular do presente do indicativo com a supressão da desinência número pessoal. Veja: Passo 01: 1ª pessoa - "o" (cant-, bat-, part-), para formar a base. Passo 02: ● Verbos de 1ª conjugação: base + E ● Verbos de 2ª e 3ª conjugação: base + A Passo 03: acrescentar as desinências modo-temporais do presente do subjuntivo. As desinências do presente do subjuntivo são as seguintes: 1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações Desinência modo-temporal E A Singular Plural 1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª Desinências número-pessoais - S - MOS IS M Conjugação: Cantar Bater Partir QUE Eu cante Eu bata Eu parta Tu cantes Tu batas Tu partas Ele cante Ele bata Ele parta 46 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 022 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Nós cantemos Nós batamos Nós partamos Vós canteis Vós batais Vós partais Eles cantam Eles batam Eles partam b. Formação do imperativo negativo: o imperativo negativo é idêntico do presente do subjuntivo precedido da palavra não. Percebe-se que ele deriva indiretamente do presente do indicativo. O imperativo não apresenta a 1ª pessoa do singular e, ao conjugá-lo, a 3ª pessoa do singular e a do plural (ele/eles) devem ser convertidas em você e vocês. Cantar Bater partir - - - Não cantes tu Não batas tu Não partas tu Não cante você Não bata você Não parta você Não cantemos nós Não batamos nós Não partamos nós Não canteis vós Não batais vós Não partais vós Não cantem vocês Não batam vocês Não partam vocês b. Formação do imperativo afirmativo: 2ª pessoa do singular e 2ª pessoa do plural derivam diretamente do presente do indicativo, devendo der excluída a letra S; as demais pessoas são idênticas ao presente do subjuntivo. Presente do indicativo Imperativo afirmativo Presente do subjuntivo Eu canto - Que eu cante Tu cantas Canta tu Que tu cantes Ele canta Cante você Que ele cante Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos Vós cantais Cantai vós Que vós canteis Eles cantam Catem vocês Que eles cantem Bater: bate tu, bata você, batamos nós, batei vós, batam vocês. Partir: parte tu, parta você, partamos nós, parti vós, partam vocês. Atenção para o verbo ser: sê tu (não use seja), seja você, sejamos nós, sede vós (não use sejais), sejam vocês. 47 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 2. Tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo Derivam do pretérito perfeito do indicativo: pretérito mais-que-perfeito do indicativo, futuro do subjuntivo e pretérito imperfeito do subjuntivo. As desinências verbais do pretérito perfeito do indicativo são: 1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações Desinência modo-temporal NÃO TEM NÃO TEM Singular Plural 1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª Desinências número-pessoais I STE - MOS STES RAM Conjugação: Cantar Bater Partir Eu cantei Eu bati Eu parti Tu cantaste Tu bateste Tu partiste Ele cantou Ele bateu Ele partiu Nós cantamos Nós batemos Nós partimos Vós cantastes Vós batestes Vós partis Eles cantaram Eles bateram Eles partiram ATENÇÃO: a base utilizada para formar os tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo é a 3ª pessoa do plural (eles) menos a terminação RAM (canta-, bate-, parti-). a. Formação do pretérito mais-que-perfeito do indicativo: Passo 01: obtenha a base (3ª plural -RAM). Passo 02: acrescente a desinência RA (RE para a 2ª do plural - vós). As desinências do pretérito mais-que-perfeito são as seguintes: 1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações 48 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Desinência modo-temporal RA/RE com pronúncia átona RA/RE com pronúncia átona Singular Plural 1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª Desinências número-pess - S - MOS IS M Conjugação: Cantar Bater Partir Eu cantara Eu batera Eu partira Tu cantaras Tu bateras Tu partiras Ele cantara Ele batera Ele partira Nós cantáramos Nós batêramos Nós partíramos Vós cantáreis Vós batêreis Vós partíreis Eles cantaram Eles bateram Eles partiram b. Formação do futuro do subjuntivo: acrescenta-se a desinência modo-temporal R à base. Desinências do futuro do subjuntivo: 1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações Desinência modo-temporal R R Singular Plural 1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª Desinências número-pessoais - ES - MOS DES EM Conjugação: Cantar Bater Partir QUANDO Eu cantar Eu bater Eu partir Tu cantares Tu bateres Tu partires Ele cantar Ele bater Ele partir Nós cantarmos Nós batermos Nós partirmos Vós cantardes Vós baterdes Vós partirdes 49 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Eles cantarem Eles baterem Eles partirem c. Formação do pretérito imperfeito do subjuntivo: acrescenta-se a desinência modo-temporal SSE à base. Desinências do pretérito imperfeito do subjuntivo: 1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações Desinência modo-temporal SSE SSE Singular Plural 1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª Desinências número-pessoais - S - MOS IS M Conjugação: Cantar Bater Partir SE Eu cantasse Eu batesse Eu partisse Tu cantasses Tu batesses Tu partisses Ele cantasse Ele batesse Ele partisse Nós cantássemos Nós batêssemos Nós partíssemos Vós cantásseis Vós batêsseis Vós partísseis Eles cantassem Eles batessem Eles partissem 3. Tempos derivados do infinitivo Derivam do infinitivo o futuro do presente do indicativo, o futuro do pretérito do indicativo e o pretérito imperfeito do indicativo. a. Formação do futuro do presente do indicativo: acrescentam-se ao infinitivo as desinências ei, ás, á, emos, eis, ão. Conjugação Cantar Bater Partir Eu cantarei Eu baterei Eu partirei Tu cantarás Tu baterás Tu partirás Ele cantará Ele baterá Ele partirá 50 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Nós cantaremos Nós bateremos Nós partiremos Vós cantareis Vós batereis Vós partireis Eles cantarão Eles baterão Eles partirão b. Formação do futuro do pretérito do indicativo: acrescentam-se ao infinitivo as terminações ia, ias, ia, íamos, íeis, iam. Conjugação Cantar Bater Partir Eu cantaria Eu bateria Eu partiria Tu cantarias Tu baterias Tu partirias Ele cantaria Ele bateria Ele partiria Nós cantaríamos Nós bateríamos Nós partiríamos Vós cantaríeis Vós bateríeis Vós partiríeis Eles cantariam Eles bateriam Eles partiriam d. Formação do pretérito imperfeito do indicativo: deve-se obter a base da conjugação desse tempo retirando-se o R do infinitivo e acrescentando-se as desinências conforme quadro abaixo: 1ª conjugação 2ª e 3ª conjugações Desinência modo-temporal VA/VE (vós) IA/IE (vós) Singular Plural 1ª 2ª 3ª 1ª 2ª 3ª Desinências número-pessoais - S - MOS IS M Conjugação: Cantar Bater Partir Eu cantava Eu batia Eu partia Tu cantavas Tu batias Tu partias Ele cantava Ele batia Ele partia Nós cantávamos Nós batíamos Nós partíamos 51 C AM IL A G AB RIE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Vós cantáveis Vós batíeis Vós partíeis Eles cantavam Eles batiam Eles partiam ATENÇÃO: nos verbos pôr, ter, vir e derivados, utilize NHA/NHE (vós): eu punha, tu punhas, ele punha, nós púnhamos, vós púnheis, eles punham. INFINITIVO PESSOAL Cantar: eu cantar, tu cantares, ele cantar, nós cantarmos, vós cantardes, eles cantarem. Bater: eu bater, tu bateres, ele bater, nós batermos, vós baterdes, eles baterem. Partir: eu partir, tu partires, ele partir, nós partirmos, vós partirdes, eles partirem. 1.6.2 TEMPOS COMPOSTOS Formam-se os tempos compostos com um verbo auxiliar (TER/HAVER) + verbo principal no particípio. Os tempos compostos são os seguintes Tempos compostos do indicativo Pretérito perfeito composto Presente do indicativo + particípio Tenho cantado Tens cantado Tem cantado Temos cantado Tendes cantado Têm cantado Pretérito mais-que-perfeito composto Pretérito imperfeito do indicativo + particípio Tinha cantado Tinhas cantado Tinha cantado Tínhamos cantad Tínheis cantado Tinham cantado Futuro do presente Futuro do presente + particípio Terei cantado 52 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 composto Terás cantado Teremos cantado Terão cantado Tereis cantado Terão cantado Futuro do pretérito composto Futuro do pretérito do indicativo + particípio Teria cantado Terias cantado Teria cantado Teríamos cantado Teríeis cantado Teríamos cantado Tempos compostos do subjuntivo Pretérito perfeito composto Presente do subjuntivo + particípio Tenha cantado Tenhas cantado Tenha cantado Tenhamos cantado Tenhais cantado Tenham cantado Pretérito-mais-que-perfeito composto Imperfeito do subjuntivo + particípio Tivesse cantado Tivesses cantado Tivesse cantado Tivéssemos cantad Tivésseis cantado Tivessem cantado Futuro do presente composto Futuro do subjuntivo + particípio Tiver cantado Tiveres cantado Tiver cantado Tivermos cantado Tiverdes cantado 53 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Tiverem cantado Lembre-se de que os paradigmas acima são respeitados somente por verbos regulares. Os verbos irregulares trazem variações em sua conjugação, seja no radical, seja nas desinências. Isso pode ser percebido em verbos como medir, fazer, caber, por exemplo. (eu meço; eles fizeram; eu caibo, ele coube). Existem também os verbos chamados anômalos. Trata-se daqueles que têm mais de um radical em sua conjugação. são os verbos ser e ir. No presente do indicativo já é possível perceber a anomalia do verbo ser: eu sou, tu és, ele é, nós somos, vós sois, eles são. O pretérito perfeito do indicativo ainda tem um radical diferente: eu fui, tu foste, ele foi, nós fomos, vós fostes, eles foram. 1.7 VOZES VERBAIS As vozes verbais são: ativa, passiva e reflexiva. 1. Voz ativa: verbo tem sujeito agente (que pratica a ação expressa pelo verbo): O candidato estudou apenas metade do conteúdo. A maioria das pessoas compra coisas inúteis. 2. Voz passiva: verbo tem sujeito paciente (que sofre a ação expressa pelo verbo): Apenas metade do conteúdo foi estudada pelo candidato. Coisas inúteis são compradas pela maioria das pessoas. Existem dois tipos de voz passiva: analítica e sintética. ● Voz passiva analítica: verbo auxiliar (quase sempre SER/ESTAR) + particípio (concordando em gênero e número com o sujeito paciente). ● Todos os anos, o café era colhido por aqueles quinze homens ● O desenvolvimento do Brasil é ameaçado por problemas antigos. ● No dia dos namorados, a praça será decorada. Nos dois primeiros exemplos, o termo sublinhado é o agente da passiva, que representa quem pratica a ação expressa pelo verbo na voz passiva. Trata-se de um termo não obrigatório. Logo, como se pode notar pelo terceiro exemplo, nem sempre haverá agente da passiva. ● Voz passiva sintética: verbo + SE (na função de partícula apassivadora). 54 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 ● Fizeram-se alterações importantes no cronograma. ● Inaugurar-se-á um novo shopping na capital. Transposição da voz ativa para a voz passiva analítica Para fazer a adequada transposição da voz ativa para a passiva analítica, devem-se seguir os seguintes passos: 1. Converter o OBJETO DIRETO da oração na voz ativa em SUJEITO da oração na voz ativa; 2. Converter o SUJEITO da voz ativa (se houver) em AGENTE DA PASSIVA; 3. Passar o verbo da voz ativa para o PARTICÍPIO (lembre-se de fazer os ajustes de concordância, caso seja necessário); 4. Flexionar o verbo auxiliar (SER/ESTAR) no mesmo tempo e no mesmo em que estiver flexionado o verbo da voz ativa (oração original), concordando com o novo sujeito; 5. Outros termos, como adjunto adverbial e objeto indireto, não sofrem alteração. Exemplos: Voz ativa: Amanhã ela comprará tudo. Sujeito: ela; objeto direto: tudo; tempo verbal de comprará: futuro do presente; modo verbal: indicativo; adjunto adverbial: amanhã (não sofre alteração). Voz passiva: Amanhã tudo será comprado por ela. Note que tudo se tornou sujeito paciente da oração; por ela é agente da passiva; o verbo será, auxiliar, está conjugado no futuro do presente do indicativo, como o verbo comprará; comprado está no particípio, no masculino e no singular para concordar com o novo sujeito, tudo. Voz ativa: A chuva causou prejuízos. Sujeito: a chuva; tempo e modo verbais: pretérito perfeito do indicativo; objeto direto: prejuízos. Voz passiva: Prejuízos foram causados pela chuva. Prejuízos passou a ser sujeito paciente; pela chuva tornou-se agente da passiva; o verbo auxiliar (foram) está conjugado no pretérito perfeito do indicativo, como o verbo causou, mas está na 3ª pessoa do plural para concordar com seu novo sujeito (prejuízos); o verbo principal, causados, também está na 3ª do plural e no masculino para concordar com prejuízos. Transposição da voz ativa para a voz passiva sintética Para construir a voz passiva sintética, usamos o SE na função de partícula apassivadora (ou pronome apassivador). 55 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G ABR IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Voz ativa: Os alunos estudaram todas as matérias. Ao se transpor essa frase para a voz passiva sintética, não haverá agente da passiva. Nem sempre é possível, na voz passiva sintética, determinar o agente. Voz passiva: Estudaram-se todas as matérias. Para se fazer a transposição da voz ativa para a voz passiva sintética, basta inserir o SE (partícula apassivadora) na oração e fazer os ajustes de concordância, caso sejam necessários. Voz ativa: Vendem casa. (sujeito indeterminado - verbo na 3ª do plural) Voz passiva: Vende-se casa. (sujeito paciente [casa] - verbo na 3ª do singular concordando com o sujeito). ATENÇÃO: somente verbos transitivos diretos e verbos transitivos diretos e indiretos (VTD e VTDI) podem ser usados na voz passiva. 3. Voz reflexiva: o sujeito, simultaneamente, pratica e sofre a ação expressa pelo verbo. A voz reflexiva é marcada pelo uso de sujeito e objeto (pronome oblíquo) de mesma pessoa e número. ● Eu olhei-me bem no espelho durante alguns minutos. ● Maria se cortou ao descascar a laranja. A voz reflexiva pode, também, trazer a ideia de reciprocidade. Isso ocorre quando o sujeito é plural e, pelo significado da frase, pode-se entender que um elemento praticou a ação sobre o outro. ● Os manifestantes se agrediram durante o evento. ● As amigas, no momento da despedida, abraçaram-se. 1.8 ADVÉRBIOS Advérbios são palavras invariáveis que modificam o sentido do verbo, do adjetivo e do próprio advérbio. Diz-se que o advérbio introduz uma circunstância à oração. Veja um quadro com exemplos das principais circunstâncias introduzidas por advérbios: Afirmação Dúvida Intensidade Lugar 56 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Sim, certamente, deveras, incontestavelmente, realmente, efetivamente. Talvez, quiçá, acaso, porventura, provavelmente... Muito, pouco, assaz, bastante, mais, menos, tão, demasiado, meio, todo, completamente, demasiadamente, demais, quanto... Abaixo, acima, ali, cá, lá, além, aquém, atrás, fora, dentro, perto, longe, adiante, diante onde, aonde, donde, detrás... Negação Modo Tempo Não, tampouco (com sentido de também não). Bem, mal, assim, depressa, devagar, alerta, como, calmamente, livremente, alegremente, cuidadosamente (advérbios em -MENTE no geral)... Agora, já, hoje, amanhã, depois, ontem, anteontem, sempre, nunca, jamais, ainda, logo, antes, cedo, tarde, então, breve, ... LOCUÇÕES ADVERBIAIS: são expressões que equivalem a advérbios e como eles se classificam. Veja alguns exemplos: ● Foi ao cinema com a namorada. (companhia) ● Viemos de ônibus. (meio) ● Datilografou as cartas à máquina. (instrumento) ● Muitas pessoas morrem de câncer todos os anos. (causa) ● Chegaremos à noite. (tempo) PALAVRAS DENOTATIVAS: são palavras (e, às vezes, locuções) que a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) não classifica como advérbios e que, na verdade, não pertencem a nenhuma das dez classes gramaticais. As principais são: ● de designação/indicação: eis. ● "Eis aqui chocolate, gato, chão..." (Adriana Calcanhotto). ● de exclusão: menos, sequer, fora, salvo, senão, sequer, exceto... ● Ninguém poderia fazer isso, exceto José. ● de inclusão: inclusive, também, ainda, até, ademais, além disso... ● Terminou nosso namoro por telefone e ainda me acusou de tê-la traído. 57 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 ● de limitação: só, apenas, somente... ● Só uma aluna chegou na hora marcada. ● de retificação: aliás, ou melhor, isto é... ● Finalmente o cachorro do vizinho se calou, ou melhor, parou de latir. 1.9 PREPOSIÇÕES Preposições são palavras invariáveis que ligam dois termos entre si. Dividem-se entre essenciais e acidentais. Preposições essenciais (que são sempre preposições): a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás. Preposições acidentais (palavras de outras classes que podem funcionar como preposições): como, conforme (=de acordo com), consoante, durante, mediante, segundo... LOCUÇÕES PREPOSITIVAS: expressões que equivalem a uma preposição, como abaixo de, acerca de, acima de, a despeito de, adiante de, a fim de, além de, antes de, a par de, apesar de, atrás de, através de, de acordo com, debaixo de, de cima de, defronte de, dentro de, diante de, em baixo de, em cima de, em frente a, em frente de, em torno de, em vez de, graças a, junto de, perto de, para com, por causa de, por detrás de, por entre ... Por mais que se classifiquem como palavras vazias de sentido, ao serem utilizadas, as preposições estabelecem um valor semântico às ligações que realizam, como se pode ver: ● assunto: Conversaram sobre estudos. ● causa: Desmaiou de susto. ● companhia: Estou com ela. ● direção: Olho para mim. ● matéria: Barraca de lona. ● etc. As preposições podem, ainda, combinar-se (sem perda de fonemas) ou contrair-se (com perda de fonemas) com outras palavras: ● Falou bem dele. (de + ele) ● Vamos ao cinema. (a + o) ● Dirija-se àquele guichê, por favor. (a + aquele) ● O bolo ficará pronto num minuto! (em + um) 1.10 CONJUNÇÕES Conjunções são palavras invariáveis que ligam orações ou palavras entre si. 58 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 As conjunções podem ser coordenativas (ligam orações que são sintaticamente independentes umas das outras) ou subordinativas (introduzem orações que exercem função sintática na principal). Para mais informações, veja o capítulo Período composto. CONJUNÇÕES COORDENATIVAS: 1. Aditivas - ligam orações estabelecendo ideia de adição: e, nem, mas também, mas ainda, senão também, como também, bem como... Chegou do trabalho e foi tomar banho. 2. Adversativas - unem orações estabelecendo ideia de oposição, contraste: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante ... Promete que vai mudar, mas continua o mesmo. 3. Alternativas - estabelecem, entre as orações que ligam, noção de alternativa, alternância: ou, ou...ou, ora...ora, já...já, quer...quer... Ora faz frio, ora faz calor. 4. Conclusiva - iniciam uma conclusão, uma decorrência lógica: logo, portanto, por conseguinte, pois (posposto ao verbo), por isso... Você é o dono do cão, por isso é o responsável pelos danos por ele causados. 5. Explicativas - introduzem a ideia demotivo, explicação: que, porque, porquanto, pois (anteposto ao verbo)... Sobe, pois quero te mostrar uma coisa. Atenção: a conjunção "e" pode ter valor adversativo: Fez mas malas e não viajou. (=mas). CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS: 1. Causais - introduzem uma causa daquilo que se diz na oração principal: porqque, que, pois, como, porquanto, visto que, visto como, ja que, uma vez que, desde que... Engordou porque comeu muito doce. 2. Comparativas - iniciam o segundo elemento de uma comparação: como, (tal) qual, tal e qual, assim como, (tal) como, (tão/tanto) como, mais (do) que, menos (do) que, que nem... Corre como o vento. 3. Concessivas - introduzem orações que trazem um fato que se admite em oposição a outro: ainda que, embora, conquanto, mesmo que, por mais que, por menos que, se bem que, em que pese, sem que (=embora não), mesmo quando, ainda quando... 59 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Em que pese o respeito que temos por você, não aceitaremos suas intromissões. 4. Condicionais - iniciam orações que exprimem a condição para que o que se afirma na oração principal se verifique: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que (=se não), a não ser que, a menos que... Desde que se esforce, conseguirá ser aprovado. 5. Conformativas - dão ideia de conformidade de um fato com outro: como, conforme, segundo, consoante... Ele sempre age conforme manda a ética. 6. Consecutivas - introduzem a consequência daquilo que se expressa na oração principal: que (precedido de intensificadores como tal, tão, tamanho, tanto, que podem vir subentendidos), de modo que, de sorte que, de forma que, sem que, que não... Chorava tanto que mal conseguia respirar. 7. Finais - iniciam oração que expressa finalidade: para que, a fim de que, que (= para que). Falei baixo para que o bebê não acordasse. 8. Proporcionais - iniciam oração que indica proporcionalidade: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais...(mai)s, quanto mais... (menos), quando menos... (mais), quanto menos... (menos)... Quanto menos o Brasil investir em educação, mais a desigualdade social crescerá. 9. Temporais - introduzem a ideia de tempo: quando, enquanto, logo que, mal, sempre que, assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora que, ao mesmo tempo que... Mal se deitou, adormeceu. 10. Conjunções integrantes - introduzem orações substantivas: que, se. Não sei se o problema foi resolvido. LOCUÇÕES CONJUNTIVAS: expressão que funciona como uma conjunção, como várias das que foram vistas acima (no entanto, ainda que, à medida que, ao mesmo tempo que etc.). 1.11 INTERJEIÇÕES Interjeições e locuções interjetivas são palavras e expressões, respectivamente, que exprimem sentimentos e emoções. Viva! Ganhamos o primeiro prêmio! Puxa vida! Somos mesmo azarados! Ei, você! Psiu! 60 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 61 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 1. CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL O direito processual penal compreende um conjunto de normas (princípios e garantias constitucionais + regras legais) que regulam a aplicação do direito penal, desde as investigações preliminares, passando pelo exercício da ação penal e realização da jurisdição por parte do Estado-juiz competente, respeitados no processo o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, constituindo verdadeira garantia do cidadão de que somente sofrerá sanção penal após o devido processo legal. Assim, o direito processual penal se apresenta como meio necessário para a condenação criminal de alguém e aplicação da pena correspondente, já que a Constituição Federal de 1988 estabelece que ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente e que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória (Art. 5º, LIII e LVII, CF/88). Deste modo, o direito processual penal constitui o caminho que condiciona o exercício do poder punitivo estatal, de maneira que o Estado precisa observar as normas que compõem o direito processual penal para o exercício do seu jus puniendi (poder-dever de punir ou direito-dever de punir). Embora nas ações penais privadas o Estado outorgue ao particular a legitimidade para o ajuizamento da ação (jus persequendi in juditio - direito de ajuizar a ação penal, pedir a condenação e seguir com o processo), isso não acontece em relação ao jus puniendi, que é exclusivo do Estado. Até mesmo nas hipóteses de infrações penais de menor potencial ofensivo, em que se admite a composição dos danos civis e a transação penal, é imprescindível a homologação judicial do acordo, de maneira que a aplicação do direito penal material na solução das lides é exclusividade do Estado-juiz, por meio da observância estrita às normas estabelecidas. 62 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 2. PRINCÍPIOS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL A palavra princípios da expressão princípios fundamentais do Título I da Constituição Federal exprime a noção de mandamento nuclear de um sistema, “verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo de critério para exata compreensão e inteligência delas”, definindo a lógica e a racionalidade do sistema normativo, de forma a lhe dar sentido harmônico. Na essência, os princípios jurídicos são fundamentais porque são ponto de partida de interpretação e elaboração de todo o ordenamento jurídico. Assim, na análise jurídica, para a construção de um trabalho científico, “a preparação dos elementos para a construção e os resultados da mesma devem responder a certos princípios que não podem ser vulnerados, sob pena de inutilizar as proposições a que se cheguem ao término da investigação”. Princípios são, também, mandamentos de otimização que se irradiam para todo o sistema, são normas que ordenam que algo seja realizado na maior medida possível dentro das possibilidades jurídicas e fáticas existentes. Em síntese, os princípios constitucionais são fontes materiais de outras normas jurídicas que, para ter validade, devem ser com elescompatíveis, além de auxiliarem na interpretação das normas, interligando-as e suprindo as lacunas, tornando o ordenamento jurídico um todo único e harmônico. Mas as funções dos princípios vão além. Constituem, também, limites às atuações do Estado e ao exercício abusivo de direitos, bem como possuem aplicação imediata aos casos concretos que regulam, determinando que as coisas sejam realizadas na maior medida possível dentro das possibilidades jurídicas e fáticas existentes. 2.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE O art. 5º, inciso II, da Constituição Federal de 1988, preceitua que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Tal dispositivo estatuiu o princípio da legalidade que tem por escopo limitar o poder do Estado, impedindo o seu exercício de maneira arbitrária. Segundo o princípio em questão, o indivíduo só pode ser obrigado a fazer, deixar de fazer ou tolerar que se faça algo, se houver alguma lei que preveja a 63 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 obrigação. Assim, o princípio da legalidade constitui segurança jurídica ao indivíduo, para o qual somente podem ser criadas obrigações por meio de leis aprovadas conforme as regras do processo legislativo constitucional. O princípio da legalidade é a base direta da própria noção de Estado de Direito, implantada “com o advento do constitucionalismo, porquanto acentua a ideia de ‘governo das leis’, expressão da vontade geral, e não mais ‘governo dos homens’, em que tudo se decidia ao sabor da vontade, dos caprichos, do arbítrio de um governante”. Sendo assim, o artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988 estabelece que “a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”. A ideia matriz consiste no fato de que só o Poder Legislativo pode criar regras que contenham novidade modificativa da ordem jurídico-formal, devendo ser distinguida a competência legislativa de conteúdo inovador da competência regulamentar, de forma que o Estado, o Poder Público ou os administradores “não podem exigir qualquer ação, nem impor qualquer abstenção, nem mandar tampouco proibir nada aos administrados, senão em virtude de lei”. 2.1.1 O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE NO ÂMBITO PENAL E PROCESSUAL PENAL O princípio da legalidade, no âmbito penal, encontra-se insculpido no inciso XXXIX do art. 5º da Constituição da República, segundo o qual não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. Para se falar na existência de crime é preciso que haja uma lei definindo-o como tal, ou seja, tudo o que não for expressamente proibido é lícito em Direito Penal. Por mais socialmente reprovável que uma conduta seja, inexistindo a sua previsão legal como criminosa ou contravencional, o Estado não poderá impor ao cidadão uma sanção penal. Assim, “o princípio da legalidade tem importância ímpar em matéria de segurança jurídica, pois salvaguarda os cidadãos contra punições criminais sem base em lei escrita, de conteúdo determinado e anterior à conduta. Exige, ademais disso, que exista uma perfeita e total correspondência entre o ato do agente e a lei penal para fins de caracterização da infração e imposição de sanção respectiva”. 64 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Portanto, o princípio da legalidade no âmbito penal constitui essa garantia, essa segurança jurídica do cidadão de que poderá fazer tudo aquilo que não for expressamente proibido pela lei penal, podendo ter a tranquilidade de realizar as condutas que não forem proibidas, que não estejam previstas legalmente em um tipo incriminador. GRECO ensina ainda que o princípio da legalidade possui quatro funções fundamentais: 1ª) proibir a retroatividade da lei penal (nullum crimen nulla poena sine lege praevia); 2ª) proibir a criação de crimes e penas pelos costumes (nullum crimen nulla poena sine lege scripta); 3ª) proibir o emprego de analogia para criar crimes, fundamentar ou agravar penas (nullum crimen nulla poena sine lege stricta); 4ª) proibir incriminações vagas e indeterminadas (nullum crimen nulla poena sine lege certa). Não é por menos que o inciso XL do art. 5º da Constituição da República, em complementação ao princípio da legalidade insculpido no inciso anterior, estabelece que a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu, dando a “certeza de que ninguém será punido por um fato que, ao tempo da ação ou da omissão, era tido como um indiferente penal”. Decorre ainda do princípio da legalidade a exigência de que os tipos penais incriminadores sejam taxativos, ou seja, exprimam uma definição precisa das condutas proibidas ou impostas, sendo vedada a criação de tipos que contenham conceitos vagos e imprecisos. No âmbito processual penal, o princípio da legalidade tem fundamental aplicação, na medida em que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal (Art. 5º, LIV, CF/88). Logo, ao decretar medidas cautelares de natureza processual penal, que privem alguém de sua liberdade ou de seus bens, o Estado-juiz deve fazê-lo nos estritos limites da lei, observando se a medida determinada possui previsão legal, se o caso concreto amolda-se a alguma das hipóteses de cabimento da medida, bem como se estão presentes os seus pressupostos e requisitos. Nessa mesma esteira, a prisão penal de alguém, por exemplo, somente será cabível após o trânsito em julgado de uma sentença penal condenatória, a qual deverá 65 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 ser proferida dentro do devido processo legal, por autoridade judiciária competente, assegurados o contraditório e a ampla defesa. 2.2 PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE O princípio da proporcionalidade é o instrumento por meio do qual se afere, por exemplo, a legitimidade de leis e atos administrativos que restringem direitos fundamentais por meio da análise da adequação, da necessidade (ou vedação de excesso e de insuficiência) e da proporcionalidade em sentido estrito. Haverá adequação quando o meio escolhido for adequado e pertinente para atingir a sua finalidade, ou seja, para alcançar o resultado almejado. Estará presente a necessidade quando a medida for estritamente necessária, de maneira que a medida deve ser a menos prejudicial entre as opções existentes, não podendo, por outro lado, ser insuficiente à repressão das violações dos direitos fundamentais. Por fim, a proporcionalidade em sentido estrito existirá quando o benefício alcançadocom a medida adotada for axiologicamente mais importante do que os sacrifícios experimentados. Em síntese, se pode afirmar que o princípio da proporcionalidade ou da proibição de excesso se constitui de três subprincípios: a. O princípio da conformidade ou da adequação segundo o qual a medida adotada para a realização do interesse público deve ser apropriada à consecução dos seus fins, ou seja, o ato deve ser apto para e conforme os fins justificativos da sua adoção; b. O princípio da exigibilidade ou da necessidade segundo o qual o cidadão tem direito à menor ingerência ou desvantagem possível, de forma que deve ser adotado o meio menos oneroso para o cidadão (limitar o menos possível os direitos fundamentais, com a menor abrangência temporal e espacial possível, limitando-se à pessoa ou pessoas cujos interesses devem ser sacrificados); c. O princípio da proporcionalidade em sentido estrito segundo o qual, após se concluir pela necessidade e adequação da medida coativa do poder público para atingir determinado fim, se deve investigar se o resultado obtido é proporcional ao mal causado, sopesando as desvantagens do meio em relação às vantagens do fim. 2.2.1 O PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE NO ÂMBITO PENAL E PROCESSUAL PENAL 66 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Em matéria penal, o princípio da proporcionalidade abrange, particularmente, o campo das penas, devendo haver harmonia entre os modelos de condutas proibidas e as penas abstratamente previstas, as quais, no caso concreto, devem ser individualizadas e proporcionalmente aplicadas, conforme a gravidade da infração penal praticada. Assim, o legislador deve observar o princípio da proporcionalidade quando cria um novo tipo penal, bem como quando altera algum já existente. Por outro lado, o juiz também deve julgar o caso e aplicar a sanção tendo o princípio da proporcionalidade como norte, de maneira que haja “proporção entre o peso da sanção e o dano provocado pela infração penal”. Importante registrar, ainda, que o princípio da proporcionalidade impõe, de um lado, a vedação do excesso “como importante mecanismo de contenção dos exageros praticados pelo Estado em face da esfera individual” e, de outro, a proibição de proteção deficiente que obriga o Estado a não se omitir diante de ataques aos bens jurídicos mais importantes, devendo ser adotado um conjunto de medidas aptas a tutelar os bens jurídicos mais relevantes, aí incluída a tutela penal. No âmbito processual penal, o princípio da proporcionalidade possui igual relevância, pois proíbe o excesso e veda o arbítrio de poder, na medida em que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal (Art. 5º, LIV, CF/88). Assim, ao decretar medidas cautelares de natureza processual penal, que privem alguém de sua liberdade ou de seus bens, o Estado-juiz deve fazê-lo nos estritos limites da lei, observando se a medida determinada possui previsão legal, se o caso concreto amolda-se a alguma das hipóteses de cabimento da medida, bem como se estão presentes os seus pressupostos e requisitos. Além disso, é preciso que a medida imposta seja necessária e adequada, devendo o Estado-juiz verificar a sua necessidade para aplicação da lei penal, para a investigação ou a instrução criminal e, nos casos expressamente previstos em lei, para evitar a prática de infrações penais, bem como a sua adequação à gravidade do crime, circunstâncias do fato e condições pessoais do indiciado ou acusado (Art. 282, I e II, CPP). Nessa esteira, para a decretação da prisão preventiva de alguém, por exemplo, será preciso demonstrar que: a. A medida é necessária e adequada (Art. 282, I e II, CPP); b. As medidas cautelares diversas da prisão, isolada ou cumulativamente consideradas, não são suficientes e adequadas para atingir a mesma finalidade 67 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 buscada com a decretação da prisão preventiva (Art. 282, §§ 4º e 6º c/c Art. 310, II, CPP); c. Foram cumpridos os pressupostos para a decretação da prisão preventiva (Art. 311, CPP), ou seja, que tenha havido representação da autoridade policial ou requerimento do Ministério Público, querelante ou assistente de acusação; d. Estão presentes os três requisitos cumulativos e, ao menos, um dos requisitos alternativos (Art. 312, CPP); e. O fato se enquadra em alguma das hipóteses legais de cabimento da prisão preventiva (Arts. 312, § 1º, e 313, CPP); f. A decisão é motivada (Art. 315, caput e § 1º, CPP) e fundamentada (Art. 315, caput e § 2º, CPP). 2.3 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO PROCESSO PENAL O direito processual penal é constituído de uma série de princípios constitucionais, dentre os quais destacam-se o princípio da jurisdicionalidade ou da garantia de jurisdição, a garantia do sistema acusatório, a presunção de inocência, o contraditório e ampla defesa, o direito ao silêncio e o nemo tenetur se detegere, a publicidade e motivação das decisões judiciais, o duplo grau de jurisdição, a dignidade da pessoa humana e o princípio da duração razoável do processo, os quais serão estudados nos próximos tópicos. 2.3.1 PRINCÍPIO DA JURISDICIONALIDADE OU DA GARANTIA DE JURISDIÇÃO O princípio da jurisdicionalidade ou da garantia de jurisdição assegura o direito a um juiz natural, imparcial e competente (Arts. 69 a 91 do CPP e Art. 5º, LIII, CF/88), sendo expressamente vedada a instituição de juízo ou tribunal de exceção (Art. 5º, XXXVII, CF/88). Este princípio-garantia estabelece, ainda, a exclusividade do poder jurisdicional do Estado-juiz para o exercício do jus puniendi, ou seja, o direito de punir criminalmente é exclusivo do Estado-juiz, que aplicará o direito penal material na solução das lides, legitimado pela Constituição Federal, de forma independente e com submissão apenas às normas constitucionais e legais, no âmbito do devido processo legal. Há, contudo, algumas hipóteses constitucionais, legais e jurisprudenciais que constituem verdadeiras exceções ao princípio do juiz natural, a exemplo do que 68 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 acontece com o denominado incidente de deslocamento de competência, da Justiça Estadual para a Justiça Federal, previsto no Art. 109, inciso V-A e § 5º, da Constituição Federal, que poderá ser suscitado pelo Procurador-Geral da República perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quaiso Brasil seja parte. Em tal hipótese, ocorre a chamada federalização do caso, ou seja, um crime que era originariamente de competência da Justiça Estadual ou do Tribunal do Júri Estadual, passa a ser de competência da Justiça Federal ou do Tribunal do Júri Federal. Para tanto, segundo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, devem estar presentes três requisitos cumulativos: i. A existência de grave violação de direitos humanos; ii. O risco de responsabilização internacional do Brasil decorrente do descumprimento de obrigações jurídicas assumidas em tratados internacionais; iii. A incapacidade ou desinteresse das instâncias e autoridades locais (estaduais) em oferecer respostas efetivas, ou seja, em investigar, processar e julgar, adequadamente, a grave violação de direitos humanos que foi perpetrada. 2.3.2 GARANTIA DO SISTEMA ACUSATÓRIO A garantia do sistema acusatório veda o juiz inquisidor, na medida em que separa o órgão julgador daquele responsável pela acusação, atribuindo ao Ministério Público a função institucional de promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei (Art. 129, I, CF/88). Essa garantia foi reforçada pelo art. 3º-A do Código de Processo Penal, incluído pela Lei Anticrime (Lei nº 13.964/2019), que deixa claro que o processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação. O art. 3º-A do Código de Processo Penal foi objeto de aprofundado estudo no tópico juiz das garantias, para onde remetemos o leitor. 2.3.3 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA 69 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 O princípio da presunção de inocência foi consagrado no art. 9º da Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, segundo o qual todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado e, se julgar indispensável prendê-lo, todo o rigor desnecessário à guarda da sua pessoa deverá ser severamente reprimido pela lei. No mesmo sentido, o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, promulgado no Brasil pelo Decreto nº 592, de 6 de julho de 1992, dispõe, em seu art. 14, item 2, que toda pessoa acusada de um delito terá direito a que se presuma sua inocência enquanto não for legalmente comprovada sua culpa. No item 5 do seu art. 14, o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos dá a tônica do que seria a comprovação de culpa, ao estabelecer que toda pessoa declarada culpada por um delito terá direito de recorrer da sentença condenatória e da pena a uma instância superior, em conformidade com a lei. Da leitura do dispositivo resta claro que entender-se-á legalmente comprovada a culpa quando houver uma sentença penal condenatória, ainda que recorrível a uma instância superior, ou seja, segundo o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, a partir da sentença penal condenatória, mesmo que de primeira instância e ainda recorrível, há o afastamento da presunção de inocência, dando lugar à presunção de culpa. Mantendo a coerência com os diplomas internacionais supracitados, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, promulgada no Brasil pelo Decreto nº 678, de 6 de novembro de 1992, em seu art. 8º, item 2, estatuiu que toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa. Por sua vez, a Constituição Federal, se comparada aos documentos internacionais referidos acima, ampliou significativamente o alcance do princípio da presunção de inocência. No Brasil, a presunção de inocência encontra guarida no art. 5º, inciso LVII, da Constituição Federal, o qual estabelece que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Portanto, o princípio da presunção de inocência tem origem mais restrita na Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, no Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e na Convenção Americana sobre Direitos Humanos do que na abrangente previsão estampada na Constituição Federal. Explico. 70 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Segundo os supracitados documentos internacionais, a presunção de inocência persiste somente até que haja a declaração de culpa ou a comprovação de culpa, o que, a depender do ordenamento jurídico do Estado signatário, poderá ocorrer com a prolação da sentença penal condenatória de primeira instância, ainda que recorrível, ou com a sua confirmação em sede recursal, ainda que pendentes outros recursos para outras instâncias. A Constituição brasileira foi muito mais abrangente, presumindo a inocência até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, o que somente ocorre quando a decisão condenatória não é mais recorrível, quer seja pelo decurso in albis do prazo recursal, quer seja pelo esgotamento dos recursos cabíveis, que no Brasil podem alcançar até quatro instâncias. 2.3.4 PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA O contraditório é a “ciência bilateral dos atos e termos do processo e a possibilidade de contrariá-los”, é um “método de confrontação da prova e comprovação da verdade”, que se funda sobre o conflito entre as partes contrapostas (acusação e defesa), de forma disciplinada e ritualizada, sendo imprescindível à própria estrutura dialética do processo. Trata-se da possibilidade de conhecer e contradizer as afirmações da parte contrária, do direito de audiência bilateral, no sentido de se ouvir a parte adversa, com alegações mútuas das partes na forma dialética. Corolário do princípio do contraditório, o art. 155 do Código de Processo Penal estabelece que o juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. 2.3.5 O DIREITO AO SILÊNCIO E O NEMO TENETUR SE DETEGERE O Direito ao silêncio está previsto no art. 5º, inciso LXIII, da Constituição Federal, art. 8º, item 2, alínea g, da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e no art. 14, item 3, alínea g, do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos: Art. 5º, LXIII, CF/88 o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; 71 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS HUMANOS Art. 8º, 2. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa. Durante5º da Constituição Federal e no art. 1º do Código Penal. 6 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Art.5º, XXXIX, CF/88 Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. Em termos técnico-jurídicos, o princípio da legalidade se traduz em, pelo menos, 4 funções ou garantias. a. Nullun crimen nulla poena sine lex scripta. A única fonte formal imediata da norma penal incriminadora é a lei (ordinária ou complementar) sendo afastados os precedentes, os princípios gerais de direitos ou o costume incriminador. Embora os princípios e os costumes possam, de forma mediata, influenciar na interpretação das normas penais, jamais podem criar preceitos incriminadores. Contudo, vale um adendo: embora a Constituição proíba, de forma expressa, que a medida provisória tenha conteúdo penal (art. 62, § 1º, I, “b”) parte da doutrina admite medidas provisórias que possuem normas penais não incriminadoras (como normas permissivas, tais como excludentes de ilicitude). O entendimento já foi adotado pelo STF. cite-se como exemplo o RE 254.818/PR no qual a suprema corte permitiu, a partir da MP 1571/97, que o parcelamento dos débitos tributários e previdenciários tivessem efeitos extintivos da punibilidade, uma vez que estes apenas favoreceriam o réu. Também podemos elencar as medidas provisórias editadas para estender os efeitos do art. 30 do estatuto do desarmamento (Lei 10.826/03), que é verdadeira abolitio criminis temporária e, por isso, norma de natureza penal. b. Nullun crimen nulla poena sine lex stricta. O princípio da legalidade proíbe a analogia in malam partem. Entende-se por analogia, a forma de autointegração da norma jurídica, através da qual preenche-se uma lacuna normativa com uma regra que serve para situação semelhante (analogia legis) ou através da aplicação de um princípio geral de direito (analogia iuris). Cumpre ressaltar que não há qualquer problema na analogia in bonam partem, isto é, na autointegração da norma para preenchimento de lacunas em favor do réu, como pode ocorrer na extensão de uma causa de exclusão da ilicitude para situação que não se adequa de forma exata em seus nos requisitos legais. O mais comum 7 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 exemplo consiste na aplicação do art. 128, I (aborto necessário ou terapêutico) na hipótese em que não há médico para realizar o aborto e a interrupção da gravidez é feita por quem não possui diploma de medicina. É ainda importante diferenciar a analogia da interpretação analógica. Esta última é espécie de interpretação extensiva que se aplica quando a própria norma jurídica permite a ampliação de suas hipóteses de aplicação através de uma norma casuística seguida de uma norma genérica, de forma que os limites da segunda estão demarcados por um raciocínio comparativo concernente à primeira. O exemplo mais comum está no art. 121, § 2º, I: homicídio pode ser qualificado por paga ou promessa de recompensa ou por qualquer motivo torpe. Por fim, é relevante tratar da decisão do Supremo Tribunal Federal na ADO 26 e seus reflexos no princípio da legalidade. Neste importante julgado, a Suprema Corte decidiu “conceder interpretação conforme à Constituição, em face dos artigos 1º, III, 3º, I e IV; 5º, XLI, XLII e § 1º da Constituição Federal, à Lei nº 7.716/89, no sentido da integral aplicação de seus tipos penais às condutas homofóbicas e transfóbicas, até que seja editada a lei penal específica pelo Congresso Nacional”. Assim, deu-se interpretação extensiva ao elemento normativo “preconceito ou discriminação referentes à raça”. Como veremos no tópico referente à interpretação da lei penal, a interpretação extensiva é aquela em que se alarga o alcance da norma jurídica, uma vez que o texto legal disse menos que a vontade da norma, cujo sentido vai além de sua interpretação literal. Todavia, é forçoso reconhecer que a decisão do STF é bastante criticável, por ficar no limiar da analogia. c. Nullun crimen nulla poena sine lex praevia. Também chamado de princípio da anterioridade, esta função do princípio da legalidade garante que a lei penal não pode ser aplicada retroativamente em desfavor do acusado. d. Nullun crimen nulla poena sine lex certa. Também chamado de princípio da taxatividade, esta subdivisão do princípio da legalidade exige que o tipo penal defina de forma clara e concisa a conduta incriminada. Assim, tipos penais abertos com definições imprecisas são violadoras deste princípio constitucional. Um comum exemplo doutrinário se encontrava no art. 20 da revogada Lei 7.170/83 (lei de segurança nacional) que tipificava o crime de terrorismo simplesmente como a prática de “atos de terrorismo”, sem descrever as condutas que se subsumiriam ao tipo penal. 8 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 É necessário, entretanto, reconhecer que a contemporaneidade dificultou de sobremaneira a determinação das normas jurídicas. A sociedade atual e seus meios tecnológicos são dinâmicos demais para serem compreendidos por uma norma muito limitada ou estática, sob a pena de que tal engessamento torne inútil a previsão legislativa em pouco tempo. Citemos como exemplo o direito penal informático: caso os tipos penais determinassem a tecnologia utilizada, ficariam obsoletos rapidamente. Nesta ordem de ideias, alguns doutrinadores se propõem a criar parâmetros de proporcionalidade para a tolerância de certa indeterminação nos tipos penais, para que estes ainda sejam eficazes na proteção de bens jurídicos. Claus Roxin apresenta três critérios na busca deste equilíbrio: a) Quanto maior for pena, maior será a exigência de determinação e taxatividade do tipo penal. b) Os elementos abertos seriam subsidiários, isto é, caso a redação taxativa seja possível, a fórmula aberta será inconstitucional. c) Princípio da ponderação: os conceitos abertos serão admissíveis se os interesses de uma solução justa no caso concreto forem preponderantes em relação ao interesse da segurança jurídica. 1.2 PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA O direito penal, por representar a mais gravosa das respostas do Estado, deve ter aplicação subsidiária quanto aos outros ramos do direito e fragmentária no que tange ao bem jurídico que busca proteger. Em um país que se organiza em Estado democrático de direito, o princípio da intervenção mínima restringe a criação das normas incriminadoras ao mínimo essencial para a proteção dos mais importantes valores ou interesses e apenas quando outras formas de controle se mostram inócuas para os mesmos fins. Paulo César Busato atrela este princípio, em termoso processo, toda pessoa tem direito, em plena igualdade, às seguintes garantias mínimas: (...) g. direito de não ser obrigado a depor contra si mesma, nem a declarar-se culpada; PACTO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS Art. 14, 3. Toda pessoa acusada de um delito terá direito, em plena igualdade, a, pelo menos, as seguintes garantias: (...) g) De não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-se culpada. Ao fazer uso da palavra preso, a Constituição Federal disse menos do que queria dizer, uma vez que o direito ao silêncio é reconhecido em favor de qualquer pessoa contra a qual exista alguma investigação criminal ou processo penal, independentemente dela estar presa ou solta. Portanto, o direito ao silêncio assiste ao suspeito, investigado, indiciado, acusado ou réu, esteja ele preso ou solto. Já o colaborador premiado, nos depoimentos que prestar, renunciará, na presença de seu defensor, ao direito ao silêncio e estará sujeito ao compromisso legal de dizer a verdade (Art. 4º, § 14, Lei nº 12.850/2013). Importante registrar que, no bojo das Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 395 e 444, o Ministro Gilmar mendes deferiu “medida liminar, para vedar a condução coercitiva de investigados para interrogatório, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de ilicitude das provas obtidas, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado” (STF, ADPF 395 e ADPF 444, Rel. Min. Gilmar Mendes, J. 18/12/2017). Segundo o Ministro, “a condução coercitiva para interrogatório representa uma restrição da liberdade de locomoção e da presunção de não culpabilidade, para obrigar a presença em um ato ao qual o investigado não é obrigado a comparecer. Daí sua incompatibilidade com a Constituição Federal.” (Grifos constam do original). Alguns meses depois, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, “por maioria e nos termos do voto do Relator, julgou procedente a arguição de descumprimento de preceito fundamental, para pronunciar a não recepção da expressão ‘para o interrogatório’, constante do art. 260 do CPP, e declarar a incompatibilidade com a 72 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Constituição Federal da condução coercitiva de investigados ou de réus para interrogatório”, por entender que a mesma ofende o princípio da presunção de inocência ou presunção de não culpabilidade, o direito de liberdade e a dignidade da pessoa humana (STF, ADPF 395 e ADPF 444, J. 14/06/2018 - Informativo 906). Além disso, nossa Corte Suprema esclareceu que a hipótese de condução coercitiva objeto das supracitadas arguições restringe-se, tão somente, àquela destinada à condução de investigados e réus à presença da autoridade policial ou judicial para serem interrogados, não tendo sido analisadas as demais hipóteses de condução coercitiva, tais como de vítimas para prestarem declarações (Art. 201, § 1º, CPP), de testemunhas para prestarem depoimento (Art. 218, CPP) ou mesmo de investigados ou réus para atos diversos do interrogatório, como o reconhecimento (Art. 226, CPP) e a identificação criminal (Lei nº 12.037/2009), por exemplo. Partindo das mesmas premissas que inviabilizaram a condução coercitiva de investigados e réus para fins de interrogatório, é possível afirmar que o imputado também não pode ser conduzido coercitivamente para a reprodução simulada dos fatos ou reconstituição do crime, por se tratar de ato que pode ser realizado sem a sua presença e do qual não é obrigado a participar, na medida em que não é obrigado a produzir prova contra si. Assim, a participação do imputado na reprodução simulada dos fatos ou reconstituição do crime fica ao seu alvedrio, não podendo ser ele conduzido coercitivamente para tanto. Nada obsta, contudo, a condução coercitiva do imputado para outros atos que não possam ser realizados sem a presença física dele, tais como o reconhecimento e a identificação criminal (modalidades passivas), desde que, previamente intimado, não compareça e nem justifique a ausência. Nesse sentido: O comparecimento do réu aos atos processuais, em princípio, é um direito e não um dever, sem embargo da possibilidade de sua condução coercitiva, caso necessário, por exemplo, para audiência de reconhecimento. Nem mesmo ao interrogatório estará obrigado a comparecer, mesmo porque as respostas às perguntas formuladas ficam ao seu alvedrio. (STF, HC 151.395/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, J. 08/03/2018). Positivando o entendimento firmado pela Suprema Corte nas Arguições de Descumprimento de Preceitos Fundamentais nº 395 e 444, a nova Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019), em seu art. 10, criminalizou a conduta de quem decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado manifestamente 73 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 descabida ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo, punindo-a com pena de detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Por outro lado, considerando que o imputado deve ser informado dos seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, o Supremo Tribunal Federal, na Reclamação nº 33.711/SP, com relatoria do Ministro Gilmar Mendes, em julgamento no dia 11/06/2019, anulou entrevista realizada e formalizada pela Polícia, durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, por entender que houve violação ao direito ao silêncio e à não autoincriminação: (...) Há a violação do direito ao silêncio e à não autoincriminação, estabelecidos nas decisões proferidas nas ADPFs 395 e 444, com a realização de interrogatório forçado, travestido de “entrevista”, formalmente documentado durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, no qual não se oportunizou ao sujeito da diligência o direito à prévia consulta a seu advogado e nem se certificou, no referido auto, o direito ao silêncio e a não produzir provas contra si mesmo, nos termos da legislação e dos precedentes transcritos (...) Além do direito ao silêncio, o imputado tem o direito ao nemo tenetur se detegere, ou seja, o direito de não produzir prova contra si, podendo se recusar a praticar qualquer ato probatório que entenda ser prejudicial à sua defesa, não sendo obrigado, por exemplo, a participar da reprodução simulada dos fatos, a fornecer material grafotécnico para perícia e a responder perguntas durante interrogatórios ou eventuais acareações. Caberá ao imputado decidir se atuará positivamente em tais situações ou se permanecerá em silêncio e omisso. Inclusive, a nova Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019), em seu art. 13, criminalizou a conduta de constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro, punindo-a com pena de detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, sem prejuízo da pena cominada à violência. A mesma Lei, em seu art. 15, parágrafo único, também criminalizou a conduta de quem prosseguir com o interrogatório de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio ou de pessoa que tenhaoptado por ser assistida por advogado ou defensor público, sem a presença de seu patrono, punindo-a com pena de detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Trazendo mitigações importantes ao nemo tenetur se detegere, a Lei nº 12.654/2012, por meio de alterações na Lei de Identificação Criminal (Lei nº 74 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 12.037/2009) e na Lei de Execução Penal, previu a coleta de material biológico do imputado, voluntariamente ou não: (i) como forma de identificação criminal, com autorização judicial; e (ii) como consequência da condenação por crime doloso praticado com violência grave contra a pessoa, bem como por crime contra a vida, contra a liberdade sexual ou por crime sexual contra vulnerável, por ocasião do ingresso no estabelecimento prisional. Portanto, conforme a legislação em vigor, mesmo em caso de recusa do imputado, caso haja ordem judicial determinando a coleta de seu material biológico para fins de identificação criminal ou exista condenação contra ele por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave contra a pessoa ou por crime contra a vida, contra a liberdade sexual ou por crime sexual contra vulnerável, poderá ser feita a coleta de seu material biológico, desde que de forma não invasiva, por técnica adequada e indolor (cortando fios de cabelo, por exemplo). Caso o imputado não se oponha à coleta do material biológico, o método mais recomendado é a coleta de saliva e células da mucosa bucal, por meio do ato de esfregar um Swab (espécie de cotonete) na parte interna das bochechas. É importante lembrar, ainda, que em se tratando de material descartado, a prova será lícita: (...) 5. No caso, entretanto, não há que falar em violação à intimidade já que o investigado, no momento em que dispensou o copo e a colher de plástico por ele utilizados em uma refeição, deixou de ter o controle sobre o que outrora lhe pertencia (saliva que estava em seu corpo). 6. Também inexiste violação do direito à não autoincriminação, pois, embora o investigado, no primeiro momento, tenha se recusado a ceder o material genético para análise, o exame do DNA foi realizado sem violência moral ou física, utilizando-se de material descartado pelo paciente, o que afasta o apontado constrangimento ilegal (STJ, HC 354.068/MG, 5ª T, J. 13/3/2018) Noutra senda, o direito de não produzir prova contra si não contempla a atribuição de falsa identidade, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal explicitado no Recurso Extraordinário nº 640.139 e sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça pela Súmula nº 522, constituindo tal conduta o crime previsto no art. 307 do Código Penal. Caso o imputado, ao invés de apenas atribuir-se falsa identidade, faça uso de documento de identificação falso perante a autoridade policial, o crime será o do art. 75 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 304 do Código Penal. Se o imputado utilizar, como próprio, documento de terceiro, o crime será o do art. 308 do Código Penal. Portanto, resta claro que a garantia de permanecer calado e de não produzir prova contra si abrange o direito de calar, mentir ou omitir sobre os fatos e circunstâncias que são imputados à pessoa na investigação criminal ou no processo penal, mas não quanto à sua qualificação (identificação). Nessa esteira, o art. 313, § 1º, do Código de Processo Penal permite a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, assim como o art. 1º, inciso II, da Lei nº 7.960/1989, trata do cabimento da prisão temporária quando o imputado não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade, demonstrando que o direito ao silêncio realmente não abarca os dados qualificativos, mas tão somente a matéria de fato. Além disso, o art. 68 da Lei de Contravenções Penais (Decreto-Lei nº 3.688/1941) estabelece pena de multa para quem recusar à autoridade, quando por esta, justificadamente solicitados ou exigidos, dados ou indicações concernentes à própria identidade, estado, profissão, domicílio e residência. 2.3.6 PRINCÍPIOS DA PUBLICIDADE E MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS Os princípios da publicidade e motivação das decisões judiciais estão estampados no art. 93, inciso IX, da Constituição Federal, segundo o qual todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação. O princípio da publicidade traz “a garantia do acesso de todo e qualquer cidadão aos atos praticados no curso do processo”, com publicidade ampla, assegurando “a transparência da atividade jurisdicional, oportunizando sua fiscalização não só pelas partes, como por toda a comunidade”, o que “revela uma clara postura democrática”. Assim, a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem (Art. 5º, LX, CF/88), o que ocorre, por exemplo, com os crimes contra a dignidade sexual, em que os processos possuem 76 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 apenas publicidade restrita ou interna, comumente chamada de segredo de justiça, cujos atos serão realizados apenas perante as pessoas diretamente interessadas no feito e seus respectivos procuradores, ou somente perante estes. Por sua vez, o princípio da motivação das decisões judiciais estabelece que todas as decisões judiciais, tanto as sentenças e os acórdãos, quanto as decisões interlocutórias, especialmente aquelas que impliquem restrições de direitos e garantias fundamentais (Exemplos: decretos de prisões; interceptação telefônica; busca e apreensão etc.), devem ser devidamente motivadas e fundamentadas, sob pena de nulidade, o que permite o controle da legalidade da decisão e dos seus fundamentos. Nesse sentido, o art. 315 do Código de Processo Penal, cujo § 2º é cópia fiel do art. 489, § 1º, do Código de Processo Civil, positiva uma tendência processual pela busca de decisões judiciais mais bem elaboradas: Art. 315, CPP A decisão que decretar, substituir ou denegar a prisão preventiva será sempre motivada e fundamentada. § 1º Na motivação da decretação da prisão preventiva ou de qualquer outra cautelar, o juiz deverá indicar concretamente a existência de fatos novos ou contemporâneos que justifiquem a aplicação da medidaadotada. § 2º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I - limitar-se à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V - limitar-se a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; 77 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. A exigência de fundamentação das decisões judiciais propicia a avaliação do raciocínio desenvolvido na valoração da prova, explicitando o controle da eficácia do contraditório, a existência de prova suficiente para afastar a presunção de inocência (para condenação) e se foram observadas as regras do devido processo legal, por exemplo, se o juiz formou a sua convicção pela apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não fundamentando sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas, conforme art. 155 do Código de Processo Penal. Por meio da fundamentação da decisão judicial, é possível examinar a sua legalidade e justiça em sede recursal, bem como propicia-se às partes o conhecimento das razões da decisão para impugná-la, verificando, inclusive, se as suas teses foram objeto de exame pelo juiz, ao qual também importa a motivação, por meio da qual resta evidenciada a sua atuação imparcial e justa. Nessa esteira, o STJ decidiu que em decisões que autorizem a interceptação das comunicações telefônicas de investigados, é inválida a utilização da técnica da fundamentação per relationem (por referência) sem tecer nenhuma consideração autônoma, ainda que sucintamente, justificando a indispensabilidade da autorização de inclusão ou de prorrogação de terminais em diligência de interceptação telefônica. Logo, embora o STJ admita o emprego da técnica da fundamentação per relationem, tem-se exigido que o juiz, ao reportar-se a fundamentação e a argumentos alheios, ao menos os reproduza e os ratifique, eventualmente, com acréscimo de seus próprios motivos. 2.3.7 PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO O princípio do duplo grau de jurisdição consiste no direito da parte prejudicada pela decisão de primeira instância submeter o caso a outro órgão jurisdicional, superior hierarquicamente, para revisão da decisão, nos limites daquilo que foi discutido em primeiro grau. Assim, a principal função do duplo grau de jurisdição é possibilitar a devolução de toda a matéria, fática e jurídica, a um órgão jurisdicional superior, para análise colegiada, feita por julgadores mais experientes, cuja multiplicidade de olhares mitigará os riscos de erro judiciário, mais propenso de ocorrer em um julgamento feito 78 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 por um só juiz, em regra menos experiente e bem mais atarefado do que os membros do Tribunal. O duplo grau de jurisdição, todavia, não se aplica às pessoas que possuem foro especial por prerrogativa de função, lhes sendo permitido, apenas, conforme o caso, interpor recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça e/ou recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal, nos quais não se discutirá matéria de fato, apenas de direito. O exercício do duplo grau de jurisdição é facultativo, inexistindo obrigatoriedade de qualquer das partes interpor recurso contra a decisão de primeira instância, quer seja ela condenatória, quer seja absolutória própria ou imprópria. Caso as partes, acusação e defesa, se conformem com a decisão proferida pelo juiz de primeira instância, podem renunciar ao prazo recursal ou simplesmente deixar tal prazo transcorrer in albis, o que levará ao seu escoamento e, com isso, à preclusão temporal, cuja consequência será o trânsito em julgado da decisão. Caso se trate de crime político (Arts. 359-I a 359-R do Código Penal), cuja competência é da Justiça Federal (Art. 109, IV, CF/88), a sentença proferida será impugnável por meio de recurso ordinário para o Supremo Tribunal Federal, previsto no art. 102, inciso II, alínea b, da Constituição Federal, ou seja, em caso de crime político o duplo grau de jurisdição é exercido, diretamente, pela Suprema Corte. 2.3.8 PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Segundo o princípio da dignidade da pessoa humana, “cada indivíduo é um fim em si mesmo, com autonomia para se comportar de acordo com seu arbítrio, nunca um meio ou instrumento para consecução de resultados, não possuindo preço”, de maneira que o indivíduo deve ser reconhecido como ser único e com valor superior ao de qualquer coisa. Na medida em que a dignidade da pessoa humana se tornou uma categoria jurídica, ela precisa ser dotada de conteúdos mínimos, para que haja unidade e objetividade em sua interpretação e aplicação, impedindo que se torne uma embalagem para qualquer produto, um mero artifício retórico, sujeito a manipulações diversas, devendo ser afastada de doutrinas abrangentes, totalizadoras, que expressem uma visão unitária do mundo, como as religiões ou as ideologias cerradas. A ideia de dignidade humana não deve, portanto, ser utilizada para legitimar posições intolerantes e autoritárias, mas sim determinar seus conteúdos mínimos optando, precipuamente, pela laicidade, de maneira que o seu foco não seja “uma 79 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 visão judaica, cristã, muçulmana, hindu ou confucionista. Salvo, naturalmente, quanto aos pontos em que todas as grandes religiões compartilhem valores comuns”. Demonstrada a interdependência entre os direitos humanos, os direitos fundamentais e a dignidade da pessoa humana, é preciso abordar as principais características dos direitos fundamentais, dentre as quais está a universalidade, a qual estabelece que em toda sociedade deve haver um núcleo mínimo de proteção à dignidade, o que não implica uniformidade, pois os aspectos culturais influenciam o conteúdo e a significação dos direitos fundamentais. Outra importante característica é a historicidade, pois os direitosfundamentais surgem e se desenvolvem conforme o momento histórico, ou seja, não surgiram simultaneamente, mas em períodos distintos, conforme a demanda de cada época, sendo que a consagração progressiva e sequencial dos direitos fundamentais nas constituições originou as chamadas gerações de direitos fundamentais. Segundo a teoria das gerações dos direitos, há três gerações dos direitos: a primeira tem por alicerce a liberdade, compreendendo os direitos civis e políticos, inclusive a liberdade religiosa e a liberdade de manifestação do pensamento; a segunda se fundamenta na igualdade e corresponde aos direitos econômicos, sociais e culturais, tais como os direitos trabalhistas, alimentação, saúde, moradia, educação, aposentadoria e assistência social; a terceira encontra sustentáculo na fraternidade, açambarcando os direitos de solidariedade, dentre os quais se encontram o direito à paz, ao meio ambiente e ao desenvolvimento. Hodiernamente, face ao avanço tecnológico e científico, os direitos fundamentais evoluíram para proteger novos bens jurídicos ligados a questões como genoma humano, combate ao terrorismo, tecnologia da informação, privacidade, propriedade intelectual, Internet, clonagem humana, pesquisas com células-tronco, dentre tantas outras questões atuais, fazendo com que se fale em novas gerações de direitos. Neste ponto é importante registrar que as gerações dos direitos surgem a partir de um processo de acumulação e não de sucessão, ou seja, uma não substitui a outra, mas sim complementa, razão pela qual a doutrina atual prefere utilizar o termo dimensões ao invés de gerações, devendo-se ressaltar que os direitos fundamentais são indivisíveis e interdependentes, não havendo direitos fundamentais de segunda categoria ou hierarquia entre as suas dimensões. 2.3.9 PRINCÍPIO DA DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO 80 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 O princípio da duração razoável do processo, inicialmente previsto nos itens 7.5 e 8.1 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, recepcionado por força do art. 5º, § 2º, da Constituição Federal, assumindo assim a condição de cláusula supralegal, foi formal e expressamente erigido à condição de princípio constitucional pela Emenda Constitucional nº 45, de 30 de dezembro de 2004, que inseriu, no art. 5º da magna carta, o inciso LXXVIII, segundo o qual a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. 81 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 82 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 1. DIIREITO ADMINISTRATIVO 1.1. CONCEITO O Direito Administrativo é o ramo autônomo do Direito que visa estudar as regras e princípios aplicáveis à Administração Pública, seja estudando os sujeitos que integram a Administração, seja as funções exercidas por ela. É uma disciplina não codificada, ou seja, não existe um código específico da matéria, que é tratada por normas esparsas, assim como pela doutrina e jurisprudência. Por isso, diversas são as divergências doutrinárias encontradas, pois é uma disciplina em que conceitos, classificações e entendimentos podem variar de autor para autor. Além disso, a jurisprudência tem uma importante atuação na disciplina, sendo válido o estudo dos informativos do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, teses de repercussão geral do STF e jurisprudência em teses do STJ. O presente material tem a função de abordar conceitos importantes do Direito Administrativo, no entanto, é importante ressaltar que não tem a função de substituir as doutrinas na disciplina e/ou estudo da jurisprudência. Além disso, é de grande valia a revisão dos temas aqui apresentados através de questões, como forma de fixar o tema. Algumas indicações bibliográficas de Direito Administrativo: ● Manual de Direito Administrativo – José dos Santos Carvalho Filho ● Direito Administrativo – Maria Sylvia Zanella di Pietro ● Curso de Direito Administrativo – Celso Antônio Bandeira de Melo ● Curso de Direito Administrativo – Rafael Oliveira ● Direito Administrativo Descomplicado – Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo 1.2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA Sobre a evolução histórica do Direito Administrativo, ensina Maria Sylvia Zanella Di Pietro: “O Direito Administrativo, como ramo autônomo, nasceu em fins do século XVIII e início do século XIX, o que não significa que inexistissem anteriormente normas administrativas, pois onde quer 83 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 que exista o Estado existem órgãos encarregados do exercício de funções administrativas. O que ocorre é que tais normas se enquadravam no jus civile, da mesma forma que nele se inseriam as demais, hoje pertencentes a outros ramos do direito (...) Mas a formação do Direito Administrativo, como ramo autônomo, teve início, juntamente com o direito constitucional e outros ramos do direito público, a partir do momento em que começou a desenvolver-se – já na fase do Estado Moderno – o conceito de Estado de Direito, estruturado sobre o princípio da legalidade (em decorrência do qual até mesmo os governantes se submetem à lei, em especial à lei fundamental que é a Constituição) e sobre o princípio da separação de poderes, que tem por objetivo assegurar a proteção dos direitos individuais, não apenas nas relações entre particulares, mas também entre estes e o Estado. Daí a afirmação de que o Direito Administrativo nasceu das Revoluções que acabaram com o velho regime absolutista que vinha da Idade Média”. (Grifo nosso) 1.3. FONTES, MÉTODOS E CRITÉRIOS INTERPRETATIVOS Serão a seguir analisadas as principais fontes do Direito Administrativo brasileiro, adotando-se a distinção entre: a. Fontes formais: Aquelas que constituem propriamente o direito aplicável. Sendo elas: 1. Constituição; 2. Lei, 3. Regulamento e outros atos normativos da Administração Pública 4. Parcialmente, a jurisprudência b. Fontes materiais: Aquelas que promovem ou dão origem ao direito aplicável. São elas: 1. Doutrina; 2. Jurisprudência e 3. Princípios gerais de direito. No que tange a interpretaçãodo Direito Administrativo são utilizados os métodos clássicos de interpretação: gramatical, lógica, histórica, sistemática, teleológica. Na interpretação do Direito Administrativo deve se considerar três pressupostos: 84 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 1. Desigualdade jurídica entre a Administração Pública e administrados; 2. Presunção de legitimidade dos atos da Administração; 3. A necessidade de poderes discricionários para atender ao interesse público. 1.4. RELAÇÃO COM OUTROS RAMOS DO DIREITO DIREITO CONSTITUCIONAL Os dois são muito próximos: ramos de direito público e com o mesmo objeto, o Estado. Mas atuam em momentos diferentes. Não é à toa que aparece em primeiro lugar. O Estado se organiza duas vezes, tanto para existir, no Direito Constitucional, quanto para atuar, no Direito Administrativo. Além disso, o nosso Direito Administrativo é muito constitucionalizado. DIREITO TRIBUTÁRIO É outro ramo do Direito Público, também tem como objeto o Estado. Mas a sua atuação é de cobrar tributos. Contudo, exerce uma atividade administrativa, pois incide sobre ele as regras administrativas. DIREITO FINANCEIRO Ao contrário do Direito Tributário, o Direito Financeiro cuida da entrada e saída de recursos. Mas esse gerenciamento do orçamento é basicamente uma função administrativa. DIREITO INTERNACIONAL No D. Internacional Público, falamos das relações que o Estado mantém com outro Estado. Essa representação no exterior é uma atividade administrativa. Além disso, no D. Internacional Privado, as atividades privadas que são internacionais acabam sendo resolvidas por questões administrativas. DIREITO DO TRABALHO Aqui, há divergência na doutrina de ser público ou privado, já que o Estado está muito presente nas relações de trabalho, ainda que cuide de relação entre particulares (empregado e empregador). Ex.: o contrato de trabalho (CTPS) é um documento público. Por qualquer das correntes, quem faz a fiscalização do trabalho é o Estado. Assim, os fiscais do trabalho exercem uma atividade administrativa. 85 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 DIREITO PREVIDENCIÁRIO É quase a mesma coisa que Direito do Trabalho, porque quem cuida da previdência do Brasil, tanto fiscalizando quanto prestando serviço, é o Estado. É ele que presta os benefícios sociais. É tipicamente um serviço público. DIREITO PROCESSUAL Muito do que se faz dentro da função administrativa é com base em regras do direito processual. DIREITO ELEITORAL Ainda que seja uma justiça especializada, o seu papel principal não é de função jurisdicional, mas de fazer eleições. Isso é uma atividade administrativa. Não dá pra deixar o executivo ou o legislativo fazerem as eleições. Além disso, as funções de justiça eleitoral se misturam muito com as funções administrativas. Ex.: substituir urnas que não estão funcionando; levar urnas de barco a povos indígenas. DIREITO CIVIL É um ramo do direito privado que cuida de pessoas. Dentre essas pessoas, estão incluídas aquelas que compõem o Direito Administrativo, como as autarquias. Como as Autarquias possuem bens, por exemplo, muitas de suas relações são disciplinadas pelo Direito Civil. 86 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 2. PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO O regime jurídico-administrativo é o conjunto de regras e princípios que regulam a atuação da Administração Pública, quando ela atua com base nas normas de direito público, buscando, através da sua atuação, o interesse da coletividade. Conforme a obra de Maria Sylvia Zanella Di Pietro: “(...) Sendo o Direito Administrativo, em suas origens, de elaboração pretoriana e não codificado, os princípios sempre representaram papel relevante nesse ramo do direito, permitindo à Administração e ao Judiciário estabelecer o necessário equilíbrio entre os direitos dos administrados e as prerrogativas da Administração. Os dois princípios fundamentais e que decorrem da assinalada bipolaridade do Direito Administrativo – liberdade do indivíduo e autoridade da Administração – são os princípios da legalidade e da supremacia do interesse público sobre o particular, que não são específicos do Direito Administrativo porque informam todos os ramos do direito público; no entanto, são essenciais, porque, a partir deles, constroem-se todos os demais. A Constituição de 1988 inovou ao fazer expressa menção a alguns princípios a que se submete a Administração Pública Direta e Indireta, a saber, os princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade administrativa, da publicidade e eficiência (art. 37, caput, com redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 4-6-98), aos quais a Constituição do Estado de São Paulo acrescentou os da razoabilidade, finalidade, motivação e interesse público (art. 111). A Lei nº 9.784, de 29-1-99 (Lei do Processo Administrativo Federal), no artigo 2º, faz referência aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...)” A doutrina, ao tratar dos princípios, os divide em princípios expressos na Constituição, e princípios implícitos (ou reconhecidos). 2.1. PRINCÍPIOS EXPRESSOS NA CF/88 87 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 O art. 37, caput, da CR/88 prevê que a Administração Direta e Indireta deve se submeter aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. A) PRINCÍPIO DA LEGALIDADE (JURIDICIDADE) Pelo princípio da legalidade, o administrador público só pode atuar quando a lei determina que ele atue. É uma ideia de subordinação à lei. O agente público não pode fazer o que quiser, só pode fazer o que a lei determina que ele faça. Importante salientar que, atualmente, o princípio da legalidade abrange não apenas a lei em sentido estrito, mas sim todas as normas jurídicas, sejam elas regras ou princípios (ainda que implícitos). É o que encontramos no art. 2º, parágrafo único, I, da Lei 9.784/99, que fala em “lei e Direito”, baseado na ideia de juridicidade. B) PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE A doutrina,quando trata do princípio da impessoalidade, o apresenta sob três ângulos diferentes: ● Isonomia: a ideia de isonomia consagra a chamada igualdade material, em que todas as pessoas que se encontram em situação semelhante, devem ser tratadas de forma igual pela Administração; e que quem se encontra em situação de desigualdade, deve ser tratado de forma desigual, na medida da sua desigualdade. A Administração Pública em princípio não pode dar tratamento desigual às pessoas, por exemplo, todos que preencherem os requisitos previstos em lei podem se candidatar a um cargo público, através do concurso público. No entanto, se determinadas pessoas se encontrarem em uma situação de desigualdade, podem receber um tratamento diferenciado, como no caso de reserva de vagas para deficientes (art. 37, VIII, CR/88 e art. 5º, §2º, Lei 8.112/90) ou da gratuidade de transporte público para os idosos (art. 230, §2º, CR/88 e art. 39 da Lei 10.741/03 – Estatuto do Idoso). Se a Administração Pública confere um tratamento diferenciado a determinadas pessoas, sem que este se justifique pela situação desigual, ela está ferindo o princípio da isonomia, e, consequentemente, o princípio da impessoalidade. ● Proibição da promoção pessoal: quando o administrador público atua em virtude da sua função pública, ele não está atuando em seu próprio nome, mas 88 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 sim em nome da pessoa jurídica administrativa que integra. Assim, o agente público não pode se valer do seu cargo para se promover. É o que está previsto no art. 37, §1º da CR/88. Se o agente público se utiliza da atuação da Administração Púbica para se promover, ele está ferindo o princípio da impessoalidade. ● Finalidade: o administrador público, quando atua, deve sempre atuar buscando a finalidade prevista em lei e o interesse público. Não é possível que o próprio administrador público escolha qual a finalidade a ser alcançada, pois a finalidade é um elemento vinculado do ato administrativo; e não é, obviamente, possível que o administrador público atue buscando um interesse privado, seu ou de outrem. Ao atuar dessa maneira, ele está descumprindo a finalidade, consequentemente, o princípio da impessoalidade. C) PRINCÍPIO DA MORALIDADE Pelo princípio da moralidade, a atuação da Administração Pública deve ser sempre leal, proba, com boa-fé, ética. Tendo em vista que a Administração está administrando a coisa pública, de todos, ela deve atuar buscando sempre a atuação mais apropriada. Além de previsto na Constituição, diversos dispositivos tratam da moralidade administrativa, como o art. 2º, parágrafo único, IV, da Lei 9.784/99. O ordenamento jurídico possui diversos instrumentos que podem ser utilizados para proteção da moralidade administrativa, como a ação de improbidade administrativa, a previsão constitucional dos crimes de responsabilidade, a ação popular, a ação civil pública, as sanções administrativas e judiciais previstas pela Lei Anticorrupção, etc. Todos estes instrumentos serão analisados em momentos específicos. A proibição do nepotismo, prevista na Súmula Vinculante 13 do STF, tem como função assegurar o respeito ao princípio da moralidade, da impessoalidade e da eficiência. D) PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE A atuação administrativa é, em regra, pública, acessível a todos. A publicidade dos atos da Administração Pública é importante pois apenas tendo acesso aos atos é possível controlar a atuação administrativa. 89 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Além disso, sempre que solicitado, a Administração tem o dever de apresentar as informações que estiverem contidas em seus registros e banco de dados. Caso o acesso a estas informações seja negado, é possível a impetração do habeas data (art. 5º, LXXII, CR/88). No entanto, importante salientar que existem exceções à regra da publicidade, prevista na Constituição: ● Direito à intimidade das pessoas (art. 5º, X, CR/88); ● Quando comprovadamente colocar em risco a segurança da sociedade ou do Estado (art. 5º, XXXIII, CR/88); ● Possibilidade de restrição ao acesso a determinados atos processais em nome da defesa ou do interesse social (art. 189, CPC). Com relação ao princípio da publicidade, importantes instrumentos são a Lei de Acesso à informação, que regulamenta os procedimentos para acesso às informações no setor público (Lei 12.527/2011); e a Lei Geral de Proteção da Dados (Lei 13.709/18) que estabelece as regras de proteção dos dados pessoais. E) PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA O princípio da eficiência impõe que a atuação da Administração Pública seja célere, eficiente, com rendimento funcional. Diversos instrumentos previstos na Constituição buscam assegurar essa eficiência dentro da Administração, por exemplo: ● Cumprimento do chamado “estágio probatório”, que será um período de três anos de efetivo exercício do servidor público a fim de que se analise a atuação do servidor (art. 41, CR/88); ● Necessidade da aprovação na avaliação especial de desempenho ao final do estágio probatório, que tem como finalidade analisar se o servidor deve adquirir a estabilidade (art. 41, §4º, CR/88); ● Possibilidade de perda do cargo em virtude da reprovação em avaliação periódica de desempenho (art. 41, §1º, III, CR/88); ● Contrato de gestão, a ser firmado entre a administração pública e seus órgãos ou entidades, em que são estabelecidas metas de desempenho a serem alcançadas (art. 37, §8º, CR/88). 90 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 F) OUTROS Alguns autores indicam outros princípios como expressos na CR/88, apesar de ser comum serem apontados como princípios expressos os previstos no art. 37, caput: ● Participação: art. 37, §3º, CR/88: garante a participação da sociedade, dos particulares, dos usuários de serviço público. ● Celeridade processual: art. 5º, LXXVIIII, CR/88: garante a razoável duração do processo, podendo ser aplicado, inclusive, na via administrativa. Atenção: uma questão de prova já considerou, em 2007, como se esse princípio tivesse ligação com o princípio da razoabilidade. ● Devido processo legal: art. 5º, LIV, CR/88: garante que o devido processo legal deve ser garantido, inclusive na via administrativa. ● Contraditório e ampla defesa: art. 5º, LV, CR/88: deve se garantir o contraditório e ampla defesa, na via judicial ou administrativa. 2.2. PRINCÍPIOS RECONHECIDOS (OU IMPLÍCITOS) Além dos princípios já analisados, a doutrina costuma apontar outros princípios, como implícitos (por não estarem previstos expressamente na Constituição) ou reconhecidos (por serem reconhecidos peladoutrina ou por outras normas). A) PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO SOBRE O INTERESSE PRIVADO O princípio da supremacia do interesse público sobre o particular determina que a Administração Pública deve atuar em busca do interesse da coletividade, e que, caso esse interesse se choque com um interesse privado, o interesse público deve prevalecer. A administração está, em regra, em situação de superioridade com relação ao particular, assim, pode impor sua atuação, pois está buscando o interesse público. Esta supremacia justifica, assim, diversas atuações da Administração Pública que fazem com que ela imponha sua vontade, independente da concordância do particular, como, por exemplo, nas formas de intervenção do Estado na propriedade, nas cláusulas exorbitantes no contrato administrativo, no exercício do poder de polícia, etc. B) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO 91 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Ao mesmo tempo em que a Administração recebe prerrogativas que um particular não possui, em virtude do princípio da supremacia do interesse público, ela recebe também limitações que o particular não precisa respeitar. A Administração Pública não pode atuar livremente, devendo respeitar as limitações a ela impostas, como a necessidade de concurso público, de licitação, de prestar contas ao Tribunal de Contas, entre outros. Os princípios da supremacia do interesse público sobre o interesse privado e da indisponibilidade do interesse público são considerados, pela doutrina, como as “pedras de toque do Direito Administrativo”. C) PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE Apesar de os princípios da razoabilidade e proporcionalidade terem origem e significados diferentes, a doutrina e a jurisprudência têm o costume de tratá-los da mesma maneira, trazendo a ideia de que a atuação da administração pública deve ser uma atuação sem excessos, fazendo uma análise das medidas adotadas e dos fins previstos pela administração. A administração deve ter uma O princípio da razoabilidade visa a atuação equilibrada, com bom senso (devido processo legal substancial), já o princípio da proporcionalidade visa uma relação coerente entre os meios e os fins de cada atuação estatal. Este último pode ser subdividido em: ● Adequação: analisa se a medida adotada pela Administração consegue levar ao fim que se pretende; ● Necessidade: se existirem duas medidas que levem ao mesmo fim, deve-se adotar a medida menos restritiva; ● Proporcionalidade em sentido estrito: deve-se realizar uma ponderação entre o ônus da atuação estatal e os benefícios que esta venha a gerar, as vantagens e desvantagens, como forma de se analisar se vale a pena a atuação. Por se tratar de princípios aplicados à Administração Pública, caso uma atuação esteja ferindo tais princípios, é possível a anulação do ato, por meio do controle de legalidade, sendo possível que a anulação seja feita pela própria Administração ou até mesmo pelo Poder Judiciário. Nesse sentido, a Súmula 665 do STJ estabelece que: O controle jurisdicional do processo administrativo disciplinar restringe-se ao exame da regularidade do procedimento e da legalidade do ato, à luz dos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, não sendo possível 92 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 incursão no mérito administrativo, ressalvadas as hipóteses de flagrante ilegalidade, teratologia ou manifesta desproporcionalidade da sanção aplicada. D) PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA Pelo princípio da autotutela, a Administração Pública tem o poder de rever seus próprios atos, quando ilegais, ou ainda quando inconvenientes e/ou inoportunos. Assim, a Administração pode controlar seus próprios atos, seja através da anulação ou da revogação. Analisaremos essas formas de extinção do ato administrativo no capítulo específico referente aos Atos Administrativos, no entanto, importante adiantar que caso o ato administrativo seja ilegal, contrário a lei, ele deve ser anulado; diferente de quando o ato administrativo é legal, mas se tornou inconveniente ou inoportuno, hipótese em que ele deve ser revogado. O exercício da autotutela é um poder-dever conferido à Administração, fazendo com que a Administração tenha o dever de controlar seus próprios atos. Nesse sentido, a Súmula 611, STJ: Desde que devidamente motivada e com amparo em investigação ou sindicância, é permitida a instauração de processo administrativo disciplinar com base em denúncia anônima, em face do poder-dever de autotutela imposto à Administração. O ordenamento jurídico trata deste princípio da 346 e 473 do STF e art. 53 da Lei 9.784/99. E) PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA (BOA-FÉ/ CONFIANÇA) Pelo princípio da segurança jurídica, o ordenamento jurídico deve ser estável, devendo respeitar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (art. 5º, XXXVI, CR/88). Além disso, deve ser protegida a confiança das pessoas na atuação da Administração Pública, devendo a atuação estatal preservar a confiança dos particulares no Estado, que deve atuar com base na boa-fé. Assim, a Administração Pública não pode atuar cada momento de uma forma, deve garantir uma estabilidade, uma coerência na sua atuação. Os artigos 20 a 30 da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB) foram inseridos como forma de se garantir segurança jurídica inclusive no âmbito administrativo. 93 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 F) PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO Em regra, a atuação da Administração Pública deve ser motivada, ou seja, deve apresentar expressamente os motivos do ato. Mas vale ressaltar que cabe exceção, por exemplo, na exoneração de cargo em comissão. O art. 50 da Lei 9.784/99 prevê diversos atos que dependem de motivação. G) PRINCÍPIO DO FORMALISMO A atuação da Administração Pública deve seguir determinadas formalidades previstas em lei, diferente do direito privado, em que existe uma liberdade das formas. Mas esse formalismo não deve ser exagerado, prejudicando os direitos dos particulares ou a eficiência da Administração. H) PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA As decisões que limitam direitos ou aplicam sanções devem garantir o contraditório e a ampla defesa, mesmo do âmbito administrativo, de acordo com o art. 5º, LV, CR/88. Por exemplo, o processo administrativo disciplinar na Lei 8.112/90 ou a garantia da ampla defesa para aplicar as penalidades da lei 8.666/90. I) PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL O processo administrativo deve respeitar o devido processo legal, nos termos do art. 5º,LIV, CR/88. Algumas decisões importantes que dizem respeito aos princípios aplicados à Administração Pública: Critério de desempate em concurso público (Inf. 1.000, STF): É inconstitucional critério de desempate em concurso público que favoreça candidato que pertence ao serviço público do ente federativo. Flexibilização do art. 37, §1º, CR/88 (Inf. 1.017, STF): Lei local não pode regular as hipóteses em que uma divulgação se enquadra ou não como promoção pessoal. 94 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Nomeação de parentes para cargo de natureza política (Inf. 914, STF): A nomeação do cônjuge de prefeito para o cargo de Secretário Municipal, por se tratar de cargo público de natureza política, por si só, não caracteriza ato de improbidade administrativa. Divulgação de vencimentos dos servidores em sítios eletrônicos (Inf. 782, STF): É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela Administração Pública, dos nomes de seus servidores e do valor dos correspondentes vencimentos e vantagens pecuniárias. Relativização da publicidade (Inf. 8, Edição Especial, STJ): No regime de transparência brasileiro, vige o princípio da máxima divulgação, em que a publicidade é regra, e o sigilo, exceção. Quando não demonstrada, em concreto, nenhuma razão para se entender que a manutenção do sigilo de informações dos órgãos públicos é útil à segurança da sociedade e do Estado e imprescindível a essa finalidade, deve-se prevalecer a regra da publicidade. Restrições ao acesso em sistemas de informação (Inf. 1.103, STF): O ato de qualquer dos poderes públicos restritivo de publicidade deve ser motivado objetiva, específica e formalmente, sendo nulos os atos públicos que imponham, genericamente e sem fundamentação válida e específica, impeditivo do direito fundamental à informação. Prazo da decadência administrativa (Inf. 1.012, STF): Lei estadual não pode estabelecer outro prazo (10 anos), pois deve-se aplicar, por isonomia, o prazo de 5 anos a todos os entes federativos. Atuação do Tribunal de Contas (Inf. 790, STJ): Em atenção aos princípios da segurança jurídica e da confiança legítima, os Tribunais de Contas estão sujeitos ao prazo de cinco anos para o julgamento da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à respectiva Corte de Contas. Estabilidade provisória servidora gestante (Inf. 1.111, STF): A trabalhadora gestante tem direito ao gozo de licença-maternidade e à estabilidade provisória, independentemente do regime jurídico aplicável, se contratual ou administrativo, ainda que ocupe cargo em comissão ou seja contratada por tempo determinado. O direito à vida e à dignidade humana, como direitos fundamentais de salutar importância, sobrepujam outros interesses ou direitos, que, balizados pela técnica da ponderação, orientada pelos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, cedem lugar à proteção do nascituro. 95 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 3. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 3.1. SENTIDO AMPLO E SENTIDO ESTRITO Podemos conceituar Administração Pública de diversas formas: ● Sentido formal, subjetivo ou orgânico: refere-se ao próprio Estado, conjunto de órgãos e entidades incumbidos da realização da atividade administrativa, com vistas a atingir os fins do Estado. Envolve pessoas e órgãos dos três poderes, desde que estes estejam exercendo função administrativa. ● Sentido material, objetivo ou funcional: representa o exercício da atividade administrativa que é exercida por intermédio de seus órgãos e entes, ou seja, é o Estado administrando. Essa abordagem material envolve atividades como a polícia administrativa, prestação de serviços públicos, fomento e intervenção do Estado. Enquanto o conceito subjetivo leva em consideração os sujeitos que exercem a atividade administrativa, o objetivo consiste na própria atividade exercida por aqueles. Além disso, a doutrina também costuma classificar a administração pública levando em consideração a função exercida, classificando em sentido amplo ou sentido estrito: ● Sentido amplo: abrange tanto o exercício da função administrativa quanto o exercício da função política (ou de governo). ● Sentido estrito: apenas o exercício da função administrativa. 3.2. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA Por fim, devemos diferenciar a Administração Direta e a Administração Indireta: A) ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA É composta pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, bem como seus Ministérios e Secretarias. Aqui tem a atividade administrativa prestada de forma direta e centralizada. B) ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA 96 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Ocorre quando o ente federativo cria uma nova entidade e transfere a ela o exercício de certa atividade. Essa nova pessoa jurídica fica vinculada à Administração Direta, mas tem personalidade própria e exerce a atividade de forma descentralizada. Integram a Administração Indireta: autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas (além das associações públicas), que serão analisadas em momento oportuno. 3.2.1. CLASSIFICAÇÃO DOS ÓRGÃOS PÚBLICOS Os órgãos públicos podem ser classificados de diversas maneiras, a depender do critério adotado. E.1) Quanto à posição do órgão na hierarquia administrativa: ● Órgãos independentes: são aqueles no topo da escala hierárquica, representantes dos Poderes do Estado, previstos na Constituição. Não se submetem a nenhum outro órgão. ● Órgãos autônomos: são os órgãos subordinados aos órgãos independentes, mas que possuem autonomia administrativa, financeira e técnica, pois possuem poderes de supervisão e coordenação. ● Órgãos superiores: são os órgãos que não possuem autonomia, mas ainda sim detêm um poder de direção e controle, de decisão administrativa. ● Órgãos subalternos: são aqueles órgãos que não possuem nem autonomia nem poder de decisão, apenas executam ordens. E.2) Quanto à posição na organização federativa: ● Órgãos federais: integram a Administração Pública federal. ● Órgãos estaduais: integram a Administração Pública estadual. ● Órgãos distritais: integram a Administração Pública do Distrito Federal. ● Órgãos municipais: integram a Administração Pública Municipal. E.3) Quanto à composição do órgão: ● Órgãos singulares (unipessoais): composto por apenas uma pessoa. ● Órgãos coletivos (pluripessoais ou colegiados): composto por mais de uma pessoa. E.4) Quanto às atividades desenvolvidas: ● Órgãos ativos: responsáveis pela execução das decisões administrativas. ● Órgãosconsultivos: órgãos que têm a função de assessorar outros órgãos. 97 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 ● Órgãos de controle: órgãos que têm a função de controlar os outros órgãos e agentes. E.5) Quanto à manifestação de vontade: ● Órgão simples (ou de representação unitária): se manifesta através de seu dirigente. ● Órgão colegial (ou de representação plúrima): sua manifestação se forma através de votação. A manifestação de vontade, assim, se imputa ao colegiado, e não a cada um dos seus membros (salvo atos de rotina administrativa, que podem ser editados pelo seu presidente). 3.3. DESCONCENTRAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO ADMINISTRATIVA A Administração Pública deve se organizar, para exercer as suas atividades de forma eficiente. A) CONCENTRAÇÃO A atuação concentrada das atividades ocorre quando a pessoa jurídica não se divide internamente, quando não existe nenhuma divisão em órgãos. É o contrário da desconcentração. B) DESCONCENTRAÇÃO Ocorre com a distribuição interna de competências dentro de uma pessoa jurídica, quando a pessoa jurídica se divide em órgãos públicos. É o contrário da concentração. C) CENTRALIZAÇÃO Ocorre quando as atividades são executadas pela Administração Direta (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), através de seus órgãos públicos, não havendo a transferência de atividades para outras entidades. D) DESCENTRALIZAÇÃO Trata-se de organização em que as atividades administrativas são distribuídas para outras pessoas jurídicas. Nesse caso, a Administração Direta transfere uma determinada atividade para outra entidade, seja da Administração Indireta ou até mesmo não integrantes da Administração (como concessionárias e permissionárias de serviço público). 98 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 São algumas das formas de descentralização: ● Descentralização por outorga, por serviço, técnica, funcional ou legal: feita por lei, em que se transfere para outras entidades uma atividade. Se dá com a criação de entidades de Administração Indireta. Alguns autores afirmam que a descentralização por outorga ocorre com a criação de pessoas jurídicas de direito público, outros autores não fazem essa distinção. ● Descentralização por delegação, por colaboração ou negocial: ocorre quando a execução de determinada atividade é transferida a outra entidade através de contrato ou ato administrativo, por exemplo, com a delegação de serviços públicos através de concessão ou permissão. Além dessas formas de descentralização, algumas outras formas podem ser apontadas: ● Descentralização geográfica ou territorial: ocorre com a atribuição de personalidade jurídica a uma determinada região territorial. ● Descentralização social: parcerias firmadas entre a Administração Pública e entidades de direito privado sem fins lucrativos que exercem função social. ● Descentralização política: é a distribuição de competências entre entes federativos prevista na CR/88. 3.4. ENTIDADES INTEGRANTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DESCENTRALIZADA (INDIRETA) A Administração Indireta são pessoas jurídicas criadas pela Administração Direta, para o exercício de uma atividade. Em regra, são citadas como integrantes da Administração Indireta: ● Autarquias ● Fundações públicas ● Empresas públicas ● Sociedades de economia mista 99 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Além dessas entidades, é importante se lembrar das associações públicas, que são os consórcios públicos de direito público, que, nos termos do art. 6º, §2º da Lei 11.107/05, integram a Administração Pública. ● 3.4.1. CARACTERÍSTICAS EM COMUM Cada uma das entidades da Administração Pública indireta será analisada mais a frente, mas existem algumas características que são comuns a todas as entidades. A) ESPECIALIDADE Cada uma dessas pessoas jurídicas é criada para o exercício de uma atividade específica, que será determinada por lei. Não é possível que uma entidade da Administração Indireta mude o seu objeto, pois só a lei pode fazê-lo. B) RESERVA LEGAL O art. 37, XIX, da CR/88 exige lei específica para a criação de cada uma das pessoas jurídicas da Administração Indireta. O referido inciso afirma que as autarquias são criadas por lei específica, e que as fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista são autorizadas por lei específica. A autarquia é criada por lei, pois, por se tratar de pessoa jurídica de direito público, basta a edição da lei para que a autarquia exista, não sendo necessário o registro do ato constitutivo. Por outro lado, as fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista são autorizadas por lei, mas só passam a existir depois que seu ato constitutivo for registrado no órgão competente, em virtude da previsão do art. 45, CC. Quando a CR/88 trata da criação das fundações, diz que as fundações são autorizadas por lei. Ocorre que as fundações públicas, conforme veremos, podem possuir natureza jurídica de direito público ou natureza jurídica de direito privado. Se for fundação pública de direito público, ela receberá o mesmo tratamento das autarquias, assim, esta será criada por lei, e não autorizada por lei. Por outro lado, se fundação pública de direito privado, ela será autorizada por 100 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 lei, passando a existir com o registro do ato constitutivo. Assim, deve-se prestar atenção na questão: se estiver falando de “fundação” ou “fundação pública”, sem especificar a natureza jurídica, segue-se o texto do art. 37, XIX, da CR/88, e ela será autorizada por lei. Mas, se a questão especificar que a fundação pública é de direito público, ela é criada por lei. Além disso, outro ponto importante com relação à ideia de reserva legal está no art. 37, XX da CR/88, que estabelece a necessidade de autorização legislativa para a criação de subsidiárias ou participação destas em entidades privadas. O STF, em decisão da ADI 1649, estabeleceu que não é necessária a edição de lei para a criação de cada subsidiária, bastando a autorização genérica na lei que autorizou a criação da entidade. C) CONTROLE (VINCULAÇÃO, SUPERVISÃO MINISTERIAL, CONTROLEFINALÍSTICO) Quando a Administração Direta cria uma entidade da Administração Indireta, ela está criando uma nova pessoa jurídica, e entre pessoas jurídicas diferentes não existe hierárquica ou subordinação. No entanto, é possível afirmar que existe uma relação de vinculação entre a Administração Direta e a entidade da Administração Indireta, que também pode ser chamada de controle finalístico, tutela ou supervisão ministerial. 3.4.2. AUTARQUIAS As autarquias são pessoas jurídicas de direito público que são criadas pela Administração Direta para exercer atividades típicas de Estado. Como visto, as autarquias são criadas por lei específica (art. 37, XIX, CR/88), não sendo necessário o registro do ato constitutivo, em virtude da natureza jurídica de direito público. A) REGIME DE PESSOAL O regime de pessoal da autarquia, atualmente, deve ser o mesmo regime de pessoa da Administração Direta. Isso se dá em virtude da aplicação da regre do regime jurídico único, que determina que a Administração Direta, autárquica e fundacional deve seguir o mesmo regime de pessoal. Assim, caso o ente federativo siga o regime estatutário, as autarquias devem ter o regime estatutário; caso o ente federativo siga o regime celetista, a autarquia segue o regime celetista. 101 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 A regra do regime jurídico único é aplicada em virtude da decisão do STF na medida cautelar na ADI 2135, em que se determinou o retorno da redação original do art. 39 da CR/88. B) PATRIMÔNIO De acordo com o art. 98 do Código Civil, são bens públicos os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público. Visto que a autarquia é pessoa jurídica de direito público (art. 41, CC), os seus bens são públicos, recebendo o mesmo tratamento que os bens da Administração Direta. As características dos bens públicos (alienabilidade condicionada, impenhorabilidade, imprescritibilidade e não onerabilidade) serão analisadas em momento oportuno, no tema Bens Públicos. C) FORO PROCESSUAL Se uma autarquia federal for parte de uma ação judicial, a Justiça competente é a Justiça Federal (art. 109, I, CR/88). Assim como os Mandados de Segurança contra os seus agentes públicos (art. 109, VIII, CF). Por outro lado, se a autarquia for estadual ou municipal, a competência é da Justiça Estadual. D) RESPONSABILIDADE CIVIL Caso o agente de uma autarquia cause danos a um terceiro, a autarquia responde pelos danos de forma objetiva, nos termos do art. 37, §6º, CR/88. Isso significa que a autarquia responde independentemente da comprovação de dolo ou culpa, bastando a comprovação da conduta, nexo e dano. Vale ressaltar que, caso a autarquia não tenha condições de arcar com a indenização, surge a responsabilidade subsidiária do ente federativo. E) IMUNIDADE TRIBUTÁRIA Nos termos do art. 150, §2º, CR/88, é vedada a instituição de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços das autarquias, desde que vinculados às suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. G) PRERROGATIVAS PROCESSUAIS Por ser pessoa jurídica de direito público, a autarquia tem as mesmas prerrogativas processuais da Fazenda Pública, ou seja, prazo em dobro para se manifestar (art. 183, CPC), duplo grau de jurisdição, salvo exceções legais (art. 496, CPC), etc. 102 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 F) ESPÉCIES DE AUTARQUIAS As autarquias podem ser classificadas em diversas espécies a depender da atividade exercida, como, por exemplo, autarquias assistenciais, previdenciárias, administrativas, de controle, entre outros. É importante analisar algumas dessas espécies de autarquias, que possuem atividades e/ou características especiais. F.1 UNIVERSIDADES PÚBLICAS As universidades públicas são, em sua maioria, autarquias. No entanto, a escolha dos seus dirigentes é feita de forma diferente, visto que são escolhidos pelos membros da universidade. F.2 CONSELHOS PROFISSIONAIS Os Conselhos de profissão, como CREA, CRM, etc., são as entidades criadas para controlar o exercício de certas profissões. Esses conselhos são considerados, pela doutrina e jurisprudência, como autarquias, pois exercem atividades baseadas no poder de polícia. Vale ressaltar que existe discussão com relação à natureza jurídica da OAB. F.3 ASSOCIAÇÕES PÚBLICAS A lei 11.107/05 trata do consórcio público, que é criado pela união de entes federativos para a busca de um interesse em comum. De acordo com o art. 6º, pode ser criada uma pessoa jurídica de direito público ou de direito privado. Caso seja criado um consórcio público de direito público, ele será chamado de associação pública e integrará a administração direta, nos termos do art. 6º, §2º. A doutrina costuma nomear as associações públicas como autarquias multifederativas, plurifederativas ou interfederativas, pois possuem a participação de mais um ente federativo. F.4 AGÊNCIA EXECUTIVAS Agência executiva é uma qualificação atribuída a autarquias comuns ou fundações públicas que firmam com a Administração Direta o chamado contrato de gestão É um qualificativo atribuível a autarquias comuns ou fundações públicas que firmam com a Administração Direta um contrato de gestão (art. 37, §8º, CR/88; arts. 51 e 52 da Lei 9.649/98 e Decreto 2.487/98). 103 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Com relação às agências executivas, o art. 75, §2º, da Lei 14.133/21 traz um tratamento especial a elas com relação à dispensa de licitação em virtude do valor. F.5 AGÊNCIAS REGULADORAS As agências reguladoras são autarquias em regime especial, visto que possuem uma importante função de regular e fiscalizar determinadas atividades econômicas ou de interesse público. Em âmbito federal, são exemplos de agências reguladoras as listadas no art. 2º da Lei 13.848/2019, com o ANATEL, ANEEL, ANVISA, entre outras. É possível também que os demais entes federativos criem suas autarquias. As agências reguladoras possuem algumas características especiais, em virtude da função que exercem, como, por exemplo, as características a seguir. ● Deslegalização (ou delegificação): para a maioria da doutrina, a agência reguladora pode editar atos normativos técnicos para regular a sua área de atuação, desde que dentro de parâmetros estabelecidos pelo Poder Legislativo. ● Autonomia dos dirigentes: como a agência reguladora precisa ter grande autonomia, seus dirigentes recebem um tratamento especial em relação aos dirigentes de autarquias comuns. Os dirigentes das autarquias são nomeados pelo chefe do Poder Executivo, mas essa nomeação depende de aprovação do Poder Legislativo (art. 5º,históricos, com o nascimento do Estado social de direito. Tradicionalmente, tal princípio costuma ser dividido em subsidiariedade e fragmentariedade. 1.3 PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE O direito penal deve ser a última ratio, isto é, a última alternativa para a proteção de bens jurídicos. Assim, quando outras formas menos gravosas de controle 9 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 social forem suficientes para proteger os interesses constitucionalmente tutelados, a utilização do sistema punitivo não será legítima. 1.4 PRINCÍPIO DA FRAGMENTARIEDADE Diz respeito ao aspecto quantitativo do controle social-penal. Isto é, o direito penal só deve tutelar um fragmento dos valores constitucionalmente reconhecidos. Assim, apenas parte dos fatos ilícitos que lesionem bens jurídicos devem ser considerados criminosos. Devem ser criminalizados apenas aqueles que ofendem ou ameacem ofender os mais importantes bens para o desenvolvimento do indivíduo. Bitencourt, remontando à doutrina na Muñoz Conde, afirma que o caráter fragmentário do direito penal se apresenta sob três aspectos: a. O direito penal somente deve proteger os bens jurídico-penais contra ataques de especial gravidade, deixando de fora a maior parte das condutas descuidadas ou que não possuem lesividade significativa. b. Apenas parte das condutas consideradas ilícitas pelos outros ramos do direito devem ser tipificadas pelo sistema punitivo. c. Ações meramente imorais ou antiéticas (como o incesto ou o adultério) não devem ser tratadas penalmente. O princípio da fragmentariedade ainda repercute em importantes desdobramentos principiológicos, tal qual o princípio da insignificância. 1.5 PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA Possivelmente um dos mais importantes princípios penais fundamentais da contemporaneidade, foi cunhado pela primeira vez por Claus Roxin, em 1964 e popularizado pela obra Política Criminal y Sistema del Derecho Penal do mesmo autor. O funcionalista alemão apregoa que a tipicidade penal exige uma ofensa de gravidade aos bens jurídicos e, portanto, não se esgota no mero juízo de subsunção ou adequação entre a conduta e os elementos do tipo penal. Também chamado de princípio bagatelar, o princípio da insignificância, quando aplicado, resultará na ausência de tipicidade material da conduta, razão pela qual a análise da própria ilicitude ou culpabilidade seriam desnecessárias. Assim, a subtração de um item de valor ínfimo se adequa às elementares do tipo penal de furto (tipicidade formal), mas não resulta em violação do patrimônio, bem jurídico tutelado pela norma incriminadora do art. 155 do CP (tipicidade material). Verifica-se, pois, o grau de 10 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 intensidade da lesão produzida, de forma que a própria aplicação do direito penal será afastada a partir da insuficiência da lesão ao bem jurídico, uma vez que a proteção deste consiste na própria função precípua do direito penal. 1.5.1 OS VETORES DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA SEGUNDO O STF A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, há alguns anos se consolidou no sentido de permitir a aplicação do princípio em tela perante a satisfação de determinados requisitos, chamados pela Suprema Corte de vetores: a. Mínima ofensividade da conduta. b. Ausência de periculosidade social da ação. c. Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento. d. Inexpressividade da lesão jurídica. Percebe-se que não basta que o desvalor do resultado seja insignificante, mas é necessário que o desvalor da ação também seja ínfimo, o que, como veremos, afasta a aplicação da insignificância quando há, por exemplo, violência ou grave ameaça. Necessário notar, contudo, que tais vetores não passam de tautologia: a repetição dos mesmos conceitos com palavras diferentes, sendo difícil até mesmo diferenciá-los entre si ou deduzir o real significado das expressões utilizadas. São balizas superpostas que claramente não condizem com as ideias fundantes do princípio O STF permite a aplicação do princípio em crimes contra a ordem tributária, como veremos, até o limite de 20 mil reais. Pergunta-se: infrações desta estirpe não geram algum perigo social? Qual seria a distinção entre ofensividade e periculosidade? A reprovabilidade do comportamento não seria derivada da ofensividade que este representa ao bem jurídico-penal? Enfim, questão irrespondíveis que revelam a inutilidade dos parâmetros da Suprema Corte. 1.5.2 O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA NA JURISPRUDÊNCIA DOS TRIBUNAIS SUPERIORES Em concursos públicos, porém, a cobrança deste princípio ocorre de forma cada vez mais constante e quase sempre com base na jurisprudência atual referente a cada um destes. Listemos, ainda que brevemente, os principais julgados acerca do tema. a. O princípio da insignificância não se aplica em crimes praticados com violência ou grave ameaça à pessoa. STJ, informativo 439. 11 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 b. O princípio não é aplicável, atualmente, em crimes de moeda falsa, uma vez que a violação à fé pública não é quantificável (embora o STF já tenha aplicado-os anteriormente a esta categoria de delitos). STF, HC 107959/DF. c. A insignificância é aplicável aos crimes contra a ordem tributária quando o valor do tributo sonegado não ultrapassa o valor indicado pela regulamentação concernente ao estudo de economicidade para a execução fiscal (art. 20 da lei 10.522/02, atualmente 20 mil reais). STJ, Resp. 1.688.878. d. Para o STJ, o princípio não é aplicável aos crimes contra a administração pública, uma vez que as violações à moralidade administrativa não podem ser quantificadas (STJ, súmula 599). Contudo, a aplicação súmula foi mitigada em decisão publicada no informativo especial número 7: “Em determinadas hipóteses, nas quais for ínfima a lesão ao bem jurídico tutelado - como na espécie -, admite-se afastar a aplicação do entendimento sedimentado na Súmula n. 599/STJ, pois "a subsidiariedade do direito penal não permite tornar o processo criminal instrumento de repressão moral, de condutas típicas que não produzam efetivo dano.” Para o STF, a análise do princípio nestes tipos penais deve ser feita caso a caso (STF, informativo 624). e. A insignificância não é aplicável nos crimes ou contravenções penais praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas. STJ, súmula 589. e. A despeito da presença de qualificadora no crime de furto possa, à primeira vista, impedir o reconhecimento da atipicidade material da conduta, a análise conjunta das circunstâncias pode demonstrar a ausência de lesividade do fato imputado, recomendandoLei 9986/00 e art. 52, III, f, CR/88). Ainda, os dirigentes devem respeitar os requisitos previstos no 5º da Lei 9.986/00. Depois de nomeados, os dirigentes devem cumprir o mandato fixado no art. 6º da Lei 9.986/00, e durante esse período, não podem ser livremente exonerados pelo Chefe do Executivo, só perdendo o cargo nas hipóteses do art. 9º da Lei 9.986/00. Por fim, depois de sair do cargo, os dirigentes das agências reguladoras devem respeitar um período de quarentena, previsto no art. 8º da Lei 9.986/00 em que ficam impedidos de trabalhar na área de atuação da agência reguladora. 3.4.3. FUNDAÇÕES PÚBLICAS As fundações públicas são entidades da Administração Indireta criadas para o exercício de função social. Com relação à natureza jurídica, doutrina e jurisprudência entendem que as fundações públicas podem ser pessoas jurídicas de direito público ou pessoas jurídicas de direito privado. 104 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 As fundações públicas de direito público receberão um tratamento semelhante ao tratamento dado às autarquias, por isso podem ser chamadas de fundações autárquicas. Por outro lado, as fundações públicas de direito privado receberão tratamento semelhante ao das empresas públicas que prestam serviço público. Um ponto importante com relação às fundações públicas é sobre sua criação. Isso porque se for fundação pública de direito público, por ser uma pessoa jurídica de direito público, basta a lei para a entidade existir, por isso, ela será criada por lei. Caso seja uma fundação pública de direito privado, ela será autorizada por lei, passando a existir com o registro do seu ato constitutivo. Vale ressaltar que o art. 37, XIX, CR/88, afirma que a “fundação” será autorizada por lei, portanto, deve-se analisar a questão, para identificar se está cobrando fundação pública de direito público ou não. A) REGIME DE PESSOAL Deve-se analisar qual é a natureza jurídica da fundação pública. Se fundação pública de direito público, ela possui servidores estatutários, se fundação pública de direito privado, possuirá servidores celetistas. B) PATRIMÔNIO Também é importante analisar a natureza jurídica. As fundações públicas de direito público possuem bens públicos, as fundações públicas de direito privado possuem bens privados (com aplicação de algumas normas de direito público). C) FORO PROCESSUAL Caso seja parte de uma ação uma fundação pública de direito público federal, a competência será da Justiça Federal; se fundação pública de direito público estadual, municipal ou estadual, competência da Justiça Estadual. Já caso se trate de fundação pública de direito privado, seja federal, estadual, distrital ou municipal, a competência da Justiça Estadual. D) RESPONSABILIDADE CIVIL A responsabilidade será objetiva tanto no caso de fundação pública de direito público seja a de direito privado, a responsabilidade será objetiva, nos termos do art. 37, §6º, CR/88. 105 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 E) IMUNIDADE TRIBUTÁRIA Haverá imunidade tributária tanto para as fundações públicas de direito pública quanto para as fundações públicas de direito privado, nos termos do art. 150, §2º, CR/88. G) PRERROGATIVAS PROCESSUAIS As prerrogativas processuais são apenas para as fundações públicas de direito público. 3.4.4. EMPRESAS PÚBLICAS As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado que integram a Administração Indireta e prestam serviço público ou exploram atividade econômica. Um conceito de empresa pública pode ser encontrado no art. 3º da Lei 13.303/16, que é o Estatuto das empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias, nos termos do art. 173, §1º, CR/88. Vale ressaltar que a exploração de atividade econômica pela Administração (que vai ocorrer por empresas públicas ou sociedades de economia mista) só pode ocorrer nos casos de imperativos de segurança nacional ou relevante interesse coletivo. Como já analisado, a instituição das empresas públicas é autorizada por lei específica, tendo em vista que, nos termos do art. 45, CC, a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado se dá com o registro do seu ato constitutivo. A) REGIME DE PESSOAL As empresas públicas possuem empregados públicos, também chamados de servidores celetistas. Os servidores celetistas serão analisados mais a frente no capítulo específico, mas vale lembrar que esses servidores se submetem à CLT, mas com a aplicação de algumas normas de direito público, como: ● São considerados agentes públicos para fins penais (art. 327, CP) e de improbidade administrativa (Lei 8.429/92). ● Devem se submeter a concurso público (art. 37, II, CR/88). Vale ressaltar, no entanto, que, apesar de se submeterem à regra do concurso público, não 106 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 adquirem estabilidade, podendo ser dispensados a qualquer momento, desde que a dispensa seja motivada. ● Devem respeitar a regra de não acumulação de cargos e empregos (art. 37, XVI e XVII, CR/88). ● Caso a empresa pública (ou sociedade de economia mista) dependa da Administração Direta para pagamento de pessoal ou custeio em geral, os seus servidores celetistas devem respeitar o teto remuneratório (art. 37, XI e §9º, CR/88). B) PATRIMÔNIO Os bens das empresas públicas são, para a maioria da doutrina, bens privados, em virtude do critério da titularidade aplicado pelo art. 98, CC (alguns autores entendem que, caso a empresa pública preste serviço público, seus bens deveriam ser considerados públicos). Sendo privados, a regra é que os bens das empresas públicas não recebem tratamento de direito público, exceto por algumas características: ● Sua alienação deve respeitar a regra da licitação, nos termos do art. 49, Lei 13.303/16. ● Se o bem está afetado à prestação de serviço público, ele será impenhorável, como forma de respeitar a continuidade dos serviços públicos. C) FORO PROCESSUAL Caso a empresa pública federal seja parte em uma ação judicial, a justiça competente será a Justiça Federal, nos termos do art. 109, I, CR/88. Por outro lado, se se tratar de empresa pública estadual, distrital ou municipal, a competência será da Justiça Estadual. D) RESPONSABILIDADE CIVIL Se a empresa pública presta serviço público, ela se enquadra no art. 37, §6º, CR/88 no que diz respeito ao seu dever de indenizar os danos causados a terceiros, portanto, sua responsabilidade é objetiva. Se for uma empresa pública que explora atividade econômica, a sua responsabilidade não se submete à regra do art. 37, §6º, devendo se aplicar as regrasda lei civil. 107 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Vale ressaltar que, caso a empresa pública não tenha condições de arcar com a indenização, surge a responsabilidade civil subsidiária do ente federativo. Assim, por exemplo, se uma empresa pública federal não consegue arcar com a indenização, surge a responsabilidade subsidiária da União. E) IMUNIDADE TRIBUTÁRIA Com relação à imunidade tributária das empresas públicas, o STF (Inf. 1.051) estabeleceu 3 (três) requisitos para a sua concessão: (i) a prestação de um serviço público; (ii) a ausência do intuito de lucro e (iii) a atuação em regime de exclusividade, ou seja, sem concorrência. G) PRERROGATIVAS PROCESSUAIS Como são pessoas jurídicas de direito privado, não possuem prerrogativas processuais como a Fazenda Pública. H) COMPOSIÇÃO DO CAPITAL Nos termos do art. 3º, Lei 13.303/16, as empresas públicas têm o capital social é integralmente detido pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. Nos termos do parágrafo único, desde que a maioria do capital votante permaneça em propriedade da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município, será admitida, no capital da empresa pública, a participação de outras pessoas jurídicas de direito público interno, bem como de entidades da administração indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. I) FORMA SOCIETÁRIA A lei não traz nenhuma forma societária obrigatória para as empresas públicas, ou seja, elas podem ter qualquer forma societária admitida em direito. 3.4.5. SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA As sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado, que integram a Administração Indireta, devem prestar serviços públicos ou explorar atividades econômica, cujo conceito pode ser encontrado no art. 4º da Lei 13.303/16. 108 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Como dito nas empresas públicas, a exploração de atividade econômica deve ocorrer nos casos de imperativos de segurança nacional ou relevante interesse coletivo. A instituição das sociedades de economia mista é autorizada por lei específica, tendo em vista que, nos termos do art. 45, CC, a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado se dá com o registro do seu ato constitutivo. A) REGIME DE PESSOAL Da mesma maneira que as empresas públicas, a sociedade de economia mista possui empregados públicos (servidores celetistas). Devendo receber as mesmas características, se submetem à CLT, com algumas normas de direito público: ● São considerados agentes públicos para fins penais (art. 327, CP) e de improbidade administrativa (Lei 8.429/92). ● Devem se submeter a concurso público (art. 37, II, CR/88). Vale ressaltar, no entanto, que, apesar de se submeterem à regra do concurso público, não adquirem estabilidade, podendo ser dispensados a qualquer momento, desde que a dispensa seja motivada. ● Devem respeitar a regra de não acumulação de cargos e empregos (art. 37, XVI e XVII, CR/88). ● Caso a empresa pública (ou sociedade de economia mista) dependa da Administração Direta para pagamento de pessoal ou custeio em geral, os seus servidores celetistas devem respeitar o teto remuneratório (art. 37, XI e §9º, CR/88). B) PATRIMÔNIO Os bens das sociedades de economia mista são, para a maioria da doutrina, bens privados, em virtude do critério da titularidade aplicado pelo art. 98, CC (alguns autores entendem que, caso a sociedade de economia mista preste serviço público, seus bens deveriam ser considerados públicos). Sendo privados, a regra é que os bens das sociedades de economia mista não recebem tratamento de direito público, exceto por algumas características: ● Sua alienação deve respeitar a regra da licitação, nos termos do art. 49, Lei 13.303/16. ● Se o bem está afetado à prestação de serviço público, ele será impenhorável, como forma de respeitar a continuidade dos serviços públicos. 109 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C) FORO PROCESSUAL A questão da justiça competente no caso da sociedade de economia mista é diferente do que nas empresas públicas. Como a sociedade de economia mista não está prevista no art. 109, I, CR/88, portanto, mesmo se a sociedade de economia mista for federal, a competência será da justiça estadual quando ela for parte de uma ação judicial. Da mesma maneira, a competência será da justiça estadual no caso de sociedade de economia mista estadual, distrital ou municipal. Vale ressaltar que, no caso de mandados de segurança e habeas data, a competência depende da autoridade competente, portanto, no caso da sociedade de economia mista federal, o dirigente se enquadra como autoridade federal, portanto, competência da Justiça Federal (art. 109, VIII, CR/88). D) RESPONSABILIDADE CIVIL Se a sociedade de economia mista presta serviço público, ela se enquadra no art. 37, §6º, CR/88 no que diz respeito ao seu dever de indenizar os danos causados a terceiros, portanto, sua responsabilidade é objetiva. Se for uma sociedade de economia mista que explora atividade econômica, a sua responsabilidade não se submete à regra do art. 37, §6º, devendo se aplicar as regras da lei civil. Vale ressaltar que, caso a sociedade de economia mista não tenha condições de arcar com a indenização, surge a responsabilidade civil subsidiária do ente federativo. Assim, por exemplo, se uma sociedade de economia mista federal não consegue arcar com a indenização, surge a responsabilidade subsidiária da União. E) IMUNIDADE TRIBUTÁRIA Com relação à imunidade tributária das empresas públicas, o STF (Inf. 1.051) estabeleceu 3 (três) requisitos para a sua concessão: (i) a prestação de um serviço público; (ii) a ausência do intuito de lucro e (iii) a atuação em regime de exclusividade, ou seja, sem concorrência. Ainda, vale ressaltar que o art. 150, §2º, CR/88, com a Reforma Tributária, incluiu a empresa pública prestadora de serviço postal dentre as hipóteses de imunidade tributária. 110 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 G) PRERROGATIVAS PROCESSUAIS Como são pessoas jurídicas de direito privado, não possuemprerrogativas processuais como a Fazenda Pública. H) COMPOSIÇÃO DO CAPITAL Nos termos do art. 4º, Lei 13.303/16, a regra com o capital social da sociedade de economia mista é que a maioria das ações com direito a voto devem pertencer à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou a entidade da administração indireta. Assim, é possível que particulares integrem o capital social da sociedade de economia mista. I) FORMA SOCIETÁRIA O art. 4º da Lei 13.303/16 também estabelece que a sociedade de economia mista necessariamente deve possuir a forma de sociedade anônima (S/A). Algumas decisões importantes com relação à organização administrativa: Extinção de empresas estatais (Inf. 1.004, STF): Em regra, é desnecessária lei específica para inclusão de sociedade de economia mista ou de empresa pública em programa de desestatização. Não se aplica o princípio do paralelismo das formas. Exceção: em alguns casos a lei que autorizou a criação da empresa estatal afirmou expressamente que seria necessária lei específica para sua extinção ou privatização. Nesses casos, obviamente, não é suficiente uma lei genérica (não basta a Lei no 9.491/97), sendo necessária lei específica. Regime de pessoal dos Conselhos profissionais (ADC 36, ADI 5367 e ADPF 367, STF): É constitucional a contratação de pessoal sob o regime da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) em conselhos profissionais. Conselhos profissionais e regime de precatório (Inf. 861, STF): Os Conselhos profissionais não se submetem ao regime de precatório Poder regulamentar das agências reguladoras (Jurisprudência em teses, Edição 79, STJ): As agências reguladoras podem editar normas e regulamentos no seu âmbito de atuação quando autorizadas por lei. Vedação de servidores de agências reguladoras exercerem outra atividade profissional Inf. 1085, STF: É constitucional norma legal que veda aos servidores 111 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 titulares de cargo efetivo de agências reguladoras o exercício de outra atividade profissional, inclusive gestão operacional de empresa, ou de direção político-partidária. Dispensa motivada de servidores celetistas (Inf. 1.126, STF): As empresas públicas e as sociedades de economia mista, sejam elas prestadoras de serviço público ou exploradoras de atividade econômica, ainda que em regime concorrencial, têm o dever jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de seus empregados concursados, não se exigindo processo administrativo. Tal motivação deve consistir em fundamento razoável, não se exigindo, porém, que se enquadre nas hipóteses de justa causa da legislação trabalhista. Teto remuneratório e empresas estatais (inf. 1.018, STF): Teto remuneratório não incide sobre empresas públicas e sociedades de economia mista que não recebem recursos da Fazenda Pública. Regime de precatório e empresas estatais (Infs. 910, 920, 1.026 e 1.104, STF): Empresas públicas e sociedades de economia mista que exploram atividade econômica não se submetem a precatório. No entanto, empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam serviço público, em regime não concorrencial, se submetem ao regime de precatório. Regime jurídico da fundação pública (Inf. 946, STF): A qualificação de uma fundação instituída pelo Estado como sujeita ao regime público ou privado depende (i) do estatuto de sua criação ou autorização e (ii) das atividades por ela prestadas. As atividades de conteúdo econômico e as passíveis de delegação, quando definidas como objetos de dada fundação, ainda que essa seja instituída ou mantida pelo poder público, podem se submeter ao regime jurídico de direito privado. Regime jurídico da fundação pública (Inf. 1.085, STF): É constitucional a constituição de fundação pública de direito privado para a prestação de serviço público de saúde. Regime de pessoal da fundação pública de direito privado (Inf. 997, STF): É constitucional a legislação estadual que determina que o regime jurídico celetista incide sobre as relações de trabalho estabelecidas no âmbito de fundações públicas, com personalidade jurídica de direito privado, destinadas à prestação de serviços de saúde. Custas processuais e fundações públicas (Inf. 676, STJ): As fundações públicas de direito privado não fazem jus à isenção das custas processuais. 112 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27a aplicação do princípio da insignificância. STJ, informativo 665. e. No que diz respeito ao reincidente, tribunais superiores tendem a permitir a aplicação do princípio para que não se caia em um direito penal do autor. Contudo, a análise de cada caso concreto pode levar ao afastamento do princípio quando se constata a habitualidade criminosa em delitos da mesma natureza. STF, informativos 793 e 966. STJ, informativos 534 e 575. 12 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 1.6 PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL O direito penal não deve alcançar as condutas já consideradas adequadas pela ordem social historicamente condicionada. Foi criado por Hans Welzel (criador da teoria finalista da ação) para quem o Direito Penal somente deve tipificar condutas que possuam relevância social, caso contrário, o comportamento não poderá ser criminalizado. Embora Welzel tenha por muito tempo discutido qual seria a natureza jurídica do princípio (se atuaria como causa de exclusão da ilicitude ou mera diretriz principiológica destinada ao legislador), acabou concluindo que o princípio atuaria como excludente de tipicidade. É correto afirmar que o princípio possui duas funções. a. A função político-criminal é voltada para orientar o legislador na criminalização ou descriminalização de conduta. O adultério foi descriminalizado em 2005, uma vez que a tipificação não era mais adequada à sociedade contemporânea. b. A função dogmática-interpretativa é destinada ao juiz que poderia, com fulcro neste princípio, afastar a tipicidade penal. Cumpre ressaltar que esta última função tende a não ser aplicada de forma frequente pelos tribunais superiores, ao argumento (um tanto quanto raso e atécnico) de que os costumes não podem revogar uma lei penal formalmente vigente. Sob este argumento, no HC 104.467/RS, o STF não aplicou este princípio ao crime de casa de prostituição. No HC 98.898/SP, o STF não aplicou este princípio ao delito de violação de direito autoral. 1.7 PRINCÍPIO DA LESIVIDADE (OU OFENSIVIDADE) Para existência de crime, exige-se que haja perigo concreto, real e efetivo de dano a um bem jurídico penalmente protegido. Desta forma, para muitos doutrinadores, os crimes de perigo abstrato seriam inconstitucionais, uma vez que, nestes, o risco ao bem jurídico tutelado pelo tipo penal é absolutamente presumido a partir da prática da conduta. Assim, estas normas incriminadoras devem ser reinterpretadas como crimes de perigo concreto, no qual não se presume legalmente o perigo que deve ser demonstrado em cada caso concreto. Tal princípio também possui uma função político-criminal, que orienta o legislador a jamais tipificar tipos penais que prescindem de real perigo de lesão a bens jurídicos, e uma função dogmática-interpretativa que se destina ao juiz, que deve analisar a posteriori as normas incriminadoras no sentido de afastar interpretações que prescindem do risco concreto ao bem jurídico para a punição. 13 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 É importante ressaltar, contudo, que os tribunais superiores não enxergam qualquer inconstitucionalidade nos crimes de perigo abstrato. Aliás, estes são extremamente frequentes na contemporaneidade. Podemos apontar como exemplo os crimes de posse ou porte ilegal de arma de fogo dos arts. 12, 14 e 16 da Lei 10826/03 (STF, HC 107957) ou de embriaguez ao volante do art. 306 do CTB (STJ, AgRg no AResp 1.318.847). De modo complementar, é necessário que o perigo ou dano seja aplicado sobre bens jurídicos alheios, não admitindo-se a criminalização de condutas que possam atingir a bens próprios. (princípio da alteridade) 1.8 PRINCÍPIO DA EXTERIORIZAÇÃO OU MATERIALIZAÇÃO DO FATO O direito penal somente deverá tipificar fatos, isto é, ações ou omissões voluntárias e jamais condições internas, pensamentos, ideias, convicções, ideologias ou questões existenciais. Assim, chega-se a um direito penal do fato, afastando-se de um direito penal do autor. Para Rogério Sanches Cunha, o art. 25 da LCP, que trazia a contravenção relativa ao porte de gazuas ou instrumentos normalmente utilizados para o furto, foi declarado inconstitucional em nome deste postulado. O princípio da materialização do fato consiste no quinto axioma do garantismo penal de Luigi Ferrajoli. 1.9 PRINCÍPIO DA CULPABILIDADE Franz Von Liszt dizia que, pelo aperfeiçoamento da teoria da culpabilidade mede- se o progresso do próprio Direito Penal. Foi a partir da doutrina deste autor que a culpabilidade, na segunda metade do século XIX, tornou-se categoria autônoma da teoria do delito (substrato do conceito de crime). Neste sentido, podemos definir a culpabilidade, em linhas bastante gerais, como um juízo individualizado de atribuição da responsabilidade penal que teve seus elementos significativamente modificados ao longo do último século. O vocábulo culpabilidade também possui um segundo sentido, podendo ser compreendida como um elemento de graduação da pena, no qual se estabelece, sob o postulado da proporcionalidade, uma relação entre culpa e castigo. Busato apresenta, ainda, um terceiro sentido, pelo qual a culpabilidade, enquanto princípio penal, englobaria os princípios da responsabilidade pessoal, responsabilidade subjetiva, responsabilidade pelo fato, a presunção de inocência e individualização da pena. 14 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Contemporaneamente, consuma-se atribuir uma tripla função ao princípio da culpabilidade: a) Proíbe a responsabilidade penal objetiva, isto é, sem análise do dolo ou da culpa. Isto porque, nos primórdios do conceito analítico de crime, vigorava a teoria psicológica da culpabilidade, que a identificava como o vínculo psicológico entre o autor da conduta e o resultado material do crime. Assim, a culpabilidade, enquanto substrato do crime, exercia justamente a função de garantir que a responsabilidade penal fosse apenas subjetiva, função esta que ainda permanece. Não se desconhece o fato de que o Código Penal brasileiro possui resquícios de responsabilidade penal objetiva, seja na adoção da teoria da actio libera in causa do art. 28, II, ou da previsão do parágrafo único do art. 137 que comina qualificadora pelo simples fato de participação em uma rixa na qual ocorreu determinados resultados. No entanto, a doutrina mais bem fundamentada afirma que estas passagens devem ser interpretadas em consonância com a exigência de que toda responsabilidade penal seja subjetiva. b) Proíbe a punição sem os requisitos do juízo de reprovação segundo o estágio atual da culpabilidade. Com a evolução do conceito de culpabilidade, quese transformou, a partir do neokantismo, e de forma completa com o finalismo, em um juízo de reprovação pessoal, dotado de imputabilidade, potencial consciência da ilicitude, exigibilidade de conduta diversa. Desta forma, o princípio da culpabilidade passou a exigir a análise destes elementos como fundamento da pena. c) Culpabilidade é a medida da pena, uma vez que a dosimetria deve ser orientada por critérios racionais de proporcionalidade, balizados pelo direito penal fato, afastando-se cálculos arbitrários ou baseados em um direito penal do autor. 1.10 PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE (INTRANSCENDÊNCIA) DA PENA É resumido pela passagem presente no art. 5º, XLV da Constituição Federal. Art.5º, XLV, CF/88 nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; 15 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Também chamado de princípio da responsabilidade pessoal, este postulado constitucional proíbe a responsabilização por fato de outrem, inexistindo responsabilidade penal coletiva. Assim, com a morte do executado, a pena imposta deve ser extinta, não havendo transmissão de penalidade aos herdeiros. São também desdobramentos lógicos deste princípio: a necessidade de individualização da acusação, sendo inadequadas as denúncias genéricas que não especificam a imputação e o agente, e a obrigatoriedade de individualização da pena, que, hoje, possui o status de princípio penal autônomo. Importante notar que o que parecem exceções a este postulado, previstas no inciso supracitado, são referentes aos efeitos extrapenais da condenação e, portanto, não compreendem efeitos transcendentes da pena. Outrossim, é bem estabelecido que a multa penal não perde seu caráter de pena e, portanto, não é transmissível aos herdeiros nem mesmo nas forças da herança. 1.11 PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA O princípio é um dos desdobramentos do princípio da culpabilidade e encontra- se na primeira parte do inciso XLVI do art. 5º da Constituição Federal. Art.5º, XLVI, CF/88 a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: privação ou restrição da liberdade; a. perda de bens; b. multa; c. prestação social alternativa; d. suspensão ou interdição de direitos; A pena deve ser individualizada para o delito e para o delinquente, de forma que a individualização deve ser observada em três momentos: a) Na cominação da pena, fase própria do legislador, que deve garantir, dentre as balizas da escala penal presentes no próprio preceito secundário do tipo, uma variação de pena que permite a individualização da sanção. Assim, caso balizas mínimas e máximas da escala penal estejam muito próximas, a individualização estará impossibilitada. 16 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 b) Na aplicação da pena, de forma que o juiz de direito deve utilizar critérios legais racionais de dosimetria para individualizar a pena ao caso concreto. Nesta perspectiva, serão inconstitucionais as normas que subtraírem do julgador institutos que possibilitam tal exercício. Com base neste entendimento, em históricos julgados do STF, entendeu-se pela inconstitucionalidade de normas previstas em importantes leis penais. Primeiramente, podemos citar o HC 111.840/ES no qual se decidiu pela inconstitucionalidade do regime iniciam fechado obrigatório que ainda está previsto no artigo 2º da lei 8.072/90. Em segundo lugar, temos o HC 97.256/RS no qual se decretou a inconstitucionalidade da vedação, outrora existente na Lei antidrogas, da substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direito. c) Na execução da pena, devendo-se preservar e cumprir as normas da execução penal que permite que a sanção seja individualizada ao delito e ao delinquente, desde a classificação até os benefícios de saída e progressão. Neste diapasão, cumpre mencionar um dos mais importantes julgados das últimas décadas: o HC 82959/SP, no qual se decidiu pela inconstitucionalidade do regime integralmente fechado, um dos mais controversos institutos previstos originariamente na lei dos crimes hediondos. 1.12 PRINCÍPIO DA HUMANIDADE (OU LIMITAÇÃO) DA PENA Apregoa que a pena não pode ofender a dignidade humana do apenado. O princípio da dignidade da pessoa humana, fundamento da República Federativa do Brasil, se mostra como obstáculo à adoção de determinadas espécies de pena que, em razão da natureza e gravidade, são inaceitáveis no atual Estado civilizacional. A Constituição Federal, em seu artigo 5º, XLVII, adota expressamente o princípio da humanidade da pena, ao proibir uma série de sanções. Art.5º, XLVII, CF/88 não haverá penas: a. de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b. de caráter perpétuo; c. de trabalhos forçados; 17 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Considerando que a pena pressupõe certa aplicação de sofrimento, os limites quantitativos e qualitativos da dor punitiva são corolários do princípio da humanidade. Para parte da doutrina, a exemplo de Cézar Roberto Bitencourt, o regime disciplinar diferenciado é incompatível com este princípio por violar o objetivo ressocializador vigente na constituição. Esta não é, contudo, não parece ser compartilhada pelos tribunais superiores que jamais declararam a inconstitucionalidade de tal instituto. 1.13 PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE Conforme ensina Juarez Cirino dos Santos, o princípio da proporcionalidade foi desenvolvido pela dogmática constitucional germânica e rege a idoneidade da intervenção estatal em direitos fundamentais, o que naturalmente é aplicável ao controle jurídico penal. A proporcionalidade da violência estatal pode se mostrar proporcional através de três princípios parciais que devem ser analisados em ordem sucessiva: a) Princípio da adequação. Deve-se demonstrar que a criminalização da conduta em questão é um meio empiricamente capaz de proteger o bem jurídico e prevenir estatisticamente a prática da ação criminosa (o que depende da investigação criminológica). b) Princípio da necessidade. Deve-se demonstrar que a pena criminal é o meio menos lesivo dentre os outros meios adequados para prevenir a condita delitiva (o que dialoga com o já citado princípio da subsidiariedade). c) Princípio da proporcionalidade em sentido estrito (ou avaliação). Tem por finalidade a otimização das possibilidades jurídicas, isto é, deve-se demonstrar que a pena criminal cominada e aplicada é proporcionalem relação à natureza e extensão da lesão abstrata e concreta ao bem jurídico e que o custo social da criminalização não é maiores do que o da conduta delitiva. A partir da adoção do princípio da proporcionalidade, proíbe-se o excesso na criminalização, bem como a proteção deficiente do bem jurídico-penal. 1.14 PRINCÍPIO DO NE BIS IN IDEM O princípio do ne bis in idem dispõe que ninguém será processado ou punido por fato pelo qual já tenha sido absolvido ou condenado por sentença transitada em julgado. 18 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Em dissertação sobre o tema, Keity Saboya afirma que não se conhece de forma precisa a origem histórica do princípio. Para parte da doutrina, o nascedouro do princípio se localiza no direito romano, como consequência lógica do instituto da coisa julgada, derivado do caráter preclusivo do processo, a partir da litis contestatio, utilizada para solucionar eventual concorrência de ações. Outros autores defendem que o princípio se originou no direito grego. O ne bis in idem é reconhecido no plano internacional em diversos tratados. O Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos prevê o princípio em seu art. 14.7; o Convênio de Direitos Humanos, art. 4º do Protocolo 7º também o prevê, bem como o art. 8.4 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e o art. 20 do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. Parte da doutrina brasileira defende que se trata de um princípio constitucional implícito, uma vez que possui estrita relação com os efeitos da coisa julgada, disposta no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal, e decorrente do caráter excepcional da revisão criminal, que, conforme arts. 621 e 626, parágrafo único do CPP, somente é cabível para beneficiar o réu, sendo corolário do Estado Constitucional e do devido processo. Tal entendimento, entretanto, não é unânime, havendo corrente que defende que princípio tem apenas caráter de supralegalidade por estar presente em tratados ratificados pelo ordenamento brasileiro. O ne bis in idem possui um aspecto processual que diz respeito à inadmissibilidade de múltipla persecução penal (simultânea ou sucessiva) sobre os mesmos fatos, sob pena de litispendência ou ofensa à coisa julgada. Também exerce consequência no direito material, que corresponde à impossibilidade de cumulação de sanções penais pelos mesmos fundamentos. Assim, o mesmo fato não pode violar duas normas incriminadoras ou duas circunstâncias que pesam negativamente sobre a pena, a menos que se perceba, através da mesma conduta, lesões distintas a bens jurídicos diferentes. André Estefam apresenta de forma bem didática as mais importantes consequências do ne bis in idem que serão aqui listadas: a) A detração penal, prevista no art. 42 do Código Penal. Art.42, CP Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão 19 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 administrativa e o de internação em qualquer dos estabelecimentos referidos no artigo anterior. b) A vedação do duplo apenamento nos casos de extraterritorialidade da lei penal brasileira. O art. 8º do Código Penal, por exemplo estabelece um critério para evitar o bis in idem no caso de extraterritorialidade incondicionada. Art.8º, CP A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas. c) Dosimetria da pena. O Código Penal possui uma série de critérios dosimétricos da pena que visam impedir que o mesmo fato influencie a sanção penal em mais de uma fase de aplicação. Como exemplo, temos o artigo 61, segundo o qual o uma circunstância não pode servir como elementar do tipo e como agravante ao mesmo tempo. Art.61, CP São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: (...) d) Conflito aparente de normas. Quando uma mesma conduta se subsome a mais de uma norma incriminadora vigente, não será possível aplicar todas as sanções penais. A doutrina jurídica criou, para este conflito aparente, os princípios da especialidade, subsidiariedade, alternatividade e consunção. 20 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 21 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 HARDWARE pode ser definido como a parte física do computador. São as peças. Ex: Teclado, mouse, estabilizador, memórias, etc. Divisão do HARDWARE do computador a. CPU (Processador) – processa todos os dados que entram no computador e o transforma em informações. Instruções são ordens enviada pelos Software e executadas pela CPU. A unidade central de processamento é dividida em duas partes principais: 1. Unidade de Controle (UC) – controla todo o funcionamento da CPU. 2. Unidade Lógica e Aritmética (ULA) – é responsável pela execução das instruções que envolvem operações aritméticas e lógicas entre valores. Em outras palavras, é responsável pelo processamento propriamente dito. Registradores pequenas posições de memória destinadas a armazenar instruções e pequenas quantidades de informação. b. MEMÓRIAS b. PERIFÉRICOS DE ENTRADA DE DADOS b. PERIFÉRICOS DE SAÍDA DE DADOS EXTRA: PLACA-MÃE (MOTHERBOARD) ELEMENTOS DA CPU (Processador) Clock é o componente responsável por estabelecer o rítmo de comunicação entre as partes de um computador. Em outras palavras, é quem dita a velocidade da CPU. O clock de um processador é medido em Hertz (Hz) e seus múltiplos (Khz, Mhz, Ghz). Processadores multinucleares - são processadores que possuem diversos núcleos de processamento. Também podemos dizer que são vários processadores dentro de um único chip. Exemplos: Dual Core, Core 2 Duo, I3, I5, I7, etc. MEMÓRIAS São dispositivos de armazenamento de dados. As memórias do computador são classificadas em primárias e secundárias. a. Memória Primária/Principal: Gerenciadas pela CPU (processador); usuário não gerencia. Mais rápidas do que as secundárias; Podem ser voláteis ou não; são voláteis a memória RAM e a Cache. b. Memórias Secundárias: Gerenciadas pelo usuário. Apresentam grande capacidade de armazenamento quandocomparadas as primárias. Não são voláteis - Exemplos: PenDrive, HD, Cartão de memória OBS. Alguns exemplos: 1. Memória ROM (primária): Memória somente de leitura; sua função é armazenar o BIOS (basic input / Output System); não é volátil; Gravada pelo 22 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 fabricante da placa mãe; PROM, EPROM, EEPROM e FLASH ROM são os tipos de memória ROM. 2. Cache (primária) - Leitura e escrita; Volátil; Altíssima velocidade de acesso; Localizada no processador; Composta por registradores; Pode ser dividida em 3 níveis: L1, L2 e L3; Armazena os dados que estão na memória RAM e que estão sendo usados com mais frequência. 3. Disco rígido (secundária) - Também chamado de HD, HDD, Winchester HD = Hard Disk HDD = Hard Disk Drive. Grande capacidade de armazenamento (de até 5 TB) - Um HD é formado por vários discos - Cada disco é formado por trilhas (círculos concêntricos), setores (menor parte física do disco) e cluster (conjunto de setores adjacentes). HD é uma memória magnética = significa que ele utiliza processos magnéticos de leitura e gravação (hímans). 4. SSD – disco de estado sólido (secundária): Ele veio com intuito de substituir o HD, uma das diferenças é que o HD é magnético e o SSD é eletrônico, ou seja, não possui movimento os dados são acessados eletronicamente, é até 10 vezes mais rápido que um HD. Trata-se de um dispositivo que vem sendo amplamente utilizado nos computadores atuais. É dotado de memória Flash, a mesma memória utilizada em pendrives. Sua velocidade de gravação e de leitura é infinitamente superior à de um HD magnético, por exemplo. Seu corpo é fino e extremamente leve, fazendo que seu consumo de energia seja muito baixo. Sua vida útil é menor do que a de um HD magnético. 5. Floppy disk (secundária): Esse dispositivo foi muito utilizado nas décadas de 80 e 90, mas caiu em desuso devido a sua baixa capacidade de armazenamento e extrema sensibilidade. Também é chamado de disquete ou disco 3” (1/2). Sua capacidade é de 1.44 MB. 6. Fita magnética (secundária): - Também chamada de fita DAT, a fita magnética é um dos melhores dispositivos para se fazer Backup (cópia de segurança). Possui ampla capacidade de armazenamento, seu acesso é somente sequencial e sua vida útil é longa. 7. CD / DVD / BLU - RAY (secundária) - As 3 mídias são classificadas como mídias ópticas. PERIFÉRICOS DE ENTRADA Os periféricos de entrada são dispositivos usados para inserir dados no sistema. EX: TECLADO; MOUSE; WEBCAM; MICROFONE; SCANNER PERIFÉRICOS DE SAÍDA 23 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Os periféricos de saída são dispositivos usados para extrair dados no sistema. EX: CAIXAS DE SOM; FONES DE OUVIDO; MONITOR DE VÍDEO; PERIFÉRICOS HÍBRIDOS Multifuncional (periférico de entrada e saída) são aqueles que servem para entrada e saída de dados. EX: IMPRESSORA MULTIFUNCIONAL; MONITOR TOUCH SCREEN; PENDRIVE; HEADSET; CD; DVD OBS: UNIDADE DE MEDIDAS O computador é um sistema binário = isto significa que ele só entende 0 e 1. O bit é a menor unidade da informação = isto significa que nada é menor que um bit. Um caractere é formado pela combinação de 8 bits. Por ex.: A = 01000001 o computador recebe esta informação para a letra A. Cada 0 ou 1 que constitui um caractere é um bit. CONVERSAO ENTRE MULTIPLOS Exemplo: Converter 2 GB em MB = 2 X 1.024= 2.048 MB Quantos KB cabem em 2MB = 2 X 1.024= 2.048 KB Converter 2 KB em bits = 2 X 1.024 x 8 = 16.384 bits 24 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 25 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 1. MORFOLOGIA – CLASSIFICAÇÃO E FLEXÃO DAS PALAVRAS Existem dez classes de palavras, que são: 1. Substantivo 2. Artigo 3. Adjetivo 4. Numeral 5. Pronome 6. Verbo 7. Advérbio 8. Preposição 9. Conjunção 10. Interjeição 1.1 SUBSTANTIVOS Substantivos são palavras que nomeiam seres, características, sentimentos, ações e estados. 1.1.1 CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS a. Concretos e abstratos São concretos os substantivos que designam os seres de existência independente, como homem, mulher, pessoa, cachorro, casa, barco, navio, animal, José, Ana etc. São concretos também os substantivos que designam seres de existência fictícia, discutível ou que dependa das crenças de cada pessoa, como gnomo, fada, Deus, diabo, dragão etc. São abstratos os substantivos que designam ações, estados, sentimentos e qualidades, como beleza, maldade, limpeza, viagem, passeio, honestidade, resposta etc. b. Comuns e próprios São comuns os substantivos utilizados de maneira genérica, que não especificam um indivíduo, como carro, filho, gente, bairro, país, cidade, planeta etc. São próprios os substantivos que fazem a designação específica de um indivíduo, como Brasil, América, Rafael, Florianópolis, Júpiter etc. c. Simples e compostos São simples os substantivos formados por um só radical: pé, flor, amor, sol etc. 26 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 São compostos os formados por mais de um radical: pé de moleque, beija-flor, amor-perfeito, girassol etc. d. Primitivos e derivados São primitivos os substantivos que não derivam de outra palavra da língua portuguesa: vidro, casa, ferro etc. São derivados os que derivam de outra palavra: vidraça, casebre, ferreiro etc. e. Substantivos coletivos São coletivos os substantivos que, ainda que estejam no singular, referem-se a um conjunto de seres da mesma espécie, como alcateia (de lobos), arquipélago (de ilhas), caravana (de viajantes), enxame (de abelhas) etc. 1.1.2 FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS Os substantivos sofrem flexão de gênero, número e grau. FLEXÃO DE GÊNERO DOS SUBSTANTIVOS Quanto à flexão de gênero, os substantivospodem ser biformes ou uniformes. Os substantivos biformes apresentam uma forma para o masculino e outra para o feminino. Essa variação pode se dar: ● por heteronímia: quando o masculino e o feminino possuem radicais diferentes, a exemplo de pai/mãe, boi/vaca, homem/mulher etc. ● por flexão: quando se utilizam as desinências nominais de gênero, como em menino/menina, mestre/mestra, senhor/senhora etc. Existem, todavia, substantivos uniformes, ou seja, que não se flexionam. São os seguintes: 1. Epicenos: designam certas espécies animais. Utiliza-se "macho" ou "fêmea" para distinguir o gênero: a cobra (macho ou fêmea), o jacaré (macho ou fêmea) etc. 2. Comuns de dois gêneros: têm uma só forma para designar homens ou mulheres. A distinção de gênero se faz com o uso de um determinante: o pianista/ a pianista, artista famoso/ artista famosa, colega charmoso/ colega charmosa etc. 3. Sobrecomuns: possuem uma só forma para designar homens ou mulheres e não aceitam que o determinante sofra variação de gênero. Somente o contexto pode identificar o gênero do substantivo. A criança, a pessoa, a testemunha (sempre femininos); o cônjuge, o guia (sempre masculinos). Ela foi o cônjuge que pediu o divórcio. Marcos é uma criança levada. 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Atenção: alguns substantivos mudam de sentido quando têm seu gênero alterado. a testemunha (quem presencia um fato) x o testemunho (aquilo dito por alguém) o cisma (dissidência) x a cisma (ideia fixa) o moral x a moral; o guia x a guia; o lente x a lente. etc. FLEXÃO DE GRAU DOS SUBSTANTIVOS Aumentativo e diminutivo são os graus dos substantivos. A flexão de grau pode se dar de maneira analítica ou sintética. 1. Aumentativo e diminutivo analíticos: faz-se a flexão determinando o substantivo com um adjetivo que indique aumento ou diminuição de tamanho, como casa grande, rua imensa, palácio enorme (aumentativos) e carro pequeno, planta minúscula, cachorro pequenino (diminutivos). 2. Aumentativo e diminutivo sintéticos: faz-se a flexão de grau com a utilização de sufixos aumentativos ou diminutivos, como em barcaça, muralha, bocarra, cabeçorra (aumentativos) e riacho, casebre, carrinho, papelucho (diminutivos). Atenção para a semântica: nem sempre o aumentativo ou diminutivo têm o sentido literal de aumentar ou diminuir o tamanho de um substantivo. Por vezes, eles podem ser usados para imprimir à fala um sentido em algumas vezes pejorativo e, em outras, afetivo. Somente o contexto pode deixar clara a intenção do locutor. Não suporto homenzinhos mimados. (sentido pejorativo) FLEXÂO DE NÚMERO DOS SUBSTANTIVOS Em relação ao número, os substantivos podem estar no singular ou no plural. ● Plural dos substantivos simples Terminação Plural Exemplo Vogal Acrescenta-se S ao singular Regime - regimes 28 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Ditongo oral N Irmã - irmãs Pai - pais Elétron - elétrons R Z Acrescenta-se ES ao singular Colher - colheres Noz - nozes AL EL OL UL Troca-se o L final por IS Varal - varais Túnel - túneis Lençol - lençóis Raul - Rauis IL Oxítonas - IS Paroxítonas - EIS Barril - barris Fóssil - fósseis M Troca-se por NS Som - sons Refém - reféns S (monossílabos e oxítonas) Acréscimo de ES Gás - gases Deus - deuses Japonês - japoneses S (paroxítonas e proparoxítonas) Invariáveis O atlas - os atlas A íris - as íris X Invariáveis O tórax - os tórax A fênix - as fênix ÃO (1) Acréscimo de S Irmão - irmãos Ancião - anciãos ÃO (2) -ÕES Botão - botões Leão - leões ÃO (3) -ÃES Cão - cães Guardião - guardiães ● Plural dos substantivos compostos 1. Os dois elementos vão para o plural nas seguintes situações: 29 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 a. Substantivo + substantivo unidos por hífen sem elemento de ligação ● decreto-lei - decretos-leis. ● abelha-rainha - abelhas-rainhas. ● tia-avó - tias-avós. b. Substantivo + adjetivo ● capitão-mor - capitães-mores. ● carro-forte - carros-fortes. ● guarda-civil - guardas-civis. c. Adjetivo + substantivo ● longa-metragem - longas-metragens. ● má-língua - más-línguas. ● livre-arbítrio - livres- arbítrios. d. Numeral + substantivo ● segunda-feira - segundas-feiras. ● quarta-feira - quartas-feiras. ● quinta-feira - quintas-feiras. Atenção: o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP - ABL) destaca as seguintes exceções: os grão-mestres, os grã-finos, os terra-novas, os claro-escuros (também se admite "os claros-escuros"), os nova-iorquinos, os são-bernardos, os cavalos-vapor. 2. Varia apenas o último elemento nas seguintes situações: a. Elementos unidos sem hífen ● os girassóis, as autopeças, as autoescolas b. Verbo + substantivo ● guarda-roupa - guarda-roupas. ● beija-flor - beija-flores. ● guarda-caça - guarda-caças. c. Elemento invariável + palavra variável ● vice-presidente - vice-presidentes. ● ex-marido - ex-maridos. ● alto-falante - alto-falantes. 30 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 d. Palavras repetidas ● reco-reco - reco-recos. ● corre-corre - corre-corres. ● tico-tico - tico-ticos. Atenção: neste caso, se as palavras repetidas forem verbos, podem as duas variar: corre-corre: corre-corres ou corres-corres. 3. Varia apenas o primeiro elemento nas seguintes situações a. Quando dois substantivos são conectados por preposição (substantivo + preposição + substantivo) ● pés de moleque, dias a dia, pães de ló, mulas sem cabeça. b. Quando o segundo elemento determina o primeiro, indicando limitação, finalidade, tipo, semelhança. Neste caso, o segundo elemento funciona como se fosse um adjetivo. ● navios-escola, peixes-boi, canetas-tinteiro. É frequente que o substantivo composto formado por dois substantivos admita duas formas de plural – flexão de ambos os elementos ou apenas do primeiro. Por exemplo, “palavra-chave” pode ir para o plural como “palavras-chaves” ou “palavras-chave”; “couve-flor”, como “couves-flores” ou “couves-flor”. Quando estiver estudando esse tópico, consulte sempre o VOLP (https://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario) para verificar todas as possibilidades.4. Ficam invariáveis os dois elementos nas seguintes situações a. Verbo + advérbio ● os bota-fora, os pisa-mansinho. 5. Casos especiais: ● o louva-a-deus - os louva-a-deus. ● o bem-te-vi - os bem-te-vis. ● o bem-me-quer - os bem-me-queres. ● o joão-ninguém - os joões-ninguém. 31 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 https://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario ● o ponto e vírgula - os ponto e vírgula. ● o sem-terra - os sem-terra. ● o mico-leão-dourado - os micos-leões-dourados. ● o arco-íris - os arco-íris. ● entre outros. ● Plural dos diminutivos Para se fazer o plural dos diminutivos, deve-se, antes, passar para o plural do substantivo no grau normal. Depois, acrescentam-se o sufixo -zinho ou -zito e a desinência de número -S. Mulher: mulheres - mulherezinhas. Coração: corações - coraçõezinhos. Flor: flores - florezinhas. 1.2 ARTIGOS O artigo é o principal determinante do substantivo, a ele transmitindo ideia de determinação ou indeterminação. Artigos definidos: o, a, os, as (o cão, a casa, os carros, as bicicletas). Artigos indefinidos: um, uma, uns, umas (um cão, uma casa, uns carros, umas bicicletas). Encontrou-se com a amiga (uma amiga conhecida, já mencionada). Encontrou-se com uma amiga. (uma amiga ainda não mencionada, indeterminada). Os artigos podem unir-se às preposições e, de, em e por, formando contrações e combinações (ao, aos, do, dos, no, nos, pelo, pelos, num, nuns, à, às, da, das, na, nas, pela, pelas, numa, numas). Referiu-se ao problema. Telefonou à amiga. Os artigos são os principais responsáveis pela substantivação (transformar em substantivo uma palavra pertencente a outra classe gramatical). A síndrome do comer compulsivo... (comer, originalmente verbo, aqui é usado como substantivo). 1.3 ADJETIVOS 32 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 Adjetivos são palavras que caracterizam os substantivos, atribuindo-lhes qualidades, características, restrições. "Panela velha é que faz comida boa" (Sérgio Reis) O adjetivo pode sofrer flexões de gênero, grau e número. FLEXÃO DE GÊNERO DOS ADJETIVOS SIMPLES a. Adjetivos uniformes: possuem uma só forma para os dois gêneros, como azul, inteligente, leal, cruel, otimista, interessante, veloz etc. b. Adjetivos biformes: possuem duas formas, uma para cada gênero, como belo/bela, feio/feia, ativo/ativa, brasileiro/brasileira, claro/clara, escuro/escura, rápido/rápida etc. FLEXÃO DE NÚMERO DOS ADJETIVOS SIMPLES A flexão de número dos adjetivos simples segue as mesmas regras que a flexão de número dos substantivos. FLEXÃO DE GÊNERO E NÚMERO DOS ADJETIVOS COMPOSTOS a. Regra Geral: nos adjetivos compostos, somente o segundo elemento varia em gênero e número. ● pelo castanho-escuro; cabelos castanho-escuros. ● clínicas médico-cirúrgicas. ● camisa verde-clara; olhos verde-claros. ● família afro-brasileira; rapaz afro-brasileiro; turistas afro-brasileiros. b. Os compostos de adjetivo + substantivo são invariáveis. ● tecidos azul-bebê. ● gravata verde-musgo. ● roupas azul-turquesa. c. Os compostos formados a partir da locução cor + de +substantivo são invariáveis. ● Panteras cor-de-rosa. ● Olhos cor de carvão. d. Nos compostos formados por elemento invariável + adjetivo, somente o segundo varia. ● Convidados mal-educados. ● Filhotes recém-nascidos. e: Variam os dois elementos de surdo-mudo: surda-muda, surdos-mudos, surdas-mudas. f. São invariáveis: azul-marinho, azul-celeste, azul-ferrete, ultravioleta, sem-par e sem-sal. 33 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 ● Raios ultravioleta. ● Histórias sem-sal. FLEXÃO DE GRAU DOS ADJETIVOS Os adjetivos apresentam graus comparativo e superlativo. 1. Grau comparativo: ● de igualdade (tanto/tão... quanto/como/quão) ● As provas do Cespe são tão complexas quanto as da FGV. ● de superioridade (mais (do) que) ● As provas da Cesgranrio são mais fáceis (do) que as da FCC. ● de inferioridade (menos (do) que) ● Os salários da iniciativa privada são menos interessantes do que os do funcionalismo público. Atenção: os adjetivos abaixo, no comparativo de superioridade, devem ser usados na forma sintética: Grau normal Comparativo Grau normal Comparativo BOM MELHOR PEQUENO MENOR MAU PIOR GRANDE MAIOR Água de coco é melhor (do) que chá gelado. Quando se comparam grandezas ou características do mesmo ser, todavia, devem ser usadas as formas analíticas, como em "Marina é mais boa (do) que esperta", ou "aquele sofá é mais grande (do) que confortável". 2. Grau superlativo: a. Absoluto: o superlativo absoluto expressa características dos seres em um grau elevado, sem levar em consideração nenhuma base de comparação. Ele pode ser: ● Absoluto analítico: usa-se um advérbio para intensificar a qualidade atribuída ao substantivo. ● A prova estava muito difícil. ● Você perdeu muito peso. Está demasiadamente magro. ● Absoluto sintético: utiliza-se um sufixo para atribuir ao adjetivo a intensidade desejada. 34 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 C AM IL A G AB R IE LA 0 22 87 19 06 27 ● Ele não tem nada. É paupérrimo. (de pobre) ● A prova estava dificílima. ● Você perdeu muito peso. Está macérrimo. (de magro). b. Relativo: o superlativo relativo intensifica a característica atribuída a um ser levando em consideração todos os demais seres do seu grupo. Pode ser identificado pelo uso das expressões o mais/o menos. ● Relativo de superioridade: o mais ● A magistratura é a mais desejada das carreiras. ● Marcos é o aluno mais inteligente da sala. ● Aquela foi a melhor viagem da minha vida. ● Relativo de inferioridade: ● Ele é o menos inteligente entre nós. ● Aquela ali é a cantora menos talentosa que conheço. de acordo com a norma-padrão da língua, o adjetivo não possui os graus diminutivo e aumentativo. Todavia, podem-se fazer essas flexões na linguagem coloquial. Exemplos: Comprou um carro grandão. (=muito grande, superlativo). Gosto de beber água geladinha. (=muito gelada, superlativo). LOCUÇÕES ADJETIVAS: é um conjunto de palavras que tem a mesma função de um adjetivo. Forma-se a partir da combinação de preposição + substantivo e, muitas vezes, pode ser substituída por um adjetivo