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?(...) o avanço em direção à modernidade globalizada pressupõe acatar tanto as
transformações do papel do Estado como a consequente dinâmica do mercado, realidade
que abrange as mais variadas dimensões da sociedade, movimento ao qual a cultura não
tem como escapar e sequer deve furtar-se, condição mesma do seu compassamento com
as tendências mundialmente mais avançadas. ?
Leis de incentivo à cultura: Lei
Rouanet
NESTA AULA VOCÊ IRÁ COMPREENDER AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA LEI ROUANET, A LEI
FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA QUE MEDIA A CAPTAÇÃO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA A
PRODUÇÃO CULTURAL E/OU EVENTOS CULTURAIS.
AUTOR(A): PROF. TATIANA DE FREITAS LUCHEZI
AUTOR(A): PROF. ANDRE LUIZ BRAUM GALVAO
AUTOR(A): PROF. SILVIA LETICIA LOPES BITTENCOURT
O que são “Leis de incentivo”?
 
As leis de incentivo à cultura permitem à iniciativa privada o subsídio de produções culturais, a partir do
abatimento na contribuição fiscal devido pelas empresas. Foram construídas a partir da visão do estado
como “regulador” destas ações, e não necessariamente um financiador.
Não é por acaso que se desenvolveram no âmbito de um governo neoliberal, como foi o de Fernando
Henrique Cardoso (1995 – 2002) (ARRUDA, OLIVIERI). Além disso, a criação desta forma de incentivo visou
inserir o Brasil em uma dinâmica moderna, de economia global, movimento que ocorre desde fins da década
de 1990, em boa parte do mundo ocidental.
 
Conforme Arruda (2003: 178):
Para os produtores culturais, representa uma importante via de financiamento e viabilização de projetos
diversos.
Para as empresas, uma ótima oportunidade de alcançar novos públicos e construir uma imagem
culturalmente sustentável.
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No Brasil, este tipo de política remonta à década de 1990, com a criação da Lei Mendonça, de âmbito
municipal na cidade de São Paulo, baseada no Imposto Sobre Serviços (ISS).
A Lei Rouanet, foco desta aula, foi criada em 1991.Em 1995, porém, a Lei Rouanet foi reformada, a fim de
contemplar melhor as demandas do setor cultural. Além da alteração na porcentagem do abatimento, a Lei
passou a reconhecer o produtor cultural como figura central na negociação e viabilização de projetos junto
aos investidores privados.
Com a aplicação da Lei, áreas até então distantes da lógica mercantil, como a cultura e o patrimônio
cultural, por exemplo, passaram a utilizar a linguagem do ?marketing empresarial?, a fim de obter aliados e
apoiadores, o que explica o sucesso da fórmula do ?mecenato privado? (ARRUDA, 2003, p.181).
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SAIBA MAIS!
*mecenato é o termo que indica o patrocínio de atividades culturais. Teve origem no período do
Renascimento, entre os séculos XIII e XVI, quando os primeiros mantenedores passaram a
privilegiar seus artistas favoritos, em troca de obras de arte encomendadas.
- A Lei Rouanet: procedimentos para obter o financiamento de projetos culturais.
 
Você já notou que, na divulgação de alguns eventos, é possível ver o slogan: o ?Apoio: Ministério da
Cultura? ou ?Lei de Incentivo à Cultura??
 
A Lei Rouanet (Lei nº 8.313/91), uma das mais importantes neste segmento, é a Lei Federal que instituiu o
Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), com a finalidade de captar e canalizar recursos para o setor
de produção cultural, onde se enquadram os eventos culturais, com os seguintes objetivos:
 
I - Contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos
direitos culturais;
II - Promover e estimular a regionalização da produção cultural e artística brasileira, com valorização de
recursos humanos e conteúdos locais;
III - Apoiar, valorizar e difundir o conjunto das manifestações culturais e seus respectivos criadores;
IV - Proteger as expressões culturais dos grupos formadores da sociedade brasileira e responsáveis pelo
pluralismo da cultura nacional;
V - Salvaguardar a sobrevivência e o florescimento dos modos de criar, fazer e viver da sociedade brasileira;
VI - Preservar os bens materiais e imateriais do patrimônio cultural e histórico brasileiro;
VII - Desenvolver a consciência internacional e o respeito aos valores culturais de outros povos ou nações;
VIII - Estimular a produção e difusão de bens culturais de valor universal, formadores e informadores de
conhecimento, cultura e memória;
IX - Priorizar o produto cultural originário do País.
 
Uma das principais mudanças provocadas no setor de produção cultural, após a implantação da Lei
Rouanet, foi o necessário planejamento com antecedência dos projetos que, porventura, pudessem ser
enquadrados nos parâmetros dispostos pela Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da
Cultura (Sefic/MinC).
 
Uma vez aprovados, os projetos podem solicitar o auxílio a empresas privadas, ou seja: a Lei Rouanet não
fornece os subsídios diretamente ? ela apenas viabiliza a sua consecução, fazendo do Estado um mediador
entre os produtores culturais e as empresas que detém recursos e interesses para patrociná-los.
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Da mesma forma, ter um projeto aprovado na Lei Rouanet não garante a sua execução. O MinC costuma
aprovar uma média de 6000 projetos culturais por ano, de onde apenas 20% deles conseguem algum
patrocínio e são, finalmente, realizados.
O gráfico a seguir mostra a distribuição por área dos projetos aprovados na Lei Rouanet em 2011, quando
foram submetidos 8.582 projetos.
Legenda: GRáFICO DE áREAS COM PROJETOS APROVADOS PELO MINC EM 2011
De acordo com o texto da Lei Rouanet, tanto pessoas físicas quanto jurídicas podem propor projetos.
Assim, definem-se os atores por:
1) O proponente: pessoa física (no limite de 2 projetos por proponente) e pessoa jurídica (no limite de 5
projetos por proponente), pública ou privada, com atuação na área cultural, que proponha programas,
projetos e ações culturais ao Ministério da Cultura (MinC);
- Quem pode tornar-se um proponente?
Profissionais da área cultural = artistas, produtores culturais, técnicos da área cultural. Pessoas jurídicas
públicas, de natureza cultural, da administração indireta (autarquias, fundações culturais).Pessoas jurídicas
privadas de natureza cultural, com ou sem fins lucrativos = empresas, cooperativas, fundações, ONG's,
organizações culturais.
 
2) O incentivador: o contribuinte do Imposto de Renda, sendo pessoa física ou jurídica, que efetua doação
ou patrocínio em favor de programas, projetos e ações culturais aprovados pelo MinC, na forma de: doação:
a transferência definitiva e irreversível de numerário ou bens em favor de proponente. patrocínio: a
transferência definitiva e irreversível de numerário ou serviços, com finalidade promocional, a cobertura de
gastos ou a utilização de bens móveis ou imóveis do patrocinador.
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No ano de 2008, Petrobrás, Vale do Rio Doce, Banco do Brasil, Banco Bradesco e Eletrobrás, estavam entre
os maiores incentivadores.
 
As propostas culturais devem ser apresentadas entre os meses de fevereiro e novembro de cada ano.
Para aplicá-las, o proponente deve cadastrar-se como usuário do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à
Cultura (SalicWeb), disponível no site do MinC (www.cultura.gov.br).
Para os incentivadores, é possível obter abatimento de 4% sobre o imposto de pessoa jurídica, e 6% no caso
de pessoa física.
As propostas são analisadas por pareceristas previamente treinados pelo próprio MinC. Após a aprovação, o
proponente está habilitado para captar recursos de pessoas físicas ou jurídicas, desde que pagadoras de
Imposto de Renda. Finalmente desenvolvidos, os projetos precisam prestar contas sobre o capital investido.
Veja o trâmite completo dos projetossubmetidos no gráfico abaixo:
- Como fazer um projeto?
As leis de incentivo à cultura são comunicadas através de editais, que especificam a forma, o tipo de
conteúdo e os itens obrigatórios dos projetos.
É imprescindível que o edital seja lido e seguido rigorosamente, sob pena dos projetos não serem
protocolados.
Em geral, o projeto irá dividir-se entre:
 
1) pré-produção;
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2) produção;
3) pós-produção.
 
Cada etapa é fundamental para o sucesso da seguinte e, consequentemente, para a feitura e realização de
um bom projeto, independente do tema.
 
Ao escrever o projeto, o foco está na forma e na redação, que deve ser a mais clara possível. Assim, podemos
determinar, de maneira geral, alguns itens importantes:
 
a) Objetivo ? O QUE?- Ao escrever sobre o projeto, o proponente deve definir claramente quais são os
objetivos, ou: o que se pretende atingir ou alcançar, ou quais os resultados desejados. Pode haver uma
divisão de importância entre os objetivos, definindo um objetivo principal (de natureza mais genérica) e
outros objetivos secundários.
 
b) Justificativa ? POR QUE?- Para que o projeto tenha relevância, é necessário que ele tenha uma boa razão
para ser realizado. Justificar um projeto é definir quais foram os motivos da construção de determinada
proposta, além de defender a sua realização, nos moldes em que é apresentada. Só assim será possível à
comissão julgadora emitir um parecer mais justo e confiável.
 
c) Estratégia de ação ? COMO?- É importante que o proponente tenha clareza sobre as etapas de produção,
sendo elas passíveis de serem cumpridas nos prazos estabelecidos e com o nível de qualidade exigido. Um
texto que apresente uma estratégia de ação bem fundamentada e realista tem maiores chances de
aprovação.
 
d) Plano de divulgação: - Neste item, o proponente deverá demonstrar graficamente a forma das peças que
serão usadas para divulgação do projeto (folders, banners, outdoors, cartazes, mídia online etc), bem como
a duração do período de divulgação. Nesta demonstração devem constar, ainda, o formato e a posição das
logomarcas das empresas apoiadoras, além do próprio logo do MinC.
 
e) Orçamento:- É fundamental explicitar os valores para a realização de todas as etapas do projeto. Quanto
mais detalhado for um orçamento, mais eficiente será a distribuição do dinheiro captado. Em geral, os
gastos administrativos podem atingir até 15% do orçamento total, enquanto os gastos com a divulgação, até
20%. Veja abaixo um modelo para a planilha de orçamento:
.
Objeto disponível na plataforma
Informação:
Modelo de planilha orçamentária
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“A empresa, investindo em projetos culturais escolhidos em razão de sua estratégia
empresarial de comunicação, certamente está impulsionando e viabilizando alguma
forma de produção cultural. Entretanto, não está fazendo política cultural, mas sim
política empresarial em ação de comunicação” (Olivieri, 2004,p.59-60)
f) Público:- Uma das principais prerrogativas das leis de acesso à cultura é o aumento do acesso aos bens
culturais, seguindo o que texto do Artigo 216 da constituição de 1988, que define a “cidadania cultural”
como direito garantido pelo estado a todos os cidadãos brasileiros. Assim, especificar no projeto quais serão
as medidas de acessibilidade que visem, também, a uma maior democratização do acesso, é fundamental
para dar visibilidade ao projeto.
g) Outros dados básicos:- Devem constar, ainda, do projeto os números referentes à tiragem, no caso de
exemplares impressos, além do plano para sua distribuição – este valendo inclusive para shows, peças de
teatro e filmes. A data de início e término do projeto deve ser definida previamente, bem como a estimativa
de público.
 
- Lei Rouanet: uma visão crítica
 
Entre as ressalvas à Lei Rouanet está o risco de condicionar projetos culturais às leis de mercado. Bens
culturais considerados lucrativos, com maior potencial de circulação e consumo, encontrariam maior
facilidade de obter o financiamento. Já os projetos culturais que, porventura, não fossem “comerciais” a
este ponto, enfrentariam entraves a sua realização, impostos pela própria forma da política cultural
empreendida pelo estado.
 
Para Olivieri (2004), é fundamental que haja outras formas de obtenção de recursos, como os fundos
públicos para a cultura, que permitam a promoção de projetos culturais fora do limite imposto pelo
marketing empresarial. A autora alerta, ainda, sobre o equívoco do conceito de “política cultural da
empresa”, utilizado para definir que projetos são pertinentes à determinada marca.
 
Segundo ela:
Arruda (2001), por sua vez, aponta outro possível problema: a reprodução de um certo “gosto médio” nos
projetos aprovados (190). Assim, ainda que boa parte dos autores admita o aumento de projetos e eventos
culturais realizados, graças à Lei Rouanet, também consideram que há pouca diversidade nas escolhas.
Para Calabre (2007), “(...) uma política cultural atualizada deve reconhecer a existência da diversidade de
públicos, com as visões e interesses diferenciados que compõem a contemporaneidade. ”
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Legenda: CULTURA POPULAR BRASILEIRA
Segundo Menezes (2013), a Lei Rouanet permitiu um: “(...) investimento de mais de R$ 15 bilhões,
viabilizando mais de 40 mil ações culturais em todos os estados do país. Somente em 2012 foram cerca de
3.500 projetos financiados. Hoje [2013] existem 12 mil projetos em execução”. 
 
O mesmo autor admite, entretanto, que a distribuição dos investimentos é desigual entre os diferentes
estados da federação.
 
Agora você já sabe um pouco mais sobre a Lei Rouanet, uma lei federal de incentivo fiscal que auxilia na
captação de recursos financeiros para produção de eventos culturais.
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ATIVIDADE
Entre as afirmativas abaixo, qual delas é um exemplo de (O) Objetivo e
(J) Justificativa?
I. (              ) O projeto visa atender crianças carentes das áreas periféricas
de São Paulo e Grande São Paulo.
II. (            ) A partir da efetivação deste projeto, estará garantido o
exercício da cidadania cultural plena, em áreas até então esquecidas
pelo poder público.
III. (      ) Além da doação de alimentos, o projeto prevê feiras de adoção
para os animais abandonados, a fim de conciliar a resolução de dois
problemas importantes: o grande número de animais abandonados e a
necessidade de guias caninos para os deficientes visuais em estado de
pobreza.
IV. (        ) Não houve, até este momento, nenhuma iniciativa de mesma
natureza, ou seja, que vise proporcionar o encontro da comunidade
carente da periferia com estes circuitos da cultura erudita, como a
ópera e o ballet clássico.
V. (          ) Além da restauração do prédio histórico, o projeto permitirá
ainda, a reocupação cultural e compartilhada do espaço pelos próprios
moradores.
A.  I-O, II-J, III-J, IV-J, V-J
B. I-J, II-J, III-O, IV-J, V-O
C. I-O, II-O, III-J, IV-O, V-O
D. I-O, II-J, III-O, IV-J, V-O
E. I- J, II-O, IIIJ, IV-O, V-J.
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REFERÊNCIA
ARRUDA, Maria Arminda do Nascimento. A política cultural: regulação estatal e mecenato privado. Tempo
Social USP, Novembro de 2003.
BRASIL, Presidência da República. Casa Civil. LEI Nº 8.313, DE 23 DE DEZEMBRO DE 1991.
MENEZES, Hamilton. Lei Rouanet: 22 anos depois, Novembro de 2013. Disponível em:
http://www.culturaemercado.com.br/pontos-de-vista/lei-rouanet-22-anos-depois/
(http://www.culturaemercado.com.br/pontos-de-vista/lei-rouanet-22-anos-depois/). Acessado em Maio de
2015.
OLIVIERI, Cristiane Garcia. CulturaNeoliberal. Leis de incentivo como política pública de cultura. Escrituras
Editora, 2004, 206 páginas.
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http://www.culturaemercado.com.br/pontos-de-vista/lei-rouanet-22-anos-depois/
http://www.culturaemercado.com.br/pontos-de-vista/lei-rouanet-22-anos-depois/
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