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A IMPORTÂNCIA DA ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PREVENÇÃO DE 
DOENÇAS RESPIRATÓRIAS EM CRIANÇAS NA ATENÇÃO BÁSICA 
Antonia Larice Santos do Nascimento 
Thábata Larissa Agostini dos Santos 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI 
Enfermagem (FLD216452SAU) – TCC I 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
As doenças respiratórias na infância representam um dos maiores desafios de saúde 
pública globalmente. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2023), essas 
enfermidades são responsáveis por uma parcela significativa da morbimortalidade em 
crianças menores de cinco anos, especialmente em países de baixa e média renda. Estima-
se que, anualmente, mais de 800 mil crianças morram em decorrência de infecções 
respiratórias agudas. No Brasil, a situação reflete um cenário igualmente preocupante: 
dados do Departamento de Informática do SUS (DATASUS, 2023) indicam que as doenças 
do aparelho respiratório estão entre as principais causas de internação hospitalar em 
pediatria, com destaque para a pneumonia, a bronquiolite e asma. 
O impacto das doenças respiratórias ultrapassa os limites clínicos, afetando o 
crescimento, o desenvolvimento, o rendimento escolar e a qualidade de vida da criança e 
de sua família. Além disso, tais doenças acarretam sobrecarga aos serviços de saúde, 
aumento de custos hospitalares e consumo elevado de medicamentos. Os fatores associados 
ao surgimento e agravamento desses quadros são múltiplos, incluindo questões ambientais 
(poluição atmosférica, exposição à fumaça de cigarro, aglomeração domiciliar), biológicas 
(imaturidade imunológica da criança), sociais (baixa escolaridade materna, condições 
precárias de moradia e higiene), entre outros. 
 
1.1 OBJETIVO GERAL 
2 
 
Analisar a importância da atuação do enfermeiro na prevenção de doenças 
respiratórias em crianças no âmbito da Atenção Básica, com foco em ações educativas, 
acompanhamento familiar e práticas clínicas preventivas voltadas à redução de morbidades 
respiratórias na infância. 
 
1.2 JUSTIFICATIVA 
 
As doenças respiratórias representam um dos principais agravos à saúde infantil no 
Brasil, figurando entre as causas mais frequentes de atendimento nas unidades básicas de 
saúde e de internação hospitalar. A escolha deste tema foi motivada por experiências 
práticas vivenciadas no contexto dos estágios supervisionados, onde foi possível observar 
o alto número de crianças atendidas com sintomas respiratórios e a recorrência dos mesmos 
quadros, muitas vezes agravados por fatores evitáveis, como baixa adesão ao calendário 
vacinal, condições inadequadas de moradia, exposição à fumaça de cigarro e falta de 
informação por parte dos cuidadores. 
A atuação do enfermeiro no cuidado à criança na Atenção Básica possui papel 
central no enfrentamento dessas situações. Sua presença contínua no território, sua 
formação técnica e seu vínculo com a comunidade possibilitam a aplicação de estratégias 
educativas e preventivas que podem reduzir significativamente os índices de adoecimento 
infantil. Dessa forma, a pesquisa torna-se relevante sob o ponto de vista teórico, por 
contribuir com a produção de conhecimento científico sobre as práticas de Enfermagem na 
saúde da criança, e sob o ponto de vista social, por ressaltar a necessidade de fortalecimento 
das ações preventivas nos serviços de atenção primária. 
A proposta é trazer um olhar crítico e reflexivo sobre como o enfermeiro pode atuar 
de forma eficaz para prevenir doenças respiratórias em crianças, utilizando-se de recursos 
acessíveis, baseados em evidências e adaptados à realidade das famílias atendidas. O tema 
se mostra inovador à medida que valoriza a prática do cuidado ampliado, integrando saber 
técnico e sensibilidade social, fundamentais para transformar a realidade de 
vulnerabilidade vivenciada por muitas crianças brasileiras. 
 
 
3 
 
REFERÊNCIAS 
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Child health. Geneva: WHO, 2023. 
DATASUS. Informações de Saúde (TABNET). Brasília: Ministério da Saúde, 2023. 
Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br 
 
http://tabnet.datasus.gov.br/
1 
 
 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
 
2.1 AS DOENÇAS RESPIRATÓRIAS NA INFÂNCIA: PANORAMA 
EPIDEMIOLÓGICO E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS 
 
As doenças respiratórias acometem com frequência a população pediátrica, sendo 
responsáveis por expressiva carga de adoecimento e mortes evitáveis. Entre os principais 
agravos destacam-se as infecções das vias aéreas superiores — como resfriados, faringites 
e otites — e inferiores — como pneumonia, bronquiolite e asma. De acordo com a 
Organização Mundial da Saúde (2023), aproximadamente 20% das mortes em crianças 
menores de cinco anos são causadas por doenças respiratórias, sobretudo em países com 
baixa cobertura de atenção primária. 
A suscetibilidade das crianças a essas enfermidades está relacionada a fatores 
biológicos, como a imaturidade do sistema imunológico, e fatores ambientais e sociais. 
Segundo Leite et al. (2021), o risco de agravamento respiratório é maior em crianças que 
vivem em ambientes insalubres, com aglomeração, exposição à fumaça de cigarro ou com 
histórico de baixo peso ao nascer. 
 
“Durante os primeiros anos de vida, a criança apresenta maior risco de 
desenvolver infecções respiratórias devido à imaturidade do sistema 
imunológico, vias aéreas mais estreitas e comportamento exploratório, o 
que aumenta o contato com agentes patogênicos” (LEITE et al., 2021, p. 
24). 
 
A pneumonia, por exemplo, é a principal causa de óbitos evitáveis em menores de 
cinco anos e pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória se não for 
diagnosticada e tratada precocemente. Já a bronquiolite, comum em bebês menores de dois 
anos, é responsável por alto número de internações em unidades de pronto atendimento, 
especialmente nos meses de inverno. 
O impacto dessas doenças se reflete não apenas no âmbito clínico, mas também no 
aspecto social, escolar e econômico da vida da criança e de sua família. As repetidas 
ausências escolares, os gastos com medicamentos, as internações prolongadas e a 
2 
 
sobrecarga emocional dos cuidadores são aspectos frequentemente negligenciados no 
debate sobre os agravos respiratórios. 
2.2 DETERMINANTES SOCIAIS E AMBIENTAIS DAS DOENÇAS 
RESPIRATÓRIAS INFANTIS 
 
É amplamente reconhecido que os determinantes sociais da saúde desempenham 
um papel significativo na incidência das doenças respiratórias na infância. Crianças que 
vivem em áreas urbanas densamente povoadas, com esgoto a céu aberto, coleta irregular 
de lixo e presença de poluentes atmosféricos apresentam maior risco de desenvolver 
quadros respiratórios. 
“O ambiente domiciliar da criança exerce influência direta sobre sua 
saúde respiratória, especialmente em comunidades de baixa renda, onde 
há uso de lenha para cozinhar, aglomeração domiciliar, presença de mofo, 
tabagismo e baixa escolaridade materna” (LEITE et al., 2021, p. 25). 
 
Esses fatores interagem com as desigualdades sociais históricas do país, reforçando 
padrões de vulnerabilidade que comprometem o direito à saúde plena. Cabe aos 
profissionais da atenção básica — especialmente ao enfermeiro — reconhecer e atuar 
frente a esses determinantes, promovendo estratégias educativas e intervenções 
direcionadas à realidade das famílias. 
O enfrentamento das doenças respiratórias requer, portanto, uma abordagem 
intersetorial, que envolva ações de saneamento, acesso à educação, políticas habitacionais 
e segurança alimentar. O papel do enfermeiro é estratégico nesse sentido, pois ele atua no 
território, conhece as condições reais da população e pode articular os diferentes serviços 
de forma integrada. 
 
2.3 A IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO NA ATENÇÃO BÁSICA 
 
No contexto do SUS, a prevenção é uma das diretrizes fundamentais da Atenção 
Básica. De acordo com o Ministério da Saúde (2022), as ações preventivas em saúde 
infantil devem começar ainda na gestação,por meio do pré-natal qualificado e do 
planejamento familiar, estendendo-se para os primeiros anos de vida com 
acompanhamento regular do crescimento e desenvolvimento. 
3 
 
O aleitamento materno exclusivo até os seis meses é uma das principais estratégias 
de prevenção das doenças respiratórias, por fornecer os anticorpos necessários à proteção 
imunológica do bebê. Além disso, o calendário vacinal completo protege contra agentes 
infecciosos como o Haemophilus influenzae, o vírus influenza e o vírus sincicial 
respiratório. 
 
“A prevenção é o pilar da Atenção Básica. No que se refere à saúde da 
criança, o acompanhamento regular permite identificar sinais precoces de 
comprometimento respiratório, possibilitando intervenções educativas e 
clínicas eficazes” (BRASIL, 2022, p. 12). 
 
O enfermeiro é o profissional que mais realiza o acompanhamento sistemático das 
crianças nas unidades básicas, o que o coloca em posição estratégica para intervir 
precocemente, evitar hospitalizações e minimizar agravos. Consultas de enfermagem, 
grupos educativos, visitas domiciliares e monitoramento de fatores de risco fazem parte do 
arsenal de ações preventivas possíveis e necessárias. 
 
2.4 A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PROMOÇÃO DA SAÚDE INFANTIL 
 
O enfermeiro, enquanto agente da saúde pública, possui competências que vão 
muito além da execução técnica de procedimentos. Ele é educador, articulador do cuidado, 
gestor de casos e referência para as famílias. Sua prática na Atenção Básica é regida por 
princípios como equidade, integralidade, humanização e participação comunitária. 
Segundo Gomes et al. (2023), o enfermeiro deve estar preparado para atuar de 
forma ativa e integrada, promovendo o protagonismo das famílias no cuidado com a 
criança e incentivando o autocuidado com responsabilidade. A construção de vínculo é 
essencial nesse processo, pois favorece a escuta qualificada, a confiança e a adesão às 
orientações em saúde. 
 
“A Enfermagem tem como missão o cuidado integral. No contexto da 
infância, esse cuidado se expressa pela capacidade de orientar, escutar, 
acolher e prevenir, garantindo que cada criança tenha a oportunidade de 
crescer com saúde e dignidade” (GOMES et al., 2023, p. 8). 
 
4 
 
Além disso, a visita domiciliar é uma das estratégias mais eficazes da Enfermagem 
na Atenção Básica. Por meio dela, é possível avaliar as condições reais de moradia, higiene, 
alimentação e relações familiares, promovendo intervenções mais assertivas e adaptadas à 
realidade de cada criança. 
 
“Durante a visita domiciliar, o enfermeiro observa diretamente o 
ambiente familiar, identifica riscos, orienta os cuidadores e fortalece o 
vínculo com a unidade de saúde. Esta prática é uma das mais potentes 
ferramentas de promoção à saúde infantil” (SILVA; MELO, 2020, p. 49). 
 
Além do cuidado direto, o enfermeiro também atua na gestão dos programas e 
políticas públicas, organizando o fluxo de atendimento, acompanhando os indicadores de 
saúde e planejando ações conforme o diagnóstico situacional do território. Sua visão 
ampliada do processo saúde-doença permite uma atuação crítica e transformadora, que 
ultrapassa os limites da unidade básica e alcança a vida cotidiana das famílias. 
 
2.5 DESAFIOS ATUAIS E PERSPECTIVAS NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS 
RESPIRATÓRIAS 
 
Apesar dos avanços na cobertura da Atenção Básica no Brasil, ainda persistem 
diversos desafios que dificultam a atuação efetiva do enfermeiro na prevenção das doenças 
respiratórias em crianças. Entre eles, destacam-se a escassez de profissionais em áreas 
remotas, a sobrecarga de trabalho, a precariedade de infraestrutura nas unidades de saúde 
e a ausência de materiais educativos adaptados à realidade sociocultural das comunidades 
atendidas. 
Além disso, a desinformação e a resistência de alguns cuidadores em seguir 
orientações profissionais limitam o alcance das estratégias preventivas. Para enfrentar esses 
desafios, é essencial investir na formação continuada dos profissionais de enfermagem, 
bem como em políticas públicas que valorizem e fortaleçam a Atenção Primária à Saúde 
como porta de entrada preferencial do SUS. 
Outro aspecto importante é o uso de tecnologias de informação e comunicação 
como ferramentas de apoio à prática clínica e educativa. Aplicativos de monitoramento, 
mensagens de alerta sobre vacinação, vídeos educativos e prontuários eletrônicos com 
5 
 
alertas de risco podem potencializar a ação do enfermeiro na prevenção das doenças 
respiratórias, sobretudo em áreas de difícil acesso. 
Por fim, é necessário fomentar pesquisas científicas que avaliem a efetividade das 
estratégias de Enfermagem na saúde infantil, contribuindo para o aprimoramento das 
práticas profissionais e a consolidação de uma assistência baseada em evidências. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica: Saúde da Criança – 
Crescimento e Desenvolvimento. Brasília: MS, 2022. Disponível em: 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_crescimento_desenvolvimento
.pdf. Acesso em: 10 mai. 2025. 
 
DATASUS. Informações de Saúde (TABNET). Brasília: Ministério da Saúde, 2023. 
Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br. Acesso em: 10 mai. 2025. 
 
GOMES, T. A.; OLIVEIRA, R. C.; LIMA, F. G. A atuação do enfermeiro na atenção 
primária à saúde da criança. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 76, n. 3, p. 1–9, 2023. 
DOI: . 
 
LEITE, J. R. F.; COSTA, M. M.; PEREIRA, M. S. Doenças respiratórias na infância: 
uma abordagem preventiva na atenção primária. Revista Saúde em Foco, v. 5, n. 1, p. 22–
29, 2021. Disponível em: https://revistasaudeemfoco.com.br/2021-v5-n1-leite. Acesso 
em: 10 mai. 2025. 
 
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Child health. Geneva: WHO, 2023. 
Disponível em: . Acesso em: 10 mai. 2025. 
 
SILVA, L. M.; MELO, D. S. O papel do enfermeiro na prevenção de agravos 
respiratórios em crianças na atenção básica. Revista Ciência e Saúde, v. 4, n. 2, p. 45–52, 
2020. Disponível em: https://revistacienciasaude.com/2020-v4-n2-silva. Acesso em: 10 
mai. 2025. 
 
 
A IMPORTÂNCIA DA ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PREVENÇÃO DE 
DOENÇAS RESPIRATÓRIAS EM CRIANÇAS NA ATENÇÃO BÁSICA 
Antonia Larice Santos do Nascimento 
Thábata Larissa Agostini dos Santos 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI 
Enfermagem (FLD216452SAU) – TCC I 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
As doenças respiratórias na infância representam um dos maiores desafios de saúde 
pública globalmente. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2023), essas 
enfermidades são responsáveis por uma parcela significativa da morbimortalidade em 
crianças menores de cinco anos, especialmente em países de baixa e média renda. Estima-
se que, anualmente, mais de 800 mil crianças morram em decorrência de infecções 
respiratórias agudas. No Brasil, a situação reflete um cenário igualmente preocupante: 
dados do Departamento de Informática do SUS (DATASUS, 2023) indicam que as doenças 
do aparelho respiratório estão entre as principais causas de internação hospitalar em 
pediatria, com destaque para a pneumonia, a bronquiolite e asma. 
O impacto das doenças respiratórias ultrapassa os limites clínicos, afetando o 
crescimento, o desenvolvimento, o rendimento escolar e a qualidade de vida da criança e 
de sua família. Além disso, tais doenças acarretam sobrecarga aos serviços de saúde, 
aumento de custos hospitalares e consumo elevado de medicamentos. Os fatores associados 
ao surgimento e agravamento desses quadros são múltiplos, incluindo questões ambientais 
(poluição atmosférica, exposição à fumaça de cigarro, aglomeração domiciliar), biológicas 
(imaturidade imunológica da criança), sociais (baixa escolaridade materna, condições 
precárias de moradia e higiene), entre outros. 
 
1.1 OBJETIVO GERAL 
2 
 
Analisar a importância da atuação do enfermeiro na prevenção de doenças 
respiratórias em crianças no âmbitoda Atenção Básica, com foco em ações educativas, 
acompanhamento familiar e práticas clínicas preventivas voltadas à redução de morbidades 
respiratórias na infância. 
 
1.2 JUSTIFICATIVA 
 
As doenças respiratórias representam um dos principais agravos à saúde infantil no 
Brasil, figurando entre as causas mais frequentes de atendimento nas unidades básicas de 
saúde e de internação hospitalar. A escolha deste tema foi motivada por experiências 
práticas vivenciadas no contexto dos estágios supervisionados, onde foi possível observar 
o alto número de crianças atendidas com sintomas respiratórios e a recorrência dos mesmos 
quadros, muitas vezes agravados por fatores evitáveis, como baixa adesão ao calendário 
vacinal, condições inadequadas de moradia, exposição à fumaça de cigarro e falta de 
informação por parte dos cuidadores. 
A atuação do enfermeiro no cuidado à criança na Atenção Básica possui papel 
central no enfrentamento dessas situações. Sua presença contínua no território, sua 
formação técnica e seu vínculo com a comunidade possibilitam a aplicação de estratégias 
educativas e preventivas que podem reduzir significativamente os índices de adoecimento 
infantil. Dessa forma, a pesquisa torna-se relevante sob o ponto de vista teórico, por 
contribuir com a produção de conhecimento científico sobre as práticas de Enfermagem na 
saúde da criança, e sob o ponto de vista social, por ressaltar a necessidade de fortalecimento 
das ações preventivas nos serviços de atenção primária. 
A proposta é trazer um olhar crítico e reflexivo sobre como o enfermeiro pode atuar 
de forma eficaz para prevenir doenças respiratórias em crianças, utilizando-se de recursos 
acessíveis, baseados em evidências e adaptados à realidade das famílias atendidas. O tema 
se mostra inovador à medida que valoriza a prática do cuidado ampliado, integrando saber 
técnico e sensibilidade social, fundamentais para transformar a realidade de 
vulnerabilidade vivenciada por muitas crianças brasileiras. 
 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
3 
 
2.1 AS DOENÇAS RESPIRATÓRIAS NA INFÂNCIA: PANORAMA 
EPIDEMIOLÓGICO E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS 
 
As doenças respiratórias acometem com frequência a população pediátrica, sendo 
responsáveis por expressiva carga de adoecimento e mortes evitáveis. Entre os principais 
agravos destacam-se as infecções das vias aéreas superiores — como resfriados, faringites 
e otites — e inferiores — como pneumonia, bronquiolite e asma. De acordo com a 
Organização Mundial da Saúde (2023), aproximadamente 20% das mortes em crianças 
menores de cinco anos são causadas por doenças respiratórias, sobretudo em países com 
baixa cobertura de atenção primária. 
A suscetibilidade das crianças a essas enfermidades está relacionada a fatores 
biológicos, como a imaturidade do sistema imunológico, e fatores ambientais e sociais. 
Segundo Leite et al. (2021), o risco de agravamento respiratório é maior em crianças que 
vivem em ambientes insalubres, com aglomeração, exposição à fumaça de cigarro ou com 
histórico de baixo peso ao nascer. 
 
“Durante os primeiros anos de vida, a criança apresenta maior risco de 
desenvolver infecções respiratórias devido à imaturidade do sistema 
imunológico, vias aéreas mais estreitas e comportamento exploratório, o 
que aumenta o contato com agentes patogênicos” (LEITE et al., 2021, p. 
24). 
 
A pneumonia, por exemplo, é a principal causa de óbitos evitáveis em menores de 
cinco anos e pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória se não for 
diagnosticada e tratada precocemente. Já a bronquiolite, comum em bebês menores de dois 
anos, é responsável por alto número de internações em unidades de pronto atendimento, 
especialmente nos meses de inverno. 
O impacto dessas doenças se reflete não apenas no âmbito clínico, mas também no 
aspecto social, escolar e econômico da vida da criança e de sua família. As repetidas 
ausências escolares, os gastos com medicamentos, as internações prolongadas e a 
sobrecarga emocional dos cuidadores são aspectos frequentemente negligenciados no 
debate sobre os agravos respiratórios. 
4 
 
2.2 DETERMINANTES SOCIAIS E AMBIENTAIS DAS DOENÇAS 
RESPIRATÓRIAS INFANTIS 
 
É amplamente reconhecido que os determinantes sociais da saúde desempenham 
um papel significativo na incidência das doenças respiratórias na infância. Crianças que 
vivem em áreas urbanas densamente povoadas, com esgoto a céu aberto, coleta irregular 
de lixo e presença de poluentes atmosféricos apresentam maior risco de desenvolver 
quadros respiratórios. 
“O ambiente domiciliar da criança exerce influência direta sobre sua 
saúde respiratória, especialmente em comunidades de baixa renda, onde 
há uso de lenha para cozinhar, aglomeração domiciliar, presença de mofo, 
tabagismo e baixa escolaridade materna” (LEITE et al., 2021, p. 25). 
 
Esses fatores interagem com as desigualdades sociais históricas do país, reforçando 
padrões de vulnerabilidade que comprometem o direito à saúde plena. Cabe aos 
profissionais da atenção básica — especialmente ao enfermeiro — reconhecer e atuar 
frente a esses determinantes, promovendo estratégias educativas e intervenções 
direcionadas à realidade das famílias. 
O enfrentamento das doenças respiratórias requer, portanto, uma abordagem 
intersetorial, que envolva ações de saneamento, acesso à educação, políticas habitacionais 
e segurança alimentar. O papel do enfermeiro é estratégico nesse sentido, pois ele atua no 
território, conhece as condições reais da população e pode articular os diferentes serviços 
de forma integrada. 
 
2.3 A IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO NA ATENÇÃO BÁSICA 
 
No contexto do SUS, a prevenção é uma das diretrizes fundamentais da Atenção 
Básica. De acordo com o Ministério da Saúde (2022), as ações preventivas em saúde 
infantil devem começar ainda na gestação, por meio do pré-natal qualificado e do 
planejamento familiar, estendendo-se para os primeiros anos de vida com 
acompanhamento regular do crescimento e desenvolvimento. 
O aleitamento materno exclusivo até os seis meses é uma das principais estratégias 
de prevenção das doenças respiratórias, por fornecer os anticorpos necessários à proteção 
5 
 
imunológica do bebê. Além disso, o calendário vacinal completo protege contra agentes 
infecciosos como o Haemophilus influenzae, o vírus influenza e o vírus sincicial 
respiratório. 
 
“A prevenção é o pilar da Atenção Básica. No que se refere à saúde da 
criança, o acompanhamento regular permite identificar sinais precoces de 
comprometimento respiratório, possibilitando intervenções educativas e 
clínicas eficazes” (BRASIL, 2022, p. 12). 
 
O enfermeiro é o profissional que mais realiza o acompanhamento sistemático das 
crianças nas unidades básicas, o que o coloca em posição estratégica para intervir 
precocemente, evitar hospitalizações e minimizar agravos. Consultas de enfermagem, 
grupos educativos, visitas domiciliares e monitoramento de fatores de risco fazem parte do 
arsenal de ações preventivas possíveis e necessárias. 
 
2.4 A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PROMOÇÃO DA SAÚDE INFANTIL 
 
O enfermeiro, enquanto agente da saúde pública, possui competências que vão 
muito além da execução técnica de procedimentos. Ele é educador, articulador do cuidado, 
gestor de casos e referência para as famílias. Sua prática na Atenção Básica é regida por 
princípios como equidade, integralidade, humanização e participação comunitária. 
Segundo Gomes et al. (2023), o enfermeiro deve estar preparado para atuar de 
forma ativa e integrada, promovendo o protagonismo das famílias no cuidado com a 
criança e incentivando o autocuidado com responsabilidade. A construção de vínculo é 
essencial nesse processo, pois favorece a escuta qualificada, a confiança e a adesão às 
orientações em saúde. 
 
“A Enfermagem tem como missão o cuidado integral. No contexto da 
infância, esse cuidado se expressa pela capacidade deorientar, escutar, 
acolher e prevenir, garantindo que cada criança tenha a oportunidade de 
crescer com saúde e dignidade” (GOMES et al., 2023, p. 8). 
 
Além disso, a visita domiciliar é uma das estratégias mais eficazes da Enfermagem 
na Atenção Básica. Por meio dela, é possível avaliar as condições reais de moradia, higiene, 
6 
 
alimentação e relações familiares, promovendo intervenções mais assertivas e adaptadas à 
realidade de cada criança. 
 
“Durante a visita domiciliar, o enfermeiro observa diretamente o 
ambiente familiar, identifica riscos, orienta os cuidadores e fortalece o 
vínculo com a unidade de saúde. Esta prática é uma das mais potentes 
ferramentas de promoção à saúde infantil” (SILVA; MELO, 2020, p. 49). 
 
Além do cuidado direto, o enfermeiro também atua na gestão dos programas e 
políticas públicas, organizando o fluxo de atendimento, acompanhando os indicadores de 
saúde e planejando ações conforme o diagnóstico situacional do território. Sua visão 
ampliada do processo saúde-doença permite uma atuação crítica e transformadora, que 
ultrapassa os limites da unidade básica e alcança a vida cotidiana das famílias. 
 
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
O presente trabalho teve como objetivo analisar a importância da atuação do 
enfermeiro na prevenção de doenças respiratórias em crianças no âmbito da Atenção 
Básica. A partir da análise teórica desenvolvida ao longo das seções anteriores, torna-se 
evidente que as doenças respiratórias continuam a representar um importante desafio para 
a saúde pública no Brasil, com impacto direto sobre a morbidade e mortalidade infantil, 
além de comprometer o desenvolvimento global da criança. 
Diante desse cenário, a Enfermagem surge como uma profissão estratégica e 
indispensável na linha de frente do cuidado. O enfermeiro, ao atuar de forma sistemática, 
contínua e integral na Atenção Básica, pode não apenas detectar precocemente sinais 
clínicos de agravamento respiratório, mas também implementar ações que contribuam para 
a redução da incidência dessas enfermidades, com ênfase na promoção de práticas 
saudáveis, educação em saúde e fortalecimento do vínculo com a comunidade. 
As ações realizadas pelo enfermeiro na atenção à criança incluem, entre outras, 
consultas de enfermagem, triagem clínica, administração de imunobiológicos, orientação 
às famílias sobre sinais de alerta, alimentação saudável, aleitamento materno, prevenção 
do tabagismo passivo, bem como visitas domiciliares. Cada uma dessas ações, quando 
7 
 
articuladas a uma abordagem humanizada e territorializada, possui um potencial 
transformador. 
É possível afirmar que a efetividade da prática do enfermeiro na prevenção das 
doenças respiratórias está diretamente relacionada à qualidade do vínculo estabelecido com 
as famílias e à capacidade de reconhecer as vulnerabilidades sociais que perpassam o 
processo saúde-doença. Ou seja, o cuidado em Enfermagem vai além do aspecto biológico 
da doença, abrangendo os determinantes sociais, ambientais, culturais e econômicos que 
interferem na saúde das crianças. 
 
“O enfermeiro, quando atua com compromisso ético e visão ampliada, é 
capaz de identificar os fatores de risco ambientais e sociais que 
favorecem o adoecimento da criança, implementando estratégias de 
cuidado que dialoguem com a realidade vivida pelas famílias” (SILVA; 
MELO, 2020, p. 50). 
 
Nesse sentido, cabe ressaltar que o papel do enfermeiro na Atenção Básica é 
também educativo. A realização de atividades de educação em saúde, individual ou 
coletiva, constitui uma estratégia essencial para o empoderamento das famílias e para a 
construção de autonomia no cuidado cotidiano. Através da troca de saberes, da escuta ativa 
e do acolhimento, o profissional de Enfermagem pode contribuir significativamente para a 
mudança de hábitos e comportamentos nocivos à saúde respiratória das crianças. 
A atuação do enfermeiro também se destaca na articulação com outros setores, 
como a educação, a assistência social e o meio ambiente, favorecendo a construção de um 
cuidado intersetorial e resolutivo. Essa articulação é indispensável para enfrentar as 
múltiplas dimensões das doenças respiratórias, que não se limitam à clínica, mas envolvem 
condições de moradia, alimentação, acesso a saneamento básico, educação e trabalho. 
A gestão do cuidado é outra dimensão relevante da prática do enfermeiro. Ao 
organizar as atividades da equipe de saúde da família, acompanhar os indicadores de saúde 
infantil, planejar campanhas e monitorar os casos de internação e reincidência, o 
enfermeiro contribui para a eficiência e qualidade dos serviços de saúde. Essa capacidade 
de liderança técnico-política amplia o alcance de suas ações e favorece a implantação de 
estratégias baseadas em evidências. 
 
8 
 
REFERÊNCIAS 
 
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https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_crescimento_desenvolvimento
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DATASUS. Informações de Saúde (TABNET). Brasília: Ministério da Saúde, 2023. 
Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br. Acesso em: 10 mai. 2025. 
 
GOMES, T. A.; OLIVEIRA, R. C.; LIMA, F. G. A atuação do enfermeiro na atenção 
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DOI: . 
 
LEITE, J. R. F.; COSTA, M. M.; PEREIRA, M. S. Doenças respiratórias na infância: 
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ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Child health. Geneva: WHO, 2023. 
Disponível em: . Acesso em: 10 mai. 2025. 
 
SILVA, L. M.; MELO, D. S. O papel do enfermeiro na prevenção de agravos 
respiratórios em crianças na atenção básica. Revista Ciência e Saúde, v. 4, n. 2, p. 45–52, 
2020. Disponível em: https://revistacienciasaude.com/2020-v4-n2-silva. Acesso em: 10 
mai. 2025. 
 
	2.5 DESAFIOS ATUAIS E PERSPECTIVAS NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS RESPIRATÓRIAS

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