Prévia do material em texto
A IMPORTÂNCIA DA ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS RESPIRATÓRIAS EM CRIANÇAS NA ATENÇÃO BÁSICA Antonia Larice Santos do Nascimento Thábata Larissa Agostini dos Santos Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Enfermagem (FLD216452SAU) – TCC I 1 INTRODUÇÃO As doenças respiratórias na infância representam um dos maiores desafios de saúde pública globalmente. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2023), essas enfermidades são responsáveis por uma parcela significativa da morbimortalidade em crianças menores de cinco anos, especialmente em países de baixa e média renda. Estima- se que, anualmente, mais de 800 mil crianças morram em decorrência de infecções respiratórias agudas. No Brasil, a situação reflete um cenário igualmente preocupante: dados do Departamento de Informática do SUS (DATASUS, 2023) indicam que as doenças do aparelho respiratório estão entre as principais causas de internação hospitalar em pediatria, com destaque para a pneumonia, a bronquiolite e asma. O impacto das doenças respiratórias ultrapassa os limites clínicos, afetando o crescimento, o desenvolvimento, o rendimento escolar e a qualidade de vida da criança e de sua família. Além disso, tais doenças acarretam sobrecarga aos serviços de saúde, aumento de custos hospitalares e consumo elevado de medicamentos. Os fatores associados ao surgimento e agravamento desses quadros são múltiplos, incluindo questões ambientais (poluição atmosférica, exposição à fumaça de cigarro, aglomeração domiciliar), biológicas (imaturidade imunológica da criança), sociais (baixa escolaridade materna, condições precárias de moradia e higiene), entre outros. 1.1 OBJETIVO GERAL 2 Analisar a importância da atuação do enfermeiro na prevenção de doenças respiratórias em crianças no âmbito da Atenção Básica, com foco em ações educativas, acompanhamento familiar e práticas clínicas preventivas voltadas à redução de morbidades respiratórias na infância. 1.2 JUSTIFICATIVA As doenças respiratórias representam um dos principais agravos à saúde infantil no Brasil, figurando entre as causas mais frequentes de atendimento nas unidades básicas de saúde e de internação hospitalar. A escolha deste tema foi motivada por experiências práticas vivenciadas no contexto dos estágios supervisionados, onde foi possível observar o alto número de crianças atendidas com sintomas respiratórios e a recorrência dos mesmos quadros, muitas vezes agravados por fatores evitáveis, como baixa adesão ao calendário vacinal, condições inadequadas de moradia, exposição à fumaça de cigarro e falta de informação por parte dos cuidadores. A atuação do enfermeiro no cuidado à criança na Atenção Básica possui papel central no enfrentamento dessas situações. Sua presença contínua no território, sua formação técnica e seu vínculo com a comunidade possibilitam a aplicação de estratégias educativas e preventivas que podem reduzir significativamente os índices de adoecimento infantil. Dessa forma, a pesquisa torna-se relevante sob o ponto de vista teórico, por contribuir com a produção de conhecimento científico sobre as práticas de Enfermagem na saúde da criança, e sob o ponto de vista social, por ressaltar a necessidade de fortalecimento das ações preventivas nos serviços de atenção primária. A proposta é trazer um olhar crítico e reflexivo sobre como o enfermeiro pode atuar de forma eficaz para prevenir doenças respiratórias em crianças, utilizando-se de recursos acessíveis, baseados em evidências e adaptados à realidade das famílias atendidas. O tema se mostra inovador à medida que valoriza a prática do cuidado ampliado, integrando saber técnico e sensibilidade social, fundamentais para transformar a realidade de vulnerabilidade vivenciada por muitas crianças brasileiras. 3 REFERÊNCIAS ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Child health. Geneva: WHO, 2023. DATASUS. Informações de Saúde (TABNET). Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br http://tabnet.datasus.gov.br/ 1 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 AS DOENÇAS RESPIRATÓRIAS NA INFÂNCIA: PANORAMA EPIDEMIOLÓGICO E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS As doenças respiratórias acometem com frequência a população pediátrica, sendo responsáveis por expressiva carga de adoecimento e mortes evitáveis. Entre os principais agravos destacam-se as infecções das vias aéreas superiores — como resfriados, faringites e otites — e inferiores — como pneumonia, bronquiolite e asma. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2023), aproximadamente 20% das mortes em crianças menores de cinco anos são causadas por doenças respiratórias, sobretudo em países com baixa cobertura de atenção primária. A suscetibilidade das crianças a essas enfermidades está relacionada a fatores biológicos, como a imaturidade do sistema imunológico, e fatores ambientais e sociais. Segundo Leite et al. (2021), o risco de agravamento respiratório é maior em crianças que vivem em ambientes insalubres, com aglomeração, exposição à fumaça de cigarro ou com histórico de baixo peso ao nascer. “Durante os primeiros anos de vida, a criança apresenta maior risco de desenvolver infecções respiratórias devido à imaturidade do sistema imunológico, vias aéreas mais estreitas e comportamento exploratório, o que aumenta o contato com agentes patogênicos” (LEITE et al., 2021, p. 24). A pneumonia, por exemplo, é a principal causa de óbitos evitáveis em menores de cinco anos e pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória se não for diagnosticada e tratada precocemente. Já a bronquiolite, comum em bebês menores de dois anos, é responsável por alto número de internações em unidades de pronto atendimento, especialmente nos meses de inverno. O impacto dessas doenças se reflete não apenas no âmbito clínico, mas também no aspecto social, escolar e econômico da vida da criança e de sua família. As repetidas ausências escolares, os gastos com medicamentos, as internações prolongadas e a 2 sobrecarga emocional dos cuidadores são aspectos frequentemente negligenciados no debate sobre os agravos respiratórios. 2.2 DETERMINANTES SOCIAIS E AMBIENTAIS DAS DOENÇAS RESPIRATÓRIAS INFANTIS É amplamente reconhecido que os determinantes sociais da saúde desempenham um papel significativo na incidência das doenças respiratórias na infância. Crianças que vivem em áreas urbanas densamente povoadas, com esgoto a céu aberto, coleta irregular de lixo e presença de poluentes atmosféricos apresentam maior risco de desenvolver quadros respiratórios. “O ambiente domiciliar da criança exerce influência direta sobre sua saúde respiratória, especialmente em comunidades de baixa renda, onde há uso de lenha para cozinhar, aglomeração domiciliar, presença de mofo, tabagismo e baixa escolaridade materna” (LEITE et al., 2021, p. 25). Esses fatores interagem com as desigualdades sociais históricas do país, reforçando padrões de vulnerabilidade que comprometem o direito à saúde plena. Cabe aos profissionais da atenção básica — especialmente ao enfermeiro — reconhecer e atuar frente a esses determinantes, promovendo estratégias educativas e intervenções direcionadas à realidade das famílias. O enfrentamento das doenças respiratórias requer, portanto, uma abordagem intersetorial, que envolva ações de saneamento, acesso à educação, políticas habitacionais e segurança alimentar. O papel do enfermeiro é estratégico nesse sentido, pois ele atua no território, conhece as condições reais da população e pode articular os diferentes serviços de forma integrada. 2.3 A IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO NA ATENÇÃO BÁSICA No contexto do SUS, a prevenção é uma das diretrizes fundamentais da Atenção Básica. De acordo com o Ministério da Saúde (2022), as ações preventivas em saúde infantil devem começar ainda na gestação,por meio do pré-natal qualificado e do planejamento familiar, estendendo-se para os primeiros anos de vida com acompanhamento regular do crescimento e desenvolvimento. 3 O aleitamento materno exclusivo até os seis meses é uma das principais estratégias de prevenção das doenças respiratórias, por fornecer os anticorpos necessários à proteção imunológica do bebê. Além disso, o calendário vacinal completo protege contra agentes infecciosos como o Haemophilus influenzae, o vírus influenza e o vírus sincicial respiratório. “A prevenção é o pilar da Atenção Básica. No que se refere à saúde da criança, o acompanhamento regular permite identificar sinais precoces de comprometimento respiratório, possibilitando intervenções educativas e clínicas eficazes” (BRASIL, 2022, p. 12). O enfermeiro é o profissional que mais realiza o acompanhamento sistemático das crianças nas unidades básicas, o que o coloca em posição estratégica para intervir precocemente, evitar hospitalizações e minimizar agravos. Consultas de enfermagem, grupos educativos, visitas domiciliares e monitoramento de fatores de risco fazem parte do arsenal de ações preventivas possíveis e necessárias. 2.4 A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PROMOÇÃO DA SAÚDE INFANTIL O enfermeiro, enquanto agente da saúde pública, possui competências que vão muito além da execução técnica de procedimentos. Ele é educador, articulador do cuidado, gestor de casos e referência para as famílias. Sua prática na Atenção Básica é regida por princípios como equidade, integralidade, humanização e participação comunitária. Segundo Gomes et al. (2023), o enfermeiro deve estar preparado para atuar de forma ativa e integrada, promovendo o protagonismo das famílias no cuidado com a criança e incentivando o autocuidado com responsabilidade. A construção de vínculo é essencial nesse processo, pois favorece a escuta qualificada, a confiança e a adesão às orientações em saúde. “A Enfermagem tem como missão o cuidado integral. No contexto da infância, esse cuidado se expressa pela capacidade de orientar, escutar, acolher e prevenir, garantindo que cada criança tenha a oportunidade de crescer com saúde e dignidade” (GOMES et al., 2023, p. 8). 4 Além disso, a visita domiciliar é uma das estratégias mais eficazes da Enfermagem na Atenção Básica. Por meio dela, é possível avaliar as condições reais de moradia, higiene, alimentação e relações familiares, promovendo intervenções mais assertivas e adaptadas à realidade de cada criança. “Durante a visita domiciliar, o enfermeiro observa diretamente o ambiente familiar, identifica riscos, orienta os cuidadores e fortalece o vínculo com a unidade de saúde. Esta prática é uma das mais potentes ferramentas de promoção à saúde infantil” (SILVA; MELO, 2020, p. 49). Além do cuidado direto, o enfermeiro também atua na gestão dos programas e políticas públicas, organizando o fluxo de atendimento, acompanhando os indicadores de saúde e planejando ações conforme o diagnóstico situacional do território. Sua visão ampliada do processo saúde-doença permite uma atuação crítica e transformadora, que ultrapassa os limites da unidade básica e alcança a vida cotidiana das famílias. 2.5 DESAFIOS ATUAIS E PERSPECTIVAS NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS RESPIRATÓRIAS Apesar dos avanços na cobertura da Atenção Básica no Brasil, ainda persistem diversos desafios que dificultam a atuação efetiva do enfermeiro na prevenção das doenças respiratórias em crianças. Entre eles, destacam-se a escassez de profissionais em áreas remotas, a sobrecarga de trabalho, a precariedade de infraestrutura nas unidades de saúde e a ausência de materiais educativos adaptados à realidade sociocultural das comunidades atendidas. Além disso, a desinformação e a resistência de alguns cuidadores em seguir orientações profissionais limitam o alcance das estratégias preventivas. Para enfrentar esses desafios, é essencial investir na formação continuada dos profissionais de enfermagem, bem como em políticas públicas que valorizem e fortaleçam a Atenção Primária à Saúde como porta de entrada preferencial do SUS. Outro aspecto importante é o uso de tecnologias de informação e comunicação como ferramentas de apoio à prática clínica e educativa. Aplicativos de monitoramento, mensagens de alerta sobre vacinação, vídeos educativos e prontuários eletrônicos com 5 alertas de risco podem potencializar a ação do enfermeiro na prevenção das doenças respiratórias, sobretudo em áreas de difícil acesso. Por fim, é necessário fomentar pesquisas científicas que avaliem a efetividade das estratégias de Enfermagem na saúde infantil, contribuindo para o aprimoramento das práticas profissionais e a consolidação de uma assistência baseada em evidências. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica: Saúde da Criança – Crescimento e Desenvolvimento. Brasília: MS, 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_crescimento_desenvolvimento .pdf. Acesso em: 10 mai. 2025. DATASUS. Informações de Saúde (TABNET). Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br. Acesso em: 10 mai. 2025. GOMES, T. A.; OLIVEIRA, R. C.; LIMA, F. G. A atuação do enfermeiro na atenção primária à saúde da criança. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 76, n. 3, p. 1–9, 2023. DOI: . LEITE, J. R. F.; COSTA, M. M.; PEREIRA, M. S. Doenças respiratórias na infância: uma abordagem preventiva na atenção primária. Revista Saúde em Foco, v. 5, n. 1, p. 22– 29, 2021. Disponível em: https://revistasaudeemfoco.com.br/2021-v5-n1-leite. Acesso em: 10 mai. 2025. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Child health. Geneva: WHO, 2023. Disponível em: . Acesso em: 10 mai. 2025. SILVA, L. M.; MELO, D. S. O papel do enfermeiro na prevenção de agravos respiratórios em crianças na atenção básica. Revista Ciência e Saúde, v. 4, n. 2, p. 45–52, 2020. Disponível em: https://revistacienciasaude.com/2020-v4-n2-silva. Acesso em: 10 mai. 2025. A IMPORTÂNCIA DA ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS RESPIRATÓRIAS EM CRIANÇAS NA ATENÇÃO BÁSICA Antonia Larice Santos do Nascimento Thábata Larissa Agostini dos Santos Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Enfermagem (FLD216452SAU) – TCC I 1 INTRODUÇÃO As doenças respiratórias na infância representam um dos maiores desafios de saúde pública globalmente. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2023), essas enfermidades são responsáveis por uma parcela significativa da morbimortalidade em crianças menores de cinco anos, especialmente em países de baixa e média renda. Estima- se que, anualmente, mais de 800 mil crianças morram em decorrência de infecções respiratórias agudas. No Brasil, a situação reflete um cenário igualmente preocupante: dados do Departamento de Informática do SUS (DATASUS, 2023) indicam que as doenças do aparelho respiratório estão entre as principais causas de internação hospitalar em pediatria, com destaque para a pneumonia, a bronquiolite e asma. O impacto das doenças respiratórias ultrapassa os limites clínicos, afetando o crescimento, o desenvolvimento, o rendimento escolar e a qualidade de vida da criança e de sua família. Além disso, tais doenças acarretam sobrecarga aos serviços de saúde, aumento de custos hospitalares e consumo elevado de medicamentos. Os fatores associados ao surgimento e agravamento desses quadros são múltiplos, incluindo questões ambientais (poluição atmosférica, exposição à fumaça de cigarro, aglomeração domiciliar), biológicas (imaturidade imunológica da criança), sociais (baixa escolaridade materna, condições precárias de moradia e higiene), entre outros. 1.1 OBJETIVO GERAL 2 Analisar a importância da atuação do enfermeiro na prevenção de doenças respiratórias em crianças no âmbitoda Atenção Básica, com foco em ações educativas, acompanhamento familiar e práticas clínicas preventivas voltadas à redução de morbidades respiratórias na infância. 1.2 JUSTIFICATIVA As doenças respiratórias representam um dos principais agravos à saúde infantil no Brasil, figurando entre as causas mais frequentes de atendimento nas unidades básicas de saúde e de internação hospitalar. A escolha deste tema foi motivada por experiências práticas vivenciadas no contexto dos estágios supervisionados, onde foi possível observar o alto número de crianças atendidas com sintomas respiratórios e a recorrência dos mesmos quadros, muitas vezes agravados por fatores evitáveis, como baixa adesão ao calendário vacinal, condições inadequadas de moradia, exposição à fumaça de cigarro e falta de informação por parte dos cuidadores. A atuação do enfermeiro no cuidado à criança na Atenção Básica possui papel central no enfrentamento dessas situações. Sua presença contínua no território, sua formação técnica e seu vínculo com a comunidade possibilitam a aplicação de estratégias educativas e preventivas que podem reduzir significativamente os índices de adoecimento infantil. Dessa forma, a pesquisa torna-se relevante sob o ponto de vista teórico, por contribuir com a produção de conhecimento científico sobre as práticas de Enfermagem na saúde da criança, e sob o ponto de vista social, por ressaltar a necessidade de fortalecimento das ações preventivas nos serviços de atenção primária. A proposta é trazer um olhar crítico e reflexivo sobre como o enfermeiro pode atuar de forma eficaz para prevenir doenças respiratórias em crianças, utilizando-se de recursos acessíveis, baseados em evidências e adaptados à realidade das famílias atendidas. O tema se mostra inovador à medida que valoriza a prática do cuidado ampliado, integrando saber técnico e sensibilidade social, fundamentais para transformar a realidade de vulnerabilidade vivenciada por muitas crianças brasileiras. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3 2.1 AS DOENÇAS RESPIRATÓRIAS NA INFÂNCIA: PANORAMA EPIDEMIOLÓGICO E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS As doenças respiratórias acometem com frequência a população pediátrica, sendo responsáveis por expressiva carga de adoecimento e mortes evitáveis. Entre os principais agravos destacam-se as infecções das vias aéreas superiores — como resfriados, faringites e otites — e inferiores — como pneumonia, bronquiolite e asma. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2023), aproximadamente 20% das mortes em crianças menores de cinco anos são causadas por doenças respiratórias, sobretudo em países com baixa cobertura de atenção primária. A suscetibilidade das crianças a essas enfermidades está relacionada a fatores biológicos, como a imaturidade do sistema imunológico, e fatores ambientais e sociais. Segundo Leite et al. (2021), o risco de agravamento respiratório é maior em crianças que vivem em ambientes insalubres, com aglomeração, exposição à fumaça de cigarro ou com histórico de baixo peso ao nascer. “Durante os primeiros anos de vida, a criança apresenta maior risco de desenvolver infecções respiratórias devido à imaturidade do sistema imunológico, vias aéreas mais estreitas e comportamento exploratório, o que aumenta o contato com agentes patogênicos” (LEITE et al., 2021, p. 24). A pneumonia, por exemplo, é a principal causa de óbitos evitáveis em menores de cinco anos e pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória se não for diagnosticada e tratada precocemente. Já a bronquiolite, comum em bebês menores de dois anos, é responsável por alto número de internações em unidades de pronto atendimento, especialmente nos meses de inverno. O impacto dessas doenças se reflete não apenas no âmbito clínico, mas também no aspecto social, escolar e econômico da vida da criança e de sua família. As repetidas ausências escolares, os gastos com medicamentos, as internações prolongadas e a sobrecarga emocional dos cuidadores são aspectos frequentemente negligenciados no debate sobre os agravos respiratórios. 4 2.2 DETERMINANTES SOCIAIS E AMBIENTAIS DAS DOENÇAS RESPIRATÓRIAS INFANTIS É amplamente reconhecido que os determinantes sociais da saúde desempenham um papel significativo na incidência das doenças respiratórias na infância. Crianças que vivem em áreas urbanas densamente povoadas, com esgoto a céu aberto, coleta irregular de lixo e presença de poluentes atmosféricos apresentam maior risco de desenvolver quadros respiratórios. “O ambiente domiciliar da criança exerce influência direta sobre sua saúde respiratória, especialmente em comunidades de baixa renda, onde há uso de lenha para cozinhar, aglomeração domiciliar, presença de mofo, tabagismo e baixa escolaridade materna” (LEITE et al., 2021, p. 25). Esses fatores interagem com as desigualdades sociais históricas do país, reforçando padrões de vulnerabilidade que comprometem o direito à saúde plena. Cabe aos profissionais da atenção básica — especialmente ao enfermeiro — reconhecer e atuar frente a esses determinantes, promovendo estratégias educativas e intervenções direcionadas à realidade das famílias. O enfrentamento das doenças respiratórias requer, portanto, uma abordagem intersetorial, que envolva ações de saneamento, acesso à educação, políticas habitacionais e segurança alimentar. O papel do enfermeiro é estratégico nesse sentido, pois ele atua no território, conhece as condições reais da população e pode articular os diferentes serviços de forma integrada. 2.3 A IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO NA ATENÇÃO BÁSICA No contexto do SUS, a prevenção é uma das diretrizes fundamentais da Atenção Básica. De acordo com o Ministério da Saúde (2022), as ações preventivas em saúde infantil devem começar ainda na gestação, por meio do pré-natal qualificado e do planejamento familiar, estendendo-se para os primeiros anos de vida com acompanhamento regular do crescimento e desenvolvimento. O aleitamento materno exclusivo até os seis meses é uma das principais estratégias de prevenção das doenças respiratórias, por fornecer os anticorpos necessários à proteção 5 imunológica do bebê. Além disso, o calendário vacinal completo protege contra agentes infecciosos como o Haemophilus influenzae, o vírus influenza e o vírus sincicial respiratório. “A prevenção é o pilar da Atenção Básica. No que se refere à saúde da criança, o acompanhamento regular permite identificar sinais precoces de comprometimento respiratório, possibilitando intervenções educativas e clínicas eficazes” (BRASIL, 2022, p. 12). O enfermeiro é o profissional que mais realiza o acompanhamento sistemático das crianças nas unidades básicas, o que o coloca em posição estratégica para intervir precocemente, evitar hospitalizações e minimizar agravos. Consultas de enfermagem, grupos educativos, visitas domiciliares e monitoramento de fatores de risco fazem parte do arsenal de ações preventivas possíveis e necessárias. 2.4 A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PROMOÇÃO DA SAÚDE INFANTIL O enfermeiro, enquanto agente da saúde pública, possui competências que vão muito além da execução técnica de procedimentos. Ele é educador, articulador do cuidado, gestor de casos e referência para as famílias. Sua prática na Atenção Básica é regida por princípios como equidade, integralidade, humanização e participação comunitária. Segundo Gomes et al. (2023), o enfermeiro deve estar preparado para atuar de forma ativa e integrada, promovendo o protagonismo das famílias no cuidado com a criança e incentivando o autocuidado com responsabilidade. A construção de vínculo é essencial nesse processo, pois favorece a escuta qualificada, a confiança e a adesão às orientações em saúde. “A Enfermagem tem como missão o cuidado integral. No contexto da infância, esse cuidado se expressa pela capacidade deorientar, escutar, acolher e prevenir, garantindo que cada criança tenha a oportunidade de crescer com saúde e dignidade” (GOMES et al., 2023, p. 8). Além disso, a visita domiciliar é uma das estratégias mais eficazes da Enfermagem na Atenção Básica. Por meio dela, é possível avaliar as condições reais de moradia, higiene, 6 alimentação e relações familiares, promovendo intervenções mais assertivas e adaptadas à realidade de cada criança. “Durante a visita domiciliar, o enfermeiro observa diretamente o ambiente familiar, identifica riscos, orienta os cuidadores e fortalece o vínculo com a unidade de saúde. Esta prática é uma das mais potentes ferramentas de promoção à saúde infantil” (SILVA; MELO, 2020, p. 49). Além do cuidado direto, o enfermeiro também atua na gestão dos programas e políticas públicas, organizando o fluxo de atendimento, acompanhando os indicadores de saúde e planejando ações conforme o diagnóstico situacional do território. Sua visão ampliada do processo saúde-doença permite uma atuação crítica e transformadora, que ultrapassa os limites da unidade básica e alcança a vida cotidiana das famílias. 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho teve como objetivo analisar a importância da atuação do enfermeiro na prevenção de doenças respiratórias em crianças no âmbito da Atenção Básica. A partir da análise teórica desenvolvida ao longo das seções anteriores, torna-se evidente que as doenças respiratórias continuam a representar um importante desafio para a saúde pública no Brasil, com impacto direto sobre a morbidade e mortalidade infantil, além de comprometer o desenvolvimento global da criança. Diante desse cenário, a Enfermagem surge como uma profissão estratégica e indispensável na linha de frente do cuidado. O enfermeiro, ao atuar de forma sistemática, contínua e integral na Atenção Básica, pode não apenas detectar precocemente sinais clínicos de agravamento respiratório, mas também implementar ações que contribuam para a redução da incidência dessas enfermidades, com ênfase na promoção de práticas saudáveis, educação em saúde e fortalecimento do vínculo com a comunidade. As ações realizadas pelo enfermeiro na atenção à criança incluem, entre outras, consultas de enfermagem, triagem clínica, administração de imunobiológicos, orientação às famílias sobre sinais de alerta, alimentação saudável, aleitamento materno, prevenção do tabagismo passivo, bem como visitas domiciliares. Cada uma dessas ações, quando 7 articuladas a uma abordagem humanizada e territorializada, possui um potencial transformador. É possível afirmar que a efetividade da prática do enfermeiro na prevenção das doenças respiratórias está diretamente relacionada à qualidade do vínculo estabelecido com as famílias e à capacidade de reconhecer as vulnerabilidades sociais que perpassam o processo saúde-doença. Ou seja, o cuidado em Enfermagem vai além do aspecto biológico da doença, abrangendo os determinantes sociais, ambientais, culturais e econômicos que interferem na saúde das crianças. “O enfermeiro, quando atua com compromisso ético e visão ampliada, é capaz de identificar os fatores de risco ambientais e sociais que favorecem o adoecimento da criança, implementando estratégias de cuidado que dialoguem com a realidade vivida pelas famílias” (SILVA; MELO, 2020, p. 50). Nesse sentido, cabe ressaltar que o papel do enfermeiro na Atenção Básica é também educativo. A realização de atividades de educação em saúde, individual ou coletiva, constitui uma estratégia essencial para o empoderamento das famílias e para a construção de autonomia no cuidado cotidiano. Através da troca de saberes, da escuta ativa e do acolhimento, o profissional de Enfermagem pode contribuir significativamente para a mudança de hábitos e comportamentos nocivos à saúde respiratória das crianças. A atuação do enfermeiro também se destaca na articulação com outros setores, como a educação, a assistência social e o meio ambiente, favorecendo a construção de um cuidado intersetorial e resolutivo. Essa articulação é indispensável para enfrentar as múltiplas dimensões das doenças respiratórias, que não se limitam à clínica, mas envolvem condições de moradia, alimentação, acesso a saneamento básico, educação e trabalho. A gestão do cuidado é outra dimensão relevante da prática do enfermeiro. Ao organizar as atividades da equipe de saúde da família, acompanhar os indicadores de saúde infantil, planejar campanhas e monitorar os casos de internação e reincidência, o enfermeiro contribui para a eficiência e qualidade dos serviços de saúde. Essa capacidade de liderança técnico-política amplia o alcance de suas ações e favorece a implantação de estratégias baseadas em evidências. 8 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica: Saúde da Criança – Crescimento e Desenvolvimento. Brasília: MS, 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_crescimento_desenvolvimento .pdf. Acesso em: 10 mai. 2025. DATASUS. Informações de Saúde (TABNET). Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br. Acesso em: 10 mai. 2025. GOMES, T. A.; OLIVEIRA, R. C.; LIMA, F. G. A atuação do enfermeiro na atenção primária à saúde da criança. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 76, n. 3, p. 1–9, 2023. DOI: . LEITE, J. R. F.; COSTA, M. M.; PEREIRA, M. S. Doenças respiratórias na infância: uma abordagem preventiva na atenção primária. Revista Saúde em Foco, v. 5, n. 1, p. 22– 29, 2021. Disponível em: https://revistasaudeemfoco.com.br/2021-v5-n1-leite. Acesso em: 10 mai. 2025. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Child health. Geneva: WHO, 2023. Disponível em: . Acesso em: 10 mai. 2025. SILVA, L. M.; MELO, D. S. O papel do enfermeiro na prevenção de agravos respiratórios em crianças na atenção básica. Revista Ciência e Saúde, v. 4, n. 2, p. 45–52, 2020. Disponível em: https://revistacienciasaude.com/2020-v4-n2-silva. Acesso em: 10 mai. 2025. 2.5 DESAFIOS ATUAIS E PERSPECTIVAS NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS RESPIRATÓRIAS