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Simulado de Governança Corporativa Simulado Njg1NDkwNzUzNTMxNzQ4Nzg2MDc1 Realizado em 01/06/2025 10:35 Aluno(a) 1ª) A respeito da História da Governança Corporativa, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta. I. A origem dos debates sobre Governança Corporativa remete a conflitos inerentes à propriedade dispersa e à divergência entre os interesses dos sócios, executivos e o melhor interesse da empresa. II. A governança corporativa (GC) surgiu a partir de uma ação reflexiva em torno da ética, a qual versa sobre a discussão acerca das relações entre o mundo corporativo e a sociedade, entre as empresas de uma mesma cadeia de negócios e, dentro das companhias, entre os acionistas, os conselhos e a direção executiva. III. A origem da Governança Corporativa coincide com a necessidade de profissionalização da gestão dos negócios, decorrente dos processos de dispersão do capital e de separação entre propriedade e gestão. Apenas I e II estão corretas. Apenas III está correta. Todas estão corretas. Apenas I e III estão corretas. Apenas I está correta. 2ª) Analise as seguintes proposições e assinale a alternativa correta. I. Governança corporativa é um tema multifacetado, principalmente pela natureza e pela extensão da responsabilidade de indivíduos específicos na organização. II. A Governança Corporativa é um conjunto de elementos que têm um objetivo em comum, e que se relacionam entre si, de forma dinâmica. Refere-se ao sistema aplicado por uma determinada empresa ou organização na execução de suas tarefas. III. A boa Governança Corporativa contribui para um desenvolvimento econômico sustentável, proporcionando melhorias no desempenho das empresas. Apenas I e III estão corretas. Apenas II está correta. Todas estão corretas. Apenas I e II estão corretas. Apenas III está correta. 3ª) O princípio de Equidade na Governança Corporativa está relacionado: Ao tratamento justo e isonômico de todos os sócios e as partes interessadas (stakeholders) sempre tendo como premissa e levando em consideração os direitos, deveres, necessidades seus interesses e expectativas. Disponibilidade para as partes interessadas de informações do interesse e não apenas as que são disponibilizados por leis e regulamentos. Prestar contas de suas atuações sempre de modo claro, conciso e assumindo integralmente as consequências de atos e possíveis omissões, tendo uma atuação com diligência e responsabilidade no papel desenvolvido. Zelar pela situação econômico-financeira da organização; reduzir e mitigar tudo que pode ser negativo ao negócio e suas operações. Aumentar o que for positivo, sempre levando em consideração os diversos capitais (financeiro, manufatura, intelectual, relações humanas, sócio ambiental e reputação). 4ª) Pode ser considerado uma característica de boa Governança Corporativa: Transparência Participação Responsabilidade Eficiência Todas as alternativas estão corretas. 5ª) Leias as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta. I. Em cada país, as melhores práticas de Governança Corporativa são instituídas de acordo com o seu ambiente social, econômico, corporativo e regulatório. II. Há duas grandes categorias, que abrigam os principais modelos adotados pelo mundo – Outsider System e Insider System. III. O modelo brasileiro de Governança Corporativa se aproxima mais do Insider System. Apenas I e III estão corretas. Apenas II está correta. I, II e III estão corretas. Apenas I está correta. Apenas III está correta. 6ª) Entre as características do Sistema de Governança Anglo-Saxão inclui: Acionistas pulverizados e tipicamente fora do comando diário das operações da companhia; Estrutura de propriedade mais concentrada; Frequente o controle familiar nas grandes companhias, bem como a presença do Estado como acionista relevante. Baixo ativismo e menor porte dos investidores institucionais; Reconhecimento mais explícito e sistemático de outros stakeholders não-financeiros, principalmente funcionários (orientado para as partes interessadas. 7ª) Entende-se por Governança Corporativa: É o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas. É uma combinação de esforços individuais que tem por finalidade realizar propósitos coletivos. É um mecanismo de distribuição de valores mobiliários, que tem o objetivo de gerar liquidez aos títulos emitidos pelas empresas e viabilizar o seu processo de capitalização. É a área da ciência responsável por gerir os recursos humanos e materiais da empresa para extrair o maior valor de cada um dele. Nenhuma das anteriores. 8ª) Com relação à adoção e à abrangência de valores e princípios éticos na Governança Corporativa, existem quatro estágios, de acordo com o Instituto Ethos. Dessa forma, assinale a alternativa correta: O estágio 2 refere-se aos valores da organização que estão documentados em uma carta de princípios, disseminados e incorporados aos processos de trabalho e aas atitudes e comportamentos das pessoas; O estágio 3 refere-se aos valores da organização que existem de maneira formal, mas estão pouco incorporados aos processos de trabalho e às atitudes e comportamentos das pessoas. O estágio 1 cita o Código de Ética da organização que prevê a participação de empregados, de parceiros ou da comunidade em sua revisão, além de ser submetido a controles e auditorias periodicamente. O estágio 4 cita que a organização possui um Código de Ética e tem programa de orientação e treinamento para os empregados de todos os níveis hierárquicos, para garantir que os valores e princípios estejam incorporados aos processos de trabalho e as atitudes e comportamentos das pessoas. Nenhuma das alternativas estão corretas. 9ª) Entre as principais ferramentas da Governança Corporativa, que asseguram o controle da propriedade sobre a gestão, inclui: I. Conselho de Administração II. Conselho Fiscal III. Auditoria Independente Apenas I e III estão corretas. I, II e III estão corretas. Apenas I está correta. Apenas II e III estão corretas. Apenas II está correta. 10ª) Analise as seguintes assertivas e assinale a alternativa correta. I. A Governança Corporativa vem com intuito de auxiliar na tomada de decisões estratégicas, ou seja, de basear em valores. II. As principais práticas de Governança Corporativa possuem as seguintes implementações: Estabelecer Hierarquia transparente; Realizar reuniões pontuais por projetos e registra-la e o Conselho Consultivo. III. Empresas com Governança Corporativa possuem mais credibilidade junto aos seus investidores por trazer maior transparência. Apenas I e II estão corretas. Apenas I, II e III estão corretas. Apenas II está correta. Apenas I está correta. Apenas II e III estão corretas. governança Corporativa EDIÇÃO Nº 1 – 2017 Natália Aparecida da Silva Catalogação elaborada por Glaucy dos Santos Silva - CRB8/6353 Governança corporativa Coordenação geral Nelson Boni Professor responsável Natália Aparecida da Silva Coordenação de projetos pedagógicos Leandro Lousada Produção executiva Hikaro Queiroz Projeto gráfico e diagramação Larissa Cardim Capa Larissa Cardim Imagem da capa Shutterstock Coordenação de diagramação Larissa Cardim Coordenação de revisão ortográfica Julia Kusminsky SUMÁRIO unidade • 1 • CAPÍTULO 1 8 • CAPÍTULO 2 14 • CAPITULO 3 18 • CAPÍTULO 4 22 unidade • 2 • CAPÍTULO 5 26 • CAPÍTULO 6 30 • CAPITULO 7 36 • CAPÍTULO 8 41 unidade • 3 unidade • 4 • CAPÍTULO 9 46 • CAPÍTULO 10 50 • CAPITULO 11 62 • CAPÍTULO 12 65 • CAPÍTULO 13 70 • CAPÍTULO 14 109 • CAPITULO 15 122 • CAPÍTULO 16 128 unidade 1 8organizacional cen- trada nos valores e princípios da organização e propor- cionar um ambiente em que as pessoas possam expres- sar pensamentos dissonantes e discutir dilemas éticos. O conselho de administração deve estabelecer formas de monitorar, permanentemente, se as decisões e ações empresariais, estão alinhadas aos seus princí- pios e valores. Em caso de desvios, deve propor as me- didas corretivas e, em última instância, punitivas, previs- tas no código de conduta. O conselho de administração deve buscar que cada parte interessada receba benefício apropriado e proporcional ao vínculo que possui com a organização e 72 ao risco a que está exposta. Para cumprir sua missão, o conselho de adminis- tração deve: • Discutir, formatar, definir claramente o propósito, os princípios e valores da organização e zelar por eles; • Preservar, reforçar ou, caso necessário, promover transformações na cultura e na identidade da or- ganização; • Dar o direcionamento estratégico, monitorar e apoiar a diretoria na implementação das ações estratégicas; • Estimular a reflexão estratégica constante e man- ter-se atento às mudanças no ambiente de negó- cios, buscando garantir a capacidade de adapta- ção da organização; • Fortalecer continuamente as competências orga- nizacionais, adicionar novas que sejam necessá- rias para enfrentar desafios estratégicos ou então reformulá-las para adaptar a organização às mu- danças externas; • Selecionar o diretor-presidente e aprovar a no- meação dos demais membros da diretoria; • Planejar o processo sucessório dos conselheiros, do diretor-presidente e da diretoria; • Aprovar políticas e diretrizes que afetam a organi- zação como um todo; • Definir a política de remuneração e incentivos da 73 Governança Corporativa diretoria como um todo, os objetivos e as metas do diretor-presidente, e avaliar seu desempenho; • Participar, junto com ele, na definição de objeti- vos, metas e avaliação dos membros da diretoria; • Garantir que a diretoria desenvolva uma política de atração, desenvolvimento e retenção de talen- tos que sejam alinhados às necessidades estraté- gicas da organização; • Monitorar o desempenho financeiro e operacional e a atuação da diretoria; • Assegurar que a gestão identifique, mitigue e mo- nitore os riscos da organização, bem como a inte- gridade do sistema de controles internos; • Garantir que os temas de sustentabilidade este- jam vinculados às escolhas estratégicas, aos pro- cessos decisórios, aos impactos na cadeia de va- lor e aos relatórios periódicos; • Permanentemente atento às externalidades gera- das pela atuação da organização, bem como ouvir (e se assegurar de que a diretoria e os demais colaboradores também o fazem) atentamente as partes interessadas para adequar a atuação da empresa; • Assegurar a busca e implementação de tecnolo- gias e processos inovadores que mantenham a organização competitiva, atualizada às práticas de mercado e de governança; 74 • Participar da decisão de projetos de investimento de capital que tenham impacto relevante no valor da organização; • Aprovar fusões e aquisições; • Assegurar que as demonstrações financeiras ex- pressem com fidelidade e clareza a situação eco- nômica, financeira e patrimonial da organização; • Escolher e avaliar a empresa de auditoria inde- pendente; • Revisar periodicamente as práticas de governan- ça da organização. Para que o interesse da organização sempre pre- valeça, o conselho deve prevenir e administrar situações de conflitos de interesses, administrar divergências de opiniões e prestar conta aos sócios. Deve solicitar todas as informações necessárias ao cumprimento de suas funções, inclusive a especialis- tas externos. Por outro lado, não deve interferir em as- suntos operacionais. Como deve ser a composição do conselho de admi- nistração O conselho de administração é um órgão colegiado, cujo desempenho depende do respeito e da compreensão das características de cada um de seus membros, sem que isso implique ausência de debates de ideias. 75 Governança Corporativa A diversidade de perfis é fundamental, pois permi- te que a organização se beneficie da pluralidade de ar- gumentos e de um processo de tomada de decisão com maior qualidade e segurança. O conselho de administração deve ser composto tendo em vista a diversidade de conhecimentos, expe- riências, comportamentos, aspectos culturais, faixa etá- ria e de gênero. Ele deve garantir que a diretoria estabeleça e di- vulgue políticas que propiciem igualdade de oportunida- des para o acesso de mulheres a posições de alta lide- rança na organização. O processo de seleção dos conselheiros deve ser aderente aos princípios e valores da organização, à es- tratégia, ao estágio de maturidade e às expectativas em relação à atuação esperada do conselho. O processo de seleção pode contar com a participação de terceiros in- dependentes. O próprio conselho, quando do processo de reno- vação de seu mandato, deve, com antecedência, definir o perfil, divulgar a qualificação desejável e a expectativa em relação aos candidatos, visando apoiar os sócios na escolha e eleição de seus membros. Entre as características e competências requeri- das pelos conselheiros estão: • Alinhamento e comprometimento com os prin- cípios, valores da organização e seu código 76 de conduta; • Visão estratégica; • Disposição para defender seu ponto de vista a partir de julgamento próprio; • Capacidade de comunicação; • Disponibilidade de tempo; • Capacidade de trabalho em equipe; • Conhecimento das melhores práticas de gover- nança corporativa; • Capacidade de interpretar relatórios gerenciais, contábeis e financeiros e não financeiros; • Conhecimento sobre a legislação societária e de regulação; • Conhecimentos sobre gerenciamento de riscos. O conselheiro deve estar isento de conflito de inte- resse fundamental (não administrável, não pontual ou si- tuacional, que seja, ou espera-se que seja, permanente) e constantemente atento aos assuntos da organização. Deve dispor de capacidade de atuar proativamen- te, visando tomar decisões informadas e conscientes, além de entender que seus deveres e responsabilidades são abrangentes e não restritos às reuniões do conselho. Preenchidos esses requisitos, a idade torna-se um fator de peso relativo. A efetiva contribuição do con- selheiro para o conselho, a organização e os sócios é o que deve prevalecer. 77 Governança Corporativa Recomenda-se um número ímpar de conselheiros, entre cinco e onze. Esse número pode variar conforme o setor de atuação, porte, complexidade das atividades, estágio do ciclo de vida da organização e necessidade de criação de comitês. Todos os conselheiros, uma vez eleitos, têm res- ponsabilidade para com a organização, independente- mente do sócio, grupo acionário, administrador ou parte interessada que o tenha indicado para o cargo. Os conselheiros devem atuar de forma técnica, com isenção emocional, financeira e sem a influência de quaisquer relacionamentos pessoais ou profissionais. Os conselheiros devem criar e preservar valor para a organização como um todo, observados os as- pectos legais e éticos envolvidos. O conselho deve esgotar todos os meios dispo- níveis para avaliar a independência dos conselheiros. Em última instância, cabe a cada conselheiro refletir sistematicamente sobre sua capacidade de fazer um julgamento independente diante dos temas examina- dos no conselho. Caso o conselheiro esteja conflitado em determi- nada situação, deve abster-se de participar da discussão e da decisão sobre aquele tema. A eventual orientação de voto no âmbito de um acordo entre os sócios não exime o conselheiro de votar sempre no interesse da organização, de acordo com o 78 exercício de seu dever de lealdade. O conselheiro deve examinar criticamente a orien- tação de voto do sócio e somente deve segui-la caso atenda aos interesses da organização.Se o conselheiro identificar pressões indevidas ou sentir-se constrangido e não for possível manter sua autonomia, ele deve, no limite, renunciar ao cargo, sem prejuízo a eventual formulação de denúncia à assem- bleia geral e/ou ao órgão regulador. Os conselheiros não devem atuar como consultores ou assessores remunera- dos da organização. Podem ser identificadas três classes de con- selheiros: • Internos: conselheiros que ocupam posição de diretores ou que são empregados da organização; • Externos: conselheiros sem vínculo atual comer- cial, empregatício ou de direção com a organiza- ção, mas que não são independentes, tais como ex-diretores e ex-empregados, advogados e con- sultores que prestam serviços à empresa, sócios ou empregados do grupo controlador, de sua con- trolada direta, controladas ou do mesmo grupo econômico e seus parentes próximos e gestores de fundos com participação relevante; • Independentes: conselheiros externos que não possuem relações familiares, de negócio, ou de qualquer outro tipo com sócios com participação 79 Governança Corporativa relevante, grupos controladores, executivos, pres- tadores de serviços ou entidades sem fins lucra- tivos que influenciem ou possam influenciar, de forma significativa, seus julgamentos, opiniões, decisões ou comprometer suas ações no melhor interesse da organização. O papel dos conselheiros independentes é espe- cialmente importante em companhias com capital disper- so, sem controle definido, em que o papel predominante da diretoria deve ser contrabalançado. Para promover a independência no julgamento de todos os conselheiros e a integridade do sistema de gover- nança, a indicação de conselheiros internos para compor o conselho deve ser evitada. O conselho deve contar apenas com conselheiros externos e independentes. Os independentes devem ocupar participação re- levante em relação ao número total de conselheiros. Conforme todos demais membros, quando houver empregado eleito para compor o conselho, o indicado deve atuar na defesa dos interesses da organização, na forma da lei, e possuir a qualificação necessária para o desempenho de suas atribuições. O conselho deve divulgar quem são os conse- lheiros independentes e indicar e justificar quaisquer cir- cunstâncias que possam comprometer sua independên- cia, tais como: 80 • Ter atuado como administrador ou empregado da organização, de sócio com participação relevante ou de grupo de controle, de auditoria independen- te que audite ou tenha auditado a organização, ou, ainda, de entidade sem fins lucrativos que re- ceba recursos financeiros significativos da organi- zação ou de suas partes relacionadas; • Ter atuado, seja diretamente ou como sócio, acio- nista, conselheiro ou diretor, em um parceiro co- mercial relevante da organização; Possuir laços familiares próximos ou relações pessoais significativas com sócios, conselheiros ou di- retores da organização; ou ter cumprido um número excessivo de mandatos consecutivos como conselhei- ro na organização. O eventual comprometimento de sua independên- cia em determinado momento não impedirá um profissio- nal de, futuramente, voltar a apresentar a condição de conselheiro independente. Para que essa condição seja recuperada, é preci- so avaliar a efetiva mudança dos aspectos que anterior- mente comprometeram a independência do conselheiro. Os conselheiros independentes devem assumir maior protagonismo nas discussões, caso haja acúmulo dos cargos de diretor-presidente e presidente do conse- lho de administração. 81 Governança Corporativa Se os cargos de presidente do conselho e de diretor -presidente forem exercidos pela mesma pessoa e, tran- sitoriamente, não for possível a segregação das funções ou exista grau de parentesco, recomenda-se que um dos conselheiros independentes assuma a responsabilidade de liderar discussões que envolvam conflitos para os pa- peis de diretor-presidente e presidente do conselho. Um prazo de mandato propicia que, expirado esse tempo, reflita-se sobre as contribuições do conselheiro e os perfis desejáveis para composição do conselho. A reeleição pode ser desejável para construir um conselho experiente e produtivo, desde que vinculada aos resulta- dos da avaliação. O período do mandato do conselheiro não deve ultrapassar dois anos. Deve-se permitir a reeleição para construir um conselho experiente e produtivo, desde que não seja automática. Todos os conselheiros devem ser eleitos na mesma assembleia geral. Organizações do terceiro setor podem adotar a renovação parcial ou es- calonada de seus conselheiros. A renovação de mandato deve levar em conside- ração os resultados da avaliação anual e a manutenção da independência do conselheiro mesmo após longo tempo de permanência no conselho. Os critérios para a renovação devem estar ex- pressos no estatuto/contrato social ou no regimento in- terno do conselho. Para evitar a vitaliciedade, o estatuto/ 82 contrato social pode fixar um número máximo de anos de exercício contínuo no conselho. A participação do conselheiro vai além da pre- sença nas reuniões do conselho e da leitura da docu- mentação prévia. Ao assumir a posição de conselheiro de administração, o indicado deve observar os deveres fiduciários previstos em lei de diligência, de informar e de lealdade com a organização. Ele deve ter em mente, ainda, a responsabilidade assumida com as partes interessadas de se comprome- ter, se preparar e participar ativamente das reuniões. O conselheiro deve considerar os compromissos pessoais e profissionais em que já está envolvido e avaliar se poderá dedicar o tempo necessário a cada atividade. Deve informar à organização as demais ativida- des e cargos, conselhos e comitês que integra, especial- mente cargos de presidência de conselho ou executivo de primeiro escalão em outra organização. Essa informação deve ser disponibilizada às par- tes interessadas, para que o conselho e a assembleia geral façam a mesma avaliação sobre sua disponibilida- de de tempo. O conselheiro e a organização devem considerar, na avaliação, a disponibilidade de tempo do profissional para dedicar-se à função. O regimento interno do conselho deve estabelecer o número máximo de outros conselhos, comitês e/ou cargos 83 Governança Corporativa executivos que poderão ser ocupados por seus conselhei- ros, levando em consideração a complexidade da organiza- ção e a necessidade de dedicação para o cargo. O presidente do conselho tem a responsabilidade de buscar a eficácia e o bom desempenho do órgão e de cada um de seus membros. A coordenação do presidente aliada à diversifica- ção na composição do conselho, ao treinamento contínuo e à avaliação são ferramentas que podem contribuir para uma dinâmica agregadora no conselho de administração. Cabe ao presidente do conselho de administração: • Estabelecer objetivos e programas do conselho; • Assegurar-se de que os conselheiros recebam in- formações completas e tempestivas para o exer- cício dos seus mandatos; • Organizar e coordenar a agenda; • Presidir as reuniões; • Coordenar e supervisionar as atividades dos de- mais conselheiros; • Atribuir responsabilidades e prazos; • Monitorar o processo de avaliação do conselho; • Relacionar-se com o principal executivo, inclusi- ve para transmitir as deliberações do conselho de administração. O estatuto/contrato social ou o regimento interno do 84 conselho de administração pode prever que o vice-presi- dente, caso exista, substitua o presidente. Alternativamente, em caso de ausência do presi- dente do conselho, ele deve indicar algum conselheiro para substituí-lo. Para que não haja concentração de poder e prejuízo ao dever de supervisão do conselho em relação à diretoria, o acúmulo das funções de presidente e diretor-presidente por uma mesma pessoa deve ser evitado. O diretor-presi- dente não deve ser membro do conselho de administração, mas deve participar das reuniõescomo convidado. As responsabilidades dos conselheiros são indele- gáveis, portanto, a existência de conselheiros suplentes deve ser evitada. Com a existência de calendário anual de reuniões acordado entre os conselheiros e tecnologias que per- mitem reuniões não presenciais, os conselheiros devem participar de todas as reuniões, eliminando a necessida- de de suplentes. No caso de vacância, o cargo de conselheiro ficará vago até a realização da próxima assembleia. A avaliação do conselho e dos conselheiros contribui para que o conselho seja efetivo, faz parte da prestação de contas do órgão, e permite o aperfeiçoamento da gover- nança da organização. Para realizar uma avaliação efetiva do conselho, os conselheiros devem estar comprometidos em identificar os 85 Governança Corporativa pontos fortes e os de melhoria de cada conselheiro, indivi- dualmente, e do conselho, como órgão colegiado. Cabe ao conselho divulgar informações sobre o processo de avaliação e a síntese dos principais pontos identificados para melhoria do órgão e as ações correti- vas implementadas, para que os sócios e demais partes interessadas entendam adequadamente sua atuação. O estatuto/contrato social deve prever o número específico tolerado de ausências nas reuniões antes que o conselheiro seja destituído do cargo. A avaliação do conselho pode ser realizada exclu- sivamente pelos conselheiros ou contar com a participa- ção de executivos, outras partes interessadas e/ou com a facilitação de uma assessoria externa. O conselho e os conselheiros devem fazer uma auto-avaliação (respectivamente, como órgão e como membros) e também avaliar todos os órgãos subordina- dos ao conselho. Em estágios mais avançados de ma- turidade, pode ser realizada uma avaliação do conselho pelos executivos. O escopo da avaliação do conselho deve incluir: • O próprio conselho, como órgão colegiado; • Os comitês, caso existentes; • O presidente do conselho; • Os conselheiros, individualmente; • Secretaria de governança, caso existente. 86 Dentre os critérios de avaliação do conselho, de- vem ser incluídos suas atribuições, sua estrutura e seus processos de funcionamento. Assim como o próprio con- selho, seu processo de avaliação evolui conforme o ama- durecimento do sistema de governança da organização. A avaliação do diretor-presidente e da diretoria ob- jetiva permitir a revisão e análise da contribuição do grupo de executivos da organização, a fim de que sejam alcan- çados os objetivos estratégicos estabelecidos pelo conse- lho de administração. Compete ao conselho de administração: • Definir metas de desempenho, financeiras e não financeiras (incluindo aspectos sociais, ambien- tais e de governança), alinhadas com os valores e o propósito, para o diretor-presidente no início do exercício; • Realizar, anualmente, a avaliação formal do dire- tor-presidente; • Aprovar e monitorar o programa de desenvolvi- mento individual do diretor-presidente; • Tomar ciência, analisar e aprovar os resultados da avaliação dos diretores realizada pelo diretor -presidente, no que se refere tanto às metas acor- dadas quanto a outros elementos subjetivos da avaliação, e deliberar sobre a proposição do dire- tor-presidente no que diz respeito à permanência ou não dos executivos nos respectivos cargos. 87 Governança Corporativa Na avaliação do diretor-presidente e da diretoria executiva, o conselho poderá contar com o auxílio do co- mitê de pessoas, se houver. A elaboração de plano de sucessão tem por obje- tivo assegurar que, na eventual substituição de executi- vos, a gestão disponha de profissionais para contratação e/ou promoção, cuja experiência profissional e compe- tências contribuam para a continuidade do bom desem- penho da organização. O planejamento da sucessão é fundamental para mitigar riscos, garantir a continuidade da gestão e pre- servar valor da organização. O conselho de administração deve, periodicamen- te, reavaliar o perfil dos principais cargos de liderança, levando em conta os desafios indicados no seu plane- jamento estratégico. Ele poderá contar com o auxílio do comitê de pessoas, se houver. O conselho de administração deve manter atua- lizado um plano de sucessão do diretor-presidente. A liderança do planejamento de sucessão é de respon- sabilidade do presidente do conselho, que deve, ain- da, assegurar-se de que o diretor-presidente possui um plano de sucessão atualizado para todas as pes- soas-chave da organização. O diretor-presidente deve aproximar o conselho de administração dos executivos da organização, para que sejam avaliados os possíveis candidatos à sua sucessão. 88 Programas de integração auxiliam os conselheiros a se familiarizarem mais rapidamente com a cultura, as pes- soas e o ambiente de negócios da organização. Todos os conselheiros devem passar por um progra- ma de integração, em que: • Recebam as informações necessárias para o exercício de suas funções; sejam apresentados às pessoas-chave da organização; • Tenham oportunidade de conhecer os principais ne- gócios, atividades e instalações da organização. O conselheiro de administração deve preocupar- se permanentemente com sua capacidade em efetiva- mente governar a organização, conhecendo a dinâmica da indústria, a geração de valor da empresa e as mudan- ças em curso no ambiente de negócios. É importante que ele busque aprimoramento constante das suas competências para aperfeiçoar seu desempenho e atuar com enfoque de longo prazo no melhor interesse da organização. A liderança do processo de educação continuada dos conselheiros de administração é de responsabilida- de do presidente do conselho. Os conselheiros devem participar de programas de atualização, congressos, fei- ras setoriais e outros eventos que possam potencializar sua capacidade de contribuição para a organização. As organizações devem ser devidamente informa- 89 Governança Corporativa das sobre eventual ou potencial conflito de interesses oriun- dos da atuação dos conselheiros em outras empresas, seja como conselheiro, membro de comitê ou executivo. Ao tomar posse, o conselheiro deve assinar o ter- mo e a declaração de desimpedimento, incluindo ausên- cia de conflito de interesses. Deve informar os demais membros do conselho sobre quaisquer outros conselhos (de administração, fiscal e/ou consultivo) dos quais faça parte, bem como eventuais consultorias que realize, independentemen- te da natureza da organização. Se houver mudança na ocupação principal do conselheiro, cabe a ele informar ao conselho. Caso o conselho identifique conflito de interesses de algum de seus membros, os demais conselheiros de- vem avaliar a conveniência da continuidade desse mem- bro e submeter o assunto à assembleia geral. Tais informações, juntamente com aquelas re- lativas à atividade principal do conselheiro, devem ser divulgadas e ficar disponíveis nos relatórios periódicos com qualidade informativa e outros meios de comuni- cação da organização. Os conselheiros devem ser adequadamente re- munerados, considerando as condições de mercado, as qualificações, o valor gerado à organização e os riscos da atividade. A remuneração apropriada favorece o ali- nhamento de objetivos e evita conflitos de interesse. 90 As organizações devem ter um procedimento for- mal e transparente de aprovação, pela assembleia geral, da remuneração dos conselheiros. Remuneração por participação em reunião deve ser evitada. Recomenda-se uma remuneração fixa men- sal igual para todos os conselheiros. Em função de suas responsabilidades e maior dedicação de tempo, o presidente do conselho pode re- ceber uma remuneração adicional, mas não excessiva- mente superior àquela dos demais conselheiros. Da mesma forma, a participação em comitês pode jus- tificar a remuneração adicional dos membros do conselho. A remuneração do conselho deve ser diferente (incentivos, métricas e prazos) daquela adotada para a diretoria, em função da naturezae de papeis distintos desses órgãos na organização. Caso a organização utilize remuneração variável para os conselheiros, não deve atrelá-la a resultados de curto prazo. Esse plano deve ser vinculado a objetivos estratégicos de médio e longo prazos, focados na gera- ção de valor econômico de longo prazo, e a organização deve tomar cuidados no sentido de evitar o estímulo a conflitos de interesses. Se houver previsão de remuneração variável para os conselheiros, seus critérios e detalhes devem ser divulgados seguindo as mesmas recomendações de transparência previstas para a divulgação da remu- 91 Governança Corporativa neração da diretoria. A remuneração anual dos conselheiros deve ser divulgada individualmente. Caso não o seja, deve ser divulgada agregada por órgão social ou comitê com in- dicação da remuneração máxima, mínima e da média recebida pelos membros do órgão social. Ambas as formas de divulgação devem destacar, separadamente, a remuneração recebida pelos conse- lheiros que sejam sócios controladores ou por pessoas a eles vinculadas, bem como devem discriminar todo tipo de remuneração e benefícios. A organização beneficia-se de uma atuação in- dependente e informada do conselho de administração, que poderá necessitar de assessoria de terceiros e, por- tanto, deverá dispor de volume de recursos financeiros para este fim. O plano de contas da organização deve contem- plar uma rubrica específica para o conselho, aprovada pelos sócios. Quando necessário, o conselho deve po- der consultar profissionais externos (ex.: advogados, au- ditores, especialistas em tributação, recursos humanos), pagos pela organização, para receber subsídios adequa- dos em matérias relevantes. Despesas necessárias para o comparecimento do conselheiro às reuniões devem ser cobertas pela organização. São itens que podem constar no orçamento do 92 conselho, dentre outros: • Remuneração dos membros do conselho e dos comitês; • Deslocamento, hospedagem e alimentação, quando as reuniões ou visitas ocorrerem fora do domicílio do conselheiro; • Despesas de treinamento e desenvolvimento; • Despesas da secretaria de governança e eventos do conselho de administração; • Seguro de responsabilidade civil dos administra- dores verbas para eventuais consultorias especia- lizadas e honorários de profissionais externos; • Viagens para representação da organização. O conselho consultivo, com a presença de mem- bros internos e de independentes, pode ser um primeiro passo dado por empresas fechadas para fomentar a ado- ção das melhores práticas de governança corporativa. É uma alternativa transitória ao conselho de ad- ministração, sobretudo para organizações em estágio inicial de adoção de boas práticas de governança cor- porativa. O conselho consultivo difere do conselho de administração por não ter poder decisório, nem inte- grar a administração. Ele não é deliberativo, apenas aconselha e pro- põe recomendações que podem ou não ser aceitas pe- los administradores. 93 Governança Corporativa Caso esteja previsto no estatuto/contrato social e/ ou atue de forma deliberativa, estará atuando como um conselho de administração e assumirá os corresponden- tes deveres e responsabilidades legais. Independentemente de sua previsão no estatuto/ contrato social, o papel, a composição, as responsabili- dades e o âmbito de atuação dos conselheiros consulti- vos devem ser bem definidos. A atuação do conselho consultivo deve ser pauta- da pelas mesmas práticas previstas para o conselho de administração. Ele tem por objetivo disciplinar o funcionamento do conselho de administração, a fim de proporcionar que sua atuação esteja em consonância com os preceitos de- finidos pelo estatuto/contrato social. Serve como instru- mento de formalização dos processos de funcionamento do órgão e contribui para o fortalecimento das práticas de governança. As atividades do conselho de administração e dos comitês devem ser normatizadas em um regimento inter- no que torne claras as responsabilidades, atribuições e regras de funcionamento de cada um dos órgãos, bem como as medidas a serem adotadas em situações de conflito de interesse. Companhias abertas devem arquivar o regimen- to interno do conselho e de seus comitês na CVM e na bolsa de valores em que os títulos de sua emissão esti- 94 verem listados e tornar esses regimentos disponíveis em seu website. Demais organizações devem manter o regimento interno do conselho e de seus comitês disponível aos sócios e administradores na sede da organização e for- necê-lo mediante solicitação destes. Comitês são órgãos, estatutários ou não, de asses- soramento ao conselho de administração. Sua existência não implica na delegação das responsabilidades que com- petem ao conselho de administração como um todo. Os comitês não têm poder de deliberação, e suas recomendações não vinculam as deliberações do conse- lho de administração. Comitês específicos podem exercer diversas ativi- dades de competência do conselho que demandam um tempo nem sempre disponível nas reuniões desse órgão social. Os Comitês estudam os assuntos de sua compe- tência e preparam propostas para o conselho. Dentre os comitês que podem ser criados, des- tacam-se: • Auditoria; • Finanças; • Pessoas; • Riscos; • Sustentabilidade. 95 Governança Corporativa Para assuntos pontuais de apoio ao conselho de administração, podem ser criados grupos de traba- lho ou comissões, e não necessariamente comitês. O número e a natureza dos comitês devem observar o porte da organização. Uma quantidade excessiva de comitês pode gerar interferências inadequadas na diretoria. O regimento interno do conselho deve orientar a formação e a coordenação dos comitês e prever que a composição deles inclua conselheiros com competên- cias e habilidades adequadas ao objeto do comitê. O escopo e a necessidade da existência de cada comitê devem ser reavaliados periodicamente, de forma a assegurar que todos tenham um papel efetivo. O material preparado pelos comitês para exame do conselho deve ser fornecido com antecedência adequada para análise, juntamente com a recomendação de voto. Esse material deve incluir a ata de reunião dos comitês, bem como todos os materiais relevantes (ex.: parecer emitido por consultores, advogados e outros es- pecialistas) para a formulação da recomendação para o conselho. Todos os membros dos comitês devem ter acesso às mesmas informações. Em linha com o processo de avaliação do conselho, os comitês devem ser avaliados anualmente. Os membros dos comitês devem ter conhecimento, experiência e independência de atuação sobre o tema. 96 Cada comitê deve ter um coordenador que, prefe- rencialmente, não exerça essa função em outros comitês. Os comitês do conselho devem, de preferência, ser formados apenas por conselheiros. Caso não seja possível, devem ser compostos de forma que um conse- lheiro seja o coordenador, e a maioria de seus membros também seja formada por conselheiros. Caso não haja, dentre os membros do comitê, um especialista no tema a ser analisado, o comitê deve po- der convidar especialistas externos, a fim de melhor de- sempenhar suas funções. Cada comitê deve ser composto de, no mínimo, três membros, todos com conhecimentos sobre o tópico em questão, e deve contar com, ao menos, um especia- lista em seus respectivos temas. Os comitês não devem ter, na sua composição, executivos da organização. A participação deles nas reu- niões deve ocorrer a convite dos membros do comitê, para prestar esclarecimentos sobre determinado tema. O conselho de administração deve preparar uma descrição formal das qualificações, do empenho e do compromisso de tempo de espera dos comitês. A organização deve divulgar a lista com os inte- grantes de cada comitê e sua qualificação. Cada comitê deve adotar um regimento inter- no próprio, que estabeleça sua estrutura, composição, atividades, responsabilidades e escopode atuação. O 97 Governança Corporativa regimento interno dos comitês deve ser aprovado pelo conselho de administração. O mandato dos membros dos comitês deve seguir o mandato dos membros do conselho de administração. O estatuto ou o regimento interno podem prever um nú- mero máximo de comitês em que o conselheiro participe. A existência de um comitê de auditoria é uma boa prática para todo e qualquer tipo de organização, independentemente de seu estágio do ciclo de vida, no entanto, não exime o conselho de administração da res- ponsabilidade plena sobre os assuntos tratados pelo co- mitê, uma vez que este é órgão de apoio ao conselho. Na ausência do comitê de auditoria, o próprio con- selho de administração deve desempenhar as funções que seriam do comitê. O comitê de auditoria não se confunde com o con- selho fiscal. Enquanto o comitê de auditoria é um órgão de assessoramento do conselho de administração, o conselho fiscal tem como objetivo fiscalizar os atos da administração. Assim, a existência do comitê de auditoria não ex- clui a possibilidade da instalação do conselho fiscal. Recomenda-se que a existência e as atribuições do comitê de auditoria estejam previstas no estatuto/ contrato social. Deve ser formado, preferencialmente, apenas por conselheiros e que o coordenador seja um conselheiro independente. 98 Caso isso não seja possível, o comitê deve ser composto de forma que um conselheiro seja o coor- denador e a maioria de seus membros também sejam conselheiros. Pelo menos um dos membros do comitê de au- ditoria deve ter experiência comprovada em assuntos contábeis, controles internos, informações e operações financeiras, e auditoria independente. O comitê de auditoria deve reunir-se com frequência adequada para as características da organização e dispor de um orçamento próprio, aprovado pelo conselho, para contratar consultores para assuntos jurídicos, contábeis ou outros temas, quando julgar a opinião de um especialista necessária para a realização de suas atividades. Para aprimorar o funcionamento do sistema de go- vernança, o conselho de administração pode contar com uma secretaria de governança para apoiá-lo no exercício de suas atividades. A função da secretaria de governança deve ser exercida por órgão ou profissional com reporte direto ao conselho. Caso seja acumulada por algum diretor, ele deve reportar-se ao diretor-presidente em relação aos assuntos da gestão e ao presidente do conselho, em re- lação aos assuntos da secretaria. As atividades do profissional responsável pela se- cretaria de governança devem ser definidas de acordo com as características da organização e a complexidade 99 Governança Corporativa do seu sistema de governança. Incluem-se dentre as atribuições da secretaria de governança: • Apoiar os processos de governança da organiza- ção e manter os membros do conselho de admi- nistração, do conselho fiscal e dos comitês atua- lizados em relação às melhores práticas, bem como propor o seu constante aprimoramento; • Apoiar os membros do conselho de administração, do conselho fiscal e dos comitês no desempenho de suas funções, assisti-los em sua integração na organização e nas atividades de educação; • Auxiliar o presidente do conselho de administra- ção na definição dos temas relevantes a serem in- cluídos na agenda das reuniões e na convocação da assembleia geral; • Encaminhar a agenda e o material de apoio às reuniões do conselho e interagir com os membros da diretoria, a fim de assegurar a qualidade e a tempestividade das informações; • Elaborar, lavrar em livro próprio, registrar e publi- car nos órgãos competentes as atas de reunião do conselho e da assembleia geral, na forma da legislação aplicável; • Administrar o portal de governança da organiza- ção (se existente) e zelar por sua atualização, pela segurança e fluxo das informações, e as- 100 segurar a equidade e o acesso permanente de seus usuários. As solicitações de inclusão ou exclusão de itens na agenda ou a convocação de reuniões do conselho, por par- te dos conselheiros ou do diretor-presidente, devem ser en- caminhadas, por escrito, à secretaria de governança. Ela deve submeter as propostas recebidas ao pre- sidente do conselho e informar aos conselheiros ou ao diretor-presidente, conforme o caso, a sua decisão. A estruturação e a organização das atividades do conselho são fundamentais para garantir sua efetivida- de. A eficácia das reuniões do conselho depende de um conjunto de ações que tem por finalidade favorecer a participação efetiva de seus membros, elevar o nível das discussões e contribuir para um processo mais adequa- do e efetivo de tomada decisões. Da mesma forma, a preparação dos conselheiros depende da qualidade dos materiais, de sua distribuição tempestiva e da preparação prévia dos conselheiros. O presidente do conselho deve propor um calendá- rio anual com as datas das reuniões ordinárias, além de convocar reuniões extraordinárias, sempre que necessário. A periodicidade das reuniões ordinárias deve ga- rantir a efetividade do conselho. Deve-se evitar frequên- cia superior à mensal, sob o risco de o conselho vir a interferir indevidamente na gestão da organização, de 101 Governança Corporativa competência da diretoria executiva. Além de um calendário anual com as datas das reuniões ordinárias, o presidente do conselho deve, com o apoio da secretaria de governança, propor uma agenda anual temática com assuntos relevantes e da- tas de discussão. Na definição da agenda das reuniões, o presiden- te do conselho deve consultar os demais conselheiros e o diretor-presidente. A criação de um calendário anual e de uma agen- da temática possibilita que o conselho atue proativamen- te e examine temas estratégicos com profundidade, e que a gestão se prepare com antecedência. Deve ser alocado na agenda tempo adequado para discussão de cada tema, inclusive com relação a itens pendentes, além dos itens para deliberação, a des- crição dos itens previamente aprovados, relatório de pro- gresso, as datas previstas para conclusão, bem como quaisquer outros aspectos relevantes. A secretaria de governança ou, na sua ausência, o responsável definido pelo conselho de administração, deve garantir que os conselheiros recebam os materiais com, no mínimo, sete dias de antecedência. A documentação deve ser clara e em quantidade adequada. As propostas para deliberação devem ser de- vidamente fundamentadas pela diretoria e examinadas pelos conselheiros. A diretoria executiva deve, previa- 102 mente à reunião, esclarecer eventuais dúvidas. Os conselheiros devem poder identificar, com cla- reza e objetividade, o assunto a ser deliberado e even- tuais pontos de atenção. Como regra geral, o material de cada tema para deliberação do conselho deve ser prece- dido de um sumário, bem como de uma recomendação de voto elaborada e fundamentada pela diretoria. Os conselheiros devem ter acesso aos documen- tos societários pertinentes para a deliberação, tais como estatuto/contrato social, atas de reuniões anteriores do conselho e de assembleias gerais, manifestações de co- mitês ou do conselho fiscal. Os administradores e conselheiros fiscais da or- ganização devem estar disponíveis para comparecer e esclarecer os assuntos que serão o objeto de delibera- ção pelo conselho. As reuniões ordinárias do conselho devem ser presenciais. A participação por tele ou videoconferência deve ser prevista no estatuto/contrato social e ocorrer apenas excepcionalmente. Em todos os casos, os con- selheiros devem ter cuidado especial com a segurança das informações. Ao presidente do conselho cabe zelar pelo bom andamento das reuniões, pelo cumprimento da agenda, pela alocação do tempo e incentivar a participação efe- tiva de todos conselheiros. O uso de aparelhos de co- municação durante as reuniões ou conversas paralelas 103 Governança Corporativa devem ser evitados. Os conselheirosdevem dedicar atenção integral à reunião, manifestar objetivamente seus pontos de vista e ouvir atentamente a opinião de seus pares. Cada delibe- ração concluída deve ser resumida e confirmada pelos demais conselheiros, os quais, durante as reuniões, de- vem priorizar os assuntos estratégicos da agenda. É comum em um grupo a ocorrência de comporta- mentos que reduzem a efetividade do colegiado. Portanto, cada conselheiro deve avaliar, objetiva- mente, seu comportamento individual e a dinâmica en- tre os participantes durante as reuniões de conselho, no sentido de contribuir para um ambiente maduro e cons- trutivo, que favoreça a tomada de decisões. Incluem-se dentre tais comportamentos o “pensamento de grupo”, predominância exagerada de um membro, omissões, despreparo, pressões indevidas, manipulação, precon- ceitos, desconfianças entre participantes e a dissemina- ção de visões muito otimistas ou pessimistas. Além de possuir experiência e conhecimento téc- nico adequados, o conselheiro deve conhecer a si pró- prio, ou seja, suas motivações, seus sentimentos, pontos fortes e fracos e crenças. Deve reavaliar constantemen- te sua conduta e sua contribuição durante os encontros com demais conselheiros e diretores. Executivos, assessores, técnicos, auditores inde- pendentes e consultores podem ter sua presença requi- 104 sitada nas reuniões do conselho de administração, para prestar informações, expor suas atividades ou apresen- tar opiniões sobre assuntos de sua especialidade. Os convidados não devem estar presentes no momento da deliberação, permanecendo na reunião somente durante o período em que sua participação for necessária ou o conselho julgar conveniente. A ata deve registrar o horário de entrada e saída dos convidados. As reuniões do conselho devem prever regular- mente sessões para conselheiros externos e indepen- dentes sem a presença dos executivos e demais convi- dados, para alinhamento dos conselheiros e discussão de temas que possam criar constrangimento. As atas de reunião do conselho devem ser redi- gidas com clareza, registrar as decisões tomadas, as pessoas presentes, as abstenções de voto, as respon- sabilidades atribuídas e os prazos fixados. Recomenda- se que todos os elementos disponíveis para subsidiar as decisões sejam devidamente registrados. Ao fim da reunião, a ata deve ser lida, aprovada e assinada por todos os conselheiros presentes. Caso isso não seja possível, o responsável definido pelo conselho de administração deve assegurar-se de que a ata seja circula- da para todos conselheiros, preferencialmente, em até dois dias, para comentários, sugestões e aprovação. Uma vez aprovada e assinada por todos os con- selheiros, a secretaria de governança deve providenciar 105 Governança Corporativa a divulgação da ata. Deve ainda assegurar o registro nos órgãos competentes e o arquivamento das atas tempestiva- mente, assim como o encaminhamento das decisões ao diretor-presidente e o acompanhamento das solici- tações do conselho. Recomenda-se que as atas sejam divulgadas no site da organização, com exceção de eventuais trechos que tratem de temas confidenciais. Votos divergentes e quaisquer informações relevantes devem constar na ata. A integridade da ata em relação aos fatos ocorri- dos nas reuniões do conselho formaliza as decisões to- madas pelo colegiado e demonstra a diligência de cada um dos conselheiros. Algumas deliberações do conselho requerem con- fidencialidade, especialmente quando abordarem temas de interesse estratégico ainda não amadurecidos ou que coloquem em risco interesse legítimo da organização. Os administradores podem, justificadamente, manter sob sigilo alguma informação relevante sobre a organização, assegurando-se de que sua divulgação, quando realizada, seja feita em condições de estrita igualdade para todos os sócios, mediante comunicação ou publicação. Nas decisões que envolvem assuntos que devam ser mantidos sob sigilo no momento da decisão e que, por isso, não sejam registrados nas atas publicadas, re- 106 comenda-se a elaboração de memória com a indicação das razões para sigilo e os elementos disponíveis para subsidiar as decisões na ocasião em que foram tomadas. Tal memória deve ser lida e assinada pelos par- ticipantes e arquivada na sede da organização com as devidas cautelas, devendo ser acessível apenas aos membros do conselho e demais autorizados desde que tenham assumido compromisso de confidencialidade em relação ao documento. O conselho de administração é o órgão central do sistema de governança. Por isso, deve zelar para que seus relacionamentos (com sócios, diretor-presidente, demais executivos, comitês, conselho fiscal e auditorias) sejam eficazes e transparentes, evitando assimetria de informações, observadas regras de sigilo e equidade. O conselho de administração deve manter um re- lacionamento próximo com os colaboradores da organi- zação, a fim de divulgar suas atividades e promover a identidade e a cultura organizacionais. Deve manter comunicação com todas as partes interessadas, inclusive os sócios, e fornecer informações relevantes sobre suas atividades. No caso dos sócios, os principais veículos para a comunicação e prestação de contas do conselho de administração são o relatório anual, a assembleia ge- ral, o site da organização, e o manual para a participa- ção em assembleias. 107 Governança Corporativa O conselho pode criar canais adicionais de rela- cionamento com os sócios e demais partes interessadas. Um desses canais pode ser a prática de reuniões específicas e, nesse caso, a definição do porta-voz do conselho deve ser feita com especial atenção. As comunicações devem observar o dever de confidencialidade de determinadas informações, evi- tar assimetrias de informação e preservar a equidade entre os sócios. Deve ser construída, em benefício da organiza- ção, uma relação transparente e de cooperação entre o conselho e a diretoria, tanto no processo de construção da estratégia como nas suas frequentes interações. O diretor-presidente é o elo entre o conselho de administração e o restante da organização. É vital que a comunicação entre o diretor-presidente e o conselho se dê de forma clara, contínua e propicie condições ade- quadas para a tomada de decisões eficazes. Toda comunicação relevante entre eles deve, pre- ferencialmente, ser formalizada, para que possa haver um monitoramento adequado das providências e res- ponsabilidades definidas. O conselho deve se assegurar de que as informa- ções sejam recebidas periodicamente, com antecedên- cia, quantidade, forma e profundidade adequadas. O presidente do conselho é o interlocutor prefe- rencial do diretor-presidente no colegiado. 108 A separação clara de papeis entre os dois car- gos e o estabelecimento de limites de poder e ação são de fundamental importância para a integridade do sistema de governança. Para preservar a hierarquia e garantir a equidade na distribuição de informações, o diretor-presidente e/ou o presidente do conselho devem ser avisados/consulta- dos, quando conselheiros desejarem entrar em contato com executivos para algum esclarecimento. É direito e dever indelegável do conselho, a quem cabe selecionar esses profissionais, aprovar os respec- tivos honorários, ratificar um plano de trabalho e avaliar seu desempenho. Nessas atribuições, pode contar com o apoio do comitê de auditoria. A auditoria interna deve reportar-se ao conselho de administração diretamente ou por meio do comitê de auditoria, se existente. Nas organizações em que não haja conselho de administração, a auditoria interna deve reportar-se dire- tamente aos sócios, de forma a garantir independência em relação à gestão e evitar conflito de interesses. O conselho de administração, com o apoio do comitê de auditoria, deve participar ativamente no pla- nejamento dos trabalhos de auditoria interna, aprovar o planejamento anual, analisar os resultados e monitorara implementação das recomendações apresentadas pela auditoria interna. 109 Governança Corporativa Relatórios deverão ser encaminhados à diretoria, com base em informações entregues ao comitê de audi- toria e ao conselho. O conselho de administração deve reunir-se pe- riodicamente com o conselho fiscal, quando instalado, para tratar de assuntos de interesse comum e desenvol- ver uma agenda de trabalho. O conselho fiscal tem o direito e o dever de partici- par de reuniões do conselho de administração em que se discutam assuntos sobre os quais deva opinar. Foto:Shutterstock • CAPÍTULO 14 DIRETORIA A diretoria é o órgão responsável pela gestão da 110 organização, cujo principal objetivo é fazer com que a organização cumpra seu objeto e sua função social. Ela executa a estratégia e as diretrizes gerais aprovadas pelo conselho de administração, administra os ativos da organização e conduz seus negócios. Por meio de processos e políticas formalizados, a diretoria viabiliza e dissemina os propósitos, princípios e valores da organização. Este órgão é responsável pela elaboração e imple- mentação de todos os processos operacionais e financei- ros, inclusive os relacionados à gestão de riscos e de co- municação com o mercado e demais partes interessadas. Cabe à diretoria assegurar que a organização es- teja em total conformidade com os dispositivos legais e demais políticas internas a que está submetida. Em caso de existência de subsidiárias, é de sua res- ponsabilidade trabalhar para que as demais empresas do grupo estejam igualmente operando em conformidade. O monitoramento, o reporte e a correção de even- tuais desvios, sejam eles decorrentes de descumprimen- to da legislação e/ou regulamentação interna e externa, gerenciamento de riscos, auditoria ou controles internos, também são parte das responsabilidades da diretoria. Na qualidade de administradores, os diretores possuem deveres fiduciários à organização e prestam contas de suas ações e omissões à própria organização, ao conselho de administração e às partes interessadas. 111 Governança Corporativa A diretoria deve planejar, organizar e controlar os re- cursos disponibilizados pelo conselho para gerar valor de forma responsável para organização e partes interessadas. Tem a responsabilidade de estabelecer proces- sos, políticas e indicadores que garantam, a si e ao con- selho de administração, condições de avaliar objetiva- mente o padrão de conduta observado na operação da organização. O diretor-presidente é responsável pela liderança da diretoria. Cabe a ele atuar como elo entre a diretoria e o conselho de administração. Ele deve ser orientado e supervisionado pelo conselho de administração ou, na falta deste, diretamente pelos sócios. A diretoria deve disseminar a cultura organizacio- nal, reforçando seus valores e princípios, desdobrá-los em políticas práticas, procedimentos formais e estabele- cer formas de monitorar, permanentemente, se as suas decisões, ações e impactos estão alinhados a eles. Em caso de desvios, deve propor as medidas cor- retivas e, em última instância, punitivas, previstas no có- digo de conduta. Cada diretor responde, individualmente, por suas atribuições específicas na gestão, respondendo colegiada- mente pelas decisões tomadas em conjunto pela diretoria. Deve prestar contas ao diretor-presidente, aos demais diretores e, sempre que solicitado, ao conselho de administra- ção ou, caso este não exista, diretamente aos sócios. 112 As responsabilidades, autoridades e atribuições da diretoria devem ser definidas com clareza e objeti- vidade no estatuto/contrato social, e a diretoria deve ter um regimento interno próprio (aprovado pelo conselho de administração), que estabeleça sua estrutura, seu funcionamento, seus papeis e responsabilidades. Os documentos organizacionais devem estabele- cer um conjunto formal de alçadas de decisão e discri- minar o que é de competência dos diretores, da diretoria como colegiado ou do conselho de administração. O processo de indicação dos diretores é de ex- trema importância para o sucesso na implementação da estratégia da organização. A diretoria deve constituir um grupo alinhado aos princípios e valores da organização, diligente, coeso e de competências complementares, composto de profissionais habilitados para enfrentar os desafios da organização. O diretor-presidente deve encaminhar para aprova- ção do conselho de administração a indicação dos diretores. A eleição dos diretores deve ser feita pelo conse- lho de administração ou, em sua ausência, diretamente pelos sócios, com base em critérios objetivos que indi- quem a qualificação do indicado, tais como, experiência no mercado, tempo de atuação, formação e reputação. Ao preencher posições de diretoria, o conselho de administração deve considerar a diversidade, inclu- sive de gênero. 113 Governança Corporativa A diretoria também deverá considerar a mesma questão ao preencher posições gerenciais, deverá criar e divulgar planos e políticas formais para garantir igual- dade de oportunidades entre homens e mulheres, visan- do equilibrar o número de cargos ocupados por ambos em posições de liderança da organização, inclusive de gerência e diretoria, levando em conta as necessidades específicas do negócio. O conselho deve assessorar o diretor-presi- dente, via comitê de remuneração ou de pessoas, se houver, na descrição dos requisitos básicos das atri- buições de cada diretor e dos parâmetros de remune- ração para cada cargo de diretoria. O loteamento de diretorias, com reserva de car- gos para indicação direta por determinado sócio ou parte relacionada não deve ser permitido. As regras para a substituição de diretores, tanto nas hipóteses de afastamento temporário, como nas de afastamento definitivo, devem estar previstas ou no es- tatuto/contrato social, ou no regimento interno – neste caso, deve ser aprovado pelo conselho. Os legítimos interesses de todos os sócios, bem como os das demais partes interessadas, devem ser le- vados em consideração pela diretoria, em sua missão de cumprir o objeto e a função social da organização. O diretor-presidente e os demais diretores, com a orientação e supervisão do conselho de administração, de- vem garantir uma relação transparente e de longo prazo 114 com as partes interessadas, além de definir a estratégia de relacionamento com os diversos públicos da organização. A diretoria deve propor uma estratégia e colocar em prática um programa contínuo de relacionamento, consulta e comunicação sistemática com as diversas partes interessadas da organização. Esse programa deve ser avaliado e ajustado pe- riodicamente, a fim de refletir os desafios da organiza- ção, e seu andamento deve ser acompanhado pela dire- toria, que deve prestar contas ao conselho quanto a isso. Nas companhias abertas, o relacionamento com mercado, investidores e credores compete ao diretor responsável pelas relações com os sócios e investidores e, na ausência deste, ao diretor-presidente, prestando conta dessa atividade ao conselho. O diretor responsável pelas relações com inves- tidores deve ser envolvido, inclusive mediante partici- pações nas reuniões do conselho de administração, nos assuntos que impactam a avaliação da organiza- ção pelo mercado. A avaliação adequada do desempenho e do valor de uma organização depende da divulgação clara, tem- pestiva e acessível de informações sobre sua estratégia, políticas, atividades realizadas e resultados. Possibilitar um nível elevado de transparência das informações sobre a organização contribui posi- tivamente para a reputação da própria organização e 115 Governança Corporativa dos administradores. A reputação positiva pode minimizar os custos de transação pela redução do custo de capital ao fo- mentar confiança. A reputação possui valor econômico e pode atri- buir vantagens competitivas. Favorece, ainda, a atração e a retenção de colaboradores.Construir, com base na transparência, uma boa reputação, não é apenas uma deferência ou concessão que a organização faz ao mercado e à sociedade, mas, por ser também economicamente vantajosa, é um bene- fício que ela proporciona a si própria. A diretoria deve garantir que sejam prestadas às partes interessadas, além das informações que são obri- gatórias por lei ou regulamento, aquelas que interessem a esse público, tanto as financeiras quanto as não financei- ras, positivas ou negativas, tão logo estejam disponíveis. Devem ser divulgados todos os dados que pos- sam auxiliar na correta avaliação da organização e in- fluenciar decisões de investimento, inclusive as princi- pais políticas adotadas pela organização. As informações devem ser prestadas de forma clara, concisa e em linguagem acessível ao público-alvo, de modo que a substância (o conteúdo) prevaleça sobre a forma de divulgação. Devem ainda ser disponibilizadas imediata e si- multaneamente a todos os interessados, independente- 116 mente de localização geográfica. Websites e outras tec- nologias devem ser explorados para buscar a rapidez e a ampla difusão de tais informações. A organização deve dispor de um sistema de comuni- cação adequado, por meio de mecanismos formais, a fim de evitar assimetria de informações com as partes interessadas. A diretoria deve implementar uma política clara de comunicação, aprovada pelo conselho de administra- ção, que estabeleça os porta-vozes da organização para cada tema, com o objetivo de eliminar contradições entre as declarações de diferentes executivos da organização. Deve assegurar que os relatórios contribuam para uma melhor avaliação da qualidade gerencial da organiza- ção e dos riscos a que ela está disposta a submeter-se. O relatório anual, de responsabilidade da adminis- tração, deve ser a forma mais abrangente de prestação de informações da organização às partes interessadas. Ele não deve inibir a realização de comunicações eventuais que garantam a tempestividade e a periodici- dade das informações. Deve prover informações finan- ceiras, devidamente auditadas, assim como não finan- ceiras, objeto de asseguração. Tanto o relatório anual quanto os demais relatórios da organização devem ser elaborados de acordo com a legislação vigente e com modelos internacionalmente aceitos, visando à integração no modo de pensar e rela- tar as atividades da organização. 117 Governança Corporativa Baseados no modelo de negócios da organiza- ção, devem identificar os insumos, produtos/serviços e o impacto das atividades na sociedade em geral e no meio ambiente. Essa postura permite aos diversos públicos inte- ressados, principalmente aos investidores, a comparabi- lidade de relatórios, de modo que fiquem claros os com- promissos, as políticas, os indicadores e os princípios de ordem ética da organização. As organizações devem fundamentar sua atuação em princípios éticos e socialmente responsáveis, refleti- dos no seu código de conduta. A diretoria deve zelar e dar efetividade ao cumpri- mento do código de conduta da organização, divulgando e treinando periodicamente todos os públicos submeti- dos a ele: administradores, colaboradores, fornecedores e prestadores de serviços com quem se relaciona. Pro- gramas de educação continuada podem ser uma ferra- menta adequada para atingir esse objetivo. Um processo sistemático e estruturado de avalia- ção da diretoria contribui para promover um desempe- nho superior e consistente da organização. A avaliação regular dos diretores e das demais lideranças da organização é a forma de se reconhecer talentos e esforços, recompensar os responsáveis pelos resultados obtidos e corrigir eventuais falhas ou deficiên- cias identificadas. 118 A avaliação efetiva da diretoria deve permitir ajus- tes do perfil e postura dos executivos quanto às necessi- dades estratégicas da organização, além de considerar metas de desempenho, financeiras e não financeiras. O diretor-presidente é o responsável direto pela avaliação dos diretores e deve implementar um pro- cesso anual e sistemático de avaliação de desempe- nho dos diretores. Deve garantir que seja realizada a avaliação de todos os gestores ou ao menos das principais lideran- ças da organização. O processo de avaliação pode ser apoiado pelo comitê de pessoas, quando existente. Os resultados da avaliação da diretoria devem ser compartilhados com o conselho de administração. O conselho de administração é o responsável di- reto pela avaliação do diretor-presidente. A remuneração da diretoria deve servir como uma ferramenta efetiva de atração, motivação e retenção dos diretores e proporcionar o alinhamento de seus interes- ses com os da organização. A remuneração da diretoria deve estar vinculada a resultados, com metas de curto e longo prazos rela- cionadas de forma clara e objetiva à geração de valor econômico para a organização. A remuneração deve ser justa e compatível com as funções e os riscos inerentes a cada cargo e devidamente contabilizada. 119 Governança Corporativa As organizações devem ter um procedimento formal e transparente de aprovação de suas políticas de remuneração aos diretores, incluindo eventuais be- nefícios e incentivos de longo prazo, pagos em ações ou nelas referenciados. As metas e as premissas de eventual remunera- ção variável devem ser mensuráveis e auditáveis. Na criação da política de remuneração, o conselho de administração, por meio do comitê de remuneração ou de pessoas, se houver, deve considerar os custos e os ris- cos envolvidos nesses programas, inclusive ocasional dilui- ção de participação acionária dos sócios, no caso de ado- ção de benefícios de longo prazo pagos em ações. A política de remuneração não deve estimular ações que induzam os diretores a adotar medidas de curto prazo sem sustentação ou que, ainda, prejudiquem a organização no longo prazo. Deve-se evitar o caráter imediatista das metas re- lacionadas à remuneração variável ou, ainda, à criação de desafios inatingíveis ou inconsistentes, que induzam a diretoria a expor a organização a riscos extremos ou desnecessários. A estrutura de incentivos deve incluir um sistema de freios e contrapesos que indique os limites de atuação dos envolvidos e evite que uma mesma pessoa controle o processo decisório e a sua respectiva fiscalização. Ninguém deve estar envolvido em qualquer deli- 120 beração sobre sua própria remuneração. O diretor-pre- sidente deve encaminhar para aprovação do conselho a proposta de remuneração da diretoria. O conselho deve submeter sua proposta dos va- lores e da política de remuneração da diretoria à aprova- ção da assembleia geral. A remuneração anual dos administradores deve ser divulgada individualmente. Caso não o seja, deve ser divulgada agregada por órgão social ou comitê (ex.: conselho de administração, diretoria, conselho fiscal e comitês de assessoramento), com indicação da remuneração máxima, mínima e da média recebida pelos membros do órgão social. Ambas as formas de divulgação devem destacar, separadamente, a remuneração recebida por adminis- tradores que sejam sócios controladores ou por pessoas a eles vinculadas. A divulgação da remuneração deve discriminar, também, todo tipo de remuneração, fixa ou variável, e benefícios. Mantendo reserva sobre os pontos sensíveis para a concorrência, devem ser divulgadas e explicadas as políticas de remuneração e de benefícios dos admi- nistradores, incluindo os eventuais incentivos de longo prazo e, quando existentes, as regras de bônus de reten- ção, de saída e/ou de não competição. Da mesma forma, devem ser divulgados valores relativos a eventuais negócios entre a organização, so- 121 Governança Corporativa ciedade controlada ou coligada e a empresa controlada por executivos. A total transparência dos registros dos atos pra- ticados pela diretoria, para com os conselhos de admi- nistração e fiscal ou, na ausência deles, paracom os sócios, é fundamental para criar o necessário clima de confiança mútua, observando-se sempre, no entanto, o dever de sigilo com relação a informações que devam ser preservadas no âmbito da organização. A diretoria deve facilitar o acesso dos membros do conselho de administração, de seus comitês, do conse- lho fiscal, bem como dos demais órgãos de fiscalização ou controle, às instalações da organização. Da mesma forma, os agentes de governança de- vem ter acesso a informações, arquivos e documentos necessários ao desempenho de suas funções. Foto:Shutterstock 122 • CAPÍTULO 15 O AUDITOR INDEPENDENTE Apoiado no trabalho da auditoria independente, o conselho de administração e a diretoria são responsá- veis por assegurar a integridade das demonstrações fi- nanceiras da organização, preparadas de acordo com as práticas contábeis vigentes das respectivas jurisdições em que a organização mantenha suas atividades. A atribuição principal do auditor independente é emitir, observadas as disposições aplicáveis, opinião so- bre as demonstrações financeiras preparadas pela ad- ministração, se elas representam adequadamente, em todos os seus aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da organização. O conselho de administração e a diretoria devem assegurar que as demonstrações financeiras sejam au- ditadas por auditor independente com qualificação e ex- periência apropriada, instrumento fundamental para a confiabilidade desses dados, e certificar-se que a asse- guração das informações não financeiras seja realizada. A equipe de auditoria independente deve reportar- se ao conselho de administração, por meio do comitê de auditoria, se existente. Deve ter o cuidado de manter, quando apropriado, a diretoria informada de todos os as- pectos do desenvolvimento do seu trabalho. Nas organizações em que não haja conselho de 123 Governança Corporativa administração, a auditoria independente deve ser con- tratada e reportar-se aos sócios, de forma a garantir sua independência. Os auditores devem avaliar se os controles inter- nos utilizados pela administração são adequados e su- ficientes para permitir a elaboração de demonstrações financeiras que não apresentem distorções relevantes, independentemente se causadas por erro ou fraude. O comitê de auditoria deve ser o órgão respon- sável por recomendar ao conselho de administração a contratação ou substituição do auditor independente. Quando não houver um comitê de auditoria, essa responsabilidade cabe ao conselho de administração. Antes da contratação do auditor independente, o comitê de auditoria deve avaliar, dentre outros, os se- guintes aspectos: • Estrutura e governança da firma de auditoria; • Processos de controles internos de qualidade da firma de auditoria; • Independência da firma de auditoria, de seus só- cios e da equipe que realizará os trabalhos; • Capacitação e dedicação da equipe designada para os trabalhos; • Experiência na indústria e segmento; • Honorários compatíveis com o porte e a complexi- dade da organização a ser auditada. Durante a vigência do contrato com a firma de au- 124 ditoria, o comitê de auditoria deverá monitorar a efeti- vidade do trabalho dos auditores externos, assim como sua independência. Deve, ainda, avaliar e discutir o plano anual de tra- balho do auditor externo e encaminhá-lo para apreciação do conselho. Os auditores independentes devem estar presen- tes ao menos nas reuniões do conselho de administra- ção e nas assembleias em que as demonstrações finan- ceiras forem apreciadas. Assegurar a independência dos auditores é fun- damental para que eles possam avaliar com isenção as demonstrações financeiras e contribuir para a formação de um ambiente de confiança entre administradores, só- cios e demais partes interessadas. Os maiores beneficiários da independência e do exercício efetivo pelos auditores de suas atribuições são a própria organização e suas partes interessadas. Como regra geral, o auditor não deve prestar ou- tros serviços que não os de auditoria para organização que audita. A independência do auditor pode ser ameaçada quando: • Audita o produto de seu próprio trabalho; • Promove ou defende os interesses da entidade auditada; • Desempenha funções gerenciais para a entidade 125 Governança Corporativa auditada. Em benefício de sua independência, os auditores devem ser contratados por período predefinido. A recon- tratação do auditor independente deve ser precedida de avaliação formal e documentada de sua independência e seu desempenho, efetuada pelo conselho de adminis- tração, com apoio do comitê de auditoria, se existente. Recomenda-se que o estatuto/contrato social de- fina um prazo máximo após o qual a recontratação deva ser submetida à ratificação da maioria dos sócios pre- sentes em assembleia geral. A votação deve incluir todas as classes de ações. Se recontratado após esse prazo, o conselho de adminis- tração/comitê de auditoria deve confirmar que o auditor independente promove a rotação dos profissionais-cha- ve da equipe, como previsto nas normas profissionais. Em qualquer situação, a organização deve divul- gar sua política de contratação da firma de auditores in- dependentes. O conselho de administração, com apoio do co- mitê de auditoria - se existente -, deve assegurar-se de que os auditores independentes cumpram as regras pro- fissionais de independência, incluindo a independência financeira do respectivo contrato de auditoria. O comitê de auditoria e os auditores independen- tes devem se reunir pelo menos anualmente, com o ob- jetivo de discutir todos os aspectos referentes à indepen- 126 dência dos auditores. Nessa ocasião, os auditores devem apresentar do- cumento formal em que asseguram sua independência. A organização deve evitar contratar membros da equi- pe de auditoria responsável pela avaliação das suas demons- trações financeiras para seu quadro de profissionais. Caso seja de interesse da organização essa con- tratação para qualquer função que se relacione com o processo de produção das demonstrações financeiras, essa situação deve ser levada ao conselho de adminis- tração com apoio do comitê de auditoria, se existente, para que seja avaliado o impacto dessa eventual contra- tação na independência do profissional a ser contratado. A organização deve estabelecer uma política para disciplinar a realização, pela mesma firma de auditoria independente, de outros serviços que não sejam de au- ditoria das demonstrações financeiras. Essa política deve: • Ser aprovada pelo conselho de administração (ou, na sua ausência, pela assembleia); • Prever que nenhum outro serviço contratado pos- sa colocar em risco a objetividade e independên- cia requerida do auditor independente; • Assegurar que a contratação de outros serviços necessariamente deva ser aprovada pelo conse- lho de administração (ou, na sua ausência, pela assembleia). 127 Governança Corporativa Anualmente ou a cada trimestre, para as compa- nhias abertas, a proporcionalidade entre os honorários pagos por serviços de auditoria das demonstrações fi- nanceiras e aqueles pagos por outros serviços deve ser divulgada no relatório anual da organização. O auditor independente expressa sua conclusão sobre as demonstrações financeiras da organização por meio de relatório emitido de acordo com as normas de auditoria aplicáveis no Brasil. Emite, ainda, relatório com recomendações decorrentes de sua avaliação dos con- troles internos realizada durante o processo de auditoria. O auditor independente deve dirigir seus relatórios a quem contratou seus serviços (comitê de auditoria, con- selho de administração ou sócios). Deve reportar qualquer discordância com a diretoria ao comitê de auditoria ou, na ausência deste, ao conselho de administração. Também devem ser reportadas quaisquer discus- sões havidas com a diretoria sobre políticas contábeis críticas, mudanças no escopo dos trabalhos,deficiên- cias relevantes e falhas significativas nos controles e tratamentos contábeis alternativos, avaliação de riscos e análise de possibilidade de fraudes. O auditor deve considerar questões de inconsis- tência material entre as informações financeiras e não financeiras. O conselho de administração, com apoio do comitê de auditoria, quando existente, deve avaliar as respostas e 128 ações da diretoria sobre as recomendações de controles internos apresentadas pelos auditores independentes. Foto:Shutterstock • CAPITULO 16 CONSELHO FISCAL O Conselho Fiscal é parte integrante do sistema de governança das organizações brasileiras. Pode ser permanente ou não, conforme dispuser o estatuto. Representa um mecanismo de fiscalização inde- pendente dos administradores para reporte aos sócios, instalado por decisão da assembleia geral, cujo objetivo é preservar o valor da organização. Os conselheiros fiscais possuem poder de atua- ção individual, apesar do caráter colegiado do órgão. Como previsto em lei, suas principais atribui- ções são: • Fiscalizar, por qualquer de seus membros, os atos 129 Governança Corporativa dos administradores e verificar o cumprimento dos seus deveres legais e estatutários; • Opinar sobre o relatório anual da administração, fazendo constar do seu parecer as informações complementares que julgar necessárias ou úteis à deliberação da assembleia geral; • Opinar a respeito das propostas dos órgãos da administração a serem submetidas à assembleia geral, relativas à modificação do capital social, emissão de debêntures ou bônus de subscrição, planos de investimento ou orçamentos de capital, distribuição de dividendos, transformação, incor- poração, fusão ou cisão; • Denunciar, por qualquer de seus membros, aos órgãos de administração, e, se estes não toma- rem as providências necessárias para a proteção dos interesses da organização, à assembleia ge- ral, erros, fraudes ou crimes que descobrir, além de sugerir providências úteis à organização; • Analisar, ao menos trimestralmente, o balancete e demais demonstrações financeiras elaboradas periodicamente pela organização; e • Examinar as demonstrações financeiras do exer- cício social e opinar sobre elas. O conselho fiscal não substitui o comitê de audi- 130 toria. Enquanto este último é órgão de controle com fun- ções delegadas pelo conselho de administração, aquele é instrumento de fiscalização eleito pelos sócios e, por lei, não se subordina ao conselho de administração. A instalação do conselho fiscal não exclui a possi- bilidade da constituição do comitê de auditoria. Para permitir um trabalho mais efetivo, as priorida- des do conselho fiscal devem ser estabelecidas por seus membros, considerando as expectativas dos sócios e os interesses da organização. Antes da eleição dos membros do conselho fiscal, as organizações devem estimular o debate entre todos os sócios quanto à composição do órgão, buscando ga- rantir que ele tenha a diversidade desejável de experiên- cias profissionais pertinentes às suas funções e ao cam- po de atuação da organização. A participação de todos os grupos de sócios no processo de indicação de membros para o conselho fis- cal deve ser preservada, mesmo em organizações sem controle definido. A organização deve facilitar a instalação do con- selho fiscal, se solicitada por algum grupo de sócios, es- pecialmente quando não houver controlador definido ou existir apenas uma classe de ações. Nas organizações em que haja controle definido, os sócios controladores devem permitir que a maioria seja composta por membros eleitos pelos sócios não 131 Governança Corporativa controladores. O conselho fiscal deve estabelecer uma agenda de trabalho que defina o foco de suas atividades no exercício. Essa agenda deve incluir uma relação das reu- niões ordinárias, assim como as informações que serão enviadas periodicamente aos conselheiros. Deve adotar um regimento interno que não iniba a liberdade de ação individual dos conselheiros. Deve, ainda, ter o direito de consultar profissio- nais externos (ex.: advogados, auditores, especialis- tas em impostos, recursos humanos, dentre outros), pagos pela organização, para obter subsídios em ma- térias de relevância. Nenhum documento do conselho fiscal deve res- tringir a atuação individual prevista em lei. O conselhei- ro, por sua vez, deve buscar, sempre que possível, uma atuação em harmonia com os demais. A política de divulgação de informações da com- panhia deve incluir a divulgação do parecer do conselho fiscal. Nessa divulgação, devem ser incluídos os votos dos conselheiros fiscais, dissidentes ou não, as justifica- tivas de voto dos conselheiros fiscais e os demais docu- mentos elaborados. A responsabilidade dos conselheiros é para com a organização, independentemente daqueles que os tenham indicado. Assim, sua atuação deve ser pauta- da por equidade, transparência, independência e con- 132 fidencialidade. No exercício de seu mandato, o conselho fiscal deve se relacionar com os diversos órgãos e agentes que compõem o sistema de governança da organização. Ao menos um dos conselheiros fiscais deve com- parecer aos eventos relevantes da organização, inde- pendentemente de previsão legal ou regulamentar. Essa recomendação inclui eventos da organização com ana- listas e investidores. É natural que haja alguma superposição de ati- vidades quando o comitê de auditoria e o conselho fis- cal estiverem em funcionamento. Nesse caso, os dois órgãos podem coordenar algumas de suas atividades, inclusive com reuniões conjuntas. O conselho fiscal deve acompanhar o trabalho dos auditores independentes e o relacionamento desses profissionais com a administração. Os auditores devem comparecer às reuniões do conselho fiscal, sempre que convocados, para prestar informações relacionadas ao seu trabalho. A administração não deve obstruir ou dificultar a comunicação entre quaisquer membros do conselho fis- cal e os auditores independentes. Deve, inclusive, fornecer aos membros do conse- lho fiscal relatórios e recomendações emitidos por audi- tores independentes ou outros peritos. 133 Governança Corporativa O conselho fiscal deve acompanhar o trabalho da auditoria interna em cooperação com o conselho de ad- ministração e do comitê de auditoria, se existente. O conselho de administração pode determinar a existência de canais de comunicação entre a auditoria interna e o conselho fiscal, como forma de garantir o monitoramento independente de todas as atividades da organização. O auditor interno deve comparecer às reuniões do conselho fiscal sempre que solicitado, para prestar infor- mações relacionadas ao seu trabalho. A administração não deve obstruir ou dificultar a comunicação entre quaisquer membros do conselho fis- cal e a auditoria interna. Os conselheiros fiscais devem ter remuneração adequada à dedicação de tempo esperada do profis- sional, à complexidade dos negócios, à experiência e à qualificação necessárias ao exercício da função. Não deve haver remuneração variável para conselho fiscal. Os conselheiros devem ser reembolsados por quaisquer despesas relativas ao desempenho da função. O montante da remuneração do conselho fiscal deve ser fixado em função da remuneração total atribuída aos executivos, incluindo a recebida pelos gestores por meio de outras organizações do mesmo grupo. A remuneração dos conselheiros fiscais deve ser 134 divulgada individualmente ou, pelo menos, em bloco, se- parada da remuneração dos administradores. Não deve haver complementação da remuneração do conselheiro fiscal por aqueles que os indicaram. Foto:Shutterstock 135 Governança Corporativa Simulado de Governança Corporativa Apostila de Governança Corporativa governanca_corporativa_unidade_1 governanca_corporativa_unidade_2 governanca_corporativa_unidade_3 governanca_corporativa_unidade_4UNIDADE 1 • CAPÍTULO 1 HISTÓRIA DA GOVERNANÇA CORPORATIVA Ao longo do século 20, a economia dos diferentes paí- ses tornou-se cada vez mais marcada pela integração aos dinamismos do comércio internacional, assim como pela expansão das transações financeiras em escala global. Nesse contexto, as companhias foram objeto de sensíveis transformações, uma vez que o acentuado rit- mo de crescimento de suas atividades promoveu uma readequação de sua estrutura de controle, decorrente da separação entre a propriedade e a gestão empresarial. A origem dos debates sobre Governança Corporati- va remete a conflitos inerentes à propriedade dispersa e à divergência entre os interesses dos sócios, executivos e o melhor interesse da empresa. A vertente mais aceita indica que a Governança Cor- porativa surgiu para superar o "conflito de agência" clás- sico. Nessa situação, o proprietário (acionista) delega a um agente especializado (administrador) o poder de decisão sobre a empresa (nos termos da lei), situação em que podem surgir divergências no entendimento de cada um dos grupos daquilo que consideram ser o me- lhor para a empresa e que as práticas de Governança 9 Governança Corporativa Corporativa buscam superar. Esse tipo de conflito é mais comum em sociedades como os Estados Unidos e Inglaterra, onde a proprieda- de das companhias é mais pulverizada. No Brasil, em que a propriedade concentrada predo- mina, os conflitos se intensificam à medida que a empre- sa cresce e novos sócios, sejam investidores ou herdei- ros, passam a fazer parte da sociedade. Neste cenário, a Governança também busca equacionar as questões em benefício da empresa. Nos anos 90, em um movimento mais associado aos Estados Unidos, alguns acionistas perceberam a ne- cessidade de criar regras para assegurar que diretores executivos das empresas não tomassem decisões que pudessem falir as empresas. A inoperância dos conse- lhos de administração e, principalmente, a omissão das Auditorias Externas. Nesse mesmo período os investidores passaram a se mobilizar contra algumas administrações, que pos- suíam interesses próprios aos demais acionistas. Então, ficou compreendido que seria necessário ter regras rigo- rosas que pudessem garantir os direitos dos investidores e acionistas das companhias. Em 2001, a comunidade internacional foi surpreen- dida pela descoberta de manipulações contábeis em um dos grupos empresariais mais conceituados dos Estados Unidos. Tal fato deu início a uma crise de confiança, em 10 níveis inéditos desde a quebra da bolsa norte-ameri- cana em 1929, através da constatação de práticas de manipulação de informações em várias outras institui- ções, não somente norte-americanas, mas em todos os mercados mundiais. Nesse momento, percebeu-se uma relação de de- pendência e conivência entre grandes prestadoras de serviços da área de Auditoria, principalmente Fiscal e Contábil, e os atos praticados pelas diretorias executivas das empresas por elas auditadas. A reação do sistema fi- nanceiro foi imediata, as bolsas caíram no mundo inteiro. Como consequência, houve uma forte evasão dos investimentos estrangeiros em diversos mercados, o que aconteceu também no Brasil. Isso ocorreu porque os inves- tidores precisaram de recursos para cobrir margens nega- tivas de investimentos já realizados. Em decorrência disso, logo em seguida, também passaram a buscar oportunida- des de negócios mais sólidas, seguras e transparentes. A governança corporativa (GC) surgiu a partir de uma ação reflexiva em torno da ética, a qual versa sobre a discussão acerca das relações entre o mundo corpo- rativo e a sociedade, entre as empresas de uma mesma cadeia de negócios e, dentro das companhias, entre os acionistas, os conselhos e a direção executiva. Estabeleceu-se como um movimento que objetivava proteger os acionistas, principalmente os minoritários, de possíveis abusos praticados pelos executivos, preponde- 11 Governança Corporativa rantemente nas decisões estratégicas da organização. Sua origem coincide com a necessidade de profis- sionalização da gestão dos negócios, decorrente dos processos de dispersão do capital e de separação entre propriedade e gestão, ou seja, quando os proprietários de uma empresa passaram a delegar poderes a um ad- ministrador que, em nome da companhia, tomava deci- sões as quais, por vezes, contrárias ao bom senso e inte- resses dos próprios proprietários e demais stakeholders. Vale a pena acrescentar/reforçar que, conceitual- mente, a Governança Corporativa (GC) apareceu para resolver conflitos de interesses, estabelecendo práticas que visavam proteger o direito dos acionistas, principal- mente os minoritários, de abusos dos executivos, pre- ponderantemente nas decisões estratégicas que dita- vam os modelos, os métodos e os rumos dos negócios. A implantação da GC contribui para um desenvolvi- mento econômico sustentável, proporcionando melhorias no desempenho das empresas e acelerando resultados, além de facilitar o acesso às fontes externas de recursos. No Brasil, essa discussão e a busca pela transpa- rência na gestão se intensificaram a partir de 1999, com a criação do Instituto Brasileiro de Governança Corpo- rativa (IBGC), fundado a partir do Instituto Brasileiro de Conselheiros de Administração (IBCA), e da elaboração do primeiro Código Brasileiro das Melhores Práticas de Governança Corporativa. 12 Dessa forma, a GC promove a implantação de um conjunto eficiente de mecanismos, tanto de incentivos quanto de monitoramento, a fim de assegurar que o com- portamento dos executivos esteja sempre alinhado com os interesses dos acionistas, estabelecendo, principal- mente, ferramentas de acompanhamento para o cumpri- mento das obrigações legais das companhias. As práticas da boa governança são baseadas em quatro princípios básicos fundamentais, que são: a trans- parência (disclosure), a equidade (fairness), a prestação de contas (accountability) e o respeito ao cumprimento das leis (compliance). Uma das mudanças que mais influenciaram o surgimento da GC foi a dispersão do capital de controle das companhias. Isso ocorreu devido à constituição das grandes em- presas na forma de sociedade anônima, a abertura do capital de empresas fechadas e o aumento do número de empresas listadas nas bolsas de valores, o aumento do número de investidores no mercado de capitais, os processos sucessórios e os processos de fusão e aquisi- ção de grandes companhias. A Teoria da Agência representa a base teórica a qual analisa as relações entre os participantes de um siste- ma, em que a propriedade e o controle são designados a pessoas distintas, o que pode resultar em divergências de interesse entre os indivíduos. O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – 13 Governança Corporativa IBGC acredita que a preocupação da governança cor- porativa é criar um conjunto eficiente de mecanismos, tanto de incentivos quanto de monitoramento, a fim de assegurar que o comportamento dos executivos esteja sempre alinhado com o interesse dos acionistas. A governança corporativa veio como uma maneira que os acionistas encontraram de demonstrar as suas intenções e para acabar com o conflito entre empresa e acionistas, contando que esses delegam as suas de- cisões a um agente e que, nem sempre os objetivos de ambos estão em equilíbrio. Com o intuito de modificar essa situação é que foi criada a governança corporativa, que entra como estratégia de ligação desses objetivos e acaba com o conflito de ideias. Foto:Shutterstock 14 • CAPÍTULO 2 O QUE É GOVERNANÇA CORPORATIVA E SUA IMPORTÂNCIA No Brasil, o Instituto Brasileiro de Governança Corpo- rativa - IBGC – apresentou a seguinte definição, bastante abrangente e estabelecendo seus principais objetivos: “Governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas e demais organiza- ções são dirigidas, monitoradas e incentiva- das, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselhode administração, direto- ria, órgãos de fiscalização e controle e de- mais partes interessadas.” As boas práticas de governança corporativa con- vertem princípios básicos em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e oti- mizar o valor econômico de longo prazo da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade da gestão da organização, sua longevidade e o bem comum. A Governança Corporativa corresponde aos proces- sos, costumes, políticas, leis e instituições. Isso também inclui relação entre os envolvidos e os objetivos pelos quais as instituições são governadas. Nas organizações contemporâneas, as partes in- teressadas são os acionistas, os credores, o comércio, fornecedores, clientes e comunidades afetadas pelas ati- 15 Governança Corporativa vidades da corporação (também são conhecidos como stakeholders). Já as partes interessadas internamente são formadas pelo conselho de administração, executi- vos e demais empregados. Governança corporativa é um tema multifacetado, principalmente pela natureza e pela extensão da res- ponsabilidade de indivíduos específicos na organiza- ção. Um dos impactos de um sistema de governança corporativa é na eficiência econômica, com ênfase no bem-estar dos acionistas. Em sua essência, a Governança Corporativa tem como principal objetivo recuperar e garantir a confiabili- dade em uma determinada empresa para os seus acio- nistas, criando um conjunto eficiente de mecanismos, tanto de incentivos como de monitoramento, a fim de assegurar que o comportamento dos executivos esteja sempre alinhado com o interesse dos acionistas. A boa Governança Corporativa contribui para um desenvolvimento econômico sustentável, proporcionan- do melhorias no desempenho das empresas. Por estes motivos, torna-se tão importante ter conselheiros qualifi- cados e sistemas de Governança Corporativa de quali- dade, evitando-se diversos fracassos empresariais como abusos de poder, erros e fraudes. As principais características da boa governança são: 16 1. Participação; 2. Estado de direito; 3. Transparência; 4. Responsabilidade; 5. Orientação por consenso; 6. Igualdade de inclusividade; 7. Efetividade e eficiência; 8. Prestação de conta (accountability) É importante destacar, também, as principais ferramentas utilizadas na Governança Corporativa, que asseguram o controle da propriedade sobre a gestão, são elas: o conselho de administração, a auditoria independente e o conselho fiscal. A boa Governança Corporativa contribui para um melhor desenvolvimento econômico, melhores desem- penhos nas companhias, além de maior destaque quan- do falamos de busca de capital estrangeiro. Por esses motivos que se deve ter conselheiros mui- to qualificados e um sistema de Governança Corporativa robusto, evitando, assim, fracassos empresariais decor- rentes de abusos de poder, erros estratégicos e princi- palmente fraudes. Cabe ressaltar, nesse capítulo, a importância das premissas e princípios básicos da Governança Corpora- tiva e de sua adequada adoção que resulta em um clima 17 Governança Corporativa de confiança e transparência em relação a terceiros. TrAnsPArênCIA Consiste na disponibilidade para as partes interes- sadas de informações do interesse e não apenas as que são disponibilizados por leis e regulamentos. Isso não deve se restringir apenas ao desempenho econômico-fi- nanceiro e sim o que norteia a ação gerencial, condução e preservação do valor da organização EqUIdAdE É caracterizado pelo tratamento justo e isonômico de todos os sócios e as partes interessadas (stakeholders) sempre tendo como premissa e levando em considera- ção os direitos, deveres, necessidades seus interesses e expectativas. PrEsTAçãO dE COnTAs (acconutability) A área de Governança Corporativa deve prestar con- tas de suas atuações sempre de modo claro, conciso e assumindo integralmente as consequências de atos e possíveis omissões, tendo uma atuação com diligência e responsabilidade no papel desenvolvido. rEsPOnsAbILIdAdE COrPOrATIvA A área de Governança deve sempre zelar pela situa- ção econômico-financeira da organização; reduzir e 18 mitigar tudo que pode ser negativo ao negócio e suas operações; e aumentar o que for positivo, sempre le- vando em consideração os diversos capitais (financei- ro, manufatura, intelectual, relações humanas, sócio ambiental e reputação). Foto:Shutterstock • CAPITULO 3 MODELOS DE GOVERNANÇA CORPORATIVA De acordo com o Instituto de Governança Corpo- rativa (IBGC) os principais modelos de Governança es- tão destacados da seguinte forma: Em cada país, as melhores práticas de Governan- ça Corporativa são instituídas de acordo com o seu am- 19 Governança Corporativa biente social, econômico, corporativo e regulatório. Dadas às peculiaridades empresariais de cada país, torna-se impossível descrever de forma detalhada todos os modelos de Governança vigentes no mundo. No entanto, podem-se dividir os sistemas de go- vernança observando o praticado nos mercados mais desenvolvidos, os quais servem como referência aos de- mais países. Há duas grandes categorias, que abrigam os principais modelos adotados pelo mundo – Outsider System e Insider System. Outros modelos situam-se numa nuance entre esses dois modelos, aproximando-se mais de um ou outro sistema. O modelo brasileiro de governança corporativa se aproxima mais do insider system, com predominância da propriedade concentrada, papel relevante do mercado de dívida, forte presença de empresas familiares e con- troladas pelo estado e mais orientado às partes interes- sadas (inclusive por disposições legais). No entanto, à medida que o mercado de capitais e os investidores institucionais ganham destaque como alternativa de financiamento para as empresas, o mo- delo vem adquirindo algumas características do modelo anglo-saxão, como a crescente importância do mercado acionário como fonte de financiamento, o surgimento de algumas empresas com capital disperso e ativismo de acionistas ganhando importância. outsider system 20 Sistema de governança anglo-saxão (estados e rei- no unido) • Acionistas pulverizados e tipicamente fora do co- mando diário das operações da companhia; • Estrutura de propriedade dispersa nas grandes empresas; • Papel importante do mercado de ações no cresci- mento e financiamento das empresas; • Ativismo e grande porte dos investidores institu- cionais; • Mercado com possibilidade real de aquisições hostis do controle; • Foco na maximização do retorno para os acionis- tas (orientado para o acionista). insider system Sistema de Governança da Europa Continental e Japão • Grandes acionistas tipicamente no comando das operações diárias, diretamente ou via pessoas de sua indicação; • Estrutura de propriedade mais concentrada; • Papel importante do mercado de dívida e títulos no crescimento e financiamento das empresas; • Frequente o controle familiar nas grandes com- panhias, bem como a presença do Estado como 21 Governança Corporativa acionista relevante; • Presença de grandes grupos/conglomerados em- presariais, muitas vezes altamente diversificados; • Baixo ativismo e menor porte dos investidores ins- titucionais; • Reconhecimento mais explícito e sistemático de outros stakeholders não-financeiros, principal- mente funcionários (orientado para as partes in- teressadas). Foto:Shutterstock 22 • CAPÍTULO 4 EVOLUÇÃO DA GOVERNANÇA CORPORATIVA A economia dos diferentes países tornou-se cada vez mais marcada pela integração aos dinamismos do comércio internacional, assim como pela expansão das transações financeiras em escala global. Nesse contexto, as companhias foram objeto de sensíveis transformações, uma vez que o acentuado rit- mo de crescimento de suas atividades promoveu uma readequação de sua estrutura de controle, decorrente da separação entre a propriedade e a gestão empresarial. A origem dos debatessobre Governança Corpora- tiva remete a conflitos inerentes à propriedade dispersa e à divergência entre os interesses dos sócios, executivos e o melhor interesse da empresa. A vertente mais aceita indica que a Governança Corporativa surgiu para superar o "conflito de agência" clássico. Nesta situação, o proprietário (acionista) delega a um agente especializado (administrador) o poder de decisão sobre a empresa (nos termos da lei), situação em que podem surgir divergências no entendimento de cada um dos grupos daquilo que consideram ser o me- lhor para a empresa e que as práticas de Governança Corporativa buscam superar. Esse tipo de conflito é mais comum em socieda- des como os Estados Unidos e Inglaterra, onde a pro- 23 Governança Corporativa priedade das companhias é mais pulverizada. No Brasil, em que a propriedade concentrada pre- domina, os conflitos se intensificam na medida em que a empresa cresce e novos sócios, sejam investidores ou herdeiros, passam a fazer parte da sociedade. Nesse cenário, a Governança também busca equacionar as questões em benefício da empresa. A preocupação da Governança Corporativa é, por- tanto, criar um conjunto eficiente de mecanismos, tanto de incentivos quanto de monitoramento, a fim de asse- gurar que o comportamento dos administradores esteja sempre alinhado com o melhor interesse da empresa. Foto:Shutterstock unidade 2 26 UNIDADE 2 • CAPITULO 5 INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA CORPO- RATIVA (IBGC) Podemos mencionar que o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa - IBGC - é uma organi- zação sem fins lucrativos que visa as melhores práti- cas de Governança Corporativa, e como relatado nos capítulos anteriores podemos afirmar que Governança Corporativa são as normas existentes em uma empre- sa, ou seja, seu jeito de ser. O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa fornece aos interessados palestras, fóruns, conferencias para que seja possível desenvolver as melhores práticas de Governança Corporativa. O Instituto também fornece um programa de certificado para os conselheiros de ad- ministração e conselheiros fiscais. Cabe informar que os conselheiros têm como principal função analisar as demonstrações financeiras, ou seja, balanço patrimonial, DRE – Demonstração do Resultado do Exercício, DVA – Demonstração do Valor Adicionado -, DMPL – Demonstração das Mutações do Patrimônio -, sugerir as modificações e gerar relatórios com os assuntos que detém maior conhecimento. Sen- do assim, o IBGC possui uma mecânica para que con- 27 Governança Corporativa selheiros possuam as melhores práticas para com suas empresas. Além disso, o IBGC possui sede em São Paulo, mas está espalhado em 7 regiões, sendo elas: Santa Ca- tarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraná, Minas Gerais e Ceará. Ainda, possui participações em outros grupos como (GRI) – Global Reporting Initiative, (GNDI) Global Network of Director Institutes e também desde novembro de 1995 possui influência no desenvolvimento sustentável e em fa- tores de transparência, justiça e responsabilidade. O Instituto Brasileiro de Governança Corporati- va possui valores e propósitos próprios. Podemos citar: "ser referência em Governança Corporativa, contribuindo para o desempenho sustentável das organizações e in- fluenciando os agentes de nossa sociedade no sentido de maior transparência, justiça e responsabilidade." (Dis- ponível em: http://www.ibgc.org.br/inter.php?id=18065, acesso em 14 de agosto de 2016). Com base nas informações fornecidas pelo IBGC, podemos mencionar que seus principais valores estão ligados em desenvolver e espalhar as melhores práticas. Seus princípios são a transparência, equidade, presta- ção de contas e responsabilidade corporativa. A transparência está ligada a fornecer a informa- ção que interessa de forma clara e não pensando ape- nas em valores financeiros. 28 Em relação a equidade podemos afirmar como tratamento comum entre donos, sócios e investidores não sendo aceito qualquer atitude diferenciada. Prestação de Contas os agentes da Governança Corporativa têm como uma de suas obrigações o dever de prestar conta em relação a suas tomadas de deci- sões, para que assumam todos os seus atos. Responsabilidade Corporativa os agentes da Governança Corporativa devem zelar pela ordem so- cial e ambiental das organizações, ou seja, preservar pela sustentabilidade. Cabe mencionar que o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa é oriundo do Instituto Brasi- leiro de Conselheiros de Administração, fundado em 1995 e que depois se tornou o IBGC, pois se notava a necessidade de ampliar para questões fiscais, audito- ria, diretoria entre outras. Para retratar como o IBGC é formado, iremos re- tratar através do organograma que possui disponível em http://www.ibgc.org.br/inter.php?id=18057 no dia 14 de agosto de 2016. As assembleias são feitas para prestar conta anualmente, e cada dois anos são feitas reuniões para definir o Conselho de Administração e os Responsáveis dos Comitês de cada região (Capítulos); os diretores são eleitos pelo Conselho de Administração (CA). 29 Governança Corporativa Cabe mencionar que iremos tratar os aspectos de formação da Governança Corporativa na Unidade 5. Através do organograma podemos, desde já, no- tar a segregação de função para que não haja qualquer tipo de dependência ou influência entre as áreas, com intuito de gerar leis, normas com modelos objetivos. Sempre são divididas as questões operacionais com as questões de conhecimento centralizando no su- perintendente Geral. Nesse capítulo, ilustramos o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa com intuito de demonstrar 30 quem fornece parâmetros e instrumentos para a Gover- nança Corporativa, e também para que possam entender como é formada as melhores práticas, assunto que ire- mos tratar a seguir no Capítulo 6. • CAPÍTULO 6 MELHORES PRÁTICAS DE GOVERNANÇA CORPORATIVA Esse capítulo abordará as melhores práticas da Governança Corporativa e suas modalidades com intuito de informar as boas práticas de maior relevância para uma empresa. Como mencionado no capítulo anterior, atualmen- te o IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporati- va) possui um Código das Melhores Práticas de Gover- nança Corporativa - atualizado recentemente em 2015 gerando a 5a.edição. Como mencionado anteriormente, a Governança Corporativa cria regras dentro da rotina da empresa. Po- demos pensar como se fossem dentro do nosso cotidia- no, quando, por exemplo, jogamos uma partida de fute- bol, existem regras que seguimos, até mesmo aquelas que não estão descritas. Sendo assim, a Governança Corporativa segue este mesmo padrão de respeitar as regras que estão descritas dentro da rotina de uma empresa com intuito 31 Governança Corporativa de gerar uma informação única, de forma clara, e com rapidez. Com isso, a empresa consegue caminhar com suas próprias pernas. A Governança Corporativa vem com intuito de au- xiliar na tomada de decisões estratégicas, ou seja, de basear em valores. Um dos primeiros passos para que haja Governança Corporativa é estabelecer Diretorias por Setor, também conhecidas por Diretorias Temáticas, que são estabelecidas por áreas Contábil, Fiscal, Finan- ceira entre outras, assim como a implantação de Conse- lhos Administrativos e de Consultoria para que possam estabelecer as regras que a empresa deverá seguir. Cabe salientar que empresas com Governança Corporativa possuem mais credibilidade junto aos seus investidores por trazer maior transparência. Podemos mencionar, como as principais práticas de Governança Corporativa, as seguintes implementações: 1. Estabelecer Hierarquia transparente; 2. Realizar reuniões pontuais por projetos e registra-la; 3. Conselho Consultivo. Dessa forma, os benefícios à empresa de cada implementação são: no momento em que a empresa possui uma hierarquia transparente, os colaboradores sabema quem responder e conseguem estabelecer de forma ágil suas atividades. A partir do momento que sabemos de forma clara a quem respondemos conseguimos alinhar quais são as 32 atividades que vamos exercer, assim como as priorida- des, pois temos um canal direto de comunicação. E esse corpo de gestores poderá, em conjunto, ali- nhar as metas estabelecidas pela entidade, e nos casos que não seja possível a tomada de decisão pelos gestores temáticos caberá ao presidente tomar a decisão. Em algumas empresas, hoje, o cargo de presi- dência é rotativo para que todos os gestores possam li- dar com as questões de tomada de decisão, pois essa liderança deverá ser capaz de optar pela melhor decisão para entidade, que visará sempre os lucros. Atualmente nos deparamos com entidades que fa- zem reuniões sem objetivos, e aqueles que optaram em apenas trocar e-mails, mas uma das boas práticas de governança corporativa está relacionada às reuniões de acompanhamento dos projetos e do registro das reuniões. As reuniões periódicas têm como principal obje- tivo estabelecer metas e acompanhar os projetos esta- belecidos pela empresa, além de tornar mais efetiva e mostrar a tomada de decisão aos seus investidores. Além disso, caberá fazer o registro das reuniões conforme menciona as boas práticas de governança cor- porativa. Hoje, uma das formas de registro é através de Ata de Reunião com o acompanhamento de foto, com in- tuito de assegurar aqueles que participaram da reunião. Essas Atas deverão ser colocadas em algum canal de comunicação, tais como intranet, pra que seja disponibi- 33 Governança Corporativa lizada a qualquer colaborador da entidade, assegurando que todos os envolvidos saibam as etapas e também fa- çam o devido acompanhamento. Foto:Shutterstock Como mencionado anteriormente, a implantação dos conselhos administrativos ou consultivos também fa- zem parte das boas práticas da governança corporativa. O Conselho Consultivo é formado com intuito de gerar opiniões relevantes e condutas para que a empresa seja orientada, o Conselho normalmente é formado por 3 a 5 componentes. Esses componentes possuem uma vasta bagagem, pois eles terão como principal objetivo ajudar a empresa em suas tomadas de decisões, ou seja, quais são os caminhos que a 34 empresa deverá seguir. Os componentes que fazem parte desse conselho consultivo não são funcionários da empresa, eles perio- dicamente se encontram para tratar assuntos relaciona- dos a entidade. Cabe ressaltar que estão sempre assegurando as questões relacionadas ao mercado, e nesse momen- to em que vivemos dentro do território nacional ainda é mais importante verificar qual o comportamento dos concorrentes, como estamos atingindo o público e como estamos perante o mercado, para garantir resultados po- sitivos à empresa. Outro ponto importante é como inova- mos ao passar do tempo para que possamos driblar os momentos de crise por ter um produto ou serviço diferen- ciado e inovador. Além da inovação e do mercado, esse Conselho Consultivo também vai tratar questões voltadas à eficiên- cia. Cabe mencionar que a eficiência da empresa é o quanto ela é produtiva perante o mercado e perante aos sócios, investidores e aqueles que de alguma forma pos- sui interesse na empresa. Com base nessas três práticas da governança corporativa, podemos mencionar que, as mesmas, dão corpo e credibilidade à empresa, criando um diferencial competitivo, pois através da governança sabemos que a empresa segue critérios e parâmetros fundamentados, com intuito de garantir sua existência. 35 Governança Corporativa Com base em pesquisas de melhores práticas de adoção de Governança Corporativa, podemos mencio- nar a Braskem ”Empresa de capital aberto, a Braskem participa do Nível 1 de governança corporativa da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa) desde 2003. Fora do Brasil, as ações da Braskem também são lista- das na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) e na Lati- bex – seção latino-americana da Bolsa de Madri – e, por essa razão, estão sujeitas às exigências dos respectivos órgãos reguladores, quais sejam, Securities & Exchange Commision (SEC), nos Estados Unidos, e Bolsas y Mer- cados Españoles (BME), na Espanha.” que menciona através da sua página na internet conforme link: https:// www.braskem.com.br/governanca-corporativa, acessa- do em 20 de agosto de 2016. A governança corporativa está baseada em três pontos: transparência, ética e respeito ao público que possui relação. Sendo assim, ela busca gerar informações para que aqueles que têm qualquer tipo de relação tenha total controle das informações. Cabe salientar que as infor- mações geradas não são apenas quanto ao que possui obrigatoriedade legal, pois geram as informações com intuito de deixar os interessados cientes. E, sempre com intuito de seguir informações de acordo com as leis, in- dependentemente se as mesmas são legais, estatutárias ou regimentais. 36 Além disso, devem tratar aqueles de forma igua- litária em busca de um tratamento justo para com todos que se relacionam, sempre visando questões sustentá- veis devido à preocupação com a sociedade e ambiente que os cerca. A Governança Corporativa da Braskem é forma- da por Comitês, dentre eles o financeiro e o pessoal, que dão suporte ao Conselho Administrativo e Fiscal, ou seja, respeita uma das práticas de Governança Corporativa, que é contar com colaboradores que pos- suam bagagem para que possam tomar as decisões estratégicas da melhor forma. Além disso, busca estabelecer todos os seus prin- cípios e documentá-los através do Código de Conduta que podemos mencionar como outra prática, atualizado e escrito todas as tomadas de decisões por atas. E, ainda, estabelece com as partes interessa- das documentos para que haja um acompanhamento em relação às tomadas de decisões, números e ques- tões da área sustentável. • CAPITULO 7 VALOR DA GOVERNANÇA CORPORATIVA Como mencionamos anteriormente, precisamos definir os princípios e valores que vão assegurar os ne- gócios e que todos sigam os valores determinados pela 37 Governança Corporativa Governança Corporativa, com intuito de transmitir con- fianças aos que se relacionam com a entidade. Esse indicador envolve dois aspectos, a Auto-re- gulação da Conduta e as Relações Transparentes com a Sociedade. Cada um desses itens é tratado a seguir. A auto-regulação da conduta abrange três variáveis: compromissos éticos, o enraizamento desses compromis- sos na cultura organizacional e a governança corporativa. Os valores e compromissos éticos de uma empre- sa são explicitados em códigos de ética ou declarações de valores. O código de ética empresarial tem como ob- jetivo o compromisso moral de uma empresa em relação ao indivíduo, em particular, e com a humanidade, em ter- mos abstratos. Esse código, quando consistente com a cultura corporativa, ou seja, quando representa o esforço de atualizar os valores nele firmados nas relações no inte- rior de uma empresa, representa a lei moral mediante a qual os diretores e os funcionários devem se submeter. Dessa forma, um código de ética visa o sentido de respeito entre as pessoas e mediante a lei. A necessi- dade de integração articulada entre a afirmação de uma ética de humanidade (baseada na defesa dos direitos humanos e no dever de respeitá-los) e da ética geradora da moral convencional, baseada no exercício constante de aperfeiçoamento do ambiente de trabalho, das pes- soas envolvidas e de seu entorno. Nesse sentido, pode- 38 se pensar no respeito como virtude necessária para a construção de um ambiente ético em uma empresa. Com relação à adoção e à abrangência de valores e princípios éticos, existem quatro estágios, de acordo com o Instituto Ethos: • Estágio 1 – os valores da organização existem de maneira formal, mas estão pouco incorporados aos processos de trabalho e às atitudes e comporta- mentos das pessoas; • Estágio 2 – os valoresda organização estão do- cumentados em uma carta de princípios, dissemi- nados e incorporados aos processos de trabalho e às atitudes e comportamentos das pessoas; • Estágio 3 – a organização possui um Código de Ética e tem programa de orientação e treinamento para os empregados de todos os níveis hierárqui- cos, para garantir que os valores e princípios es- tejam incorporados aos processos de trabalho e às atitudes e comportamentos das pessoas; • Estágio 4 – o Código de Ética da organização pre- vê a participação de empregados, de parceiros ou da comunidade em sua revisão, além de ser sub- metido a controles e auditorias periodicamente. Nesse contexto, algumas considerações e reco- mendações básicas sobre um código de ética adequa- do podem ser feitas: 39 Governança Corporativa • Os códigos deveriam refletir as perspectivas dos stakeholders, os quais deveriam ser convocados quando de sua elaboração; • O formato de um código de ética não é o único possível para expressar as dimensões éticas em- presariais nem o mais adequado. A expressão éti- ca pode se valer das crenças, missões e declara- ções de princípios; • O êxito dos códigos de ética, ou seja, a sua popu- laridade, reside no fato de que se pode formalizar de forma mais fácil e responder à necessidade primária de regular os comportamentos pré-con- vencionais. Entretanto, a ambiguidade inerente está no fato de que os códigos “podem fomentar a crença de que adotam a expressão ética da em- presa e que toda a expressão ética da empresa há de se submeter à sua formalidade”; • A dimensão textual e a expressão de uma von- tade de controle e regulamentação são menos importantes que a vontade efetiva de elaborar um marco intersubjetivo de responsabilidades compartilhadas; • Os procedimentos mediante os quais se elabo- ram as regras e as decisões possuem a mesma importância dos valores expressos nas mesmas regras e decisões. • Existe o perigo de os códigos de ética serem mais 40 deontológicos (como os códigos profissionais) do que éticos, o que impede a articulação no marco de uma ética cívica e os incapacita a se abrir em uma dimensão de diálogo. Os estudos textuais dos códigos de ética apresen- tam seus benefícios e problemas. Os benefícios dos Có- digos de Ética Empresariais podem ser assim elencados: • Evitam o oportunismo de que a interpretação dos princípios e dos valores dependa da subjetividade de cada indivíduo; • Explicitam as expectativas e as referências que os participantes da organização devem ter em mente e reforçam a idéia de que a ética é um assunto empresarial; • Formalizam as experiências de forma que pas- sam a dispor de elementos formais quando do surgimento de um conflito; • Asseguram uma espécie de mínimo comum em- presarial que, ao menos, permite evitar as condu- tas não desejadas; • Fornecem um instrumento que apoie os indiví- duos que querem resistir à propostas imorais de seus superiores; • Ajudam a resolver o perigo de que os diretores decidam de maneira arbitrária, com quais são as formas de responsabilidade social da empresa 41 Governança Corporativa e, também, aclarar as relações entre os diversos stakeholders. A ética empresarial exige que a cultura organiza- cional seja a expressão dos valores assumidos e afir- mados pela companhia; isso significa fazer com que os valores proclamados sejam efetivamente enraizados nas práticas e processos administrativos. A empresa ética tem a ética enraizada na cultura e, naturalmente, todas as áreas da organização devem incorporar os fundamen- tos e ações de caráter ético. Foto:Shutterstock • CAPÍTULO 8 PRINCIPAIS CONCEITOS DE GOVERNANÇA A expressão “governance” surge a partir de re- 42 flexões conduzidas principalmente pelo Banco Mundial, “tendo em vista aprofundar o conhecimento das condi- ções que garantem um Estado eficiente”. Ainda segundo Diniz, “tal preocupação deslocou o foco da atenção das implicações estritamente econô- micas da ação estatal para uma visão mais abrangente, envolvendo as dimensões sociais e políticas da gestão pública”. A capacidade governativa não seria avaliada apenas pelos resultados das políticas governamentais, e sim pela forma pela qual o governo exerce o seu poder. Segundo o Banco Mundial, em seu documento Go- vernance and Development, de 1992, a definição geral de governança é “o exercício da autoridade, controle, adminis- tração, poder de governo”. Precisando melhor, “é a maneira pela qual o poder é exercido na administração dos recursos sociais e econômicos de um país visando o desenvolvimen- to”, implicando ainda “a capacidade dos governos de plane- jar, formular e implementar políticas e cumprir funções”. Duas questões merecem aqui destaque: a) A idéia de que uma “boa” governança é um re- quisito fundamental para um desenvolvimento sustentá- vel, que incorpora ao crescimento econômico equidade social e também direitos humanos; b) A questão dos procedimentos e práticas governamentais na consecução de suas metas adquire relevância, incluindo aspectos como o formato institucio- nal do processo decisório, a articulação público-privado 43 Governança Corporativa na formulação de políticas ou ainda a abertura maior ou menor para a participação dos setores interessados ou de distintas esferas de poder. Foto:Shutterstock unidade 3 46 UNIDADE 3 • CAPÍTULO 9 ÓRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO E CONTROLE O que é um Comitê de auditoria? É um órgão relevante de assessoramento ao con- selho de administração, para auxílio no controle sobre a qualidade de demonstrações financeiras e controles in- ternos, visando à confiabilidade e integridade das infor- mações para proteger a organização e todas as partes interessadas. Preferivelmente, deve ser formado apenas por conselheiros independentes e coordenado por um con- selheiro independente. Dada a grande possibilidade de conflitos de in- teresse, não convém possuir conselheiros internos ou executivos em sua composição, devendo estes últimos serem convidados para as reuniões quando necessário. Ao menos um de seus membros deve ter experiên- cia comprovada na área contábil, financeira ou de auditoria. O comitê de auditoria deve dar suporte ao conselho de administração nas seguintes atividades: • Monitoramento da efetividade e da qualidade dos controles internos da organização; • Monitoramento do cumprimento das leis, regula- mentos e sistemas de conformidade (compliance) 47 Governança Corporativa pela organização; • Supervisão da estrutura e das atividades de gerencia- mento de riscos pela gestão da organização, incluindo os riscos operacionais, financeiros, estratégicos e de imagem, em linha com as diretrizes e políticas estabe- lecidas pelo conselho de administração; • Monitoramento dos aspectos de ética e conduta e eventual existência de fraude; • Monitoramento da qualidade do processo contábil e respectivas práticas contábeis selecionadas, da preparação das demonstrações financeiras e ou- tras informações divulgadas a terceiros; • Supervisão das atividades de auditoria interna, in- cluindo a qualidade dos seus trabalhos, estrutura existente, plano de trabalho e resultados dos tra- balhos realizados; • Suporte ao conselho na contratação ou substituição do auditor independente e supervisão da sua atua- ção, estrutura, independência perante a organiza- ção, qualidade e resultados dos seus trabalhos; • Avaliação e monitoramento dos controles existen- tes para as transações da organização com partes relacionadas, bem como para a sua divulgação. Como deve se relacionar o comitê de auditoria com o conselho de administração, o diretor-presi- dente e a diretoria. 48 O comitê de auditoria deve reunir-se regularmente com o conselho de administração, o conselho fiscal e os demais comitês do conselho. Assim como os demais comitês, deve, a cada reunião do conselho de adminis- tração, prestar contas de suas atividades a esse órgão.Cabe ao coordenador do comitê de auditoria defi- nir, juntamente com o conselho de administração, o for- mato dessa prestação de contas. O diretor-presidente, os demais executivos e pro- fissionais da organização devem participar das reuniões do comitê de auditoria, na medida em que forem con- vocados, com o objetivo de apresentar esclarecimentos, informações e/ou documentos que sejam necessários para a atuação do comitê. O comitê de auditoria deve, juntamente com os auditores independentes, tratar dos seguintes temas: • Falar e tratar das práticas contábeis da organização; • Montar estimativas e julgamentos relevantes utilizados na elaboração das demonstrações financeiras; • Levantar, analisar e reportar os principais fa- tores de risco, incluindo sociais, ambientais e de governança; • Avaliar as mudanças do escopo da auditoria in- dependente; • Avaliar a existência de deficiências relevantes e/ou falhas significativas nos controles internos; 49 Governança Corporativa fraudes e atos ilegais; • Independência da equipe de trabalho e definição do plano de trabalho; • Principais pontos de auditoria identificados e o seu efeito nas demonstrações financeiras e no re- latório de auditoria. Para finalizar, é importante o comitê de auditoria assegurar-se da qualidade das informações oriundas de controladas e coligadas ou geradas por terceiros, uma vez que têm reflexo sobre as demonstrações financeiras do grupo econômico. Da mesma forma, deve, periodica- mente, avaliar a ilustração. Foto:Shutterstock 50 • CAPITULO 10 conduta e conflito de interesses O código de conduta tem por finalidade principal pro- mover princípios éticos e refletir a identidade e cultura orga- nizacionais, fundamentado em responsabilidade, respeito, ética e considerações de ordem social e ambiental. A criação e o cumprimento de um código de con- duta elevam o nível de confiança interno e externo na organização e, como resultado, o valor de dois de seus ativos mais importantes: reputação e imagem. A administração é responsável por dar o exem- plo no cumprimento do código de conduta. O conselho de administração é o guardião dos princípios e valores da organização. Dentre suas responsabilidades, está disseminar e monitorar, com apoio da diretoria, a incorporação de padrões de conduta em todos os níveis da organização. O código de conduta deve ser elaborado segundo os valores e princípios éticos da organização. Ele deve fomentar a transparência, disciplinar as relações inter- nas e externas da organização, administrar conflitos de interesses, proteger o patrimônio físico e intelectual, e consolidar as boas práticas de governança corporativa. Deve complementar as obrigações legais e regu- lamentares, para que considerações éticas e relativas à identidade e à cultura organizacionais influenciem a ges- 51 Governança Corporativa tão. Princípios éticos devem fundamentar a negociação de contratos, acordos, o estatuto/contrato social, bem como as políticas que orientam a diretoria. A abrangência do código de conduta deve ser de- finida conjuntamente pelo conselho de administração e pela diretoria, em função das características e do estágio de governança da organização. Cada organização deve contar com seu próprio có- digo de conduta, que deve refletir sua identidade e cultura. O código de conduta aplica-se a administradores, sócios, colaboradores, fornecedores e demais partes interessadas e abrange, ainda, o relacionamento entre elas. Ele deve expressar o compromisso da organiza- ção, seus conselheiros, diretores, sócios, funcionários, fornecedores e partes interessadas com a adoção de pa- drões adequados de conduta. O código de conduta deve, também, estabelecer um valor máximo até o qual administradores e funcio- nários possam aceitar bens ou serviços de terceiros de forma gratuita ou favorecida. O conselho de administração deve cobrar da di- retoria a criação e o fomento de uma cultura e valores organizacionais que direcionem as partes interessadas a adotar um comportamento ético e responsável. A diretoria deve liderar o processo de elaboração do código de conduta, segundo princípios e políticas de- finidos pelo conselho de administração. Esse processo 52 deve contar com a participação de representantes das partes interessadas. Cabe ao conselho de administração a aprovação da versão final do código de conduta. A participação das par- tes interessadas no processo de elaboração do código de conduta contribui para sua aceitação e legitimidade. A diretoria deve zelar pelo cumprimento do códi- go de conduta aprovado pelo conselho de administra- ção. Ela deve prestar contas ao conselho de adminis- tração, tempestivamente, em casos de infringência ao código, bem como das respectivas ações corretivas ou punitivas tomadas. Deve garantir efetividade ao código de conduta, mediante divulgação, leitura, compreensão, entendimen- to e treinamento, em todos os níveis da organização, de todos aqueles que devem observá-lo (administradores, membros do conselho fiscal e dos comitês, colaborado- res, fornecedores e prestadores de serviços). O código de conduta deve ser divulgado no site da organização, em local de fácil acesso. Programas de educação continuada para todos os níveis da organiza- ção são ferramentas adequadas para garantir a efetivi- dade do código de conduta. As organizações devem possuir meios pró- prios, tais como canais de comunicação formal, para acolher opiniões, críticas, reclamações e denúncias das partes interessadas. 53 Governança Corporativa Tal canal deve ter a necessária independência e, em todos os casos, garantir a confidencialidade de seus usuários e promover, de forma tempestiva, as apurações e providências necessárias. O canal de denúncias, especificamente, deve ter suas diretrizes de funcionamento definidas pela direto- ria e aprovadas pelo conselho de administração. Além disso, ele deve ser operado de forma independente e imparcial, com garantia de sigilo e confidencialidade do autor da mensagem/denunciante. Este serviço pode ficar a cargo de um terceiro de reconhecida capacidade. O conselho de administração e o comitê de audito- ria devem acompanhar o processamento das denúncias, na forma e periodicidade definidas por seu regimento ou pelo código de conduta, aprovar as conclusões e dar ciência dos resultados da investigação ao autor da men- sagem/denunciante. Em todas as hipóteses, o regimento ou código de conduta deve prever a abstenção do membro do conselho de administração, do comitê de auditoria e/ ou do comitê de conduta, se houver, conforme o caso, que estiver conflitado. Conflito de interesses Os conselheiros, assim como os executivos, têm dever de lealdade com a organização e não apenas com o sócio ou grupo de sócios que os indicaram ou elegeram. 54 Há conflito de interesses quando alguém não é in- dependente em relação à matéria em discussão e pode influenciar ou tomar decisões motivadas por interesses distintos daqueles da organização. A organização deve zelar pela separação e defini- ção clara de funções, papeis e responsabilidades associa- das aos mandatos de todos os agentes de governança. Devem ainda ser definidas as alçadas de decisão de cada instância, de forma a minimizar possíveis focos de conflitos de interesses. Este código propõe definições de independência para conselheiros de administração, sócios e auditores independentes. Critérios similares valem tanto para a avaliação da independência de diretores, como de qualquer colabora- dor ou representante da organização. A pessoa que não é independente em relação à matéria em discussão ou deliberação deve manifestar, tempestivamente, seu conflito de interesses ou inte- resse particular. Caso não o faça, outra pessoa deve manifestar o conflito, caso dele tenha ciência. Tão logo identificado conflito de interesses em relação a um tema específico, a pessoa envolvida deve afastar-se, inclusivefisicamen- te, das discussões e deliberações. Esse afastamento temporário deve ser registrado em ata. O conselho de administração tem o dever de ad- 55 Governança Corporativa ministrar e monitorar transações com potenciais con- flitos de interesses, ou aquelas que, direta ou indire- tamente, envolvam partes relacionadas (conselheiros, diretores e/ou sócios). O conselho de administração deve zelar para que transações entre partes relacionadas sejam conduzidas dentro de parâmetros de mercado em todos os aspectos (ex.: preço, prazo, garantias e condições gerais). O conselho de administração deve solicitar à di- retoria alternativas de mercado à transação entre par- tes relacionadas em questão, ajustadas pelos fatores de risco envolvidos. Deve, ainda, garantir que as transações entre par- tes relacionadas sejam reportadas adequadamente nos relatórios da organização. O estatuto/contrato social pode exigir que transa- ções entre partes relacionadas sejam aprovadas pelo conselho de administração (com a exclusão de eventuais membros com interesses potencialmente conflitantes). Sempre que necessário, transações entre partes relacionadas devem ser embasadas por laudos de ava- liação independentes, elaborados com base em premis- sas realistas e informações referendadas por terceiros. Na elaboração de tais laudos, não podem partici- par quaisquer partes envolvidas na operação em ques- tão, sejam elas bancos, advogados, empresas de con- sultoria especializada, dentre outros. 56 Formas de remuneração de assessores, consul- tores ou intermediários que gerem conflito de interesses com a organização, os administradores, os sócios ou classes de sócios devem ser evitadas. Empréstimos e garantias em favor do controlador e dos administradores devem ser proibidos. O estatuto/ contrato social da organização deve vedar essas opera- ções e prever políticas para a realização de transações entre partes relacionadas. Empréstimos entre empresas do mesmo grupo devem ser evitados, com exceção daqueles nos quais não haja diferença entre a composição acionária/socie- tária das partes envolvidas. Reestruturações societárias envolvendo partes re- lacionadas devem assegurar tratamento equitativo para todos os acionistas. O uso de informações privilegiadas em benefício próprio ou de terceiros é ilegal, antiético e viola o princí- pio de equidade. Tal uso prejudica não só a integridade do mercado como também a organização envolvida e seus sócios. O responsável pela conduta ilícita sujeita-se a im- plicações nas esferas civil, criminal e administrativa. Em relação ao uso de informações privilegiadas, o código de conduta deve definir, com clareza, o escopo e a abrangência das situações (ex.: utilização da informação privilegiada para finalidades comerciais ou para obtenção 57 Governança Corporativa de vantagens na negociação de valores mobiliários). Além da equidade fundamental em quaisquer transações envolvendo valores mobiliários, o código de conduta deve explicitar o dever de lealdade de todos para com a organização. A organização deve dispor, ainda, de um docu- mento específico, com os procedimentos a serem obser- vados para inibir e punir o uso indevido de informações. No caso dos executivos, o código de conduta deve dar especial atenção à forma de negociação de valores mo- biliários e prever um procedimento específico a respeito. A negociação de ações ou outros valores mobiliá- rios de emissão da própria organização por sócios con- troladores, diretores, membros do conselho de adminis- tração e do conselho fiscal, de outros órgãos estatutários e executivos com acesso a informação deve ser pautada por princípios de transparência, equidade e ética. Companhias abertas devem adotar, por delibera- ção do conselho de administração, uma política de nego- ciação de valores mobiliários de sua emissão. A política de negociação deve abranger quaisquer títulos referenciados nos valores mobiliários de sua emis- são ou emitidos por terceiros com os quais a organiza- ção mantenha relacionamento relevante (ex.: comercial, societário) ou esteja em processo de negociação. A organização deve desenvolver e monitorar con- troles que viabilizem o cumprimento de sua política de 58 negociação, bem como apurar e punir os responsáveis em caso de descumprimento. A diretoria de relações com investidores, com o apoio da auditoria interna, deve monitorar as negocia- ções com ações da organização por membros dos con- selhos de administração e fiscal com eventual uso de informação privilegiada. Deve ouvir as demandas de me- lhoria do ambiente de controles vindas da diretoria. Os sócios e investidores devem ser tratados de forma equitativa. Assim, devem ter acesso às informa- ções da organização simultaneamente. Companhias abertas devem adotar, por delibera- ção do conselho de administração, uma política de divul- gação de informações. Essa política deve prever que a divulgação de in- formações seja feita e apresentada de forma clara, obje- tiva e completa e abranja todas as informações relevan- tes, positivas e negativas. Deve discriminar as responsabilidades do conse- lho de administração e da diretoria e, em especial, do di- retor responsável pelas relações com sócios e investido- res (e sua interação direta com os públicos estratégicos da organização e com o próprio conselho de adminis- tração), e do comitê de divulgação (que pode assesso- rar a área de relações com investidores na criação e no monitoramento da comunicação da organização com as partes interessadas). 59 Governança Corporativa É importante que se defina o responsável por assegurar que a organização cumpra os requisitos de divulgação e aquele que determina quando uma infor- mação deve ser divulgada, evitar que informações pre- maturas sejam divulgadas e preservar informações con- fidenciais, a fim de prevenir assimetrias de informação, o vazamento e a utilização de informações relevantes ou privilegiadas e definir os porta-vozes para cada assunto a ser divulgado. O diretor de relações com investidores tem pode- res delegados de porta-voz da organização na comuni- cação com investidores. Não devem ser divulgados os debates das reu- niões do conselho de administração em blogs, redes so- ciais, entrevistas e outros meios não oficiais de comuni- cação da organização, a fim de se evitarem assimetrias de informação. É importante que seus administradores e funcio- nários compreendam, de forma clara e objetiva, os prin- cípios que regem doações de valores ou bens. O conselho de administração deve ser o órgão responsável pela aprovação de todos os desembolsos relacionados às atividades políticas. No intuito de assegurar maior transparência so- bre a utilização dos recursos da organização, deve ser elaborada política sobre suas contribuições voluntárias, inclusive aquelas relacionadas às atividades políticas. 60 Essa política deve deixar claro que a promoção e o financiamento de projetos filantrópicos, culturais, sociais e ambientais devem apresentar uma relação explícita com o negócio da organização ou contribuir, de forma facilmente identificável, para o seu valor. Também é importante estabelecer, de forma clara e objetiva, as condições e os limites para fazer doações, ofertar brindes e realizar contribuições a terceiros, inclu- sive e especialmente partidos políticos e candidatos a cargos públicos. Organizações controladas pelo Estado não devem realizar contribuições ou doações a partidos políticos ou a pessoas físicas e jurídicas a eles ligadas. Anualmente, a organização deve divulgar, de for- ma transparente, todos os custos oriundos de suas ativi- dades voluntárias. Além de violarem preceitos éticos, condutas ilícitas podem comprometer a imagem e reputação da organiza- ção e de seus colaboradores, deteriorar seu valor econômi- co e impactar sua sustentabilidade e longevidade. A prática de atos de natureza ilícita pode culminar na responsabilização civil, administrativae criminal da organização e de seus responsáveis. Cabe ao conselho de administração, com o apoio da diretoria, desenvolver política de prevenção e detec- ção de atos de natureza ilícita. 61 Governança Corporativa A organização deve se assegurar do estrito cum- primento dos dispositivos legais e adotar diretrizes e me- canismos de defesa de sua integridade para prevenir e detectar atos de natureza ilícita, tais como a prática de corrupção, fraude ou suborno. Tais diretrizes devem contemplar todos os ní- veis da organização e incluir as possíveis situações em que as pessoas ligadas a ela possam envolver-se como agentes tanto ativos quanto passivos. Devem, também, prever o funcionamento do ca- nal de denúncias com relação a atos de natureza ilícita e garantir o sigilo e a confidencialidade do denunciante. Programas e medidas, na forma de políticas relacionadas a ética, controles internos e conformi- dade (compliance) devem integrar as diretrizes da organização, incluindo questões relacionadas a pro- cessos e monitoramento. Organizações do setor privado também devem, com clareza e objetividade, abranger em suas diretri- zes a prevenção e detecção de condutas ilícitas no relacionamento com outras companhias do setor pri- vado e público. Em particular, organizações do setor financeiro, pela natureza e regulação de suas ativida- des, devem dar especial atenção à prevenção de atos ilícitos, como lavagem de dinheiro. 62 Foto:Shutterstock • CAPÍTULO 11 RISCOS, CONTROLES INTERNOS E COMPLIANCE Todos os negócios estão sujeitos a riscos, cuja origem pode ser operacional, financeira, regu- latória, estratégica, tecnológica, sistêmica, social e ambiental. Os riscos a que a organização está sujei- ta devem ser gerenciados para subsidiar a tomada de decisão pelos administradores. Os agentes de governança têm responsabilidade em assegurar que toda a organização esteja em con- formidade com os seus princípios e valores, refletidos em políticas, procedimentos e normas internas, e com as leis e os dispositivos regulatórios a que esteja subme- tida. A efetividade desse processo constitui o sistema de conformidade (compliance) da organização. Ações relacionadas a gerenciamento de riscos, controles internos e sistema de conformidade (complian- ce) devem estar fundamentadas no uso de critérios éti- 63 Governança Corporativa cos refletidos no código de conduta da organização. Compete ao conselho de administração aprovar po- líticas específicas para o estabelecimento dos limites acei- táveis para a exposição da organização a esses riscos. Cabe a ele assegurar-se de que a diretoria possui mecanismos e controles internos para conhecer, avaliar e controlar os riscos, de forma a mantê-los em níveis compatíveis com os limites fixados. O cumprimento de leis, regulamentos e normas externas e internas deve ser garantido por um processo de acompanhamento da conformidade (compliance) de todas as atividades da organização. A diretoria, em conjunto com o conselho de adminis- tração, deve desenvolver uma agenda de discussão de ris- cos estratégicos, conduzida rigorosamente ao longo de todo o ano, de tal forma que supere os paradigmas e vieses internos. Além da identificação de riscos, a diretoria deve ser capaz de aferir a probabilidade de sua ocorrência e a exposição financeira consolidada a esses riscos, incluin- do os aspectos intangíveis, implementando medidas para prevenção ou mitigação dos principais riscos a que a organização está sujeita. O comitê de auditoria, por meio do plano de traba- lho da auditoria interna, deve verificar e confirmar a ade- rência pela diretoria à política de riscos e conformidade (compliance) aprovada pelo conselho. A diretoria, auxiliada pelos órgãos de controle vin- 64 culados ao conselho de administração e pela auditoria interna, deve estabelecer e operar um sistema de con- troles internos eficaz para o monitoramento dos proces- sos operacionais e financeiros, inclusive os relacionados com a gestão de riscos e de conformidade (compliance). Deve, ainda, avaliar, pelo menos anualmente, a eficácia do sistema de controles internos, bem como prestar contas ao conselho de administração sobre essa avaliação. O sistema de controles internos não deve focar-se exclusivamente em monitorar fatos passados, mas tam- bém contemplar visão prospectiva na antecipação de ris- cos. A diretoria deve assegurar-se de que o sistema de controles internos estimule os órgãos da organização a adotar atitudes preventivas, prospectivas e proativas na minimização e antecipação de riscos. Foto:Shutterstock 65 Governança Corporativa • CAPÍTULO 12 AUDITORIA INTERNA A Auditoria Interna tem a responsabilidade de mo- nitorar, avaliar e realizar recomendações visando aper- feiçoar os controles internos e as normas e procedimen- tos estabelecidos pelos administradores. As organizações devem possuir uma função de au- ditoria interna, própria ou terceirizada. A diretoria e, parti- cularmente, o diretor-presidente, também são diretamente beneficiados pela melhoria do ambiente de controles de- corrente de uma atuação ativa da auditoria interna. O trabalho da auditoria interna deve estar alinhado com a estratégia da organização e baseado na matriz de riscos. Cabe à auditoria interna atuar proativamente no mo- nitoramento da conformidade dos agentes de governança às normas aplicáveis e na recomendação do aperfeiçoa- mento de controles, regras e procedimentos, em consonân- cia com as melhores práticas de mercado. Deve reportar-se ao conselho de administração, com apoio do comitê de auditoria, se existente. Em caso de terceirização dessa atividade, os serviços de auditoria interna não devem ser exer- cidos pela mesma empresa que presta serviços de auditoria independente. 66 Porém, os auditores internos podem colaborar, na extensão necessária, com os auditores externos, espe- cialmente na identificação e realização de propostas de melhorias nos controles internos da organização. Foto:Shutterstock 67 Governança Corporativa unidade 4 70 UNIDADE 4 • CAPÍTULO 13 CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO O conselho de administração é o órgão colegiado encarregado do processo de decisão de uma organiza- ção em relação ao seu direcionamento estratégico. Ele exerce o papel de guardião dos princípios, valores, ob- jeto social e do sistema de governança da organização, sendo seu principal componente. Além de decidir os rumos estratégicos do negó- cio, compete ao conselho de administração, conforme o melhor interesse da organização, monitorar a diretoria, atuando como elo entre esta e os sócios. Os membros do conselho de administração são eleitos pelos sócios. Na qualidade de administradores, os conselheiros possuem deveres fiduciários para com a or- ganização e prestam contas aos sócios nas assembleias. De forma mais ampla e periódica, também pres- tam contas aos sócios e às demais partes interessadas por meio de relatórios periódicos. O conselheiro tem seus deveres perante a orga- nização. O conceito de representação, pelo conselheiro, de qualquer parte interessada, é inadequado. Toda organização deve considerar a implementa- ção de um conselho de administração. O conselho deve 71 Governança Corporativa sempre decidir em favor do melhor interesse da orga- nização como um todo, independentemente das partes que indicaram ou elegeram seus membros. Ele deve exercer suas atribuições considerando o objeto social da organização, sua viabilidade no longo pra- zo e os impactos decorrentes de suas atividades, produtos e serviços na sociedade e em suas partes interessadas. Cabe ao conselho de administração identificar, discutir e garantir a disseminação dos valores e princí- pios da organização. Deve definir estratégias e tomar decisões que pro- tejam e valorizem a organização, otimizem o retorno do investimento a longo prazo, e busquem o equilíbrio entre as expectativas das partes interessadas. Deve promover uma cultura