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Resumo Intuitivo do Documento
Imagine a política brasileira como um jogo com três grandes times: o Executivo (que governa), o Legislativo (que faz as leis) e o Judiciário (que julga). A Constituição de 1988 é o livro de regras oficial.
O documento explica que, para evitar que um time ficasse poderoso demais, foi criado um sistema de "freios e contrapesos" (checks and balances), onde um time fiscaliza o outro. Nessa dinâmica, o Supremo Tribunal Federal (STF), o "juiz" principal do Judiciário, ganhou uma função muito importante: ser o árbitro final, o "guardião" do livro de regras, garantindo que ninguém desrespeite a Constituição.
Com o tempo, o STF começou a ser chamado para resolver cada vez mais problemas, desde questões políticas importantes até a garantia de direitos básicos, como saúde. Esse fenômeno é chamado de judicialização da política.
O problema é que, para resolver essas questões, o STF às vezes adota uma postura mais "participativa" e intensa, o que é chamado de ativismo judicial. Isso gerou um debate: o STF estaria se intrometendo demais no campo dos outros times?
Essa atuação exagerada, somada à lentidão dos processos e a decisões polêmicas de ministros individuais (a "ministrocracia" ), começou a gerar uma crise de credibilidade. Pesquisas mostram que a confiança da população no Judiciário vem caindo.
No fim, o documento discute se o STF deveria sempre dar a "última palavra" (supremacia judicial) ou se a melhor solução seria um diálogo entre os três Poderes para interpretar as regras do jogo juntos.
Principais Pontos que Podem Cair na Prova
1. Separação dos Poderes e o Papel do STF
· Separação dos Poderes: A Constituição de 1988 a estabelece como cláusula pétrea, ou seja, não pode ser abolida. A ideia é dividir as funções estatais entre Executivo, Legislativo e Judiciário para evitar o acúmulo de poder.
· Sistema de Freios e Contrapesos (Checks and Balances): É um sistema flexível onde os Poderes se controlam mutuamente. Exemplo: o presidente pode vetar leis do Congresso, e o Congresso pode sustar atos do Executivo.
· Função do STF: É o "guardião da Constituição", responsável pelo controle de constitucionalidade, que verifica se as leis e atos dos outros Poderes estão de acordo com a Constituição. Funciona como um árbitro dos conflitos entre os Poderes.
· Controle de Constitucionalidade: No Brasil, o modelo é misto: 
· Difuso: Qualquer juiz ou tribunal pode declarar uma lei inconstitucional em um caso concreto.
· Concentrado: O STF julga a (in)constitucionalidade de uma lei em tese, de forma abstrata, por meio de ações como a ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade).
· Evolução Histórica: A Constituição de 1988 fortaleceu o STF ao ampliar o número de pessoas e instituições que podem propor ações diretas (como o Presidente, mesas do Congresso, etc.) e ao criar instrumentos como o mandado de injunção e a ADI por omissão.
2. Judicialização da Política e Ativismo Judicial
· Judicialização: É o fenômeno de transferência de decisões políticas, sociais e econômicas relevantes para o Poder Judiciário. Acontece, em parte, porque os Poderes eleitos (Executivo e Legislativo) falham em resolver essas questões.
· Causas da Judicialização no Brasil: 
· A Constituição de 1988 é muito detalhada e possui um vasto catálogo de direitos que podem ser exigidos na justiça.
· O amplo acesso à justiça e ao controle de constitucionalidade.
· A fragmentação do poder político no presidencialismo de coalizão.
· Ativismo Judicial: É uma postura proativa e expansiva do Judiciário, que interfere de forma mais intensa nas funções dos outros Poderes para concretizar valores da Constituição. Ocorre principalmente quando há lacunas na lei sobre temas polêmicos.
· Autocontenção Judicial (Self-Restraint): É o oposto do ativismo. Ocorre quando o Judiciário adota uma postura de maior respeito e deferência às decisões dos Poderes eleitos.
3. Crise de Credibilidade do Judiciário
· Causas da Crise: 
· Judicialização Excessiva: O excesso de demandas sobrecarrega o sistema e gera problemas, como na área da saúde, onde decisões judiciais individuais podem desorganizar políticas públicas.
· Morosidade: A lentidão da justiça é uma das principais queixas da população. A taxa de congestionamento de processos é muito alta.
· Críticas à Supremacia Judicial: O debate sobre se o STF deveria ter a "última palavra" sobre a Constituição.
· Supremocracia e Ministrocracia: 
2. Supremocracia: Termo usado por Oscar Vilhena Vieira para descrever a expansão da autoridade do STF sobre os outros Poderes e sobre as demais instâncias do próprio Judiciário.
2. Ministrocracia: Crítica de que o poder no STF é exercido de forma individual pelos ministros, por meio de liminares, decisões monocráticas e pedidos de vista, sem um debate coletivo no plenário. Isso torna as decisões "duplamente contramajoritárias".
· Dados de Confiança: Pesquisas como o ICJBrasil mostram uma queda na confiança da população no Judiciário e no STF ao longo dos anos. Em 2017, apenas 24% dos entrevistados confiavam no Poder Judiciário. As principais razões para a desconfiança são a lentidão, o alto custo e a percepção de falta de honestidade e independência.

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