Prévia do material em texto
Severino Pedro da Silva Santo 2 O Espírito Santo é um Ser real que age e vive entreA Existência e a Pessoa do Espírito Santo O Espírito Santo é um Ser real que age e vive entre nós Severino Pedro da Silva Digitalização: SusanaCap Revisão: Paulo LANCAMENTO www.semeadoresdapalavra.net Nossos e-books são disponibilizados gratuitamente, com a única finalidade de oferecer leitura edificante a todos aqueles que não tem condições econômicas para comprar. Se você é financeiramente privilegiado, então utilize nosso acervo apenas para avaliação, e, se gostar, abençoe autores, editoras e livrarias, adquirindo os livros. SEMEADORES DA PALAVRA e-books evangélicosTodos os Direitos Reservados. Copyright 1996 para a língua portuguesa da Casa Publicadora das Assembléias de Deus. Capa: Jayme de Paula Prado - Deus o Espírito Santo Silva, Severino Pedro A Existência e a Pessoa do Santo /Severino Pedro da Silva ed. - Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1996 p. 152. cm. 14x21 ISBN 85-263-0073-3 1. Deus o Santo 2. Teologia Deus o Espírito Santo Casa Publicadora das Assembléias de Deus Caixa Postal 331 20001-970, Rio de Janeiro, RJ, Brasil Edição/1996 ÍNDICE Apresentação 5 Prefácio 6 Introdução 7 1. A do Espírito Santo 8 2. Nomes e Títulos do Espírito Santo 20 3. Figuras e Símbolos do Espírito Santo 31 4. O Batismo com o Espírito Santo 45 5. Os Dons Espirituais 57 6. Os Dons de Revelação 70 7. Os Dons de Poder 82 8. Os Dons de Expressão 96 9. A Blasfêmia contra o Espírito Santo 106 10. O Fruto e os Frutos do Espírito 115CONTRACAPA Seria o Espírito Santo uma influência, ao invés de um Ser dotado de personalidade e atributos divinos? Muitas seitas lhe têm negado a condição de Pessoa divina; outras até questionam sua existência. Mas o pastor Severino Pedro, pela Bíblia, faz desmoronar estes dois posicionamentos: o Espírito Santo existe, e é uma Pessoa - a terceira da Santíssima Trindade. Passo a passo, e através das Sagradas Escrituras, com abundantes referências que revelam nomes, títulos, figuras e a obra do Consolador, você será conduzido a esta realidade. autor discorre ainda sobre outros temas relacionados a este Ser sublime: batismo com o Espírito Santo Os dons espirituais fruto do A blasfêmia contra Santo AUTOR Ministro do Evangelho, é autor dos livros Daniel, Versículo por Apocalipse, Versículo por Os Anjos, Sua Natureza e entre outros.APRESENTAÇÃO A pessoa do Espírito Santo é contestada por muitas Algumas até defendem sua existência, mas rejeitam a idéia de que Ele seja uma Pessoa distinta na Santíssima Trindade. No entanto, as Sagradas Escrituras apontam claramente para um Ser dotado de personalidade - o Consolador, que vive e age no seio da Igreja de Cristo. Portanto, nós, evangélicos, cremos no Espírito Santo como Pessoa, conforme demonstra o pastor Severino Pedro da Silva nesta obra. autor, pelas Sagradas Escrituras, relaciona nomes, títulos, figuras, símbolos e até pronomes usados para descrever o Espírito Santo, tornando bem visíveis os contornos de sua sublime personalidade. A descrição da Pessoa, segue-se-lhe a obra: sua missão junto à Igreja, os dons espirituais e o fruto na vida daqueles que lhe servem de templo. Portanto, A Existência e a Pessoa do Santo lhe servirá não somente de estímulo à fé como irá ajudá-lo a conhecer melhor este divino Ser e a aproximar-se ainda mais de Ronaldo Rodrigues de Souza Diretor Executivo da CPADPREFÁCIO O sucesso da Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo, aqui neste mundo, tem sido a presença do Espírito Santo entre os cristãos; ainda que muitos procurem (sem sucesso) negar esta realidade. Algumas pessoas têm ignorado a existência do Espírito Santo, levadas por um ceticismo mais teórico que prático. O ceticismo, segundo Sócrates, prejudica a busca pelo conhecimento e enfraquece a moralidade. Mais tarde, Agostinho descreve o ceticismo como uma escuridão espiritual que destrói a fé e não deixa os homens encontrarem a verdade. A fé, contrariamente, prepara o solo para o cultivo da verdade. Neste livro, o autor mostra a importância de crermos firmemente no princípio básico da existência do Espírito de Deus, de sua atuação na Igreja como Substituto legal de Jesus Cristo. Revela também não haver limites para o que o Espírito Santo possa fazer na vida do crente, dependendo das circunstâncias e da obediência pessoal de quem Ele inspira. Paulo encontrou em Éfeso "alguns discípulos" que lhe disseram: "Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo..." (At 19.2), e em Corinto, pessoas que eram "ignorantes acerca dos dons espirituais" (1 Co 12.1). Portanto, não é de admirar que haja também em nossos dias pessoas que, por falta de informações objetivas, "desconheçam" certas manifestações do Espírito Santo na igreja e em suas próprias vidas. Por esta razão, e por outras, recomendamos a leitura deste livro - com meditação e amor. Pr. José Wellington Bezerra da Costa Presidente da Convenção Geral das Assembléias de Deus no BrasilINTRODUÇÃO Pneumatologia é a ciência que estuda a existência do Espírito Santo, sua natureza divina, seus atributos e manifestações, seu relacionamento com Deus e com Cristo, bem como sua atuação em relação ao universo físico e espiritual, os seres e as coisas. Apesar dos esforços que muitos têm empreendido para negar sua existência e poder, o Espírito Santo é um ser dotado de personalidade. Um ser moral, pessoal e divino. A revelação plenária das Escrituras mostra claramente seus atributos naturais e morais; e, de igual modo, sua presença e manifestação em ambos os Testamentos. As luzes da fé e da razão natural inferem que o aceitemos como um Ser supremo, divino, que faz parte da Santíssima Trindade. Negar esta realidade, baseado apenas em conceitos humanos, implica em rejeitar também a existência de Deus Pai e de Deus Filho, que é Jesus Cristo, nosso Senhor (1 Jo 5.6-8).1. A EXISTÊNCIA DO ESPÍRITO SANTO I Quem É o Espírito Santo O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Ele aparece pela primeira vez nas Escrituras em Gênesis 1.2, e em diante sua presença é proeminente em ambos os Testamentos. O vocábulo que dá sentido ao seu nome é o grego pneuma, vindo da raiz hebraica ruach. Ambos os termos, quando aplicados para dar significação divina e sem igual, denotam o infinito Espírito de Deus. A atuação deste supremo Ser é marcante nas Escrituras como o Substituto legal do Filho de Deus, desde o Pentecoste até o arrebatamento da Igreja (Jo 16.7), e continuando depois com ela para sempre (Jo 14.16). Ele veio ao mundo como o "Agente da Comunicação Divina". Sua origem não se encontra nas tábuas genealógicas, pois, sendo Ele um dos membros da Divindade, é a ori- gem de si mesmo e a causa de sua própria substância. II - Sua Preexistência A natureza e os atributos do Espírito Santo caracterizam-no como o "Espírito eterno", não conhecendo princípio de dias nem fim de existência (Hb 9.14). Ele aparece ao lado de Deus, quando havia unicamente o Deus trino e uno. tempo, que marca extensão, é percebido através da relação entre "antes" e "depois". Uma vez que o Espírito Santo tem a mesma natureza de Deus, o tempo não se aplica a Ele já que existe pela própria necessidade de sua Ele é um Ser vivo, dotado de personalidade, não sendo meramente uma influência ou emanação de Deus. Antes, é uma Pessoa claramente divina, que faz parte da Trindade. Não um ser criado, como nós ou as demais criaturas que, porum ato de Deus, passamos a existir num certo tempo e lugar. 1. No Antigo Testamento período do Antigo Testamento foi de preparação e espera a este Ser eterno, cuja ação plena concretizou-se no Mas antes, como sabemos, o Eterno Espírito de Deus já operava. Em suas várias manifestações e demonstrações de poder, tanto no universo físico como no espiritual, sua presença é sentida e revelada (Gn 1.2; 6.3; 8.19; Jo 33.4 etc.) Entretanto, eram apenas manifestações objetivas e tópicas, pois até então o Espírito Santo não havia sido "derramado" e sim "manifestado" (cf. 2.28; Jo 7.39). Espírito Santo se revelava de três maneiras, visto no contexto geral. a. Como Espirito criador do cosmo. Por cujo poder o Universo e todos os seres foram criados. b. Como Espírito dinâmico ou doador de poder. Revelado como o Agente de Deus em relação aos homens; entretanto, não era outorgado como dádiva permanente. Em sentido tópico, tal sucedia até mesmo no caso dos profetas, embora seja seguro pensar que homens mais profundamente espirituais possuíam o dom do Espírito por tempo mais dilatado que o comum (cf. SI MI 2.15). Como Espírito regenerador. Pelo qual a natureza humana é transformada "de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor" (2 Co 3.18). Encontramos sua presença no Antigo Testamento, em várias manifestações de poder, num total de 88 vezes: 13 no Pentateuco; sete em Juizes; sete em 1 Samuel; cinco nos Salmos; 14 em Isaías; 12 em Ezequiel; e trinta outras, por inferência. Dos 39 livros do Antigo testamento, apenas 16 não fazem referência específica a Ele - mas em Algumas referências marcam sua presença nesse período, descrevendo-o como membro ativo da Divindade e participante de BANCROFT, E. H. Teologia São Paulo, IBR, 1975.decisões somente a ela Vejamos algumas: Na criação do Universo: "E o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas" (Gn 1.2). Na criação do homem: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa (Gn 1.26). No juízo sobre o pecado: "Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós... (Gn 3.22). No julgamento sobre o dilúvio: "Então disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem..." (Gn 6.3). Sobre a construção da torre de Babel: "Eia, e confundamos ali a sua 11.7). O Espírito Santo é também retratado, em relação aos homens, como aquEle que ilumina (Jo 33.8), dá forças especiais (Jz 14.6,19), concede sabedoria 31.1-6; Dt 34.8), outorga revelações (Nm 11.25; 2 Sm 23.2), instrui sobre a vontade de Deus (Is 11.2), administra graça (Zc 12.10) e, finalmente, enche as vidas com sua presença (Ef 2. No Novo Testamento Espírito Santo entra em cena logo nas primeiras páginas do Novo Testamento. O anjo Gabriel informa a Zacarias, um velho sacerdote da ordem de Abias, que seu futuro filho, João Batista, seria cheio do Espírito Santo desde o ventre materno (Le 1.15). O mesmo mensageiro celestial diz a Maria que o Espírito Santo desceria sobre ela (Le 1.35). Mais adiante encontramos o justo Simeão, e "o Espírito Santo estava sobre ele" 2.25). Durante a vida terrena de nosso Senhor Jesus, a atuação do Espírito Santo acompanhava seus passos, palavras e obras. Ou seja, Jesus era "cheio do Espírito Santo" (Lc 4.1). E podia exclamar: "O Espírito do Senhor é sobre mim" 4.18).III - Sua Existência Pós-pentecostal Vinte e cinco livros dos 27 que compõem o Novo Testamento descrevem o Espírito Santo como um Ser real. Apenas dois, Filemom e 3 João, falam dEle apenas em essência. Há duas citações sobre a existência do Pai e do Filho que não mencionam sua existência: "E a vida eterna é esta: que te a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem envias-te" (Jo 17.3). "E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do (Ap22.1). No entanto, a ausência do Espírito Santo nestas duas citações não lhe nega a existência como Pessoa real! Pelo contrário, prova sua humildade e grandeza. De acordo com a Lei mosaica, o testemunho de dois homens era verdadeiro para se firmar qualquer palavra ou sentença. Dois grandes personagens, João Batista e Jesus Cristo, afirmaram ter visto o Espírito Santo em forma "E João testificou, dizendo: Eu vi Espírito descer do céu como uma pomba, e repousar sobre ele. E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo" (Jo 1.32,33). "E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e viu o de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele" (Mt 3.16). IV - Sua Natureza A terceira Pessoa da Trindade é Espírito por natureza! Ou seja, tal qual Ele é, tanto o seu Ser como o seu caráter, assim são também o Pai e o Filho: iguais em aspecto, poder e glória. fato de o Espírito Santo ser Deus fica provado não somente por sua identificação com o Pai e o Filho, nas fórmulas do batismo e dabênção apostólica, mas também pelos atributos divinos que possui. Em outros aspectos, o Espírito Santo é co-participante dos atos de Deus, especialmente pela sua maneira tríplice de agir, como por exemplo: 1. Na bênção das tribos "O Senhor Deus te abençoe e te guarde: o Senhor [Jesus] faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti. Senhor Santo] sobre ti levante o seu rosto, e te dê a paz" (Nm 6.24- 26). 2. Na bênção apostólica "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com vós todos" (2 Co 13.13). 3. No perdão "Ó Senhor [Deus], ouve; ó Senhor [Jesus], perdoa: ó Senhor [Espirito Santo], atende-nos e opera sem tardar" (Dn 9.19). 4. No louvor "E clamavam uns para com os outros, dizendo: Santo [Deus], Santo [Jesus], Santo Santo] é o Senhor dos Exércitos: toda a terra está cheia da sua glória" (Is 6.3). 5. No batismo "Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do 28.19). 6. Nos dons "Ora há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor [Jesus] é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos" 12.4-6).7. Na unidade da fé "Há um só... um só Senhor [Jesus]... um só Deus e Pai de todos.. 8. No testemunho "Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um" (1 Jo 5.7). Evidentemente, a presença do Espírito Santo é vista por toda a extensão das Escrituras, sempre agindo de comum acordo com o Pai e o Filho, De Deus se declara: "Desde a fundaste a terra: e os céus são obra das tuas mãos" 102.25). De Cristo se declara: "Porque nele foram criadas todas as coisas, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades: tudo foi criado por ele e para ele" 1.16). Do Espírito Santo se declara: "Pelo seu Espírito ornou os céus" (Jo 26.13). Os atos da criação - em separado, ainda que completos - da parte de cada Pessoa reúnem-se na afirmação do nome de Deus [Eloim], e por diante. Ele é, portanto, o Espírito eterno (Hb 9.14). É onipresente (SI 139.7-10), onipotente 1.37) e onisciente (1 Co 2.10). A Ele se atribuem obras divinas: tomou parte na criação (Gn 1.2); produz novas criaturas para Jesus (Jo 3.5); ressuscitou a Jesus Cristo dentre os mortos (Rm 1.4; 8.11). O sentido que lhe dá a palavra grega - herdada do original hebraico - é sem igual. Pneuma, como termo psicológico, representa a sede da percepção, do sentido, da vontade, do estado da mente, ou pode ser equivalente ao ego da pessoa humana (Mc 2.8; Le 1.47; Jo 11.33; 13.21 etc). Porém, o termo pneuma, ou vocábulo grego 2 SILVA, S. P. da. Quem Deus. Rio de Janeiro, CPAD, 1991.correspondente, aparece 220 vezes no Novo Nada menos de 91 dessas ocorrências, em essência especial, com ou sem qualificativo quanto ao caráter ou a origem, indicam o Espírito Santo. São usados pronomes masculinos, como na indicação do Pai e do Filho, dominando, portanto, toda construção gramatical neste sentido. Isto é importante! V Seu Relacionamento A atuação do Espírito Santo pode ser vista tanto em relação ao universo físico como ao espiritual. Sua ação pode ser presenciada em ambos os Testamentos. Entretanto, com maior impacto, o Espírito foi prometido para uma dispensação futura, a tal ponto que, nos tempos do Messias, Ele seria "derramado sobre toda a carne". 1. Com o Universo "E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas" (Gn 1.2). Observe-se que a palavra "Deus" está no plural, e o verbo, no singular (no hebraico, há três números: singular, dual e plural). Assim, a natureza de Deus é revelada na primeiras palavras de Gênesis, como de igual modo o Filho e o Espírito Santo: uma Trindade, porém um só Deus. Filho aparece na "segunda" palavra da Bíblia Ele é o princípio (Ap 3.14). O Pai aparece na "quarta" palavra. O Espírito Santo aparece na "trigésima-terceira" palavra, e por diante sua presença contínua e suas manifestações tópicas nas obras de Deus são presenciadas em cada acontecimento. Dessa maneira, podemos aceitar que, na criação do Universo, o Pai a propôs 3 RIGGS, R. M. Espirito Santo, São Paulo, Vida, 1981.e o Filho agiu pela energia do Espírito Santo. Subentende-se, portanto, que o Espírito Santo, como Divindade inseparável em toda a criação, manifesta sua presença em todos os elementos da natureza Todas as forças da natureza são apenas evidências da presença e operação do Espírito de Deus. Toda a criação, e todo ser criado, deve sua existência e continuação às "mãos de Deus": Cristo ("Nele foram criadas todas as coisas", 1.16) e ao Espírito Santo ("Ele criou e ornamentou a todas as coisas"; cf. Jo 26.13; 33.4; SI 104.30). 2. Com Cristo O Santo desceu sobre Maria, produzindo a concepção virginal do Filho de Deus (Mt 1.20; 1.23), e é visto como aquEle que "ungiu" Jesus de Nazaré, capacitando-o para sua missão evangelizadora 4.18,19) e seu ministério miraculoso. Pedro afirma que Deus "ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele" (At 10.38). Ele veio substituir o Filho na missão de conduzir os homens a Deus, como sua Testemunha poderosa (Jo 15.26). É a força restauradora por meio da qual Cristo opera (Rm 8.11). Finalmente, Ele é o "Amigo Fiel" de Cristo, glorificando-o por ter realizado tão sublime redenção em favor de quem não a merecia (Jo 16.14). 3. Com a Igreja O Espírito Santo é o único que pode regenerar a alma, mediante seu toque transformador. Sua presença entre os salvos deve ser contínua e perpétua, pois assim produz no crente fruto semelhante a natureza moral positiva de Deus (GI O objetivo principal do fruto do Espírito no crente, bem como de todas as suas operações na alma, é transformá-lo segundo a imagem de Cristo, nos termos mais literais possíveis (2 Co 3.18). A promessa de Jesus a seus discípulos foi a presença constante doEspírito em suas Ele disse: "... para que [o Espírito Santo] fique convosco para sempre... porque habita convosco, e estará em vós" (Jo 14.16,17). a. Após a ressurreição de Cristo. Depois de ressurreto, Jesus entrou numa casa para participar com seus discípulos da primeira reunião de seu ministério celestial. As portas daquele santuário improvisado estavam "cerradas... onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham Após tê-los saudado ("Paz seja convosco!"), o segundo ato do Senhor foi "soprar" sobre eles, dizendo: "Recebei o Espírito Santo" (Jo 20.19,22). Todo salvo, segundo as Escrituras, tem o Espírito Santo como selo da ressurreição de Cristo. Porque "se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele" (Rm 8.9). E esta é a confirmação divina: "Se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós", então, sem nenhuma dúvida, "somos filhos de Deus" (Rm 8.11,16). Ora, o grande sucesso, tanto da igreja como do crente em particular, tem sido a presença gloriosa do Espírito Paulo revela aos crentes de Corinto: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o de Deus habita em vós?" (1 Co 3.16). b. A habitação do Depois do processo de regeneração no pecador, o Espírito Santo passa a habitar nele, e aí permanece como Agente divino da comunicação com o Pai e o Filho. A habitação do Espírito é uma fase posterior à obra da conversão, e possibilita o crescimento da nova vida iniciada naquele que foi chamado das trevas para viver na luz. "Precisamos reconhecer sua presença permanente no templo de nossos corpos. Esse reconhecimento deve tornar-se sagrado e levar-nos, sem interrupção alguma, a uma vida imaculada, livre depecado. É o segredo da experiência de seu poder, que permanentemente atua naquele que é fiel e obediente a Cristo" A comunhão com o Espírito Santo leva o crente a aspirar pela sua presença, no dizer de Paulo: "Não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito" (Ef 5.18). A companhia do Espírito. R. M. Riggs observa que desde o seu advento, no dia de Pentecoste, em Jerusalém, e através de outras visitações nas congregações de Samaria (At 8), Cesaréia (At 10), Antioquia da Síria (At 13.2,4), Antioquia da Pisídia (At 13.14), Éfeso (At 19.1-7), Corinto (1 Co 12.13) e Galácia (GI o Espírito Santo continua habitando pessoalmente nos crentes em Jesus - algo que Cristo não poderia fazer quando andava visivelmente na terra em carne humana, isto é, de habitar o corpo dos outros, mas o Espírito Santo o faz agora. d. Dirigindo nossos passos. A partir do Pentecoste, o Espírito Santo passou a dirigir os passos da Igreja. A nova dispensação, inaugurada pela glorificação de Cristo, é chamada tanto de era do Espírito Santo como era da Igreja. Espírito e a Igreja em tudo agem de comum acordo. A Igreja sem o Espírito seria um corpo sem vida; e o Espírito sem a Igreja, uma força sem meio de ação. Por esta razão o Espírito e a Igreja são inseparáveis e sempre dirigidos um para o outro. Ambos são anunciados e prometidos por Jesus durante o seu ministério terreno (Mt 16.18; Jo 7.39). Depois da ressurreição de nosso Senhor, os dois aparecem juntos no plano da salvação. Finalmente, o Espírito e a Igreja estão unidos na mesma espera: o advento de Jesus Cristo (Ap 22.17). e. No livro de Atos dos Apóstolos. Espírito Santo rouba a 4 CHAMPLIN, R. N. Novo Testamento Milenium, 1982.cena neste livro que é padrão para a Igreja, tanto no sentido evangelístico como no administrativo e social. Assim como nos evangelhos a presença do Filho de Deus revelando e exaltando o Pai é o fato principal, também a presença do Espírito Santo, exaltando e revêlando o Filho de Deus, preenche o campo inteiro de nossa visão em Atos - até nossos Cumprem-se assim as palavras de Jesus aos discípulos: "Ele [o Espírito Santo] habita convosco, e estará em vós" (Jo 14.17). 4. Com o Mundo Nosso Senhor sintetizou a missão do Espírito: "E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça, e do juízo" (Jo 16.8). a. "Do pecado, porque não crêem em mim" (Jo 16.9). Existem várias interpretações sobre o poder de convencimento do Espírito Santo, sendo que as opiniões seguem mais ou menos assim: "As palavras de Jesus no versículo 9 apontam principalmente o tremendo pecado da rejeição ao Messias, do qual é antes de todos acusada a incrédula comunidade judaica" (At 3.18-20; 7.7,45;15.22). Está em foco o pecado de rejeição, porquanto a Luz veio ao mundo, mas os homens a rejeitaram. Jesus "veio para o que era seu [os judeus], e os seus não o receberam" (Jo 1.11). Com a vinda gloriosa do Espírito Santo, todos foram convencidos deste pecado "contra" Cristo. Uma segunda interpretação diz respeito à poderosa atuação do Espírito na conversão do homem. O Espírito Santo opera diretamente no coração do homem, e este se convence de que é um pecador de fato a vagar sem rumo nesta vida. O Espírito, então, mostra-lhe a cruz de Cristo (Ap 22.17). b. "Da justiça, porque para meu Pai, e não me vereis mais" (Jo 16.10). Temos aqui um avanço em relação a idéia anterior, pois o Espírito Santo agora não somente revela aos homens de queconsiste o pecado, convencendo-os dessa realidade, mas também de que consiste a justiça. Em outras palavras, o Espírito de Deus convence os homens da justiça de Cristo. "E do juízo, porque já o principe deste mundo está julgado" (Jo 16.11). O senso moral correto exige que os homens sejam recompensados ou punidos. Essa prova moral baseia-se na justiça de Deus, que exige recebam a virtude e o vício as sanções que lhes são devidas: recompensa ou punição. Aqui no mundo, as sanções da virtude e do vício são evidentemente insuficientes: muitas vezes o vício triunfa, enquanto a virtude é humilhada. A justiça deseja que cada um seja tratado segundo as suas obras, e isto não pode ser feito senão por meio de Cristo. Espírito Santo, portanto, convence o mundo deste juízo por Cristo (At 17.30,31). Em síntese, o Espírito Santo convence o mundo: Do pecado: contra o Cristo - crucificado. Da justiça: de Cristo - glorificado. Do juízo: por Cristo - diante do Trono Branco. Por três vezes Jesus referiu-se ao Espírito Santo como o "Espírito de verdade" (Jo 14.17; 15.26; 16.13). Significa que o Espírito Santo é o Agente que conduz os homens a Cristo, que é a Verdade, convence os homens de que tudo o que Cristo falou era verdade, bem como da realidade do Juízo Final, diante do Trono Branco, efetuado por Cristo ao lado do Pai.2. NOMES E TÍTULOS DO ESPÍRITO SANTO I Seus Nomes e Títulos Vários nomes e títulos são dados ao Espírito Santo nas Escrituras, que descrevem a natureza profunda do seu Ser. O nome traduz a natureza do ser que o carrega. O título expressa sua fama e reputação. Além dos nomes e títulos conferidos ao Espírito Santo são também usados pronomes pessoais, para que a imaginação humana possa concebê-lo como realmente é. Os escritores do Antigo e do Novo Testamento e milhões de outras testemunhas afirmam a existência real do Espírito Santo, como sendo de fato uma Pessoa. É impossível que milhões de pessoas tenham combinado mentir por uma extensão de séculos. Todas elas, desde os mais remotos tempos, têm afirmado a mesma coisa: o Espírito Santo existe, e é uma Pessoa real. Com efeito, fosse Ele uma simples influência, sopro ou vento, os milhões de depoimentos se teriam desfeito em contradições. Ele é, como já vimos, a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Em toda a extensão do Novo Testamento, que marca exatamente a era do Espírito em sua plenitude, faz-se alusão a Ele em termos coloquiais, como "esse" (e não isso) e "aquele" (e não aquilo). Os pronomes e apelativos são largamente usados para descrever sua existência e personalidade: EU "E, pensando Pedro naquela visão, disse-lhe o Espírito Santo: Eis que três varões te buscam. Levanta-te pois, e desce, e vai com ele, não duvidando; porque eu os enviei" (At 10.19,20). ELE "E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, eda justiça, e do juízo" (Jo 16.8). AQUELE - "Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito" (Jo 14.26). OUTRO "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre" (Jo 14.16). ESSE "O Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas" (Jo 14.26). Cada nome ou título do Espírito Santo descreve a natureza de sua existência e caráter. Alguns destes nomes e títulos descrevem a sua natureza propriamente dita; outros, a sua obra; outros ainda, sua manifestação. O ESPÍRITO (simplesmente) - "Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus" (1 Co 2.10). O ESPÍRITO DE DEUS "E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas" (Gn 1.2). O ESPÍRITO DO DEUS VIVO "Porque já é manifestado que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração" (2 Co 3.3). O ESPÍRITO DO SENHOR DEUS "O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos: enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos e a abertura de prisão aos presos" (Is 61.1). O ESPÍRITO DO SENHOR - "E, quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não viu mais o eunuco; e, jubiloso, continuou o seu caminho" (At 8.39). ESPÍRITO DE VOSSO PAI - "Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós" (Mt 10.20).ESPÍRITO DE CRISTO "Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir e a glória que se lhes havia de seguir" (1 Pe 1.11). ESPÍRITO DE JESUS CRISTO "Porque sei que disto me resultará salvação, pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo, segundo a minha intensa expectação e esperança..." 1.19,20). ESPÍRITO DE JESUS "E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não lho permitiu" (At 16.7). ESPÍRITO DE SEU FILHO - "E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai" (GI 4.6). O ESPÍRITO DE ARDOR - "Quando o Senhor lavar a imundícia das filhas de Sião, e limpar o sangue de Jerusalém do meio dela, com... o Espírito de ardor... e haverá um tabernáculo para sombra contra o calor do dia" (Is ESPIRITO DE SÚPLICAS "E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito... de súplicas.. (Zc 12.10). ESPÍRITO DE ADOÇÃO "Porque não recebestes o espírito de escravidão para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai" (Rm 8.15).ESPÍRITO DA PROMESSA "Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, foste selado com o Espírito da promessa; o qual é o penhor da vossa herança...' (Ef 1.13,14). O ESPÍRITO DE VIDA "Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte" (Rm 8.2). O ESPÍRITO DE VERDADE "Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim" (Jo 15.26). ESPÍRITO DA GRAÇA - "De quanto maior castigo cuidais vos será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do testamento, como foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?" (Hb 10.29). O ESPÍRITO DA GLÓRIA "Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus" (1 Pe 4.14). O ESPÍRITO DE REVELAÇÃO "Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o Espírito... de revelação; tendo iluminados os olhos do vosso entendimento... (Ef 1.17,18). O ESPÍRITO ETERNO "Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo" (Hb 9.14). ESPÍRITO DE SANTIFICAÇÃO "Declarado Filho deDeus em poder, segundo o de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo Nosso Senhor" (Rm 1.4). ESPÍRITO SANTO - "Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito" (Jo 14.26). Em Lucas 11.20, o Espírito Santo é chamado de O DEDO DE DEUS; em Atos 5.4, de DEUS; em Apocalipse 19.10, de ESPÍRITO DE PROFECIA. Em Isaías 11.2, Ele é apresentado em sua plenitude, septiforme: ESPÍRITO DO SENHOR ESPÍRITO DE SABEDORIA ESPÍRITO DE INTELIGÊNCIA ESPÍRITO DE CONSELHO ESPÍRITO DE FORTALEZA ESPÍRITO DE CONHECIMENTO O ESPÍRITO DE TEMOR DO SENHOR Se o Espírito Santo não fosse de fato uma pessoa, como se dariam tantos nomes a Ele? A razão natural e as luzes da fé afirmam que Ele existe! II - Nomes que Identificam com a Trindade Já observamos que o nome é dado para denotar a natureza profunda do ser que o carrega. Assim, a criatura somente era conhecida depois que se lhe dava o nome (Gn 2.19). No caso do Espírito Santo, encontramos vários nomes, como acabamos de expor. Entretanto, há três nomes principais que o identificam diretamente com a Santíssima Trindade e as dimensões universais da existência:ESPIRITO DE DEUS ESPÍRITO DE CRISTO ESPÍRITO SANTO 1. O Espírito de Deus Encontramos este nome divino no início da Bíblia, associado diretamente à obra da criação, onde nos é dito que "o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas" (Gn 1.2). Ele aparece como co-participante, a "pairar" sobre o caos das águas do oceano primevo, quando tudo ainda estava mergulhado em escuridão e total desordem. Em outras passagens das Escrituras, aparece também este nome, ligado diretamente à criação, à renovação da terra e à regeneração da pessoa humana (Gn 6.3; 41.38; Jo 33.4; Ez 11.24; Rm 8.9; 1 Co 3.16 etc). Em Jo 33.4, Eliú, um sábio oriental, associa-o à criação do homem: "O Espírito de Deus me fez; e a inspiração do Todo-poderoso me deu vida". Em Salmos 104.30, liga-se à criação inteira: "Envias o teu Espírito, e são criados, e assim renovas a face da terra". No tocante à regeneração da pessoa humana, Ele é citado em vários elementos doutrinários das Escrituras, sempre produzindo uma "nova criatura" para Cristo e seu Reino (Rm 8.2). A vida do próprio Jesus, no ventre da virgem, foi um ato miraculoso de seu poder (Mt 1.20; 1.35). 2. O Espírito de Cristo Este nome está relacionado à obra da redenção, que Cristo realizou por amor de nós. Desde os tempos mais remotos, o Espírito Santo vinha "testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir e a glória que se lhes havia de seguir" (1 Pe 1.11). Esta é uma das razões por que Ele é chamado O ESPÍRITO DE CRISTO. Ele acom- panhou todos os passos, atos e palavras de Cristo em sua missão divina a favor dos homens. 3. O Espírito Santo Este nome está diretamente relacionado à santificação dascoisas e dos seres. Tudo se santifica ou é santificado pela atuação gloriosa do Espírito Até a evidência central da ressurreição de Cristo aconteceu "segundo o Espírito de santificação" (Rm 1.4). Esta é, portanto, a natureza do seu Ser e a extensão de sua obra santificadora. Ao abrirmos o Novo Testamento, encontramos o Espírito Santo imediatamente com este nome, e por diante em cada seção tópica ou celestial. a. Como de Representando a onipotência de Deus, que tudo criou e tudo pode fazer. b. Como Espirito de Cristo. Representando a onisciência de Deus que, com antecedência de séculos, planejou toda a obra da redenção. Como Representando a onipresença do Deus Santo, que faz da santidade a condição moral necessária presente em todo o III - Títulos do Espírito Santo Já falamos sobre os nomes do Espírito Santo; agora, veremos alguns de seus títulos associados, evidentemente, à sua fama e reputação. 1. Consolador "E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador..." (Jo 14.16). Há um testemunho gramatical que deve ser mencionado aqui: o uso do substantivo masculino "paracleto", empregado por Cristo ao referir-se ao Espírito O próprio Jesus, durante sua vida terrena, era o Consolador dos seus e os consolou quando prestes a deixá-los,prometendo-lhes "outro Consolador" (paracleto). Tudo o que Jesus fora para os discípulos, o outro Consolador haveria de ser. Portanto, o Espírito Santo seria uma Pessoa substituindo A palavra parakletos é antiga, usada no grego clássico, como nos escritos de onde aparece com o sentido de "advogado" - alguém que pleiteia a causa de outrem -, sentido este que passou para o grego helenista, nos escritos de Josefo, historiador judaico do primeiro século de nossa era, e de Filo e igualmente aos papiros dos tempos dos apóstolos. termo deriva dos vocábulos gregos para ("para o lado de") e kaleo ("chamar", "convocar"), dando o sentido geral de "alguém chamado para ajudar ao lado de outrem". Afirma-se que, nos tribunais romanos e gregos, os advogados que assistiam os amigos o faziam não pela recompensa ou remuneração, mas por amor e consideração, ajudando com sábios conselhos. A palavra traduzida por "ajuda" é extremamente significativa. É formada por três palavras gregas - duas preposições e uma raiz verbal. Uma das preposições significa "com"; a outra, "do outro lado"; e a raiz verbal quer dizer "segurar". Assim, temos: "segurar do outro lado com". "Em alguns momentos de provações, podemos ver alguém ao lado' e até pensamos, mesmo por uma questão de temor e respeito, que este seja o Pai ou o Filho, ou até mesmo um anjo da corte celestial, sem lembrarmos que é o Espírito Santo, ajudando-nos em nossas 2. Guia espiritual Este título é também conferido a nosso Senhor Jesus Cristo (Mq 5.2; Mt 2.6). Aplicado ao Espírito Santo, porém, está relacionado diretamente com sua missão orientadora em todos os 5 CHAMPLIN, R. N. Novo Testamento Milenium, 1982.sentidos da vida, especialmente quanto as verdades espirituais, nas quais a alma humana está fundamentada. As pessoas, precisam de pontos de referência para sua orientação. Numa cidade, por exemplo, são pontos de referência praças, igrejas, edifícios, torres de comunicações etc. Também são pontos de referência paradas de ônibus, nomes das estações de trem e metrô e de lugares. Todos esses meios indicam direções seguras e exatas, em qualquer lugar da Terra ou mesmo do Universo, especialmente naquelas dimensões que o homem pode atingir. Para isso foram criados os pontos universais de referência os pontos cardeais, determinados com base no movimento do Sol (Igor). Para Deus, entretanto, o conceito de orientação é bem mais amplo e valioso. E Ele, em sua infinita sabedoria, entregou esta grande missão a seu Filho, Jesus Cristo. Porém, com seu regresso ao Pai, confiou-se a tarefa ao Espírito Santo. Este título, mesmo sendo uma derivação de "Consolador", possui algumas significações especiais. Está ligado diretamente a uma promessa de Jesus a seus "Ele [o Espírito] vos guiará em toda a verdade..." A promessa foi confirmada logo após a ressurreição de nosso Senhor. Espírito acompanhava a Igreja passo a passo. Paulo diz que os cristãos são guiados pelo Espírito: "Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus" (Rm 8.14); em Gaiatas 5.18, o apóstolo acrescenta: "Se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei". Ora, sem dúvida isto significa que quem é "guiado pelo espírito de Deus" sabe de onde veio, onde se encontra e para onde está caminhando. Porque o Espírito Santo o "guiará em toda a verdade". 3. dedo de Deus Este título surgiu como uma expressão idiomática dos magos egípcios, talvez Janes e Jambres (2 Tm 3.8). Eles disseram a Faraó, quando fracassaram na reprodução da praga dos piolhos: "Isto é odedo de Deus..." 8.19). No entanto, a expressão alcançou significado especial quando o Senhor argumentava com os escribas e fariseus sobre a atuação poderosa do Espírito de Deus em sua Jesus demonstrou claramente a fonte do seu poder: "Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é conseguintemente chegado a vós o reino de Deus". Na passagem paralela de Lucas 11.20, Jesus diz literalmente: "Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Jesus utiliza-se nesta última passagem de uma expressão lucana, usada no Antigo Testamento para demonstrar uma intervenção direta e poderosa do Espírito de Deus (cf. 8.19; Dt9.10). 4. Outro Este título, mencionado em João 14.16, significa "outro da mesma espécie". Segundo Dods, o termo grego aqui traduzido por "outro" é allon, e não heteron, e significa que o Espírito Santo é outro ajudador, separado e distinto de Cristo, embora da mesma "espécie", e não distinta ou separada de "ajudador". Ele é a continuidade do Senhor Jesus em nós, igual em poder e glória, embora sob manifestação diferente. Jesus procura consolar os discípulos, mostrando-lhes que, apesar da separação que ocorreria em breve, Ele haveria de permanecer com eles para todo o sempre, porque o seu Representante legal desceria do Céu para estar no meio deles e com A palavra "paracleto" indica muito mais do que uma pessoa compassiva. Um verdadeiro paracleto acompanha intimamente em todos os momentos o que consola. Na qualidade de Paracleto, o Santo está sempre disposto infundir poder, coragem, sabedoria e graça ao coração de cada salvo. Alcançamos essa graça através da nossa comunhão com Ele. 6 Idem.Razão pela qual o apóstolo Paulo a recomenda a todos os santos: "A comunhão do Espírito Santo seja com vós todos" (2 Co 13.13).3. FIGURAS E SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO I - Figuras e Símbolos É importante estarmos familiarizados com a linguagem gramatical das Escrituras, tendo em vista a significação correta das palavras, a forma das frases e as particularidades idiomáticas da língua empregada. De igual modo devemos conhecer o que cada figura representa, à luz do contexto lógico. A. linguagem figuía-da e certos símbolos empregados na Bíblia, quando bem apresentados, nos dão maior segurança, intensidade e beleza na interpretação. As figuras de linguagem, também chamadas figuras de estilo, são recursos especiais de que se vale quem fala ou escreve, para comunicar-se com mais força, colorido, evidência e beleza. Deus também permitiu que certas figuras e símbolos fossem inseridos no cânon sagrado, para melhor compreensão de determinadas verdades espirituais. O Espírito Santo é representado na Bíblia por muitas figuras e símbolos, conforme veremos a seguir. II - Figuras e Símbolos do Espírito Santo Estas são as figuras e símbolos do Espírito Santo nas Escrituras: ÁGUA CHUVA RIO ORVALHO VENTO ÓLEO UNÇÃO FOGO COLUNA PENHOR SELO VINHO POMBA 7 CEGALLA, D. P. Novissima da Portuguesa. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1977.Evidentemente há outras, detectadas por inferência. Entretanto, estas são as mais usadas e conhecidas dos estudiosos da 1. Água "Porque derramarei água sobre o sedento, e rios sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes" (Is 44.3). A água encontra-se em três regiões do Universo: na expansão dos céus (Gn 1.6-10); sobre a face da terra (Gn 7.11); debaixo da terra (Jo 38.30). Esta é uma figura real do Espírito Santo - Ele opera nas três dimensões da constituição humana, produzindo a regeneração do espírito, da alma e do corpo (cf. 1 Ts 5.23). A operação miraculosa do Espírito no homem produz um tipo de "lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo" (Tt 3.5). Certamente era este o sentido das palavras do apóstolo Paulo, ao ensinar a igreja de Corinto sobre a atuação poderosa do Espírito: "Todos temos bebido de um Espírito" (1 Co 12.13). Uma outra figura, utilizada por Jesus, compara o Espírito Santo a "rios de água viva". Em seu imortal discurso em Jerusalém, no último dia da festa, o Mestre convida: "Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. E isso disse ele do Espírito, que haviam de receber os que nele cressem... (Jo 7.37- 39). ato de beber do Espírito Santo fala evidentemente de algo que mata a nossa sede espiritual. Alguns têm fome e sede de justiça (Mt 5.6); outros têm fome e sede de evangelizar os perdidos (Rm 15.19,20); outros ainda têm fome e sede de uma comunhão perfeita e permanente com o Espírito 5.25). Espírito, como fonte perene, calma e cristalina, satisfaz toda e qualquer necessidade espiritual ou reverte o estado de sequidão em nossa Ele é realmente a Águada vida, que "refrigera a nossa alma" nos desertos cálidos deste mundo injusto e cruel. O cálice, neste caso, fala da comunhão entre o Espírito Santo e o crente que se dispõe a seguir sua orientação. Pão e água são os dois elementos essenciais à sobrevivência No campo espiritual isso é ainda mais evidente: Cristo, o Pão da vida, satisfaz a nossa fome espiritual (Jo 6.35); o Espírito Santo, a Água da vida, satisfaz a nossa sede espiritual (Ap 22.17). 2. Chuva "E a elas [as ovelhas], e aos lugares ao redor do meu outeiro, eu porei por e farei descer a chuva a seu tempo: chuvas de bênção serão" (Ez 34.26). Tiago, o irmão do Senhor Jesus e autor da epístola que leva o seu nome, menciona "as primeiras chuvas e últimas chuvas", como sendo a "chuva têmpora e baseado na metáfora agrícola (Tg 5.7). apóstolo sabia muito bem dessas chuvas, por experiência pessoal. Os lavradores palestinos esperavam o "precioso fruto da terra", aguardando as chuvas oportunas, tanto as primeiras (no hebraico, yoreh ou moreh) como as últimas (no hebraico, malhos). Na Palestina, a estação chuvosa normalmente começa nos primeiros dias de outubro e muitas vezes se prolonga até janeiro, quando se transforma em neve. As primeiras chuvas provêem umidade à semente recém-plantada, para que possa germinar. Portanto, é sinal para a semeadura. As últimas chuvas ocorrem em abril e maio, e são necessárias para que a semente amadureça. Este simbolismo, aplicado ao Espírito Santo, fala da beneficência que Ele traz à Igreja como um todo e ao crente em particular. A chuva sempre foi retratada como sendo uma "bênção de Deus", que traz alegria aos corações (At 14.17). Na metáfora de Tiago, o simbolismo é perfeito: o Espírito Santo desceu no dia de Pentecoste, preparando assim a terra para a grande semeadura da Palavra de Deus. Depois, no decorrer dosséculos, as últimas chuvas, ou seja, suas manifestações contínuas neste mundo, especialmente onde a vontade de Deus é aceita, têm produzido o amadurecimento e garantido uma safra de almas abundante (cf. Jo 4.35-38). No final, aparece o "precioso fruto da terra" como o resultado satisfatório da chuva, da semeadura e da O "precioso fruto da terra" é a Igreja; "lavrador" é Deus. Assim interpretou Jesus: "Eu sou a videira verdadeira, meu Pai é o lavrador" (Jo 15.1); a "chuva têmpora" é a descida do Espírito Santo no dia de Pentecoste (At 2.1-4); a "chuva serôdia" refere-se a outras manifestações do Espírito: batizando os crentes e concedendo-lhes dons (At 8.15-17; 9.17; 10.44-46; 19.1-6; 1 Co 1.7; 12.1-11). E, na Igreja que se seguiu, a chuva do Espírito Santo tem continuado e continuará até o dia do arrebatamento da Igreja por Jesus Cristo (Mc 16.17 etc). 3. Rio "Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre" (Jo 7.38). Logo no versículo seguinte, encontramos o significado destas palavras de Jesus: "Isto disse ele do Espírito, que haviam de receber os que nele cressem". Este deve ser também o sentido de Salmos 46.4: "Há um rio [o Espírito] cujas correntes [os dons espirituais] alegram a cidade [Igreja] de Deus, o santuário [coração] das moradas do Altíssimo". Um rio pode surgir de uma fonte, de um lago ou do derramamento de geleiras. O lugar onde ele nasce é chamado de nascente ou cabeceira. A partir daí, o rio corre em direção a outro rio, a um lago ou mar, onde lança suas águas. O lugar onde o rio lança suas águas chama-se foz. Chamamos curso ao caminho percorrido por um rio entre sua cabeceira e sua foz; o terreno sobre o qual as águas correm édenominado leito. As terras de um e outro lado do rio são as margens. De acordo com historiadores judaicos, o último dia da festa dos Tabernáculos era denominado "Dia do Grande Hosana", porque se fazia um circuito, por sete vezes, em torno do altar, ao mesmo tempo que todos clamavam: "Hosana!" Antes do dia final, um sacerdote trazia, em um vaso de ouro, água tirada do tanque de Siloé, e então, acompanhado por um cortejo jubiloso, seguia até o Templo. Despejava a água sobre o altar, juntamente com vinho, cerimônia esta acompanhada pelo cântico do Halel (SI 113-118). Simbolicamente, segundo os rabinos, esta água mitigava a sede espiritual do Jesus, entretanto, mostrou gente que sua missão era outorgar uma água eterna, que é o "derramar do Espírito Santo em cada coração". A água anunciada por Cristo não será tirada do Siloé nem levada ao Templo, porque cada crente será um templo do Espírito Santo e uma fonte de vida; não meramente um único rio, mas rios, o que expressa, no pensamento geral da Bíblia, um derramamento do Espírito Santo em sua plenitude 2.28; At 10.45; Tt 4. Orvalho "Assim pois te dê Deus do orvalho dos céus, e das gorduras da terra, e abundância de trigo e de mosto" (Gn 27.28). Encontramos, no Antigo Testamento, cerca de 34 referências sobre o orvalho, como sendo um refrigério adicional à escassez das chuvas têmpora e Era necessário durante o período de estiagem, para revigoramento da erva e da relva (Dt 32.2). Tornou-se assim, um símbolo do Espírito Santo, por cair gradualmente e, algumas vezes, de maneira nos corações humanos. Onde cai o orvalho, ali Deus ordena a bênção e a vida para sempre 8 CHAMPLIN, R. N. Novo Testamento Interpretado, Milenium, 1982.(SI 133.3), trazendo prosperidade à alma sob a influência do Espírito Santo, como gotas 5. Vento "O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito (Jo 3.8). Os ventos sempre trazem consigo as características dos lugares de onde vêm. Assim podemos descobrir, através de nosso sistema sensível, os ventos quentes e os frios, os úmidos e os secos. Para sabermos se estamos caminhando em direção a terra ou em direção ao mar, basta parar um pouco ao cair da noite e analisar a direção do vento. Os ventos mais importantes para esse tipo de orientação são os alísios. Os ventos alísios são carregados de umidade, pois vêm dos oceanos, Pela madrugada, as brisas continentais (ventos que sopram da terra para o mar) tornam-se mais essenciais para orientação. Assim, é fácil saber se as brisas estão soprando para o mar ou para a terra. A pressão depende da temperatura, e os ventos, dos diferentes níveis de pressão. Assim, de madrugada a terra está mais "fria" que a água, o que significa maior pressão atmosférica sobre a terra. Por isso, o vento sopra do continente para a água. À tarde, ou ao cair da noite, a água está menos quente que a terra, o que quer dizer maior pressão do ar sobre a água. Assim o diz a ciência, e assim acontece com o soprar do Espírito Santo em nossas Se Ele sopra "suave", está indicando a direção traçada por Deus a favor de seus filhos, numa rota onde a calma e a nos esperam (cf. Gn 8.1). Se Ele sopra "veemente e impetuoso", como no dia de Pentecoste, é sinal evidente de sua presença com manifestações de poder (At 2.1-4; Hb 2.4). Se Ele sopra apenas com "gemidos inexprimíveis", está nosalertando de perigos iminentes (cf. Rm 8.26; Hb 3.7,8). Esses movimentos do Espírito Santo são completamente desconhecidos para o pecador. Por isso Jesus instruiu Nicodemos, um mestre do primeiro século de nossa era, acerca do "movimento" produzido pelo Espírito Santo neste mundo. Então o Mestre disse: "O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes [Nicodemos é que não sabia] donde vem, nem para onde vai". Assim, Nicodemos não sabia também do movimento operado pelo Espírito Santo, que produz a regeneração do homem, porque isso se "discerne espiritualmente" (Jo 3.8; 1 Co 2.14). 6. Óleo "Amaste a justiça e aborreceste a por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros" (Hb 1.9). Na Bíblia, o azeite da unção era usado somente para consagração de pessoas de grande poder, tais como reis (1 Sm 10.1; 16.13), sacerdotes (Lv 8.30) e profetas (1 Rs 19.16; Is 61.1). Também eram ungidos com óleo os escudos dos ilustres guerreiros, numa demonstração de honra (2 Sm 1.21; Is 21.5). O tabernáculo e seus móveis foram também ungidos 30.22-33), e os enfermos eram muitas vezes ungidos com azeite, para que sua fé aumentasse e seus pecados fossem perdoados (Mc 6.13; Tg 5.14,15). Mas parece que o óleo usado na unção dos enfermos não era o mesmo da "santa unção" (cf. 30.31,32). Neste caso, a unção de homens e coisas não podia ser feita com qualquer tipo de óleo, e sim com um óleo especial chamado "azeite da santa unção" 30.31). Metaforicamente, é chamado "óleo fresco" (SI 92.10), "óleo precioso" (SI "excelente óleo" (Am 6.6), "óleo de alegria" (SI 45.7). O óleo, portanto, tomado neste sentido simboliza o Espírito Santo como "unção especial" para os salvos em Cristo - que querdizer também "ungido". Em Atos 10.38, o Espírito Santo é retratado como aquEle que consagrou a Cristo com este tipo de unção especial: "Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele". E, em 1 Coríntios 1.21, Paulo afirma que quem nos capacitou para o desempenho de nossa missão foi Deus. "O que nos ungiu é Deus", disse o apóstolo. Espírito Santo, de fato, é a unção de Deus em nossas vidas, tanto para aprender como para ensinar (Lc 4.18,19; Jo Sempre que alguém era ungido com óleo, as pessoas ao redor mantinham respeito e Era expressamente proibido por Deus tocar em alguém que tivesse recebido a unção com óleo (2 Sm 1.21). O Espírito Santo, portanto, torna-se nosso protetor, a garantia de que as forças do mal não nos 7. Unção "E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo... e a unção que vós recebestes dele, fica em vós..." (1 Jo Já tivemos a oportunidade de analisar o óleo como símbolo do Espírito Agora, estudaremos este outro símbolo, que, evidentemente, alude à operação e influência do Espírito Santo na vida dos crentes, ensinando as verdades mais profundas da Bíblia, ao mesmo tempo que dá a interpretação e significação de cada palavra nela inserida. A unção desempenha grande papel na vida física das raças orientais, tal como o orvalho faz reviver a verdura das Assim também a influência curadora e suavizante do Espírito Santo soprada sobre os filhos de Deus, nos "guiando em toda a verdade" e ensinando "todas as coisas" concernentes a Deus e sua Palavra". 8. Fogo "E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arre- pendimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do queeu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo" (Mt 3.11). fogo é sinal da presença de Deus. As manifestações de Deus algumas vezes faziam-se acompanhar pelo fogo 3.2; 19.18; Dt 4.11), que tanto representa sua presença como sua glória (Ez 1.4,13), sua proteção (2 Rs 6.17), sua santidade (Dt4.24), seus juízos (Zc 13.9), sua ira (Is 66.15,16) e, finalmente, o Espírito Santo (Mt 3.11; At 2.3; Ap 4.5). No Antigo Testamento, a ordem divina era conservar o fogo aceso diuturnamente: "O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará" (Lv 6.13) sinal evidente da presença de Deus no meio do seu povo. No Novo Testamento, a ordem divina é a mesma: "Não extingais o Espírito" (1 Ts 5.19). Numa outra tradução: "Não apagueis o Em outras palavras, Paulo quer dizer que a chama do Pentecoste "deve arder em nossos corações todos os dias, até a consumação dos séculos". 9. Coluna "E o Senhor ia diante deles, de dia numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo, para os alumiar, para que caminhassem de dia e de noite. Nunca tirou de diante da face do povo a coluna de nuvem, de dia, nem a coluna de fogo, de noite" A coluna, seja como símbolo religioso, marco ou monumento, traz sempre a idéia de firmeza. Paulo, por exemplo, valeu-se dessa figura para representar a Igreja: "Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te bem depressa; mas, se tardar, para que saibais como convém andar na casa de Deus, que é a igreja de Deus vivo, a coluna e a firmeza da verdade" (1 Tm 3.14,15). Como símbolo do Espírito Santo, a coluna fala da força espiritual mediante a qual a alma será eternamente abençoada, e, sendo de natureza divina como aquela que acompanhou o povo deDeus no deserto, serve de proteção, iluminação e orientação. O Espírito Santo é tudo isso e muito mais, com relação à Igreja. Ele foi posto por Deus no edifício espiritual de Cristo, que é sua Igreja, para segurança, ornamentação e A nuvem da glória de Deus, em dado momento, quando Israel estava em extremo perigo, "se retirou de diante deles, e se pôs atrás deles... e a nuvem era escuridade para aqueles, e para estes esclarecia a noite: de maneira que em toda a noite não chegou um ao outro" Podemos observar nesta passagem a ação imediata de Deus, mudando de posição a coluna que guiava o seu povo, retirando a nuvem de "diante" deles e pondo-a "atrás" deles. A manobra divina deu versatilidade à nuvem: era escuridade para aqueles [os e para estes [os israelitas] esclarecia a noite". Espirito Santo também assumiu a posição de "divisor" da santidade que separa a Igreja do mundo, de tal maneira que durante toda a trajetória da Igreja nesta Terra, "não chegou um ao outro". A coluna de nuvem acompanhou Israel através do deserto e um dia desapareceu na fronteira de ao atingirem a margem oriental do O povo foi, então, orientado a espalhar-se em volta da arca da aliança, num raio de 914 metros, para contemplar mais facilmente o símbolo guia da glória de Deus flutuando nos om- bros dos sacerdotes. Agora, o povo não seguia mais a coluna de nuvem (ela havia desaparecido!), e sim a arca da aliança do Senhor. Assim também acontecerá com o Espírito Santo, no dia do arrebatamento da Igreja. Ele terá cumprido sua missão, entregando a Noiva nos braços de Cristo a Arca Cristo, então, a conduzirá à sala do banquete nupcial (Ct 2.4; Mt 25.6,10). 10. Penhor "Ora, quem para isto mesmo nos preparou foi Deus, o qual nos deu também o penhor do Espírito" (2 Co 5.5). vocábulo "penhor", do grego arrabon, significa "primeiraprestação", "depósito", "garantia". Indica o pagamento de parte do preço total da compra. Esta "primeira prestação" recebida é a regeneração. valor total será complementado com os pagamentos intermediários - a santificação - e o pagamento final - a redenção do nosso corpo (cf. Rm 1.4; 8.23; Tt 3.5). Espírito Santo que, mediante a Palavra de Deus e por todos os meios da graça, nos capacita a atingir a glória eterna, transformando-nos "de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor" (2 Co 3.18), é evidentemente a nossa garantia. 11. Selo "O qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos corações" (2 Co 1.22). uso mais comum do selo, na era na autenticação de documentos, cartas, títulos de propriedade e recibos de mercadoria ou dinheiro. Após deixar a mensagem em escrita cuneiforme, o escriba pedia que o remetente e as testemunhas removessem de seus pescoços os próprios selos cilíndricos, que eram rolados sobre a argila ainda mole, servindo de assinatura. As leis romanas, por exemplo, somente aceitavam um testemunho se estivesse selado com "sete selos" e confirmado por "sete Nas Escrituras, o selo traduz vários significados e aplicações: GARANTIA (Gn 38.18) JURAMENTO (Jr 22.24) CONFIRMAÇÃO (Jo 6.27) JUSTIÇA E FÉ (Rm 4.11) AUTENTICIDADE (1 Co 9.2) FUNDAMENTO (2 Tm 2.19) SEGURANÇA (Mt 27.66; Ap 20.3) IRREVOGABILIDADE (Et 8.8; Dn 6.17) 9 Silva, S. P. da. Apocalipse por Rio de Janeiro, CPAD, 1995.PROMESSA (Ef 1.13) REDENÇÃO (Ef 4.30) MISTÉRIO (Ap5.1) VIDA (Ap 7.2) PRESERVAÇÃO (Ap 9.4) selo, como figura do Espírito, traduz para a Igreja todas as vantagens mencionadas acima e muito mais. O Espírito Santo sela a Igreja (Ct 4.12), a lei do Senhor (Is 8.16), o coração (Ct 8.6), a visão e a profecia (Dn 9.24) e os crentes para o dia da redenção (2 Co 1.22; Ef 1.13; 4.30; 2 Tm 2.19). Fomos selados com o selo da promessa, que nos dá a garantia de pertencermos somente a Deus. 12. Vinho "E o vinho que alegra o coração do homem, e faz reluzir o seu rosto como o azeite, e pão que fortalece o seu coração" (SI 104.15). Esta figura do Espírito Santo é pouco usada pelos escritores. Entretanto, sem dúvida alguma, também se reveste de significação especial. Para o povo hebreu, o vinho e a vinha são usados para representar a prosperidade e a Possuir uma vinha próspera era sinal evidente do favor divino. Também era considerada uma dádiva de Deus ao homem: "E lhe darei as suas vinhas dali, e o vale de Açor, por porta de esperança: e ali cantará como no dia da mocidade, e como no dia em que subiu da terra do Egito" (Os 2.15). Jesus afirmou ser "a videira verdadeira", e comparou o Pai, Senhor dos homens e Deus do Universo, a um proprietário de vinha (Jo 15.1). O fruto da vide, que é o vinho, ilustra a alegria que existe entre os salvos; o cálice fala da comunhão que temos, promovida pelo Espírito Santo "derramado em nossos corações". Paulo cita-a como "a comunhão do Espírito Santo" (2 Co 13.13). No dia de Pentecoste, em Jerusalém, as pessoas de fora acharam que os estavam "cheios de vinho" (At 2.13). Pedro, então, explicou-lhes que aquilo era alegria do Espírito Santo.Em outras palavras, eles não estavam embriagados com vinho, mas cheios do Espírito Santo! 13. Pomba "E o Espírito Santo desceu sobre ele em forma como uma pomba; e ouviu-se uma voz do céu que dizia: Tu és meu filho amado, em ti me tenho comprazido" (Le 3.22). Dificilmente tal simbolismo seria associado a João Ele era um profeta de grande poder. Sua mensagem produzia sempre o choro, e não o riso. Era mesmo uma mensagem de arrependimento. Suas palavras, de fato, faziam doer: víboras, pedras, machado, pá, fogo, deserto, ira, fuga etc. De outro lado, porém, João Batista era meigo e cheio de compaixão. Era "cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe" 1.15); entretanto, sobre ele repousava a unção divina em sua plenitude. João Batista viu o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre Jesus (Jo 1.32). Manso, terno, puro e inofensivo como uma pomba: assim Ele é. Como pomba, o Espírito Santo pode ser assustado ou entristecido (Ef 4.30). E, como a pomba é o símbolo universal da paz, também o Espírito Santo promove a paz nos corações dos homens. Dizem os naturalistas que a pomba não tem fel. Assim também o Espírito Santo nEle não existe amargura! Alguns intérpretes opinam que o Espírito foi representado na forma de uma pomba pelos seguintes motivos: a. Sua ternura e apego ao homem. Que mostra como Deus encaminha pacientemente os homens à realização de sua potencialidade espiritual. b. Sua gentileza. Deus trata conosco de modo positivo e completo, embora com grande gentileza.Seu vôo gentil e a ternura para com os filhotes. Espírito Santo é benigno - sempre. d. Pelas virtudes singulares que representa. Por exemplo, a pureza e a inocência. Nos escritos judaicos, quan do o Espírito Santo aparece "pairando" sobre a face das águas é expressamente comparado a uma pomba. Simboliza a natureza calorosa e revivificadora da terceira Pessoa da Santíssima Trindade (Gn 1.2).4. O BATISMO COM ESPÍRITO SANTO I - que É Batismo com o Espírito Santo "Mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias" (At 1.5). O batismo com o Espírito Santo não é uma exclusiva de grupos pentecostais ou carismáticos, como alguns têm defendido e ensinado, "porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, cha- mar" (At 2.39). A universalidade da promessa do batismo com o Espírito Santo é aqui reiterada, enriquecida e aprofundada para outras pessoas que ainda "estavam lon-ge". A promessa do Pai, feita a Jesus, cobriria o tempo e o espaço. Ela "diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar". Estas palavras, proferidas pelo apóstolo Pedro no dia de Pentecoste, mostram a abrangência da promessa: batismo com o Espírito Santo seria para a geração dos primórdios da Igreja (". a vós"). O batismo com o Espírito Santo seria também para a geração de crentes e pregadores que viria depois ("... a vossos filhos"). O batismo com o Espírito Santo seria também outorgado aos que estavam distantes, geográfica e cronologicamente ("... a todos os que estão longe"). O batismo com o Espírito Santo poderia ser desfrutado por todos os que cressem e obuscassem ("... a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar"). Idêntica promessa faz Jesus, em Marcos 16.17, quando se despede dos discípulos: "Este sinais seguirão aos que crerem... falarão novas línguas". Esta gloriosa promessa foi imediatamentecumprida no dia de Pentecoste (At 2.1-4) e pelos séculos que se seguiram. Até hoje, homens e mulheres de todas as nacionalidades têm experimentado e testemunhado a mesma Jesus continua batizando com o Espírito Santo em todas as partes do mundo onde sua vontade é aceita. Ele "é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente" (Hb 13.8); e, de igual modo, "o Espírito é o mesmo" (1 Co 12.4,8,9,11). II A Finalidade do Batismo com Espírito Santo O glorioso revestimento de poder pelo batismo com o Espírito Santo tem várias finalidades e aplicações: Traz ao crente um revestimento de poder sobrenatural. Jesus prometeu: "Ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder" 24.49). Faz do crente uma testemunha poderosa do Evangelho: "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser- me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra" (At 1.8). Traz aos crentes uma espécie de "unção universal" entre os filhos de Deus, unindo-os em um só corpo. Paulo "Há um só corpo e um só Espírito" (Ef 4.4). A operação miraculosa do Espírito Santo na vida da Igreja derruba todas as barreiras e preconceitos Em Romanos 6.2-4, Paulo revela que todos nós fomos batizados na morte de Cristo e sepultados com ele pelo batismo na morte, e que através de sua ressurreição andamos em "novidade de vida". E reafirma, em 1 Coríntios 12.13: "Pois todos nós fomos batizados em um mesmo Espirito, formando um corpo..." Este batismo é uma ação poderosa que produz a união entre todos os homens, formando assim "um só corpo", quer sejam judeus,gregos, servos ou livres. Antes desta operação gloriosa do Espírito, os homens eram classificados por raças e categorias: bárbaros, pecadores, publicanos, meretrizes, judeus, gregos, romanos, saduceus, fariseus, herodianos, citas, samaritanos, da circuncisão, incircuncisos, escravos, livres etc. Espírito Santo, através desta "imersão" purificadora, torna o Cristianismo superior a qualquer filosofia ou religião que separe as pessoas por nacionalismo ou tradição secular. III A Promessa do Pai Promessa é uma espécie de encontro com o futuro, e usualmente envolve um "doador"e um Neste sentido, encontramos promessas por toda a 1. Jesus lembra a promessa do Pai "E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder" 24.49). O livro de Atos mostra a vinda do Consolador como "a promessa do Pai": "Determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes" (1.4). A promessa, portanto, seria o derramamento do Espírito Santo, no dia de Pentecoste. Mais adiante, no mesmo livro, Pedro revela que a promessa do Espírito Santo seguiria por gerações futuras (2.39). Certamente o maior desejo de Jesus, ao chegar junto do Pai, nos Céus, era ver a gloriosa manifestação do Espírito na vida de seus seguidores aqui na Terra. Pois Ele prometera: Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador" (Jo 14.16). Cremos que foi esta a primeira oração do Filho ao assentar-seà destra do Pai, depois de cumprida sua missão na 2. cumprimento da promessa A promessa do batismo com o Espírito Santo é afirmada sete vezes no Novo Testamento (Mt 3.11,12; Mc 1.7,8; 3.16,17; Jo 1.33; At 1.5; 11.16; cf. Jo 16.7,8,13). Destas, quatro saíram dos lábios de João Batista, sempre com as palavras: "Ele [Jesus] vos batizará com o Espírito Santo e com fogo" (Mt 3.11). E eis aqui o seu cumprimento: "Cumprindo-se o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem" (At 2.1-4). Encontramos, no Novo Testamento, quatro vezes os cristãos reunidos no domingo (Jo At 2.1; 20.7). Na terceira vez, cinqüenta dias depois do sábado da Páscoa, deu-se a prometida descida do Espírito Santo. Os discípulos eram já cristãos, mas agora são constituídos em "um corpo" (1 Co 12.13) a Igreja cristã em sua forma exata. IV Três Formas de Batismo Há pelo menos três maneiras de o Espírito Santo batizar os crentes, embora o batismo seja um só e em cada uma dessas manifestações tenha ocorrido a evidência das línguas estranhas. Encontramos a primeira em Atos 2.2-4, onde o Espírito irrompe do Céu "de repente" como "um vento veemente e impetuoso", e, sem nenhuma intervenção humana ou dramatização para estimular a fé, batiza a todos os que estão assentados.A segunda, em Atos 8.15-18; 9.17,18 e 19.6, onde o batismo se dá através da imposição de mãos, em Samaria, Damasco e A terceira, em Atos 10.44, na casa do Cornélio: "E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra". No primeiro caso, o batismo aconteceu automaticamente; no segundo, pela imposição das mãos e no terceiro, pelo supremo poder da V - A Aceitação Universal Todos os cristãos de todas as denominações, especialmente as verdadeiramente evangélicas, aceitam sem restrições a doutrina do batismo com o Espírito Santo. Concordam também sobre o fato de ser o Espírito Santo uma pessoa real, e não uma simples As dificuldades surgem no tocante à maneira como Jesus batiza com o Espírito Santo e aos sinais evidentes deste batismo. Alguns o confundem com a regeneração ou o novo Outros, como sendo o "batismo da alma com vista ao mundo dos mortos". Jesus falou de "um certo batismo" (Lc 12.50), e alguém entende que seja este. Outros ainda acham que no momento da salvação a pessoa recebe automaticamente o batismo com o Espírito Santo. Talvez baseado nas palavras de Paulo, em 1 Coríntios 12.13: "Todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo". Há inúmeras outras explicações que não se coadunam com o argumento principal das Escrituras, razão por que não as mencionamos aqui. batismo com o Espírito Santo é um poder especial que vem de Deus e enche todo o nosso ser. A esta ação divina, segue-se o que chamamos "transbordamento", quando a nossa língua é totalmente dominada pelo poder de Deus e começamos a falar "noutras línguas, conforme o Espírito Santo" autoriza que Não um idiomanosso a não ser que Deus, diante de necessidades prementes, assim o queira - mas sim uma língua totalmente espiritual. glorioso! VI - Frases Usadas na Bíblia e pelos Crentes Na Bíblia, especialmente no Novo Testamento, várias frases e expressões descrevem o batismo com o Espírito Alguns escritores opinam ser a expressão mais exata "batismo no [ou em o] Espírito Santo", o que daria a idéia de alguém ser "mergulhado" nEle (o Espírito Santo é às vezes representado por um rio, ou rios; cf. SI 46.4; Jo 7.37-39; Co 12.13). Porém, entendo ser mais adequada a expressão "batismo com o Espírito Santo". Somente podemos mergulhar em algo que se encontre abaixo de No batismo com o Espírito Santo, é Ele que vem sobre o crente, e não o contrário. Além do mais, é o que aparece em nossas traduções. Em muitas ocasiões, mesmo no Antigo Testamento, o Espírito de Deus vinha sobre alguém (Jz 3.10; 11.29; 14.6,19; 15.14; 1 Sm 10.10; etc). No Novo Testamento, continuou descendo sobre os santos (cf. Le 1.35ss). Muitas outras expressões descrevem batismo com o Espírito Santo: derramarei o meu Espírito sobre toda a carne" (J1 2.28); derramarei o de graça e de súplicas" (Zc 12.10); ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo" (Mt 3.11); " falarão novas línguas" (Mc 16.17); "... revestidos de poder" 24.49); "... o Consolador... virá a vós" (Jo 16.7); "... " a promessa do Pai" (At 1.4); "... recebereis a virtude do Espírito Santo" (At 1.8); "... todos foram cheios do Espírito Santo" (At 2.4); o Espírito Santo, que Deus deu que lhe obedecem" (At 5.32); era dado o Espírito Santo" (At 8.18);