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Rendas, Investimentos e Poupança As rendas representam a remuneração dos agentes que participam, de alguma forma, do processo produtivo de uma economia. São, essencialmente, receitas em dinheiro compensatórias de serviços prestados, como salários recebidos, juros sobre capital emprestado, lucros sobre capital investido e assim por diante. Há diversos tipos de renda: • A renda interna equivale ao produto interno da economia, exprimindo o total das rendas geradas no interior de um país. Engloba, em outras palavras, o total dos rendimentos (salários, juros, aluguéis, lucros, etc.) auferidos pelos agentes econômicos em determinado período (um ano, geralmente) em razão de sua participação no processo produtivo interno da economia. • A renda nacional, por outro lado, é a soma de todas as rendas auferidas pelos habitantes de um país, determinada pelas operações produtivas de caráter interno ou externo. A característica marcante da renda nacional é que pertence ao país, sendo igual ao produto nacional. Por exemplo, lucros recebidos do exterior são de propriedade do país recebedor e, portanto, consideradas como renda nacional. Lucros remetidos para outras economias são receitas geradas internamente, porém de propriedade de outros países, não sendo, portanto considerados como renda nacional, e sim classificados como renda interna. Os países costumam enviar e receber rendas do exterior. A diferença entre o valor enviado e recebido denomina-se renda líquida do exterior. Se negativa, representa uma renda líquida enviada ao exterior; se positiva, denota um fluxo financeiro positivo oriundo do exterior. Os países em desenvolvimento, diante de sua enorme dependência de capital e tecnologia de outras economias mais avançadas, costumam remeter mais rendas que recebem, apurando uma receita líquida negativa. Essas remessas ocorrem normalmente sob a forma de juros sobre o capital emprestado, pagamentos de leasing e royalties pela tecnologia importada, etc. A renda pessoal é a renda efetivamente transferida às pessoas, e é calculada deduzindo-se da renda nacional os lucros retidos pelas empresas, contribuições e benefícios previdenciários, imposto de renda sobre as pessoas jurídicas, etc. O Investimento representa a ampliação de capital em alternativas que promovem o aumento efetivo da capacidade produtiva de um país, determinando maior capacidade futura de gerar riqueza (rendas). O investimento pode ocorrer em bens de capital (máquinas, equipamentos, etc.), denominado formação bruta de capital fixo, e em estoques. É importante ressaltar que o conceito de investimento em uma economia vincula-se à criação de riqueza, e não simplesmente à transferência de propriedade de um bem. Adquirir ações em Bolsas de Valores, por exemplo, não pode ser interpretado como investimento dentro do conceito econômico. Por se tratar de mercado secundário, a compra de ações envolve uma simples transferência de posse dos valores, sem agregar riqueza à economia. Se a compra ocorrer, no entanto, quando do lançamento das ações (mercado primário), admite-se uma noção de riqueza motivada pela canalização direta do capital investido na empresa e é considerada como investimento no sentido da economia. A poupança é a parcela da renda economizada pelos agentes econômicos, que não foi consumida na aquisição de bens e serviços. Na avaliação da poupança costuma-se incluir, também, a parcela da renda gerada, mas que não foi transferida financeiramente para seus proprietários. Por exemplo, os lucros retidos pelas empresas. A poupança realimenta todo o processo produtivo por meio dos diversos instrumentos de intermediação do mercado de capitais. Os intermediários financeiros captam a poupança disponível e a reconduzem ao sistema produtivo mediante diversas formas de créditos, contribuindo para a expansão do nível de investimento e oferta de bens e serviços. Uma baixa capacidade de poupança ou, o que é o mesmo, alta propensão ao consumo, limita o crescimento da economia. São direcionados, nessa situação menos recursos para investimentos produtivos, inibindo o crescimento do mercado. Nesses casos, os países recorrem normalmente à poupança externa como forma de financiar seu crescimento. É interessante acrescentar que a formação da poupança pela simples retração do consumo não promove, necessariamente, o crescimento da economia, sendo preciso que esses recursos sejam viabilizados, por meio de instrumentos financeiros adequados, para o financiamento dos investimentos produtivos. Se a poupança não for direcionada pelo sistema financeiro aos agentes deficitários de capital para investimento, não se verificará geração de riqueza na economia, somente redução de consumo e da renda nacional. A poupança deve originar-se de estímulos à redução do consumo para lastrear os investimentos da economia. Estudos demonstram que, se não houver o direcionamento da poupança para investimento, o ato de poupar pode constituir-se em fato inibidor do crescimento da economia (HALFELD, 2010). https://siteantigo.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/administracao/rendas-investimentos-e-poupanca/43553, acesso em 23-03-2020