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Unidade I ESTUDOS DISCIPLINARES Freud e o mal-estar na civilização Profa. Adriana Mônaco Jucele Realce Fundador da Psicanálise. Médico neurologista. Realizou estudos sobre histeria. Teorias: inconsciente da mente humana e a sexualidade revolucionaram as interpretações humanas no século XX. Desenvolve o método psicanalítico: a cura pela conversa e o acesso ao inconsciente pelo método da interpretação de sonhos e da livre associação. Conceitos: mecanismos de defesa, repressão psicológica e instâncias psíquicas: Id, Ego e Superego. Sigmund Freud (1853-1939) Jucele Realce Consciência: consciente, pré-consciente e inconsciente. Os níveis de consciência estão distribuídos entre três instâncias: o Id, o Ego e o Superego. Relação dinâmica. Id: representa os processos primitivos e o reservatório das pulsões. Essas pulsões seriam ou de origem sexual, ou atuariam com objetivo de autopreservação. Posteriormente, introduziu o conceito da pulsão de morte. Ego: permanece entre ambos, alternando nossas necessidades primitivas e nossas crenças éticas e morais. É a instância em que se inclui a consciência. Superego: uma parte que contra-age ao Id, representa os pensamentos morais e éticos internalizados. Teoria do inconsciente Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce O mal-estar é próprio da organização do psiquismo humano; estrutural. Viver em sociedade requer renúncia a dois instintos primitivos de satisfação pulsional: agressividade; sexualidade. A repressão orgânica dos componentes libidinais prepara o indivíduo para o caminho da civilização por meio dos mecanismos de defesa do aparelho psíquico. Teoria freudiana da cultura Até que ponto a civilização é construída sob renúncias de satisfações instintuais? Como atua a estrutura psíquica para compensar esta perda? Como atender as exigências instintuais frente às restrições da civilização? Frustração cultural domina o campo dos relacionamentos sociais entre os seres humanos. É a causa da hostilidade contra a qual todas as civilizações precisam lutar. Depende da satisfação real que o homem espera do mundo externo e de quanta força ele se atribui para modificá-lo conforme seus desejos. A constituição psíquica é decisiva. Causas do mal-estar na civilização Fome representa os instintos de preservação do indivíduo – instintos do ego. Amor representa os instintos de preservação da espécie dirigido ao objeto – instinto objetal. Libido é a energia despendida dos instintos objetais, denominados instintos “libidinais” e que são dirigidos a um objeto. Um desses instintos objetais, o instinto sádico, fazia parte da vida sexual. Narcisismo: o próprio ego se achava investido de libido – volta- se para os objetos – torna-se libido objetal. Libido é uma energia instintiva. Teoria psicanalítica dos instintos Jucele Realce Jucele Realce Agressividade representa o instinto de morte, que operava silenciosamente; parte do instinto é desviada do mundo externo e vem à luz como instinto de agressividade. O próprio instinto a serviço de Eros (vida, preservação) seria forçado a dirigir sua agressividade para fora e, quando esta era restringida, estava fadada a aumentar a autodestruição. Sadismo: instinto componente da sexualidade, cuja atividade de afeição era substituída pela crueldade. Masoquismo: instinto componente da destrutividade dirigida para dentro. Nos dois instintos é possível perceber o vínculo entre as tendências para a sexualidade e a agressividade. Teoria psicanalítica dos instintos Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce O instinto de agressão é derivado e representante do instinto de morte. O instinto da sexualidade é derivado dos instintos objetais – energia que se designa “libido” e representante do instinto de vida e autopreservação (Eros). Exemplo de instinto objetal: o sádico que busca satisfazer o instinto de dominação, crueldade. Meta sexual não amorosa; masoquismo: destrutividade dirigida para dentro. Instinto de vida e instinto de morte Jucele Realce Jucele Realce Pulsão de morte faz parte da natureza do homem; uma disposição instintiva original e autossubsistente. Uma parte da energia pulsional que se encontra fora da organização dos princípios, satisfazendo-se alheia à regra de evitar o desprazer. Trata-se de uma função do aparelho psíquico mais primitiva do que o intuito de obter e evitar o desprazer. O instinto de destruição, moderado e domado – inibido em sua meta, proporciona ao ego a satisfação de suas necessidades vitais. Instinto de agressividade Freud formulou a tese de que o mal-estar na civilização é causado pela renúncia a dois instintos primordiais. Quais são eles? a) Sadismo e masoquismo. b) Eros e morte. c) Agressividade e sexualidade. d) Ego e superego. e) Libido e narcisismo. Interatividade Freud formulou a tese de que o mal-estar na civilização é causado pela renúncia a dois instintos primordiais. Quais são eles? a) Sadismo e masoquismo. b) Eros e morte. c) Agressividade e sexualidade. d) Ego e superego. e) Libido e narcisismo. Resposta Jucele Realce Constituição psíquica: contém impulsos rudes e desenvolvidos em que atuam as instâncias psíquicas do Id, Ego e Superego. Há a conservação do primitivo junto àquilo transformado que dele nasceu: cisão do desenvolvimento. Mecanismos de sublimação do instinto = deslocamento da libido é transformado num impulso inibido na meta. Exemplo: o amor. Nada que uma vez se formou pode acabar. Conserva-se, não é destruído. Exemplo: práticas da ioga/ meditação. Atuam como regressão a estados arcaicos, cobertos, da vida psíquica; afastamento do mundo exterior, despertam sensações. Funcionamento psíquico Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce 1. Qual o propósito (desejo) da vida humana ? Buscar a felicidade; ser feliz e assim permanecer. 2. Mas por que é tão difícil ser feliz ? As possibilidades de felicidade são sempre restringidas por nossa própria constituição. O êxito da felicidade dependerá da capacidade psíquica de adaptar sua função ao meio e aproveitá-lo para conquistar prazer. Impulso inibido na meta Programa do princípio do prazer estabelece a finalidade da vida: a busca da felicidade. Reflexão: O quê você deseja alcançar na vida? Felicidade significa a vivência de fortes prazeres. A busca tem dois lados: uma meta positiva (prazer) e uma negativa (ausência de dor, desprazer). Desacordo com o Universo: todo o arranjo contraria. Felicidade: satisfação de necessidades; experiência de sensações de prazer. Possível como fenômeno episódico. Somos feitos para fruir intensamente o contraste e pouco o estado. Logo, as possibilidades de felicidade são restringidas por nossa constituição. Princípio do prazer Jucele Realce Jucele Realce A felicidade constitui um problema da economia libidinal do indivíduo. Luta pela felicidade (prazer) e pelo afastamento do sofrimento (desprazer). 1. Quanta satisfação real o indivíduo pode esperar do mundo? 2. Até que ponto faz-se independente dele? 3. Quanta força se atribui para modificá-lo conforme seus desejos? Neste ponto, a constituição psíquica será decisiva. Erótico: prioridade pas relações afetivas com outras pessoas. Narcisista: satisfações principais em seus eventos psíquicos. Homem de ação: não largará o mundo externo. Felicidade: economia libidinal do indivíduo Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce O propósito da vida está relacionado com o programa do princípio do prazer. O princípio do prazer está relacionado com o programa de ser feliz. O princípio do prazer se converte para o princípio da realidade, sob influência do mundo externo. Prioridade ao conteúdo positivo da meta, a obtenção de prazer. Prioridade ao conteúdo negativoda meta, evitar o desprazer. Predominantemente/ exclusivamente: evitar o sofrer impele para o segundo plano: a conquista do prazer. Princípio do prazer Jucele Realce Jucele Realce A pretensão de felicidade torna-se moderada quando comparada às pressões das possibilidades de sofrimento. As ameaças de sofrimento advêm de três direções: fragilidade do próprio corpo (dor; medo); mundo externo (forças da natureza); relações com outros seres humanos e seus vínculos sociais. Corpo e natureza nunca dominaremos. Somos limitados e devemos nos adequar e conhecer a direção que devemos seguir. Não podemos alcançar tudo que desejamos, mas podemos ser felizes. Dependerá de fatores externos e internos. Princípio do prazer / desprazer e realidade Jucele Realce Jucele Realce Não podemos alcançar tudo que desejamos, mas podemos ser felizes. Dependerá de fatores externos e internos. “Não admira que, sob a pressão de todas essas possibilidades de sofrimento, os homens se tenham acostumado a moderar suas reivindicações de felicidade – tal como, na verdade, o princípio do prazer, sob a influência do meio externo, se transformou no mais modesto princípio da realidade -, que um homem pensa ser ele próprio feliz, simplesmente porque escapou à infelicidade ou sobreviveu ao sofrimento, e que, em geral, a tarefa de evitar o sofrimento coloque a de obter prazer em segundo plano.” (Freud) Princípio do prazer / desprazer e realidade Quando o indivíduo não passa apropriadamente pela transformação e reordenação dos componentes libidinais, pode ocorrer fuga para a doença neurótica; problema em obter felicidade; a religião como delírio de massa ao deformar a imagem do mundo real. Não esperar toda satisfação numa única tendência. Êxito dependente da conjunção de muitos fatores. Capacidade da constituição psíquica para adaptar sua função ao meio e aproveitá-lo para conquistar prazer. Constituição libidinal desfavorável Na investigação de Freud sobre a perspectiva para o homem alcançar a felicidade, há três fontes de onde nosso sofrimento provém. Quais são? a) Ego, Superego, Id. b) Agressividade, sexualidade, sentimento de culpa. c) Erótico, narcisista, homem de ação. d) Natureza, corpo, social. e) Ordem, limpeza, beleza. Interatividade Na investigação de Freud sobre a perspectiva para o homem alcançar a felicidade, há três fontes de onde nosso sofrimento provém. Quais são? a) Ego, Superego, Id. b) Agressividade, sexualidade, sentimento de culpa. c) Erótico, narcisista, homem de ação. d) Natureza, corpo, social. e) Ordem, limpeza, beleza. Resposta Jucele Realce Mecanismo de sublimação: deslocamento da pulsão, reorientando os componentes libidinais pela satisfação irrestrita das necessidades instintuais represadas. A vida e suas construções auxiliares, definidas como satisfações substitutivas. Exemplos: atividades científicas, arte, religião substâncias inebriantes (entorpecentes). A religião pode representar ou substituir ambas no que toca ao valor para a vida. “Quem tem ciência e arte, tem também religião; Quem essas duas não tem, esse tenha religião.” (Goethe, poeta) Mecanismo de sublimação Jucele Realce Assim como a satisfação do instinto equivale à felicidade, um grave sofrimento surge em nós caso o mundo externo se recuse a satisfazer nossas necessidades Surge, então, o deslocamento da libido. Sua função é reorientar os componentes libidinais por meio da sublimação dos instintos, obtendo prazer a partir das fontes do trabalho psíquico e intelectual. Exemplo: a alegria do artista ao criar e a do cientista ao solucionar problemas. Sublimação dos instintos Como satisfazer os processos psíquicos internos? Por meio do mecanismo de deslocamento da libido: uma relação afetiva com o objeto externo, alcançando, então, a felicidade. Exemplo: o amor, ou seja, a satisfação de amar e ser amado. A via da felicidade do amor também é uma fonte de sofrimento: o indivíduo torna-se infeliz quando perde o objeto amado e o ser amado. Esforço humano de obter felicidade e manter o sofrer distante. O amor como impulso inibido na meta Atuação do aparelho psíquico contra o sofrimento diante da impossibilidade de satisfações instintuais Extremo: aniquilamento dos instintos. Exemplo: quietude e o afastamento do mundo externo, intoxicação que busca a sensação de prazeres imediatos e impede os impulsos desprazerosos. Moderado: governo dos instintos. Proteção contra o sofrer. Há um instinto domesticado; a fruição de felicidade é diminuída. Deslocamento da libido: flexibilidade; desloca a meta dos instintos; ganho de prazer a partir das fontes de trabalho psíquico e intelectual (o artista ao criar; o pesquisador a solucionar problemas). Mecanismos de defesa contra o sofrimento Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce A horda primitiva era formada por um chefe (“pai”) que tinha acesso a todas as mulheres e expulsava quem quisesse disputar (“pai tirânico”). Certo dia, os membros do clã (“irmãos”) se reuniram e se voltaram contra o “pai”, o assassinaram e o devoraram, colocando fim à horda patriarcal. Com o ato de matar o pai, os filhos expressaram o ódio pelas restrições que lhes eram impostas e ao amor, ao tentar identificar-se com o “pai”. Após o assassinato, o sentimento foi ambíguo: satisfação e culpa; amor e ódio. Nenhum irmão poderia ocupar o lugar do pai sob pena de ter o mesmo destino. O sistema totêmico estabelece, então, regras: não matar o animal totêmico e não ter relações sexuais com mulheres do mesmo clã (proibição do incesto), regulando, assim, a agressividade e a sexualidade. Origem da civilização – mito da horda primeva (Totem e Tabu, 1913) Jucele Realce Jucele Realce Homem e família primitiva: objeto sexual; trabalho para o sustento do clã familiar; manda o mais forte; relação servil. Evolução cultural: a civilização visa a unir entre si os membros da comunidade de maneira libidinal, inibida em sua finalidade. Exemplos: relações de amizade, de trabalho e de interesses comuns. Amor sexual (satisfação instintual) transformado em amor inibido na meta, mais terno, estável, uniforme. Exemplo: amor entre pais e filhos, irmãos e amigos. Divergência entre família e comunidade. Exemplo: separação do jovem da família (rito de passagem); a mulher dependente e voltada à família e o homem para o trabalho. Origem da vida civilizada Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce Sentimento do amor: reconhecido com um dos fundamentos da civilização. Amor sexual (genital): proporcionava experiências intensas de satisfação – protótipo de toda felicidade, seguindo o caminho das relações sexuais. Perigo: tornou-se dependente de uma parte do mundo externo (objeto). Deslocou o amor ao objeto para o amor a todos os homens, desviando seus objetivos sexuais – transformação do instinto num impulso inibido na meta. (Exemplo: Francisco de Assis). Amor genital conduz à formação de novas famílias. Amor inibido na meta conduz a amizades e formações de vínculos fraternais. O amor como fundamento da civilização Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce Civilização é a soma das realizações e instituições que afastam a nossa vida daquela de nossos antepassados animais e serve para dois fins: a proteção do homem contra a natureza; a regulamentação dos vínculos dos homens entre si. Cultura são todas as atividades e recursos úteis para o homem, tornando a terra recurso a serviço do homem, protegendo-nos das forças da natureza. Exemplo: o uso de instrumentos, domínio do fogo, a construção de moradias, meios de comunicação. Tudo isso é aquisição cultural. Dizemos que um país é rico culturamente quando nele se cultiva e adequadamente se explora a terra e quando existe proteção dohomem frente às forças da natureza. Conceito de civilização e cultura Jucele Realce Jucele Realce A ciência nada pode explicar sobre a natureza e origem da beleza das formas, gestos humanos e objetos naturais, mas ela compensa muitas coisas. É uma fruição que se apresenta em nossos sentidos e no nosso julgamento numa qualidade sensorial peculiar. “Eu fico com a pureza da resposta das crianças. É a vida, é bonita E é bonita.” (Gonzaguinha) Não há utilidade evidente na beleza nem clara necessidade cultural, no entanto, a civilização não poderia dispensá-la. Beleza e atração: atributos do objeto sexual; derivação do sentimento sexual ; é um impulso inibido em sua meta. Beleza, ordem e limpeza Jucele Realce Beleza, limpeza e ordem são exigências culturais, ainda que não sejam úteis, são necessárias. Beleza: surge na natureza e objetos (canteiros de flores). Limpeza: por exemplo, higiene. Ordem: estabelece repetição de quando e onde algo ocorre. Realizações intelectuais, científicas e artísticas são as características primordiais da civilização de manifestação cultural. Exemplo: sistemas religiosos; especulações filosóficas; construções ideais dos homens. Características da civilização Assim como a satisfação do instinto equivale à felicidade, o sofrimento surge da impossibilidade de satisfação. Para libertar-se desse sofrimento, o aparelho psíquico age sobre os impulsos instintivos de que forma? a) Renúncia dos instintos e supressão. b) Princípio do prazer e do desprazer. c) Aniquilamento e controle dos instintos; deslocamento da libido. d) Satisfação de impulsos instintivos rudes e primários. e) Realização de atividades psíquicas superiores. Interatividade Assim como a satisfação do instinto equivale à felicidade, o sofrimento surge da impossibilidade de satisfação. Para libertar-se desse sofrimento, o aparelho psíquico age sobre os impulsos instintivos de que forma? a) Renúncia dos instintos e supressão. b) Princípio do prazer e do desprazer. c) Aniquilamento e controle dos instintos; deslocamento da libido. d) Satisfação de impulsos instintivos rudes e primários. e) Realização de atividades psíquicas superiores. Resposta Jucele Realce Jucele Realce A substituição do poder do indivíduo pelo poder de uma comunidade constitui o passo decisivo da civilização. Meios: lei/justiça em favor do grupo e não mais indivíduo pela força bruta “do mais forte”. Base da hostilidade: o desenvolvimento da civilização implica em restrições e exigências em prol do “bem comum”. Interfere no plano de vida do indivíduo. O indivíduo tentará sempre defender sua revindicação de liberdade individual. Liberdade individual X exigência cultural Jucele Realce Jucele Realce Base da hostilidade do homem à civilização O homem renuncia para civilizar-se. É difícil o homem ser feliz pela satisfação instintual do princípio do prazer. Contenta- se com uma certa felicidade em troca de uma certa proteção do sofrimento. Fonte de sofrimento: as relações sociais e os vínculos com a família, o Estado e a sociedade. Começamos a nos ocupar e partilhar de um ponto de vista surpreendente de hostilidade à civilização. Fonte de sofrimento: relações sociais Jucele Realce Jucele Realce Relações sociais: entre os indivíduos, membros da família, sociedade, Estado Elemento cultural dita que o poder individual não pode se sobrepor ao poder coletivo. Cada um contribui com sacrifícios de seus instintos para viver em comunidade. O indivíduo experimenta restrições, exigências que interferem na liberdade individual – hostilidade à civilização. Tarefa: busca de equilíbrio entre as exigências culturais e as satisfações individuais. Expressão da hostilidade na civilização Jucele Realce Jucele Realce Seríamos bem mais felizes se abandonássemos e retrocedêssemos a condições primitivas? Ora, se a sociedade impõe privações em prol de ideais culturais, conclui-se que, se os abolíssemos, isto significaria um retorno às possibilidades de felicidade. Porém, se não nos sentimos bem em nossa atual civilização, é difícil julgar se e em qual medida os homens antigos sentiram-se mais felizes. Reflexão: embora uma satisfação irrestrita de todas as necessidades seja tentadora para conduzir nossas vidas, isso significaria colocar o gozo antes da cautela. O valor da felicidade na civilização Jucele Realce Sublimação: ocorre quando instintos são levados a deslocar-se em outras vias para satisfação. Traço evidente na evolução cultural. Exemplo: atividades científicas, artísticas e ideológicas. Frustação cultural: (até que ponto?) a civilização é construída sobre a renúncia instintual e impede a satisfação instintual do homem por meio de repressão, supressão. Hostilidade que todas as culturas devem combater nas relações sociais e que deve ser economicamente compensada – economia libidinal. Sublimação cultural Jucele Realce Jucele Realce Sexualidade como estrutura econômica da civilização Relação de homem e mulher para fins de multiplicação. Sexualidade “permitida” como fonte de multiplicação dos seres humanos e não como obtenção do prazer. Subtração econômica da energia (desejos) de satisfação sexual por meio da repressão, ou seja, vida sexual igual para todos. Problema: ignoram-se as desigualdades na constituição sexual inata e adquirida do indivíduo. Teoria da bissexualidade. Frustração da vida sexual: as medidas restritivas de satisfação sexual são fontes de sofrimento e angústia. Sexualidade como estrutura econômica Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce A civilização impõe outros sacrifícios Unir membros da comunidade em vínculos fraternais de amizade – amor universal como libido inibido na meta. Exigências ideais da sociedade civilizada: “Ama teu próximo como a ti mesmo” – uma gloriosa reivindicação. Questões perturbadoras: como amar alguém desconhecido; ele é merecedor ? Nos ajudará em quê? Por que fazer? Observa-se mais hostilidade: o outro não demonstra consideração, não hesita em prejudicar, obter vantagem, exibir poder, ofender. Por que, então, amá-lo? Assim: “Ama teu próximo assim como ele te ama” é a conduta humana que vivenciamos (atitudes “boas” e “más”). Amor como impulso inibido na meta Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce Jucele Realce O homem possui instintualmente tendências agressivas. O outro apresenta-se como “tentação”/“provocação” para satisfazer sua agressão instintiva. Forças psíquicas reativas atuam e inibem essa agressividade: as relações amorosas inibidas em sua meta (amizades, amores). Forças psíquicas reativas ausentes: o homem pode se comportar como uma “besta selvagem” que não poupa a própria espécie. Agressividade como fator perturbador na relação humana, pois é contrária à natureza humana original. Agressividade como causa do mal-estar Não é fácil para o homem a renúncia à gratificação de sua tendência à agressividade, imposta pela civilização. Por isso é tão difícil ser feliz nela. Homem primitivo não conhecia a restrição ao instinto, mas a segurança de desfrutar a felicidade por muito tempo era mínima. Homem civilizado trocou um tanto de felicidade por um tanto de segurança. “A falha humana que eu mais gostaria de corrigir é a agressividade. Ela pode ter sido uma vantagem na época dos homens das cavernas [...]. Agora ela ameaça destruir todos nós.” (Stephen Hawking, físico britânico) Mal-estar na civilização Processo cultural a serviço de Eros, ou seja, do instinto de vida: unir famílias, etinias, povos e nações numa grande unidade da humanidade; unidos libidinalmente. O programa cultural se opõe ao instinto agressivo dos seres humanos – derivado do instinto de morte. Hostilidade de “um contra todos e todos contra um”. A evoluçãocultural apresenta-se como uma luta entre instinto de vida e instinto de morte – luta vital da espécie humana. A civilização expressaria, portanto, uma repetição desse conflito. Mal-estar no processo cultural Na Psicanálise, o conceito do mecanismo de sublimação instintual é uma manifestação psíquica definida como: a) repressão orgânica; b) internalização dos instintos; c) deslocamento da libido; d) economia libidinal; e) princípio do prazer. Interatividade Na Psicanálise, o conceito do mecanismo de sublimação instintual é uma manifestação psíquica definida como: a) repressão orgânica; b) internalização dos instintos; c) deslocamento da libido; d) economia libidinal; e) princípio do prazer. Resposta Jucele Realce ATÉ A PRÓXIMA!