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1 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos INTRODUÇÃO A SEMIOLOGIA Na semiologia aprende-se a avaliar sintomas e sinais dos pacientes. Além disso, estuda os métodos de exame clínicos, pesquisa sintomas e os interpreta. SINAIS X SINTOMAS: ➢ Sintomas É uma sensação subjetiva anormal sentida pelo paciente e não é visualizada pelo examinador. É relatada pelo paciente. No caso da Medicina Veterinária não existem sintomas visto que os animais não expressam verbalmente o que sentem. ➢ Sinais podem ser notados pelo examinador através da palpação, percussão, auscultação, inspeção ou exames complementares, sendo detectáveis na avaliação. SINDROME: É o conjunto de sintomas clínicos, de múltiplas causas e que afetam diversos sistemas. Quando adequadamente reconhecidos, caracterizam enfermidade ou lesão. EXEMPLO: Sindrome de Cushing, que é uma doença hormonal (defeito na glândula adrenal, produzindo muito cortisol), porém, esse problema causa um monte de efeito colateral. O animal bebe muita água, urina muito, possui lesões na pele, etc. Por isso é chamada de síndrome. DOENÇA: È o evento biológico caracterizado por alterações anatômicas, fisiológicas e bioquímicas. Pode ser isolado (exemplo da sarna) ou associado (exemplo de Cushing associada a doença de pele) SINTOMAS: Pode ser classificado quanto: A evolução: • Inicial São os primeiros sintomas observados. EXEMPLO: Prostração. • Tardio Aparece no período de plena estabilização ou declínio de uma enfermidade. EXEMPLO: Quadro neurológico da cinomose ou hiperqueratose (ressecamento dos coxins) na cinomose). • Residual É aparente na recuperação do animal. EXEMPLO: Mioclonias na cinomose. Ao mecanismo de produção: • Anatômicos Dizem respeito a alteração do formato de um órgão. EXEMPLO: Esplenomegalia ou hepatomegalia. • Funcionais Estão relacionados com a alteração na função dos órgãos. EXEMPLO: Claudicação. 2 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos • Reflexos Sintomas originados longe da área em que o principal sintoma aparece. EXEMPLO: Sudorese em caso de cólica, taquipneia em caso de uremia e ictérica nas hepatites PROGNÓSTICO: O prognóstico consiste em prever a evolução da doença e suas prováveis consequências. Ele pode ser: • Prognóstico favorável: Quando se espera uma evolução satisfatória. • Prognóstico desfavorável: Quando se prevê o termino fatal ou a possibilidade de óbito. DIAGNÓSTICO: ➢ Diagnóstico • Principal objetivo: garantir qualidade de vida. • Baseia-se em: → Reconhecimento da enfermidade. → Previsão da evolução (prognóstico). ➢ Proporção na construção diagnóstica: • 50% Anamnese → começa com a queixa principal; coletar todas as informações. • 35% Exame físico → avaliação direta do animal. • 15% Exames complementares → auxiliam, mas não substituem. ➢ Tipos de Diagnóstico: o Presuntivo: • Quando não é possível fechar o diagnóstico de imediato. • Baseia-se na hipótese mais provável. o Definitivo: • Baseado na análise completa: sinais clínicos + história do paciente + exames complementares (quando necessários). • Confirma-se com provas objetivas, independentemente da resposta ao tratamento. • mucosa pálida + emagrecimento → (suspeita) → hemograma: anemia + parasita identificado → (prova objetiva) → confirmado → diagnóstico definitivo. ➢ Erros Comuns no Diagnóstico • Anamnese incompleta. • Exame físico apressado/superficial. • Avaliação precipitada dos achados. • Desconhecimento de técnicas. • Tratar antes de diagnosticar. 3 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos EXAMES FÍSICOS: INSPENÇÃO: Utilizando o sentido da visão, esse procedimento de exame se inicia antes mesmo da anamnese, sendo o mais antigo método de exploração clínica e um dos mais importantes. Comete-se mais erro por não olhar direito do que por não saber de fato. • Exame deve ser feito em lugar bem iluminado • Comparar animal doente com os assintomáticos • Não deve se precipitar. Não faça a contenção nem manuseie o animal antes de uma inspeção cuidadosa, já que a manipulação o deixara estressado. APALPAÇÃO: O sentido do tato é responsável por informações sobre estruturas superficiais ou profundas • Palpação com a mão espalmada Usando toda a palma de uma ou de ambas as mãos. • Palpação com dorso dos dedos ou das mãos Específico para avaliar temperatura • Digito pressão realizada com a polpa do polegar Consiste na compressão de uma área com diferentes objetivos: pesquisar a existência de dor, detectar presença de edema e avaliar a circulação cutânea. ASCULTA: • Utilize um aparelho de ausculta de boa qualidade • Ausculte em um ambiente tranquilo, livre de ruídos acessórios • Detenha a sua atenção no ruído que está ouvindo. • Evite acidentes. Só ausculte quando o animal estiver adequadamente contido. • A percussão acústica permite a avaliação de tecidos localizados aproximadamente a 7 centímetros de profundidade. OLFAÇÃO: • Hálito com odor urêmico aparece em doentes em uremia. • Halitose é um odor desagradável que pode ser determinada por diferentes causas. EXEMPLO: Cáries, tártaro, afecções periodontais, presença de corpo estranhos na cavidade oral e esôfago. • Odor das fezes de cães com gastrenterite hemorrágica e das secreções de cães com hipertrofia da glândula adanal são muito características. 4 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos EXAMES COMPLETARES: Quando uma consulta (anamnese e exame físico) é bem realizada, chega-se ao diagnóstico correto em cerca de 90% dos casos. De maneira geral, as principais razões para realização dos exames complementares são: • Confirmar a presença ou causa da doença (já tem 85% de noção do diagnóstico). • Avaliar a severidade do processo mórbido. • Determinar a evolução de uma doença especifica. • Verificar a eficácia de um determinado tratamento. Nos últimos anos, tem-se observado um considerável aumento no número de testes laboratoriais. Os procedimentos laboratoriais incluem: exames físico- químicos, hematológicos, bacteriológicos,parasitológicos e determinações enzimáticas. PLANO GERAL DO EXAME FISICO: O que fazer desde o momento que ele entra no consultório até a liberação do paciente? 1. Identificação (espécie, raça, sexo, idade, cor, pelagem e peso). 2. Anamnese (histórico do animal). 3. Exame físico (primeiro geral e depois específico). 4. Exames complementares 5. Diagnóstico e prognóstico 6. Tratamento Uma boa anamnese deve ser feita detalhadamente e não ser quando temos caso de emergência. SEMIOLOGIA DO SISTEMA DIGESTORIO: FOME X APETITE: A fome é um fenômeno físico (muito diferente da gula). • Normorexia: Apetite normal. • Polifagia: Apetite aumentado (como a diabete, o animal sente muita fome, come e não engorda). • Inapetência ou anorexia: Apetite diminuído. 5 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos • Coprofagia: é o habito de ingerir fezes. Isso pode estar ligado a uma deficiência nutricional ou comportamental (90% das vezes). INSGESTÃO DE AGUA: A ingestão de água varia principalmente com a estação do ano, idade, espécie, tipo de trabalho e quantidade de água contida nos alimentos. • Normodipsia: Ingestão de água normal. • Polidipsia: Aumento da ingestão de água. • Hipodipsia: Diminuição da ingestão de água. • Adipsia: Não há ingestão de água. SINAIS DE DISTÚRBIOS INTESTINAIS Como sinais de distúrbios intestinais tem-se: Halitose, disfagia, regurgitação, vômito, hematêmese, anorexia, constipação, diarreia, dor abdominal e distensão abdominal. HALITOSE: Halitose é o odor alterado, desagradável ou fétido do ar expirado. É uma queixa do exame físico frequente. A halitose pode ser decorrente de: • Doenças faríngeas, esofágicas e gástricas. • Doença dental. • Presença de corpo estranho. • Coprofragia. DISFAGIA: Dificuldadeou impossibilidade de deglutição. Os sinais clínicos da disfagia incluem: • Dificuldade de preensão e mastigação. • Engasgos. • Sialorreia (excesso de saliva). • Halitose. Tendo em vista que a deglutição correta apresenta uma fase oral, laríngea e esofágica; processos dolorosos e obstrutivos, assim como disfunções mecânicas (fraturas de mandíbula) ou neuromusculares que interfiram nessas funções, podem resultar em disfagia. REGURGITAÇÃO É a eliminação retrograda e passiva (sem esforços abdominais) do conteúdo esofágico. Ocorre geralmente antes que o alimento adentre o estomago e não está associada aos sinais padrões do 6 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos vomito (inquietação, deglutições repetidas, sialorreia). Ou seja, o alimento não foi digerido. Dentre as causas, tem-se: • Obstrução esofágica • Neoplasias A aparência do material eliminado pode caracterizar o alimento não digerido (tem o bolo alimentar pronto), que é típico na regurgitação. VOMITO: Caracteriza-se pela ejeção forçada de conteúdo gástrico e duodenal pela boca. A expulsão do conteúdo gástrico é precedida de sinais podrômicos como inquietação, sialorreia, lambedura dos lábios, náuseas, aumento da frequência respiratória (movimento abdominal), etc. Tem-se a aparência do liquido gástrico, amarelado. De maneira geral, tem como causa: • De gastroenterite até obstrução gástrica. • Mudança bruscas da dieta, indisposição alimentar. • Pancreatite • Obstruções por corpos estranhos. EXAME FÍSICO DA CAVIDADE ORAL E FARINGE A cavidade oral é a entrada do sistema gastrintestinal, dos lábios até a faringe. O exame físico inclui: inspeção da mucosa, lábios, gengivas, dentes, língua, palato, faringe e tonsilas. Deve ser feito com delicadeza; em casos de agressividade, usa-se contenção química. Avalia-se na cavidade oral: » Dentição (contagem, cálculos e resíduos alimentares). » Língua (coloração, tipos de superfície, presença de papilas, edema e corpos estranhos). » Palato duro e mole (comprimento e conformação, anomalias congênitas, fissuras palatinas). » Faringe e laringe (abertura total da boca e deslocamento da língua). SEMIOLOGIA DA PELE: • Pele, cútis ou tez • Um dos maiores órgãos constituindo 15% do peso corporal • Funciona como barreira anatomofisiológica É sinergia com os sistemas orgânicos internos e refletindo processos patológicos. Ou seja, é um espelho que reflete o meio interno. Possui três camadas. A mais superficial chama-se epiderme, a segunda camada chama-se derme e a mais profunda chamada chama-se hipoderme. 7 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos ➢ As funções da pele são: • Barreira circundante (contra a desidratação) • Proteção ambiental (termo regulação) • Percepção sensorial • Secreção • Produção de melanina. • Regulação da temperatura corporal (os vasos sanguíneos subcutâneos contraem-se com o frio e dilatam no calor, minimizando ou maximizando as perdas de calor). • Estoque O diagnóstico de dermatopatias faz-se com histórico clinico, anamnese, exame físico e exames complementares. ANAMINESE: Anamnese em Dermatopatias • A anamnese deve ser rigorosa, podendo ser responsável por até 50% do diagnóstico final. • A queixa principal deve ser a primeira etapa no questionamento do tratador do animal. • Em gatos, é comum problemas dermatológicos devido ao estresse. • As queixas mais recorrentes: • Prurido: sensação desagradável que provoca coceira. • Alopecia: queda de pelo. • No caso do prurido, é necessário perguntar: • Intensidade (quanto o paciente se coça). • Manifestação. • Localização. ➢ Avaliação Clínica e Diagnóstico • Avaliar o paciente clinicamente. • Realizar exame físico detalhado. • Observar e diferenciar as lesões cutâneas. • Classificar e registrar todas as lesões no corpo do animal. 8 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos ➢ Exames Complementares • Métodos de inspeção indireta. • Indispensáveis para o diagnóstico definitivo das dermatopatias. ➢ Em uma anamnese de dermatopatia, é necessário perguntar: • Antecedentes: Inicio do quadro e tempo de evolução ,Tratamentos já efetuados e suas consequências. • Periodicidade: Casos de dermatites alérgicas a ectoparasitas podem piorar no verão. Já nos quadros de hipersensibilidade alimentar: mantém o mesmo grau de intensidade o ano inteiro. • Ambiente, manejo e hábitos: O uso da limpeza do ambiente, por exemplo, pode dar uma reação alérgica por contato aos produtos químicos. O tipo de piso (piodermites de calos desenvolvem em animais pesado e que vivem em pisos rústicos). A frequência de banho também pode levar a algumas dermatopatias. • Ectoparasitas Importante saber se há ou não a presença de pulgas e carrapatos. INSPENÇÃO DIRETA Principal orientação do dermatologista para a elaboração do diagnóstico. Avalia-se o paciente, faz exame físico. As diferentes características e particularidades das lesões cutâneas são importantes para diferencia- las. TOPOGRAFIA Classificação feita de uma lesão em relação a outra. Marca-se as lesões dermatológicas encontrada em todo corpo do animal. INSPENÇAO INDIRETA Os exames complementares são métodos de inspeção indireta. De maneira geral, são considerados indispensáveis no diagnóstico definitivo de dermatopatias. 9 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos RASPADO CUTÂNEO Uma das técnicas mais executadas na dermatologia veterinária, com grande importância no auxílio ao diagnóstico para identificação de parasitas dos gêneros: • Demodex • Sarcoptes • Psoroptes • Notoedris • Cheyletiella Indicação: • Utilizado exclusivamente para visualização de ácaros. • Deve ser realizado em lesões representativas do quadro, preferencialmente em pele íntegra. Procedimento: Realiza-se fricção ou compressão na pele até provocar leve sangramento. Raspa-se a área com bisturi, deposita-se o material em uma lâmina com lamínula e examina-se ao microscópio com aumento de 10x. Resultados e Considerações: • No Demodex canis é possível observar formas adultas, larvas e ovos, facilitando e agilizando o diagnóstico. • Esse exame fornece resultados rápidos e importantes na orientação diagnóstica. • Permite a classificação do infiltrado inflamatório. • A partir de placas, nódulos e tumores, possibilita a diferenciação entre processos inflamatórios ou neoplásicos CITOLOGIA Esse exame pode fornecer rápidos resultados, importantes na orientação do diagnóstico. O exame permite a classificação do infiltrado inflamatório. E a partir de placas, nódulos e tumores permite a diferenciação de processos inflamatórios ou neoplásicos. As técnicas são: esfoliação, impressão e punção aspirativa ESFOLIAÇÃO: Provoca uma esfoliação no local que está lesionado. Quando se faz esfoliação no tecido, provoca mais sangramento, logo, não é recomendado fazer em lesões que tiveram sangramento. Roda o Swab na lesão e põe na lamina. Após isso, cora e vê no microscópio. EXEMPLO: Lesões na orelha 10 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos IMPRESSÃO: Com a lamina de vidro, encosta diretamente no local. Normalmente se faz para visualizar ácaros ou para fazer citologia. O método de impressão por fita adesiva é bastante usado. Pega a fita adesiva durex, pressiona sobre o local lesionado e após isso, põe na lamina. EXEMPLO: Suspeita de Malassezia ASPIRATIVO O método aspirativo tem duas classificações: PAF ou PAAF. • PAF Punção por agulha fina. Esse utiliza-se apenas a agulha, sem a seringa. Fica rotacionando a agulha dentro do nódulo para retirada do material. • PAAF Punção aspirativa por agulha fina. Utiliza seringa e agulha. O paciente possui um nódulo. Pega-se a seringa com agulha, introduz no nódulo e aspira com o embolo da seringa. DIAGNOSTICOS DAS DERMOFITOSES EXAMEDE LAMPÂDA DE WOOD Luz com emissão de ultravioleta. Quando dá positivo, fica verde florescente. Porém, podem haver diversas coisas que ficam florescentes na lâmpada. É de grande valia na clínica dermatológica de pequenos animais pois o principal dermatófito é o Microsporum canis. Este é detectado nesse teste. TRICOGRAMA É um exame que avalia o ciclo biológico do pelo em determinado momento. Exame detalhado do bulbo, da haste e da extremidade do pelo. O pelo é retirado por uma pinça hemostática. Posteriormente, os pelos sãos postos em uma lamina de vidro. Avalia-se no microscópio óptico. Uma das principais indicações do tricograma é a determinação se certa região de rarefação pilosa é decorrente de queda de pelos ou de prurido provoca pelo próprio animal. 11 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos EXAME MICOLÒGICO Para dermatófitos. Seleciona a área e corta o pelo. Faz a limpeza da área e a colheita é feita por avulsão. BIOPSIA DE PELE • Pode ser em fuso (ou elíptica) ou por punch. Biopsia excisional: Toda a lesão é removida. É ao mesmo tempo diagnóstica e terapêutica. Avaliação da completude da remoção e do comprometimento das bordas de incisão. Biópsia incisional: Apenas parte da lesão é removida. Lesões muito grandes, lesões multifocais, pacientes críticos e dúvidas quanto aos procedimentos posteriores. Biópsia por punch Requer um aparelho especial. Pode ser de plástico ou aço inox. Técnica incisional, mas em lesões pequenas pode ser considerado como excisional. É a técnica mais utilizada na dermatologia. O aparelho mais usado é de 8 milímetros. Anestesia o local que deseja fazer a biópsia e com o punch, faz movimento circular no local. Com uma pinça, traciona e corta a pele. Põe gaze umedecida com formol e coloca no frasco para envio a histopatologia. 12 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos Semiologia do Sistema Urinario Os órgãos urinários incluem os rins, os ureteres, a bexiga (vesícula urinária) e a uretra. Os rins produzem a urina que, por meio dos ureteres, chega a bexiga, onde é armazenada. Felinos costumam ter predisposição a patologia no sistema urinário. Algumas raças de cachorros, como o Yorkshire, também tem a predisposição. Principalmente como cálculo urinário e cistite. O sistema urinário tem como função produção de urina; eliminação de resíduos do metabolismo; eliminação de excessos: água, eletrólitos, não eletrólitos; equilíbrio hidro- eletrolítico. Como identificar lesão no sistema urinário? Por meio do exame físico geral. • Lesões dos diferentes componentes do sistema urinário Pode haver patologia só no rim, só na uretra, etc. • Comprometimento de outras partes do organismo • Inspeção visual simples • Pênis e orifício uretral externo Macho tem tendência a fazer muita obstrução uretral então tem que fazer essa inspeção peniana. • Vulva e abertura uretral Faz menos obstrução que o macho. Fêmeas fazem mais cistite. • Ato físico da micção e aspecto da urina RESENHA E ANAMINESE Para avaliar o sistema urinário, diversa informação sobre as características do animal tem grande relevância na definição dos resultados. É importante ressaltar que muitas doenças que acometem os órgãos urinários resultam em comprometimento sistêmico e vice-versa. Na anamnese, tem que realizar perguntas pertinentes ao sistema urinário e também ao aspecto fisiológico de alimentação, ingestão de água e excreção de fezes e urina. 13 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos EXAME FÍSICO GERAL No momento do exame físico geral, os órgãos urinários devem ser considerados. Com base nas informações obtidas na anamnese e nos resultados do exame físico geral, o clínico deve decidir sobre a necessidade de aprofundar a investigação por meio de exames especiais. O exame físico geral é feito e certos aspectos são destacados: Peso, temperatura, frequência do pulso e respiratória, aspecto das mucosas e grau de hidratação (este é o primeiro sinal pois ele vai começar a beber pouca água após não conseguir urinar). ➢ Boca: Importante observar a boca para verificar se há presença de ulceras, alterações na língua, inserção correta dos dentes, aumento maxilar e hálito urêmico. Paciente com insuficiência renal tem aumento das enzimas renais e uma delas é a ureia, dando um hálito urêmico e isso faz ulceração na cavidade oral. ➢ Exame geral dos demais órgãos • Rins: Avaliar se ambos são palpáveis. Avalia-se o tamanho, simetria, posição, contorno, consistência e forma. E também avalia se na hora da palpação há presença de dor (cachorro se contrai). • Bexiga: Palpação da bexiga avalia a posição, tamanho, consistência, espessura da parede, dor e formato. Principalmente palpar para avaliar se há presença do cálculo. EXAMES COMPLEMTARES: ➢ Ultrassonografia ➢ Prova de função renal: Indicada quando há suspeita de insuficiência renal. Se faz em todos animais menos ruminante macho. No perfil bioquímico mede as dosagens da concentração de creatinina, ureia, proteína, potássio, etc. Além disso, avalia função glomerular e função tubulo interticial. ➢ Raio X : Indicada quando há presença de cálculo. ➢ Urinálise: Exame extremamente importante. Amostra de urina. Micção natural, cateterismo uretral (sonda uretral indo direto na bexiga) e cristocentese (punção da bexiga). TERMOS LIGADOS AO SISTEMA URINARIO • Poliúria: Aumento anormal do volume de urina eliminada. • Polaciúria (ou Poliquiúria): Aumento da frequência urinária com redução do volume por micção. • Disúria: Dor ou dificuldade ao urinar. • Estrangúria: Esforço e dificuldade para urinar, geralmente associado a dor. • Anúria: Ausência total de produção e eliminação de urina. • Oligúria: Diminuição significativa na produção de urina. • Incontinência urinária: Perda involuntária de urina. • Tenesmo vesical: Esforço frequente e ineficaz para urinar, com sensação contínua de necessidade. 14 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos • Hematúria: Presença de sangue na urina. • Proteinúria: Presença anormal de proteínas na urina. • Glicosúria: Presença de glicose na urina, comum em casos de diabetes mellitus. • Piúria: Presença de pus ou leucócitos na urina, indicativo de infecção. • Urolitíase: Formação de cálculos (pedras) no trato urinário. • Cistite: Inflamação da bexiga urinária. • Nefrite: Inflamação dos rins. • Uremia: Acúmulo de ureia e outras substâncias tóxicas no sangue devido à falência renal. • Estrangúria:Esforços prolongados (muito tempo no local tentando urinar e não consegue), sem eliminação da urina ou poucas gotas. Hematúria Condição em que a urina contém sangue. Pode ser classificada em: • Hematúria macroscópica: visível a olho nu. • Hematúria microscópica: detectada ao exame microscópico, pela presença de células sanguíneas. Possíveis origens da hemorragia: • Sangue no início da micção: indica problema uretral. • Sangue durante toda a micção: indica problema renal. • Sangue no final da micção: indica problema na bexiga. SEMIOLOGIA DO SISTEMA CARDIOVASCULAR O coração dos cães e dos gatos em termos anatômicos é semelhante ao do ser humano, sendo constituído por quatro câmaras de tecido muscular (2 átrios e 2 ventrículos). Entre cada átrio e ventricular existem válvulas que impedem o retorno sanguíneo quando o coração contrai. O exame físico do paciente cardiopata é o começo da avaliação clínica do paciente e, indubitavelmente, o procedimento mais importante, pois é o que determinará se o paciente é realmente cardiopata ou não. Os exames complementares servem para confirmar a suspeita clínica. 15 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos RESENHA O grande objetivo do exame físico é a arte de diagnosticar; assim, a resenha inclui dados gerais que podemoferecer muitas informações sobre o paciente. Dentre elas, é possível mencionar: espécie, idade, sexo, raça e meio ambiente. • Espécie: Na medicina de pequenos animais, algumas doenças se apresentam com maior frequência em cães e outras em gatos. Por exemplo, cardiomiopatia dilatada em cães e cardiomiopatia hipertrófica em gatos. • Idade: Conhecendo a idade do animal, pode-se ter uma ideia geral do problema. Por exemplo, a ocorrência de um sopro em um filhote de 3 meses sugere cardiopatia congênita e num cão de dez anos é sugestivo cardiopatia adquirida. Porém, é importante ressaltar que existem exceções. • Sexo: Embora existam poucas cardiopatias geneticamente ligadas ao sexo do animal, essa informação pode sugerir certas enfermidades, mas nem sempre de maneira precisa. Por exemplo, persistência do ducto arterioso em fêmeas e degeneração da calva mitral e cardiomiopatia dilatada em machos. Já nos felinos, não há nenhuma prevalência ligada ao sexo. • Raça: Algumas raças apresentam predisposição a cardiopatias específicas, variando conforme a região. Nos EUA, a cardiomiopatia hipertrófica é comum em Maine Coons, enquanto no Brasil e na Argentina é mais prevalente em gatos domésticos de pelo curto, Siameses e Persas. Certas doenças são comuns em várias regiões, como a persistência do ducto arterioso em Poodles, Pastores Alemães e Collies, e a estenose pulmonar em Buldogues, Beagles e Schnauzers. • Meio ambiente: É importante conhecer a região na qual o animal vive,bem como se este viajou para regiões endêmicas de dirofilariose (região dos lagos, por exemplo). Esses dados são de grande valia na suspeita clínica de uma parasitose cardíaca. Deve-se pensar também em regiões endêmicas com a doença de Chagas. QUEIXA PRINCIPAL Ao examinar um animal, é importante considerar que muitos sinais clínicos são semelhantes aos de outros sistemas. Os sinais congestivos do lado esquerdo indicam congestão venosa pulmonar, causando tosse, dispneia e taquipneia, podendo evoluir para edema pulmonar. Já os sinais congestivos do lado direito se manifestam como acúmulo de líquidos (efusões). As queixas principais incluem: • Tosse: Reflexo causado por estímulos nas vias respiratórias ou estruturas próximas, podendo ter origem cardíaca, como aumento do átrio esquerdo, insuficiência ventricular esquerda e dirofilariose. É geralmente seca, ruidosa e pode ser confundida com vômito. • Dispneia: Dificuldade respiratória; em casos graves, o animal adota posturas anormais para respirar. • Síncope: Perda súbita e transitória de consciência, podendo ser causada por cardiopatias como estenose pulmonar. • Ascite: Acúmulo de líquido no abdômen, frequentemente associado a cardiopatias. O animal também pode apresentar dispneia e respiração acelerada. 16 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos ANAMNESE Na anamnese, se deve perguntar tudo!! A rotina do paciente, perguntar se faz atividade física, se passeia com frequência, se costuma frequentar regiões endêmicas para dirofilaria, se já fez anteriores medicações, e outros questionamentos que achar importante. SINTOMAS CLINICOS • Tosse • Dispneia • Intolerância ao exercício • Síncope • Distensão abdominal (ascite) • Edema de membros (pela ascite o coração não funciona como deveria e o rim fica sobrecarregado, gerando edema). EXAME FISÍCO GERAL Com relação ao estado geral do cardiopata, pode-se dizer que está tudo relacionado com a gravidade do quadro. É muito importante observar o a paciente de modo geral, ver sua postura, se existe edema periférico ou ascite, observar o padrão respiratório, etc. INSPENSÃO DIRETA Deve-se iniciar o exame a partir da avaliação da cabeça, depois pescoço, tórax e abdômen. ➢ Avaliação Física • Verificar presença de edemas. • Avaliar pulso venoso. • Observar postura dos membros torácicos (ex: abdução dos membros na tentativa de melhorar a respiração ou diminuir a dor, especialmente em casos de edema). ➢ Exame das Mucosas • Avaliar coloração das mucosas (cor, umidade, tempo de preenchimento capilar). ➢ Avaliação do Sistema Circulatório Periférico • Avaliar estado hídrico do animal, identificando sinais de desidratação e hipovolemia. • Realizar avaliação do Tempo de Preenchimento Capilar (TPC). ➢ Pulsos Venosos • Avaliar pulso venoso (ritmo, força e regularidade). 17 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos INSPEÇÃO INDIRETA A auscultação cardíaca é a base do exame cardiológico dos pacientes em Medicina Veterinária. Na auscultação é possível identificar um paciente com cardiopatia, determinar a frequência cardíaca, a ocorrência de sopros, a sua intensidade e também o foco de origem. Deve-se utilizar um bom estetoscópio, ambiente tranquilo e sem ruídos externos que perturbem a concentração durante e a colaboração do proprietário. A taquicardia é quando os batimentos estão acelerados. A bradicardia é quando os batimentos estão diminuídos. ➢ Batimento normal: • Cães 70 a 160 • Cães filhotes 110 a 120 • Gato 120 a 140. Em gatos é mais complicado realizar à auscultação pois eles ronronam. EXAME CARDIOLÓGICO No exame cardiológico deve-se iniciar o exame a partir da avalição da cabeça, depois pescoço, tórax e abdômen. ➢ Cabeça • Narinas: úmidas, brilhantes, sem secreção (principalmente em felinos). • Linfonodos: palpar submandibulares. • Mucosas: oral e ocular, cor rosa-intenso. • TPC (Tempo de Preenchimento Capilar): ➝ Pressionar mucosa e verificar retorno da coloração em até 2 segundos. ➢ Pescoço • Pesquisar reflexo de tosse pela palpação da traqueia. • Tosse intensa após palpação sugere patologia traqueal. ➢ Tórax Palpação: • Avaliar pulso arterial femoral: frequência, ritmo e amplitude. • Relação batimentos cardíacos:pulso femoral deve ser 1:1. Auscultação: • Usar estetoscópio. • Diferenciar sons cardíacos dos respiratórios. • Determinar ponta de choque (local de maior intensidade dos batimentos). • Contar batimentos por 15 segundos e multiplicar por 4 para obter frequência por minuto. Sopro: • Turbulência do fluxo sanguíneo. • Diversas classificações conforme intensidade, localização e características. ➢ Abdômen • Verificar presença de ascite (líquido palpável) ou massas (mais rígidas). ➢ Membros • Avaliar presença de edema, especialmente em membros posteriores. 18 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos EXAMES COMPLEMENTARES • Radiografia: Faz duas incidências sendo uma latero-lateral e outra ventro- dorsal. • Eletrocardiograma: Avaliação do ritmo cardíaco. No entanto, além de possibilitar essa investigação, esse exame pode ser requisitado para analisar outros aspectos cardíacos do animal. É um procedimento fácil, de fácil interpretação, rápido e de grande importância. Esse exame é utilizado para confirmar a suspeita de arritmia. • Ecodopplercardiograma: É basicamente uma ultra do coração. Vai avaliar a imagem cardíaca, não avalia o ritmo cardíaco. Vai identificar patologias relacionadas com a estrutura do coração, congênitas ou massa, trombos e efusões. SEMIOLOGIA DO SISTEMA RESPIRATÓRIO O sistema respiratório tem como função principal fazer as trocas gasosas entre o corpo e o ambiente, processo chamado de hematose. Além disso, ajuda a controlar a temperatura do corpo. Isso acontece porque, ao expirar, o ar sai quente e úmido, ajudando a eliminar o calor. Outra função importante é manter o equilíbrio do pH do corpo. Quando o animal respira pouco (hipoventilação), acumula gás carbônico e pode ter acidose. Já quando respira rápido demais (hiperventilação), elimina muito gás carbônico e pode ter alcalose. Animais com febre ou de raças braquicefálicas (focinho curto) podem ter mais dificuldade para fazer a troca de gases, demorando mais nesse processo DIVISÃO DO SISTEMA RESPIRATORIO Trato respiratório superior Narinas, fossa nasal,nasofaringe, orofaringe e laringe. Trato respiratório inferior Traqueia, árvore brônquica, dutos alveoláres e alvéolos PERCUSO DO AR INSPIRADO Qual é o percurso do ar inspirado? Entrada das vias aéreas, entra na narina, fossas nasais, glote e traqueia. Entra no pulmão e vai para os brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares. RESENHA: Na avaliação do sistema respiratório, informações quanto a espécie, raça, idade, sexo e procedência do animal apresentam grande importante no plano geral do exame clínico. • Idade: Vai depender muito. Por exemplo, a discinesia ciliar primária é mais ocorrida em animais jovens. É muito importante porque pacientes mais jovens são mais ansiosos, agitados. Isso gera uma respiração ofegante. • Espécie: Por exemplo, algumas particularidades anatômicas e funcionais das vias respiratórias dos felinos fazem com que a asma ocorra mais frequentemente nessa espécie. 19 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos • Raça: Por exemplo, raças braquicefálicas observa-se mais frequentemente estenose congênita das narinas. Alguns animais da raça Cocker Spaniel parecem mais predispostos a bronquiectasia. SEQUÊNCIA DO EXAMES : • Identificação do paciente. • Anamnese • Exame físico geral • Exame físico especifico • Exame complementar SINAIS CLINICOS • Secreção nasal • Tosse • Dispneia • Espirros ANAMNESE A anamnese constitui uma das etapas mais importantes do exame clínico e influencia as decisões diagnosticas e terapêuticas. Há três perguntas fundamentais: • Que está acontecendo? • Desde quando? • Como está evoluindo? Dessa forma, se obtém a queixa principal. Deve-se perguntar tudo sobre a rotina e após isso perguntas especificas que o clínico considerar importante. É importante perguntar sobre o histórico médico recente, analisando a evolução dos sistemas até a situação atual. Em seguida, o proprietário deve ser questionado quanto a possíveis medicamentos administrados (dose, intervalo, via de administração). O clínico também deve fazer outros questionamentos que julgar importante. 20 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos EXAME FISICO O primeiro passo é monitorar e observar o paciente. Secreção nasal A secreção nasal está mais frequentemente associada a disfunções na cavidade nasal e nos seios paranasais. Além disso, pode ocorrer epistaxe (hemorragia pura nas narinas), resultante de lesões no trato respiratório ou como manifestação de distúrbios hemorrágicos sistêmicos. As características da secreção nasal podem variar, sendo: • Serosa: líquida e clara, frequentemente observada escorrendo pelo focinho do cão. • Fluida: semelhante à serosa, mas pode apresentar maior volume. • Mucosa: mais espessa e viscosa. • Purulenta: espessa, opaca e de coloração amarelada ou esverdeada, indicando infecção bacteriana. • Espirro Reflexo protetor manifestado pela liberação forçada e explosiva do ar dos pulmões pelo trato respiratório superior e que visa a remoção de irritantes. O proprietário deve ser questionado quanto a exposição do animal pois pode ter exposição a corpos estranhos, poeira ou poluentes ambientais. • Deformidade facial: A neoplasia e a criptococose (em gatos) são as mais importantes causas de deformidade facial. Elas causam aumento de volume adjacente a cavidade nasal. EXAME RESPIRATORIO • Cabeça • Pescoço • Abdômen • Tórax CABEÇA Avaliação da Mucosa Na avaliação clínica, é importante observar a coloração das mucosas, tanto dos olhos quanto da boca. Problemas respiratórios costumam deixar as mucosas cianóticas, ou seja, com uma coloração azulada, sinal de que o animal está com baixa oxigenação. As narinas devem ser avaliadas quanto à simetria e também quanto à presença de corrimentos. Um ponto importante é verificar se a secreção sai de uma ou das duas narinas: • Unilateral (um lado só): geralmente indica um problema localizado, como um tumor ou um corpo estranho. • Bilateral (dos dois lados): costuma estar relacionado a doenças sistêmicas, como uma infecção por Erlichia, por exemplo. 21 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos Os tipos de secreção nasal podem ser: • Serosa: clara e bem líquida, geralmente não é sinal de doença. • Mucosa: mais grossa e viscosa, amarelada ou esverdeada; costuma indicar inflamação. • Purulenta: bem espessa e opaca, muitas vezes associada a infecções fúngicas ou tumores, sendo um quadro mais crônico. • Hemorrágica: sangramento nasal (epistaxe), que pode ocorrer por traumas, doenças agressivas, pressão alta ou problemas de coagulação. Em alguns casos, pode haver lesões (erosões) que causam secreção inflamatória crônica e até favorecem o surgimento de tumores. Também pode acontecer obstrução nasal, mas isso é menos comum. ABDOMEN Avaliar se há distensão abdominal e presença de liquido (ascite). É importante avaliar a condição corporal do animal. A obesidade pode interferir na expansão da cavidade torácica e dos pulmões durante a inspiração. TORÁX • Inspeção: Tem que inspecionar o tipo de respiração que o paciente apresenta. O tipo de respiração é chamado de costoabdominal em cão e gato. Basta colocar a mão na lateral do tórax ou uma contagem visual. Para isso, observa-se a movimentação do tórax e abdômen. • Palpação Palpar laringe, traqueia e parede torácica. Avaliar o reflexo de tosse também. • Auscultação É um método simples e dispendioso mas que fornece preciosa informação. Na ausculta tem que diferenciar o som respiratório do cardíaco. Identificar os padrões respiratórios e auscultar todos os focos pulmonares (seis pontos). Ausculta por dois segundos em cada ponto. Tem que diferenciar o som mais abafo dependendo do posicionamento do paciente. O ronronar dos felinos pode atrapalhar a auscultação por obscurecer os sons respiratórios. É importante na ausculta: • Fazer a ausculta em sala silenciosa. • Manter o animal preferencialmente em estação sobre a mesa. • Delimitar o campo pulmonar a ser auscultado. • Auscultar o tórax da frente para trás e de cima para baixo. • Procurar auscultar, no mínimo, dois movimentos respiratórios em cada ponto de auscultação. 22 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos Os tipos de padrões respiratórios são: • Sibilo Respiração forçada e prolongada. • Taquipneia Respiração rápida e superficial (expiração e inspiração curta). • Taquipneia Respiração rápida e profunda. Há a ausculta anormal inspiração e ausculta anormal expiração. É por isso ausculta 2 segundos em cada ponto porque dá para avaliar expiração e inspiração. Da para ter ausculta anormal nos dois. EXAMES COMPLEMENTARES • Radiografia: É um exame complementar muito importante na avaliação de cães e gatos com sinal de disfunção respiratória. Pode pedir raio X de face, de tórax (VD e LL) ou cervical (pede quando suspeita de patologias na traqueia). Suspeita de colapso de traqueia é complicado fazer raio X por conta do comportamento do cachorro (cachorro ansioso, etc) • Rinoscopia: Usa o endoscópio flexível onde faz uma avaliação rostral e caudal da cavidade nasal. Esse processo é feito sob anestesia geral. Faz uma coleta de material para biopsia. • Lavado traqueobrônquico: Tem como objetivo coletar amostras de secreção traqueal e das vias aéreas. É indicado em cães e gatos com tosse (mas obviamente não pede em todo caso de tosse). Faz lavagem e manda para o laboratório e lá faz a cultura. • Lavado broncoalveolar (broncoscopia): Tem como objetivo coletar amostras de pequenas vias aéreas, alvéolos e interstício pulmonar. É indicado para cães e gatos com doença de vias aéreas terminais ou interstício. SEMIOLOGIA DO APARELHO REPRODUTOR (conteudo digital) INDICAÇÕES: Compra e vende de reprodutores principalmente para cães braquicefálicos que sentem dificuldade em realizar monta natural.Além disso, realizar o diagnóstico de patologias do sistema genital masculino e feminino. HISTORICO: Essencial: obter histórico completo do animal. ➢ Exemplo: Fêmea, Labrador, 12 anos, nunca cruzou → anorexia e prostração → pensar em piometra. ➢ Perguntas importantes: Doenças prévias em outros sistemas. Uso de medicamentos, especialmente contraceptivos injetáveis (abolidos; aumentam risco de tumor de mama). Fatores de estresse (afeta qualidade do sêmen). Ocorrência de traumas (principalmente em machos → impacta valor reprodutivo). 23 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos ➢ Estresse e trauma no histórico reprodutivo: • Estresse: pode afetar negativamente a qualidade do sêmen. • Trauma: principalmente em machos, pode comprometer o potencial reprodutivo. EXAME CLINICO GERAL O exame físico completo é tão importante quanto um histórico e anamnese detalhados. É fundamental reconhecer problemas crônicos e genéticos visíveis, como criptorquidia, prognatismo e hérnias. A criptorquidia ocorre quando o testículo não desce para o escroto e fica localizado no saco de pele abaixo do pênis, podendo ser unilateral ou bilateral. Nesse caso, é necessário castrar o animal por dois motivos principais: primeiro, por se tratar de um problema genético, que pode ser transmitido para os filhotes machos; segundo, porque a longo prazo o organismo pode reconhecer o testículo retido como um corpo estranho e iniciar um processo neoplásico. Principais pontos: • Exame físico é tão importante quanto o histórico e anamnese. • Reconhecer problemas crônicos e genéticos visíveis (criptorquidia, prognatismo, hérnias). • Criptorquidia: testículo não desceu para o escroto, pode ser unilateral ou bilateral. • Castração obrigatória por: 1. Problema genético que pode ser herdado. 2. Risco de neoplasia devido à reação do organismo ao testículo retido. Sistema Reprodutor Feminino e Masculino Sistema Reprodutor Feminino O sistema reprodutor feminino é responsável pela produção dos gametas femininos (óvulos), pela recepção dos espermatozoides, pela gestação e pelo parto. As principais estruturas são os ovários, útero, cérvice, vagina e vulva. Principais aspectos: • Ciclo Estral: O ciclo estral é o período em que a fêmea apresenta mudanças hormonais e comportamentais que a tornam receptiva para a reprodução. O ciclo inclui as fases: 24 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos o Proestro: fase de preparação, com atração ao macho, mas recusa à monta; duração média de 9 dias. o Estro: fase de receptividade, onde a fêmea aceita o macho; dura cerca de 9 dias. o Diestro: fase luteal, onde ocorre gravidez ou involução uterina; dura 56 a 80 dias. o Anestro: período de repouso reprodutivo, com duração média de 4 meses e meio. • Idade da Puberdade: Geralmente entre 6 e 13 meses. O início do cio pode ser influenciado por: o Peso corporal (obesidade pode atrasar o cio) o Ambiente (sincronização do cio em grupos, especialmente em gatos) o Raça (algumas raças têm predisposição a atraso no início da puberdade) • Comportamento no Cio: o Proestro: secreção vaginal sanguinolenta, edema de vulva e recusa à monta. o Estro: aceitação da monta, descarga vaginal rósea ou clara, vulva flácida. • Métodos para Detecção do Cio: o Observação do comportamento da fêmea (principal método) o Citologia vaginal (análise das células da mucosa vaginal) o Vaginoscopia e dosagem hormonal (complementares) Sistema Reprodutor Masculino O sistema reprodutor masculino é responsável pela produção, armazenamento e entrega dos espermatozoides durante a cópula. Suas principais estruturas são os testículos, epidídimos, ductos deferentes, pênis, bolsa escrotal e glândulas sexuais anexas, como a próstata. Principais aspectos: • Avaliação Clínica: Inclui a palpação cuidadosa do escroto, testículos, epidídimos, pênis e próstata para identificar inflamações, traumas, tumores ou outras anormalidades. • Testículos: o Devem ser simétricos, firmes, móveis e não dolorosos. o A palpação permite avaliar tamanho, forma, consistência e posição. • Pênis e Prepúcio: o O prepúcio recobre o pênis e pode apresentar infecções como balanopostite. 25 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos o O pênis deve ser facilmente exposto para avaliação da mucosa peniana (cor rosa clara, sem sensibilidade dolorosa). o Atenção a sinais de tumor venéreo transmissível (TVT), como gotejamento de sangue. • Próstata: o Única glândula acessória em cães, localizada próxima ao reto. o Avaliada por palpação retal e ultrassonografia para detectar alterações como hiperplasia, prostatite e neoplasias. • Qualidade do Sêmen: o Avaliação da concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. o Influenciada por fatores como idade, frequência de ejaculações e condições de saúde. • Diagnóstico de Infertilidade: o Deve considerar múltiplos fatores e avaliações repetidas ao longo de pelo menos seis meses antes de concluir infertilidade. SEMIOLOGIA SISTEMA AUDITIVO Introdução O aparelho auditivo é um dos sistemas mais importantes na semiologia dos carnívoros domésticos, tanto pelas suas características anatomofisiológicas quanto pela frequência das afecções otológicas. As doenças do ouvido correspondem a 10-20% dos atendimentos clínicos em cães, o que reforça a necessidade do conhecimento aprofundado das bases anatômicas, semiológicas e fisiopatológicas dessas alterações. Anatomia do Aparelho Auditivo O aparelho auditivo pode ser dividido em três partes principais: Ouvido externo: Pavilhão auricular, meato acústico externo e tímpano. Ouvido médio: Martelo, estribo e bigorna. Ouvido interno: Canais semicirculares, cóclea e nervo acústico. 26 SEMIOLOGIA DE PEQUENOS Produzido por Mirela Campos Anamnese A anamnese é fundamental para o exame otológico e deve investigar: • Meneios de cabeça • Odores fétidos • Prurido (coceira) • Tempo de evolução do quadro • Número de recidivas (otite redicivante é muito comum) • Uso de medicamentos e resposta terapêutica Importante: Muitas vezes as afecções são percebidas apenas ao questionar sobre sintomas específicos, como meneios de cabeça e odores fétidos, que podem não estar entre as queixas principais. Associação com Anamnese Dermatológica • Otites redicivantes geralmente acompanham quadros alérgicos. • Não adianta tratar só a orelha com citologia; o paciente deve ser tratado como um todo. • Importante identificar se a otite é unilateral ou bilateral: o Bilateral redicivante: provável doença alérgica de base. o Unilateral: problema localizado no ouvido. • Gatos costumam apresentar otite bilateral crônica redicivante, muitas vezes devido a alergia alimentar. Exame Físico do Ouvido Inspeção Visual • Avaliar o aspecto dos pavilhões auriculares: o Presença de secreções óticas aderidas o Manifestações dermatológicas (lesões, edema, oto-hematomas) o Alterações anatômicas patológicas. ➢ Palpação Verificar: • Textura • Umidade excessiva • Obstrução • Presença de nódulos • Edema Otoscopia • Inspeção indireta do conduto auditivo com auxílio do otoscópio. • Fundamental para visualizar alterações internas no ouvido.