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AULA-01-MORFOFISIOLOGIA-ENDÓCRINA-E-METABOLISMO

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Eddie Brito

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MORFOFISIOLOGIA ENDÓCRINA E 
METABOLISMO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA 1 – 
FISIOLOGIA DO 
SISTEMA ENDÓCRINO 
 
 
Prezado(a) aluno(a), 
 
O sistema endócrino é constituído principalmente por glândulas 
macroscópicas que possuem localizações e funções específicas. As glândulas 
endócrinas atuam na regulação e integração de diversos processos biológicos, por 
meio da produção e liberação de mensageiros químicos, conhecidos como 
hormônios. 
Nesta aula, veremos a importância dos hormônios no controle da 
homeostase do corpo, além de explorar a relação entre o sistema nervoso central 
(SNC) e o sistema endócrino (SE) através da conexão do eixo hipotálamo-hipófise. 
Também destacamos a relevância da hipófise como a principal glândula do sistema 
endócrino, enfatizando que seu equilíbrio fisiológico influencia todas as glândulas 
do corpo na produção de seus respectivos hormônios. 
Você irá aprender sobre as principais glândulas que compõem o sistema 
endócrino, suas localizações no corpo humano, estruturas, origem embrionária, 
organização histológica e os hormônios que cada uma delas produz. 
 
 
Bons estudos! 
 
 
 
1 FISIOLOGIA DO SISTEMA ENDÓCRINO 
O sistema endócrino (SE) está intimamente ligado aos principais mecanismos 
de homeostase do corpo humano. Ele tem uma função essencial na comunicação, 
integração e regulação de diversos processos fisiológicos, conectando diferentes 
órgãos, sistemas e aparelhos. Através da produção de hormônios, esse sistema tem 
a capacidade de ativar células e tecidos, conhecidos como locais-alvo, que podem 
estar distantes de suas glândulas de origem, além de interagir com eles. Isso acontece 
devido à liberação de hormônios na corrente sanguínea (SALES, 2020). 
Entretanto, para que os hormônios sejam liberados, é vital que haja uma 
interação precisa entre o sistema nervoso central (SNC) e o sistema endócrino (SE), 
especificamente entre o hipotálamo e a hipófise, formando o eixo hipotálamo-hipófise, 
conforme exemplificado na Figura 1. O sistema nervoso, em conjunto com o sistema 
sensorial, capta informações do ambiente externo, processa essas informações e gera 
uma resposta. Por sua vez, o SE atua na execução dessa resposta por meio da 
produção de hormônios específicos, que são liberados na corrente sanguínea para 
influenciar sistemas corporais específicos, de acordo com a resposta desejada pelo 
SNC. 
Figura 1 – Interação entre SNC e SE 
 
Fonte: Adaptado de Sales, 2020. 
 
 
 
Os hormônios e as glândulas endócrinas são regulados por mecanismos de 
retroalimentação. Após serem liberados na corrente sanguínea, os hormônios se 
ligam a receptores específicos localizados nas membranas celulares ou dentro das 
células. A ação dos hormônios pode ser imediata, como ocorre com a adrenalina, que 
é conhecida como o hormônio da luta ou fuga, ou pode demorar a se manifestar, tendo 
efeitos prolongados, como é o caso dos hormônios produzidos pela glândula tireoide 
(SALES, 2020). 
Os hormônios se comunicam através de diversas interações que ocorrem entre 
as células. Quando um hormônio atua sobre suas próprias células produtoras ou sobre 
outras células do mesmo tipo, é denominado autócrino. Se a ação do hormônio se dá 
em células próximas ou adjacentes, ele é classificado como parácrino, referindo-se a 
uma ação que ocorre a uma certa distância. Quando o hormônio é transportado pela 
corrente sanguínea, é chamado de endócrino. Por outro lado, se sua ação se limita 
ao sistema nervoso e se assemelha à dos neurotransmissores, é conhecido como 
neuroendócrino. 
1.1 Hormônios e a relação entre sistema nervoso e sistema endócrino 
Os hormônios no corpo humano são classificados em três categorias principais: 
proteínas e polipeptídeos, esteroides e derivados do aminoácido tirosina. A síntese de 
hormônios proteicos e peptídicos ocorre nas células, especificamente nas organelas, 
como o retículo endoplasmático, que é responsável pela produção de pré-hormônios 
e pró-hormônios. Esses hormônios são, então, transportados para o complexo 
golgiense, onde são armazenados em grânulos secretores até que sejam liberados 
no momento apropriado (SALES, 2020). 
As concentrações de hormônios na corrente sanguínea necessárias para 
regular a maioria das funções celulares, metabólicas e endócrinas são extremamente 
baixas, variando de picogramas a microgramas. Além disso, a quantidade de 
hormônios secretada é também muito pequena, geralmente alguns miligramas por dia. 
O controle da concentração hormonal na corrente sanguínea ocorre por meio de 
feedback negativo, que mantém a homeostase, evitando a hipersecreção de certos 
hormônios ou a hiperatividade dos tecidos-alvo, resultando em uma função 
autolimitada como demonstrado na figura 2. 
 
 
 
 Um exemplo claro desse mecanismo é o controle da glicemia, onde o hormônio 
insulina reduz os níveis de glicose no sangue ao aumentar a captação de glicose pelas 
células. Por outro lado, a diminuição da glicose circulante leva a uma redução na 
secreção de insulina. Essa descrição se refere a um indivíduo saudável, que possui 
um funcionamento fisiológico normal. 
Entretanto, podem ocorrer variações cíclicas na produção hormonal, 
influenciadas por fatores como o sono, o ciclo circadiano, o envelhecimento e 
mudanças sazonais. Essas alterações hormonais resultam da interação direta entre o 
sistema nervoso central (SNC), especificamente o hipotálamo, e o sistema endócrino 
(SE), que inclui a hipófise. O controle da hipófise é realizado por meio de sinais 
enviados pelo SNC através do hipotálamo, que atua como um centro integrador das 
informações recebidas do ambiente externo, relacionadas ao bem-estar do indivíduo. 
A maior parte dessas informações é processada e resulta em respostas precisas, 
mediadas pelas secreções dos diversos hormônios produzidos pela hipófise (SALES, 
2020). 
 
Figura 2 – Controle da concentração hormonal 
 
 Fonte: Adaptado de Sales, 2020. 
 
 
 
 
A hipófise é uma glândula altamente vascularizada. Antes que o sangue chegue 
à hipófise, ele passa pelo hipotálamo, onde existem neurônios especializados na 
produção e liberação de hormônios que estimulam ou inibem a atividade da hipófise 
anterior. Por outro lado, a hipófise posterior é composta por células especiais 
conhecidas como pituícitos, que atuam como suporte para as células do hipotálamo 
que secretam seus hormônios correspondentes. Essa relação é frequentemente 
referida como o eixo hipotálamo-hipófise, pois a interação entre eles é crucial para a 
homeostase, e qualquer alteração em suas conexões pode ser bastante prejudicial ao 
organismo (SALES, 2020). 
1.2 Hipófise 
A hipófise, também chamada de glândula pituitária, é considerada a principal 
glândula do sistema endócrino, embora essa terminologia esteja se tornando menos 
comum entre alguns autores. Trata-se de uma glândula pequena, com um tamanho 
semelhante ao de um grão de ervilha. Ela está localizada abaixo do hipotálamo, na 
sela túrcica do osso esfenoide, e se conecta ao hipotálamo por meio do pedúnculo 
hipofisário. A hipófise é composta por duas partes fisiologicamente distintas: a adeno-
hipófise, ou hipófise anterior, e a neuro-hipófise, ou hipófise posterior. 
A hipófise é responsável pela produção de uma variedade de hormônios que 
estimulam a atividade hormonal de outras glândulas no corpo humano. Por exemplo, 
a hipófise anterior secreta um hormônio chamado tireotropina, que regula a liberação 
de tiroxina e tri-iodotironina pela glândula tireoide. Os hormônios da região anterior da 
hipófise têm um papel direto no controle das funções metabólicas do organismo. Em 
contraste, a hipófise posterior libera dois hormônios: o hormônio antidiurético (ADH), 
que regula a retenção de água no corpo, e a ocitocina, que é responsável pela 
expulsão do leite e pelas contrações uterinas durantemais relevantes desse grupo é a aldosterona, que promove a reabsorção 
ativa de sódio nos rins. Por outro lado, os glicocorticoides influenciam a concentração 
de glicose no sangue, sendo o cortisol o principal hormônio desse grupo, conhecido 
como “hormônio do estresse”. Além disso, os hormônios androgênicos têm efeitos 
semelhantes aos da testosterona. 
A medula da glândula adrenal responde às ações do sistema nervoso 
autônomo, especificamente pela via simpática, liberando dois hormônios: epinefrina e 
norepinefrina. Esses hormônios atuam em todo o organismo, provocando os mesmos 
efeitos fisiológicos associados à estimulação simpática, como o aumento da 
frequência cardíaca durante situações de estresse. 
1.7 Testículos e Ovários 
Os principais mecanismos fisiológicos relacionados às gônadas, incluem os 
testículos e os ovários, os principais órgãos responsáveis pela produção de hormônios 
que regulam o funcionamento dos sistemas reprodutores masculino e feminino. 
 
 Testículos: 
O sistema reprodutor masculino é composto por vários órgãos. No entanto, 
para os mecanismos fisiológicos do sistema endócrino (SE), os testículos são os mais 
significativos, pois secretam uma variedade de hormônios, sendo a testosterona o 
mais abundante e fisiologicamente ativo. Este hormônio é fundamental para o 
desenvolvimento das características sexuais masculinas e para a virilidade. 
 
 
 
O transporte da testosterona se dá através da corrente sanguínea, atuando 
diretamente em órgãos-alvo, como a próstata e os órgãos genitais, especialmente 
após a puberdade (antes dos 20 anos). Nesse período, as concentrações crescentes 
de testosterona promovem o aumento do escroto, dos testículos e do pênis. Além 
disso, a testosterona influencia as características sexuais secundárias, como a 
distribuição dos pelos corporais na região pubiana, abdômen, rosto e tórax, a 
alteração na voz, a textura da pele, bem como o aumento da massa muscular, da 
densidade óssea e da taxa metabólica basal (CURI; PROCOPIO, 2017). 
 
 Ovários: 
 Os hormônios produzidos pelo corpo feminino são bastante complexos. É 
importante considerar que eles preparam o organismo da mulher para a concepção e 
a gravidez. Primeiramente, um hormônio de liberação hipotalâmica entra em ação: o 
hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH). Em seguida, são liberados os hormônios 
sexuais hipofisários pela hipófise anterior, que são o hormônio folículo-estimulante 
(FSH) e o hormônio luteinizante (LH). Esses hormônios só são produzidos em 
resposta às sinalizações integrativas originadas do hipotálamo via GnRH. Por último, 
os ovários produzem hormônios como o estrogênio e a progesterona, em resposta às 
instruções da hipófise. 
O ciclo menstrual feminino é regulado pela ação dos hormônios 
gonadotrópicos, o hormônio folículo-estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH), 
que são secretados pela hipófise anterior. Na ausência desses hormônios, os ovários 
permanecem inativos, como ocorre durante a infância. Esses hormônios estimulam as 
células ovarianas, promovendo o crescimento dos folículos ovarianos. O estrogênio é 
responsável pelas características sexuais secundárias no corpo feminino, enquanto a 
progesterona prepara o útero para a gestação e as mamas para a lactação. 
O ciclo menstrual ocorre, em média, a cada 28 dias e é caracterizado por uma 
intensa atividade hormonal no organismo feminino. Durante esse ciclo, os hormônios 
gonadotrópicos induzem o amadurecimento de cerca de oito a doze folículos, com a 
ovulação ocorrendo no décimo quarto dia. Durante o crescimento dos folículos, o 
estrogênio é o hormônio predominante secretado. Após a ovulação, uma grande 
quantidade de estrogênio e progesterona é produzida, uma vez que as células 
secretoras dos folículos remanescentes se transformam em corpo lúteo. Após 
 
 
 
aproximadamente duas semanas, o corpo lúteo degenera, levando a uma diminuição 
gradual na produção dos hormônios ovarianos estrogênio e progesterona, o que inicia 
a menstruação e dá início a um novo ciclo ovariano (CURI; PROCOPIO, 2017). 
1.8 Esteroides Androgênicos Anabolizantes 
Os esteroides androgênicos anabolizantes (EAA) são substâncias derivadas da 
testosterona que são modificadas em laboratório através de processos bioquímicos. 
Eles podem ser sintetizados tanto no plasma animal ou humano quanto por meio de 
compostos químicos. A síntese laboratorial é essencial para separar os efeitos 
anabólicos dos efeitos androgênicos. Os efeitos androgênicos estão associados ao 
desenvolvimento das características sexuais secundárias (SALES, 2020). 
O uso indiscriminado dos esteroides androgênicos anabolizantes (EAA) ocorre 
devido ao seu efeito anabólico, que visa melhorar o desempenho físico ao atuar em 
receptores androgênicos específicos presentes na musculatura esquelética. Isso 
resulta em um aumento na síntese proteica, levando a um crescimento da massa 
muscular e ao fortalecimento da força. 
Um dos principais esteroides utilizados é o 17-alfa não alquilado, que é capaz 
de gerar um grande efeito anabólico devido ao aumento dos níveis de estrogênio e 
testosterona circulantes, o que inibe o eixo hipotálamo-hipófise-gônadas. Outro tipo é 
o 17-alfa alquilado, que apresenta uma ação menos intensa sobre o eixo hipotálamo-
hipófise-gonadal, mas seu metabolismo é hepático, resultando em efeitos prejudiciais 
em todo o organismo. 
Alguns praticantes de atividades físicas embarcam em uma busca constante 
pelo desenvolvimento de um corpo ideal em um curto período, utilizando esteroides 
androgênicos anabolizantes (EAA). Esses compostos podem levar a um aumento da 
força e da massa muscular por meio de mecanismos bioquímicos complexos. No 
entanto, muitas vezes, seu uso é feito de maneira amadora, sem a supervisão de 
profissionais qualificados. Ao assumir esse risco, o indivíduo pode enfrentar efeitos 
adversos, tanto agudos quanto crônicos, que podem comprometer a saúde de todo o 
organismo (SALES, 2020). 
 
 
 
1.9 Hormônio do Crescimento 
Todos os hormônios produzidos pela glândula hipófise atuam em glândulas-
alvo específicas. No entanto, o hormônio do crescimento (GH) adota um mecanismo 
diferente, agindo diretamente sobre quase todos os tecidos do corpo. É importante 
destacar que o pico da ação desse hormônio ocorre durante a adolescência, enquanto 
em adultos sua concentração diminui, podendo chegar a apenas 25% nos idosos. 
Também conhecido como hormônio somatotrópico ou somatotropina, o GH estimula 
o crescimento de quase todos os tecidos do corpo humano. Ele promove o aumento 
do tamanho das células e a mitose, facilitando a diferenciação e a multiplicação de 
tipos celulares específicos, como os dos ossos e músculos. Contudo, a ação do GH 
nos ossos é limitada até a idade adulta (FALAVIGNA; SCHENKEL, 2010). 
O hormônio do crescimento (GH) tem a capacidade de afetar diversos 
mecanismos fisiológicos no corpo humano. Ele é essencial tanto em sua ação direta 
sobre os efeitos metabólicos, como o aumento da síntese de proteínas e a mobilização 
de ácidos graxos, quanto como fonte de energia e na redução do uso de glicose pelo 
organismo. Embora muitos estudos ainda estejam em andamento sobre esse 
hormônio, já se sabe que ele aumenta os mecanismos celulares responsáveis pela 
captação de aminoácidos e pela síntese proteica, além de diminuir a degradação das 
proteínas. 
Um ponto importante a ser destacado é que o GH não terá eficácia se os 
carboidratos forem eliminados da dieta. A presença adequada de insulina e 
carboidratos é vital para garantir a ação fisiológica desse hormônio. Portanto, quando 
se pretende administrar aportes fisiológicos e alimentares para o ganho de massa 
muscular através da ação do GH, é fundamental contar com a supervisão de uma 
equipe de profissionais altamente especializados, incluindo um endocrinologista, um 
nutricionista e um educador físico (FALAVIGNA; SCHENKEL, 2010).REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
CURI, R.; PROCOPIO, J. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2017. 
 
FALAVIGNA, A.; SCHENKEL, P.C. Fisiologia prática. Caxias do Sul: Educs, 2010. 
 
SALES, W. B. Fisiologia humana. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2020. 
 
 
 
 
reREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
CURI, R.; PROCOPIO, J. Fisiologia básica. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2017. 
 
FALAVIGNA, A.; SCHENKEL, P.C. Fisiologia prática. Caxias do Sul: Educs, 2010. 
 
SALES, W. B. Fisiologia humana. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2020. 
 
 
 
 
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