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Aula 05
SEFAZ-RN (Auditor Fiscal) Direito Civil
Autor:
Paulo H M Sousa
05 de Abril de 2024
Paulo H M Sousa
Aula 05
Índice
..............................................................................................................................................................................................1) Ato jurídico - Dos atos jurídicos lícitos 3
..............................................................................................................................................................................................2) Ato Jurídico - Dos atos ilícitos 4
..............................................................................................................................................................................................14
..............................................................................................................................................................................................23
..............................................................................................................................................................................................5) Ato Jurídico - Prova 26
..............................................................................................................................................................................................6) Questões Comentadas - prova - FCC 33
..............................................................................................................................................................................................7) Lista de Questões - prova - FCC 37
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Título II – Atos jurídicos lícitos 
Estabelece o art. 185 do Código Civil que aos atos jurídicos lícitos, que não sejam negócios jurídicos, aplicam-
se, no que couber, as disposições dos negócios jurídicos. 
Esse dispositivo, em resumo, prevê que o que dá pra aplicar, aplica. 
O ato jurídico em sentido amplo é o fato jurídico cujo suporte fático deve ser manifestado conscientemente 
por meio da vontade, com um objetivo possível e lícito. Assim, caso a pessoa não exteriorize a vontade, não 
existe ato jurídico. 
O ato jurídico em sentido amplo se divide em dois, o ato jurídico em sentido estrito, ou ato não negocial, e 
o negócio jurídico, ou ato negocial. 
No ato jurídico em sentido estrito, após a manifestação da vontade, o direito pré-determina os efeitos que 
a conduta terá. O direito acolhe a manifestação de vontade e pré-determina os efeitos que ela terá. Tais 
efeitos são inafastáveis e invariáveis. 
Ao contrário, no negócio jurídico, a manifestação da vontade é exercida dentro de certos limites, que 
produzem efeitos. São os chamados efeitos voluntários. Há, aqui, um poder de autorregulamentação, ou 
seja, eu mesmo posso escolher os efeitos jurídicos que eu quero. 
Assim, quando eu pago a você, pratico ato jurídico em sentido estrito. Posso aplicar os elementos dos 
negócios jurídicos. Em larga medida, sim. 
Há necessidade de se preocupar com maiores detalhes? Não. Esses são temas avançadíssimos – não 
avançados, mas super-hiper-mega-blaster avançados, mesmo –, pelo que você não precisa se preocupar. 
A letra da Lei 
Agora, trago a você os dispositivos de lei referentes à nossa aula. Lembro que, ao longo do texto, eu não 
trato de todos os dispositivos legais aqui citados, propositadamente. Isso porque meu objetivo não é tornar 
o material um comentário à lei, mas, sim, fazer você compreender os institutos jurídicos que são importantes 
à prova. 
Agora, ao contrário, o objetivo é trazer todos os dispositivos legais, para que você possa ao menos passar os 
olhos. Não se preocupe em compreender em detalhe cada um deles; eu objetivo apenas trazer o texto legal 
para que você não precise procurá-los fora do material. Trata-se da letra da lei com grifos nos principais 
pontos da norma, para ajudar na fixação dos conteúdos. 
Vamos lá! 
Art. 185. Aos atos jurídicos lícitos, que não sejam negócios jurídicos, aplicam-se, no que couber, as 
disposições do Título anterior. 
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Título III – Atos ilícitos 
1 – Fatos ilícitos em sentido amplo 
Em resumo, as espécies ilícitas são idênticas às lícitas, exceto em relação à conformidade/contrariedade 
com o Direito. 
Fato ilícito em sentido estrito 
Os fatos ilícitos em sentido estrito são as situações em que há imputabilidade de uma conduta a alguém, 
independentemente de culpa. São os casos de caso fortuito e força maior. Exemplo: o art. 1.251 estabelece 
que: 
Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono 
deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro. 
Muito cuidado aqui, pois nisso o Direito Civil é radicalmente diferente do Direito Penal, cuja ilicitude 
depende de comportamento humano (noção comum de delito: conduta típica, antijurídica e culpável). 
Ato-fato ilícito 
O ato-fato ilícito é o ato humano cuja vontade é abstraída pela norma jurídica, ou seja, a vontade é 
irrelevante. O exemplo são todos os danos causados por menores, pois, segundo o ECA, os menores são 
inimputáveis, mas, para o Direito Civil, a vontade é irrelevante, gerando-se o dever de indenizar. 
Ato ilícito em sentido amplo 
O elemento distintivo do ato ilícito em sentido amplo é a “vontade determinante da conduta”. Essa conduta 
pode ser tanto uma ação como uma omissão. Segundo o art. 186 do CC/2002: 
Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, 
ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. 
Há de se cuidar porque a culpa não é elemento necessário da ilicitude, como dito. A vontade 
de conduta é necessária, não a vontade de causar dano. 
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Aqui, eu tratei do ato ilícito apenas dentro da classificação da Teoria do Fato Jurídico, para distingui-lo das 
demais situações de ilicitude. 
Atenção! O abuso de direito não serve como excludente de ilicitude (pré-excludente de 
juridicização), pelo que ele gera dever de indenizar e é ilícito. O art. 187 do CC/2002 assim 
o delimita: 
Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente 
os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. 
2 – Requisitos 
O elemento principal para diferenciar o ato ilícito em sentido amplo é a “vontade determinante 
da conduta”. Essa conduta pode ser tanto uma ação como uma omissão. Segundo o art. 186 
do Código Civil: 
Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a 
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. 
Do próprio artigo, eu posso mostrar a você os elementos que compõem o ato ilícito, quais sejam: 
1. Conduta (aquele que, por ação ou omissão): deve haver uma conduta, seja 
comissiva/ativa (publicar impropérios na internet), seja omissiva (não manter uma 
distância mínima do veículo da frente) 
2. Culpa (voluntária, negligência ou imprudência): culpa, aqui, tem sentido amplo, 
abrangendo tanto a culpa em sentido estrito (negligência ou imprudência), quanto o dolo 
(voluntariedade). 
Assim, há culpa (dolo) quando publico voluntariamente os impropérios na internet. Há 
também culpa (em sentido estrito) quando, por imprudência, dirijo próximo demais do 
veículo adiante. 
3. Dano (dano a outrem, ainda que exclusivamente moral): a noção de dano é ampla. O 
dano pode ser material ou patrimonial (a traseira batida do seu carro) ou imaterial ou 
extrapatrimonial (a sua moral, atingida na internet). 
Espécies Ilícitas 
Fato ilícito em 
sentido estrito
Ato-fato ilícito
Ato ilícito emC está incorreta. A racionalidade intercultural de Herrera Flores se trata de uma proposta que 
se afasta tanto do universalismo quanto do multiculturalismo. 
A alternativa D está incorreta. A universalização progressiva, de Jurgen Habermas é um teste de 
universalidade, que serve para encontrar a melhor das versões éticas de justiça e equidade. 
A alternativa E está incorreta. A teoria de Geertz sustenta-se nos parâmetros da hermenêutica, construída 
em uma atmosfera de diversidade, pluralismo e conflito. 
2. (FCC / DPE-AP – 2018) A respeito das disposições gerais do negócio jurídico e da prova dos fatos 
jurídicos, de acordo com o Código Civil atualmente em vigor: 
a) as declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários 
e terceiros mencionados. 
b) a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, 
modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de qualquer valor. 
c) salvo os casos expressos, a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo 
valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram 
celebrados. 
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d) o instrumento particular, feito por terceiro e somente assinado por quem esteja na livre disposição e 
administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor. 
e) a cópia fotográfica de documento, conferida por tabelião de notas, valerá como prova de declaração da 
vontade, e, ainda que impugnada sua autenticidade, dispensa a exibição do original. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pois se pressupõem verdadeiras as declarações constantes de documentos 
assinados em relação apenas a signatários, não se presume de terceiros, nos termos do CC/2002: 
Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumem-se 
verdadeiras em relação aos signatários. 
Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a 
legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua 
veracidade do ônus de prová-las. 
A alternativa B está incorreta, nos termos do CC/2002: 
Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos 
negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de 
direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente 
no País. 
A alternativa C está incorreta, nos termos do CC/2002: 
Art. 227. Salvo os casos expressos, a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos 
negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no 
País ao tempo em que foram celebrados foi revogado pela Lei n º 13.105, de 2015. 
A alternativa D está correta, nos termos do CC/2002: 
Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja 
na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais 
de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito 
de terceiros, antes de registrado no registro público. 
A alternativa E está incorreta, pois uma vez que é impugnada a autenticidade da fotocópia do documento, 
é necessária a exibição do documento original, nos termos do CC/2002: 
Art. 223. A cópia fotográfica de documento, conferida por tabelião de notas, valerá como 
prova de declaração da vontade, mas, impugnada sua autenticidade, deverá ser exibido o 
original. 
Parágrafo único. A prova não supre a ausência do título de crédito, ou do original, nos casos 
em que a lei ou as circunstâncias condicionarem o exercício do direito à sua exibição. 
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3. (FCC / TJ-SE – 2015) A escritura pública lavrada em notas de Tabelião: 
a) faz prova plena, mas não é documento dotado de fé pública, podendo ser impugnada por qualquer 
interessado. 
b) é documento dotado de fé pública, mas não faz prova plena, porque o convencimento do juiz é livre. 
c) é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena. 
d) firma presunção absoluta de veracidade do que nele constar, por ser documento dotado de fé pública. 
e) é documento público, mas não dotado de fé pública, porque o Tabelião exerce suas funções em caráter 
privado, por delegação do Estado, por isso, também, não faz prova plena. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, nos termos do CC/2002: 
Art. 215 - A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé 
pública, fazendo prova plena. 
A alternativa B está incorreta, pois, além de ferir o Art. 215, que rege: “A escritura pública, lavrada em notas 
de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena.” 
A prova plena pode ser questionada, bem como qualquer outro documento que torna a prova plena verídica, 
assim como não impede que essa seja desconstituída, podendo assim ser indagada e o juiz formar um 
convencimento no sentido de sua inidoneidade. 
A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é um documento dotado de fé pública, assim constituindo 
uma prova plena. Para que a escritura possa ser dotada de fé pública é necessário que a escritura pública 
contenha os sete requisitos dispostos pelo Art. 215, para só então gozar de legalidade e de veracidade. 
Art. 215. A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé 
pública, fazendo prova plena. 
§ 1o Salvo quando exigidos por lei outros requisitos, a escritura pública deve conter: 
I - data e local de sua realização; 
II - reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos hajam 
comparecido ao ato, por si, como representantes, intervenientes ou testemunhas; 
III - nome, nacionalidade, estado civil, profissão, domicílio e residência das partes e demais 
comparecentes, com a indicação, quando necessário, do regime de bens do casamento, 
nome do outro cônjuge e filiação; 
IV - manifestação clara da vontade das partes e dos intervenientes; 
V - referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais inerentes à legitimidade do 
ato; 
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VI - declaração de ter sido lida na presença das partes e demais comparecentes, ou de que 
todos a leram; 
VII - assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tabelião ou seu 
substituto legal, encerrando o ato. 
A alternativa C está correta, pois está de acordo com o Art. 215 do Código Civil, que rege que: 
A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, 
fazendo prova plena. 
A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é um documento dotado de fé pública, assim constituindo 
uma prova plena. Para que a escritura possa ser dotada de fé pública é necessário que a escritura pública 
contenha os sete requisitos dispostos pelo Art. 215, para só então gozar de legalidade e de veracidade. 
A alternativa D está incorreta, pois no caso tratado é admitida a presunção relativa, e não a absoluta, pelo 
simples fato de que a presunção absoluta admite a contraprova, sendo esta a Presunção iuris et de iure, 
traduzindo, a presunção que não admite prova em contrário. 
A alternativa E está incorreta, pois o Tabelião realmente possui caráter privado por delegação do Estado, 
porém é fato que este emite escritura pública como documento dotado de fé pública, por ele fazendo prova 
plena, nos termos do CC/2002: 
ART. 215. A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé 
pública, fazendo prova plena. 
A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é um documento dotado de fé pública, assim constituindo 
uma prova plena. Para que a escritura possa ser dotada de fé pública énecessário que a escritura pública 
contenha os sete requisitos dispostos pelo Art. 215, para só então gozar de legalidade e de veracidade. 
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LISTA DE QUESTÕES 
Prova (Art. 212 Ao 232) 
FCC 
1. (FCC/CL-DF – 2018) Dentre as teorias que se propõem a lidar com as contradições entre o caráter 
universal dos direitos humanos e as exigências de respeito ao multiculturalismo, é correto mencionar a: 
a) hermenêutica diatópica de Boaventura Santos. 
b) comunicação não-violenta de Marshall Rosenberg. 
c) racionalidade intercultural de Herrera Flores. 
d) universalização progressiva, de Jurgen Habermas. 
e) antropologia simbólica de Clifford Geertz. 
2. (FCC / DPE-AP – 2018) A respeito das disposições gerais do negócio jurídico e da prova dos fatos 
jurídicos, de acordo com o Código Civil atualmente em vigor: 
a) as declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários 
e terceiros mencionados. 
b) a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, 
modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de qualquer valor. 
c) salvo os casos expressos, a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo 
valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram 
celebrados. 
d) o instrumento particular, feito por terceiro e somente assinado por quem esteja na livre disposição e 
administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor. 
e) a cópia fotográfica de documento, conferida por tabelião de notas, valerá como prova de declaração da 
vontade, e, ainda que impugnada sua autenticidade, dispensa a exibição do original. 
3. (FCC / TJ-SE – 2015) A escritura pública lavrada em notas de Tabelião: 
a) faz prova plena, mas não é documento dotado de fé pública, podendo ser impugnada por qualquer 
interessado. 
b) é documento dotado de fé pública, mas não faz prova plena, porque o convencimento do juiz é livre. 
c) é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena. 
d) firma presunção absoluta de veracidade do que nele constar, por ser documento dotado de fé pública. 
e) é documento público, mas não dotado de fé pública, porque o Tabelião exerce suas funções em caráter 
privado, por delegação do Estado, por isso, também, não faz prova plena. 
 
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GABARITO 
1. A 
2. D 
3. C 
 
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39sentido amplo
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4. Nexo causal (violar direito e causar): entre a conduta e o dano deve haver uma ligação 
suficiente para se imputar a responsabilidade. Por isso, não posso pedir indenização para 
sua mãe, porque ela pariu você e você me xingou. O nexo causal é distante demais. 
O ato ilícito, por aplicação do art. 186, deverá ser, em regra, culposo lato sensu, ao menos. O direito civil 
brasileiro adota o princípio da culpa, excepcionando o princípio do risco/dano. Entende-se que não há 
responsabilidade sem culpa em sentido amplo (lato sensu). 
Verifica-se a existência da culpa em sentido amplo quando se exige comportamento diverso do agente e há 
censura ao comportamento tomado, contrário ao ordenamento. A culpa é analisada pela censurabilidade da 
conduta, ou seja, não num juízo a priori do magistrado, mas uma análise comparada da censura (probidade, 
ética, moral). 
Primeiro, a culpa em sentido amplo se subdivide em culpa em sentido estrito (stricto sensu) e dolo. Em 
regra, não se faz a distinção entre a culpa stricto sensu e o dolo porque desnecessária; como diz o brocardo, 
culpa lata dolo aequiparatur, ou seja, a culpa se equipara ao dolo, para fins de responsabilidade civil. Não 
obstante, por vezes o Direito Civil distingue a culpa do dolo para imputar responsabilidade ao agente 
apenas no caso de dolo. 
De qualquer forma, as distinções feitas pelo Direito Penal a respeito da matéria são irrelevantes, à exceção 
da culpa vs. dolo, quando cabível (art. 18, inc. II do CP/1940). Dolo eventual (e mesmo o preterdolo) e culpa 
consciente são categorias inaplicáveis ao Direito Civil, felizmente. Ou o dolo é não eventual ou é culpa. A 
culpa stricto sensu baseia-se em três fatores (art. 18, inc. II do CP/1940): 
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No caso de negligência, ou seja, de omissão do agente, necessário também provar 
que seu ato seria apto a evitar o dano. Caso, com a ação, o dano se verificasse do 
mesmo modo, não há que se falar em omissão, em negligência. 
Quanto à imperícia, a rigor ela não é tecnicamente um fator; ou o agente age de 
maneira negligente ou age de maneira imprudente. A imperícia é, em realidade, 
imperícia por negligência ou imperícia por imprudência. De maneira mais apurada tecnicamente, portanto, 
a culpa se baseia em apenas dois fatores: imprudência ou negligência. 
2 – Abuso de direito 
Somente se preenchidos esses requisitos é que você poderá ser chamado a indenizar? 
Não. Atenção! O abuso de direito é equiparado ao ato ilícito. O que é abuso de direito? O art. 187 do Código 
Civil assim o delimita: 
Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos 
pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. 
A diferença entre eles é que o ato ilícito é ilícito na origem e no exercício, ao passo que o abuso de direito 
é lícito na origem, mas ilícito no exerício. 
• Conduta omissiva, passiva. Esperava-se que o agente tomasse determinada medida
(omissão genérica), mas ele não toma, se omite, permanece passivo. Exige-se prova da
ausência de prática (omissão específica).
• Exemplo é o motorista que não conserta os freios do carro, após uma revisão, e,
posteriormente, bate o carro por falta deles; o dono não coloca focinheira no cachorro,
que morde um pedestre no parque.
A. Negligência
• Conduta comissiva, ativa. Esperava-se que o agente não tomasse determinada medida,
mas ele se arrisca e a toma, age. Ele tem uma conduta contrária à exigida pelo
ordenamento.
• Exemplo é o motorista que dirige alcoolizado e causa acidente; o dono do imóvel que
deixa coisas no parapeito da janela do prédio e elas caem sobre um passante.
B. Imprudência
• A imperícia, ou falta de perícia, é ligada às atividades técnicas, ou seja, o sujeito age
sem a qualificação ou treinamento necessários ao ato.
• Exemplo é o enfermeiro inexperiente que ministra medicamentos errados; o médico,
sem especialização, que realiza procedimento cirúrgico contra as normas médicas.
C. Imperícia
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Como saber quando o ato é lícito e quando é abusivo? Depende do caso concreto, pelo que se sua 
prova for ser mais prática, trazendo um caso hipotético, ela dirá claramente que o ato é 
manifestamente desproporcional, como eu fiz. 
A figura do abuso de direito é velha conhecida da doutrina civilística. Segundo Francisco Amaral, 
O abuso de direito consiste no uso imoderado do direito subjetivo, de modo a causar dano 
a outrem. Em princípio, aquele que age dentro do seu direito a ninguém prejudica 
(neminem laedit qui jure suo utitur). No entanto, o titular do direito subjetivo, no uso desse 
direito, pode prejudicar terceiros, configurando ato ilícito e sendo obrigado a reparar o 
dano. 
Limongi França, resumindo, o define como “um ato jurídico de objeto lícito, mas cujo exercício, levado a 
efeito sem a devida regularidade, acarreta um resultado considerado ilícito”. O abuso de direito é um ato 
lícito na causa, mas ilícito nas consequências, ou seja, trata-se de exercício irregular de direito regular. 
O instituto vem previsto especificamente no art. 187, ainda que não com o nome de “abuso de 
direito”. Diz o dispositivo que também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-
lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim socioeconômico, pela boa-fé ou 
pelos bons costumes. Ou seja, a ilicitude não está na conduta em si, mas no abuso dela. 
Assim, a edificação de um muro é ato lícito, mas se edificado em altura incompatível com o 
razoável, com o intuito manifesto de prejudicar a insolação natural ao prédio vizinho, veremos o abuso do 
direito de edificar, reputado ilícito pelo art. 187. Por isso, os requisitos para a verificação do abuso de direito 
são: 
 
O abuso de direito pode se desdobrar em variadas situações específicas, geralmente vinculadas ao princípio 
da boa-fé objetiva, como deixa claro o Enunciado 412 do CJF. O Enunciado 37 da I Jornada de Direito Civil 
elucida que a responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe de culpa e fundamenta-se 
somente no critério objetivo-finalístico. 
1. Titularidade do 
direito pelo agente
2. Exercício excessivo 
do direito
3. Transposição dos 
limites impostos
4. Violação do direito 
alheio
5. Nexo de causalidade
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Como se pode visualizar o abuso de direito? Em regra, fica mais fácil ver esse instituto a partir 
do estudo das figuras parcelares da boa-fé objetiva, notadamente a) vedação ao 
comportamento contraditório, b) supressão, surgimento, c) vedação ao desconhecimento da 
lei, d) exceção de dolo, e) vedação ao agravamento do prejuízo e (f) extensão de prazo. 
O Enunciado 412 da V Jornada de Direito Civil, por sua vez, estabelece que as diversas hipóteses 
de exercício inadmissível de uma situação jurídica subjetiva, tais como supressio, tu quoque, surrectio e 
venire contra factum proprium, são concreções da boa-fé objetiva. Posso adicionar ainda exceptio doli, duty 
to mitigate the loss e Nachfrist para completar o rol do Enunciado. 
A) Venire contra factum proprium 
A vedação ao comportamento contraditório (da máxima latina venire contra factum proprium non potest) 
tem aplicação é mais evidente no Direito dos Contratos. Ainda assim, já no Direito das Obrigações ela se 
visualiza no art. 330 (“O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor 
relativamente ao previsto no contrato”). 
Assim, se alguém age de determinada forma, toma determinada conduta, criando uma 
expectativa justa em outrem, com base na confiança,não pode, posteriormente, agir de 
maneira contrária. É por isso que o art. 330 proíbe ao credor que reiteradamente recebe em 
local distinto do contratado pretender cobrar do devedor, posteriormente, no local 
anteriormente previsto, sem que este concorde. Igualmente, se não comparecer ao local 
habitual, a mora será sua, e não do devedor que não paga, por esperar pelo credor, sem obter 
resposta. 
O STJ, em repetidas decisões veda o comportamento contraditório, por aplicação dos princípios da confiança 
e da lealdade, deveres laterais de conduta decorrentes da cláusula geral da boa-fé objetiva. Nesse sentido 
também o Enunciado 362 da IV Jornada de Direito Civil que esclarece que a vedação do comportamento 
contraditório (venire contra factum proprium) funda-se na proteção da confiança, tal como se extrai dos 
arts. 187 e 422 do CC/2002. 
B) Supressio e surrectio 
A supressão (supressio ou Verwirkung) é instituto intimamente ligado à vedação ao 
comportamento contraditório e à caducidade. Ocorre nas situações nas quais a pessoa não 
exercita seu exercício em tempo adequado, pelo que o transcurso do tempo torna seu exercício 
abusivo. A supressio, assim, inibe o exercício de um direito, até então reconhecido, pelo seu 
não exercício. 
Já o surgimento (surrectio ou Erwirkung) é a outra face da supressão, tratando-se da situação na qual não 
há direito algum, mas o exercício contrariamente à norma legal (dispositiva) ou contratual (de eficácia 
relativa) que gera estabilização daquela relação jurídica para o futuro. A surrectio, assim, é a aquisição de 
um direito pelo decurso do tempo, pela expectativa legitimamente despertada por ação ou 
comportamento. 
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O art. 330, igualmente, demonstra o surgimento. Apesar de não ser direito do devedor fazer o pagamento 
em local diverso do ajustado, sua reiteração faz surgir o direito. Veja que não há que se falar em costume 
contra legem, vedado pelo art. 4º da LINDB, segundo a doutrina. 
Assim, surrectio e supressio nada mais são do que as duas faces de uma mesma moeda, havendo apenas 
uma distinção de ângulo, de perspectiva; ao passo que se extingue uma posição jurídica a uma parte, cria-se 
essa mesma posição jurídica para a contraparte. O art. 330 é, assim, exemplar a respeito. 
C) Tu quoque 
 “A ninguém é dado aproveita-se da própria torpeza” (nemo auditur propriam turpitudinem 
allegans), já diz o ditado. O tu quoque é, em alguma medida, a expressão civil da perspectiva 
criminal de que a ninguém é dado alegar o desconhecimento da lei. 
Assim, não pode a pessoa alegar o desconhecimento de uma situação jurídica justamente para 
não a observar. Trata-se da surpresa de uma parte por ato injustificado da outra. 
D) Exceptio doli 
Aqui, mais uma vez, há conexão do instituto da exceção de dolo à vedação ao comportamento 
contraditório. A peculiaridade é que a exceptio doli se aplica às situações nas quais uma parte, 
abusivamente, age com dolo, gerando prejuízo à contraparte. 
Como a parte lesada se defenderá? Por meio de uma exceção, a exceção de dolo. Assim, o 
lesado não questiona os termos da avença, mas apenas o dolo do outro em deixar de cumpri-la. A exceção 
de contrato não cumprido (exceptio non adimpleti contractus) e sua versão mais limitada, a exceção de 
contrato parcialmente não cumprido (exceptio non exceptio non rite adimpleti contractus) são corolários da 
exceptio doli. 
E) Duty to mitigate the loss 
A vedação ao agravamento do prejuízo ou o dever de mitigar as perdas, mais conhecida 
por sua versão anglo-saxônica, duty to mitigate the loss, igualmente deriva do princípio 
da boa-fé objetiva. Liga-se umbilicalmente também ao nemo auditur propriam 
turpitudinem allegans. Nesse sentido, o credor tem de evitar o próprio prejuízo, 
tomando medidas judiciais cabíveis para proteger seu crédito, sendo que 
posteriormente não pode agravar os prejuízos do devedor ou de terceiros por conta de 
sua desídia. 
O STJ (REsp 758.518) aplicou esse entendimento ao caso de um credor que deixou transcorrer 7 anos para 
cobrar o devedor de uma promessa de compra e venda do imóvel. Pretendia ele que o devedor devolvesse 
a posse do bem e que os valores pagos fossem devolvidos. Evidentemente, o prejuízo ao devedor seria de 
grande monta. 
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O Enunciado 629 da VIII Jornada de Direito Civil vai no mesmo sentido. Segundo ele, a indenização não inclui 
os prejuízos agravados, nem os que poderiam ser evitados ou reduzidos mediante esforço razoável da vítima. 
Os custos da mitigação devem ser considerados no cálculo da indenização. 
F) Nachfrist 
Prevista no art. 47 da CISG, a extensão do prazo (Nachfrist) estabelece um certo 
prazo de carência para o vendedor cumprir sua obrigação, depois de dado um prazo 
adicional pelo comprador. No tráfego internacional de mercadorias, a relevância 
dessa extensão é ímpar, pois a compra e venda não é tão simples quanto aquela 
regulada pelo CDC, de um consumidor a pegar um produto na prateleira. 
Esse instituto pretende, em certa medida, evitar a judicialização e a cobrança de encargos que poderiam 
tornar as transações internacionais inviáveis. A redação do art. 47, em seus dois parágrafos, é exemplar a 
respeito: 
(1) O comprador poderá conceder ao vendedor prazo suplementar razoável para o cumprimento de suas 
obrigações. 
(2) Salvo se tiver recebido a comunicação do vendedor de que não cumprirá suas obrigações no prazo fixado 
conforme o parágrafo anterior, o comprador não poderá exercer qualquer ação por descumprimento do 
contrato, durante o prazo suplementar. Todavia, o comprador não perderá, por este fato, o direito de exigir 
indenização das perdas e danos decorrentes do atraso no cumprimento do contrato. 
Paulo Nalin e Renata Steiner pontuam que se pode extrair dessa norma que a resolução do contrato é 
automática, independendo de intervenção judicial (resolução ipso jure). Além disso, mesmo depois da 
extensão do prazo, pode-se resolver o contrato sem recurso à via judicial, independentemente do 
descumprimento fundamental. 
3 – Excludentes de responsabilidade 
Ao contrário, se preenchidos os requisitos que mencionei você será sempre chamado a indenizar? 
Não. Há situações em que mesmo se verificando o cumprimento dos quatro requisitos, não se falará em 
conduta ilícita. Isso ocorre em três situações. 
Quais são as situações em que se exclui a ilicitude? Vejam: 
A) Legítima defesa 
O art. 188, inc. I, do CC/2002, prevê a legítima defesa na seara privada: 
Não constituem atos ilícitos os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido. 
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É a chamada autotutela ou autodefesa, numa quebra do monopólio estatal do uso da violência. Segundo 
Pontes de Miranda, é a aplicação da lei pelo próprio interessado, em substituição ao juiz, quando o sujeito 
não respeita a norma. 
A legítima defesa real exime o violador de indenização, mas não a legítima defesa putativa 
(achei que ele iria me atacar e causei um dano a ele, mas ele não me atacaria) e nem a legítima 
defesa excessiva (na defesa, me “empolguei” e causei mais dano do que o necessário). 
B) Exercício regular de direito 
O art. 188, inc. I, do CC/2002, prevê o exercício regular de direito na seara privada: 
Não constituem atos ilícitos os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido. 
A rigor, exercer seu direito não causa dano. Há um exercício sem fim danoso, com exercício legítimo, 
responsabilidade e moderação do próprio direito. Quais são os limites ao exercício do direito? Geralmente, 
a jurisprudência os fixa através da hierarquia de direitos. Assim, protestar o devedor não é abuso, mas 
utilizarum carro de som em frente ao seu local de trabalho é. 
C) Estado de necessidade 
O art. 188, inc. II do CC/2002 prevê o estado de necessidade : 
Não constituem atos ilícitos a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover 
perigo iminente. 
A remoção de perigo iminente ocasiona destruição da coisa alheia; porém, o ato será legítimo somente 
quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do 
indispensável para a remoção do perigo, segundo o parágrafo único do mesmo dispositivo. 
A letra da Lei 
Agora, trago a você os dispositivos de lei referentes à nossa aula. Lembro que, ao longo do texto, eu não 
trato de todos os dispositivos legais aqui citados, propositadamente. Isso porque meu objetivo não é tornar 
o material um comentário à lei, mas, sim, fazer você compreender os institutos jurídicos que são importantes 
à prova. 
Agora, ao contrário, o objetivo é trazer todos os dispositivos legais, para que você possa ao menos passar os 
olhos. Não se preocupe em compreender em detalhe cada um deles; eu objetivo apenas trazer o texto legal 
para que você não precise procurá-los fora do material. Trata-se da letra da lei com grifos nos principais 
pontos da norma, para ajudar na fixação dos conteúdos. 
Vamos lá! 
 
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Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar 
dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os 
limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. 
Jornadas de Direito Civil 
 
Enunciado 37: A responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe de culpa e 
fundamenta-se somente no critério objetivo-finalístico. 
 
Enunciado 412: As diversas hipóteses de exercício inadmissível de uma situação jurídica 
subjetiva, tais como supressio, tu quoque, surrectio e venire contra factum proprium, são 
concreções da boa-fé objetiva. 
Art. 188. Não constituem atos ilícitos: 
I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido; 
II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente. 
Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem 
absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo. 
 
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QUESTÕES COMENTADAS 
Atos Ilícitos (Art. 186 Ao 188) 
FCC 
1. (FCC / TRF - 4ª REGIÃO – 2019) Comete abuso de direito o titular de um direito que, ao exercê-lo, 
excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons 
costumes. Para o Código Civil, o abuso de direito constitui ato: 
a) lícito, mas que dá causa ao dever de indenizar. 
b) lícito, mas que não produz efeitos. 
c) ilícito, que dá causa ao dever de indenizar. 
d) ilícito, mas que não dá causa ao dever de indenizar. 
e) ilícito, porém plenamente válido e eficaz. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, dado que o ato é ilícito, de acordo com o CC/2002: 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos 
bons costumes. 
A alternativa B está incorreta, pois constitui ato ilícito. O ato ilícito baseia-se numa conduta ou fato praticado 
pelo agente, sendo este passível de controle pela vontade, um comportamento ou uma forma de expressão 
que entra em desacordo com o direito subjetivo de um terceiro e lhe causa um dano, de acordo com o 
CC/2002: 
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar 
direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. 
A alternativa C está correta, pois é um ato ilícito, havendo causa ao dever de indenizar. O ato ilícito dispõe 
acerca de uma conduta ou fato praticado pelo agente, sendo este passível de controle pela vontade, um 
comportamento ou uma forma de expressão que entra em desacordo com o direito subjetivo de um terceiro 
e lhe causa um dano. 
Com base no Art. 187, ocorre, o abuso de direito, pois há ilicitude no ato por ter sido exercido em desacordo 
com o fim qual lhe é imposto, pois o ato, como dito no CC/2002: 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos 
bons costumes. 
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Conforme a confirmação do ato ilícito, tem-se o Art. 927, que dispõe da obrigação do causador do dano à 
reparar o dano causado, independentemente de culpa (casos específicos) ou quando o agente cometer atos 
que ofereçam riscos aos direitos de terceiros. 
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado 
a repará-lo. 
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos 
casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor 
do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. 
A alternativa D está incorreta, pois, como previsto pelo Art. 927, quando ocorre o ato ilícito, se dá causa ao 
dever de indenizar. 
O ato ilícito baseia-se numa conduta ou fato praticado pelo agente, sendo este passível de controle pela 
vontade, um comportamento ou uma forma de expressão que entra em desacordo com o direito subjetivo 
de um terceiro e lhe causa um dano. Ferindo os direitos de outrem, tem o agente a obrigação de suprir os 
danos causados. 
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado 
a repará-lo. 
A alternativa E está incorreta, pois não há meios de um ato ilícito ser plenamente válido e eficaz. 
O ato ilícito dispõe acerca de uma certa conduta ou fato exercido pelo agente, sendo este passível de controle 
pela vontade, um comportamento ou uma forma de expressão que entra em desacordo com o direito 
subjetivo de um terceiro e lhe causa um dano. 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos 
bons costumes. 
2. (FCC / SEFAZ-GO – 2018) Para o Código Civil, o abuso do direito: 
a) é previsto como ato ilícito e gera responsabilidade ao agente ofensor, por desvio da finalidade social e 
econômica do ato tido por abusivo. 
b) é previsto como ato ilícito, mas não gera responsabilidade ao agente ofensor, por não se tratar de ato 
ilegal. 
c) é previsto como ato lícito, não gerando responsabilidade ao ofensor. 
d) não é previsto no Código Civil, mas apenas na doutrina e na jurisprudência. 
e) é previsto como ato ilícito, gerando apenas a possibilidade de desfazimento do ato, sem outras 
cominações legais. 
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A alternativa A está correta, dado que está de acordo com o CC/2002, no qual o abuso do direito é previsto 
como ato ilícito e gera responsabilidade ao agente ofensor, por desvio de finalidade social econômica do ato 
tido como abusivo. 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos 
bons costumes. 
A alternativa B está incorreta,dado que gera responsabilidade ao agente ofensor, uma vez que se configura 
ato tido como abusivo. 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos 
bons costumes. 
A alternativa C está incorreta, dado que o abuso do direito é expresso como ato ilícito e gera 
responsabilidade, de acordo com o CC/2002. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao 
exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos 
bons costumes. 
A alternativa D está incorreta, pois há previsão da ilicitude do abuso do direito no Código Civil, em seus Art. 
186 e 187: 
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar 
direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos 
bons costumes. 
A alternativa E está incorreta, pois a ilicitude do ato gera a possibilidade de indenização como forma ao 
reparo do dano causado pelo agente, com amparo do CC/2002: 
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado 
a repará-lo. 
3. (FCC / MPE-PE – 2018) Leandro, na condução de sua motocicleta, para não causar mal maior, decide 
deliberadamente jogá-la contra o automóvel de Roberto, provocando-lhe dano, evitando, assim, o 
atropelamento de Paulo, que, imprudentemente, atravessou a rua fora da faixa de pedestre e sem se 
atentar para o trânsito de veículos. Nesse caso, no tocante à colisão do veículo, Leandro terá praticado 
ato: 
a) ilícito e injustificável em relação a Roberto, que nada tem a ver com a imprudência de Paulo. 
b) lícito, desde que as circunstâncias o tornassem absolutamente necessário, não excedendo os limites do 
indispensável para evitar o atropelamento de Paulo. 
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c) ilícito, porém justificável e legítimo, ainda que houvesse outro meio menos gravoso para evitar o 
atropelamento de Paulo. 
d) lícito, ainda que houvesse outro meio menos gravoso para evitar o atropelamento de Paulo. 
e) que não se qualifica como lícito ou ilícito, ante a excepcionalidade da situação de perigo iminente 
provocada por terceiro. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pois Leandro não praticou um ato ilícito, pois na condução da motocicleta, 
decide jogá-la contra o automóvel de Roberto para não causar mal maior, ou reter um perigo eminente, 
como se ampara o CC/2002: 
Art. 188. Não constituem atos ilícitos: 
II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover 
perigo iminente. 
A alternativa B está correta, dado o fato de que Leandro praticou um ato lícito, em circunstância 
absolutamente necessárias para evitar um mal maior, e não excedeu os limites do indispensável para evitar 
o atropelamento de Paulo, como amparado pelo CC/2002: 
Art. 188. Não constituem atos ilícitos: 
II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover 
perigo iminente. 
Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as circunstâncias 
o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do indispensável para a 
remoção do perigo. 
Leandro, na condução de sua motocicleta, para não causar mal maior, decide deliberadamente jogá-la contra 
o automóvel de Roberto, provocando danos, mas evitando o mal maior que seria o atropelamento de Paulo. 
Paulo, por sua vez, teve uma conduta imprudentemente ao atravessar a rua fora da faixa de pedestres, sem 
se atentar para o trânsito de veículos. Dados os fatos, é claro que houve a necessidade de que Leandro agisse 
para evitar maiores danos, como o atropelamento. 
A alternativa C está incorreta, pois o ato cometido por Leandro é lícito, mas se houvesse outro meio menos 
gravoso para evitar o atropelamento de Paulo devia se optar por ele, como está expresso no CC/2002: 
Art. 188. Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as 
circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do 
indispensável para a remoção do perigo. 
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A alternativa D está incorreta, pois se houvesse outra forma menos gravosa para evitar o atropelamento e 
Leandro não optasse por esse o ato seria ilícito, uma vez que o ato causador de dano só é lícito quando é 
única opção para não gerar mal maior, como expresso no CC/2002: 
Art. 188. Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as 
circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do 
indispensável para a remoção do perigo. 
A alternativa E está incorreta, pois o ato cometido por Leandro se configura como lícito, pois de acordo com 
o CC/2002, o ato que causa dano da coisa alheia ou lesão a pessoa como um meio para evitar um dano maior, 
é lícito, porém somente será legítimo se o meio escolhido for absolutamente necessário, devendo este estar 
dentro dos limites do indispensável, que foi o que ocorreu no caso, pois se não tivesse jogado sua motocicleta 
no automóvel de Roberto, Leandro teria atropelado Paulo. 
Art. 188. Não constituem atos ilícitos: 
II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover 
perigo iminente. 
Art. 188. Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as 
circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do 
indispensável para a remoção do perigo. 
4. (FCC / TRT - 23ª REGIÃO – 2015) Carlos foi vítima de golpe por meio do qual fraudadores utilizaram-
se de documentos falsos a fim de realizar operações bancárias em seu nome. Procurada por Carlos, a 
instituição financeira afirmou não ter tido culpa pelo incidente, negando-se a restituir o prejuízo. A 
negativa é: 
a) Ilícita, configurando abuso do direito, decorrente da inobservância do princípio da boa-fé subjetiva, que 
impõe às partes, dentre outros, o dever anexo de segurança, independentemente da existência do 
elemento culpa. 
b) Lícita, pois, para caracterização do abuso do direito, é necessária a existência do elemento culpa. 
c) Lícita, por ausência de nexo de causalidade entre a atividade da instituição financeira e o prejuízo 
experimentado por Carlos. 
d) Lícita, pois somente comete ato ilícito aquele que, por ação ou omissão voluntária decorrente de 
negligência ou imprudência, viola direito e causa dano a outrem. 
e) Ilícita, configurando abuso do direito, decorrente da inobservância do princípio da boa-fé objetiva, que 
impõe às partes, dentre outros, o dever anexo de segurança, independentemente da existência do 
elemento culpa. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pois a negativa é decorrente da observância do princípio da boa-fé objetiva, 
e não subjetiva. A boa-fé subjetiva é referente ao estado psicológico da pessoa, em suas crenças internas e 
convicções. Basicamente, trata-se do desconhecimento de uma situação adversa a que acredita ser. Por sua 
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vez, a boa-fé objetiva expressa fatos sólidos que podem ser observados na conduta das partes, quais devem 
agir com honestidade, com uma confiança harmônica para com a outra parte. 
A alternativa B está incorreta, pois a negativa é ilícita, também não sendo necessária a existência do 
elemento culpa. 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelosbons costumes. 
A alternativa C está incorreta, pois a negativa é ilícita. Mas está correta a afirmativa acerca do ato ilícito, que 
dispõe acerca de uma certa conduta ou fato exercido pelo agente, sendo este passível de controle pela 
vontade, um comportamento ou uma forma de expressão que entra em desacordo com o direito subjetivo 
de um terceiro e lhe causa um dano. Veja CC/2002: 
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar 
direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito 
A alternativa D está incorreta, pois a negativa é ilícita, e a respeito do ato ilícito, temos o Art. 186 dispondo 
que: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano 
a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”, sendo, desta forma, ato ilícito definido sob 
uma certa conduta ou fato exercido pelo agente, sendo este passível de controle pela vontade, um 
comportamento ou uma forma de expressão que entra em desacordo com o direito subjetivo de um terceiro 
e lhe causa um dano, mas o Código civil estabelece também que comete ato ilícito o titular de um direito 
que, ao exercê-lo, excede os limites impostos pelo seu fim econômico ou social. Veja CC/2002: 
 Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos 
bons costumes. 
A alternativa E está correta, dado que a negativa é ilícita, senda configurada como abuso do direito, que é 
decorrente da inobservância do princípio da boa-fé objetiva, que expressa fatos sólidos que podem ser 
observados na conduta das partes, quais devem agir com honestidade, com uma confiança harmônica para 
com a outra parte, e impõe às partes, dentre outros, o dever de segurança, independentemente da existência 
do elemento culpa. 
As afirmações são baseadas mediante ao Enunciado e à súmula a seguir: 
Enunciado 26 da I jornada de direito civil – Art. 422: A cláusula geral contida no art. 422 do 
novo Código Civil impõe ao juiz interpretar e, quando necessário, suprir e corrigir o contrato 
segundo a boa-fé objetiva, entendida como a exigência de comportamento leal dos 
contratantes. 
Súmula 479 STJ: As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados 
por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de 
operações bancárias. 
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De acordo com o CC/2002: 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos 
bons costumes. 
5. (FCC / SEFAZ-PE – 2015) O titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites 
impostos pelo seu fim econômico ou social: 
a) Comete ato ilícito, consubstanciado em abuso do direito, sujeitando-se à responsabilidade civil. 
b) Não comete ato ilícito, mas, apenas, viola regra moral, sem consequências jurídicas. 
c) Não comete ato ilícito, mas se sujeita à responsabilidade civil de natureza objetiva. 
d) Comete ato ilícito, sujeitando-se a sanções administrativas, mas não à responsabilidade civil. 
e) Comete abuso do direito, que a lei não reputa ato ilícito para fins indenizatórios. 
Comentários 
A alternativa A está correta, pois com base no Art. 187, ocorre o abuso de direito pois há ilicitude no ato por 
ter sido exercido em desacordo com o fim qual lhe é imposto, nos termos do CC/2002: 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos 
bons costumes. 
Sendo a indenização amparada pelo CC/2002, que dispõe: 
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado 
a repará-lo. 
Neste sentido, temos o enunciado 37 da I Jornada de Direito Civil do Conselho Nacional de Justiça: “Art. 187. 
A responsabilidade civil decorrente do abuso de direito independe de culpa, e fundamenta-se somente no 
critério objetivo-finalístico”. 
A alternativa B está incorreta, dado que ocorreu o ato ilícito e o titular terá consequências, sujeitando-se à 
responsabilidade civil, pois há a ocorrência do abuso de direito, como implicitamente disposto no CC/2002: 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos 
bons costumes. 
A alternativa C está incorreta, visto que comete ato ilícito, sendo este o abuso de direito, e se sujeita também 
a reponsabilidade civil. Com base no Art. 187, ocorre o abuso de direito pois há ilicitude no ato por ter sido 
exercido em desacordo com o fim qual lhe é imposto, pois o ato, como dito no Art. 187: “excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim...” comprovando, desta forma, que o ato ilícito é aquele 
que não é exercido seguindo os limites que lhe são impostos, de forma que acaba por violar direitos. 
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Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos 
bons costumes. 
A alternativa D está incorreta, pois o agente do ato ilícito não é sujeito à responsabilidade administrativa, 
mas sim à responsabilidade civil. Desta forma, o ato é ilícito como amparado pelo CC/2002: 
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede 
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos 
bons costumes 
A alternativa E está incorreta, pois o abuso de direito é um ato ilícito, sendo ilegítimo o exercício de 
um direito quando um titular excede manifestamente os limites impostos pela boa-fé, pelos bons costumes 
ou pelo fim social ou económico desse direito, de acordo com o Art. 187: ocorre o abuso de direito pois há 
ilicitude no ato por ter sido exercido em desacordo com o fim qual lhe é imposto, pois o ato, como dito no 
Art. 187: “excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim...” comprovando, desta forma, que o ato 
ilícito é aquele que não é exercido seguindo os limites que lhe são impostos, de forma que acaba por violar 
direitos. E a lei, no Art. 927 do CC/2002, classifica o ato ilícito como passível de indenização. 
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (Arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado 
a repará-lo. 
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos 
casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor 
do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. 
6. (FCC / SEFAZ-PI – 2015) Raul, dirigindo em alta velocidade, abalroou o veículo de Daniel, que ajuizou 
ação de indenização. A responsabilização de Raul se dará mediante comprovação de: 
a) Dano, nexo de causalidade e culpa, na modalidade subjetiva. 
b) Dano e nexo de causalidade, na modalidade objetiva. 
c) Dano e nexo de causalidade, na modalidade subjetiva. 
d) Dano, nexo de causalidade e culpa, na modalidade objetiva. 
e) Dano apenas, na modalidade objetiva. 
Comentários 
A alternativa A está correta, dado que se entende por modalidade subjetiva a ideia de culpa ou dolo, nesse 
caso, ocorre a culpa pois o fato ocorreu devido à falta de um dever de cuidado (culpa), e conforme disposto 
pelo Art. 186, há o nexo de causalidade entro o direito violado e o dano causado a outrem. 
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar 
direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. 
Paulo H M Sousa
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A alternativa B está incorreta, pois a modalidade objetiva independe da verificação de dolo ou culpa, não se 
encaixando nesse caso porque é exatamente ao contrário de responsabilidade subjetiva. 
A responsabilidade subjetiva ocorre quando o causador de determinado ato ilícito atingir este resultado em 
razão do dolo ou da culpa em sua conduta, sendo obrigado a indenizar do dano causado apenas caso se 
consume sua responsabilidade. Por sua vez, na responsabilidade objetiva, o dever de indenizar se dará 
independentemente da comprovação de dolo ou culpa, bastando que fique configurado o nexo causal 
daquela atividade com o objetivo atingido. 
A alternativa C está incorreta, visto que a responsabilidade do autor é subjetiva, pois esse é responsável pelo 
fato praticado, nesse caso, porque tal fato resultou em consequência à falta de um devido cuidado (culpa). 
A alternativa D está incorreta, pois a responsabilidade ocorrente no caso é a responsabilidade subjetiva e 
não objetiva. 
A alternativa E está incorreta, pois não é correto determinar apenas o dano e a responsabilidade conferida 
ao caso é a responsabilidade subjetiva e não objetiva. 
Deve-se apontar também a culpa e nexo de causalidade, sendo este o vínculo fático que liga o efeito e a 
causa. Em suma, é a comprovação da ocorrência de um dano efetivo, sendo este motivado por uma ação 
voluntária, uma negligência ou imprudência do agente causador do dano. 
 
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LISTA DE QUESTÕES 
Atos Ilícitos (Art. 186 Ao 188) 
FCC 
1. (FCC / TRF - 4ª REGIÃO – 2019) Comete abuso de direito o titular de um direito que, ao exercê-lo, 
excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons 
costumes. Para o Código Civil, o abuso de direito constitui ato: 
a) lícito, mas que dá causa ao dever de indenizar. 
b) lícito, mas que não produz efeitos. 
c) ilícito, que dá causa ao dever de indenizar. 
d) ilícito, mas que não dá causa ao dever de indenizar. 
e) ilícito, porém plenamente válido e eficaz. 
2. (FCC / SEFAZ-GO – 2018) Para o Código Civil, o abuso do direito: 
a) é previsto como ato ilícito e gera responsabilidade ao agente ofensor, por desvio da finalidade social e 
econômica do ato tido por abusivo. 
b) é previsto como ato ilícito, mas não gera responsabilidade ao agente ofensor, por não se tratar de ato 
ilegal. 
c) é previsto como ato lícito, não gerando responsabilidade ao ofensor. 
d) não é previsto no Código Civil, mas apenas na doutrina e na jurisprudência. 
e) é previsto como ato ilícito, gerando apenas a possibilidade de desfazimento do ato, sem outras 
cominações legais. 
3. (FCC / MPE-PE – 2018) Leandro, na condução de sua motocicleta, para não causar mal maior, decide 
deliberadamente jogá-la contra o automóvel de Roberto, provocando-lhe dano, evitando, assim, o 
atropelamento de Paulo, que, imprudentemente, atravessou a rua fora da faixa de pedestre e sem se 
atentar para o trânsito de veículos. Nesse caso, no tocante à colisão do veículo, Leandro terá praticado 
ato: 
a) ilícito e injustificável em relação a Roberto, que nada tem a ver com a imprudência de Paulo. 
b) lícito, desde que as circunstâncias o tornassem absolutamente necessário, não excedendo os limites do 
indispensável para evitar o atropelamento de Paulo. 
c) ilícito, porém justificável e legítimo, ainda que houvesse outro meio menos gravoso para evitar o 
atropelamento de Paulo. 
d) lícito, ainda que houvesse outro meio menos gravoso para evitar o atropelamento de Paulo. 
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e) que não se qualifica como lícito ou ilícito, ante a excepcionalidade da situação de perigo iminente 
provocada por terceiro. 
4. (FCC / TRT - 23ª REGIÃO – 2015) Carlos foi vítima de golpe por meio do qual fraudadores utilizaram-
se de documentos falsos a fim de realizar operações bancárias em seu nome. Procurada por Carlos, a 
instituição financeira afirmou não ter tido culpa pelo incidente, negando-se a restituir o prejuízo. A 
negativa é: 
a) Ilícita, configurando abuso do direito, decorrente da inobservância do princípio da boa-fé subjetiva, que 
impõe às partes, dentre outros, o dever anexo de segurança, independentemente da existência do 
elemento culpa. 
b) Lícita, pois, para caracterização do abuso do direito, é necessária a existência do elemento culpa. 
c) Lícita, por ausência de nexo de causalidade entre a atividade da instituição financeira e o prejuízo 
experimentado por Carlos. 
d) Lícita, pois somente comete ato ilícito aquele que, por ação ou omissão voluntária decorrente de 
negligência ou imprudência, viola direito e causa dano a outrem. 
e) Ilícita, configurando abuso do direito, decorrente da inobservância do princípio da boa-fé objetiva, que 
impõe às partes, dentre outros, o dever anexo de segurança, independentemente da existência do 
elemento culpa. 
5. (FCC / SEFAZ-PE – 2015) O titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites 
impostos pelo seu fim econômico ou social: 
a) Comete ato ilícito, consubstanciado em abuso do direito, sujeitando-se à responsabilidade civil. 
b) Não comete ato ilícito, mas, apenas, viola regra moral, sem consequências jurídicas. 
c) Não comete ato ilícito, mas se sujeita à responsabilidade civil de natureza objetiva. 
d) Comete ato ilícito, sujeitando-se a sanções administrativas, mas não à responsabilidade civil. 
e) Comete abuso do direito, que a lei não reputa ato ilícito para fins indenizatórios. 
6. (FCC / SEFAZ-PI – 2015) Raul, dirigindo em alta velocidade, abalroou o veículo de Daniel, que ajuizou 
ação de indenização. A responsabilização de Raul se dará mediante comprovação de: 
a) Dano, nexo de causalidade e culpa, na modalidade subjetiva. 
b) Dano e nexo de causalidade, na modalidade objetiva. 
c) Dano e nexo de causalidade, na modalidade subjetiva. 
d) Dano, nexo de causalidade e culpa, na modalidade objetiva. 
e) Dano apenas, na modalidade objetiva. 
 
 
 
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GABARITO 
1. C 
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3. B 
4. E 
5. A 
6. A 
 
 
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Título V – Provas 
1 – Disposições gerais 
Quando falei, no início dessa aula, sobre o plano da existência dos fatos jurídicos, algumas coisas talvez 
chamaram sua atenção. Como, por exemplo, as situações em que o fato existe na realidade social, mas não 
existe para o Direito, por numerosas razões. 
Mas, então, como se prova um fato jurídico? Primeiro, tenho de atentar se o negócio jurídico exige alguma 
forma especial; se exige, tenho de observar aquela forma. 
Imagine que você ou seu par romântico tenham uma ideia. Como vocês são torcedores de times rivais, e 
para incentivar a não violência no futebol, resolvem se casar dentro das quatro linhas do campo. Assim, você 
com a camisa do seu time, fica de um lado do campo e ela/ela, do outro, com a camisa do outro time. 
O árbitro celebra o casamento, diante de 60.000 torcedores. Como é final do campeonato brasileiro, milhões 
de brasileiros estão assistindo. Sabia que esse casamento é inexistente? 
Celebrado perante milhões de testemunhas, ele simplesmente não existe. Por quê? Porque ele não seguiu 
as formas legais exigidas. 
 
Se o negócio jurídico não exige forma especial ou em se tratando dos demais fatos jurídicos – que não 
negócios jurídicos –, segundo o art. 212 do Código Civil, prova-se mediante: 
A) Confissão 
B) Documento 
C) Testemunha 
D) Presunção 
E) Perícia 
Vou analisar cada uma dessas modalidades de prova, agora. Lembro, de toda sorte, que ocomo se produz 
essas provas não está previsto no Código Civil, mas no Código de Processo Civil, pelo que não vou ficar 
detalhando elementos que estão nele previstos. 
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2 – Espécies 
A) Confissão 
A confissão é a “rainha” das provas e, por isso, é irrevogável. Confessou, não pode mais voltar atrás. Daí 
nasce a regra relativa à paternidade, por exemplo. Aquele que reconhece a paternidade de um filho fora do 
casamento não pode posteriormente “voltar atrás”, pois esse reconhecimento é como uma confissão. 
Claro que se decorreu de erro de fato ou de coação, estaremos diante de um vício de consentimento, que 
permite anulação desse reconhecimento, mas será necessário prová-lo. Veja-se que a anulação é limitada 
ao erro de fato, não se podendo anular a confissão decorrente de erro de direito. 
Além disso, o art. 214 do CC/2002 limita a anulação da confissão apenas ao erro e à coação, 
mas se entende também que o dolo é apto a anular a confissão (já que o dolo é “induzir alguém 
em erro”, resumidamente). 
O art. 213 do CC/2002, por sua vez, estabelece uma regra óbvia: 
Não tem eficácia a confissão se provém de quem não é capaz de dispor do direito a que se referem os fatos 
confessados. 
B) Documento 
Pode-se provar, e é o mais comum na realidade processual brasileira pouco acostumada e um tanto reticente 
à prova oral, através de documento. Os documentos podem ser públicos ou particulares. 
Quando o CC/2002 trata da escritura, ele trata daquela lavrada no cartório de notas. Nesse caso, segundo o 
art. 215, essa escritura constituirá um documento dotado de fé pública, fazendo prova plena. A rigor, a 
escritura pública deve conter: 
I - data e local de sua realização; 
II - reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos hajam comparecido ao ato, por si, como 
representantes, intervenientes ou testemunhas; 
III - nome, nacionalidade, estado civil, profissão, domicílio e residência das partes e demais comparecentes, com 
a indicação, quando necessário, do regime de bens do casamento, nome do outro cônjuge e filiação; 
IV - manifestação clara da vontade das partes e dos intervenientes; 
V - referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais inerentes à legitimidade do ato; 
VI - declaração de ter sido lida na presença das partes e demais comparecentes, ou de que todos a leram; 
VII - assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tabelião ou seu substituto legal, 
encerrando o ato. 
Tamanha é a força desses documentos públicos, por conta da fé pública, que têm a mesma força probante 
os traslados e as certidões, extraídos pelo tabelião ou oficial de registro, de instrumentos ou documentos 
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lançados em suas notas, segundo aponta o art. 217. Eles, inclusive, serão considerados instrumentos 
públicos, se os originais se houverem produzido em juízo como prova de algum ato. 
Os atos judiciais, por sua vez, também se consideram documentos públicos. Por isso, fazem a mesma prova 
que os originais as certidões textuais de qualquer peça judicial, do protocolo das audiências, ou de outro 
qualquer livro a cargo do escrivão, sendo extraídas por ele, e por ele subscritas, assim como os traslados de 
autos, quando por outro escrivão consertados. 
Já o instrumento particular não exige a formalidade dos documentos públicos. A rigor, suas 
formalidades são bem pequenas, já constituindo meio de prova daquilo que foi convencionado. 
Se lhe faltar algum elemento, não perde o valor completamente, pois a prova do instrumento 
particular pode ser suprida por outras de caráter legal, como a confissão, o testemunho, a 
perícia etc., segundo o parágrafo único do art. 221 do CC/2002. 
Já os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu 
favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. A 
prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito 
particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão 
dos lançamentos. 
C) Testemunha 
O NCPC revogou o art. 227 do CC/2002, em boa hora. O NCPC, porém, manteve o parágrafo único, que 
estabelece que a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito 
qualquer que seja o valor do negócio jurídico. 
Mas quem pode ser testemunha? O art. 228 do CC/2002 estabelece o rol dos “intestemunháveis”. 
O §2º do art. 228 estabelece que a pessoa com deficiência poderá testemunhar em igualdade de 
condições com as demais pessoas, sendo-lhe assegurados todos os recursos de tecnologia assistiva. 
Ou seja, não simplesmente dispense a pessoa com deficiência, mas lhe dê meios para colaborar! 
Não podem ser admitidos como testemunhas: 
I - os menores de dezesseis anos; 
IV - o interessado no litígio, o amigo íntimo ou o inimigo capital das partes; 
V - os cônjuges, os ascendentes, os descendentes e os colaterais, até o terceiro grau de alguma das partes, por 
consanguinidade, ou afinidade. 
Excepcionalmente, porém, para a prova de fatos que só elas conheçam, pode o juiz admitir o depoimento 
das pessoas a que se refere esse artigo. 
D) Presunção 
Existem duas presunções no Direito. De um lado, as presunções relativas (juris tantum), que admitem prova 
em contrário. Assim é, por exemplo, é o constante no art. 219: 
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As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários. 
No entanto, o próprio parágrafo único desse artigo já traz exceção, ou seja, nem sempre tudo o que estiver 
escrito se presume verdadeiro em relação ao signatário: 
Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações 
enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de prová-las. 
Além disso, outras fontes de prova como áudios, textos, imagens, vídeos (Facebook, Whatsapp, Instagram, 
por exemplo), também servem de meio de prova, conforme estabelece o art. 225. Porém, a contraparte 
pode impugnar essas provas, e, aí, a solução é, em geral, pericial. 
De outro lado, existem as presunções absolutas (juris et de jure), que não admitem prova em contrário. O 
Direito Civil é pobre em presunções absolutas, assim como o Direito em geral. Via de regra, admite-se que 
se prove em contrário. 
E) Perícia 
Diferentemente do Direito Penal, no qual o sujeito não é obrigado a fazer prova contra si, o art. 231 
estabelece que aquele que se nega a submeter-se a exame médico necessário não poderá aproveitar-se 
de sua recusa. 
É por isso que o pretenso pai que se nega a fazer o teste de DNA é presumido pai, por extensão dessa regra 
(há regra própria em lei especial, mas ela segue exatamente o mesmo raciocínio desta). Por isso, como 
consequência, se eu queria provar algo que depende dessa perícia e a pessoa se nega a se submeter a ela, 
não preciso mais provar aquilo por outros meios de prova: 
Art. 232. A recusa à perícia médica ordenada pelo juiz poderá suprir a prova que se pretendia obter com o exame. 
A letra da Lei 
Agora, trago a você os dispositivos de lei referentes à nossa aula. Lembro que, ao longo do texto, eu não 
trato de todos os dispositivos legais aqui citados, propositadamente. Isso porque meu objetivo não é tornar 
o material um comentário à lei, mas, sim, fazer você compreender os institutos jurídicos que são importantes 
à prova. 
Agora, ao contrário, o objetivo é trazer todos os dispositivos legais, para que você possa ao menos passar os 
olhos. Não se preocupe em compreender em detalhe cada um deles;eu objetivo apenas trazer o texto legal 
para que você não precise procurá-los fora do material. Trata-se da letra da lei com grifos nos principais 
pontos da norma, para ajudar na fixação dos conteúdos. 
Vamos lá! 
 
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Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: 
I - confissão; 
II - documento; 
III - testemunha; 
IV - presunção; 
V - perícia. 
Art. 213. Não tem eficácia a confissão se provém de quem não é capaz de dispor do direito a que se referem 
os fatos confessados. 
Parágrafo único. Se feita a confissão por um representante, somente é eficaz nos limites em que este pode 
vincular o representado. 
Art. 214. A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou de coação. 
Art. 215. A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova 
plena. 
§ 1 o Salvo quando exigidos por lei outros requisitos, a escritura pública deve conter: 
I - data e local de sua realização; 
II - reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos hajam comparecido ao ato, por si, 
como representantes, intervenientes ou testemunhas; 
III - nome, nacionalidade, estado civil, profissão, domicílio e residência das partes e demais comparecentes, 
com a indicação, quando necessário, do regime de bens do casamento, nome do outro cônjuge e filiação; 
IV - manifestação clara da vontade das partes e dos intervenientes; 
V - referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais inerentes à legitimidade do ato; 
VI - declaração de ter sido lida na presença das partes e demais comparecentes, ou de que todos a leram; 
VII - assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tabelião ou seu substituto legal, 
encerrando o ato. 
§ 2 o Se algum comparecente não puder ou não souber escrever, outra pessoa capaz assinará por ele, a seu 
rogo. 
§ 3 o A escritura será redigida na língua nacional. 
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§ 4 o Se qualquer dos comparecentes não souber a língua nacional e o tabelião não entender o idioma em 
que se expressa, deverá comparecer tradutor público para servir de intérprete, ou, não o havendo na 
localidade, outra pessoa capaz que, a juízo do tabelião, tenha idoneidade e conhecimento bastantes. 
§ 5 o Se algum dos comparecentes não for conhecido do tabelião, nem puder identificar-se por documento, 
deverão participar do ato pelo menos duas testemunhas que o conheçam e atestem sua identidade. 
Art. 216. Farão a mesma prova que os originais as certidões textuais de qualquer peça judicial, do protocolo 
das audiências, ou de outro qualquer livro a cargo do escrivão, sendo extraídas por ele, ou sob a sua 
vigilância, e por ele subscritas, assim como os traslados de autos, quando por outro escrivão consertados. 
Art. 217. Terão a mesma força probante os traslados e as certidões, extraídos por tabelião ou oficial de 
registro, de instrumentos ou documentos lançados em suas notas. 
Art. 218. Os traslados e as certidões considerar-se-ão instrumentos públicos, se os originais se houverem 
produzido em juízo como prova de algum ato. 
Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos 
signatários. 
Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das 
partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de prová-las. 
Art. 220. A anuência ou a autorização de outrem, necessária à validade de um ato, provar-se-á do mesmo 
modo que este, e constará, sempre que se possa, do próprio instrumento. 
Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição 
e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, 
bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. 
Parágrafo único. A prova do instrumento particular pode suprir-se pelas outras de caráter legal. 
Art. 222. O telegrama, quando lhe for contestada a autenticidade, faz prova mediante conferência com o 
original assinado. 
Art. 223. A cópia fotográfica de documento, conferida por tabelião de notas, valerá como prova de 
declaração da vontade, mas, impugnada sua autenticidade, deverá ser exibido o original. 
Parágrafo único. A prova não supre a ausência do título de crédito, ou do original, nos casos em que a lei 
ou as circunstâncias condicionarem o exercício do direito à sua exibição. 
Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos 
legais no País. 
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Art. 225. As reproduções fotográficas, cinematográficas, os registros fonográficos e, em geral, quaisquer 
outras reproduções mecânicas ou eletrônicas de fatos ou de coisas fazem prova plena destes, se a parte, 
contra quem forem exibidos, não lhes impugnar a exatidão. 
Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em 
seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. 
Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura 
pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da 
falsidade ou inexatidão dos lançamentos. 
Parágrafo único. Qualquer que seja o valor do negócio jurídico, a prova testemunhal é admissível como 
subsidiária ou complementar da prova por escrito. 
Art. 228. Não podem ser admitidos como testemunhas: 
I - os menores de dezesseis anos; 
IV - o interessado no litígio, o amigo íntimo ou o inimigo capital das partes; 
V - os cônjuges, os ascendentes, os descendentes e os colaterais, até o terceiro grau de alguma das partes, 
por consanguinidade, ou afinidade. 
§ 1 o Para a prova de fatos que só elas conheçam, pode o juiz admitir o depoimento das pessoas a que se 
refere este artigo. 
§ 2 o A pessoa com deficiência poderá testemunhar em igualdade de condições com as demais pessoas, 
sendo-lhe assegurados todos os recursos de tecnologia assistiva. 
Art. 231. Aquele que se nega a submeter-se a exame médico necessário não poderá aproveitar-se de sua 
recusa. 
Art. 232. A recusa à perícia médica ordenada pelo juiz poderá suprir a prova que se pretendia obter com o 
exame. 
 
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QUESTÕES COMENTADAS 
Prova (Art. 212 Ao 232) 
FCC 
1. (FCC/CL-DF – 2018) Dentre as teorias que se propõem a lidar com as contradições entre o caráter 
universal dos direitos humanos e as exigências de respeito ao multiculturalismo, é correto mencionar a: 
a) hermenêutica diatópica de Boaventura Santos. 
b) comunicação não-violenta de Marshall Rosenberg. 
c) racionalidade intercultural de Herrera Flores. 
d) universalização progressiva, de Jurgen Habermas. 
e) antropologia simbólica de Clifford Geertz. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. A hermenêutica diatópica proposta por Boaventura 
de Sousa Santos prevê o diálogo entre as nações, tendo em vista o multiculturalismo, para a aplicação dos 
Direitos Humanos. Assim, entende o autor que os direitos humanos apenas podem se desenvolver em 
ambientes multiculturais, uma vez que o universalismo é falso. 
A alternativa B está incorreta. A comunicação não-violenta de Marshall Rosenberg diz respeito a uma 
proposta voltada para transformar potenciais conflitos de comunicação em diálogos pacíficos e empáticos. 
A alternativa

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