APOSTILA D. PENAL II -TEORIA DA PENA- PRESCRIÇÃO- CURRIC. 312- 2013 - ESTA (1)

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de seu recurso.


            COMO ENCONTRAR O PRAZO PRESCRICIONAL RETROATIVO:
  

1- observar a pena concretizada na sentença condenatória;

2- verificar qual é o prazo prescricional correspondente no artigo 109 do CP;

3- analisar a existência de causa modificadora  do lapso prescricional, cuja única possibilidade é a do art. 115 do CP.


Sobre a prescrição retroativa, pode-se apontar as seguintes conclusões:
 

1- o prazo retroativo é considerado entre a data do recebimento da denúncia e a da publicação da sentença, (conta para trás) sendo vedada a contagem entre a data do delito e o recebimento da denúncia;

2- o recurso da acusação, que visa a agravação da pena, impede a prescrição retroativa, seja do MP, do querelante ou do assistente, desde que provido de modo a alterar o prazo prescricional;

3- a prescrição retroativa atinge a pretensão punitiva do Estado, rescindindo a sentença condenatória e seus efeitos principais;


Exemplo 1: Pedro foi condenado à pena um ano de reclusão  pela prática do crime de lesão corporal grave – art. 129, § 1º, III  do CP, fato ocorrido no dia 10/09/2001. A denúncia foi recebida no dia 10 de janeiro de 2002, tramitando o processo normalmente, sendo que a sentença condenatória fora publicada no dia 15 de janeiro de 2007. 
A sentença condenatória transitou em julgado para a acusação.  Analise o caso concreto quanto à prescrição. 

  

Resposta: 1- o crime no caso concreto prescreve em 4 anos, nos termos do art. 109, V do CP; 

2- entre a data da publicação da sentença recorrível (15 de janeiro de 2007) e a data do recebimento da denúncia (10 de janeiro de 2002), ocorreu a prescrição retroativa, haja vista que decorreu prazo superior a 4 anos;

3- Entre a data do recebimento da denúncia (15 de janeiro de 2002) e a data do fato (10 de setembro de 2001), não ocorreu prescrição, pois não decorreu prazo superior a 12 anos.

Portanto, quando o juiz sentenciou o acusado, o crime já estava prescrito, contado da data do recebimento da sentença, ocorrendo a prescrição da pretensão punitiva retroativa.


Exemplo 2: Trancoso praticou lesão corporal simples (art. 129, caput do CP) na data de 02/01/2000. Foi denunciado pelo mesmo crime, tendo o juiz recebido a denúncia em 04/04/2000. Houve o julgamento do crime, sendo o o réu condenado a 3 meses de detenção. A sentença fora publicada em 10/05/2002 e a sentença transitou em julgado para a acusação.

Analise a questão prescricional do fato.






Assim, a extinção da punibilidade ocorreu 2 anos depois do recebimento da denúncia, valei dizer, em 3/04/2002. Portanto, a sentença não poderá gerar efeitos legais por que fora publicada fora do prazo prescricional, isto é, o juiz deveria ter publicado a sentença até a data de 02/04/02. Como ela fora publicada no dia 10/05/02, está fora do prazo prescricional, aplicando-se, neste caso, a chamada prescrição da pretensão retroativa, nos termos do art. 110, § 2ª do CP.

Inicialmente, entre o RD e a PSC, o prazo prescricional era regido pela prescrição punitiva abstrata, porém, depois que houve a aplicação da pena, e havendo o trânsito em julgado da sentença para a acusação, passou a ser regido pela pena concretizada na sentença, que foi de 3 meses.


OBSERVAÇÃO: na prescrição da punição retroativa, considera-se o prazo da data da publicação da sentença condenatória para trás, até a data do recebimento da denúncia ou da queixa-crime; ou ainda, pode-se considerar do recebimento da denúncia e a consumação do crime.



3- PRESCRIÇÃO  DA PRETENSÃO PUNITIVA  SUPERVENIENTE À SENTENÇA OU INTERCORRENTE – art. 110, § 1º do CP.


É aquela calculada com base na pena concretizada  na  sentença condenatória, tendo como marco inicial de contagem de tempo a publicação da sentença  penal- art. 110, § 1º do CP.
O prazo da prescrição intercorrente começa a correr a partir da data da publicação da sentença condenatória, até o trânsito em julgado para a acusação e defesa.

Chama-se intercorrente porque o tempo corre junto no aguardo do trânsito em julgado da sentença para a defesa ou no improvimento do seu recurso.

Também chamada de prescrição subseqüente, por que é analisada “após” a sentença condenatória recorrível para a “frente”.


                                               PRESSUPOSTOS


a- Não ocorrência de prescrição abstrata e retroativa;

b- existência de sentença penal condenatória;

c-  trânsito em julgado para acusação ou improvimento de seu recurso.


Como encontrar o prazo prescricional intercorrente:


1- Ver a pena concretizada na sentença condenatória;

2- Verificar o prazo prescricional correspondente no art. 109 do CP;

3- Analisar a existência de causa modificadora do lapso prescricional (art. 115 do CP).


O artigo 110, §1º do CP, dispõe de uma modalidade de contagem do prazo da prescrição da pretensão punitiva, na espécie superveniente a sentença condenatória. Dessa forma, mesmo que tenha havido uma sentença condenatória, que pela regra geral se utilizaria a pena imposta pelo juiz na sentença, aplicar-se-á a  pena máxima em abstrato cominado no tipo penal. A prescrição intercorrente ocorrerá enquanto não houver transitado em julgado a sentença para a acusação, isto é, o recurso impeditivo do princípio prescricional é o apelo da acusação que visa à agravação da pena privativa de liberdade aplicada pelo juiz. Enquanto não houver a decisão do recurso da acusação, correrá o prazo prescricional da pena máxima em abstrato.


Exemplo 1: Carlos, funcionário público, foi condenado a pena de 3 meses de detenção pela prática do crime de corrupção passiva – art. 317, § 2º do CP. A sentença foi publicada no dia 2 de janeiro de 2004 e o MP não recorreu da decisão, transitando em julgado para a acusação.   O réu foi intimado para tomar ciência da sentença em 10/12/2006.
Pergunta-se: houve prescrição do  crime e quanto tal ocorrerá ?







Resposta:pena: 3 meses de detenção,  que de acordo com a tabela de art. 109 prescreve em 3 anos. Portanto, o Estado deverá intimar o réu para tomar ciência da decisão até a data de 1/01/2006, data limite para o trânsito em julgado da sentença.
Como o Estado somente deu ciência ao réu da decisão em 10/12/2007, já havia ocorrido a prescrição, não podendo o Estado aplicar a punição ao condenado.

Exemplo 2: Tiara, com 20 anos de idade na data do crime, foi condenada à pena de um ano e seis meses de reclusão pela prática do crime de furto – art. 155, caput do CP. A sentença foi publicada no dia 10 de maio de 2003, e o MP não recorreu da decisão,  transitando em julgado para a acusação. A defesa recorreu da decisão, e  O estado, por inércia, demorou mais de 2 anos para intimar a ré para tomar ciência da sentença condenatória, pois somente o fez na data de 22 de maio de 2005. Pergunta-se: houve prescrição no caso? Por que?
	







Resposta: A pena de 1 ano e 6 meses prescreve em 4 anos – art. 109, inciso V; se a ré é menor de 21 anos à data do fato, a prescrição se dará reduzida da metade – art. 115 do CP, vale dizer, em 2 anos. Se a sentença foi publicada no dia 10 de maio de 2003, e não houve recurso do MP, a prescrição se dará no dia 9/05/05.

Portanto, se o Estado não intimou a ré para tomar ciência da sentença até a data de  8 de maio de 2005 e o fez somente em 22 de maio de 2005, o crime já estava prescrito e o juiz teria que ter declarado tal fato de ofício.



                          PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA


O decurso do tempo sem o exercício da pretensão executória faz com que o Estado perca o direito de executar a sanção imposta ao condenado.

Ocorre somente após o trânsito em julgado da sentença condenatória, regulando-se pela pena concretizada na sentença condenatória (art. 110, caput do CP), e verificando-se nos mesmos prazos fixados no art.109.

Com o trânsito em julgado da sentença condenatória, o direito de punir concreto do Estado se transforma em ius executionis. O estado adquire o poder-dever de impor concretamente a sanção imposta ao autor da infração penal pelo Poder Judiciário. Com o decurso do tempo o Estado perde esse poder-dever,
DANIELLE LINDLOPES fez um comentário
  • OK!!! BUENOS HO TRABAHO' BIEM BIEM BIEM##
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    anrdeia torres fez um comentário
  • excelente trabalho
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