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Doença de Chagas – Resumo Completo 
Definição 
A Doença de Chagas, também chamada Tripanossomíase americana, é uma 
antropozoonose causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Possui alta prevalência em 
regiões da América Latina e é responsável por significativa morbimortalidade. É uma 
doença bifásica: com uma fase aguda e uma fase crônica, podendo ser assintomática, 
cardíaca, digestiva ou mista (cardiodigestiva). 
 
Agente Etiológico 
● Protozoário flagelado: Trypanosoma cruzi 
 
● Ciclo de vida heteroxênico (envolve dois hospedeiros) 
 
● Formas evolutivas: 
 
○ Amastigota (tecidual) 
 
○ Epimastigota (vetor) 
 
○ Tripomastigota (sanguínea, infectante) 
 
Descoberta 
● Descoberta por Carlos Chagas entre 1907 e 1909, ao encontrar o protozoário no 
sangue de uma criança (Berenice) e em insetos hematófagos. 
 
● Considerada a única doença onde o agente, vetor, hospedeiro e manifestações 
clínicas foram descobertos por um único pesquisador. 
 
Vetor 
● Insetos da subfamília Triatominae, conhecidos como: 
 
○ Barbeiro 
 
○ Chupança 
 
○ Bicudo 
 
● Espécie principal: Triatoma infestans 
 
● Ciclo de vida: ovo → ninfa → adulto (todos hematófagos) 
 
● Vivem em frestas de casas mal construídas, palhas, galinheiros e depósitos. 
 
Ciclo Biológico 
● Hospedeiro invertebrado (barbeiro): ingere tripomastigotas → no intestino, 
transformam-se em epimastigotas → multiplicam-se → tornam-se tripomastigotas 
metacíclicos. 
 
● Hospedeiro vertebrado (mamíferos, inclusive humanos): é infectado quando fezes do 
barbeiro contaminam feridas ou mucosas. 
 
Mecanismos de Transmissão 
● Vetorial (principal): fezes do barbeiro entram por mucosas ou lesões. 
 
● Sanguínea: transfusões, compartilhamento de seringas. 
 
● Oral: ingestão de alimentos contaminados (ex: caldo de cana). 
 
● Congênita: da mãe para o feto. 
 
● Acidentes laboratoriais. 
 
● Transplantes de órgãos contaminados. 
 
 
Períodos 
● Incubação: 
 
○ Vetorial: 4 a 15 dias 
 
○ Oral: 3 a 22 dias 
 
○ Transfusional: 30 a 40 dias 
 
● Transmissibilidade: o parasita pode permanecer nos tecidos por toda a vida. 
 
● Suscetibilidade: universal, anticorpos não garantem proteção futura. 
 
Fases Clínicas 
Fase Aguda 
● Duração: até 12 semanas 
 
● Sintomas gerais: febre, mal-estar, cefaleia, vômitos, linfonodomegalia. 
 
● Sintomas específicos: miocardite, hepatomegalia, esplenomegalia. 
 
● Sinais clássicos: 
 
○ Sinal de Romaña: edema palpebral unilateral. 
 
○ Chagoma de inoculação: lesão inflamatória local. 
 
Fase Crônica 
● Indeterminada: paciente assintomático, sem alterações clínicas, mas sorologia 
positiva. 
 
● Cardíaca: 
 
○ Miocardiopatia chagásica dilatada 
 
○ Insuficiência cardíaca congestiva 
 
○ Arritmias e bloqueios 
 
○ Cardiomegalia 
 
● Digestiva: 
 
○ Megaesôfago: disfagia, regurgitação. 
 
○ Megacólon: constipação crônica, distensão abdominal. 
 
● Forma mista (cardiodigestiva): presença de alterações em ambos os sistemas. 
 
Diagnóstico 
Clínico 
● Fase aguda: febre + sinal de entrada + hepatoesplenomegalia. 
 
● Fase crônica: alterações cardíacas e/ou digestivas compatíveis. 
 
Laboratorial 
● Fase aguda: exames parasitológicos diretos (gota espessa, Strout). 
 
● Fase crônica: sorologia (detecção de anticorpos IgG/IgM). 
 
● Reativação (imunodeprimidos): parasita pode reaparecer no sangue e líquor. 
 
Tratamento 
Específico: 
● 1ª escolha: Benznidazol 
 
● 2ª escolha: Nifurtimox 
 
● Indicado em fase aguda, reativação e casos selecionados da fase crônica. 
 
Suporte: 
● Cuidados dietéticos, repouso, restrição hídrica/sódica em pacientes com ICC. 
 
● Proibição de álcool durante o tratamento. 
 
Cura e Monitoramento 
● Critério sorológico: dois testes IgG negativos com 12 meses de intervalo após 5 
anos de seguimento. 
 
● Não há critério clínico absoluto de cura. 
 
● Exames anuais são recomendados. 
 
Notificação 
● Casos suspeitos devem ser notificados imediatamente. 
 
● Inclui transmissão vertical, surtos por via oral e transmissão laboratorial. 
 
● Usar o sistema SINAN (e SINAN-DTA para surtos). 
 
Prevenção e Controle 
Ações de Saúde Pública: 
● Controle do vetor: dedetização, melhorias habitacionais. 
 
● Inspeção alimentar: vigilância de alimentos artesanais. 
 
● Educação em saúde: orientações a populações de risco. 
 
Medidas individuais: 
● Manter quintais limpos, longe de entulhos e animais. 
 
● Vedar frestas de paredes e telhados. 
 
● Uso de mosquiteiros, roupas protetoras e repelentes. 
 
● Nunca esmagar barbeiros — capturar com cuidado e encaminhar às autoridades de 
saúde. 
 
 
	Doença de Chagas – Resumo Completo 
	Definição 
	Agente Etiológico 
	Descoberta 
	Vetor 
	Ciclo Biológico 
	Mecanismos de Transmissão 
	Períodos 
	Fases Clínicas 
	Fase Aguda 
	Fase Crônica 
	Diagnóstico 
	Clínico 
	Laboratorial 
	Tratamento 
	Específico: 
	Suporte: 
	Cura e Monitoramento 
	Notificação 
	Prevenção e Controle 
	Ações de Saúde Pública: 
	Medidas individuais:

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