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TÉCNICAS PROJETIVAS 
REVISÃO PARA NP1 
 
1) CIENTIFICIDADE DOS MÉTODOS PROJETIVOS 
A abordagem compreensiva dos indivíduos é o grande 
unificador dos indicadores dos métodos projetivos de avaliação 
psicológica. No entanto, o uso inadequado e abusivo desse 
instrumental, atribuindo-lhe “poderes técnicos” inexistentes, criou 
dificuldades para a cientificidade de várias ações profissionais dele 
derivadas. Assim, ao final dos anos 1990 e 2000, emergiram esforços 
no sentido de resgatar sua cientificidade, propondo-se a revisão de 
sua denominação para “métodos expressivos”. Todavia, esse 
movimento provocou reações contrárias à expressão, tendo em vista 
o risco de eventuais confusões conceituais. 
A controvérsia para uso do termo “expressivo” envolve a 
questão da ênfase na resposta ou na integralidade do procedimento. 
A expressão “teste expressivo” coloca em foco o comportamento e o 
estilo da resposta do sujeito. Ou seja, trata da forma como a resposta 
é dada, envolvendo um conjunto específico de instrumentos, cujos 
pressupostos teóricos e interpretativos diferem substancialmente dos 
projetivos. 
A projeção vai estar relacionada ao conteúdo da resposta, 
enquanto a expressão se relaciona com a forma como essa resposta 
é dada, como o tamanho, a pressão do lápis, a posição do papel, a 
orientação. Os testes projetivos avaliam de modo complementar a 
expressão e, por essa razão, não podem ser considerados somente 
expressivos. 
Há novos desafios na substituição da terminologia “método 
projetivo” por “método de desempenho”. Historicamente, o termo 
desempenho encontra-se associado a uma perspectiva cognitivista 
do funcionamento humano, o que poderia limitar a riqueza clássica 
dos “métodos projetivos”. 
Em resumo: 
• Método projetivo: 
o Abordagem compreensiva dos indivíduos 
o Relacionado ao conteúdo da resposta 
o Avalia a expressão de forma complementar 
• Método expressivo: 
o Ênfase na resposta ou na integralidade do procedimento 
o Relacionado com a forma como a resposta é dada 
o Foco no comportamento e no estilo da resposta 
• Método de desempenho 
o Associado a perspectiva cognitivista 
A compreensão do funcionamento psíquico vai além do 
comportamento e do desempenho humano, envolvendo 
autopercepção, afetos e relacionamento interpessoal, entre outras 
variáveis. 
 
2) PROCEDIMENTO DE APLICAÇÃO DO CAT 
• Estabelecer um bom rapport – evitar provocar ansiedades 
• Indicado para ser aplicado no final do procedimento 
psicodiagnóstico 
• Instrução: “este é um jogo de histórias. São 10 figuras ao todo. 
Eu vou mostrar uma figura por vez, e você deve tentar criar uma 
história de faz de conta para ela. Diga o que está acontecendo 
na figura, o que vai acontecer depois e como termina a história. 
Ou você pode dizer o que acha que aconteceu antes; em 
seguida o que está acontecendo na figura e depois qual é o fim 
da história. O que interessa é você inventar uma história com 
começo, meio e fim, da sua própria imaginação. Muito bem, 
esta é a primeira figura.” 
• Manter atitude de interesse diante do que a criança narra 
• Encorajar a criança a narrar histórias – sem induzir a resposta. 
• Se a criança só descrever a figura, pode-se perguntar: “o que 
aconteceu antes disso?” ou “o que aconteceu depois disso?” 
• Apresentar uma prancha de cada vez, e manter as demais fora 
do alcance da visão da criança. 
• Anotar todos os comentários, gestos, expressões faciais e 
posturas durante os relatos. 
• Pode-se aplicar um inquérito para esclarecer narrativas 
confusas ou incompletas, logo após a narração. 
• Utilizar perguntas abertas, não sugerir respostas 
• Anotar todo o relato, exatamente com as palavras da criança, 
e também as interferências do aplicador que provocaram 
associações. 
3) FOLHA DE PROCEDIMENTO – CAT 
• Para aplicação e posterior correção do teste há um protocolo 
de registro e análise de Bellak, comum para os testes de 
apercepção 
• Esta folha contem os campos para anotar os dados do 
avaliando, além de uma sequência de tópicos para registrar 
elementos como: 
o Tema principal 
o Herói principal 
o Principais necessidades e impulsos do herói 
o Concepção do ambiente (mundo) 
o Conflitos significativos 
o Natureza das ansiedades 
o Principais defesas, conflitos e medos 
o Etc. 
o Tem também espaço para registrar as narrativas da 
criança para cada prancha. 
4) CORREÇAO DO CAT 
A correção se dá por meio da análise de conteúdo: 
• Tema principal 
o Prancha 1: rivalidade fraterna – oralidade; inibição 
o Prancha 2: agressividade – brincadeira 
o Prancha 3: autoridade – paterna, masculina 
o Prancha 4: rivalidade fraterna – relação maternal 
o Prancha 5: manipulação / preocupação / relações 
primarias 
o Prancha 6: complementação da 5 – maturação, ciúmes 
o Prancha 7: medo da agressividade e como lida – ataques 
e fugas 
o Prancha 8: constelação familiar – papeis 
desempenhados, repreensão 
o Prancha 9: medo do escuro – abandono – curiosidade 
o Prancha 10: crime – castigo – concepções morais – 
controle esfincteriano. 
• Herói: o personagem com quem o sujeito mais se identifica, a 
figura em torno da qual a história se desenvolve. Costuma ser 
semelhante a ele, em sexo e idade. 
• Necessidades e motivações 
• Concepção do ambiente: positiva ou negativa 
• Figuras vistas 
• Conflitos significativos 
• Natureza das ansiedades 
• Principais defesas 
• Adequação do superego 
• Integração do ego. 
• Para cada cartão são marcados pontos positivos ou negativos 
conforme as respostas para os seguintes itens: 
o Autoimagem – positiva ou negativa 
o Relações objetais – positivas ou negativas 
o Concepção do ambiente – positiva ou negativa 
o Necessidades e conflitos – expressos em discursos 
organizados ou não. 
o Ansiedades – mobilizam solução de problemas e 
crescimento ou envolvem medo de perda de amor, 
desaprovação, abandono, falta de apoio. 
o Mecanismos de defesa – habilidades ou inadequações / 
adaptativos ou fóbicos, imaturos, desorganizados. 
o Superego – adequado ou rígido/frágil 
o Integração do ego – autopercepção positiva ou negativa 
 
5) CONCEPCAO DE AMBIENTE (MUNDO) E SUPEREGO 
• Concepção de ambiente é um conceito complexo, que pode 
envolver percepções inconscientes e distorções aperceptivas 
pela memória. Em geral, duas ou três descrições de termos, 
como hostilidade e perigo, são suficientes para denotar reações 
costumeiras diante do ambiente. 
• Superego: a severidade do superego pode ser avaliada pela 
punição, comparada coma a natureza da defesa. A 
desproporção do castigo, em relação à transgressão, reflete a 
severidade do superego. Se o superego se mostra severo 
diante de certas condições e, em outras, a sua pressão é leve, 
displicente, este dado remete-nos à dificuldades de 
relacionamento com os demais. 
6) FUNDAMENTOS DO CAT 
• FUNDAMENTAÇAO TEÓRICA 
O CAT foi desenvolvido em 1949, por Leopold Bellak e 
Sonya Sorel Bellak. Trata-se de um método projetivo temático 
que tem como objetivo revelar a estrutura de personalidade da 
criança e sua maneira de reagir e lidar com as questões do 
crescimento. Os estímulos apresentam figuras de animais, 
partindo do pressuposto de que as crianças se identificam mais 
prontamente com personagens animais do que com pessoas, 
como apresentados nos estímulos do Teste de Apercepção 
Temática – TAT, de Henry Murray (1935). 
O CAT é indicado para crianças de 5 a 10 anos, havendo 
possibilidade de aplicação a partir dos 3 anos. O método se 
fundamenta no estudo da significância dinâmica das diferenças 
individuais na percepção de estímulos padronizados. Os 
estímulos permitem avaliar a relação da criança com figuras e 
impulsos importantes e significativos do cotidiano. As figuras 
eliciam respostas a problemas de alimentação, rivalidades, 
atitude de figuras parentais, complexo de édipo, agressividade, 
aceitação, fobias, sexualidade, autocontrole. O objetivo do 
teste é conhecer a estrutura, as defesas e o modo dinâmico da 
criança de reagir e enfrentar os problemasdo crescimento. A 
análise do comportamento aperceptivo considera o que a 
pessoa vê e sente. 
• PRESSUPOSTO 
o A identificação das crianças com animais seria muito 
mais imediata do que com pessoas 
• HISTÓRIA 
o 1948: Conversa de Leopold Bellak com o psicanalista e 
historiador da arte, Ernst Kris: O TAT não atendia 
integralmente às necessidades da prática com crianças 
pequenas, dado que muitas das situações presentes não 
eram relevantes em termos de conflitos do crescimento. 
o Leopold Bellak e Sonya Bellak dedicaram um ano à 
definição das situações fundamentais da infância que 
potencialmente poderiam revelar a elaboração dinâmica 
dos problemas de uma criança a partir do material 
manifesto disponível e à criação de imagens relacionadas 
a funções vitais para essa faixa etária. 
o Violet La Mont elaborou 18 figuras. 
o O material foi encaminhado para vários psicólogos que 
trabalhavam com crianças. 
o 8 figuras foram descartadas 
o As 10 figuras restantes constituem o conjunto usado até 
hoje. 
 
 
Qual a diferença entre técnica e método? 
Método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais 
que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo 
de produzir conhecimentos válidos e verdadeiros, traçando o 
caminho a ser seguido. Pode-se definir o método, ainda, como o 
conjunto de ações ordenadas, que tem por objetivo alcançar 
determinado fim. 
Técnica é um procedimento específico, passo-a-passo, para se 
alcançar um objetivo determinado. Um método pode conter várias 
técnicas. 
 
No campo da avaliação psicológica o que representa a 
expressão “métodos projetivos”? 
 A expressão “métodos projetivos” representa um conjunto de 
tarefas ou atividades que partem de estímulos ou de instruções 
pouco estruturados ou parcialmente definidos, que abrem espaço 
para que o indivíduo elabore respostas de acordo com seus recursos 
psicológicos (ou mentais), principalmente a partir de seu modo típico 
de pensar e funcionar. 
 
Qual a definição de personalidade para L. Frank? Explicite os 
detalhes sobre a ideia de campo dinâmico. 
 Frank começou definindo personalidade como interação de 
fatores biológicos e culturais. De forma mais ampla ele definiu a 
personalidade como um processo dinâmico de organização da 
experiência, de acordo com um mundo privado único. Dentro dessa 
definição Frank descreveu a ideia de campo dinâmico como 
resultante da interação de padrões individuais com determinada 
situação, de modo que a personalidade distorce a situação até onde 
esta [a situação] permite, com base nas configurações de seu mundo 
interno, porém tendo que se adaptar a ela [a situação] a partir do 
ponto em que ela resiste a distorções. Assim, abrangendo o conceito 
de campo dinâmico, Frank define a personalidade como o processo 
vivido num campo criado pelo indivíduo e o ambiente – um 
processo de organização da experiência e estruturação do 
espaço vivido nesse campo. 
 
Para Frank, o que significa o termo “projetar” e como isso 
poderia ser utilizado no estudo da personalidade? 
 Para Frank, projetar significa deixar uma marca, um registro 
que revela a presença de algo que não é observável diretamente, 
porque a pessoa dá, ou impõe, ao campo suas organizações e 
significados idiossincráticos. De acordo com Frank, determinadas 
condições psicológicas só poderiam ser observáveis pelo rastro 
perceptível que deixam ao se deslocarem/se projetarem no mundo 
externo a partir de determinados estímulos e tarefas, sendo esse 
fenômeno equiparado à projeção, que permitiria o acesso indireto 
aos construtos psicológicos. 
 
De acordo com Ocampo e Arzeno, por muito tempo o psicólogo 
careceu de uma identidade profissional no processo 
psicodiagnóstico. Descreva quais foram os modelos de trabalho 
e suas implicações para a identidade do psicólogo? 
• Modelo clínico 
o Objetivos: dar eficiência e objetividade ao processo, 
impedir que o vínculo afetivo atrapalhasse o trabalho. 
o Motivos: carência de identidade a respeito de seu 
trabalho dentro da saúde mental. 
o Implicações: O maior distanciamento possível do 
paciente. O profissional fica submisso. 
• Modelo psicanalítico 
o Objetivo: aproximar autenticamente do paciente. 
o Implicações: distorções e empobrecimento do processo, 
desvalorização dos instrumentos, entrevista livre 
supervalorizada, testes em segundo plano, processo 
muito longo, psicólogo contingente às condutas do 
paciente, nova crise de identidade. 
o Dificuldades: o psicodiagnóstico possui tempo limitado e 
a duração excessiva é contraproducente, há um contrato 
que prevê um número limitado de sessões, pode haver 
quebra de enquadramento. 
 
Qual a caracterização e os objetivos do processo 
psicodiagnóstico? 
• Características: 
o Papéis bem definidos: Psicólogo (avaliador) – Paciente 
(avaliado) 
o Contrato 
o Bipessoal: psicólogo – paciente/psicólogo – família 
o Duração limitada 
• Objetivos: 
o Descrever e compreender, de forma mais profunda e 
completa possível, a personalidade total do paciente ou 
do grupo familiar. 
o Explicar a dinâmica do caso, integrando-o num quadro 
global. 
o Identificar aspectos patológicos e adaptativos. 
o Formular recomendações terapêuticas. 
 
A partir da concepção de Ocampo e Arzeno, quais momentos 
podem ser caracterizados no processo psicodiagnóstico? 
• primeiro contato e entrevista inicial 
• testes e técnicas projetivas 
• devolutiva ao paciente e/ou aos pais 
• documento escrito ao remetente.