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Análise de texto – aula 3: denotação e conotação 
 
1.Significado das palavras 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Texto 1- Verbete “flor” 
 
2. Flor sf 
1 Bot Órgão reprodutor das angiospermas, de estrutura complexa que, quando completa, é constituída por um ou mais pistilos e 
estames, corola (coletivamente, todas as pétalas) e cálice (coletivamente, todas as sépalas): “O gentleman falou de Botânica a 
propósito de uma dália vermelha que havia no ramo. Afiançou que esta flor possuía em si tantas outras flores quantas eram as pétalas 
de que constava” (AA2). 
2 por ext Qualquer planta ornamental cultivada em razão de suas flores: Recebi flores dos meus alunos pelo meu aniversário. 
3 fig Tudo aquilo que se entende como mais belo, mais distinto, mais limpo ou mais nobre de um conjunto ou de uma coletividade; 
elite, nata: “Pois se até o ilustre Sr. Lambertosa, ‘o respeitável gentleman, a flor dos homens finos, uma criatura tão cheia de 
circunspeção’, quem diria? … aproveitar ao ensejo das bexigas para lhe passar a perna!” (AA2). 
4 fig O melhor em qualidade ou aspecto; a mais bonita, a melhor parte de: O pomar era a flor de sua fazenda. 
5 fig A parte mais apurada de uma substância qualquer: Eu só uso a flor do azeite de dendê. 
6 fig Coisa ou pessoa que se sobressai (em geral por ser a mais bela, agradável, gentil etc.): Minha avó era uma flor de pessoa. 
7 fig Período de maior vigor, saúde, brilho ou beleza; a primavera da vida, a juventude, o desabrochar da vida: Ela casou na flor da 
mocidade. 
8 fig Pessoa doce, amável e delicada, de bons sentimentos: Ela é amável, estudiosa, uma verdadeira flor. 
9 fig Ausência de dificuldades, reveses, hostilidades etc.; bem-aventurança, júbilo, prazer: Tudo são flores quando se tem muito 
dinheiro. 
(...) EXPRESSÕES 
Flor anômala, Bot: aquela que não apresenta simetria completa, em razão do desenvolvimento excessivo de algumas partes e/ou 
atrofia de outras. 
Flor da idade, fig: anos de mocidade, de juventude; flor dos anos. 
Flor de enxofre: enxofre sublimado ou reduzido a pó, usado na sulfatagem das vinhas; purificado por lavagem, 
Flor dos anos, fig: V flor da idade. 
Flores de retórica: recursos de linguagem que conferem elegância e beleza ao estilo; elegâncias da frase, belezas oratórias. 
Flor noturna: aquela que desabrocha ao cair da noite e só à noite se mantém aberta. 
Em flor: muito jovem; em plena mocidade; novo. 
Fina flor: a) grupo de pessoas que se destacam em um campo ou atividade: Estava presente a fina flor do cinema brasileiro; b) a camada 
social mais abastada; elite: Essa família pertence à fina flor da sociedade. 
Não ser flor de se cheirar: não ser honesto, correto; não ser digno de confiança, não ser flor que se cheire. 
Não ser flor que se cheire: V não ser flor de se cheirar. 
(...) 
(Fonte: Michaelis online) 
 
 
Texto 2: A noite dissolve os homens 
 
A noite desceu. Que noite! 
Já não enxergo meus irmãos. 
E nem tão pouco os rumores 
que outrora me perturbavam. 
A noite desceu. Nas casas, 
nas ruas onde se combate, 
nos campos desfalecidos, 
a noite espalhou o medo 
e a total incompreensão. 
A noite caiu. Tremenda, 
sem esperança… Os suspiros 
acusam a presença negra 
que paralisa os guerreiros. 
E o amor não abre caminho 
na noite. A noite é mortal, 
completa, sem reticências, 
a noite dissolve os homens, 
diz que é inútil sofrer, 
a noite dissolve as pátrias, 
apagou os almirantes 
cintilantes! nas suas fardas. 
A noite anoiteceu tudo… 
O mundo não tem remédio… 
Os suicidas tinham razão. 
 
 
Aurora, 
entretanto eu te diviso, ainda tímida, 
inexperiente das luzes que vais acender 
e dos bens que repartirás com todos os homens. 
Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações, 
adivinho-te que sobes, vapor róseo, expulsando a treva 
noturna. 
O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus 
dedos, 
teus dedos frios, que ainda se não modelaram 
mas que avançam na escuridão como um sinal verde e 
peremptório. 
Minha fadiga encontrará em ti o seu termo, 
minha carne estremece na certeza de tua vinda. 
O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes se 
enlaçam, 
os corpos hirtos adquirem uma fluidez, 
uma inocência, um perdão simples e macio… 
Havemos de amanhecer. O mundo 
se tinge com as tintas da antemanhã 
e o sangue que escorre é doce, de tão necessário 
para colorir tuas pálidas faces, aurora. 
 
(Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo, 1940) 
 
 
2. Linguagem figurada e argumentação: as figuras retóricas 
 
As figuras retóricas são recursos linguísticos utilizados especialmente a serviço da persuasão. Se 
dissermos, por exemplo, que uma criança precisa apenas brincar e não aprender a ler aos três anos de idade, 
contrariamente a algumas teorias recentes, estaremos simplesmente enunciando uma tese, tendo por objetivo 
convencer alguém, falando à sua razão. Se dissermos, entretanto, que uma criança precisa aprender a ler aos 
três anos, tanto quanto um peixe precisa aprender a andar de bicicleta, isso já tem um efeito persuasivo, pois 
confronta a ideia absurda de um peixe andar de bicicleta, com a ideia de uma criança aprender a ler aos três 
anos. As figuras retóricas possuem um poder persuasivo subliminar, ativando nosso sistema límbico, região do 
cérebro responsável pelas emoções. Elas funcionam como cenas de um filme, criando atmosferas de suspense, 
humor, encantamento, a serviço dos nossos argumentos. É preciso distinguir as figuras retóricas, que têm um 
caráter funcional, das figuras estilísticas, cujo objetivo é causar a emoção estética. Quando Guimarães Rosa 
diz, no contexto de Grande Sertão - Veredas, que ”Viver é um descuido prosseguido”, ou que ”Mocidade é 
tarefa para mais tarde se desmentir”, ou ainda que ”Toda saudade é uma espécie de velhice”, ele não está 
preocupado em persuadir ninguém, mas apenas dando forma à ”sabedoria” da personagem Riobaldo. 
(Abreu, “A Arte de Argumentar”) 
 
 
2.1 Figuras de linguagem: metáfora 
 
Texto 3: É a vaidade...rosa, planta, nau 
É a vaidade, Fábio, nesta vida, 
Rosa, que da manhã lisonjeada, 
Púrpuras mil, com ambição dourada, 
Airosa rompe, arrasta presumida. 
 
É planta, que de abril favorecida, 
Por mares de soberba desatada, 
Florida galeota empavesada, 
Sulca ufana, navega destemida. 
 
É nau enfim, que em breve ligeireza 
Com presunção de Fênix generosa, 
Galhardias apresta, alentos preza: 
 
Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa 
De que importa, se aguarda sem defesa 
Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa? 
 
(Gregório de Matos) 
 
 
 
 
Texto 4: a imaginação é uma égua ibera 
 
A imaginação foi a companheira de toda a minha existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga 
de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo. Creio haver lido em Tácito que 
as éguas iberas concebiam pelo vento; se não foi nele, foi noutro autor antigo, que entendeu guardar essa 
crendice nos seus livros. Neste particular, a minha imaginação era uma grande égua ibera; a menor brisa lhe 
dava um potro, que saía logo cavalo de Alexandre. 
(Machado de Assis) 
 
 
 
2.1.1 Metáfora e alegoria 
 
Alegoria: 
 
 
 
Texto 5: fábula 
 
O asno e a carga de sal 
 
Um asno carregado de sal atravessava um rio. Um passo em falso e ei-lo dentro da água. O sal, então, 
derreteu, e o asno se levantou mais leve. Ficou todo feliz. Um pouco depois, estando carregado de esponja às 
margens do mesmo rio, pensou que, se caísse de novo, ficaria mais leve, e caiu, de propósito, nas águas. O 
que aconteceu? As esponjas ficaram encharcadas, e, impossibilitado de se erguer, o asno morreu afogado. 
 
Moral: algumas pessoas são vítimas de suas próprias artimanhas. 
 
 
2.1.2 Metáfora e catacrese 
 
Catacrese: 
 
 
Texto 6: Inutilidades 
 
Ninguém coça as costas da cadeira. 
Ninguém chupa a manga da camisa. 
O piano jamais abana a cauda. 
Tem asa, porém não voa, a xícara. 
De que serve o pé da mesa se não anda? 
E a boca da calça se não fala nunca?de relacionamento social. 
 
9) a) Não, ambas devem ser entendidas em sentido fi gurado, pois conotam, por similaridade, objetos 
de pouco valor. 
b) Empregada no texto como preposição, a palavra salvo significa “exceto, com exceção de”, como em: 
“Todos chegaram, exceto os noivos.” 
 
10) a) Como/Da mesma forma que/Do mesmo jeito que/Igual a (fogueira de São João) 
b) O verbo ver, neste contexto, funciona apenas para chamar a atenção do ouvinte, na tentativa de manter 
a comunicação; por isso, tem função fática e pode ser substituído por outros marcadores conversacionais, 
como olhe, né, tá, ok, entendeu, tudo bem. 
 
c) Além de rima e ritmo, a canção apre senta figuras de linguagem, como comparação (apontada na 
alternativa a), metáfora para o renascimento da vegetação (em “Quando o verde dos teus olhos / se 
espalhar na plantação”) e metonímia em “meu coração” (em que coração simboliza a amada). 
 
 
11) a) Não. O texto estabelece semelhança entre o que seria a edição “aumentada e correta” da mulher e 
a nota diplomática, pois em ambas haveria excesso de adornos enganadores. Portanto, o “exemplar 
não correto nem aumentado da edição da mulher” equivaleria à nota diplomática “desataviada” de 
seus excessos retóricos. 
 
b) No contexto, capital significa “fundamental, principal, essencial”. O pronome pessoal oblíquo lhe 
retoma a expressão “nota diplomática”, funcionando como complemento nominal de “origem” (“…dá 
origem à nota diplomática”). 
 
Obs.: como havia faltado a imagem no material eis o exercício completo: 
 
 
 
 
12) Os meios de comunicação podem contribuir para a resolução de problemas sociais, entre os quais o 
da violência sexual infantil. Nesse sentido, a propaganda usa a metáfora do pesadelo para 
(A) informar crianças vítimas de violência sexual sobre os perigos dessa prática, contribuindo para 
erradicá-la. 
(B) denunciar ocorrências de abuso sexual contra meninas, com o objetivo de colocar criminosos na 
cadeia. 
(C) dar a devida dimensão do que é abuso sexual para uma criança, enfatizando a importância da 
denúncia. 
(D) destacar que a violência sexual infantil predomina durante a noite, o que requer maior cuidado dos 
responsáveis nesse período. 
(E) chamar a atenção para o fato de o abuso infantil durante o sono, sendo confundido por algumas 
crianças com um pesadelo. 
 
R. C 
 
 
Obs.: como havia faltado a imagem no material eis o exercício completo: 
 
 
 
 
13) O argumento presente na charge consiste em uma metáfora relativa à teoria evolucionista e ao 
desenvolvimento tecnológico. Considerando o contexto apresentado, verifica-se que o impacto 
tecnológico pode ocasionar: 
a) o surgimento de um homem dependente de um novo modelo tecnológico. 
b) a mudança do homem em razão dos novos inventos que destroem sua realidade. 
c) a problemática social de grande exclusão digital a partir da interferência da máquina. 
d) a invenção de equipamentos que dificultam o trabalho do homem, em sua esfera social. 
e) o retrocesso do desenvolvimento do homem em face da criação de ferramentas como lança, máquina 
e computador. 
 
R. A 
 
14) – 
 
15) E 
 
16) E . Observe que a letra (E) é a única alternativa em que a palavra “lata” não está no seu sentido literal. 
O fato de o poeta não “determinar o conteúdo de sua lata” é justamente uma metáfora para as palavras 
que poderão ser usadas em um poema e trabalhadas de maneira imprevisível. Você pode ficar na dúvida 
com as letras C e D, mas observe que na letra (C) temos uma linguagem denotativa, pois alvo e meta 
podem ser considerados sinônimos e na letra (D) temos a expressão coloquial “não se meta”, como 
sinônimo de “não se atreva”. Portanto, em ambos os casos, temos uma linguagem denotativa. A metáfora 
está justamente na letra E 
 
17) B 
 
18) a) Trata-se do erro de concordância (sujeito-verbo) cometido pelo delegado regional em: “os 
convênios assinados traduz”. 
 
b) Em situações formais, e considerado o cargo que o enunciador ocupa — delegado regional do 
Ministério da Educação —, um erro de concordância como esse é imperdoável. Por extensão, a ironia 
atinge o Ministério da Educação: o que esperar da educação neste país, em que até um delegado do 
ministério comete erros primários desse tipo? 
 
19. E 
 
20. E. Metonímia (autores nacionais ou nacionalizados por Literatura Brasileira) e prosopopeia (o violão 
pede e deseja). 
 
21. C (veja dois últimos versos) 
 
22. A 
 
(Comentário da banca:) A alternativa correta é a a, já que a parte, o Morro da Babilônia, pode ser 
tomada, no poema, como representativa de um todo, o Rio de Janeiro, o que caracteriza o tratamento 
metonímico. Já a alternativa b não pode ser considerada correta, pois a alusão ao Rio de Janeiro não é 
feita metaforicamente, visto que o Morro da Babilônia não é tomado como a cidade, em forma de 
comparação, mas é tratado como uma parte da cidade que a representa. A alternativa c não pode ser 
considerada correta; assim seria se em vez de paronomásia fosse indicada a figura da prosopopeia, 
possível de se verificar quando se diz, por exemplo, que a descida do cavaquinho se configura como a 
“gentileza do morro”. O morro é descrito como se tivesse vida própria. Além disso, a expressão “vozes do 
morro” pode ser interpretada como as vozes que habitam o morro, ou mesmo como as vozes do próprio 
morro. A alternativa d, por sua vez, afirma haver no poema um oximoro, o que não pode ser considerado 
como verdadeiro. Apesar de haver, no percurso figurativo do poema, elementos que expressam 
contradições e ambivalências, não é possível considerar que há a construção da figura do oximoro. 
Basicamente, o oximoro implica a atribuição de uma qualidade a um objeto que é contraditória em 
relação à própria condição do objeto; trata-se, pois, de uma relação de adjetivação que, em princípio, se 
mostra incongruente do ponto de vista lógico, mas que tem efeitos de sentido dentro do texto e precisa 
estar relacionada a um mesmo termo. O exemplo clássico seria o famigerado “contentamento 
descontente” de Camões. Essa figura constitui-se a partir de uma relação de adjetivação que é 
contraditória (paradoxal) em sua natureza. Considerando-se o percurso figurativo do poema de 
Drummond, o termo “terror” está relacionado, na primeira estrofe, ao termo “vozes”, que são as que o 
criam. Na terceira estrofe, o termo “gentileza” não se refere ao termo “vozes”, mas a “cavaquinhos”: 
“Um cavaquinho (...) desce até nós, modesto e recreativo, como uma gentileza do morro”. Aqui, é claro, 
o objeto “cavaquinho” é comparado a “gentileza”. Não há, propriamente, nas duas estrofes, uma 
oposição semântica entre o atributo e o objeto, não há, portanto, a constituição da figura denominada 
oximoro. Há ambivalências, sentidos contraditórios dentro do poema como um todo, mas não há a 
utilização da figura do oximoro. Haveria oximoro se houvesse uma expressão do seguinte tipo: "o terror 
gentil do morro". Ainda que esta ideia possa ser depreendida do poema, por meio de um exercício 
hermenêutico, isso não encontra materializado linguisticamente no poema, o que não permite 
considerar a existência de tal figura. 
 
23. C 
 
24. a) Aliteração é a repetição expressiva de fonemas consonantais. Esse recurso pode ser exemplificado 
no poema por meio das expressões “prosa que dá prêmio”, “tea for two total, tilintar”, “pela pista”, 
“branco e blue”. 
 
b) O uso do modo imperativo nos verbos “enfie” e “cante” indica que os termos buscam instruir sobre 
como os poemas devem ser interpretados, destacando a intensidade da relação dos leitores com a obra. 
Já a frase “Não é automatismo” demonstra o caráter de elaboração artística do texto. Por mais que o 
caráter prosaico do poema possa parecer simplista, ele se liga a formas de expressão sofisticadas como 
o jazz ou “prosa que dá prêmio”. 
 
25) a) Na primeira estrofe, “falar de gênero” pode ser uma referência ao estudoda categoria de gênero 
das palavras da língua, ou pode ser menção aos estudos de gênero, ou seja, estudos que, entre outras 
coisas, têm a identidade de gênero e as relações entre homens e mulheres como focos de análise. Já 
“falar de coletivos” pode ser compreendido como tratar dos substantivos coletivos da língua (palavras 
que, embora no singular, indicam pluralidade de seres) ou tratar de grupos formados por pessoas que se 
reúnem em torno de objetivos comuns e trabalham juntas para realizar tais objetivos. 
 
b) Ocorre uma metonímia, uma vez que se usa o nome de um famoso estudioso de gramática (Celso 
Pedro Luft) para designar o assunto estudado pelo grupo. 
 
26. a) Na crônica, o poder do inimigo é referido na resposta à pergunta do poema de Carlos Drummond 
de Andrade: “Posso, sem armas, revoltar-me?”. A identificação desse poder conduz a um aumento do 
sentimento de impotência frente à violência denunciada. Já na charge, esse poder de vida e de morte 
está ilustrado no segundo quadro, que mostra a moça-flor sendo despedaçada por uma bala. 
 
b) Na charge, a esperança aparece nos dois últimos quadros, que mostram, respectivamente, a flor 
tornando a brotar e se multiplicando em muitas outras. No poema, Drummond fala do milagre de uma 
flor feita poesia, capaz de romper o asfalto, e trazer esperança, mesmo que pouca. 
 
27. C 
A alternativa correta é a c, única que confirma a analogia entre leitura e abertura: “abrir janelas” e 
expandir o próprio leitor. A alternativa a é incorreta porque tem como foco a formação do leitor e o 
papel político de professores e bibliotecários. A alternativa b apresenta o hábito de leitura como fator de 
difusão das obras, estando, portanto, incorreta. Por fim, definindo o ato de ler como servil, a alternativa 
d não recomenda a leitura, sendo, portanto, incorreta. 
 
28. D 
 
29. A 
 
30. D 
No poema de José Paulo Paes, há várias figuras (“Que não faz mal a ninguém”, “pacíficos, desarmados”, 
“Sem barulho, sem litígio”, “cautelosos, furtivos, / Para não acordar o povo.”) que remetem ao tema da 
astúcia, das artimanhas, da habilidade, do ardil. Esses procedimentos permitiram que os movimentos 
políticos no Brasil ocorressem sem a participação popular. O eu lírico sugere que, com a “ordem acima 
de tudo”, foi possível proclamar os “tempos novos”, sem a necessidade de “guilhotina”. 
 
31. B 
 
32. D 
 
33. A 
(branco / sabor: visão/paladar) 
 
34. – 
 
35. E 
Os dois pontos não são usados para introduzir o complemento de abro, mas sim o que se segue a esse 
ato. O complemento “tampa de metal” está expresso anteriormente e fica subetendido. 
 
36. A 
Gradação crescente ou gradação em clímax corresponde a enumeração em que os elementos que se 
sucedem vão-se tornando mais intensos quanto a algum aspecto de sua significação. Na enumeração 
constante da alternativa a, a sucessão das ações indica, a cada novo elemento, um comportamento mais 
enfático, mais forte ou intenso por parte do narrador. Assim, entende-se, do contexto da frase, que “chia 
com mais força”54) Letra b 
A questão têm uma armadilha que muitas vezes derruba o candidato. A expressão “Com todo o aparato 
de suas hordas guerreiras...” é um adjunto adverbial de concessão, ou seja, é uma oposição ao que se 
expressa no verbo. Vários elementos podem iniciar esse tipo de adjunto, entre eles, não obstante. Daí a 
resposta ser a letra b. Agora, veja a armadilha: mesmo também pode ser usada no texto, sem alteração 
de sentido. Por que, então, a resposta não pode ser a letra a? Porque a palavra mesmo não poderia 
substituir, como pede a questão, a palavra com, mas antecedê-la. Teríamos, assim: “Mesmo com todo o 
aparato de suas hordas guerreiras...” Na letra d, a locução usada é a respeito de, com valor semântico 
de assunto. Não confunda com a despeito de, que poderia substituir a preposição com no trecho. 
 
55) Letra a 
O vocábulo aparato pode ser entendido como organização de determinados atos públicos. A expressão 
hordas guerreiras significa grupos indisciplinados ou bárbaros voltados para a guerra. A resposta só 
pode ser a letra a. 
 
Texto XXIV 
56) Letra d 
A oração começada pela conjunção por isso é conclusiva e expressa uma conseqüência em relação ao 
fato de mais de 60% dos cariocas ainda se recordarem das Casas da Banha. Daí a resposta ser a letra d. 
Não poderia ser a letra c, como possa parecer, porque o texto não fala de nenhum acordo proposto à 
família Velloso, apenas cita o acordo. 
 
57) Letra c 
A resposta ao item anterior se ajusta a esta questão. A chave da compreensão é a palavra por isso. 
 
58) Letra e 
Funcionamento virtual não quer dizer sem fins lucrativos, o que invalida a letra a. A letra b poderia ser a 
resposta se a preposição utilizada fosse em, e não de: não venderão em supermercado, o que poderia 
sugerir a venda virtual. As opções c e d são facilmente descartadas; o que o trecho afirma é que as 
vendas serão feitas apenas (veja a importância da palavra) virtualmente, isto é, pelo computador, e 
não em lojas, como antigamente. 
 
59) Letra b 
Trata-se de uma questão de coesão textual, ou seja, as devidas ligações que existem entre as palavras 
ou expressões de um texto. Na palavra ressuscitá-la, o pronome la é objeto direto, a coisa ressuscitada, 
isto é, as Casas da Banha. Daquela, uma e desaparecida referem-se também às Casas da Banha. Então, 
semanticamente, estão ligadas ao pronome la. Isso não ocorre com a palavra pesquisa. 
 
Texto XXV 
60) Letra e 
O erro da primeira opção é que a GM não é empresa brasileira. A segunda está 
errada porque o texto diz que a fábrica de Gravataí será usada como piloto, ou 
seja, ainda vai acontecer. Na opção seguinte, o erro está na palavra semelhante; a 
fábrica de Gravataí não é semelhante ao que está sendo criado no mundo, ela será 
o modelo para as outras. A alternativa seguinte não tem o menor apoio no texto, 
que não fala em transformação da fábrica de Gravataí. A própria Gm é que vai se 
transformar. A última alternativa está de acordo com o texto. 
 
61) Letra c 
Dizer que “a Internet passará a nortear todos os negócios do grupo” não significa 
que os consumidores não poderão comprar em lojas. 
 
62) Letra a 
O texto nos diz que a “Internet passará a nortear todos os negócios do grupo”. 
Isso terá como partida a planta da fábrica brasileira, considerada piloto da 
transformação. Então, a resposta só pode ser a letra a. Na letra d, a palavra 
deveria ser totalmente, e não parcialmente, já que a fábrica do Rio Grande do 
Sul será o modelo para as demais espalhadas pelo mundo. 
 
62) Letra d 
Questão que dispensa comentários, pois se trata de sinonímia. Implementação é 
o mesmo que realização. 
 
63) Letra c 
O prazo estabelecido é o ano de 2000 
 
 
Texto XXVI 
 
64) Letra b 
A locução prepositiva em virtude de introduz termo com valor de causa. O relacionamento das 
conquistas com o sofrimento do povo é exatamente de causa e efeito. O povo sofreu por causa das 
conquistas, pois muita gente não voltou para casa. 
 
65) Letra d 
A metáfora existe na comparação feita entre o sal do mar e as lágrimas do povo português. Há, pois, 
uma fusão entre o mar, que simboliza as conquistas, e as lágrimas, que simbolizam o sofrimento. O 
poeta quer passar a ideia de que não haveria conquistas sem o sofrimento do povo, as duas coisas estão 
intimamente associadas. 
 
66) Letra c 
Apóstrofe é a figura que consiste em chamar, interpelar alguém ou algo. Veja, como exemplo, o 
conhecido verso de Castro Alves: “Deus, ó Deus, onde estás que não respondes?” em que o poeta está 
interpelando, chamando Deus. Epíteto de natureza é um tipo de pleonasmo: leite branco, gelo frio, pedra 
dura; isto é, por sua natureza, o leite é sempre branco, o gelo sempre frio, a pedra sempre dura. 
Sinestesia é a figura que consiste em misturar sentidos (tato, visão etc.).; por exemplo: som colorido, 
mistura de audição e visão. As outras figuras já comentamos em questões anteriores. No poema, então, 
além da metáfora, encontramos uma apóstrofe (Ó mar salgado), um epíteto de natureza (mar salgado) 
e uma metonímia na palavra Portugal, palavra usada no lugar de portugueses (troca dos habitantes pelo 
lugar). 
 
67) Letra c 
Por causa da locução em vão, a resposta parece ser a letra a. O verso quer dizer que, apesar das orações 
dos filhos, muitos pais não regressaram. Mas o sofrimento do povo como um todo não pode ser 
considerado inútil, no momento em que o país conquistou, cresceu. A resposta só pode mesmo ser a 
letra c, pois, apesar das preces, muita gente perdeu seus entes queridos. 
 
68) Letra e 
O fato de se rezar em determinados momentos de aflição não significa necessariamente fé ou 
religiosidade. Qualquer um, mesmo sem ser religioso, pode orar em certos momentos da vida. É possível, 
assim, eliminar as alternativas a e c. O povo português é, como qualquer povo, inteligente. Mas nada no 
texto faz menção a isso. Elimina-se, então, a alternativa b. Também seria inadequado considerá-lo 
ambicioso, a partir dos elementos do texto. A resposta só pode ser mesmo a letra e: o povo demonstra 
grandeza e tenacidade ao sofrer pelo progresso do país. 
 
69) Letra d 
A resposta está, bem clara, na passagem: “Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da 
dor.”; isto é, tem que vencer a dor. 
 
70) Letra a 
Nele se refere a mar. Entenda-se: é no mar que espelhou o céu.Nem sempre, o botão está em sua casa. 
O dente de alho não morde coisa alguma. 
Ah! se trotassem os cavalos do motor... 
Ah! se fosse de circo o macaco do carro... 
Então, a menina dos olhos comeria 
Até bolo esportivo e bala de revólver. 
 
(José Paulo Paes) 
 
 
 
 
2.2 A classificação das metáforas (Jensen): 
 
2.2.1. Metáforas de Restauração: partem do princípio de que algo sofreu algum tipo de avaria e há 
necessidade de reparação. São elas: metáfora médica, de roubo, de conserto e de limpeza. 
 
a. O remédio de reduzir investimento público não parece saudável nem inteligente. As dimensões da crise fiscal 
de São Paulo levaram ao surgimento de uma cultura da negação nas cabeças de seus líderes. A impressão que 
fica é de que existe um câncer em São Paulo, uma dívida cujos juros não podem ser pagos e crescem 
exponencialmente. (Folha de São Paulo) 
 
 
b. Quanto mais clara e distinta for a notícia, tanto mais invisíveis serão o jornalista e o seu olho. Por isso, ele 
não fala ”eu”. Mas desde alguns anos fui acometido de uma doença oftálmica que atacou também os olhos 
de Jorge Luís Borges. [. . .] Essa doença se chama ”poesia” (Rubem Alves) 
 
 
c. Oficialmente, a escravidão brasileira, a única remanescente nos países independentes do continente 
americano, foi abolida em 13 de maio de 1888. Claro, não seria uma lei assinada pela aristocracia que 
resolveria os problemas de quem tinha sua força de trabalho e dignidade roubadas; o ambiente vinha sendo 
moldado há cerca de 40 anos para que isso ocorresse da forma menos dolorosa possível — para os donos de 
escravos. (Eduardo Lopes) 
 
d. Na tentativa de remendar pelo menos alguns buracos na rede mundial de comunicação é que surgem 
esforços como o InfoDev (Information for Development Program ou Programa de Informação para o 
Desenvolvimento) (Folha de São Paulo) 
 
 
e. A poluição afeta o organismo, principalmente no inverno. Como não há remédio para o problema - é 
impossível varrer carros e indústrias do planeta -, o melhor é aprender a conviver com o mal. (Folha de São 
Paulo) 
 
 
2.2.2 Metáforas de Percurso: consistem em associar a resolução de problemas a uma jornada. Einstein, 
quando estava construindo a teoria da relatividade, se imaginava cavalgando um raio de luz. São as seguintes 
as metáforas de percurso: percurso em terra, no mar e metáfora de cativeiro, segundo Jensen. Mas podemos 
acrescentar também o percurso no espaço aéreo ou sideral. 
 
 
f. Apesar das vitórias, a estrada ainda será longa e tortuosa. Precisaremos de mais alguns ciclos eleitorais para 
completar a obra ciclópica de rever integralmente a Constituição. 
 
 
g. A frase “navegar é preciso; viver não é preciso”, portanto, indica uma oposição entre navegar e viver para 
concluir que o navegar é um viver como se deve viver, onde é necessário partir de um porto seguro em busca 
de uma viagem a outros portos e mesmo para retornar ao porto de origem, mas sempre sem se resignar com 
o marasmo de um subsistir meramente, um inócuo sobreviver para ver, assim, a vida passar. 
 
 
h. Para quem quer me seguir eu quero mais/Tenho o caminho do que sempre quis/E um saveiro pronto pra 
partir/Invento o cais/E sei a vez de me lançar (Milton Nascimento) 
 
 
i. Com quantos gigabytes/Se faz uma jangada um barco que veleje/veleje nesse infomar/Que aproveite a 
vazante da infomaré/Que leve um oriki do meu velho orixá/Ao porto de um disquete de um micro em Taipé/Um 
barco que veleje nesse infomar/Que aproveite a vazante da infomaré/Que leve meu e-mail até Calcutá/Depois 
de um hot-link/Num site de Helsinque, para abastecer (Gilberto Gil) 
 
 
j. Submetidos a uma servidão que se ignora a si mesma, o homem torna-se ”lacaio do instante”, ”escravo da 
manchete do dia”. Reduzido à condição de consumidor, aceita, sem resistência, a padronização da cultura 
(Olgária Matos). 
 
 
 
2.2.3 Metáforas de Unificação: dividem-se em: metáfora de parentesco, pastoral e esportiva. 
 
 
k. Que o PSDB se parece cada vez mais com o MDB, isso nem se discute. São irmãos siameses nos métodos e 
na forma de operar a política. (Folha de S. Paulo) 
 
l. Chegou a complicar-se inesperadamente o que parecia uma procissão tranquila de vitória, no Congresso, 
com a reeleição presidencial. [. . .] O governo que ora conta o rebanho não reúne mais os carneiros da primeira 
hora. (Folha de S Paulo) 
 
 
m. Faça entrar seu time com a seguinte escalação: Trancamento de Cofre, Corte de Custos e Eliminação de 
Desperdício, na defesa. Treinamento, Relacionamento Interpessoal e participação nos Lucros no meio de 
campo. Para o ataque. Vendedor Treinado, Parceria com os Clientes, Pesquisa de Mercado, Preços 
Competitivos e Pós-Vendas. Um autêntico 3-3-5, com o ataque ajudando o meio de campo. (Correio Popular) 
 
 
2.2.4 Metáforas Criativas: dividem-se em metáforas de construção, tecelagem, composição musical 
e de lavrador 
 
 
n. Toda a vida não é mais que uma união. Uma união de pedras é edifício; uma união de tábuas é navio; uma 
união de homens é exército. E sem essa união tudo perde o nome e mais o ser. O edifício sem união é uma 
ruína; o navio sem união é naufrágio; o exército sem união é despojo. (Padre Vieira) 
 
 
o. Um galo sozinho não tece uma manhã: 
ele precisará sempre de outros galos. 
De um que apanhe esse grito que ele 
e o lance a outro; de um outro galo 
que apanhe o grito de um galo antes 
e o lance a outro; e de outros galos 
que com muitos outros galos se cruzem 
os fios de sol de seus gritos de galo, 
para que a manhã, desde uma teia tênue, 
se vá tecendo, entre todos os galos. 
(João Cabral de Melo Neto) 
 
 
p. Deus é o poeta. A música é de Satanás, jovem maestro de muito futuro, que aprendeu no conservatório do 
céu. Rival de Miguel, Rafael e Gabriel, não tolerava a precedência que eles tinham na distribuição dos prêmios. 
Pode ser também que a música em demasia doce e mística daqueles outros condiscípulos fosse aborrecível ao 
seu gênio essencialmente trágico. Tramou uma rebelião que foi descoberta a tempo, e ele expulso do 
conservatório. Tudo se teria passado sem mais nada, se Deus não houvesse escrito um libreto de ópera do qual 
abrira mão, por entender que tal gênero de recreio era impróprio da sua eternidade. Satanás levou o 
manuscrito consigo para o inferno. Com o fim de mostrar que valia mais que os outros, e acaso para reconciliar-
se com o céu – compôs a partitura, e logo que a acabou foi levá-la ao Padre Eterno. (Machado de Assis) 
 
 
q. Entre os semeadores do evangelho existem aqueles que saem a semear, e existem outros que semeiam sem 
sair. Os que saem a semear são os que vão pregar na Índia, no Japão; os que semeiam sem sair são os que se 
contentam em pregar em sua pátria. Todos terão sua razão, mas, tudo tem seu preço. Aos que têm a seara em 
casa, receberão pela semeadura; os que vão buscar a seara tão longe, sua semeadura será medida e seus 
passos contados. Ah! Dia do juízo! Ah! Pregadores! Os daqui serão achados com mais paço; os de lá, [1] com 
mais passos: Saiu a semear. (Padre Vieira) 
 
 
2.2.5 Metáforas Naturais: dividem-se em metáfora de claro-escuro, de fenômenos naturais e 
biológica. 
 
r. Os primeiros resultados das vacinas contra a Covid-19 são promissores. É fundamental, então, 
mesmo quando há uma luz no fim do túnel, que as recomendações das autoridades de saúde 
continuem sendo levadas a sério; um esforço importante na luta contra o vírus. (A Tribuna) 
 
 
s. A noite caiu na minh'alma 
Fiquei triste sem querer 
Uma sombra veio vindo 
Veio vindo, me abraçou 
Era a sombra de meu bem 
(Carlos Drummond de Andrade) 
 
 
t. A tempestade perfeita atingiu a economia. Estagnação econômica por causa da pandemia se soma 
à fuga de capital estrangeiro, ao aumento dos juros da dívida pública e aos primeiros sinais de volta 
da inflação. Num cenário de incertezas profundas, o governo pensa em romper com o teto de gastospara financiar o novo programa de renda mínima (Revista Isto É) 
 
 
 
u .”Um gato comeu o rato. Quem é o culpado?”, perguntou Hitler na cervejaria Hofbauss, pouco antes 
de tomar o poder. Insisto em citar Hitler porque assim simplifico as coisas. Ele se achava um gato com 
o dever de comer os ratos que fossem surgindo em seu caminho. O primeiro rato foi a social-
democracia, o regime de Weimar. Depois, sucessivamente, a Áustria, a Tcheco-Eslováquia, a Polônia 
etc. etc. Eram ratos menores, pois o rato maior, e o mais apetitoso à sua gula, era a impureza racial. 
Substitua-se ”Hitler” por ”mercado” e continuaremos a ter a luta do gato e do rato. 
(Carlos Heitor Cony) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.3 Metáfora e argumentação: o frame 
 
 
 
 
 
Podemos escolher a metáfora de acordo com a orientação que queremos imprimir à nossa 
argumentação, uma vez que o domínio de onde a tiramos compõe uma espécie de ”célula cognitiva” 
que chamamos Frame. Quando falamos de jogo, por exemplo, podemos imaginar: a) regras que 
devem ser seguidas; b) alguém que ganha e alguém que perde; c) sorte ou azar; d) possibilidade de 
haver um juiz etc. Trata-se do frame do jogo. Aplicando esse frame ao amor, podemos dizer que, no 
jogo do amor, a principal regra é saber o que pode tornar o outro feliz e o único juiz é o coração. 
Aplicando o frame da metáfora de construção, diremos que os alicerces do amor são a lealdade e a 
confiança e que uma fachada bonita para os outros não será capaz de esconder as rachaduras de um 
projeto mal elaborado. Aplicando o frame da metáfora da magia, podemos dizer que o amor é um 
encantamento a dois, que hipnotiza nossas almas e faz levitar nossos corações. Octavio Paz escreveu 
um belíssimo livro intitulado A Dupla Chama, em que usa para o amor a metáfora da chama de uma 
vela. Vejamos isso em suas próprias palavras: a chama é a parte mais sutil do fogo, e se eleva em 
figura piramidal. O fogo original e primordial, a sexualidade, levanta a chama vermelha do erotismo 
e esta, por sua vez, sustenta outra chama, azul e trêmula: a do amor. Erotismo e amor: a dupla chama 
da vida. 
(Abreu, “Arte de Argumentar”) 
 
 
3. Metonímia 
 
 
 
 
 
Buscando a Cristo 
 
A vós correndo vou, braços sagrados, 
Nessa cruz sacrossanta descobertos 
Que, para receber-me, estais abertos, 
E, por não castigar-me, estais cravados. 
 
A vós, divinos olhos, eclipsados 
De tanto sangue e lágrimas abertos, 
Pois, para perdoar-me, estais despertos, 
E, por não condenar-me, estais fechados. 
 
A vós, pregados pés, por não deixar-me, 
A vós, sangue vertido, para ungir-me, 
A vós, cabeça baixa, pra chamar-me 
 
A vós, lado patente, quero unir-me, 
A vós, cravos preciosos, quero atar-me, 
Para ficar unido, atado e firme. 
 
(Gregório de Matos) 
 
 
 
4. Exercícios 
 
1. Redija uma nova versão do texto abaixo, utilizando uma metáfora de restauração. 
 
O esporte mundial vem sofrendo, há muito tempo, os efeitos negativos do uso do doping. É preciso que haja 
ações coordenadas entre os dirigentes esportivos dos diversos países, no sentido de tornar rotina os exames 
anti-doping e punições exemplares para aqueles que demonstrarem resultados positivos. 
 
 
 
2. Redija uma nova versão do texto abaixo, utilizando urna metáfora de construção. 
 
Os países europeus estão empenhados na tarefa de reunir esforços objetivando um mercado comum europeu 
suficientemente forte, capaz de resistir a qualquer tipo de pressão externa. 
 
 
 
 
3. Redija uma nova versão do texto abaixo, utilizando uma metáfora natural. 
 
Finalmente, existe uma boa novidade no campo dos exames vestibulares. Depois de anos e anos de cruzinhas 
nas múltiplas escolhas, reaparece a prova dissertativa nas principais Universidades do país. 
 
 
 
 
 
 
4. Redija uma nova versão do texto abaixo, utilizando uma metáfora de percurso. 
 
Durante todo o transcorrer da vida humana, as pessoas têm que vencer sucessivos desafios, uns maiores, 
outros menores, alguns cruciais. Na verdade, não há dia em que não se tenha que resolver um novo problema 
ou tomar uma nova decisão em relação a um problema antigo. 
 
 
5. Considere este trecho de um diálogo entre pai e filho (do romance Lavoura arcaica, de Raduan Nassar): 
 
— Quero te entender, meu filho, mas já não entendo nada. 
— Misturo coisas quando falo, não desconheço, são as palavras que me empurram, mas 
estou lúcido, pai, sei onde me contradigo, piso quem sabe em falso, pode até parecer que 
exorbito, e se há farelo nisso tudo, posso assegurar, pai, que tem muito grão inteiro. Mesmo 
confundindo, nunca me perco, distingo para o meu uso os fios do que estou dizendo. 
 
No trecho, ao qualificar o seu próprio discurso, o filho se vale tanto de linguagem denotativa quanto de 
linguagem conotativa. 
 
a) A frase estou lúcido, pai, sei onde me contradigo é um exemplo de linguagem de sentido 
denotativo ou conotativo? Justifique sua resposta. 
 
 
 
 
b) Traduza em linguagem de sentido denotativo o que está dito de forma figurada na frase: 
se há farelo nisso tudo, posso assegurar, pai, que tem muito grão inteiro. 
 
 
 
 
6. No conto A hora e vez de Augusto Matraga, de Guimarães Rosa, o protagonista é um homem rude e cruel, 
que sofre violenta surra de capangas inimigos e é abandonado como morto, num brejo. Recolhido por um casal 
de matutos, Matraga passa por um lento e doloroso processo de recuperação, em meio ao qual recebe a visita 
de um padre, com quem estabelece o seguinte diálogo: 
 
– Mas, será que Deus vai ter pena de mim, com tanta ruindade que fiz, e tendo nas costas tanto 
pecado mortal? 
– Tem, meu filho. Deus mede a espora pela rédea, e não tira o estribo do pé de arrependido 
nenhum... (...) Sua vida foi entortada no verde, mas não fique triste, de modo nenhum, porque a tristeza é 
aboio de chamar demônio, e o Reino do Céu, que é o que vale, ninguém tira de sua algibeira, desde que você 
esteja com a graça de Deus, que ele não regateia a nenhum coração 
contrito. 
 
a) A linguagem figurada amplamente empregada pelo padre é adequada ao seu interlocutor? Justifique sua 
resposta. 
 
 
 
 
b) Transcreva uma frase do texto que tenha sentido equivalente ao da frase “não regateia a nenhum coração 
contrito”. 
 
 
 
 Décadas atrás, vozes bem afinadas cantavam no rádio esta singela quadrinha de propaganda: 
As rosas desabrocham/Com a luz do sol,/E a beleza das mulheres/Com o creme Rugol. 
Os versos nunca fizeram inveja a Camões, mas eram bonitinhos. E sabe-se lá quantas senhoras não foram atrás 
do creme Rugol para se sentirem novinhas em folha, rosas resplandecentes. 
(Quintino Miranda) 
 
6) Que expressões da quadrinha justificam o emprego de novinhas em folha e de resplandecentes, no 
comentário feito pelo autor do texto? 
 
 
 
 
 
A tua saudade corta 
como aço de navaia... 
O coração fica aflito 
Bate uma, a outra faia... 
E os óio se enche d′água 
Que até a vista se atrapaia, ai, ai... 
 
(Fragmento de “Cuitelinho”, canção folclórica) 
 
7) Nos dois primeiros versos há uma comparação. Reconstrua esses versos numa frase iniciada 
por “Assim como (...)”, preservando os elementos comparados e o sentido da comparação. 
 
 
 
 
 
 
Sair a campo atrás de descobridores de espécies é uma expedição arriscada. Se você não é da área, vale treinar 
um “biologuês” de turista. Mas, mesmo quem não tem nada a ver com o pato-mergulhão ou a morfologia da 
semente da laurácea, pode voltar fascinado da aproximação com esses especialistas. De olhos nos livros e pés 
no mato, eles etiquetam a natureza, num trabalho de formiga. São minoria que dá nome aos bois — e a 
plantas, aves, mosquitos, vermes e outros bichos. 
 
Heloisa Helvécia, Revista da Folha. 
 
8) Tomada em seu sentido figurado, como se deve entender a expressão “dar nome aos bois”, utilizada no 
texto? 
 
 
 
Leia o trecho de uma canção de Cartola, tal como registrado emgravação do autor: 
(...) 
Ouça-me bem, amor, 
Preste atenção, o mundo é um moinho, 
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos, 
Vai reduzir as ilusões a pó. 
Preste atenção, querida, 
De cada amor tu herdarás só o cinismo 
Quando notares, estás à beira do abismo 
Abismo que cavaste com teus pés. 
Cartola, “O mundo é um moinho”. 
 
9) Na primeira estrofe, há uma metáfora que se desdobra em outras duas. Explique o sentido dessas 
metáforas. 
 
 
 
 
 
 
Texto para as questões de 09 a 12 
 
O filme Cazuza – O tempo não pára me deixou numa espécie de felicidade pensativa. Tento explicar por quê. 
Cazuza mordeu a vida com todos os dentes. A doença e a morte parecem ter-se vingado de sua paixão 
exagerada de viver. É impossível sair da sala de cinema sem se perguntar mais uma vez: o que vale mais, a 
preservação de nossas forças, que garantiria uma vida mais longa, ou a livre procura da máxima intensidade 
e variedade de experiências? Digo que a pergunta se apresenta “mais uma vez” porque a questão é hoje trivial 
e, ao mesmo tempo, persecutória. (...) Obedecemos a uma proliferação de regras que são ditadas pelos 
progressos da prevenção. Ninguém imagina que comer banha, fumar, tomar pinga, transar sem camisinha e 
combinar, sei lá, nitratos com Viagra seja uma boa idéia. De fato não é. À primeira vista, parece lógico que 
concordemos sem hesitação sobre o seguinte: não há ou não deveria haver prazeres que valham um risco de 
vida ou, simplesmente, que valham o risco de encurtar a vida. De que adiantaria um prazer que, por assim 
dizer, cortasse o galho sobre o qual estou sentado? Os jovens têm uma razão básica para desconfiar de uma 
moral prudente e um pouco avara que sugere que escolhamos sempre os tempos suplementares. É que a morte 
lhes parece distante, uma coisa com a qual a gente se preocupará mais tarde, muito mais tarde. Mas sua 
vontade de caminhar na corda bamba e sem rede não é apenas a inconsciência de quem pode esquecer que 
“o tempo não pára”. É também (e talvez sobretudo) um questionamento que nos desafia: para disciplinar a 
experiência, será que temos outras razões que não sejam só a decisão de durar um pouco mais? (Contardo 
Calligaris, Folha de S. Paulo) 
 
09) A reação caracterizada como “uma espécie de felicidade pensativa” justifica-se, no texto, pelo fato de que 
o filme a que o autor assistiu 
 
a) convenceu-o de que a experiência das paixões mais radicais não é incompatível com os “progressos da 
prevenção”. 
b) convenceu-o de que arriscar a vida não vale a pena porque é prudente nos pouparmos para viver os “tempos 
suplementares”. 
c) proporcionou-lhe um exemplo de prazer vital e intenso, ao mesmo tempo em que o fez refletir sobre o “risco 
de encurtar a vida”. 
d) proporcionou-lhe um prazer tão intenso que passou a defender a lucidez “de quem pode esquecer que o 
tempo não pára”. 
e) proporcionou-lhe um estado de grande satisfação e o fez concluir que é indefensável a tese da “preservação 
de nossas forças”. 
 
10) Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente o sentido de uma frase do texto em: 
 
a) “Cazuza mordeu a vida com todos os dentes” = Cazuza respondeu com ressentimento a todas as 
adversidades da vida. 
b) “(...) uma moral prudente e um pouco avara que sugere que escolhamos sempre os tempos suplementares” 
= uma moral rígida e mesquinha que nos incita a um prazer excessivo. 
c) “Obedecemos a uma proliferação de regras que são ditadas pelos progressos da prevenção” = Curvamonos 
aos inúmeros preceitos que nos deixam prevenidos em relação ao progresso. 
d) “(...) cortasse o galho sobre o qual estou sentado” = privilegiasse o meu instinto de sobrevivência. 
e) “(...) a questão é hoje trivial e, ao mesmo tempo, persecutória” = mesmo banalizada, a questão preocupa 
o tempo todo. 
 
11) Considere as seguintes afirmações: 
I. Os trechos “mordeu a vida com todos os dentes” e “caminhar na corda bamba e sem rede” podem ser 
compreendidos tanto no sentido figurado quanto no sentido literal. 
II. Na frase “De que adiantaria um prazer que (...) cortasse o galho sobre o qual estou sentado”, o sentido 
da expressão sublinhada corresponde ao de “se está sentado”. 
III. Em “mais uma vez”, no início do terceiro parágrafo, o autor empregou aspas para indicar a precisa 
retomada de uma expressão do texto. 
 
Está correto o que se afirma em 
a) I, somente. 
b) I e II, somente. 
c) II, somente. 
d) II e III, somente. 
e) I, II e III. 
 
12) Entre as frases “Cazuza mordeu a vida com todos os dentes” e “A doença e a morte parecem ter-se vingado 
de sua paixão exagerada de viver” estabelece-se um vínculo que pode ser corretamente explicitado com o 
emprego de 
a) desde que. 
b) tanto assim que. 
c) uma vez que. 
d) à medida que. 
e) apesar de que. 
 
13) O que levou Marta, seis vezes a melhor do mundo, a enfrentar a Austrália de chuteiras pretas? Adianto, 
não foi o futebol “raiz”. Marta não fechou patrocínio com nenhuma das gigantes do mercado esportivo. Não 
recebeu nenhuma proposta à altura do seu futebol. Isso diz muito sobre o machismo no esporte. A partir disso, 
a atleta decidiu calçar a luta pela diversidade. 
(Fonte: https://www.hypeness.com.br/2019/06/chuteira-sem-logo-e-com-simbolo-de-igualdade -de-genero-foi-mais-um-golaco-de-marta/. Acessado 
em 18/06/2019.) 
 
Considerando o tweet e o texto acima, é correto afirmar que a atleta 
a) enfrentou o time adversário com chuteiras pretas, mesmo que não tenha sido influenciada pelo futebol 
“raiz”. 
b) usou chuteiras sem logotipo e luta pela igualdade de gênero no esporte, mesmo sendo considerada seis 
vezes a melhor do mundo. 
c) não recebeu patrocínio de nenhuma grande empresa embora a chuteira preta sem logotipo simbolize o 
futebol “raiz”. 
d) optou por lutar contra o machismo no esporte, embora as propostas de patrocínio não tenham considerado 
seu valor. 
 
 
14) Há dois tipos de palavras: as proparoxítonas e o resto. As proparoxítonas são o ápice da cadeia alimentar 
do léxico. As palavras mais pernósticas são sempre proparoxítonas. Para pronunciá-las, há que ter ânimo, 
falar com ímpeto - e, despóticas, ainda exigem acento na sílaba tônica! Sob qualquer ângulo, a proparoxítona 
tem mais crédito. É inequívoca a diferença entre o arruaceiro e o vândalo. Uma coisa é estar na ponta – outra, 
no vértice. Ser artesão não é nada, perto de ser artífice. Legal ser eleito Papa, mas bom mesmo é ser Pontífice. 
 
(Adaptado de Eduardo Affonso, “Há dois tipos de palavras: as proparoxítonas e o resto”. Disponível em www.facebook.com/eduardo22affonso/.) 
 
https://www.hypeness.com.br/2019/06/chuteira-sem-logo-e-com-simbolo-de-igualdade
Segundo o texto, as proparoxítonas são palavras que 
 
a) garantem sua pronúncia graças à exigência de uma sílaba tônica. 
b) conferem nobreza ao léxico da língua graças à facilidade de sua pronúncia. 
c) revelam mais prestígio em função de seu pouco uso e de sua dupla acentuação. 
d) exibem sempre sua prepotência, além de imporem a obrigatoriedade da acentuação. 
 
15) Uma planta é perturbada na sua sesta* pelo exército que a pisa. 
Mas mais frágil fica a bota. 
Gonçalo M. Tavares, 1: poemas. 
*sesta: repouso após o almoço. 
 
Considerando que se trata de um texto literário, uma interpretação que seja capaz de captar a sua 
complexidade abordará o poema como 
 
a) uma defesa da natureza. 
b) um ataque às forças armadas. 
c) uma defesa dos direitos humanos. 
d) uma defesa da resistência civil. 
e) um ataque à passividade. 
 
 
16) O ditado popular que se relaciona melhor com o poema é: 
 
a) Para bom entendedor, meia palavra basta. 
b) Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. 
c) Quem com ferro fere, com ferro será ferido. 
d) Um dia é da caça, o outro é do caçador. 
e) Uma andorinha só não faz verão 
 
Em depoimento, Paulo Freire fala da necessidade de uma tarefa educativa: “trabalhar no sentido de ajudar os 
homens e as mulheres brasileirasa exercer o direito de poder estar de pé no chão, cavando o chão, fazendo 
com que o chão produza melhor é um direito e um dever nosso. A educação é uma das chaves para abrir essas 
portas. Eu nunca me esqueço de uma frase linda que eu ouvi de um educador, camponês de um grupo de Sem 
Terra: pela força do nosso trabalho, pela nossa luta, cortamos o arame farpado do latifúndio e entramos nele, 
mas quando nele chegamos, vimos que havia outros arames farpados, como o arame da nossa ignorância. 
Então eu percebi que quanto mais inocentes, tanto melhor somos para os donos do mundo. (…) Eu acho que 
essa é uma tarefa que não é só política, mas também pedagógica. Não há Reforma Agrária sem isso.” 
(Adaptado de Roseli Salete Galdart, Pedagogia do Movimento Sem Terra: escola é mais que escola. São Paulo: Expressão Popular, 2008, 
p. 172.) 
 
17) No excerto adaptado que você leu, há menção a outros arames farpados, como “o arame da nossa 
ignorância”. Trata-se de uma figura de linguagem para 
 
a) a conquista do direito às terras e à educação que são negadas a todos os trabalhadores. 
b) a obtenção da chave que abre as portas da educação a todos os brasileiros que não têm terras. 
c) a promoção de uma conquista da educação que tenha como base a propriedade fundiária. 
d) a descoberta de que a luta pela posse da terra pressupõe também a conquista da educação. 
 
 
TEXTO XI 
Inserto entre o 16° e o 18°, o século XVII permanece em 
meialuz, quase apagado, nos fastos do Rio de Janeiro, sem que sobre 
esse período se detenha a atenção dos historiadores, sem que o 
distingam os que se deixam fascinar pelos aspectos brilhantes da 
história. 
(Vivaldo Coaracy, in O Rio de Janeiro) 
 
18) Segundo o texto, o século XVII: 
a) chamou a atenção dos historiadores por ser meio apagado. 
b) foi uma parte brilhante da história do Rio de Janeiro. 
c) assemelha-se aos séculos XVI e XVIII. 
d) foi importante, culturalmente, para o Rio de Janeiro. 
e) transcorreu sem brilho, para o Rio de Janeiro. 
 
19) A palavra ou expressão que pode substituir sem prejuízo do sentido a 
palavra “fastos” é: 
a) anais 
b) círculos culturais 
c) círculos políticos 
d) administração 
e) imprensa 
 
20) A expressão “quase apagada”: 
a) retifica a palavra meia-luz. 
b) complementa a palavra meia-luz. 
c) reforça a palavra meia-luz. 
d) explica a palavra meia-luz. 
e) amplia a palavra meia-luz. 
 
21) Infere-se do texto que: 
a) os historiadores detestaram o século XVII. 
b) os mais belos momentos da história encantam certas pessoas. 
c) o século XVI foi tão importante quanto o século XVIII. 
d) a história do Rio de Janeiro está repleta de coisas interessantes. 
e) os historiadores se interessam menos pelos séculos XVI e XVIII do que pelo 
TEXTO XII 
Acho que foi uma premonição, uma vez que ele já tinha declarado que “A Fraternidade é Vermelha” seria seu 
último filme. Foi o cineasta contemporâneo que conseguiu chegar mais perto do conceito de Deus. Poderia ter 
feito muito mais filmes, mas foi vítima do totalitarismo socialista. 
(Leon Cakoff, no Jornal da Tarde, 14/13/96) 
 
22) O totalitarismo socialista: 
a) atrapalhou a carreira do cineasta. 
b) manteve-se alheio à carreira do cineasta. 
c) interrompeu a carreira do cineasta. 
d) incentivou a carreira do cineasta. 
e) fiscalizou a carreira do cineasta. 
 
23) “A Fraternidade é Vermelha”: 
a) foi um filme de repercussão nos meios religiosos. 
b) foi o primeiro filme de sucesso do cineasta. 
c) não abordava o assunto Deus. 
d) foi o melhor filme do cineasta. 
e) foi o último filme do cineasta. 
 
24) Provavelmente, o cineasta: 
a) agradou, por ser materialista. 
b) agradou por falar de Deus. 
c) desagradou por falar de Deus. 
d) desagradou por não falar de Deus. 
e) não sabia nada sobre Deus. 
 
25) Levando-se em conta o caráter materialista usualmente atribuído aos 
socialistas, o título do filme seria, em princípio: 
a) uma redundância 
b) uma ambigüidade 
c) um paradoxo 
d) uma qualificação 
e) uma incoerência 
 
26) A palavra “premonição” se justifica porque: 
a) seu filme foi um sucesso. 
b) o cineasta falava de Deus. 
c) o cineasta não quis fazer mais filmes. 
d) a “Fraternidade é Vermelha” foi seu último filme. 
e) o cineasta foi vítima do totalitarismo socialista. 
 
27) A palavra “Vermelha” eqüivale no texto a: 
a) totalitária 
b) comunista 
c) socialista 
d) materialista 
e) espiritualista 
 
28) O conectivo que não poderia substituir “uma vez que” no texto é: 
a) porque 
b) pois 
c) já que 
d) porquanto 
e) se bem que 
 
TEXTO XIII 
 
Nem todas as plantas hortícolas se dão bem durante todo o ano; por isso é preciso fazer uma estruturação dos 
canteiros a fim de manter-se o equilíbrio das plantações. Com o sistema indicado, não faltarão verduras 
durante todo ano, sejam folhas, legumes ou tubérculos. (Irineu Fabichak, in Horticultura ao Alcance de Todos) 
 
29) Segundo o texto: 
a) todas as plantas hortícolas não se dão bem durante todo o ano. 
b) todas as plantas hortícolas se dão bem durante todo o ano. 
c) todas as plantas hortícolas se dão mal durante todo o ano. 
d) algumas plantas hortícolas se dão bem durante todo o ano. 
e) nenhuma planta hortícola se dá mal durante todo o ano. 
 
30) Para manter o equilíbrio das plantações é necessário: 
a) estruturar de maneira mais lógica e racional os canteiros. 
b) fazer mais canteiros, mas ordenando-os de maneira lógica e racional. 
c) fazer o plantio em épocas diferentes. 
d) construir canteiros emparelhados. 
e) manter sempre limpos os canteiros 
 
31) A conjunção “por isso” só não pode ser substituída por: 
a) portanto 
b) logo 
c) então 
d) porque 
e) assim 
 
32) Segundo o último parágrafo do texto: 
a) tubérculos não são verduras. 
b) legumes são o mesmo que tubérculos. 
c) folhas, legumes e tubérculos são a mesma coisa. 
d) haverá verduras o ano todo, inclusive folhas, legumes e tubérculos. 
e) haverá folhas, legumes e tubérculos o ano todo. 
 
TEXTO XIV 
 
Aquisição à vista. A Bauducco, maior fabricante de panetones do país, está negociando a compra de sua maior 
concorrente, a Visconti, subsidiária brasileira da italiana Visagis. O negócio vem sendo mantido sob sigilo pelas 
duas empresas em razão da proximidade do Natal. Seus controladores temem que o anúncio dessa união - 
resultando numa espécie de AmBev dos panetones – melindre os varejistas. 
(Cláudia Vassallo, na Exame, dez./99) 
 
33) As duas empresas (/. 4) de que fala o texto são: 
a) Bauducco e Visagis 
b) Visconti e Visagis 
c) AmBev e Bauducco 
d) Bauducco e Visconti 
e) Visagis e AmBev 
 
34) A aproximação do Natal é a causa: 
a) da compra da Visconti 
b) do sigilo do negócio 
c) do negócio da Bauducco 
d) do melindre dos varejistas 
e) do anúncio da união 
 
35) Uma outra causa para esse fato seria: 
a) a primeira colocação da Bauducco na fabricação de panetones 
b) o fato de a Visconti ser uma multinacional 
c) o fato de a AmBev entrar no mercado de panetones 
d) o possível melindre dos varejistas 
e) o fato de a Visconti ser concorrente da Bauducco 
 
36) Por “aquisição à vista” entende-se, no texto: 
a) que a negociação é provável. 
b) que a negociação está distante, mas vai acontecer. 
c) que o pagamento da negociação será feito em uma única parcela. 
d) que a negociação dificilmente ocorrerá. 
e) que a negociação está próxima. 
 
TEXTO XV 
Um anjo dorme aqui; na aurora apenas, disse adeus ao brilhar das açucenas em ter da vida alevantado o véu. 
- Rosa tocada do cruel granizo Cedo finou-se e no infantil sorriso passou do berço pra brincar no céu! 
(Casimiro de Abreu, in Primaveras) 
 
37) O tema do texto é: 
a) a inocência de uma criança 
b) o nascimento de uma criança 
c) o sofrimento pela morte de uma criança 
d) o apego do autor por uma certa criança 
e) a morte de uma criança 
 
38) O tema se desenvolve com base em uma figura de linguagem conhecida como:a) prosopopéia 
b) hipérbole 
c) pleonasmo 
d) metonímia 
e) eufemismo 
 
39) No âmbito do poema, podemos dizer que pertencem ao mesmo campo semântico as palavras: 
a) aurora e véu 
b) anjo e rosa 
c) granizo e sorriso 
d) berço e céu 
e) cruel e infantil 
 
40) As palavras que respondem ao item anterior são: 
a) uma antítese em relação à vida 
b) hipérboles referentes ao destino 
c) personificações alusivas à morte 
d) metáforas relativas à criança 
e) pleonasmos com relação à dor. 
 
41) Por “sem ter da vida alevantado o véu” entende-se: 
a) sem ter nascido 
b) sem ter morrido cedo 
c) sem ter conhecido bem a vida 
d) sem viver misteriosamente 
e) sem poder relacionar-se com as outras pessoas 
 
42) “Na aurora apenas” é o mesmo que: 
a) somente pela manhã 
b) no limiar somente 
c) apenas na alegria 
d) só na tristeza 
e) só no final 
 
TEXTO XVI 
Julgo que os homens que fazem a política externa do Brasil, no Itamaraty, são excessivamente pragmáticos. 
Tiveram sempre vida fácil, vêm da elite brasileira e nunca participaram, eles próprios, em combates contra a 
ditadura, contra o colonialismo. Obviamente não têm a sensibilidade de muitos outros países ou diplomatas 
que conheço. (José Ramos-Horta, na Folha de São Paulo, 21/10/96) 
 
43) Só não caracteriza os homens do Itamaraty: 
a) o pragmatismo 
b) a falta de sensibilidade 
c) a luta contra a ditadura 
d) a tranqüilidade da vida 
e) as raízes na elite do Brasil 
 
44) A palavra que não se liga semanticamente aos homens do Itamaraty é: 
a) o segundo que (/. 1) 
b) tiveram (/. 2) 
c) vêm (/. 3) 
d) eles (/. 3) 
e) o terceiro que (/. 5) 
45) Pelo visto, o autor gostaria de que os homens do Itamaraty tivessem mais: 
a) inteligência 
b patriotismo 
c) vivência 
d) coerência 
e) grandeza 
 
46) A oração iniciada por “obviamente” tem um claro valor de: 
a) conseqüência 
b) causa 
c) comparação 
d) condição 
e) tempo 
 
47) A palavra que pode substituir, sem prejuízo do sentido, a palavra “obviamente” (/. 4), é: 
a) necessariamente 
b) realmente 
c) justificadamente 
d) evidentemente 
e) comprovadamente 
 
48) Só não pode ser inferido do texto: 
a) nem todo diplomata é excessivamente pragmático. 
b) ter lutado contra o colonialismo é importante para a carreira de diplomata. 
c) Nem todo diplomata vem da elite brasileira. 
d) ter vida fácil é característica comum a todo tipo de diplomata. 
e) há diplomatas mais sensíveis que outros. 
 
TEXTO XVII 
Se essa ainda é a situação de Portugal e era, até bem pouco, a do Brasil, havemos de convir em que no Brasil-
colônia, essencialmente rural, com a ojeriza que lhe notaram os nossos historiadores pela vida das cidades - 
simples pontos de comércio ou de festividades religiosas -, estas não podiam exercer maior influência sobre a 
evolução da língua falada, que, sem nenhum controle normativo, por séculos “voou com as suas próprias asas”. 
(Celso Cunha, in A Língua Portuguesa e a Realidade Brasileira) 
 
49) Segundo o texto, os historiadores: 
a) tinham ojeriza pelo Brasil-colônia. 
b) consideram as cidades do Brasil-colônia como simples pontos de comércio ou 
de festividades religiosas. 
c) consideram o Brasil-colônia essencialmente rural. 
d) observaram a ojeriza que a vida nas cidades causava. 
e) consideram o campo mais importante que as cidades. 
 
50) Para o autor: 
a) as festas religiosas têm importância para a evolução da língua falada. 
b) No Brasil-colônia, havia a prevalência da vida do campo sobre a das cidades. 
c) a evolução da língua falada dependia em parte dos pontos de comércio. 
d) a evolução da língua falada independe da condição de Brasilcolônia. 
e) a situação do Brasil na época impedia a evolução da língua falada. 
 
51) A palavra “ojeriza” (/. 3) significa, no texto: 
a) medo 
b) admiração 
c) aversão 
d) dificuldade 
e) angústia 
 
52) A língua falada “voou com as suas próprias asas” porque: 
a) as cidades eram pontos de festividades religiosas. 
b) o Brasil se distanciava lingüisticamente de Portugal. 
c) faltavam universidades nos centros urbanos. 
d) não se seguiam normas lingüísticas. 
e) durante séculos, o controle normativo foi relaxado, por ser o Brasil uma 
colônia portuguesa. 
 
53) Segundo o texto, a população do Brasil-colônia: 
a) à vida do campo preferia a da cidade. 
b) à vida da cidade preferia a do campo. 
c) não tinha preferência quanto à vida do campo ou à da cidade. 
d) preferia a vida em Portugal, mas procurava adaptar-se à situação. 
e) preferia a vida no Brasil, fosse na cidade ou no campo. 
 
TEXTO XVIII 
Ainda falta um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles, mas a Andrade Gutierrez já tem pronto 
um estudo sobre a sucessão de 20 de seus principais executivos, quase todos na faixa entre 58 e 62 anos. Seus 
substitutos serão escolhidos entre 200 integrantes de um time de aspirantes. Eduardo Andrade, o atual 
superintendente, que já integra o conselho de administração da empreiteira mineira, deverá ir se afastando 
aos poucos do dia-a-dia dos negócios. Para os outros executivos, que deverão ser aproveitados como 
consultores, a aposentadoria chegará a médio prazo. 
(José Maria Furtado, na Exame, dez./99) 
 
54) Se começarmos o primeiro período do texto por “A Andrade Gutierrez 
já tem pronto...”, teremos, como seqüência coesa e coerente: 
a) visto que ainda falta um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles. 
b) por ainda faltar um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles. 
c) se ainda faltar um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles. 
d) embora ainda falte um bom tempo para a aposentadoria da maior parte deles. 
e) à medida que ainda falta um bom tempo para a aposentadoria da maior parte 
deles. 
 
55) Segundo o texto: 
a) 20 grandes executivos da empresa se aposentarão a médio prazo. 
b) 20 grandes executivos da empresa acham-se na faixa entre 58 e 62 anos. 
c) nenhum dos 20 grandes executivos se aposentará a curto prazo. 
d) Eduardo Andrade é um executivo na faixa dos 58 a 62 anos. 
e) a empresa vai substituir seus vinte principais executivos a curto e médio prazos. 
56) A empresa, no que toca à aposentadoria de seus executivos, mostra-se: 
a) precipitada 
b) cautelosa 
c) previdente 
d) rígida 
e) inflexível 
 
57) Sobre o executivo Eduardo Andrade, não se pode afirmar: 
a) ocupa, no momento, a superintendência. 
b) é um dos conselheiros. 
c) será substituído por um dos 200 aspirantes. 
d) está se afastando dos negócios da empresa. 
e) será o primeiro dos 20 grandes executivos a se aposentar. 
 
58) Sobre a Andrade Gutierrez, não é correto afirmar: 
a) é empresa de obras. 
b) é do estado de Minas Gerais. 
c) preocupa-se com seus funcionários. 
d) mantém-se alheia a qualquer tipo de renovação. 
e) procura manter vínculo com executivos aposentados. 
 
TEXTO XIX 
Toda saudade é a presença da ausência de alguém, de algum lugar, de algo enfim. Súbito o não toma forma 
de sim como se a escuridão se pusesse a luzir. 5 Da própria ausência de luz o clarão se produz, o sol na solidão. 
Toda saudade é um capuz transparente que veda e ao mesmo tempo traz a visão 10 do que não se pode ver 
porque se deixou pra trás mas que se guardou no coração. 
(Gilberto Gil) 
 
59) Por “presença da ausência” pode-se entender: 
a) ausência difícil 
b) ausência amarga 
c) ausência sentida 
d) ausência indiferente 
e) ausência enriquecedora 
 
60) Para o autor, a saudade é algo: 
a) que leva ao desespero. 
b) que só se suporta com fé. 
c) que ninguém deseja. 
d) que transmite coisas boas. 
e) que ilude as pessoas. 
 
61) O texto se estrutura a partir de antíteses, ou seja, emprego de palavras ou expressões de sentido contrário. 
O par de palavras ou expressões que não apresentam no texto essa propriedade antitética é: 
a) presença (/. 1) / ausência (/. 1) 
b) não (/. 3) / sim (/. 3) 
c) ausência de luz (/. 5) / clarão (/. 6) 
d) sol (/. 7) / solidão(/. 7) 
e) que veda (/. 9) / traz a visão (/. 9) 
 
62) Segundo o texto: 
a) sente-se saudade de pessoas, e não de coisas. 
b) as coisas ruins podem transformar-se em coisas boas. 
c) as coisas boas podem transformar-se em coisas ruins. 
d) a saudade, como um capuz, não nos permite ver com clareza a situação que vivemos. 
e) a saudade, como um capuz, não nos deixa perceber coisas que ficaram em nosso passado. 
 
63) O que se guarda no coração é: 
a) a saudade 
b) o clarão 
c) o que se deixou para traz 
d) a visão 
e) o que não se pode ver 
 
TEXTO XX 
Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar 
o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações 
me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um 
defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais 
novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre 
este livro e o Pentateuco. 
(Machado de Assis, in Memórias Póstumas de Brás Cubas) 
 
64) Pode-se afirmar, com base nas idéias do autor-personagem, que se trata: 
a) de um texto jornalístico 
b) de um texto religioso 
c) de um texto científico 
d) de um texto autobiográfico 
e) de um texto teatral 
 
65) Para o autor-personagem, é menos comum: 
a) começar um livro por seu nascimento. 
b) não começar um livro por seu nascimento, nem por sua morte. 
c) começar um livro por sua morte. 
d) não começar um livro por sua morte. 
e) começar um livro ao mesmo tempo pelo nascimento e pela morte. 
 
66) Deduz-se do texto que o autor-personagem: 
a) está morrendo. 
b) já morreu. 
c) não quer morrer. 
d) não vai morrer. 
e) renasceu. 
 
67) A semelhança entre o autor e Moisés é que ambos: 
a) escreveram livros. 
b) se preocupam com a vida e a morte. 
c) não foram compreendidos. 
d) valorizam a morte. 
e) falam sobre suas mortes. 
 
68) A diferença capital entre o autor e Moisés é que: 
a) o autor fala da morte; Moisés, da vida. 
b) o livro do autor é de memórias; o de Moisés, religioso. 
c) o autor começa pelo nascimento; Moisés, pela morte. 
d) Moisés começa pelo nascimento; o autor, pela morte. 
e) o livro do autor é mais novo e galante do que o de Moisés. 
 
69) Deduz-se pelo texto que o Pentateuco: 
a) não fala da morte de Moisés. 
b) foi lido pelo autor do texto. 
c) foi escrito por Moisés. 
d) só fala da vida de Moisés. 
e) serviu de modelo ao autor do texto. 
 
70) Autor defunto está para campa, assim como defunto autor para: 
a) intróito 
b) princípio 
c) cabo 
d) berço 
e) fim 
 
1.Análise Completa de alguns textos da aula 4 
2. Material sobre figuras de linguagem que podem aparecer nos exercícios 
3. Gabarito dos exercícios da aula 4 
 
1. Análise completa de alguns dos textos 
 
Texto 5 – Língua 
 
Os dois primeiros versos do poema de Caetano têm uma grande carga de sensualidade. Sua 
beleza reside no fato de que o termo língua é usado em dois sentidos diferentes. Significa, no primeiro 
verso, “órgão da cavidade bucal, que auxilia na produção dos sons” e, no segundo, quer dizer “idioma”. 
Roçar significa, então, “tocar, resvalar”. Nesse caso, o poeta diz que gosta de produzir os sons do 
português, sente um gosto físico ao pronunciá-los. No entanto, pode-se pensar também que as duas 
ocorrências da palavra língua têm o mesmo significado, “idioma”. Nessa hipótese, roçar significa tanto 
“ceifar, pôr abaixo, derrubar”, quanto “aproximar-se”. Os dois primeiros versos poderiam, então, significar 
tanto “gosto de fazer minha língua — o português falado no Brasil — sobrepor-se ao português de 
Camões, isto é, o de Portugal”, quanto “gosto de fazer o português do Brasil aproximar-se do de Portugal”. 
O poeta gosta da transitoriedade e da perenidade das formas linguísticas (ser é o verbo que indica 
estados permanentes; estar, estados transitórios). Exprime seu desejo em relação ao trabalho com o 
idioma: incorporar os diferentes falares (confusão de prosódias) e retomar os textos dos outros de forma 
invertida (profusão de paródias). Lembramos que paródia, como já foi explicado, é a subversão de um 
texto ou do estilo de outrem. Nela, retoma-se um texto ou um estilo, para dar-lhe um sentido contrário 
(para ridicularizá-lo, por exemplo). Prosódia é o conjunto de características de uma língua no que diz 
respeito ao acento, à entoação e à duração dos sons. Esse trabalho de levar em conta as variedades de 
falares, de textos e de estilos vai diminuir dores, por ser alegre (que encurtem dores), ao mesmo tempo 
vai deixar o texto produzido pelo poeta com muitos significados (e furtem cores como camaleões). 
O poeta toma dois nomes de grandes escritores (Fernando Pessoa, poeta português, e Guimarães 
Rosa, romancista e contista brasileiro) e faz um jogo com os nomes comuns correspondentes, dizendo que 
gosta do artista (Pessoa) em cada pessoa e da beleza (rosa) na obra de Rosa. Afirma que a prosa é superior 
à poesia, assim como a amizade o é ao amor. Pluraliza o termo Portugal, tirando-lhe o valor de substantivo 
próprio. Com o verso E deixa os portugais morrerem à míngua, indica seu desejo de que a imposição do 
legado cultural e da variante linguística de Portugal no Brasil deixe de ser feita. Usa entre aspas um verso 
de Fernando Pessoa: Minha pátria é minha língua. Pátria são lembranças, experiências, anseios, 
expectativas comuns e tudo isso é expresso pela língua. Por isso, se pode dizer minha pátria é minha língua. 
Depois de desejar que a atitude lusitanista morra à míngua e de afirmar que a pátria é a língua, o verso 
Fala, Mangueira! refere-se à Estação Primeira de Mangueira e ao grito com que ela inicia o carnaval, 
mostrando que o português de que fala Caetano é a variante brasileira, aquele que é falado no Brasil. É 
esse que ele ama, ele é sua pátria. Ele é lusitano, mas modificado pelo contato com os falares indígenas e 
africanos. Pulveriza-se (latim em pó), pois é português e americano (Lusamérica). Por isso, é flor do Lácio, 
como dizia Bilac, em seu poema solene e respeitoso, e Sambódromo, carnaval e samba. O demonstrativo 
esta indica algo do espaço de quem fala: no caso, já que a pátria é identificada à língua, o espaço do poeta 
é a variante brasileira do português, que carnavalizou o idioma lusitano. Não se sabe o que essa variante 
quer e pode. Resta a indagação. 
O poema de Caetano também faz largo uso de metáforas (por exemplo, roçar, flor do Lácio, 
Sambódromo, latim em pó) ou de metonímias (por exemplo, portugais, o jogo com rosa e Rosa, pessoa e 
Pessoa), embora sua composição seja fundamentalmente metonímica, já que ela vai mostrando a 
implicação, a interdependência de traços definidores da variante brasileira do português. 
A tessitura sonora mostra a languidez da língua com os /l/; o leve ruído do roçar com os /s/; com 
os /r/ depois de /p/ e /k/, o ruído das prosódias e a profusão de paródias. O poema bilaquiano apresenta 
o tema da latinidade da América; o de Caetano revela o tema da sincretização cultural que aqui se instalou 
e que se reflete na língua. A América, bem como o português que é nela falado, é lusitana, mas é também 
africana e indígena. 
(J L Fiorin, “Lições de Texto”) 
 
Texto 12 - A cidade e as Serras 
 
Obs.: no texto 12 predomina a prosopopeia, portanto ele serve como exemplo dessa figura de linguagem. 
No material, ele aparece como exemplo de sinestesia. Embora haja apelo a sensações, no texto predomina 
a personificação da natureza. Eis a analise do texto: 
 
Às águas são atribuídas qualificações próprias do ser humano (os regatinhos são espertos, os ribeiros são 
açodados, apressados); elas são consideradas agentes de ações que são realizadas apenas por seres 
humanos (os regatinhos riam) ou, ao menos, por seres animados (os regatinhos fugiam); são sujeitos de 
estado peculiar aoshumanos (a fonte está à espera dos homens e dos gados). Ao fazer essa combinação 
de qualificações e de ações humanas com seres que não são humanos, parece que eles se humanizam: as 
águas são como que crianças a correr, a rir, a esperar. 
 
(J L Fiorin, “Lições de texto”) 
 
Texto 19. O coronel e o Lobisomem 
 
O texto narra o encontro do coronel Ponciano de Azeredo Furtado com uma onça. O 
narrador é o próprio coronel, que, falando de si mesmo, ora diz eu, ora Ponciano (ao usar a 
terceira pessoa em lugar da primeira ressalta não sua pessoa, mas a personagem que encarna, 
o coronel valente). Por meio de uma escolha lexical bem planejada, o narrador exagera o 
tamanho da onça que teria de enfrentar. Expressões como pedação de onça e em medida de 
olho nu ganhava de um garrote em tamanho e peso enfatizam a dimensão do animal e, por 
conseguinte, seu perigo. 
Segundo o coronel, quem fugiu foram os outros. Para relatar a fuga deles, novamente o 
narrador vale-se de hipérboles: João Ramalho sumiu na macega, braços no alto, depois de gritar 
pelo santo nome de Nossa Senhora do Parto (observe-se que até a escolha da denominação de 
Nossa Senhora se destina a hiperbolizar a fuga de João Ramalho, pois ele invoca a Virgem 
exatamente na sua denominação de auxiliar das mulheres, o que configura que não agiu ele 
como homem); todos os outros esconderam-se e sumiram sem que o coronel soubesse como, 
uma vez que até um sujeito do tamanho de Saturnino Barba de Gato achou abrigo em mato tão 
ralinho, quase de não esconder nem preá (novamente, usa-se uma expressão hiperbólica, pois 
mato que não esconde nem preá não é mato de abrigar um homem). 
O coronel trata diferentemente sua reação. Usa um conjunto de eufemismos, para falar 
de sua atitude em relação à onça. Ele fugiu como os outros, que ele considera covardes. No 
entanto, ao lado de cada enunciado que denota sua covardia ou imperícia, o narrador coloca 
outro que o suaviza, o disfarça. 
 
 
 
O coronel trata de mostrar sua fuga como uma estratégia, e o pântano para onde foi 
levado, sem ver para onde ia, ao esporear o cavalo, é descrito como um lugar seguro. Além disso, 
para exaltar sua destreza de cavaleiro, usa uma hipérbole para falar do pântano: lama sugadora 
nunca conheci outra de tamanha ganância. Diz que é bom cavaleiro, mas foi parar na água 
podre. 
Esse jogo de hipérboles e de eufemismos, que serve para dissimular a covardia e a 
imperícia do coronel, continua quando ele enfatiza a consciência que os outros tinham de sua 
falta de coragem (Vieram de rabo encolhido, vela murcha, sem vento e sem fala) e, ao mesmo 
tempo, atenua seus atos (Se não sou homem de patente, com preparo de guerra, a onça fazia 
uma desgraça). Ao lado disso, o coronel exagera a reprimenda que dera em seus homens (foi um 
arrazoado de vazar a sala, entrar no corredor e sair na cozinha). Suspendeu o cabrito que estava 
sendo preparado para eles, recebeu-os com palavras ácidas (em língua de urtiga) e, deixando de 
lado, segundo ele, a educação que recebera no colégio de padres e no foro (Larguei de lado os 
veludos dos frades, as boas educações do Foro), vituperou-os, recriminou sua covardia. 
Todo o perfeito jogo de hipérboles e eufemismos acaba por revelar que há um 
descompasso entre os fatos acontecidos e os fatos relatados e, assim, termina por mostrar o que 
Ponciano deseja ocultar. 
 
(J L Fiorin, Lições de Texto) 
 
 
2.Material sobre figuras de linguagem que podem aparecer nos exercícios 
 
Figuras de linguagem 
 
As figuras constituem um recurso especial de construção, valorizando e embelezando o texto. Há 
questões de provas, inclusive em concursos públicos, que cobram, direta ou indiretamente, o emprego 
adequado da linguagem figurada. Vejamos as mais importantes, que você não pode desconhecer. Elas 
não serão, aqui, agrupadas de acordo com sua natureza: de palavras, de pensamento e de 
sintaxe. Não há importância nessa distinção, para interpretarmos um texto. 
 
1) Comparação ou simile 
Consiste, como o próprio nome indica, em comparar dois seres, fazendo uso de conectivos apropriados. 
Ex.: Esse liqüido é azedo como limão. 
A jovem estava branca qual uma vela. 
 
2) Metáfora 
Tipo de comparação em que não aparecem o conectivo nem o elemento comum aos seres comparados. 
Ex.: “Minha vida era um palco iluminado...” (Minha vida era alegre, bonita etc. como um palco 
iluminado.) Tuas mãos são de veludo. (Entenda-se: mãos macias como o veludo) “A vida, manso lago 
azul...” (Júlio Salusse) (Neste exemplo, nem o verbo aparece, mas é clara a idéia da comparação: a vida 
é suave, calma como um manso lago azul.) 
 
3) Metonímia 
Troca de uma palavra por outra, havendo entre elas uma relação real, concreta, objetiva. Há vários tipos 
de metonímia. 
Ex.: Sempre li Érico Veríssimo, (o autor pela obra) 
Ele nunca teve o seu próprio teto. (a parte pelo todo) 
Cuidemos da infância. (o abstrato pelo concreto: infância / crianças) 
Comerei mais um prato. (o continente pelo conteúdo) 
Ganho a vida com meu suor. (o efeito pela causa) 
 
4) Hipérbole 
Consiste em exagerar as coisas, extrapolando a realidade. 
Ex.: Tenho milhares de coisas para fazer. 
Estava quase estourando de tanto rir. 
Vive inundado de lágrimas. 
 
5) Eufemismo 
É a suavização de uma idéia desagradável. Chamado de linguagem diplomática. 
Ex.: Minha avozinha descansou. (morreu) 
Ele tem aquela doença. (câncer) 
Você não foi feliz com suas palavras. (foi estúpido, grosseiro) 
 
6) Prosopopéia ou personificação 
Consiste em se atribuir a um ser inanimado ou a um animal ações próprias dos seres humanos. 
Ex. A areia chorava por causa do calor. 
As flores sorriam para ela. 
 
7) Pleonasmo 
Repetição enfática de um termo ou de uma idéia. 
Ex.: O pátio, ninguém pensou em lavá-lo. (lo = O pátio) 
Vi o acidente com olhos bem atentos. (Ver só pode ser com os olhos.) 
 
8) Anacoluto 
É a quebra da estruturação sintática, de que resulta ficar um termo sem função sintática no período. É 
parecido com um dos tipos de pleonasmo. 
Ex.: O jovem, alguém precisa falar com ele. 
 
Observe que o termo O jovem pode ser retirado do texto. Ele não se encaixa sintaticamente no período. 
Caso disséssemos Com o jovem, teríamos um pleonasmo: com o jovem = com ele. 
 
9) Antítese 
Emprego de palavras ou expressões de sentido oposto. 
Ex.: Era cedo para alguns e tarde para outros. 
“Não és bom, nem és mau: és triste e humano.” (Olavo Bilac) 
 
10) Sinestesia 
Consiste numa fusão de sentidos. 
Ex.: Despertou-me um som colorido. (audição e visão) 
Era uma beleza fria. (visão e tato) 
 
11) Catacrese 
É a extensão de sentido que sofrem determinadas palavras na falta ou desconhecimento do termo 
apropriado. Essa extensão ocorre com base na analogia. Por isso, ela é uma variação da metáfora. 
 
Ex.: Leito do rio. Dente de alho. Barriga da perna. Céu da boca. 
 
Curiosas são as catacreses constituídas por verbos: embarcar num trem, enterrar uma agulha no dedo 
etc. Embarcar é entrar no barco, não no trem; enterrar é entrar na terra, não no dedo. 
 
12) Hipálage 
Adjetivação de um termo em vez de outro. 
Ex.: O nado branco dos cisnes o fascinou, (brancos são os cisnes) 
Acompanhava o vôo negro dos urubus, (negros são os urubus) 
 
13) Quiasmo 
Ao mesmo tempo repetição e inversão de termos, podendo haver algumas alterações. 
Ex.: “No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho “(C. D. Andrade) 
“Vinhas fatigada e triste, e triste e fatigado eu vinha.” (Olavo Bilac) 
 
14) Silepse 
Concordância anormal feita com a idéia que se faz do termo e não com o próprio termo. Pode ser: 
a) de gênero 
Ex.: V Sa é bondoso. A concordância normal seria bondosa, já que V. Sa é do gênero feminino. 
Fez-se a concordância com a idéia que se possui, ou seja, trata-se de um homem. 
 
b) de número 
Ex.: O grupo chegou apressado e conversavam em voz alta. 
O segundo verbo do período deveria concordar com grupo. Mas a idéia de pluralcontida no coletivo 
leva o falante a botar o verbo no plural: conversavam. Tal concordância anormal não deve ser feita com 
o primeiro verbo. 
c) de pessoa. 
Ex.: Os brasileiros somos otimistas. 
Em princípio, dir-se-ia são, pois o sujeito é de terceira pessoa do plural. Mas, por estar incluído entre os 
brasileiros, é possível colocar o verbo na primeira pessoa: somos. 
 
15) Perífrase 
Emprego de várias palavras no lugar de poucas ou de uma só. 
 
Ex.: “Se lá no assento etéreo onde subiste...” (Camões) assento etéreo = céu. 
Morei na Veneza brasileira. 
Veneza brasileira = Recife 
Não provoque o rei dos animais. 
rei dos animais = leão. 
 
Obs.: Questões que envolvem perífrase pedem, freqüentemente, conhecimento independente do texto. 
 
16) Assíndeto 
Ausência de conectivo. É um tipo especial de elipse, que é a omissão de qualquer termo. 
Ex.: Entrei, peguei o livro, fui para a rede. 
Ligando as duas últimas orações, deveria aparecer a conjunção e. 
 
17) Polissíndeto 
Repetição da conjunção, geralmente e. 
Ex.: “Trejeita, e canta, e ri nervosamente.” (Padre Antônio Tomás) 
“E treme, e cresce, e brilha, e afia o ouvido, e escuta.” (Olavo Bilac) 
 
18) Zeugma 
Omissão de um termo, geralmente verbo, empregado anteriormente. Variação da elipse. 
Ex.: “A moral legisla para o homem; o direito, para o cidadão.” (Tomás Ribeiro) 
“São estas as tradições das nossas linhagens; estes os exemplos de nossos avós.” (Herculano) 
 
Obs.:Na primeira frase, está subentendida a forma verbal legisla; na segunda, são. 
 
19) Apóstrofe 
Chamamento, invocação de alguém ou algo, presente ou ausente. Corresponde ao vocativo da análise 
sintática. 
Ex.: “Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?!” (Castro Alves) 
“Erguei-vos, menestréis, das púrpuras do leito!” (Guerra Junqueiro) 
 
20) Ironia 
Consiste em dizer-se o contrário do que se quer. É figura muito importante para a interpretação de 
textos. 
Ex.: “Moça linda bem tratada, três séculos de família, burra como uma porta, um amor.” (Mário de 
Andrade) Observe que, após chamar a moça de burra, o poeta encerra a estrofe com um aparente 
elogio: um amor. 
 
21) Hipérbato 
É a inversão da ordem dos termos na oração ou das orações no período. Ex.: “Aberta em par estava a 
porta.” (Almeida Garrett) 
 
“Essas que ao vento vêm Belas chuvas de junho!” (Joaquim Cardozo) 
 
22) Anástrofe 
Variante do hipérbato. Consiste em se inverter a ordem natural existente entre o termo determinado 
(principal) e o determinante (acessório). 
Ex.: Sentimos do vento a carícia. 
Determinado: a carícia 
Determinante: do vento 
 
Obs.: Nem sempre é simples a distinção entre hipérbato e anástrofe. Há certa discordância entre os 
especialistas do assunto. 
 
23) Onomatopéia 
Palavra que imita sons da natureza. 
Ex.: O ribombar dos canhões nos assustava. 
Não agüentava mais aquele tique-taque insistente. 
“Não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano.” (Machado de Assis) 
 
24) Aliteração 
Repetição de fonemas consonantais. 
Ex.: Nem toda tarefa é tão tranqüila. 
“Ruem por terra as emperradas portas.” (Bocage) 
“Os teus grilhões estrídulos estalam.” (Raimundo Correia) 
Obs.: Nos dois últimos exemplos, as aliterações procuram reproduzir, sons naturais, constituindo-se 
também em onomatopéias. 
 
25) Enálage 
Troca de tempos verbais. 
Ex.: Se você viesse, ganhava minha vida mais entusiasmo, Agora que murcharam teus loureiros 
Fora doce em teu seio amar de novo.” (Álvares de Azevedo) 
 
Obs.: Na primeira frase, ganhava está no lugar de ganharia na segunda, fora substitui seria. 
 
 
3. Gabarito dos exercícios da aula 4 
 
EXERCÍCIOS 
 
1) Inversão (o adjetivo está anteposto ao substantivo) e oxímoro/ paradoxo (o valor negativo de 
“terrível” se contrapõe ao significado positivo de “prenda”) ou aliteração (repetem-se os fonemas 
consonantais plosivos/oclusivos) t/d/p e o sons de r/rr. 
 
 
2) a) Não. Quando o autor usa os termos “europeizava-se” e “presença europeia”, o contexto nos 
permite inferir que há uma aquisição de costumes ingleses e uma perda de hábitos portugueses, ou seja, 
há uma troca de hábitos de um país europeu por outro do mesmo continente. Desse modo, tanto o 
termo “europeizava- -se” como “presença europeia” não podem ser considerados totalmente adequados 
para caracterizar esse processo. 
 
b) Não. Literalmente, litorâneo significa “costeiro”, “relativo ou pertencente à beira-mar”. Em “contato 
litorâneo de duas culturas”, esse sentido não pode ser considerado o mais relevante. Pode-se identificar 
aí um sentido de “superficial”, ou seja, aquilo que se dá apenas nas aparências (“O vestuário, a 
alimentação, a mobília”). No caso de “temperatura”, seu sentido literal (“nível de calor que existe no 
ambiente, resultante da ação dos raios solares”) também não pode ser considerado o mais adequado 
para o contexto. Quando se diz “Ao Estado (...) coube o papel de intermediar o impacto estrangeiro, 
reduzindo-o à temperatura e à velocidade nativas”, seria muito mais adequado associar o termo 
“temperatura” a um sentido mais figurado, como o de “situação social” ou “estado moral” dos nativos. 
 
 
3) Conta-me Claúdio Mello e Souza. Estando em um café de Lisboa a conversar com dois amigos 
brasileiros, foram eles interrompidos pelo garçom, que perguntou, intrigado: - Que raio de língua é essa 
que estão aí a falar, que eu percebo (*) tudo? 
(*) percebo = compreendo 
(Rubem Braga) 
 A graça da fala do garçom reside num paradoxo. Destaque dessa fala as expressões que constituem 
esse paradoxo. Justifique. 
 
3) A expressão “que raio de língua é essa” indica um desconhecimento da língua (algo como “que língua 
estranha” forma um paradoxo com a expressão “que eu percebo tudo”, indicando que o garçom 
compreende. Nessa contradição reside o humor: sendo os dois falantes não portugueses, estrangeiros, 
portanto, deveriam falar uma língua desconhecida, mas falam uma língua que o garçom conhece e 
compreende. 
 
4) a) A expressão “ruínas novas” contém um paradoxo – ou oxímoro. Com efeito, ruínas é palavra que 
conota “antiguidade” ou, em outro registro, “velharia”, o oposto do adjetivo “novas”. Nesse sentido as 
ruinas seriam simultaneamente velhas e novas. 
 
b) Critica-se, no texto, a prática de abandonar construções, monumentos, projetos ainda novos, recém 
inaugurados, ou seja, a falta de manutenção faz com que eles se deteriorem rapidamente e, mesmo 
temporalmente novos, já apresentam aspectos de ruínas. 
 
5) a) Não, pois a segunda parte do texto indica que o país, já vivencia uma catástrofe, já está no abismo; 
esse sentido pode ser visto na expressão “novamente” em “colocarmos ele novamente lá em cima”. 
 
b) Embora o Brasil já esteja à beira do abismo, ainda vai ser preciso um grande esforço de todo o mundo 
para que o coloquemos novamente lá em cima. 
 
6) Não. Do contexto depreende-se que a pátria se encontrava em uma situação letárgica, sem reação 
diante das “substrações” ou “tenebrosas transações”, ou seja, das roubalheiras de que era vítima. 
 
7) a) Em sentido positivo, o provérbio deve ser entendido como indicação de que cada pessoa deve 
reconhecer suas limitações e agir de acordo com elas, sem cometer exageros ou extrapolações deletérias. 
Outro entendimento positivo do provérbio implica a ideia de que cada um se limite à sua competência. 
 
b) Como afirmação autoritária, o provérbio implica a ideia de que cada pessoa deve restringir-se ao âmbito 
de ação que lhe foi atribuído, numa divisão que pode ser injusta ou arbitrária, mas que não se quer discutir. 
Ou seja, o sentido autoritário é o deque cada um tem seu lugar e deve nele permanecer, não se 
questionando o princípio de tal atribuição. 
 
8) Não, pois, embora possam ter funções complementares, solidão e comunicação correspondem a 
diferentes desejos do ser humano: a solidão supre a necessidade de isolamento, a comunicação satisfaz 
nossa carência

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