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Câncer de Colo de Útero INTRODUÇÃO - Os dados mundiais de 2018 apontaram que o câncer de colo uterino foi o quarto mais comum nas mulheres (6,6% dos casos) e o segundo câncer ginecológico mais comum, ficando atrás apenas do câncer de mama. No Brasil, excluindo o câncer de pele não-melanoma, foi o terceiro câncer mais comum em mulheres. → ASPESTOS MORFOFUNCIONAIS DA CÉRVICE - O colo (ou cérvice) é a porção distal do útero. Mede cerca de 3 a 4 cm de comprimento e 2,5 cm de diâmetro. Pode ser dividido em duas partes: ectocérvice, a porção mais facilmente visível (externa), e endocérvice, que fica no interior do canal cervical. - A região endocervical é constituída por epitélio colunar simples, de única camada, fina e secretora de muco. Já a ectocérvice, bem como as paredes vaginais, é recoberta por epitélio escamoso estratificado não queratinizado, que é mais resistente às eventuais agressões próprias do meio vaginal, como acidez, agentes infecciosos e traumas mecânicos. - Principal via de disseminação -> contiguidade - O epitélio escamoso estratificado, por sua vez, pode ser dividido em quatro camadas celulares: células superficiais, intermediárias, parabasais e basais - Você não precisa saber todos os detalhes sobre essas células, mas lembre-se de que, quanto mais profunda for a célula, maior a relação núcleo/ citoplasma, ou seja, as células superficiais têm bastante citoplasma e núcleo pequeno (picnótico); já as células profundas (parabasais e basais) têm núcleo grande e citoplasma escasso. - É importante que você também saiba que é o estrogênio o responsável pelo aumento da espessura do epitélio vaginal, amadurecimento das células epiteliais escamosas e aumento da quantidade de glicogênio das células intermediárias. - O local de união entre o epitélio escamoso e glandular é chamado de junção escamocolunar (JEC). A JEC tem localização dinâmica, pois o epitélio glandular responde aos níveis de estrogênio. Logo após a menarca, normalmente se localiza exatamente no orifício cervical externo, chamado de colo “padrão”. - Em situações hiperestrogênicas, como na gravidez ou em pacientes usuárias de anticoncepcionais, a JEC vai em direção à ectocérvice, processo chamado de ectopia, eversão ou ectrópio. - Ao exame especular, pode observar-se região avermelhada nesse local, conhecida como mácula rubra. Depois da menopausa, o colo uterino reduz seu tamanho (redução do estrogênio), de forma que a junção escamocolunar se localiza frequentemente no interior do canal endocervical - O epitélio colunar evertido sofre ação do pH vaginal ácido, que provoca a multiplicação das células sub colunares de reserva, processo chamado de metaplasia. A metaplasia escamosa do colo uterino indica, então, a substituição fisiológica do epitélio colunar evertido em epitélio escamoso. - O epitélio colunar é formado por numerosas criptas, cristas e invaginações. Quando é recoberto pelo epitélio escamoso leva ao aparecimento de aberturas (ou orifícios) glandulares. Também pode ocorrer a obstrução desses orifícios e retenção de secreção mucoide, formando estruturas arredondadas, denominadas cistos de Naboth - A região do colo uterino onde ocorre a metaplasia escamosa é denominada de zona de transformação (ZT). Os orifícios glandulares e os cistos de Naboth mais distais identificam a JEC original e o limite caudal da zona de transformação. Sua identificação é muito importante, pois quase todas as alterações causadas pelo HPV (Papilomavírus humano) ocorrem nessa área. → HPV - A infecção por HPV é muito comum, cerca de 80% dos indivíduos sexualmente ativos apresentarão esse vírus em algum momento da vida, porém a minoria desenvolverá lesão precursora e menor ainda será o número de mulheres com câncer de colo uterino. - A maioria das infecções por HPV desaparece em um período de seis a 24 meses. Entre os fatores capazes de influenciar a persistência e o avanço da infecção pelo HPV estão: idade, tabagismo, imunidade, uso de contraceptivos, outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e estado nutricional. Cerca de 10% das mulheres não apresentam clareamento, ou seja, mantêm o vírus, o que torna a infecção persistente. - Já na infecção por HPV de alto risco oncogênico, o DNA do HPV integra-se ao DNA do hospedeiro, de forma que o vírus passa a expressar suas proteínas, que inativam as proteínas supressoras tumorais (p53 e pRB), fazendo com que a célula se torne “imortal”. Como consequência, a depender da condição de cada indivíduo, ocorrerá o aparecimento das lesões precursoras ou mesmo o câncer Formas de apresentação o Clínica - Essa forma é caracterizada pela presença de lesões que são percebidas pela paciente e/ou diagnosticadas pelo médico, os condilomas ou verrugas genitais. Observa-se lesões verrucosas de tamanho variável, únicas ou múltiplas, localizadas ou difusas em colo, vagina ou vulva. o Latente - Nessa forma, o DNA HPV é detectado somente por técnicas moleculares, não existindo evidências clínicas, citológicas, colposcópicas ou histológicas da infecção. o Subclínica - A infecção por HPV é percebida através de alterações cito-colpo- histológicas. Discutiremos, ainda neste livro digital, as bases da citologia e da colposcopia no rastreio de câncer de colo uterino. No Brasil, a citologia é o principal método de rastreio da infecção por HPV e o sinal mais característico da presença desse vírus é a coilocitose que consiste em uma célula com halo perinuclear. - Outros achados que podem ser observados na infecção por HPV são: aumento do núcleo, irregularidades na cromatina, binucleação e aumento da relação núcleo/ citoplasma - Quando não há invasão da membrana basal, dá-se o nome de neoplasia intraepitelial cervical (NIC). Na NIC I, as atipias ocorrem no 1/3 basal do epitélio; na NIC II, até 2/3 inferiores do epitélio são acometidos; na NIC 3, as atipias ocorrem em mais que 2/3 do epitélio. Caso as atipias celulares ultrapassem a membrana basal, temos o carcinoma invasor. - A evolução temporal da infecção por HPV é lenta. Desde o diagnóstico da infecção até o surgimento de NIC I e II o tempo médio é de cinco anos. Até o surgimento de NIC III, o tempo estimado é de dez anos - Por esse consenso, todas NIC 1 são LIEBG (lesões intraepiteliais de baixo grau) e todas as NIC 3 são LIEAG (lesões intraepiteliais de alto grau). As NIC 2 apresentam comportamento heterogêneo, ora têm boa evolução com regressão espontânea, ora má evolução, com progressão. Por esse motivo, nessa nova classificação sugere-se estudo imunohistoquímico da p16 nas lesões de grau II. - A p16 é uma proteína superexpressa quando o HPV de alto risco oncogênico está expressando suas oncoproteínas. Por essa análise, as NIC II podem ser classificadas como baixo grau quando a p16 é negativa ou como alto grau quando positiva FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO QUADRO CLÍNICO - O câncer de colo uterino invasor, em fases iniciais, bem como suas lesões precursoras, é assintomático, por isso, a importância do rastreamento. Em mulheres assintomáticas, essa neoplasia pode ser descoberta por meio do rastreio ou por lesão visível, durante o exame pélvico. Em mulheres sintomáticas, as manifestações mais comuns são - Sangramento irregular; - Corrimento vaginal mucóide ou com odor (achado inespecífico); - Sinusorragia (sangramento pós-coito) - Aproximadamente, 45% das pacientes têm doença localizada, no momento do diagnóstico; 36% têm doença com envolvimento regional e 15% têm metástases à distância. Doença avançada pode apresentar- se com: - Dor pélvica, com irradiação para extremidades; - Sintomas urinários e intestinais devido à invasão ou compressão tumoral - Um exame pélvico deve ser realizado em qualquer mulher com sintomas sugestivos de câncer de colo do útero. A visualização do colo uterino, durante o exame especular, pode revelar umaaparência normal ou uma lesão cervical visível. Qualquer lesão visível suspeita deve ser biopsiada, independentemente dos resultados citológicos benignos anteriores. TIPOS HISTOLÓGICOS - O tipo de HPV mais encontrado no carcinoma espinocelular é o 16 (55,2% dos casos); nos adenocarcinomas, o tipo mais encontrado é o 18 (37,7% dos casos). - O grau de diferenciação dos tumores também deve ser avaliado conforme a classificação a seguir: GX: o grau histológico não pode ser avaliado; G1: bem diferenciado; G2: moderadamente diferenciado; G3: indiferenciado RASTREAMENTO → COLETA DA COLPOCITOLOGIA ONCÓTICA - A citologia é a ciência que estuda as células esfoliadas, natural ou artificialmente. A colpocitologia oncótica, também chamada de citologia, preventivo ou Papanicolau, tem notória importância no diagnóstico das lesões precursoras do câncer de colo uterino e, portanto, em sua prevenção. - A principal desvantagem é o custo maior. Alguns cuidados devem ser tomados antes da coleta: 1. Abstinência sexual de 48 a 72 horas. 2. Não utilizar duchas vaginais nas 48 horas que antecedem o exame. 3. Não utilizar cremes vaginais por no mínimo 72 horas antecedendo o exame. 4. Tratar infecções e atrofia vaginal. 5. Não utilizar lubrificantes no espéculo vaginal. - A melhor época para coleta é o período periovulatório, não sendo recomendável a coleta no período menstrual. A coleta recomendada pelo Ministério da Saúde é dupla, ou seja, de material da ectocérvice e da endocérvice. - A coleta tripla (ectocérvice, endocérvice e fundo de saco vaginal), antigamente recomendada e ainda realizada em alguns serviços, não é mais preconizada, pois o material de fundo de saco vaginal não tem valor citológico. Já em pacientes histerectomizadas, quando for necessária a citologia, a coleta deve ser feita nessa região. Coleta da citologia convencional 1. O profissional de saúde deve lavar bem as mãos. 2. Colocar a paciente em posição ginecológica e cobri-la com lençol. 3. Posicionar o foco de luz e colocar as luvas descartáveis. 4. Realizar inspeção vulvar. 5. Escolher o espéculo de acordo com as características perineais e vaginais da mulher. 6. Passar o espéculo em posição vertical e ligeiramente inclinado para não machucar a uretra. 7. Iniciada a introdução, fazer uma rotação deixando-o em posição transversa, de modo que a fenda da abertura do espéculo fique na posição horizontal. Uma vez introduzido totalmente na vagina, abri-lo lentamente e com delicadeza. 8. Observar as características do colo uterino e das paredes vaginais, bem como do conteúdo vaginal; 9. Obter material da ectocérvice atritando-se a junção escamocolunar com a espátula de Ayre, em movimento de rotação completa. A ponta mais longa deve ser encaixada no orifício externo do colo uterino; 10. Introduzir a citobrush cerca de 3 cm no interior do canal cervical, sendo o material obtido através de movimentos de rotação e vai-e-vem. 11. O material deve ser colocado na lâmina: a amostra ectocervical deve ser disposta no sentido transversal, na metade superior da lâmina, próximo à região fosca, previamente identificada com as iniciais da mulher e o número do registro. O material retirado da endocérvice deve ser colocado na metade inferior da lâmina, no sentido longitudinal. 12. Fixar o material com spray (distância de 20 cm) ou por imersão da lâmina em um líquido fixador. 13. Começar a retirada do espéculo delicadamente, evitando “beliscar” o colo uterino da paciente. 14. Retirar o espéculo. 15. Retirar as luvas. 16. Ajudar a paciente a descer da mesa e solicitar que ela troque de roupa. 17. Orientar que um pequeno sangramento devido à coleta é normal. 18. Orientar o retorno para o resultado. Coleta em meio líquido - Nesse caso, a diferença está na espátula de coleta, que deve ser de plástico. Uma das técnicas está descrita a seguir: após a passagem do espéculo, introduz-se a escova apropriada cerca de 1,5 cm e faz- se movimentos de rotação e escovagem. Coloca-se a escova no tubo com líquido conservante e quebra-se a escova, com posterior fechamento do tubo → POPULAÇÃO ALVO E INTERVALO DE RASTREAMENTO Devem ser rastreadas as mulheres sexualmente ativas com idade igual ou superior a 25 anos. Os dois primeiros exames devem ser feitos com intervalo anual e, se negativos, o rastreamento pode ser feito a cada três anos. - O rastreamento deve seguir até os 64 anos de idade e ser interrompido caso a paciente já tenha, pelo menos, dois exames negativos consecutivos nos últimos cinco anos. - Como o HPV é transmitido sexualmente, não há necessidade de coleta em pacientes virgens. - Se houver atrofia vaginal em pacientes na pós-menopausa, proceder estrogenização antes da coleta. - Gestantes devem ser rastreadas da mesma forma que as demais mulheres. A coleta endocervical não parece aumentar o risco sobre a gestação - Em mulheres que se submeteram à histerectomia, é importante avaliar o motivo da cirurgia e seu rastreio prévio para câncer de colo uterino: - mulheres que realizaram histerectomia total (corpo e colo uterino) por doença benigna, sem histórico de tratamento de lesões cervicais de alto grau, podem ser excluídas do rastreio; - mulheres histerectomizadas por lesão precursora de câncer de colo uterino devem ser acompanhadas conforme a lesão tratada → NOMECLATURA CITOLÓGICA BRASILEIRA → COLPOSCOPIA - A colposcopia é uma técnica que possibilita a ampliação dos tecidos do trato genital inferior. Por ela, conseguimos visualizar as alterações do estroma através de um filtro, o epitélio. Para isso, são necessários alguns reagentes: - O ácido acético atua causando desidratação celular e coagulação das proteínas intranucleares, diminuindo a transparência do epitélio, sendo a intensidade do aceto- branqueamento diretamente proporcional à gravidade da lesão. Pode ser utilizada solução de 3% ou 5% (a solução de 5% é preferível para a vulva). - Como as células do epitélio escamoso normal bem diferenciado não têm atividade aumentada, o ácido acético quase não tem ação. Já as células em atividade, sejam células metaplásicas ou displásicas, apresentarão acetobranqueamento - Já a solução de lugol é composta por iodo-metaloide e iodeto de potássio. O iodo é captado pelas células epiteliais ricas em glicogênio, assumindo cor marrom-avermelhada escura. Já o epitélio alterado, metaplásico, o pré-neoplásico e o neoplásico, por serem desprovidos de glicogênio, ficam iodo-negativos - A colposcopia é fundamental para avaliar extensão e gravidade de lesões e é considerada o método de referência para o diagnóstico de lesões pré-neoplásicas do colo do útero. O local a ser biopsiado deve ser aquele que estiver mais alterado. - Em casos de epitélios homogeneamente alterados, a área a ser biopsiada deve ser a região mais próxima da JEC (junção escamocolunar), por haver maior possibilidade de conter modificações histológicas mais graves. O que é considerado alterado na colposcopia? - Antigamente, a não visibilidade da JEC era um critério de colposcopia insatisfatória. -> Colo uterino ausente, inflamação ou atrofia intensa e sangramento. - O critério de visibilidade da JEC será muito importante na conduta frente às atipias citológicas. É só pensarmos: se a maioria das alterações do HPV ocorre próximo a JEC, se não conseguirmos vê-la adequadamente, alguma conduta diferente deve ser tomada, não é mesmo? # Epitélio acetobranco: ocorre devido à proliferação celular. Corresponde a uma área esbranquiçada após a colocação de ácido acético. É considerado tênue se tem aparecimento lento, bordas poucos nítidas e desaparecimento fugaz. Já o epitélio acetobranco denso aparece mais rápido e tem borda mais demarcada # Pontilhado: representa a proliferação celular e angiogênese. Consiste em uma área branca com pontos vermelhos,sendo esses capilares terminais dilatados # Mosaico : também representa proliferação celular e angiogênese. No mosaico, os capilares estão paralelos à superfície e circundam áreas de epitélio acetobranco, formando blocos que parecem tijolos. Quanto mais grosseiro for o mosaico e quanto maior for a distância intercapilar, maior a probabilidade de a lesão ser de alto grau # Orifícios glandulares espessados: nesse achado, a proliferação celular está nas criptas glandulares. Dessa forma, após a aplicação do ácido acético, a glândula fica com um halo esbranquiçado e espesso, semelhante a um donut # Vasos atípicos os vasos normais têm um formato arboriforme, já os vasos considerados atípicos são irregulares com um curso interrompido abruptamente e com aparência de vírgulas, vasos capilares espiralados, grampos ou letra chinesa → INTERPRETAÇÃO E CONDUTAS ASCUS - Essa é a anormalidade citológica mais frequente. Nessa atipia, estão presentes alterações celulares insuficientes para o diagnóstico de lesão intraepitelial, mas alterações mais significativas do que as encontradas em processos inflamatórios. A chance de ser uma lesão de alto grau ou câncer é muito baixa. Por isso, uma conduta conservadora deve ser tomada. - Recomendação: Diante da citologia ASCUS, a conduta inicial deve ser a repetição da citologia. A segunda coleta deve ser precedida de tratamento de infecções ou atrofia genital. - O intervalo de repetição depende da faixa etária: 1. Pacientes com idade inferior a 30 anos - repetir citologia em 12 meses. 2. Pacientes com idade igual ou superior a 30 anos - repetir citologia em seis meses. A justificativa para repetir com intervalo menor nessa faixa etária é que a infecção por HPV oncogênico é mais persistente em mulheres com 30 anos ou mais. - A paciente só volta à rotina de rastreamento trienal se tiver dois exames subsequentes negativos com intervalo de seis meses (≥ 30 anos) ou 12 meses ( realizar biópsia, mas o tratamento também é aceitável (excisão tipo 1 ou tipo 2). - Achados anormais menores -> realizar biópsia. o Se JEC não visível ou parcialmente visível, ZT 3 - Achados anormais -> biopsiar os achados anormais e avaliar o canal endocervical. Caso seja confirmada a presença de NIC II, ou mais, relevante na biópsia ou material endocervical, seguir recomendação específica. Caso mostre NIC I ou o resultado dessa investigação for negativo, iniciar o seguimento, repetindo a citologia e a colposcopia em seis meses. - Colposcopia normal -> avaliar o canal endocervical. Se o exame desse material mantiver o mesmo resultado ou agravarse, excluída lesão vaginal, é recomendável a excisão tipo 3 para diagnóstico. Caso o exame desse material seja negativo, indica- se novas citologia e colposcopia em seis meses. Se os novos exames, realizados em seis meses após a colposcopia, forem negativos, a paciente deve repetir a citologia em seis meses. Caso a citologia em seis meses mantenha o mesmo diagnóstico ou mais grave, na ausência de achados colposcópicos anormais, mantida a impossibilidade de visão da JEC e excluída lesão vaginal, é recomendada a excisão tipo 3. Nesses casos, se a JEC for visível, é recomendável a revisão das lâminas iniciais. Caso esse diagnóstico seja mantido ou agrave-se, é recomendável a excisão tipo 3. Caso a revisão não mantenha esse diagnóstico, seguir conduta específica. Caso não seja possível a revisão, uma nova citologia deve ser realizada em seis meses. Caso a nova citologia mostre um novo resultado alterado, seguir conduta específica. AGC possivelmente não neoplásicas ou células glandulares atípicas de significado indeterminado - A chance de lesão de alto grau ou câncer em pacientes com essa atipia citológica varia de 15% a 56% dos casos, por isso todas as pacientes com esse achado devem ser encaminhadas à colposcopia. -Na colposcopia, devido à possibilidade de lesões glandulares e patologias endometriais, é muito importante a avaliação do canal endocervical e avaliação endometrial. Essa última fica reservada às pacientes acima de 35 anos e àquelas com sangramento uterino anormal, anovulação crônica e obesidade. Recomendação: pacientes com diagnóstico citológico de AGC devem ser encaminhadas para colposcopia. À colposcopia: • Realizar nova coleta de material para citologia com especial atenção para o canal cervical. • Realizar avaliação endometrial com ultrassonografia transvaginal: - Em todas as pacientes acima de 35 anos. - Independentemente da idade, se paciente estiver com sangramento uterino anormal ou citologia sugerindo origem endometrial. A investigação da cavidade endometrial será prioritária em relação à investigação da ectocérvice e canal endocervical sempre que mencionada a possível origem endometrial dessas células atípicas. - Se ultrassonografia anormal, realizar estudo anatomopatológico do endométrio. • Realizar biópsia de qualquer achado anormal. •Avaliar canal endocervical: - Se JEC não visível ou parcialmente visível - Se colposcopia normal (pense que a lesão pode estar “escondida” no canal endocervical, especialmente porque as atipias são em células glandulares). Células atípicas de origem indefinida (AOI), possivelmente não neoplásicas ou células atípicas de origem indefinida, quando não se pode afastar lesão de alto grau -. Como o próprio nome diz, sua origem indefinida nos obriga a procurar não só patologias de colo uterino e endometriais, como também investigar os demais órgãos pélvicos. - A recomendação do Ministério da Saúde segue basicamente a mesma da recomendação das pacientes com AGC, acrescentando exame de imagem para avaliação dos órgãos pélvicos. Lesão intraepitelial de baixo grau (LSIL) - A lesão intraepitelial de baixo grau (LSIL/LIEBG) é o segundo diagnóstico citológico mais frequente (precedido apenas por ASCUS). Representa a manifestação citológica da infecção pelo HPV, muito prevalente e com alto potencial de regressão, por isso uma conduta conservadora deve ser adotada. - Recomendações: mulheres com diagnóstico citopatológico de LSIL devem repetir o exame citopatológico em seis meses. - Se a citologia de repetição for negativa em dois exames consecutivos, a paciente deve retornar à rotina de rastreamento citológico trienal. Entretanto, se a citologia de repetição mantiver LIEBG, encaminhar para colposcopia À colposcopia: • Se achados anormais -> realizar biópsia. - A biópsia pode ser dispensada quando a paciente preencher todos os seguintes critérios: - Achados anormais menores, idade repetir citologia em seis meses (se idade ≥ 30 anos) ou 12 meses (se idaderepetição da citologia é inaceitável como conduta inicial. À colposcopia: - Se achados anormais maiores (sugestivos de lesão de alto grau) e: JEC visível (ZT tipos 1 ou 2), lesão restrita ao colo e ausência de suspeita de invasão ou doença glandular -> método “ver e tratar”, ou seja, a excisão tipo 1 ou 2, de acordo com o tipo da ZT. Nos casos em que esse método estiver indicado, a biópsia de colo não é recomendada. Veja detalhes sobre esse método a seguir. JEC não visível ou parcialmente visível (ZT tipo 3) -> excisão tipo 3. • Se achados anormais menores (sugestivos de lesão de baixo grau) e: - JEC visível -> realizar biópsia. - JEC não visível -> avaliação do canal endocervical obrigatória e biópsia opcional. Nesse caso, a biópsia é opcional pois a citologia sugeriu alterações sugestivas de lesão de alto grau e os achados menores sugerem lesão de baixo grau. Sendo assim, é muito mais importante procurar uma lesão “escondida” no interior do canal endocervical do que a realização da biópsia da região ectocervical. Também deve ser assegurada a ausência de lesão vaginal (lembre-se: a citologia vê alterações de células esfoliadas, que podem ter origem no colo, vagina e até mesmo da vulva). • Se achados sugestivos de invasão (câncer) -> realizar biópsia. • Se colposcopia normal: - Assegurar que não há lesão na vagina e solicitar revisão de lâmina. - Se JEC não visível ou parcialmente visível -> investigar o canal endocervical. - Se JEC visível -> repetir citologia em seis meses. • Se a nova citologia mantiver o resultado de HSIL/LIEAG, está indicada a excisão tipo 3, chamada de “conização diagnóstica”. Lesão intraepitelial de alto grau não podendo excluir microinvasão ou CEI - A biópsia só é realizada em casos de suspeita de invasão. Nos demais casos (achados maiores, achados menores ou colposcopia normal), a paciente deve ser submetida a procedimento excisional, pois a lesão pode estar “escondida” no interior do canal endocervical. Adenocarcinoma in situ e invasor 1. Em 50% dos casos de AIS, coexistem lesões escamosas, o que pode dificultar o diagnóstico. 2. Principal: as lesões podem ser multifocais e “saltatórias”, ou seja, mesmo no anatomopatológico com margens livres, há risco de lesão residual. Por isso, a maioria dos autores recomenda histerectomia total como tratamento definitivo do adenocarcinoma in situ nos casos de paciente com prole definida. Em casos de paciente com prole incompleta, a conização com margens livres pode ser suficiente. Recomendações: mulheres com exame citopatológico sugestivo de AIS ou invasor devem ser encaminhadas para colposcopia. À colposcopia: • Se achados anormais maiores, menores ou colposcopia normal -> tratamento (excisão do tipo 3). • Se achados sugestivos de invasão -> biópsia. - Se biópsia negativa -> excisão do tipo 3. • Realizar avaliação endometrial: - Se idade ≥ 35 anos. - Independentemente da idade se houver sangramento uterino anormal ou condições que sugiram anovulação crônica. ESTADIAMENTO - A Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia mudou o procedimento de estadiamento do câncer de colo uterino, no ano de 2018. Anteriormente, era apenas clínico, mas, atualmente, a avaliação cirúrgica e radiológica também é utilizada. - O estadiamento cirúrgico e radiológico fornece informações importantes, que podem impactar o tratamento. - O estadiamento preciso do câncer cervical, no pré-tratamento, é fundamental, pois determina a terapia (isto é, cirurgia, quimioterapia + radioterapia ou quimioterapia apenas) e o prognóstico. - O diagnóstico do estádio IA (IA1 e IA2) é feito por meio do exame anatomopatológico de procedimento excisional e este deve ter margens livres (atenção para esse detalhe). Também pode ser feito em amostra de traquelectomia ou histerectomia. - É muito importante que no exame anatomopatológico também conste se há envolvimento do espaço linfovascular (IELV). Esse dado não altera o estadiamento, mas modifica o tratamento. → ESTADIAMENTO POR IMAGEM - Os métodos de imagem como ultrassonografia (US), tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM) e tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT) apresentam desempenho superior ao exame físico, no estadiamento do câncer de colo do útero. - A imagem tem a vantagem de identificar fatores prognósticos adicionais, que podem orientar a escolha da modalidade de tratamento. O objetivo é identificar o método mais adequado e evitar a terapia dupla, com cirurgia e radiação, que podem aumentar bastante a morbidade. - A ressonância magnética (RM) é o melhor método de avaliação radiológica de tumores primários maiores que 10 mm. Costuma ser o método de escolha para a estimativa por imagem da localização, tamanho, profundidade e extensões vaginal, parametrial, retal ou vesical dos tumores macroscópicos do colo uterino. - Seu alto valor preditivo negativo na exclusão de invasão vesical ou retal dispensa a cistoscopia e a endoscopia digestiva, na maioria das pacientes. A ultrassonografia pode ser utilizada, se houver contraindicação à RM. Para detecção de metástase linfonodal superior a 10 mm, a PET-CT é mais precisa que TC e RM. - Como o principal fator prognóstico dessa doença é o seu estádio ao diagnóstico, no novo estadiamento, pacientes com acometimento linfonodal já são classificados como IIIC, o que lhes confere pior prognóstico. Em pacientes com carcinoma invasivo franco, radiografia de tórax e avaliação de hidronefrose (ultrassonografia, pielografia intravenosa, TC ou RM) devem ser feitas. - A bexiga e o reto são avaliados por cistoscopia e sigmoidoscopia somente se o paciente for clinicamente sintomático. A cistoscopia também é recomendada em casos de crescimento endocervical em forma de barril e em casos em que o crescimento se estendeu para a parede vaginal anterior. PRINCIPAIS TRATAMENTOS → TRATAMENTO CIRÚRGICO Conização - Já descrevemos o procedimento de conização cervical no livro digital de rastreamento de câncer de colo uterino. Nessa cirurgia, é realizada exérese de zona de transformação (EZT) tipo 3, ou seja, boa parte do canal endocervical (2-2,5 cm) é retirada. - A conização é diagnóstica e, também, terapêutica, nos casos de carcinoma in situ. Como já vimos, o diagnóstico do estadiamento IA só pode ser dado por meio de produto de EZT com margens livres. - Sendo assim, caso uma paciente tenha realizado conização e o anatomopatológico apresente, como resultado, carcinoma microinvasor com margens comprometidas, a paciente deve ser submetida a novo procedimento excisional, para descartar doença francamente invasora no restante da peça. - A conização também pode ser terapêutica, nos casos de pacientes com câncer de colo uterino microinvasor IA1, sem invasão do espaço linfovascular, e com desejo de preservar a fertilidade. Traquelectomia - A traquelectomia é um procedimento que visa à remoção total do colo uterino, com manutenção do útero. É realizada em mulheres com câncer de colo uterino estádio IA2 ou estágio IB1, com desejo de preservação da fertilidade. Pode ser realizada via abdominal ou vaginal. Além da traquelectomia, essas pacientes requerem alguma forma de avaliação dos linfonodos (linfonodo sentinela ou linfadenectomia). Histerectomia - A histerectomia é o procedimento de retirada do útero. É a cirurgia ginecológica mais realizada no mundo. Pode ser subtotal (preserva o colo uterino), total (retira o colo uterino) ou radical (utilizada em procedimentos oncológicos). Para o tratamento da neoplasia de colo uterino, pode ser realizada histerectomia total simples ou radical. Exenteração pélvica - A exenteração pélvica consiste na ressecção, em monobloco, dos órgãos genitais femininos, em conjunto com os do trato urinário inferior e/ou reto e sigmoide. Pode ser uma opção de tratamento nos raros casos do estádio IVA, sem envolvimentoda parede pélvica (prognóstico ruim), ou nos casos de recidiva, após radioterapia primária → RADIOTERAPIA - A radioterapia é uma modalidade de tratamento essencial no campo da ginecologia, especialmente no manejo de neoplasias malignas do trato reprodutivo feminino, sendo frequentemente indicada para o tratamento de vários tipos de câncer ginecológico, incluindo o câncer de colo do útero, endométrio, vulva e ovário. Pode ser usada como terapia adjuvante após a cirurgia para eliminar células cancerígenas residuais, como tratamento primário, ou em casos paliativos para aliviar sintomas de doenças avançadas # Tipos de radioterapia 1) Radioterapia Externa (Teleterapia): Utiliza feixes de radiação direcionados de fora do corpo para o tumor e tecidos circundantes. É comumente administrada em várias sessões no período de algumas semanas. 2) Braquiterapia: Envolve a colocação de fontes radioativas diretamente dentro ou próximo ao tecido tumoral. É bastante eficaz no tratamento de câncer de colo do útero, pois permite aplicar altas doses de radiação diretamente no tumor, com a minimização da exposição aos tecidos circundantes - O planejamento da radioterapia é um processo complexo que envolve a imagenologia avançada, como a tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM) e, em alguns casos, a tomografia por emissão de pósitrons (PET) para delinear com precisão o tumor e os órgãos de risco. - Técnicas modernas, como a radioterapia conformacional tridimensional (3D-CRT), radioterapia de intensidade modulada (IMRT) e radioterapia guiada por imagem (IGRT), têm melhorado a precisão do tratamento, reduzindo a toxicidade para os tecidos saudáveis circundantes. - A eficácia da radioterapia depende do tipo e estágio do câncer. Por exemplo, no câncer cervical, a radioterapia combinada com quimioterapia pode melhorar significativamente as taxas de controle local e sobrevivência global em comparação com a radioterapia isolada. - Os efeitos colaterais da radioterapia podem incluir fadiga, reações cutâneas, disfunção gastrointestinal e geniturinária, e linfedema. A toxicidade tardia pode afetar a função sexual e a fertilidade. - Além de seu papel curativo, a radioterapia também pode ser usada como paliativa e como terapia adjuvante em pacientes operados, para prevenir a recorrência locorregional, embora o papel da “dupla modalidade” seja desencorajado, pelo aumento da morbidade. Radioterapia primária A radioterapia pode ser utilizada, como terapia inicial, nos estádios IA, IB1, IB2 e IIA1, com bons resultados de controle local e sobrevida. Pode ser adotada como tratamento, nesses estádios, quando a paciente for candidata ruim à cirurgia. O uso da quimiorradiação, atualmente, é considerado padrão inicial de tratamento para os estádios IB3, IIA2, IIB, III e IV. - Anteriormente, o estádio IVB era tratado apenas com quimioterapia primária, porém observou-se que a quimiorradiação produz melhores resultados que a quimioterapia isolada Radioterapia adjuvante Branquiterapia - A braquiterapia é uma forma de radioterapia interna que envolve o posicionamento de uma fonte radioativa diretamente no tumor ou próximo dele. O termo "braquiterapia" vem do grego brachys, que significa "curta distância". Esta técnica é utilizada no tratamento de diversos tipos de câncer, incluindo ginecológico, de próstata, de mama, de pele e tumores de cabeça e pescoço # Princípios da branquiterapia - Dose Localizada: Em comparação com a radioterapia externa, a braquiterapia permite aplicar altas doses de radiação diretamente no tecido tumoral, com uma rápida queda da dose à medida que se distancia da fonte, o que reduz a exposição dos tecidos adjacentes saudáveis à radiação. - Fontes Radioativas: O tratamento utiliza isótopos radioativos, como o irídio-192, o césio-137 ou o iodo-125, entre outros. A escolha do isótopo depende do tipo e localização do tumor, da dose necessária e do planejamento do tratamento. - Tipo de Aplicadores: A colocação das fontes radioativas pode ser feita através de diferentes tipos de aplicadores, como agulhas, cateteres, sondas ou moldes, que podem ser temporários ou permanentes → QUIMIOTERAPIA - Redução do risco demorte, com melhoria absoluta de 10% na sobrevida - Redução do risco de recorrência - Redução do risco de recorrência local - A quimioterapia é, geralmente, administrada com cisplatina de agente único ou a combinação de cisplatina mais fluorouracil. → TRATAMENTO DE NEOPLASIAS INTRAEPITELIAS CERVICAIS (NICS) Destruitivos o Eletrocoagulação - Foi o primeiro método destrutivo usado para o tratamento conservador das lesões de colo do útero. Utiliza-se eletrodo em esfera que, através o calor, destrói o tecido superficial com profundidade média de 3 mm. Como pode causar dor, pode ser realizada com anestesia local. Além disso, pode causar retrações e estenose cervical. o Criocoagulação - Consiste no congelamento dos tecidos por meio de óxido nítrico. O equipamento consiste em sondas metálicas que se acoplam ao colo uterino e provocam morte celular por congelamento do tecido a - 90° C. O tratamento é indolor e não requer anestesia. Consegue destruir tecidos a uma profundidade de 6 mm. O efeito colateral mais importante é o aumento do fluxo vaginal. o Vaporização com laser - Utilizado desde a década de 1970, nesse método o tecido é destruído por vaporização. O laser mais utilizado é o de CO2 . Consegue atingir profundidade de destruição de 6 a 7 mm, o que é muito importante para evitar persistência de lesão no fundo da cripta glandular. Tem como principais vantagens melhor cicatrização, menor necrose térmica, menor fibrose no colo uterino e possibilidade de repetição do método. Sua maior desvantagem é o custo, o que o faz não estar disponível em todos os serviços. Tratamento excisional - O procedimento excisional é o método padrão para o tratamento da lesão intraepitelial de alto grau, pois permite a obtenção de material para análise histológica e exclusão de foco de câncer microinvasor ou invasor. - As diretrizes brasileiras reforçam que mulheres com NIC 2/3 devem submeter-se a procedimento excisional. Exceções a essa regra ocorrem em gestantes e, em alguns casos, adolescentes. - O nome correto para o tratamento excisional é exérese de zona de transformação (EZT), já que o objetivo do tratamento é retirar onde a lesão está, na zona de transformação do colo uterino. A classificação dos tipos de excisão foi feita com base no tipo de zona de transformação da paciente, que já conceituamos no início deste livro → TRATAMENTO NA GRAVIDEZ PROFILAXIA E EXAME DNA-HPV → VACINA - As vacinas contra o HPV representam um marco no âmbito da imunização, particularmente na prevenção de tumores da área anogenital. São produzidas por meio da tecnologia de DNA recombinante. Em sua constituição, as vacinas contêm partículas que se assemelham às proteínas do capsídeo viral (VLPs: víruslike particles). - Dessa maneira, as VLPs utilizadas são partículas não infecciosas e apenas imitam a infecção natural pelo HPV, produzindo anticorpos específicos contra os tipos de HPV contidos na vacina. Sendo uma ação para prevenir o desenvolvimento de patologias HPV-induzidas, as vacinas contra o HPV são uma medida de prevenção primária. - Existem três vacinas contra HPV aprovadas pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária): 1. Bivalente: protege contra os tipos 16 e 18 (não é mais comercializada); 2. Quadrivalente: protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18; 3. Nonavalente: protege contra os subtipos 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58. Essa vacina ainda não está disponível para venda no mercado nacional. - A FDA (Food and Drug Administration) recomenda a vacinação para HPV para homens e mulheres entre 9 e 45 anos. É importante ressaltar que, desde 2017, nos Estados Unidos, somente está disponívela vacina nonavalente. De acordo com o registro da ANVISA, a vacina quadrivalente é aprovada para homens e mulheres entre 9 a 45 anos e a vacina nonavalente para homens e mulheres de 9 a 26 anos. - A vacinação para o HPV está disponível no calendário vacinal brasileiro desde 2014 e, desde 2017, foi incluído o sexo masculino na população-alvo. A vacina disponível é a quadrivalente. - O objetivo do Ministério da Saúde é a prevenção de câncer de colo de útero, vulva, vagina, canal anal, pênis e orofaringe. A estratégia de vacinação para meninos também contribui para reduzir a transmissão do vírus para as mulheres e, assim, reduzir adicionalmente a incidência de doença relacionada ao HPV na população feminina. - Os estudos mostraram que, em pessoas com idade inferior a 15 anos, a quantidade de anticorpos gerada com apenas duas doses da vacina é semelhante ao esquema de três doses em pacientes acima dessa idade, por isso, em pacientes até 15 anos, o calendário vacinal brasileiro preconiza apenas duas doses da vacina. - Mas esse esquema não é aplicável em pacientes imunossuprimidos. Atualmente, a vacina contra o HPV está disponível no Brasil para meninas e meninos de 9 a 14 anos, no esquema de duas doses com intervalo de seis meses. - Para meninas e meninos de 9 a 45 anos, portadores de HIV, transplantados de órgãos sólidos ou em tratamento quimioterápico, a vacina deve ser realizada no esquema original de três doses (0, 2 e 6 meses) - O Ministério da Saúde, em nota técnica de agosto de 2023, incluiu a vacinação contra o HPV para as vítimas de violência sexual de 9 a 45 anos de idade. - pacientes de 9 a 14 anos: devem receber 2 doses com intervalo de 6 meses entre elas (0 e 6 meses); - pacientes de 15 a 45 anos: devem receber 3 doses com intervalo de 2 meses e 6 meses da primeira dose (0, 2 e 6 meses); - pacientes imunodeprimidas (portadores de HIV, transplantados de órgãos sólidos ou em tratamento quimioterápico) de 9 a 45 anos: devem receber 3 doses com intervalo de 2 meses e 6 meses da primeira dose (0, 2 e 6 meses). - As vítimas de violência sexual que já receberam esquema vacinal completo antes da agressão não precisam receber novas doses e as vítimas de violência sexual que estão com esquema vacinal incompleto devem receber somente as doses necessárias para completar o esquema. - A primeira dose da vacina deve ser aplicada no primeiro atendimento da paciente, juntamente com todas as outras profilaxias recomendadas. Caso não haja disponibilidade da vacina no serviço de saúde do primeiro atendimento, deve-se encaminhar a paciente imediatamente, com carta de prescrição da vacina indicando o CID10 T742, para a UBS mais próxima da casa da paciente. → DNA-HPV - O exame DNA-HPV é um teste molecular que detecta a presença de material genético (DNA) dos tipos de papilomavírus humano de alto risco oncogênico, responsáveis pelo desenvolvimento de câncer do colo do útero e outras neoplasias anogenitais. - Identifica o tipo de HPV através da amplificação de um fragmento de DNA. Existem diversos testes disponíveis no mercado, sendo o mais utilizado um teste que identifica 18 tipos de HPV de alto risco e indica especificamente a positividade para o 16 e 18 (tipos mais envolvidos no câncer de colo uterino). Indicações 🔹 1. Rastreamento primário (alternativa ao Papanicolau): - Mulheres ≥30 anos: - Pode ser utilizado isoladamente a cada 5 anos, se negativo. - Ou em coleta simultânea com a citologia (coteste), aumentando a sensibilidade. 🔹 2. Triagem após citologia inconclusiva: - Citologia com ASC-US (atipias de significado indeterminado em células escamosas): - Se HPV-DNA positivo → colposcopia. - Se HPV-DNA negativo → retorno ao rastreio de rotina. 🔹 3. Seguimento pós-tratamento de lesão de alto grau (NIC 2 ou 3): - Utilizado para monitorar risco de recorrência, geralmente após 6 a 12 meses da cirurgia. 🔹 4. Avaliação de mulheres imunossuprimidas ou HIV+: - Pode ser usado com maior frequência, devido ao risco elevado de progressão para lesão intraepitelial.