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Tipos de receptores e interação fármaco-receptor Química Medicinal 2023.1 mayararomanelli@yahoo.com.br O que é um receptor? • Macromolécula celular (ou um conjunto de macromoléculas) que está relacionada direta e especificamente com a sinalização química entre e dentro das células. • A combinação de um hormônio, neurotransmissor, fármaco ou mensageiro intracelular com seu receptor inicia uma mudança na função celular (efeito). Neubig et al., Pharmacol. Rev. 55:597, 2003 Fármacos estruturalmente específicos • Os fármacos estruturalmente específicos exercem seu efeito biológico pela interação seletiva com uma determinada molécula-alvo. – Ex: benzodiazepínicos • O reconhecimento molecular do fármaco (micromolécula) pela biomacromolécula é dependente do arranjo espacial dos grupamentos funcionais e das propriedades estruturais da micromolécula, que devem ser complementares ao sítio de ligação localizado na biomacromolécula, ou seja, o sítio receptor. Fármacos estruturalmente inespecíficos • Os fármacos ditos estruturalmente inespecíficos são aqueles que dependem única e exclusivamente de suas propriedades físico- químicas, (coeficiente de partição, pKa) para promoverem o efeito biológico. - Exemplo: anestésicos gerais Quem são os alvos terapêuticos? • Para os fármacos que estão no mercado, foi visto que a maioria dos fármacos atuavam através da modulação de proteínas que, na maior parte dos casos, são enzimas, receptores metabotrópicos (acoplados a proteína G), receptores ionotrópicos (acoplados a canais iônicos), receptores ligados a quinases, receptores nucleares e, ainda, ácidos nucleicos. • Sendo assim, a grande maioria dos fármacos atua através da modulação de proteínas que estão envolvidas no estabelecimento das doenças. Modelo chave fechadura Modelo chave fechadura Nos três casos é possível distinguir duas etapas relevantes desde a interação da molécula ligante com o receptor, até o desenvolvimento da resposta biológica: a) interação ligante-receptor propriamente dita – chamada de afinidade, que significa a capacidade do ligante em se complexar com o sítio complementar de interação; b) Desenvolvimento da resposta biológica – chamada de atividade intrínseca, que significa capacidade do complexo ligante-receptor de desencadear uma determinada resposta biológica. Mas na prática, o modelo chave fechadura é real? Modelo chave fechadura Nos três casos é possível distinguir duas etapas relevantes desde a interação da molécula ligante com o receptor, até o desenvolvimento da resposta biológica: a) interação ligante-receptor propriamente dita – chamada de afinidade, que significa a capacidade do ligante em se complexar com o sítio complementar de interação; b) Desenvolvimento da resposta biológica – chamada de atividade intrínseca, que significa capacidade do complexo ligante-receptor de desencadear uma determinada resposta biológica. Mas na prática, o modelo chave fechadura é real? NÃO! Porque os ligantes e o sítio de ligação devem ser flexíveis! Interação fármaco-alvo terapêutico • A noção de que as interações entre uma enzima e seu substrato seriam complementares foi introduzida, inicialmente, pelo famoso modelo “chave-fechadura”, proposto por Emil Fischer, em 1894; • Esta noção tradicional de uma complementaridade rígida entre a “chave” e a “fechadura” , nos induz a imaginar tanto o ligante (chave) quanto o receptor (fechadura) como estruturas rígidas, o que não representa a realidade; • É justamente a flexibilidade um dos fatores que permite que moléculas estruturalmente semelhantes apresentem conformações e orientações diferentes no sítio de ligação do receptor e, em consequência, atividades e afinidades também diferentes. • Essa ideia de flexibilidade foi introduzida pelo pesquisador Daniel Koshland, em 1958; • Sendo assim, essas estruturas apresentam flexibilidade e as duas estruturas (tanto o ligante quanto o receptor) vão se adaptar para que ocorra a formação de um complexo fármaco-alvo mais estável. Como ocorre a interação ligante-receptor? • Pensando nas proteínas que compõem a grande maioria dos alvos terapêuticos, haverá interação entre os aminoácidos que compõem essas proteínas (ou biomacromoléculas) e interações entre os grupos químicos que compõem a estrutura do fármaco (ou ligante). • Diferentes aminoácidos compõem as proteínas e dependendo da natureza de suas cadeias laterais (também chamado de radical), eles vão ter propriedades de físico químicas distintas e serão capazes de formar interações distintas com os grupos funcionais presentes no ligante. • Importante: Relembre a estrutura dos aminoácidos. Repare que o que diferencia os aminoácidos é a variação na cadeial lateral, descrita na imagem como “R”. Grupamentos farmacofóricos: São grupos funcionais no fármacos que representam grupos de interação essenciais para o efeito observado sobre o alvo terapêutico. Os grupamentos farmacofóricos devem ser complementares aos pontos de interação no sítio do receptor. • O receptor é ativado na presença de um agonista, devido ao reconhecimento complementar entre o ligante e o receptor, formando um complexo agonista-receptor que desencadeia uma resposta tecidual/ efeito biológico. • O receptor também pode ser modulado na presença de um antagonista (chave falsa), que é capaz de reconhecer o receptor de forma complementar, ou seja, apresenta afinidade pelo receptor alvo mas não apresenta a capacidade de desencadear resposta biológica. Afinidade: É a capacidade do ligante se complexar de forma complementar ao sítio ativo presente na biomacromolécula/receptor biológico. Alvos terapêuticos: Receptores Atividade intrínseca: É a capacidade do complexo ligante-receptor em desencadear um efeito biológico/resposta biológica. Afinidade: É a capacidade do ligante se complexar de forma complementar ao sítio ativo presente na biomacromolécula/receptor biológico. Alvos terapêuticos: Receptores Atividade intrínseca: É a capacidade do complexo ligante-receptor em desencadear um efeito biológico/resposta biológica. Alvos terapêuticos: Receptores Alvos terapêuticos: Receptores • Receptores ionotrópicos ou canais iônicos controlados por ligantes O receptor é ativado na presença de um agonista e a ligação do agonista ao receptor vai desencadear uma modificação no fluxo de íons pelo canal iônico. A ligação do agonista ao receptor modifica esse fluxo desencadeando os efeitos celulares subsequentes; Em geral, são receptores que respondem rapidamente ao estímulo do agonista numa escala de tempo de milissegundos, por isso são receptores comumente encontrados, como os receptores de neurotransmissores. Os moduladores dos receptores ionotrópicos são classificados em facilitadores do fluxo de íons ou bloqueadores do fluxo de íons. Exemplo: Receptores de fármacos benzodiazepínicos, que são moduladores alostéricos do receptor GABAA, que é um canal de cloreto. O BZD funciona como um facilitador do fluxo de íons cloreto. Alvos terapêuticos: Receptores • Receptores metabotrópicos (GPCRs) São receptores de membrana acoplados a sistemas efetores intracelulares mediados por uma proteína G, que é uma proteína transmembranar. A ativação da proteína G gera provoca a ativação de segundos mensageiros, causando um aumento da amplitude da resposta biológica. Em geral, são receptores que respondem ao estímulo do agonista numa escala de tempo de segundos. São receptores de neurotransmissores como adrenalina e acetilcolina. Alvos terapêuticos: Receptores • Proteínas cinases receptoras Esse grupo de receptores são proteínas transmembranas que possuem um domínio extracelular de ativação onde o agonista se liga, uma hélice transmembranar e um domínio intracelular que tem natureza enzimática. Esse domínio intracelular é um domínio catalítico com propriedade cinase. Leva horas para exercer o seu efeito. Lembre-se: As proteínas quinases (ou cinases) são enzimas que catalisam a fosforilação de outras proteínas através da transferência deum grupamento fosfato. São ativados por uma agonista extracelular que se liga no domínio de ligação; uma vez que o agonista se ligou ao receptor, ele é ativado iniciando sua via de sinalização através da atividade enzimática do seu domínio catalítico que está no meio intracelular. Exemplo: Receptores de insulina e fatores de crescimento. Alvos terapêuticos: Receptores • Receptores nucleares ou intracelulares São receptores que regulam a transcrição gênica. Possuem um sítio de ligação ao agonista e domínios de ligação ao DNA. São receptores de moléculas que apresentam natureza lipofílica (moléculas mais apolares que conseguem permear a membrana e chegar até os receptores). Uma vez ativado, o complexo ligante + receptor irá se ligar ao DNA através do domínio de ligação ao DNA, modulando a transcrição gênica e a expressão de proteínas que vão desencadear os efeitos biológicos. Sendo assim, a sinalização desses receptores é mais lenta, porque envolve o processo de transcrição gênica e expressão de novas proteínas para exercer o seu efeito: leva horas para ocorrer. Exemplo: Receptores de glicocorticóides. Alvos terapêuticos: Receptores Slide 1: Tipos de receptores e interação fármaco-receptor Slide 2: O que é um receptor? Slide 3: Fármacos estruturalmente específicos Slide 4: Fármacos estruturalmente inespecíficos Slide 5: Quem são os alvos terapêuticos? Slide 6: Modelo chave fechadura Slide 7: Modelo chave fechadura Slide 8: Modelo chave fechadura Slide 9: Interação fármaco-alvo terapêutico Slide 10: Como ocorre a interação ligante-receptor? Slide 11 Slide 12 Slide 13: Alvos terapêuticos: Receptores Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18