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1. Conhecer o conceito de ansiedade 
fisiológica 
 É uma resposta natural do organismo a 
situações de estresse ou perigo, ativando 
mecanismos de defesa para ajudar na 
adaptação e sobrevivência. Diferente da 
ansiedade patológica, que causa sofrimento 
intenso e prejuízo na vida diária, a ansiedade 
fisiológica é uma reação normal e transitória. 
 
O que é medo? 
 O medo é a uma reação psíquica frente 
a uma ameaça iminente, real ou presumida. 
É mais relacionado a períodos de 
excitabilidade, necessária para reação de 
luta ou fuga imediata. 
 
O que é ansiedade? 
 A ansiedade é um estado mental em 
antecipação a uma ameaça ou a uma ameaça 
potencial, resultando em um estado de maior 
vigilância. 
 É caracterizada por experiências 
subjetivas, como preocupações, tensão e 
alterações fisiológicas, incluindo sudorese e 
tontura, bem como aumento da pressão 
arterial e da frequência cardíaca. 
 
Transtorno de ansiedade 
 Os transtornos de ansiedade são 
patológicos ao diferirem do medo e da 
ansiedade por serem excessivos e 
desadaptativos. 
 O medo ou ansiedade situacionais ou 
reativos, são induzidos por situações 
estressantes, já o transtorno são duradouros 
e produzem prejuízos na funcionalidade 
global do indivíduo. 
 
Classificação de ansiedade 
O DSM-5 divide a ansiedade nos seguintes 
transtornos: 
• Transtorno de ansiedade generalizada 
(TAG) 
• Transtorno de ansiedade de 
separação (TAS) 
• Transtorno de ansiedade induzido por 
substancias/ medicamentos 
• Transtorno de ansiedade devido a 
outra condição médica 
• Mutismo seletivo 
• Transtorno de pânico (TP) 
• Agorafobia 
• Fobia Social 
• Fobia específica 
 
Fatores de risco 
• Sexo feminino 
• Utilizar drogas: tabagismo e o abuso 
de álcool 
• Presentar histórico familiar de 
transtornos de ansiedade ou 
depressão. 
• Alterações temperamentais 
específicas temperamento inibido, 
interações entre pais e filhos 
caracterizadas por controle e 
negatividade e sociabilidade reduzida). 
• Fatores estressores da vida (estresse 
financeiro, doença familiar e divórcio). 
 
 Os mecanismos de defesa envolvem 
principalmente o sistema nervoso autônomo e 
o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA). 
 
1. Ativação do Sistema Nervoso Autônomo 
(SNA) - Resposta de "Luta ou Fuga" 
O sistema nervoso simpático prepara o corpo 
para reagir a uma ameaça:	
• ✅ Liberação de adrenalina e 
noradrenalina → Aumenta o estado de 
alerta. 
• ✅ Aumento da frequência cardíaca e 
da pressão arterial → Melhora a 
circulação sanguínea para os 
músculos. 
• ✅ Aceleração da respiração → 
Fornece mais oxigênio para o cérebro 
e músculos. 
Ansiedade 
Problema 1 – Alterações Comportamentais 
OBJETIVOS 
• ✅ Dilatação das pupilas → Melhora a 
visão para detectar ameaças. 
• ✅ Diminuição da digestão → 
Redireciona energia para órgãos 
essenciais. 
 
2. Ativação do Eixo Hipotálamo-Hipófise-
Adrenal (HHA) 
Esse sistema libera cortisol, o hormônio do 
estresse, que ajuda a manter o corpo em 
estado de alerta por mais tempo. Ele: 
• ✅ Aumenta a glicose no sangue → 
Fornece energia extra. 
• ✅ Modula a inflamação → Garante 
que o corpo esteja pronto para reagir. 
• ✅ Influência o humor e a memória → 
Ajuda a focar na ameaça. 
3. Regulação da Resposta - Sistema Nervoso 
Parassimpático 
Depois que o perigo passa, o sistema nervoso 
parassimpático entra em ação para 
"desligar" a resposta de estresse: 
• ✅ Redução da frequência cardíaca e 
respiratória → O corpo volta ao 
estado normal. 
• ✅ Restauração da digestão e 
relaxamento muscular → O organismo 
se recupera. 
 
Características da ansiedade fisiológica: 
• ✅ Ativação do sistema nervoso 
autônomo → Liberação de adrenalina 
e noradrenalina, preparando o corpo 
para a ação ("lutar ou fugir"). 
• ✅ Sintomas físicos: Aceleração dos 
batimentos cardíacos, aumento da 
respiração, sudorese, tensão muscular. 
• ✅ Função adaptativa: Melhora a 
atenção, o desempenho e a tomada de 
decisões em situações desafiadoras, 
como provas, entrevistas ou esportes. 
• ✅ Duração curta: Os sintomas 
desaparecem quando a situação de 
estresse passa. 
 
Se a ansiedade se torna excessiva, frequente 
e incapacitante, ela deixa de ser fisiológica 
e pode indicar um transtorno de ansiedade, 
exigindo avaliação médica e psicológica. 
 
2. Discutir critérios diagnósticos dos 
transtornos de ansiedade 
 Os transtornos de ansiedade são um 
grupo de condições caracterizadas por medo 
e ansiedade excessivos que causam 
sofrimento significativo e prejuízo funcional. 
O diagnóstico é feito com base nos critérios 
do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico 
de Transtornos Mentais) e da CID-11 
(Classificação Internacional de Doenças). 
 
Critérios Diagnósticos dos Principais 
Transtornos de Ansiedade (DSM-5): 
1.	 Transtorno de Ansiedade Generalizada 
(TAG) 
✅ Ansiedade e preocupação excessivas sobre 
diversas áreas da vida (trabalho, saúde, 
finanças, etc.), ocorrendo na maioria dos dias 
por pelo menos 6 meses. 
✅ Dificuldade de controlar a preocupação. 
✅ Presença de três ou mais dos seguintes 
sintomas (apenas um para crianças): 
o Inquietação ou sensação de 
estar "no limite" 
o Fadiga fácil 
o Dificuldade de concentração 
o Irritabilidade 
o Tensão muscular 
o Distúrbios do sono 
✅ O sofrimento interfere no funcionamento 
social, acadêmico ou profissional. 
 
2. Transtorno do Pânico 
✅ Ataques de pânico recorrentes e 
inesperados, com pelo menos quatro dos 
seguintes sintomas físicos e cognitivos: 
o Palpitações ou taquicardia 
o Sudorese 
o Tremores 
o Sensação de falta de ar 
o Sensação de sufocamento 
o Dor ou desconforto torácico 
o Náusea ou desconforto 
abdominal 
o Tontura ou sensação de desmaio 
o Calafrios ou ondas de calor 
o Parestesias (dormência ou 
formigamento) 
o Despersonalização (sentir-se 
desligado de si mesmo) ou 
desrealização (sensação de 
irrealidade) 
o Medo de perder o controle ou 
"enlouquecer" 
o Medo de morrer 
✅ Após um dos ataques, o paciente 
apresenta preocupação persistente sobre 
novos ataques por pelo menos 1 mês e 
mudanças comportamentais para evitá-los. 
 
3. Fobia Específica 
✅ Medo ou ansiedade intensa e 
desproporcional diante de um objeto ou 
situação específica (ex.: altura, aranhas, 
sangue). 
✅ Evitação ativa ou enfrentamento com 
extrema angústia. 
✅ O medo persiste por pelo menos 6 meses 
e causa impacto na rotina do paciente. 
 
4.	 Transtorno de Ansiedade Social (Fobia 
Social) 
✅ Medo intenso e persistente de situações 
sociais onde possa ser avaliado 
negativamente pelos outros. 
✅ A exposição à situação causa ansiedade 
imediata. 
✅ O medo leva à evitação ou 
enfrentamento com muito desconforto. 
✅ O sofrimento é desproporcional ao risco 
real e dura pelo menos 6 meses. 
 
5. Transtorno de Ansiedade de Separação 
✅ Medo excessivo e inadequado para a 
idade relacionado à separação de figuras de 
apego (pais, cônjuge). 
✅ Duração mínima de 4 semanas em 
crianças e 6 meses em adultos. 
✅ Pelo menos três dos seguintes sintomas: 
o Sofrimento excessivo ao se 
separar ou antecipar a 
separação 
o Preocupação persistente sobre 
perder figuras de apego 
o Medo de eventos que possam 
causar separação (ex.: 
sequestro, acidente) 
o Recusa em sair de casa ou ir à 
escola/trabalho 
o Medo excessivo de ficar 
sozinho 
o Pesadelos repetitivos sobre 
separação 
o Sintomas físicos (dores de 
cabeça, náusea) quando a 
separação acontece 
 
6. Mutismo Seletivo 
✅ Incapacidade persistente de falar em 
situações sociais específicas, apesar de 
conseguir falar em outros contextos. 
✅ Duração mínima de 1 mês. 
✅ Impacto na vida escolar, social ou 
profissional. 
 
Ansiedade Normal X Patológica 
🔹 Ansiedade fisiológica: resposta normal a 
estressores, autolimitada, sem prejuízo 
funcional. 
🔹 Transtorno de ansiedade: sofrimento 
intenso, persistência por meses, prejuízo 
significativo na vida do paciente. 
 
OBS.: O diagnóstico correto é fundamental 
para direcionar o tratamento adequado, que 
pode envolver terapia cognitivo-
comportamental(TCC), medicação (ISRS, 
ansiolíticos) e mudanças no estilo de vida. 
 
3. Compreender as abordagens terapêuticas 
farmacológicas e não farmacológicas dos 
transtornos de ansiedade, em cenário 
ambulatorial e de urgência. 
 O manejo dos transtornos de ansiedade 
varia conforme o contexto clínico: 
🔹 Cenário ambulatorial → Tratamento de 
longo prazo, visando controle dos sintomas e 
melhora funcional. 
🔹 Cenário de urgência → Controle imediato 
de crises agudas de ansiedade/pânico. 
 
1. Abordagem Farmacológica 
📌 Tratamento de Longo Prazo (Ambulatorial) 
✅ Inibidores Seletivos da Recaptação de 
Serotonina (ISRS) – Primeira linha 🚀 
• Fluoxetina, sertralina, escitalopram, 
paroxetina 
• Eficazes na maioria dos transtornos de 
ansiedade 
• Podem causar efeitos colaterais 
iniciais (agitação, náusea), mas 
melhoram com o tempo 
 
✅ Inibidores da Recaptação de Serotonina e 
Noradrenalina (IRSN) 
• Venlafaxina, duloxetina 
• Boa opção para pacientes que não 
responderam aos ISRS 
 
✅ Antidepressivos tricíclicos (ATC) -Segunda 
linha 
• Clomipramina, imipramina 
• Maior risco de efeitos colaterais 
(sedação, boca seca, ganho de peso) 
 
✅ Buspirona – Ansiedade generalizada 
• Alternativa para quem não tolera 
ISRS/IRSN 
• Efeito demora algumas semanas 
 
✅ Betabloqueadores (Propranolol, Atenolol) 
– Uso específico 
• Controlam sintomas físicos da 
ansiedade (tremores, taquicardia) 
• Útil para ansiedade de desempenho 
(ex.: falar em público) 
 
📌 Tratamento de Crise Aguda 
(Urgência/Emergência) 
✅ Benzodiazepínicos (BZDs) – Uso restrito e 
de curta duração ⚠ 
• Diazepam, lorazepam, alprazolam, 
clonazepam 
• Eficazes para crises agudas de pânico 
e ansiedade intensa 
• Risco de dependência → Evitar uso 
prolongado 
• Preferir BZDs de curta duração 
(lorazepam) para evitar sedação 
prolongada 
 
✅ Antipsicóticos atípicos (Quetiapina, 
Olanzapina) – Casos graves 
• Quando há agitação psicomotora 
intensa ou risco de 
auto/heteroagressão 
 
2. Abordagem Não Farmacológica 
📌 Tratamento Psicológico (Primeira linha 
para muitos casos) 
 
✅ Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) 
– Gold Standard 
• Técnica mais eficaz para TAG, 
transtorno do pânico e fobias 
• Enfrentamento gradual de medos, 
reestruturação de pensamentos 
ansiosos 
• Ensina estratégias de controle da 
ansiedade 
✅ Terapia de Exposição – Transtornos 
fóbicos e TOC 
• Exposição gradual ao estímulo temido 
para reduzir resposta ansiosa 
 
✅ Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) 
• Foco na aceitação dos sintomas e 
desenvolvimento de estratégias 
adaptativas 
 
📌 Medidas Complementares (Adjuvantes 
Importantes) 
✅ Mindfulness e Técnicas de Relaxamento 
• Redução do estresse e da reatividade 
ao medo 
• Exercícios de respiração profunda, 
meditação guiada 
 
✅ Atividade Física Regular 
• Reduz cortisol e melhora 
neurotransmissores do bem-estar 
• Indicado para todos os pacientes com 
ansiedade 
 
✅ Higiene do Sono 
• Sono adequado melhora a regulação 
emocional 
 
✅ Dieta Equilibrada e Redução de 
Estimulantes 
• Evitar cafeína e álcool, que podem 
agravar a ansiedade 
 
✅ Psicoeducação 
• Esclarecer ao paciente e familiares 
sobre o transtorno 
• Reduz estigma e melhora adesão ao 
tratamento 
 
Resumo Prático: Como Abordar em Cada 
Cenário? 
🏥 Na Urgência (Crise Aguda) 
🔹 Avaliação clínica e afastar causas 
orgânicas (ex.: IAM, hipoglicemia) 
🔹 Ambiente tranquilo, suporte emocional 
🔹 Se necessário, benzodiazepínicos (uso 
pontual) 
🔹 Encaminhamento para seguimento 
ambulatorial 
🏠 No Ambulatório (Tratamento Contínuo) 
🔹 Psicoterapia (TCC – principal abordagem) 
🔹 ISRS/IRSN como primeira escolha 
farmacológica 
🔹 Medidas complementares (exercícios, 
mindfulness, higiene do sono) 
🔹 Monitoramento regular e ajuste do plano 
conforme resposta 
 
4. Identificar o papel da Atenção Básica no 
atendimento aos transtornos de ansiedade. 
Papel da Atenção Básica no Atendimento 
aos Transtornos de Ansiedade 
 A Atenção Básica (AB) é a principal porta 
de entrada para o sistema de saúde e 
desempenha um papel essencial no 
reconhecimento, manejo inicial e 
acompanhamento dos transtornos de 
ansiedade. Sua abordagem é integral, 
contínua e próxima da comunidade, 
facilitando o diagnóstico precoce e o 
tratamento adequado. 
 
1. Identificação e Diagnóstico Precoce 
✅ Triagem ativa e escuta qualificada: 
profissionais da AB (médicos, enfermeiros, 
psicólogos) devem estar atentos a sintomas 
de ansiedade em consultas de rotina. 
✅ Uso de escalas de rastreamento: como o 
GAD-7 (Transtorno de Ansiedade 
Generalizada) e a Escala de Pânico, para 
auxiliar na identificação. 
✅ Diferenciação de outras condições: 
exclusão de causas orgânicas (ex.: 
hipertireoidismo, doenças cardiovasculares) e 
diagnóstico diferencial com outros 
transtornos mentais. 
 
2. Manejo e Tratamento na Atenção Básica 
📌 Estratégias Terapêuticas 
✅ Psicoeducação: explicar ao paciente e 
familiares sobre o transtorno de ansiedade, 
reduzindo o estigma e promovendo adesão ao 
tratamento. 
✅ Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) 
breve: algumas UBS contam com psicólogos 
capacitados para intervenções estruturadas 
de curto prazo. 
✅ Técnicas de relaxamento e mindfulness: 
exercícios respiratórios e estratégias de 
autocontrole. 
✅ Farmacoterapia: 
• Inibidores Seletivos da Recaptação de 
Serotonina (ISRS) como primeira linha 
(ex.: sertralina, fluoxetina). 
• Evitar benzodiazepínicos como 
tratamento de longo prazo devido ao 
risco de dependência. 
 
3. Acompanhamento e Monitoramento 
🔹 Consulta regular e vínculo contínuo: 
acompanhamento da evolução clínica e 
ajuste do tratamento conforme necessário. 
🔹 Prevenção de recaídas: incentivo a 
mudanças no estilo de vida (atividade física, 
sono adequado, alimentação saudável). 
🔹 Encaminhamento quando necessário: casos 
graves ou refratários podem ser 
direcionados para o CAPS (Centro de 
Atenção Psicossocial) ou psiquiatras na rede 
especializada. 
 
4. Papel da Atenção Básica na Promoção da 
Saúde Mental 
📌 Atuação comunitária: 
✅ Grupos terapêuticos e de apoio dentro 
das UBS. 
✅ Capacitação de agentes comunitários 
para identificação de casos na comunidade. 
✅ Ações intersetoriais (escolas, trabalho, 
assistência social) para prevenção e 
suporte.

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