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O choque é uma condição grave causada pela redução da perfusão tecidual, resultando em desequilíbrio entre demanda e consumo de oxigênio, disfunção celular e falência orgânica. É causado pela incapacidade do sistema circulatório de suprir as demandas celulares de oxigênio, por oferta inadequada, por demanda tecidual aumentada ou ambos. Pressão de perfusão tecidual = PAM – PVC PAM - PVC = DC X RVS Fisiopatologia • Utilização de O2 o Difusão do oxigênio dos pulmões ao sangue. o Ligação do oxigênio à hemoglobina. o Transporte de oxigênio pelo débito cardíaco para periferia. o Difusão de oxigênio para a mitocôndria. • Desequilíbrio entre DO2 (oferta) e VO2 (consumo) Caracterizado por uma perfusão tecidual inadequada, levando à hipoxia celular e ao metabolismo anaeróbico, com consequente acúmulo de lactato e acidose metabólica. A disfunção mitocondrial compromete a geração de ATP, resultando em falência energética e disfunção celular progressiva. Além disso, a ativação do sistema neuro- hormonal e da resposta inflamatória sistêmica desencadeia vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e disfunção endotelial, perpetuando a hipoperfusão e contribuindo para a falência multiorgânica. Diagnóstico • Critérios clínicos o Sempre suspeitar em pacientes com sinais de hipoperfusão tecidual o Hipotensão o Taquicardia o TEC > 2s + livedo + pele fria à especificidade de 98% • Critérios laboratoriais o Hiperlactatemia • Critérios diagnósticos o PAS 2 segundos). o Oligúria ( 2 mmol/L) → indica metabolismo anaeróbico. o Acidose metabólica (pH 94%. o Ventilação mecânica invasiva se hipoxemia grave ou fadiga respiratória. • C (Circulation – Circulação): o Acesso venoso calibroso (2 acessos periféricos ≥ 18G ou acesso central se necessário). o Expansão volêmica guiada pela resposta clínica: § Choque hipovolêmico e séptico: Cristaloides isotônicos (SF 0,9% ou Ringer Lactato) 30 mL/kg em 3 horas, com reavaliação da resposta. § Choque cardiogênico: Expansão volêmica criteriosa, monitorando congestão pulmonar. § Choque hemorrágico: Transfusão sanguínea precoce se Hb 0,5 mL/kg/h). • Lactato sérico para guiar resposta ao tratamento. Incapacidade funcional de realizar troca gasosa eficaz; • Tipo 1: hipoxêmica • Tipo 2: hipercápnica INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA Condição caracterizada pela incapacidade do sistema respiratório em manter a oxigenação adequada do sangue e/ou a eliminação do dióxido de carbono, resultando em hipoxemia (PaO₂ 50 mmHg), com pH arterialde nariz, tiragem), uso de musculatura acessória, respiração agônica-gasping) • Sonolência • Cefaleia • Turvação visual • Crises convulsivas • Coma 1. Sinais e Sintomas de Hipoxemia (PaO₂ 50 mmHg) • Neurológicos: o Sonolência, torpor, coma (hipercapnia descompensada). o Tremores finos, asterixe (flapping tremor). • Respiratórios: o Respiração superficial e bradipneia em falência ventilatória. • Cardiovasculares: o Vasodilatação periférica → rubor cutâneo. o Hipertensão arterial e cefaleia. 3. Sinais de Esforço Respiratório • Taquipneia (> 30 irpm) ou bradipneia (fase de exaustão). • Uso de músculos acessórios (esternocleidomastoideo, intercostais). • Paradoxo toracoabdominal (sinal de fadiga muscular). • Respiração irregular ou gasping (sinal de falência iminente). A presença desses achados clínicos exige avaliação gasométrica e intervenção imediata para evitar deterioração respiratória e falência orgânica. Conduta Imediata • Monitorização respiratória • Avaliar FR e padrão respiratório • Oximetria de pulso (influenciadores) • Gasometria arterial • Oxigenioterapia (há hipoxemia?) • Exames complementares solicitados racionalmente 1. Suporte Inicial – ABCDE • A (Airway – Vias Aéreas): o Garantir via aérea pérvia. o Considerar intubação orotraqueal (IOT) em rebaixamento do nível de consciência ou falência ventilatória iminente. • B (Breathing – Ventilação e Oxigenação): o Oxigenoterapia conforme a gravidade da hipoxemia: § Hipoxemia leve a moderada: Cateter nasal (1-5 L/min) ou máscara de Venturi. § Hipoxemia grave: Máscara com reservatório (10-15 L/min) para manter SpO₂ ≥ 90%. § DPOC descompensado: Iniciar com FiO₂ baixa (Venturi 24-28%) para evitar depressão respiratória induzida pelo oxigênio. o Suporte ventilatório: § Ventilação não invasiva (VNI - CPAP/BiPAP): Indicada para exacerbação de DPOC, edema pulmonar cardiogênico e algumas causas de hipercapnia. § Intubação orotraqueal (IOT) e ventilação mecânica: Se falha na VNI, rebaixamento do nível de consciência, exaustão respiratória ou hipoxemia grave refratária. • C (Circulation – Circulação): o Monitorização contínua de sinais vitais. o Suporte hemodinâmico se necessário (expansão volêmica ou vasopressores em casos de choque associado). • D (Disability – Estado Neurológico): o Avaliação neurológica com Escala de Coma de Glasgow (ECG). o Monitorização da glicemia capilar. • E (Exposure – Exposição): o Identificação da causa subjacente (pneumonia, DPOC, TEP, edema pulmonar, SDRA, sepse, intoxicações, etc.). 2. Diagnóstico Rápido e Monitorização • Gasometria arterial: Confirma hipoxemia (PaO₂ 50 mmHg). • Radiografia de tórax: Avalia pneumonia, edema pulmonar, pneumotórax, etc. • Hemograma, PCR, eletrólitos, função renal e hepática: Investigar causas sistêmicas. • ECG e ecocardiograma: Avaliar disfunção cardíaca. 3. Tratamento Específico conforme Etiologia • Pneumonia e sepse: Antibioticoterapia precoce. • Exacerbação de DPOC: Corticoides sistêmicos, broncodilatadores (salbutamol/ipratrópio) e VNI. • Edema pulmonar cardiogênico: Diuréticos (furosemida), vasodilatadores e suporte ventilatório. • TEP maciço: Anticoagulação ou trombólise. • SDRA: Estratégia ventilatória protetora (baixo volume corrente e PEEP adequada). Refere-se a qualquer desvio no estado de alerta e percepção do ambiente por parte do indivíduo. Isso pode variar desde uma leve confusão até um coma profundo, refletindo alterações no funcionamento cerebral. A ANC pode ser aguda ou crônica e é um sinal clínico importante que indica a presença de distúrbios neurológicos, metabólicos, tóxicos ou circulatórios. Classificação Comum do Nível de Consciência: • Alerta: O paciente está totalmente consciente, orientado e responde adequadamente aos estímulos. • Confusão: O paciente tem dificuldade em pensar de forma clara e pode demonstrar respostas imprecisas ou inadequadas. • Sonolência (Letargia): O paciente está excessivamente sonolento, mas pode ser despertado com estímulos suaves. • Estupor: O paciente está em um estado profundo de sonolência, só sendo despertado com estímulos vigorosos. • Coma: O paciente está inconsciente e não responde a estímulos, sendo ALTERAÇÃO DO NÍVEL DE CONSCIÊNCIA necessário intervenções intensivas para tentar reverter esse estado. Etiologias e diagnóstico diferencial • METABÓLICAS o Hipoglicemia o Hiperglicemia o Hiponatremia e hipernatremia o Hipercalcemia o Insuficiência adrenal o Hipotireoidismo o Hipercapnia o Uremia o Encefalopatia por sepse • NEUROLÓGICAS o Acidente vascular cerebral o Hemorragia cerebral o Tumor cerebral o Linfoma cerebral o Metástases cerebrais o Abscesso cerebral o Edema cerebral o Hidrocefalia o Trauma craniano • DIFUSAS o Convulsões o Álcool o Overdose de drogas o Intoxicação por fármacos o Hipotermia o Síndrome neuroléptica maligna o Infecção do sistema nervoso central o Síndrome serotoninérgica • PSIQUIÁTRICAS Mecanismos do coma 1. Lesões estruturais 2. Edema com hipertensão intracraniana 3. Hidrocefalia hiperbárica 4. Dano tóxico/metabólico 5. Estado de mal epiléptico Propedêutica • AVALIAR o Atividade motora o Pupilas o Ritmo respiratório o Reflexos do tronco Manejo Geral no RNC • EXAMES COMPLEMENTARES: o Glicemia capilar (primeira medida) o Ureia, creatinina e eletrólitos (principalmente sódio, cálcio e magnésio) o Transaminases hepáticas, bilirrubinas, coagulograma (principalmente o INR) e enzimas canaliculares o Exames toxicológicos o Eletrocardiograma (ECG) o Screening infeccioso com hemograma, radiografia de tórax e urina 1 o Gasometria arterial, eventualmente com mensuração do monóxido de carbono o Considerar a avaliação de função tireoidiana e adrenal Mnemonico AEIOU-TIPS • Álcool/acidose • Epilepsia/encefalopatia/eletrólitos/ Endócrino • Infecção (sepse, meningite) • Overdose (álcool, medicação)/opioides • Uremia • Trauma/toxicidade • Insulina (diabetes) • Psicose • Stroke (AVCi ou AVCh)