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RESUMO PROVA HABILIDADES MÉDICAS Reconhecimento e Manejo Paciente Grave 📌 Choque Circulatório 1. O que é choque circulatório? O choque circulatório é uma síndrome clínica caracterizada por hipoperfusão tecidual inadequada, levando à falência orgânica se não tratado rapidamente. 📍 Fisiopatologia geral: Queda da perfusão → hipóxia tecidual → metabolismo anaeróbio → acidose láctica → disfunção celular → falência orgânica → morte. 📍 Mecanismos fisiológicos compensatórios: • Ativação simpática → Taquicardia e vasoconstrição para manter a perfusão. • Sistema renina-angiotensina- aldosterona (SRAA) → Retenção de sódio e água para aumentar a volemia. • Liberação de ADH → Redução da diurese para preservar volume intravascular. 2. Tipos de Choque 🔹 Choque Hipovolêmico (↓ Volume Intravascular) 📍 Causas: ✅ Hemorragia → Trauma, hemorragia digestiva, pós-parto, aneurisma roto. ✅ Perda de líquidos → Vômitos, diarreia intensa, queimaduras, desidratação grave. 📍 Manifestações clínicas: • Pele fria, pálida e pegajosa. • Hipotensão, taquicardia compensatória. • Enchimento capilar lento. • Oligúria (diurese 30ml normal II 15 – 30% ↑ ↔ 20-30ml ansioso III 30-40% ↑↑ ↓ 5-15ml confuso IV > 40% ↑↑ ↓ anúria letárgico 📍 Tratamento: ✔ Reposição volêmica agressiva com cristaloides (SF 0,9% ou Ringer Lactato). ✔ Transfusão sanguínea se perda >30% da volemia ou Hb 2 mmol/L) → Indica hipoperfusão. 📍 Tratamento: ✔ Antibióticos precoces de amplo espectro. ✔ Reposição volêmica agressiva com cristaloides. ✔ Vasopressores (noradrenalina) se PAS 45 mmHg (eliminação ineficaz de CO₂). • pH 45 mmHg com ou sem hipoxemia. • Falha na ventilação alveolar (eliminação ineficaz de CO₂). 📍 Causas principais: ✅ DPOC descompensado (retenção crônica de CO₂). ✅ Depressão do centro respiratório (uso de opioides, sedativos). ✅ Fraqueza muscular respiratória (Miastenia gravis, Guillain-Barré). ✅ Obstrução de vias aéreas superiores (crise asmática grave). 📍 Mecanismos fisiopatológicos: • Hipoventilação alveolar → Menor eliminação de CO₂. • Alteração na mecânica respiratória → Causada por doenças neuromusculares, obesidade extrema (Síndrome da Hipoventilação da Obesidade). 📍 Tratamento: ✔ Suporte ventilatório (VNI ou VM invasiva se necessário). ✔ Correção da causa subjacente (ex.: broncodilatadores na DPOC, reversão de opioides). ✔ Evitar hiperoxigenação excessiva em pacientes retentores crônicos de CO₂. 🔹 3. Insuficiência Respiratória Mista (Hipoxêmica + Hipercápnica) 📍 Causas: ✅ Edema agudo de pulmão (congestão pulmonar grave). ✅ Doença pulmonar obstrutiva + pneumonia (DPOC exacerbado com infecção). ✅ Trauma torácico severo (ventilação prejudicada + hipoxemia). 📍 Tratamento: ✔ Combinação de suporte ventilatório, oxigenação e tratamento da causa. 3. Diagnóstico da Insuficiência Respiratória 📍 Exames essenciais: 🔹 Gasometria arterial → Gold standard para avaliação dos gases sanguíneos. 🔹 Radiografia de tórax → Avalia pneumonia, edema pulmonar, TEP, etc. 🔹 Tomografia Computadorizada → Em casos de embolia pulmonar suspeita ou doença intersticial. 🔹 Espirometria → Avaliação da função pulmonar em DPOC e doenças restritivas. 4. Suporte Ventilatório 1. Oxigenoterapia ✔ Cateter nasal (1-6 L/min) → Baixas frações de O₂ (FiO₂ 24-44%). ✔ Máscara de Venturi(precisão no controle de FiO₂). ✔ Máscara com reservatório (FiO₂ até 100% em hipóxia grave). 2. Ventilação Não Invasiva (VNI) • Indicações: DPOC exacerbado, edema pulmonar cardiogênico. • Modalidades: o CPAP (pressão contínua positiva) → Melhora oxigenação. o BIPAP (pressão inspiratória e expiratória ajustáveis) → Útil para hipercapnia. 3. Ventilação Mecânica Invasiva ✔ Indicações: ✅ PaO₂ 60 mmHg com pH 50 mmHg (Hipercapnia) → Insuficiência respiratória tipo II. 📌 Geralmente, é a fase final do desconforto respiratório, podendo ser aguda ou crônica. 📌 Indicações clínicas de suplementação de oxigênio 1. Conceito e Importância A oxigenoterapia é a administração de oxigênio suplementar para corrigir a hipoxemia e evitar a disfunção tecidual. No entanto, uso excessivo pode causar hiperóxia e aumentar a mortalidade, principalmente em doenças agudas como AVC, IAM e sepse. 📌 Meta: Manter SpO₂ entre 90-96% para evitar hiperóxia. 2. Indicações Clínicas da Suplementação de Oxigênio A suplementação de oxigênio é indicada nos seguintes casos: 📍 1. Hipoxemia Documentada (Gasometria ou Oximetria de Pulso) ✔ PaO₂ ≤ 55 mmHg ou SpO₂ ≤ 88% em ar ambiente. 📍 2. Insuficiência Respiratória Aguda ✔ Pneumonia grave. ✔ Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA). ✔ Crise asmática grave. ✔ Tromboembolismo pulmonar com hipoxemia. ✔ Exacerbação aguda de DPOC (se SpO₂ 92%. 📍 6. Intoxicações Específicas ✔ Intoxicação por monóxido de carbono (CO) → Oxigênio a 100% pela máscara de alto fluxo. 📍 7. Pacientes em Ventilação Mecânica ✔ Iniciar com FiO₂ 100%, depois ajustar para FiO₂ ≤ 60% conforme a oxigenaçãomelhora. 3. Contraindicações e Riscos do Uso Excessivo ⚠ Evitar hiperóxia! ✔ Em DPOC, o excesso de O₂ pode levar à retenção de CO₂ e acidose respiratória. ✔ Em IAM e AVC, oxigênio excessivo pode reduzir fluxo sanguíneo cerebral e cardíaco. ✔ Em trauma cranioencefálico, hiperóxia pode aumentar o estresse oxidativo. 📌 Evitar SpO₂ acima de 96% para reduzir o risco de lesão pulmonar induzida pelo oxigênio. 4. Métodos de Suplementação de Oxigênio Dispositivo FiO₂ (%) Indicação Cateter nasal 24-44% Hipoxemia leve (SpO₂ 88-92%) Máscara de Venturi 24-60% Controle preciso da FiO₂ (DPOC) Máscara com reservatório (NRM) 60-100% Hipoxemia grave (SpO₂ 92%, sem hiperóxia. 📌 Monitorização: Oximetria contínua e gasometria arterial para ajuste fino da oxigenoterapia. 📌 RESUMO FINAL 📍 Indicação Principal: PaO₂ ≤ 55 mmHg ou SpO₂ ≤ 88%. 📍 Evitar hiperóxia: Meta SpO₂ entre 90- 96%. 📍 Método conforme gravidade: ✔ Cateter nasal para hipoxemia leve. ✔ Máscara de Venturi para DPOC. ✔ VNI para falência respiratória sem intubação. ✔ VM para insuficiência respiratória grave. 📌 Oxigenoterapia 1. O que é Oxigenoterapia? A oxigenoterapia é a administração de oxigênio suplementar para tratar ou prevenir a hipoxemia (PaO₂ 60 mmHg com pH 35 irpm e fadiga muscular. 4. Monitorização e Cuidados 🔹 Saturação de O₂ (SpO₂) via oximetria de pulso → Alvo 92-96% (exceto DPOC). 🔹 Gasometria arterial → Monitorar PaO₂, PaCO₂ e pH. 🔹 Evitar hiperóxia em DPOC → Risco de depressão respiratória. 🔹 Umidificação se O₂ alto fluxo → Prevenir ressecamento da mucosa. 🔹 Monitorar sinais de hipoventilação → Sonolência, acidose respiratória. 5. Complicações da Oxigenoterapia 🔹 Depressão respiratória em DPOC (hiperóxia reduz estímulo respiratório). 🔹 Toxicidade pelo oxigênio (FiO₂ > 60% por longos períodos → lesão pulmonar). 🔹 Atelectasia de absorção (hiperóxia reduz nitrogênio alveolar, colapsando alvéolos). 🔹 Irritação de vias aéreas (fluxos elevados sem umidificação). 🔹 Retinopatia da prematuridade (em neonatos). 6. Alvo da Oxigenoterapia em Diferentes Condições Condição SpO₂ Alvo (%) PaO₂ Alvo (mmHg) Paciente geral 92-96% 60-80 mmHg DPOC 88-92% 55-65 mmHg Síndrome do desconforto respiratório > 90% 60-80 mmHg agudo (SDRA) Parada cardior- respiratória 100% (até ROSC) 100-150 mmHg Intoxicação por CO 100% ≥ 250 mmHg 7. Tabela Resumo dos Dispositivos Dispositivo Fluxo (L/min) FiO₂ (%) Indicações Cateter nasal 1-6 24-44% Hipoxemia leve/moderad a Máscara simples 5-10 40-60% Hipoxemia moderada Máscara com reservatório (NRM) 10-15 60- 100% Hipoxemia grave, intoxicação por CO Máscara de Venturi 2-15 24-60% DPOC (controle preciso de FiO₂) Cânula nasal de alto fluxo (CNAF) Até 60 Até 100% Insuficiência respiratória hipoxêmica CPAP/BIPAP Variável Variável DPOC exacerbado, edema pulmonar Ventilação mecânica invasiva - 21- 100% Insuficiência respiratória grave Cateter Nasal Máscara Simples Máscara de Venturi Cânula Nasal de Alto Fluxo CPAB / BIPAP Ventilação Mecânica Invasiva Eletrofisiologia cardíaca 1. Introdução à Eletrofisiologia Cardíaca A eletrofisiologia cardíaca estuda os impulsos elétricos que coordenam a contração do coração. O funcionamento adequado do sistema de condução é essencial para manter o ritmo cardíaco normal e um débito cardíaco eficiente. 📌 Funções principais da eletrofisiologia cardíaca: ✔ Geração do impulso elétrico → Marcapasso natural (NSA). ✔ Propagação do estímulo → Pelo sistema de condução. ✔ Modulação do ritmo cardíaco → Influências autonômicas e farmacológicas. 2. Sistema de Condução Cardíaco 📍 1. Nó Sinoatrial (NSA) – Marcapasso Natural ✔ Localizado no átrio direito, perto da veia cava superior. ✔ Determina a frequência cardíaca basal (60-100 bpm). ✔ Controlado pelo sistema nervoso autônomo (SNA): • Parassimpático (Vago): Reduz a frequência cardíaca. • Simpático: Aumenta a frequência cardíaca. 📍 2. Nó Atrioventricular (NAV) – Retardo Fisiológico ✔ Localizado no septo interatrial, perto da valva tricúspide. ✔ Função: Retarda a condução para permitir enchimento ventricular. ✔ Frequência intrínseca: 40-60 bpm. 📍 3. Feixe de His ✔ Conecta o NAV aos ventrículos. ✔ Divide-se em ramo direito (RD) e ramo esquerdo (RE). 📍 4. Fibras de Purkinje ✔ Distribuem o impulso pelos ventrículos. ✔ Frequência intrínseca: 20-40 bpm. 📌 Sequência da Condução Cardíaca: NSA → Átrios → NAV → Feixe de His → Ramos direito/esquerdo → Fibras de Purkinje → Ventrículos 3. Potencial de Ação Cardíaco O potencial de ação cardíaco é o mecanismo elétrico responsável peladespolarização e contração das células miocárdicas. Potencial de Ação das Células Ventriculares 🔹 Fase 0 – Despolarização Rápida: Entrada de Na+ (Canais rápidos de sódio). 🔹 Fase 1 – Repolarização Inicial: Saída de K+. 🔹 Fase 2 – Platô: Entrada de Ca²+ e saída de K+ (fase essencial para a contração). 🔹 Fase 3 – Repolarização Final: Saída intensa de K+. 🔹 Fase 4 – Repouso: Restabelecimento do equilíbrio iônico pelo Na+/K+ ATPase. 📌 Importância da Fase 2: Prolonga a contração, impedindo estímulos precoces (evita arritmias). 4. Eletrocardiograma (ECG) e Ondas Cardíacas O ECG registra a atividade elétrica cardíaca em um gráfico. 📍 Ondas do ECG e seus significados: Onda Significado Onda P Despolarização atrial Intervalo PR Tempo de condução entre NSA e ventrículos Complexo QRS Despolarização ventricular Segmento ST Platô do potencial de ação (repolarização inicial) Onda T Repolarização ventricular Intervalo QT Tempo total de despolarização e repolarização ventricular 📌 Alterações Comuns no ECG: ✔ PR prolongado (> 200ms): Bloqueio AV. ✔ QRS alargado (> 120ms): Bloqueio de ramo. ✔ ST elevado: Infarto do miocárdio. ✔ QT longo: Risco de arritmia grave (Torsades de Pointes). 5. Arritmias Cardíacas e Distúrbios de Condução 1. Bradicardias (FC 200ms), sem bloqueio real. • BAV 2º grau Mobitz I (Wenckebach): PR progressivamente maior até bloquear um QRS. • BAV 2º grau Mobitz II: Bloqueio súbito de QRS (perigoso). • BAV 3º grau: Bloqueio total → Marcapasso necessário. 2. Taquicardias (FC > 100 bpm) ✔ Taquicardia supraventricular (TSV): Origem nos átrios/NAV. ✔ Fibrilação atrial (FA): Ritmo desorganizado, risco de AVC. ✔ Flutter atrial: Ondas "em dente de serra". ✔ Taquicardia ventricular (TV): Pode evoluir para FV (risco de morte súbita). ✔ Fibrilação ventricular (FV): Ritmo caótico → Parada cardíaca. 📌 Diferenciação importante: ✔ QRS estreito ( 120ms) → Origem ventricular. 6. Tratamento das Arritmias Cardíacas 📌 Bradicardias: ✔ Se sintomática → Atropina ou marcapasso. 📌 Taquicardias Supraventriculares: ✔ Manobra vagal (Valsalva, massagem carotídea). ✔ Adenosina (se TSV persistente). 📌 Fibrilação Atrial: ✔ Controle da FC: Betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio. ✔ Anticoagulação (para prevenir AVC). 📌 Taquicardia Ventricular Sustentada: ✔ Amiodarona ou lidocaína. ✔ Se instável → Cardioversão elétrica. 📌 Fibrilação Ventricular: ✔ RCP + Desfibrilação imediata (protocolo de ACLS). 📌 Resumão final 📍 Sistema de Condução: NSA → NAV → Feixe de His → Purkinje. 📍 Potencial de Ação: Fase 0 (Na+ entra), Fase 2 (Ca²+ entra), Fase 3 (K+ sai). 📍 ECG: Onda P (átrios) → QRS (ventrículos) → T (repolarização). 📍 Bradiarritmias: BAVs e doença do nó sinusal → Marcapasso. 📍 Taquiarritmias: TSV, FA, TV, FV → Antiarrítmicos, choque elétrico se instável. Eletrocardiografia 1. O que é o ECG? O Eletrocardiograma (ECG) é um exame que registra a atividade elétrica do coração. Ele avalia o ritmo, a frequência e possíveis anormalidades cardíacas. 2. Como funciona o ECG? 📌 Cada batimento cardíaco gera impulsos elétricos que são captados pelos eletrodos do ECG e convertidos em um traçado gráfico. ✔ O ECG tem 12 derivações que analisam diferentes perspectivas da atividade elétrica do coração. ✔ Essas derivações se dividem em plano frontal (extremidade) e plano horizontal (precordiais). 3. POSICIONAMENTO DOS ELETRODOS 📍 Derivações dos membros (Plano Frontal – Bipolares e Unipolares): ➡ Eletrodo RA (Right Arm - Braço Direito) ➡ Eletrodo LA (Left Arm - Braço Esquerdo) ➡ Eletrodo RL (Right Leg - Perna Direita) ➡ Eletrodo LL (Left Leg - Perna Esquerda) ✔ Derivações bipolares (D1, D2, D3): Medem a diferença de potencial entre dois pontos. ✔ Derivações unipolares aumentadas (aVR, aVL, aVF): Captam a atividade elétrica de um único ponto em relação a um eletrodo central. 📍 Derivações precordiais (Plano Horizontal – Unipolares): ✔ V1 - 4º EIC, paraesternal direito. ✔ V2 - 4º EIC, paraesternal esquerdo. ✔ V3 - Entre V2 e V4. ✔ V4 - 5º EIC, linha hemiclavicular esquerda. ✔ V5 - 5º EIC, linha axilar anterior esquerda. ✔ V6 - 5º EIC, linha axilar média esquerda. 4. Interpretação do ECG passo a passo 1. Verifique a qualidade do traçado ✔ Ritmo de base bem definido? ✔ Artefatos ou interferências presentes? 2. Identifique a frequência cardíaca (FC) 📍 Método rápido (Regra do 300) → Para ritmos regulares: • Localize uma onda R sobre uma linha grossa. • Conte as próximas linhas grossas até a próxima onda R: o 1 linha → 300 bpm o 2 linhas → 150 bpm o 3 linhas → 100 bpm o 4 linhas → 75 bpm o 5 linhas → 60 bpm o 6 linhas → 50 bpm 📍 Se o ritmo for irregular, conte o número de complexos QRS em 6 segundos (30 quadrados grandes) e multiplique por 10. 3. Analise o ritmo cardíaco ✔ Sinusal: Cada onda P precede um QRS, e PR é constante. ✔ Arrítmico: Alterações no intervalo PR, QRS ou irregularidade nas ondas P. 📌 Exemplos: ✔ Fibrilação atrial: Ritmo irregular, ausência de onda P. ✔ Bloqueios AV: Atrasos na condução (PR aumentado, bloqueios parciais ou totais). 4. Avalie os intervalos do ecg Intervalo Duração normal Alterações importantes PR 120-200 ms (3-5 quadradinhos) PR > 200 ms → Bloqueio AV QRS 120 ms → Bloqueio de ramo, TV QTc +90°). o Positivo em D1 e negativo em aVF: Desvio para esquerda ( 120 ms): Bloqueios de ramo, TV. ✔ Presença de onda Q patológica (> 40 ms e > 2 mm): Infarto antigo. 📍 Segmento ST (Repolarização inicial) ✔ Normal: Isoelétrico. ✔ ST elevado: Infarto com supra de ST (IAM com supradesnivelamento). ✔ ST infradesnivelado: Isquemia, hipocalemia, pericardite. 📍 Onda T (Repolarização ventricular) ✔ Normal: Positiva em todas as derivações, exceto aVR e V1. ✔ T invertida: Isquemia, sobrecarga ventricular. 5. PRINCIPAIS ALTERAÇÕES NO ECG 📌 1. Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) ✔ Supra de ST: Lesão transmural → Infarto agudo. ✔ Infradesnivelamento de ST: Isquemia subendocárdica. ✔ Onda Q patológica: Necrose antiga. 📌 2. Arritmias ✔ Fibrilação Atrial (FA): Ritmo irregular, sem onda P definida. ✔ Taquicardia Supraventricular (TSV): QRS estreito, FC elevada. ✔ Bloqueios AV: PR prolongado (BAV 1° grau), dissociação AV (BAV 3° grau). 📌 3. Bloqueios de Ramo ✔ Bloqueio de Ramo Direito: QRS alargado, padrão rSR’ em V1. ✔ Bloqueio de Ramo Esquerdo: QRS alargado, ondas R amplas em V5-V6. 📌 RESUMO FINAL ✔ 1. Posicione os eletrodos corretamente. ✔ 2. Avalie a qualidade do traçado. ✔ 3. Determine a frequência e o ritmo. ✔ 4. Meça intervalos PR, QRS e QT. ✔ 5. Avalie o eixo elétrico. ✔ 6. Interprete ondas P, QRS,ST e T. ✔ 7. Identifique anormalidades (infarto, arritmias, bloqueios). 1. Alterações do ritmo cardíaco 📌 Ritmo Sinusal Normal ✔ Onda P antes de cada QRS ✔ FC entre 60-100 bpm 📌 Bradicardia Sinusal → FC 100 bpm 📌 Arritmia Sinusal → Ritmo irregular, mas com morfologia normal das ondas 📌 Fibrilação Atrial (FA) ✔ Ritmo irregular ✔ Sem onda P → atividade atrial caótica ✔ Complexos QRS normais ✔ FC variável 📌 Flutter Atrial ✔ Ondas "em dente de serra" (melhor visualizado em D2) ✔ Ritmo atrial rápido (300 bpm), condução variável (ex: 2:1 → FC 150 bpm) 📌 Taquicardia Supraventricular (TSV) ✔ FC > 150 bpm ✔ QRS estreito ( 120 bpm ✔ QRS alargado (> 120 ms) ✔ Pode ser monomórfica (QRS iguais) ou polimórfica 📌 Fibrilação Ventricular (FV) – Ritmo Letal! ✔ Ondas caóticas, sem padrão ✔ Ausência de QRS organizados ✔ Requer desfibrilação imediata! 📌 Bloqueio Atrioventricular (BAV) ✔ BAV 1° grau → PR prolongado (> 200 ms), mas constante ✔ BAV 2° grau (Mobitz I - Wenckebach) → PR progressivamente alonga até bloquear um QRS ✔ BAV 2° grau (Mobitz II) → PR fixo, mas com QRS bloqueados de forma súbita ✔ BAV 3° grau (Bloqueio Total) → Dissociação completa entre P e QRS 2. Alterações do eixo elétrico 📌 Normal: -30° a +90° 📌 Desvio para esquerda ( +90°) ✔ Hipertrofia ventricular direita (HVD) ✔ Doença pulmonar (DPOC, TEP) ✔ Bloqueio de ramo direito 3. Alterações dos intervalos 📌 Intervalo PR ✔ PR > 200 ms → Bloqueio AV de 1° grau ✔ PR encurtado ( 120 ms) → Bloqueio de ramo, TV 📌 QTc (Corrigido para FC) ✔ QT longo → Risco de Torsades de Pointes (medicações, distúrbios eletrolíticos) ✔ QT curto → Hipercalcemia, hiperpotassemia 4. Alterações no complexo QRS 📌 Bloqueios de Ramo ✔ Bloqueio de Ramo Direito (BRD) → Padrão rSR’ em V1, QRS alargado ✔ Bloqueio de Ramo Esquerdo (BRE) → QRS alargado, ondas R amplas em V5-V6 📌 Infarto do Miocárdio (IAM) ✔ IAM com Supra de ST → Supra ≥ 1 mm em ≥ 2 derivações contíguas ✔ IAM sem Supra de ST (NSTEMI) → Infra de ST, inversão de T 📌 Onda Q patológica ✔ Indica infarto antigo (≥ 40 ms e ≥ 2 mm de profundidade) 📌 Hipertrofias ✔ HVE: Índice de Sokolow-Lyon (S em V1 + R em V5/V6 ≥ 35 mm) ✔ HVD: R alta em V1, S profunda em V6 5. Alterações da repolarização (ST-T) 📌 Alterações do Segmento ST ✔ ST elevado → Infarto agudo, pericardite ✔ ST rebaixado → Isquemia, hipocalemia 📌 Alterações da Onda T ✔ T invertida → Isquemia, hipertrofia ✔ T apiculada (alta e pontiaguda) → Hiperpotassemia ✔ T achatada → Hipocalemia Bradiarritmias e Ritmos de Parada Cardíaca! 1. Bradiarritmias As bradiarritmias são arritmias caracterizadas por frequência cardíaca (FC) 200 ms, mas constante ✔ Condução sempre presente ✔ Não precisa de tratamento específico 👉 BAV de 2º Grau - Mobitz I (Wenckebach) ✔ PR progressivamente se alonga até bloquear um QRS ✔ Local da lesão: Nó AV ✔ Pode ser fisiológico, mas pode progredir 👉 BAV de 2º Grau - Mobitz II ✔ PR fixo, mas QRS bloqueados aleatoriamente ✔ Local da lesão: Feixe de His ✔ Alto risco de progressão para BAVT! 🚨 → Indicação de marca-passo 👉 BAV de 3º Grau (Bloqueio AV Total - BAVT) ✔ Dissociação completa entre ondas P e complexos QRS ✔ Ritmo de escape pode ser nodal (QRS estreito) ou ventricular (QRS largo) ✔ Conduta: Marca-passo definitivo ⚡ 2. Ritmos de parada cardíaca A parada cardiorrespiratória (PCR) é a interrupção súbita da atividade cardíaca eficaz. Os ritmos de PCR são divididos em chocáveis e não chocáveis. Ritmos de Parada Chocáveis ⚡ 🔴 Fibrilação Ventricular (FV) ✔ Atividade elétrica desorganizada, sem QRS definidos ✔ Sem pulso, sem débito cardíaco ✔ Conduta: Desfibrilação IMEDIATA (200J bifásico) + RCP 🔴 Taquicardia Ventricular sem pulso (TVSP) ✔ QRS largos e regulares, mas sem pulso ✔ Pode ser monomórfica ou polimórfica ✔ Conduta: Desfibrilação IMEDIATA + RCP Ritmos de Parada NÃO Chocáveis 🚫 🔵 Assistolia ✔ Linha reta no ECG ✔ Ausência de atividade elétrica e mecânica ✔ Conduta: RCP + adrenalina (1 mg a cada 3-5 min) ✔ 🚨 NUNCA desfibrilar! 🔵 Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP) ✔ Ritmo elétrico presente (bradicardia, BAV, QRS normais), mas SEM pulso ✔ Conduta: RCP + adrenalina (1 mg a cada 3-5 min) ✔ 🚨 Corrigir causas reversíveis (6H e 5T) 3. CAUSAS REVERSÍVEIS DA PCR (6H e 5T) 🔍 6H ✔ Hipovolemia ✔ Hipóxia ✔ Hidrogênio (acidose) ✔ Hipo/Hipercalemia ✔ Hipotermia ✔ Hipoglicemia (menos comum) 🔍 5T ✔ Trombose coronariana (IAM) ✔ Trombose pulmonar (TEP) ✔ Tensão no tórax (pneumotórax hipertensivo) ✔ Tamponamento cardíaco ✔ Toxinas (overdose, envenenamento) 4. Conduta na parada cardíaca (suporte avançado) 📌 Se FV/TV sem pulso → Desfibrilação IMEDIATA + RCP 📌 Se Assistolia/AESP → RCP + Adrenalina (1 mg a cada 3-5 min) 📌 Reavaliar a cada 2 min → checar pulso e ritmo Se houver retorno da circulação espontânea (ROSC): ✔ Manutenção da oxigenação ✔ Controle hemodinâmico ✔ Avaliação das causas da PCR Intoxicações Agudas e Síndromes Tóxicas (Toxidromes)! 🚑💊 1. Intoxicações agudas A intoxicação aguda ocorre quando uma substância tóxica entra no organismo em quantidade suficiente para causar efeitos adversos. Pode ser por ingestão, inalação, contato cutâneo ou injeção. Causas comuns de intoxicação ✔ Medicamentos (benzodiazepínicos, opioides, paracetamol) ✔ Drogas de abuso (cocaína, álcool, heroína) ✔ Agrotóxicos (organofosforados, carbamatos) ✔ Produtos químicos industriais (monóxido de carbono, chumbo) 2. Síndromes tóxicas (TOXIDROMES) 📌 1. Toxidrome Colinérgico (Excesso de Acetilcolina) 🔍 Causa: Agentes organofosforados e carbamatos (pesticidas, gás nervoso) 📌 Achados clínicos: "SLUDGE" ou "DUMBBELS" ✔ Salivação ✔ Lacrimejamento ✔ Urinação ✔ Defecação/diarreia ✔ Gastrite (náuseas, vômitos) ✔ Espasmos musculares e fasciculações ✔ Bradicardia, miose (pupilas contraídas), sudorese excessiva 🩺 Tratamento: ✔ Atropina (antagonista muscarínico) ✔ Pralidoxima (regenerador da acetilcolinesterase) 📌 2. Toxidrome Anticolinérgico (Bloqueio da Acetilcolina) 🔍 Causa: Atropina, escopolamina, anti- histamínicos, antidepressivos tricíclicos 📌 Achados clínicos: "Quente, Seco, Vermelho, Louco e Cego" ✔ Hipertermia (quente) ✔ Pele e mucosas secas ✔ Rubor cutâneo ✔ Agitação, alucinações, delírio ✔ Midríase (pupilas dilatadas) 🩺 Tratamento: ✔ Fisostigmina (inibidor da colinesterase) se sintomas graves 📌 3. Toxidrome Adrenérgico/ Simpaticomimético (Excesso de Noradrenalina) 🔍 Causa: Cocaína, anfetaminas, ecstasy, cafeína 📌 Achados clínicos: Ativação excessiva do sistema nervoso simpático ✔ Taquicardia, hipertensão, midríase ✔ Agitação extrema, insônia, paranoia ✔ Hipertermia, sudorese intensa 🩺 Tratamento: ✔ Benzodiazepínicos (calmantes, como diazepam) ✔ Controle da PA (nitroprussiato, fentolamina se necessário) 🚨 ⚠ Não usar betabloqueadores isolados! (pode causar crise hipertensiva) 📌 4. Toxidrome Opioide (Depressão do SNC e Respiratória) 🔍Causa: Morfina, heroína, fentanil, codeína 📌 Achados clínicos: Tríade clássica 🚨 ✔ Depressão respiratória ✔ Miose (pupilas puntiformes) ✔ Alteração do nível de consciência (coma, sedação profunda) 🩺 Tratamento: ✔ Naloxona (antagonista opioide) – pode precisar de repetidas doses! 📌 5. Toxidrome Hipnótico-Sedativo (Depressão do SNC) 🔍 Causa: Benzodiazepínicos (diazepam, alprazolam), barbitúricos, álcool 📌 Achados clínicos: ✔ Depressão do SNC (confusão, sonolência, coma) ✔ Hipotensão, bradipneia, hipotermia ✔ Reflexos reduzidos 🩺 Tratamento: ✔ Suporte ventilatório (se depressão respiratória grave) ✔ Flumazenil (antagonista de benzodiazepínicos, mas usado com cautela) 🚨 ⚠ Flumazenil pode causar convulsões em usuários crônicos de benzodiazepínicos! 📌 6. Toxidrome Serotoninérgico (Excesso de Serotonina) 🔍 Causa: Uso excessivo de ISRS (fluoxetina, sertralina), IMAOs, MDMA (ecstasy) 📌 Achados clínicos: ✔ Hiperreflexia e mioclonia ✔ Agitação, confusão, febre alta ✔ Taquicardia, hipertensão 🩺 Tratamento: ✔ Benzodiazepínicos (para sedação) ✔ Cipro-heptadina (antagonista da serotonina) 3. Intoxicações específicas e tratamento Substância Sinais principais Antídoto Paracetamo l Hepatotoxicida de, vômitos, dor abdominal N-acetilcisteína Monóxido de Carbono (CO) Cefaleia, confusão, pele rosada Oxigênio hiperbárico Cianeto Convulsões, hipotensão, amêndoas no hálito Hidroxicobalami na ou Tiossulfato de sódio Metanol/ Etilenoglicol Acidose metabólica, visão turva Fomepizol ou etanol Chumbo Dor abdominal, anemia, neuropatia EDTA ou DMSA Digoxina Náuseas, arritmias, visão amarelo- esverdeada Anticorpos anti- digoxina (Digibind) 4. Passos gerais no atendimento da intoxicação aguda 1. Avaliação inicial (ABC da reanimação!) ✔ Garantir via aérea e ventilação ✔ Monitorização de sinais vitais 2. Identificação do toxidrome ✔ Anamnese e exame físico detalhados ✔ Exames laboratoriais (glicemia, gasometria, eletrólitos) 3. Tratamento específico ✔ Administração do antídoto (se disponível) ✔ Medidas de descontaminação (carvão ativado se indicado) ✔ Suporte hemodinâmico e sintomático 4. Monitorização contínua ✔ Observação em UTI se necessário ✔ Tratamento de complicações 🔴 Conclusão As intoxicações agudas são emergências médicas que exigem rápido reconhecimento e intervenção adequada. Saber os toxidromes facilita o diagnóstico e permite o tratamento direcionado e eficaz! 🚑💊 🧠 Convulsões 📌 O que é uma convulsão? É uma descarga elétrica anormal, excessiva e síncrona no cérebro que leva a manifestações motoras, sensitivas, autonômicas ou psíquicas. ⚠ Nem toda convulsão é epilepsia! Pode ser causada por fatores agudos e reversíveis. ⚠ Causas de convulsão aguda 🔹 Hipoglicemia / hiperglicemia 🔹 Hiponatremia / hipocalcemia 🔹 Infecções (meningite, encefalite) 🔹 Traumatismo cranioencefálico (TCE) 🔹 AVC 🔹 Tumores 🔹 Abstinência de álcool / drogas 🔹 Intoxicações (drogas, medicações) 🔹 Febre alta em crianças (convulsão febril) 🔄 Classificação das convulsões (tipo de crise) 1. Crise Focal (parcial) • Origina-se de uma área específica do cérebro • Pode ser com ou sem alteração da consciência • Sintomas: movimentos anormais, formigamento, sensação estranha, déjà vu 2. Crise Generalizada Envolve ambos os hemisférios cerebrais desde o início Tipos: • Tônico-clônica (grande mal): rigidez + abalos + perda de consciência • Ausência: olhar fixo, breve, comum em crianças • Mioclônica: abalos rápidos • Tônica: rigidez súbita • Atônica: perda súbita do tônus → quedas 🚨 Estado de Mal Epiléptico (EME) 🔴 É uma emergência! ✔ Crise convulsiva que dura > 5 minutos OU ✔ ≥2 crises sem recuperação da consciência entre elas 🩺 Conduta: 1ª linha: ✔ Benzodiazepínico EV (Diazepam 10mg ou Midazolam 0,2mg/kg) → Se sem acesso venoso: Midazolam IM ou nasal 2ª linha: ✔ Antiepiléptico EV (Fenitoína, Levetiracetam, Valproato) 3ª linha (refratário): ✔ Intubação orotraqueal + sedação contínua (midazolam, propofol) ✔ UTI 🧪 Investigação após uma primeira crise ✔ Glicemia capilar ✔ Eletrólitos, função renal, cálcio ✔ Exames toxicológicos ✔ Neuroimagem (TC/RM) ✔ EEG (eletroencefalograma) ✔ Punção lombar se suspeita de infecção 🧰 Condutas imediatas durante uma crise 🔹 Proteger o paciente de traumas (deitar de lado, tirar objetos próximos) 🔹 Não colocar nada na boca! 🔹 Afastar secreções da via aérea 🔹 Oxigênio se necessário 🔹 Monitorar FC, PA, glicemia 🔹 Após a crise: avaliar nível de consciência e sinais neurológicos 💊 Quando iniciar tratamento contínuo com anticonvulsivante? ✔ Após 2 ou mais crises não provocadas (epilepsia) ✔ Lesão cerebral estrutural ✔ EEG com atividade epiléptica ✔ Alterações neurológicas ou cognitivas 💡 Resumo flash: conduta em crise convulsiva Situação Conduta Crise tônico- clônica em curso Proteger vias aéreas, benzodiazepínico Estado de mal epiléptico Diazepam → Fenitoína → Sedação e UTI Após crise Investigar causa, monitorar paciente Convulsão por hipoglicemia Glicose EV 50% Abstinência alcoólica Benzodiazepínicos Criança com febre alta e crise Convulsão febril simples: observar e tratar febre