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O BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA (BPC) E SUAS INTERFACES COM AS POLÍTICAS DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL Bárbara Maria Gonçalves1 barbaramgoncalves@yahoo.com.br Nilton José Ferreira2 niltonjf@yahoo.com.br RESUMO O presente artigo tem como objeto de estudo o Benefício de Prestação Continuada (BPC), enquanto um benefício vinculado à política de Assistência Social e ao sistema de Seguridade Social. A problematização deste trabalho consiste em analisar o BPC no âmbito da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) como garantia de direitos às pessoas com deficiência e idosos que não possuem meios de prover a própria subsistência, e a atuação do Assistente Social neste contexto. Os estudos apontam que o benefício garante às famílias usuárias o acesso à alimentação, moradia e a mínimos sociais, que antes não tinham acesso. Palavras-chave Benefício de Prestação Continuada (BPC); Previdência Social; Assistência Social. ABSTRACT This article has as study object the Continuous Benefit (BPC) connected as an advantage for social welfare policies and social security. The questioning of this work is to analyze the BPC under the National Social Assistance Policy (PNAS) and the Unified Social Assistance System (SUAS) as a guarantee of the rights of people with disabilities and the elderly who have no means to fend for themselves and, the role of social workers in this context. Studies show that the benefits guaranteed families the user access to food, housing and the social minimum that previously had no access. Keywords Benefit of Installment Continue (BPC); Foresight Social; Assistance Social. 1. INTRODUÇÃO O tema deste trabalho surgiu da necessidade de entender e divulgar os Benefícios Assistenciais disponibilizados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que muitas vezes não 1 Pesquisadora do Programa de Iniciação Científica do Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé (UNIFEG). Discente do curso de Serviço Social. 2 Professore orientador da Pesquisa. Docente do Curso de Serviço Social do Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé (UNIFEG). 2 são requeridos por falta de informação e pelo não conhecimento dos brasileiros em relação aos seus direitos. O Benefício de Prestação Continuada (BPC) é um benefício da Assistência Social que consiste na transferência de renda a idosos e pessoas com deficiência, que comprovem incapacidade para o trabalho e/ou para a vida independente, e que possuem renda per capita inferior a ¼ do salário mínimo vigente. O BPC está garantido pela Constituição Federal de 1988, regulamentado pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), e integra a Política Nacional de Assistência Social (PNAS). Embora seja um benefício da Assistência Social, sua operacionalização compete às agências do INSS. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho consiste em analisar a proteção social oferecida pelo INSS aos usuários da política de Assistência Social, investigando o acesso a esse benefício como um direito garantido, que depende do cumprimento e da correta aplicação da Lei. O estudo justifica-se pela necessidade de reconhecimento do direito aos benefícios pagos pelo INSS. Muitas pessoas, ao solicitarem os benefícios no INSS, e sendo estes negados, acabam por não procurarem seus direitos na justiça e, quando recorrem, é por meio do “auxílio” de pessoas desconhecidas ou por advogados que cobram valores abusivos pelos serviços, outros, pelo restrito acesso e por toda a burocracia que envolve este processo, acabam por não demandarem o direito, muitas vezes ao obterem por justificativa o descaso e o não acesso à informação. 2. A PREVIDÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA COMO UMA POLÍTICA SOCIAL Por meio da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, é que a Seguridade Social passou a ser consolidada, nomeando o Estado como responsável pela gestão das políticas públicas e ações fundamentadas no tripé Saúde, Previdência Social e Assistência Social. O artigo 194 da Constituição Federal de 1988 dispõe que a Seguridade Social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à Saúde, à Previdência e à Assistência Social. Deliberando que compete ao poder público organizar a Seguridade Social, objetivando sempre a universalidade da cobertura e do atendimento; uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; a seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços; irredutibilidade do valor dos benefícios; equidade na forma de participação no custeio; diversidade da base de financiamento; caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados. 2.1. A Previdência Social Brasileira O artigo 201 da atual Constituição Federal assegura que a Previdência Social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados os critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial. A cobertura compreende: idade avançada, maternidade e os riscos de doença, invalidez, morte, desemprego involuntário e reclusão. Tendo diferentes modalidades de benefícios: aposentadoria por idade, aposentadoria por invalidez, 3 aposentadoria por tempo de contribuição, aposentadoria especial, auxílio-doença, auxílio-acidente, auxílio-reclusão, pensão por morte, salário-maternidade, além do Benefício de Prestação Continuada (BPC), para idosos e pessoas com deficiência, este que será tratado com maior profundidade neste trabalho. Os serviços abrangem o Serviço Social, a perícia médica e a reabilitação profissional. Para Braga; Cabral (2011) o sistema previdenciário sempre prometeu mais do que efetivamente ofereceu, aspirou momentos muito maiores do que suas reais possibilidades. A oferta de benefícios esteve muito aquém das necessidades sociais dos trabalhadores, a proteção social sempre representou uma resposta extremamente limitada e restrita frente às demandas sociais. Segundo Silva (2007) o sistema de proteção social do Brasil, em pleno século XXI, permanece precário, inacabado, descontínuo, com baixíssima efetividade, e, principalmente, injusto e extremamente distante das demandas da classe trabalhadora brasileira. São segurados/as da Previdência Social cidadãos ou cidadãs, a partir de 16 anos, que recolhem as contribuições mensalmente para a Previdência Social. Tais segurado/as têm direito aos benefícios e serviços oferecidos pelo INSS. Um dos serviços ofertados pelas agências é a perícia médica, que consiste em uma exigência do INSS para concessão de determinados benefícios. Na perícia médica o perito é responsável por analisar e julgar a incapacidade para o trabalho de determinado segurado/a ou dependente, tal análise pode ser fundamentada em pareceres e avaliações especializados e complementares que o/a segurado/a ou dependente já tenha realizado, o que faz com que seja de suma importância que quando o indivíduo comparecer a uma agência do INSS para realizar uma perícia médica deve portar exames, pareceres de outros profissionais da área, cartas e documentos para expor ao perito, para esclarecer ou fundamentar uma informação. O perito médico avaliará os casos e as solicitações dos benefícios individualmente, há exemplos de doenças ou agravamentos de saúde que incapacitam uma pessoa e outra não, nesses casos o perito considerará o tipo de problema de saúde e o tipo de trabalho desempenhado pelo usuário. O perito se fundamentará na legislação para avaliar as informações e documentações e dar o seu parecer final, sua conclusãodo caso, no caso da negativa ao acesso ao benefício o requerente pode solicitar judicialmente nova avaliação. 2.2. A Assistência Social no Brasil Conforme a Lei 8.212/91, em seu artigo 4º, a Assistência Social é uma política social que fornece o atendimento das necessidades básicas, traduzidas em proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência, à velhice e à pessoa com deficiência, independentemente de contribuição à Seguridade Social. Quando se tem um direito o Estado tem o dever, portanto, a Assistência Social é um direito do cidadão e dever do Estado, é uma política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade civil, para garantir o atendimento às necessidades básicas. 4 Apenas, a partir de 1988, com a Constituição Federal, que a Assistência Social passou a compor o tripé da Seguridade Social, ou seja, como política pública não contributiva, pautada pela universalidade da cobertura e do atendimento. O Brasil é reconhecido mundialmente por seus índices de desigualdade, onde 64 milhões de cidadãos sobrevivem abaixo da linha da pobreza; mais de 30 milhões destes em absoluta miséria. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2002, 8,4% da população não tinham salário e trabalhavam em troca de casa e comida e toda essa conjuntura tende apenas a se agravar, mediante ao sistema econômico vigente, o capitalismo. A política econômica implementada supõe a queda de investimentos na área da Assistência Social, a redução estatal com relação à garantia da oferta de serviços públicos de qualidade, além da não consolidação dos direitos sociais. 2.3. As Políticas Sociais no Brasil Bravo; Pereira (2002) afirmam que no mercado é que se dá a submissão real e formal do trabalho, os trabalhadores perdem sua autonomia, o mercado é o lugar da autonomia do indivíduo, mas não do cidadão, a moeda somente pune quem não a tem, ou quem a tem em quantidades insuficientes. O desemprego, a pauperização e as precárias condições da classe trabalhadora vêm aumentando gradativamente, com a reestruturação produtiva, a mão de obra humana sendo substituída por modernos maquinários, a expansão da terceirização, a precariedade dos contratos de trabalho atinge de forma explícita quem detém sua mão de obra para o sustento de uma família, o que causa toda essa conjuntura de refluxo dos movimentos sociais que observamos na contemporaneidade. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), há mais de 800 milhões de pessoas desempregadas no mundo, para Behring; Almeida, (2010) os mercados dependem do Estado e prosperam nas desigualdades que eles disseminam. E, em meio a todas essas expressões da questão social, a todos esses ditos problemas sociais, o Estado instituiu políticas sociais para minimizarem as tensões sociais manifestas na sociedade capitalista, com o intuito de reforçar sua legitimação frente à sociedade. As políticas sociais instituem-se, inicialmente como uma resposta as configurações da questão social advindas da classe trabalhadora da época, porém, após passam a serem compreendidas como uma estratégia de intervenção do governo nas relações sociais através de planos, projetos e programas. A Constituição Federal promulgada em 1988 promoveu avanços que procuraram minimizar as injustiças sociais secularmente presentes no país, além de representar um marco na consignação, afirmação e extensão dos direitos sociais brasileiros, resultante de um árduo processo de mobilização da sociedade brasileira na década de 1980, o texto constitucional congregou as aspirações pela garantia de maiores níveis de participação, democracia e justiça social (BEHRING; ALMEIDA, 2010). A educação, a saúde, a seguridade social e as políticas sociais são elementos efetivos da intransferível incumbência do Estado, porém, conforme Behring; Almeida (2010), o Brasil manteve-se 5 e mantém-se muito distante de um ampliado e desenvolvido sistema de proteção social, o país ainda não conseguiu ultrapassar os limites de um mercado de trabalho marcado pela instabilidade, pelos baixos salários, pelo desemprego e por frágeis mecanismos de proteção social. 3. O BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA – BPC O Benefício Assistencial de Prestação Continuada (BPC) foi instituído pela Constituição Federal de 1988, é garantido na esfera da proteção social não contributiva da Seguridade Social e é regulamentado pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) – Lei nº 8.742, de 07/12/1993 e pelas Leis nº 12.435, de 06/07/2011 e nº 12.470, de 31/08/2011. O BPC é um benefício financiado integralmente com recursos públicos. Ao INSS compete a operacionalização do BPC no que tange a avaliação médica e social para recebimento do benefício. Por meio de convênio, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), repassa recursos do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) ao INSS; o qual operacionaliza a concessão e o pagamento aos/as beneficiários/as. O BPC é um benefício da Política de Assistência Social (por isso é não contributivo), coordenado pelo MDS. O referido benefício é individual, não vitalício, intransferível e pago para idosos (que possuem mais de 65 anos) e pessoas com deficiência de qualquer idade, com impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que comprovem não possuírem condições para proverem a própria subsistência, nem tê-la provida por sua família. Conforme as Leis nº 12.435/2011 e nº 12.470/2011 os impedimentos de longo prazo são aqueles que causam implicações ou sequelas pelo prazo mínimo de dois anos. O BPC é concedido para idosos com 65 anos ou mais, cuja renda mensal bruta familiar per capita seja inferior a ¼ do salário mínimo vigente e para pessoas com deficiência, que comprovem não possuírem meios de garantirem a própria subsistência e que a família também não apresente condição econômica necessária. O valor do benefício é de um salário mínimo por mês, sem direito ao 13º salário. Porém, não é qualquer pessoa com deficiência que tem o direito de recebê-lo, é necessária a comprovação de que o/a beneficiário/a não possui qualquer fonte de renda, suscitada por si ou por sua família. O/a requerente deve ser brasileiro/a nato/a ou naturalizado/a, residente e domiciliado/a no Brasil, que não receba qualquer outro benefício no âmbito da Seguridade Social ou de outro regime, nacional ou estrangeiro, inclusive o Seguro-Desemprego, salvo o da Assistência Médica e a Pensão Especial de Natureza Indenizatória, conforme o parágrafo 4°, do Art. 20, da LOAS, que diz que a pessoa que já recebe o BPC não pode receber outros benefícios previdenciários, mas pode, por direito, contar com o auxílio de outros benefícios da Assistência Social, desde que não sejam pagos em dinheiro. Conforme Fávero (2007) o BPC pode ser requerido em qualquer unidade de atendimento do INSS, ou órgãos autorizados, ou ainda em entidade conveniada, como as prefeituras. O seu acompanhamento e controle é feito pelas Secretarias de Assistência Social, que remetem a documentação para os postos do INSS, órgão responsável pela concessão e manutenção do 6 benefício, porém, fora das condições estabelecidas, o mesmo será negado, podendo ser acionado o Poder Judiciário para avaliar o caso. Se a cidade da pessoa com deficiência, que teve o benefício negado, contar com o trabalho do Juizado Especial Federal, a mesma pode recorrer à justiça sem o auxílio de advogados, que podem cobrar até 25%, segundo estabelece o Código Civil, valor recebido a título de atrasados, ou deduzido do valor recebido mensalmente. Em geral, as ações não costumam demorar. [...] Para ter acesso ao BPC não é preciso intermediários ou atravessadores, nem autorização de ente político. A pessoa com mais de65 anos ou com deficiência pode ir diretamente a uma agência do INSS mais próxima de sua residência e solicitar o benefício, sem custos (MDS, 2011, p. 07). Para solicitar o BPC o/a requerente deve apresentar seus documentos pessoais, nos casos em que o/a requerente for uma pessoa em situação de rua, o endereço a ser adotado é o do serviço da rede socioassistencial da qual o/a cidadão/ã esteja sendo acompanhado/a. Sempre que houver alguma alteração das informações apresentadas e dos dados cadastrados, é necessário que o/a beneficiário/a informe à agência do INSS mais próxima. Nos casos em que a pessoa com deficiência ou idoso não possa se deslocar até uma agência do INSS para realização das avaliações médica e social, e se for comprovada a impossibilidade de deslocamento, os profissionais peritos devem se dirigir à residência, hospital ou instituição em que a pessoa esteja, para que todo o procedimento necessário seja realizado. Para ratificar e calcular a renda mensal familiar per capita são somadas todas as fontes de renda da família, dividido pelo número de integrantes, o que origina um valor por membro familiar. Se esse valor for inferior a ¼ do salário mínimo vigente e a pessoa com deficiência ou idoso cumprir todos os demais critérios, então será concedido o BPC ao/a requerente. [...] O idoso ou pessoa com deficiência que more sozinho, ou se encontre acolhido em instituição de longa permanência ou em situação de rua terá direito ao Benefício de Prestação Continuada, desde que atenda aos critérios para recebimento do benefício (MDS, 2011, p. 16). Segundo as legislações e decretos, tais como: Lei nº 8.742/1993, Lei nº 10.741/2003, Lei nº 12.470/2011, Lei nº 12.435/2011, Decreto nº 6.214/2007, Decreto nº 6.564/2008, dentre outras que regulamentam o benefício são considerados rendimentos para o cálculo da renda mensal familiar per capita, salários, pensões, proventos, benefícios de previdência pública ou privada, comissões, seguro-desemprego, rendimentos auferidos de patrimônios, trabalho informal ou autônomo, dentre outros. Não são considerados rendimentos para o cálculo da renda mensal familiar per capita o BPC de uma pessoa idosa para a concessão do benefício a outro idoso da mesma família, a remuneração da pessoa com deficiência na condição de aprendiz ou de estagiário, o Programa Bolsa Família ou qualquer outro programa de transferência de renda, benefícios, auxílios assistenciais de natureza eventual e temporária também não são considerados para cálculo. Todas as informações, inclusive a renda dos integrantes da família, devem ser comprovadas. Quando todos os critérios e exigências são cumpridos e o BPC é concedido, o INSS envia um comunicado ao/a requerente, lhe informando quando e em qual agência bancária o benefício será 7 recebido. Porém, se a situação e as informações apresentadas pelo/a requerente não atenderem a tais critérios, o benefício então é negado. Nos casos de indeferimento o/a requerente tem o direito de apresentar recurso à Junta de Recursos da Previdência Social, onde todo o processo será avaliado novamente. O BPC exige que a cada dois anos seja realizado o processo de reavaliação do benefício, conforme o artigo 21 da LOAS. Nessa reavaliação deve ser verificado se o/a beneficiário/a permanece atendendo aos critérios para recebimento do benefício. [...] A reavaliação do BPC consiste em verificar se as condições que deram origem ao benefício permanecem, ou seja, se os beneficiários (idoso e pessoa com deficiência) continuam apresentando renda mensal familiar per capita inferior a ¼ do salário mínimo. No caso da pessoa com deficiência, além da verificação da renda, há necessidade de nova avaliação médica e avaliação social para verificação do grau de impedimento, em razão de possíveis mudanças da situação da deficiência (MDS, 2011, p. 14). Se após essa reavaliação for comprovado que houve uma superação das condições da família, ou seja, que a situação de vulnerabilidade social da família já foi superada ou que o acesso à renda já não é tão precário, o benefício é suspenso, se ainda, for encontrada qualquer irregularidade o BPC também é cessado, o que não é consentido e nem admitido, sob qualquer conjuntura, é a transferência do benefício para outra pessoa. Há situações em que as pessoas com deficiência beneficiárias do BPC são contratadas no mercado de trabalho como aprendizes, nesses casos o benefício não será suspenso, mas a pessoa não pode acumular o BPC com a remuneração do contrato de aprendiz por mais de dois anos. O BPC será suspenso, segundo a Lei nº 12.470, se a pessoa com deficiência exercer qualquer atividade remunerada (fora da condição de estagiário ou aprendiz) ou se estiver desemprenhando funções como microempreendedor individual. Depois do benefício suspenso, para a pessoa com deficiência reativar o recebimento deve se dirigir a uma Agência do INSS e comprovar o fim do contrato de trabalho. Será realizada então uma nova avaliação da deficiência e do grau de impedimento para o possível restabelecimento do benefício. O pagamento do BPC cessa no momento em que superadas as condições de aquisição do direito, com a morte do/a beneficiário/a ou com a morte presumida ou ausência do/a beneficiário/a, declarada judicialmente, nos casos de falecimento do/a beneficiário/a a família ou representante legal é responsável em informar o óbito imediatamente ao INSS. 3.1. O papel da Rede Socioassistencial Municipal para o acesso ao benefício Conforme MDS (2011) o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), o órgão gestor ou departamento da Política de Assistência Social são responsáveis por informarem e orientarem as pessoas com deficiência, idosos e seus familiares ou representantes sobre as condicionalidades e acesso ao BPC, a rede socioassistencial e às demais políticas públicas e sociais. [...] Cabe ao CRAS o acompanhamento dos (as) beneficiários (as) do BPC e de suas famílias com vistas à garantia dos direitos socioassistenciais, incluindo o usufruto do 8 benefício, o direito ao protagonismo, à manifestação de seus interesses, à informação, à convivência familiar e comunitária e à renda (MDS, 2011, p. 17). Nas cidades que não há uma Agência da Previdência Social também compete ao CRAS agendar o atendimento do/a requerente na Internet, lhe dar todo suporte a respeito da documentação exigida, além de esclarecer dúvidas e passar todas as informações necessárias. É incumbência ainda do CRAS manter a rede de proteção social ao/a beneficiário/a e incluí- lo/a nas ações, programas e projetos do MDS, como por exemplo: BPC na Escola, BPC Trabalho, cadastramento da família no Cadastro Único. O BPC é um benefício assistencial que já possui mais de uma década de implantação, em volume de recursos é o maior programa de transferência de renda brasileiro, conforme dados do MDS de agosto de 2011 havia 3,5 milhões de brasileiros/as beneficiários/as, sendo estes 1,8 milhões de pessoas com deficiência e 1,7 idosos. Porém, também é um benefício muito criticado quanto às suas condicionalidades, um dos maiores exemplos é com relação à renda per capita familiar exigida pelo programa que deve ser inferior a ¼ do salário mínimo vigente, mas há leis brasileiras que para determinados programas sociais estipulam a renda de até ½ do salário, como é o caso do Programa Bolsa Família, o valor de ¼ não só implica a carência econômica, mas uma situação de total miserabilidade da família. Conforme Fávero (2007) a LOAS possui importantes disposições quanto à organização da Assistência Social, porém exige que além da deficiência o/a requerente ao BPC também comprove total incapacidade para o trabalho e para a vida autônoma, quesitos estes que dificultam o acesso ao benefício e contrariam a Constituição Federal, pois a Constituiçãoinstituiu o BPC para a pessoa com deficiência e não para a pessoa incapaz (termos que não se assemelham), o que vem acontecendo na prática é que essa exigência de incapacidade acaba por instigar a não preparação da pessoa com deficiência para o mercado de trabalho e para a vida independente. Levando em consideração as tantas exigências do programa e a necessidade que a maioria das famílias tem desse salário mínimo, pais impedem seus filhos que tem alguma deficiência de se qualificarem e se inserirem no mercado de trabalho, ou ainda quando conseguem algum emprego muitos pedem para não terem a carteira de trabalho assinada, pois com o registro comprovam que “são aptos para o trabalho”, tudo isso para não perderem o direito à esse salário mínimo, que para alguns pode não significar muito, mas para outros esse valor garante a sobrevivência de uma família. Nestes casos então, o INSS deixa de ter um/a segurado/a, e permanece tendo mais um trabalhador na informalidade ou mais um/a beneficiário/a da Assistência Social. 4. A PREVIDÊNCIA SOCIAL COMO ÁREA DE ATUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL O ano de 1942 foi marcado como a primeira experiência oficial de implantação do Serviço Social no âmbito da Previdência Social, momento este caracterizado pelas péssimas condições de vida do trabalhador, salários baixos, jornadas de 12 horas diárias, operários sem equipamentos de proteção, condições insalubres de habitação, alimentação e higiene (BRAGA; CABRAL, 2011). 9 Nesse período há expansão de instituições assistenciais e previdenciárias, reforçando o discurso da época de “humanização das grandes máquinas burocráticas”, vistas como uma estratégia estatal para “amenizar” as expressões da questão social e intervir no capital, na regulamentação do mercado (BEHRING; ALMEIDA, 2010). Durante este processo surge em 1938, no país, o Conselho Nacional de Serviço Social, em 1942 a Legião Brasileira de Assistência (LBA), e, finalmente, em 1944 é sancionada a autorização para a implantação do Serviço Social nas Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAP’s) e Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAP’s), através da Portaria nº 52 de 06/09/1944 do Conselho Nacional do Trabalho (CNT). Em 1945 são fornecidos cursos intensivos de Serviço Social para os funcionários dos IAP’s e CAP’s, em 1950 o Serviço Social conquista novos espaços, são contratados profissionais para atuarem nas Delegacias Regionais dos IAP’s. Para Braga; Cabral (2011) foi o momento onde muitos profissionais atuavam com julgamentos do senso-comum, originando uma postura profissional rotineira, internista e tarefeira, onde a categoria se rendia mais à burocracia do que a história do cidadão que estava a sua frente expondo uma demanda. A Constituição Federal de 1988 também impulsionou muitas mudanças, principalmente com relação à Assistência Social, acendendo novos espaços de trabalho para os/as Assistentes Sociais e fazendo com que a profissão fosse ainda mais reconhecida como necessária a atuar na relação capital versus trabalho. Em 1991 é promulgada a Lei nº 8.213, que estabelecia o Plano de Benefícios da Previdência Social, deliberando como competência específica do Serviço Social esclarecer aos usuários seus direitos sociais e os meios de exercê-los, além de solucionar os problemas advindos, tanto no espaço institucional quanto na sociedade. Em 1994 é criada a Matriz Teórico-Metodológica do Serviço Social na Previdência Social, da qual institui três fundamentais ações aos/as Assistentes Sociais, objetivando dar concretude às ações, são elas: socialização das informações previdenciárias, fortalecimento do coletivo e assessoria. O artigo 88 da Lei nº 8.213/1991 estabelece que, compete ao Serviço Social esclarecer junto aos beneficiários seus direitos sociais e os meios de exercê-los e estabelecer conjuntamente com eles o processo de solução dos problemas que emergirem da sua relação com a Previdência Social, tanto no âmbito interno da instituição como na dinâmica da sociedade. A lei ainda garante que para assegurar o efetivo atendimento dos usuários serão utilizadas intervenção técnica, assistência de natureza jurídica, ajuda material, recursos sociais, intercâmbio com empresas e pesquisa social, inclusive mediante celebração de convênios, acordos ou contratos. O Serviço Social terá como diretriz a participação do benefício na implementação e no fortalecimento da política previdenciária, em articulação com as associações e entidades de classe. [...] O Serviço Social no Brasil afirma-se como profissão, estreitamente integrado ao setor público em especial, diante da progressiva ampliação do controle e do âmbito da ação do Estado junto à sociedade civil. Vincula-se, também, a organizações patronais privadas, de caráter empresarial, dedicadas às atividades produtivas propriamente 10 ditas e à prestação de serviços sociais à população. A profissão se consolida, então, como parte integrante do aparato estatal e de empresas privadas, e o profissional, como um assalariado a serviço das mesmas (IAMAMOTO; CARVALHO, 2006, p. 79). Conforme Iamamoto (2013), o Serviço Social é regulamentado como uma profissão liberal, mas que não se realiza como tal, ou seja, o/a Assistente Social não detém todos os meios (financeiros, técnicos e humanos) necessários para efetivar e executar seu trabalho de forma autônoma, o que faz com que o profissional, dentro de seu campo de trabalho, não detenha uma autonomia plena, mas relativa. Iamamoto (2013) ainda discorre que a escolha pela profissão, não é feita por acaso, ninguém torna-se “amante” do Serviço Social para ter mais dinheiro, status ou prestígio, a profissão é guiada por valores nobres, mais que um simples trabalho assalariado, um meio de realizar projetos pessoais e sociais. O trabalho do/a Assistente Social tem implicações nas condições materiais e sociais daqueles que tem sua sobrevivência provida pela venda de sua mão-de-obra. O/a Assistente Social não produz riqueza diretamente, ou seja, mais-valia, o Serviço Social é um “trabalho especializado, expresso sob a forma de serviços, que tem produtos: interfere na reprodução material da força de trabalho e no processo de reprodução sociopolítica ou ideo-política dos indivíduos sociais” (IAMAMOTO, 2013, p. 69). Quanto mais riqueza se produz, mais pobreza se gera, pobreza essa, que inicialmente, era vista de forma naturalizada e uma ameaça à ordem burguesa. O Serviço Social surge então, demandado pelas classes dominantes, como uma especialização do trabalho coletivo para atender e intervir nas necessidades sociais. Mas apenas mais tarde o Serviço Social deixa de ser um instrumento de distribuição da caridade privada das classes dominantes e torna-se executor das políticas sociais do Estado e dos setores empresariais, um profissional apto para atuar nas expressões da questão social, nas políticas públicas e nas organizações da sociedade civil. E esse trabalho profissional, a atuação do Serviço Social na sociedade brasileira exige do/a Assistente Social o entendimento dos processos sociais, a compreensão das implicações políticas de sua prática profissional, a concepção das relações de trabalho, uma aproximação com os usuários para compreender suas demandas. O/a Assistente Social como um agente catalisador nas comunidades, generalizador e agente de transformação. Com as exigências da contemporaneidade e a categoria profissional conquistando mais esse espaço, as demandas fizeram com que os Assistentes Sociais da Previdência Social trabalhassem na revigoração e defesa dos direitos da classe trabalhadora, de modo que os profissionais assumiram “um modelo de Previdência que reafirme o seu caráter público, de real universalidade, descentralizado, democrático, redistributivo, que garanta a manutenção digna do trabalhador e de sua família, sob o controle dos usuários” (BRAGA; CABRAL, 2011, p. 117).A categoria então passou a adotar posturas de um trabalho proferido aos interesses e necessidades da classe que vive do trabalho e dos diversos segmentos penalizados pela sua condição social. O Código de Ética do Serviço Social aprovado em 1993 especifica que o trabalho do/a Assistente Social deve ser fundamentado na liberdade, na democracia, no pluralismo, sempre em 11 benefício da equidade e da justiça social. Um profissional rotineiro, que segue mecanicamente normas impostas, que prioriza apenas o preenchimento de questionários, formulários e cadastros, ao invés de ampliar direitos está restringindo-os, adotando uma postura de burocrata ao oposto de um profissional da escuta e da orientação. Pesquisas realizadas pela Previdência Social apontam que entre 1994 e 1997 mais de um milhão de atendimentos por ano foram realizados pelos/as Assistentes Sociais da Previdência Social brasileira, conforme apontam Bravo; Pereira (2002). O/a Assistente Social, profissional cada vez mais demandado em equipes interprofissionais, não na acepção de um profissional messiânico, mas um profissional que tem sua constituição que vai do aspecto geral (macro) para o particular (micro), apreciando a subjetividade de cada usuário, orientando-o na solução de seus problemas e objetivando a melhoria de sua inter-relação com a Previdência Social. As possibilidades de trabalho dos/as Assistentes Sociais aumentam quando os recursos sociais são diminuídos, quando tais demandas são postas é exigido do profissional o entendimento teórico-analítico da realidade, necessitando-se de uma compreensão crítica, aprofundando o estudo das transformações societárias, manifestadas na questão social e as condições concretas de vida e trabalho da população usuária. A ação profissional do/a Assistente Social envolve aspectos ético-político, teórico- metodológico e técnico-operativo que norteiam a direção social da atuação profissional cotidiana. Desta forma, a profissão não permite uma postura de neutralidade, nem de superficialidade. A atuação profissional exige um perfil crítico e investigativo para que as respostas sejam qualificadas, revigorem e ampliem direitos. 4.1. O trabalho do (a) Assistente Social na concessão do BPC A concessão do BPC na Previdência Social depende primordialmente, além das exigências técnicas como renda, grupo familiar, idade, de duas avaliações: a avaliação médica e a avaliação social. A avaliação médica é realizada pelo perito médico da Agência (que analisará os aspectos físicos e biológicos da deficiência) e a avaliação social pelo/a Assistente Social (que considerará a deficiência como um conjunto de barreiras do ambiente que dificultam a pessoa que tem uma deficiência). A avaliação social permite que o profissional compreenda a relação saúde/incapacidade/funcionalidade como decorrência das condições de vida e de trabalho, ambos historicamente construídos. O/a Assistente Social deve levar em consideração as representações, os valores e os significados presentes no contexto sociocultural onde o usuário desenvolve suas relações sociais e de convivência. Na elaboração de uma avaliação social o profissional respalda-se em conceitos teóricos que refletem a visão ético-política e social adotada. O Serviço Social dispõe de vários instrumentais ao seu exercício profissional, dentre eles: entrevistas; visitas domiciliares; encaminhamentos; reuniões; relatórios; estudos de caso; atendimentos sociais; acompanhamentos sociais; visitas institucionais; orientações; articulação com 12 redes de recursos sociais; parecer técnico social; observação. Um dos instrumentais muito utilizados na Previdência Social é a entrevista, na qual o/a Assistente Social considerará vários fatores do cotidiano do/a requerente, seja a pessoa com deficiência ou idoso, por exemplo, o histórico de vida, o apoio sócio familiar, profissional e comunitário, a escolaridade, se é vítima de preconceito, suas oportunidades de inserção e participação social, se é pessoa com deficiência quais suas limitações no dia a dia, os recursos sociais e materiais existentes e adaptados a suas necessidades, dentre muitos outros. Outro instrumental largamente utilizado é o parecer social, que segundo Braga; Cabral (2011) é apreendido como a opinião profissional do/a Assistente Social, com base na observação e estudo de uma dada situação, fornecendo elementos para a concessão de um benefício, recurso material e decisão médico pericial. Compete ao/a Assistente Social avaliar e ponderar o caso, através dos instrumentais e técnicas que julgar necessário utilizar e após o estudo emitir seu parecer. É importante que o parecer seja empregado como um mecanismo de inclusão social e não de julgamento moral. Serviço Social é proteção e não punição. O parecer social ainda deve ser manuseado como um documento sigiloso e de responsabilidade do Serviço Social, onde o cuidado com as informações colhidas e com as demandas trazidas pelos usuários é fundamental e de total responsabilidade do profissional. 4.2. Matriz Teórico-Metodológica do Serviço Social na Previdência Social O documento Matriz Teórico-Metodológica do Serviço Social na Previdência Social foi publicado e divulgado no ano de 1994 pelo INSS e Ministério da Previdência Social (MPS) e proporciona a delimitação de um novo “modelo” para o Serviço Social na área previdenciária, objetivando uma reestruturação do fazer e da atuação profissional. A Matriz Teórico-Metodológica do Serviço Social na Previdência Social destaca alguns elementos que compõem o regulamento da profissão: • As ações do Serviço Social compreendendo coordenação, elaboração, execução, supervisão e avaliação de estudos, pesquisas, planos, programas e projetos, inclusive na administração dos recursos materiais do Serviço Social são de competência privativa do/a Assistente Social; • O profissional de Serviço Social tem completa autonomia técnica e ética no que se relaciona à subordinação administrativa a que estiver vinculado; • As informações e pareceres em matéria do Serviço Social constituem-se atribuições exclusivas do/a Assistente Social, preservando sua autonomia técnica e independência, bem como a inviolabilidade e sigilo profissional assegurado no Código de Ética Profissional de 1993. A Matriz também delibera estratégias do Serviço Social na Previdência, dentre elas: • Capacitar permanentemente o profissional de Serviço Social, através da reciclagem de sua formação, possibilitando a ampliação de uma visão crítica da prática profissional e instrumentalizando para as ações profissionais alicerçadas nessa nova linha teórico-metodológica; • Buscar a participação mais ampla no meio profissional; 13 • Conhecer as condições objetivas e cotidianas da população usuária, a partir de sua inserção na relação de produção, identificando suas demandas com vistas à implantação das ações do Serviço Social; • Conhecer as demandas e reivindicações previdenciárias dos movimentos populares organizados através da aproximação com os mesmos, bem como os diversos projetos previdenciários postos em discussão na sociedade; • Conhecer os mecanismos da instituição compreendendo a legislação, normas e rotinas previdenciárias na busca da superação da simples prática burocrática e dos bloqueios e dificuldades sentidos pela população na sua relação com a instituição, assim como instrumentalizando-a com a apropriação do saber institucional; • Supervisionar nos níveis institucionais a programação do Serviço Social numa relação democrática, de forma sistemática, garantindo a linha de ação teórico-metodológica estabelecida. De acordo com a Matriz o parecer social é compreendido como a opinião profissional do/a Assistente Social, o parecer deve ser conclusivo e embasado em observações, estudos, visitas domiciliares e na legislação em vigor. O parecer do profissional de ServiçoSocial não decide por si só se o benefício será concedido ou não, mas tem um grande peso neste processo. A Matriz atribui como competência única e exclusiva do/a Assistente Social a escolha dos instrumentais de trabalho a serem utilizados e a elaboração do parecer social. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo procurou analisar e compreender o acesso ao benefício assistencial da Previdência Social como um direito garantido que se efetiva buscando a qualidade de vida das pessoas com deficiência e idosos que não possuem condições de proverem a própria subsistência, na defesa de sua liberdade, dignidade, autonomia e cidadania, proporcionando a estes beneficiários subsídios para participarem da vida social, política e econômica da sociedade. Os/as beneficiários/as do BPC necessitam hoje de mais que um salário mínimo, carecem também do fortalecimento de seus vínculos familiares e comunitários, do completo exercício de seus direitos à segurança, à proteção social, de programas e projetos que visem sua capacitação e habilitação estimulando seus potenciais, sem que essa reabilitação resulte na interrupção do benefício. Que esses/as beneficiários/as sejam reconhecidos enquanto cidadãos de direito, pelas suas lutas históricas e sociais na ampliação do acesso e dos direitos sociais, por suas necessidades e que não sejam vistos como carentes, incapazes, clientes, indivíduos frágeis e impossibilitados. O estudo acerca do benefício deixa explícito o conceito proteção social na efetivação dos direitos dos/as beneficiários/as do BPC, a Constituição Federal de 1988, e a promulgação da LOAS em 1993, efetivaram consideráveis melhoras quanto à concretização de um novo modelo da política de Assistência Social brasileira, porém ainda não foi totalmente extinguida certas práticas assistencialistas e seletivas. Com relação à atuação do Serviço Social na Previdência Social, e mais especificamente na concessão do BPC, os Assistentes Sociais devem trabalhar na tentativa de reafirmar tal benefício 14 como um direito do cidadão brasileiro, findando com a velha visão de o BPC ser apenas um mínimo social, onde o acesso destina-se àqueles que comprovem sua inaptidão. Em meio a este antagônico processo de implementação dos programas de transferência de renda, é fundamental o reconhecimento da atuação e desempenho dos assistentes sociais, sendo estes profissionais que atuam diretamente nas políticas sociais, que materializam suas intervenções profissionais na afirmação dos direitos sociais, profissional que media o acesso dos usuários ao BPC, assegurando o compromisso ético-político do Serviço Social, sempre na defesa da classe trabalhadora. Temos na contemporaneidade, uma política de Assistência Social brasileira contraditória, em que ao mesmo tempo se nega e afirma direitos, onde quando se tem o direito ao acesso a política de Assistência Social é porque muitos outros já foram negados, o direito ao trabalho, por exemplo. O Serviço Social na Previdência Social atua justamente nessas expressões, almejando um fazer profissional crítico, reflexivo e capaz de responder às demandas sociais e institucionais frente ao antagônico cenário em que se insere, colocando-se então para a categoria profissional o desafio de articular seus limites e possibilidades direcionando suas intervenções para os interesses dos usuários de tais políticas. Pesquisando e analisando a temática reforça-se o quão essencial se faz o aprofundamento teórico-conceitual, histórico-social e técnico-operativo para uma atuação profissional nas diversas áreas e espaços socioassistenciais pertinentes ao Serviço Social, de modo que vise à defesa dos direitos dos usuários, a real efetivação das políticas públicas, a democratização dos serviços, ao acesso às informações e os benefícios da Previdência Social, oferecendo aos usuários um atendimento digno, qualificado, pautado no compromisso ético-político profissional, para não somente compreender a realidade e o cotidiano daquele usuário, mas buscando alternativas concretas frentes a dificuldades institucionais, na defesa intransigente dos diretos dos cidadãos. 6.REFERÊNCIAS 61. Bibliográficas BEHRING, Elaine Rossetti; ALMEIDA, Maria Helena Tenório (orgs.). Trabalho e Seguridade Social: percursos e dilemas. 2. ed. São Paulo: Cortez; Rio de Janeiro: FSS/UERJ, 2010. 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Regulamenta o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social devido à pessoa com deficiência e ao idoso de que trata a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, e a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, acresce parágrafo ao art. 162 do Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999, e dá outras providências. Disponível em .Acesso em 01/10/2014. 16 ______. Decreto 6.564, de 12 de setembro de 2008. Altera o Regulamento do Benefício de Prestação Continuada, aprovado pelo Decreto no 6.214, de 26 de setembro de 2007, e dá outras providências. Disponível em . Acesso em 01/10/2014. 6.3 Sites www.mds.gov.br, acesso em 01/10/2014. www.previdencia.gov.br, acesso em 01/10/2014. www.ibge.gov.br, acesso em 01/10/2014.