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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL RURUAL DA AMAZÔNIA INSTITUTO DA SAÚDE E PRODUÇÃO ANIMAL GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA JANNES MENDONÇA DOS SANTOS ATUALIDADES NA PRODUÇÃO DE BÚFALOS NA ILHA DO MARAJÓ - PARÁ BELÉM 2020 JANNES MENDONÇA DOS SANTOS ATUALIDADES NA PRODUÇÃO DE BÚFALOS NA ILHA DO MARAJÓ- PARÁ Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal Rural da Amazônia como parte das exigências para obtenção de título de Bacharel em Zootecnia. Área de concentração: Bubalinocultura Orientador: Dsc. Dr. Sebastião Tavares Rolim Filho BELÉM 2020 3 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Bibliotecas da Universidade Federal Rural da Amazônia Gerada automaticamente mediante os dados fornecidos pelo(a) autor(a) S237a Santos, Jannes ATUALIDADES NA PRODUÇÃO DE BÚFALOS NA ILHA DO MARAJÓ- PARÁ / Jannes Santos. - 2020. 18 f. : il. color. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) - Curso de Zootecnia, Campus Universitário de Belém, Universidade Federal Rural Da Amazônia, Belém, 2020. Orientador: Prof. Dr. Sebastião Tavares Rolim Filho 1. Produção de Queijo marajoara. I. Tavares Rolim Filho, Sebastião , orient. II. Título CDD 650 4 JANNES MENDONÇA DOS SANTOS ATUALIDADES NA PRODUÇÃO DE BÚFALOS NA ILHA DO MARAJÓ- PARÁ Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal Rural da Amazônia como parte das exigências para obtenção de título de Bacharel em Zootecnia. Área de Concentração: Bubalinocultura. 27 de outubro de 2020 DATA DA APROVAÇÃO BANCA EXAMINADORA (Orientador / Presidente) Dr. Sebastião Tavares Rolim Filho Universidade Federal Rural da Amazônia (Membro Titular) MSc. José Francisco Gimenez Moran Universidad Centroccidental Lisandro Alvarado BARQUISIMETO, Venezuela Doutorando em Saúde e Produção Animal na Amazônia – UFRA (Membro Titular) MSc. Rosana Ingrid Ribeiro dos Santos Doutoranda em Saúde e Produção Animal - UFRA 5 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pelo dom da vida e aos meus pais pela criação e incentivos. Ao meu orientador Sebastião Rolim pela paciência, apoio e dedicação. Ao Grupo de Estudo em Reprodução Animal de Produção pela ajuda indispensável, compartilhamento de conhecimento e amizades. À Rosana Ingrid e José Francisco Gimenez por aceitarem compor a banca de avaliação do meu Trabalho de Conclusão de Curso. À Coordenação de Curso de Zootecnia e a todos os professores que contribuíram para minha formação, em especial à professora Cristina Mano, no qual sem o apoio dela não teria alcançado a conclusão de minha graduação. Agradeço também a todos meus colegas de turma, com quem fiz grandes amigos e futuros parceiros de profissão. 6 RESUMO O búfalo é um animal rústico, adaptável à diversas condições do meio ambiente e apresenta boas características reprodutivas e produtivas. É um animal capaz de transformar fibras de baixa qualidade em produtos de alto valor biológico e suas fêmeas são proliferas, mesmo em condições adversas. Isso justifica o crescimento da exploração da produção de leite de búfala no Brasil, em especial na Ilha do Marajó, pois se trata de uma cultura viável a região e de grande importância social econômica. Apesar das condições adversas encontradas na ilha, como manejo sanitário precário, ausência de energia elétrica, entre outros, a cultura vem se profissionalizando, com a participação de empresas, pesquisadores e criadores, empregando novas tecnologias relacionadas a sanidade, nutrição e reprodução, principalmente. Com destaque para o emprego de biotecnologia reprodutivas, visando o melhoramento genético dos rebanhos e consequentemente, aumentando as taxas de natalidade, selecionando animais mais aptos. Outro fator importante é escoamento dos produtos e uso do marketing, surgindo marcas que disputam premiações queijeiras pelo país. Este trabalho tem como objetivo apresentar as características e atualizações sobre a criação de búfalos na ilha do Marajó, além da importância deste setor da pecuária na economia local. Palavras-chave: Bubalinocultura. Pecuária. Produção de leite. Queijo marajoara. 7 ABSTRACT The buffalo is a rustic animal, adaptable to different environmental conditions and has good reproductive and productive characteristics. It is an animal capable of transforming low quality fibers into products of high biological value and its females are proliferating, even in adverse conditions. This justifies the growth in the exploitation of buffalo milk production in Brazil, especially in Marajó Island, as it is a viable culture in the region and of great social and economic importance. Despite the adverse conditions found on the island, such as poor sanitary management, absence of electricity, among others, the culture has become more professional, with the participation of companies, researchers and breeders, employing new technologies related to health, nutrition and reproduction, mainly. With emphasis on the use of reproductive biotechnology, aiming at the genetic improvement of herds and, consequently, increasing birth rates, selecting more suitable animals. Another important factor is the flow of products and the use of marketing, with the emergence of brands that compete for cheese awards throughout the country. This work aims to present the characteristics and updates on the creation of buffaloes on the island of Marajó, in addition to the importance of this sector of livestock in the local economy. Keywords: Bubalinoculture. Livestock. Milk production. Marajoara cheese. 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................... 09 2 REVISÃO DE LITERATURA ................................................................ 08 2.1 A bubalinocultura no Brasil ..................................................................... 09 2.1.1 Raças criadas no Brasil ............................................................................... 09 2.1.2 Eficiência reprodutiva dos Búfalos ............................................................ 10 2.1.2.1 Período de gestação .....................................................................................10 2.1.2.2 Intervalo de partos ...................................................................................... 10 2.1.2.3 Idade ao primeiro parto .............................................................................. 10 2.2 Rebanho bubalino na ilha do Marajó .................................................... 10 2.2.1 Programas de melhoramento genético bubalino .........................................12 2.2.2 Selo de qualidade da Adepará ................................................................... 13 2.2.3 Queijo marajoara ....................................................................................... 14 3 CONCLUSÃO.......................................................................................... 15 4 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................. 16 9 1 INTRODUÇÃO Localizada noestado do Pará, a ilha do Marajó é a maior ilha costeira do Brasil e a maior ilha fluviomarítima do mundo. Com área de aproximadamente de 40.100km2, possui cerca de 533.397 habitantes (IBGE, 2015) e sua economia gira em torno da criação de búfalo. De acordo com crônicas e relatos não oficiais, a ilha serviu como porta de entrada do búfalo no Brasil, por volta dos anos de 1890 e 1895 em embarcações que traziam condenados foragidos da Guiana Francesa. Há outros relatos que citam que os animais poderiam ter vindo do Caribe e das Guianas, através da chegada de colonizadores ingleses e holandeses no país. A Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), registra duas importantes importações de búfalos. A primeira aconteceu em 1902, ano marcado com a primeira importação de búfalos italianos, feita por Bertino Lobato de Miranda, para sua Fazenda São Joaquim. Já a segunda importação, foi feita por Vicente Chermont de Miranda para sua Fazenda Dunas e Ribanceira, em 1906, sendo esta última, a importação mais conhecida. Posteriormente, mais animais foram trazidos em pequenos lotes da Ásia, da Europa- principalmente da Itália e do Caribe, por pequenos e médios produtores. Estas importações foram motivadas pelo exotismo e rusticidade do animal, que mesmo não demonstrando qualidades zootécnicas, foram trazidos com a função de preencher o “vazio pecuário” em regiões em que as condições naturais eram desfavoráveis a pecuária bovina (BERNADES, 2007). Por décadas, o rebanho bubalino da ilha não sofreu melhoramento, principalmente devido as condições precárias da criação, acarretando problemas na nutrição e manejo sanitário. Com o decorrer do tempo, através do aumento na demanda do mercado e outros fatores, foram adotadas biotécnicas na reprodução, como a inseminação artificial, inseminação artificial em tempo fixo e transferência de embrião e fertilização in vitro. Deste modo, será possível recuperar o tempo perdido, auxiliando o melhoramento genético dos rebanhos ao selecionar animais mais produtivos, resistentes e prolíferos. Com a adoção de tais técnicas de manejo a criação vem se profissionalizando e se especializando a nível industrial, alavancando a bubalinocultura na região e consequentemente no Brasil. Neste sentido, o objetivo deste trabalho é apresentar atualizações na criação bubalina na ilha do Marajó e suas tendências de expansão e crescimento. 10 2 REVISÃO DE LITERATURA Originário da Ásia e sul da África, o búfalo doméstico (Bubalus bubalis) foi domesticado durante o terceiro milênio a.C na Mesopotâmia, nos vales Hindu e posteriormente na China (Marques, 2000). São animais rústicos, prolíferos, férteis e longevos, com vida útil em torno de 15 anos; são precoces, apresentando altas taxas de natalidade acima de 80% e taxa de mortalidade abaixo de 3% (Moreira et al, 1994). Apesar da rusticidade e adaptabilidade, existem dois principais fatores que podem afetar a criação de búfalos: os fatores nutricionais e os fatores relacionados ao ambiente. Segundo Santos e Filho (2004), para o sucesso da criação são necessárias boas condições climáticas, evitando estresse calórico e a ingestão adequada de nutrientes, mantendo o metabolismo do animal para produção endócrina. Sob boas condições, o animal terá um melhor desenvolvimento reprodutivo, observado pela antecipação da puberdade, maturidade sexual, padrões de crescimento folicular, restabelecimento da atividade cíclica no pós-parto, mantença da gestação, além de diminuição de ocorrências de distúrbios metabólicos e infecções uterinas. Segundo Garcia (2013), em ambientes acima de 30ºC, a temperatura do ar tem grande influência sobre a temperatura corpórea, e consequentemente, sobre o metabolismo do animal, impactando diretamente na eficiência reprodutiva dos rebanhos. Entretanto, apesar das questões climáticas que se mostra desfavorável a criação, além de pastos formados por forrageiras de baixo valor nutricional, segundo Zava (1984) define que o búfalo possui alta adaptabilidade as condições do Brasil. 2.1 A bubalinocultura no Brasil Segundo o Censo Agropecuário 2017, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o Brasil possui um rebanho bubalino com cerca de 950.173 de cabeças. A região Norte é onde se concentra a maior parte desse rebanho e o Pará é o estado que lidera o ranking nacional com o maior rebanho significativo. Tabela 1. Estados brasileiros com maior efetivo de rebanho. Estados Número de cabeças Pará 320.784 Amapá 223.893 Amazonas 68.455 São Paulo 68.213 Fonte: Censo Agro 2017, IBGE 11 2.1.1 Raças criadas no Brasil São reconhecidas pela Associação Brasileira de Criadores de Búfalos quatro raças: Carabao (búfalo-do-pântano), Mediterrâneo, Jafarabadi (búfalo-de-rio) e Murrah. Estas raças possuem características bem definidas e aptidões especificas como será descrito a seguir. A) B) C) D) Fonte: Associação Brasileira de Criadores de Búfalo. A) Carabao: também conhecido como búfalo-do- pântano, é um animal compacto, de cor cinza-pardo e manchas claras. Tem preferência por áreas alagadas e ocorre em países como Cuba, EUA e Austrália. Aptidão: no Marajó é destinado a tração e produção de carne. B) Mediterrâneo: descendente de raças indianas, é a raça mais predominante na Europa. Pode apresentar pelagem negra, cinza escuro ou marrom escuro e mancha branca na ponta da cauda. Seus chifres são medianos voltados para trás, formando meia lua. Corpo robusto, compacto e musculoso. É a segunda raça mais utilizada no Brasil. Aptidão: com tetos bem formados, possui boa aptidão para produção de leite, além de também ser destinado a produção de carne. C) Jafarabadi: também conhecido como búfalo-de- rio, é um animal originário do oeste da Índia. Possui pelagem negra e manchas brancas não são aceitas. Seus chifres são longos e pesados em formato de espiral. Aptidão: possui ótima conformação de tetos, ideal para produção de leite. D) Murrah: originário da India, possui pelagem escura e manchas brancas não são aceitas, além da ponta da cauda. Possuem cabeça e orelhas curtas e traseira quadrada. É a raça mais predominante no Brasil. Aptidão: é considerada uma excelente raça leiteira, mas também pode ser destinada a produção de carne. 12 2.1.2 Eficiência reprodutiva dos búfalos a) Período de gestação Período de gestação é compreendido pelo tempo entre a concepção e o parto. Nas raças bubalinas este tem duração de 300 dias, podendo variar entre 299 e 340 dias, a depender das condições ambientais e de fatores fisiológicos (AL-AMIN et al, 1988). b) Intervalo de partos Compreende pelo tempo entre dois partos consecutivos, com duração determinada por dois componentes: período de gestação e período de serviço. Este é um parâmetro de extrema importância para medir a eficiência reprodutiva, sendo aceitável para raças bubalinas que a fêmea produza dois bezerros a cada três anos. c) Idade ao primeiro parto É a relação entre as características produtivas e reprodutivas de um rebanho. Animais precoces irão deixar mais crias e consequentemente produzirão mais leite. Devidos a herdabilidade de características de fertilidade serem baixas, TONHATI et al (2000) afirma que é fundamental interferências ambientais. A idade ao primeiro parto pode variar entre 35 a 56 meses, sendo mais tardias que raças bovinas. Em análise de 229 registros da Embrapa Amazônia Oriental, femeas bubalinas das raças Murrah e Mediterrâneo apresentaram médias de idade ao primeiro parto de 39,8 meses com peso médio de 456kg (Ribeiro. 2008). 2.2 Rebanho bubalino na Ilha do Marajó O Pará lidera o ranking nacional com um efetivo de 507.882 cabeças, em 2013, equivalente a 38,12% da produção brasileira, quantidade 11,85% maior em relação ao ano de 2012 (Tabela 3). Os principaismunicípios produtores são Chaves (28,41%), Soure (23,64%) e Cachoeira do Arari (7,38%). Localizada no estado do Pará, a ilha do Marajó é a região que concentra o rebanho bubalino mais expressivo, com cerca de 214.899 cabeças. 13 Tabela 2 - Municípios da ilha do Marajó com maiores rebanhos nos anos de 2012 e 2013 Municípios Cabeças 2012 2013 Pará 454.079 507.882 Chaves 88.360 144.288 Soure 71.993 120.039 Cacheira do Arari 36.456 37.507 Ponta de Pedras 21.334 27.393 Santa Cruz do Arari 13.794 13.800 Muaná 13.579 12.649 Fonte: IBGE/SIDRA/PPM, 2015. A criação bubalina paraense apresentou momentos de altos e baixos nos últimos dez anos. No primeiro momento, entre os anos de 2003 e 2006, houve uma diminuição no rebanho devido ao baixo interesse mercado consumidor pela carne de búfalo. Em 2007 foi marcado pela retomado do crescimento, após a liberação de estudos avançados comprovando o alto valor nutricional da carne. O consumo do chamado “Baby búfalo” era proveniente da categoria de carne de animais abatidos com idade entre 18 e 24 meses de vida. Os municípios do Marajó apresentam os menores IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil, figurando como os mais pobres do país. Neste aspecto, a criação de búfalo é uma alternativa eficiente aos produtores rurais, tendo em vista a rusticidade desse animal, que permite um manejo simples e de baixo custo. O búfalo movimenta a economia local da ilha, estando presente na produção de carne, leite, couro, no transporte de cargas e na fabricação de queijo. Também atrai turistas que vão em busca de conhecer o animal, as praias e a gastronomia regional. Na produção leiteira, segundo o Boletim Agropecuário do Estado do Pará de 2015, o setor mostra-se em crescimento, onde predomina os pequenos criadores, com cerca de 40 laticínios registrados neste ano, produzindo queijo, iogurtes e outros derivados. No Censo Agro 2017 é possível verificar um aumento expressivo nos rebanhos da ilha, como é ilustrado na tabela 3. 14 Tabela 3 - Municípios da ilha do Marajó com maiores rebanhos 2017. Municípios Cabeças Número de estabelecimentos Chaves 109.741 534 Soure 44.361 95 Cachoeira do Arari 17.063 189 Pontas de Pedras 16.294 114 Santa Cruz do Arari 15.543 101 Muaná 9.156 62 Fonte: Censo Agro 2017 – IBGE Chaves é o município que concentra o maior rebanho efetivo durante os últimos anos e de acordo com a Associação Paraense de Criadores de Búfalos, estima-se que atualmente o rebanho bubalino de Chaves tenha alcançado a marca de 180.000 cabeças, aproximadamente, seguido do município de Soure que também apresenta alto crescimento. Segundo Bernardes (2007), o búfalo ocupava um papel secundário, com foco na produção de carne, mas a partir da década de 80 a produção de leite teve um crescimento expressivo devido ao alto valor biológico do leite, favorecendo a indústria com maiores rendimentos na produção de derivados lácteos, agregando valor ao produto final, despertando interesse de diversos laticínios. Os fatores limitantes da bubalinocultura na ilha do Marajó, foram relatados por BARBOSA (2005). No trabalho são citados como pontos negativos a falta de cercas na grande maioria das fazendas devido à grande extensão das propriedades; a falta de energia elétrica na maioria das fazendas, o que inviabiliza a conservação do leite e a implantação de ordenhadeiras; a baixa sanidade associado a falta de manejo adequado. Outros fatores negativos para produção leiteira são as características físicas da ilha, pois devido a sua extensão, o único tipo de transporte possível é o fluvial, dificultando o escoamento da produção. Como as fazendas produtoras de leite encontram-se a horas de distância da capital, foram implantados laticínios na ilha, com adequação na fabricação de queijo artesanal, com foco na não obrigação de cumprir requisitos na regulamentação na produção a nível industrial. 2.2.1 Programas de melhoramento genético bubalino Por décadas o rebanho bubalino via se a não existência de programas intensos de melhoramento genético. Muitos programas foram feitos, porem de forma isolada, como 15 algumas iniciadas na Estação Experimental de Criação de Sertãozinho, em 1958. Em meados dos anos 70, Villares et al (1979) foram feitas avaliações sobre as médias de peso das raças Mediterrâneo, Jafarabadi e Murra, e durante essa época há relatos sobre a evolução de rebanhos leiteiros. Até a década de 80 as avaliações e seleções eram realizada com base na produção de leite, segundo Ramos (1997). Atualmente, o melhoramento genético bubalino une esforços entre associações de criadores, universidades e institutos de pesquisa. Neste sentido surge o O PROMEBULL PARÁ, um Convênio firmado entre a SEDAP e a Embrapa Amazônia Oriental/UFRA e respectivos parceiros para desenvolver pesquisa agropecuária, difusão e Transferência de Tecnologia (TT). O programa visa a disseminação da variabilidade de material genético, através da importação de sêmen e embriões de países que possuem a base genética dos búfalos domésticos como a Índia (raça Murrah, Nili Ravi), na Ásia e a Itália (raça Mediterrâneo), na Europa, ou seja, búfalos da espécie Bubalus bubalis, imprimindo em nossos rebanhos uma genética superior. O PROMEBULL MARAJÓ teve lançamento em maio de 2016 no município de Salvaterra. O objetivo do projeto é realizar atividades de transferência de tecnologia e pesquisa, envolvendo a pecuária bubalina leiteira familiar marajoara. Atualmente, 27 propriedades da região do Marajó contam com bubalinos inclusos na iniciativa, sendo o município com o maior número de propriedades inclusas é Cachoeira do Arari, onde há 19 fazendas com búfalos melhorados geneticamente. Logo em seguida, aparece o município de Salvaterra, com seis propriedades, Soure e Ponta de Pedras, com uma propriedade cada. Até o momento nasceram 180 bezerros de alto valor genético nessa região. Segundo Ofir Ramos, que atua como fiscal do Promebull pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), as inseminações têm alto valor genético e econômico, pois é capaz de dobrar a média de produção de leite. Antes do programa, o Marajó registrava média de 4,5 litros por animal/dia, após três anos, através do Promebull, essa média passou para 8 a 10 litros por animal/dia. 2.2.2 Selo de qualidade da ADEPARÁ A Lei 13.860, de 2019 determina que o queijo artesanal deve ser elaborado por métodos tradicionais, com vinculação e valorização territorial, regional ou cultural, seguindo as boas práticas agropecuárias e de fabricação. A lei também afirma que o estabelecimento é responsável pela identidade, qualidade e segurança sanitária do produto. Neste sentido, 16 queijarias que produzem queijo a partir de leite cru, deve possuir certificado como livre de tuberculose e brucelose. A portaria nº 0418/2013 - ADEPARÁ, de 04 de março de 2013, regulamento técnico da produção de queijo do Marajó, que considerando a importância socioeconômica do queijo para o estado do Pará. Agencia de Defesa Agropecuária de Pará, é responsável pela Gerencia de Produtos Artesanais de Origem Animal (GPAA), que preconiza o cumprimento de legislação Estadual e Federal, regulamentando normas higiênico-sanitária e as boas práticas de produção. Atualmente, dos trinta e nove estabelecimentos cadastrados na GPAA, oito encontram- se na Ilha do Marajó. Segundo a APCB, o município de Cachoeira do Arari é o que apresenta maior produção leiteira, entretanto, Soure é o município com maior número de laticínios cadastrados e isso deve-se a localização de Soure, o que facilita o escoamento da produção para a capital Belém. A Adepará, juntamente com a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), desempenham trabalhos de apoio aos produtores. A Adepará juntamente com o Governo do Parádesenvolveu o Selo Arte, instituído pela Lei 13.680/2018 e regulamentado pelo Decreto 9.918/2019, que visa permitir a comercialização nacional de produtos artesanais. Os primeiros estabelecimentos a conquistar o Selo Arte são duas queijarias do Marajó: Fazenda São Victor e Laticínio Real. Desta forma, o queijo marajoara conquista o mercado nacional, gerando emprego e renda para a população local. 2.2.3 Queijo marajoara O leite de búfala, de acordo com a caracterização de qualidade feita pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, possui 33% menos de colesterol, 48% mais de proteína, 59% mais de cálcio e 47% mais de fosforo em comparação com o leite de vaca e visualmente é um leite mais branco, devido à ausência de β-caroteno. Produtos derivados do leite de búfala têm alcançado elevadas cotações no mercado. A mozarela de búfala, ricota, requeijão cremoso, queijos tipo minas frescal e outros produtos elaborados com o leite de búfala como queijos curados, creme de leite, leite condensado, manteigas, entre outros, vem conquistando novos nichos de consumidores. Único no mundo, o queijo marajoara se destaca por ser um produto artesanal de fabricação utilizando 100% o leite de búfala. Sem conservantes, pode ser produzido de duas formas: manteiga e creme; é coalhado naturalmente e não passa pelo processo de maturação. De sabor único, o queijo é produzido de forma simples e está relacionado intrinsicamente aos costumes e a gastronomia da região. 17 Figura 1 - Premiado Queijo do Marajó Fazenda São Victor Tipo Creme Fonte: Portal do queijo. O queijo do Marajó Fazenda São Victor tipo creme, conquistou vária premiações em importantes concursos de queijos artesanais. Em 2017 ficou com o Bronze no Prêmio Queijo do Brasil; Super Ouro em 2018 e Ouro em 2019. No mesmo ano emplacou Prata no Mondial du Fromage et des Produits Laitiers, na França. 3 CONCLUSÃO A melhor forma de medir a lucratividade de um sistema de produção é através da eficiência reprodutiva do rebanho, com base no gerenciamento zootécnico, com controle e anotações acerca da performance dos reprodutores. Com isso é possível detectar falhas do processo, quais os custos de produção e o lucro efetivo, e com o diagnóstico, decidir na tomada de decisões. Neste sentido, mesmo os búfalos sendo animais rústicos e produtivos, une esforços de associações de criadores, universidades e institutos de pesquisa, com o intuito de desenvolver a cultura no país e consequentemente na ilha do Marajó. Mesmo com estudos escassos, o emprego de biotecnologias da reprodução é um incremento no melhoramento genético dos rebanhos e parecerias do público/privado, podem interferir diretamente na produção leiteira dos búfalos, impactando a economia regional. 18 4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AL-AMIN, S. 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