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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
UNIVERSIDADE FEDERAL RURUAL DA AMAZÔNIA 
INSTITUTO DA SAÚDE E PRODUÇÃO ANIMAL 
GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA 
 
 
 
 
JANNES MENDONÇA DOS SANTOS 
 
 
 
 
 
 
ATUALIDADES NA PRODUÇÃO DE BÚFALOS NA ILHA DO MARAJÓ - PARÁ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BELÉM 
2020 
 
 
JANNES MENDONÇA DOS SANTOS 
 
 
 
 
 
 
 
ATUALIDADES NA PRODUÇÃO DE BÚFALOS NA ILHA DO MARAJÓ- PARÁ 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado à Universidade Federal Rural 
da Amazônia como parte das exigências 
para obtenção de título de Bacharel em 
Zootecnia. 
Área de concentração: Bubalinocultura 
Orientador: Dsc. Dr. Sebastião Tavares 
Rolim Filho 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BELÉM 
2020
3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dados Internacionais de Catalogação na 
Publicação (CIP) Bibliotecas da Universidade 
Federal Rural da Amazônia 
Gerada automaticamente mediante os dados fornecidos pelo(a) autor(a) 
 
 
S237a Santos, Jannes 
ATUALIDADES NA PRODUÇÃO DE BÚFALOS NA ILHA DO MARAJÓ- PARÁ / Jannes 
Santos. - 2020. 
18 f. : il. color. 
 
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) - Curso de Zootecnia, Campus Universitário de 
Belém, Universidade Federal Rural Da Amazônia, Belém, 2020. 
Orientador: Prof. Dr. Sebastião Tavares Rolim Filho 
 
1. Produção de Queijo marajoara. I. Tavares Rolim Filho, Sebastião , orient. II. Título 
 
CDD 650 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
JANNES MENDONÇA DOS SANTOS 
 
 
 
 
 
 
ATUALIDADES NA PRODUÇÃO DE BÚFALOS NA ILHA DO MARAJÓ- PARÁ 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal Rural da Amazônia como 
parte das exigências para obtenção de título de Bacharel em Zootecnia. Área de Concentração: 
Bubalinocultura. 
 
27 de outubro de 2020 
DATA DA APROVAÇÃO 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
 
 
 
 (Orientador / Presidente) 
Dr. Sebastião Tavares Rolim Filho 
Universidade Federal Rural da Amazônia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(Membro Titular) 
MSc. José Francisco Gimenez Moran 
Universidad Centroccidental Lisandro Alvarado BARQUISIMETO, Venezuela 
Doutorando em Saúde e Produção Animal na Amazônia – UFRA 
 
 
 
 
 (Membro Titular) 
MSc. Rosana Ingrid Ribeiro dos Santos 
Doutoranda em Saúde e Produção Animal - UFRA 
 
5 
 
AGRADECIMENTOS 
Agradeço a Deus pelo dom da vida e aos meus pais pela criação e incentivos. 
Ao meu orientador Sebastião Rolim pela paciência, apoio e dedicação. Ao Grupo de 
Estudo em Reprodução Animal de Produção pela ajuda indispensável, compartilhamento de 
conhecimento e amizades. 
À Rosana Ingrid e José Francisco Gimenez por aceitarem compor a banca de avaliação 
do meu Trabalho de Conclusão de Curso. 
À Coordenação de Curso de Zootecnia e a todos os professores que contribuíram para 
minha formação, em especial à professora Cristina Mano, no qual sem o apoio dela não teria 
alcançado a conclusão de minha graduação. Agradeço também a todos meus colegas de turma, 
com quem fiz grandes amigos e futuros parceiros de profissão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
RESUMO 
 
O búfalo é um animal rústico, adaptável à diversas condições do meio ambiente e apresenta 
boas características reprodutivas e produtivas. É um animal capaz de transformar fibras de baixa 
qualidade em produtos de alto valor biológico e suas fêmeas são proliferas, mesmo em 
condições adversas. Isso justifica o crescimento da exploração da produção de leite de búfala 
no Brasil, em especial na Ilha do Marajó, pois se trata de uma cultura viável a região e de grande 
importância social econômica. Apesar das condições adversas encontradas na ilha, como 
manejo sanitário precário, ausência de energia elétrica, entre outros, a cultura vem se 
profissionalizando, com a participação de empresas, pesquisadores e criadores, empregando 
novas tecnologias relacionadas a sanidade, nutrição e reprodução, principalmente. Com 
destaque para o emprego de biotecnologia reprodutivas, visando o melhoramento genético dos 
rebanhos e consequentemente, aumentando as taxas de natalidade, selecionando animais mais 
aptos. Outro fator importante é escoamento dos produtos e uso do marketing, surgindo marcas 
que disputam premiações queijeiras pelo país. Este trabalho tem como objetivo apresentar as 
características e atualizações sobre a criação de búfalos na ilha do Marajó, além da importância 
deste setor da pecuária na economia local. 
Palavras-chave: Bubalinocultura. Pecuária. Produção de leite. Queijo marajoara. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
ABSTRACT 
 
The buffalo is a rustic animal, adaptable to different environmental conditions and has good 
reproductive and productive characteristics. It is an animal capable of transforming low quality 
fibers into products of high biological value and its females are proliferating, even in adverse 
conditions. This justifies the growth in the exploitation of buffalo milk production in Brazil, 
especially in Marajó Island, as it is a viable culture in the region and of great social and 
economic importance. Despite the adverse conditions found on the island, such as poor sanitary 
management, absence of electricity, among others, the culture has become more professional, 
with the participation of companies, researchers and breeders, employing new technologies 
related to health, nutrition and reproduction, mainly. With emphasis on the use of reproductive 
biotechnology, aiming at the genetic improvement of herds and, consequently, increasing birth 
rates, selecting more suitable animals. Another important factor is the flow of products and the 
use of marketing, with the emergence of brands that compete for cheese awards throughout the 
country. This work aims to present the characteristics and updates on the creation of buffaloes 
on the island of Marajó, in addition to the importance of this sector of livestock in the local 
economy. 
Keywords: Bubalinoculture. Livestock. Milk production. Marajoara cheese. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................... 09 
2 REVISÃO DE LITERATURA ................................................................ 08 
2.1 A bubalinocultura no Brasil ..................................................................... 09 
2.1.1 Raças criadas no Brasil ............................................................................... 09 
2.1.2 Eficiência reprodutiva dos Búfalos ............................................................ 10 
2.1.2.1 Período de gestação .....................................................................................10 
2.1.2.2 Intervalo de partos ...................................................................................... 10 
2.1.2.3 Idade ao primeiro parto .............................................................................. 10 
2.2 Rebanho bubalino na ilha do Marajó .................................................... 10 
2.2.1 Programas de melhoramento genético bubalino .........................................12 
2.2.2 Selo de qualidade da Adepará ................................................................... 13 
2.2.3 Queijo marajoara ....................................................................................... 14 
3 CONCLUSÃO.......................................................................................... 15 
4 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................. 16 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 
1 INTRODUÇÃO 
Localizada noestado do Pará, a ilha do Marajó é a maior ilha costeira do Brasil e a 
maior ilha fluviomarítima do mundo. Com área de aproximadamente de 40.100km2, possui 
cerca de 533.397 habitantes (IBGE, 2015) e sua economia gira em torno da criação de búfalo. 
De acordo com crônicas e relatos não oficiais, a ilha serviu como porta de entrada do 
búfalo no Brasil, por volta dos anos de 1890 e 1895 em embarcações que traziam condenados 
foragidos da Guiana Francesa. Há outros relatos que citam que os animais poderiam ter vindo 
do Caribe e das Guianas, através da chegada de colonizadores ingleses e holandeses no país. 
A Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), registra duas importantes 
importações de búfalos. A primeira aconteceu em 1902, ano marcado com a primeira 
importação de búfalos italianos, feita por Bertino Lobato de Miranda, para sua Fazenda São 
Joaquim. Já a segunda importação, foi feita por Vicente Chermont de Miranda para sua Fazenda 
Dunas e Ribanceira, em 1906, sendo esta última, a importação mais conhecida. 
Posteriormente, mais animais foram trazidos em pequenos lotes da Ásia, da Europa- 
principalmente da Itália e do Caribe, por pequenos e médios produtores. Estas importações 
foram motivadas pelo exotismo e rusticidade do animal, que mesmo não demonstrando 
qualidades zootécnicas, foram trazidos com a função de preencher o “vazio pecuário” em 
regiões em que as condições naturais eram desfavoráveis a pecuária bovina (BERNADES, 
2007). 
Por décadas, o rebanho bubalino da ilha não sofreu melhoramento, principalmente 
devido as condições precárias da criação, acarretando problemas na nutrição e manejo sanitário. 
Com o decorrer do tempo, através do aumento na demanda do mercado e outros fatores, foram 
adotadas biotécnicas na reprodução, como a inseminação artificial, inseminação artificial em 
tempo fixo e transferência de embrião e fertilização in vitro. 
Deste modo, será possível recuperar o tempo perdido, auxiliando o melhoramento 
genético dos rebanhos ao selecionar animais mais produtivos, resistentes e prolíferos. Com a 
adoção de tais técnicas de manejo a criação vem se profissionalizando e se especializando a 
nível industrial, alavancando a bubalinocultura na região e consequentemente no Brasil. Neste 
sentido, o objetivo deste trabalho é apresentar atualizações na criação bubalina na ilha do 
Marajó e suas tendências de expansão e crescimento. 
 
 
 
 
10 
 
2 REVISÃO DE LITERATURA 
 
Originário da Ásia e sul da África, o búfalo doméstico (Bubalus bubalis) foi 
domesticado durante o terceiro milênio a.C na Mesopotâmia, nos vales Hindu e posteriormente 
na China (Marques, 2000). São animais rústicos, prolíferos, férteis e longevos, com vida útil 
em torno de 15 anos; são precoces, apresentando altas taxas de natalidade acima de 80% e taxa 
de mortalidade abaixo de 3% (Moreira et al, 1994). 
Apesar da rusticidade e adaptabilidade, existem dois principais fatores que podem afetar 
a criação de búfalos: os fatores nutricionais e os fatores relacionados ao ambiente. Segundo 
Santos e Filho (2004), para o sucesso da criação são necessárias boas condições climáticas, 
evitando estresse calórico e a ingestão adequada de nutrientes, mantendo o metabolismo do 
animal para produção endócrina. Sob boas condições, o animal terá um melhor 
desenvolvimento reprodutivo, observado pela antecipação da puberdade, maturidade sexual, 
padrões de crescimento folicular, restabelecimento da atividade cíclica no pós-parto, mantença 
da gestação, além de diminuição de ocorrências de distúrbios metabólicos e infecções uterinas. 
Segundo Garcia (2013), em ambientes acima de 30ºC, a temperatura do ar tem grande 
influência sobre a temperatura corpórea, e consequentemente, sobre o metabolismo do animal, 
impactando diretamente na eficiência reprodutiva dos rebanhos. Entretanto, apesar das questões 
climáticas que se mostra desfavorável a criação, além de pastos formados por forrageiras de 
baixo valor nutricional, segundo Zava (1984) define que o búfalo possui alta adaptabilidade as 
condições do Brasil. 
 
2.1 A bubalinocultura no Brasil 
Segundo o Censo Agropecuário 2017, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE) o Brasil possui um rebanho bubalino com cerca de 950.173 de cabeças. A 
região Norte é onde se concentra a maior parte desse rebanho e o Pará é o estado que lidera o 
ranking nacional com o maior rebanho significativo. 
Tabela 1. Estados brasileiros com maior efetivo de rebanho. 
Estados Número de cabeças 
Pará 320.784 
Amapá 223.893 
Amazonas 68.455 
São Paulo 68.213 
Fonte: Censo Agro 2017, IBGE 
11 
 
2.1.1 Raças criadas no Brasil 
São reconhecidas pela Associação Brasileira de Criadores de Búfalos quatro raças: 
Carabao (búfalo-do-pântano), Mediterrâneo, Jafarabadi (búfalo-de-rio) e Murrah. Estas raças 
possuem características bem definidas e aptidões especificas como será descrito a seguir. 
A) 
 
B) 
 
C) 
 
D) 
 Fonte: Associação Brasileira de Criadores de Búfalo. 
 
 
A) Carabao: também conhecido como búfalo-do-
pântano, é um animal compacto, de cor cinza-pardo e 
manchas claras. Tem preferência por áreas alagadas e 
ocorre em países como Cuba, EUA e Austrália. 
Aptidão: no Marajó é destinado a tração e produção 
de carne. 
B) Mediterrâneo: descendente de raças indianas, é a 
raça mais predominante na Europa. Pode apresentar 
pelagem negra, cinza escuro ou marrom escuro e 
mancha branca na ponta da cauda. Seus chifres são 
medianos voltados para trás, formando meia lua. 
Corpo robusto, compacto e musculoso. É a segunda 
raça mais utilizada no Brasil. 
Aptidão: com tetos bem formados, possui boa aptidão 
para produção de leite, além de também ser destinado 
a produção de carne. 
C) Jafarabadi: também conhecido como búfalo-de-
rio, é um animal originário do oeste da Índia. Possui 
pelagem negra e manchas brancas não são aceitas. 
Seus chifres são longos e pesados em formato de 
espiral. 
Aptidão: possui ótima conformação de tetos, ideal 
para produção de leite. 
D) Murrah: originário da India, possui pelagem 
escura e manchas brancas não são aceitas, além da 
ponta da cauda. Possuem cabeça e orelhas curtas e 
traseira quadrada. É a raça mais predominante no 
Brasil. 
Aptidão: é considerada uma excelente raça leiteira, 
mas também pode ser destinada a produção de carne. 
 
12 
 
2.1.2 Eficiência reprodutiva dos búfalos 
a) Período de gestação 
Período de gestação é compreendido pelo tempo entre a concepção e o parto. Nas raças 
bubalinas este tem duração de 300 dias, podendo variar entre 299 e 340 dias, a depender das 
condições ambientais e de fatores fisiológicos (AL-AMIN et al, 1988). 
b) Intervalo de partos 
Compreende pelo tempo entre dois partos consecutivos, com duração determinada por 
dois componentes: período de gestação e período de serviço. Este é um parâmetro de extrema 
importância para medir a eficiência reprodutiva, sendo aceitável para raças bubalinas que a 
fêmea produza dois bezerros a cada três anos. 
c) Idade ao primeiro parto 
É a relação entre as características produtivas e reprodutivas de um rebanho. Animais 
precoces irão deixar mais crias e consequentemente produzirão mais leite. Devidos a 
herdabilidade de características de fertilidade serem baixas, TONHATI et al (2000) afirma que 
é fundamental interferências ambientais. 
A idade ao primeiro parto pode variar entre 35 a 56 meses, sendo mais tardias que raças 
bovinas. Em análise de 229 registros da Embrapa Amazônia Oriental, femeas bubalinas das 
raças Murrah e Mediterrâneo apresentaram médias de idade ao primeiro parto de 39,8 meses 
com peso médio de 456kg (Ribeiro. 2008). 
 
2.2 Rebanho bubalino na Ilha do Marajó 
 
O Pará lidera o ranking nacional com um efetivo de 507.882 cabeças, em 2013, 
equivalente a 38,12% da produção brasileira, quantidade 11,85% maior em relação ao ano de 
2012 (Tabela 3). Os principaismunicípios produtores são Chaves (28,41%), Soure (23,64%) e 
Cachoeira do Arari (7,38%). Localizada no estado do Pará, a ilha do Marajó é a região que 
concentra o rebanho bubalino mais expressivo, com cerca de 214.899 cabeças. 
 
 
 
 
 
 
13 
 
Tabela 2 - Municípios da ilha do Marajó com maiores rebanhos nos anos de 2012 e 2013 
Municípios Cabeças 
 2012 2013 
Pará 454.079 507.882 
Chaves 88.360 144.288 
Soure 71.993 120.039 
Cacheira do Arari 36.456 37.507 
Ponta de Pedras 21.334 27.393 
Santa Cruz do Arari 13.794 13.800 
Muaná 13.579 12.649 
Fonte: IBGE/SIDRA/PPM, 2015. 
 
A criação bubalina paraense apresentou momentos de altos e baixos nos últimos dez 
anos. No primeiro momento, entre os anos de 2003 e 2006, houve uma diminuição no rebanho 
devido ao baixo interesse mercado consumidor pela carne de búfalo. Em 2007 foi marcado pela 
retomado do crescimento, após a liberação de estudos avançados comprovando o alto valor 
nutricional da carne. O consumo do chamado “Baby búfalo” era proveniente da categoria de 
carne de animais abatidos com idade entre 18 e 24 meses de vida. 
Os municípios do Marajó apresentam os menores IDH (Índice de Desenvolvimento 
Humano) do Brasil, figurando como os mais pobres do país. Neste aspecto, a criação de búfalo 
é uma alternativa eficiente aos produtores rurais, tendo em vista a rusticidade desse animal, que 
permite um manejo simples e de baixo custo. O búfalo movimenta a economia local da ilha, 
estando presente na produção de carne, leite, couro, no transporte de cargas e na fabricação de 
queijo. Também atrai turistas que vão em busca de conhecer o animal, as praias e a gastronomia 
regional. 
Na produção leiteira, segundo o Boletim Agropecuário do Estado do Pará de 2015, o 
setor mostra-se em crescimento, onde predomina os pequenos criadores, com cerca de 40 
laticínios registrados neste ano, produzindo queijo, iogurtes e outros derivados. No Censo Agro 
2017 é possível verificar um aumento expressivo nos rebanhos da ilha, como é ilustrado na 
tabela 3. 
 
 
 
 
14 
 
Tabela 3 - Municípios da ilha do Marajó com maiores rebanhos 2017. 
Municípios Cabeças Número de estabelecimentos 
Chaves 109.741 534 
Soure 44.361 95 
Cachoeira do Arari 17.063 189 
Pontas de Pedras 16.294 114 
Santa Cruz do Arari 15.543 101 
Muaná 9.156 62 
Fonte: Censo Agro 2017 – IBGE 
 
Chaves é o município que concentra o maior rebanho efetivo durante os últimos anos e 
de acordo com a Associação Paraense de Criadores de Búfalos, estima-se que atualmente o 
rebanho bubalino de Chaves tenha alcançado a marca de 180.000 cabeças, aproximadamente, 
seguido do município de Soure que também apresenta alto crescimento. 
Segundo Bernardes (2007), o búfalo ocupava um papel secundário, com foco na 
produção de carne, mas a partir da década de 80 a produção de leite teve um crescimento 
expressivo devido ao alto valor biológico do leite, favorecendo a indústria com maiores 
rendimentos na produção de derivados lácteos, agregando valor ao produto final, despertando 
interesse de diversos laticínios. 
Os fatores limitantes da bubalinocultura na ilha do Marajó, foram relatados por 
BARBOSA (2005). No trabalho são citados como pontos negativos a falta de cercas na grande 
maioria das fazendas devido à grande extensão das propriedades; a falta de energia elétrica na 
maioria das fazendas, o que inviabiliza a conservação do leite e a implantação de ordenhadeiras; 
a baixa sanidade associado a falta de manejo adequado. 
Outros fatores negativos para produção leiteira são as características físicas da ilha, pois 
devido a sua extensão, o único tipo de transporte possível é o fluvial, dificultando o escoamento 
da produção. Como as fazendas produtoras de leite encontram-se a horas de distância da capital, 
foram implantados laticínios na ilha, com adequação na fabricação de queijo artesanal, com 
foco na não obrigação de cumprir requisitos na regulamentação na produção a nível industrial. 
 
2.2.1 Programas de melhoramento genético bubalino 
Por décadas o rebanho bubalino via se a não existência de programas intensos de 
melhoramento genético. Muitos programas foram feitos, porem de forma isolada, como 
15 
 
algumas iniciadas na Estação Experimental de Criação de Sertãozinho, em 1958. Em meados 
dos anos 70, Villares et al (1979) foram feitas avaliações sobre as médias de peso das raças 
Mediterrâneo, Jafarabadi e Murra, e durante essa época há relatos sobre a evolução de rebanhos 
leiteiros. Até a década de 80 as avaliações e seleções eram realizada com base na produção de 
leite, segundo Ramos (1997). 
Atualmente, o melhoramento genético bubalino une esforços entre associações de 
criadores, universidades e institutos de pesquisa. Neste sentido surge o O PROMEBULL 
PARÁ, um Convênio firmado entre a SEDAP e a Embrapa Amazônia Oriental/UFRA e 
respectivos parceiros para desenvolver pesquisa agropecuária, difusão e Transferência de 
Tecnologia (TT). O programa visa a disseminação da variabilidade de material genético, através 
da importação de sêmen e embriões de países que possuem a base genética dos búfalos 
domésticos como a Índia (raça Murrah, Nili Ravi), na Ásia e a Itália (raça Mediterrâneo), na 
Europa, ou seja, búfalos da espécie Bubalus bubalis, imprimindo em nossos rebanhos uma 
genética superior. 
O PROMEBULL MARAJÓ teve lançamento em maio de 2016 no município de 
Salvaterra. O objetivo do projeto é realizar atividades de transferência de tecnologia e pesquisa, 
envolvendo a pecuária bubalina leiteira familiar marajoara. Atualmente, 27 propriedades da 
região do Marajó contam com bubalinos inclusos na iniciativa, sendo o município com o maior 
número de propriedades inclusas é Cachoeira do Arari, onde há 19 fazendas com búfalos 
melhorados geneticamente. Logo em seguida, aparece o município de Salvaterra, com seis 
propriedades, Soure e Ponta de Pedras, com uma propriedade cada. Até o momento nasceram 
180 bezerros de alto valor genético nessa região. 
Segundo Ofir Ramos, que atua como fiscal do Promebull pela Secretaria de Estado de 
Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), as inseminações têm alto valor genético e 
econômico, pois é capaz de dobrar a média de produção de leite. Antes do programa, o Marajó 
registrava média de 4,5 litros por animal/dia, após três anos, através do Promebull, essa média 
passou para 8 a 10 litros por animal/dia. 
 
2.2.2 Selo de qualidade da ADEPARÁ 
A Lei 13.860, de 2019 determina que o queijo artesanal deve ser elaborado por métodos 
tradicionais, com vinculação e valorização territorial, regional ou cultural, seguindo as boas 
práticas agropecuárias e de fabricação. A lei também afirma que o estabelecimento é 
responsável pela identidade, qualidade e segurança sanitária do produto. Neste sentido, 
16 
 
queijarias que produzem queijo a partir de leite cru, deve possuir certificado como livre de 
tuberculose e brucelose. 
A portaria nº 0418/2013 - ADEPARÁ, de 04 de março de 2013, regulamento técnico da 
produção de queijo do Marajó, que considerando a importância socioeconômica do queijo para 
o estado do Pará. Agencia de Defesa Agropecuária de Pará, é responsável pela Gerencia de 
Produtos Artesanais de Origem Animal (GPAA), que preconiza o cumprimento de legislação 
Estadual e Federal, regulamentando normas higiênico-sanitária e as boas práticas de produção. 
Atualmente, dos trinta e nove estabelecimentos cadastrados na GPAA, oito encontram-
se na Ilha do Marajó. Segundo a APCB, o município de Cachoeira do Arari é o que apresenta 
maior produção leiteira, entretanto, Soure é o município com maior número de laticínios 
cadastrados e isso deve-se a localização de Soure, o que facilita o escoamento da produção para 
a capital Belém. 
A Adepará, juntamente com a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca 
(Sedap), desempenham trabalhos de apoio aos produtores. A Adepará juntamente com o 
Governo do Parádesenvolveu o Selo Arte, instituído pela Lei 13.680/2018 e regulamentado 
pelo Decreto 9.918/2019, que visa permitir a comercialização nacional de produtos artesanais. 
Os primeiros estabelecimentos a conquistar o Selo Arte são duas queijarias do Marajó: Fazenda 
São Victor e Laticínio Real. Desta forma, o queijo marajoara conquista o mercado nacional, 
gerando emprego e renda para a população local. 
2.2.3 Queijo marajoara 
O leite de búfala, de acordo com a caracterização de qualidade feita pela Secretaria de 
Agricultura e Abastecimento de São Paulo, possui 33% menos de colesterol, 48% mais de 
proteína, 59% mais de cálcio e 47% mais de fosforo em comparação com o leite de vaca e 
visualmente é um leite mais branco, devido à ausência de β-caroteno. 
Produtos derivados do leite de búfala têm alcançado elevadas cotações no mercado. A 
mozarela de búfala, ricota, requeijão cremoso, queijos tipo minas frescal e outros produtos 
elaborados com o leite de búfala como queijos curados, creme de leite, leite condensado, 
manteigas, entre outros, vem conquistando novos nichos de consumidores. 
Único no mundo, o queijo marajoara se destaca por ser um produto artesanal de 
fabricação utilizando 100% o leite de búfala. Sem conservantes, pode ser produzido de duas 
formas: manteiga e creme; é coalhado naturalmente e não passa pelo processo de maturação. 
De sabor único, o queijo é produzido de forma simples e está relacionado intrinsicamente aos 
costumes e a gastronomia da região. 
17 
 
Figura 1 - Premiado Queijo do Marajó Fazenda São Victor Tipo Creme 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: Portal do queijo. 
 
O queijo do Marajó Fazenda São Victor tipo creme, conquistou vária premiações em 
importantes concursos de queijos artesanais. Em 2017 ficou com o Bronze no Prêmio Queijo 
do Brasil; Super Ouro em 2018 e Ouro em 2019. No mesmo ano emplacou Prata no Mondial 
du Fromage et des Produits Laitiers, na França. 
 
3 CONCLUSÃO 
 
A melhor forma de medir a lucratividade de um sistema de produção é através da 
eficiência reprodutiva do rebanho, com base no gerenciamento zootécnico, com controle e 
anotações acerca da performance dos reprodutores. Com isso é possível detectar falhas do 
processo, quais os custos de produção e o lucro efetivo, e com o diagnóstico, decidir na tomada 
de decisões. 
Neste sentido, mesmo os búfalos sendo animais rústicos e produtivos, une esforços de 
associações de criadores, universidades e institutos de pesquisa, com o intuito de desenvolver 
a cultura no país e consequentemente na ilha do Marajó. 
Mesmo com estudos escassos, o emprego de biotecnologias da reprodução é um 
incremento no melhoramento genético dos rebanhos e parecerias do público/privado, podem 
interferir diretamente na produção leiteira dos búfalos, impactando a economia regional. 
 
 
 
 
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