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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DA AMAZÔNIA 
CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 
 
 
 
 
 
 
 
YAMILLÊ DE LOURDES MORAIS SILVA 
 
 
 
 
 
 
 
ASPECTOS DA NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DE BÚFALOS NA 
MESORREGIÃO DO BAIXO AMAZONAS, ESTADO DO PARÁ. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BELÉM - PA 
2024 
 
 
YAMILLÊ DE LOURDES MORAIS SILVA 
 
 
 
 
 
ASPECTOS DA NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DE BÚFALOS NA 
MESORREGIÃO DO BAIXO AMAZONAS, ESTADO DO PARÁ. 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) 
apresentado ao curso de graduação em Medicina 
Veterinária da Universidade Federal Rural da 
Amazônia, como parte das exigências para 
obtenção do título de Bacharel em Medicina 
Veterinária. 
Orientador: Prof. Dr. Bruno Moura Monteiro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BELÉM – PA 
2024 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
Bibliotecas da Universidade Federal Rural da Amazônia 
Gerada automaticamente mediante os dados fornecidos pelo(a) autor(a) 
 
 
S586a Silva, Yamillê de Lourdes Morais 
ASPECTOS DA NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DE BÚFALOS NA MESORREGIÃO DO BAIXO 
AMAZONAS, ESTADO DO PARÁ / Yamillê de Lourdes Morais Silva. - 2024. 
42 f. : il. color. 
 
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) - Curso de Medicina Veterinária, Campus 
Universitário de Belém, Universidade Federal Rural Da Amazônia, Belém, 2024. 
Orientador: Prof. Dr. Bruno Moura Monteiro 
 
1. Nutrição de Búfalos . I. Monteiro, Bruno Moura , orient. II. Título 
 
CDD 016.636084 
YAMILLÊ DE LOURDES MORAIS SILVA 
 
 
 
 
ASPECTOS DA NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DE BÚFALOS NA 
MESORREGIÃO DO BAIXO AMAZONAS, ESTADO DO PARÁ. 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal Rural da Amazônia, 
como parte das exigências do Curso de Graduação em Medicina Veterinária. 
 
 
Defesa em 21 de fevereiro de 2024 
 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
 
 
 
 
Prof. Dr. Bruno Moura Monteiro- Orientador 
Universidade Federal Rural da Amazônia 
 
 
 
 
Prof. Dr. Rinaldo Batista Viana 
Universidade Federal Rural da Amazônia 
 
 
 
 
 
Prof. Dr. José Ledamir Sindeaux Neto 
Universidade Federal Rural da Amazônia 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
A Deus, que sem ele eu não teria forças para lutar pelo meu sonho. 
A minha Mãe, por ser tudo para mim, meu refúgio, minha calma, minha parceira, 
por me entender tão bem, por sempre acreditar na minha capacidade mesmo eu 
desacreditando, vencemos juntas, graças a seu amor, carinho e zelo, suas orações foram 
essenciais para chegar onde cheguei. 
Ao meu pai, que em todos os momentos estava ao meu lado, mesmo de longe se 
fez presente todos os dias, minha força vinha das orações, carinho e amor que você sempre 
me ensinou a buscar e ter. 
A minha família, a parte mais difícil foi deixar de lado a rotina com vocês, foi 
sofrer todos os dias com saudades do ben e do neto, mas é saber que tudo foi por um 
propósito muito maior, vocês sempre estiveram comigo mesmo com a distância me 
apoiando. 
Ao Prof. Dr. Rinaldo Batista Viana, que é meu orientador de ESO e tutor do 
PETVet, por fazer de mim quem eu sou hoje, por me aceitar, por me mostrar onde eu 
poderia chegar, por me abrir oportunidades que sempre sonhei, por fazer ser possível 
realizar meus sonhos, minha gratidão e carinho eterno por tudo. 
Ao Prof. Dr. Bruno Monteiro, que é meu orientador de TCC que me aceitou e 
me ensinou tantas coisas, que tem uma paciência, uma calma, que sempre foi tão generoso 
e amoroso em todos os momentos. 
Aos amigos da Ufra, que se tornaram minha família nos últimos 5 anos, que foram 
minha calma, meu equilíbrio, meu amparo, na rotina corrida da faculdade sempre 
estivemos juntos, um apoiando o outro sempre (Camila, Bruna, Patricia,Kevin,Gabriel) 
vocês foram essenciais para que esse sonho se realizasse, Taína Beckman (in 
memoriam),sempre em nossos corações. 
Aos amigos do PETVet e GAIA, pela receptibilidade, carinho e parceria que 
sempre tivemos uns com os outro, essa família sempre será dita por mim como a melhor, 
pois nossos esforços são sempre recompensados, João lucas e Camille Samara e André 
Mendonça (in memoriam), foi um prazer trabalhar com vocês e conviver um pouco, 
seguimos levando o nome de vocês para sempre. 
Aos meu amigos da vida, por se fazerem presente durante todos esses anos, 
sempre ao meu lado, vocês foram essenciais nessa jornada em especial quem conviveu e 
se fez presente sempre que podia, Danilo, Yury, Ingrid, Lucas, Camila, Kawanny, 
Gustavo, Maria, Leandro, Italo, Álvaro, Lorena, Larissa vocês são a família que escolhi 
para amar. 
Ao grupo Gecria, por me receber, me ensinar, pela leveza, carinho e tudo que 
vivemos nos 3 meses de estágio, amizades e, todo conhecimento repassado, 
agradecimentos especial a Viviani e a Karen, acompanhar vocês foi incrível, que sorte a 
minha. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Da sua vulnerabilidade virá sua força” 
 
-Freud 
RESUMO 
 
Esta revisão tem como objetivo fazer um levantamento de informações acerca do manejo 
nutricional de bubalinos no baixo amazonas, uma vez que o manejo nutricional é uma medida 
utilizada para auxiliar no manejo reprodutivo e da saúde dos animais, contribuindo para a 
obtenção de resultados econômicos positivos. A nutrição tem como objetivo contribuir para 
um melhor desenvolvimento do animal em diferentes tipos de alimentação, os búfalos são uma 
valiosa alternativa na agropecuária em diversos países do mundo, por conta da sua alta 
produção de carne e leite. Na região do baixo Amazonas, a nutrição dos búfalos é fundamental 
para garantir sua saúde e produtividade, devido ao ambiente úmido e rico em vegetação, a base 
da dieta dos búfalos geralmente consiste em pastagens nativas e forragem de boa qualidade, 
sendo essencial considerar as variações sazonais na disponibilidade e qualidade da forragem, 
além de monitorar as necessidades nutricionais dos animais ao longo do ano. 
 
 
Palavras-chave: Nutrição, Baixo Amazonas, Bubalinos, Produção. 
 
 
ABSTRACT 
 
This review aims to collect information about the nutritional management of buffaloes in the 
lower Amazon, since nutritional management is a measure used to assist in the reproductive 
and health management of animals, contributing to obtaining positive economic results. 
Nutrition aims to contribute to better development of the animal in different types of food, 
buffaloes are a valuable alternative in agriculture in several countries around the world, due to 
their high production of meat and milk. In the lower Amazon region, buffalo nutrition is 
essential to ensure their health and productivity, due to the humid and vegetation-rich 
environment, the basis of the buffalo diet generally consists of native pastures and good quality 
forage, and it is essential to consider variations seasonal changes in the availability and quality 
of forage, in addition to monitoring the animals' nutritional needs throughout the year. 
Keywords: Nutrition, Low Amazon, Buffaloes, Production. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 1. Búfalo da raça Carabao… ........................................................................................ 13 
Figura 2. Búfalo da raça Jafarabadi ........................................................................................ 14 
Figura 3. Búfalo da raça Murrah… .........................................................................................37 
 
da uréia com economia de nitrogênio. Já com excesso de proteína na dieta, peptídeos e 
aminoácidos são desviados para produção de energia, gerando perda econômica no sistema de 
energia uma vez que a comercialização de alimentos proteicos é feita com custos mais altos que 
os energéticos (Zicarelli, 2001). 
A nutrição eficiente de ruminantes depende também da combinação adequada de fontes 
de alimentos proteicos com alimentos energéticos além de concentração de vitaminas e minerais 
em relação à espécie de ruminantes e sua distribuição, tendo em vista os diversos tipos de 
alimentos e a ação da microbiota ruminal e as características fisiológicas peculiares de cada 
espécie animal (Zicarelli, 2001). 
A qualidade e a quantidade de proteína na dieta podem alterar tanto o mecanismo físico 
como quimiostático do consumo alimentar dos ruminantes, uma proteína bruta em nível abaixo 
de 7% na dieta com baixa disponibilidade de nitrogênio pode reduzir a digestão da fibra e, 
consequentemente, reduzir o consumo devido à lenta passagem dos alimentos pelo rúmen 
(Zicarelli, 2001). 
Padrões nutricionais não só oferecem uma orientação satisfatória para a formulação de 
rações evitando a super ou sub-alimentação como são utilizados no planejamento de compras 
anuais de alimentos ou na decisão de cultivo de alimentos forrageiros, alguns países avançados 
desenvolveram seus próprios padrões alimentares com base em experimentos conduzidos com 
seus animais submetidos às condições agro-climáticas existentes em seu país. Os métodos 
experimentais para estimar necessidades práticas para várias funções em animais de produção 
têm apresentado constante aprimoramento e, com o passar do tempo, mais informação tem sido 
gerada descrevendo a contínua relação entre a ingestão de nutrientes e performance dos 
animais,(Holter et. Al, 1996). 
Os principais fatores ambientais que influenciam a ingestão de alimentos incluem a 
temperatura, doenças, fotoperíodo, fatores sociais, confinamento, etc. O consumo voluntário 
em bovinos é influenciado por temperaturas acima de 25ºC e abaixo de 15ºC. Estudos com raças 
de clima temperado indicam que em ambiente refrigerado (5 a 15ºC) o consumo se eleva de 2-
5%. Temperatura entre -5 e 5ºC estimulam a ingestão entre 5 e 10% (Fox e Black, 1984). Stress 
por frio aumenta a taxa de passagem do bolo alimentar e reduz a digestibilidade e também gera 
um aumento de apetite (Holter et. Al, 1996). 
38 
 
O efeito do estresse pelo calor é muito acentuado se não houver noites mais frescas. A 
ingestão de matéria seca de vacas leiteiras pode ser deprimida cerca de 3,3% para cada ºC acima 
de 25ºC de temperatura e estes efeitos são aumentados na presença de elevada umidade relativa 
do ar. Em temperaturas acima de 35ºC, animais em produção podem apresentar uma depressão 
de 10-35% na ingestão e animais em manutenção podem ter uma redução de 5-20% na 
ingestão,(Fox e Black, 1984). 
Padrões de alimentação apropriados para búfalos não estão claramente definidos, 
havendo grandes diferenças (de até 40%) nos requerimentos nutricionais prescritos por vários 
padrões de alimentação, a maioria dos padrões existentes para búfalos (Sen et al. 1978; Kearl, 
1982, Pathak & Verma, 1993) está baseado em uma ou só algumas tentativas de alimentação, 
estes padrões não refletem as exigências para diferentes planos de nutrição, qualidade do 
alimento ou variação individual nas exigências dos animais sob condições tropicais (Sen et al. 
1978; Kearl, 1982, Pathak & Verma, 1993). 
Para a eficiente utilização dos nutrientes da dieta e também para a máxima exploração 
do potencial genético, os nutrientes necessários para o animal devem estar presentes em 
quantidades ótimas e balanceadas. A exigência por um determinado nutriente é a quantidade de 
nutriente necessária para manter o animal em estado saudável onde possa exprimir seu potencial 
reprodutivo de acordo com o nível de produção desejada em condições específicas de ambiente 
e alimentação (Paul & Lal, 2010). 
 
 
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
O manejo de bubalinos deve ser baseado em um planejamento nutricional adequado, 
garantindo a utilização balanceada, visando a produtividade e qualidade do rebanho, uma 
dieta equilibrada é essencial para a saúde e produtividade dos búfalos, influenciando 
diretamente na reprodução, produção de leite e crescimento. As necessidades nutricionais dos 
búfalos variam de acordo com idade, peso, estágio de reprodução e nível de atividade física, 
equilibrar a dieta de acordo com esses fatores é importante para ajustar a dieta conforme 
necessário. 
Estratégias nutricionais bem planejadas levam em consideração não apenas os 
nutrientes essenciais para os animais, mas também a disponibilidade e qualidade dos 
alimentos locais, a sazonalidade e as demandas específicas de cada fase de vida dos búfalos. 
39 
 
Investir em pesquisa e práticas nutricionais inovadoras pode resultar em ganhos 
significativos em termos de produtividade, redução de custos e sustentabilidade ambiental. 
Portanto, a nutrição de búfalos no Baixo Amazonas não é apenas uma questão técnica, mas 
também estratégica e econômica para garantir o desenvolvimento sustentável da produção 
animal na região. 
40 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
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ZICARELLI, L. Alimentação da búfala com leite. II Simpósio Paulista de Bubalinocultura. 
Anais. Pirassununga: USP. 1 2001. 
		2024-04-16T21:29:39-030015 
Figura 4. Búfalo da raça Medirerrâneo… ............................................................................... 16 
Figura 6 e 7. Capim Quicuio (A) e capim Braquiarão (B). ..................................................... 30 
Figura 7. Capim Andropogon… ............................................................................................ .31 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
1. CONSIDERAÇÕES GERAIS ........................................................................................... 10 
2. DESENVOLVIMENTO ..................................................................................................... 12 
2.1 Raças de Búfalos ............................................................................................................... 12 
2.1.1 O búfalo no mundo .......................................................................................................... 15 
2.1.2 O búfalo no Brasil ........................................................................................................... 16 
2.1.4 O búfalo na Amazônia ..................................................................................................... 18 
2.1.3 O búfalo no Pará .............................................................................................................. 19 
2.1.4 A Mesorregião do Baixo Amazonas ............................................................................ 22 
2.2 Aspectos morfofisiológicos da nutrição de búfalos ........................................................ 23 
2.2.2 Alimentos Utilizados para Búfalos .................................................................................. 26 
2.2.3 Alimentação para Búfalos ............................................................................................... 27 
2.2.3.1 Pastagem ....................................................................................................................... 27 
2.2.3.3 Pastagens Nativas ......................................................................................................... 31 
2.2.3.4 Produção de Pastagem .................................................................................................. 33 
2.2.3.5 Produção em Pastagem Cultivada ........................................................................... 33 
2.2.3.6 Produção com Suplementação ...................................................................................... 34 
2.2.4 Estratégias Nutricionais para Búfalos.............................................................................. 36 
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 38 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 39 
11 
 
 
 
1. CONSIDERAÇÕES GERAIS 
 
A bubalinocultura se caracteriza por incluir pequenos produtores no cenário produtivo em 
função de sua rentabilidade, o que vem garantindo seu crescimento nos últimos anos. Devido a 
sua maior rusticidade, longevidade e adaptabilidade, os búfalos são encontrados em distintas 
condições edafoclimáticas, apresentando nos trópicos, desempenho que os classificam como 
animais eficientes, principalmente no melhor aproveitamento de gramíneas, tornando-os 
excelente alternativa para a produção de carne e leite (Viana, 2017). 
O búfalo asiático ou búfalo d'água (Bubalus bubalis) é um mamífero de grande porte da 
família bovidae, originário do sudeste da Ásia, cujas primeiras domesticações de indivíduos 
datam cerca de 4.000 – 5.000 anos (Sheikh et al., 2006). O búfalo asiático é encontrado em 
todos os continentes (exceto na Antártida) e possui as formas selvagem e doméstica (Cockrill, 
1974). Existem mais de 20 raças conhecidas da Bubalus bubalis no mundo e, dependendo da 
raça, alguns machos adultos chegam a pesar até 1.000 kg (Zhang et al., 2020). As raças de 
búfalos existentes no Brasil e na Amazônia são a Mediterrâneo, Murrah, Carabao e Jafarabadi, 
destinadas à produção de leite e carne e para o trabalho no campo (Bernardes, 2007; Zhang et 
al., 2020). 
O Brasil é detentor do maior rebanho bubalino das Américas, o que demonstra a alta 
capacidade de adaptação da espécie e potencial produtivo no país. (IBGE, 2015). Embora no 
Brasil, a criação de bubalinos também siga a inclinação mundial de crescimento, ainda não 
figura entre as alternativas pecuárias mais numerosas e de destaque nacional, isso se deve ao 
desconhecimento da natureza e das particularidades anatômicas e funcionais dos búfalos, 
principalmente em relação à qualidade da carne, derivados lácteos, qualidade do couro, e ao 
modo de criação e condições de manejo (Coelho, 2019). Levantando diversas questões nas 
quais promovem obstáculos para a entrada do búfalo de forma mais expressiva no mercado 
brasileiro (Lira et al., 2005) e ( Santos et al., 2016). 
Na Amazônia brasileira, a bubalinocultura é desenvolvida em sistemas de criação a 
pasto, utilizando quatro ecossistemas distintos de pastagens: 1 - nativas de áreas inundáveis do 
estuário, distribuídas na ilha de Marajó, onde se concentra o maior quantitativo de rebanho; 2 - 
nativas de áreas inundáveis, localizadas nas microrregiões do Baixo e Médio Amazonas; 3 - 
12 
 
nativas de terra firme; e 4 - cultivadas de terra firme, em áreas originalmente de floresta 
(Lourenço Junior, 2008). 
Com o avanço da tecnologia disponibilizada atualmente pela Embrapa Amazônia 
Oriental e adotada pelos produtores, a expansão da pecuária nessa região ocorre primeiramente 
pelo aumento da capacidade de suporte da pastagem e, em seguida, pela vocação da região para 
a criação de bovinos e búfalos, para produção de carne e leite. Nesse contexto, temos um 
aumento positivo da produtividade e efeitos benéficos do ponto de vista socioeconômicos e 
ambientais da Amazônia (Garcia, 2008). 
A importância econômica na exploração desses animais consiste também nas vantagens 
proporcionadas quanto à fertilidade, longevidade, eficiência de conversão alimentar e aptidão 
para a produção de leite, carne e trabalho (Ribeiro, 2006), além de serem animais de grande 
inteligência e docilidade. A bubalinocultura vem demonstrando ser viável técnica e 
economicamente, porém a produtividade dos rebanhos de búfalos varia conforme o manejo 
geral adotado na propriedade e a carga genética existente (Neto et.al.,2010). 
Em alguns momentos, detectou-se que um dos maiores problemas para os criadores de 
búfalos é o desconhecimento de alternativas de manejo e, principalmente, a falta de 
reprodutores selecionados que possibilitem o melhoramento genético dos rebanhos, sobretudo 
para leite, em relação ao manejo nutricional, a maioria dos criadores de búfalos produzem 
animais geralmente manejados em sistemas com baixa tecnologia, o que não favorece o animal 
expressar todo o seu potencial genético (Santos et al., 2014) 
Dessa forma, por ser uma espécie que se adapta em situações de baixa qualidade de 
alimentos, o potencial genético fica limitado pelo manejo nutricional e os sistemas de produção 
ficam aquém do seu potencial (Santos et al., 2014). 
Quando relacionamos as exigências nutricionais de búfalas em lactação, com o valor 
nutritivo das pastagens comumente utilizadas em sistemas de baixa tecnologia, em que percebe- 
se que geralmente há um déficit nutricional, em que, sob via de regra, somente as forragens não 
atendem as exigências nutricionais das vacas. Dessa forma é cada vez mais comum o uso de 
suplementação para aumento da produção de leite por lactação, sendo a nutrição a base para o 
sucesso produtivo (Santos et al., 2014). 
Com isso, o objetivo do presente trabalho foi realizar uma revisão bibliográfica sobre o 
manejo nutricional dos bubalinos no Baixo Amazonas, identificando as principais 
características. 
13 
 
2. DESENVOLVIMENTO2.1 Raças de Búfalos 
 
A raça Carabao se caracteriza por sua força e musculatura desenvolvida, são originários 
da Indochina, possuem cabeça triangular, chifres grandes e pontiagudos, voltados para cima e 
porte médio, é uma raça adaptada a regiões pantanosas e, por isto, apresentam pelagem mais 
clara em relação às demais raças de búfalos (de Moraes et al., 2016). 
Esta raça se adaptou ao Brasil, mas é a raça principal do Extremo Oriente, que engloba 
China, Indonésia, Filipinas, Vietnã, Camboja, Tailândia, etc. Sua aptidão é voltada para o 
trabalho agrícola, para a tração e para a carne, na ilha do Marajó, no Pará, é destinada à produção 
de carne, prefere áreas pantanosas em que usa os chifres para se cobrir de lama, ainda que essa 
preferência por áreas alagadas ou com rios, esteja presente em todas as raças, seus chifres são 
largos e abertos (Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos, 2011). 
Figura 1: Búfalo da Raça Carabao. 
 
 
Fonte: Apresentação: as quatro raças no Brasil, 2011 (ABCB). 
 
Os búfalos da raça Jafarabadi são originais da Floresta de Gir, península Kathiavar, no 
oeste da Índia, apresentam comportamento mais dócil e é vantajoso para produção de leite e 
carne, possuem chifres longos, caídos e voltados para cima com pelagem preta e bem 
definida (de Moraes et al., 2016). 
O nome desta raça vem da cidade de Jafarabadi, a oeste da Índia, são animais de cor 
negra e, possui frente proeminente, os chifres pesados e longos, que tendem a ir até abaixo da 
direção atrás dos olhos, terminando em formato espiralado até atrás, de todas as raças, é a maior 
14 
 
em tamanho, sendo um animal forte de enorme capacidade torácica, com aptidão para produzir 
leite (Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos, 2011. (ABCB). 
Figura 2: Búfalo da Raça Jafarabadi. 
 
 
Fonte: Apresentação: as quatro raças no Brasil, 2011 (ABCB). 
 
A raça Murrah se caracteriza por chifres curtos, finos e pequenos, curvados para trás e 
para cima em forma de espiral, os indivíduos dessa raça possuem pelagem preta com um tufo 
de pelos brancos na ponta da cauda, indicados para a produção de leite, é a principal raça leiteira 
na Índia, no Brasil se formou em planteis sem raça definida através de importações de animais 
puros (Lourenço Júnior e Garcia, 2008; Zhang et al., 2020). 
Originária também da Índia, seu nome no idioma Hindu significa “espiralado” e deriva 
da formação de seus chifres encaracolados, negros, desde a base até a ponta com a cor da pele e 
a cor dos pelos negra ou negro-azeviche, são animais maciços, robustos e de conformação 
profunda, possuem extremidades curtas e ossos pesados, cabeça e orelhas também curtas 
(Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos, 2011). 
 É considerada excelente raça leiteira, considerada a raça mais numerosa no Brasil e um 
ótimo investimento para quem quer produzir mozzarellas, a sua produção leiteira é de 
aproximadamente 1650 litros em 305 dias em medições na Índia (Associação Brasileira dos 
Criadores de Búfalos, 2011). 
 
 
15 
 
Figura 3: Búfalo da Raça Murrah. 
 
 
 
 
 
Fonte: Apresentação: as quatro raças no Brasil, 2011 (ABCB). 
 
Os animais da raça Mediterrâneo possuem chifres de desenvolvimento médio, grossos, 
fortes e recurvados para o alto, apresenta porte médio e pelagem preta ou amarronzada, é 
comum manchas brancas na cabeça e corpo. É uma raça indicada tanto para o corte quanto para 
a produção leiteira, trazidos da Itália em diferentes épocas, atualmente é a mais numerosa no 
Brasil (Lourenço Júnior e Garcia, 2008; Zhang et al., 2020). 
São búfalos de rios, descendentes de várias raças da Índia, definidos como a raça 
predominante na Europa e do Mediterrâneo, as cores comuns são negras, cinza escuro e marrom 
escuro. As manchas brancas são permitidas apenas no extremo da traseira, são animais com 
despigmentação parcial na íris dos olhos, os chifres são medianos, voltados para trás, com as 
pontas voltadas para cima e para dentro, formando uma meia-lua, a cara é larga e apresenta 
pelos largos e esparsos na borda inferior da mandíbula (Associação Brasileira dos Criadores de 
Búfalos, 2011). 
O corpo é robusto em relação ao seu comprimento e as patas curtas e robustas, o peito 
é profundo e o abdome volumoso, a traseira é curta e em geral é um animal compacto, 
musculoso e profundo, são animais desenvolvidos para produção de leite. O peso do animal 
vivo é de 700 a 800 kg para os machos e 600 kg para fêmeas, é excelente para leite, também 
tem boa aptidão para corte é a segunda raça mais numerosa no Brasil (Associação Brasileira 
dos Criadores de Búfalos, 2011). 
16 
 
Figura 4: Búfalo Raça Mediterrâneo. 
 
 
Fonte: Apresentação: as quatro raças no Brasil, 2011 (ABCB). 
 
2.1.1 O búfalo no mundo 
 
A população mundial de búfalos aproxima-se de 200 milhões de cabeças, sendo que a 
Ásia detém cerca de 196 milhões o que corresponde a 97,42%, seguida da África com 3,7 
milhões equivalente a 1,68% do rebanho, América com 1.382.130 milhões significando 0,69%, 
Europa com 400 mil animais representando 0,2% do rebanho mundial e a Oceania com apenas 
265 cabeças que estatisticamente corresponde a 0% (FAO, 2017; COSTA et. al., 2017). 
Na Europa no período de 1993 a 2001 houve um crescimento de aproximadamente 
142% da população de búfalos, especificamente na Itália, devido ao aumento na procura pela 
mozzarella de búfala (Borghese, 2005). Esse crescimento foi verificado também no Egito, Irã, 
Azerbaijão e Alemanha devido à alta procura por derivados lácteos, os quais possuem boa 
aceitação no mercado (Borghese et al., 2011). Além disso, o rebanho bubalino mundial destaca- 
se como sendo uma das espécies com as maiores taxas de crescimento entre os animais 
domésticos, que gira em torno de 12% ao ano (FAO, 2017; COSTA et. al., 2017). 
A origem do búfalo doméstico (Bubalus bubalis), originou a partir do búfalo selvagem 
(Bubalus arnee), conhecido também como Arni, que habitava a região norte da Índia, Sri Lanka 
e Indochina. Atualmente esses animais ainda sobrevivem nesses países em manadas selvagens. 
Há, ao norte da Índia, uma grande quantidade de fósseis de animais nos quais foram encontrados 
também os de búfalos da era do Plioceno de dois tipos diferentes. Um relacionava-se ao búfalo 
indiano selvagem e o outro aos búfalos Mindoro, este último encontrado somente na Islândia e 
Filipinas (Lydekker, 1885; Cockrill, 1974; Mason et al., 1977). 
17 
 
Búfalos típicamente herbívoros devido à simbiose que mantém com microorganismos 
encontrados no seu rúmen a maioria dos búfalos é criada por pequenos produtores, com 
rebanhos médios de 2-3 animais, exceto na Itália, Síria, Bulgária e América do Sul, onde os 
rebanhos são maiores (Ranjhan,2003). 
Na Ásia, pequenos fazendeiros integraram a criação de búfalos com agricultura em 
sistemas sustentáveis de agricultura-pecuária. Búfalos são criados em sistema extensivos, semi- 
intensivos e intensivos, onde são mantidos a pasto, a pasto com suplementos ou alimentados 
em confinamento, respectivamente. Alimentação e nutrição inadequadas têm sido 
repetidamente apontadas como o principal problema nos sistemas de produção em todo o 
mundo, principalmente na Ásia e África (Lal, 2010). 
A maioria dos búfalos é criada em área tropical caracterizada por apresentar períodos 
secos e chuvosos bem delimitados, nestas condições os búfalos se desenvolvem melhor que os 
bovinos em função da maior capacidade de aclimatação, resistência às intempéries ambientais, 
adaptação em ambientes pantanosos e, principalmente, por possuir maior capacidade de digerir 
forragens com maior teor de fibra bruta (Kamal et al, 1993) 
Para que os búfalos demonstram esta maior capacidade de produção nas regiões 
tropicais é importante disponibilizar condições ambientais semelhantes a aquelas em que a 
espécie foi selecionada, com sombreamento para reduzir a incidência de radiação solar 
diretamente à pele dos animais eágua para ingestão em abundância (Kamal et al, 1993). 
2.1.2 O búfalo no Brasil 
 
No Brasil, a criação de bubalinos segue a inclinação mundial de crescimento, porém 
ainda não figura entre as alternativas pecuárias mais numerosas e de destaque nacional. Isso se 
deve ao desconhecimento das particularidades anatômicas e funcionais dos búfalos, 
principalmente em relação à qualidade da carne, derivados lácteos, qualidade do couro, e ao 
modo de criação e condições de manejo (Bernardes, 2007). 
Dentre os obstáculos para a entrada do búfalo de forma mais expressiva no mercado 
brasileiro Santos et al. (2016) e destacam a fragilidade do status sanitário dos rebanhos 
bubalinos, quando comparados aos zebuínos, os bubalinos mostram-se produtivamente e 
economicamente superiores, evidenciando suas características de adaptabilidade e maior 
aproveitamento da forragem de menor qualidade, conferindo maior produção por animal 
(Santos et al., 2016). 
18 
 
O bubalino no Brasil compreende, segundo dados do MAPA (2017), cerca de 1,4 
milhões de cabeças, sendo que mais da metade desse efetivo é criado no Pará (≅ 500 mil) e no 
Amapá (≅ 300 mil); regiões onde sabidamente predomina o ambiente pastoril. Embora não 
exista uma estimativa confiável sobre a ingestão de grãos e seus subprodutos por búfalos no 
Brasil, acredita-se que mais de 95% dos animais não ingerem nenhum tipo de alimento 
concentrado. Ou seja, uma imensa parte da população bovina e bubalina nacional jamais ingere 
grãos/subprodutos durante sua existência (Shalash et al., 1968; Nascimento & Moura Carvalho 
1973 e Ramos et aI., 1982). 
Nas propriedades se tem um manejo nutricional, o mesmo se encontra de forma 
inadequado, seguem uma suplementação com poucos minerais. aproximadamente 10 milhões 
de hectares na Amazônia, são cobertos por pastagens nativas e o aproveitamento destes campos 
com bubalinos se torna necessário em função da necessidade de carne e leite na região que 
importa estes produtos (Shalash et al., 1968; Nascimento & Moura Carvalho 1973 e Ramos et 
aI., 1982). 
Os índices pluviais estão na faixa de 1.200 mm e 3.500 mm e as chuvas se distribuem 
em duas épocas bastante distintas. A primeira vai de dezembro a janeiro até maio ou junho e, 
neste período, as chuvas são intensas em decorrência da acentuada ação intertropical de 
convergência. A segunda é menos chuvosa e se caracteriza pelas chuvas de caráter convectivo 
abrangendo os demais meses do ano, notando-se bastante diferenciação com relação ao período 
de estiagem, sendo este mais acentuado nas áreas alta e litorânea. Uma variante destes padrões 
se verifica nas latitudes do Território Federal de Roraima, onde as chuvas ocorrem de abril a 
outubro e a estiagem de novembro a março (Shalash et al., 1968; Nascimento & Moura 
Carvalho 1973 e Ramos et aI., 1982). 
2.1.4 O búfalo na Amazônia 
 
Do ponto de vista biológico, a pecuária bubalina é favorecida na Amazônia pelo clima, 
solo, variabilidade genética das forrageiras, adaptabilidade do animal e espaço físico, as 
variáveis climáticas proporcionam crescimento vegetativo das forrageiras durante o ano inteiro. 
O solo, com boas propriedades físicas, necessita e deve ser fertilizado, para manter a 
produtividade e longevidade da forrageira, sua variabilidade genética das forrageiras permite 
enfrentar as adversidades do trópico úmido. Existem animais com potencialidade genética para 
produção de carne e leite, em níveis satisfatórios, enquanto a terra, relativamente barata, 
constitui fator importante no custo de produção (Júnior & Garcia, 2008). 
19 
 
Na Amazônia, durante muito tempo, a produção de carne foi considerada a principal 
atividade da bubalinocultura entretanto, atualmente, a exploração leiteira começa a ocupar 
espaços, considerando-se a potencialidade desta espécie em produzir leite com baixos custos e 
elevado rendimento na industrialização, bem como a demanda da população por seus derivados. 
Além de dinâmica, a bubalinocultura na Amazônia é bastante diversificada, sendo os animais 
submetidos a variadas modalidades de manejo, diferenciadas conforme as características 
econômicas e sociais de cada sistema de produção (Júnior & Garcia, 2008). 
Os pequenos criadores, geralmente possuem somente pastagens nativas de terra 
inundável e usam marombas (currais suspensos) para manter seus animais livres das enchentes. 
Esses, invariavelmente deparam-se com altos prejuízos, devido à perda de peso, retardamento 
da idade de abate, reduzida reprodutividade e até morte. Os criadores de tamanho médio 
possuem, além de pastagem nativa de terra inundável, áreas localizadas na terra firme, para 
onde transportam seus animais nos períodos críticos das enchentes. Essas áreas, entretanto, são 
constituídas de forragens nativas de baixo valor nutritivo. Existem, ainda, os grandes criadores 
que possuem os três tipos de ecossistemas, isto é, pastagem nativa de terra inundável, pastagem 
nativa de terra firme e pastagem cultivada de terra firme, estar de bom valor nutritivo (Júnior 
& Garcia, 2008). 
No manejo zootécnico e sanitário dos rebanhos, verifica-se baixo nível de tecnificação, 
principalmente entre os pequenos e médios criadores, ainda não estão suficientemente adotadas 
as tecnologias geradas sobre as relações entre as diferentes variáveis de ambiente, tais como 
clima, alimentação, práticas de manejo e instalações rurais, e os estados patológicos e 
fisiológicos dos rebanhos (Júnior & Garcia, 2008). 
A baixa rentabilidade da pecuária nos sistemas tradicionais de criação torna essa 
atividade pouco atrativa economicamente, com o prognóstico de que a médio e longo prazos, 
somente permanecerão nela os que forem competentes para se adaptarem à nova realidade das 
mudanças econômicas, à oferta de outras fontes de proteína animal e à criação de mercados 
comuns. A pecuária em pastagens cultivadas da Amazônia tem sido estigmatizada como 
responsável pela baixa eficiência do uso da terra, o pioneirismo e o reduzido uso de insumos e 
tecnologia dos anos 60 e 70, têm sido substituídos por sistemas mais produtivos e de pastagens 
perenes, como fruto do uso de tecnologias, tais como o sistema de pastejo rotacionado intensivo, 
na produção de carne a pasto (Júnior & Garcia, 2008). 
20 
 
2.1.3 O búfalo no Pará 
 
A bubalinocultura brasileira apresentou, nos últimos anos, aumento em seu rebanho 
efetivo, passando de 885.119 cabeças em 2006 para 1.365.636 em 2015, crescimento de 
35,18%. Este aumento corresponde a 2,8 vezes mais que o crescimento do rebanho bovino 
compreendendo o mesmo intervalo (IBGE, 2016). Dentre os estados do Brasil, o Pará detém o 
maior rebanho, com 522.250 cabeças, seguido pelos estados do Amapá (284.770) e São Paulo 
(90.873) (IBGE, 2016) 
Ao analisarmos as características edafoclimáticas das regiões que apresentam maior 
rebanho de bubalinos no estado do Pará (região do baixo amazonas), percebe-se características 
peculiares, como terras alagadas durante longos períodos do ano, alta umidade relativa o ano 
todo e chuvas mais frequentes do que em outras regiões. Dessa forma, todas essas características 
climáticas, dificultam a criação de outras espécies de ruminantes, principalmente pelos solos 
alagados, enquanto a criação de bubalinos torna-se possível, tal situação, faz com que a 
bubalinocultura nessas regiões se expanda cada vez mais. Além disso, se tratando de cenário 
nacional, outro fator importante que contribuiu com a expansão da bubalinocultura é o aumento 
da quantidade e qualidade dos programas de melhoramento genético para a espécie, que foi 
muito precário no Brasil até 2006, no entanto, nos últimos anos têm apresentado excelente 
evolução (Marcondes, 2011), 
O principal centro de produção bubalina é o Arquipélago do Marajó. O Pará registra um 
crescimento superior a 30% do rebanho, em comparação a 2019, quando totalizava 20.692.100 
animais. O crescimento é resultado de aporte tecnológicoe ações de sustentabilidade, o que 
pode ser observado na tecnificação da criação de animais, que inclui rotatividade e adubação 
do pasto, que permite melhor aproveitamento da área e maior lotação de animais; controle 
sanitário e melhoria genética dos animais, permitindo o abate a partir dos 18 meses, o que antes 
exigia 60 meses (Adepará, 2023). 
A suplementação mineral, em criação de búfalos na Amazônia, é pouco usada e quando 
empregada consiste no fornecimento de misturas que normalmente não atendem às exigências 
dos animais. Essa norma é comum nas criações, cuja alimentação predominante são as 
gramíneas nativas de várzea ou de solos sujeitos a inundações periódicas por rios de águas 
barrentas (Marques, 1998). 
21 
 
A Embrapa Amazônia Oriental tem recomendado, ainda quando não se havia constatado 
alta deficiência de algum mineral limitante na vida do animal, uma mistura econômica, fácil de 
ser preparada na fazenda, com os elementos mais necessários aos animais e que pode ser usada 
em toda e qualquer condição de criação de búfalos. Mistura mineral: Farinha de ossos (50 a 80 
kg), Sal comum iodado (50 a 20 kg), Sulfato de cobre (0,12 a 0,24 kg), Sulfato de cobalto (0,05 
a 0,15 kg). Essa mistura deve ser fornecida à vontade em cochos cobertos, esperando-se um 
consumo médio de 50 gramas/cabeça/dia, cada piquete deve dispor de pelo menos um cocho 
(Marques, 1998). 
Quando o sistema de alimentação usado requer uma suplementação alimentar com 
concentrados, um sistema prático e econômico de mineralização do rebanho é o fornecimento 
da mistura mineral juntamente com o suplemento proteico-energético, na proporção 
aproximada de 50 gramas/cabeça/dia (Marques, 1998). 
Com a tecnologia disponibilizada pela Embrapa Amazônia Oriental e adotada pelos 
produtores, sobre recuperação e manejo de pastagens, a pecuária na Amazônia passou a ser uma 
atividade bioeconômica viável, globalmente competitiva, ecológica e socialmente correta. A 
expansão da pecuária nessa região deverá ocorrer primeiramente via aumento da capacidade de 
suporte da pastagem e, em seguida, pela recuperação de áreas alteradas, sem necessidade de 
novas incorporações de segmentos da floresta (Júnior & Garcia, 2008). 
Os sistemas de pastejo rotacionado intensivo - SPRI, apesar dos investimentos iniciais, 
apresenta vantagens em termos de sextuplicar a produtividade da terra, viabilizando a pecuária 
em áreas de pastagens degradadas, evitar o desmatamento de áreas de floresta densa, promover 
a recuperação de áreas que não deveriam ter sido desmatadas e outras que constituem motivo 
de preocupação ambiental (Júnior & Garcia, 2008). 
A prática de queima de pastagens, para promover a limpeza de juquira e de uma 
fertilização declinante torna-se desnecessária, evitando-se o perigo de incêndios florestais e 
viabilizando atividades, como a de reflorestamento pelo menor risco de fogo. Uma conclusão 
importante que se depreende das três situações analisadas é o alto custo das tecnologias 
intensivas em relação ao sistema tradicional de derrubada e queima de áreas de florestas (Júnior 
& Garcia, 2008). 
Atualmente, o SPRI tem sido relevante para a pecuária bubalina regional, pois 
apresenta superioridade produtividade/ha, possibilidade de perenização das pastagens e, ao 
22 
 
longo dos anos, melhoram as qualidades físico-químicas e microbiológicas do solo, bem como 
preservam o ambiente, evitando a pressão de desmatamento de novas áreas de florestas. É 
importante ressaltar que a pecuária da Amazônia enfrenta o grave problema da degradação das 
pastagens, o que favorece a obtenção de resultados biológicos e econômicos pouco eficientes 
nos sistemas de aproveitamento dos solos (Júnior & Garcia, 2008). 
As inovações tecnológicas na pecuária do Estado do Pará são de fundamental 
importância para atingir elevados índices de produção, com sustentabilidade biológica, 
econômica, social e ambiental, as informações dos sistemas produtivos são armazenadas ou 
anotadas em papeis, que além de fácil extravio, agregam pouco em praticidade e rapidez, no 
processo de informação, a perda dos dados, durante o manejo, interfere na exatidão das 
informações de cada animal (Júnior & Garcia, 2008). 
O manejo das informações de controle animal requer uma dose de organização 
crescente, onde a melhor ferramenta para gerenciar as mesmas é a tecnologia, ou seja, dados 
armazenados em um computador, que com o auxílio de um sistema especializado, transformará 
essa tarefa em uma prática mais simples e acessível. A utilização de tecnologia da informação 
possibilitará o controle de dados de grande parte das etapas de produção animal a pasto. Com 
o acúmulo de informações inerentes aos animais, será possível estimar soluções e 
recomendações que objetivem menores gastos e maiores lucros ao produtor (Júnior & Garcia, 
2008). 
2.1.4 A Mesorregião do Baixo Amazonas 
 
A Região de Integração (RI) Baixo Amazonas é composta por 12 municípios (Santarém, 
Alenquer, Óbidos Almeirim, Belterra, Curuá, Faro, Juruti, Monte Alegre, Oriximiná, Prainha e 
Terra Santa) teve sua ocupação a partir da segunda metade do século XVII com a fundação da 
cidade de Santarém, na confluência dos rios Amazonas e Tapajós. À época, a dinâmica 
econômica da região esteve relacionada à exploração das chamadas “drogas do sertão”, com o 
protagonismo das cidades de Santarém, Alenquer e Óbidos (Ioepa, 2015) 
Localizada na Região Noroeste do Pará,a RI Baixo Amazonas apresenta-se entrecortada 
pelos rios Amazonas e Tapajós e pelas rodovias BR-163 (Rodovia Cuiabá-Santarém), PA-254 
e PA-419. Detém uma área territorial total de pouco mais de 315 mil quilômetros quadrados, o 
que representa 25% da área total do Pará (Ioepa, 2015) 
23 
 
Nas várzeas amazônicas, predominam-se os solos inceptisols com glei húmico e pouco 
húmico, graças às inundações constantes, o solo da região é altamente fértil, pois, o rio 
amazonas em sua inundação trás diversos sedimentos em sua água barrenta, o que acaba por 
fertilizar o solo (Neto et al., 2002; Júnior & Garcia, 2008). 
Define-se o pasto dessa região como pastagens nativas de solos aluviais, que estão em 
constante alagamento periodicamente, esse tipo de pasto é distribuído ao longo da extensão do 
rio Amazonas e seus afluentes, estando presentes nas regiões do baixo e médio Amazonas 
(Júnior & Garcia, 2008). 
As pastagens de áreas inundáveis desempenham um papel de grande importância para 
a produção da pecuária regional, pois são a principal fonte de alimentação dos animais e 
apresentam um alto valor nutritivo e elevado potencial produtivo. (Júnior & Garcia, 2008). 
Inicialmente, até a década de 50 a pecuária da Amazônia era baseada em pastagens nativas, 
contudo a partir dos anos 60 observou-se que essa atividade passou também a ser cultivada em 
áreas de terra firme ou em sistemas que integravam a várzea com a terra firme (Júnior & Garcia, 
2008). 
2.2 Aspectos morfofisiológicos da nutrição de búfalos 
 
Os bubalinos apresentam um trato gastrointestinal anatomicamente semelhante ao da 
espécie bovina mas com modificações no volume e proporção de cada segmento. O 
comprimento total do trato digestivo dos búfalos tipo rio (2n=50) é de 60 metros. O intestino, 
que mede 40 metros, e o ceco são menores no búfalo em relação ao bovino. O volume do 
complexo rúmen, retículo, omaso e abomaso é maior no búfalo, onde o rúmen ocupa 88% do 
volume total (Zicarelli, 2001). 
No búfalo o rúmen apresenta capacidade de armazenamento de alimento até 10% a mais 
que o bovino, já o omaso e abomaso são menores. A frequência ruminal nos búfalos é também 
inferior, o que determina uma menor taxa de passagem do alimento com maior tempo de 
retenção e ação da população microbiana sobre a fibra alimentar que compõem as forragens 
(Zicarelli, 2001). 
O pH ruminal é ligeiramente ácido apresentando variação em função da alimentação 
oferecida ao animal, a produção de saliva é significativamentemaior nos bubalinos em relação 
aos bovinos zebuínos e sua composição é bastante semelhante mas com uma concentração de 
cólon inferior. Vários estudos foram realizados na Índia para estabelecer a eficiência na 
24 
 
utilização de nutrientes (carboidratos e proteínas) de bovinos e bubalinos. Foi estabelecido que 
o búfalo apresenta uma maior capacidade de aproveitamento dos alimentos fibrosos em relação 
aos zebuínos (5 a 8%) e também das fontes de nitrogênio não proteico (Zicarelli, 2001) 
A maior capacidade do búfalo em digerir a fibra dos alimentos em relação aos bovinos 
ocorre somente quando o alimento oferecido apresenta uma alta concentração de FDA (35,5%) 
em dietas com mais de 70% de forragem na matéria seca. Esta maior capacidade em utilizar 
forragens ricas em parede celular não pode ser considerada na nutrição da búfala em lactação, 
tendo em vista a necessidade de reduzir a proporção de forragem concentrada para satisfazer as 
necessidades produtivas (Zicarelli, 2001). 
A ação da população microbiana ruminal sobre o substrato (alimento do hospedeiro) 
tem especial importância, pois constitui uma base da fisiologia digestiva dos ruminantes. 
Celulose e hemicelulose representam a maior fonte potencial de energia para os animais 
herbívoros, (Arcuri, 1992). Após a degradação pelos complexos enzimáticos de 
microorganismos animais. Além dessa fundamental capacidade hidrolítica, estes 
microorganismos reduzem acentuadamente o volume de matéria seca que passa à porção pós- 
ruminal do trato digestivo (Dehority, 1987). 
Com a capacidade do aparelho digestivo tendo um maior espaço e aparato da 
microbiana que os bovinos, ele se torna capaz de realizar uma conversão alimentar mais 
eficiente, Eles têm uma capacidade transformar pastos grosseiros, de baixo valor nutricional, 
em carne e leite de qualidade, por não ser tão seletivo como os bovinos, acaba melhorando os 
campos com essa atividade. Aparentemente, uma menor ingestão de matéria seca, hábito de 
ingerir mais lentamente e menor taxa de passagem da digesta contribuem para a levemente 
superior digestibilidade observada no rúmen de búfalos (Paul & Lal, 2010). 
As concentrações de VFA (ácidos graxos voláteis), nitrogênio amoniacal, nitrogênio 
bacteriano e certos eletrólitos como o potássio e cálcio apresentaram-se maiores no líquido 
ruminal de búfalos que no de bovinos submetidos à mesma dieta na maioria dos estudos, 
(tandon et al.,1972; Ludri e Razdan, 1981,1982; Punia e Sharma, 1988). Alguns estudos 
mostram que a concentração de VFA no líquido ruminal é comparável entre búfalos e bovinos 
(Khalon et al., 1970; Chaturvedi et al.,1973ª,b,c,d, Pathak et. al,1973), mas Verma e al. (1990) 
verificaram maior nível de VFA no líquido ruminal de búfalos quando comparado com bovinos 
submetidos à mesma dieta. 
25 
 
Taxas atuais de produção de VFA determinadas com uso de técnicas de diluição de 
isótopos não revelaram nenhuma diferença significativa entre as espécies. A relação entre 
acetato e propionato no líquido ruminal tem se mostrado significativamente mais próxima em 
búfalos que em bovinos, sem mostrar diferença na produção de propionato (Khalon et al., 1970; 
Chaturvedi et al.,1973ª,b,c,d, Pathak et. al,1973). 
Aparentemente, a maior concentração de alguns dos metabólitos ruminais também pode 
ser atribuída a uma menor taxa de passagem e menor ingestão de matéria seca. Kennedy et al. 
(1992) verificaram uma maior transferência de uréia do sangue para o rúmen em búfalos que 
em bovinos, indicando uma maior taxa de reciclagem de nitrogênio no rúmen de bubalinos, o 
que pode sugerir uma maior eficiência na utilização de nitrogênio pelos búfalos. Estes autores 
também verificaram que a eficiência do crescimento microbiano no rúmen era 20% maior em 
búfalos que em bovinos 35 x 30 g N /kg de digestão aparente de matéria orgânica no pré- 
estômago (Paul & Lal, 2010). 
A degradação de fibras é maior em búfalos submetidos a dietas com baixo nível de 
proteínas quando comparado com bovinos, porque as espécies bacterianas celulolíticas 
predominantes em seu rúmen (Fibrobacter succinogenes) não necessitam de nitrogênio 
amoniacal para seu crescimento. Por outro lado, as espécies bacterianas celulolíticas 
predominantes no rúmen bovino (R. albus), necessitam de nitrogênio amoniacal para seu 
crescimento (Paul & Lal, 2010). 
Não existe uma clara e consistente diferença entre a população de protozoários e 
atividade de enzimas no rúmen de bovinos e bubalinos. Verificou-se a predominância de 
Entodinium simplex em bovinos e de Entodinium caudatum em bubalinos. As informações 
sobre a população de fungos em bovinos e búfalos são limitadas e aparentemente não existem 
diferenças na quantidade de fungos nas duas espécies de ruminantes. A prevalência de bactérias 
produtoras de gás é menor em búfalos (10%) que em bovinos (20%) e portanto, espera-se uma 
menor produção de metano em búfalos (Paul & Lal, 2010). 
A relação entre a densidade de nutrientes e a ingestão voluntária de matéria seca em 
ruminantes é bifásica. Quando o alimento é uma forragem pobre ou média, a correlação entre a 
densidade de energia e ingestão de matéria seca é positiva. Quando a forragem é de alta 
qualidade e com grande proporção de grãos na dieta, a correlação entre a densidade de energia 
e ingestão de matéria seca é negativa (NRC,1989). 
26 
 
Em pesquisas conduzidas na Índia, observou-se que a ingestão de matéria seca e a 
eficiência na utilização de nutrientes aumenta em búfalos com redução de proteínas digeríveis 
e de NDT na ração, tendência inversa da observada em bovinos (Paul et al,2003). Tamanho das 
partículas exerce grande influência na ingestão de matéria seca. Cortes mais intensos de 
forragens aumentam sua digestibilidade e taxa de passagem. A trituração de volumosos resultou 
num aumento de até 30% no consumo apesar da digestibilidade dos alimentos ter diminuído 
pela passagem mais rápida do alimento pelo tubo intestinal (Ronning e Dobie, 1962). 
A energia dos alimentos é um dos mais importantes fatores responsáveis pela 
manutenção da saúde e funções produtivas normais dos animais de produção. De fato, a 
ingestão de energia é o controle da produção, com o animal mostrando uma resposta contínua 
às variações das quantidades ofertadas. Energia é o nutriente mais limitante na maior parte dos 
alimentos tropicais onde a maioria das dietas são de baixa qualidade e fibrosas. Alimentos de 
baixa qualidade são normalmente pouco digeridos e permanecem muito tempo no trato 
digestivo. Muitos fatores afetam a necessidade de energia de búfalos, entre eles, tamanho, idade, 
gestação, produção, crescimento e fatores ambientais estressantes (Paul & Lal, 2010). 
2.2.2 Alimentos Utilizados para Búfalos 
 
O volumoso são alimentos com maior teor de fibras, mais de 18%, é composto por subprodutos 
disponíveis na região, disponíveis na época do ano, onde depende da oferta e custo benefício 
relacionados no momento, para alimentação favorável do animal e manter o equilíbrio 
nutricional. Alguns Utilizados são: cana de açúcar, farelo trigo, farelo de castanha de caju, 
cevada, raspa de mandioca, torta de coco, farelo de soja, milho, entre outros produtos presentes 
nas regiões. utilizados são: cana de açúcar, farelo trigo, farelo de castanha de caju, cevada, raspa 
de mandioca, torta de coco, farelo de soja, milho, entre outros produtos presentes nas regiões 
(Bhatia et al., 1979). 
O Concentrado é classificado como energético quando possuem teor proteico inferior 
de 20% da matéria seca, alguns produtos usados são: milho, farelinho de trigo e polpa. Animais 
alimentados com rações compostas de concentrados e palha de trigo em níveis de manutenção, 
a retenção média estimada pelo método de Balch foi de 99 a 110 hs para bovinos e 104,2 a 118 
hs para búfalos (Ludri et al., 1971). Touros adultos alimentados com torta de amendoim e palha 
de trigo, o tempo de da digesta para passaro reticulo rumen foi de 85,5 a 105 h em búfalos e 74 
a 86,5 h em bovinos, e o trânsito da digesta do abomaso ao reto foi de 30,5 a 34 hs nos 
27 
 
búfalos e 26,5 a 30 hs em bovinos. Os tempos médios de retenção foram respectivamente de 
87,5 a 97,25 hs em búfalos e 76,35 a 85,7 hs em bovinos (Ponnappa et al., 1971). 
Estas informações sugerem que o tempo médio de retenção (estimados pelo método de 
Balch em búfalos adultos é maior em cerca de 9 horas que em bovinos adultos. Bartocci et al. 
(1997) verificaram que o búfalo retém a ingesta no reticulo rumen por mais tempo que o bovino 
(40,65 x 33,44 hs, pcultivadas, independentemente do tamanho da área em quase sua totalidade de capim 
quicuio (Brachiaria humidicola) e Braquiária (Brachiaria brizantha cv. Marandu). Estes 
produtores podem ter a pecuária como principal atividade ou se dedicam a outras atividades, 
entretanto, possuem capacidade de adoção de novas tecnologias (Pereira et.al., 1999). 
Figura 5 e 6: Capim Quicuio.(A) e Capim Braquiarão (B) 
 
Fonte: Cultivares de Quicuio e Braquiarão da Embrapa, 2023. 
 
É imprescindível a diversificação das pastagens, uma vez que não fica totalmente 
comprometida pelo ataque de pragas. É importante também, que se tenha em cada piquete um 
único tipo de pastagem para que não haja competição. Recomenda-se o uso da brachiaría 
brizantha (braquiarão, brizantão ou Marandu) Andropogon gayanus (andropogon) e brachiaria 
humidicola, (quicuio da Amazônia) (Pereira et.al., 1999). 
Nas partes mais baixas da propriedade se utilizará o quicuio, enquanto nas partes mais 
altas utilizar-se-á o andropogon e o braquiarão; deve-se utilizar à proporção de 
aproximadamente 60% para braquiarão, 25 % para quicuio e 15 % para andropogon. As 
pastagens recém formadas só devem ser utilizadas, após soltarem a semente. Deve-se colocar 
uma carga leve para não haver superlotação em área recém formada. Sendo o plantio em 
outubro ou novembro e em março ou abril, deve-se colocar o gado (Pereira et.al., 1999). 
 
 
Figura 7: Capim Andropogon. 
31 
 
 
 
Fonte:Cultivares de Andropogon da Embrapa, 2023. 
 
 
2.2.3.2 Pastagens Cultivadas 
 
A região amazônica brasileira possui cerca de 67 milhões de hectares de área inundável, 
o que representa aproximadamente 13% da superfície regional. Nessa enorme área, estão 
incluídas as terras inundáveis de aluvião recente, denominadas várzeas, as quais acompanham 
o rio Amazonas, seus afluentes, subafluentes e lagos, com larguras que variam de poucos 
metros, nos igarapé, a vários quilômetros, em alguns trechos do rio principal (Sioli 1951, 
Nascimento & Homma 1984). 
No início dependeu do colonião, passou ao pangola, depois ao gordura e posteriormente 
às braquiárias. Em 1976, pela “recuperação de pastagens”, visando “fazer o certo e bem feito”, 
retornou-se ao colonião, finalmente tratado como cultura. Da mesma forma, na Amazônia, 
houve o ciclo do colonião, exuberante quando plantado nas cinzas da floresta, o da humidicola, 
e por último, o do “quase milagroso” braquiarão, hoje vítima de sua própria monocultura. 
Dentro de uma visão empresarial, a pecuária tem que reduzir suas margens de risco. O passado 
tem mostrado que toda monocultura na Amazônia tem alto risco (Sioli 1951, Nascimento & 
Homma 1984). 
Esse sistema não tem provocado significativos danos ambientais, pois utiliza áreas 
menores e já alteradas. As pesquisas têm demonstrado bons resultados no desempenho 
produtivo e econômico, na 14 terminação de bovinos e bubalinos, o que permite que os animais 
atinjam mais entre 400 kg e 450 kg de peso vivo, com idade inferior a dois anos. Por outro lado, 
nunca a pesquisa esteve em posição tão confortável em termos de oferta de germoplasma 
forrageiro de diversos gêneros como Panicum, Cynodon, Pennisetum, Brachiaria e 
Andropogon. Manejo inadequado e, principalmente, o declínio da disponibilidade de nutrientes 
32 
 
no solo, principalmente o fósforo, tem sido a principal causa da perda de produtividade das 
pastagens (Sioli 1951, Nascimento & Homma 1984). 
2.2.3.3 Pastagens Nativas 
 
Na Amazônia brasileira, considerando-se as características hidrológicas, edáficas e 
florísticas, as pastagens nativas são classificadas em três principais ecossistemas: 1 – savanas 
bem drenadas, que compreendem os campos cerrados, em seus diversos gradientes de estratos 
herbáceos; 2 - savanas mal drenadas, em seus gradientes de inundações, cujo protótipo são as 
pastagens nativas da Ilha de Marajó; e 3 - pastagens nativas de solos aluviais, representadas 
pelos campos de várzeas, sujeitos a regimes de inundações periódicas. Estima-se que nesta 
região existam cerca de 75 milhões de hectares de pastagens nativas, sendo 50 milhões em terra 
firme e 25 milhões em terra inundável (Júnior & Garcia, 2008). 
As pastagens nativas de solos aluviais de várzeas estão localizadas ao longo das 
margens do rio Amazonas e de seus afluentes, lagos de água barrenta e áreas do estuário. As 
maiores extensões dessas pastagens se encontram nas sub-regiões do Baixo e do Médio 
Amazonas e parte da ilha de Marajó, que são as mais importantes áreas de criação de gado no 
Estado do Pará, ilha do Careiro e região dos Autazes, no Estado do Amazonas, e cerca de 11,7 % 
da área do Estado do Amapá, que são influenciadas pelas águas barrentas do estuário do rio 
Amazonas (Júnior & Garcia, 2008). 
Por outro lado, as pastagens nativas da ilha de Marajó são ecossistemas estáveis, 
explorados pela pecuária de corte, em sistema de manejo extensivo, há mais de 300 anos, com 
níveis reduzidos de degradação. As pastagens nativas de área inundável, principalmente aquelas 
das regiões do Baixo e Médio Amazonas, têm desempenhado um papel de grande relevância 
no contexto da pecuária regional. As principais limitações dessas pastagens são as dificuldades 
de manejo dos rebanhos na estação das cheias, quando as áreas de pastagem permanecem 
praticamente inundadas. Quando a cheia é prolongada os prejuízos são consideráveis (Júnior & 
Garcia, 2008). 
As pastagens nativas de várzeas têm representam papel fundamental no 
desenvolvimento da criação de búfalos na Amazônia brasileira, por possuírem elevado 
potencial de produção de forragem de bom valor nutritivo. Essas pastagens estão localizadas às 
margens do rio Amazonas e de seus afluentes, lagos de água barrenta e áreas do seu estuário. 
33 
 
As maiores extensões dessas pastagens se encontram nas microrregiões do Baixo e do Médio 
Amazonas e parte da ilha de Marajó (Júnior & Garcia, 2008). 
Com referência à alimentação animal, as gramíneas representam um dos principais 
componentes desse ecossistema e são chamadas de "anfíbias", por sobreviverem flutuando ou 
submersas na época das enchentes dos rios, vegetando durante a vazante das águas, na época 
das cheias dos rios, que coincide com o período chuvoso, ficam inacessíveis ao pastejo dos 
animais. Nessa época, somente os bubalinos podem melhor utilizá-las Nas pastagens de várzeas 
consumidas por bubalinos predominam as gramíneas: Echinochloa polystachya, Hymenachne 
amplexicaulis, Paspalum fasciculatum, Paspalum repens, Leersia hexandra e Oryza sp (Júnior 
& Garcia, 2008). 
As gramíneas que compõem as pastagens nativas de várzeas possuem elevado potencial 
de produção e bom valor nutritivo, com teor médio de proteína bruta de 13,3% e digestibilidade 
“in vitro” da matéria orgânica de 52,3%. Os solos são de boa fertilidade e ficam inundados 
durante seis meses por ano, de janeiro a julho, recebendo deposição de sedimentos em 
suspensão nas águas do Rio Amazonas e de seus afluentes (Júnior & Garcia, 2008). 
Os minerais das forrageiras são suficientes para atender o nível de manutenção e 
produção animal. Portanto, o grande problema é a inundação das pastagens pelas águas dos rios. 
Até os anos 50, a pecuária de búfalos na Amazônia era baseada em pastagens nativas. O efetivo 
era pequeno, devido à baixa capacidade de suporte das pastagens, reduzida disponibilidade de 
forragens e de baixo valor nutritivo. A partir da década de 60 essa atividade começou a ser 
desenvolvida, também, em pastagens cultivadas de terra firme, ou em sistemas integrando as 
duas condições (Júnior & Garcia, 2008). 
2.2.3.4 Produção de Pastagem 
 
Nativa nas pastagens nativas da ilha de Marajó, de reduzida disponibilidade de forragem 
e baixo valor nutritivo, com suplementação mineral, búfalos machos das raças Mediterrâneo, 
Carabao e Jafarabadi, alcançaram pesos, aos dois anos de idade, de 369 kg, 323 kg e 308 kg, 
respectivamente. Em outro ecossistema, as pastagensnativas de várzeas da microrregião do 
Médio Amazonas, machos bubalinos, também, com dois anos de idade, do tipo rio e das raças 
Mediterrâneo, Carabao e Jafarabadi, alcançaram pesos de 3336 kg, 402 kg, 338 kg e 328 kg, 
respectivamente. As fêmeas atingiram pesos de 320 kg, 373 kg, 326 kg e 326 kg, na mesma 
ordem (Júnior & Garcia, 2008). 
34 
 
No mesmo ecossistema, os ganhos de peso de búfalos Murrah e Mediterrâneo variaram 
de 0,114 a 0,692 kg/animal/dia, devido a influências climáticas. Em fêmeas observaram perda 
de 0,003 kg e ganho de 0,426 kg, cuja variação está associada, principalmente, às condições 
hidrológicas e hídricas, com consequência a disponibilidade e valor nutritivo da forragem, bem 
como na sua composição botânica. Melhores desempenhos nesses ecossistemas são obtidos 
quando os animais são manejados em pastagem onde predomina, no estrato herbáceo, 
gramíneas de boa disponibilidade de forragem e qualidade como E. polystachya, H. 
amplexicaulis, L. hexandra, Oryza spp, P. repens (Júnior & Garcia, 2008). 
Na pastagem com predominância de P. fasciculatum, gramínea de baixo valor nutritivo 
e reduzida disponibilidade de forragem, os desempenhos ponderais são mais reduzidos, a 
melhor época para a engorda dos animais nas pastagens das microrregiões do Baixo e Médio 
Amazonas ocorre de julho a dezembro. Todavia, existem outros fatores que influem no 
desempenho dos animais, tais como nível das águas dos rios, ataque de insetos hematófagos e 
quantidade de chuvas nesse período (Júnior & Garcia, 2008). 
2.2.3.5 Produção em Pastagem Cultivada 
 
Em sistemas de criação de búfalos em pastagens cultivadas, em terra firme, para 
produção de carne, em sistemas tradicionais de criação, utilizando, principalmente pastejo 
contínuo, em diferentes locais da Amazônia, os ganhos de pesos diários médios variam de 0,331 
a 0,686 kg (Júnior & Garcia, 2008). 
Em sistemas de pastejo rotacionado intensivo, com a incorporação de tecnologias que 
elevam a produtividade sustentada da pecuária, permitem incorporar as imensas áreas de 
pastagens degradadas ao processo produtivo, evitando aberturas de novas fronteiras 
agropecuárias, em florestas tropicais, os búfalos apresentam elevado potencial para a produção 
de carne. As pesquisas evidenciam que em sistemas intensivos de pastejo rotacionado, em 
pastagem cultivada, com fertilização, os búfalos atingem peso vivo com cerca de 500 kg, com 
idade inferior a dois anos (Júnior & Garcia, 2008). 
Na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, Pará, Brasil, búfalos da raça Mediterrâneo, 
em pastagens de Panicum maximum, cv. Tobiatã e Brachiaria humidicola, em sistema de 
pastejo rotacionado intensivo, com fertilização, utilizando módulos de seis piquetes, com 
período de ocupação de quatro a sete dias e descanso de 20 a 35 dias, obtiveram ganhos por 
35 
 
hectare de três a quatro vezes superiores aos encontrados no sistema tradicional da região, com 
taxa de lotação de 1,5 a 3,2 U.A./ha/ano (Júnior & Garcia, 2008). 
O ganho de peso/ha/ano foi de 442 a 649 kg, e média diária de 474 a 0,524 kg/cab, o 
que representa ganhos de peso diário/ha de 1,422 kg a 1,778 kg. A receita líquida variou entre 
R$ 235,00 e R$ 470,00/ha/ano. A média de disponibilidade total de forragem variou de 4.017 
a 4.246 kg de matéria seca MS/ha/ano, na entrada dos animais no piquete, ficando um resíduo 
médio de forragem de 2.574 a 2.621 kg de MS/ha/ano, na saída dos animais do piquete. Os 
níveis médios de proteína bruta (PB) na folha variaram de 9,5% a 12,8% e a digestibilidade “in 
vitro” da MS na folha foi de 53% a 60% (Júnior & Garcia, 2008). 
2.2.3.6 Produção com Suplementação 
 
Os sistemas de produção de carne de búfalos podem ser significativamente 
incrementados com o uso de suplementação alimentar, existem várias alternativas, dentre as 
quais se destaca a administração de subprodutos da agroindústria como ingredientes para a 
elaboração de rações que podem atender as demandas nutricionais para produção de carne e ou 
leite de búfalos, com baixo custo. Os farelos de trigo, milho, soja, bem como as tortas de coco, 
dendê, babaçu, além dos resíduos de cervejaria, indústria de sucos e restos de culturas agrícolas 
constituem fontes de suplementação (Júnior & Garcia, 2008). 
Na ilha de Marajó, machos bubalinos da raça Murrah engordados em pastejo contínuo 
de B. humidicola, na taxa de lotação de 2 animais/ha, ganharam, em média, 0,730 kg e 0,741 
kg, com 2 e 4 kg/animal/dia de suplementação alimentar, respectivamente, no período de 
estiagem (julho a dezembro), enquanto as fêmeas 0,860 e 0,832 kg, na mesma ordem. A ração 
continha 59% de farelo de trigo, 39% de torta de dendê e 2% de minerais. Em sistemas de 
pastejo rotacionado semi intensivo de Brachiaria humidicola, em Belém, Pará, Brasil, com 
suplementação alimentar constituída de 1 kg de farelo de trigo, com 2% de mistura mineral, 
para cada 200 kg de peso vivo e 10 kg de cana-de-açúcar (Saccharum officinarum) /animal, 
machos búfalos das raças Murrah e Mediterrâneo ganharam peso diário de 0,971 kg e 0,877 kg, 
respectivamente (Júnior & Garcia, 2008). 
A receita líquida indicou que esta tecnologia incrementa a performance produtiva e 
econômica do sistema de engorda de búfalos em pastagem suplementada. Em sistemas de 
pastejo rotacionado intensivo de Brachiaria humidicola, em Belém, Pará, Brasil, a 
suplementação alimentar constituída de ração concentrada, com cerca de 13% de proteína bruta 
36 
 
e 60% de nutrientes digestíveis totais, constituída de farelo de milho (70%), farelo de trigo 
(20%) e farelo de soja tostada (10%), na relação de 1 kg para cada 150 kg de peso vivo, elevou 
em apenas cerca de 5% o desempenho ponderal de bubalinos da raça Murrah 0,485 kg vs. 0,464 
kg (Júnior & Garcia, 2008). 
A gramínea possuía, na folha, teores proteicos que suplantaram os níveis considerados 
críticos para balanço positivo de nitrogênio (6%), a avaliação econômica indicou que não é 
interessante suplementar búfalos em engorda, durante o período mais chuvoso, provavelmente 
devido à maior oferta de forragem de melhor valor nutritivo. O melhor desempenho na 
produção de carne pode ser obtido com uso de gramíneas, mais suplementação alimentar, 
basicamente na época de estiagem (Júnior & Garcia, 2008). 
A proibição do uso de anabolizantes pela maioria dos países, inclusive o Brasil, justifica 
o esforço para se encontrar uma alternativa para suplementar búfalos, basicamente quando a 
forragem é de menor valor nutritivo. Assim o uso de aminoácidos livres, provenientes de uma 
fonte externa, com minerais e vitaminas constitui fonte suplementar para favorecer o abate 
precoce de búfalos (Júnior & Garcia, 2008). 
A aplicação de um produto resultante da hidrólise ácida e enzimática de órgãos bovinos 
associado a aminoácidos, minerais e vitaminas, visando abater búfalos Murrah precocemente, 
em pastagem cultivada de Brachiaria humidicola, sob pastejo rotacionado intensivo, indicam 
que para os animais que receberam o suplemento tiveram um desempenho superior, alcançando 
peso de abate de 422 kg, aos 20 meses de idade, o que correspondeu a ganho de peso diário de 
0,649 kg, enquanto os animais testemunha atingiram 410 kg, com ganho diário de 0,548 kg 
(Júnior & Garcia, 2008). 
2.2.4 Estratégias Nutricionais para Búfalos 
 
Verma et al. (2009), avaliaram dietas com três níveis de proteína (100%, 90%e 80%) 
em relação aos requisitos recomendados por Kearl (1982) utilizando ensaio de digestibilidade 
em búfalos jovens da raça Murrah. Os autores observaram menor digestibilidade e ingestão de 
proteína em búfalos alimentados com nível mais baixo de proteína (80%) em relação às demais 
dietas e concluíram que dietas formuladas com 90% e 100% dos requisitos de proteína 
recomendados. 
Búfalos alimentados com baixo nível de proteína apresentam menor exigência de 
proteína para manter os bovinos nas mesmas condições, isto se deve a uma melhor reciclagem

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