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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DA AMAZÔNIA CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA YAMILLÊ DE LOURDES MORAIS SILVA ASPECTOS DA NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DE BÚFALOS NA MESORREGIÃO DO BAIXO AMAZONAS, ESTADO DO PARÁ. BELÉM - PA 2024 YAMILLÊ DE LOURDES MORAIS SILVA ASPECTOS DA NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DE BÚFALOS NA MESORREGIÃO DO BAIXO AMAZONAS, ESTADO DO PARÁ. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado ao curso de graduação em Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural da Amazônia, como parte das exigências para obtenção do título de Bacharel em Medicina Veterinária. Orientador: Prof. Dr. Bruno Moura Monteiro. BELÉM – PA 2024 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Bibliotecas da Universidade Federal Rural da Amazônia Gerada automaticamente mediante os dados fornecidos pelo(a) autor(a) S586a Silva, Yamillê de Lourdes Morais ASPECTOS DA NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DE BÚFALOS NA MESORREGIÃO DO BAIXO AMAZONAS, ESTADO DO PARÁ / Yamillê de Lourdes Morais Silva. - 2024. 42 f. : il. color. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) - Curso de Medicina Veterinária, Campus Universitário de Belém, Universidade Federal Rural Da Amazônia, Belém, 2024. Orientador: Prof. Dr. Bruno Moura Monteiro 1. Nutrição de Búfalos . I. Monteiro, Bruno Moura , orient. II. Título CDD 016.636084 YAMILLÊ DE LOURDES MORAIS SILVA ASPECTOS DA NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO DE BÚFALOS NA MESORREGIÃO DO BAIXO AMAZONAS, ESTADO DO PARÁ. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal Rural da Amazônia, como parte das exigências do Curso de Graduação em Medicina Veterinária. Defesa em 21 de fevereiro de 2024 BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Bruno Moura Monteiro- Orientador Universidade Federal Rural da Amazônia Prof. Dr. Rinaldo Batista Viana Universidade Federal Rural da Amazônia Prof. Dr. José Ledamir Sindeaux Neto Universidade Federal Rural da Amazônia AGRADECIMENTOS A Deus, que sem ele eu não teria forças para lutar pelo meu sonho. A minha Mãe, por ser tudo para mim, meu refúgio, minha calma, minha parceira, por me entender tão bem, por sempre acreditar na minha capacidade mesmo eu desacreditando, vencemos juntas, graças a seu amor, carinho e zelo, suas orações foram essenciais para chegar onde cheguei. Ao meu pai, que em todos os momentos estava ao meu lado, mesmo de longe se fez presente todos os dias, minha força vinha das orações, carinho e amor que você sempre me ensinou a buscar e ter. A minha família, a parte mais difícil foi deixar de lado a rotina com vocês, foi sofrer todos os dias com saudades do ben e do neto, mas é saber que tudo foi por um propósito muito maior, vocês sempre estiveram comigo mesmo com a distância me apoiando. Ao Prof. Dr. Rinaldo Batista Viana, que é meu orientador de ESO e tutor do PETVet, por fazer de mim quem eu sou hoje, por me aceitar, por me mostrar onde eu poderia chegar, por me abrir oportunidades que sempre sonhei, por fazer ser possível realizar meus sonhos, minha gratidão e carinho eterno por tudo. Ao Prof. Dr. Bruno Monteiro, que é meu orientador de TCC que me aceitou e me ensinou tantas coisas, que tem uma paciência, uma calma, que sempre foi tão generoso e amoroso em todos os momentos. Aos amigos da Ufra, que se tornaram minha família nos últimos 5 anos, que foram minha calma, meu equilíbrio, meu amparo, na rotina corrida da faculdade sempre estivemos juntos, um apoiando o outro sempre (Camila, Bruna, Patricia,Kevin,Gabriel) vocês foram essenciais para que esse sonho se realizasse, Taína Beckman (in memoriam),sempre em nossos corações. Aos amigos do PETVet e GAIA, pela receptibilidade, carinho e parceria que sempre tivemos uns com os outro, essa família sempre será dita por mim como a melhor, pois nossos esforços são sempre recompensados, João lucas e Camille Samara e André Mendonça (in memoriam), foi um prazer trabalhar com vocês e conviver um pouco, seguimos levando o nome de vocês para sempre. Aos meu amigos da vida, por se fazerem presente durante todos esses anos, sempre ao meu lado, vocês foram essenciais nessa jornada em especial quem conviveu e se fez presente sempre que podia, Danilo, Yury, Ingrid, Lucas, Camila, Kawanny, Gustavo, Maria, Leandro, Italo, Álvaro, Lorena, Larissa vocês são a família que escolhi para amar. Ao grupo Gecria, por me receber, me ensinar, pela leveza, carinho e tudo que vivemos nos 3 meses de estágio, amizades e, todo conhecimento repassado, agradecimentos especial a Viviani e a Karen, acompanhar vocês foi incrível, que sorte a minha. “Da sua vulnerabilidade virá sua força” -Freud RESUMO Esta revisão tem como objetivo fazer um levantamento de informações acerca do manejo nutricional de bubalinos no baixo amazonas, uma vez que o manejo nutricional é uma medida utilizada para auxiliar no manejo reprodutivo e da saúde dos animais, contribuindo para a obtenção de resultados econômicos positivos. A nutrição tem como objetivo contribuir para um melhor desenvolvimento do animal em diferentes tipos de alimentação, os búfalos são uma valiosa alternativa na agropecuária em diversos países do mundo, por conta da sua alta produção de carne e leite. Na região do baixo Amazonas, a nutrição dos búfalos é fundamental para garantir sua saúde e produtividade, devido ao ambiente úmido e rico em vegetação, a base da dieta dos búfalos geralmente consiste em pastagens nativas e forragem de boa qualidade, sendo essencial considerar as variações sazonais na disponibilidade e qualidade da forragem, além de monitorar as necessidades nutricionais dos animais ao longo do ano. Palavras-chave: Nutrição, Baixo Amazonas, Bubalinos, Produção. ABSTRACT This review aims to collect information about the nutritional management of buffaloes in the lower Amazon, since nutritional management is a measure used to assist in the reproductive and health management of animals, contributing to obtaining positive economic results. Nutrition aims to contribute to better development of the animal in different types of food, buffaloes are a valuable alternative in agriculture in several countries around the world, due to their high production of meat and milk. In the lower Amazon region, buffalo nutrition is essential to ensure their health and productivity, due to the humid and vegetation-rich environment, the basis of the buffalo diet generally consists of native pastures and good quality forage, and it is essential to consider variations seasonal changes in the availability and quality of forage, in addition to monitoring the animals' nutritional needs throughout the year. Keywords: Nutrition, Low Amazon, Buffaloes, Production. LISTA DE FIGURAS Figura 1. Búfalo da raça Carabao… ........................................................................................ 13 Figura 2. Búfalo da raça Jafarabadi ........................................................................................ 14 Figura 3. Búfalo da raça Murrah… .........................................................................................37 da uréia com economia de nitrogênio. Já com excesso de proteína na dieta, peptídeos e aminoácidos são desviados para produção de energia, gerando perda econômica no sistema de energia uma vez que a comercialização de alimentos proteicos é feita com custos mais altos que os energéticos (Zicarelli, 2001). A nutrição eficiente de ruminantes depende também da combinação adequada de fontes de alimentos proteicos com alimentos energéticos além de concentração de vitaminas e minerais em relação à espécie de ruminantes e sua distribuição, tendo em vista os diversos tipos de alimentos e a ação da microbiota ruminal e as características fisiológicas peculiares de cada espécie animal (Zicarelli, 2001). A qualidade e a quantidade de proteína na dieta podem alterar tanto o mecanismo físico como quimiostático do consumo alimentar dos ruminantes, uma proteína bruta em nível abaixo de 7% na dieta com baixa disponibilidade de nitrogênio pode reduzir a digestão da fibra e, consequentemente, reduzir o consumo devido à lenta passagem dos alimentos pelo rúmen (Zicarelli, 2001). Padrões nutricionais não só oferecem uma orientação satisfatória para a formulação de rações evitando a super ou sub-alimentação como são utilizados no planejamento de compras anuais de alimentos ou na decisão de cultivo de alimentos forrageiros, alguns países avançados desenvolveram seus próprios padrões alimentares com base em experimentos conduzidos com seus animais submetidos às condições agro-climáticas existentes em seu país. Os métodos experimentais para estimar necessidades práticas para várias funções em animais de produção têm apresentado constante aprimoramento e, com o passar do tempo, mais informação tem sido gerada descrevendo a contínua relação entre a ingestão de nutrientes e performance dos animais,(Holter et. Al, 1996). Os principais fatores ambientais que influenciam a ingestão de alimentos incluem a temperatura, doenças, fotoperíodo, fatores sociais, confinamento, etc. O consumo voluntário em bovinos é influenciado por temperaturas acima de 25ºC e abaixo de 15ºC. Estudos com raças de clima temperado indicam que em ambiente refrigerado (5 a 15ºC) o consumo se eleva de 2- 5%. Temperatura entre -5 e 5ºC estimulam a ingestão entre 5 e 10% (Fox e Black, 1984). Stress por frio aumenta a taxa de passagem do bolo alimentar e reduz a digestibilidade e também gera um aumento de apetite (Holter et. Al, 1996). 38 O efeito do estresse pelo calor é muito acentuado se não houver noites mais frescas. A ingestão de matéria seca de vacas leiteiras pode ser deprimida cerca de 3,3% para cada ºC acima de 25ºC de temperatura e estes efeitos são aumentados na presença de elevada umidade relativa do ar. Em temperaturas acima de 35ºC, animais em produção podem apresentar uma depressão de 10-35% na ingestão e animais em manutenção podem ter uma redução de 5-20% na ingestão,(Fox e Black, 1984). Padrões de alimentação apropriados para búfalos não estão claramente definidos, havendo grandes diferenças (de até 40%) nos requerimentos nutricionais prescritos por vários padrões de alimentação, a maioria dos padrões existentes para búfalos (Sen et al. 1978; Kearl, 1982, Pathak & Verma, 1993) está baseado em uma ou só algumas tentativas de alimentação, estes padrões não refletem as exigências para diferentes planos de nutrição, qualidade do alimento ou variação individual nas exigências dos animais sob condições tropicais (Sen et al. 1978; Kearl, 1982, Pathak & Verma, 1993). Para a eficiente utilização dos nutrientes da dieta e também para a máxima exploração do potencial genético, os nutrientes necessários para o animal devem estar presentes em quantidades ótimas e balanceadas. A exigência por um determinado nutriente é a quantidade de nutriente necessária para manter o animal em estado saudável onde possa exprimir seu potencial reprodutivo de acordo com o nível de produção desejada em condições específicas de ambiente e alimentação (Paul & Lal, 2010). 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS O manejo de bubalinos deve ser baseado em um planejamento nutricional adequado, garantindo a utilização balanceada, visando a produtividade e qualidade do rebanho, uma dieta equilibrada é essencial para a saúde e produtividade dos búfalos, influenciando diretamente na reprodução, produção de leite e crescimento. As necessidades nutricionais dos búfalos variam de acordo com idade, peso, estágio de reprodução e nível de atividade física, equilibrar a dieta de acordo com esses fatores é importante para ajustar a dieta conforme necessário. Estratégias nutricionais bem planejadas levam em consideração não apenas os nutrientes essenciais para os animais, mas também a disponibilidade e qualidade dos alimentos locais, a sazonalidade e as demandas específicas de cada fase de vida dos búfalos. 39 Investir em pesquisa e práticas nutricionais inovadoras pode resultar em ganhos significativos em termos de produtividade, redução de custos e sustentabilidade ambiental. Portanto, a nutrição de búfalos no Baixo Amazonas não é apenas uma questão técnica, mas também estratégica e econômica para garantir o desenvolvimento sustentável da produção animal na região. 40 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARCURI, P. B.; MATOS, L. L. Microbiologia do Rúmen. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, MG, v. 16, n. 175, p. 5-8, 1992. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE BÚFALOS. Apresentação: as quatro raças no Brasil. [S. l.], 2011. Disponível em: Acesso em: 6 jan. 2024. CAMARGO JÚNIOR, R. N. C. et al.. 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II Simpósio Paulista de Bubalinocultura. Anais. Pirassununga: USP. 1 2001. 2024-04-16T21:29:39-030015 Figura 4. Búfalo da raça Medirerrâneo… ............................................................................... 16 Figura 6 e 7. Capim Quicuio (A) e capim Braquiarão (B). ..................................................... 30 Figura 7. Capim Andropogon… ............................................................................................ .31 SUMÁRIO 1. CONSIDERAÇÕES GERAIS ........................................................................................... 10 2. DESENVOLVIMENTO ..................................................................................................... 12 2.1 Raças de Búfalos ............................................................................................................... 12 2.1.1 O búfalo no mundo .......................................................................................................... 15 2.1.2 O búfalo no Brasil ........................................................................................................... 16 2.1.4 O búfalo na Amazônia ..................................................................................................... 18 2.1.3 O búfalo no Pará .............................................................................................................. 19 2.1.4 A Mesorregião do Baixo Amazonas ............................................................................ 22 2.2 Aspectos morfofisiológicos da nutrição de búfalos ........................................................ 23 2.2.2 Alimentos Utilizados para Búfalos .................................................................................. 26 2.2.3 Alimentação para Búfalos ............................................................................................... 27 2.2.3.1 Pastagem ....................................................................................................................... 27 2.2.3.3 Pastagens Nativas ......................................................................................................... 31 2.2.3.4 Produção de Pastagem .................................................................................................. 33 2.2.3.5 Produção em Pastagem Cultivada ........................................................................... 33 2.2.3.6 Produção com Suplementação ...................................................................................... 34 2.2.4 Estratégias Nutricionais para Búfalos.............................................................................. 36 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 38 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 39 11 1. CONSIDERAÇÕES GERAIS A bubalinocultura se caracteriza por incluir pequenos produtores no cenário produtivo em função de sua rentabilidade, o que vem garantindo seu crescimento nos últimos anos. Devido a sua maior rusticidade, longevidade e adaptabilidade, os búfalos são encontrados em distintas condições edafoclimáticas, apresentando nos trópicos, desempenho que os classificam como animais eficientes, principalmente no melhor aproveitamento de gramíneas, tornando-os excelente alternativa para a produção de carne e leite (Viana, 2017). O búfalo asiático ou búfalo d'água (Bubalus bubalis) é um mamífero de grande porte da família bovidae, originário do sudeste da Ásia, cujas primeiras domesticações de indivíduos datam cerca de 4.000 – 5.000 anos (Sheikh et al., 2006). O búfalo asiático é encontrado em todos os continentes (exceto na Antártida) e possui as formas selvagem e doméstica (Cockrill, 1974). Existem mais de 20 raças conhecidas da Bubalus bubalis no mundo e, dependendo da raça, alguns machos adultos chegam a pesar até 1.000 kg (Zhang et al., 2020). As raças de búfalos existentes no Brasil e na Amazônia são a Mediterrâneo, Murrah, Carabao e Jafarabadi, destinadas à produção de leite e carne e para o trabalho no campo (Bernardes, 2007; Zhang et al., 2020). O Brasil é detentor do maior rebanho bubalino das Américas, o que demonstra a alta capacidade de adaptação da espécie e potencial produtivo no país. (IBGE, 2015). Embora no Brasil, a criação de bubalinos também siga a inclinação mundial de crescimento, ainda não figura entre as alternativas pecuárias mais numerosas e de destaque nacional, isso se deve ao desconhecimento da natureza e das particularidades anatômicas e funcionais dos búfalos, principalmente em relação à qualidade da carne, derivados lácteos, qualidade do couro, e ao modo de criação e condições de manejo (Coelho, 2019). Levantando diversas questões nas quais promovem obstáculos para a entrada do búfalo de forma mais expressiva no mercado brasileiro (Lira et al., 2005) e ( Santos et al., 2016). Na Amazônia brasileira, a bubalinocultura é desenvolvida em sistemas de criação a pasto, utilizando quatro ecossistemas distintos de pastagens: 1 - nativas de áreas inundáveis do estuário, distribuídas na ilha de Marajó, onde se concentra o maior quantitativo de rebanho; 2 - nativas de áreas inundáveis, localizadas nas microrregiões do Baixo e Médio Amazonas; 3 - 12 nativas de terra firme; e 4 - cultivadas de terra firme, em áreas originalmente de floresta (Lourenço Junior, 2008). Com o avanço da tecnologia disponibilizada atualmente pela Embrapa Amazônia Oriental e adotada pelos produtores, a expansão da pecuária nessa região ocorre primeiramente pelo aumento da capacidade de suporte da pastagem e, em seguida, pela vocação da região para a criação de bovinos e búfalos, para produção de carne e leite. Nesse contexto, temos um aumento positivo da produtividade e efeitos benéficos do ponto de vista socioeconômicos e ambientais da Amazônia (Garcia, 2008). A importância econômica na exploração desses animais consiste também nas vantagens proporcionadas quanto à fertilidade, longevidade, eficiência de conversão alimentar e aptidão para a produção de leite, carne e trabalho (Ribeiro, 2006), além de serem animais de grande inteligência e docilidade. A bubalinocultura vem demonstrando ser viável técnica e economicamente, porém a produtividade dos rebanhos de búfalos varia conforme o manejo geral adotado na propriedade e a carga genética existente (Neto et.al.,2010). Em alguns momentos, detectou-se que um dos maiores problemas para os criadores de búfalos é o desconhecimento de alternativas de manejo e, principalmente, a falta de reprodutores selecionados que possibilitem o melhoramento genético dos rebanhos, sobretudo para leite, em relação ao manejo nutricional, a maioria dos criadores de búfalos produzem animais geralmente manejados em sistemas com baixa tecnologia, o que não favorece o animal expressar todo o seu potencial genético (Santos et al., 2014) Dessa forma, por ser uma espécie que se adapta em situações de baixa qualidade de alimentos, o potencial genético fica limitado pelo manejo nutricional e os sistemas de produção ficam aquém do seu potencial (Santos et al., 2014). Quando relacionamos as exigências nutricionais de búfalas em lactação, com o valor nutritivo das pastagens comumente utilizadas em sistemas de baixa tecnologia, em que percebe- se que geralmente há um déficit nutricional, em que, sob via de regra, somente as forragens não atendem as exigências nutricionais das vacas. Dessa forma é cada vez mais comum o uso de suplementação para aumento da produção de leite por lactação, sendo a nutrição a base para o sucesso produtivo (Santos et al., 2014). Com isso, o objetivo do presente trabalho foi realizar uma revisão bibliográfica sobre o manejo nutricional dos bubalinos no Baixo Amazonas, identificando as principais características. 13 2. DESENVOLVIMENTO2.1 Raças de Búfalos A raça Carabao se caracteriza por sua força e musculatura desenvolvida, são originários da Indochina, possuem cabeça triangular, chifres grandes e pontiagudos, voltados para cima e porte médio, é uma raça adaptada a regiões pantanosas e, por isto, apresentam pelagem mais clara em relação às demais raças de búfalos (de Moraes et al., 2016). Esta raça se adaptou ao Brasil, mas é a raça principal do Extremo Oriente, que engloba China, Indonésia, Filipinas, Vietnã, Camboja, Tailândia, etc. Sua aptidão é voltada para o trabalho agrícola, para a tração e para a carne, na ilha do Marajó, no Pará, é destinada à produção de carne, prefere áreas pantanosas em que usa os chifres para se cobrir de lama, ainda que essa preferência por áreas alagadas ou com rios, esteja presente em todas as raças, seus chifres são largos e abertos (Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos, 2011). Figura 1: Búfalo da Raça Carabao. Fonte: Apresentação: as quatro raças no Brasil, 2011 (ABCB). Os búfalos da raça Jafarabadi são originais da Floresta de Gir, península Kathiavar, no oeste da Índia, apresentam comportamento mais dócil e é vantajoso para produção de leite e carne, possuem chifres longos, caídos e voltados para cima com pelagem preta e bem definida (de Moraes et al., 2016). O nome desta raça vem da cidade de Jafarabadi, a oeste da Índia, são animais de cor negra e, possui frente proeminente, os chifres pesados e longos, que tendem a ir até abaixo da direção atrás dos olhos, terminando em formato espiralado até atrás, de todas as raças, é a maior 14 em tamanho, sendo um animal forte de enorme capacidade torácica, com aptidão para produzir leite (Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos, 2011. (ABCB). Figura 2: Búfalo da Raça Jafarabadi. Fonte: Apresentação: as quatro raças no Brasil, 2011 (ABCB). A raça Murrah se caracteriza por chifres curtos, finos e pequenos, curvados para trás e para cima em forma de espiral, os indivíduos dessa raça possuem pelagem preta com um tufo de pelos brancos na ponta da cauda, indicados para a produção de leite, é a principal raça leiteira na Índia, no Brasil se formou em planteis sem raça definida através de importações de animais puros (Lourenço Júnior e Garcia, 2008; Zhang et al., 2020). Originária também da Índia, seu nome no idioma Hindu significa “espiralado” e deriva da formação de seus chifres encaracolados, negros, desde a base até a ponta com a cor da pele e a cor dos pelos negra ou negro-azeviche, são animais maciços, robustos e de conformação profunda, possuem extremidades curtas e ossos pesados, cabeça e orelhas também curtas (Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos, 2011). É considerada excelente raça leiteira, considerada a raça mais numerosa no Brasil e um ótimo investimento para quem quer produzir mozzarellas, a sua produção leiteira é de aproximadamente 1650 litros em 305 dias em medições na Índia (Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos, 2011). 15 Figura 3: Búfalo da Raça Murrah. Fonte: Apresentação: as quatro raças no Brasil, 2011 (ABCB). Os animais da raça Mediterrâneo possuem chifres de desenvolvimento médio, grossos, fortes e recurvados para o alto, apresenta porte médio e pelagem preta ou amarronzada, é comum manchas brancas na cabeça e corpo. É uma raça indicada tanto para o corte quanto para a produção leiteira, trazidos da Itália em diferentes épocas, atualmente é a mais numerosa no Brasil (Lourenço Júnior e Garcia, 2008; Zhang et al., 2020). São búfalos de rios, descendentes de várias raças da Índia, definidos como a raça predominante na Europa e do Mediterrâneo, as cores comuns são negras, cinza escuro e marrom escuro. As manchas brancas são permitidas apenas no extremo da traseira, são animais com despigmentação parcial na íris dos olhos, os chifres são medianos, voltados para trás, com as pontas voltadas para cima e para dentro, formando uma meia-lua, a cara é larga e apresenta pelos largos e esparsos na borda inferior da mandíbula (Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos, 2011). O corpo é robusto em relação ao seu comprimento e as patas curtas e robustas, o peito é profundo e o abdome volumoso, a traseira é curta e em geral é um animal compacto, musculoso e profundo, são animais desenvolvidos para produção de leite. O peso do animal vivo é de 700 a 800 kg para os machos e 600 kg para fêmeas, é excelente para leite, também tem boa aptidão para corte é a segunda raça mais numerosa no Brasil (Associação Brasileira dos Criadores de Búfalos, 2011). 16 Figura 4: Búfalo Raça Mediterrâneo. Fonte: Apresentação: as quatro raças no Brasil, 2011 (ABCB). 2.1.1 O búfalo no mundo A população mundial de búfalos aproxima-se de 200 milhões de cabeças, sendo que a Ásia detém cerca de 196 milhões o que corresponde a 97,42%, seguida da África com 3,7 milhões equivalente a 1,68% do rebanho, América com 1.382.130 milhões significando 0,69%, Europa com 400 mil animais representando 0,2% do rebanho mundial e a Oceania com apenas 265 cabeças que estatisticamente corresponde a 0% (FAO, 2017; COSTA et. al., 2017). Na Europa no período de 1993 a 2001 houve um crescimento de aproximadamente 142% da população de búfalos, especificamente na Itália, devido ao aumento na procura pela mozzarella de búfala (Borghese, 2005). Esse crescimento foi verificado também no Egito, Irã, Azerbaijão e Alemanha devido à alta procura por derivados lácteos, os quais possuem boa aceitação no mercado (Borghese et al., 2011). Além disso, o rebanho bubalino mundial destaca- se como sendo uma das espécies com as maiores taxas de crescimento entre os animais domésticos, que gira em torno de 12% ao ano (FAO, 2017; COSTA et. al., 2017). A origem do búfalo doméstico (Bubalus bubalis), originou a partir do búfalo selvagem (Bubalus arnee), conhecido também como Arni, que habitava a região norte da Índia, Sri Lanka e Indochina. Atualmente esses animais ainda sobrevivem nesses países em manadas selvagens. Há, ao norte da Índia, uma grande quantidade de fósseis de animais nos quais foram encontrados também os de búfalos da era do Plioceno de dois tipos diferentes. Um relacionava-se ao búfalo indiano selvagem e o outro aos búfalos Mindoro, este último encontrado somente na Islândia e Filipinas (Lydekker, 1885; Cockrill, 1974; Mason et al., 1977). 17 Búfalos típicamente herbívoros devido à simbiose que mantém com microorganismos encontrados no seu rúmen a maioria dos búfalos é criada por pequenos produtores, com rebanhos médios de 2-3 animais, exceto na Itália, Síria, Bulgária e América do Sul, onde os rebanhos são maiores (Ranjhan,2003). Na Ásia, pequenos fazendeiros integraram a criação de búfalos com agricultura em sistemas sustentáveis de agricultura-pecuária. Búfalos são criados em sistema extensivos, semi- intensivos e intensivos, onde são mantidos a pasto, a pasto com suplementos ou alimentados em confinamento, respectivamente. Alimentação e nutrição inadequadas têm sido repetidamente apontadas como o principal problema nos sistemas de produção em todo o mundo, principalmente na Ásia e África (Lal, 2010). A maioria dos búfalos é criada em área tropical caracterizada por apresentar períodos secos e chuvosos bem delimitados, nestas condições os búfalos se desenvolvem melhor que os bovinos em função da maior capacidade de aclimatação, resistência às intempéries ambientais, adaptação em ambientes pantanosos e, principalmente, por possuir maior capacidade de digerir forragens com maior teor de fibra bruta (Kamal et al, 1993) Para que os búfalos demonstram esta maior capacidade de produção nas regiões tropicais é importante disponibilizar condições ambientais semelhantes a aquelas em que a espécie foi selecionada, com sombreamento para reduzir a incidência de radiação solar diretamente à pele dos animais eágua para ingestão em abundância (Kamal et al, 1993). 2.1.2 O búfalo no Brasil No Brasil, a criação de bubalinos segue a inclinação mundial de crescimento, porém ainda não figura entre as alternativas pecuárias mais numerosas e de destaque nacional. Isso se deve ao desconhecimento das particularidades anatômicas e funcionais dos búfalos, principalmente em relação à qualidade da carne, derivados lácteos, qualidade do couro, e ao modo de criação e condições de manejo (Bernardes, 2007). Dentre os obstáculos para a entrada do búfalo de forma mais expressiva no mercado brasileiro Santos et al. (2016) e destacam a fragilidade do status sanitário dos rebanhos bubalinos, quando comparados aos zebuínos, os bubalinos mostram-se produtivamente e economicamente superiores, evidenciando suas características de adaptabilidade e maior aproveitamento da forragem de menor qualidade, conferindo maior produção por animal (Santos et al., 2016). 18 O bubalino no Brasil compreende, segundo dados do MAPA (2017), cerca de 1,4 milhões de cabeças, sendo que mais da metade desse efetivo é criado no Pará (≅ 500 mil) e no Amapá (≅ 300 mil); regiões onde sabidamente predomina o ambiente pastoril. Embora não exista uma estimativa confiável sobre a ingestão de grãos e seus subprodutos por búfalos no Brasil, acredita-se que mais de 95% dos animais não ingerem nenhum tipo de alimento concentrado. Ou seja, uma imensa parte da população bovina e bubalina nacional jamais ingere grãos/subprodutos durante sua existência (Shalash et al., 1968; Nascimento & Moura Carvalho 1973 e Ramos et aI., 1982). Nas propriedades se tem um manejo nutricional, o mesmo se encontra de forma inadequado, seguem uma suplementação com poucos minerais. aproximadamente 10 milhões de hectares na Amazônia, são cobertos por pastagens nativas e o aproveitamento destes campos com bubalinos se torna necessário em função da necessidade de carne e leite na região que importa estes produtos (Shalash et al., 1968; Nascimento & Moura Carvalho 1973 e Ramos et aI., 1982). Os índices pluviais estão na faixa de 1.200 mm e 3.500 mm e as chuvas se distribuem em duas épocas bastante distintas. A primeira vai de dezembro a janeiro até maio ou junho e, neste período, as chuvas são intensas em decorrência da acentuada ação intertropical de convergência. A segunda é menos chuvosa e se caracteriza pelas chuvas de caráter convectivo abrangendo os demais meses do ano, notando-se bastante diferenciação com relação ao período de estiagem, sendo este mais acentuado nas áreas alta e litorânea. Uma variante destes padrões se verifica nas latitudes do Território Federal de Roraima, onde as chuvas ocorrem de abril a outubro e a estiagem de novembro a março (Shalash et al., 1968; Nascimento & Moura Carvalho 1973 e Ramos et aI., 1982). 2.1.4 O búfalo na Amazônia Do ponto de vista biológico, a pecuária bubalina é favorecida na Amazônia pelo clima, solo, variabilidade genética das forrageiras, adaptabilidade do animal e espaço físico, as variáveis climáticas proporcionam crescimento vegetativo das forrageiras durante o ano inteiro. O solo, com boas propriedades físicas, necessita e deve ser fertilizado, para manter a produtividade e longevidade da forrageira, sua variabilidade genética das forrageiras permite enfrentar as adversidades do trópico úmido. Existem animais com potencialidade genética para produção de carne e leite, em níveis satisfatórios, enquanto a terra, relativamente barata, constitui fator importante no custo de produção (Júnior & Garcia, 2008). 19 Na Amazônia, durante muito tempo, a produção de carne foi considerada a principal atividade da bubalinocultura entretanto, atualmente, a exploração leiteira começa a ocupar espaços, considerando-se a potencialidade desta espécie em produzir leite com baixos custos e elevado rendimento na industrialização, bem como a demanda da população por seus derivados. Além de dinâmica, a bubalinocultura na Amazônia é bastante diversificada, sendo os animais submetidos a variadas modalidades de manejo, diferenciadas conforme as características econômicas e sociais de cada sistema de produção (Júnior & Garcia, 2008). Os pequenos criadores, geralmente possuem somente pastagens nativas de terra inundável e usam marombas (currais suspensos) para manter seus animais livres das enchentes. Esses, invariavelmente deparam-se com altos prejuízos, devido à perda de peso, retardamento da idade de abate, reduzida reprodutividade e até morte. Os criadores de tamanho médio possuem, além de pastagem nativa de terra inundável, áreas localizadas na terra firme, para onde transportam seus animais nos períodos críticos das enchentes. Essas áreas, entretanto, são constituídas de forragens nativas de baixo valor nutritivo. Existem, ainda, os grandes criadores que possuem os três tipos de ecossistemas, isto é, pastagem nativa de terra inundável, pastagem nativa de terra firme e pastagem cultivada de terra firme, estar de bom valor nutritivo (Júnior & Garcia, 2008). No manejo zootécnico e sanitário dos rebanhos, verifica-se baixo nível de tecnificação, principalmente entre os pequenos e médios criadores, ainda não estão suficientemente adotadas as tecnologias geradas sobre as relações entre as diferentes variáveis de ambiente, tais como clima, alimentação, práticas de manejo e instalações rurais, e os estados patológicos e fisiológicos dos rebanhos (Júnior & Garcia, 2008). A baixa rentabilidade da pecuária nos sistemas tradicionais de criação torna essa atividade pouco atrativa economicamente, com o prognóstico de que a médio e longo prazos, somente permanecerão nela os que forem competentes para se adaptarem à nova realidade das mudanças econômicas, à oferta de outras fontes de proteína animal e à criação de mercados comuns. A pecuária em pastagens cultivadas da Amazônia tem sido estigmatizada como responsável pela baixa eficiência do uso da terra, o pioneirismo e o reduzido uso de insumos e tecnologia dos anos 60 e 70, têm sido substituídos por sistemas mais produtivos e de pastagens perenes, como fruto do uso de tecnologias, tais como o sistema de pastejo rotacionado intensivo, na produção de carne a pasto (Júnior & Garcia, 2008). 20 2.1.3 O búfalo no Pará A bubalinocultura brasileira apresentou, nos últimos anos, aumento em seu rebanho efetivo, passando de 885.119 cabeças em 2006 para 1.365.636 em 2015, crescimento de 35,18%. Este aumento corresponde a 2,8 vezes mais que o crescimento do rebanho bovino compreendendo o mesmo intervalo (IBGE, 2016). Dentre os estados do Brasil, o Pará detém o maior rebanho, com 522.250 cabeças, seguido pelos estados do Amapá (284.770) e São Paulo (90.873) (IBGE, 2016) Ao analisarmos as características edafoclimáticas das regiões que apresentam maior rebanho de bubalinos no estado do Pará (região do baixo amazonas), percebe-se características peculiares, como terras alagadas durante longos períodos do ano, alta umidade relativa o ano todo e chuvas mais frequentes do que em outras regiões. Dessa forma, todas essas características climáticas, dificultam a criação de outras espécies de ruminantes, principalmente pelos solos alagados, enquanto a criação de bubalinos torna-se possível, tal situação, faz com que a bubalinocultura nessas regiões se expanda cada vez mais. Além disso, se tratando de cenário nacional, outro fator importante que contribuiu com a expansão da bubalinocultura é o aumento da quantidade e qualidade dos programas de melhoramento genético para a espécie, que foi muito precário no Brasil até 2006, no entanto, nos últimos anos têm apresentado excelente evolução (Marcondes, 2011), O principal centro de produção bubalina é o Arquipélago do Marajó. O Pará registra um crescimento superior a 30% do rebanho, em comparação a 2019, quando totalizava 20.692.100 animais. O crescimento é resultado de aporte tecnológicoe ações de sustentabilidade, o que pode ser observado na tecnificação da criação de animais, que inclui rotatividade e adubação do pasto, que permite melhor aproveitamento da área e maior lotação de animais; controle sanitário e melhoria genética dos animais, permitindo o abate a partir dos 18 meses, o que antes exigia 60 meses (Adepará, 2023). A suplementação mineral, em criação de búfalos na Amazônia, é pouco usada e quando empregada consiste no fornecimento de misturas que normalmente não atendem às exigências dos animais. Essa norma é comum nas criações, cuja alimentação predominante são as gramíneas nativas de várzea ou de solos sujeitos a inundações periódicas por rios de águas barrentas (Marques, 1998). 21 A Embrapa Amazônia Oriental tem recomendado, ainda quando não se havia constatado alta deficiência de algum mineral limitante na vida do animal, uma mistura econômica, fácil de ser preparada na fazenda, com os elementos mais necessários aos animais e que pode ser usada em toda e qualquer condição de criação de búfalos. Mistura mineral: Farinha de ossos (50 a 80 kg), Sal comum iodado (50 a 20 kg), Sulfato de cobre (0,12 a 0,24 kg), Sulfato de cobalto (0,05 a 0,15 kg). Essa mistura deve ser fornecida à vontade em cochos cobertos, esperando-se um consumo médio de 50 gramas/cabeça/dia, cada piquete deve dispor de pelo menos um cocho (Marques, 1998). Quando o sistema de alimentação usado requer uma suplementação alimentar com concentrados, um sistema prático e econômico de mineralização do rebanho é o fornecimento da mistura mineral juntamente com o suplemento proteico-energético, na proporção aproximada de 50 gramas/cabeça/dia (Marques, 1998). Com a tecnologia disponibilizada pela Embrapa Amazônia Oriental e adotada pelos produtores, sobre recuperação e manejo de pastagens, a pecuária na Amazônia passou a ser uma atividade bioeconômica viável, globalmente competitiva, ecológica e socialmente correta. A expansão da pecuária nessa região deverá ocorrer primeiramente via aumento da capacidade de suporte da pastagem e, em seguida, pela recuperação de áreas alteradas, sem necessidade de novas incorporações de segmentos da floresta (Júnior & Garcia, 2008). Os sistemas de pastejo rotacionado intensivo - SPRI, apesar dos investimentos iniciais, apresenta vantagens em termos de sextuplicar a produtividade da terra, viabilizando a pecuária em áreas de pastagens degradadas, evitar o desmatamento de áreas de floresta densa, promover a recuperação de áreas que não deveriam ter sido desmatadas e outras que constituem motivo de preocupação ambiental (Júnior & Garcia, 2008). A prática de queima de pastagens, para promover a limpeza de juquira e de uma fertilização declinante torna-se desnecessária, evitando-se o perigo de incêndios florestais e viabilizando atividades, como a de reflorestamento pelo menor risco de fogo. Uma conclusão importante que se depreende das três situações analisadas é o alto custo das tecnologias intensivas em relação ao sistema tradicional de derrubada e queima de áreas de florestas (Júnior & Garcia, 2008). Atualmente, o SPRI tem sido relevante para a pecuária bubalina regional, pois apresenta superioridade produtividade/ha, possibilidade de perenização das pastagens e, ao 22 longo dos anos, melhoram as qualidades físico-químicas e microbiológicas do solo, bem como preservam o ambiente, evitando a pressão de desmatamento de novas áreas de florestas. É importante ressaltar que a pecuária da Amazônia enfrenta o grave problema da degradação das pastagens, o que favorece a obtenção de resultados biológicos e econômicos pouco eficientes nos sistemas de aproveitamento dos solos (Júnior & Garcia, 2008). As inovações tecnológicas na pecuária do Estado do Pará são de fundamental importância para atingir elevados índices de produção, com sustentabilidade biológica, econômica, social e ambiental, as informações dos sistemas produtivos são armazenadas ou anotadas em papeis, que além de fácil extravio, agregam pouco em praticidade e rapidez, no processo de informação, a perda dos dados, durante o manejo, interfere na exatidão das informações de cada animal (Júnior & Garcia, 2008). O manejo das informações de controle animal requer uma dose de organização crescente, onde a melhor ferramenta para gerenciar as mesmas é a tecnologia, ou seja, dados armazenados em um computador, que com o auxílio de um sistema especializado, transformará essa tarefa em uma prática mais simples e acessível. A utilização de tecnologia da informação possibilitará o controle de dados de grande parte das etapas de produção animal a pasto. Com o acúmulo de informações inerentes aos animais, será possível estimar soluções e recomendações que objetivem menores gastos e maiores lucros ao produtor (Júnior & Garcia, 2008). 2.1.4 A Mesorregião do Baixo Amazonas A Região de Integração (RI) Baixo Amazonas é composta por 12 municípios (Santarém, Alenquer, Óbidos Almeirim, Belterra, Curuá, Faro, Juruti, Monte Alegre, Oriximiná, Prainha e Terra Santa) teve sua ocupação a partir da segunda metade do século XVII com a fundação da cidade de Santarém, na confluência dos rios Amazonas e Tapajós. À época, a dinâmica econômica da região esteve relacionada à exploração das chamadas “drogas do sertão”, com o protagonismo das cidades de Santarém, Alenquer e Óbidos (Ioepa, 2015) Localizada na Região Noroeste do Pará,a RI Baixo Amazonas apresenta-se entrecortada pelos rios Amazonas e Tapajós e pelas rodovias BR-163 (Rodovia Cuiabá-Santarém), PA-254 e PA-419. Detém uma área territorial total de pouco mais de 315 mil quilômetros quadrados, o que representa 25% da área total do Pará (Ioepa, 2015) 23 Nas várzeas amazônicas, predominam-se os solos inceptisols com glei húmico e pouco húmico, graças às inundações constantes, o solo da região é altamente fértil, pois, o rio amazonas em sua inundação trás diversos sedimentos em sua água barrenta, o que acaba por fertilizar o solo (Neto et al., 2002; Júnior & Garcia, 2008). Define-se o pasto dessa região como pastagens nativas de solos aluviais, que estão em constante alagamento periodicamente, esse tipo de pasto é distribuído ao longo da extensão do rio Amazonas e seus afluentes, estando presentes nas regiões do baixo e médio Amazonas (Júnior & Garcia, 2008). As pastagens de áreas inundáveis desempenham um papel de grande importância para a produção da pecuária regional, pois são a principal fonte de alimentação dos animais e apresentam um alto valor nutritivo e elevado potencial produtivo. (Júnior & Garcia, 2008). Inicialmente, até a década de 50 a pecuária da Amazônia era baseada em pastagens nativas, contudo a partir dos anos 60 observou-se que essa atividade passou também a ser cultivada em áreas de terra firme ou em sistemas que integravam a várzea com a terra firme (Júnior & Garcia, 2008). 2.2 Aspectos morfofisiológicos da nutrição de búfalos Os bubalinos apresentam um trato gastrointestinal anatomicamente semelhante ao da espécie bovina mas com modificações no volume e proporção de cada segmento. O comprimento total do trato digestivo dos búfalos tipo rio (2n=50) é de 60 metros. O intestino, que mede 40 metros, e o ceco são menores no búfalo em relação ao bovino. O volume do complexo rúmen, retículo, omaso e abomaso é maior no búfalo, onde o rúmen ocupa 88% do volume total (Zicarelli, 2001). No búfalo o rúmen apresenta capacidade de armazenamento de alimento até 10% a mais que o bovino, já o omaso e abomaso são menores. A frequência ruminal nos búfalos é também inferior, o que determina uma menor taxa de passagem do alimento com maior tempo de retenção e ação da população microbiana sobre a fibra alimentar que compõem as forragens (Zicarelli, 2001). O pH ruminal é ligeiramente ácido apresentando variação em função da alimentação oferecida ao animal, a produção de saliva é significativamentemaior nos bubalinos em relação aos bovinos zebuínos e sua composição é bastante semelhante mas com uma concentração de cólon inferior. Vários estudos foram realizados na Índia para estabelecer a eficiência na 24 utilização de nutrientes (carboidratos e proteínas) de bovinos e bubalinos. Foi estabelecido que o búfalo apresenta uma maior capacidade de aproveitamento dos alimentos fibrosos em relação aos zebuínos (5 a 8%) e também das fontes de nitrogênio não proteico (Zicarelli, 2001) A maior capacidade do búfalo em digerir a fibra dos alimentos em relação aos bovinos ocorre somente quando o alimento oferecido apresenta uma alta concentração de FDA (35,5%) em dietas com mais de 70% de forragem na matéria seca. Esta maior capacidade em utilizar forragens ricas em parede celular não pode ser considerada na nutrição da búfala em lactação, tendo em vista a necessidade de reduzir a proporção de forragem concentrada para satisfazer as necessidades produtivas (Zicarelli, 2001). A ação da população microbiana ruminal sobre o substrato (alimento do hospedeiro) tem especial importância, pois constitui uma base da fisiologia digestiva dos ruminantes. Celulose e hemicelulose representam a maior fonte potencial de energia para os animais herbívoros, (Arcuri, 1992). Após a degradação pelos complexos enzimáticos de microorganismos animais. Além dessa fundamental capacidade hidrolítica, estes microorganismos reduzem acentuadamente o volume de matéria seca que passa à porção pós- ruminal do trato digestivo (Dehority, 1987). Com a capacidade do aparelho digestivo tendo um maior espaço e aparato da microbiana que os bovinos, ele se torna capaz de realizar uma conversão alimentar mais eficiente, Eles têm uma capacidade transformar pastos grosseiros, de baixo valor nutricional, em carne e leite de qualidade, por não ser tão seletivo como os bovinos, acaba melhorando os campos com essa atividade. Aparentemente, uma menor ingestão de matéria seca, hábito de ingerir mais lentamente e menor taxa de passagem da digesta contribuem para a levemente superior digestibilidade observada no rúmen de búfalos (Paul & Lal, 2010). As concentrações de VFA (ácidos graxos voláteis), nitrogênio amoniacal, nitrogênio bacteriano e certos eletrólitos como o potássio e cálcio apresentaram-se maiores no líquido ruminal de búfalos que no de bovinos submetidos à mesma dieta na maioria dos estudos, (tandon et al.,1972; Ludri e Razdan, 1981,1982; Punia e Sharma, 1988). Alguns estudos mostram que a concentração de VFA no líquido ruminal é comparável entre búfalos e bovinos (Khalon et al., 1970; Chaturvedi et al.,1973ª,b,c,d, Pathak et. al,1973), mas Verma e al. (1990) verificaram maior nível de VFA no líquido ruminal de búfalos quando comparado com bovinos submetidos à mesma dieta. 25 Taxas atuais de produção de VFA determinadas com uso de técnicas de diluição de isótopos não revelaram nenhuma diferença significativa entre as espécies. A relação entre acetato e propionato no líquido ruminal tem se mostrado significativamente mais próxima em búfalos que em bovinos, sem mostrar diferença na produção de propionato (Khalon et al., 1970; Chaturvedi et al.,1973ª,b,c,d, Pathak et. al,1973). Aparentemente, a maior concentração de alguns dos metabólitos ruminais também pode ser atribuída a uma menor taxa de passagem e menor ingestão de matéria seca. Kennedy et al. (1992) verificaram uma maior transferência de uréia do sangue para o rúmen em búfalos que em bovinos, indicando uma maior taxa de reciclagem de nitrogênio no rúmen de bubalinos, o que pode sugerir uma maior eficiência na utilização de nitrogênio pelos búfalos. Estes autores também verificaram que a eficiência do crescimento microbiano no rúmen era 20% maior em búfalos que em bovinos 35 x 30 g N /kg de digestão aparente de matéria orgânica no pré- estômago (Paul & Lal, 2010). A degradação de fibras é maior em búfalos submetidos a dietas com baixo nível de proteínas quando comparado com bovinos, porque as espécies bacterianas celulolíticas predominantes em seu rúmen (Fibrobacter succinogenes) não necessitam de nitrogênio amoniacal para seu crescimento. Por outro lado, as espécies bacterianas celulolíticas predominantes no rúmen bovino (R. albus), necessitam de nitrogênio amoniacal para seu crescimento (Paul & Lal, 2010). Não existe uma clara e consistente diferença entre a população de protozoários e atividade de enzimas no rúmen de bovinos e bubalinos. Verificou-se a predominância de Entodinium simplex em bovinos e de Entodinium caudatum em bubalinos. As informações sobre a população de fungos em bovinos e búfalos são limitadas e aparentemente não existem diferenças na quantidade de fungos nas duas espécies de ruminantes. A prevalência de bactérias produtoras de gás é menor em búfalos (10%) que em bovinos (20%) e portanto, espera-se uma menor produção de metano em búfalos (Paul & Lal, 2010). A relação entre a densidade de nutrientes e a ingestão voluntária de matéria seca em ruminantes é bifásica. Quando o alimento é uma forragem pobre ou média, a correlação entre a densidade de energia e ingestão de matéria seca é positiva. Quando a forragem é de alta qualidade e com grande proporção de grãos na dieta, a correlação entre a densidade de energia e ingestão de matéria seca é negativa (NRC,1989). 26 Em pesquisas conduzidas na Índia, observou-se que a ingestão de matéria seca e a eficiência na utilização de nutrientes aumenta em búfalos com redução de proteínas digeríveis e de NDT na ração, tendência inversa da observada em bovinos (Paul et al,2003). Tamanho das partículas exerce grande influência na ingestão de matéria seca. Cortes mais intensos de forragens aumentam sua digestibilidade e taxa de passagem. A trituração de volumosos resultou num aumento de até 30% no consumo apesar da digestibilidade dos alimentos ter diminuído pela passagem mais rápida do alimento pelo tubo intestinal (Ronning e Dobie, 1962). A energia dos alimentos é um dos mais importantes fatores responsáveis pela manutenção da saúde e funções produtivas normais dos animais de produção. De fato, a ingestão de energia é o controle da produção, com o animal mostrando uma resposta contínua às variações das quantidades ofertadas. Energia é o nutriente mais limitante na maior parte dos alimentos tropicais onde a maioria das dietas são de baixa qualidade e fibrosas. Alimentos de baixa qualidade são normalmente pouco digeridos e permanecem muito tempo no trato digestivo. Muitos fatores afetam a necessidade de energia de búfalos, entre eles, tamanho, idade, gestação, produção, crescimento e fatores ambientais estressantes (Paul & Lal, 2010). 2.2.2 Alimentos Utilizados para Búfalos O volumoso são alimentos com maior teor de fibras, mais de 18%, é composto por subprodutos disponíveis na região, disponíveis na época do ano, onde depende da oferta e custo benefício relacionados no momento, para alimentação favorável do animal e manter o equilíbrio nutricional. Alguns Utilizados são: cana de açúcar, farelo trigo, farelo de castanha de caju, cevada, raspa de mandioca, torta de coco, farelo de soja, milho, entre outros produtos presentes nas regiões. utilizados são: cana de açúcar, farelo trigo, farelo de castanha de caju, cevada, raspa de mandioca, torta de coco, farelo de soja, milho, entre outros produtos presentes nas regiões (Bhatia et al., 1979). O Concentrado é classificado como energético quando possuem teor proteico inferior de 20% da matéria seca, alguns produtos usados são: milho, farelinho de trigo e polpa. Animais alimentados com rações compostas de concentrados e palha de trigo em níveis de manutenção, a retenção média estimada pelo método de Balch foi de 99 a 110 hs para bovinos e 104,2 a 118 hs para búfalos (Ludri et al., 1971). Touros adultos alimentados com torta de amendoim e palha de trigo, o tempo de da digesta para passaro reticulo rumen foi de 85,5 a 105 h em búfalos e 74 a 86,5 h em bovinos, e o trânsito da digesta do abomaso ao reto foi de 30,5 a 34 hs nos 27 búfalos e 26,5 a 30 hs em bovinos. Os tempos médios de retenção foram respectivamente de 87,5 a 97,25 hs em búfalos e 76,35 a 85,7 hs em bovinos (Ponnappa et al., 1971). Estas informações sugerem que o tempo médio de retenção (estimados pelo método de Balch em búfalos adultos é maior em cerca de 9 horas que em bovinos adultos. Bartocci et al. (1997) verificaram que o búfalo retém a ingesta no reticulo rumen por mais tempo que o bovino (40,65 x 33,44 hs, pcultivadas, independentemente do tamanho da área em quase sua totalidade de capim quicuio (Brachiaria humidicola) e Braquiária (Brachiaria brizantha cv. Marandu). Estes produtores podem ter a pecuária como principal atividade ou se dedicam a outras atividades, entretanto, possuem capacidade de adoção de novas tecnologias (Pereira et.al., 1999). Figura 5 e 6: Capim Quicuio.(A) e Capim Braquiarão (B) Fonte: Cultivares de Quicuio e Braquiarão da Embrapa, 2023. É imprescindível a diversificação das pastagens, uma vez que não fica totalmente comprometida pelo ataque de pragas. É importante também, que se tenha em cada piquete um único tipo de pastagem para que não haja competição. Recomenda-se o uso da brachiaría brizantha (braquiarão, brizantão ou Marandu) Andropogon gayanus (andropogon) e brachiaria humidicola, (quicuio da Amazônia) (Pereira et.al., 1999). Nas partes mais baixas da propriedade se utilizará o quicuio, enquanto nas partes mais altas utilizar-se-á o andropogon e o braquiarão; deve-se utilizar à proporção de aproximadamente 60% para braquiarão, 25 % para quicuio e 15 % para andropogon. As pastagens recém formadas só devem ser utilizadas, após soltarem a semente. Deve-se colocar uma carga leve para não haver superlotação em área recém formada. Sendo o plantio em outubro ou novembro e em março ou abril, deve-se colocar o gado (Pereira et.al., 1999). Figura 7: Capim Andropogon. 31 Fonte:Cultivares de Andropogon da Embrapa, 2023. 2.2.3.2 Pastagens Cultivadas A região amazônica brasileira possui cerca de 67 milhões de hectares de área inundável, o que representa aproximadamente 13% da superfície regional. Nessa enorme área, estão incluídas as terras inundáveis de aluvião recente, denominadas várzeas, as quais acompanham o rio Amazonas, seus afluentes, subafluentes e lagos, com larguras que variam de poucos metros, nos igarapé, a vários quilômetros, em alguns trechos do rio principal (Sioli 1951, Nascimento & Homma 1984). No início dependeu do colonião, passou ao pangola, depois ao gordura e posteriormente às braquiárias. Em 1976, pela “recuperação de pastagens”, visando “fazer o certo e bem feito”, retornou-se ao colonião, finalmente tratado como cultura. Da mesma forma, na Amazônia, houve o ciclo do colonião, exuberante quando plantado nas cinzas da floresta, o da humidicola, e por último, o do “quase milagroso” braquiarão, hoje vítima de sua própria monocultura. Dentro de uma visão empresarial, a pecuária tem que reduzir suas margens de risco. O passado tem mostrado que toda monocultura na Amazônia tem alto risco (Sioli 1951, Nascimento & Homma 1984). Esse sistema não tem provocado significativos danos ambientais, pois utiliza áreas menores e já alteradas. As pesquisas têm demonstrado bons resultados no desempenho produtivo e econômico, na 14 terminação de bovinos e bubalinos, o que permite que os animais atinjam mais entre 400 kg e 450 kg de peso vivo, com idade inferior a dois anos. Por outro lado, nunca a pesquisa esteve em posição tão confortável em termos de oferta de germoplasma forrageiro de diversos gêneros como Panicum, Cynodon, Pennisetum, Brachiaria e Andropogon. Manejo inadequado e, principalmente, o declínio da disponibilidade de nutrientes 32 no solo, principalmente o fósforo, tem sido a principal causa da perda de produtividade das pastagens (Sioli 1951, Nascimento & Homma 1984). 2.2.3.3 Pastagens Nativas Na Amazônia brasileira, considerando-se as características hidrológicas, edáficas e florísticas, as pastagens nativas são classificadas em três principais ecossistemas: 1 – savanas bem drenadas, que compreendem os campos cerrados, em seus diversos gradientes de estratos herbáceos; 2 - savanas mal drenadas, em seus gradientes de inundações, cujo protótipo são as pastagens nativas da Ilha de Marajó; e 3 - pastagens nativas de solos aluviais, representadas pelos campos de várzeas, sujeitos a regimes de inundações periódicas. Estima-se que nesta região existam cerca de 75 milhões de hectares de pastagens nativas, sendo 50 milhões em terra firme e 25 milhões em terra inundável (Júnior & Garcia, 2008). As pastagens nativas de solos aluviais de várzeas estão localizadas ao longo das margens do rio Amazonas e de seus afluentes, lagos de água barrenta e áreas do estuário. As maiores extensões dessas pastagens se encontram nas sub-regiões do Baixo e do Médio Amazonas e parte da ilha de Marajó, que são as mais importantes áreas de criação de gado no Estado do Pará, ilha do Careiro e região dos Autazes, no Estado do Amazonas, e cerca de 11,7 % da área do Estado do Amapá, que são influenciadas pelas águas barrentas do estuário do rio Amazonas (Júnior & Garcia, 2008). Por outro lado, as pastagens nativas da ilha de Marajó são ecossistemas estáveis, explorados pela pecuária de corte, em sistema de manejo extensivo, há mais de 300 anos, com níveis reduzidos de degradação. As pastagens nativas de área inundável, principalmente aquelas das regiões do Baixo e Médio Amazonas, têm desempenhado um papel de grande relevância no contexto da pecuária regional. As principais limitações dessas pastagens são as dificuldades de manejo dos rebanhos na estação das cheias, quando as áreas de pastagem permanecem praticamente inundadas. Quando a cheia é prolongada os prejuízos são consideráveis (Júnior & Garcia, 2008). As pastagens nativas de várzeas têm representam papel fundamental no desenvolvimento da criação de búfalos na Amazônia brasileira, por possuírem elevado potencial de produção de forragem de bom valor nutritivo. Essas pastagens estão localizadas às margens do rio Amazonas e de seus afluentes, lagos de água barrenta e áreas do seu estuário. 33 As maiores extensões dessas pastagens se encontram nas microrregiões do Baixo e do Médio Amazonas e parte da ilha de Marajó (Júnior & Garcia, 2008). Com referência à alimentação animal, as gramíneas representam um dos principais componentes desse ecossistema e são chamadas de "anfíbias", por sobreviverem flutuando ou submersas na época das enchentes dos rios, vegetando durante a vazante das águas, na época das cheias dos rios, que coincide com o período chuvoso, ficam inacessíveis ao pastejo dos animais. Nessa época, somente os bubalinos podem melhor utilizá-las Nas pastagens de várzeas consumidas por bubalinos predominam as gramíneas: Echinochloa polystachya, Hymenachne amplexicaulis, Paspalum fasciculatum, Paspalum repens, Leersia hexandra e Oryza sp (Júnior & Garcia, 2008). As gramíneas que compõem as pastagens nativas de várzeas possuem elevado potencial de produção e bom valor nutritivo, com teor médio de proteína bruta de 13,3% e digestibilidade “in vitro” da matéria orgânica de 52,3%. Os solos são de boa fertilidade e ficam inundados durante seis meses por ano, de janeiro a julho, recebendo deposição de sedimentos em suspensão nas águas do Rio Amazonas e de seus afluentes (Júnior & Garcia, 2008). Os minerais das forrageiras são suficientes para atender o nível de manutenção e produção animal. Portanto, o grande problema é a inundação das pastagens pelas águas dos rios. Até os anos 50, a pecuária de búfalos na Amazônia era baseada em pastagens nativas. O efetivo era pequeno, devido à baixa capacidade de suporte das pastagens, reduzida disponibilidade de forragens e de baixo valor nutritivo. A partir da década de 60 essa atividade começou a ser desenvolvida, também, em pastagens cultivadas de terra firme, ou em sistemas integrando as duas condições (Júnior & Garcia, 2008). 2.2.3.4 Produção de Pastagem Nativa nas pastagens nativas da ilha de Marajó, de reduzida disponibilidade de forragem e baixo valor nutritivo, com suplementação mineral, búfalos machos das raças Mediterrâneo, Carabao e Jafarabadi, alcançaram pesos, aos dois anos de idade, de 369 kg, 323 kg e 308 kg, respectivamente. Em outro ecossistema, as pastagensnativas de várzeas da microrregião do Médio Amazonas, machos bubalinos, também, com dois anos de idade, do tipo rio e das raças Mediterrâneo, Carabao e Jafarabadi, alcançaram pesos de 3336 kg, 402 kg, 338 kg e 328 kg, respectivamente. As fêmeas atingiram pesos de 320 kg, 373 kg, 326 kg e 326 kg, na mesma ordem (Júnior & Garcia, 2008). 34 No mesmo ecossistema, os ganhos de peso de búfalos Murrah e Mediterrâneo variaram de 0,114 a 0,692 kg/animal/dia, devido a influências climáticas. Em fêmeas observaram perda de 0,003 kg e ganho de 0,426 kg, cuja variação está associada, principalmente, às condições hidrológicas e hídricas, com consequência a disponibilidade e valor nutritivo da forragem, bem como na sua composição botânica. Melhores desempenhos nesses ecossistemas são obtidos quando os animais são manejados em pastagem onde predomina, no estrato herbáceo, gramíneas de boa disponibilidade de forragem e qualidade como E. polystachya, H. amplexicaulis, L. hexandra, Oryza spp, P. repens (Júnior & Garcia, 2008). Na pastagem com predominância de P. fasciculatum, gramínea de baixo valor nutritivo e reduzida disponibilidade de forragem, os desempenhos ponderais são mais reduzidos, a melhor época para a engorda dos animais nas pastagens das microrregiões do Baixo e Médio Amazonas ocorre de julho a dezembro. Todavia, existem outros fatores que influem no desempenho dos animais, tais como nível das águas dos rios, ataque de insetos hematófagos e quantidade de chuvas nesse período (Júnior & Garcia, 2008). 2.2.3.5 Produção em Pastagem Cultivada Em sistemas de criação de búfalos em pastagens cultivadas, em terra firme, para produção de carne, em sistemas tradicionais de criação, utilizando, principalmente pastejo contínuo, em diferentes locais da Amazônia, os ganhos de pesos diários médios variam de 0,331 a 0,686 kg (Júnior & Garcia, 2008). Em sistemas de pastejo rotacionado intensivo, com a incorporação de tecnologias que elevam a produtividade sustentada da pecuária, permitem incorporar as imensas áreas de pastagens degradadas ao processo produtivo, evitando aberturas de novas fronteiras agropecuárias, em florestas tropicais, os búfalos apresentam elevado potencial para a produção de carne. As pesquisas evidenciam que em sistemas intensivos de pastejo rotacionado, em pastagem cultivada, com fertilização, os búfalos atingem peso vivo com cerca de 500 kg, com idade inferior a dois anos (Júnior & Garcia, 2008). Na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, Pará, Brasil, búfalos da raça Mediterrâneo, em pastagens de Panicum maximum, cv. Tobiatã e Brachiaria humidicola, em sistema de pastejo rotacionado intensivo, com fertilização, utilizando módulos de seis piquetes, com período de ocupação de quatro a sete dias e descanso de 20 a 35 dias, obtiveram ganhos por 35 hectare de três a quatro vezes superiores aos encontrados no sistema tradicional da região, com taxa de lotação de 1,5 a 3,2 U.A./ha/ano (Júnior & Garcia, 2008). O ganho de peso/ha/ano foi de 442 a 649 kg, e média diária de 474 a 0,524 kg/cab, o que representa ganhos de peso diário/ha de 1,422 kg a 1,778 kg. A receita líquida variou entre R$ 235,00 e R$ 470,00/ha/ano. A média de disponibilidade total de forragem variou de 4.017 a 4.246 kg de matéria seca MS/ha/ano, na entrada dos animais no piquete, ficando um resíduo médio de forragem de 2.574 a 2.621 kg de MS/ha/ano, na saída dos animais do piquete. Os níveis médios de proteína bruta (PB) na folha variaram de 9,5% a 12,8% e a digestibilidade “in vitro” da MS na folha foi de 53% a 60% (Júnior & Garcia, 2008). 2.2.3.6 Produção com Suplementação Os sistemas de produção de carne de búfalos podem ser significativamente incrementados com o uso de suplementação alimentar, existem várias alternativas, dentre as quais se destaca a administração de subprodutos da agroindústria como ingredientes para a elaboração de rações que podem atender as demandas nutricionais para produção de carne e ou leite de búfalos, com baixo custo. Os farelos de trigo, milho, soja, bem como as tortas de coco, dendê, babaçu, além dos resíduos de cervejaria, indústria de sucos e restos de culturas agrícolas constituem fontes de suplementação (Júnior & Garcia, 2008). Na ilha de Marajó, machos bubalinos da raça Murrah engordados em pastejo contínuo de B. humidicola, na taxa de lotação de 2 animais/ha, ganharam, em média, 0,730 kg e 0,741 kg, com 2 e 4 kg/animal/dia de suplementação alimentar, respectivamente, no período de estiagem (julho a dezembro), enquanto as fêmeas 0,860 e 0,832 kg, na mesma ordem. A ração continha 59% de farelo de trigo, 39% de torta de dendê e 2% de minerais. Em sistemas de pastejo rotacionado semi intensivo de Brachiaria humidicola, em Belém, Pará, Brasil, com suplementação alimentar constituída de 1 kg de farelo de trigo, com 2% de mistura mineral, para cada 200 kg de peso vivo e 10 kg de cana-de-açúcar (Saccharum officinarum) /animal, machos búfalos das raças Murrah e Mediterrâneo ganharam peso diário de 0,971 kg e 0,877 kg, respectivamente (Júnior & Garcia, 2008). A receita líquida indicou que esta tecnologia incrementa a performance produtiva e econômica do sistema de engorda de búfalos em pastagem suplementada. Em sistemas de pastejo rotacionado intensivo de Brachiaria humidicola, em Belém, Pará, Brasil, a suplementação alimentar constituída de ração concentrada, com cerca de 13% de proteína bruta 36 e 60% de nutrientes digestíveis totais, constituída de farelo de milho (70%), farelo de trigo (20%) e farelo de soja tostada (10%), na relação de 1 kg para cada 150 kg de peso vivo, elevou em apenas cerca de 5% o desempenho ponderal de bubalinos da raça Murrah 0,485 kg vs. 0,464 kg (Júnior & Garcia, 2008). A gramínea possuía, na folha, teores proteicos que suplantaram os níveis considerados críticos para balanço positivo de nitrogênio (6%), a avaliação econômica indicou que não é interessante suplementar búfalos em engorda, durante o período mais chuvoso, provavelmente devido à maior oferta de forragem de melhor valor nutritivo. O melhor desempenho na produção de carne pode ser obtido com uso de gramíneas, mais suplementação alimentar, basicamente na época de estiagem (Júnior & Garcia, 2008). A proibição do uso de anabolizantes pela maioria dos países, inclusive o Brasil, justifica o esforço para se encontrar uma alternativa para suplementar búfalos, basicamente quando a forragem é de menor valor nutritivo. Assim o uso de aminoácidos livres, provenientes de uma fonte externa, com minerais e vitaminas constitui fonte suplementar para favorecer o abate precoce de búfalos (Júnior & Garcia, 2008). A aplicação de um produto resultante da hidrólise ácida e enzimática de órgãos bovinos associado a aminoácidos, minerais e vitaminas, visando abater búfalos Murrah precocemente, em pastagem cultivada de Brachiaria humidicola, sob pastejo rotacionado intensivo, indicam que para os animais que receberam o suplemento tiveram um desempenho superior, alcançando peso de abate de 422 kg, aos 20 meses de idade, o que correspondeu a ganho de peso diário de 0,649 kg, enquanto os animais testemunha atingiram 410 kg, com ganho diário de 0,548 kg (Júnior & Garcia, 2008). 2.2.4 Estratégias Nutricionais para Búfalos Verma et al. (2009), avaliaram dietas com três níveis de proteína (100%, 90%e 80%) em relação aos requisitos recomendados por Kearl (1982) utilizando ensaio de digestibilidade em búfalos jovens da raça Murrah. Os autores observaram menor digestibilidade e ingestão de proteína em búfalos alimentados com nível mais baixo de proteína (80%) em relação às demais dietas e concluíram que dietas formuladas com 90% e 100% dos requisitos de proteína recomendados. Búfalos alimentados com baixo nível de proteína apresentam menor exigência de proteína para manter os bovinos nas mesmas condições, isto se deve a uma melhor reciclagem