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Curso Técnico em Agronegócio FORMAÇÃO TÉCNICA SENAR - Brasília, 2015 Técnicas de Produção Animal Curso Técnico em Agronegócio 70 Tópico 3: Ovinocultura Em geral, a ovinocultura é tida como uma atividade secundária nas propriedades, na maioria das vezes para consumo interno. A proposta aqui é de estimular uma alternativa de diversificação da renda, por meio do leite, pele, lã e carne ovina, mas sempre visando a maximização dos resultados financeiros e a capacidade e aptidão de cada empresa rural. O Informações extras O Brasil possui aproximadamente 16 milhões de cabeças ovinas distribuídas por todo o país, porém, concentradas em grande número no estado do Rio Grande do Sul e na região Nordeste. A criação ovina é baseada em ovinos de raças de carne, lã e mistas, adaptadas ao clima de cada região, sendo as raças de ocorrência lanadas mais no Sul e as deslanadas mais no Nordeste. Lanadas Quando a pele de ovino é coberta de lã. Os ovinos são uma espécie altamente eficiente, com excelente conversão alimentar de pasto em carne, alta produtividade por hectare, ciclo reduzido de produção (cerca de 120 dias) e boa rentabilidade. Facilmente podem ser integrados com outras criações e culturas, como a bovinocultura e as lavouras. As ovelhas se adaptam a diferentes tipos climas, relevos e vegetações. A criação ovina está destinada tanto à exploração econômica quanto à subsistência das famílias rurais. Antes de investir em qualquer atividade, é necessário analisar a viabilidade, o custo benefício, se vale ou não a pena o investimento financeiro e de tempo, ainda mais quando for uma nova atividade que exige maior conhecimento por parte do produtor como é a ovinocultura, já que é uma atividade inovadora e complexa, onde os riscos podem ser maiores devido à carência de conhecimentos e assistência técnica. 1. Importância socioeconômica Certamente, os ovinos foram os primeiros animais a serem domesticados na história humana. Embora as vacas tenham substituído as ovelhas como animais leiteiros devido à sua maior produção de leite e carne, a ovinocultura ainda é considerada um empreendimento viável nos dias atuais. De acordo com Embrapa (2010), a pastagem que suporta uma unidade animal, que equivale a uma vaca de 450 kg, tem a capacidade de suporte de cinco ovelhas, ou seja, cada ovelha equivale a 0,2 unidades animal. Técnicas de Produção Animal 71 Fonte: Shutterstock Existem propriedades com suporte de quatro unidades animais, o que significa dizer que é possível a criação de 20 ovelhas por hectare, desde que sejam seguidos critérios técnicos de criação baseados na produção racional e intensiva à base de pasto. ` Atenção Na ovinocultura de corte, consegue-se animais com peso vivo entre 28 e 30 kg, considerado ideal para abate, com idade inferior a 120 dias. Na ovinocultura de leite, a ovelha pode produzir 300 litros em uma lactação de 180 dias. Porém, a ovinocultura ainda tem muitos gargalos. Confira a seguir alguns deles • pouca capacitação dos produtores; • desconhecimento dos custos de produção; • não padronização das carcaças; • pouca oferta do produto de qualidade; • pouca interação com outras atividades agrícolas; • sazonalidade da produção de carne; • muita informalidade na comercialização. Abaixo segue a identificação dos pontos fortes e fracos, além das oportunidades e ameaças da ovinocultura. Curso Técnico em Agronegócio 72 Pontos fortes • Genética de qualidade disponível. • Possibilidade de integração com outras espécies. • Tradição de pecuária. • Animal de ciclo rápido. • Ociosidade dos frigoríficos. • Utilização de pequenas áreas para criação. Pontos fracos • Abate informal. • Falta de qualidade e padronização. • Pouca integração entre produtores. Dificuldade com os canais de distribuição. • Ausência de marketing. • Assistência técnica especializada deficitária. • Sazonalidade na oferta dos produtos. • Falta de informação do perfil do consumido. • Pouca união entre os elos da cadeia. Oportunidades • Maior aceitabilidade do produto. • Aumento mundial do consumo de carnes. • Aumento da renda da população. Busca de produtos saudáveis e nutritivos. • Mercado nacional e internacional em expansão. • Investimento de empresas no setor. Ameaças • Existência de cadeias produtivas mais desenvolvidas. • Hábito alimentar. • Custo de produção mais competitivo em outros países produtores, como o Uruguai. • Importação. Fonte: Ramon, 2009. Um ponto negativo da criação de ovinos é o grande número de mortes de animais por predadores, principalmente cães, por isso, a necessidade de fechar os animais à noite em galpões. 2. Produção de carne, leite, lã e pele Antes de dar início à criação de ovelhas, é necessário fazer um bom planejamento, especialmente para defi nir qual será a fi nalidade da produção e qual será o mercado consumidor para saber quais produtos são demandados. Técnicas de Produção Animal 73 Acompanhe no quadro abaixo as principais raças produtoras de carne, leite, lã e pele. Carne Para a produção de carne ovina podem ser utilizadas raças especializadas, como a raça Hampshire Down, Suffolk e Texel. Os animais destas raças chegam a atingir 27 kg de peso vivo aos 70 dias de idade. Leite Na produção de leite de ovelha, os destaques são as raças Lacaune, Bergamácia e East Friesian. Elas também são aptas para a produção de carne, porém, o leite ovino é o que representa maior rentabilidade, pois cada ovelha chega a produzir 1,5 litros de leite por dia, cerca de 250 litros em uma lactação. Lã Na produção de lã ovina, pode ser utilizada a raça Merino Australiana, a Ideal ou as de dupla aptidão, carne e lã, como a Corridale, Romney Marsh e Ile de France. Pele Já na produção de pele ovina, recomenda-se as raças Karakul e a Crioula, além da Santa Inês, que também tem aptidão para carne. Fonte das imagens: Shutterstock Carne ovina Cada dia mais, o mercado exige uma carne de excelente qualidade e padronização, que só poderá ser obtida com animais jovens, até 5 meses de idade e peso adequado entre 35 e 40 kg de peso vivo, produzido em condições ótimas de criação. Curso Técnico em Agronegócio 74 Consumo de carne ovina nos principais países País Consumo por habitante/ano em kg Nova Zelândia 49,6 Austrália 18,4 Emirados Árabes 11,1 Reino Unido 5,9 Espanha 5,6 França 4,2 Brasil 0,7 Fonte: Embrapa, 2010. A carne de ovino tem, em média, 274 cal/100 gramas ou o mesmo que a carne bovina, mas é mais digestível que a carne de bovina e suína. Os ovinos destinados ao corte são divididos em classes de acordo com a idade e o sexo, bem como em tipos, de acordo com a conformação e qualidade da carne, conforme segue: • Cordeiro: até 7 meses de idade, de ambos os sexos, com peso vivo 15 a 25 kg, possui carne rosada e lisa. • Borrego: entre 7 e 15 meses de idade, com peso vivo 30 a 45 kg, carne mais vermelha que a do cordeiro. • Capão: macho com mais de 15 meses, castrado ainda quando cordeiro, coloração da carne vermelha intensa. • Ovelha: fêmea adulta com idade acima de 15 meses, com peso vivo de mais de 35 kg, carne vermelha escura. • Carneiro: macho adulto, não castrado, com idade superior a 2 anos, carne pouco atraente pelo aspecto, consistência e sabor. ' Dica A carne de ovelhas e carneiros mais velhos deve ser mais utilizada para o preparo de embutidos. Leite ovino No Brasil, a intensificação da ovinocultura de corte, com mudanças no sistema de criação de extensivo para intensivo, despertou o interesse na pesquisa sobre a produção do leite de ovelha. Além de ser a principal fonte de nutrientes para os cordeiros durante as primeiras semanas de vida, o leite de ovelha e, principalmente, seus derivados encontram ampla oportunidade de mercado. Técnicas de Produção Animal 75 Fonte: Shutterstock O leite de ovelha é um produto rico em gordura e proteína e é basicamente utilizado para a produção de queijos e iogurtes artesanais ou comerciais que são bem valorizados em algunsa importância econômica e social da criação de animais domésticos, a conhecer as principais espécies de animais domésticos utilizadas na pecuária brasileira, exprimindo a visão do agronegócio para as cadeias produtivas nos moldes internacional, nacional e regional. Também foi capaz de identificar sistemas de manejo e melhoramento zootécnico ligados à produção animal e de conhecer as principais doenças que podem comprometer a sanidade das espécies exploradas e as formas de prevenção. Agora que você chegou ao final do Tema 1 está apto a elaborar planejamento e projetos de implantação e melhoria da produção de leite, da criação de gado de corte, de ovinos e caprinos, bem como a aplicar técnicas viáveis de produção animal e analisar sistemas de produção para buscar alternativas viáveis de mudança. Siga em frente e bom estudo! Animais Monogástricos (Aves, Suínos e Coelhos) 02 Curso Técnico em Agronegócio 110 Tema 2: Animais Monogástricos (Aves, Suínos e Coelhos) Neste tema, você estudará a criação de animais monogástricos, com destaque para técnicas eficientes na obtenção dos melhores resultados sobre: • Avicultura. • Suinocultura. • Cunicultura. Monogástrico São os animais não-ruminantes que apresentam um estômago simples, com uma capacidade de armazenamento pequena. Ao longo do conteúdo, você aprenderá sobre a importância econômica e social da criação de aves, suínos e coelhos. Também conhecerá as principais espécies destes animais utilizadas no Brasil e a visão do agronegócio para essas as cadeias produtivas. Além disso, identificará sistemas de manejo e melhoramento zootécnico ligados à produção animal e conhecerá as principais doenças que podem comprometer a sanidade das espécies exploradas e as formas de prevenção. Assim, espera-se que ao final deste tema, você tenha competências para: • elaborar planejamento e projetos de implantação e melhoria da produção de aves, suínos e coelhos; • aplicar técnicas de produção animal; e • analisar sistemas de produção e buscar oportunidades de melhoria. Bom estudo! Técnicas de Produção Animal 111 Tópico 1: Avicultura A avicultura é um dos ramos da criação animal de maior importância nacional, dada a expressividade dessa cadeia no agronegócio brasileiro. Ela é a arte de multiplicar, criar, abater e comercializar frangos. No passado, a avicultura era desenvolvida somente nos quintais dos sítios, considerada somente como atividade doméstica. As aves eram criadas soltas e a alimentação era a base de insetos e grãos, com tempo de abate superior a 6 meses. Hoje em dia, ainda existe o frango caipira e mercado para ele, mas em geral o consumidor é abastecido pela avicultura comercial. Fonte: Shutterstock Essa nova avicultura tem alta produtividade. Os criadores que recebem os pintos de um dia dos matrizeiros criam até a idade de abate e os entregam aos abatedouros com aproximadamente 30 a 45 dias de idade. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de aves, sendo que a avicultura faz circular alguns bilhões e gera milhões de empregos. Nosso país tem alguns fatores favoráveis para esse tipo de produção. Além do clima propício, somos um dos maiores produtores mundiais de soja e milho, principais componentes da ração das aves, com cerca de 95 % de sua composição. ` Atenção Muitos ainda consideram a produção de frangos como uma atividade que usa hormônios e antibióticos, mas sabemos que esse fato não é verdadeiro e os resultados da produtividade da avicultura se devem a tecnologias limpas e aprovadas pelos principais órgãos de controle e segurança alimentar nacionais e internacionais. Curso Técnico em Agronegócio 112 As exportações de carne de frango têm importante papel na balança comercial, sendo que cerca de 10 % do que é produzido de carne de aves no país é exportado. Nos últimos anos, houve uma evolução muito grande no consumo interno. O Informações extras Em 1973 o consumo era de cerca de 4 kg por habitante por ano, sendo hoje em dia de mais de 25 kg por habitante por ano O consumidor brasileiro tem optado pelo frango pela qualidade e por ser a fonte de proteína animal mais barata do mercado, além, claro, da sua facilidade de preparo. 1. Produção de carne No Brasil, existem três sistemas de produção de frango, o de integração, o cooperativo e o independente. Vamos conhecer um pouco mais sobre cada um? No sistema de integração, a empresa fornece ao criador os pintos de um dia, a ração, a assistência técnica e se responsabiliza pelo abate. O criador entra com as instalações, os equipamentos e a mão de obra, que geralmente é familiar. A remuneração é segundo o desempenho zootécnico de cada lote. Fonte: Shutterstock No sistema cooperativo, o criador participa da organização e das decisões, e por isso corre mais riscos. Os insumos são repassados pela cooperativa aos cooperados e os lucros podem ser destinados a investimentos na cooperativa ou à distribuição de cotas aos associados, por meio da cota capital. Técnicas de Produção Animal 113 Já no sistema no independente, o produtor é responsável por todo o processo, principalmente pelas decisões e riscos. Desde a aquisição de pintos e rações até a qualidade e vendas, sem contar os riscos sanitários. Conversão alimentar e idade de abate A conversão alimentar é uma medida de desempenho muito importante, pois mostra a transformação de ração em peso vivo animal, sendo definida pela média do consumo de ração por ave, dividido pela média do peso vivo de cada ave. Desempenho de frangos de corte Ano Dias até 1,6 kg Conversão alimentar 1945 98 3,0 : 1 1965 56 2,25 : 1 2000 30 1,66 : 1 Fonte: COTTA, 2012. A idade de abate depende muito do que o mercado consumidor quer, ou seja, qual público se deseja atingir. Conforme Cotta (2012), as características dos frangos dividem-se em: Tipo Idade Peso vivo Pequeno 35 dias 1,55 kg Médio 42 dias 2,15 kg Grande 49 dias + 2,55 kg 2. Alimentação e manejo A criação intensiva de frangos tem por objetivo obter animais com crescimento rápido, melhorar a conversão alimentar, obter reduzida taxa de mortalidade, prevenir doenças e garantir o máximo rendimento de carne. Para alto desempenho, o frango deve ser criado separado por sexo, já que a fêmea é menos exigente em nutrientes e é mais precoce. A sexagem pode ser feita em pintos de um dia por pessoa habilitada, observando o empenamento das asas que é diferente em machos e fêmeas. ' Dica O frango moderno é de cor branca, tanto de penas quanto de pele, tendo sido desenvolvido para não caminhar muito, para ser fácil de engordar e produzir mais peito e cochas, que são as carnes mais nobres. Curso Técnico em Agronegócio 114 Considerando o ciclo médio de produção de 45 dias, mais 15 dias de preparo e vazio sanitário para o próximo lote, é possível produzir um lote de frangos a cada 60 dias, ou seja, seis lotes por ano. Em um aviário de 1.000 m² é possível criar 15.000 frangos, que consomem cerca de 3 kg de ração por frango, portanto, 45.000 kg de ração para o lote e produção de cerca de 26.000 kg de frango. Há vários fatores que afetam o desempenho das aves, dentre eles: • o tipo de pintinho, os nascidos de ovos maiores tem melhor desempenho; • o tipo de ração, principalmente a qualidade da matéria-prima; • época do ano em que se desenvolve a engorda, havendo diferentes efeitos das estações do ano, principalmente temperatura e umidade; • manejo, densidade da criação e qualidade da cama; e • doenças, que afetam muito, e quando ocorrem causam grandes perdas. Manejo da cama A cama de maravalha funciona como uma esponja, absorvendo a umidade e ainda dando conforto às aves, protegendo contra o frio e a umidade. É necessário, no verão, cerca de 5 cm de cama e no inverno, 10 cm, com necessidade de aproximadamente 10 kg de maravalha por metro quadrado de aviário, com 12 % de umidade. Maravalha Maravalhas são aparas de madeira, maiores que a serragem, produzidas por raspadores e/ou outras ferramentas de trabalharmadeiras e, geralmente, saem em formato em espiral. Os seguintes materiais podem ser utilizados na cama das aves: maravalha, feno picado, bagaço de cana, casca de café, casca de arroz, sabugo de milho triturado, serragem de madeira etc. O importante é que seja livre de doenças, não ser tóxico às aves e com umidade de aproximadamente 12 %, independente do material. ` Atenção O excesso de umidade, principalmente próximo aos bebedouros, favorece o aparecimento do gás amônia que irrita os olhos e vias respiratórios das aves, causando queda de desempenho. No final da criação, a cama se encontrará com cerca de 40% de umidade e pode ser reutilizada para outros lotes ou servir de adubação orgânica na lavoura. A cama dos pintinhos deve sempre ser nova e a umidade precisa ser evitada a qualquer custo, retirando cama úmida e revirando quando necessário. Técnicas de Produção Animal 115 Manejo dos frangos O manejo tem por objetivo tornar mais eficiente a criação e facilitar o trabalho diário de acordo com as recomendações técnicas para cada fase. Na recepção de pintos de um dia, deve-se verificar se o umbigo está bem cicatrizado, pois essa é uma importante porta para a entrada de infecção. Logo após a recepção dos pintos, eles devem ser soltos em círculos de eucatex de 60 cm de altura e 3,5 metros de diâmetro, onde é possível alojar cerca de 500 pintos, com uma campânula a gás no centro do círculo para aquecimento, com cinco bebedouros e cinco comedouros. Fonte: Shutterstock Em relação à densidade, o número de frangos por metro quadrado fica em torno de 10 a 15 aves na fase adulta, dependendo da idade e do peso que será obtido ao final. A temperatura ideal para as aves a partir da terceira semana é de 21 °C. ` Atenção Como no verão essa temperatura é facilmente ultrapassada, há necessidade da instalação de ventiladores que são acionados quando a temperatura ultrapassa os 26°C. Nos primeiros dias de vida até 21 dias, as aves possuem penugens que são pouco eficientes na manutenção do calor. Na primeira semana, a temperatura necessária fica em torno dos 35 °C e a indicação é ir diminuindo gradativamente até chegar aos 21 ºC na quarta semana, onde somente o manejo de cortinas é suficiente. Também é necessário haver um termômetro no interior da instalação, na altura do dorso das aves, para monitorar a temperatura e observar o comportamento dos frangos, que devem ficar uniformemente distribuídos: amontoam-se caso esteja muito frio, distanciam-se da fonte de calor quando está muito quente. Curso Técnico em Agronegócio 116 Manejo alimentar Os pintinhos nascem com uma reserva oriunda do saco vitelino, do ovo, que dura cerca de três dias. Mas, assim que chegam os pintos, a ração deve ser fornecida em bandeja, para que os pintinhos aprendam a consumir ração. Nos comedouros tubulares, o enchimento é feito manualmente, mas há os automáticos que são abastecidos por motores acionados por sensores automáticos. Fonte: Shutterstock Os comedouros podem ser tubulares que suportam até 40 aves, ou linear, onde é necessário cerca de 3 cm por frango. Já nos bebedouros pendulares, um para cada 100 frangos é o suficiente, mas podem ser tipo calha ou niple (sistema automático de bebedouro que fornece água limpa, não molha a cama e diminui a mão de obra, porém tem custo de implantação mais alto). O consumo de ração depende da fase em que se encontra a ave, sendo ainda influenciado pela temperatura ambiente e qualidade do alimento. Se a qualidade é inferior, a ave tende a compensar comendo mais, piorando a conversão alimentar. A alimentação é dividida em três fases: a inicial que vai de 0 a 2 semanas; o crescimento, que compreende a 3ª semana; e a terminação, que é a partir da 4ª semana. A maioria das rações é composta por milho, farelo de soja, farelo de trigo e minerais, balanceados conforme a necessidade de cada fase. ` Atenção É importante destacar que em rações de qualidade não vale a pena fazer a peletização, ou seja, transformar a ração farelada em granulada por um processo físico-químico, por meio da adição de vapor à ração farelada e sua submissão a faixas específicas de temperatura, umidade e pressão, durante um tempo determinado. Técnicas de Produção Animal 117 O ideal é que haja acompanhamento visual e de pesagem dos frangos para avaliar se o desempenho está dentro do esperado. As aves com desempenho muito abaixo do médio, os chamados refugos, devem ser eliminadas. Também é importante verificar a coloração do bico e das canelas que devem ser amareladas. Se estiverem pálidas, pode ser problema de saúde das aves, justificando a realização de necropsia por profissional habilitado. 3. Instalações para aves Os principais custos da criação são a aquisição dos pintinhos, a ração e a cama, mas há grande capital imobilizado na obra física do aviário. É possível criar frangos soltos, sem a necessidade de instalações, mas o desempenho é muito inferior e as perdas aumentadas por causa dos predadores. ' Dica O ideal é que os aviários não sejam muito longe das regiões produtoras de grãos e dos frigoríficos de aves. Muito importante, antes de instalar qualquer construção, é avaliar as questões legais, espe- cialmente as ambientais, mesmo sabendo que os dejetos da criação ficam dentro dos aviários, aderido à cama que será usada como adubação orgânica. O aviário deve ser instalado no sentido leste-oeste, para reduzir a incidência de raios solares no interior da instalação. A largura do galpão deve ficar entre 12 e 14 metros. Largura maior do que isso dificulta construção e ventilação e largura menor favorece ventilação, mas aumenta os custos. Em relação ao comprimento, deve-se ter de 100 a 150 metros. O pé direito do galpão deve ser de 3 metros para permitir boa circulação de ar e entrada de veículos. Fonte: Shutterstock O aviário deve possuir uma mureta ao redor de cerca de 50 cm para evitar a entrada de água. Acima da mureta, precisa ter uma tela de arame, que impeça a entrada de pássaros e toda a tela deve ser revestida de cortina plástica que permita a abertura e o fechamento para controle de temperatura. Curso Técnico em Agronegócio 118 ` Atenção O piso pode ser cimentado e deve ser mais alto do que as estradas externas laterais, além de ter um desnível de 1 % para as laterais. A estrutura geralmente é de madeira e com grandes portões que permitam a entrada de ve- ículos de grande porte para a colocação e retirada da cama, além do carregamento das aves. 4. Raças de aves A avicultura de hoje não emprega mais o termo raça, e sim linhagens, que permitiram um ganho genético muito grande por meio de cruzamentos que, em condições ambientais adequadas, expressam todo seu potencial. Você sabia que foram desenvolvidas mais de 300 raças puras e variedades de galinhas, mas poucas têm sucesso comercial? A maioria das raças antigas é mantida apenas em estações experimentais para preservar o banco genético que é a fonte da diversidade e a base para os cruzamentos. As principais linhagens de corte puras são: Plymouth Rock Branca – Pele amarela e crista lisa, foi usada nos primeiros cruzamentos. Hoje serve de material básico de muitas linhagens cruzadas, sendo as penas brancas uma vantagem, já que os frigoríficos preferem aves de penas brancas. New Hampshire - Cor vermelha clara, pele amarela, crista lisa, produz ovos marrons, tendo sido usada por muito tempo para a produção de frangos de corte, mas passou a ser utilizada nos cruzamentos híbridos com outras raças para produção de frangos de corte mais eficientes. Atualmente, poucos criadores se dedicam a sua criação. Cornish Branca – Apresenta crista tipo ervilha (semelhante a uma vagem de ervilhas), pele amarela e seus ovos têm casca marrom. Elas possuem pernas mais curtas, corpo amplo e peito musculoso, habilidade na produção de carne, mas produz poucos ovos e de tamanho pequeno. Tem sido mais usada nos cruzamentos para produzir linhagens híbridas. Técnicas de ProduçãoAnimal 119 Sussex – Raça de origem inglesa, desenvolvida para produção de carne, a pele é branca e produz ovos de casca marrom, sendo uma ótima produtora de carne. É muito difícil que uma única linhagem de aves seja boa produtora de carne e também de ovos. Se uma linhagem é selecionada para alta quantidade de carne, a produção de ovos diminui muito e o inverso também é verdadeiro. 5. Principais doenças das aves Muitas moléstias podem ser transmitidas às aves por outros animais domésticos ou selvagens pelo ar, por meio de pássaros, pela água ou pelo trânsito de pessoas e veículos dentro ou próximo ao aviário, portanto, deve este tipo de fluxo deve ser evitado. Outro cuidado é o recolhimento e destinação das aves mortas que devem ser depositadas em uma fossa séptica, afastada do aviário e protegida contra enxurradas e animais silvestres. O sistema de produção de frangos deve focar no cuidado sanitário, sendo usado o conceito de todos dentro e todos fora, ou seja, todos os pintos entram de uma só vez e todos os frango saem juntos para ser possível fazer o vazio sanitário que pode ser de 15 dias entre um lote e outro. Confira a seguir as três principais síndromes que acometem a avicultura: 1- Prostração: é provocada por ondas de calor, ocorrendo mais no verão, quando a temperatura ambiente está maior que 27 ºC e a umidade do ar está alta, causando grande aumento da frequência respiratória das aves para eliminar calor. Vale lembrar que aves não suam, causando o estresse calórico e a redução do oxigênio no organismo pela ineficiente respiração, o que eleva o pH sanguíneo e a temperatura, que normalmente é de 41°C, pode chegar a 46 °C e levar a ave à morte. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 120 2- Morte súbita: quando as aves acometidas geralmente são encontradas mortas de barriga para cima, deitadas sobre o dorso, sendo em geral aves bem desenvolvidas e não apresentam nenhuma lesão externa e interna, salvo congestão de pulmão e fígado. Fonte: Shutterstock 3- Ascite: também chamada de barriga d’água, caracteriza-se por acúmulo de fluído na cavidade abdominal, sendo favorecida por altitude elevada, frio, má ventilação, rápido crescimento, hipertensão pulmonar, elevada energia da ração, deficiência de vitamina E, níveis elevados de sódio na dieta, baixos níveis de fósforo, doenças respiratórias, microtoxinas e estresse. Fonte: Shutterstock Técnicas de Produção Animal 121 As síndromes têm ocorrido mais em animais maiores e de crescimento mais rápido, principalmente devido ao funcionamento irregular do aparelho cardiovascular e respiratório. No frango moderno, o volume pulmonar em relação ao seu peso vivo é menor, o que denota diminuição da capacidade respiratória, além do coração não se desenvolver tão rapidamente quanto o músculo esquelético. Este desequilíbrio e metabolismo acelerado tornam as aves mais suscetíveis a essas enfermidades. Com o objetivo de diminuir e, até mesmo, erradicar estas enfermidades, a avicultura segue um rigoroso programa de prevenção onde são usadas diversas vacinas, dentre elas: Newcastle, Bronquite infecciosa, Encefalomielite, Bouba aviária, Doença de Marek, Eds-76, Gumboro, Laringotraqueite, Bacterinas e Artrite viral. Atividade de aprendizagem Tópico 1: Avicultura 1. Dentre os fatores que afetam o desempenho das aves, assinale V para verdadeiro e F para falso e encontre a alternativa correspondente à sequência correta: ( (( Os pintinhos nascidos de ovos maiores têm mesmo desempenho que dos menores. ( (( A qualidade da matéria-prima da ração pouco importa. ( (( A época do ano em que se desenvolve a criação não afeta o desempenho do lote, afinal o ambiente interno do aviário é controlado. ( (( O manejo, a densidade da criação e a qualidade da cama pouco influenciam. ( (( A ocorrência de doenças afeta diretamente os resultados da criação. a) F F V V V b) V V V F F c) F V V V F d) F V V F F e) F F F F V Curso Técnico em Agronegócio 122 2. Assinale a alternativa CORRETA em relação ao manejo das aves: a) A avaliação do umbigo dos pintinhos não é necessária. b) O fornecimento de calor artificial em regiões quentes pode ser dispensado. c) Pode-se colocar até 15 frangos por metro quadrado, independente do peso e idade das aves. d) Deve ser mantida a temperatura de aproximadamente 21°C durante toda a vida dos frangos. e) O local da correta localização do termômetro é na altura do dorso das aves, assim é possível medir em qual a temperatura que as aves estão sendo criadas. 3. Em relação às instalações para as aves, a única alternativa INCORRETA é: a) A largura do galpão deve ser de no máximo 14 metros e o pé direito de 3 metros para facilitar a ventilação. b) Além da cortina, o aviário deve possuir uma mureta de proteção de 50 centímetros para evitar o excesso de umidade de fora do galpão. c) O piso do aviário deve ser em nível. d) O galpão deve ser construído de forma a facilitar a colocação e a retirada da cama de dentro do aviário. e) A parte vazada do aviário deve ter uma tela de malha fina para não permitir a entrada de predadores e outras aves. Técnicas de Produção Animal 123 Tópico 2: Suinocultura Você sabia que a suinocultura, criação racional de suínos, avançou muito nos últimos anos e hoje está muito profissionalizada? O consumo da carne suína no Brasil aumentou 40% nos últimos 10 anos, o que se deve às campanhas de conscientização, mostrando que este tipo de carne é saudável devido à redução no teor de gordura. Fonte: Shutterstock A suinocultura está consolidada no país, com o mercado interno firme e o externo confiante na qualidade da carne brasileira. O Brasil tem uma das melhores tecnologias para a produção de suínos, com índices muito superiores à maioria dos países com tradição na produção. Essa atividade passa por altos e baixos, já que tem dependência forte da produção de grãos, pois a alimentação representa 70% dos custos. Por isso, não se sustenta mais uma gestão amadora dentro da suinocultura, pois as margens estão cada vez mais estreitas e é preciso ser profissional. ' Dica Outra preocupação importante da suinocultura é a destinação dos dejetos. Uma dica valiosa é usar as dejeções na fertilização das plantas. Toda instalação suinícola precisa ter o devido cuidado com a destinação dos estercos, sendo desejável a construção de esterqueira, que deve ser bem dimensionada, conforme o rebanho e o local, e estas instalações devem respeitar as leis ambientais e as exigências dos frigoríficos. 1. Alimentação e manejo Um dos fatores mais importantes na produção de suínos é a temperatura, cujas necessidades variam conforme a fase do suíno. Confira a seguir a tabela que indica a temperatura ideal para suínos de acordo com cada fase. Curso Técnico em Agronegócio 124 Temperatura ideal para suínos conforme a fase Fase Conforto Estresse Calor Frio Recém-nascidos 32 a 34 - - Leitões até desmama 31 a 29 36 21 Desmamados 22 a 26 27 17 Crescimento 18 a 20 26 15 Terminação 12 a 21 26 12 Fêmeas em gestação 19 a 60 24 10 Fêmeas em lactação 12 a 16 23 7 Fêmeas vazias e machos 17 a 21 25 10 Fonte: Manual do suinocultor. Cooperativa Central Oeste Catarinense/Chapecó, SC. Reprodução O macho (cachaço) tem responsabilidade de acasalar com várias fêmeas, por isso, atribui-se a ele 50% da responsabilidade da transmissão genética, tornado-o animal mais importante do rebanho. O reprodutor deve ter pelo menos 120 kg e 8 meses de idade, ter bons aprumos, sem desvio de coluna, testículos salientes e proporcionais, comportamento sexual ativo, bom comprimento, pernil bem desenvolvido e boa largura de lombo. ` Atenção A vida útil de um reprodutor dura cerca de 2 anos, após este período deve ser encaminhados ao abate. Já nas matrizes, o normal é a reposição de cerca de 30 % do plantel ao ano. O macho não deve ficar mais de 10 dias sem realizar a cobrição. Se ocorrerem períodos superiores de descanso, a primeira ejaculada pode ser pouco fértil,por isso, é necessário fazer o repasse. Mas também é preciso ter o cuidado de realizar no máximo duas cobrições por dia, limitada a 6 por semana. Cobrição Cobrição é a prática do ato sexual realizado entre o macho e a fêmea. Técnicas de Produção Animal 125 A correta identifi cação do cio das fêmeas é fundamental para a reprodução. Primeiramente, ocorre um aumento e vermelhidão da vulva, então as porcas fi cam agitadas, emitem sons e montam nas outras porcas. Aceitam monta 24 horas após o início do cio, podendo sua indução ser facilitada pelo contato com o reprodutor. Para aumentar os índices reprodutivos, especialmente o tamanho de leitegada, a primeira cobrição deve ser feita assim que a fêmea aceitar o macho e a segunda 12 horas após a primeira, preferencialmente, nas horas de temperatura amena, ao amanhecer ou ao entardecer e, se possível, com machos diferentes. Observe os seguintes cuidados para efi ciente reprodução: 01Nunca se deve cruzar animais com parentesco para se evitar consanguinidade. Consanguinidade 03A cobrição deve ser acompanhada e auxiliada para ser realizada corretamente. Cobrição 04Leitoas que não entraram em cio até o oitavo mês devem ser descartadas. Descarte 02Leitoas devem ser cobertas com reprodutores mais velhos e para os machos novos as porcas mais velhas de tamanho semelhante. Tamanho e idade As fêmeas estão aptas à cobrição quando pesam no mínimo, 110 kg, com cerca de 8 meses de idade. Três semanas antes da cobrição, deve-se fornecer cerca de 3,5 kg de ração da fase de gestação, o que vai estimular a reprodução e, principalmente, o aumento da ovulação, chamado de fl ushing. As reprodutoras devem ser mantidas em lotes de seis fêmeas para facilitar o controle e devem ser levadas à baia do macho para serem cobertas, nunca o contrário. Depois da cobertura, as fêmeas devem ser levadas de volta à baia e serem observadas por um período de 18 a 25 dias, para ver se não há retorno ao cio. As leitoas fêmeas que nunca pariram, devem ser cobertas no segundo cio e depois do primeiro parto, as porcas podem ser cobertas no primeiro cio após o desmame. Curso Técnico em Agronegócio 126 Gestação O local de gestação deve ser limpo, ventilado e calmo. A gestação de uma fêmea suína dura aproximadamente 114 dias (3 meses, 3 semanas e 3 dias). Pode ser feita em cela individual com área de 1,4 m2, ou em baias com grupos de cinco fêmeas, com cerca de 2,5 m2 por porca. Na fase de gestação, deve ser fornecido 2 kg de ração por matriz por dia, dividido em duas vezes, até 80 dias de gestação. Depois, até o parto, deve-se fornecer 2,5 kg de ração por dia em duas vezes. Além da ração, pode ser fornecida pequena quantidade de pasto aos animais, o que auxilia no movimento intestinal. As matrizes devem ser transferidas para a maternidade sete dias antes do parto, atentando para que antes das porcas entrarem na instalação, devem ser lavadas cuidadosamente, usando escova, água e sabão. Parição O parto pode durar de 3 a 8 horas, entre o início da expulsão dos leitões e placenta. Mais do que 8 horas de demora é sinal de problema e deve ser chamado auxílio técnico de profissional habilitado. ` Atenção Quando a porca está próximo ao parto, é possível extrair leite de suas tetas com leve pressão manual, além disso, a fêmea fica inquieta, apresenta corrimento vaginal e não se alimenta. É fundamental que no local do parto tenha uma caixa com fonte de calor, o chamado escamo- teador, onde os leitões se abrigam do frio, com área de 0,8 m2 e temperatura de aproximada- mente 30°C. Os materiais necessários para auxílio ao par- to são: • barbante imerso em álcool iodado; • tesoura para cortar o cordão umbilical; • alicate para cortar os dentes; • recipiente com álcool iodado; e • papel toalha. Fonte: Shutterstock Técnicas de Produção Animal 127 Durante o nascimento dos leitões, deve-se fazer os seguintes procedimentos: 1. limpar e enxugar o leitão com papel toalha, desobstruindo as vias respiratórias; 2. amarrar o cordão umbilical 2 cm abaixo da barriga com barbante iodado; 3. cortar o cordão umbilical 2 cm abaixo do amarrio e desinfetar com álcool iodado; 4. cortar os dentes dos leitões, sem machucar as gengivas, logo após as primeiras mamadas; 5. cortar o terço final da cauda; e 6. colocar os leitões para mamar colostro, os mais fracos nas tetas da frente. Um detalhe importante que deve que ser lembrado é que, após o término do parto, identificado pela expulsão da placenta, ela deve ser recolhida junto com outros materiais orgânicos que tenham risco sanitário e depositar em uma fossa séptica. Lactação O período de amamentação começa no parto e vai até o desmame, durando cerca de 30 dias. É fundamental que cada leitão tome o colostro, primeiro leite cheio de anticorpos, que conferem imunidade ao leitão. Fonte: Shutterstock Porcas com mais de oito leitões devem receber 5 kg de ração por dia, duas vezes, para aumentar a produção de leite e manter o seu estado físico. Saiba que o fornecimento de ração úmida favorece e aumenta o consumo. Os leitões devem receber ração pré-inicial a partir dos 7 dias de vida, em pequena quantidade e retirando as sobras, além de água disponível desde o primeiro dia de qualidade e à vontade. Curso Técnico em Agronegócio 128 A leitegada deve receber, no terceiro dia de vida, 200 mg de ferro dextrano via intramuscular. Aos 15 dias de vida, os leitões machos devem ser castrados com cuidado na higiene, desinfetando bem o local, onde é feito o corte de cada testículo no sentido vertical e após é aplicada solução cicatrizante e repelente. Este procedimento só deve ser realizado por pessoa habilitada. Desmame e creche O desmame dos leitões deve ocorrer na maternidade, com a retirada da mãe dos leitões, deixando-os por cinco dias na baia para minimizar o estresse da perda. O recomendado é que o desmame seja feito de 21 a 35 dias. Passado este período, os leitões devem ser levados para a creche, local de recria, onde por uma semana há restrição alimentar. Esta alimentação deve ser dividida em quatro refeições diárias, em pouca quantidade e mais vezes por dia, para evitar problemas com diarréia, que são frequentes nessa fase de transição. A creche é onde os leitões permanecem por até 70 dias, com controle de temperatura para que permaneça por volta dos 22 °C. ` Atenção É nesse período que os leitões são desverminados, aproximadamente na 7ª semana de vida, geralmente com produto incluso na ração, o que facilita o manejo. Assim que a porca sair da maternidade, ela deve entrar em contato com o reprodutor o mais rápido possível para induzi-la ao novo cio, realizando a cobrição assim que ocorrer o primeiro cio, cerca de 7 dias após o desmame. Recria e terminação Na recria, os suínos permanecem de 25 a 60 kg de peso vivo, entrando para a terminação após os 60 kg de peso vivo. Nessas fases, é importante dividir, pois a necessidade alimentar é diferente e assim pode ser fornecida a ração conforme a necessidade de cada fase. d Comentário do autor Na fase de recria, você pode fornecer ração à vontade. Já na terminação, é importante que você controle de 3 a 4 refeições ao dia e suspenda as refeições 12 horas antes do carregamento para o abate, que geralmente é feito com suínos pesando 100 kg. Técnicas de Produção Animal 129 Cada baia deve ter no máximo 18 suínos, com área de 1 m2 por animal. É necessário um bebedouro para cada 10 suínos e uma boca de comedouro por suíno, mantendo-os sempre bem limpos. Alimentação na terminação Peso vivo Ração/dia 60 kg 2,3 kg 70 kg 2,6 kg 80 kg 2,9 kg 90 kg 3,1 kg ` Atenção A troca de fases e de alimentação deve ser feita de forma gradativa e nunca duas mudanças de uma vez para evitar estresse aos animais. 2. Instalações para suínos As instalações devem, preferencialmente, ser alocadas em lugares altos, com boa ventilação, boa drenagem e com declividade para facilitar o escoamento dos dejetos e das águas.Os galpões precisam ser construídos no sentido leste-oeste, ou seja, do nascer ao pôr do sol. O pé direito das instalações deve ter no mínimo 3 metros de altura se o coberto for de telhas e 3,5 m quando o coberto for de fibrocimento. A largura deve ser de 9 a 10 metros e a distância entre galpões, morros e matos deve ser de no mínimo 15 metros, cinco vezes a altura do pé direito, para facilitar a ventilação. As edificações necessárias para a criação de suínos são: Pré-gestação, gestação, reposição e machos As paredes devem ser de 1 metro de altura para as fêmeas e de 1,3 metros para os machos; no máximo seis fêmeas por baia; baias de 2,5 m2 para as leitoas e 3 m2 para cada porca; já o macho deve ter 5 m2, com caimento de 4 % para drenagem da umidade. Maternidade No máximo 12 celas parideiras por sala, paredes laterais de 1 metro, laterais com cortina, cela de 80X60X60 e comprimento de 2,1 metros, escamoteador com 0,8 m2, total da baia 6 m2, ou seja, 2,5X2,4. Curso Técnico em Agronegócio 130 Creche Paredes de 1 metro, 12 baias por sala, usar cortinas, ripado na área dos bebedouros para evitar umidade, prever abafador móvel (cobertura) de 2/3 da área da baia, sendo necessário 0,35 m2 por leitão, com dois bebedouros por baia e caimento de 4 %, (muito cuidado com o excesso de umidade). Crescimento e terminação Paredes de 1 metro, no máximo 18 cabeças por baia, piso compacto e dejetos externos, 0,90 a 1 m2 por cabeça, caimento de 4%. 3. Raças de suínos Existem diversas raças de suínos, mas se destacam aquelas que têm maior precocidade e desenvolvimento de carnes nobres, como olho de lombo e quarto, sem contar a facilidade e a eficiência reprodutiva. Veja a seguir as principais raças puras usadas no Brasil: Landrace – tem origem na Dinamarca, e é a principal raça estrangeira no Brasil. São animais totalmente brancos, cabeça moderada, orelhas célticas, compridas e para frente. As porcas desta raça são excelentes criadeiras, produzem carne magra, mas podem ter defeitos de aprumos e cascos menos resistentes. Large White – Originária da Inglaterra, tem cor branca e cabeça longa, orelhas grandes e eretas. São animais longos, com bons pernis, muito prolíferos, possuem pelos ondulados, sendo muito utilizados na produção de híbridos. Hampshire – De origem estadunidense, tem uma faixa branca em volta das paletas, cabeça média, orelhas eretas e para cima. São animais curtos, vigorosos e ativos, muito rústicos, sendo indicados para raça-pai em cruzamentos. Wessex – Originária da Inglaterra, tem excelente qualidade maternal, ótima produção de leite, com animais dóceis e tranquilos, rústicos e de grande prolificidade, sendo a raça preferida nas criações ao ar livre, mas não possui boa carcaça. Técnicas de Produção Animal 131 Pietrain – Tem origem na Bélgica, com pelagem branca e preta, excelente massa muscular no dianteiro, chamado de quatro pernis, muito usada em cruzamentos. Duroc – Originária dos Estados Unidos, tem pelagem vermelha, orelhas eretas, sendo uma raça rústica, precoce, prolífera, com ótima conversão alimentar, boa carcaça e velocidade de ganho de peso, devendo ser raça-pai para os cruzamentos. Moura – Origem brasileira, pelagem preta e branca, bom porte, prolífera, precoce, perfil longo e orelhas médias. Piau – Originária do Brasil, é a melhor e mais importante raça nacional, apresenta cor branca-creme com manchas pretas, orelhas médias, e ganham gordura com facilidade. ` Atenção Chama-se hibridação o resultado do cruzamento entre raças diferentes. 4. Principais doenças dos suínos É muito importante que entre a saída de um lote e a entrada de outro seja feita a limpeza e a desinfecção das instalações, pois assim muitas doenças podem ser evitadas ou prevenidas. Veja como realizar este procedimento de forma correta: 1. lavar toda a instalação com água limpa e usar a vassoura de fogo; 2. desinfetar com um produto de alta qualidade; Curso Técnico em Agronegócio 132 3. pintar com cal antes da entrada de novo lote; 4. realizar um vazio sanitário de no mínimo sete dias. Fonte: Shutterstock Equipamentos como seringas, agulhas, tesouras, bisturis, facas e alicates devem sempre ser limpos com água e sabão e desinfetados com álcool iodado. As agulhas e seringas devem ser fervidas ou descartadas quando forem descartáveis. ` Atenção É importante destacar que deve ser evitada a entrada de pessoas não autorizadas na granja suína e o fluxo intenso de veículos, além de não se permitir a circulação de outros animais, como gatos e cachorros, pois são vetores de inúmeras doenças. Uma prática importante na prevenção é a construção de pedilúvio na entrada das salas, onde cada pessoa deve pisar dentro da caixa contendo cal virgem que é um bom desinfetante. Dentre as doenças que acometem os suínos, destacam-se a renite, a collibacilose, a pneumonia enzoótica e a parvovirose. Porcas com sintomas de mastite, inflamação da glândula mamária, com metrite, infecção do aparelho reprodutor, entre outros, devem ser tratadas por um profissional habilitado. Matrizes com fezes ressecadas, especialmente na maternidade, podem receber mais fibra na dieta, por meio do farelo de trigo e pasto verde. Técnicas de Produção Animal 133 5. Alternativas para a criação de suínos Ração úmida Você sabia que umedecer a ração evita desperdícios e melhora a conversão alimentar dos animais e o ganho de peso? A ração deve ser molhada na proporção de 2:1, ou seja, para cada quilo de ração 2 litros de água. Molhada de manhã e fornecida à tarde e molhada à tarde e fornecida de manhã. Fonte: Shutterstock Este processo de umidificação e curta fermentação amolece as partículas e facilita a digestão. Mas é importante ter cuidado com sobras, pois elas podem intoxicar os animais. Por isso, se ocorrer sobra, deverá ser diminuída a quantidade. ` Atenção É recomendada a umidificação de ração somente quando o produtor faz uso do sistema de restrição alimentar. SISCAL Outra alternativa para a criação de suínos e o SISCAL (Sistema Intensivo de Criação de Suínos ao Ar Livre), caracterizado por manter os animais de reprodução, maternidade e creche ao ar livre, utilizando edificações apenas para as fases de crescimento e engorda. Curso Técnico em Agronegócio 134 Atividade de aprendizagem Tópico 2: Suinocultura 1. Referente aos cuidados que se deve ter na reprodução de suínos, assinale V para verdadeiro e F para falso e encontre a alternativa correspondente à sequência correta: ( (( É possível cruzar animais com grau de parentesco, desde que eu deseje manter o grau de pureza racial. ( (( A primeira cobrição das leitoas deve ser feita com reprodutor leve e jovem. ( (( Ao colocar o reprodutor junto com as fêmeas, na baia delas, é necessário acompanhamento. ( (( Fêmeas com 110 kg de peso vivo e 8 meses de vida estão aptas a primeira cobrição. ( (( Para aumentar o número de leitões por leitegada, deve-se repetir a cobrição cerca de 12 horas após a primeira e com reprodutor diferente. a) F F F V V b) V V V F F c) F F V V F d) F V V V F e) V F V V V 2. Assinale a alternativa INCORRETA em relação aos cuidados com os leitões: a) Deve-se limpar e enxugar o leitão com papel toalha, desobstruir as vias respiratórias e massagear aqueles com dificuldade de respiração. b) Amarrar a 2 cm da barriga e cortar o cordão umbilical 2 cm da amarração com barbante iodado. c) Cortar os dentes dos leitões, sem machucar as gengivas, logo após as primeiras mamadas. d) Cortar o terço final da cauda. e) Colocar os leitões para mamar colostro, sendo os mais fracos em qualquer das tetas. Técnicas de Produção Animal 135 3. Em relação às fases dos suínos, a única alternativa CORRETA é: a) No desmame, os leitões devem ser separados da porca de 21 a 35 dias após o nascimento, mas os animais devem permanecer na baia por mais cinco dias. b) Na creche, os animais permanecem cerca de 70 dias e não precisam de fonte de calor artificial. c) Enquanto os leitõesestão na creche, é necessário o fornecimento de ração duas vezes ao dia. d) Na recria, os suínos ficam até os 60 kg de peso vivo e pode ser dada à vontade a mesma ração da terminação para acostumar os animais. e) Toda mudança de fase deve ser feita de forma gradativa para evitar o estresse, além de ofertar área necessária para cada suíno, na terminação 0,8 m2 por animal. Tópico 3: Cunicultura Cunicultura é a criação racional de coelhos, podendo ser doméstica, comercial ou industrial. Ela tem por objetivo a obtenção de alto rendimento e custos mínimos. Além de oferecer ao produtor mais uma fonte de renda, com a exploração da carne, da pele, do pelo e da venda de animais vivos, chamados mascotes. A meta é obter lucratividade com a criação de coelhos, obtendo melhores animais e em tempo reduzido. A criação de coelhos surge como uma alternativa de renda para os produtores rurais, pois exige pouco espaço, possui rápida reprodução e o custo de produção é baixo. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 136 A cunicultura trata dos procedimentos técnicos e práticos necessários à criação economicamente viável de coelhos. No Brasil, ela é pouco desenvolvida, sendo que é possível obter vários produtos originários dos coelhos, como a carne, pele, patas, rabo, vísceras, cérebro, sangue e esterco. Estes produtos são usados em artesanato, indústria têxtil e farmacêutica. A carne de coelho é muito saborosa e apreciada, especialmente, em países da Europa, prin- cipalmente na França e Espanha, que são os dois países maiores produtores e consumidores de carne de coelho do mundo. No Brasil, o consumo de carne de coelho é pequeno em com- paração a outras carnes como bovina, suína e de aves. Esse baixo consumo se deve principalmente ao desconhecimento por parte do consumidor, ao alto preço e à desorganização institucional do setor, que não consegue difundir as qualidades da carne de coelho. Vale lembrar que o coelho é visto por muitos como animal de estimação e não para consumo. O Informações extras De acordo com o IBGE, o rebanho de coelhos no Brasil, em 2010, era estimado em cerca de 230 mil cabeças, concentradas na região Sul e Sudeste. Ainda assim, é possível ampliar a criação, pois há demanda interna e externa, mas é importante focar na produção eficiente de carne de qualidade, com melhoria do manejo, controle de temperatura, alimentação e abate. 1. Alimentação e manejo A criação de coelhos deve se basear em genética apropriada e de qualidade, além de manejo eficiente da limpeza e boa alimentação. O coelho é um mamífero prolífero, ou seja, produz vários descendentes em curto espaço de tempo. São herbívoros, alimentando-se de folhas, caules, raízes e alguns grãos. A vida de um coelho chega aos 10 anos, mas sua vida produtiva é de cerca de 5 anos. Depois disso, adquirem peso excessivo e ficam mais sujeitos a enfermidades. A maioria das raças de coelhos atinge de 3 a 4 kg na fase adulta, momento em que podem ser abatidos ou servir para reprodução. Uma fêmea pode produzir de três a seis ninhadas por ano, sendo que em cada ninhada nasce de três a doze filhotes e o período de gestação varia de 30 a 40 dias. Uma coelha pode produzir cerca de 60 filhotes por ano. Cada coelho pode ganhar cerca de 40 gramas de peso por dia e pode ser abatido com 80 dias de idade, com mais de 2,5 kg, rendendo 1,3 kg de carcaça. Técnicas de Produção Animal 137 Pode-se dividir a criação de coelhos em quatro etapas: 1. mamando, do nascimento até 30 dias; 2. engorda, de 30 a 60 dias; 3. terminação, de 60 a 90 dias; e 4. matrizes para a venda, de 90 a 120 dias. O manejo dos coelhos deve ser feito com calma, evitando submeter os ani- mais ao estresse, com tranquilidade e sem agitação. Alimentação O coelho é um animal herbívoro, com capacidade de se alimentar de fibras vegetais, além de ração, sem contar os rejeitos de hortaliças. A ração deve preferencialmente ser peletizada, pois assim evita perdas e inalação do pó que causa problemas respiratórios. O ideal é fornecer cerca de 90 gramas por dia de ração para coelhos, machos e fêmeas jovens que entrarão em reprodução. Para as fêmeas paridas ,deve-se fornecer cerca de 140 gramas por dia de ração, mais um adicional de 60 gramas por filhote a partir da terceira semana de vida dos coelhinhos. Coelhos comem mais durante a noite, por isso, deve-se oferecer água fresca e limpa, preferencialmente encanada, além de forragem de alta qualidade como alfafa ou rami. Eles devem ter água potável à disposição 24 horas por dia, preferencialmente em bebedouros tipo niple. d Comentário do autor Como são animais cecotróficos, os coelhos ingerem o alimento que já passou uma vez pelo sistema digestivo e é eliminado pelo ânus, aproveitando melhor os nutrientes, pois o mesmo passa duas vezes pelo seu sistema digestivo. Outro detalhe importante é, durante a engorda dos coelhos, deve-se ter em mente o peso normal da raça, pois investir alimentação acima desse peso pode ser inviável, já que o tempo e o gasto para atingir elevado peso não se justificam. Manejo É muito importante no manejo dos coelhos seguir uma rotina diária. Pela manhã, é necessário revisar todos os ninhos para retirar filhotes mortos, ninho sujo e repor se necessário. Também se deve revisar o funcionamento do sistema de fornecimento de água. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 138 Além disso, não pode esquecer de verificar o estado geral de saúde dos animais e as condições do ambiente, e caso seja necessário aumentar ou diminuir a ventilação. E também colocar alimento fresco duas vezes por dia e inspecionar e limpar comedouros com comida velha. É fundamental o controle nas fichas individuais de cada reprodutora, principalmente para eliminar aquelas de menor produção de láparos e promover o melhoramento genético. Abaixo, segue um modelo de ficha para controle individual das coelhas. Ficha de controle individual das coelhas Fêmea: Nascimento: / / Raça: Pai: Mãe: Nº irmãos: Kg ração Cobrição Macho Parto Nº filhotes Vivos Mortos Eliminados Desmame Desmamados / / / / / / Produção e reprodução Nas raças de coelhos de tamanho médio, as fêmeas entram em reprodução aos 5 meses e os machos aos 6 meses, e o ideal é esperar até que atinjam cerca de 3 kg de peso vivo. As raças pequenas são mais precoces, iniciam a reprodução aos 4 meses e as raças grandes são mais tardias, depois dos 9 meses. ` Atenção É necessário um macho para cada 10 matrizes, sendo que cada animal deve ficar em gaiola individual. Para não prejudicar o reprodutor, ele deve cobrir uma fêmea a cada dois dias e com monta dupla, ou seja, primeira monta de manhã e segunda à tarde. Assim que for identificado o cio, a fêmea deve ser colocada na gaiola do macho para a cobrição, nunca o contrário, pois pode ocasionar brigas por território. Ela pode ficar na gaiola do macho por cerca de três horas. O cio pode durar até 12 dias e os principais sinais dele da coelha são: • a coelha se deixa montar; • a vulva fica avermelhada, quente e pouco inchada; • a coelha fica inquieta, esfrega-se nas paredes e comedouros. Ao colocar a fêmea no macho, pode-se assistir de forma a facilitar a cobrição, posicionando a fêmea adequadamente e segurando-a se necessário. A prenhez pode ser confirmada apalpando o animal 10 dias após a cobrição da fêmea por meio da palpação manual do ventre da coelha, sendo que o parto ocorre de 28 a 32 dias após a cobrição. Técnicas de Produção Animal 139 O ninho, caixa de madeira, deve ser colocado cerca de quatro dias antes do parto previsto. Pode ser disponibilizada palha seca à coelha para que ela construa seu ninho dentro da caixa. O parto geralmente acontece à noite, quando a coelha lambe e limpa um a um, amamenta-os e, ao terminar o parto, arranca seus pelos do ventre para proteger os filhotes no ninho. Geralmente, a fêmea pare de 5 a 10 coelhinhos. Quando uma tem muitos e outra poucos, com partos realizadospróximos, até três dias de diferença, é possível dividir as ninhadas até dois dias pós-parto, colocando mais láparos em coelhas que tem poucos. ` Atenção Cerca de 20 dias após o parto, o ninho deve ser retirado para evitar contaminação e não necessitam mais dessa proteção. Os láparos (filhotes de coelho) devem ser mantidos com a mãe por 30 dias, quando é feito o desmame, e devem ficar aquecidos com lâmpada à temperatura de 35 °C. Os láparos já começam a comer e beber água a partir dos 18 dias. Cerca de 10 a 12 dias após o parto, as coelhas podem ser cobertas novamente, mas no sistema intensivo a cobrição é feita dois dias após o parto. Porém, a fêmea reprodutora deve ficar seca por pelo menos sete dias, ou seja, o intervalo entre o desmame e o próximo parto. Já no sistema pouco intensivo, as coelhas são cobertas aproximadamente sete dias após o desmame, permitindo o descanso da fêmea reprodutora. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 140 2. Instalações para coelhos A cunicultura tem custo baixo, pois usa pouco espaço para a criação e as instalações podem ser rústicas. Mas elas devem ser feitas de modo a proteger os animais dos efeitos ambientais como ventos, calor e umidade. O principal problema para os coelhos não é o frio, mas sim o calor, por isso, as instalações deve ser em local seco e protegido da insolação. É fundamental que as instalações para os coelhos sejam mantidas limpas, com higiene, utilizando escovas, bactericidas, lança-chamas, no mínimo uma vez ao mês. Especialmente os ninhos, que devem ser lavados, desinfetados e secos ao sol. ' Dica Retire o esterco das instalações a cada 30 dias e é fundamental que você use um centímetro de serragem para manter o local seco. Na cunicultura, são necessárias 16 gaiolas para 10 matrizes: uma para o macho, 10 para as matrizes e 5 restam para os filhotes depois de desmamados e antes de irem para a engorda. As gaiolas geralmente possuem medidas de 75 centímetros de frente, 75 de fundo e 45 de altura. Fonte: Shutterstock Técnicas de Produção Animal 141 É muito importante que as gaiolas fiquem a 80 centímetros do solo, e logo abaixo fique a esterqueira que deve estar abaixo do nível do corredor e inclinada para deixar o esterco seco. O corredor deve ser cimentado, com aproximadamente 1,2 metros de largura. ` Atenção Vale lembrar que a armazenagem e a compostagem dos dejetos dos coelhos devem respeitar as leis ambientais e prevenir a contaminação das águas. Pode-se adotar a densidade de 10 coelhos por metro quadrado, dessa forma não há perdas no desempenho devido ao excesso de lotação. É importante lembrar que nunca se deve usar madeira tratada com produtos químicos para a criação de coelhos, afinal os animal podem roer e se contaminar, ocasionando sua morte. 3. Raças de coelhos Existem muitas raças que são separadas conforme a finalidade, seja para carne, pele, lã ou filhotes (vendidos vivos em lojas de animais). As principais raças são a Nova Zelândia, Califórnia, Chinchila, Coelho Azul de Viena, Coelho Rex, Angorá e Gigante de Flandres. Estas raças podem ser divididas em quatro categorias, de acordo com o peso: 1. Pequenas, até 2,5 kg. 2. Médias, de 2,5 a 4 kg. 3. Grandes, de 4 a 5,5 kg. 4. Gigantes, maior que 5,5 kg. Confira, a seguir, as principais características de cada raça. Nova Zelândia – é tida como a melhor raça mista para aproveitamento de carne e pele, sendo mais criada em todo o mundo. Califórnia é de dupla aptidão, possuem ótima pele branca e são ideais para o corte de carne fina, além de terem boa qualidade na criação por ser muito prolífero e resistente, porém é uma raça de comportamento nervoso. Curso Técnico em Agronegócio 142 Chinchila – ganha espaço na criação de coelhos por apresentar boa aptidão na produção de carne e peles, muito responsivo ao cruzamento com outras raças, principalmente com a Nova Zelândia. Azul de Viena – é muito rústica e fácil de criar, também de dupla aptidão para carne e pele para a confecção de agasalhos. Rex – é uma raça valorizada pela pele, onde se busca animais de cores definidas, e sua carne é menos expressiva, pois vale menos que a pele. Angorá – é uma raça para a produção de peles e pelos, tem tamanho mediano e cabeça pequena. Os machos castrados e as fêmeas produzem pelos mais sedosos. Gigante de flandres – é considerada uma das melhores raças de carne. Também é uma das maiores que se conhece, sendo uma das mais populares no Brasil. A melhor carne é dos animais jovens, abatidos com menos de um ano de idade. 4. Principais doenças dos coelhos Manter os animais saudáveis é essencial para uma produção que pretende lucro. Para isso,deve-se focar no princípio da prevenção com alimentação e instalações adequadas e manter a máxima higiene, principalmente por meio instalações secas. Técnicas de Produção Animal 143 Os principais fatores que causam enfermidades em coelhos são: • fortes ventos na instalação; • alta umidade; • alta temperatura; • falta de higiene; e • estresse. Também é fundamental o combate a moscas e ratos que são vetores de doenças e podem contaminar os coelhos. Além de ter o cuidado com o excesso de circulação de pessoas na criação e cuidado na aquisição de novos animais que devem ser oriundos de criações idôneas e sadias. Fonte: Shutterstock Dentre as doenças que mais acometem os coelhos, destacam-se: disenteria, coriza, sarna auricular, coccideose hepática, mixomatose, vermes intestinais, parasitas externos, pasteurelosis ou septicemia hemorrágica e torcicolo. Vamos conhecer um pouco mais sobre as mais comuns? Diarreia: em produção intensiva é um problema constante, causada principalmente por estresse, mudanças climáticas bruscas, mudanças de alimento e troca de gaiolas. É menos danosa em coelhos com mais de 50 dias graças a sua alta acidez digestiva. Para o tratamento, deve-se diminuir o alimento, fornecer feno, colocar vinagre na água, cerca de uma colher de sopa por litro de água. Coccidiose: causada por um protozoário que entra pela boca do animal, principalmente pela água contaminada. Os animais acometidos têm falta de apetite, inatividade e diarreias. Para tratar e prevenir, deve criar os animais em piso vazado, seja de metal ou madeira, assim o Curso Técnico em Agronegócio 144 esterco cai e não entra em contato com os coelhos. Lave e desinfete as gaiolas, utilize come- douros que impeçam que os coelhos defequem dentro e coloque coccidiostático na água. Sarna: produzida por um ácaro, parasita externo, que se instala na pele, principalmente na cara e nas orelhas, causando queda dos pelos e formação de crostas. A prevenção se dá por meio da limpeza constante, uso da vassoura de fogo nas gaiolas, separar os animais enfermos e tratá-los com produtos injetáveis. Pasteurelose: doença respiratória também chamada de septicemia, coriza ou catarro, causam febre, secreção nasal e respiração forçada. Para prevenir e tratar, deve-se vacinar os animais, aplicar antibióticos quando necessário, eliminar animais mortos e separar os enfermos, além de desinfetar as gaiolas, comedouros e ninhos. O controle deve se iniciar ao notar o animal doente, que precisa ser imediatamente isolado, permanecendo afastado da criação até sanar o problema. Apesar de o esterco de coelhos ser um excelente adubo, ele não deverá ser aproveitado nas áreas destinadas à produção de vegetais para os próprios coelhos, pois pode disseminar doenças, especialmente coccideose. A melhor forma de assegurar a saúde dos coelhos é com a prevenção de doenças, possível com boa alimentação e rigorosa higiene. Atividade de aprendizagem Tópico 3: Cunicultura 1. Referente às raças de coelhos, assinale V para verdadeiro e F para falso e encontre a alternativa correspondente a sequência correta: ( (( A raça Gigante de Flandres é uma das melhores raças para a produção de carne. ( (( A raça Angorá tem aptidão para a produção de peles e carne. ( (( A raça Chinchila serve para a produçãode peles e carne e é recomendado o cruzamento com a raça Nova Zelândia. ( (( A raça Califórnia é apenas para a produção de carne. ( (( A raça Nova Zelândia é tida como uma das melhores raças do mundo e tem dupla aptidão carne e pele. a) V F V F V b) F V F V F c) F V F V V d) F V V V V e) F F F V V Técnicas de Produção Animal 145 2. Em relação às instalações para coelhos, assinale a única alternativa INCORRETA: a) A cunicultura é uma criação de alta densidade, na qual é possível criar cerca de 10 coelhos por metro quadrado, sem que haja perdas por excesso de lotação. b) As gaiolas devem ficar longe da umidade, cerca de 80 centímetros do solo, o que também favorece a mão de obra. c) A recolha dos estercos das instalações deve ser feita a cada dois meses para evitar a proliferação de moscas e microrganismos. d) Cuidados especiais na higiene dos ninhos devem ser dispensados, pois é onde os láparos tem o primeiro contato com o meio externo e contaminam-se com facilidade. e) O uso de bactericidas e vassoura de fogo é fundamental nas instalações de coelhos, pois eles são sensíveis a microrganismos. 3. Na reprodução dos coelhos, assinale o que NÃO PODE ser feito: a) As coelhas de raças médias podem entrar em reprodução a partir dos 5 meses e os machos, 6 meses. b) Para 20 fêmeas são necessários dois machos, que devem ser mantidos em gaiola individual. c) Com apalpação do ventre da coelha, 10 dias após a cobrição, é possível confirmar ou não a prenhez. d) O período de gestação da coelha dura de 28 a 32 dias, mas de 10 a 12 dias após o parto a fêmea pode ser coberta novamente. e) Os láparos podem ser desmamados com 18 dias, desde que tenha fonte de calor que mantenha 35°C. Encerramento do tema Ao longo do Tema 2: Animais Monogástricos (Aves, Suínos e Coelhos) você foi convidado a refletir sobre a importância econômica e social da avicultura, suinocultura e cunicultura, a conhecer as principais espécies desses animais utilizadas no Brasil, exprimindo a visão do agronegócio para as cadeias produtivas nos moldes internacional, nacional e regional. A partir de agora, você tem os conhecimentos necessários para elaborar o planejamento e projetos de implantação e melhoria da produção de aves, suínos e coelhos, para aplicar técnicas viáveis de produção animal e buscar alternativas de diversificação da renda. Siga em frente e bom estudo! Peixes 03 Técnicas de Produção Animal 147 Tema 3: Peixes Neste tema, você estudará a criação de peixes, com destaque para técnicas eficientes na obtenção dos melhores resultados para a piscicultura. Ao longo do conteúdo, você aprenderá sobre a importância econômica e social da criação de peixes. Fonte: Shutterstock Também conhecerá as principais espécies criadas no Brasil e a visão do agronegócio para essas as cadeias produtivas. Além disso, identificará técnicas de criação integrada e as novas alternativas para a piscicultura. Assim, espera-se que ao final deste tema, você tenha competências para: • elaborar planejamento e projetos de implantação e melhoria da produção peixes; • aplicar técnicas de produção animal; e • analisar sistemas de produção e buscar oportunidades de melhoria. Bom estudo! Curso Técnico em Agronegócio 148 Tópico 1: Piscicultura O crescente aumento no consumo de peixes, a necessidade de buscar novas alternativas de renda e o apelo da segurança alimentar e saúde no consumo de carnes brancas, faz com que cada vez mais a piscicultura seja uma possibilidade real de desenvolvimento nas propriedades rurais. A criação de peixes na maioria das propriedades não é tida como uma atividade comercial e, por isso, é desenvolvida com pouca tecnologia e baixo resultado. Então, desenvolvê-la de forma profissional e reatável é nossa meta. Você sabia que o Brasil possui condições excelentes para o desenvolvimento da piscicultura, principalmente pela riqueza dos recursos hídricos, subexplorados para a produção de alimentos? A piscicultura é o cultivo de peixes e tem como objetivo produzir alimentos de alto valor biológico e de baixo custo. Para isso, usa áreas inadequadas para a agricultura e tem alta densidade econômica, além da geração de empregos e renda. O Informações extras Em produção comercial e com tecnologia adequada é possível produzir cerca de 9.000 kg de peixes por hectare de lâmina de água e por ano. Além disso, tem também a aquicultura, que é o cultivo de organismos aquáticos e inclui além dos peixes, crustáceos, moluscos e plantas aquáticas. 1. Sistemas de produção de peixes Os peixes são animais vertebrados de sangue frio, com a temperatura corpórea variando conforme o ambiente. Os sistemas de produção são classificados de acordo com a densidade, alimento fornecido, manejo e produtividade, então, quanto maior os controles mais intensivo é o sistema. Hoje, temos três sistemas de produção, o extensivo, semi-intensivo e intensivo: Extensivo Tem baixa densidade de peixes, ou seja, poucos animais por área, menos de 1 por m². As espécies criadas dependem do alimento natural, a criação feita em represas, açudes ou reservatórios de água, com uso de pouca ou nenhuma tecnologia. Semi-intensivo Tem densidade pouco maior que no extensivo, mais do que 1 por m², é feita a criação de espécies que dependem de alimento fornecido, geralmente realizado na propriedade e complementados com alimentação natural disponível. O local de criação são viveiros construídos com essa finalidade. A produtividade esperada nesse sistema é de cerca de 6.000 kg/ha/ano. Técnicas de Produção Animal 149 Intensivo Tem fins comerciais, feito em viveiros construídos, alta densidade, que varia conforme a espécie criada. A alimentação é feita com ração comercial e a produtividade é alta e, em muitos casos, há uso de aeração e controle da qualidade da água. Também, dentro das formas de criação, destaca-se o monocultivo e o policultivo que se diferenciam conforme o número de espécies criadas. Monocultivo: uma espécie apenas durante toda a criação. Policultivo: criação de duas ou mais espécies de peixes para aproveitar melhor o espaço e os alimentos disponíveis. Como exemplo, temos a criação de carpas húngara (fundo), capim (pasto) e prateada (meio), junto com peixes carnívoros como o jundiá e traíra, dessa forma, mantendo a limpeza do viveiro e controlando a desova. 2. Alimentação e manejo A alimentação deve ser feita por meio de ração balanceada com complementação de subprodutos para baixar o custo de produção. A principal fonte de proteína é o farelo de soja e de energia o milho, mas cada espécie de peixe tem um hábito alimentar que deve ser conhecido. Fonte: Shutterstock Qualidade da água A temperatura ótima dá água deve estar entre 24 e 29°C, acima e abaixo disso há estresse e diminuição ou cessa alimentação, podendo causar a morte se ficarem muito tempo sob temperaturas muito frias ou muito quentes. Curso Técnico em Agronegócio 150 O pH (potencial de hidrogênio) que mostra a acidez ou alcalinidade da água deve ser de 7, ou seja, neutro, assim haverá boa produção de plâncton, mas toleram pH entre 6,5 e 8,5, levemente alcalino, daí a importância do uso do calcário, a alcalinidade deve ser maior que 20 mg/litro de carbonato de cálcio. ` Atenção Os peixes não suportam pH abaixo de 4 e acima de 11, sendo letal aos animais. Valores distantes de 7 fazem com que os peixes reduzam a taxa de crescimento, geram má formação do esqueleto e afetam a reprodução. O teor de oxigênio dissolvido também é muito importante, sendo o ideal de cerca de 4 ppm, mas alguns peixes toleram 2 ppm, só que não se alimentam e ficam suscetíveis a enfermidades. A dureza da água também pode ser medida e identifica a quantidade de minerais dissolvidos, o ideal é de cerca de 20 mg/litro de água. Já os nitritos, nitratos e amônio, compostos nitrogenados, são tóxicos em excesso aos peixes, podendo ser tolerados no máximo 0,1 mg/ litro de nitritos e 0,01 mg/litro de amônio. d Comentário do autorLembre-se que a renovação deve ser constante, mas na quantidade adequada, cerca de 2,5 % do volume de água do viveiro por dia, em torno de 3 litros por segundo e por hectare. É importante ressaltar que deve ser reposta a água perdida por evaporação e infiltração, de forma que mantenha-se o nível adequado do viveiro. Outro fator fundamental que demonstra a qualidade da água é a transparência, que mostra a capacidade da penetração da luz e indica, principalmente, a densidade de plâncton. O ideal que a transparência da água fique entre 30 e 40 centímetros, e pode ser medida com o braço ou com um disco de 25 cm de diâmetro, dividido em quatro quadrantes pintados alternados de preto e branco para melhor visualização, chamado de disco de Secchi. Interpretação do disco de Secchi Leitura no disco Comentários Menor que 20 cm Muito turvo, se estiver verde, haverá problema devido à baixa concentração de oxigênio e, se for marrom, a produtividade será baixa devido ao solo (cortar adubação). Entre 20 e 30 cm A turbidez está ficando excessiva (diminuir adubação). Entre 30 e 40 cm Se for verde devido ao fitoplâncton, está em boa condição. Entre 40 e 60 cm Fitoplâncton se tornando escasso (aumentar adubação). Maior que 60 cm Água muito clara, baixa produtividade e pode haver problema com plantas aquáticas (fazer adubação). Fonte: GRAEFF, et al. (2006). Técnicas de Produção Animal 151 Alimentação A alimentação varia em função da quantidade de peixes por metro quadrado, que vai depender da qualidade e vazão da água e da espécie de peixes que vai criar. A quantidade de plâncton do viveiro determina a produtividade do mesmo, por isso temos que estimular sua produção. Plâncton Plâncton é um microrganismo de origem vegetal (fitoplâncton) ou animal (zooplâncton) e é a única fonte de alimento para os alevinos ou para toda a vida dos peixes filtradores. Antes de encher o viveiro, é fundamental deixar o solo exposto ao sol por cerca de cinco dias, depois realizar a calagem com cerca de 500 kg de calcário por hectare, distribuindo manualmente e de forma mais homogênea possível. Mas essa quantidade de calcário depende do pH do solo. Se estiver entre 5,5 e 6,5, cerca de 1.500 kg por hectare são necessários. ' Dica Antes de liberar a água para encher, coloque uma tela fina para evitar a entrada de predadores no viveiro, libere a água até completar cerca de um metro e feche. Somente reponha a água até esse nível no primeiro momento. Ainda para beneficiar o plâncton, um dia após a calagem e o enchimento de água, deve-se fazer a adubação orgânica, que pode ser com esterco bovino cerca de 5.000 kg/ha ou cama de aves cerca de 2.000 kg/ha, de forma mais homogênea possível. Lembre-se que sete dias após a adubação é possível fazer a alevinagem. Para definir a alimentação, o ideal é saber a biomassa do viveiro, de forma que se retire uma amostra e faça a multiplicação pela quantidade total estimada de peixes. Ração a fornecer conforme biomassa Peso médio em gramas % da biomassa em ração Até 5 10 5 a 20 8 20 a 50 6 50 a 100 4 100 a 200 3,5 200 a 300 3 300 a 500 2,5 Exemplo: se o peso médio dos peixes foi de 30 gramas e colocaram-se 1.000 alevinos, tem-se 30.000 gramas de biomassa de peixe no viveiro. Portanto, deve-se fornecer 6%, ou seja 1.800 gramas de ração por dia, dividida em três vezes. Curso Técnico em Agronegócio 152 Confira alguns cuidados e recomendações necessárias para a criação de peixes: • amostrar (pesar) os peixes no mínimo uma vez ao mês; • monitorar o oxigênio dissolvido; • alimentar nas primeiras horas da manhã e observar se há peixes com dificuldade de respirar, pois neste período a quantidade de oxigênio dissolvido é menor; • manter as anotações em dia com os controles de cada viveiro, com data de alevinagem, espécie, número de peixes, despesca prevista, peso nas amostragens, alimento fornecido e quantidade de adubo usado. ' Dica Uma dica é fornecer alimentos alternativos aos peixes, como: farelo de algodão, soja, arroz ou trigo; resíduo de cervejaria; raspa de mandioca; torta de dendê, coco e babaçu. Vale lembrar que dois dias antes da captura e abate dos peixes deve ser suspensa a alimentação e, 15 dias antes, deve-se parar com a adubação do viveiro. 3. Construção de viveiros O sucesso da piscicultura depende muito da correta construção dos viveiros. Fatores como relevo, disponibilidade de água, mercado e ciclo de produção influenciam muito na rentabilidade da venda de peixes, sem contar o clima, insumos, mão de obra e assistência técnica que são determinantes para o resultado final. O maior custo da piscicultura é a construção do viveiro e a movimentação de terra depende da topografia local. Por isso, deve ser feito um bom planejamento e projeto para que seja aproveitado ao máximo as potencialidades da área. Fonte: Shutterstock Técnicas de Produção Animal 153 O viveiro construído na terra deve começar com uma boa limpeza da área, retirando vegetação e restos de raízes, ser, preferencialmente, escavado, com pouca profundidade (1,5 metros) e possibilitar o esvaziamento total. O ideal é que esteja próximo das instalações para facilitar a alimentação e a vigilância, além de ser construído em um local com insolação direta. A fonte de água deve chegar, de preferência, por declividade, não ser poluída e em abundância, que permita o controle da vazão para dentro do viveiro, por meio de canal ou tubo plástico. ` Atenção A quantidade de água necessária varia conforme a densidade de peixes do viveiro, época do ano e alimentação. O solo do viveiro também é importante, sendo melhor que contenha grande quantidade de argila (mais de 20%), assim retém a água. O formato ideal do viveiro é retangular, pois facilita o manejo de despesca e o uso da água. Em um viveiro retangular, o ideal é que o comprimento seja de três vezes a largura e a profundidade não ultrapasse os 2 metros e 0,8 na parte mais rasa. Profundidade menor que 0,5 metros favorece o desenvolvimento de plantas aquáticas e mais de 2 metros de fundura dificulta o manejo, sem contar que é muito escuro e frio, o que torna pouco viável o crescimento de peixes. O tamanho varia bastante, mas o mais indicado é de 2.000 a 5.000 m2 para facilitar o manejo. O fundo do viveiro deve ter declividade de cerca de 1% em direção ao escoadouro que deve ficar do lado oposto a entrada de água. A saída de água pode ser controlada por um cano de PVC de cerca de 100 mm conforme o tamanho do açude, feito em forma de cotovelo, e retirada quando a mesma chega no nível indicado. Além do cotovelo, é necessária a construção do escoadouro que evita o transbordamento, que deve estar 10 cm acima do nível da água. d Comentário do autor A implantação de projetos de piscicultura requer autorização legal dos órgãos competentes, especialmente do IBAMA. Fique atento, pois a informalidade pode impedir a comercialização e a continuidade da criação de peixes. Sempre que necessário, verifique nos órgãos competentes a necessidade de licenciamento ambiental de cada estado. A classificação quanto ao potencial poluidor da piscicultura é pequeno, em torno de até 3 hectares de lâmina d’água. Curso Técnico em Agronegócio 154 4. Espécies criadas Várias espécies de peixes são recomendadas para a criação, depende muito da adaptação local e da disponibilidade de alevinos para o povoamento. Dentre as espécies nativas recomendadas, destaca-se tambaqui, pirapitinga e pacu, que são peixes redondos e com grande importância na piscicultura do Brasil. Temos ainda curimatã, matrinxã, pirarucu e surubim com grande potencial de crescimento. O ideal é focar em peixes com alta produtividade, resistentes ao manejo e transporte e que permitam o policultivo. Ainda temos as espécies exóticas, como carpas e tilápias, que têm grande expressão nacional em sua criação. Dentre os 10 peixes mais criados no mundo, cinco são carpas, cerca de 24 % carpa prateada, 20 % carpa comum, 18 % carpa capim, 11 %carpa cabeça grande e 4 % carpa indiana. Abaixo, veja quais são os principais peixes de água doce: Carpa espelho – também chamada de carpa comum, originária da Europa, é rústica e resistente, desenvolve bem em viveiros e aceita vários alimentos, e pode chegar a 2 kg em um ano. Sua alimentação natural é o zooplâncton na fase jovem e posteriormente minhocas e larvas de insetos, após um ano já reproduz. Carpa prateada – originária da China, não ocorre desova em viveiros, cresce rápido e é um peixe filtrador, alimentando-se principalmente de fitoplâncton. Carpa capim – de origem chinesa, alimenta-se principalmente de vegetais, é herbívora, comendo não somente plantas submersas, mas também pastagem, tem crescimento elevado e não se reproduz em viveiro. Técnicas de Produção Animal 155 Carpa cabeça grande – originária da China, tem crescimento rápido e pode ser criada com outras espécies, alimenta-se de algas e crustáceos pequenos e só se reproduz com a indução hormonal. Tilápia nilótica – chamada de tilápia do Nilo, tem origem africana, rústica, pode atingir 0,9 kg em um ano, não suporta água fria e reproduz até três vezes ao ano. Pacu – espécie brasileira de grande sucesso, carne excelente, pode chegar a 20 kg de peso, e sua alimentação é baseada em ração, frutas e vegetais. Traíra – origem brasileira, é carnívora, alimentando-se de outros peixes, possui carne de excelente qualidade e vive em águas calmas. Cat-fish – também chamado de peixe gato ou bagre africano, é um peixe nobre, de boa carne, e alimenta-se de ração e outros peixes. Curso Técnico em Agronegócio 156 Cascudo – oriundo do sul do Brasil, desenvolve-se no fundo dos viveiros, principalmente em tocas, e sua carne é muito apreciada. Truta arco-íris – de origem estadunidense, adaptada a regiões frias do Brasil, é exigente em sua criação, pois requer águas frias e bem oxigenadas, e atinge cerca de 0,2 kg em um ano. Black bass – também chamado de truta verde, pode ser criado em regiões mais quentes, auxilia no controle de outros peixes, pois é carnívoro, principalmente no controle de tilápias, mas alimenta-se de ração também e é usado para pesca esportiva. Cará – também chamado de acará, de origem brasileira, muito comum nos rios, pode chegar a 20 cm, tem carne saborosa e se adapta a criação em viveiros. Jundiá – sua origem é o Brasil, não tem escamas, vive no fundo do viveiro, possui carne saborosa e pode ser criada em viveiros. Técnicas de Produção Animal 157 Lambari – também chamado de piava, pequeno e arisco, é muito apreciado como aperitivo e atinge no máximo 100 gramas. Curimbatã – chamado ainda de curimbatá, alimenta-se de lodo, atinge peso de aproximadamente 1 kg em um ano e sua carne tem bastante gordura. 5. Criação integrada de peixes Diversas são as bactérias existentes nos viveiros destinados à piscicultura. Principalmente quando há desequilíbrio, geralmente pela falta de manutenção do viveiro, ocorre a proliferação de microrganismos que podem causar danos aos peixes. O fundamental é evitar as doenças e impedir que tenha prejuízo enorme para o piscicultor. Para prevenir o aparecimento de parasitas e doenças, é necessário tomar as seguintes medidas: • manejar o viveiro corretamente, quanto à qualidade da água, nutrientes, temperatura, sendo que a baixa temperatura inibe a imunidade dos peixes; • adquirir alevinos de ótima qualidade, de viveiros idôneos e com bom histórico; • realizar quarentena antes de se introduzir novos peixes, se necessário uso de cal virgem para desinfecção do viveiro; • remover imediatamente do local os peixes mortos e doentes; • atentar-se ao comportamento dos peixes; • manter os equipamentos limpos e prontos para uso; e • respeitar os limites da natureza, não exceder a capacidade do viveiro. A regra de ouro é controle e prevenção, principalmente com controle adequado das condições do ambiente onde o peixe se desenvolve e sua nutrição. Desta forma os peixes serão capazes de superar possíveis enfermidades. Curso Técnico em Agronegócio 158 Dentre as principais doenças que acometem os peixes, destacam-se: Ctiopiríase Ocorre devido à baixa temperatura, o corpo do peixe fica coberto com pequenos pontos brancos, os animais ficam inquietos e se raspam. Intoxicação alimentar Causada pelo excesso de alimento ou pela sua deterioração, quando os peixes ficam próximos à superfície da água e com o ventre estufado. Argulose Provocada por um crustáceo, é também chamada de piolho de carpa. O peixe apresenta movimentos nervosos nas nadadeiras e pontos vermelhos na pele. Hidropisia infecciosa Existe a intestinal que causa acúmulo de líquidos no abdômen (barriga d’água) e a ulcerosa que forma manchas de sangue no corpo do peixe e destroem as nadadeiras. Apodrecimento das nadadeiras Geralmente, ocorre por ação de bactérias, as nadadeiras ficam brancas e começam a desmanchar, e temperatura baixa e pH alto favorecem o aparecimento. Saprolegniose Doença causada por fungo, os peixes ficam com manchas brancas por todo o corpo. Geralmente, ataca os peixes feridos e sobras de alimentos e temperatura abaixo de 23 °C facilita seu desenvolvimento. 6. Novas alternativas para a piscicultura A maioria dos estados brasileiros tem grande potencial para a piscicultura em vista da disponibilidade de água, sem contar com a possibilidade da integração com outras criações, como suínos, bovinos e aves que produzem subprodutos que podem servir de insumo para a piscicultura. É possível produzir carne de alto valor proteico e baixo custo a partir dos dejetos animais, com segurança alimentar e com rentabilidade ao produtor, além de resolver um sério problema ambiental que é a destinação inadequada dos dejetos. O modelo de produção agropecuária baseado em monocultivos e monocriações já não se sustenta mais. Por isso, é necessária a integração dos cultivos e das criações sob a justificativa da diversificação da renda e da soma dos benefícios gerados. Técnicas de Produção Animal 159 Criação integrada de peixes com suínos É possível trabalharmos com cultivo integrado na piscicultura, onde os resíduos de uma atividade servem para alimentar outra, com o objetivo de reduzir os custos com a alimentação e a reciclagem de nutrientes. Um exemplo é a piscicultura junto com a criação de suínos, onde os dejetos fertilizam a água e aumentam a produção de plâncton, alimento dos peixes filtradores. O Informações extras A China, que é um dos maiores países produtores de peixes de água doce do mundo (quase 60% do total), baseia sua criação na integração com outras espécies animais, principalmente aves e suínos, pois possibilita aumento de produtividade e, principalmente, baixo custo de produção. Os peixes criados em cativeiro que utilizam adubos orgânico,s como estercos, têm aumentada sua concentração de Ômega 3 em relação aos peixes de habitat natural. Ômega 3 Ácido graxo poli-insaturado encontrado em peixes e animais marinhos e é muito benéfico à saúde humana, pois reduzem os efeitos do excesso de gordura e colesterol. A carpa comum, o pacu, o bagre africano e a tilápia utilizam diretamente os dejetos da água para a produção de carne. Desta forma, a criação de peixes pode contribuir para a minimização dos problemas ambientais gerados pela criação de animais confinados, especialmente suínos. Como regra geral, não se deve colocar mais de 50 a 100 kg de massa seca de qualquer adubo orgânico por dia e por hectare. Essa quantidade equivale a 50 a 100 suínos de 50 kg de peso vivo por hectare de lâmina de água ou 500 a 2000 frangos ou marrecos por hectare de água (MATOS, et al. 2006). ` Atenção A carne de peixes alimentados com dejetos suínos atende aos padrões recomendados pelos órgãos de vigilância sanitária para o consumo humano (MATOS, et al. 2006). O que muitas vezes falta ao piscicultor brasileiro, por falta de conhecimento sobre a qualidade e quantidade dos peixes criados, é entender que não basta somentemercados consumidores. Ele pode representar uma boa alternativa de diversificação à produção ovina e também à bovinocultura, principalmente para o consumo de leite por pessoas com intolerância ao leite de vaca. O Informações extras Esse leite contém quase o dobro de sólidos totais que o de vaca: maior teor de proteína, principalmente a fração de caseína, e gordura. O rendimento industrial chega a 18-25%, ou seja, são necessários apenas 4-5 kg de leite de ovelha para a produção de 1 kg de queijo, enquanto se requer 8 a 12 kg de leite de vaca para fazer 1 kg de queijo. A produção do leite de ovelha pode ser uma alternativa viável para os produtores brasileiros que pretendem ampliar suas fontes de retorno econômico. As pesquisas sobre a produção e a composição do leite ovino visam tanto o mercado da carne com maior rendimento na criação de cordeiros para abate quanto a manufatura de produtos derivados do leite, principalmente o queijo e o iogurte, devido às características únicas deste leite que permitem maior rendimento industrial e lucratividade para o produtor. Lã ovina As raças para lã e as raças mistas concentram grande parte do rebanho, o que torna a lã um dos principais produtos derivados da ovinocultura. A lã pode ser classificada de acordo com as características das fibras e a qualidade do velo. Um ovino passa a dar boa lã a partir dos dois anos de idade. A melhor época da tosquia varia de acordo com a raça, o clima da região e com o amadurecimento de certos vegetais, como as leguminosas, cujas sementes aderem ao velo, desvalorizando a lã. De modo geral, é feita uma vez por ano, no início da estação seca, evitando assim o aparecimento de doenças pela exposição dos animais à chuva. Curso Técnico em Agronegócio 76 Fonte: Shutterstock A tosquia manual pode ser feita com tesoura, chamada de martelo, e a mecânica com máquina elétrica de tosquiar. Uma pessoa hábil tosquia manualmente 30 animais em oito horas de trabalho. Com a máquina é possível tosquiar 80 a 100 cabeças/dia. Após a tosquia. o animal fica muito cansado e estressado e deve descansar em bom pasto até que esteja recuperado. ` Atenção As indústrias que processam lã são as maiores compradoras do produto dos ovinocultores. A elas interessa todo tipo de lã produzida, pelas quais pagam preços diferenciados conforme a qualidade, desde que a tosquia seja feita de forma adequada. Muitas vezes, os próprios tosquiadores representam estas empresas intermediando a venda. A diferença no preço pago tem a ver com a qualidade e o preço de venda do que é produzido nessas indústrias. Aumento de produção e produtividade, além de melhoria da qualidade da lã e da carne de carneiro e ovelha, são as metas de diversos projetos de pesquisa em ovinos (carneiros e ovelhas) que vêm sendo desenvolvidos no país. A produção de lã nacional tem que avançar na modernização e manipulação da lã, principalmente na tosquia e após sua realização, para obter um produto de melhor qualidade e atender aos requisitos exigidos pela indústria. Desta forma, é possível o aumento do valor pago pela lã e melhor rentabilidade do produtor laneiro. Pele ovina O criador de ovinos pode agregar valor às peles decorrentes do abate doméstico se curtir, em vez de comercializar o pelego in natura que tem baixo valor agregado. No curtimento artesanal, emprega-se um pequeno número de substâncias químicas ou vegetais, utilizadas em quantidades reduzidas, além de equipamentos adaptados facilmente encontrados na propriedade rural. Pelego É a pele do carneiro com a lã. Técnicas de Produção Animal 77 A pele curtida pelo processo artesanal tem boa aceitação no mercado. O custo do curtimento equivale a oito vezes o preço da matéria-prima bruta, enquanto o valor de mercado da pele curtida vale cerca de 20 vezes mais. O método de curtimento mais utilizado está alicerçado em sais de cromo, que conferem maior elasticidade e maciez ao pelego, além de ser um produto facilmente encontrado no mercado. Entretanto, vale ressaltar que de nada adianta bons métodos de curtimento se a pele não for cuidada desde a eleição do ovino para o abate. d Comentário do autor É importante que você saiba que o ovino não deve ser abatido cansado ou ferido, pois os animais nestas condições tendem a produzir pele sem brilho e com queda de lã. A sangria deve ser completa. As peles de animais mortos no campo, ou secas ao sol, embora com boa aparência, devem ser descartadas, pois apresentarão danos irreversíveis na qualidade do pelego. Devido a sua estrutura, a decomposição da pele ovina começa aproximadamente três minutos após o sacrifício do animal, sendo retardada nas peles estendidas, o que exige providências imediatas que começam pela adequação do local e especialização do trabalho para a obtenção de qualidade no produto fi nal. 3. Alimentação e manejo de ovinos Você sabia que os ovinos possuem a capacidade de aproveitar alimentos fi brosos e grosseiros como capins, ramos e palhas? Isto se deve à constituição de seu aparelho digestivo, características dos ruminantes quando apresentam o estômago muito desenvolvido e dividido em quatro partes: rúmen, retículo, omaso e abomaso. Estômago dos ruminantes Rúmen Retículo Albomaso Intestino Omaso Esôfago Legenda: Estômago dos ruminantes Fonte: Shutterstock A capacidade de digestão e o aproveitamento da pastagem dependerá da efi ciência do desempenho e da qualidade da forragem. O ideal é o fornecimento mínimo de 50 a 70% da MS (matéria seca) da dieta na forma de volumoso, ou seja, pasto. Curso Técnico em Agronegócio 78 Portanto, a alimentação dos ovinos deve ser feita baseada na pastagem, havendo necessidade de suplementação somente em situações especiais, já que o fornecimento excessivo de concentrado, além de aumentar os custos, também pode favorecer a ocorrência de problemas como: timpanismo, cetose, enterotoxemia e diarreias. Timpanismo O timpanismo é um acúmulo anormal de gases no estômago do animal, causando uma distensão acentuada do rúmen e do retículo. Cetose Acidose causada pelo aumento de corpos cetônicos, como no caso da acidose diabética; cetoacidose. Enterotoxemia A enterotoxemia é uma doença de infecção aguda e não contagiosa. Ela é causada pelo Clostridium perfringens, um bastonete gram-negativo, anaeróbio formador de esporos que afeta bovinos, ovinos e caprinos, podendo provocar morte súbita e causar prejuízo para o proprietário. Em geral, os ovinos podem ser mantidos a pasto, tendo sempre à disposição água e sal mineral à vontade. Em determinadas épocas do ano, pode ser necessário o fornecimento de forragem conservada como a silagem. Também é recomendável a suplementação alimentar de ovelhas no terço final de gestação, em lactação, cordeiros desmamados e reprodutores em serviço de monta. A capacidade de consumo de forragem pelos ovinos é regida pelos seguintes fatores: • palatabilidade da forragem; • velocidade de passagem no tubo digestivo; • efeito do ambiente sobre o animal; e • quantidade de forragem disponível. ' Dica Uma das alternativas para os períodos de escassez de alimento é a amoreira, que tem alta palatabilidade, excelente nível de proteína (22%) e produz cerca de 50 toneladas de massa verde/hectare/ano. Deve-se lembrar, também, que durante o planejamento das pastagens e preparo de alimentos complementares como concentrados, os cuidados especiais com a sanidade do rebanho, dentre eles vacinas e vermifugação, o acompanhamento da cobertura, a gestação e parto dos Técnicas de Produção Animal 79 animais, além da desmama e preparativos para a tosquia e abate são os principais cuidados de manejo na ovinocultura. Forrageiras mais indicadas Você sabia que as ovelhas têm a preferência de pastejar à ponta dos pastos, consumindo-o em camadas, de cima para baixo? Além disso, estes animais possuem lábios fendidos, o que lhes dá a capacidade de escolher com precisão o que será ingerido, mesmo se for de tamanho diminuído. Destajogar os alevinos no viveiro e esperar obter boas produções de peixes. Curso Técnico em Agronegócio 160 d Comentário do autor Muitos piscicultores não usam adubo orgânico em sua criação, ou não possuem criação de suínos, mas chega a ser uma necessidade a criação junto com os peixes, pois quanto mais fresco o esterco melhor, pois os peixes usam partículas não digeridas pelos suínos. Sem contar o grande benefício ambiental, já que o dióxido de carbono e o nitrogênio do esterco são totalmente aproveitados, principalmente na produção de algas e plâncton, que promovem a fotossíntese no viveiro e por isso a produção de oxigênio, o produtor de peixes tem que promover a fotossíntese no viveiro, entendendo que o esterco é fonte de nutrientes e energia para a produção de proteína animal de qualidade. Piscicultura em tanques-rede É a criação de peixes em cercados, localizados em lagos, rios ou barragens que tem por objetivo conter os animais e aproveitar ao máximo a alimentação fornecida aos peixes. Geralmente, o tanque-rede mede em metros 2x2x1,7, ficando com cerca de 4 m3 úteis para a criação. ` Atenção O local de instalação do tanque-rede deve ter profundidade suficiente e largura de pelo menos 1,5 vezes a do tanque, e precisa ser instalado perpendicular à correnteza da água. A fixação dos tanques pode ser feita com cordas ou âncoras, e devem ser dispostos em fileiras e separados com largura igual a do tanque, ou seja, dois metros. E a alimentação é semelhante à feita em viveiro, porém nos tanque-rede, é colocada diretamente dentro de cada tanque. É importante saber que alguns problemas podem ocorrer em tanques-rede, como: • deslocamento de plantas aquáticas que podem carregar o tanque rio abaixo; • fixação de algas na tela do tanque que devem ser removidas frequentemente, pois comprometem a renovação da água; • ocorrência de peixes invasores dentro dos tanques que devem ser retirados; • ocorrência de predadores principalmente na fase inicial, como piranhas e pássaros; • roubo dos peixes do taque, já que, muitas vezes, são criados em rios de uso comum. Também há algumas doenças que acometem os peixes e que são infecciosas, de forma que são transmitidas aos outros peixes. Assim, ao menor sinal de alteração, principalmente na aparência e comportamento dos peixes, deve-se procurar ajuda especializada para identificar a causa e as possíveis medidas de controle. Técnicas de Produção Animal 161 Atividade de aprendizagem Tópico 1: Piscicultura 1. Referente aos sistemas de criação de peixes, assinale V para verdadeiro e F para falso e encontre a alternativa correspondente à sequência correta: ( (( O sistema extensivo tem menos de um peixe por metro quadrado, a rentabilidade é baixa e o manejo alimentar é eficiente. ( (( No sistema extensivo, os peixes dependem do alimento natural, com pouca ou nenhuma tecnologia, e o investimento é baixo. ( (( O sistema semi-intensivo é caracterizado por densidade média e fornecimento de complementação alimentar e uso moderado de tecnologias. ( (( No sistema intensivo, há alta densidade de peixes, uso de ração comercial e a produtividade é alta, mas o custo de produção é baixo. ( (( O sistema de maior rentabilidade na piscicultura é aquele que representa o maior retorno no capital investido e pode variar conforme a região, devido ao mercado consumidor. a) V F V F V b) F V F F F c) F V V V V d) F V V F V e) F F F V V 2. Em relação à alimentação dos peixes, assinale a única alternativa CORRETA: a) A alimentação não varia conforme as estações do ano e sempre deve ser fornecida a mesma quantidade. b) A quantidade a ser fornecida varia de acordo com a quantidade de peixes por metro quadrado e não importa de qual espécie eles são. c) A quantidade de plâncton no viveiro de peixes é muito importante e seu desenvolvimento não é estimulado por meio da adubação orgânica do viveiro. d) A calagem auxilia na manutenção do pH ideal da água e não beneficia a criação dos peixes. e) Para definir a quantidade de alimentação a fornecer somente é necessário saber quantos peixes existem no viveiro. Curso Técnico em Agronegócio 162 3. Na construção de viveiros para peixes, assinale o que NÃO pode ser feito: a) Com certeza, o maior custo da piscicultura é a construção dos viveiros. b) É necessária a retirada de todo material vegetal antes de começar a construção do viveiro. c) Preferencialmente o viveiro deve ser escavado, com uma fonte abundante de água e que possibilite o controle da vazão. d) O formato ideal do viveiro é quadrado, pois facilita a retirada dos peixes e o uso da água. e) A profundidade do viveiro não deve ultrapassar 2 metros e a parte mais rasa deve ter pelo menos 80 centímetros, pois assim não favorece o aparecimento de plantas aquáticas. Encerramento do tema Ao longo do Tema 3: Peixes você foi convidado a refletir sobre a importância econômica e social da piscicultura, a conhecer as principais espécies de peixes, bem como os sistemas de produção, alimentação e manejo. A partir de agora, você tem o conhecimento necessário para elaborar planejamentos e projetos de implantação e melhoria da produção de peixes para aplicar técnicas viáveis de produção animal, analisar sistemas de produção e buscar alternativas viáveis de mudança e de diversificação da renda. Técnicas de Produção Animal 163 Encerramento da Unidade Curricular Durante esta Unidade Curricular, você estudou a importância econômica e social da criação de animais como bovinos, ovinos, caprinos, aves, suínos, coelhos e peixes. Você conheceu as principais espécies desses animais e teve uma visão sistêmica dos sistemas de manejo e melhoramento zootécnico ligado à produção animal. Também conheceu as principais doenças que podem comprometer a sanidade das espécies exploradas e as formas de prevenção. Utilize bem esses novos conhecimentos adquiridos e não pare por aqui. Sucesso na sua jornada! Referências Bibliográficas ABC (Associação Brasileira de Criadores). Pecuária de corte. 2015. 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Disponível em: .Acesso em: set. de 2015. Gabarito das atividades de aprendizagem Tema 1 Tópico 1: Bovinocultura de leite 1. Alternativa “C”. F V F V V 2. Alternativa “E”. A água pode ser fornecida às vacas diretamente em fontes, lagos e rios desde que seja de boa qualidade e em quantidade suficiente. 3. Alternativa “E”. Aplicar solução pós-dipping após a retirada das teteiras e antes de liberar as vacas. Tópico 2: Bovinocultura de corte 1. Alternativa “D”. V V V F F 2. Alternativa “E”. Acabamento de carcaça, gordura entremeada entre as fibras e alto rendimento de carcaça é tudo que o mercado consumidor de carne não quer. 3. Alternativa “C”. Os parasitas externos podem ser combatidos com pulverização, pour-on, banheiros de aspersão ou imersão e ainda com produtos injetáveis de amplo espectro que são eficientes. Técnicas de Produção Animal 169 Tópico 3: Ovinocultura 1. Alternativa “B”. V F V F V 2. Alternativa “D”. Os ovinos realizam pastejo bastante seletivo e rente ao solo, tanto faz o porte da pastagem, pois não influencia no pastejo e do comportamento animal. 3. Alternativa “E”. Não deve ser feito o cruzamento entre raças para a produção de carne. Tópico 4: Caprinocultura 1. Alternativa “E”. V V V F F 2. Alternativa “B”. O capril deve conter as baias para: cabras secas e em lactação, cabritos(as), recria, maternidade, reprodutores, além de escritório, farmácia e sala de ração. 3. Alternativa “D”. Deve ser respeitada a relação bode por cabras de 1 para 25, mas o bode pode fazer cerca de 10 saltos por dia na estação de monta. Tema 2 Tópico 1: Avicultura 1. Alternativa “E”. F F F F V 2. Alternativa “E”. O local da correta localização do termômetro é na altura do dorso das aves, assim é possível medir em qual a temperatura que as aves estão sendo criadas. 3. Alternativa “C”. O piso do aviário deve ser em nível. Tópico 2: Suinocultura 1. Alternativa “A”. F F F V V 2. Alternativa “E”. Colocar os leitões para mamar colostro, os mais fracos em qualquer das tetas. 3. Alternativa “A”. No desmame, os leitões devem ser separados da porca de 21 a 35 dias após o nascimento, mas os animais devem permanecer na baia por mais cinco dias. Curso Técnico em Agronegócio 170 Tópico 3: Cunicultura 1. Alternativa “A”. V F V F V 2. Alternativa “C”. A recolha do esterco das instalações deve ser feita a cada dois meses para evitar a proliferação de moscas e microrganismos. 3. Alternativa “E”. Os láparos podem ser desmamados com 18 dias, desde que tenha fonte de calor que mantenha 35°C. Tema 3 Tópico 1: Piscicultura 1. Alternativa “D”. F V V F V 2. Alternativa “E”. Para definir a quantidade de alimentação a fornecer somente é necessário saber quantos peixes existem no viveiro. 3. Alternativa “D”. O formato ideal do viveiro é quadrado, pois facilita a retirada dos peixes e o uso da água.forma, sua preferência é por pastagem nova, fresca e nutritiva, deixando de lado as partes mais velhas das plantas, lignificadas e com menos nutrientes. O pasto a ser implantado para ovinos deve suportar pastejo baixo, que tenha vigoroso rebrote, com pontos de crescimento baixos e com sistema radicial bem desenvolvido e com bom acúmulo de reservas. Os ovinos preferem pastos com estatura média a baixa, com porte inferior a um metro, de forma que em pastos altos tendem a pastejar as bordas, fazendo pouco aproveitamento de todo o pasto, já que têm o comportamento de permanecer em grupos e é muito difícil explorarem a pastagem de forma isolada, sendo assim, os pastos altos dificultam a visualização dos outros animais. Assim sendo, as pastagens recomendadas para ovinos são aquelas de hábito estolonífero, que emitem ramos rasteiros e que enraízam rente ao solo, como: • Gênero Cynodon - Jiggs, Coast-cross, Tifton e Estrelas; • Gênero Digitaria - Capim Pangola; • Gênero Panicum – Aruana e Áries; • Gênero Paspalum – Capim Pensacola. Porém, a maioria desses pastos possui propagação vegetativa – por mudas e não por sementes, o que encarece e difi- culta a implantação, além de serem pas- tos que formam uma camada vegetal fe- chada que atrapalha a penetração solar na sua base, favorecendo a proteção das larvas dos vermes. Este fator dificulta o controle da vermi- nose, principal problema sanitário para os ovinos. A dificuldade de controle au- menta quanto maior for a lotação das pastagens, podendo chegar à inviabiliza- ção da atividade. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 80 Outras forrageiras, normalmente utilizadas em pastagens para bovinos, têm sua utilização dificultada para ovinos por apresentar porte excessivamente elevado ou por não tolerarem o pastejo rente ao solo e pisoteio intensivo promovido pelo ovino. Neste grupo, estão incluídas a maiorias das gramíneas dos gêneros Panicum (colonião), Chloris (rhodes) e a Setária, que ainda têm o agravante da baixa aceitabilidade. As gramíneas do gênero Brachiaria, ape- sar da vantagem de propagação por semente e da acentuada persistência e rusticidade, apresentam problemas de baixo valor nutritivo, limitando a sua uti- lização àquelas categorias de menor exi- gência nutricional. Algumas delas têm provocado fotossen- sibilização (doença que ocorre devido à sensibilidade da camada superficial da pele, quando exposta à radiação solar intensa, por causa de certas plantas e outras substâncias que provocam seu aparecimento). Além disso, em função do hábito de crescimento prostrado, di- ficultam o controle da verminose. Em relação àa pastagem, deve-se: • Utilização de forrageiras produtivas com alto valor nutritivo, alta aceitabilidade, alta concentração de nutrientes e boa digestibilidade; • utilização de gramíneas de porte médio a baixo, com altura inferior a 1 m; • manutenção dos níveis de fertilidade dos solos adequado às exigências da forrageira, repondo nutrientes removidos pelo pastejo e lixiviados; • adoção de sistema de manejo rotacionado, para uniformizar e melhorar a utilização da pastagem e diminuir a infestação de larvas; • diversificação das forrageiras e uso da consorciação com leguminosas, aumentando o nível de ingestão de matéria seca pela variação da dieta e proporcionando maior segurança em relação a variações climáticas (seca e geada) e fitossanitárias (pragas e doenças); • utilização preferencial de espécies de hábito de crescimento cespitoso (porte ereto) que, favorecem a inativação das larvas e ovos de parasitas, por permitirem maior insolação. As pastagens indicadas são aquelas que apresentam intensa capacidade de rebrote e que possuam sistema radicular bem desenvolvido. Dentre as forrageiras, recomenda-se as com hábito de crescimento estolonífero, tais como Coast Cross, Tiftons e Estrelas (gênero Cynodon), Pangola (gênero Digitaria), Pensacola (gênero Paspalum). Fonte: Shutterstock Técnicas de Produção Animal 81 Uma das alternativas que tem mostrado melhores resultados é o capim Aruana (Panicum maximum cv. Aruana), tendo sido possível a utilização de lotações da ordem de 35 cabeças/ ha/ano e somente 5 a 6 aplicações/ano de anti-helmínticos. ` Atenção Evite pastagens de Braquiaria decumbens devido à maior incidência de fotossensibilização, já que nesta forrageira se prolifera um fungo que produz uma substância causadora da hepatite tóxica no fígado. Manejo e lotação do pasto O manejo adequado das pastagens, a serem utilizadas por ovinos, deve obrigatoriamente levar em conta dois aspectos: a obtenção de forragem em níveis elevados de qualidade e quantidade e a manutenção de um reduzido nível de contaminação por ovos e larvas de helmintos (endoparasitas). Estes dois pontos irão refletir na carga animal a ser utilizada, ou seja, no número de matrizes que as pastagens poderão manter. Visando a exploração intensiva das áreas disponíveis, determina-se o número total de matrizes da criação, que representará a carga animal máxima, com base na área de pastagens efetivamente disponível e no potencial de produção anual, em termos de matéria seca (MS), da forrageira predominante. Considera-se constante o número de matrizes durante todo o ano e admite-se, já de princípio, a necessidade de utilização de forragem conservada (silagem) para suprir a deficiência de alimento no período seco ou frio. d Comentário do autor É importante saber que na definição da carga animal, você deve considerar ainda uma perda média por acamamento e pisoteio de aproximadamente 20% do total da MS produzida e uma média de ingestão de MS de 3,0% do peso vivo (PV) por cabeça por dia, assim sendo, um ovino adulto de 50 kg consome por dia cerca de 1,5kg de MS. As pastagens devem ser manejadas, obrigatoriamente, em esquema de rotação, visando, principalmente, manter-se o controle da infestação da forragem por larvas de helmintos em níveis mais baixo possíveis. Além disso, deve-se evitar períodos de ocupação superiores a sete dias, com o objetivo de minimizar a exposição dos animais às larvas infestantes eclodidas naquele mesmo ciclo de pastejo (autoinfestação). Curso Técnico em Agronegócio 82 Dessa maneira, quando a população de larvas infestantes se tornar significativa, os ovinos já terão saído daquela área de pastagem, cuja forragem estará bastante rebaixada, ficando as larvas sem hospedeiros e expostas às intempéries climáticas (radiação solar e ventos). Fonte: Shutterstock Também é necessário lembrar que o período de repouso entre um pastoreio e outro irá variar em função da época do ano, das condições climáticas, da forrageira e das condições de fertilidade do solo. Em média, considera-se de 30 a 40 dias como tempo suficiente para se ter uma boa recuperação da forrageira, mas isso também depende de fatores climáticos. d Comentário do autor Você poderá obter resultados bastante positivos ao dividir a área total de pastagem em cinco ou seis piquetes utilizados em rotação direta no inverno. No período de verão, cada um desses piquetes é subdividido em três, com uso de cerca elétrica, liberando-se um terço da área, de cada vez, para pastejo em faixas. Nos períodos de condições climáticas intermediárias (primavera e outono), pode- se reduzir para duas o número de subdivisões de cada piquete. Como esclarecimento, vale lembrar que o efeito positivo do manejo rotacionado das pastagens, sobre o controle da verminose, não se deve tanto ao período de descanso após cada ciclo de pastejo, mas sim ao efeito drástico causado pela insolação plena da base das touceiras do capim após o rebaixamento, eliminando parte considerável das larvas, seja pela insolação direta (radiação ultravioleta), seja pela dessecação das larvas. Técnicas de Produção Animal 83 ' Dica Uma prática interessante e que pode resultar em menor taxa de infestação dos animais por larvas de helmintos é a restrição do pastejo nas primeiras horas do dia, quando a pastagem, em razãodo orvalho, ainda apresenta elevado teor de umidade. Nestas condições, as larvas se apresentam distribuídas em todo o perfil da pastagem. Quando o orvalho seca e a umidade do topo das plantas diminui, em função da ação da radiação solar, as larvas tendem a migrar para as partes mais baixas da planta, em busca de ambiente mais sombreado e com maior umidade, que ofereça maior proteção contra a radiação solar e contra a dessecação. Outra prática a ser adotada no esquema de controle da verminose é a utilização concomitante da área de pastejo por bovinos e/ou equinos. Isso se deve à baixa possibilidade de infestações cruzadas entres as diferentes espécies de helmintos que parasitam cada uma delas e ao papel de limpeza que cada espécie efetua para a outra quando ingere e elimina das pastagens larvas de vermes específicas da outra espécie. Há ainda que se considerar o aspecto positivo que a consorciação de espécies com diferentes hábitos de pastejo exerce sobre a quantidade e a qualidade de forragem, em função da maior uniformidade e equilíbrio no pastejo. Manejo dos cordeiros É recomendável que o cordeiro permaneça pelo menos 15 dias em local limpo. Confira a seguir os cuidados a serem tomados durante o manejo: a) corte e desinfecção do umbigo, evita a penetração de patógenos, e deve ser realizado com uma tesoura desinfetada a 5 centímetros do abdômen e aplicar tintura de iodo (10%); b) manejo das crias abandonadas, que podem ser alimentadas com leite de vaca ou em pó; c) corte da cauda, usados nos animais de lã, para asseio da região perianal, evita miíases, acidentes na cópula e higiene no parto. Nas raças deslanadas, não se deve descolar, pois os animais usam a cauda para repelir moscas; ` Atenção Essa prática deve ser feita em animais com 5 dias, com elástico na altura das pregas e, após 2 ou 3 dias, o rabo deve ser amputado com faca desinfetada abaixo do elástico. Para cordeiros destinados à produção de carne, não é necessária a caudectomia. d) castração, em abate com no máximo 6 meses não se usa, já que a castração proporciona deposição de gordura em detrimento de músculo; e) sinalação, marcação para a identificação dos animais, podendo ser tatuagem ou brinco; Curso Técnico em Agronegócio 84 f) desmame, que pode ser: • precoce, de 35 a 45 dias, exige muita atenção, creep-feeding, dispõe as fêmeas para ova cobertura mais rápido e evita a contaminação da mãe para a cria; • semiprecoce, de 45 a 70 dias, exige creep e bom acompanhamento do rebanho; • normal, 70 a 80 dias, a mortalidade pré e pós-desmama é muito pequena, as crias devem receber vermífugo na semana do desmame, podendo-se obter 32 kg de peso vivo aos 90 dias de idade; • tardio, após 80 dias, usado em criações extensivas, não é indicado e tem mortalidade elevada devido à contaminação por helmintos que a mãe proporciona. O Informações extras O creep-feeding é o sistema de alimentação suplementar que permite somente o acesso das crias, com o objetivo de desmamar cordeiros mais pesados, possibilitar desmame precoce, reduzir a idade de abate, permitir rápida recuperação das ovelhas e menos contaminação dos cordeiros pelas ovelhas. Pode ser localizado junto à área de descanso ou aprisco e deve ser provido de abertura com dimensões de 25 a 30 cm de altura e 15 a 17 cm de largura para impedir a passagem das ovelhas. 4. Instalações para ovinos Não se pode esquecer também que é comum ocorrer perdas de animais por ataque de predadores, principalmente à noite, sendo importante a proteção do rebanho. Para isso, é aconselhável a construção de um galpão chamado de aprisco, perto da casa do tratador, para impedir o acesso de predadores, dimensionado para 1 m2/animal. ` Atenção Os ovinos deverão permanecer no local o menor tempo possível para não limitar o pastejo. O aprisco pode ser de chão ripado, cimento ou terra batida. A construção pode ser rústica, com piso ripado com 1,5 cm de espaçamento, elevado a 1 metro do solo, pé direito de 2,5 m para uma boa ventilação e com paredes de 1,50 m de altura. Deve ter divisões internas (baias) medindo 2 x 2m a 2 x 3m cada um, com comedouro e bebedouro, para os reprodutores. É imprescindível a construção de um curral de manejo, dividido em mangueiras e bretes, para os trabalhos de vacinação, marcação, descola, vermifugação, conforme o tamanho do rebanho pode ser no aprisco. Para contenção, seringa em área coberta, com tronco de 90 cm de altura x 50 cm de largura no alto e 30 cm em baixo, fundamental um pedilúvio de 10 cm. Técnicas de Produção Animal 85 Cercas A cerca elétrica é um instrumento de muita utilidade para o manejo e a contenção dos animais. Entretanto, existem alguns fundamentos relativos ao seu uso para os ovinos, que devem ser considerados para sua utilização com eficácia. A cerca elétrica pode ser utilizada na subdivisão de pasto, com dois fios, o primeiro a 20 cm e o segundo a 40 cm do solo. Fonte: Shutterstock As cercas fixas devem ser construídas com seis a sete fios de arame liso, mourões a cada 10 metros e tramas a cada 2 metros. A distância do primeiro fio deve ser a 10 cm, do segundo e terceiro a 15 cm, do quarto e o quinto a 20 cm e do sexto a 30 cm. ` Atenção O arame farpado jamais deverá ser utilizado, pois pode ocasionar sérios ferimentos nos animais e depreciar o couro. Bebedouros Os bebedouros devem ser de fácil limpeza e com boa vazão, o consumo de água é de 5 litros/ animal adulto/dia e uma ovelha em lactação de 15 litros. Não se deve permitir o acesso dos animais em aguadas naturais, pois além dos problemas de cascos devido ao excesso de umidade, leva maiores infecções por vermes. Curso Técnico em Agronegócio 86 5. Raças ovinas e aptidão Para ter resultados na produção de ovinos, é necessário definir qual será o objetivo da criação: carne, lã, leite ou pele. Pois a escolha da raça adequada, com maior habilidade para cada produção e com adaptação ao local de criação, é fundamental para ter êxito no empreendimento. Confira a seguir as principais raças de ovinos, segundo Salomoni (2008): Lacaune - Já existem rebanhos comerciais bem-sucedidos de ovelhas da raça Lacaune no sul do país e outras criações de animais puros e mestiços das raças Lacaune e Santa Inês em produção em Minas Gerais. A tendência é o aumento da produção e comercialização dos produtos, principalmente de queijos e iogurtes. Também há interesse por parte das instituições de pesquisa, com formação de rebanhos próprios que permitirão mais esclarecimentos sobre a ovinocultura leiteira em condições brasileiras. Texel - Originária da Holanda, possui tamanho médio, tendendo para grande, muito compacto, com massas musculares volumosas e arredondadas, constituição robusta, evidenciando vigor, vivacidade e uma aptidão predominante para carne. Atualmente, é considerada uma raça de carne e lã, pois possui uma carcaça de ótima qualidade e bom peso, produz ainda apreciável quantidade de lã. É uma raça rústica, com pouca gordura na carne, precoce abate com 90 dias e prolífera com cerca de 160%, sendo muito utilizada em cruzamentos. Suffolk - Oriunda da Inglaterra, é um ovino de grande desenvolvimento corporal, de constituição robusta e de conformação tipicamente para carne. Seu corpo é comprido e musculoso, as extremidades desprovidas de lã e revestidas de pelos negros e brilhantes. A postura de sua cabeça e formato das orelhas fazem do Suffolk um ovino inconfundível. Animais rústicos, precoces, prolífera com 165% e tem rendimento de carcaça de 55%. Ile de France - Origem francesa, é um ovino de grande formato, constituição robusta e conformação harmoniosa, típica do animal produtor de carne. É considerada uma raça de duplo propósito, orientado em 60% para a produção de carne e 40% para a produção de lã. Produz carcaça pesada, de qualidade, precoce, muito prolífera com cerca de 160% e produz cordeiro em diferentes épocas. Técnicas de Produção Animal 87 Santa Inês - É resultado do cruzamento entreas raças Bergamácia (italiana) e Morada Nova. Ovino de grande porte, produtor de boas carcaças e pele forte e resistente. As fêmeas são ótimas criadeiras, parindo cordeiros vigorosos, com frequência de partos duplos e excelente capacidade leiteira. Caracteriza-se por quatro pelagens: branca, chitada, vermelha ou marrom e preta. Seu hábito de pastejo se assemelha ao caprino, pois aceita vegetação arbustiva. É uma raça produtora de carne e pele. Crioula - Originária do Rio Grande do Sul, tem a cara e as extremidades descobertas e o velo formado por mechas, de coloração variando do branco ao preto, incluindo tons intermediários. O velo se abre na linha dorso-lombar, caindo lateralmente ao corpo. Possui tamanho médio e são animais ativos, com acentuado comportamento gregário e aguçado instinto de defesa, porém são de fácil manejo. Produz lã para artesanato, carne magra, pele de alta qualidade, muito resistente a endoparasitas e problemas de casco, puberdade precoce e longeva. Dorper - É originária da África do Sul, do cruzamento de Dorset com Somalis. São animais baixos, brancos, com cabeça preta, robustos, têm corpo compacto e profundo, pernas curtas e musculosas. É definida como uma raça semideslanada, pois possui alguma lã no dorso. É precoce, e em idades avançadas produz carcaça gorda. Seu ciclo reprodutivo é pouco estacional. Merino - Origem espanhola, é um animal imponente, de aspecto nobre E bom desenvolvimento corporal. Sua constituição é robusta e de conformação angulosa. Denota grande volume de lã. Esta é uma raça rústica, longeva, que não se adapta em campos úmidos, especializada na produção de lã fina, orientado para 80% de produção de lã fina e 20% de carne. Ideal - Originária da Austrália, é uma raça orientada para produção de lã, portanto com mais ênfase para os caracteres laneiros, orientado em 70% para a produção de lã e 30% para a carne.É um ovino de porte médio, bem constituído, gerando vivacidade e vigor, que ostenta um velo volumoso. A sua conformação é bem equilibrada e denota bem suas aptidões de rusticidade e produção de lã fina e prolífica. Curso Técnico em Agronegócio 88 Corriedale - Origem da Nova Zelândia, tem bom porte e dá a impressão de um animal de grande vigor e ótima constituição, que se manifesta em sua conformação, própria para a produção de carne e lã. Ele tem o andar ágil e de grande vitalidade, o que lhe confere uma boa capacidade de deslocamento. Sendo um ovino de duplo propósito, orientado em 50% para a produção de lã e 50% para a produção de carne, apresenta um esqueleto bem constituído e um velo pesado, extenso e de boa qualidade. Além disso, é uma raça rústica e prolífica. Romney – De origem inglesa, tem aspecto geral de um animal compacto, vigoroso e bem implantado, com vivacidade e nobreza racial. Sendo uma raça desenvolvida e aperfeiçoada mais para a produção de carne, deve ser grande, com boa carcaça, possuindo membros fortes e vigorosos. É uma raça de duplo propósito, orientado em 60% para a produção de carne e 40% para a produção de lã grossa. Tem conformação para carne e constituição robusta. Extremamente rústico e precoce. Hampshire - Originária da Inglaterra, possui tamanho grande, conformação harmoniosa e constituição robusta. É compacto e musculoso, evidenciando, à primeira vista, grande definição racial e sua especialização é como produtor de carne. Precoce carcaça de boa qualidade, aos 4 meses 35 kg de peso vivo, rendimento de 50%. 6. Inovação na ovinocultura Integração de bovinos e ovinos A integração de bovinos e ovinos é um tema inovador, no qual o primeiro ob- jetivo é aumentar a renda, ao invés de depender somente do leite bovino. Ou- tro importante objetivo é o manejo das pastagens, pois as ovelhas não refugam aquilo que não apetece aos bovinos. Por isso, somente após a organização da bovinocultura, há possibilidade de fazer uma criação de ovelhas na mesma área, ou seja, depois de retirar os bovinos da pastagem, devem ser inseridas as ove- lhas para fazer o repasse, o que acaba por beneficiar o pasto. Fonte: Shutterstock Técnicas de Produção Animal 89 O principal benefício da integração de vacas e ovelhas é a redução da contaminação por parasitas na pastagem, já que quebra o ciclo dos parasitas e também garante melhoria da qualidade e na quantidade de pasto produzida, o que faz com que a produtividade aumente. ` Atenção Mas, fique atento! A criação integrada de bovinos e ovinos também possui algumas necessidades básicas, como a adaptação das cercas e currais de manejo para que não haja fuga dos ovinos, já que são animais de menor porte. Para bovinos, um fio eletrificado a 80 centímetros do solo é suficiente, mas para ovinos três fios eletrificados, um a cada 25 centímetros, são necessário e, muitas vezes, não são suficientes. Referente ao hábito de pastejo, os ovinos são mais seletivos que os bovinos. Eles optam pelo pasto mais nutritivo, principalmente pelas folhas. Já para os bovinos que possuem maior capacidade de armazenamento no rúmen, a quantidade é importante e são menos seletivos. As ovelhas, por pastarem mais baixo, deixam as pastagens em melhores condições para os bovinos, fazendo com que seja minimizado o uso de roçadas frequentes que aumentam o custo de produção e a demanda de mão de obra. O Informações extras Algumas espécies indesejáveis na pastagem, como a carqueja (Bacharis trimera), caraguatá (Eryngium horridum), maria mole (Senecio brasiliensis), picão preto (Bidens pilosa) e caruru (Amaranthus sp) são alguns exemplos de plantas que também são consumidas pelos ovinos e, por isso não, é necessário o controle químico ou mecânico graças à criação mista. A integração de ovinos e bovinos na mesma área também maximiza o uso da pastagem, pois evita des- perdício dos pastos, proporcionan- do aumento da carga animal e, por consequência, da rentabilidade por área. A viabilidade da implantação de sistemas integrados só se justifica quando a produtividade é maior do que sem a integração. Mas outros benefícios devem ser avaliados, pois em um sistema integrado há diversificação da produção, não dei- xando o produtor dependente da Fonte: Ramon, 2012. Curso Técnico em Agronegócio 90 renda de um único produto, garantindo sustentabilidade em períodos de crise, assim como a integração de ovino e reflorestamento de eucalipto. Atividade de aprendizagem Tópico 3: Ovinocultura 1. O manejo correto dos cordeiros é fundamental, assinale V para verdadeiro e F para falso e encontre a alternativa correspondente à sequência correta: ( (( Deve-se fazer o corte e a desinfecção do umbigo do cordeiro ao nascer, com tesoura desinfetada, distante 5 cm do abdômen e aplicar solução iodada. ( (( As crias abandonadas não podem ser alimentadas com leite de vaca ou leite em pó. ( (( Deverá ser feito o corte e a desinfecção da cauda dos animais lanados para o asseio da região perianal, pois evita infecções, bicheiras e acidentes durante a cópula e higiene para o parto. ( (( A castração dos machos deve ser feita em todos os animais que serão abatidos. ( (( Pode ser feito o desmame semiprecoce aos 60 dias de idade, desde que seja por meio do creep-feeding e haja bom acompanhamento do rebanho. a) F V F V F b) V F V F V c) V V V F V d) V F V F F e) V F V V V Técnicas de Produção Animal 91 2. Referente à alimentação dos ovinos, todas estão corretas, exceto: a) Graças a seu aparelho digestivo especializado, os ovinos têm capacidade de aproveitar alimentos fibrosos, grosseiros, ramos e palhas. b) A alimentação dos ovinos deve ser feita baseada na pastagem. De 50 a 70 % da dieta deve ser do pasto, pois o custo de produção é menor e o excesso de concentrado pode causar timpanismo, cetose, enterotoxemia e diarreias. c) Ovelhas no terço final de gestação, ovelhas em lactação, cordeiros recém-desmamados e reprodutores em serviço devem receber suplementação, pois têm exigências e desafios maiores nesses períodos. d)Os ovinos realizam pastejo bastante seletivo e rente ao solo. Tanto faz o porte da pastagem, pois não influencia no pastejo e comportamento do animal. e) Pastagens como tifton, estrela, pangola e pensacola são recomendadas para o pastoreio de ovinos, apesar de algumas serem propagadas apenas por mudas, o que encarece a mão de obra na implantação. 3. Assinale a alternativa CORRETA em relação às raças ovinas: a) Antes de escolher a raça, é necessário definir qual a finalidade da criação, sendo elas carne, lã, leite ou pele, não importando a adaptação à região de criação. b) Entre as raças deslanadas, destacam-se a Santa Inês, Dorper e Lacaune. c) A raça Texel tem tamanho médio, compacto, muita massa muscular e por isso aptidão para a produção de carne, além de ser rústica, precoce e prolífera, e sua lã não pode ser usada. d) A raça Merino é robusta e angulosa, especializada na produção de lã de qualidade e em quantidade, rústica e muito longeva, mas não gosta de áreas úmidas. e) Não deve ser feito o cruzamento entre raças para a produção de carne. Curso Técnico em Agronegócio 92 Tópico 4: Caprinocultura A caprinocultura é uma atividade desenvolvida em vários municípios do Brasil, principalmente por pequenos criadores espalhados por quase todo o país. É uma atividade que desempenha importante função socioeconômica, como geradora de renda com a comercialização de animais, carne e peles, além de ser fonte de proteína de alto valor biológico para as populações de baixa renda, com o consumo de animais nas propriedades. Você sabia que o Brasil possui um rebanho caprino de aproxima- damente 8,4 milhões de cabeças, sendo que 93% desses animais concentram-se no Nordeste, 2,4% no Sudeste e o restante distribu- ído nas regiões Centro-Oeste, Sul e Norte? Apesar das potencialidades da caprinocultura, especialmente por possibilitar a melhoria das condições de vida das populações de baixa renda, falta na maioria das criações procedimentos básicos relacionados ao uso de instalações, manejo reprodutivo, alimentar e sanitário. 1. Sistemas de criação Com um manejo simples, facilidade de adaptação a diferentes climas e pouco exigente quanto à alimentação, a caprinocultura ganha importância a cada ano. A caprinocultura de corte apresenta basicamente três sistemas de criação: extensivo, semiextensivo e intensivo: Extensivo Os animais são criados soltos, exclusivamente a pastos. eles sofrem com variações de clima, quantidade e qualidade de alimentos. Estes animais são destinados, principalmente, à produção de carne e peles. Este sistema é característico das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Semiextensivo Os animais permanecem a parto apenas parte do dia, recebendo suplementação alimentar em cochos. Sistema adotado tanto para a produção de carne quanto para a produção leiteira. Intensivo Sistema característico de pequenas e médias propriedades, pois requer maior investimento e mão de obra especializada, adotado, quase exclusivamente, para a produção de caprinos de leite. O animal recebe alimentação balanceada em cochos que consiste em concentrado, sal e volumoso, muitas vezes, com pequena área de pastagem. Este sistema é mais usado nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Técnicas de Produção Animal 93 Tradicionalmente a região Sudeste, onde há maior concentração de pessoas do país, não con- some grandes quantidades de carne caprina. Nesta região, destaca-se a caprinocultura leitei- ra, onde os cabritos produzidos pelas cabras leiteiras são abatidos, sendo esta a única produ- ção de carne caprina. Dentre os produtos de origem caprina, destacam-se o leite, a carne e a pele. Leite – o leite de cabra é muito digestivo, recomendando-se para pessoas de idade, crianças ou indivíduos que tenham alergia ao leite de vaca. Vamos conhecer um pouco mais sobre a composição do leite de diversas espécies: Comparação entre o leite de diversas espécies Espécie Extrato seco % Gordura % Proteínas % Lactose % Cinza % Cabra 12,4 3,7 3,3 4,7 0,7 Vaca 12,7 3,9 3,3 4,8 0,7 Búfala 23,2 12,5 6 3,8 0,9 Ovelha 18,4 6,5 6,3 4,8 0,8 A característica mais importante no leite de cabra, no entanto, é o tamanho de seus glóbulos de gordura, ficando a quatro microns, o que dificulta a desnatagem, porém, facilita a digestão. Já a manteiga não é de boa qualidade, pois é pobre em caroteno, apresentando-se muito branca. Carne - Além de fornecerem leite de boa qualidade, os caprinos ainda são bons produtores de carne. No entanto, o consumo no país ainda é pequeno e estacional, e concentrado no Nordeste e algumas capitais onde é grande a influência nordestina, como Brasília e São Paulo. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 94 Pele - Para os estados nordestinos, local que possui grande concentração de caprinos, a pele é muito importante, pois pode atingir 30% do preço total do animal. Porém, como a criação é feita a campo e os animais não apresentam grande porte, a quantidade de peles classificadas como boas é muito pequena, ficando a grande maioria classificada como regular e com baixo valor agregado. 2. Alimentação e manejo de caprinos No Brasil e na maior parte do mundo, a cabra sempre foi subestimada como uma espécie de potencial de produção, capaz de responder a um sistema de criação com nível tecnológico avançado, devido à sua notável adaptação a ambientes hostis. Algumas razões explicam esta capacidade de adaptação, entre elas, sua afinidade com os arbustos, sua aptidão em escolher as partes mais nutritivas dos vegetais disponíveis, sua capacidade de ingestão, superior aos outros ruminantes, e sua capacidade de melhor digerir a celulose da dieta. Manejo da alimentação Os caprinos são animais capazes de sobreviver em condições de alimentação escassa e de baixa qualidade, entretanto, o seu desempenho é baixo, tanto na produção quanto na reprodução. É necessário que os caprinos disponham de alimento de boa qualidade e em quantidades que satisfaçam suas exigências para expressarem todo seu potencial genético, resultando em aumento da produtividade e lucros. Você sabia que a principal fonte de alimentos é a vegetação nativa da região, cujas folhas e ramos são bastante apreciados pelos caprinos, principalmente arbustos. Apesar da disponibilidade de vegetação nativa, é possível realizar o melhoramento da dieta. As pastagens nativas podem ser aperfeiçoadas de várias maneiras, com a eliminação de plantas que não servem como alimento para os caprinos, diminuindo o sombreamento e a competição com as plantas desejáveis, correção e adubação do solo, além da implantação de pastagens melhoradas e, se possível, efetuar a semeadura de gramíneas e leguminosas de alto potencial. ` Atenção Lembre-se que os animais apresentam maior exigência durante as fases de pré-parto, pós-parto e lactação, sendo essas, portanto, as fases recomendadas para fazer a suplementação alimentar, além da necessidade de se suplementar, também, os reprodutores. A suplementação pode ser feita a partir de subprodutos ou restos das culturas agrícolas, capineiras previamente instaladas na propriedade ou ainda bancos de proteína com leguminosas como leucena e feijão-guandu, que são ricos em proteína. Técnicas de Produção Animal 95 A mineralização consiste no fornecimento de sal mineral de boa qualidade e à vontade, a todos os animais. Tal prática aumenta a saúde do rebanho e o seu desempenho produtivo. Já nos rebanhos em que essa prática não é adotada ou que não é feita de modo adequado, as taxas de natalidade e de crescimento são menores e a incidência de doenças é maior. O sal mineral é uma mistura composta por sal comum, uma fonte de fósforo e cálcio e micronutrientes. O fornecimento de água para os caprinos deve ser de qualidade e em quantidade suficientes. Em relação ao fornecimento de água, quando for de açude, lagoa ou tanque cavado, o produtor deverá evitar que os animais entrem para que não haja contaminação. Por isso, é preferível que os caprinos tenham acessoà água corrente. Os caprinos têm ingestão de forragem inteira 15% superior a da picada, sendo que o consumo de matéria seca oscila entre 2,5 e 4% do peso vivo nos animais produtores de carne, e nas raças leiteiras chega de 3 a 8%. Manejo produtivo Para um manejo produtivo, deve-se levar em consideração alguns aspectos básicos relevantes para que a atividade tenha êxito, mesmo em criações com emprego de tecnologias mais simplificadas ou se for de subsistência. Precisa ser considerado o respeito às condições climáticas predominantes no local onde se deseja implantar ou aprimorar a criação. ` Atenção Quando da formação do rebanho, devem ser adquiridos animais com características adaptadas à região que satisfaçam aos interesses do criador e do consumidor. Além disso, as matrizes devem ser identificadas com brincos numera- dos, permitindo o seu monitoramento com relação ao desempenho produti- vo, idade, número de partos e aspec- tos sanitários. A renovação do plantel deve ser realizada adotando-se uma taxa de substituição de 20% das matri- zes a cada ano. Deste modo, como as novas matrizes advirão do próprio rebanho e com ida- de de aproximadamente 10 meses, re- comenda-se, também, a substituição do reprodutor a cada 2 anos, para evi- tar o seu acasalamento com filhas ou netas (consanguinidade). Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 96 Para estes animais, o desmame das crias pode ocorrer aos 3 e 4 meses de idade. Neste período, deve-se, também, realizar a castração dos machos destinados ao abate, evitando-se coberturas e prenhezes indesejáveis. Em caprinos, a puberdade é precoce, e ocorre em torno dos 4 meses, quando o animal tiver cerca de 50% do peso adulto, mas recomenda-se que seja feita a primeira cobrição aos 8 meses de idade e com 70 % do peso adulto. Dessa forma, o animal tem estrutura para aguentar a gestação de cerca de 150 dias. Em relação à quantidade de bode por cabras, o ideal é de aproximadamente 25 fêmeas por macho, sendo que o bode não deve exceder seis saltos ao dia, caso supere este número, deve descansar no dia seguinte. 3. Instalações para caprinos A instalação recomendada para a criação de caprinos deve ser rústica e barata, destinada ao abrigo e manejo destes animais. Além disso, ela precisa ser construída utilizando materiais existentes na propriedade. Sabia que o capril é a instalação mais importante da criação? É nele que os animais de produção passam grande parte do tempo e, normalmente, é onde o produtor investe grande parte de seu capital. Nesta instalação, estão contidas: as baias de cabras secas e em lactação, as baias de cabritas(os), baias para recria, baias maternidade, baias de reprodutores, farmácia e sala de ração. Alguns proprietários optam por ter a sala de ordenha dentro do capril. A localização deve tomar posição favorável ao trânsito interno na propriedade, dando fácil acesso às pastagens no caso de usar o pastoreio, ou próximo as capineiras, já que é no capril que as maiores quantidades de forragens são consumidas. Fonte: Shutterstock Técnicas de Produção Animal 97 Deve-se evitar a localização próxima a estradas, local onde haja muita circulação de pessoas e não construí-lo em locais úmidos e onde vente muito. A localização também deve favorecer o acesso à energia elétrica e à água limpa. A disposição precisa, preferencialmente, obedecer à orientação leste-oeste em seu maior comprimento, e os solários necessitam de insolação constante durante o dia. ' Dica O tamanho do capril deve ser definido de acordo com o tamanho do rebanho, recomendando-se uma área útil de 0,8 m2 a 1,0 m2 para cada animal adulto. É importante que o capril apresente, internamente, pelo menos quatro divisões para os lotes de animais nas seguintes fases de desenvolvimento. • cabras em estado avançado de gestação e cabras recém-paridas; • animais em fase de reprodução, tanto matrizes quanto reprodutores; • cabriteiro com animais em lactação;e • cabritos desmamados. A primeira divisão deve dar acesso a um piquete com pastagem nativa ou cultivada. Esta área permite manejar adequadamente as cabras próximas à parição e as cabras recém-paridas, evitando a ação de predadores e a ocorrência de bicheiras nos animais recém-nascidos. Fonte: Shutterstock Em cada uma das divisões reservadas, tanto aos lotes de cabras próximas à parição e as recém-paridas quanto para os animais em reprodução e desmamados, devem ser colocados cochos para sal mineral para a suplementação dos animais. Os cochos podem ser feitos de pneus, de tábuas ou de troncos ocos encontrados na propriedade e devem ficar posicionados a uma altura de 0,50 m do solo, podendo, sobre eles, Curso Técnico em Agronegócio 98 ser colocada uma cobertura contra a chuva e uma proteção com ripa ou arame, a uma altura de cerca de 30 cm acima da altura do cocho, para evitar a entrada de animais. 4. Raças caprinas e aptidão O aumento da produção de leite, carne ou peles, normalmente é conseguido por meio da introdução de animais melhoradores no rebanho. Pode-se optar por cruzamento ou por matrizes puras de alto nível de produção, sendo que cada produtor deverá conhecer e avaliar cada uma e optar pela que melhor se adapte a sua condição, observando sempre a disponibilidade de manejo e alimentação. Conheça a seguir as principais raças caprinas e suas características: Boer - É que tem maior aptidão para produção de. São animais originários da África do Sul que atingem pesos bastante altos, sendo utilizados no Brasil, com sucesso, como melhoradores de plantel ou para criação de raça pura. Recentemente o Boer tem empolgado algumas pessoas e isto está causando um aumento dos números de criadores. Saanen - Originária da Suíça, do vale do Rio Saanen, tem aptidão leiteira, e é uma raça bastante pesada. Como a preferência do consumidor é de animais jovens, cerca de 4 6 meses, as progênies de Saanen comparativamente são mais pesadas que outras raças, mesmo as especializadas em produção de carne, o que confirma a indicação de raça de dupla aptidão. Sua produção leiteira é alta, bastante prolífera, podendo entrar em reprodução no sétimo mês quando atinge 35 kg de peso vivo. A pelagem é branca e a pele rosada. Branca Alemã - Essa raça se originou de cruzamento de raças rústicas da Alemanha com animais Saanen importados da Suíça. Com este trabalho de melhoramento, os alemães conseguiram uma cabra de porte menor, de alta produção leiteira e que apresenta uma melhor conformação do sistema mamário. Parda Alpina - Originária da Suíça, tem aptidão leiteira, sendo raça de porte médio e bastante rústica. Como produtora de carne, deixa a desejar uma vez que seus cabritinhos não são muitos pesados. A pelagem é de coloração parda, variando do claro acinzentado ao vermelho escuro. O pelo é curo fino e brilhante. A pele é escura, assim como os cascos e mucosas. Apresenta uma faixa negra no dorso, sendo os membros escuros na parte inferior e a cabeça, assim como a cauda, mais escura que o restante do corpo. Técnicas de Produção Animal 99 Parda Alemã - Essa raça foi criada pelo cruzamento entre cabras nativas Alemãs e as Alpinas. Também para efeito de registro, pode ser cruzada com Pardas Alpina sem perder o seu valor genealógico. É muito parecida com a raça Alpina, sendo no entanto, mais robusta, mais compacta e pesadas. A coloração varia do castanho-claro ao vermelho escuro, podendo apresentar tons acinzentados. Anglo-Nubiana - Tem origem nas cabras levadas da África para a Grã-Bretanha, e cruzada com animais ingleses e suíços, resultando na Anglo-Nubiana. Possui dupla aptidão, carne e leite, mas não é tão boa produtora de leite como Saanen, porém ele tem maior percentagem de sólidos e gordura. 5. Inovação na caprinocultura Você sabia que hoje o foco é o agronegócio da caprinocultura de resultado? O objetivo não é produzir mais cabritos ou quilos de carne por área ou por matriz, mas sim produzir mais lucro para o empresário,com alta densidade econômica. Claro que certos conceitos não devem ser esquecidos, como a sustentabilidade e a utilização de práticas conservacionista. Mas o foco deve ser para uma atividade agropecuária como um negócio para dar lucro e onde também precisa estar clara a ideia de que ninguém está sozinho na atividade. A produção de caprinos envolve desde os fornecedores de insumos até o consumidor final, passando pelos serviços de extensão e pesquisa, abatedouros, açougues, supermercados, restaurantes, curtumes, indústria calçadista e de vestuário. No meio de tudo isso, está o caprinocultor. Ele tem sido o foco das maiores atenções, mas é também o segmento menos organizado, que menos tem evoluído e se modernizado e, em consequência disso, acaba sendo pouco explorado pelos demais elos da cadeia. A partir do momento que o produtor de caprinos se conscientizar de que desenvolve um agronegócio, vai entender a importância da utilização de tecnologia mais adequada. Além de perceber que, ao se reunir em associações e cooperativas, ele beneficia não somente o seu vizinho, mas também a si mesmo. Dessa forma, o produtor vai visualizar com maior clareza que o sucesso de seus fornecedores depende do seu sucesso, e que ele também é responsável pelo sucesso do segmento para o qual fornece seu produto. Curso Técnico em Agronegócio 100 d Comentário do autor Um dado preocupante na caprinocultura é o mercado consumidor, pois o consumo de carne é rigorosamente o mesmo dos últimos 40 anos. Mas se avaliarmos o mercado potencial, algumas simulações indicam que, para alcançar o consumo médio mundial per capita de carne caprina, o rebanho brasileiro deveria se multiplicar 40 vezes. Se consideradas as perspectivas do mercado mundial, em especial dos países árabes, evidencia-se um mercado potencial muito promissor e que pode ser explorado. 6. Principais doenças e parasitas de pequenos ruminantes A sanidade do rebanho deve ser considerada em vários aspectos e momentos. No início de atividade, a preocupação deve ser com os cuidados a serem tomados, para começar com o rebanho limpo. Este é o melhor momento, talvez o único, para evitar a entrada de importantes problemas sanitários no rebanho. O objetivo é minimizar o risco de entrada de novas doenças no rebanho. Principais doenças Clostridioses: bactérias anaeróbicas que penetram nos animais através de cortes, injeções, respiração, comendo ou bebendo. Pode ocorrer no intestino quando houver mudança súbita na alimentação, sendo as principais clostridioses: Carbúnculo sintomático (manqueira) Destruição intensa da área muscular em 1 ou 2 dias, ocorre claudicação, inchaço e alteração na cor dos músculos que ficam vermelho escuro ou preto. Edema maligno (gangrena gasosa) No local afetado, ocorre uma infecção gasosa, e a morte ocorre entre 12 e 48 horas. Clostridium sordeli A pele fica enegrecida no peito e na garganta, ea morte súbita ocorre devido a uma potente toxina. Hepatite necrótica Morte súbita, líquido no abdômen, fígado necrosado e pele enegrecida no abdômen. Intestino purpúreo Cólicas, diarreia fétida com sangue e convulsões, com a parte afetada do intestino ficando azul escura. Técnicas de Produção Animal 101 Doença da superalimentação Mudanças bruscas na alimentação, altos níveis de carboidratos que liberam os clostrídios para o sangue, que mata em poucas horas. O tratamento para estas clostridioses são altas doses de penicilina se for detectado a tempo. Mas o melhor é a vacinação para a prevenção, que deve ser feita nas ovelhas antes do parto, que passam a imunidade para seus filhotes pelo colostro e aos 3 meses vaciná-los e repetir aos 6 meses ou de ano em ano. Tétano Bactéria aeróbia que se encontra na terra ou no esterco, principalmente de cavalo, aparece mais no parto, castração, descola e na tosquia. Qualquer ferida com casca pode ser o ambiente ideal para esse clostrídios. Os sintomas são espasmos musculares e enrijecimento progressivo dos membros, da boca e das orelhas. No início, o tratamento com penicilina e limpeza das feridas resolve. A prevenção pode ser feita com vacinas e com o cuidado das feridas, e evitar a criação de cavalos no mesmo piquete das ovelhas. Pasteurelose: normalmente acontece nas vias aéreas. O estresse do desmame, o transporte, a castração, a mistura com outros animais e os locais mal arejados facilitam o contágio. Os sintomas são febre, respiração com dificuldade e pulmões hepatizados. O tratamento é feito com antibiótico de largo espectro e a prevenção pode ser feita com vacinação. Fonte: Shutterstock Curso Técnico em Agronegócio 102 Diarreia dos cordeiros: ocorre principalmente quando a mãe fica junto do cordeiro e o local não é bem arejado e seco. A mãe deita com o úbere em cima das fezes e o cordeiro, ao mamar, contamina-se e apresenta diarreia cor amarelo brilhante, cólicas, sem apetite, chegando à morte por desidratação. O tratamento pode ser feito com antibióticos de amplo espectro. ' Dica A prevenção é criar os animais em local limpo, seco e passar o lança- chamas uma vez por semana nas instalações. Podridão do casco (foot rot): associação de duas bacté- rias anaeróbias, que atacam o epitélio interdigital que pe- netra na muralha do casco e facilita a entrada de outras contaminações. A lama e o esterco facilitam o foot rot, pois amolece o casco. As bactérias sobrevivem por três semanas, devendo-se isolar os animais afetados para não manter a contaminação no ambiente. Os animais não se alimentam bem devido à dor nos membros. Para prevenir, deve-se casquear os animais a cada seis meses, isolar os afetados, desinfetar os mate- riais e queimar os resíduos. O uso de pedilúvio pode ser feito, primeiro com os animais sadios por cinco minutos e depois com os enfermos por 20 minutos, repetindo o tratamento por três semanas. Os animais sadios devem ser levados a uma pastagem com descanso de 30 dias e os doentes devem ficar no ripado. Tem-se observado que raças Santa Inês e Morada Nova são mais re- sistentes ao foot rot. Nos casos graves, pode-se aplicar três doses de tetraciclina com intervalo de 48 horas entre as aplicações. ' Dica • Sulfato de Zinco (10%) + 2ml/litro de detergente comum. • Sulfato de Cobre (10%), pode intoxicar os animais. • Formol (2,5%), pode ocasionar contaminação ambiental. Queratoconjuntivite: causada por bactéria altamente contagiosa que pode levar os animais à cegueira permanente. Os sintomas são lacrimejamento, vermelhidão e inchaço nos olhos. É transmitida por moscas, poeira, pastagens altas e pela alimentação em cochos coletivos. Legenda: Casqueamento com tesoura de casco (corneta), que previne a podridão dos cascos. Fonte: Ramon, 2012. Técnicas de Produção Animal 103 ` Atenção O tratamento é feito com colírios a base de cloranfenicol ou tetracilcinas junto com anti-inflamatórios. A prevenção deve ser feita com quarentena de animais e os infectados devem receber uma desinfecção no rosto com iodo a 5%. Animais reincidentes devem ser eliminados. Além disso, aa poeira predispõe as ovelhas à conjuntivite. O controle de moscas deve ser feito com iscas distantes 10 metros da instalação. Ectima contagioso (boqueira): causada por vírus que podem se alojar no nariz, nos tetos e na boca, o que dificulta a alimentação. O tratamento pode ser feito com um chumaço de algodão embebido em iodo ou pomada cloranfenicol e violeta genciana. A prevenção é feita por meio da quarentena dos animais, podendo-se vaciná-los. Mastite: as piores são causadas por Staphilococcus aureos e Pasteurela hemolytica, e nos casos severos podem levar o animal à morte ou perda do teto afetado. Também há as mastites subclínicas ou aquelas que intumescem e empedram os tetos. O tratamento para os casos leves é a infusão de pomada com antibiótico nos tetos, mas na mastite aguda, junto com a pomada, usar também um antibiótico de amplo espectro. A prevenção é manter o local limpo e seco e isolar animais contaminados.Hipocalcemia ou tetania da lactação: diminuição do cálcio no sangue, que causam os seguintes sintomas: tremores musculares, espasmos e isolamento do rebanho. O tratamento deve ser feito com aplicação lenta de soluções à base de cálcio e magnésio em injeção endovenosa, e a prevenção se dá pelo correto fornecimento de mistura mineral própria. Principais parasitas A verminose é uma doença causada por vermes que vivem, principalmente, no abomaso (coalho) e intestinos dos animais, podendo atacar todo o rebanho. Quando acometidos pelos vermes, os caprinos se tornam fracos, magros, com pelos arrepiados, apresentando diarreia, edema submandibular (papada) e anemia. A verminose é a doença que mais mata caprinos e ovinos, sobretudo, os animais mais jovens. Os seus principais prejuízos são: • diminuição dos índices de parição; • diminuição do crescimento dos animais; • diminuição da produção de leite; e • aumento do número de mortes no rebanho. Sendo assim é corretor afirmar que um dos principais problemas que acometem o rebanho ovino é a verminose. E um dos melhores métodos de controle é o FAMACHA©, que analisa a coloração da membrana ocular, que quanto mais clara indica que o animal está com anemia causada em sua maioria por parasitos. O indicado é que não se trate todos os animais, apenas Curso Técnico em Agronegócio 104 os com sintomas, o que, além de gerar economia, analisa a resistência individual que pode ser critério de seleção de plantel. O Informações extras O sucesso depende de genética, nutrição e sanidade. Os parasitas são responsáveis por grandes prejuízos. Os principais parasitas externos (artrópodes) são: oestrose (mal da cabeça), miíases (bicheiras), berne e ácaros (sarna). Os principais parasitas internos (protozoários) são: coccidiose (diarreia) e a toxoplasmose (gato). Dos parasitas internos (helmintos), os vermes chatos são: fascíola hepática (caramujo) e tênias; os vermes redondos: vermes pulmonares e vermes gastrointestinais. O estado fisiológico influencia na ocorrência de verminoses, sendo que no período periparto e durante a lactação as cabras sofrem mais. Os principais sintomas são: emagrecimento, anemia, edema submandibular, caquexia e diarreia. Já que 95% das verminoses são subclínicas, o diagnóstico clínico deve ser feito pelo exame das fezes, cultura de larvas e necropsia. ` Atenção Calcula-se que apenas 5% dos vermes estejam na fase parasitária que é passível de sofrer ação do medicamento. É importante ressaltar que o uso indiscriminado, intenso e frequente de vermífugos favorece o aparecimento de resistência nos vermes. Veja a seguir algumas dicas para controlar a verminose: • não confiar apenas no vermífugo, ter medidas auxiliares como a descontaminação da pastagem; • administrar a dose correta de vermífugo, pois as subdosagens favorecem o aparecimento de resistência; • utilizar vermífugos de amplo espectro em rodízio anual e uma aplicação contra Haemonchus; • tratar e confinar animais de fora por 24 horas; • utilizar drogas com eficácia de no mínimo 90% para o rebanho; • possuir pastejo rotacionado, pastejo dos animais jovens antes dos adultos e combinação com outras espécies (bovinos e equinos); • ter desmame precoce e terminação em confinamento; e • fazer uma seleção de animais resistentes aos vermes. Técnicas de Produção Animal 105 ' Dica A vermifugação estratégica é feita nas ovelhas no terço final de gestação, logo após o parto e no desmame (mãe e filho). Sistemas de manejo que possibilitem a limitação da infecção de animais jovens, como o desmame precoce (45 e 60 dias) e o confinamento das crias até atingirem a idade em que o sistema imunológico esteja plenamente desenvolvido, resultam em menores níveis de infecção e melhor desempenho. Agora, veja algumas recomendações de medidas gerais para o controle sanitário: • revisão constante dos animais, separando os doente; • fornecimento de mistura mineral à vontade; • limpeza e desinfecção dos instrumentos usados nos animais; • quarentena dos animais a serem introduzidos no rebanho; • vacinação dos animais contra carbúnculo sintomático, enterotoxemia e gangrena gasosa (ovelhas anualmente 30 dias antes do parto, cordeiros no desmame aos 60 dias e reforço 21 dias depois); • casqueamento e revisão dos cascos; • pedilúvio preventivo uma vez ao mês; e • corte da cauda (caudectomia) nos animais de lã. As moscas são vetores de inúmeras enfermidades, gerando fontes de perda ou baixo desempenho animal. Um sistema de controlá-las é o uso do superfosfato simples (25 - 30 g/ m2) ou gesso agrícola na cama (maravalha) dos animais, o que também enriquece o adubo. A troca da cama deve ser feita a cada 10 a 15 dias. Fonte: Shutterstock Legenda: Identificação na membrana ocular que não apresenta anemia. Fonte: Ramon, 2012. Curso Técnico em Agronegócio 106 Verificar na embalagem do produto a ser usado como vermífugo, a quantidade de dias que o produtor deve esperar para utilizar o leite e a carne dos animais vermifugados (carência), se o produto é indicado para o caprino e ovino, além da quantidade que deve ser aplicada em cada animal. Também importante observar, no momento da compra do vermífugo, a validade ao produto. Atividade de aprendizagem Tópico 4: Caprinocultura 1. Dentre os parasitas ovinos, há grande destaque para a verminose. O que fazer para controlar este mal? Assinale V para verdadeiro e F para falso e encontre a alternativa correspondente à sequência correta: ( (( Pequenos ruminantes com vermes são fracos, magros, com pelos arrepiados, têm diarreia, papada e anemia. ( (( Os prejuízos causados pela verminose são vários, como menor índice de parição, menor crescimento, baixa a produção de leite e aumenta o número de mortes. ( (( Com o método de identificação da anemia membrana ocular é possível identificar os acometidos por vermes e tratar apenas aqueles que apresentam coloração mais clara. ( (( Não há diferença de suscetibilidade entre as categorias animais, nem conforme a raça, todas são iguais em relação à resistência a verminose. ( (( Para o controle efetivo da verminose confie unicamente em um vermífugo de qualidade. a) F F F V V b) V V F F F c) V V V V F d) F V V F F e) V V V F F Técnicas de Produção Animal 107 2. Assinale a alternativa CORRETA em relação as instalações para criação de caprinos: a) Quanto mais sofisticada e maior, melhor será a instalação do capril. b) O capril deve conter as baias para: cabras secas e em lactação, cabritos(as), recria, maternidade, reprodutores, além de escritório, farmácia e sala de ração. c) A localização do capril deve ser longe de estradas ou local de muita circulação de pessoas, não pode ser em local úmido ou de muito vento e também distante da pastagem e das capineiras. d) Recomenda-se uma área útil de 0,8 a 1 m2 por animal adulto e não precisa divisões dentro do capril. e) Não é necessário colocar cochos para sal mineral e suplementação dentro do capril. 3. Em relação ao manejo produtivo, a única alternativa INCORRETA é, em relação ao manejo produtivo: a) Todas as matrizes devem ser identificadas com brincos, para que seja feito o controle produtivo e reprodutivo, em relação à idade, número de partos e sanidade. b) Aos 8 meses, as novas fêmeas podem entrar em reprodução. A taxa de substituição de matrizes deve ficar em torno de 20% e os machos devem ser trocados a cada 2 anos. c) A gestação dura em torno dos 150 dias. d) Deve ser respeitada a relação bode por cabras de 1 para 25, mas o bode pode fazer cerca de 10 saltos por dia na estação de monta. e) Descartar cabras falhadas para aumentar o número de cabritos nascidos e manejar corretamente para aumentar o número de cabritos desmamados por cabra é fundamental para ter bons índices na caprinocultura. Curso Técnico em Agronegócio 108 Encerramento do tema Ao longo do Tema 1: Animais Ruminantes (Bovinos Leiteiros, Bovinos de Corte, Ovinos e Caprinos) você foi convidado a refletir sobre