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Fisiologia do sistema cardiovascular em animais

Apostila da Prof.ª Soraia John sobre fisiologia do sistema cardiovascular em animais; traz objetivos, orientação de preparo e quatro módulos: aspectos morfofuncionais; fluxo e ciclo cardíaco; débito/volume/pressão arterial; mecanismos regulatórios e aplicação clínica em patologias veterinárias.

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Fisiologia
do sistema
cardiovascular
em animais
Prof.ª Soraia John
Descrição
Estudo da fisiologia do sistema cardiovascular dos animais e sua aplicação na rotina clínica e como base de
conhecimento na formação do estudante de Medicina Veterinária.
Propósito
O estudo dos mecanismos fisiológicos do sistema cardiovascular e da integração entre esse sistema e
outros órgãos poderá auxiliar na obtenção de conhecimentos cruciais para a formação profissional e na
compreensão de questões patológicas envolvendo o coração e os vasos sanguíneos.
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Preparação
Antes de iniciar seu estudo, tenha em mãos um dicionário médico para melhor entendimento de termos
específicos.
Objetivos
Módulo 1
Sistema cardiovascular e seus aspectos morfofuncionais
 
Reconhecer os aspectos morfológicos e funcionais do sistema cardiovascular.
Módulo 2
Parâmetros fisiológicos do fluxo de sangue e ciclo cardíaco
Reconhecer os mecanismos fisiológicos responsáveis pelo fluxo de sangue através do sistema
cardiovascular.
Módulo 3
Débito cardíaco, volume sistólico e pressão arterial
 
Identificar os principais conceitos relacionados ao trabalho do sistema cardiovascular.
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Módulo 4
Mecanismos regulatórios da pressão arterial e parâmetros
Reconhecer os mecanismos fisiológicos que regulam o sistema cardiovascular.
Introdução
A compreensão sobre a fisiologia do sistema cardiovascular traz informações acerca do funcionamento do
coração e dos processos envolvidos na circulação de sangue por todo o corpo. Além disso, quando
aprofundamos os estudos sobre a fisiologia desse importante sistema, percebemos sua integração com
outras regiões do organismo e como os sistemas são influenciados uns pelos outros.
O entendimento sobre o funcionamento fisiológico do coração, dos vasos sanguíneos e de outros órgãos do
corpo permite que o médico veterinário seja capaz de identificar sinais clínicos associados a diferentes

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corpo permite que o médico veterinário seja capaz de identificar sinais clínicos associados a diferentes
enfermidades que acometem o sistema circulatório dos animais, buscando o correto diagnóstico e a
terapêutica mais adequada para cada caso.
O conhecimento acerca dos diferentes mecanismos de regulação do sistema cardiovascular permite maior
compreensão sobre os processos envolvidos em patologias deste e de outros sistemas, além de auxiliar o
médico veterinário no estabelecimento de prognósticos e no entendimento sobre a evolução clínica de
pacientes cardiopatas.
Com o avanço da Medicina Veterinária e de suas especialidades, bem como uma intensificação do cuidado
dos tutores, tem-se notado um aumento significativo na expectativa de vida dos animais de companhia.
Dessa forma, como já se podia esperar, também há um crescimento de casos de pacientes com distúrbios
no sistema cardiovascular dentro da rotina médico veterinária. Assim, para um bom raciocínio clínico, o
médico veterinário precisa ter boa compreensão sobre as questões fisiológicas do sistema circulatório de
seus pacientes.
No decorrer do estudo, trataremos sobre algumas patologias comuns na Medicina Veterinária, que possuem
envolvimento do sistema cardiovascular e que o ajudarão a despertar ainda mais seu interesse sobre esse
tema tão importante.
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1 - Sistema cardiovascular e seus aspectos
morfofuncionais
Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer os aspectos morfológicos e funcionais
do sistema cardiovascular.
Introdução sobre o sistema cardiovascular
Quando pensamos no coração, existe a tendência de que imaginemos uma estrutura única bombeando
sangue. Mas deveríamos ter em mente que o coração é formado não apenas por uma única bomba, mas
por duas. O coração é dividido em metade direita e metade esquerda devido à presença de uma parede
central ou septo.
Entenda como funcionam ambas as partes a seguir:
Metade esquerda
Metade que recebe o sangue dos pulmões (recém-oxigenado) e funciona como uma bomba responsável
pelo envio desse sangue aos órgãos periféricos.
Metade direita
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Metade direita
Metade que recebe sangue de tecidos periféricos e funciona como uma bomba, que é responsável pelo
envio de sangue para os pulmões.
Ambos lados do coração possuem um átrio e um ventrículo. Os átrios enviam sangue para os seus
respectivos ventrículos que, por sua vez, possuem maior força de bombeamento, propelem o sangue para o
pulmão (no caso do ventrículo direito) ou para os órgãos periféricos (no caso do ventrículo esquerdo).
O coração dos animais mamíferos se situa no mediastino, sendo composto por endocárdio (camada mais
interna), miocárdio (camada do meio) e epicárdio (camada mais externa). A imagem a seguir representa o
coração de um cão.
Coração de cachorro.
O sistema circulatório é responsável por transportar diferentes substâncias pelo organismo. Essas
sustâncias podem ser provenientes do meio externo, como oxigênio, água e nutrientes, ou podem ser
provenientes do meio interno e circularem pelo organismo, por meio desse sistema. Podem ainda ser
substâncias do meio interno que precisem ser eliminadas.
Comentário
Além da função de transporte, o sistema circulatório também desempenha papel regulatório e protetor. Por
meio desse sistema, temos a regulação do pH (por meio de tampões), a regulação de temperatura e a
proteção, que ocorre por meio de coagulação ou das células de defesa e de substâncias como os
anticorpos.
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O sistema circulatório dos animais vertebrados é do tipo fechado. Na imagem a seguir, podemos ver o
circuito, onde temos as artérias levando o sangue do coração para os tecidos, e as veias levando o sangue
de volta ao coração.
Representação do sistema circulatório.
Na imagem anterior, podemos observar que o sangue sai do átrio direito para o ventrículo direito, indo para
as artérias pulmonares e chegando então aos pulmões. Nos pulmões, ocorre a oxigenação desse sangue.
Posteriormente, através das veias pulmonares, o sangue passa para o átrio esquerdo e, logo após, chega ao
ventrículo esquerdo. Temos aqui o que chamamos de circulação pulmonar. O sangue é bombeado para a
artéria aorta, que possui muitas ramificações que geram uma rede de capilares. Teremos, assim, a difusão
do oxigênio para os tecidos na circulação sistêmica.
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do oxigênio para os tecidos na circulação sistêmica.
Após distribuição de oxigênio, o sangue, já pobre nesse gás e agora rico em dióxido de carbono, passa para
a região venosa, indo de pequenos vasos para veias maiores. Cabe aqui mencionarmos a veia cava cranial e
a veia cava caudal. As veias da porção mais cranial do corpo animal se unem e formam a veia cava cranial.
As veias da porção mais caudal do corpo animal, por sua vez, formam a veia cava caudal. Essas duas veias
cavas chegam ao átrio direito, conforme também podemos visualizar na imagem acima, fechando assim a
circulação sistêmica.
Durante essa circulação sistêmica, o sangue passa também pelos rins, o que
chamamos de circulação renal. Nesse processo, ocorre a filtração do sangue e
remoção de determinadas substâncias. Em seguida, esse sangue filtrado retorna à
circulação por meio da veia renal.
O fígado, outro órgão de muita relevância na circulação sistêmica, pode receber o sangue de formadireta,
por meio da artéria hepática, ou de forma indireta, por meio da veia porta hepática (ou veia porta do fígado,
como vimos na imagem anterior). Neste último caso, o sangue chega ao fígado após passar pela circulação
intestinal. Nessa circulação, o sangue recebe nutrientes da alimentação e, somente após esse processo,
passa pelo fígado. Durante essa passagem, há estoque de substâncias, principalmente da glicose.
Posteriormente, o sangue sai do fígado por meio da veia hepática.
Também podemos observar na imagem a presença de ramos da artéria aorta. As artérias coronárias, que
são um desses ramos, são responsáveis pela nutrição do músculo do coração. Os ramos ascendentes, por
sua vez, migram em direção aos membros anteriores e à cabeça. Já a porção abdominal é responsável pela
nutrição do tronco, pelos membros posteriores e pelos órgãos internos. Cabe ressaltar que o cérebro
consome grande quantidade de sangue a cada minuto e, por isso, recebe um fluxo constante.
Circulação fetal
Em todas as espécies de animais domésticos, temos diferentes eventos anatômicos e fisiológicos, que
ocorrem durante a transição da vida de um feto para a vida de um neonato. Esses eventos facilitam a
adaptação e a adequação dos animais neonatos ao novo ambiente. No interior do útero materno, o oxigênio
utilizado pelo feto vem da mãe e se difunde da placenta para o seu sangue. O sangue circulante nesse
pequeno ser vivo é uma mistura de sangue arterial com sangue venoso.
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A veia umbilical é o vaso responsável por levar o sangue oxigenado da placenta
para o feto. Parte desse sangue passa pelos sinusoides hepáticos e outra parte
sofre um desvio para a circulação sistêmica, através do ducto venoso, e depois
passa para a veia cava.
Após passar pela veia cava, o sangue que chega até o átrio direito vai para o átrio esquerdo através do
forame oval. O átrio esquerdo recebe também sangue das veias pulmonares, que retornam o sangue pobre
em oxigênio do pulmão. O sangue pode então se dirigir para o ventrículo esquerdo e, posteriormente, seguir
para o arco da aorta até chegar então ao cérebro, por meio da aorta ascendente.
Uma menor parte do sangue do átrio direito também pode ir para o ventrículo direito, seguir para o ducto
arterioso, para a aorta descendente e finalmente chegar à porção posterior do corpo fetal.
A imagem a seguir (A) ajuda a entender melhor como funciona a circulação fetal.
Circulação fetal (A) e circulação após o nascimento (B).
Nesta figura podemos localizar as seguintes estruturas: 1- veia cava cranial; 2- veia cava caudal; 3- átrio
direito; 4- seta indo para o forame oval; 5- ventrículo direito; 6- tronco pulmonar; 7- artéria pulmonar; 7’- ducto
arterioso; 8- átrio esquerdo; 9- ventrículo esquerdo; 10- arco aórtico; 10’- aorta descendente; 11- artéria
umbilical; 12- veia umbilical; 12’- ducto venoso; 13- fígado; 14- veia porta. Observação: O número 7’ na
imagem B representa o vestígio do ducto arterioso.
Como podemos observar na imagem anterior, a artéria umbilical (apresentada como número 11) é o vaso
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Como podemos observar na imagem anterior, a artéria umbilical (apresentada como número 11) é o vaso
responsável por levar sangue pobre em oxigênio para a placenta, que atuará na troca gasosa. Ao
compararmos as imagens A e B, podemos notar que diferentes modificações circulatórias são realizadas
após o nascimento. Entre elas podemos citar, por exemplo, o fechamento do forame oval, que se dá através
do sangue que entra no átrio esquerdo, pressionando a valva do forame.
Outra modificação importante é o fechamento do ducto arterioso, vaso que comunica a artéria pulmonar à
aorta descendente. Seu fechamento fisiológico após o nascimento ocorre devido ao aumento da pressão na
aorta, bem como redução da pressão na artéria pulmonar e consequente interrupção de fluxo da direita para
a esquerda por meio do ducto. A permanência desse ducto após o nascimento caracteriza a cardiopatia
conhecida como persistência do ducto arterioso, que é uma das principais cardiopatias congênitas em
cães.
Coração
Músculo cardíaco
Os três principais tipos de músculos do coração são o músculo atrial, o músculo ventricular e as fibras
especializadas, excitatórias e condutoras. Enquanto os dois primeiros tipos se contraem mais fortemente,
as fibras especializadas se contraem de forma mais fraca, uma vez que possuem poucas fibras contráteis.
Essas fibras especializadas possuem descargas elétricas rítmicas e automáticas, em forma de potencial de
ação.
Aspectos anatômicos e fisiológicos
As fibras musculares do coração são dispostas em malha ou treliça e esse músculo é estriado.
A musculatura cardíaca possui miofibrilas com filamentos de actina e de miosina, semelhantes aos da
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A musculatura cardíaca possui miofibrilas com filamentos de actina e de miosina, semelhantes aos da
musculatura esquelética. Tais filamentos são dispostos lado a lado e fazem um deslizamento durante as
contrações.
Miocárdio e seu caráter sincicial.
As fibras do miocárdio possuem diversas células individuais, que estão conectadas em série e em paralelo
umas com as outras, e discos intercalados (áreas mais escuras na imagem anterior) que atravessam as
fibras transversalmente. Em cada um dos discos, há uma fusão das membranas celulares que formam
junções comunicantes permeáveis, conhecidas como gap junctions. Essas junções favorecem a difusão dos
íons, permitindo sua mobilidade pelo fluido intracelular, o que facilita a propagação do potencial de ação
através dos discos. Toda essa conexão entre as células faz do miocárdio um sincício, ou seja, quando há
excitação de uma célula, o potencial de ação logo se propaga para outras células.
Uma vez que os átrios e os ventrículos são separados através da presença de tecido fibroso, temos o
coração sendo composto por dois sincícios: sincício atrial e sincício ventricular. Os potenciais são
conduzidos, portanto, por meio do feixe atrioventricular - um sistema de condução especializado - e os
átrios se contraem um pouco antes da contração dos ventrículos.
Valvas cardíacas
O sangue flui através do coração em um sentido único e isso ocorre devido à presença de valvas cardíacas.
Essas valvas são: valva atrioventricular direita (ou tricúspide), valva atrioventricular esquerda (ou mitral),
valva semilunar pulmonar e valva semilunar aórtica.
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valva semilunar pulmonar e valva semilunar aórtica.
Entre cada átrio e seu respectivo ventrículo existe a presença de uma valva atrioventricular (VAV). Essas
valvas são formadas por folhetos unidos a um anel de tecido conectivo. Esses folhetos se conectam aos
ventrículos através das cordas tendíneas.
Entenda, a seguir, as funções das valvas:
Valva mitral
É a valva de entrada no ventrículo esquerdo.
Valva aórtica
É a valva de saída no ventrículo esquerdo.
Valva tricúspide
É a valva de entrada no ventrículo direito.
Valva pulmonar
É a valva de saída no ventrículo direito.
Nos ventrículos, ocorre a presença de músculos papilares que, quando relaxados, deixam as cordas
tendíneas mais frouxas, favorecendo a abertura das valvas mitral e tricúspide. Por outro lado, quando os
músculos papilares estão contraídos, deixam as cordas tendíneas mais esticadas, favorecendo fechamento
dessas valvas. Podemos visualizar essas estruturas na imagem a seguir.
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Coração do cachorro.
Sistema linfático e a interação com o sistema
cardiovascular
O sistema cardiovascularestá intimamente ligado ao sistema linfático, que é constituído por um líquido
denominado linfa e desempenha papel importante na remoção de resíduos do corpo, na drenagem de
líquido intersticial, na defesa do organismo e no transporte de determinadas substâncias.
Boa parte dos componentes do plasma se infiltram nas paredes dos capilares para formação de líquido
intersticial. Entretanto, o excesso de líquido é drenado para os vasos linfáticos levando à formação da linfa.
Os vasos linfáticos convergem formando dois grandes troncos, que são denominados de:

Ducto torácico

Ducto linfático direito
Os vasos linfáticos da parte posterior do corpo, da parte esquerda da cabeça e do pescoço, do membro
anterior e de partes da região torácica escoam no ducto torácico, que segue para a junção da veia jugular
interna esquerda com a veia subclávia esquerda.
Por outro lado, a linfa da parte direita da cabeça e do pescoço, do membro anterior direito e de partes da
região torácica escoa no ducto linfático direito. Esse ducto segue para a junção da veia jugular interna
direita com a subclávia direita.
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direita com a subclávia direita.
Após desembocarem nas veias subclávias esquerda e direita, o conteúdo retorna ao sangue. Cabe ressaltar
que os vasos linfáticos transferem a linfa para o interior dos linfonodos durante o seu trajeto, e outros vasos
linfáticos são responsáveis por recolher a linfa que sai dos linfonodos.
A imagem a seguir nos mostra a interação direta entre o sistema cardiovascular e o sistema linfático.
Circulação linfática.
Aspectos anatômicos, fisiológicos e funcionais do
coração

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coração
Neste vídeo, o especialista apresentará as características do coração.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O pulmão é o órgão responsável pela oxigenação do sangue. Qual o nome do vaso que leva sangue do
pulmão para o átrio esquerdo?
Parabéns! A alternativa D está correta.
A veia pulmonar leva o sangue oxigenado dos pulmões em direção ao átrio esquerdo. A artéria
pulmonar leva o sangue para os pulmões. A artéria aorta é o vaso que sai do ventrículo esquerdo. A veia
porta hepática é um vaso que leva sangue para o fígado. A veia cava caudal é um dos vasos que levam
sangue para o átrio direito.
A Artéria pulmonar.
B Artéria aorta.
C Veia porta hepática.
D Veia pulmonar.
E Veia cava caudal.
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Questão 2
Durante a transição entre a vida fetal e a vida neonatal, ocorrem eventos que provocam mudanças
anatômicas e fisiológicas nos animais. A veia umbilical é um vaso essencial para a vida fetal. Esse vaso
é responsável por
Parabéns! A alternativa A está correta.
A veia umbilical é o vaso da circulação fetal que permite que o sangue rico em oxigênio seja levado da
placenta em direção ao feto.
A conduzir para o feto o sangue oxigenado da placenta.
B transportar para o feto o sangue desoxigenado da placenta.
C carregar o sangue oxigenado do feto para a placenta.
D transportar o sangue desoxigenado do feto para a placenta.
E conduzir sangue rico em gás carbônico da placenta para o feto.
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2 - Parâmetros fisiológicos do fluxo de sangue e ciclo
cardíaco
Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer os mecanismos fisiológicos
responsáveis pelo fluxo de sangue através do sistema cardiovascular.
Parâmetros físicos básicos que influenciam o fluxo
sanguíneo
Para que o sangue possa fluir, é fundamental que haja um gradiente de pressão. Dessa forma, o sangue flui
do compartimento de maior pressão (como o coração) para o de menor pressão (como os vasos
sanguíneos). A pressão vai sendo reduzida à medida que o sangue se afasta do coração, ou seja, temos a
aorta e as artérias sistêmicas com pressão maior que as veias cavas, por exemplo.
Devemos ter em mente que a pressão em um líquido pode ser entendida como a força que é exercida por
esse líquido em seu recipiente. Se falamos de um fluido que não se move, temos o que denominamos de
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esse líquido em seu recipiente. Se falamos de um fluido que não se move, temos o que denominamos de
pressão hidrostática. Quando o líquido se encontra em movimento, a energia vai sendo perdida conforme
ocorre o atrito, ou seja, a pressão vai sendo reduzida com a distância.
Quando as paredes do recipiente com líquido são contraídas, temos aumento da pressão exercida sobre ele.
O músculo ventricular gera, a partir da sua própria contração, uma pressão que é transferida para o sangue.
A essa pressão damos o nome de pressão propulsora, que é responsável por impulsionar de fato o sangue
pelos vasos.
No momento de relaxamento do coração, temos a expansão e, portanto, a redução
da pressão. Cabe ressaltar que nos vasos sanguíneos também podemos ter
variação na pressão por meio de sua dilatação ou contração.
Mudanças no raio dos vasos sanguíneos também influenciam a resistência desses vasos ao fluxo de
sangue e esse fluxo é inversamente proporcional à resistência do sistema.
Outros dois parâmetros importantes para o entendimento do funcionamento do sistema circulatório são a
velocidade do fluxo e a taxa do fluxo.
A taxa do fluxo se refere à quantidade de sangue que passa por um ponto em determinado tempo. Quando
temos uma taxa de fluxo constante e um tubo com diâmetro variável, a velocidade será maior nas regiões
mais estreitas.
Potencial de ação no músculo cardíaco
O potencial de ação cardíaco consiste em uma alteração da voltagem no decorrer da membrana celular das
células cardíacas. Essa alteração ocorre devido ao movimento dos íons entre o interior e exterior da célula.
O potencial entre um batimento e outro, no interior da célula, tende a ser negativo com valor aproximado de
– 85mV. Esse valor chega a aproximadamente + 20mV durante cada batimento. A membrana ainda
permanece despolarizada durante 0,2 segundos em média, o que acaba por gerar um platô antes da
repolarização. Esse platô no músculo do ventrículo (apresentado na imagem a seguir), por sua vez, favorece
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repolarização. Esse platô no músculo do ventrículo (apresentado na imagem a seguir), por sua vez, favorece
a maior duração de tempo da contração do músculo ventricular.
Potenciais de ação da fibra de Purkinje e do músculo ventricular.
Os eventos que ocorrem no coração entre um batimento e outro são denominados de ciclo cardíaco. A
seguir veremos mais detalhadamente esses eventos.
Ciclo cardíaco
Podemos dizer que cada ciclo se inicia a partir do nodo sinusal, região apresentada na imagem a seguir
junto de outras estruturas do coração. O nodo sinusal, portanto, funciona como principal marca-passo do
coração.
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Sistema de condução cardíaco.
O ciclo cardíaco se inicia com ambos átrios e ventrículos em estado de repouso.
O sinal elétrico para a contração se inicia quando o nodo sinusal dispara um potencial de ação. O potencial
de ação se difunde do nodo sinusal (também chamado de nodo sinoatrial) de forma rápida para os dois
átrios e para o nodo atrioventricular. O nodo sinusal é conectado com o nó atrioventricular por meio de uma
via internodal.
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Via intermodal
As vias internodais são constituídas pelas extremidades do nodo sinusal e se conectam ao tecido muscular
atrial circundante.
Posteriormente, o potencial de ação segue para os ventrículos por meio do feixe atrioventricular (ou feixe de
His). Observando a imagem anterior, também podemos notar a presença de estruturas denominadas fibras
de Purkinje. São essas fibras que transmitem os impulsos de forma bastante rápida e que permitem que
diversas células se contraiam quase ao mesmo tempo.
Como podemos supor a partir do que foi exposto anteriormente, a contração dos átrios ocorre antes da
contração dos ventrículos, e não de forma simultânea.
Fases do ciclo cardíaco
O momento do ciclo cardíaco em que temos o relaxamento chama-se diástole e, nesse processo, temos o
coração se enchendo de sangue. O momento do ciclo em que temos contração, por outro lado, chama-se
sístole. O ciclo cardíaco pode ser examinado mais detalhadamente com auxílio da próxima imagem, que
traz esse ciclo com uma divisão didática em cinco fases.

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Ciclo cardíaco.
Vamos compreender cada etapa:
Fase 1: Final da diástole
Temos nessa fase as quatro câmaras relaxadas e os átrios estão sendo enchidos com
sangue das veias. Com as pressões dos ventrículos estando baixas e com as pressões
moderadamente altas nos átrios que foram desenvolvidas durante a sístole ventricular do
ciclo anterior, as valvas atrioventriculares se abrem. Com a abertura dessas valvas, os
ventrículos vão sendo enchidos de forma passiva.
Fase 2: Sístole atrial
A maior parte do sangue entra nos ventrículos quando os átrios estão relaxados. Uma
pequena parte, entretanto, ocorre quando os átrios se contraem. A contração dos átrios é
iniciada seguindo a onda de despolarização que percorre essas câmaras.
Fase 3: Contração ventricular isovolumétrica
A onda de despolarização, enquanto temos a contração dos átrios, vai percorrendo as células
condutoras do nó atrioventricular e depois as fibras de Purkinje até a região ápice do coração.
É justamente nesse ápice onde teremos o início da sístole dos ventrículos. Aqui nós temos
sangue sendo empurrado para cima e, consequentemente, sangue sendo empurrado contra a
porção inferior das valvas atrioventriculares. Isso faz com que tenhamos fechamento dessas
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Tenha em mente que, na fase 3, temos tanto as valvas atrioventriculares quanto as valvas semilunares
fechadas e os ventrículos se contraindo (como vemos na imagem). Os átrios vão se relaxando e, quando as
pressões das veias são maiores que as deles, o sangue flui em direção aos átrios.
Cabe ressaltar que as valvas atrioventriculares permanecerão fechadas até que a pressão dos ventrículos
fique menor que a dos átrios. Quando essas valvas se abrem, o sangue volta a fluir dos átrios para os
ventrículos em um novo ciclo.
Marca-passos
Em condições normais, o impulso cardíaco é originado nas células autoexcitáveis do nodo sinusal e são
essas células, portanto, que determinam o ritmo dos batimentos do coração. As células do nodo
porção inferior das valvas atrioventriculares. Isso faz com que tenhamos fechamento dessas
valvas e então a primeira bulha cardíaca (Bulhas cardíacas são os sons cardíacos “Tum-Tá”. A
primeira bulha cardíaca representa o “Tum”).
Fase 4: Ejeção ventricular
Com o aumento da pressão ventricular, temos uma abertura das valvas semilunares e ejeção
do sangue em direção às artérias. Enquanto tudo isso ocorre nos ventrículos, temos as valvas
atrioventriculares ainda fechadas e os átrios se enchendo.
Fase 5: Relaxamento ventricular isovolumétrico
Os ventrículos agora já começam a repolarização e o relaxamento. Quando a pressão das
artérias é maior que a dos ventrículos, o sangue começa a retornar ao coração, levando ao
fechamento das valvas semilunares onde teremos então a segunda bulha cardíaca.
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essas células, portanto, que determinam o ritmo dos batimentos do coração. As células do nodo
atrioventricular e as fibras de Purkinje podem agir como marca-passos em algumas condições, mas como
possuem ritmos mais lentos, não são tão relevantes para o ritmo dos batimentos, como o nodo sinusal sob
condições normais.
Essa capacidade especial de geração de potencial de ação espontâneo é resultado do seu potencial de
membrana instável que é conhecido pelo nome de potencial marca-passo. Essa instabilidade ocorre devido
à presença de determinados canais. Quando ocorre despolarização até o limiar, temos disparo do potencial
de ação através dessas células.
Os canais If são canais permeáveis a K+ e ao Na+. Quando temos um potencial de membrana negativo e
esses canais abertos, temos maior influxo de Na+ e, portanto, despolarização. Quando esse potencial vai se
tornando mais positivo, canais de If vão sendo fechados, alguns canais de cálcio vão sendo abertos e o
influxo de cálcio ocorre. Posteriormente, abrem-se canais adicionais de cálcio e ocorre mais entrada de
cálcio na célula. Depois que os canais de cálcio são fechados, abrem-se canais lentos de K+, onde teremos
repolarização, como mostra a imagem a seguir.
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Potencial de ação nas células autoexcitáveis do coração.
A frequência cardíaca é determinada pela velocidade em que as células marca-passo despolarizam.
Quando estamos fora de uma condição normal, como, por exemplo, quando o nodo sinusal não está
funcionando de forma adequada, outro marca-passo (mais lento) assumirá o ritmo ou partes diferentes do
coração seguirão diferentes marca-passos. Os marca-passos que não sejam o próprio nodo sinusal são
denominados como “ectópicos”. Esses marca-passos ectópicos produzem sequências anormais de
contração e podem trazer prejuízos ao bombeamento de sangue e para toda a função cardiovascular.
Em algumas condições anormais especiais, como em um bloqueio severo da condução dos sinais dos
átrios para os ventrículos, pode se fazer necessário o uso de marca-passos mecânicos, que são
implantados cirurgicamente. Os marca-passos são dispositivos comuns na rotina das cirurgias cardíacas na
Medicina Humana e, embora na Medicina Veterinária ainda não seja tão comum, já existe sim essa
possibilidade.
Eletrocardiograma
O eletrocardiograma é uma técnica de diagnóstico muito utilizada na Medicina Humana e também na
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Medicina Veterinária. É uma ferramenta muito importante no diagnóstico e no acompanhamento de
alterações patológicas no coração, fornecendo informações acerca da anatomia e fisiologia desse órgão.
Esse exame permite a análise da frequência cardíaca e do ritmo cardíaco e auxilia na análise da sobrecarga
das câmaras do coração e alterações de tamanho.
O campo elétrico gerado pela despolarização nos átrios é denominado onda P no eletrocardiograma. O
impulso chega ao nodo atrioventricular na metade para o terço final da onda P. O complexo QRS, que é
formado pelas ondas Q, R e S, representa a despolarização ventricular e a onda T representa a repolarização
ventricular.
O intervalo QT é o tempo entre o início do complexo QRS e o término da onda T e representa o tempo total
da sístole ventricular. Podemos ver ainda no eletrocardiograma uma onda que se apresenta após a onda T, a
onda U, que representa regiões de repolarização mais tardia.
Eletrocardiograma.
Muitas alterações podem ser encontradas nesse tipo de exame e o médico veterinário que o avaliar deve ser
capaz de diferenciar alterações fisiológicas de alterações patológicas. Vamosver alguns exemplos.
É comum encontrarmos no eletrocardiograma de cães uma variação no ritmo cardíaco decorrente da
respiração, mais comum em cães braquicefálicos, que é denominada arritmia sinusal. Essa arritmia pode
ser considerada fisiológica para os cães, mas, no caso dos gatos, o aparecimento dessa arritmia parece ser
menos comum. A imagem a seguir apresenta uma comparação entre o ritmo sinusal e a arritmia sinusal em
cadelas.

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Eletrocardiogramas de cadelas: ritmo sinusal.
Eletrocardiogramas de cadelas: arritmia sinusal.
Ondas P com leves alterações na inspiração e na expiração, que aparecem maiores durante a inspiração e
são reduzidas durante a expiração, podem ser denominadas de marca-passo migratório. O marca-passo
migratório, apresentado na imagem a seguir, pode ser considerado normal para os cães.
Eletrocardiograma de cadela apresentando marcapasso migratório.
Já no caso de um animal com fibrilação atrial, é comum a apresentação de um eletrocardiograma com
ausência de onda P ou ainda com ondulações irregulares na linha basal.
Agora vamos imaginar um caso de um infarto no miocárdio. Nessa situação, podemos ter alargamento da
onda Q, deslocamento do segmento S-T e também inversão da onda T. A imagem a seguir representa um
eletrocardiograma com alterações sugestivas de isquemia, como infradesnivelamento de ST e inversão de
onda T simétrica.
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Representação de eletrocardiograma com alterações sugestivas de isquemia.
Pacientes com cardiomiopatia dilatada, mais comum em cães de grande porte, podem apresentar
complexos QRS com indicativo de dilatação de ventrículo esquerdo, ondas R inclinadas para baixo e
segmentos ST abaulados. As ondas P também podem estar ampliadas e entalhadas. Em animais que
apresentam essa patologia, é comum a presença de taquiarritmias ventriculares e complexos ventriculares
prematuros. A imagem a seguir apresenta um exemplo de eletrocardiograma de cadela contendo complexo
ventricular prematuro.
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Eletrocardiograma de cadela apresentando complexo ventricular prematuro.
A patologia cardíaca mais comum na clínica de felinos é a cardiomiopatia hipertrófica, de maneira que
podemos ter, nos pacientes com essa disfunção, um eletrocardiograma apresentando alterações que
indiquem aumentos das câmaras, alterações de condução, taquiarritmias ventriculares ou
supraventriculares e desvio de eixo elétrico. Nesse e em muitos outros casos, o eletrocardiograma pode
auxiliar o diagnóstico, mas será necessário um ecocardiograma para melhor diagnosticar a doença.
Parâmetros que influenciam no fluxo sanguíneo
Neste vídeo, o especialista explica o conceito de pressão hidrostática e pressão propulsora.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
No coração, o sinal elétrico é iniciado quando uma estrutura específica dispara o potencial de ação.
Essa estrutura é conhecida como principal marca-passo do coração. Qual o nome dessa estrutura?
A Nodo sinusal.
B Nodo atrioventricular.
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Parabéns! A alternativa A está correta.
O nodo sinusal, também conhecido como nodo sinoatrial, é o principal marca-passo do coração. Esse
nodo se conecta com o nó atrioventricular por meio de uma via internodal. Em algumas circunstâncias,
células do nodo atrioventricular, além das fibras de Punkinje, são capazes de atuar como marca-passos,
porém, como têm ritmos com maior lentidão, não se fazem tão importantes no ritmo dos batimentos,
como age o nodo sinusal diante de condições normais. Destaca-se que o nodo atrioventral e o nodo
atrial esquerdo não são vocábulos relevantes.
Questão 2
O ciclo cardíaco pode ser dividido em fases de forma didática. Qual nome se dá para a fase do ciclo
cardíaco onde temos as valvas atrioventriculares se fechando e as valvas semilunares ainda fechadas?
B Nodo atrioventricular.
C Nodo atrioventral.
D Fibras de Purkinje.
E Nodo atrial esquerdo.
A Relaxamento ventricular isovolumétrico.
B Ejeção ventricular.
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Parabéns! A alternativa C está correta.
Durante a contração ventricular isovolumétrica temos as valvas atrioventriculares se fechando, mas não
se tem ainda pressão suficiente para abertura das valvas semilunares. Cabe ressaltar que, no final da
diástole, temos as valvas atrioventriculares se abrindo e, durante a sístole atrial, elas ainda estão
abertas. Durante a ejeção ventricular, temos as valvas semilunares se abrindo e, durante o relaxamento
ventricular isovolumétrico, temos a ocorrência do fechamento das valvas semilunares.
C Contração ventricular isovolumétrica.
D Final da diástole.
E Sístole atrial.
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3 - Débito cardíaco, volume sistólico e pressão arterial
Ao final deste módulo, você será capaz de identificar os principais conceitos relacionados ao
trabalho do sistema cardiovascular.
Diagrama volume-pressão
O fluxo de sangue segue uma migração de fluxo de regiões onde a pressão é mais elevada para regiões de
menor pressão. Como o lado esquerdo do coração é responsável pelo envio de sangue para a circulação
sistêmica, enquanto o lado direito é responsável pelo envio de sangue para a circulação pulmonar
(circulação menor), o lado esquerdo gera pressões mais elevadas.
Veja a seguir o conhecido diagrama de volume-pressão, demonstrando alterações nesses dois parâmetros
físicos no ventrículo esquerdo durante um ciclo cardíaco. A área sombreada demarcada como EW
representa a produção efetiva de trabalho externo do ventrículo e a linha vermelha demonstra o ciclo
cardíaco.
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Diagrama de volume-pressão.
Entenda a imagem considerando os seguintes pontos a seguir:
Ponto A
No ponto A, o ventrículo completou sua contração e mantém uma quantidade mínima de
sangue. Temos, portanto, o ventrículo relaxado e com baixa pressão em seu interior. O sangue
está migrando para o átrio. Quando a pressão no átrio é maior que a pressão no ventrículo,
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Terminada a fase de contração, o ventrículo vai relaxando e a pressão vai sendo reduzida. Há fechamento
da valva semilunar quando a pressão no ventrículo se torna menor que a da aorta. Uma vez que temos esse
fechamento, não há mais alteração no volume (relaxamento isovolumétrico).
Posteriormente, teremos a pressão do ventrículo menor que a do átrio e, consequentemente, a abertura da
valva mitral e retorno do ciclo.
temos abertura da valva mitral e aumento do volume no ventrículo. Como o ventrículo se
expande, temos um pequeno aumento na pressão dessa câmara.
Ponto B
Quando o átrio finalmente se contrai, chegamos ao ponto B e temos o ventrículo com seu
volume máximo, o chamado volume diastólico final. A valva mitral se fecha no início da
contração do ventrículo e temos, portanto, aumento da pressão sem alteração no volume
(contração isovolumétrica).
Ponto C
Chegamos ao ponto C quando a pressão no ventrículo fica maior que a da própria aorta, onde
temos então abertura da valva aórtica. A pressão sobe mais um pouco, mas o volume vai
sendo reduzido à medida que há ejeção de sangue.Ponto D
Após o período de ejeção, chegamos ao ponto D. Temos um volume de sangue que
permanece no ventrículo ao final da contração que denominamos de volume sistólico final.
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Fatores que influenciam o volume sistólico
O volume sistólico é o volume de sangue bombeado durante uma contração. Esse volume é apresentado em
mililitro por batimento e a fórmula abaixo pode ser utilizada para calculá-lo:
Rotacione a tela. 
O volume sistólico é influenciado pela contratilidade cardíaca e por fatores de interação vascular. Nesse
ponto, devemos ter em mente o conceito de pré-carga e de pós-carga.
Pré-carga
Está relacionada ao grau de tensão do músculo no início do seu processo de contração, ou seja, com a
pressão diastólica final, quando o ventrículo se encontra cheio.
Pós-carga
Está relacionada à dificuldade que o ventrículo encontra no processo de ejeção do sangue, ou seja, se refere
à pressão sistólica.
Lei de Frank-Starling
Segundo a Lei de Frank-Starling, dentro de limites fisiológicos, o coração ejeta todo sangue que chega até
ele. Quanto maior a distensão do miocárdio durante seu enchimento, maior a força de contração e a
quantidade de sangue bombeada. Veja a seguir o gráfico, conhecido como curva de Starling, a relação entre
o estiramento e a força no coração.
Volume sistólico = volume diastólico final – volume sistólico final
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Curva de Starling apresentando a relação entre estiramento e força no coração.
Na imagem, o eixo x representa o volume diastólico final e o eixo y representa o volume sistólico. O débito
sistólico é proporcional ao volume diastólico final como podemos notar ao examinarmos a imagem. Ou seja,
como explica a Lei de Frank-Starling, quanto mais sangue chega ao coração, maior a força de contração e
maior a ejeção de sangue.
Débito cardíaco e pressão arterial
O débito cardíaco é um parâmetro que se refere ao volume de sangue ejetado pelo ventrículo esquerdo a
cada minuto. Em um coração com condições fisiológicas, esse débito cardíaco é igual ao retorno venoso,
exceto nos momentos em que o sangue é temporariamente armazenado ou removido do coração e dos
pulmões. O retorno venoso é justamente a quantidade de sangue que flui das veias em direção ao átrio
direito a cada minuto.
Vamos entender mais detalhadamente sobre o débito cardíaco.
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Vamos entender mais detalhadamente sobre o débito cardíaco.
Como calcular o débito cardíaco
O débito cardíaco pode ser calculado por meio da multiplicação da frequência cardíaca pelo volume
sistólico:
Rotacione a tela. 
A frequência cardíaca (FC) se refere à quantidade de vezes em que o coração ejeta sangue por minuto
(batimentos por minuto) e o volume sistólico (VS) se refere ao volume de sangue ejetado em cada
batimento. Dessa forma, podemos dizer que o débito cardíaco consiste na quantidade de sangue bombeada
para a aorta a cada minuto, ou seja, se refere ao fluxo sanguíneo total da circulação. É um fator de extrema
importância a ser considerado quando pensamos em circulação sanguínea, pois representa a soma do fluxo
de sangue para todos os tecidos.
Atenção!
Embora o valor de débito cardíaco tenda a ser igual nos dois ventrículos, em algumas situações patológicas
esses valores podem ser diferentes.
Os métodos de mensuração do débito cardíaco vêm sofrendo adaptações e evoluções ao longo do tempo,
juntamente com os avanços das tecnologias. Em experimentos envolvendo animais, pode ser feito, por
exemplo, o uso de fluxômetro, através de métodos cirúrgicos. Em humanos, geralmente, a mensuração é
feita por métodos indiretos que não envolvem cirurgias e temos visto recentemente um aumento do
destaque da ecocardiografia para monitoração do débito cardíaco.
Pressão arterial
A pressão arterial pode ser considerada um balanço entre o fluxo de sangue para o lado interno das artérias
e o fluxo de sangue para o lado externo. A pressão reduz à medida que o sangue vai circulando, isso ocorre
devido à perda de energia que, por sua vez, é resultado da resistência ao fluxo de sangue. A maior pressão
DC = FC × VS
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devido à perda de energia que, por sua vez, é resultado da resistência ao fluxo de sangue. A maior pressão
que podemos observar na circulação ocorre na aorta durante a sístole e esta pressão sofre uma queda
durante a diástole.
Embora possamos encontrar algumas discretas variações na literatura, grande parte dos trabalhos sobre
pressão arterial em cães classifica como normais a pressão arterial sistólica entre 110 e 120mmHg e a
pressão arterial diastólica entre 70 a 80mmHg, respectivamente. Também existem variações na literatura
sobre valores de pressão arterial normal em outros animais, como no caso dos equinos. Apesar dessas
variações, sabemos que a pressão arterial sistólica dos equinos também se encontra na faixa de 90 a 130 e
a pressão diastólica na faixa de 70 a 90.
Pressão arterial média
A pressão arterial média é calculada por meio da soma da pressão diastólica com um terço da diferença
entre a pressão sistólica e a pressão diastólica. Vejamos:
Rotacione a tela. 
Pressão arterial muito baixa prejudica o fluxo de sangue e a oferta de oxigênio. Por outro lado, pressão
arterial muito alta tende a favorecer ruptura de vasos.
Fatores determinantes da pressão arterial
Quando temos um fluxo sanguíneo para o interior das artérias maior do que o fluxo para o exterior, não é
difícil supormos que a pressão arterial média subirá devido ao aumento do volume de sangue. E esta
suposição está correta!
PAM = Pressão diastólica + 1/3 (Pressão sistólica – Pressão diastólica)
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suposição está correta!
Quando temos um aumento do débito cardíaco, temos mais sangue sendo bombeado para dentro das
artérias, o que favorece o aumento da pressão arterial. Quando temos aumento da resistência das arteríolas
ao fluxo de sangue, também temos aumento da pressão arterial.
As veias também funcionam como reserva de sangue, que pode ser redistribuído para as artérias quando
necessário. Lembra-se da lei de Frank-Starling que comentamos anteriormente? Segundo essa lei, se temos
aumento do retorno venoso, temos mais sangue chegando ao coração e, consequentemente, mais sangue
sendo ejetado por esse órgão.
Diagrama volume-pressão
Neste vídeo, o especialista explica as alterações do ventriculo esquerdo durante o ciclo cardíaco.

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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Sabemos que o volume e a pressão são parâmetros intimamente relacionados dentro do ventrículo
esquerdo. Existe um gráfico, muito conhecido em livros e artigos, que mostra essa relação, denominado
diagrama volume-pressão. Esse gráfico apresenta um momento em que, após o período de ejeção de
sangue, temos um volume sanguíneo residual que permanece no ventrículo ao final da sua contração.
Qual o nome se dá a esse volume de sangue?
A Volume diastólico final.
B Volume sistólico final.
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Parabéns! A alternativa B está correta.
O volume de sangue que permanece no ventrículo ao final da contração é chamado de volume sistólico
final. O volume diastólico final ocorre quando temos o ventrículo com seu volume máximo. Não
podemos chamar esse volume do enunciado de volume ejetado, porque estamos falandode um volume
que não é ejetado. Estamos falando sobre o sangue no ventrículo, logo, não podemos chamá-lo de
volume atrial ou de volume átrio-ventricular.
Questão 2
O débito cardíaco é um parâmetro que se refere ao volume de sangue que é ejetado pelo ventrículo
esquerdo a cada minuto. Qual das fórmulas abaixo apresenta uma forma clássica e correta para o
cálculo do débito cardíaco?
Considere DC = Débito Cardíaco; FC = Frequência Cardíaca; VS = Volume sistólico; VD = Volume
diastólico
C Volume ejetado.
D Volume atrial.
E Volume átrio-ventricular.
A DC = FC x VD
B DC = VS + VD
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Parabéns! A alternativa C está correta.
A fórmula clássica e correta de cálculo do débito cardíaco é a fórmula que apresenta a frequência
cardíaca sendo multiplicada pelo volume sistólico. Isso ocorre porque a FC se refere à quantidade de
vezes em que o coração ejeta sangue por minuto e o volume sistólico representa o volume de sangue
que é ejetado em cada batimento.
C DC = FC x VS
D DC = FC – VS
E DC = FC + VD
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4 - Mecanismos regulatórios da pressão arterial e
parâmetros
Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer os mecanismos fisiológicos que
regulam o sistema cardiovascular.
Resistência periférica
A resistência periférica influencia, de forma significativa, a pressão arterial. O principal parâmetro
determinante dessa resistência é o raio dos vasos sanguíneos.
Quando falamos de variação de resistência, devemos ter em mente que as arteríolas possuem uma grande
quantidade de músculo liso em suas paredes e, por isso, têm a resistência mais variável do sistema
circulatório. A alteração do raio desses vasos se dá por meio da própria contração ou do próprio
relaxamento desse músculo.
Fatores que alteram a resistência das arteríolas
Entre os fatores que influenciam a resistência das arteríolas, podemos citar o controle local através do
ajuste do fluxo de sangue, os reflexos simpáticos e determinados tipos de hormônios.
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Exemplo
A angiotensina II que provoca aumento de pressão arterial; a adrenalina, que aumenta o fluxo de sangue
para o coração e outros tecidos; e peptídeos natriuréticos, que reduzem a pressão arterial.
Quando há uma maior ingestão de sódio, ocorre um leve aumento no volume de líquido extracelular. Isso
provoca determinados eventos no organismo, como ativação de reflexos dos receptores de baixa pressão.
Neste caso, receptores de estiramento geram sinais que chegam ao tronco cerebral e inibem a atividade
simpática para os rins, reduzindo a reabsorção de sódio a nível tubular. Outro acontecimento é a supressão
da formação da angiotensina II (ANG II), que também auxilia na redução da reabsorção tubular do sódio.
Os peptídeos natriuréticos atuam na pressão arterial de forma direta e indireta. Eles podem atuar de forma
direta, por exemplo, no centro de controle cardiovascular do bulbo, reduzindo a pressão. Além disso, esses
peptídeos favorecem a excreção de sódio e de água a partir da sua ação dos próprios rins. Podemos citar o
peptídeo natriurético atrial (PNA), sintetizado em determinadas células do miocárdio, como de grande
importância e relevância para a homeostase.
Comentário
O PNA atua nos rins, aumentando a filtração glomerular e reduzindo a reabsorção de sódio por meio dos
ductos coletores. Algumas células do miocárdio, bem como determinados neurônios cerebrais, sintetizam
outro peptídeo natriurético, conhecido como peptídeo natriurético cerebral (PNC). A secreção de PNC
aumenta com a elevação da pressão nos ventrículos.
Quando os mecanismos renais, hormonais e nervosos estão em bom funcionamento, são capazes de
segurar a pressão arterial a níveis normais, mesmo em caso de ingestão aguda aumentada de sódio.
Entretanto, quando essa ingestão aumentada ocorre por um tempo mais prolongado, pode haver dano ao
sistema renal e, com isso, não termos mais tanta eficiência na excreção de sódio, culminando com aumento
de pressão arterial.
Algumas moléculas parácrinas, como o óxido nítrico, também são importantes vasodilatadoras. Quando
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Algumas moléculas parácrinas, como o óxido nítrico, também são importantes vasodilatadoras. Quando
temos o fluxo interrompido por um pequeno tempo, temos redução do oxigênio e, consequentemente, a
síntese de óxido nítrico, que desencadeia dilatação dos vasos. A adenosina é outro tipo de molécula
liberada como resposta a momentos de hipóxia e que provoca vasodilatação, favorecendo o fluxo de
sangue.
Mecanismos de ação dos peptídeos natriuréticos.
Aldosterona e a regulação da pressão arterial
A aldosterona é um hormônio esteroide sintetizado no córtex das glândulas suprarrenais. É responsável
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pela reabsorção de sódio através dos rins, promovendo também aumento da secreção de potássio.
A angiotensina II (ANG II), componente de uma via denominada sistema renina-angiotensina (SRA), controla
a liberação da aldosterona. Essa via tem importante papel na regulação da pressão arterial. A renina é uma
enzima que converte angiotensinogênio, uma proteína plasmática inativa, em angiotensina I (ANG I) e esta,
por sua vez, é convertida em angiotensina II por meio da ação da enzima conversora de angiotensina (ECA).
A ANG II tem ação vasoconstritora direta e indireta e provoca aumento da reabsorção de sódio, o que
também causa um aumento da reabsorção de água. Além disso, a ANG II aumenta a secreção de
vasopressina, o que favorece a retenção de líquidos nos rins e provoca também aumento da sede, e isso
gera aumento da ingestão hídrica. Além desses mecanismos já expostos, a ANG II aumenta a estimulação
simpática do coração e dos vasos. Todos esses fatores cursam com aumento da pressão arterial do
organismo.
Atenção!
Uma vez que a ANG II tem importante papel no aumento da pressão, alguns fármacos anti-hipertensivos
têm por objetivo a inibição da ECA.
Para compreendermos melhor o funcionamento do sistema renina-angiotensina e sua importância na
regulação da pressão arterial, vejamos a imagem a seguir.
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Sistema renina-angiotensina.
Como podemos observar no fluxograma, quando há redução da pressão arterial, seja por efeito direto, seja
pela taxa de filtração glomerular, há estímulo para maior produção de renina. Dessa forma, temos maior
nível plasmático de ANG II posteriormente. Por meio de diferentes mecanismos, essa ANG II promoverá
aumento da pressão arterial.
Sistema barorreceptor
Os barorreceptores são receptores de estiramento, que se encontram em determinados locais da parede de
artérias sistêmicas. O aumento da pressão arterial provoca o estiramento desses receptores, ocorrendo
assim o envio de sinal ao sistema nervoso central que, por sua vez, atua em um processo de feedback,
reduzindo a pressão para seu nível fisiológico.
Com a sinalização dos barorreceptores, temos excitação do centro parassimpático vagal, havendo dilatação
das veias e das arteríolas, redução da frequência cardíaca e da contração desse órgão. Dessa forma,
teremos, portanto, a redução da pressão arterial.
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Reflexo barorreceptor.
Pesquisas indicam a associação entre uma sensibilidade reduzida de barorreflexos e morte após infarto
agudo do miocárdio.
A imagem a seguir ajuda a elucidar ainda mais o sistema barorreceptor. Nela,podemos observar que os
sinais dos barorreceptores são transmitidos para o trato solitário na região bulbar.
Sistema barorreceptor e o controle da pressão arterial.
Em situações de pressão arterial reduzida temos uma menor ativação dos barorreceptores, devido a um
menor nível de estiramento das células e à ativação de quimiorreceptores. Falaremos mais sobre os
quimiorreceptores a seguir.
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Bulbo
Muitas pesquisas têm sido feitas para ampliar o entendimento sobre como o sistema nervoso central regula
o sistema cardiovascular. Sabe-se que o bulbo possui grande importância na regulação neural da pressão
arterial, como já falamos anteriormente.
O aumento da pressão arterial faz com que neurônios do núcleo do trato solitário ativem a região bulbar
ventrolateral caudal (BVLc), que atua na inibição de neurônios do bulbo ventrolateral rostral (BVLr).
O BVLr é a área responsável pelo tônus simpático do sistema cardiovascular.
Desse modo, temos redução da frequência cardíaca e da resistência vascular periférica. Isso contribui para
regulação dos níveis de pressão arterial. Pesquisas mostram que, na hipertensão, pode haver uma
ineficiência dos neurônios da região BVLc para contrabalancear o aumento da atividade dos neurônios da
região BVLr. Observe a seguir a representação das vias aferentes, áreas de integração bulbar e vias
eferentes.
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Regiões bulbares e seus efeitos sobre os Sistemas Nervosos Simpático e Parassimpático.
Em animais saudáveis, situações de queda intensa na pressão arterial provocam a estimulação de
quimiorreceptores. Os quimiorreceptores são receptores estimulados por células sensíveis a baixos níveis
de oxigênio e excesso de gás carbônico e, quando ativados, estimulam o sistema nervoso simpático. Suas
fibras aferentes se projetam para o núcleo do trato solitário e se ligam ao BVLr. Dessa forma, temos
vasoconstrição, além do aumento do retorno venoso. Esses eventos culminam com aumento do debito
cardíaco e da pressão arterial.
Quando os quimiorreceptores da região carotídea são ativados, ocorre o aumento da frequência de
impulsos ao sistema nervoso e da pressão arterial. Podemos observar, portanto, um comportamento
antagônico entre as respostas quimiorreflexoras e as respostas barorreflexoras.
Comentário
Quando tratamos sobre os quimiorreceptores, é importante falarmos sobre insuficiêcnia cardíaca. Estudos
mostram que, nessa situação patológica, temos reflexos simpatoinibitórios (como os reflexos
barorreceptores) reduzidos e maior nível de ventilação relacionada à produção de gás carbônico. Os
quimiorreceptores atuam regulando a ventilação de acordo com a concentração de oxigênio e gás
carbônico, aumentando a pressão arterial e outras atividades simpáticas.
Pesquisas em diferentes espécies animais também apontam que a gênese da hipertensão arterial crônica
pode estar relacionada com alterações bioquímicas, morfológicas e funcionais de quimiorreceptores,
podendo haver, por exemplo, hiperatividade desses receptores.
Tanto na Medicina Humana quanto na Medicina Veterinária podemos encontrar patologias relacionadas a
distúrbios circulatórios. Alguns desses distúrbios podem levar à ativação de mecanismos compensatórios
de regulação da pressão arterial. Podemos citar aqui, como exemplos, as cardiomiopatias hipertróficas, já
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de regulação da pressão arterial. Podemos citar aqui, como exemplos, as cardiomiopatias hipertróficas, já
mencionadas anteriormente, e a persistência de ducto arterioso (que ocorre mais comumente em
determinadas raças como Yorkshire Terrier e Cocker Spaniel).
Sistema nervoso autônomo e a frequência cardíaca
Sistema nervoso autônomo parassimpático e o coração
A acetilcolina (ACh) é o neurotransmissor do sistema parassimpático que atua no coração, reduzindo a
frequência cardíaca. A ACh atua ativando seus receptores muscarínicos das células autoexcitáveis. Com
isso, temos um aumento da permeabilidade aos íons K+, o que culmina com aumento do efluxo desse íon.
Ocorre, assim, hiperpolarização da célula, fazendo com que o potencial marca-passo inicie com valor mais
negativo. Por outro lado, vemos nesse momento também uma redução do influxo de Ca2+, o que retarda a
despolarização. Dessa forma, temos redução da frequência cardíaca, como podemos perceber analisando a
imagem a seguir.
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Estímulo parassimpático com hiperpolarização do potencial de membrana e retardo do processo de despolarização.
Para esse controle da frequência cardíaca, o organismo conta com o nervo vago que leva sinais
parassimpáticos para o coração. Vejamos a imagem a seguir.
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Sistema nervoso da circulação. A linha vermelha tracejada representa a transmissão de sinais do nervo vago.
Sistema nervoso autônomo simpático e o coração
A estimulação simpática por meio da noradrenalina e da adrenalina ocorre por meio da ligação entre essas
catecolaminas e os receptores b1-adrenergicos. Os receptores b1 fazem uso do sistema de segundo
mensageiro e essa ligação favorece a entrada de cátions. Uma vez que temos maior rapidez na entrada dos
cátions, também é mais rápida a ocorrência de despolarização. Podemos dizer então que a estimulação
simpática acelera a frequência cardíaca, como mostra a imagem abaixo.
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Estímulo simpático com despolarização das células autoexcitáveis, acelerando o potencial marca-passo.
Apesar da inegável importância do sistema simpático, no que tange ao trabalho do coração, o controle
tônico desse órgão é dominado pelo sistema parassimpático. Dessa forma, para que haja aumento da
frequência cardíaca, pode haver redução da atividade parassimpática. Entretanto, para que haja aumento da
frequência cardíaca mais expressivo, como acima de 100bpm em humanos, é necessário que haja um
estímulo simpático.
Sistema nervoso autônomo e velocidade de condução
no nodo atrioventricular
Tanto a porção simpática quanto a porção parassimpática do sistema nervoso autônomo provocam
alteração na velocidade de condução no nodo atrioventricular. Enquanto a ACh provoca desaceleração da
condução dos potenciais de ação neste nodo, as catecolaminas provocam a aceleração dessa condução.
Reflexos autonômicos e a homeostasia
O sistema somatossensorial e os receptores viscerais fornecem informação para os centros de controle de
homeostase, que regulam pressão arterial, equilíbrio hídrico e temperatura. Esses centros são localizados
no hipotálamo, na ponte e no bulbo. Entretanto, quando falamos de sistema nervoso central, podemos
considerar que o bulbo possui o principal centro integrador de coordenação da pressão arterial e de
distribuição do fluxo de sangue.
Aldosterona e a regulação da pressão arterial

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Neste vídeo, o especialista explica a influência do hormônio aldosterona e os fatores que causam o
aumento da pressão arterial no organismo.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A angiotensina II (ANG), componente da via sistema renina-angiotensina (SRA), controla a liberação de
aldosterona. Sobre a via SRA, é correto afirmar que
Parabéns!A alternativa D está correta.
A proteína plasmática inativa, angiotensinogênio, é transformada em angiotensina I (ANG I) pela renina,
que é uma enzima. É por meio da ação da enzima angiotensina (ECA) que ANG I é transformada em
angiotensina II. Para a regulação da pressão arterial, essa via tem uma função relevante. Em casos de
pressão arterial reduzida, ocorre estímulo para que a renina tenha uma produção maior. A ANG I atua
como vasoconstritora direta ou indiretamente.
A a renina converte angiotensina I em angiotensinogênio.
B
a enzima conversora de angiotensina (ECA) converte angiotensinogênio em
angiotensina.
C não possui importância na regulação da pressão arterial.
D em situações de pressão arterial reduzida, há estímulo para maior produção de renina.
E ANG II é um dos principais vasodilatadores do organismo.
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Questão 2
Os barorreceptores são receptores de estiramento, que se encontram em determinados locais da
parede de artérias sistêmicas. Sobre o sistema dos barorreceptores, podemos afirmar que
Parabéns! A alternativa D está correta.
Ao contrário do que diz o item “a”, na verdade é o aumento da pressão arterial que aumenta o disparo
dos barorreceptores. Quando os barorreceptores sinalizam, o centro parassimpático é excitado,
ocasionando na dilatação das veias e das arteríolas, além de diminuição da frequência cardíaca e
também na diminuição da contração deste órgão. Desta forma teremos, portanto, redução da pressão
arterial. Pesquisas indicam a associação entre uma sensibilidade reduzida de barorreflexos e morte
após infarto agudo do miocárdio.
A são estimulados principalmente pela redução abrupta da pressão arterial.
B a sinalização dos barorreceptores excita o sistema nervoso simpático.
C os barorreceptores não causam efeito direto ou indireto na frequência cardíaca.
D com a sinalização dos barorreceptores há excitação do centro parassimpático vagal.
E
a principal causa de morte após infarto do miocárdio é justamente a sensibilidade
aumentada dos barorreflexos.
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Considerações finais
Como foi possível observar, o estudo da fisiologia do sistema cardiovascular e da sua integração com
outros sistemas traz compreensão de mecanismos fundamentais à vida de todos animais.
O profissional de Medicina Veterinária deve sempre buscar solidificar cada vez mais os conhecimentos
essenciais sobre o funcionamento adequado do organismo. Esses conhecimentos, sem dúvida, incluem a
fisiologia do sistema circulatório, que é um sistema absolutamente integrado a diversas outras regiões do
corpo. Dessa forma, esse indivíduo terá mais segurança no momento do atendimento e do exame clínico
geral e/ou cardiológico, aumentando a chance de obter sucesso no diagnóstico e/ou tratamento do
paciente.
Podcast
Para encerrar, o especialista apresenta os mecanismos fisiológicos do sistema cardiovascular e a
integração entre este sistema e outros órgãos.
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Pesquise o estudo Avaliação da pressão intraocular (PIO) e da pressão arterial de cães portadores de
Erlichia canis, de Pereira e colaboradores, e saiba mais sobre os efeitos desse parasita sobre as pressões
arterial e intraocular dos animais estudados.
Pesquise o artigo Cardiomiopatia hipertrófica felina: uma revisão de literatura atual e aprenda mais
informações importantes e atualizadas sobres esta patologia cardiovascular através dos estudos de Silva,
Moizes, Pereira e Soares (2021), publicado na Revista Multidisciplinar em Saúde.
Pesquise o artigo Principais alterações no eletrocardiograma em cães e saiba mais sobre esse importante
exame dentro da Medicina Veterinária e sobre as patologias possíveis de serem diagnosticadas através do
estudo de Macedo e colaboradores (2019), publicado na Revista Multidisciplinar em Saúde.
Referências
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LOBO, L. L.; PEREIRA, R. Cardiomiopatia dilatada canina. Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias, v. 97,
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SILVERTHORN, D. U. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada. São Paulo: Artmed, 2017.
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