Prévia do material em texto
Fisiologia do sistema cardiovascular em animais Prof.ª Soraia John Descrição Estudo da fisiologia do sistema cardiovascular dos animais e sua aplicação na rotina clínica e como base de conhecimento na formação do estudante de Medicina Veterinária. Propósito O estudo dos mecanismos fisiológicos do sistema cardiovascular e da integração entre esse sistema e outros órgãos poderá auxiliar na obtenção de conhecimentos cruciais para a formação profissional e na compreensão de questões patológicas envolvendo o coração e os vasos sanguíneos. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 1 de 63 Preparação Antes de iniciar seu estudo, tenha em mãos um dicionário médico para melhor entendimento de termos específicos. Objetivos Módulo 1 Sistema cardiovascular e seus aspectos morfofuncionais Reconhecer os aspectos morfológicos e funcionais do sistema cardiovascular. Módulo 2 Parâmetros fisiológicos do fluxo de sangue e ciclo cardíaco Reconhecer os mecanismos fisiológicos responsáveis pelo fluxo de sangue através do sistema cardiovascular. Módulo 3 Débito cardíaco, volume sistólico e pressão arterial Identificar os principais conceitos relacionados ao trabalho do sistema cardiovascular. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 2 de 63 Módulo 4 Mecanismos regulatórios da pressão arterial e parâmetros Reconhecer os mecanismos fisiológicos que regulam o sistema cardiovascular. Introdução A compreensão sobre a fisiologia do sistema cardiovascular traz informações acerca do funcionamento do coração e dos processos envolvidos na circulação de sangue por todo o corpo. Além disso, quando aprofundamos os estudos sobre a fisiologia desse importante sistema, percebemos sua integração com outras regiões do organismo e como os sistemas são influenciados uns pelos outros. O entendimento sobre o funcionamento fisiológico do coração, dos vasos sanguíneos e de outros órgãos do corpo permite que o médico veterinário seja capaz de identificar sinais clínicos associados a diferentes https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 3 de 63 corpo permite que o médico veterinário seja capaz de identificar sinais clínicos associados a diferentes enfermidades que acometem o sistema circulatório dos animais, buscando o correto diagnóstico e a terapêutica mais adequada para cada caso. O conhecimento acerca dos diferentes mecanismos de regulação do sistema cardiovascular permite maior compreensão sobre os processos envolvidos em patologias deste e de outros sistemas, além de auxiliar o médico veterinário no estabelecimento de prognósticos e no entendimento sobre a evolução clínica de pacientes cardiopatas. Com o avanço da Medicina Veterinária e de suas especialidades, bem como uma intensificação do cuidado dos tutores, tem-se notado um aumento significativo na expectativa de vida dos animais de companhia. Dessa forma, como já se podia esperar, também há um crescimento de casos de pacientes com distúrbios no sistema cardiovascular dentro da rotina médico veterinária. Assim, para um bom raciocínio clínico, o médico veterinário precisa ter boa compreensão sobre as questões fisiológicas do sistema circulatório de seus pacientes. No decorrer do estudo, trataremos sobre algumas patologias comuns na Medicina Veterinária, que possuem envolvimento do sistema cardiovascular e que o ajudarão a despertar ainda mais seu interesse sobre esse tema tão importante. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 4 de 63 1 - Sistema cardiovascular e seus aspectos morfofuncionais Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer os aspectos morfológicos e funcionais do sistema cardiovascular. Introdução sobre o sistema cardiovascular Quando pensamos no coração, existe a tendência de que imaginemos uma estrutura única bombeando sangue. Mas deveríamos ter em mente que o coração é formado não apenas por uma única bomba, mas por duas. O coração é dividido em metade direita e metade esquerda devido à presença de uma parede central ou septo. Entenda como funcionam ambas as partes a seguir: Metade esquerda Metade que recebe o sangue dos pulmões (recém-oxigenado) e funciona como uma bomba responsável pelo envio desse sangue aos órgãos periféricos. Metade direita https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 5 de 63 Metade direita Metade que recebe sangue de tecidos periféricos e funciona como uma bomba, que é responsável pelo envio de sangue para os pulmões. Ambos lados do coração possuem um átrio e um ventrículo. Os átrios enviam sangue para os seus respectivos ventrículos que, por sua vez, possuem maior força de bombeamento, propelem o sangue para o pulmão (no caso do ventrículo direito) ou para os órgãos periféricos (no caso do ventrículo esquerdo). O coração dos animais mamíferos se situa no mediastino, sendo composto por endocárdio (camada mais interna), miocárdio (camada do meio) e epicárdio (camada mais externa). A imagem a seguir representa o coração de um cão. Coração de cachorro. O sistema circulatório é responsável por transportar diferentes substâncias pelo organismo. Essas sustâncias podem ser provenientes do meio externo, como oxigênio, água e nutrientes, ou podem ser provenientes do meio interno e circularem pelo organismo, por meio desse sistema. Podem ainda ser substâncias do meio interno que precisem ser eliminadas. Comentário Além da função de transporte, o sistema circulatório também desempenha papel regulatório e protetor. Por meio desse sistema, temos a regulação do pH (por meio de tampões), a regulação de temperatura e a proteção, que ocorre por meio de coagulação ou das células de defesa e de substâncias como os anticorpos. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 6 de 63 O sistema circulatório dos animais vertebrados é do tipo fechado. Na imagem a seguir, podemos ver o circuito, onde temos as artérias levando o sangue do coração para os tecidos, e as veias levando o sangue de volta ao coração. Representação do sistema circulatório. Na imagem anterior, podemos observar que o sangue sai do átrio direito para o ventrículo direito, indo para as artérias pulmonares e chegando então aos pulmões. Nos pulmões, ocorre a oxigenação desse sangue. Posteriormente, através das veias pulmonares, o sangue passa para o átrio esquerdo e, logo após, chega ao ventrículo esquerdo. Temos aqui o que chamamos de circulação pulmonar. O sangue é bombeado para a artéria aorta, que possui muitas ramificações que geram uma rede de capilares. Teremos, assim, a difusão do oxigênio para os tecidos na circulação sistêmica. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 7 de 63 do oxigênio para os tecidos na circulação sistêmica. Após distribuição de oxigênio, o sangue, já pobre nesse gás e agora rico em dióxido de carbono, passa para a região venosa, indo de pequenos vasos para veias maiores. Cabe aqui mencionarmos a veia cava cranial e a veia cava caudal. As veias da porção mais cranial do corpo animal se unem e formam a veia cava cranial. As veias da porção mais caudal do corpo animal, por sua vez, formam a veia cava caudal. Essas duas veias cavas chegam ao átrio direito, conforme também podemos visualizar na imagem acima, fechando assim a circulação sistêmica. Durante essa circulação sistêmica, o sangue passa também pelos rins, o que chamamos de circulação renal. Nesse processo, ocorre a filtração do sangue e remoção de determinadas substâncias. Em seguida, esse sangue filtrado retorna à circulação por meio da veia renal. O fígado, outro órgão de muita relevância na circulação sistêmica, pode receber o sangue de formadireta, por meio da artéria hepática, ou de forma indireta, por meio da veia porta hepática (ou veia porta do fígado, como vimos na imagem anterior). Neste último caso, o sangue chega ao fígado após passar pela circulação intestinal. Nessa circulação, o sangue recebe nutrientes da alimentação e, somente após esse processo, passa pelo fígado. Durante essa passagem, há estoque de substâncias, principalmente da glicose. Posteriormente, o sangue sai do fígado por meio da veia hepática. Também podemos observar na imagem a presença de ramos da artéria aorta. As artérias coronárias, que são um desses ramos, são responsáveis pela nutrição do músculo do coração. Os ramos ascendentes, por sua vez, migram em direção aos membros anteriores e à cabeça. Já a porção abdominal é responsável pela nutrição do tronco, pelos membros posteriores e pelos órgãos internos. Cabe ressaltar que o cérebro consome grande quantidade de sangue a cada minuto e, por isso, recebe um fluxo constante. Circulação fetal Em todas as espécies de animais domésticos, temos diferentes eventos anatômicos e fisiológicos, que ocorrem durante a transição da vida de um feto para a vida de um neonato. Esses eventos facilitam a adaptação e a adequação dos animais neonatos ao novo ambiente. No interior do útero materno, o oxigênio utilizado pelo feto vem da mãe e se difunde da placenta para o seu sangue. O sangue circulante nesse pequeno ser vivo é uma mistura de sangue arterial com sangue venoso. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 8 de 63 A veia umbilical é o vaso responsável por levar o sangue oxigenado da placenta para o feto. Parte desse sangue passa pelos sinusoides hepáticos e outra parte sofre um desvio para a circulação sistêmica, através do ducto venoso, e depois passa para a veia cava. Após passar pela veia cava, o sangue que chega até o átrio direito vai para o átrio esquerdo através do forame oval. O átrio esquerdo recebe também sangue das veias pulmonares, que retornam o sangue pobre em oxigênio do pulmão. O sangue pode então se dirigir para o ventrículo esquerdo e, posteriormente, seguir para o arco da aorta até chegar então ao cérebro, por meio da aorta ascendente. Uma menor parte do sangue do átrio direito também pode ir para o ventrículo direito, seguir para o ducto arterioso, para a aorta descendente e finalmente chegar à porção posterior do corpo fetal. A imagem a seguir (A) ajuda a entender melhor como funciona a circulação fetal. Circulação fetal (A) e circulação após o nascimento (B). Nesta figura podemos localizar as seguintes estruturas: 1- veia cava cranial; 2- veia cava caudal; 3- átrio direito; 4- seta indo para o forame oval; 5- ventrículo direito; 6- tronco pulmonar; 7- artéria pulmonar; 7’- ducto arterioso; 8- átrio esquerdo; 9- ventrículo esquerdo; 10- arco aórtico; 10’- aorta descendente; 11- artéria umbilical; 12- veia umbilical; 12’- ducto venoso; 13- fígado; 14- veia porta. Observação: O número 7’ na imagem B representa o vestígio do ducto arterioso. Como podemos observar na imagem anterior, a artéria umbilical (apresentada como número 11) é o vaso https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 9 de 63 Como podemos observar na imagem anterior, a artéria umbilical (apresentada como número 11) é o vaso responsável por levar sangue pobre em oxigênio para a placenta, que atuará na troca gasosa. Ao compararmos as imagens A e B, podemos notar que diferentes modificações circulatórias são realizadas após o nascimento. Entre elas podemos citar, por exemplo, o fechamento do forame oval, que se dá através do sangue que entra no átrio esquerdo, pressionando a valva do forame. Outra modificação importante é o fechamento do ducto arterioso, vaso que comunica a artéria pulmonar à aorta descendente. Seu fechamento fisiológico após o nascimento ocorre devido ao aumento da pressão na aorta, bem como redução da pressão na artéria pulmonar e consequente interrupção de fluxo da direita para a esquerda por meio do ducto. A permanência desse ducto após o nascimento caracteriza a cardiopatia conhecida como persistência do ducto arterioso, que é uma das principais cardiopatias congênitas em cães. Coração Músculo cardíaco Os três principais tipos de músculos do coração são o músculo atrial, o músculo ventricular e as fibras especializadas, excitatórias e condutoras. Enquanto os dois primeiros tipos se contraem mais fortemente, as fibras especializadas se contraem de forma mais fraca, uma vez que possuem poucas fibras contráteis. Essas fibras especializadas possuem descargas elétricas rítmicas e automáticas, em forma de potencial de ação. Aspectos anatômicos e fisiológicos As fibras musculares do coração são dispostas em malha ou treliça e esse músculo é estriado. A musculatura cardíaca possui miofibrilas com filamentos de actina e de miosina, semelhantes aos da https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 10 de 63 A musculatura cardíaca possui miofibrilas com filamentos de actina e de miosina, semelhantes aos da musculatura esquelética. Tais filamentos são dispostos lado a lado e fazem um deslizamento durante as contrações. Miocárdio e seu caráter sincicial. As fibras do miocárdio possuem diversas células individuais, que estão conectadas em série e em paralelo umas com as outras, e discos intercalados (áreas mais escuras na imagem anterior) que atravessam as fibras transversalmente. Em cada um dos discos, há uma fusão das membranas celulares que formam junções comunicantes permeáveis, conhecidas como gap junctions. Essas junções favorecem a difusão dos íons, permitindo sua mobilidade pelo fluido intracelular, o que facilita a propagação do potencial de ação através dos discos. Toda essa conexão entre as células faz do miocárdio um sincício, ou seja, quando há excitação de uma célula, o potencial de ação logo se propaga para outras células. Uma vez que os átrios e os ventrículos são separados através da presença de tecido fibroso, temos o coração sendo composto por dois sincícios: sincício atrial e sincício ventricular. Os potenciais são conduzidos, portanto, por meio do feixe atrioventricular - um sistema de condução especializado - e os átrios se contraem um pouco antes da contração dos ventrículos. Valvas cardíacas O sangue flui através do coração em um sentido único e isso ocorre devido à presença de valvas cardíacas. Essas valvas são: valva atrioventricular direita (ou tricúspide), valva atrioventricular esquerda (ou mitral), valva semilunar pulmonar e valva semilunar aórtica. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 11 de 63 valva semilunar pulmonar e valva semilunar aórtica. Entre cada átrio e seu respectivo ventrículo existe a presença de uma valva atrioventricular (VAV). Essas valvas são formadas por folhetos unidos a um anel de tecido conectivo. Esses folhetos se conectam aos ventrículos através das cordas tendíneas. Entenda, a seguir, as funções das valvas: Valva mitral É a valva de entrada no ventrículo esquerdo. Valva aórtica É a valva de saída no ventrículo esquerdo. Valva tricúspide É a valva de entrada no ventrículo direito. Valva pulmonar É a valva de saída no ventrículo direito. Nos ventrículos, ocorre a presença de músculos papilares que, quando relaxados, deixam as cordas tendíneas mais frouxas, favorecendo a abertura das valvas mitral e tricúspide. Por outro lado, quando os músculos papilares estão contraídos, deixam as cordas tendíneas mais esticadas, favorecendo fechamento dessas valvas. Podemos visualizar essas estruturas na imagem a seguir. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 12 de 63 Coração do cachorro. Sistema linfático e a interação com o sistema cardiovascular O sistema cardiovascularestá intimamente ligado ao sistema linfático, que é constituído por um líquido denominado linfa e desempenha papel importante na remoção de resíduos do corpo, na drenagem de líquido intersticial, na defesa do organismo e no transporte de determinadas substâncias. Boa parte dos componentes do plasma se infiltram nas paredes dos capilares para formação de líquido intersticial. Entretanto, o excesso de líquido é drenado para os vasos linfáticos levando à formação da linfa. Os vasos linfáticos convergem formando dois grandes troncos, que são denominados de: Ducto torácico Ducto linfático direito Os vasos linfáticos da parte posterior do corpo, da parte esquerda da cabeça e do pescoço, do membro anterior e de partes da região torácica escoam no ducto torácico, que segue para a junção da veia jugular interna esquerda com a veia subclávia esquerda. Por outro lado, a linfa da parte direita da cabeça e do pescoço, do membro anterior direito e de partes da região torácica escoa no ducto linfático direito. Esse ducto segue para a junção da veia jugular interna direita com a subclávia direita. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 13 de 63 direita com a subclávia direita. Após desembocarem nas veias subclávias esquerda e direita, o conteúdo retorna ao sangue. Cabe ressaltar que os vasos linfáticos transferem a linfa para o interior dos linfonodos durante o seu trajeto, e outros vasos linfáticos são responsáveis por recolher a linfa que sai dos linfonodos. A imagem a seguir nos mostra a interação direta entre o sistema cardiovascular e o sistema linfático. Circulação linfática. Aspectos anatômicos, fisiológicos e funcionais do coração https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 14 de 63 coração Neste vídeo, o especialista apresentará as características do coração. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 15 de 63 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 O pulmão é o órgão responsável pela oxigenação do sangue. Qual o nome do vaso que leva sangue do pulmão para o átrio esquerdo? Parabéns! A alternativa D está correta. A veia pulmonar leva o sangue oxigenado dos pulmões em direção ao átrio esquerdo. A artéria pulmonar leva o sangue para os pulmões. A artéria aorta é o vaso que sai do ventrículo esquerdo. A veia porta hepática é um vaso que leva sangue para o fígado. A veia cava caudal é um dos vasos que levam sangue para o átrio direito. A Artéria pulmonar. B Artéria aorta. C Veia porta hepática. D Veia pulmonar. E Veia cava caudal. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 16 de 63 Questão 2 Durante a transição entre a vida fetal e a vida neonatal, ocorrem eventos que provocam mudanças anatômicas e fisiológicas nos animais. A veia umbilical é um vaso essencial para a vida fetal. Esse vaso é responsável por Parabéns! A alternativa A está correta. A veia umbilical é o vaso da circulação fetal que permite que o sangue rico em oxigênio seja levado da placenta em direção ao feto. A conduzir para o feto o sangue oxigenado da placenta. B transportar para o feto o sangue desoxigenado da placenta. C carregar o sangue oxigenado do feto para a placenta. D transportar o sangue desoxigenado do feto para a placenta. E conduzir sangue rico em gás carbônico da placenta para o feto. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 17 de 63 2 - Parâmetros fisiológicos do fluxo de sangue e ciclo cardíaco Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer os mecanismos fisiológicos responsáveis pelo fluxo de sangue através do sistema cardiovascular. Parâmetros físicos básicos que influenciam o fluxo sanguíneo Para que o sangue possa fluir, é fundamental que haja um gradiente de pressão. Dessa forma, o sangue flui do compartimento de maior pressão (como o coração) para o de menor pressão (como os vasos sanguíneos). A pressão vai sendo reduzida à medida que o sangue se afasta do coração, ou seja, temos a aorta e as artérias sistêmicas com pressão maior que as veias cavas, por exemplo. Devemos ter em mente que a pressão em um líquido pode ser entendida como a força que é exercida por esse líquido em seu recipiente. Se falamos de um fluido que não se move, temos o que denominamos de https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 18 de 63 esse líquido em seu recipiente. Se falamos de um fluido que não se move, temos o que denominamos de pressão hidrostática. Quando o líquido se encontra em movimento, a energia vai sendo perdida conforme ocorre o atrito, ou seja, a pressão vai sendo reduzida com a distância. Quando as paredes do recipiente com líquido são contraídas, temos aumento da pressão exercida sobre ele. O músculo ventricular gera, a partir da sua própria contração, uma pressão que é transferida para o sangue. A essa pressão damos o nome de pressão propulsora, que é responsável por impulsionar de fato o sangue pelos vasos. No momento de relaxamento do coração, temos a expansão e, portanto, a redução da pressão. Cabe ressaltar que nos vasos sanguíneos também podemos ter variação na pressão por meio de sua dilatação ou contração. Mudanças no raio dos vasos sanguíneos também influenciam a resistência desses vasos ao fluxo de sangue e esse fluxo é inversamente proporcional à resistência do sistema. Outros dois parâmetros importantes para o entendimento do funcionamento do sistema circulatório são a velocidade do fluxo e a taxa do fluxo. A taxa do fluxo se refere à quantidade de sangue que passa por um ponto em determinado tempo. Quando temos uma taxa de fluxo constante e um tubo com diâmetro variável, a velocidade será maior nas regiões mais estreitas. Potencial de ação no músculo cardíaco O potencial de ação cardíaco consiste em uma alteração da voltagem no decorrer da membrana celular das células cardíacas. Essa alteração ocorre devido ao movimento dos íons entre o interior e exterior da célula. O potencial entre um batimento e outro, no interior da célula, tende a ser negativo com valor aproximado de – 85mV. Esse valor chega a aproximadamente + 20mV durante cada batimento. A membrana ainda permanece despolarizada durante 0,2 segundos em média, o que acaba por gerar um platô antes da repolarização. Esse platô no músculo do ventrículo (apresentado na imagem a seguir), por sua vez, favorece https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 19 de 63 repolarização. Esse platô no músculo do ventrículo (apresentado na imagem a seguir), por sua vez, favorece a maior duração de tempo da contração do músculo ventricular. Potenciais de ação da fibra de Purkinje e do músculo ventricular. Os eventos que ocorrem no coração entre um batimento e outro são denominados de ciclo cardíaco. A seguir veremos mais detalhadamente esses eventos. Ciclo cardíaco Podemos dizer que cada ciclo se inicia a partir do nodo sinusal, região apresentada na imagem a seguir junto de outras estruturas do coração. O nodo sinusal, portanto, funciona como principal marca-passo do coração. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 20 de 63 Sistema de condução cardíaco. O ciclo cardíaco se inicia com ambos átrios e ventrículos em estado de repouso. O sinal elétrico para a contração se inicia quando o nodo sinusal dispara um potencial de ação. O potencial de ação se difunde do nodo sinusal (também chamado de nodo sinoatrial) de forma rápida para os dois átrios e para o nodo atrioventricular. O nodo sinusal é conectado com o nó atrioventricular por meio de uma via internodal. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio#05/09/2024, 17:38 Página 21 de 63 Via intermodal As vias internodais são constituídas pelas extremidades do nodo sinusal e se conectam ao tecido muscular atrial circundante. Posteriormente, o potencial de ação segue para os ventrículos por meio do feixe atrioventricular (ou feixe de His). Observando a imagem anterior, também podemos notar a presença de estruturas denominadas fibras de Purkinje. São essas fibras que transmitem os impulsos de forma bastante rápida e que permitem que diversas células se contraiam quase ao mesmo tempo. Como podemos supor a partir do que foi exposto anteriormente, a contração dos átrios ocorre antes da contração dos ventrículos, e não de forma simultânea. Fases do ciclo cardíaco O momento do ciclo cardíaco em que temos o relaxamento chama-se diástole e, nesse processo, temos o coração se enchendo de sangue. O momento do ciclo em que temos contração, por outro lado, chama-se sístole. O ciclo cardíaco pode ser examinado mais detalhadamente com auxílio da próxima imagem, que traz esse ciclo com uma divisão didática em cinco fases. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 22 de 63 Ciclo cardíaco. Vamos compreender cada etapa: Fase 1: Final da diástole Temos nessa fase as quatro câmaras relaxadas e os átrios estão sendo enchidos com sangue das veias. Com as pressões dos ventrículos estando baixas e com as pressões moderadamente altas nos átrios que foram desenvolvidas durante a sístole ventricular do ciclo anterior, as valvas atrioventriculares se abrem. Com a abertura dessas valvas, os ventrículos vão sendo enchidos de forma passiva. Fase 2: Sístole atrial A maior parte do sangue entra nos ventrículos quando os átrios estão relaxados. Uma pequena parte, entretanto, ocorre quando os átrios se contraem. A contração dos átrios é iniciada seguindo a onda de despolarização que percorre essas câmaras. Fase 3: Contração ventricular isovolumétrica A onda de despolarização, enquanto temos a contração dos átrios, vai percorrendo as células condutoras do nó atrioventricular e depois as fibras de Purkinje até a região ápice do coração. É justamente nesse ápice onde teremos o início da sístole dos ventrículos. Aqui nós temos sangue sendo empurrado para cima e, consequentemente, sangue sendo empurrado contra a porção inferior das valvas atrioventriculares. Isso faz com que tenhamos fechamento dessas https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 23 de 63 Tenha em mente que, na fase 3, temos tanto as valvas atrioventriculares quanto as valvas semilunares fechadas e os ventrículos se contraindo (como vemos na imagem). Os átrios vão se relaxando e, quando as pressões das veias são maiores que as deles, o sangue flui em direção aos átrios. Cabe ressaltar que as valvas atrioventriculares permanecerão fechadas até que a pressão dos ventrículos fique menor que a dos átrios. Quando essas valvas se abrem, o sangue volta a fluir dos átrios para os ventrículos em um novo ciclo. Marca-passos Em condições normais, o impulso cardíaco é originado nas células autoexcitáveis do nodo sinusal e são essas células, portanto, que determinam o ritmo dos batimentos do coração. As células do nodo porção inferior das valvas atrioventriculares. Isso faz com que tenhamos fechamento dessas valvas e então a primeira bulha cardíaca (Bulhas cardíacas são os sons cardíacos “Tum-Tá”. A primeira bulha cardíaca representa o “Tum”). Fase 4: Ejeção ventricular Com o aumento da pressão ventricular, temos uma abertura das valvas semilunares e ejeção do sangue em direção às artérias. Enquanto tudo isso ocorre nos ventrículos, temos as valvas atrioventriculares ainda fechadas e os átrios se enchendo. Fase 5: Relaxamento ventricular isovolumétrico Os ventrículos agora já começam a repolarização e o relaxamento. Quando a pressão das artérias é maior que a dos ventrículos, o sangue começa a retornar ao coração, levando ao fechamento das valvas semilunares onde teremos então a segunda bulha cardíaca. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 24 de 63 essas células, portanto, que determinam o ritmo dos batimentos do coração. As células do nodo atrioventricular e as fibras de Purkinje podem agir como marca-passos em algumas condições, mas como possuem ritmos mais lentos, não são tão relevantes para o ritmo dos batimentos, como o nodo sinusal sob condições normais. Essa capacidade especial de geração de potencial de ação espontâneo é resultado do seu potencial de membrana instável que é conhecido pelo nome de potencial marca-passo. Essa instabilidade ocorre devido à presença de determinados canais. Quando ocorre despolarização até o limiar, temos disparo do potencial de ação através dessas células. Os canais If são canais permeáveis a K+ e ao Na+. Quando temos um potencial de membrana negativo e esses canais abertos, temos maior influxo de Na+ e, portanto, despolarização. Quando esse potencial vai se tornando mais positivo, canais de If vão sendo fechados, alguns canais de cálcio vão sendo abertos e o influxo de cálcio ocorre. Posteriormente, abrem-se canais adicionais de cálcio e ocorre mais entrada de cálcio na célula. Depois que os canais de cálcio são fechados, abrem-se canais lentos de K+, onde teremos repolarização, como mostra a imagem a seguir. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 25 de 63 Potencial de ação nas células autoexcitáveis do coração. A frequência cardíaca é determinada pela velocidade em que as células marca-passo despolarizam. Quando estamos fora de uma condição normal, como, por exemplo, quando o nodo sinusal não está funcionando de forma adequada, outro marca-passo (mais lento) assumirá o ritmo ou partes diferentes do coração seguirão diferentes marca-passos. Os marca-passos que não sejam o próprio nodo sinusal são denominados como “ectópicos”. Esses marca-passos ectópicos produzem sequências anormais de contração e podem trazer prejuízos ao bombeamento de sangue e para toda a função cardiovascular. Em algumas condições anormais especiais, como em um bloqueio severo da condução dos sinais dos átrios para os ventrículos, pode se fazer necessário o uso de marca-passos mecânicos, que são implantados cirurgicamente. Os marca-passos são dispositivos comuns na rotina das cirurgias cardíacas na Medicina Humana e, embora na Medicina Veterinária ainda não seja tão comum, já existe sim essa possibilidade. Eletrocardiograma O eletrocardiograma é uma técnica de diagnóstico muito utilizada na Medicina Humana e também na https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 26 de 63 Medicina Veterinária. É uma ferramenta muito importante no diagnóstico e no acompanhamento de alterações patológicas no coração, fornecendo informações acerca da anatomia e fisiologia desse órgão. Esse exame permite a análise da frequência cardíaca e do ritmo cardíaco e auxilia na análise da sobrecarga das câmaras do coração e alterações de tamanho. O campo elétrico gerado pela despolarização nos átrios é denominado onda P no eletrocardiograma. O impulso chega ao nodo atrioventricular na metade para o terço final da onda P. O complexo QRS, que é formado pelas ondas Q, R e S, representa a despolarização ventricular e a onda T representa a repolarização ventricular. O intervalo QT é o tempo entre o início do complexo QRS e o término da onda T e representa o tempo total da sístole ventricular. Podemos ver ainda no eletrocardiograma uma onda que se apresenta após a onda T, a onda U, que representa regiões de repolarização mais tardia. Eletrocardiograma. Muitas alterações podem ser encontradas nesse tipo de exame e o médico veterinário que o avaliar deve ser capaz de diferenciar alterações fisiológicas de alterações patológicas. Vamosver alguns exemplos. É comum encontrarmos no eletrocardiograma de cães uma variação no ritmo cardíaco decorrente da respiração, mais comum em cães braquicefálicos, que é denominada arritmia sinusal. Essa arritmia pode ser considerada fisiológica para os cães, mas, no caso dos gatos, o aparecimento dessa arritmia parece ser menos comum. A imagem a seguir apresenta uma comparação entre o ritmo sinusal e a arritmia sinusal em cadelas. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 27 de 63 Eletrocardiogramas de cadelas: ritmo sinusal. Eletrocardiogramas de cadelas: arritmia sinusal. Ondas P com leves alterações na inspiração e na expiração, que aparecem maiores durante a inspiração e são reduzidas durante a expiração, podem ser denominadas de marca-passo migratório. O marca-passo migratório, apresentado na imagem a seguir, pode ser considerado normal para os cães. Eletrocardiograma de cadela apresentando marcapasso migratório. Já no caso de um animal com fibrilação atrial, é comum a apresentação de um eletrocardiograma com ausência de onda P ou ainda com ondulações irregulares na linha basal. Agora vamos imaginar um caso de um infarto no miocárdio. Nessa situação, podemos ter alargamento da onda Q, deslocamento do segmento S-T e também inversão da onda T. A imagem a seguir representa um eletrocardiograma com alterações sugestivas de isquemia, como infradesnivelamento de ST e inversão de onda T simétrica. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 28 de 63 Representação de eletrocardiograma com alterações sugestivas de isquemia. Pacientes com cardiomiopatia dilatada, mais comum em cães de grande porte, podem apresentar complexos QRS com indicativo de dilatação de ventrículo esquerdo, ondas R inclinadas para baixo e segmentos ST abaulados. As ondas P também podem estar ampliadas e entalhadas. Em animais que apresentam essa patologia, é comum a presença de taquiarritmias ventriculares e complexos ventriculares prematuros. A imagem a seguir apresenta um exemplo de eletrocardiograma de cadela contendo complexo ventricular prematuro. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 29 de 63 Eletrocardiograma de cadela apresentando complexo ventricular prematuro. A patologia cardíaca mais comum na clínica de felinos é a cardiomiopatia hipertrófica, de maneira que podemos ter, nos pacientes com essa disfunção, um eletrocardiograma apresentando alterações que indiquem aumentos das câmaras, alterações de condução, taquiarritmias ventriculares ou supraventriculares e desvio de eixo elétrico. Nesse e em muitos outros casos, o eletrocardiograma pode auxiliar o diagnóstico, mas será necessário um ecocardiograma para melhor diagnosticar a doença. Parâmetros que influenciam no fluxo sanguíneo Neste vídeo, o especialista explica o conceito de pressão hidrostática e pressão propulsora. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 30 de 63 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 No coração, o sinal elétrico é iniciado quando uma estrutura específica dispara o potencial de ação. Essa estrutura é conhecida como principal marca-passo do coração. Qual o nome dessa estrutura? A Nodo sinusal. B Nodo atrioventricular. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 31 de 63 Parabéns! A alternativa A está correta. O nodo sinusal, também conhecido como nodo sinoatrial, é o principal marca-passo do coração. Esse nodo se conecta com o nó atrioventricular por meio de uma via internodal. Em algumas circunstâncias, células do nodo atrioventricular, além das fibras de Punkinje, são capazes de atuar como marca-passos, porém, como têm ritmos com maior lentidão, não se fazem tão importantes no ritmo dos batimentos, como age o nodo sinusal diante de condições normais. Destaca-se que o nodo atrioventral e o nodo atrial esquerdo não são vocábulos relevantes. Questão 2 O ciclo cardíaco pode ser dividido em fases de forma didática. Qual nome se dá para a fase do ciclo cardíaco onde temos as valvas atrioventriculares se fechando e as valvas semilunares ainda fechadas? B Nodo atrioventricular. C Nodo atrioventral. D Fibras de Purkinje. E Nodo atrial esquerdo. A Relaxamento ventricular isovolumétrico. B Ejeção ventricular. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 32 de 63 Parabéns! A alternativa C está correta. Durante a contração ventricular isovolumétrica temos as valvas atrioventriculares se fechando, mas não se tem ainda pressão suficiente para abertura das valvas semilunares. Cabe ressaltar que, no final da diástole, temos as valvas atrioventriculares se abrindo e, durante a sístole atrial, elas ainda estão abertas. Durante a ejeção ventricular, temos as valvas semilunares se abrindo e, durante o relaxamento ventricular isovolumétrico, temos a ocorrência do fechamento das valvas semilunares. C Contração ventricular isovolumétrica. D Final da diástole. E Sístole atrial. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 33 de 63 3 - Débito cardíaco, volume sistólico e pressão arterial Ao final deste módulo, você será capaz de identificar os principais conceitos relacionados ao trabalho do sistema cardiovascular. Diagrama volume-pressão O fluxo de sangue segue uma migração de fluxo de regiões onde a pressão é mais elevada para regiões de menor pressão. Como o lado esquerdo do coração é responsável pelo envio de sangue para a circulação sistêmica, enquanto o lado direito é responsável pelo envio de sangue para a circulação pulmonar (circulação menor), o lado esquerdo gera pressões mais elevadas. Veja a seguir o conhecido diagrama de volume-pressão, demonstrando alterações nesses dois parâmetros físicos no ventrículo esquerdo durante um ciclo cardíaco. A área sombreada demarcada como EW representa a produção efetiva de trabalho externo do ventrículo e a linha vermelha demonstra o ciclo cardíaco. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 34 de 63 Diagrama de volume-pressão. Entenda a imagem considerando os seguintes pontos a seguir: Ponto A No ponto A, o ventrículo completou sua contração e mantém uma quantidade mínima de sangue. Temos, portanto, o ventrículo relaxado e com baixa pressão em seu interior. O sangue está migrando para o átrio. Quando a pressão no átrio é maior que a pressão no ventrículo, https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 35 de 63 Terminada a fase de contração, o ventrículo vai relaxando e a pressão vai sendo reduzida. Há fechamento da valva semilunar quando a pressão no ventrículo se torna menor que a da aorta. Uma vez que temos esse fechamento, não há mais alteração no volume (relaxamento isovolumétrico). Posteriormente, teremos a pressão do ventrículo menor que a do átrio e, consequentemente, a abertura da valva mitral e retorno do ciclo. temos abertura da valva mitral e aumento do volume no ventrículo. Como o ventrículo se expande, temos um pequeno aumento na pressão dessa câmara. Ponto B Quando o átrio finalmente se contrai, chegamos ao ponto B e temos o ventrículo com seu volume máximo, o chamado volume diastólico final. A valva mitral se fecha no início da contração do ventrículo e temos, portanto, aumento da pressão sem alteração no volume (contração isovolumétrica). Ponto C Chegamos ao ponto C quando a pressão no ventrículo fica maior que a da própria aorta, onde temos então abertura da valva aórtica. A pressão sobe mais um pouco, mas o volume vai sendo reduzido à medida que há ejeção de sangue.Ponto D Após o período de ejeção, chegamos ao ponto D. Temos um volume de sangue que permanece no ventrículo ao final da contração que denominamos de volume sistólico final. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 36 de 63 Fatores que influenciam o volume sistólico O volume sistólico é o volume de sangue bombeado durante uma contração. Esse volume é apresentado em mililitro por batimento e a fórmula abaixo pode ser utilizada para calculá-lo: Rotacione a tela. O volume sistólico é influenciado pela contratilidade cardíaca e por fatores de interação vascular. Nesse ponto, devemos ter em mente o conceito de pré-carga e de pós-carga. Pré-carga Está relacionada ao grau de tensão do músculo no início do seu processo de contração, ou seja, com a pressão diastólica final, quando o ventrículo se encontra cheio. Pós-carga Está relacionada à dificuldade que o ventrículo encontra no processo de ejeção do sangue, ou seja, se refere à pressão sistólica. Lei de Frank-Starling Segundo a Lei de Frank-Starling, dentro de limites fisiológicos, o coração ejeta todo sangue que chega até ele. Quanto maior a distensão do miocárdio durante seu enchimento, maior a força de contração e a quantidade de sangue bombeada. Veja a seguir o gráfico, conhecido como curva de Starling, a relação entre o estiramento e a força no coração. Volume sistólico = volume diastólico final – volume sistólico final https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 37 de 63 Curva de Starling apresentando a relação entre estiramento e força no coração. Na imagem, o eixo x representa o volume diastólico final e o eixo y representa o volume sistólico. O débito sistólico é proporcional ao volume diastólico final como podemos notar ao examinarmos a imagem. Ou seja, como explica a Lei de Frank-Starling, quanto mais sangue chega ao coração, maior a força de contração e maior a ejeção de sangue. Débito cardíaco e pressão arterial O débito cardíaco é um parâmetro que se refere ao volume de sangue ejetado pelo ventrículo esquerdo a cada minuto. Em um coração com condições fisiológicas, esse débito cardíaco é igual ao retorno venoso, exceto nos momentos em que o sangue é temporariamente armazenado ou removido do coração e dos pulmões. O retorno venoso é justamente a quantidade de sangue que flui das veias em direção ao átrio direito a cada minuto. Vamos entender mais detalhadamente sobre o débito cardíaco. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 38 de 63 Vamos entender mais detalhadamente sobre o débito cardíaco. Como calcular o débito cardíaco O débito cardíaco pode ser calculado por meio da multiplicação da frequência cardíaca pelo volume sistólico: Rotacione a tela. A frequência cardíaca (FC) se refere à quantidade de vezes em que o coração ejeta sangue por minuto (batimentos por minuto) e o volume sistólico (VS) se refere ao volume de sangue ejetado em cada batimento. Dessa forma, podemos dizer que o débito cardíaco consiste na quantidade de sangue bombeada para a aorta a cada minuto, ou seja, se refere ao fluxo sanguíneo total da circulação. É um fator de extrema importância a ser considerado quando pensamos em circulação sanguínea, pois representa a soma do fluxo de sangue para todos os tecidos. Atenção! Embora o valor de débito cardíaco tenda a ser igual nos dois ventrículos, em algumas situações patológicas esses valores podem ser diferentes. Os métodos de mensuração do débito cardíaco vêm sofrendo adaptações e evoluções ao longo do tempo, juntamente com os avanços das tecnologias. Em experimentos envolvendo animais, pode ser feito, por exemplo, o uso de fluxômetro, através de métodos cirúrgicos. Em humanos, geralmente, a mensuração é feita por métodos indiretos que não envolvem cirurgias e temos visto recentemente um aumento do destaque da ecocardiografia para monitoração do débito cardíaco. Pressão arterial A pressão arterial pode ser considerada um balanço entre o fluxo de sangue para o lado interno das artérias e o fluxo de sangue para o lado externo. A pressão reduz à medida que o sangue vai circulando, isso ocorre devido à perda de energia que, por sua vez, é resultado da resistência ao fluxo de sangue. A maior pressão DC = FC × VS https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 39 de 63 devido à perda de energia que, por sua vez, é resultado da resistência ao fluxo de sangue. A maior pressão que podemos observar na circulação ocorre na aorta durante a sístole e esta pressão sofre uma queda durante a diástole. Embora possamos encontrar algumas discretas variações na literatura, grande parte dos trabalhos sobre pressão arterial em cães classifica como normais a pressão arterial sistólica entre 110 e 120mmHg e a pressão arterial diastólica entre 70 a 80mmHg, respectivamente. Também existem variações na literatura sobre valores de pressão arterial normal em outros animais, como no caso dos equinos. Apesar dessas variações, sabemos que a pressão arterial sistólica dos equinos também se encontra na faixa de 90 a 130 e a pressão diastólica na faixa de 70 a 90. Pressão arterial média A pressão arterial média é calculada por meio da soma da pressão diastólica com um terço da diferença entre a pressão sistólica e a pressão diastólica. Vejamos: Rotacione a tela. Pressão arterial muito baixa prejudica o fluxo de sangue e a oferta de oxigênio. Por outro lado, pressão arterial muito alta tende a favorecer ruptura de vasos. Fatores determinantes da pressão arterial Quando temos um fluxo sanguíneo para o interior das artérias maior do que o fluxo para o exterior, não é difícil supormos que a pressão arterial média subirá devido ao aumento do volume de sangue. E esta suposição está correta! PAM = Pressão diastólica + 1/3 (Pressão sistólica – Pressão diastólica) https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 40 de 63 suposição está correta! Quando temos um aumento do débito cardíaco, temos mais sangue sendo bombeado para dentro das artérias, o que favorece o aumento da pressão arterial. Quando temos aumento da resistência das arteríolas ao fluxo de sangue, também temos aumento da pressão arterial. As veias também funcionam como reserva de sangue, que pode ser redistribuído para as artérias quando necessário. Lembra-se da lei de Frank-Starling que comentamos anteriormente? Segundo essa lei, se temos aumento do retorno venoso, temos mais sangue chegando ao coração e, consequentemente, mais sangue sendo ejetado por esse órgão. Diagrama volume-pressão Neste vídeo, o especialista explica as alterações do ventriculo esquerdo durante o ciclo cardíaco. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 41 de 63 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Sabemos que o volume e a pressão são parâmetros intimamente relacionados dentro do ventrículo esquerdo. Existe um gráfico, muito conhecido em livros e artigos, que mostra essa relação, denominado diagrama volume-pressão. Esse gráfico apresenta um momento em que, após o período de ejeção de sangue, temos um volume sanguíneo residual que permanece no ventrículo ao final da sua contração. Qual o nome se dá a esse volume de sangue? A Volume diastólico final. B Volume sistólico final. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 42 de 63 Parabéns! A alternativa B está correta. O volume de sangue que permanece no ventrículo ao final da contração é chamado de volume sistólico final. O volume diastólico final ocorre quando temos o ventrículo com seu volume máximo. Não podemos chamar esse volume do enunciado de volume ejetado, porque estamos falandode um volume que não é ejetado. Estamos falando sobre o sangue no ventrículo, logo, não podemos chamá-lo de volume atrial ou de volume átrio-ventricular. Questão 2 O débito cardíaco é um parâmetro que se refere ao volume de sangue que é ejetado pelo ventrículo esquerdo a cada minuto. Qual das fórmulas abaixo apresenta uma forma clássica e correta para o cálculo do débito cardíaco? Considere DC = Débito Cardíaco; FC = Frequência Cardíaca; VS = Volume sistólico; VD = Volume diastólico C Volume ejetado. D Volume atrial. E Volume átrio-ventricular. A DC = FC x VD B DC = VS + VD https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 43 de 63 Parabéns! A alternativa C está correta. A fórmula clássica e correta de cálculo do débito cardíaco é a fórmula que apresenta a frequência cardíaca sendo multiplicada pelo volume sistólico. Isso ocorre porque a FC se refere à quantidade de vezes em que o coração ejeta sangue por minuto e o volume sistólico representa o volume de sangue que é ejetado em cada batimento. C DC = FC x VS D DC = FC – VS E DC = FC + VD https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 44 de 63 4 - Mecanismos regulatórios da pressão arterial e parâmetros Ao final deste módulo, você será capaz de reconhecer os mecanismos fisiológicos que regulam o sistema cardiovascular. Resistência periférica A resistência periférica influencia, de forma significativa, a pressão arterial. O principal parâmetro determinante dessa resistência é o raio dos vasos sanguíneos. Quando falamos de variação de resistência, devemos ter em mente que as arteríolas possuem uma grande quantidade de músculo liso em suas paredes e, por isso, têm a resistência mais variável do sistema circulatório. A alteração do raio desses vasos se dá por meio da própria contração ou do próprio relaxamento desse músculo. Fatores que alteram a resistência das arteríolas Entre os fatores que influenciam a resistência das arteríolas, podemos citar o controle local através do ajuste do fluxo de sangue, os reflexos simpáticos e determinados tipos de hormônios. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 45 de 63 Exemplo A angiotensina II que provoca aumento de pressão arterial; a adrenalina, que aumenta o fluxo de sangue para o coração e outros tecidos; e peptídeos natriuréticos, que reduzem a pressão arterial. Quando há uma maior ingestão de sódio, ocorre um leve aumento no volume de líquido extracelular. Isso provoca determinados eventos no organismo, como ativação de reflexos dos receptores de baixa pressão. Neste caso, receptores de estiramento geram sinais que chegam ao tronco cerebral e inibem a atividade simpática para os rins, reduzindo a reabsorção de sódio a nível tubular. Outro acontecimento é a supressão da formação da angiotensina II (ANG II), que também auxilia na redução da reabsorção tubular do sódio. Os peptídeos natriuréticos atuam na pressão arterial de forma direta e indireta. Eles podem atuar de forma direta, por exemplo, no centro de controle cardiovascular do bulbo, reduzindo a pressão. Além disso, esses peptídeos favorecem a excreção de sódio e de água a partir da sua ação dos próprios rins. Podemos citar o peptídeo natriurético atrial (PNA), sintetizado em determinadas células do miocárdio, como de grande importância e relevância para a homeostase. Comentário O PNA atua nos rins, aumentando a filtração glomerular e reduzindo a reabsorção de sódio por meio dos ductos coletores. Algumas células do miocárdio, bem como determinados neurônios cerebrais, sintetizam outro peptídeo natriurético, conhecido como peptídeo natriurético cerebral (PNC). A secreção de PNC aumenta com a elevação da pressão nos ventrículos. Quando os mecanismos renais, hormonais e nervosos estão em bom funcionamento, são capazes de segurar a pressão arterial a níveis normais, mesmo em caso de ingestão aguda aumentada de sódio. Entretanto, quando essa ingestão aumentada ocorre por um tempo mais prolongado, pode haver dano ao sistema renal e, com isso, não termos mais tanta eficiência na excreção de sódio, culminando com aumento de pressão arterial. Algumas moléculas parácrinas, como o óxido nítrico, também são importantes vasodilatadoras. Quando https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 46 de 63 Algumas moléculas parácrinas, como o óxido nítrico, também são importantes vasodilatadoras. Quando temos o fluxo interrompido por um pequeno tempo, temos redução do oxigênio e, consequentemente, a síntese de óxido nítrico, que desencadeia dilatação dos vasos. A adenosina é outro tipo de molécula liberada como resposta a momentos de hipóxia e que provoca vasodilatação, favorecendo o fluxo de sangue. Mecanismos de ação dos peptídeos natriuréticos. Aldosterona e a regulação da pressão arterial A aldosterona é um hormônio esteroide sintetizado no córtex das glândulas suprarrenais. É responsável https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 47 de 63 pela reabsorção de sódio através dos rins, promovendo também aumento da secreção de potássio. A angiotensina II (ANG II), componente de uma via denominada sistema renina-angiotensina (SRA), controla a liberação da aldosterona. Essa via tem importante papel na regulação da pressão arterial. A renina é uma enzima que converte angiotensinogênio, uma proteína plasmática inativa, em angiotensina I (ANG I) e esta, por sua vez, é convertida em angiotensina II por meio da ação da enzima conversora de angiotensina (ECA). A ANG II tem ação vasoconstritora direta e indireta e provoca aumento da reabsorção de sódio, o que também causa um aumento da reabsorção de água. Além disso, a ANG II aumenta a secreção de vasopressina, o que favorece a retenção de líquidos nos rins e provoca também aumento da sede, e isso gera aumento da ingestão hídrica. Além desses mecanismos já expostos, a ANG II aumenta a estimulação simpática do coração e dos vasos. Todos esses fatores cursam com aumento da pressão arterial do organismo. Atenção! Uma vez que a ANG II tem importante papel no aumento da pressão, alguns fármacos anti-hipertensivos têm por objetivo a inibição da ECA. Para compreendermos melhor o funcionamento do sistema renina-angiotensina e sua importância na regulação da pressão arterial, vejamos a imagem a seguir. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 48 de 63 Sistema renina-angiotensina. Como podemos observar no fluxograma, quando há redução da pressão arterial, seja por efeito direto, seja pela taxa de filtração glomerular, há estímulo para maior produção de renina. Dessa forma, temos maior nível plasmático de ANG II posteriormente. Por meio de diferentes mecanismos, essa ANG II promoverá aumento da pressão arterial. Sistema barorreceptor Os barorreceptores são receptores de estiramento, que se encontram em determinados locais da parede de artérias sistêmicas. O aumento da pressão arterial provoca o estiramento desses receptores, ocorrendo assim o envio de sinal ao sistema nervoso central que, por sua vez, atua em um processo de feedback, reduzindo a pressão para seu nível fisiológico. Com a sinalização dos barorreceptores, temos excitação do centro parassimpático vagal, havendo dilatação das veias e das arteríolas, redução da frequência cardíaca e da contração desse órgão. Dessa forma, teremos, portanto, a redução da pressão arterial. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 49 de 63 Reflexo barorreceptor. Pesquisas indicam a associação entre uma sensibilidade reduzida de barorreflexos e morte após infarto agudo do miocárdio. A imagem a seguir ajuda a elucidar ainda mais o sistema barorreceptor. Nela,podemos observar que os sinais dos barorreceptores são transmitidos para o trato solitário na região bulbar. Sistema barorreceptor e o controle da pressão arterial. Em situações de pressão arterial reduzida temos uma menor ativação dos barorreceptores, devido a um menor nível de estiramento das células e à ativação de quimiorreceptores. Falaremos mais sobre os quimiorreceptores a seguir. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 50 de 63 Bulbo Muitas pesquisas têm sido feitas para ampliar o entendimento sobre como o sistema nervoso central regula o sistema cardiovascular. Sabe-se que o bulbo possui grande importância na regulação neural da pressão arterial, como já falamos anteriormente. O aumento da pressão arterial faz com que neurônios do núcleo do trato solitário ativem a região bulbar ventrolateral caudal (BVLc), que atua na inibição de neurônios do bulbo ventrolateral rostral (BVLr). O BVLr é a área responsável pelo tônus simpático do sistema cardiovascular. Desse modo, temos redução da frequência cardíaca e da resistência vascular periférica. Isso contribui para regulação dos níveis de pressão arterial. Pesquisas mostram que, na hipertensão, pode haver uma ineficiência dos neurônios da região BVLc para contrabalancear o aumento da atividade dos neurônios da região BVLr. Observe a seguir a representação das vias aferentes, áreas de integração bulbar e vias eferentes. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 51 de 63 Regiões bulbares e seus efeitos sobre os Sistemas Nervosos Simpático e Parassimpático. Em animais saudáveis, situações de queda intensa na pressão arterial provocam a estimulação de quimiorreceptores. Os quimiorreceptores são receptores estimulados por células sensíveis a baixos níveis de oxigênio e excesso de gás carbônico e, quando ativados, estimulam o sistema nervoso simpático. Suas fibras aferentes se projetam para o núcleo do trato solitário e se ligam ao BVLr. Dessa forma, temos vasoconstrição, além do aumento do retorno venoso. Esses eventos culminam com aumento do debito cardíaco e da pressão arterial. Quando os quimiorreceptores da região carotídea são ativados, ocorre o aumento da frequência de impulsos ao sistema nervoso e da pressão arterial. Podemos observar, portanto, um comportamento antagônico entre as respostas quimiorreflexoras e as respostas barorreflexoras. Comentário Quando tratamos sobre os quimiorreceptores, é importante falarmos sobre insuficiêcnia cardíaca. Estudos mostram que, nessa situação patológica, temos reflexos simpatoinibitórios (como os reflexos barorreceptores) reduzidos e maior nível de ventilação relacionada à produção de gás carbônico. Os quimiorreceptores atuam regulando a ventilação de acordo com a concentração de oxigênio e gás carbônico, aumentando a pressão arterial e outras atividades simpáticas. Pesquisas em diferentes espécies animais também apontam que a gênese da hipertensão arterial crônica pode estar relacionada com alterações bioquímicas, morfológicas e funcionais de quimiorreceptores, podendo haver, por exemplo, hiperatividade desses receptores. Tanto na Medicina Humana quanto na Medicina Veterinária podemos encontrar patologias relacionadas a distúrbios circulatórios. Alguns desses distúrbios podem levar à ativação de mecanismos compensatórios de regulação da pressão arterial. Podemos citar aqui, como exemplos, as cardiomiopatias hipertróficas, já https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 52 de 63 de regulação da pressão arterial. Podemos citar aqui, como exemplos, as cardiomiopatias hipertróficas, já mencionadas anteriormente, e a persistência de ducto arterioso (que ocorre mais comumente em determinadas raças como Yorkshire Terrier e Cocker Spaniel). Sistema nervoso autônomo e a frequência cardíaca Sistema nervoso autônomo parassimpático e o coração A acetilcolina (ACh) é o neurotransmissor do sistema parassimpático que atua no coração, reduzindo a frequência cardíaca. A ACh atua ativando seus receptores muscarínicos das células autoexcitáveis. Com isso, temos um aumento da permeabilidade aos íons K+, o que culmina com aumento do efluxo desse íon. Ocorre, assim, hiperpolarização da célula, fazendo com que o potencial marca-passo inicie com valor mais negativo. Por outro lado, vemos nesse momento também uma redução do influxo de Ca2+, o que retarda a despolarização. Dessa forma, temos redução da frequência cardíaca, como podemos perceber analisando a imagem a seguir. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 53 de 63 Estímulo parassimpático com hiperpolarização do potencial de membrana e retardo do processo de despolarização. Para esse controle da frequência cardíaca, o organismo conta com o nervo vago que leva sinais parassimpáticos para o coração. Vejamos a imagem a seguir. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 54 de 63 Sistema nervoso da circulação. A linha vermelha tracejada representa a transmissão de sinais do nervo vago. Sistema nervoso autônomo simpático e o coração A estimulação simpática por meio da noradrenalina e da adrenalina ocorre por meio da ligação entre essas catecolaminas e os receptores b1-adrenergicos. Os receptores b1 fazem uso do sistema de segundo mensageiro e essa ligação favorece a entrada de cátions. Uma vez que temos maior rapidez na entrada dos cátions, também é mais rápida a ocorrência de despolarização. Podemos dizer então que a estimulação simpática acelera a frequência cardíaca, como mostra a imagem abaixo. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 55 de 63 Estímulo simpático com despolarização das células autoexcitáveis, acelerando o potencial marca-passo. Apesar da inegável importância do sistema simpático, no que tange ao trabalho do coração, o controle tônico desse órgão é dominado pelo sistema parassimpático. Dessa forma, para que haja aumento da frequência cardíaca, pode haver redução da atividade parassimpática. Entretanto, para que haja aumento da frequência cardíaca mais expressivo, como acima de 100bpm em humanos, é necessário que haja um estímulo simpático. Sistema nervoso autônomo e velocidade de condução no nodo atrioventricular Tanto a porção simpática quanto a porção parassimpática do sistema nervoso autônomo provocam alteração na velocidade de condução no nodo atrioventricular. Enquanto a ACh provoca desaceleração da condução dos potenciais de ação neste nodo, as catecolaminas provocam a aceleração dessa condução. Reflexos autonômicos e a homeostasia O sistema somatossensorial e os receptores viscerais fornecem informação para os centros de controle de homeostase, que regulam pressão arterial, equilíbrio hídrico e temperatura. Esses centros são localizados no hipotálamo, na ponte e no bulbo. Entretanto, quando falamos de sistema nervoso central, podemos considerar que o bulbo possui o principal centro integrador de coordenação da pressão arterial e de distribuição do fluxo de sangue. Aldosterona e a regulação da pressão arterial https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 56 de 63 Neste vídeo, o especialista explica a influência do hormônio aldosterona e os fatores que causam o aumento da pressão arterial no organismo. Falta pouco para atingir seus objetivos. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 57 de 63 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A angiotensina II (ANG), componente da via sistema renina-angiotensina (SRA), controla a liberação de aldosterona. Sobre a via SRA, é correto afirmar que Parabéns!A alternativa D está correta. A proteína plasmática inativa, angiotensinogênio, é transformada em angiotensina I (ANG I) pela renina, que é uma enzima. É por meio da ação da enzima angiotensina (ECA) que ANG I é transformada em angiotensina II. Para a regulação da pressão arterial, essa via tem uma função relevante. Em casos de pressão arterial reduzida, ocorre estímulo para que a renina tenha uma produção maior. A ANG I atua como vasoconstritora direta ou indiretamente. A a renina converte angiotensina I em angiotensinogênio. B a enzima conversora de angiotensina (ECA) converte angiotensinogênio em angiotensina. C não possui importância na regulação da pressão arterial. D em situações de pressão arterial reduzida, há estímulo para maior produção de renina. E ANG II é um dos principais vasodilatadores do organismo. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 58 de 63 Questão 2 Os barorreceptores são receptores de estiramento, que se encontram em determinados locais da parede de artérias sistêmicas. Sobre o sistema dos barorreceptores, podemos afirmar que Parabéns! A alternativa D está correta. Ao contrário do que diz o item “a”, na verdade é o aumento da pressão arterial que aumenta o disparo dos barorreceptores. Quando os barorreceptores sinalizam, o centro parassimpático é excitado, ocasionando na dilatação das veias e das arteríolas, além de diminuição da frequência cardíaca e também na diminuição da contração deste órgão. Desta forma teremos, portanto, redução da pressão arterial. Pesquisas indicam a associação entre uma sensibilidade reduzida de barorreflexos e morte após infarto agudo do miocárdio. A são estimulados principalmente pela redução abrupta da pressão arterial. B a sinalização dos barorreceptores excita o sistema nervoso simpático. C os barorreceptores não causam efeito direto ou indireto na frequência cardíaca. D com a sinalização dos barorreceptores há excitação do centro parassimpático vagal. E a principal causa de morte após infarto do miocárdio é justamente a sensibilidade aumentada dos barorreflexos. https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 59 de 63 Considerações finais Como foi possível observar, o estudo da fisiologia do sistema cardiovascular e da sua integração com outros sistemas traz compreensão de mecanismos fundamentais à vida de todos animais. O profissional de Medicina Veterinária deve sempre buscar solidificar cada vez mais os conhecimentos essenciais sobre o funcionamento adequado do organismo. Esses conhecimentos, sem dúvida, incluem a fisiologia do sistema circulatório, que é um sistema absolutamente integrado a diversas outras regiões do corpo. Dessa forma, esse indivíduo terá mais segurança no momento do atendimento e do exame clínico geral e/ou cardiológico, aumentando a chance de obter sucesso no diagnóstico e/ou tratamento do paciente. Podcast Para encerrar, o especialista apresenta os mecanismos fisiológicos do sistema cardiovascular e a integração entre este sistema e outros órgãos. Explore + https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 60 de 63 Pesquise o estudo Avaliação da pressão intraocular (PIO) e da pressão arterial de cães portadores de Erlichia canis, de Pereira e colaboradores, e saiba mais sobre os efeitos desse parasita sobre as pressões arterial e intraocular dos animais estudados. Pesquise o artigo Cardiomiopatia hipertrófica felina: uma revisão de literatura atual e aprenda mais informações importantes e atualizadas sobres esta patologia cardiovascular através dos estudos de Silva, Moizes, Pereira e Soares (2021), publicado na Revista Multidisciplinar em Saúde. Pesquise o artigo Principais alterações no eletrocardiograma em cães e saiba mais sobre esse importante exame dentro da Medicina Veterinária e sobre as patologias possíveis de serem diagnosticadas através do estudo de Macedo e colaboradores (2019), publicado na Revista Multidisciplinar em Saúde. Referências https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 61 de 63 CAMPAGNOLE-SANTOS, M. J.; HAIMBARA, A. S. Reflexos cardiovasculares e hipertensão arterial. Revista Brasileira de Hipertensão, v. 8, n. 1, p. 30-40, 2001. DAMPNEY, R. A. L. Functional organization of central pathways regulating the cardiovascular system. Physiological Review, v. 74, n. 2, p, 323-64, 1994. DYCE K. M. Tratado de Anatomia Veterinária. 4ª edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. FUCHS, K. S. et al. Eletrocardiografia em cadelas submetidas à mastectomia unilateral total. Acta Scientiae Veterinariae, v. 47, 1634, 2019. GUYTON, A. C; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. [s.l]: Elsevier, 2011. LOBO, L. L.; PEREIRA, R. Cardiomiopatia dilatada canina. Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias, v. 97, n. 544, 153-159, 2002. MUZZI, R. A. L.; MUZZI, L. A. L.; PENA, J. L. B.; NOGUEIRA, R. B. Cardiomiopatia dilatada em cão: relato de caso. Ciência Rural, 30, 355-358, 2000. REIS, H. J. L.; GUIMARÃES, H. P.; ZAZULA, A. D.; VASQUE, R. G.; LOPES, R. D. Manual Prático de Eletrocardiograma. São Paulo: Ed. Atheneu. 2013. SILVERTHORN, D. U. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada. São Paulo: Artmed, 2017. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 62 de 63 O que você achou do conteúdo? Relatar problema https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212sa/04887/index.html?brand=estacio# 05/09/2024, 17:38 Página 63 de 63