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Fisiologia do Sistema Cardiovascular

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<p>APRESENTAÇÃO</p><p>Você vai estudar o papel da fisiologia cardiovascular no controle da homeostase corporal.</p><p>Conhecer a organização do sistema cardiovascular, o controle do ritmo cardíaco e a regulação</p><p>da hemodinâmica é essencial para entender o débito cardíaco, o retorno venoso, a distribuição</p><p>do fluxo sanguíneo e o controle da pressão arterial em diversas situações fisiológicas. Esse</p><p>conhecimento é crucial para profissionais que desejam atuar na área da saúde.</p><p>OBJETIVOS</p><p>MÓDULO 1</p><p>Descrever a organização do sistema cardiovascular</p><p>MÓDULO 2</p><p>Compreender os mecanismos responsáveis pelo controle do ritmo cardíaco</p><p>MÓDULO 3</p><p>Reconhecer os fenômenos associados à função miocárdica e seu papel na manutenção do</p><p>débito cardíaco e retorno venoso</p><p>MÓDULO 4</p><p>Comparar as respostas hemodinâmicas relacionadas à redistribuição do fluxo sanguíneo e à</p><p>manutenção da pressão arterial</p><p>MÓDULO 1</p><p> Descrever a organização do sistema cardiovascular</p><p>VISÃO GERAL DO SISTEMA</p><p>CARDIOVASCULAR</p><p>VISÃO GERAL DO SISTEMA</p><p>CARDIOVASCULAR</p><p>Neste vídeo, você conhecerá a estrutura e a função do sistema cardiovascular na manutenção</p><p>da homeostase corporal. Assista!</p><p>Shutterstock.com</p><p>A partir de agora você vai começar a estudar a organização do sistema cardiovascular. Ele é</p><p>dividido em arterial e venoso, por isso é denominado “sistema duplo e fechado”. O órgão</p><p>principal, o coração, é reconhecido como uma bomba capaz de impulsionar quantidades</p><p>relevantes de sangue para a periferia. Além do coração, o sistema cardiovascular compreende</p><p>uma rede de vasos de distribuição de sangue e de coleta de resíduos metabólicos que são as</p><p>artérias e veias, respectivamente.</p><p>À medida que o sangue flui para as estruturas vasculares distantes do coração, os grandes</p><p>vasos se ramificam em uma extensa rede de microvasos, denominados arteríolas e capilares,</p><p>responsáveis pela realização das trocas de nutrientes e oxigênio com os tecidos.</p><p>Os vasos arteriais e venosos apresentam diversidade estrutural e funcional. Veja o significado</p><p>de cada um deles:</p><p>Sistema arterial</p><p>Pode ser considerado como um sistema de alta resistência e pressão e de baixo volume – por</p><p>isso que um sangramento arterial é em forma de jato de sangue de coloração vermelho vivo.</p><p>Sistema venoso</p><p>Compreende um sistema de baixa resistência e pressão e de alto volume – por isso, quando</p><p>ocorre um sangramento venoso, observamos um comportamento em forma de escorrimento e</p><p>cianótico (vermelho escuro).</p><p>ATIVIDADE 1</p><p>O SISTEMA CARDIOVASCULAR É ESSENCIAL PARA A CIRCULAÇÃO DO</p><p>SANGUE, SENDO DIVIDIDO EM DOIS COMPONENTES PRINCIPAIS: O</p><p>SISTEMA ARTERIAL E O SISTEMA VENOSO. O CORAÇÃO É O ÓRGÃO</p><p>CENTRAL E IMPULSIONA O SANGUE POR TODA A REDE VASCULAR. OS</p><p>VASOS SANGUÍNEOS, INCLUINDO ARTÉRIAS E VEIAS, TÊM</p><p>ESTRUTURAS E FUNÇÕES DISTINTAS. QUAL DAS SEGUINTES</p><p>AFIRMAÇÕES SOBRE O SISTEMA CARDIOVASCULAR É CORRETA?</p><p>A) As artérias são responsáveis por transportar resíduos metabólicos dos tecidos para o</p><p>coração.</p><p>B) O sistema venoso é caracterizado por alta resistência e pressão.</p><p>C) O sangue nas artérias é geralmente de coloração vermelho-escuro devido à baixa</p><p>concentração de oxigênio.</p><p>D) O sistema arterial caracteriza-se por sua alta resistência e pressão e seu baixo volume.</p><p>E) As veias transportam sangue rico em oxigênio do coração para os tecidos.</p><p>GABARITO</p><p>O sistema cardiovascular é essencial para a circulação do sangue, sendo dividido em</p><p>dois componentes principais: o sistema arterial e o sistema venoso. O coração é o órgão</p><p>central e impulsiona o sangue por toda a rede vascular. Os vasos sanguíneos, incluindo</p><p>artérias e veias, têm estruturas e funções distintas. Qual das seguintes afirmações sobre</p><p>o sistema cardiovascular é correta?</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>A alternativa A está errada, pois as artérias transportam sangue rico em oxigênio do coração</p><p>para os tecidos, não resíduos metabólicos. A alternativa B está errada, pois o sistema venoso é</p><p>caracterizado por baixa resistência e pressão, não alta. A alternativa C está errada, porque o</p><p>sangue nas artérias é de coloração vermelho-vivo devido à alta concentração de oxigênio. A</p><p>alternativa D está correta, pois o sistema arterial é corretamente descrito como de alta</p><p>resistência e pressão e de baixo volume, de forma oposta ao sistema venoso, que é um</p><p>sistema de baixa resistência e alto volume. A alternativa E está errada, pois as veias</p><p>transportam sangue pobre em oxigênio dos tecidos de volta ao coração, não sangue rico em</p><p>oxigênio.</p><p>GABARITO</p><p>Shutterstock.com</p><p>O principal responsável pelo direcionamento de sangue para os tecidos é o coração. Este</p><p>órgão pode ser analisado estrutural e funcionalmente através das diferenças em suas câmaras</p><p>dos dois lados (direito e esquerdo), organizadas da seguinte maneira:</p><p>Wapcaplet / Stanisław Skowron / CC BY-SA 3.0</p><p> Estrutura do Coração.</p><p>Pelo lado direito, o sangue flui através do átrio para o ventrículo direito e daí para os pulmões</p><p>(a pequena circulação ou pulmonar).</p><p></p><p>Em seguida, o sangue agora arterializado retorna ao coração para o átrio esquerdo, deste para</p><p>o ventrículo esquerdo, e depois para a circulação sistêmica (a grande circulação ou sistêmica).</p><p>No coração de uma pessoa saudável, as características observadas no diâmetro interno da</p><p>cavidade, bem como em relação às espessuras de cada câmara do coração, diferem</p><p>consideravelmente. Isso se dá pelo fato de existir uma relação muito importante com a função</p><p>de cada uma delas, por exemplo, os átrios, durante a contração (também chamada de sístole</p><p>atrial), desenvolvem baixas pressões e por este motivo apresentam paredes relativamente</p><p>finas.</p><p>Já os ventrículos direito e esquerdo, que precisam bombear o sangue através das artérias</p><p>pulmonares e aórtica, respectivamente, com pressões relativamente elevadas, apresentam</p><p>paredes muito mais espessas quando comparadas aos átrios.</p><p>As principais diferenças observadas nas estruturas dos ventrículos direito e esquerdo podem</p><p>ser assim resumidas:</p><p>O ventrículo esquerdo apresenta a espessura de sua parede maior que aquela do ventrículo</p><p>direito e trabalha em uma condição de alta pressão para efetivar o bombeamento de sangue</p><p>para a circulação sistêmica.</p><p></p><p>Já o ventrículo direito apresenta tanto uma dimensão interna quanto a espessura de parede</p><p>reduzida, se comparado ao ventrículo esquerdo. Isto ocorre pelo fato de o ventrículo direito não</p><p>precisar de pressão tão elevada para bombear o sangue em direção aos pulmões.</p><p>Na divisão dos átrios e ventrículos, observamos estruturas fibrocartilaginosas responsáveis por</p><p>garantir o fluxo de sangue dos átrios para os ventrículos – são denominadas como valvas</p><p>atrioventriculares.</p><p> ATENÇÃO</p><p>É possível notar a presença de quatro valvas cardíacas: além das duas atrioventriculares,</p><p>existem outras duas responsáveis pela saída de sangue dos ventrículos em direção às artérias</p><p>pulmonares e aórtica, respectivamente, essas valvas são denominadas como semilunares</p><p>pulmonar e aórtica.</p><p>A abertura das valvas atrioventriculares permite que o sangue seja direcionado dos átrios em</p><p>direção aos dois ventrículos (mais adiante, no ciclo cardíaco, visualizaremos que isso ocorre</p><p>durante a fase de diástole ou relaxamento ventricular). Após o fechamento das valvas</p><p>atrioventriculares, o sangue é transportado para as artérias pulmonares (lado direito) e aorta</p><p>(lado esquerdo, durante a contração dos dois ventrículos, a sístole ventricular). Veja na imagem</p><p>a seguir.</p><p>OpenStax College / Anatomy & Physiology, Connexions Web site / CC BY 3.0</p><p> Valvas atrioventriculares (tricúspide e bicúspide) e semilunares (aórtica e pulmonar).</p><p>O correto fechamento destas valvas depende dos músculos papilares, estruturas localizadas na</p><p>parede interna dos ventrículos que, por sua vez, são conectadas as essas valvas pelas cordas</p><p>tendíneas. Quando ocorre a sístole ventricular, as cordas tendíneas são responsáveis por</p><p>realizar a tração dos folhetos dessas valvas, mantendo-as fechadas e impedindo que o sangue</p><p>seja direcionado de volta aos átrios, fenômeno denominado regurgitação.</p><p>volta para o coração.</p><p>GABARITO</p><p>MÓDULO 4</p><p> Comparar as respostas hemodinâmicas relacionadas à redistribuição do fluxo</p><p>sanguíneo e à manutenção da pressão arterial</p><p>A redistribuição de sangue para diferentes compartimentos corporais é importante não somente</p><p>para a oferta aos tecidos, mas também para a regulação da temperatura corporal denominada</p><p>como termorregulação.</p><p>A termorregulação é um dos principais exemplos citados nos mecanismos de controle da</p><p>homeostase. Veremos que o sistema cardiovascular é um dos mais eficientes na manutenção</p><p>da temperatura corporal pelo simples fato de atuar na redistribuição do fluxo sanguíneo para</p><p>diferentes compartimentos do corpo.</p><p>Quando mensuramos nossa temperatura (próximo de 37°C) com um termômetro, temos uma</p><p>estimativa da temperatura interna, pois a temperatura externa normalmente é inferior.</p><p>NASA / PAC / Domínio público</p><p> Imagem de uma termografia mostrando que a temperatura interna é superior à externa.</p><p>REDISTRIBUIÇÃO DO FLUXO SANGUÍNEO NA</p><p>MANUTENÇÃO DA TEMPERATURA CORPORAL</p><p>Os mecanismos responsáveis pela perda de calor pelo corpo podem ser classificados em</p><p>quatro processos: irradiação, condução, convecção e evaporação. Os três primeiros</p><p>mecanismos de perda de calor necessitam de um gradiente de temperatura entre a pele e o</p><p>meio ambiente:</p><p>Na irradiação, a perda de calor ocorre através da transferência de raios infravermelhos do</p><p>corpo em direção ao ambiente. Em repouso, esse mecanismo representa cerca de 60% da</p><p>perda de calor corporal.</p><p>A condução está relacionada com a transferência de calor do corpo para as moléculas</p><p>presentes nos objetos que entram em contato direto com a superfície corporal. Geralmente, o</p><p>corpo perde somente pequenas quantidades de calor em decorrência desse processo. Um</p><p>exemplo para esse mecanismo é a transferência de calor do corpo para uma cadeira de metal.</p><p>Quando uma pessoa permanece sentada, o fenômeno ocorre enquanto a cadeira estiver mais</p><p>fria do que a superfície corporal que está em contato.</p><p>A convecção é uma forma de transferência de calor pelo contato das partículas de ar e da</p><p>água com a superfície corporal. Quando isto ocorre, o calor da superfície corporal se dissipa</p><p>para o meio ambiente. De modo prático, a utilização de um ventilador desloca grandes</p><p>quantidades de ar na superfície corporal, acarretando a perda de calor. Deste modo, a</p><p>eficiência desse mecanismo depende da velocidade do fluxo de ar em contato com a superfície</p><p>corporal. De maneira semelhante, a exposição da pessoa em água fria e em movimento resulta</p><p>em uma grande perda de calor, também por convecção. Cabe lembrar que a água possui uma</p><p>força convectiva cerca de 25 vezes maior do que a apresentada pelo ar a uma mesma</p><p>temperatura.</p><p>Durante os períodos de calor ou quando estamos realizando exercícios físicos, a evaporação é</p><p>o principal mecanismo de regulação da temperatura, e é neste mecanismo que o sistema</p><p>cardiovascular atua. Na evaporação, o calor é transferido do corpo para a água na superfície</p><p>da pele em forma de suor. Na medida em que a água acumula calor, ela sofre o processo de</p><p>evaporação e é dissipada para o ambiente. Deste modo, durante o exercício ou em dias</p><p>quentes, a temperatura corporal aumenta assim como o fluxo sanguíneo cutâneo.</p><p>Simultaneamente, as glândulas sudoríparas secretam suor sobre a superfície da pele.</p><p>Conforme as partículas de água evaporam, o calor é transferido para o meio ambiente, o que</p><p>contribui para a manutenção da temperatura corporal.</p><p>A ORGANIZAÇÃO DO MECANISMO DE PERDA</p><p>DE CALOR ENVOLVENDO O SISTEMA</p><p>CARDIOVASCULAR</p><p>Inicialmente, os estímulos referentes às variações de temperatura no meio ambiente são</p><p>captados por receptores sensoriais (termorreceptores) localizados na região cutânea (imagem</p><p>abaixo).</p><p></p><p>Em seguida, os estímulos são enviados primeiro para a medula espinal (coluna dorsal, DH) e,</p><p>em seguida, para o núcleo parabraquial (LPB). Observe que os estímulos referentes ao frio são</p><p>direcionados para a região externa lateral (LPBel, em azul) e os relacionados ao calor, para a</p><p>região direita deste núcleo (LPBd, em vermelho).</p><p></p><p>Na sequência, esses estímulos são direcionados para a área pré-óptica mediana (MnPO).</p><p>Nesta região, neurônios excitatórios (glutamatérgicos, GLU em verde) ou inibitórios</p><p>(GABAérgicos, GABA em vermelho) são projetados para a área pré-óptica medial (MPO).</p><p>Neste local, encontram-se os centros de integração mais importantes para a regulação da</p><p>temperatura, pois regulam a atividade de tecidos que são importantes na promoção da</p><p>termogênese (produção de calor), entre eles: o centro cardiovascular, o tecido adiposo</p><p>marrom e o músculo esquelético.</p><p>MÚSCULO ESQUELÉTICO</p><p>O músculo esquelético, especialmente, é recrutado durante o frio e desencadeia o</p><p>fenômeno dos tremores.</p><p> ATENÇÃO</p><p>Este último, especialmente, é recrutado durante o frio e desencadeia o fenômeno dos tremores.</p><p>Como nosso foco está voltado para o centro cardiovascular, veremos o que irá acontecer a</p><p>partir daqui. Nesta área, existem núcleos que são excitados com estímulos provenientes do</p><p>calor e do frio:</p><p>CALOR</p><p>Durante o calor (CVC, em vinho), os núcleos são estimulados – mas perceba que esses</p><p>núcleos liberam o neurotransmissor inibitório GABA para os núcleos da rafe (rRPa). Neste</p><p>javascript:void(0)</p><p>sentido, os neurônios inibitórios projetados para os núcleos da rRPa irão inibir neurônios</p><p>estimulantes, responsáveis pela liberação de glutamato (GLUT). Os neurônios glutamatérgicos</p><p>dessa região (rRPa) se projetam para a cadeia simpática ou intermediolateral, responsáveis</p><p>pela regulação da atividade simpática e controle da resposta cardiovascular ao calor.</p><p>À medida que os neurônios excitatórios (GLUT) da rafe são inibidos, os neurônios pós-</p><p>ganglionares simpáticos irão diminuir a resposta simpática para os vasos na região cutânea,</p><p>acarretando a vasodilatação nesta região que ajudará no mecanismo de evaporação e</p><p>evitará que ocorra o aumento da temperatura central (hipertermia).</p><p></p><p>FRIO</p><p>Durante o frio, neurônios inibitórios irão se projetar até o centro cardiovascular e, em seguida,</p><p>deixarão de inibir os neurônios excitatórios localizados nos núcleos da rRPA. Assim, os</p><p>estímulos excitatórios provenientes da rRPA irão aumentar a atividade dos neurônios pós-</p><p>ganglionares simpáticos e, como consequência, promoverão vasoconstrição na região</p><p>cutânea.</p><p>Por este motivo, durante o frio, o fluxo sanguíneo na região cutânea reduz e a pessoa se</p><p>apresenta pálida. Isso ocorre para redirecionar o sangue para a região central e conservar o</p><p>calor do corpo, evitando assim a hipotermia.</p><p>Veja o resumo do mecanismo da perda de calor na imagem a seguir:</p><p>Silvio Rodrigues Marques Neto.</p><p> Mecanismos responsáveis pelo controle da temperatura corporal através do sistema</p><p>cardiovascular.</p><p>Outros fatores podem interferir no mecanismo de termorregulação. Entre eles, a umidade</p><p>relativa do ar e a velocidade do vento. Este último contribui com a perda de calor relacionada à</p><p>convecção do ar. A umidade relativa do ar pode ser representada como o percentual de vapor</p><p>de água contido no ar.</p><p> EXEMPLO</p><p>A umidade relativa do ar de 40% indica que o ambiente contém apenas 40% da umidade que é</p><p>capaz de sustentar. Ou ainda, quando a umidade relativa do ar se encontra a 80%, significa</p><p>que apenas mais 20% de umidade podem ser absorvidos pelo ar que nos rodeia. A umidade</p><p>relativa do ar de 40% com temperatura de 22°C indica risco baixo no índice de estresse</p><p>causado pelo calor (baixa sensibilidade térmica), enquanto a umidade relativa de 80% numa</p><p>condição térmica de 33°C apresenta alto risco de estresse térmico (alta sensibilidade térmica).</p><p>Na primeira condição, não haverá dificuldade em promover a regulação da temperatura</p><p>corporal. No entanto, no segundo caso, a pessoa terá mais dificuldade em realizar a</p><p>evaporação, uma vez que já existe uma grande quantidade de vapor no ambiente, dificultando</p><p>a transferência de calor.</p><p>ATIVIDADE 1</p><p>A TERMORREGULAÇÃO É UM MECANISMO VITAL QUE ENVOLVE A</p><p>REDISTRIBUIÇÃO DO</p><p>FLUXO SANGUÍNEO PARA DIFERENTES</p><p>COMPARTIMENTOS CORPORAIS, AJUDANDO A MANTER A</p><p>TEMPERATURA CORPORAL ESTÁVEL. OS MECANISMOS DE PERDA DE</p><p>CALOR INCLUEM IRRADIAÇÃO, CONDUÇÃO, CONVECÇÃO E</p><p>EVAPORAÇÃO, COM O SISTEMA CARDIOVASCULAR DESEMPENHANDO</p><p>UM PAPEL IMPRESCINDÍVEL NA REGULAÇÃO DA TEMPERATURA. QUAL</p><p>DAS SEGUINTES AFIRMAÇÕES SOBRE OS MECANISMOS DE</p><p>TERMORREGULAÇÃO E O PAPEL DO SISTEMA CARDIOVASCULAR É</p><p>CORRETA?</p><p>A) Durante o calor, os neurônios inibitórios da rafe promovem vasoconstrição na região cutânea</p><p>para dissipar o calor.</p><p>B) Durante o frio, a vasodilatação cutânea é aumentada para redirecionar o sangue para a</p><p>superfície da pele.</p><p>C) A convecção é o principal mecanismo de perda de calor durante o exercício físico intenso.</p><p>D) A condução é responsável por cerca de 60% da perda de calor corporal em repouso.</p><p>E) A evaporação é o principal mecanismo de perda de calor em ambientes quentes ou durante</p><p>o exercício físico.</p><p>GABARITO</p><p>A termorregulação é um mecanismo vital que envolve a redistribuição do fluxo</p><p>sanguíneo para diferentes compartimentos corporais, ajudando a manter a temperatura</p><p>corporal estável. Os mecanismos de perda de calor incluem irradiação, condução,</p><p>convecção e evaporação, com o sistema cardiovascular desempenhando um papel</p><p>imprescindível na regulação da temperatura. Qual das seguintes afirmações sobre os</p><p>mecanismos de termorregulação e o papel do sistema cardiovascular é correta?</p><p>A alternativa "E " está correta.</p><p>A letra A está errada, pois durante o calor, os neurônios inibitórios na rafe promovem</p><p>vasodilatação na região cutânea, ajudando a dissipar o calor. A alternativa B está errada, pois</p><p>durante o frio, ocorre vasoconstrição cutânea para conservar o calor corporal, não</p><p>vasodilatação. A letra C está errada, pois a convecção não é o principal mecanismo de perda</p><p>de calor durante o exercício físico intenso; a evaporação desempenha esse papel. A alternativa</p><p>D está errada, pois a irradiação, não a condução, é responsável por cerca de 60% da perda de</p><p>calor corporal em repouso. A condução representa apenas uma pequena parte da perda de</p><p>calor. Por fim, a alternativa E é a correta, pois a evaporação é de fato o principal mecanismo de</p><p>perda de calor em ambientes quentes ou durante o exercício físico, uma vez que o suor</p><p>evapora da superfície da pele, dissipando calor.</p><p>GABARITO</p><p>A regulação da pressão arterial a curto prazo é mediada pelo mecanismo envolvendo os</p><p>barorreceptores arteriais, também chamado de mecanismo barorreflexo. Os barorreceptores</p><p>são considerados mecanorreceptores localizados no arco aórtico e na bifurcação das artérias</p><p>carótidas comuns (imagem a seguir).</p><p>Quando ocorre o aumento do débito cardíaco e da pressão arterial, essas artérias são</p><p>excessivamente dilatadas ocasionando deformações. Quanto maior for a deformação do arco</p><p>aórtico e das artérias carótidas, maior será a frequência de disparo através desses</p><p>mecanorreceptores.</p><p>Shutterstock.com</p><p> Mecanismo de regulação da pressão arterial pelos barorreceptores arteriais.</p><p>Vejamos como ocorre o aumento da pressão arterial:</p><p>Quando ocorre a elevação da pressão arterial, os barorreceptores são ativados e enviam</p><p>impulsos nervosos para o tronco cerebral, especificamente para o núcleo do trato</p><p>solitário, informando sobre a elevação da pressão arterial (deformação das artérias).</p><p>Assim, este promove a excitação dos neurônios pré-ganglionares parassimpáticos,</p><p>localizados na região do núcleo dorsal motor do nervo vago e núcleo ambíguo. Com isso,</p><p>ocorre o aumento do tônus vagal, através da excitação dos neurônios depressores do</p><p>bulbo ventrolateral caudal e da inibição da atividade dos neurônios da região bulbar</p><p>ventrolateral rostral (redução do tônus simpático).</p><p>A resposta efetora desencadeada por estes centros nervosos promove a redução da</p><p>frequência cardíaca, do volume sistólico, da resistência periférica e do retorno venoso.</p><p>Como consequência, o débito cardíaco reduzirá promovendo a redução da pressão</p><p>arterial.</p><p>Vejamos agora como ocorre a redução da pressão arterial:</p><p>Inversamente, durante uma redução da pressão arterial acentuada, observamos</p><p>respostas de taquicardia e vasoconstrição reflexas que prontamente a trazem de volta a</p><p>seus valores basais. Neste caso, os barorreceptores aórticos e carotídeos são menos ou</p><p>não são deformados, e a atividade aferente dos nervos depressores aórtico e sinusal é</p><p>reduzida ou mesmo suprimida.</p><p>Os neurônios do núcleo do trato solitário deixam de excitar os neurônios pré-ganglionares</p><p>parassimpáticos localizados no núcleo dorsal motor do nervo vago e núcleo ambíguo</p><p>(redução do tônus vagal).</p><p>Não excitando os neurônios depressores do bulbo ventrolateral caudal, ocorre a liberação</p><p>da atividade dos neurônios do bulbo ventrolateral rostral (aumento simultâneo do tônus</p><p>simpático), criando as condições necessárias para que a frequência cardíaca e o volume</p><p>sistólico se elevem e haja elevação da resistência periférica por vasoconstrição e do</p><p>retorno venoso por venoconstrição. Deste modo, ocorre um aumento do débito cardíaco,</p><p>o qual traz a pressão arterial para seus valores basais.</p><p>ATIVIDADE 2</p><p>O SISTEMA BARORREFLEXO É MUITO IMPORTANTE NO CONTROLE</p><p>IMEDIATO DA PRESSÃO ARTERIAL, TAL FATO SE DEVE À:</p><p>A) Pressão arterial aumentada, pois o número de impulsos pelos barorreceptores (aórticos e</p><p>carotídeos) diminui, fazendo com que os corpos celulares do sistema simpático bulbo ventro-</p><p>lateral caudal desempenhem uma resposta efetora ao coração para diminuir a pressão arterial.</p><p>B) Ação do núcleo do trato solitário, que aumenta a taxa de impulsos para os núcleos do</p><p>sistema parassimpático. Assim, a resposta efetora ao coração diminui a frequência cardíaca,</p><p>volume de ejeção, retorno venoso, contratilidade e aumenta a capacitância venosa para</p><p>diminuir a pressão arterial.</p><p>C) Redução da secreção de renina nos rins e, como consequência final, ocorre aumento da</p><p>retenção de sódio e água; e tal mecanismo aumenta a pressão arterial a longo prazo.</p><p>D) Elevação da volemia e da osmolaridade plasmática que inibe a secreção do hormônio</p><p>antidiurético. Deste modo, ocorrerá diminuição da reabsorção de sódio e água e aumento da</p><p>natriurese e diurese para diminuir a pressão arterial.</p><p>E) Ativação dos barorreceptores, que promoverá um aumento da resistência vascular periférica</p><p>e, por fim, manter a pressão arterial.</p><p>GABARITO</p><p>O sistema barorreflexo é muito importante no controle imediato da pressão arterial, tal</p><p>fato se deve à:</p><p>A alternativa "B " está correta.</p><p>O sistema barorreceptor é o sistema mais rápido no controle da pressão arterial. Quando</p><p>aumenta a PA, aumenta o número de impulsos pelo núcleo do trato solitário. Como</p><p>consequência, os neurônios do sistema nervoso periférico aumentam a frequência de disparos</p><p>para os órgãos efetores, visando a redução da pressão arterial e a inibição do sistema nervoso</p><p>simpático.</p><p>GABARITO</p><p>A longo prazo, existe um sistema importante no mecanismo de regulação da pressão, o</p><p>sistema renina-angiotensina-aldosterona. Este sistema é considerado como peptidérgico com</p><p>características endócrinas, cujo substrato principal é o angiotensinogênio, uma α-glicoproteína</p><p>predominantemente produzida no fígado.</p><p>O angiotensinogênio é clivado pela enzima renina, secretada pelas células do aparelho</p><p>justaglomerular nas arteríolas aferentes nos rins, as quais convertem o angiotensinogênio à</p><p>forma de um decapeptídeo, denominado angiotensina I.</p><p>A angiotensina I não possui atividade biológica tão relevante e o seu aumento leva à formação</p><p>de um octapeptídeo, denominado de angiotensina II. A reação de conversão da angiotensina I</p><p>para angiotensina II é catalisada pela ação da enzima conversora de angiotensina (ECA), que é</p><p>expressa em altas concentrações pelo endotélio da circulação pulmonar.</p><p>Shutterstock.com</p><p> Organização do sistema renina-angiotensina-aldosterona e suas influências no sistema</p><p>cardiovascular.</p><p>A ação da angiotensina II, via receptor AT1-R, está acoplada à proteína Gq que por sua vez,</p><p>ativa a fosfolipase C-beta (PLCβ). A PLCβ</p><p>ativada age sobre o fosfatidilinositol 4,5-bifosfato</p><p>(PIP2) transformando-o em dois subprodutos: inositol 1,4,5-trifosfato (IP3) e o diacilglicerol</p><p>(DAG).</p><p>O IP3 difunde-se rapidamente para o citosol e age em canais de cálcio do retículo</p><p>sarcoplasmático, promovendo a liberação de Ca2+ desta organela, que ativa uma proteína</p><p>cinase C (PKC). A PKC promove a fosforilação da proteína cinase ativada por mitógeno</p><p>(MAPK) que, por sua vez, promove a ativação de outras cinases, tais como: cinase p38, cinase</p><p>reguladora de sinal extracelular (ERK), cinase c-jun terminal (JNK), janus cinase e transdutores</p><p>de sinal e ativadores de transcrição (JAK/STAT). Todas essas cinases ativam e aumentam a</p><p>expressão de fatores de transcrição (ATF2, ATF6, c-Jun, Elk1, GATA4 e MEF2) que participam</p><p>da regulação da proliferação e do crescimento celular, desencadeando hipertrofia cardíaca.</p><p> ATENÇÃO</p><p>Por isso, a angiotensina II é considerada o principal peptídeo ativo do sistema renina-</p><p>angiotensina-aldosterona que, ao agir em receptores específicos na musculatura lisa vascular</p><p>(receptores do tipo 1, AT1-R), produz vasoconstrição intensa, aumento da reabsorção de Na+,</p><p>resultando no aumento da pressão arterial. Adicionalmente, interage com receptores do córtex</p><p>da glândula supra adrenal, estimulando a produção e liberação da aldosterona, que interage</p><p>com receptores mineralocorticoides nos túbulos renais estimulando a reabsorção de sódio e a</p><p>secreção de potássio. Tal efeito irá promover o aumento do volume sanguíneo (volemia) e o</p><p>aumento da pressão arterial.</p><p>OS MECANISMOS REGULATÓRIOS DA</p><p>PRESSÃO ARTERIAL</p><p>Assista ao vídeo que demonstra os mecanismos de regulação de curto e longo prazo da</p><p>pressão arterial.</p><p>ATIVIDADE 3</p><p>O SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA-ALDOSTERONA (RAA) É MUITO</p><p>ESTUDADO PELOS CARDIOLOGISTAS NA CLÍNICA EM FUNÇÃO DA SUA</p><p>PARTICIPAÇÃO NA REGULAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL. SOBRE ESTE</p><p>SISTEMA, PODEMOS AFIRMAR QUE:</p><p>I. EM RESPOSTA À QUEDA DA PRESSÃO ARTERIAL NA ARTÉRIA RENAL</p><p>(HIPOTENSÃO), OCORRE AUMENTO DA PRODUÇÃO DE RENINA.</p><p>II. A RENINA É CONVERTIDA EM ANGIOTENSINA GRAÇAS À AÇÃO</p><p>CATALISADORA DA ENZIMA CONVERSORA DE ANGIOTENSINA (ECA).</p><p>III. A ANGIOTENSINA II É CONSIDERADA UM POTENTE</p><p>VASOCONSTRITOR ARTERIAL.</p><p>IV. ESTE SISTEMA ATUA NA REDUÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL</p><p>(HIPERTENSÃO).</p><p>DE ACORDO COM OS CONHECIMENTOS OBTIDOS NESTE MÓDULO,</p><p>MARQUE A OPÇÃO CORRETA:</p><p>A) Apenas a I está correta.</p><p>B) Apenas a III está correta.</p><p>C) As opções II e III estão corretas.</p><p>D) As opções I, II e III estão corretas.</p><p>E) As opções I e II estão corretas.</p><p>GABARITO</p><p>O sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAA) é muito estudado pelos cardiologistas</p><p>na clínica em função da sua participação na regulação da pressão arterial. Sobre este</p><p>sistema, podemos afirmar que:</p><p>I. Em resposta à queda da pressão arterial na artéria renal (hipotensão), ocorre aumento</p><p>da produção de renina.</p><p>II. A renina é convertida em angiotensina graças à ação catalisadora da enzima</p><p>conversora de angiotensina (ECA).</p><p>III. A angiotensina II é considerada um potente vasoconstritor arterial.</p><p>IV. Este sistema atua na redução da pressão arterial (hipertensão).</p><p>De acordo com os conhecimentos obtidos neste módulo, marque a opção correta:</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>O sistema renina-angiotensina-aldosterona é um dos principais alvos para o controle da</p><p>hipertensão arterial sistêmica, porque quando este sistema é ativado, ocorre o aumento na</p><p>liberação de renina. A consequência é o aumento na formação da angiotensina II e, em</p><p>seguida, o aumento da pressão arterial. Por isso, o uso de medicamentos bloqueadores deste</p><p>sistema ou inibem a produção de angiotensina II, ou inibem a ação deste peptídeo nos</p><p>receptores AT1-R, para que não ocorra a vasoconstrição, o aumento da volemia ou o aumento</p><p>da produção de aldosterona. Consequentemente, a pressão arterial não aumentará.</p><p>GABARITO</p><p>CONCLUSÃO</p><p>O QUE VOCÊ APRENDEU NESTE</p><p>CONTEÚDO?</p><p>Estrutura do coração e dos vasos sanguíneos.</p><p>Circulação sistêmica e pulmonar</p><p>Automatismo cardíaco.</p><p>Potencial cardíaco lento e rápido.</p><p>Controle intrínseco e extrínseco do coração.</p><p>Débito cardíaco e retorno venoso.</p><p>Redistribuição do fluxo sanguíneo e manutenção da temperatura corporal.</p><p>Regulação da pressão arterial em curto e longo prazo.</p><p>AVALIAÇÃO DO TEMA:</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AIRES, M.M. Fisiologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.</p><p>BERNE & LEVY. Fisiologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.</p><p>GUYTON, A.C & HALL, J.E. Tratado de fisiologia médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier,</p><p>2018.</p><p>THORACIC KEY. The Cardiac Action Potential. Consultado em meio eletrônico em: 25 nov.</p><p>2020.</p><p>EXPLORE+</p><p>Para estudo complementar, recomendamos os seguintes livros:</p><p>Fisiologia, de Linda S. Costanzo.</p><p>Fisiologia humana: uma abordagem integrada, de Dee Unglaub Silverthorn.</p><p>CONTEUDISTA</p><p>Silvio Rodrigues Marques Neto</p><p> CURRÍCULO LATTES</p><p>javascript:void(0);</p><p>javascript:void(0);</p><p>À medida que o sangue é direcionado dos ventrículos para as artérias aorta e pulmonares, ele</p><p>passa por valvas com denominação semelhante a estas estruturas, valvas semilunares aórtica</p><p>e pulmonar, respectivamente, constituídas cada uma por três folhetos. A organização estrutural</p><p>dessas valvas permite que o sangue ejetado pelo ventrículo flua para as artérias</p><p>correspondentes, impedindo assim seu retorno durante a fase de relaxamento (diástole)</p><p>(AIRES, 2018, p. 381).</p><p>Wapcaplet / Wikimedia Foundation Inc. / CC BY-SA 2.5</p><p> Exemplo de regurgitação da valva mitral ou bicúspide.</p><p>Além dos miócitos atriais e ventriculares, o tecido cardíaco é repleto fibroblastos cardíacos,</p><p>responsáveis pela produção da matriz extracelular que é composta por colágeno do tipo I e III,</p><p>capazes de desempenhar o processo de remodelamento miocárdico (também denominado</p><p>como cicatrização do miocárdio durante o infarto, veja a imagem).</p><p>Devido à presença dessas células, durante o infarto do miocárdio os fibroblastos cardíacos</p><p>migram para a região da lesão e promovem a deposição do colágeno (I e III). Como resultado</p><p>teremos a cicatrização do coração (área escura na imagem, representada pelo número 2).</p><p>JHeuser / Wikimedia commons / CC-BY-SA-3.0</p><p> Exemplo de remodelamento miocárdico.</p><p>ATIVIDADE 2</p><p>AS ESTRUTURAS DAS CÂMARAS CARDÍACAS (ÁTRIOS E</p><p>VENTRÍCULOS) APRESENTAM DIFERENÇAS RELEVANTES EM FUNÇÃO</p><p>DOS PADRÕES HEMODINÂMICOS DO SISTEMA CARDIOVASCULAR.</p><p>NESTE SENTIDO, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:</p><p>A) O átrio esquerdo possui uma câmara interna menor que o átrio direito em função do</p><p>aumento da pressão no sistema pulmonar comparado ao sistema venoso.</p><p>B) As paredes dos átrios apresentam menores espessuras em relação aos ventrículos, pois</p><p>sua função depende de menor pressão para o fluxo sanguíneo.</p><p>C) O ventrículo esquerdo não possui camadas espessas em suas paredes, pois sua função se</p><p>resume à distribuição de sangue para os pulmões.</p><p>D) Apesar das diferenças morfofuncionais entre os átrios e ventrículos, estas estruturas não</p><p>apresentam diferenças entre seus lados esquerdo e direito.</p><p>E) A espessura do ventrículo esquerdo é maior que a do ventrículo direito, em função da menor</p><p>pressão oferecida pela circulação sistêmica.</p><p>GABARITO</p><p>As estruturas das câmaras cardíacas (átrios e ventrículos) apresentam diferenças</p><p>relevantes em função dos padrões hemodinâmicos do sistema cardiovascular. Neste</p><p>sentido, assinale a alternativa correta:</p><p>A alternativa "B " está correta.</p><p>As estruturas das câmaras cardíacas são bem diversas, pois a sua funcionalidade reflete as</p><p>suas estruturas. Os átrios distribuem o sangue aos ventrículos, enquanto os ventrículos</p><p>distribuem o fluxo sanguíneo à circulação sistêmica. Em termos práticos, esta função depende</p><p>de maior pressão para ser efetivada com êxito.</p><p>GABARITO</p><p>ESTRUTURA DOS VASOS SANGUÍNEOS</p><p>O sistema vascular é formado pelos sistemas arterial e venoso, constituídos por uma rede de</p><p>tubos, compreendendo uma extensão total de 50.000 km, que transportam cerca de 10.000</p><p>litros de sangue diariamente. Em relação aos seus aspectos estruturais e funcionais, as artérias</p><p>e veias apresentam diferenças em seu conteúdo proteico (colágeno e elastina em suas</p><p>camadas).</p><p>Shutterstock.com</p><p>Essas diferenças impactam na resistência e na capacitância desses vasos.</p><p>Em relação às suas estruturas, observam-se três camadas denominadas túnicas diferentes,</p><p>modificadas conforme a função do vaso:</p><p>A camada mais externa do vaso é chamada de adventícia;</p><p>A intermediária é a camada média onde encontra-se o músculo liso;</p><p>E a camada mais interna é a íntima, composta pelas células endoteliais.</p><p>Quanto à espessura da parede desses vasos, notamos que ela possui relação direta com a</p><p>pressão gerada no sistema, que é característico de cada região. Por exemplo, a espessura das</p><p>artérias é muito maior do que a espessura das veias. Esta característica está relacionada com</p><p>a composição das três camadas em cada artéria ou veia, como se vê na imagem a seguir.</p><p>Shutterstock.com</p><p> Estrutura anatômica dos vasos sanguíneos.</p><p>ASPECTOS MORFOFUNCIONAIS DO SISTEMA</p><p>VASCULAR</p><p>Basicamente, as artérias e as veias apresentam três camadas.</p><p>A túnica íntima (mais interna) é constituída por uma camada única de células endoteliais,</p><p>recobertas por uma lâmina subendotelial. Na camada subendotelial, além da presença de fibras</p><p>colágenas (matriz extracelular), nota-se a presença de células musculares lisas, além de</p><p>fibrócitos e macrófagos. É dividida da túnica média por uma estrutura denominada camada</p><p>elástica interna. A estrutura da túnica média sofre variação de acordo com sua capacidade</p><p>contrátil e elástica; em função disso, os dois principais componentes da túnica média são as</p><p>células musculares lisas e as lâminas elásticas presentes entre estas células. Externamente, a</p><p>túnica média é cercada por uma lâmina elástica, reconhecida como camada elástica externa,</p><p>que a separa da túnica adventícia.</p><p>Já a túnica adventícia é constituída predominantemente por tecido conjuntivo frouxo, contendo</p><p>grande quantidade de fibrócitos, fibras elásticas e colágeno.</p><p> ATENÇÃO</p><p>Quando comparamos as diferenças de fluxo nos sistemas arterial e venoso, notamos que este</p><p>parâmetro é drasticamente reduzido nas artérias de pequeno calibre assim como nas</p><p>arteríolas. Nas metarteríolas (porções finais das arteríolas), devido ao seu pequeno diâmetro</p><p>(cerca de 10 e 40 mm) e pelo fato de serem pouco inervadas, a camada muscular é</p><p>incompleta, mas complementada pela presença de um forte esfíncter muscular pré-capilar.</p><p>Na rede arterial, os valores pressóricos são maiores que em qualquer outra região do sistema</p><p>vascular, no entanto, quando o sangue atinge as arteríolas, ocorre uma queda acentuada na</p><p>pressão do sistema. O motivo principal para que ocorra essa grande variação hemodinâmica é</p><p>o aumento da resistência ao fluxo criada por esses pequenos vasos.</p><p>Desse modo, a partir dos capilares sanguíneos, a pressão e o fluxo sanguíneo serão bastante</p><p>reduzidos. Como o sistema arterial é considerado um sistema de alta pressão e baixo fluxo, a</p><p>quantidade total de sangue presente neste sistema é cerca de 20%, enquanto nos capilares é</p><p>de 5% por causa de seu tamanho reduzido. Nas veias é de cerca de 75%, denotando sua</p><p>função como reservatório de volume.</p><p>Shutterstock.com</p><p> Diferenças no calibre dos vasos sanguíneos explicando as variações de velocidade e</p><p>pressão do fluxo.</p><p>A microcirculação possui vasos terminais, com grande capacidade para realização de trocas de</p><p>substâncias, e é constituída por pequenas artérias, arteríolas, capilares e vênulas. Nos</p><p>capilares, sua parede é constituída por uma única camada de células endoteliais. Tal fato</p><p>favorece o transporte satisfatório de nutrientes e oxigênio dos capilares para os tecidos e</p><p>destes para a remoção de metabólitos.</p><p>Shutterstock.com</p><p> Estrutura dos capilares sanguíneos, representando a microcirculação.</p><p> ATENÇÃO</p><p>Independentemente da ausência de células musculares lisas nestes pequenos vasos, as</p><p>variações em seus diâmetros são controladas por células que fazem parte de sua estrutura</p><p>externa (uma espécie de adventícia) denominadas pericitos. Eles possuem alta habilidade em</p><p>controlar o diâmetro dos vasos, atuando no controle do fluxo sanguíneo. Além dos capilares, as</p><p>trocas de metabólitos também podem ocorrer através das paredes de pequenas arteríolas,</p><p>antes mesmo de o sangue alcançar a região.</p><p>A função principal do sistema venoso é transportar o sangue de todas as veias em direção ao</p><p>coração. Neste sentido, o sangue, ao trafegar pelos capilares, será transportado para as</p><p>vênulas, seguindo para as veias de pequeno, médio e grande calibre.</p><p>Contudo, ao contrário do sistema arterial, o venoso é considerado um sistema de baixa</p><p>pressão. Pelo fato de as veias serem maiores em número e tamanho que as artérias, elas</p><p>conseguem apresentar maior capacidade de acomodação de sangue, motivo pelo qual são</p><p>considerados vasos de capacitância.</p><p>Assim, o sistema venoso é responsável em estocar uma</p><p>proporção muito elevada de sangue</p><p>(cerca de 75% do total). Por ser um sistema de baixa pressão e alto volume, o sangue é</p><p>impedido de fluir no sentido contrário ao coração pela presença das valvas venosas,</p><p>possibilitando o fluxo de sangue pelas veias ocorrer sempre no sentido unidirecional, em</p><p>direção ao coração.</p><p>Certamente você já ouviu falar em varizes ou veias varicosas, mas o que isso de fato</p><p>representa?</p><p>APLICAÇÃO PRÁTICA</p><p>Shutterstock.com</p><p> Desenvolvimento das varizes nas veias.</p><p>Shutterstock.com</p><p> Exemplo de veias varicosas.</p><p>As varizes nas veias representam regiões onde as valvas venosas se tornam insuficientes ou</p><p>incompetentes, reduzindo o fluxo de sangue nessa região (imagem à esquerda). Isso provoca</p><p>dilatação excessiva das veias (imagem à direita), o que pode acarretar dores e desconforto</p><p>local, levando pacientes ao tratamento com laser, clínico/cirúrgico ou estético.</p><p>ATIVIDADE 3</p><p>AO ANALISAR AS DIFERENÇAS ESTRUTURAIS E FUNCIONAIS DOS</p><p>VASOS SANGUÍNEOS, NOTA-SE QUE AS ARTÉRIAS SÃO</p><p>CONSIDERADAS VASOS DE RESISTÊNCIA, ENQUANTO AS VEIAS SÃO</p><p>CONSIDERADAS VASOS DE CAPACITÂNCIA. NESTE SENTIDO, AS</p><p>VARIZES OCORREM ESPECIFICAMENTE NAS VEIAS PORQUE:</p><p>A) As varicosidades observadas nas veias ocorrem pelo fato de serem consideradas um</p><p>sistema de alta pressão, por isso ocorre o dilatamento excessivo das veias acarretando as</p><p>varizes.</p><p>B) O volume de sague presente no sistema venoso é baixo. Por este motivo, caso o sistema</p><p>sofra uma sobrecarga de volume, irá desencadear a dilatação das veias.</p><p>C) As pessoas que possuem varizes não precisam se preocupar com essas alterações das</p><p>veias, pois isso se trata apenas de uma preocupação estética.</p><p>D) As intervenções cirúrgicas são o único tratamento para as pessoas que possuem varizes.</p><p>E) O desenvolvimento das varizes ocorre em função da insuficiência das valvas venosas, pois</p><p>quando isto ocorre o fluxo sanguíneo será reduzido, acarretando a dilatação excessiva dessas</p><p>veias.</p><p>GABARITO</p><p>Ao analisar as diferenças estruturais e funcionais dos vasos sanguíneos, nota-se que as</p><p>artérias são consideradas vasos de resistência, enquanto as veias são consideradas</p><p>vasos de capacitância. Neste sentido, as varizes ocorrem especificamente nas veias</p><p>porque:</p><p>A alternativa "E " está correta.</p><p>As veias varicosas são resultado da insuficiência das valvas venosas. Este fenômeno faz com</p><p>que o sangue venoso fique acomodado na região que está ocorrendo a incompetência dessas</p><p>estruturas, levando à dilatação das veias nesta região. As varizes se manifestam com</p><p>desconforto na maioria das pessoas, principalmente dor local. Os tratamentos podem ser feitos</p><p>a laser, clínico/cirúrgico ou estético (aplicação de espumas).</p><p>GABARITO</p><p>CIRCULAÇÃO SISTÊMICA</p><p>A circulação sistêmica inicia-se no ventrículo esquerdo.</p><p>A partir desta câmara, o sangue arterial é direcionado para a artéria aorta e, em seguida, para</p><p>todos os tecidos (grande circulação).</p><p></p><p>À medida que o sangue segue, ele é direcionado para o sistema de artérias que serão</p><p>distribuídos para os tecidos (exceto aos pulmões).</p><p></p><p>As artérias se dividem em numerosas estruturas menores, denominadas arteríolas, cujo calibre</p><p>pode ser alterado por diversos mecanismos neurais ou metabólicos. As alterações do calibre</p><p>das arteríolas podem regular tanto a pressão como o fluxo ao longo da circulação sistêmica.</p><p>Uma vez nos tecidos, as arteríolas se bifurcam em estruturas cada vez menores, denominadas</p><p>capilares ou sinusóides. Nesses pequenos vasos, o oxigênio e os nutrientes são transportados</p><p>em direção ao espaço extracelular e daí para as células. Ao mesmo tempo, os resíduos</p><p>produzidos em função do metabolismo celular, passam das células para o fluido extracelular e,</p><p>em seguida, para o sangue. Neste momento, o sangue é coletado por um sistema de muito</p><p>baixa pressão, constituídos em sequências pelas vênulas e veias, que transportam o sangue</p><p>venoso de volta ao coração.</p><p>Essa rede venosa drena uma quantidade significativa de sangue, cerca de 75% do volume</p><p>total. Todas as veias se unem para formar as veias cavas superior e inferior, que direcionam o</p><p>sangue para o átrio direito.</p><p>Shutterstock.com</p><p> Esquema de direcionamento do fluxo sanguíneo arterial partindo do coração, com trocas de</p><p>oxigênio, nutrientes, remoção dos resíduos pelos capilares e retorno do sangue venoso de</p><p>volta para o coração pelas veias.</p><p>As artérias sistêmicas apresentam a espessura de suas paredes mais espessas que as artérias</p><p>pulmonares. Além disso, as artérias que se encontram localizadas abaixo da linha do coração</p><p>têm parede mais espessa que as que se encontram acima. Estas alterações refletem a maior</p><p>pressão exercida pelo sangue (pressão hidrostática) suportada pelos vasos das regiões</p><p>inferiores do corpo.</p><p>CIRCULAÇÃO PULMONAR</p><p>A circulação pulmonar se inicia a partir do ventrículo direito. O sangue venoso chega ao átrio</p><p>direito e, em seguida, é direcionado para ventrículo no mesmo lado. Posteriormente, o sangue</p><p>flui para a artéria pulmonar e para as artérias pulmonares menores, até formar os capilares</p><p>pulmonares.</p><p>Shutterstock.com</p><p>Nos capilares pulmonares, o CO2 é transportado em direção aos alvéolos para ser eliminado</p><p>no ar ambiente, enquanto o O2 sofre difusão para o sangue, num processo denominado</p><p>hematose, responsável por uma nova arterialização do sangue.</p><p>A partir deste ponto, o sangue é direcionado para as veias pulmonares com uma maior</p><p>quantidade de oxigênio, retornando ao átrio esquerdo e seguindo para o ventrículo esquerdo. A</p><p>partir deste ponto, o sangue arterial segue para toda a rede de distribuição de artérias</p><p>novamente.</p><p>Shutterstock.com</p><p> Esquema do sistema vascular. No circuito sistêmico, são evidenciados diversos tipos de</p><p>comunicação entre os lados arterial (vermelho) e venoso (azul).</p><p>O SISTEMA CARDIOVASCULAR</p><p>Assista ao vídeo a seguir, que demonstra os aspectos anatômicos do coração (átrios,</p><p>ventrículos e valvas), e como ocorre a circulação sistêmica e pulmonar.</p><p>Em resumo, podemos dizer que os diferentes segmentos do sistema cardiovascular possuem</p><p>características funcionais e estruturais diversas. Estas se adequam às variações de pressão e</p><p>volume de sangue conduzido a outras particularidades que são dependentes do funcionamento</p><p>eficiente e harmônico do coração.</p><p> ATENÇÃO</p><p>Em função disso, torna-se necessário entender como o ritmo cardíaco é regulado para garantir</p><p>o fluxo sanguíneo satisfatório aos tecidos, sem que ocorra grandes variações nas faixas de</p><p>pressão e volume do sistema, a fim de garantir o controle da homeostase sistêmica.</p><p>ATIVIDADE 4</p><p>A CIRCULAÇÃO SISTÊMICA E A CIRCULAÇÃO PULMONAR SÃO PARTES</p><p>ESSENCIAIS DO SISTEMA CARDIOVASCULAR. QUAL DAS SEGUINTES</p><p>AFIRMAÇÕES SOBRE A CIRCULAÇÃO SISTÊMICA E PULMONAR É</p><p>CORRETA?</p><p>A) A circulação sistêmica começa no ventrículo direito e leva o sangue desoxigenado para os</p><p>tecidos do corpo.</p><p>B) As arteríolas da circulação sistêmica têm calibre fixo e não são afetadas por mecanismos</p><p>neurais ou metabólicos.</p><p>C) Na circulação pulmonar, o sangue oxigenado retorna ao coração através das veias cavas.</p><p>D) A circulação pulmonar começa no ventrículo direito e o sangue venoso é oxigenado nos</p><p>capilares pulmonares.</p><p>E) As artérias pulmonares têm paredes mais espessas que as artérias sistêmicas devido à</p><p>maior pressão hidrostática.</p><p>GABARITO</p><p>A circulação sistêmica e a circulação pulmonar são partes essenciais do sistema</p><p>cardiovascular. Qual das seguintes afirmações sobre a circulação sistêmica e pulmonar</p><p>é correta?</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>A alternativa A está errada, pois a circulação sistêmica começa no ventrículo esquerdo e</p><p>distribui sangue oxigenado para os tecidos do corpo. A alternativa B está errada porque as</p><p>arteríolas da circulação sistêmica podem alterar seu calibre por diversos mecanismos neurais</p><p>ou metabólicos, regulando a pressão e o fluxo sanguíneo. A alternativa C está errada, pois, na</p><p>circulação pulmonar, o sangue oxigenado retorna ao coração através das veias pulmonares,</p><p>não das veias cavas. A alternativa D está correta,</p><p>pois de fato a circulação pulmonar começa</p><p>no ventrículo direito, passa pela artéria pulmonar, que é a única artéria que conduz sangue</p><p>venoso no corpo. Esse sangue venoso é direcionado para os pulmões e oxigenado nos</p><p>capilares pulmonares onde ocorre a hematose. A alternativa E está errada, porque as artérias</p><p>sistêmicas, especialmente as abaixo da linha do coração, têm paredes mais espessas devido à</p><p>maior pressão hidrostática, não as artérias pulmonares.</p><p>GABARITO</p><p>MÓDULO 2</p><p> Compreender os mecanismos responsáveis pelo controle do ritmo cardíaco</p><p>Neste sistema, as células que promovem a gênese do impulso nervoso desempenham esse</p><p>mecanismo em frequências de disparo diferentes. O nó sinoatrial é a célula que possui maior</p><p>frequência intrínseca de disparo espontâneo comparado ao nó atrioventricular e às fibras de</p><p>Purkinje (imagem a seguir, número 1).</p><p>A propagação ocorre por este nó a uma velocidade de aproximadamente 0,06 milissegundos</p><p>(ms), alcançando o átrio aproximadamente 30 ms após o início desta excitação. À medida que</p><p>o impulso nervoso é originado no nó sinoatrial, ele é direcionado para as paredes atriais a uma</p><p>velocidade de aproximadamente 0,9 ms, ou seja, leva cerca de 80 a 90 ms para completar sua</p><p>ativação.</p><p>A trajetória do impulso então alcança outro nó, o atrioventricular (imagem a seguir, número 2).</p><p>J. Heuser / Heart view anterior coronal section.jpg por Patrick J. Lynch (Patrick J. Lynch;</p><p>ilustrador; C. Carl Jaffe; MD; cardiologista Yale University Center for Advanced Instructional</p><p>Media) / CC-BY-2.5</p><p> Sistema de condução elétrica do coração.</p><p>A partir do nó atrioventricular, fibras nervosas atravessam o esqueleto fibroso do coração,</p><p>localizado no anel atrioventricular, separado por um envoltório de tecido conjuntivo. Em</p><p>seguida, faz conexões com a massa muscular ventricular através das junções comunicantes.</p><p>Mariana Ruiz LadyofHats / Wikimedia Commons</p><p> Exemplificação das junções comunicantes (em amarelo) inseridas na membrana plasmática</p><p>(azul).</p><p>Sequencialmente, uma vez que o impulso nervoso termine seu tráfego através do nó</p><p>atrioventricular, a despolarização pelo sistema de condução agora alcança o feixe de His</p><p>(números 3 e 4 da imagem abaixo) e, em seguida, as fibras de Purkinje. Finalmente, toda onda</p><p>de despolarização é direcionada pelas células do miocárdio ventricular, completando a ativação</p><p>dessas câmaras.</p><p>J. Heuser/ Heart view anterior coronal section.jpg por Patrick J. Lynch (Patrick J. Lynch;</p><p>ilustrador; C. Carl Jaffe; MD; cardiologista Yale University Center for Advanced Instructional</p><p>Media)/ CC-BY-2.5</p><p> Sistema de condução elétrica do coração. Continuação.</p><p>Uma vez nos ventrículos, a onda de ativação percorre inicialmente as células da camada mais</p><p>interna dessas câmaras (endocárdio) dos dois ventrículos e, em seguida, os impulsos são</p><p>propagados em direção à camada mais externa dos ventrículos (epicárdio) até alcançar à</p><p>região póstero-superior do septo interventricular (número 5).</p><p>ATIVIDADE 1</p><p>O CONTROLE DO RITMO CARDÍACO PODE OCORRER POR DOIS</p><p>MECANISMOS: O INTRÍNSECO, RESPONSÁVEL PELO AUTOMATISMO</p><p>CARDÍACO; E O EXTRÍNSECO, RESPONSÁVEL POR SUA MODULAÇÃO</p><p>ATRAVÉS DAS INFLUÊNCIAS DO SISTEMA NERVOSO AUTONÔMICO.</p><p>SOBRE O AUTOMATISMO CARDÍACO, MARQUE A ALTERNATIVA QUE</p><p>CORRESPONDE À SEQUÊNCIA CORRETA DA ONDA DE ATIVAÇÃO</p><p>ELÉTRICA DO CORAÇÃO, DESDE SUA ORIGEM ATÉ AS ESTRUTURAS</p><p>QUE ENCERRAM ESTE ESTÍMULO.</p><p>I) NÓ SINOATRIAL</p><p>II) NÓ ATRIOVENTRICULAR</p><p>III) FEIXE DE HIS</p><p>IV) FIBRAS SUBENDOCÁRDICAS</p><p>A) III, II, I e IV</p><p>B) I, II, III e IV</p><p>C) I, III, II e IV</p><p>D) IV, III, II e I</p><p>E) I, III, IV e II</p><p>GABARITO</p><p>O controle do ritmo cardíaco pode ocorrer por dois mecanismos: o intrínseco,</p><p>responsável pelo automatismo cardíaco; e o extrínseco, responsável por sua modulação</p><p>através das influências do sistema nervoso autonômico. Sobre o automatismo cardíaco,</p><p>marque a alternativa que corresponde à sequência correta da onda de ativação elétrica</p><p>do coração, desde sua origem até as estruturas que encerram este estímulo.</p><p>I) Nó sinoatrial</p><p>II) Nó atrioventricular</p><p>III) Feixe de His</p><p>IV) Fibras Subendocárdicas</p><p>A alternativa "B " está correta.</p><p>O controle do ritmo cardíaco pode ocorrer pelos mecanismos intrínsecos (sistema de</p><p>condução) e extrínsecos (sistema nervoso autonômico). No sistema de condução, os impulsos</p><p>nervosos percorrem o nodo sinoatrial; em seguida o estímulo é deflagrado para o feixe de His</p><p>e, por fim, nas fibras endocárdicas de Purkinje.</p><p>GABARITO</p><p> ATENÇÃO</p><p>Observa-se a existência de uma fase em que não há nenhum fluxo de corrente ao longo do</p><p>coração. Neste momento os átrios encontram-se repolarizados, ao passo que os ventrículos</p><p>estão totalmente despolarizados. Este período silente termina quando se inicia a repolarização</p><p>ventricular a partir das regiões com potenciais de ação de menor duração. A repolarização de</p><p>uma região acelera a repolarização de localidades vizinhas do mesmo modo que a</p><p>despolarização, por meio do fluxo de correntes locais. Assim, pode-se dizer que há uma</p><p>propagação da repolarização, a partir da região que primeiro depolariza, em direção às</p><p>vizinhas.</p><p>A EXCITAÇÃO AUTOMÁTICA DO CORAÇÃO</p><p>Assista ao vídeo a seguir, que demonstra como ocorre o processo intrínseco de excitação do</p><p>coração, desde o nodo sinusal até as fibras de Purkinje.</p><p>POTENCIAL DE AÇÃO CARDÍACO LENTO</p><p>Um conjunto de células cardíacas não precisam de estímulo externo (também denominado</p><p>extrínseco) para iniciar um potencial de ação. Esta propriedade é conhecida como automatismo</p><p>cardíaco (governada pelas células do nó sinoatrial, do nó atrioventricular e as fibras de</p><p>Purkinje).</p><p>Shutterstock.com</p><p>Nestes tecidos, não se observa um potencial de repouso estável (fixo) como na maioria das</p><p>outras células, ao contrário, nota-se uma despolarização lenta seguida do término da fase de</p><p>repolarização. Esta despolarização lenta, como ocorre na fase diastólica do potencial</p><p>transmembrana, é denominada despolarização diastólica lenta, correspondente à fase 4 dos</p><p>potenciais de ação responsáveis pelo automatismo cardíaco.</p><p>As correntes iônicas responsáveis pela entrada de íons nas células são denominadas correntes</p><p>de influxo. As principais correntes de influxo observadas na despolarização diastólica lenta são:</p><p>Corrente marca-passo (também denominada corrente If), sendo esta mediada pelo influxo de</p><p>sódio (Na+) no início da Fase 4.</p><p>Corrente transiente de cálcio, ou do tipo T (IcaT), responsável pela segunda metade da</p><p>despolarização diastólica lenta até o início da Fase 0.</p><p>Ao final da Fase 4, quando o potencial transmembrana atinge o potencial limiar (por volta de</p><p>-60mV), inicia-se a Fase 0. Nesta fase, observa-se uma despolarização mais rápida que aquela</p><p>da Fase 4.</p><p> ATENÇÃO</p><p>Aqui, a principal corrente responsável por esta despolarização mais íngreme é a corrente de</p><p>cálcio do tipo L, ICaL, que se caracteriza por uma ativação mais lenta e uma densidade de</p><p>corrente bem inferior à de sódio (INa+, como será observado no potencial de ação rápido).</p><p>Na imagem, podemos observar que essas células não apresentam as Fases 1 e 2, como</p><p>ocorre no potencial de ação rápido ventricular. Após a Fase 0, segue-se uma repolarização</p><p>contínua, mais lenta no início e mais rápida no final (Fase 3).</p><p>Já que não há nenhuma evidência de ocorrência de IK1 nem de Ito nestas células, os canais de</p><p>K+, IKr e IKs constituem as principais vias de correntes repolarizantes. Contribuem com</p><p>corrente despolarizante durante todo o potencial de ação lento, a ICa,L, além da corrente</p><p>carreada pelo trocador Na+/Ca2+.</p><p>Shutterstock.com</p><p> Potencial de ação cardíaco lento responsável pelo mecanismo de autoexcitação celular nos</p><p>NSA e NAV.</p><p>POTENCIAL DE AÇÃO CARDÍACO RÁPIDO</p><p>Os átrios e ventrículos são constituídos por células miocárdicas através das quais a atividade</p><p>elétrica se propaga. Imersas nessa massa muscular contrátil (miocárdio), existem estruturas</p><p>especializadas na geração e condução da atividade elétrica, formadas por tecido muscular</p><p>especializado denominado de sistema</p><p>de condução.</p><p>Shutterstock.com</p><p>No átrio direito, próximo da inserção da veia cava superior, situa-se o nó sinoatrial, que no</p><p>coração normal é o local onde ocorre a gênese da atividade elétrica cardíaca. Por isso, o nó</p><p>sinoatrial é considerado o marcapasso cardíaco. Também no átrio direito, próximo ao seio</p><p>coronariano, na superfície endocárdica da porção inferior do septo interatrial, localiza-se o nó</p><p>atrioventricular.</p><p>A partir deste, outro tecido especializado em condução é o feixe de His, que parte do nó</p><p>atrioventricular e se estende para a musculatura ventricular, subsequentemente dividindo-se e</p><p>formando uma extensa rede de condução intraventricular, as fibras de Purkinje.</p><p>O potencial de ação rápido cardíaco pode ser dividido em fases que serão descritas a seguir:</p><p>FASE 0</p><p>Esta fase está relacionada ao aumento rápido que ocorre durante a despolarização do</p><p>potencial de ação rápido. Neste momento a principal corrente despolarizante é a de sódio</p><p>dependente de voltagem (INa). Isto irá promover a despolarização adicional, caracterizada por</p><p>um processo de retroalimentação positiva e resultando em rápido e intenso influxo de Na+. Por</p><p>sua enorme densidade, esta corrente é fundamental para a rápida propagação do potencial de</p><p>ação (1 a 5 ms), no entanto, cabe ressaltar que as menores velocidades ocorrem no miocárdio</p><p>atrial e ventricular; e as maiores, nas fibras de Purkinje, tecido especializado na condução do</p><p>potencial de ação.</p><p>Thoracikey, 2016</p><p> Fases responsáveis pelo potencial de ação cardíaco rápido.</p><p>FASE 1</p><p>Nesta rápida e transitória repolarização, após a despolarização inicial, está relacionada à</p><p>abertura do canal de K+ (representado pela abreviatura Ito1), que por sua vez é ativado por</p><p>despolarização.</p><p>Thoracikey, 2016</p><p> Fases responsáveis pelo potencial de ação cardíaco rápido.</p><p>FASE 2</p><p>Também considerada como a fase de platô, nesta fase ocorre o equilíbrio das correntes</p><p>despolarizantes (influxo de Na+ e Ca2+) e das correntes repolarizantes (efluxo de K+ e influxo</p><p>de Cl–). Assim, o fluxo efetivo de carga (somatório de cargas que entram e saem da célula)</p><p>durante esta fase é muito pequeno, razão pela qual o potencial transmembrana permanece</p><p>relativamente estável. As correntes despolarizantes presentes nesta fase incluem a corrente de</p><p>ICaL, o componente não inativável ou de inativação lenta de INa, além da corrente de influxo</p><p>carreada pelo trocador Na+/Ca2+. Em relação às correntes repolarizantes, a corrente</p><p>retificadora de influxo, IK1, que permanece aberto durante o repouso, fecha-se quase</p><p>instantaneamente com a despolarização da Fase 0. Assim, durante o platô, ele permanece</p><p>fechado, contribuindo para diminuir a corrente de efluxo, mantendo a membrana despolarizada.</p><p>Thoracikey, 2016</p><p> Fases responsáveis pelo potencial de ação cardíaco rápido.</p><p>FASE 3</p><p>A fase de repolarização rápida final ocorre em decorrência de uma predominância de correntes</p><p>de efluxo, uma vez que as correntes de influxo presentes durante o platô diminuem</p><p>consideravelmente. Nesta fase, a condutância ao K+ depende de canais iônicos diferentes</p><p>daqueles que determinam o potencial de repouso. Ela está diretamente associada à ativação</p><p>dos canais de K+ dependentes de voltagem, denominados retificadores retardados (IKr, IKs e</p><p>IKur), estimulada pela despolarização da Fase 0, que promove um grande efluxo de K+,</p><p>acarretando rápida repolarização. Este fenômeno permite a reabertura do canal IK1,</p><p>responsável por contribuir para o processo de repolarização. Por todos estes motivos, a Fase 3</p><p>é considerada a fase determinante da duração do potencial de ação.</p><p>Thoracikey, 2016</p><p> Fases responsáveis pelo potencial de ação cardíaco rápido.</p><p>FASE 4</p><p>Quanto ao comportamento do potencial de ação, nesta fase há novamente um equilíbrio entre</p><p>as correntes de efluxo e influxo, de modo que o saldo é uma corrente efetiva nula, como já</p><p>vimos na Fase 2.</p><p>Thoracikey, 2016</p><p> Fases responsáveis pelo potencial de ação cardíaco rápido.</p><p>ATIVIDADE 2</p><p>OS POTENCIAIS DE AÇÃO CARDÍACOS SÃO FUNDAMENTAIS PARA A</p><p>FUNÇÃO DO CORAÇÃO, DIFERENCIANDO-SE EM POTENCIAL DE AÇÃO</p><p>LENTO E RÁPIDO, CADA UM COM CARACTERÍSTICAS E FASES</p><p>ESPECÍFICAS. QUAL DAS SEGUINTES AFIRMAÇÕES SOBRE O</p><p>POTENCIAL DE AÇÃO CARDÍACO É CORRETA?</p><p>A) No potencial de ação rápido, a fase 0 é mediada pela corrente de cálcio do tipo L (ICaL).</p><p>B) No potencial de ação lento, a fase 4 é caracterizada pela corrente de sódio rápida (INa).</p><p>C) No potencial de ação rápido, a fase 2 é também conhecida como fase de platô, em que há</p><p>um equilíbrio entre correntes de influxo e efluxo.</p><p>D) No potencial de ação lento, as fases 1 e 2 são predominantes devido ao influxo de cálcio e</p><p>sódio.</p><p>E) No potencial de ação rápido, a fase 3 é caracterizada pela predominância de correntes de</p><p>influxo, principalmente de cálcio.</p><p>GABARITO</p><p>Os potenciais de ação cardíacos são fundamentais para a função do coração,</p><p>diferenciando-se em potencial de ação lento e rápido, cada um com características e</p><p>fases específicas. Qual das seguintes afirmações sobre o potencial de ação cardíaco é</p><p>correta?</p><p>A alternativa "C " está correta.</p><p>A alternativa A está errada, pois no potencial de ação rápido, a fase 0 é mediada pela corrente</p><p>de sódio dependente de voltagem (INa), não pela corrente de cálcio do tipo L (ICaL). A</p><p>alternativa B está errada, pois no potencial de ação lento, a fase 4 é caracterizada pela</p><p>corrente marca-passo (If) e pela corrente de cálcio do tipo T (ICaT), não pela corrente de sódio</p><p>rápida (INa). A alternativa C está correta, pois no potencial de ação rápido, a fase 2 é</p><p>conhecida como fase de platô, em que há um equilíbrio entre correntes de influxo</p><p>(principalmente de cálcio) e efluxo (principalmente de potássio). A alternativa D está errada,</p><p>porque no potencial de ação lento, as fases 1 e 2 estão ausentes; a despolarização diastólica</p><p>lenta (fase 4) e a fase 0 são predominantes. E a alternativa E está errada, pois no potencial de</p><p>ação rápido, a fase 3 é caracterizada pela predominância de correntes de efluxo de potássio</p><p>(IKr, IKs, e IKur), não de cálcio.</p><p>GABARITO</p><p>O sistema nervoso autônomo é subdividido em dois componentes, o sistema nervoso simpático</p><p>e o parassimpático. Ambos apresentam características comuns que estão descritas na imagem.</p><p>Shutterstock.com</p><p> Divisões anatômicas do sistema nervoso autonômico (SNA). Sistema nervoso</p><p>parassimpático (azul) e simpático (rosa).</p><p>Nos dois sistemas, a inervação é realizada por neurônios efetores que se situam antes da</p><p>cadeia simpática, os neurônios pré-ganglionares. Estes originam as fibras pós-ganglionares</p><p>que estabelecem as sinapses com os órgãos-alvo. Os neurônios pré-ganglionares são ativados</p><p>previamente por conexões diretas de neurônios situados no sistema nervoso central.</p><p>Durante a ativação das fibras pós-ganglionares, os neurotransmissores são liberados no</p><p>interstício até encontrarem seus receptores específicos. No caso dos terminais axônios das</p><p>fibras pós-ganglionares simpáticas, o neurotransmissor principal é a noradrenalina (NA),</p><p>também chamada de norepinefrina (NE), enquanto nos terminais axônicos das fibras pós-</p><p>ganglionares parassimpáticas, o neurotransmissor principal é a acetilcolina.</p><p>A regulação autonômica no controle do ritmo cardíaco e dos vasos sanguíneos é de</p><p>fundamental importância para a manutenção do sistema cardiovascular, como por exemplo, a</p><p>regulação da pressão arterial, da resistência periférica total e da função cardíaca. Durante a</p><p>estimulação simpática, ocorre o aumento da frequência cardíaca, da força de contração</p><p>(contratilidade) e da pressão arterial.</p><p>Shutterstock.com</p><p>Os efeitos do sistema nervoso simpático sobre a musculatura cardíaca são mediados pelos</p><p>receptores adrenérgicos do subtipo β1. Já a inervação parassimpática atua diminuindo a</p><p>frequência cardíaca, assim como reduz a contratilidade e a pressão arterial através da</p><p>interação da acetilcolina com os receptores muscarínicos do tipo 2 (M2).</p><p> ATENÇÃO</p><p>No coração, ambos os sistemas simpático e parassimpático têm atividade</p><p>tônica, isto é, as</p><p>fibras pós-ganglionares desses sistemas apresentam potenciais de ação contínuos, com</p><p>liberação mantida de seus respectivos neurotransmissores. Assim, podemos dizer que a</p><p>frequência cardíaca de um indivíduo a cada instante é o resultado do efeito excitatório</p><p>simpático e do efeito inibitório parassimpático.</p><p>Além do seu importante papel no controle do ritmo cardíaco, o sistema nervoso autônomo é</p><p>bastante eficiente no monitoramento rápido da perfusão sanguínea para os tecidos. Para isto, o</p><p>sistema nervoso autônomo recebe informações de sensores localizados nos vasos sanguíneos</p><p>(barorreceptores) sobre a quantidade de sangue que o coração está bombeando por minuto</p><p>(débito cardíaco).</p><p>Considerando o sistema cardiovascular um sistema de tubos fechados, para que o coração</p><p>seja capaz de bombear certa quantidade de sangue por minuto ele precisa receber a mesma</p><p>quantidade das veias, fenômeno este denominado retorno venoso. Sendo assim, o sistema</p><p>nervoso autônomo promove o controle da função miocárdica, visando a manutenção do débito</p><p>cardíaco e do retorno venoso para garantir níveis adequados de oxigênio e nutrientes para os</p><p>tecidos.</p><p>ATIVIDADE 3</p><p>O SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO REGULA OS BATIMENTOS</p><p>CARDÍACOS ATRAVÉS DOS RAMOS SIMPÁTICOS E PARASSIMPÁTICOS.</p><p>ASSINALE A OPÇÃO QUE MELHOR EXPLICA ESSE PROCESSO:</p><p>A) Os efeitos simpáticos são mediados pelos receptores adrenérgicos do subtipo β1. Já a</p><p>inervação parassimpática atua através da interação da acetilcolina com os receptores</p><p>muscarínicos do tipo 2 (M2).</p><p>B) Os efeitos simpáticos são mediados pelos receptores muscarínicos do tipo 2 (M2). Já a</p><p>inervação parassimpática atua pelos receptores do subtipo β1.</p><p>C) Os efeitos simpáticos são regulados por acetilcolina e os parassimpáticos por norepinefrina.</p><p>D) A estimulação simpática reduz os batimentos cardíacos pela estimulação dos receptores β1.</p><p>E) A estimulação parassimpática reduz os batimentos cardíacos pela estimulação dos</p><p>receptores β1.</p><p>GABARITO</p><p>O sistema nervoso autônomo regula os batimentos cardíacos através dos ramos</p><p>simpáticos e parassimpáticos. Assinale a opção que melhor explica esse processo:</p><p>A alternativa "A " está correta.</p><p>De modo geral, o sistema nervoso simpático estimula o aumento da contratilidade cardíaca</p><p>assim como a velocidade de contração do miocárdio, aumentando a frequência cardíaca. Isto</p><p>se dá pela ação da norepinefrina nos receptores β1. O sistema nervoso parassimpático, por</p><p>sua vez, desempenha um papel inverso através da interação da acetilcolina com os receptores</p><p>muscarínicos do tipo 2 (M2).</p><p>GABARITO</p><p>MÓDULO 3</p><p> Reconhecer os fenômenos associados à função miocárdica e seu papel na</p><p>manutenção do débito cardíaco e retorno venoso</p><p>A perfusão adequada de sangue para os tecidos se dá pela força de contração que o coração é</p><p>capaz de exercer (contratilidade), quer a pessoa esteja em repouso ou desenvolvendo</p><p>diferentes atividades diárias. Por isso, o coração é responsável por garantir que a quantidade</p><p>de sangue bombeada por minuto no compartimento arterial (débito cardíaco), bem como seu</p><p>retorno de volta ao coração pelas veias (retorno venoso) sejam eficientes.</p><p>Shutterstock.com</p><p>O débito cardíaco depende da frequência cardíaca e do volume sistólico, e este é determinado</p><p>pela contratilidade miocárdica combinada com a magnitude do retorno venoso (pré-carga) e</p><p>com a resistência periférica total.</p><p>O retorno venoso, também caracterizado como pré-carga, é dependente da magnitude do</p><p>volume sanguíneo (volemia), bem como de outros fatores responsáveis pelo direcionamento do</p><p>sangue de volta ao coração, entre os quais a capacitância venosa.</p><p> ATENÇÃO</p><p>Adicionalmente, levando em consideração que os fatores citados anteriormente possuem</p><p>grande impacto no débito cardíaco (normalmente, quanto maior o retorno venoso, maior será o</p><p>débito cardíaco) e na resistência periférica total (RPT), a pressão arterial também pode ser</p><p>efetivamente influenciada, uma vez que esta representa o produto do débito cardíaco e da RPT.</p><p>O tecido cardíaco pode ser dividido em três camadas. Na porção externa, encontra-se o</p><p>pericárdio, dividido em duas camadas, uma fibrosa e outra serosa que garantem a fixação e a</p><p>sustentação do coração na parede torácica; na porção média, fica a camada mais espessa,</p><p>responsável pela contração do coração, o miocárdio; na porção interna está localizado o</p><p>endocárdio.</p><p>OpenStax College / 2004 Heart Wall.jpg / CC-BY-SA-3.0</p><p> As camadas do coração.</p><p>O sinal para a contração do miocárdio atrial e ventricular é originado pelas células</p><p>autoexcitáveis provenientes do sistema de condução do nó sinoatrial e do atrioventricular,</p><p>porém pode ser modulado pelo sistema nervoso autônomo. Visualizando as características</p><p>estruturais, o músculo cardíaco é estriado, mas difere bastante do músculo estriado esquelético</p><p>não somente em relação à estrutura, como também em sua função.</p><p>Listamos as principais diferenças observadas entre os músculos estriados cardíaco e</p><p>esquelético:</p><p>Shutterstock.com</p><p> Diferenças entre os tipos de fibras musculares.</p><p>1 - As fibras do músculo estriado cardíaco são menores que as do músculo estriado</p><p>esquelético;</p><p>2 - As células do músculo cardíaco se ramificam com as células vizinhas, e essa conexão é</p><p>mantida graças à presença de diversos discos intercalares, denominados também junções</p><p>comunicantes;</p><p>3 - Essas junções permitem que ocorra o transporte de íons de célula para célula. Por isso,</p><p>quando uma célula é estimulada, todas as outras são estimuladas quase que simultaneamente</p><p>(motivo pelo qual o coração é considerado um sincício funcional);</p><p>4 - O retículo sarcoplasmático do miócito cardíaco é menos desenvolvido se comparado ao</p><p>músculo esquelético, fazendo com que o músculo cardíaco dependa do Ca2+ extracelular</p><p>durante o fenômeno da contração muscular;</p><p>5 - O músculo cardíaco consome cerca de 75% do oxigênio que chega a ele, isto se deve ao</p><p>fato do alto número de mitocôndrias no citoplasma (ocupam cerca de 40% do volume celular).</p><p>Quando ocorre o aumento da necessidade de oxigênio pelo miocárdio (como durante o</p><p>exercício físico), o coração consome quase todo o oxigênio que chega pelas artérias</p><p>coronárias. Por este motivo, o aumento do fluxo sanguíneo pelo miocárdio é o principal</p><p>mecanismo que garante mais oxigênio para o músculo cardíaco nessas condições.</p><p>Quando o fluxo sanguíneo miocárdico reduz devido ao estreitamento de um vaso coronário ou</p><p>de algum de seus ramos (imagem), como ocorre na doença arterial coronariana, as células</p><p>miocárdicas podem ser comprometidas ou até mesmo lesionadas, caracterizando o infarto do</p><p>miocárdio.</p><p>Shutterstock.com</p><p> Progressão da doença arterial coronariana.</p><p>ATIVIDADE 1</p><p>O CORAÇÃO É RESPONSÁVEL POR GARANTIR A PERFUSÃO</p><p>ADEQUADA DE SANGUE PARA OS TECIDOS ATRAVÉS DE SUA</p><p>CAPACIDADE DE CONTRAÇÃO (CONTRATILIDADE). O DÉBITO</p><p>CARDÍACO, QUE É A QUANTIDADE DE SANGUE BOMBEADA POR</p><p>MINUTO, PODE SER CALCULADO A PARTIR DO PRODUTO DA</p><p>FREQUÊNCIA CARDÍACA E DO VOLUME SISTÓLICO, QUE É</p><p>INFLUENCIADO PELA CONTRATILIDADE MIOCÁRDICA, PELO RETORNO</p><p>VENOSO (PRÉ-CARGA) E PELA RESISTÊNCIA PERIFÉRICA TOTAL (RPT).</p><p>O MÚSCULO CARDÍACO POSSUI CARACTERÍSTICAS DISTINTAS DO</p><p>MÚSCULO ESQUELÉTICO, INCLUINDO SUA MENOR DEPENDÊNCIA DO</p><p>RETÍCULO SARCOPLASMÁTICO PARA O CA²⁺ E SUA ELEVADA</p><p>DEMANDA DE OXIGÊNIO DEVIDO AO ALTO NÚMERO DE MITOCÔNDRIAS.</p><p>QUAL DAS SEGUINTES AFIRMAÇÕES SOBRE O MÚSCULO CARDÍACO E</p><p>O DÉBITO CARDÍACO É CORRETA?</p><p>A) O débito cardíaco é independente do retorno venoso e da resistência periférica total.</p><p>B) O músculo cardíaco possui um retículo sarcoplasmático mais desenvolvido que o músculo</p><p>esquelético, facilitando a contração muscular.</p><p>C) As células do músculo cardíaco não se conectam entre si, funcionando de maneira</p><p>independente.</p><p>D) Durante o exercício físico, o aumento do fluxo sanguíneo é o principal mecanismo que</p><p>garante mais oxigênio para o músculo cardíaco.</p><p>E) O miocárdio consome cerca de 40% do oxigênio que chega a ele, devido ao menor número</p><p>de mitocôndrias no citoplasma.</p><p>GABARITO</p><p>O coração é responsável por garantir a perfusão adequada de sangue para os tecidos</p><p>através de sua capacidade de contração (contratilidade). O débito cardíaco, que é a</p><p>quantidade de sangue bombeada por minuto, pode ser calculado a partir do produto da</p><p>frequência cardíaca e do volume sistólico, que é influenciado pela contratilidade</p><p>miocárdica, pelo retorno venoso (pré-carga) e pela resistência periférica total (RPT). O</p><p>músculo cardíaco possui características distintas do músculo esquelético, incluindo sua</p><p>menor dependência do retículo sarcoplasmático para o Ca²⁺ e sua elevada demanda de</p><p>oxigênio devido ao alto número de mitocôndrias.</p><p>Qual das seguintes afirmações sobre o músculo cardíaco e o débito cardíaco é correta?</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>A alternativa A está errada, pois o débito cardíaco depende tanto do retorno venoso quanto da</p><p>resistência periférica total. O retorno venoso influencia a pré-carga, e a resistência periférica</p><p>total afeta a pós-carga. A alternativa B está errada, pois o retículo sarcoplasmático do músculo</p><p>cardíaco é menos desenvolvido do que o do músculo esquelético, fazendo com que o músculo</p><p>cardíaco dependa mais do Ca²⁺ extracelular para a contração. A alternativa C está errada,</p><p>porque as células do músculo cardíaco se conectam entre si através de discos intercalares,</p><p>formando um sincício funcional, permitindo que o estímulo de uma célula se propague para as</p><p>células vizinhas. A alternativa D está correta, pois durante o exercício físico, o aumento do fluxo</p><p>sanguíneo para o miocárdio é o principal mecanismo que garante mais oxigênio para o</p><p>músculo cardíaco, suprindo a maior demanda. O mesmo mecanismo ocorre na musculatura</p><p>esquelética que é utilizada durante o exercício. E a letra E está errada, pois o miocárdio</p><p>consome cerca de 75% do oxigênio, que chega a ele devido ao alto número de mitocôndrias no</p><p>citoplasma, as quais ocupam cerca de 40% do volume celular.</p><p>GABARITO</p><p>No músculo cardíaco, o potencial de ação inicia o acoplamento excitação-contração, e este</p><p>potencial é originado pelas células autoexcitáveis (com atividade marca-passo) do coração e se</p><p>propaga para as células vizinhas através das junções comunicantes.</p><p>Shutterstock.com</p><p>Veja, a seguir, as etapas do acoplamento excitação-contração do miocárdio.</p><p>NÚMERO 1 / NÚMERO 2</p><p>Com o início do potencial de ação (número 1) e seu tráfego pela membrana do músculo</p><p>estriado cardíaco, ocorre a abertura dos canais de Ca2+ dependentes de voltagem tipo L (IcaL)</p><p>na membrana celular (número 2). O Ca2+ entra nas células através desses canais, movendo-se</p><p>a favor do seu gradiente de concentração (a concentração de Ca2+ no meio extracelular é</p><p>maior que no meio intracelular).</p><p>Shutterstock.com</p><p> Etapas do acoplamento excitação-contração do miocárdio.</p><p>NÚMERO 3</p><p>À medida que ocorre a entrada de Ca2+ para o interior da célula, ele promove a abertura dos</p><p>canais liberadores de Ca2+ do tipo rianodínico 2 (RyR2), localizados no retículo</p><p>sarcoplasmático (número 3).</p><p>O processo do acoplamento excitação-contração no músculo cardíaco é também chamado de</p><p>liberação de Ca2+-induzida pela entrada de Ca2+ através da membrana. Quando os canais</p><p>RyR2 se abrem, o Ca2+ estocado é liberado para o citoplasma da célula, neste momento o</p><p>Ca2+ irá desempenhar o papel no acoplamento excitação-contração, promovendo a contração</p><p>do miocárdio.</p><p>Shutterstock.com</p><p> Etapas do acoplamento excitação-contração do miocárdio.</p><p>NÚMERO 4</p><p>A liberação de Ca2+ do retículo sarcoplasmático fornece cerca de 90% do Ca2+ que é</p><p>necessário para contração muscular, e os outros 10% entram na célula a partir do líquido</p><p>extracelular. O Ca2+ difunde-se pelo citosol para as proteínas contráteis, onde se liga à</p><p>troponina C e inicia a interação e o movimento das pontes cruzadas (número 4).</p><p>Shutterstock.com</p><p> Etapas do acoplamento excitação-contração do miocárdio.</p><p>NÚMERO 5</p><p>Durante o relaxamento do miocárdio, a maior parte do Ca2+ liberado durante a contração</p><p>precisa ser removido do citoplasma para que a interação entre as pontes cruzadas seja</p><p>desfeita. A maior parte do Ca2+ é transportada de volta para o retículo sarcoplasmático (cerca</p><p>de 70%) com o auxílio de uma bomba, a Ca2+-ATPase do tipo 2 (SERCA2) (número 5). A outra</p><p>parcela de Ca2+ que foi liberada durante a contração é removida para fora da célula pelo</p><p>trocador Na+/Ca2+ (NCX) ou é transportada para o interior das mitocôndrias.</p><p>Shutterstock.com</p><p> Etapas do acoplamento excitação-contração do miocárdio.</p><p>ATIVIDADE 2</p><p>DURANTE O PROCESSO DE CONTRAÇÃO DO MÚSCULO CARDÍACO,</p><p>EXISTEM ALGUNS ASPECTOS QUE DIFEREM DO MÚSCULO ESTRIADO</p><p>ESQUELÉTICO. NAS ALTERNATIVAS ABAIXO, MARQUE AQUELA QUE</p><p>REPRESENTA O PROCESSO DE ACOPLAMENTO EXCITAÇÃO-</p><p>CONTRAÇÃO CARDÍACO:</p><p>A) Para a interação e o deslizamento entre as pontes cruzadas, é necessário que a célula</p><p>possua íons cálcio (Ca2+) e ATP, para que ocorra a interação e o deslizamento dos</p><p>miofilamentos (proteínas contráteis).</p><p>B) Durante o acoplamento excitação-contração do coração, os íons sódio e ATP são</p><p>fundamentais para que ocorra a excitação e a interação entre os miofilamentos.</p><p>C) Para que o Ca2+ seja liberado do retículo sarcoplasmático, é necessária a presença de</p><p>sódio.</p><p>D) Durante a fase diastólica, a maior parte do Ca2+ que foi liberado do retículo sarcoplasmático</p><p>sai da célula pelo trocador NCX presente na membrana celular.</p><p>E) É fundamental que a célula possua íons de hidrogênio e ATP para que ocorra a interação e</p><p>o deslizamento dos miofilamentos.</p><p>GABARITO</p><p>Durante o processo de contração do músculo cardíaco, existem alguns aspectos que</p><p>diferem do músculo estriado esquelético. Nas alternativas abaixo, marque aquela que</p><p>representa o processo de acoplamento excitação-contração cardíaco:</p><p>A alternativa "A " está correta.</p><p>Durante o acoplamento excitação-contração, o miocárdio ventricular será excitado pelo</p><p>automatismo cardíaco e não por um neurônio motor, conforme observado na contração do</p><p>músculo esquelético. Além disso, quando a membrana desta célula (miocárdio) é excitada, na</p><p>fase 2 do potencial de ação é fundamental a entrada de cálcio na célula (Ca2+). Diferentemente</p><p>do músculo esquelético, no coração a entrada de Ca2+ libera Ca2+ do retículo sarcoplasmático</p><p>e, com isto, ocorre a interação entre os miofilamentos que acarretará a contração muscular. Por</p><p>este motivo, durante o acoplamento excitação-contração, é fundamental que a célula possua</p><p>Ca2+ e ATP, para que ocorra a interação e o deslizamento dos miofilamentos (proteínas</p><p>contráteis).</p><p>GABARITO</p><p>CICLO CARDÍACO</p><p>CICLO CARDÍACO</p><p>Neste vídeo, você vai acompanhar detalhadamente como ocorre o ciclo cardíaco, com a fase</p><p>de relaxamento e enchimento cardíaco (diástole) e a fase de contração e esvaziamento</p><p>cardíaco (sístole).</p><p>A cada sequência de estímulos no coração inicia-se um novo ciclo cardíaco, que pode ser</p><p>compreendido como o período em que ocorre o início de um batimento até o início do próximo.</p><p>Embora os períodos em que o ciclo cardíaco ocorre sejam divididos em sístole (contração) e</p><p>diástole (relaxamento), notamos que esses períodos podem ser divididos e analisados nas sete</p><p>fases que listamos a seguir.</p><p>Cabe ressaltar que esta análise é realizada nas câmaras esquerdas do coração.</p><p>CONTRAÇÃO ATRIAL</p><p>O ciclo cardíaco inicia-se com a excitação atrial, com o surgimento da onda P no registro</p><p>eletrocardiográfico (ECG). A elevação da pressão atrial durante a contração origina a onda a.</p><p>Embora os átrios estejam se contraindo neste momento, o enchimento ventricular ocorre antes</p><p>desta fase, basta notar a curva de volume ventricular (vermelha) que sofre pequena elevação</p><p>com a contração atrial.</p><p>Outra observação importante é a diminuição progressiva da pressão aórtica durante a diástole</p><p>ventricular, isto porque o sangue flui dos grandes vasos arteriais em direção aos tecidos.</p><p>Mas por que os átrios contribuem pouco para o enchimento ventricular?</p><p>A explicação está relacionada com o fato de que a maior parte do enchimento ocorre, de modo</p><p>passivo, simplesmente</p><p>pela abertura das valvas atrioventriculares. No entanto, quando a</p><p>frequência cardíaca está elevada, o período da fase diastólica reduz bastante. Nestas</p><p>condições, a contração atrial passa a exercer um papel importante para o enchimento</p><p>ventricular. Agora, observe a curva de volume ventricular (curva vermelha). Note que nesta fase</p><p>o volume ventricular atinge seu máximo valor ao final do período diastólico, por isso é chamado</p><p>de volume diastólico final.</p><p>DestinyQx / Wikimedia Commons / CC-BY-SA-2.5</p><p> Diagrama ilustrativo das fases do ciclo cardíaco.</p><p>CONTRAÇÃO VENTRICULAR ISOVOLUMÉTRICA</p><p>Após a contração atrial, quando a despolarização alcança as células do ventrículo esquerdo,</p><p>note que o complexo QRS é iniciado no ECG, seguido da sístole ventricular. Neste momento,</p><p>observamos um rápido aumento da pressão ventricular. Ao mesmo tempo ocorre o fechamento</p><p>da valva mitral, acarretando a primeira bulha cardíaca (primeiro ruído no fonocardiograma).</p><p>A elevação da pressão atrial, representada pela onda c, ocorre em função da interrupção do</p><p>fluxo sanguíneo do átrio para o ventrículo esquerdo. Observe que neste momento, a valva</p><p>mitral e a aórtica encontram-se fechadas. Sendo assim, a sístole ventricular ocorrerá sem</p><p>redução do volume no ventrículo esquerdo (esta fase da sístole é denominada contração</p><p>isovolumétrica ventricular).</p><p>O aumento progressivo da tensão na parede ventricular, em decorrência da fase sistólica,</p><p>produz rápido aumento da pressão no interior do ventrículo esquerdo. No momento em que</p><p>essa pressão fica mais elevada que a da aorta (pressão arterial diastólica de 80 mmHg em</p><p>função da fase diastólica), a valva semilunar aórtica se abre, iniciando a fase de ejeção</p><p>ventricular para a aorta.</p><p>DestinyQx / Wikimedia Commons / CC-BY-SA-2.5</p><p> Diagrama ilustrativo das fases do ciclo cardíaco.</p><p>EJEÇÃO VENTRICULAR (RÁPIDA E LENTA)</p><p>Com a abertura da valva semilunar aórtica, a fase de ejeção ventricular é iniciada. Esta fase</p><p>pode ser dividida em um período inicial rápido (com duração de 0,11 s aproximadamente)</p><p>seguido de outro mais lento (cerca de 0,13 s). Esta fase é dividida em ejeção ventricular rápida</p><p>e lenta.</p><p>Inicialmente, observamos que ocorre o aumento da pressão ventricular (curva azul) e o declínio</p><p>da curva de volume ventricular (curva vermelha). Como a entrada de sangue na aorta ocorre</p><p>mais rapidamente do que a passagem deste para as artérias menores, a pressão aórtica, que</p><p>antes estava em reduzida (80 mmHg), agora aumenta até atingir um valor máximo (cerca de</p><p>120 mmHg), próximo da metade do tempo de ejeção ventricular. Isto ocorre durante a sístole</p><p>ventricular, por isso a pressão máxima é referida como pressão arterial sistólica.</p><p>A partir deste momento, o miocárdio ventricular inicia a fase de repolarização, conforme se</p><p>constata pelo início da onda T no ECG.</p><p>Ao final da sístole, a pressão ventricular encontra-se menor que a pressão aórtica, mas a</p><p>ejeção continua, com fluxo menor que na fase inicial. A ejeção é mantida pela alta aceleração</p><p>do sangue pela contração ventricular na fase anterior. A partir daí, ocorre uma queda rápida da</p><p>pressão ventricular esquerda. Isto resulta no fechamento da valva aórtica, terminando o</p><p>período de sístole e a ejeção ventricular. No momento em que ocorre o fechamento da valva</p><p>aórtica, note o surgimento da segunda bulha cardíaca no fonocardiograma.</p><p>Você irá perceber que, mesmo ao final da sístole ventricular, nem todo volume contido no</p><p>ventrículo esquerdo é lançado para a aorta, restando um certo volume de sangue no ventrículo</p><p>ao final da sístole. Este volume é chamado de volume sistólico final.</p><p>Durante a sístole em indivíduos normais em repouso, um volume de aproximadamente 80 ml</p><p>de sangue é ejetado (volume de ejeção ou volume sistólico) e 35ml permanecem no ventrículo</p><p>esquerdo. Dividindo os valores do volume sistólico pelo volume diastólico final, encontramos</p><p>um valor equivalente a 0,7 ou 70%, denominado como fração de ejeção.</p><p>Ao término da fase de contração ventricular, ocorre um aumento na onda de pressão atrial</p><p>(curva cinza), denominada v, que representa o acúmulo de sangue nos átrios quando as valvas</p><p>atrioventriculares estavam fechadas ao longo de todo o período de contração ventricular.</p><p>Fração de ejeção = volume sistólico ÷ volume diastólico final</p><p>Nota Clínica: A fração de ejeção é uma variável importante para o diagnóstico clínico da</p><p>insuficiência cardíaca, uma vez que pacientes com insuficiência cardíaca congestiva</p><p>apresenta valores inferiores a 40%.</p><p>DestinyQx / Wikimedia Commons / CC-BY-SA-2.5</p><p> Diagrama ilustrativo das fases do ciclo cardíaco.</p><p>RELAXAMENTO VENTRICULAR ISOVOLUMÉTRICO</p><p>De modo similar ao que ocorre na contração isovolumétrica, nesta fase as valvas</p><p>atrioventricular e semilunar encontram-se fechadas. Então, por mais que a pressão</p><p>intraventricular esteja sofrendo grande redução, não há variação de volume. A isso</p><p>denominamos relaxamento ventricular isovolumétrico, marcando o início da diástole.</p><p>O valor da pressão ventricular diminui rapidamente devido ao relaxamento e consequente</p><p>queda de tensão ativa na parede ventricular. A pressão aórtica varia pouco por causa da</p><p>elasticidade de suas paredes, mas depois decresce durante toda a diástole. A pressão atrial se</p><p>eleva, pelo retorno venoso e pelo fato de a valva mitral estar fechada, até o momento em que</p><p>esta supera a pressão intraventricular.</p><p>Quando a pressão ventricular (esquerda) fica mais elevada que a pressão intraventricular, a</p><p>válvula mitral se abre (a válvula aórtica continua fechada) e termina a fase de relaxamento</p><p>ventricular isovolumétrica.</p><p>Nesta fase, ocorre a segunda bulha cardíaca, cujo som é provocado, em grande parte, pelo</p><p>contato do sangue nas valvas semilunares (aórtica), já que o sangue tenta voltar para o</p><p>ventrículo esquerdo pela grande redução de pressão nesta câmara.</p><p>DestinyQx / Wikimedia Commons / CC-BY-SA-2.5</p><p> Diagrama ilustrativo das fases do ciclo cardíaco.</p><p>ENCHIMENTO VENTRICULAR (RÁPIDO E LENTO)</p><p>Com a abertura da valva atrioventricular esquerda (bicúspide), o sangue é transportado do átrio</p><p>esquerdo em direção ao ventrículo esquerdo e, à medida que a pressão atrial se estabiliza,</p><p>ocorre a contração atrial. Por este motivo os átrios contribuem com apenas cerca de 25% do</p><p>volume ventricular.</p><p>O enchimento ventricular ocorre de maneira bem rápida no início, porque o gradiente de</p><p>pressão é mais elevado nesta fase inicial, favorecendo a passagem do sangue da cavidade</p><p>atrial para a ventricular. O enchimento rápido recebe grande influência da perda de tensão na</p><p>parede ventricular no início da diástole, que depende tanto da eficiência do processo de</p><p>relaxamento muscular como da complacência da câmara.</p><p>Assim, esse componente passivo de enchimento ocorre em menor proporção nas câmaras</p><p>mais rígidas ou menos complacentes, caracterizando a disfunção diastólica.</p><p>À medida que o gradiente pressórico através da valva atrioventricular diminui, na fase média da</p><p>diástole, a velocidade de enchimento se reduz. Simultaneamente, a pressão aórtica continua</p><p>caindo lentamente até atingir um valor mínimo no final da diástole (pressão arterial diastólica).</p><p>DestinyQx / Wikimedia Commons / CC-BY-SA-2.5</p><p> Diagrama ilustrativo das fases do ciclo cardíaco.</p><p>O CICLO CARDÍACO</p><p>Assista ao vídeo que demonstra as fases do ciclo cardíaco desde a contração atrial até o</p><p>enchimento ventricular lento.</p><p>ATIVIDADE 3</p><p>O CICLO CARDÍACO É O PERÍODO QUE ABRANGE DESDE O INÍCIO DE</p><p>UM BATIMENTO CARDÍACO ATÉ O INÍCIO DO PRÓXIMO. ELE PODE SER</p><p>DIVIDIDO EM FASES DE SÍSTOLE (CONTRAÇÃO) E DIÁSTOLE</p><p>(RELAXAMENTO), E É FUNDAMENTAL PARA GARANTIR A PERFUSÃO</p><p>ADEQUADA DOS TECIDOS. A ANÁLISE DESSAS FASES FORNECE UMA</p><p>COMPREENSÃO DETALHADA DA DINÂMICA CARDÍACA E DO FLUXO</p><p>SANGUÍNEO. QUAL DAS SEGUINTES AFIRMAÇÕES SOBRE O CICLO</p><p>CARDÍACO É CORRETA?</p><p>A) A fase de contração ventricular isovolumétrica ocorre com as válvulas mitral e aórtica</p><p>abertas, permitindo a entrada de sangue no ventrículo.</p><p>B) Durante a ejeção ventricular rápida, a pressão ventricular</p><p>é menor do que a pressão aórtica,</p><p>resultando no fechamento da válvula aórtica.</p><p>C) A fração de ejeção é calculada dividindo-se o volume diastólico final pelo volume sistólico.</p><p>D) O relaxamento ventricular isovolumétrico ocorre após a ejeção ventricular, com todas as</p><p>válvulas cardíacas fechadas e sem variação de volume ventricular.</p><p>E) A contração atrial é responsável pela maior parte do enchimento ventricular durante a</p><p>diástole.</p><p>GABARITO</p><p>O ciclo cardíaco é o período que abrange desde o início de um batimento cardíaco até o</p><p>início do próximo. Ele pode ser dividido em fases de sístole (contração) e diástole</p><p>(relaxamento), e é fundamental para garantir a perfusão adequada dos tecidos. A análise</p><p>dessas fases fornece uma compreensão detalhada da dinâmica cardíaca e do fluxo</p><p>sanguíneo. Qual das seguintes afirmações sobre o ciclo cardíaco é correta?</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>A alternativa A está errada, pois durante a fase de contração ventricular isovolumétrica, tanto a</p><p>válvula mitral quanto a válvula aórtica estão fechadas, o que impede a entrada ou saída de</p><p>sangue do ventrículo. A letra B está errada, pois durante a ejeção ventricular rápida, a pressão</p><p>ventricular é maior do que a pressão aórtica, o que mantém a válvula aórtica aberta para</p><p>permitir a saída do sangue. A alternativa C está errada, pois a fração de ejeção é calculada</p><p>dividindo-se o volume sistólico pelo volume diastólico final, e não o contrário. A letra D está</p><p>correta, pois o relaxamento ventricular isovolumétrico ocorre após a ejeção ventricular, com</p><p>todas as válvulas cardíacas fechadas e sem variação de volume ventricular, enquanto a</p><p>pressão ventricular diminui rapidamente. E a letra E está errada, pois a maior parte do</p><p>enchimento ventricular ocorre de forma passiva devido ao gradiente de pressão, enquanto a</p><p>contração atrial contribui com aproximadamente 25% do volume ventricular durante a diástole.</p><p>GABARITO</p><p>O débito cardíaco é um parâmetro importante da função ventricular, uma vez que representa a</p><p>quantidade de sangue que é ofertado para os tecidos. Pode ser representado como a</p><p>quantidade de sangue lançada pelo ventrículo esquerdo durante o período de um minuto.</p><p>Pensando nisso, basta pegar os valores referentes ao volume sistólico (quantidade de sangue</p><p>ejetada pelo ventrículo em cada contração, que em uma pessoa em repouso é</p><p>aproximadamente de 70 a 80 ml de sangue) e multiplicar pela frequência cardíaca, que</p><p>representa o número de batimentos cardíacos durante um minuto. Desta forma, o débito</p><p>cardíaco pode ser calculado pela seguinte equação:</p><p>débito cardíaco = volume sistólico × frequência cardíaca.</p><p>Na prática, imagine que em repouso sua frequência cardíaca esteja com um ritmo de 70</p><p>batimentos por minuto e seu volume sistólico seja equivalente a 70 ml, assim, seu débito</p><p>cardíaco será de 4.900 ml/min ou, aproximadamente, 5 l/min. Por isso assume-se que o débito</p><p>cardíaco em repouso de uma pessoa saudável seja equivalente a 5 l/min.</p><p>Lembrando o que foi dito na Nota Clínica anterior sobre a fração de ejeção em pacientes</p><p>com insuficiência cardíaca congestiva, por que esse diagnóstico padronizado quando a</p><p>pessoa possui o valor inferior a 40%?</p><p>Diversos estudos demonstraram que abaixo de 40% de fração de ejeção o débito cardíaco em</p><p>repouso não consegue manter o valor mínimo de 5 l/min, levando a limitações orgânicas sérias.</p><p>Nestas condições, pode-se dizer que a pessoa possui insuficiência cardíaca descompensada.</p><p>DETERMINANTES DO DÉBITO CARDÍACO</p><p>Considerando que o débito cardíaco representa o produto da frequência cardíaca pelo volume</p><p>sistólico, qualquer fator que exerça influência nessas variáveis irá alterá-lo.</p><p>Mas não é tão simples assim, porque nem sempre aumentos da frequência cardíaca ou do</p><p>volume sistólico irão promover aumentos no débito cardíaco. Isto porque o volume sistólico não</p><p>consegue se manter estável quando ocorre um grande aumento da frequência cardíaca.</p><p> EXEMPLO</p><p>Durante uma taquicardia (batimentos acima de 100 bpm em repouso), o intervalo entre os dois</p><p>batimentos cardíacos diminui, provocando uma redução no tempo de diástole. Assim, você</p><p>pode chegar à conclusão de que o tempo de enchimento ventricular diminui e o volume</p><p>diastólico final também ser reduz. Por este motivo, a redução do volume diastólico final e do</p><p>volume sistólico promoverá redução ou estabilização do débito cardíaco.</p><p>Silvio Rodrigues Marques Neto</p><p> Influências da variação da frequência cardíaca (FC), volume sistólico (VS) no débito</p><p>cardíaco (DC) produzidas, por exemplo, pelo aumento gradual da intensidade do esforço físico</p><p>(% VO2).</p><p>REGULAÇÃO DO VOLUME SISTÓLICO</p><p>O volume sistólico possui um papel importante no controle do débito cardíaco e pode sofrer</p><p>influência de três fatores:</p><p>PRÉ-CARGA (RETORNO VENOSO)</p><p>A pré-carga está relacionada ao aumento do retorno venoso que, por sua vez, pode ocorrer em</p><p>função de três fatores: bomba muscular (a contração muscular comprime as veias facilitando o</p><p>retorno de sangue), bomba respiratória (os movimentos respiratórios aumentam a pressão</p><p>intra-abdominal, direcionando o sangue da região abdominal para região torácica) e</p><p>venoconstrição (representada pela constrição das veias que direcionam o sangue mais</p><p>rapidamente para o coração).</p><p>CONTRATILIDADE MIOCÁRDICA (FORÇA DE</p><p>CONTRAÇÃO)</p><p>O aumento da contratilidade (força de contração) promove um aumento da pressão</p><p>intraventricular, e esse mecanismo é responsável pela saída de maior quantidade de sangue do</p><p>ventrículo, aumentando o débito cardíaco. O aumento da contratilidade pode ocorrer em</p><p>decorrência das adaptações cardíacas promovidas pelos exercícios físicos ou quando o</p><p>coração é estimulado pelo sistema nervoso simpático.</p><p>PÓS-CARGA (RESISTÊNCIA À EJEÇÃO)</p><p>A pós-carga refere-se à força externa que promove resistência à saída de sangue pelo</p><p>ventrículo. Sendo assim, quando ocorre o aumento da pós-carga (por exemplo, aumento na</p><p>pressão arterial), por mais que a contratilidade aumente, como a força externa é muito elevada,</p><p>o débito cardíaco irá reduzir.</p><p>Nota Clínica: O aumento da pós-carga é um dos fenômenos provocados pela</p><p>hipertensão arterial sistêmica. Por este motivo, esta doença pode acarretar o aumento</p><p>do risco de infarto do miocárdio e do acidente vascular encefálico, já que o débito</p><p>cardíaco se torna reduzido.</p><p>Nesses três exemplos, ocorre o aumento do volume diastólico final, ou aumento da pré-carga.</p><p>Tal fenômeno aumenta a força elástica do coração, promovendo assim o aumento da força</p><p>contrátil e do débito cardíaco.</p><p>ATIVIDADE 4</p><p>SABEMOS QUE O DÉBITO CARDÍACO, RETORNO VENOSO E PRESSÃO</p><p>ARTERIAL SÃO PARÂMETROS IMPORTANTES REFERENTES À</p><p>HEMODINÂMICA DO SISTEMA CARDIOVASCULAR. SOBRE ESTAS</p><p>VARIÁVEIS PODEMOS AFIRMAR QUE:</p><p>A) A pré-carga representa a pressão arterial, pois quando a pressão arterial aumenta, ocorre o</p><p>aumento da pré-carga.</p><p>B) O aumento da resistência vascular periférica pode ocorrer pela venoconstrição que, por sua</p><p>vez, promove a redução do débito cardíaco.</p><p>C) A contração muscular é responsável pela compressão das veias, também denominado como</p><p>bomba muscular. Este fenômeno é responsável pelo aumento do retorno venoso (pré-carga) e</p><p>do débito cardíaco.</p><p>D) Quanto maior a pós-carga, maior o retorno venoso e o débito cardíaco.</p><p>E) A contratilidade miocárdica reduz a pós-carga, pois seu aumento reduzirá o enchimento dos</p><p>ventrículos e, por sua vez, o débito cardíaco.</p><p>GABARITO</p><p>Sabemos que o débito cardíaco, retorno venoso e pressão arterial são parâmetros</p><p>importantes referentes à hemodinâmica do sistema cardiovascular. Sobre estas variáveis</p><p>podemos afirmar que:</p><p>A alternativa "C " está correta.</p><p>A pré-carga, contratilidade e pós-carga são parâmetros importantes no controle do débito</p><p>cardíaco e do retorno venoso. Sendo assim, a pré-carga representa o aumento do retorno</p><p>venoso e pode ser influenciada pela contração do músculo esquelético, também chamado de</p><p>bomba muscular. Quando os músculos contraem, promovem a compressão das veias</p><p>favorecendo o retorno do sangue de</p>

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