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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA MESTRADO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE EFEITO DO LASER, λ904 nm, NA CICATRIZAÇÃO POR 1ª INTENÇÃO NO MODELO EXPERIMENTAL EM RATOS MESTRANDA: DENISE CRISTINA S. DOS ANJOS ORIENTADOR: PROF. DR. VALDINALDO ARAGÃO DE MELO São Cristóvão Agosto de 2010 1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA MESTRADO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE EFEITO DO LASER, λ904 nm, NA CICATRIZAÇÃO POR 1ª INTENÇÃO NO MODELO EXPERIMENTAL EM RATOS Dissertação apresentada ao Núcleo do Mestrado em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Sergipe – UFS como requisito para obtenção do grau de mestre. DENISE CRISTINA S. DOS ANJOS _____________________________________ Prof. Dr. VALDINALDO ARAGÃO DE MELO ORIENTADOR São Cristóvão Agosto de 2010 2 FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA DA SAÚDE UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE A599e Anjos, Denise Cristina Santos dos Efeito do laser, 904ּגnm, na cicatrização por 1ª intenção no modelo experimental em ratos / Denise Cristina Santos dos Anjos. – Aracaju, 2010. 73 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) – Universidade Federal de Sergipe, Pró-Reitoria de Pós- Graduação e Pesquisa, Núcleo de Pós-Graduação em Medicina. Orientador (a): Prof. Dr. Valdinaldo Aragão de Melo. 1. Cicatrização 2. Cirurgia 3. Laser 4. Ação terapêutica 5. Pesquisa experimental 6. Ratos 7. Medicina operatória I. Título CDU 617-089:615.849.19 3 EFEITO DO LASER, λ904 nm, NA CICATRIZAÇÃO POR 1ª INTENÇÃO NO MODELO EXPERIMENTAL EM RATOS DENISE CRISTINA S. DOS ANJOS DATA ____/____/_____ BANCA (1º examinador)________________________________________ nome do orientador (a) (2º examinador)________________________________________ nome do professor (a) (3º examinador)________________________________________ nome do professor (a) iii 4 “A diferença entre o vencedor e o perdedor não é a força nem o conhecimento, mas, sim, a vontade de vencer.” Vincent T. Lombard iv 5 Dedico aos meus pais e marido pelo incentivo e apoio incondicional durante todo o desenvolvimento desta pesquisa. v 6 AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, por sempre se fazer presente em minha vida, guiando-me, dando força e coragem para prosseguir frente as dificuldades, iluminando meus passos quando parecia ser difícil encontrar a saída. A meus pais, pelo incentivo, paciência e por sempre me apoiar em todos os momentos, tudo o que sou e que conquistei devo a vocês, amo-os muito. A meus irmãos, meus cunhados e minha linda sobrinha Giovanna pela compreensão em virtude dos momentos em que não pude estar presente. A meu marido, Cláudio, nem tenho palavras para dizer o quanto foi importante o apoio e carinho a mim dado durante todo esse período. A clínica INTERMED, Drº Anderson, funcionários e pacientes que souberam entender o quanto foi importante a realização deste sonho, principalmente pela utilização do aparelho LASER usado nesta pesquisa. A meu orientador, Profº Valdinaldo Aragão, pela colaboração e confiança em mim depositada para a realização deste experimento. Ao Profº Ricardo Albuquerque Júnior, pelo incentivo, sabedoria, paciência, o meu muito obrigado de coração. A todos os funcionários da UFS, principalmente Sr. Osvaldo, e do ITP da Universidade Tiradentes, em especial Rose Nely, pela colaboração e dedicação deste trabalho. À FAPITEC que viabilizou a dedicação deste mestrado. vi 7 SUMÁRIO LISTA DE ABREVIATURAS ............................................................................................ viii LISTA DE FIGURAS ............................................................................................................ ix LISTA DE TABELAS ............................................................................................................ x LISTA DE GRÁFICOS ......................................................................................................... xi RESUMO ............................................................................................................................... xii ABSTRACT .......................................................................................................................... xiii 1- INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 14 2- REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................................ 16 2.1- REPARAÇÃO TECIDUAL .......................................................................................... 16 2.2- LASER ............................................................................................................................ 18 3- OBJETIVOS ..................................................................................................................... 23 4- MÉTODOS ........................................................................................................................ 24 5- RESULTADOS ................................................................................................................. 29 6- DISCUSSÃO ..................................................................................................................... 39 7- CONCLUSÕES ................................................................................................................. 44 REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 45 ANEXOS ................................................................................................................................ 53 vii 8 LISTA DE ABREVIATURAS LASER – Light Amplification of Stimulated Emission of Radiation J/cm² – Joules por centímetro quadrado mW – Miliwatts HeNe – Hélio-Neônio AsGa – Arsenato de gálio Hz – Hertz nm - Nanômetros ATP – Adenosina Tri-Fosfato HE – Hematoxilina-eosina ADP – Adenosina Di-Fosfato viii 9 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Incisão crânio caudal seguindo a linha Alba (A) e suturas contínuas por fio de nylon (B) ........................................................................................................................................... 24 Figura 2: Aparelho de Laser KC-605 (A) e aplicação à distância de 0,5 cm da incisão cirúrgica (B) ............................................................................................................................ 25 Figura 3: Reação inflamatória aguda nos grupos controle e irradiado, sacrificados ao 8º e 15º dia (Hematoxilina-eosina, 400x) ............................................................................................. 30 Figura 4: Colagenização nos grupos controle e irradiado, sacrificados ao 8º e 15º dia. (Tricrômico Masson, 400 x) .................................................................................................... 33 Figura 5: Caracterização das fibras de colágeno nos grupos controle e irradiados, sacrificados ao 8° e 15º dia. (Picrosirius Red, 400 x) ................................................................................. 35 Figura 6: Vasos sanguíneos neoformados nos grupos controle e irradiado, sacrificados ao 8º e15º dia. (Anti-CD34, 400x) ..................................................................................................... 37 ix 10 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Análise morfológica do infiltrado inflamatório nos grupos controle e irradiado, sacrificados no 8º(G1 e G2) e 15º dia (G3 e G4)..................................................................... 29 Tabela 2: Análise descritiva das fibras de colágeno nos grupos controle e irradiado, sacrificados ao 8º e 15º dia....................................................................................................... 32 Tabela 3: Avaliação do colágeno nos grupos controle G1 e G3 e tratado G2 e G4 sacrificados ao 8º e 15º dia .......................................................................................................................... 54 x 11 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1. Representação gráfica do nº médio e desvios de vasos neoformados por campo histológico ............................................................................................................................... 36 xi 12 RESUMO Anjos, D. C. S. Efeito do laser, λ904 nm, na cicatrização por 1ª intenção no modelo experimental em ratos [Dissertação]. Sergipe: Universidade Federal de Sergipe; 2010. O laser de baixa potência constitui um recurso terapêutico que atua na biomodulação intracelular, ocasionando diminuição do processo inflamatório, redução do edema intersticial, aumento da fagocitose, proliferação da síntese de colágeno e da neovascularização. Objetivo: Avaliar o efeito da terapia laser de baixa potência (TLBP) λ904 nm na cicatrização por 1ª intenção no modelo experimental de ratos. Métodos: Foram utilizados 40 ratos Wistar, machos, divididos em quatro grupos, submetidos a incisão na linha Alba abrangendo pele, subcutâneo e musculatura abdominal, suturados continuamente por fios de nylon 5-0. Oito e quinze dias após o procedimento cirúrgico, a área de reparo foi removida e os cortes histológicos foram corados com hematoxilina-eosina para avaliar celularidade do infiltrado inflamatório, Tricrômico de Masson e Picrosirius para quantificar as fibras de colágeno e técnica imuno-histoquímica para a contagem de vasos neoformados. Os dados foram comparados estatisticamente pela análise de variância ANOVA, com "teste de Tukey post- hoc, p <0,05. Resultados: A TLBP reduziu a intensidade da reação inflamatória e influenciou a dinâmica da resposta imuno por induzir a mudança do padrão de infiltração de leucócitos (neutrófilos a infiltração mononuclear). Como também estimula a deposição e melhora padrão organizacional das fibras colágenas, apresentando um delicado colágeno tipo III. Além disso, verificou-se um aumento significativo no número médio de vasos neoformados (p = 0,001, em relação aos grupos G1 e G2; e p = 0,02, em G3 e G4). Conclusões: TLBP modula a resposta inflamatória, com melhor deposição de fibras colágenas e aumento do número médio de vasos neoformados. Descritores: Cicatrização, lasers, ratos. xii 13 ABSTRACT Anjos, D. C. S. Effect of laser, λ904 nm, on wound healing by 1st primary intention, on the experimental model in rats [Dissertation]. Sergipe: Federal University of Sergipe, 2010. The low level laser therapy is a therapeutic resource that acts on intracellular biomodulation, decreasing the inflammatory process, reduction of interstitial liquid, increased phagocytosis, proliferation, collagen synthesis and neovascularization. Purpose: To evaluate the effect of low-level laser therapy (LLLT), λ904 nm, on wound healing by first intention on the experimental model in rats. Methods: 40 male Wistar rats were used, divided into four groups, underwent incision along the lines Alba covering skin, subcutaneous and muscle abdominal, sutured continuously for nylon 5-0. Eight and fifteen days after the surgery process, the repairing area was removed and histological sections were stained with hematoxylin-eosin to assess cellularity inflammatory, Masson´s Trichrome and Picrossirus to quantify the collagen fibers and immunohistochemical technique for counting newly formed vessels. The data were compared statistically using analysis of variance ANOVA, with a "post-hoc Tukey test, p <0,05. Results: we found that LLLT reduced the intensity of the inflammatory reaction and influenced the dynamic of the immunoinflammatory response by inducing switching of the leukocyte infiltration pattern (neutrophilic to lymphoplasmacytic infiltration). Also stimulate the deposition and enhance the organization of collagen fibers, featuring a delicate collagen type III. Furthermore, it appeared to a significant increase in the average number of newly formed vessels (p = 0.001, in G1 and G2; and p = 0.02, in G3 e G4). Conclusions: LLLT resulted in modulate of the inflammatory response, enhanced deposition of collagen fibers and increase in the average number of newly formed vessels. Keywords: Wound healing, lasers, rats. xiii 14 1. INTRODUÇÃO A pele consiste em uma barreira mecânica de proteção presente em toda superfície externa do corpo, que exerce inúmeras funções contra danos aos tecidos. Estruturalmente é representada por duas camadas: a epiderme e a derme. A primeira situa-se em contato direto com o meio externo, sendo constituída histologicamente por tecido epitelial estratificado queratinizado. A camada posterior fica sob a epiderme, sendo composta principalmente por tecido conjuntivo, fibroblastos e fibrócitos formadores de fibras colágenas, elásticas e reticulares, substancia fundamental e matriz extracelular (GRAY, 1988; GUYTON, 2002). A descontinuidade da integridade tecidual pode ser induzida ora por traumatismo ora por procedimentos cirúrgicos. Neste aspecto, são liberadas inúmeras substâncias químicas que ocasionam alterações teciduais compatíveis com um processo inflamatório agudo, inicialmente com estimulação, migração e proliferação de células parenquimatosas e conjuntivas, síntese da matriz extracelular, e finalmente, culminando em remodelamento do tecido conjuntivo objetivando a substituição das células lesadas (GUYTON, 2002; NASCIMENTO, 2001). Em alguns casos, quando o mecanismo de cicatrização ocorre pela aproximação das bordas da lesão não infectadas por sutura, denomina-se de primeira intenção ou união primária, onde o sangue extravasado pelo corte forma um coágulo que preenche o espaço entre as margens da ferida, havendo perda mínima do tecido, ausência de infecção e discreto edema. Assim, a coagulação sanguínea acontece de imediato após o surgimento da lesão, dependendo da atividade plaquetária e da cascata de coagulação (ROBBINS, 1994; MAVIOSO, 2003). Atualmente, existem métodos que amenizam o processo inflamatório, agindo na melhoria da nutrição celular das áreas lesionadas favorecendo o reparo tecidual. Dentre estes, destaca-se o laser de baixa potência utilizado clinicamente no controle da dor e na cicatrização de feridas. A eficácia desta terapêutica deve-se às respostas induzidas a nível celular através da fotobiomodulação promovendo aceleração do metabolismo celular, redução 15 do processo inflamatório, aumento da microcirculação local e do sistema linfático, diminuição do edema intersticial e aumento da síntese de colágeno (HONMURA et al., 1993; BAXTER, 1994; THEODORO et al., 2002; KUMAR et al., 2005). Assim sendo, pesquisas têm sido realizadas para investigar os efeitos do laser no processo de reparação de vários tipos de tecidos. O mecanismo de cicatrização de feridas por 1ª intenção despertou o interesse e a necessidade de investigar o efeito desta terapêutica no pós-operatório, por ser um modelo mundialmente utilizado na maioria das intervenções cirúrgicas e pela escassezde referencial na literatura. O laser, λ904 nm, possui um poder de penetração em torno de 3 centimetros, produzindo efeitos positivos no controle da inflamação, isto porque a energia liberada altera o potencial da membrana, promovendo diferenciação celular e estimulando a síntese de proteínas como o colágeno importante na cicatrização. Para tal, é aconselhável a execução de estudos em modelos animais, a fim de estabelecer um protocolo, já que o laser é uma alternativa terapêutica compatível com a natureza de ação de muitos antiinflamatórios não hormonais, tendo, como benefício, a exclusão de alguns efeitos adversos, como o alto risco de lesões gastroduodenais e renais. 16 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1 REPARAÇÃO TECIDUAL O complexo processo de cicatrização tecidual envolve atividades locais e sistêmicas, sendo deflagrado por uma cascata de eventos quimiotáticos e pela liberação de mediadores químicos, juntamente com respostas vasculares, passando desde a inflamação, proliferação celular até a maturação com reconstituição da matriz extracelular com colágeno, elastina e fibras reticulares. Falhas desses eventos acarretam na acentuação do edema, redução da proliferação vascular e diminuição dos elementos celulares tais como leucócitos, macrófagos e fibroblastos (CARVALHO et al., 2003; KITCHEN, 2003). Após a lesão, a fase inflamatória inicia-se com vasoconstricção reflexa caracterizada por vasodilatação arteriolar e venular com aumento da pressão hidrostática e da permeabilidade na microcirculação, com consequente migração de líquido e de polimorfonucleares para o interstício, acúmulo de macrófagos e reação leucocitária no sítio da lesão. A agregação plaquetária e a deposição de fibrina ocorre durante 5 a 10 minutos, o que propicia o fechamento dos vasos lesados, favorecendo a hemostasia (GUYTON, 2002; VILELA, 2006). Posteriormente, aumenta-se a permeabilidade vascular das células endoteliais, facilitando a passagem de elementos sanguíneos para a ferida como eritrócitos e leucócitos. Tal processo previne a perda disseminada de fluido e eletrólitos do local da ferida, reduzindo a contaminação. Os neutrófilos são as primeiras células de defesa a chegarem ao local da lesão. Eles contêm uma grande quantidade de grânulos citoplasmáticos lisossomais ricos em enzima proteolítica, capazes de degradar restos celulares e bactérias (ABBAS et al., 1997; MONACO; LAWRENCE, 2003; VILELA, 2006). Os monócitos circulantes no sangue migram para o local da lesão e se diferenciam em macrófagos, componente importante da inflamação crônica, desempenhando papel ativo no processo de reparo. Os macrófagos são células de grandes dimensões do tecido conjuntivo, fagocitam elementos estranhos ao corpo e se diferenciam quanto à sua morfologia, que é variável conforme o estado funcional e a localização. A ativação destas células, normalmente 17 em latência, favorece suas funções de fagocitose, destruição de bactérias, lise de tecido desvitalizado e geração de mediadores químicos (ABBAS et al., 1997). Na fase proliferativa ocorre o brotamento vascular a partir dos capilares preexistentes no local próximo da lesão, o tecido danificado é substituído por tecido de granulação rico em capilares interconectantes, células inflamatórias e fibroblastos. O miofibroblasto é outro tipo celular presente no tecido de granulação que facilita a epitelização por ter uma grande capacidade contrátil. Em suma, a fase de reepitelização é decorrente do aumento de tamanho, da divisão e migração das células da camada basal da epiderme por sobre a área de reparação do tecido conjuntivo subjacente (RESENDE; PEREIRA; CASTRO, 2005; CARVALHO et al., 2003). Por conseguinte, na fase de maturação tem-se a caracterização de dois eventos: deposição e remodelação do colágeno com regressão endotelial que decorre da redução de todos os elementos celulares e da diminuição progressiva de vasos neoformados. O tamanho da ferida é diminuído, ocorre reorganização do colágeno e a cicatriz torna-se menos espessa passando de uma cor rosada para a coloração semelhante à pele adjacente (CARVALHO et al., 2003; GUYTON, 1998). O colágeno é uma proteína fibrilar da matriz extracelular que possui papel fundamental na arquitetura tecidual, sua finalidade é proporcionar força tensiva aos tecidos pela formação das fibras colágenas. Sua classificação se dá pela organização molecular: o tipo I é o mais comum na matriz extracelular de tendões, sendo encontrados na pele, ossos e ligamentos. O tipo II é encontrado em cartilagens e humor vítreo, e o tipo III é mais abundante no tecido conjuntivo frouxo, na derme, nas paredes dos vasos sanguíneos e trato gastrintestinal (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2004). Os subtipos de colágenos mais envolvidos na cicatrização são os do tipo I e III. O tipo III é depositado na área da ferida após dois dias da lesão sendo posteriormente substituído por colágeno tipo I (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2004; KUMAR et al., 2005). Em alguns casos quando o mecanismo de cicatrização ocorre pela aproximação das bordas da lesão, denomina-se de primeira intenção ou união primária na qual o sangue 18 extravasado pelo corte forma um coágulo que preenche o espaço entre as margens da ferida, com perda mínima do tecido, ausência de infecção e discreto edema (ROBBINS et al., 1994; TATARUNAS et al, 1998). Proporcionalmente, as células fagocitárias vão desaparecendo e o tecido de granulação passa a ser constituído por um tecido conjuntivo progressivamente mais denso (BAYNES, 2000). Fatores locais e sistêmicos como a presença de infecção, necrose, diabetes, idade avançada e alterações cardiocirculatórias podem interferir na cicatrização tecidual e ocasionar falhas nos estágios iniciais, desencadeando acentuação do edema, redução da proliferação de vasos sanguíneos, leucócitos, macrófagos e fibroblastos, com consequente diminuição na síntese de colágeno e maior risco de infecções (DÂNGELO, FATTINI, 1998; CARVALHO et al., 2003). 2.2 LASER Analisando o significado da palavra LASER – Light Amplification of Stimulated Emission of Radiation – que se traduz por Amplificação luminosa da Luz por Emissão Estimulada da Radiação, cuja teoria é creditada ao físico Albert Einstein que, em 1917, expôs o “Principio Físico da Emissão Estimulada” sobre o qual o fenômeno laser está configurado. Assim sendo, quando a energia é absorvida por um átomo, um elétron orbital pode se tornar excitado e mover-se para uma órbita mais alta. Quando o elétron retorna para seu nível original, a energia (fóton) é liberada e estimularia outro átomo igualmente excitado para liberar um fóton idêntico (VEÇOSO, 1993; PRENTICE, 2002). A luz ampliada por emissões estimuladas é produzida, manifestando-se em forma de luz monocromática (fótons da mesma cor e mesmo comprimento de onda), sendo o feixe de luz estreito, paralelo e uniforme, com ondas idênticas superpondo-se umas às outras, conferindo-lhe um efeito de amplificação e mínima divergência. Estas características diferenciam a luz laser de outras fontes de luz (HACZEKI,1989 apud ALBERTINI et al., 2000). 19 Os inúmeros tipos de Lasers diferem seus efeitos de acordo com o comprimento de onda (expresso em nanômetro – nm), dose (Joules por centímetro quadrado – J/cm²), intensidade de luz (Hertz – Hz) e natureza do material colocado entre duas superfícies de reflexão que pode ser constituído por cristal, vidro, gás, semicondutor, tintura líquida e química (PRENTICE, 2002). O aparelho é composto basicamente por três partes: meio ativo, cavidade óptica e fonte de ativação. O meio ativo é caracterizado pela natureza do material onde ocorre a ação laser. A segunda parte é a cavidade óptica, espaço que apresenta dois espelhos onde o meio ativo fica alojado e a amplificação da luz ocorre. A última parte é a fonte de excitaçãoque consiste no sistema de “bombeamento” ou fonte de ativação, utilizado para cada tipo de Laser que pode ser elétrica ou óptica (PINHEIRO, 1998; LIZARELLI, 2005). Além disso, são categorizados em laser cirúrgico ou de alta potência (>1W), com efeito destrutivo e resposta térmica, e não cirúrgico ou de baixa potência (<1W), com efeito fotoquímico, usado no tratamento clínico da dor e cicatrização de feridas (ORTIZ et al, 2001; PRENTICE, 2002). Os Lasers comumente usados são o Hélio-Neônio (HeNe) e o Arsenieto de gálio (AsGa). O primeiro utiliza uma combinação gasosa em um tubo pressurizado o que forma um feixe na porção vermelha do espectro eletromagnético, com um comprimento de onda entre (λ630 a λ700 nm), e poder de penetração menor em torno de até dezenove milímetros de profundidade da derme. Já os aparelhos de Arsenieto de gálio utilizam um diodo semicondutor, com comprimento de onda entre λ770 nm até λ904 nm, garantindo maior poder de penetração em torno de três centímetros (ORTIZ et al, 2001; PRENTICE, 2002). Ao aplicar-se o Laser sobre uma área do corpo, a energia depositada nos tecidos transformar-se-á em outro tipo de energia. Tal emissão de fótons pode produzir reações fotoquímicas que conforme Kottke & Lehmann (1994) produzem intensidade da reação biológica dependente da absorção, reflexão e transmissão do comprimento de onda, da densidade de energia, do tempo de exposição e do fluxo sanguíneo. 20 A interação fotoquímica se dá com o fornecimento de energia para as mitocôndrias da célula que possui estruturas fotossensíveis e convertem ADP em ATP regulando seu metabolismo (síntese de proteínas, replicação, motilidade celular e manutenção do potencial da membrana), induzindo diferentes efeitos terapêuticos como antiinflamatório, antiedematoso, analgésico e cicatrizante (LABBE et al., 1990; THEODORO et al., 2002). A energia absorvida exerce um estímulo na produção de ATP no interior das células provocando a aceleração das mitoses, aumento da lise de fibrina e liberação de substâncias pré-formadas como a histamina, serotonina e bradicinina, com inibição da produção de prostaglandinas, mecanismo similar produzido por outros antiinflamatórios não hormonais (RODRIGUES; GUIMARÃES, 1998). A ação primária para o controle da inflamação e do edema dar-se-á, segundo Prentice (2002), pela interrupção da formação dos substratos intermediários essenciais para a produção dos mediadores químicos inflamatórios como quininas, histaminas e prostaglandinas. Acredita-se também que possa aprimorar a permeabilidade da membrana celular que regula a pressão osmótica-hidrostática intersticial. Desta maneira, durante o trauma tecidual o fluxo do liquido nos espaços intracelulares seria reduzido. No que se refere à ação cicatrizante, o aumento da produção de ATP acelera a velocidade mitótica e de cicatrização, proporcionando melhor trofismo dos tecidos. Kitchen (2003) relata os efeitos positivos da radiação em diversas feridas experimentais incluindo lesões musculares, tendíneas, queimaduras e feridas abertas de pele de vários tipos. Em pesquisas experimentais, a revascularização de feridas cirúrgicas foi constatada após o décimo quinto dia de irradiação o que influencia positivamente em tecidos com déficit vascular (TATARUNAS et al, 1998). O procedimento desta terapêutica é relativamente simples, somente o tempo de aplicação e o pulso variam. O aplicador é dirigido perpendicularmente para o tecido em tratamento. Uma alternativa é a técnica da varredura, em que a ponta do laser deve ser mantida de 5 a 10 milímetros de distância da ferida (PRENDICE, 2002). 21 Sobre o processo de reparo tecidual, Amaral (1998) investigou as aplicações de diferentes dosagens realizadas pontualmente sobre a pele na região correspondente ao ventre do músculo tibial anterior direito de camundongos, à dose 2.6, 8.4 e 25J/cm2. O músculo contralateral foi submetido a placebo. Os resultados através da análise morfométrica mostraram o aumento da densidade mitocondrial dessas fibras, além de promover uma melhora qualitativa no processo de cicatrização à dosagem de 2.6J/cm2. Num estudo triplo- cego em humanos, Hopkins e colaboradores (2004) concluíram que esta modalidade terapêutica foi efetiva para potencializar a cicatrização da ferida e a redução da dor em desordens músculo esqueléticas. Nos processos inflamatórios, o limiar de excitabilidade dos receptores dolorosos encontra-se reduzido, proporcionando o chamado quadro de “hiperalgia”. Esse fato se deve à ação da bradicinina que é potencializada na presença das prostaglandinas. Segundo Veçoso (1993) um dos efeitos bioquímicos do laser diz respeito à interferência na síntese de prostaglandinas, inibindo-a, confirmando a ação de muitos antiinflamatórios não-hormonais. Uma das ações da laserterapia é na reorganização celular e nos vasos sanguíneos, modulando a neovascularização, tendo como conseqüência diminuição da perda funcional, incremento da oxigenação tecidual e aumento da microcirculação regional. A neoformação vascular ou angiogênese serviria como fonte de nutrientes e oxigênio, além de meio de condução de células fibroblásticas, o que contribui para o processo de cicatrização tecidual (VICENSI; CARVALHO, 2002). A revascularização de feridas cirúrgicas foi constatada por Tatarunas e colaboradores (1998) após o décimo quinto dia de irradiação do laser o que influenciou positivamente na cicatrização de tecidos com déficit vascular. Schindl (1998) observou em pacientes portadores de diabetes submetidos ao laser do tipo HeNe durante nove dias consecutivos, que a densidade volumétrica dos capilares foi duas vezes maior que o grupo controle, porém não verificou diferenças significativas após o décimo quinto dia de irradiação. 22 Em células eucarióticas o laser promove a proliferação celular sendo que nos neurônios ocorre o mesmo efeito, potencializando o crescimento do nervo. Anders et al. (2005) comprovaram que esta irradiação alterou a taxa de regeneração do nervo facial em ratos. Em nível de condução elétrica nervosa, Belkin & Schwartz (1994) evidenciaram a estimulação do limiar de excitabilidade, alívio da dor e retardamento da degeneração nervosa pós-traumática. A hipótese de que a radiação a laser era absorvida por sensibilizadores endógenos como: porfirinas ou fotorreceptores, que são componentes da cadeia respiratória, foi proposta por Rochkind & Ouaknine (1992). Tal radiação aumenta a liberação de Ca2+ pela mitocôndria para o citoplasma juntamente ao aumento da produção de ATP. Karu e colaboradores (1995) comprovaram que o laser HeNe ampliou o nível de ATP em células cultivadas in vitro. Costardi e colaboradores (2008) demonstraram o efeito do laser λ 670 nm, na lesão do músculo gastrocnêmio de ratos, tais como menor edema, melhor organização do tecido muscular e conjuntivo em relação ao grupo controle. 23 3. OBJETIVOS Geral Avaliar o efeito do laser, λ904 nm, na cicatrização por 1ª intenção no modelo experimental em ratos. Específicos Avaliar, semi-quantitativamente, o infiltrado inflamatório na ferida cirúrgica após aplicação do laser por 7 e 14 dias. Analisar, descritivamente, a formação do colágeno após administração do laser por 7 e 14 dias. Identificar o número de vasos neoformados nos grupos irradiados por laser ao 7º e 14º dias. 24 4. MÉTODOS 4.1 ANIMAIS E ASPECTOS ÉTICOS Trata-se de uma pesquisa experimental de caráter quantitativa que foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa Animal (CEPA) da Universidade Federal de Sergipe, sob o protocolo 05/08 (anexo A). Foram utilizados quarenta ratos adultos, machos, da linhagem Wistar, pesando entre 150 e 250 gramas, idade aproximada de dois meses e procedentes do biotério. Estes permaneceram acondicionados em gaiolasde polipropileno contendo três roedores por caixa, mantidos à temperatura ambiente, recebendo água e ração ad libitum. Os animais foram divididos em 4 grupos contendo 10 ratos, posteriormente foram submetidos ao corte cirúrgico e suturados: - Grupo 1 (G1) – Controle. Os animais foram submetidos ao estresse da aplicação do laser, porém com o aparelho desligado e sacrificados ao 8º dia. - Grupo 2 (G2) – Irradiado. Os animais foram submetidos a aplicação do Laser e sacrificados ao 8º dia. - Grupo 3 (G3) – Controle. Os ratos foram submetidos à aplicação do laser, porém com o aparelho desligado e sacrificados ao 15° dia. - Grupo 4 (G4) – Irradiado. Os ratos foram submetidos a aplicação do Laser e sacrificados ao 15° dia. 4.2 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Os procedimentos anestésicos e de técnica operatória foram baseados em metodização já descrita (POOLE Jr et al., 1984). Os animais foram posicionados em decúbito dorsal, tricotomizados e submetidos à incisão por abertura crânio-caudal, seguindo a linha Alba da parede abdominal, por bisturi lâmina nº 15 (Solidor). A incisão teve o comprimento de um centímetro, demarcado por régua, abrangendo pele, tecido subcutâneo e musculatura abdominal sendo posteriormente suturados de maneira contínua por fios de nylon 5-0 (Med Goldman) (figura 1). 25 A seleção do tipo de corte e da sutura baseou-se na similaridade do procedimento cirúrgico desses animais a dos seres humanos, sendo os mesmos adequados para estudos que caracterizam a cicatrização por união primária das bordas da lesão. Houve uma preocupação em manter eqüidistância entre os pontos das suturas de maneira padronizada, para não considerar este fator como variável. Fig. 1 – Incisão por abertura crânio-caudal seguindo a linha Alba (A) e suturas contínuas por fio de nylon 5-0 (B). Fonte: Dados da Pesquisa (UFS, 2010). 4.3 PROTOCOLO DE IRRADIAÇÃO A LASER λ904 nm Foi utilizado um aparelho de laser Diodo de GaAlAs (KROMAN – Registro no Ministério da saúde: 800996-8/ CREA: 0600538296/ São Paulo/Brasil), densidade de potência = 45 W, densidade de energia = 3J/cm2, área de sport do feixe = 0,02 cm², comprimento de onda infravermelho λ904 nm, emissão da luz contínua, com técnica de aplicação por varredura, perpendicular a lesão, à distância de 0,5 cm da incisão (figura 2), perfazendo um tempo de dois minutos com a utilização de um cronômetro digital. B 26 O aparelho foi calibrado antes e após o experimento. As sessões foram iniciadas logo após o procedimento cirúrgico e mantidas aplicações diárias, perfazendo um número total de sessões de 7 e 14 dias. Fig. 2 – Aparelho de Laser KC-605 (A) e aplicação do mesmo à distância de 0,5 cm da incisão cirúrgica (B). Fonte: Dados da Pesquisa (UFS, 2010). 4.4 AVALIAÇÃO MICROSCÓPICA Oito dias após os experimentos, os animais dos grupos 1 e 2 foram sacrificados por inalação excessiva de éter para retirada do segmento de tecido da cicatriz cirúrgica. Em seguida, os espécimes foram fixados em solução de formol a 10% tamponado, durante 24 horas, a temperatura ambiente. Posteriormente, estes foram processados histologicamente, emblocados em parafina e mantidos a cortes seriados com 4 µm de espessura, escolhendo-se, aleatoriamente, dois cortes a serem fixados nas lâminas. Ao término de 15 dias, os grupos 3 e 4 passaram pelo mesmo procedimento. Os cortes foram submetidos à coloração por Hematoxilina-Eosina (HE) para avaliação histológica (1) do edema intersticial, (2) da celularidade do infiltrado inflamatório (qualitativa e quantitativa), (3) da fibrose, (4) da angiogênese e (5) de outras alterações B A 27 celulares. A intensidade do processo inflamatório foi analisada de acordo com os seguintes critérios: +1 (Escasso) – quando as células inflamatórias, independentemente de seu fenótipo, constituírem menos de 10% da população celular na área da lesão. +2 (Moderado) – quando as células inflamatórias, independentemente de seu fenótipo, constituírem entre 10% e 50% da população celular observada na área da lesão. +3 (Intenso) – quando as células inflamatórias, independentemente de seu fenótipo, constituírem mais de 50% da população celular na área da lesão. Além disso, os cortes foram submetidos ao método histoquímico Tricrômico Masson para análise descritiva da deposição de colágeno. Para tanto, as fibras colágenas destacadas em azul foram semi-quantificadas e categorizadas de acordo com sua disposição e aparência em: +1 (Escasso) – fibras colágenas exibindo disposição entrelaçada, de aparência delgada e delicada dispostas em toda a extensão da ferida. +2 (Moderado) – fibras colágenas exibindo disposição entrelaçada, de aparência delgada e delicada na superfície da lesão, mas espessa e grosseira na região central. +3 (Intenso) – quando predominaram fibras colágenas, exibindo disposição entrelaçada e/ou paralela, de aparência espessa e grosseira. A técnica de Picrosirius Red foi eleita para examinar e classificar as fibras colágenas qualitativamente, o que de acordo com a sua tipagem, a orientação espacial, a espessura e a dimensão das fibras. Quando observadas ao microscópio de luz polarizada, as fibras revelavam-se birrefringentes, aparecendo brilhantes contra o fundo escuro, evidenciando-se a ocorrência do colágeno do tipo I nas regiões de coloração que variava do amarelo, laranja escuro, chegando ao vermelho brilhante; o colágeno do tipo III foi visualizado na cor verde brilhante. A contagem dos vasos sanguíneos neoformados foi reforçada pelo emprego da técnica de imuno-histoquímica, utilizando anticorpos primários anti-CD34 e pela análise por técnicas de morfometria do número de vasos neoformados e células endoteliais. O número médio de vasos sanguíneos foi determinado pela contagem de capilares selecionados transversalmente em cada campo histológico e a média foi obtida por meio da razão entre o somatório de vasos contados e o quantitativo de campos analisados. 28 Para a avaliação das variáveis, utilizou-se, a contagem diferencial de células inflamatórias e de células endoteliais, pelas respectivas técnicas supracitadas, em dez campos histológicos alternados e selecionados da esquerda para a direita e de cima pra baixo, por meio de um microscópio óptico acoplado a uma câmara de vídeo e a um computador com a objetiva de 40X, realizadas por fração de área através de técnicas de processamento de imagens fotomicrografadas por meio de software de captura de imagens Olympus 2000®. 4.5 ANÁLISE ESTÁTISTICA Para verificação de existência ou não de diferença estatisticamente significativa entre os grupos na avaliação do infiltrado inflamatório, quantificação das fibras colágenas e número médio de vasos neoformados, as médias de cada grupo foram comparadas através do teste de Shapiro wilk para examinar estimativa paramétrica das amostras. Posteriormente, utilizou-se a análise de variância ANOVA com extensão “post-hoc” teste de Tukey, o qual é indicado para comparações múltiplas de grupos independentes, observando a diferença entre as duas médias, o desvio-padrão dos grupos e o tamanho de cada amostra. Os campos histológicos oriundos da distribuição das fibras de colágeno, pela técnica de Picrosirius, foram comparados de maneira descritiva. Foi considerado um intervalo de confiança de 95%. Todas as análises dos dados foram realizadas através do Microsoft Office Excel 2003. 29 5. RESULTADOS 5.1 AVALIAÇÃO DO INFILTRADO INFLAMATÓRIO Conforme apresentado na tabela 1, amostras que compunham o grupo controle (G1) demonstraram uma reação de infiltração inflamatória intensa. Em alguns espécimes, observou-se maior predomínio de células leucocitárias do tipo polimorfonucleares, como neutrófilos (04 casos) e eosinófilos(02 casos), no sítio da lesão, caracterizando um intenso infiltrado inflamatório com acúmulo de macrófagos em nove dos cortes histológicos (figura 3). Com relação ao grupo G2, verificou-se a redução do número de células leucocitárias do tipo polimorfonucleares em todas as amostras. Além disso, evidenciou-se a diminuição de células fagocitárias, como macrófagos, no local da lesão em 80% dos casos. Desta forma, o infiltrado inflamatório foi categorizado como subagudo em razão da observância de uma quantidade mais expressiva de leucócitos mononucleares classificados como linfócitos. Os cortes histológicos dos grupos G3 e G4 mostraram um tecido conjuntivo dotado de infiltrado inflamatório de moderada intensidade exibindo mesma proporção de células leucocitárias (mononucleadas e polimorfonucleadas). Os dados foram analisados estatisticamente e não evidenciaram diferenças significativas entre os grupos sacrificados ao 8º dia (p= 0,08), bem como entre os grupos sacrificados ao 15º dia (p = 0,3). 30 Tabela 1: Análise morfológica da reação do infiltrado inflamatório nos grupos controle e irradiado, sacrificados ao 8º (G1 e G2) e 15º dia (G3 e G4). ANIMAIS GRUPOS Ratos G1-Controle G2-Irradiado G3-Controle G4-Irradiado CI E N M L CI E N M L CI E N M L CI E N M L R1 +3 +1 +1 +3 +1 +2 +1 +1 +2 +2 +2 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 R2 +3 +1 +1 +3 +1 +3 +1 +1 +2 +2 +2 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 R3 +3 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 R4 +3 +1 +2 +3 +1 +2 +1 +1 +2 +2 +2 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 R5 +3 +1 +1 +3 +1 +3 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 R6 +3 +1 +1 +3 +1 +2 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 R7 +3 +2 +2 +3 +1 +3 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 R8 +3 +1 +2 +3 +1 +2 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 R9 +3 +2 +1 +3 +1 +3 +1 +1 +3 +2 +2 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 R10 +3 +1 +2 +3 +1 +3 +1 +1 +3 +2 +2 +1 +1 +2 +1 +2 +1 +1 +2 +1 R = Rato; E = Eosinófilos; N = Neutrófilos; M = Macrófagos; L = Linfócitos; CI = Celularidade do Infiltrado + 1 (Leve) = quando as células inflamatórias representam menos que 10% da população celular; + 2 (Moderada) = quando as células inflamatórias constituíram entre 10 e 50% da população celular; + 3 (Intensa) = quando as células inflamatórias representam mais que 50%, da população celular observada no foco da lesão. Fonte: Dados da Pesquisa (UFS, 2010). 31 Fig. 3 – Reação inflamatória aguda no grupo controle G1 (A) e subaguda no grupo irradiado G2 (B) sacrificados ao 8º dia. Redução da inflamação em ambos os grupos sacrificados ao 15º dia, controle G3(C) e irradiado G4 (D). (Hematoxilina-eosina, 400x). Fonte: Dados da Pesquisa (UFS, 2010). 32 5.2 ANÁLISE DESCRITIVA DAS FIBRAS DE COLÁGENO De acordo com a tabela 2, nas amostras que compunham o grupo controle (G1) sacrificados ao 8º dia, demonstrou-se fibras colágenas de aparência delgada, aspecto delicado e disposição entrelaçada na maioria dos animais (06 casos), sendo classificadas como padrão +1 (Escasso). Quando comparadas com o grupo irradiado (G2), as fibras colágenas exibiram um padrão misto, ora com uma aparência mais espessa, de aspecto denso em toda a extensão da área da ferida padrão +3 (Intenso), ora mais delgado, particularmente nas margens da ferida, apesar de, na região central, ter havido persistência do arranjo denso compactado, caracterizando o padrão +2 (Moderado). Nos grupos sacrificados ao 15º dia, observou-se no grupo controle (G3) um colágeno mais espesso com fibras densamente arranjadas em toda a área da ferida, mostrando um padrão +3 em todos os cortes. Já no grupo irradiado (G4), verificou-se um misto de fibras colágenas, ora mais espessas, com fibras densamente arranjadas em toda a extensão da lesão, caracterizadas como um padrão de colagenização +3 em sete cortes, ora apresentando-se mais delgadas nas margens da lesão, porém com fibras densas na região central em três das amostras, classificada como padrão +2 (figura 4). Identificou-se, através da análise descritiva das fibras de colágeno que os grupos irradiados tiveram tendência a padrões similares de colagenização, variando, ora padrão +2, ora +3 em sua maioria, quando comparados aos grupos controles. Não houve diferenças estatísticas entre os grupos sacrificados ao 8º dia (p= 0,06), bem como entre os grupos sacrificados ao 15º dia (p = 0,15). 33 Tabela 2: Análise descritiva das fibras de colágeno nos grupos controle e irradiado, sacrificados ao 8º e 15º dia. ANIMAIS GRUPOS G1-Controle G2-Irradiado G3-Controle G4-Irradiado R1 +1 +3 +3 +2 R2 +1 +1 +3 +2 R3 +1 +2 +3 +3 R4 +2 +3 +3 +3 R5 +3 +3 +3 +3 R6 +1 +2 +3 +3 R7 +3 +3 +3 +3 R8 +1 +3 +3 +3 R9 +1 +2 +3 +3 R10 +2 +2 +3 +2 Escore de Colagenização: +1 (Escasso) = colágeno delgado, com fibras frouxamente dispostas em toda a extensão da ferida; +2 (Moderado) = colágeno fino nas margens da ferida, porém com fibras densas na região central; +3 (Intenso) = colágeno espesso, com fibras densamente arranjadas em toda a área da ferida. Fonte: Dados da Pesquisa (UFS, 2010). 34 Fig.4 – Colagenização dos animais sacrificados ao 8° dia; colágeno delgado, com fibras frouxamente dispostas, escore +1 no grupo controle G1 (A); colágeno espesso, com fibras densamente arranjadas, escore +3 no grupo irradiado G2 (B). Escore de Colagenização similares nos ratos sacrificados ao 15° dia; colágeno espesso, com fibras densamente arranjadas em toda área da ferida, nos grupos controle G3(C) e irradiado G4 (D). (Tricrômico Masson, 400 x). Fonte: Dados da Pesquisa (UFS, 2010). 35 5.3 CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA DAS FIBRAS DE COLÁGENO No sétimo dia, observou-se, no grupo controle (G1), a predominância de deposição de colágeno do tipo I (08 casos), com fibras orientadas paralelamente em 06 amostras, de aparência espessa em sua maioria (07 casos), e alongada em 08 lâminas. Já no grupo G2 (irradiado, uma combinação de colágeno tipo III e I em proporções similares foi evidenciada em 02 casos predomínio de colágeno tipo III em 05 casos e tipo I em 03 amostras; em 06 casos, destacou-se uma orientação paralela, de aparência espessa ou delgada (08 casos), e entrelaçada nos demais. Além disso, os feixes se mostraram ora mais curtos, ora mais alongados, sem, contudo, demonstrar um padrão específico de comprimento (figura 5). No décimo quarto dia, verificou-se, no grupo controle (G3), uma caracterização de colágeno do tipo I em todos os espécimes, com orientação reticulada das fibras, em sua maioria (07 cortes), de aparência espessa em sua totalidade, e com feixes mais alongados em 90% dos casos. Em comparação com o grupo irradiado (G4), as fibras de colágeno apresentaram uma mescla do tipo III e I em quantidades parecidas em quatro dos casos, predomínio do tipo III em três amostras, e elevado agrupamento de colágeno tipo I em três espécimes. De acordo com a orientação, comportavam-se ora paralelamente ora entrelaçadamente em proporções idênticas, de aparência delgada (04 espécimes) e feixes curtos em quatro dos casos. Notou-se que a caracterização morfológica das fibras de colágenos (anexo B) nos grupos irradiados teve tendência a um rearranjo de colágeno incipiente de predomínio ora tipo III, ora tipo III e I, quando confrontados com os grupos controles. 36 Fig. 5 – Nos animais sacrificados ao 8° dia; observou-se no grupo controle (A) a predominância de deposição de colágeno do tipo I nas regiões de coloração que variava do amarelo a laranja escuro, chegando ao vermelho brilhante. Já no grupo irradiado (B) predomínio de colágeno tipo III visualizado nas áreas de cor verde brilhante. No 15º dia, verificou-se no grupo controle (C), uma caracterização decolágeno do tipo I em todos os espécimes, contrastando com o grupo irradiado (D) em que as fibras de colágeno apresentaram uma mescla do tipo III e I (Picrosirius Red, 400 x). Fonte: Dados da Pesquisa (UFS, 2010). 37 5.4 QUANTIFICAÇÃO DE VASOS SANGUÍNEOS NEOFORMADOS Com relação à análise morfométrica (figura 6), verificaram-se diferenças significativas no quantitativo de vasos sanguíneos neoformados entre as amostras dos animais irradiados, sacrificados ao 8º dia, G1 e G2 (p=0,001), e nos sacrificados ao 15º dia G3 e G4 (p=0,02). Assim, observou-se que o número médio de vasos nos grupos irradiados por laser (G2) foi 0,66±0,36, expressivamente superior a média de 0,168±0,009, obtida no grupo controle (G1). Notou-se, também, nos grupos sacrificados ao 15º dia, que a quantidade de vasos novos de 0,532±0,16 observada no grupo irradiado (G4) significativamente maior que a média de 0,374±0,10, obtida no controle (G3). Não houve diferenças entre os grupos irradiados G2 x G4 (p=0,30), bem como entre os grupos controles G1 x G3 (p=0,001). Verificou-se que a quantidade do número médio de vasos sanguíneos neoformados nos grupos irradiados teve expressivo aumento em relação aos grupos controles. Gráfico 1: Análise do número médio de vasos neoformados por campo histológico. Fonte: Dados da Pesquisa (UFS, 2010). 38 Fig. 6 – Vasos sanguíneos neoformados (setas pretas) nos grupos sacrificados ao oitavo dia nos grupos controle G1 (A) e irradiado G2 (B); Redução do número de vasos neoformados nos ratos sacrificados ao 15° dia nos grupos controle G3(C) e irradiado G4 (D) (Anti-CD34, 400 x). Fonte: Dados da Pesquisa (UFS, 2010). 39 6. DISCUSSÃO O modelo utilizado neste estudo foi devido a sua fácil obtenção e manuseio associando-se às considerações que indicam similaridades anatômicas e biológicas entre as paredes abdominais desses animais e a dos seres humanos, principalmente quanto à estrutura do tecido epitelial. Além disso, o processo de reparação total na derme dos roedores ocorre em 50 dias após o procedimento cirúrgico, que é semelhante ao que ocorre nos seres humanos (MEEKS, et al., 1995; VIDINSKY et al., 2006). A seleção dos períodos de sacrifício em 8 e 15 dias baseou-se na existência de alterações morfológicas suficientes para serem observadas, avaliadas e quantificadas entre os dois grupos (controle e irradiado) (NASCIMENTO, 2001; CAMPANHA, 2003; CARVALHO, 2003). O que pode ser justificado pela sua eleição como modelo experimental nesta pesquisa. Na presente pesquisa, a lesão tecidual foi suturada assemelhando-se com o mecanismo de cicatrização realizado nos procedimentos cirúrgicos hospitalares, evento pouco explorado na literatura, podendo ser uma alternativa terapêutica em episódios que possam interferir na cicatrização tecidual, embora diversos estudos abordem os efeitos da fotobiomodulação laser em ferimentos cutâneos abertos (NASCIMENTO, 2001; CARVALHO, 2003; KITCHEN, 2003; HOPKINS et al., 2004; MEIRELLES et al., 2005). Não existe consenso na literatura em relação à escolha da dosimetria durante a aplicação do laser. Albertini e colaboradores (2000) investigaram o efeito do laser no processo inflamatório agudo, em modelo clássico de edema em pata de ratos, induzido por injeção de carragenina, baseado em diferentes protocolos para determinar densidade de energia, período e taxa de repetição. Os resultados demonstraram que a densidade de energia para obter o efeito antiinflamatório com Laser de GaAsAl foi de 1J/cm² e 2,5J/cm², reduzindo o edema em 27%. A densidade de energia de 2,5J/cm² produz efeitos antiinflamatórios similares ao diclofenaco de sódio na dose de 1 mg/kg. Medrado e colaboradores (2003), analisando o efeito cicatrizante nas intensidades de 4 e 8J/cm² em ferimentos cutâneos em ratos, observaram que a dose adequada capaz de promover a bioestimulação foi de 4J/cm². Embora os animais irradiados com 8 J/cm² apresentassem diferenças estatísticas em relação ao controle no que diz respeito a redução do infiltrado inflamatório e do edema tecidual. Outros autores remetem que a dosimetria de 3J/cm² é capaz de produzir ação antiinflamatória, 40 analgésica e cicatrizante (VEÇOSO, 1993; RODRIGUES; GUIMARÃES, 1998; PRENTICE, 2002). Concordando com esse tipo de entendimento é que esta densidade de energia de 3J/cm² foi eleita para o desenvolvimento desta pesquisa. Ademais, há uma concordância dos autores quanto às dosagens muito elevadas o que poderiam inclusive exercer um efeito inibitório sobre as atividades metabólicas celulares. Ao analisarmos o infiltrado inflamatório na ferida pela contagem diferencial de células, verificou-se, neste experimento, tendência a redução quantitativa de células inflamatórias, do tipo neutrófilo e macrófago no grupo irradiado, apesar de não existirem diferenças significativas entre as amostras. Também, observou-se maior infiltração linfocitária no grupo irradiado em detrimento de maior infiltração neutrófilica no grupo controle sugerindo que a fotobiomodulação do laser exerce um estímulo na produção de ATP nas células promovendo aumento da velocidade das mitoses e incremento à microcirculação, intensificando a nutrição celular e proporcionando a modulação nas fases do processo inflamatório como ocorreu nos grupos irradiados tanto naqueles sacrificados ao 8º quanto ao 15º dia. É relevante salientar que estes diferentes resultados podem ser justificados pela metodologia utilizada em cada estudo, concordando com os achados da literatura sobre os efeitos da biomodulação laser na redução do contingente de células inflamatórias. Carvalho (2003) analisou os efeitos do Laser Diodo de GaAs (Arseneto de Gálio 904 nm) em diferentes fases do processo de cicatrização, ao 5°, 8°, 18°, 28° dias após lesão. Na análise histológica, observou nos animais irradiados aceleração da fase inflamatória, com antecipação da fase de maturação, favorecendo o surgimento mais intenso de fibroblastos e com maior quantidade de fibras colágenas bem organizadas. No estudo de Ribeiro e colaboradores (2009- b), ao analisar morfologicamente a cicatrização de feridas de segunda intenção em ratos submetidos à irradiação diária de laser com intensidade de 16J/cm2, verificaram a redução da intensidade da reação inflamatória e incremento substancial do processo de epitelização ao 7º e 14º dias, além de estimular a deposição de fibras colágenas nos estágios finais da reparação tecidual. Outros autores consideram que a radiação laser provoca uma aceleração da fase inflamatória, observando uma transição do fenótipo leucocitário de polimorfo para mononuclear, ou seja, a redução do número de células leucocitárias (neutrófilos e eosinófilos) e o aumento de linfócitos no sítio da lesão (KARU, 1995; CORREA et al., 2003; PUGLIESE et al., 2003; ROCHA-JÚNIOR et al., 2006; RIBEIRO et al., 2009a). 41 Em relação à análise descritiva das fibras de colágeno, constatou-se nas secções histológicas dos grupos irradiados padrões singulares de deposição colagênica. Nos grupos sacrificados ao 8º dia, as fibras de colágeno exibiram um padrão bifásico, caracterizando um colágeno espesso com fibras densamente arranjadas em toda a área da lesão ou na região central identificando o padrão em +2. Sendo que ao 15º dia, a colagenização era intensa, em sua maioria, apresentando fibras grosseiras e espessas refletindo a aparência de tecido conjuntivo fibroso denso. É necessário ressaltar que, na pele íntegra, o colágeno verificado na derme exibe feixes que não possuem uma disposição paralela e se interconectam em vários pontos, evidenciando uma multiplicidade de direções (BURKITT et al., 1994). Todavia, maior número de estudos aponta que a fotobiomodulação laser parece interferir no arranjo das fibrilas à medidaque são sintetizadas e agrupadas em feixes mais densos. De fato, estes aspectos organizacionais têm sido cada vez mais ratificados na literatura (REIS et al., 2007). Tal investigação foi fonte de estudo desenvolvido por diversos autores que constataram expressiva redução de edema e infiltrado inflamatório, com aceleração da síntese de colágeno, alterando o padrão de orientação e melhorando a organização das mesmas durante a cicatrização tecidual (PUGLIESE et al., 2003; GARAVELLO-FREITAS et al., 2003; SALATE et al., 2005; MEDRADO, 2007). Isto porque durante a fase de reparo, correspondente ao remodelamento da matriz extracelular, ocorre simultaneamente síntese e degradação do colágeno intersticial, tal processo é desencadeado pelos fibroblastos e pelas células inflamatórias remanescentes no local da lesão. Acredita-se que a ação fibrinolítica do laser proporciona a dissolução do cancelamento decorrente da coagulação do plasma estimulando a proliferação de fibroblastos e aumentando a síntese de fibras colágenas (RODRIGUES; GUIMARÃES, 1998). Uma caracterização morfológica das fibras de colágeno, constatou-se, em sua maioria, um arranjo de colágeno classificado como tipo III nos grupos irradiados ao 7º dia, porém, nas secções histológicas dos grupos irradiados ao 14º dia, verificou-se uma mescla de predomínio ora tipo III, ora tipo III e I, com orientação paralela, de aparência delgada e comprimento curto, contrastando com o grupo controle identificado por um colágeno do tipo I. É importante salientar que nas fibras colágenas, coradas com Sirius Red e analisadas através de luz polarizada, demonstrou que nas fases iniciais da cicatrização tecidual as fibras são delicadas, exibindo um arranjo frouxo e uma tonalidade amarelo-esverdeada, caracterizando um colágeno do tipo III. Por outro lado, nas etapas mais tardias do processo de reparo as 42 fibras exibem um padrão organizacional mais compacto, com feixes mais espessos, de coloração vermelho-alaranjada, configurando um colágeno do tipo I (RICH; WHITTAKER, 2005; MEDRADO, 2007). O predomínio do colágeno do tipo III proporciona uma cicatriz frágil no seu tensionamento, por outro lado, o excesso de colágeno do tipo I (maduro) é responsável por uma cicatrização de má qualidade, apresentando aspecto hipertrófico na aparência da pele (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2004). Outros autores relatam que o laser pode influenciar na microcirculação sanguínea, agindo sobre os esfíncteres pré-capilares, redistribuindo o fluxo sanguíneo e aumentando o aporte de nutrientes às células lesionadas através da formação de novos vasos a partir dos pré- existentes. Este efeito acelera a microcirculação, de forma a criar alterações na pressão hidrostática capilar, que reabsorve edema e eliminam metabólicos, favorecendo o processo de cicatrização tecidual (RODRIGUES; GUIMARÃES, 1998; TATARUNAS et al., 1998; NUNEZ 2002; SCHINDI et al., 2003; CORAZZA; BAGNATO, 2005; VIEIRA, 2006). Tais achados concordam com os resultados do experimento, em que a proliferação de novos vasos sanguíneos nos grupos irradiados foi estatisticamente superior quando comparados com o controle. A maior quantidade vascular identificada nos grupos irradiados por laser (G2 e G4) pode refletir uma estimulação exacerbada da proliferação endotelial por citocinas liberadas pelas células inflamatórias. Sugere-se uma relação estreita entre a evolução dos eventos cicatriciais e a redução progressiva da neoformação vascular durante as etapas da fase de cicatrização tecidual, conforme ocorreu entre os grupos irradiados ao 7º e 14º dia, onde o número de vasos sangüíneos foi gradativamente reduzindo, porém ainda em maior quantidade quando comparado com o grupo controle neste mesmo período. Novos estudos tornam-se necessários para esclarecer os efeitos da fotobioestimulação do laser de baixa potência nas fases de cicatrização de tecidual por união primária das bordas da lesão. No entanto, ainda é premente a necessidade de ensaios biológicos posteriores que permitam esclarecer adequadamente o mecanismo de ação específico da irradiação laser sobre as diferentes populações celulares que participam do processo de reparo, antes de iniciar quaisquer ensaios clínicos. Considerando que a interação da microcirculação com os elementos da matriz extracelular caracterizam o desenvolvimento e a migração fibroblástica para o interior da ferida, garantindo melhor síntese de colágeno e melhor qualidade na cicatrização. 43 7. CONCLUSÕES Pode-se concluir que o laser λ904 nm na cicatrização por 1ª intenção no modelo experimental de ratos: atuou como modulador da resposta inflamatória, acelerando o mecanismo de cicatrização por união primaria das bordas da lesão, visto que os animais tratados apresentaram tendência ao controle do processo inflamatório e do edema intersticial; otimizou o arranjo e o padrão organizacional da maioria das fibras de colágeno do tipo III nos grupos irradiados; estimulou a angiogênese, provocando um aumento no número médio de vasos neoformados nos animais irradiados. 44 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABBAS, A K., LICHTMAN, A. H, POBER, J.S. Imunologia celular e molecular. 3 ed. Fhiladelphia. 1997. 494p. ALBERTINI, R.; CORREIA, F. 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Acesso em: 21 jan. 2006. 51 52 ANEXOS 53 ANEXO A – COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA ANIMAL (CEPA) 54 ANEXO B - ANÁLISE QUALITATIVA TRICRÔMICO DE MASSON Tabela 3: Caracterização morfológica do colágeno nos grupos sacrificados ao 8º dia, controle (G1) e experimental (G2) e animais sacrificados ao 15º dia, controle (G3) e experimental (G4). ANIMAIS TIPO ORIENTAÇÃO APARÊNCIA COMPRIMENTO G1 G2 G3 G4 G1 G2 G3 G4 G1 G2 G3 G4 G1 G2 G3 G4 R1 I III I III P P P R G D G D L C L C R2 I I I I E P R R/P D G G D/G L L C C/L R3 I III I III P P/R R R G D/G G D L C/L L L R4 I I/III I I/III E P/R R R/P D D/G G D/G L C/L L C/L R5 I I I I E E R R G G G D L L L C R6 I/III I I I/III P/R P P R/P D/G G G D/G C/L L L C/L R7 I III I III P P P R G D G D L C L C R8 III III I I E P R E D G G G C C L L R9 I I/III I I/III P P/R R R/P G D/G G D/G L C L C/L R10 I III I I/III P P R R/P G D G D/G L C L C/L Legenda: Tipagem das fibras de colágeno: I = Tipo I de colágeno III = Tipo III de colágeno P = Paralelas R = Reticuladas E= Entrelaçadas G = Espessas D = Delgadas C = Curtas L = Longas Fonte: Dados da Pesquisa (UFS, 2010). 55 Effect of low level laser on sutured wound healing in rats Artigo submetido à Revista Acta Cirúrgica 56 10 – ORIGINAL ARTICLE Wound Healing Effect of low level laser on sutured wound healing in rats1 Efeito do laser de baixa potência na cicatrização de ferida cirúrgica em ratos Valdinaldo Aragão de MeloI, Denise Cristina Santos dos AnjosII, Ricardo Albuquerque JúniorIII, Daniel Barreto MeloIV, Fábio Ursulino Reis CarvalhoV 1 Research performed at Postgraduate Program, Department of Medicine, Federal University of Sergipe, Brazil. Part of Master degree Thesis. I Full Professor, Department of Experimental Surgical, Federal University of Sergipe, Aracaju-SE, Brazil. Tutor, conception and design of the study and critical revision. II Fellow Master degree, Postgraduate Program in Health Sciences, Federal University of Sergipe, Aracaju-SE, Brazil. Intelectual and scientific contente of the study. III Full Professor, Department of Pathology of Institute of Technology and Research, Tiradentes University, Aracaju-SE, Brazil. Histological examinations. IV Graduate student, Faculty of Physical Education, Federal University of Sergipe, Aracaju- SE, Brazil. Helped with technical procedures. V Graduate student, Faculty of Medicine, Federal University of Sergipe, Aracaju-SE, Brazil. Helped with technical procedures. ABSTRACT Purpose: To evaluate the effect of low-level laser therapy (LLLT) λ904 nm on healing of surgical wounds in rats. Methods: Forty male Wistar rats were used, divided into four groups, underwent incision along the lines Alba covering skin, subcutaneous and muscle abdominal, sutured continuously for nylon 5-0. Eight and fifteen days after the surgery process, the repairing area was removed and histological sections were stained with hematoxylin-eosin to assess cellularity inflammatory, Masson´s Trichrome and Picrossirus to quantify the collagen fibers and immunohistochemical technique for counting newly formed vessels. The data were compared statistically using analysis of variance ANOVA, with a "post-hoc Tukey test, p <0.05. Results: Low-level laser therapy reduced the intensity of the inflammatory reaction and influenced the dynamic of the immunoinflammatory response by inducing switching of the leukocyte infiltration pattern (neutrophilic to lymphoplasmacytic infiltration). Also stimulate the deposition and enhance the organization of collagen fibers, featuring a delicate collagen type III. Furthermore, it appeared to a significant increase in the average number of newly formed vessels (p = 0.00 and p = 0.02, respectively). Conclusion: Low-level laser therapy resulted in modulate of the inflammatory response, enhanced deposition of collagen fibers and increase in the average number of newly formed vessels. Key words: Wound Healing. Lasers, semiconductor. Collagen. Macrophages. Rats. 57 RESUMO Objetivo: Avaliar o efeito da terapia laser de baixa potência (TLBP) λ904 nm na cicatrização de feridas cirúrgicas em ratos. Métodos: Foram utilizados 40 ratos Wistar, machos, divididos em quatro grupos, submetidos à incisão na linha Alba abrangendo pele, subcutâneo e musculatura abdominal, suturados continuamente por fios de nylon 5-0. Oito e quinze dias após o procedimento cirúrgico, a área de reparo foi removida e os cortes histológicos foram corados com hematoxilina-eosina para avaliar celularidade do infiltrado inflamatório, Tricrômico de Masson e Picrosirius para quantificar as fibras de colágeno e técnica imuno- histoquímica para a contagem de vasos neoformados. Os dados foram comparados estatisticamente pela análise de variância ANOVA, com "teste de Tukey post-hoc, p <0,05. Resultados: A terapia laser de baixa potência reduziu a intensidade da reação inflamatória e influenciou a dinâmica da resposta imuno por induzir a mudança do padrão de infiltração de leucócitos (neutrófilos a infiltração mononuclear). Como também estimula a deposição e melhora padrão organizacional das fibras colágenas, apresentando um delicado colágeno tipo III. Além disso, verificou-se um aumento significativo no número médio de vasos neoformados (p = 0,00 e p = 0,02, respectivamente). Conclusão: A terapia laser de baixa potência modula a resposta inflamatória, com melhor deposição de fibras colágenas e aumento do número médio de vasos neoformados. Descritores: Cicatrização de feridas. Lasers semicondutores. Colágeno. Macrófagos. Ratos. Introduction The discontinuity of tissue integrity can be induced either by trauma or by surgical procedures. In this regard, numerous chemicals are released into the injured area causing tissue changes consistent with an acute inflammatory process. This phenomenon is characterized by stimulation, migration and proliferation of stromal cells, synthesis of extracellular matrix, and finally culminating in tissue remodeling1-3. Currently, there are methods to alleviate the inflammatory process, providing the improvement of cellular nutrition and favoring the injured tissue repair, particularly the low level laser therapy (LLLT)2,4. The LLLT has been clinically used for pain control and wound healing. The effectiveness of this therapy is due to responses induced by the cellular level photobiomodulation promoting acceleration of cellular metabolism, reducing inflammation, increasing local microcirculation and the lymphatic system, leading to the decrease of the interstitial edema and increase of the collagen synthesis4-7. This biological activity of LLLT is probably a result of photo-inducedacceleration of electron transfer in the respiratory chain and consequently the increase of mitochondrial ATP 58 synthesis. Thus, this electronically excited state of molecules is supposed to promote enhance of cellular metabolism in a several tissues and improve a variety of physiologic and physiopathologic processes, such as wound healing7. Due to the extensive controversy observed in the literature concerning the role played by phototherapy on stromal and inflammatory cells involved in the cicatricial repair, the goal of this study is to analyze the effect of a specific protocol of low-energy Laser irradiation on the intensity of the inflammatory response, deposition of collagen fibers and number of newly formed vessels during two different phases of wound healing in rodents. Methods The sample consisted of 40 adult male albino Wistar rats (Rattus norvegicus albinus), with body weight ranging from 200 ± 20 grams, from the animal colony of the Federal University of Sergipe (UFS), Sao Cristovao, State of Sergipe, Brazil. All experimental procedures were carried out in accordance with the norms of the Brazilian College for Animal Experimentation (COBEA). This study was approved by the Committee of Ethics in Research at, University of Sergipe protocol number 05/08/CEPA/UFS. The rats were confined in plastic cages (three animals per cage), and supplied with food and water ad libitum in a temperature and humidity-controlled environment. Forty rats were subjected to the anesthesia and the surgical procedures as described by Poole Jr et al.8. The incision length was an inch, demarcated by rule, including skin, subcutaneous tissue and abdominal muscle was subsequently sutured continuously by a nylon thread 5-0 (Med Goldman). Subsequently, rats were separated into four groups of six animals each, which were randomly assigned to one of the four treatment groups: (G1) untreated group euthanized 8 days after surgical procedures, (G2) photoirradiated group euthanized 8 days after surgical procedures, 59 (G3) untreated group euthanized 15 days after surgical procedures, and (G4) photoirradiated group euthanized 15 days after surgical procedures. Laser therapy application Each animal in the treated subgroups received daily transcutaneous GaAlAs laser irradiation (KROMAN, Sao Paulo, Brazil) application during 7 and 14 days at 904nm for 2 min, potency of 45mW; spot area of 0,02cm² and energy density of 3J/cm². Laser array was positioned directly over the animal at a vertical distance of 0.5cm from the edge of the wound. The irradiation technique was by scanning the entire perimeter of the wound, comprising a time of two minutes using a stopwatch digital. Histological analysis After the sacrifice of the animals, the wound area was surgically removed, fixed in buffered 10% formalin and paraffin embedded. Subsequently, serial 4µm sections were obtained and stained in hematoxylin-eosin to assess the inflammatory reaction, Masson´s trichrome and Picrossirus to semiquantify the collagen fibers and immunohistochemical technique for counting newly formed blood vessels. The intensity of the inflammatory response was assessed as following: +1 (inflammatory cells representing less than 10% of the cell population observed within the wound area), +2 (inflammatory cells representing in between 10 and 50% of the cell population observed within the wound area) and +3 (inflammatory cells representing more than 50% of the cell population observed within the wound area). The analysis of the intensity and pattern of the collagenization was performed according to the disposition and appearance of the collagen fibers deposited in the wound site. These fibers were then categorized in +1 (thin, delicate loosely arranged collagen fibers seen throughout the wound area), +2 (thin, delicate loosely arranged collagen fibers are seen in the surface and 60 center of the wound area, but thicker and gross in the deep and margins) and +3 (thick, gross densely arranged collagen fibers seen throughout the wound area). Moreover, the slides also underwent Picrosirius Red technique to examine the collagen fibers, descriptively classified according to its typing, spatial orientation, thickness and size of fibers. When observed under polarized light microscope, the fibers were birefringent, appearing bright against the dark background, indicating the occurrence of type I collagen staining in areas ranging from yellow, through orange dark, reaching the red bright; the description of type III collagen was visualized in the areas of green color bright. The count of newly formed blood vessels was aided by use of the technique of immunohistochemistry (streptoavidin-biotin-peroxidase) using primary antibodies anti-CD34 (Clone Q B End 10, dilution 1:50, Mouse anti-human CD34, lot 512, Novocastra) and analyzed by morphometric techniques in the number of newly formed vessels and endothelial cells. The average number of blood vessels was determined by counting the capillaries across selected in 10 histological fields (400x magnification) of each wound and the mean was obtained by the ratio of the sum of vessel count and the amount of fields analyzed. Statistical analysis The results obtained were subjected to statistical analysis of variance (ANOVA), with extension "post-hoc” Tukey test. The significance level was set at 0.05 or 5%. Results As indicated in the Table 1, the intensity of the inflammatory response was severe in all the samples of G1. Besides, the leukocyte infiltrate was predominantly composed of neutrophils, and macrophage, characterizing an acute inflammatory reaction. In general, neutrophils were distributed along the wound surface, particularly close to the fibrinous exudates membrane 61 [Figure 1A]. Lymphocytes were also observed, but they always represented less than 10% of the leukocyte population. The wounds of the irradiated animals of G2 presented severe inflammatory response (+3) in 50% of the samples and moderate in the other half. Lymphocytes were the most frequently observed leukocytic subsets [Figure 1B]. Eosinophils and neutrophils were not observed the site of injury. In 14 days, the intensity of the inflammatory response in G3 and G4 was predominantly moderate [Figure 1C], exhibiting predominance of mononuclear chronic inflammatory cells [Figure 1D]. The data were statistically analyzed and revealed no significant differences between the groups sacrificed at day 8 (p = 0.08) and between the groups sacrificed on day 15 (p = 0.3). TABLE 1 - Assessment of the profile of the inflammatory reaction intensity in the control and photoirradiated groups after surgical procedures, sacrificed at the 8th and 15th day Animals Groups G1 G2 G3 G4 R1 +3 +2 +2 +2 R2 +3 +3 +2 +2 R3 +3 +2 +2 +2 R4 +3 +2 +2 +2 R5 +3 +3 +2 +2 R6 +3 +2 +2 +2 R7 +3 +3 +2 +2 R8 +3 +2 +2 +2 R9 +3 +3 +2 +2 R10 +3 +3 +2 +2 + 1 = representing less than 10%; + 2 = representing between 10 and 50%; + 3 = representing more than 50%. 62 FIGURE 1 - (A) Acute inflammatory reaction in the control group G1; (B) and subacute in the irradiated group G2, sacrificed at day 8. Reduction of inflammation in both groups killed on day 15, control G3 (C) and irradiated G4 (D). (H and E, 400x). As showed in Table 2, fibroplasias were assessed by analyzing the appearance and disposition of collagen fibers stained in blue by Masson’s trichrome. In G1, thin collagen fibers arranged in delicate interlaced bundles were observed within a loose connective tissue (pattern +1) in the entire cases studied [Figure 2A]. On the other hand, in G2 showed thick, gross collagen fibers densely arranged in parallel bundles (pattern +3), although in 40% cases the pattern +2 of collagen deposition had persisted [Figure 2B]. In G3, thicker collagen fibers arrangeddensely in the whole area of the wound (pattern +3) were evidenced in all histological slides [Figure 2C]. In the irradiated group (G4), there was a mixture of collagen fibers, sometimes thicker, with densely arranged fibers, in 70% cases, sometimes presenting thinner fibers close 63 to the the edges of the lesion, but densely compacted gross fibers in the central region in 30% of the samples [Figure 2D]. In general, collagen fibers appeared to be less abundant and thicker in G3 than in G4. However, there was no statistical difference between the groups sacrificed at day 8 (p = 0.06) and between the groups sacrificed on day 15 (p = 0.15). TABLE 2 - Morphological assessment of the fibroplasia degree in both experimental and control groups, sacrificed at the 8th and 15th day Animals Groups G1- G2 G3 G4 R1 +1 +3 +3 +2 R2 +1 +1 +3 +2 R3 +1 +2 +3 +3 R4 +2 +3 +3 +3 R5 +3 +3 +3 +3 R6 +1 +2 +3 +3 R7 +3 +3 +3 +3 R8 +1 +3 +3 +3 R9 +1 +2 +3 +3 R10 +2 +2 +3 +2 +1 = thin, delicate, loosely arranged collagen fibers seen throughout the wound area; +2 = thin, delicate, loosely arranged collagen fibers seen in the deeper regions and margins of the wound area, but thicker and gross in the central region; +3 = thick, gross, densely arranged collagen fibers seen throughout the wound area. 64 FIGURE 2 - Collagen of animals sacrificed at 8 days; slender collagen, with fibers arranged loosely, +1 score in the control group G1 (A), collagen thick with densely arranged fibers, score +3 in the irradiated group G2 (B). Score of similar collagen in mice sacrificed at 15 days; collagen thick with thick fibers arranged throughout the wound area, in the control groups G3 (C) and irradiated G4 (D). (Trichrome, x 400). The morphological characterization of collagen fibers using the technique of Sirius red [Figure 3] showed that the treated groups (G2 and G4) had a tendency to present predominance of type III collagen, or a mixture of type III and I collagen, disposed in a parallel arrangement, whereas the control groups (G1 and G3) showed clear abundance of type-I collagen, sometimes parallel-arranged sometimes reticularly organized. 65 FIGURE 3 - In animals sacrificed at the 8th day, it was observed in the control group (A) the predominance of deposition of collagen type I in regions of color ranging from yellow to dark orange, up to bright red. In the irradiated group (B) a predominance of collagen type III were seen in areas of bright green color. On the 15th day, it was found in the control group (C) A characterization of type I collagen in all specimens, contrasted with the irradiated group (D) where the collagen fibers showed a mixture of type III and I (Picrosirius Red , 400 x). Concerning to the quantitative analysis of the vascularization, it was observed a higher content of newly formed blood vessels in G2 (0.66±0.36) than in G1 (0.16±0.009) (p=0.001) in 8 days, as well as in G4 (0.53±0.16) when compared to G3 (0.37±0.10) (p=0.02) in 15 days [Figures 4 and 5]. Nevertheless, no significant difference was observed between the groups irradiated G2 and G4 (p = 0.30), and between the control group G1 and G3 (p = 0.00). 66 FIGURE 4 - Quantitative analysis of the average number of newly formed vessels by histological field. FIGURE 5 - Newly formed blood vessels in the groups sacrificed on the eighth day in the control groups G1 (A) and irradiated G2 (B) Reduction in the number of newly formed 67 vessels in mice sacrificed at 15 days in the control groups G3 (C) and irradiated G4 (D) (Anti- CD34, 400 x). Discussion Although the clinical efficacy of the LLLT has been proved through controlled studies9,10, little is known about the histological alterations that can occur due to its use, particularly regarding modulation of the extracellular matrix elements. Several studies on laser photobiomodulation ensured the improvement of cicatricial repair in wounds with loss of tissue, a particular sort of cicatrization phenomenon known as second-intention wound healing2,7,11. However, in this study, the experimental lesions were sutured wounds, resembling the ones carried out after elective surgical procedures, in order to asses the role of LLLT as an alternative therapy to improve the healing process in cases in which the cicatrization might be somehow impaired. The inflammatory reaction represents the earliest event to take place after tissue injury, whose main function is to eliminate eventual microorganisms and provide wound cleaning. This inflammation is absolutely required to provide wound healing, although its long-term persistence is considered one of the most important reasons of delay in the healing process12. During the first days of healing, biological events such as formation of new capillary blood vessels associated with progressive deposition and remodeling of collagen fibers will culminate in a complete cicatricial repair of the injured area13. In this study, LLLT reduced the intensity of the inflammatory reaction in both 8 and 15 days after performing the surgical cutaneous wounds. These findings suggest that this protocol of light Laser irradiation is able to downregulate the inflammatory response and favor the acceleration of biological events responsible for the healing process. Similar findings attesting 68 a remarkable anti-inflammatory activity of LLLT in other different protocols have been previously reported14,15. Additionally, LLLT apparently influenced the dynamic of the immunoinflammatory response at early stages of wound healing process, once it clearly induced switching of the leukocyte infiltration pattern (neutrophilic to lymphoplasmacytic infiltration) into the damaged tissue of irradiated wounds. Both modulatory effects of LLLT over the inflammatory response might be a result of an important inhibitory role played by Laser arrays, in a variety of cells, on the synthesis of prostaglandin, a chemical mediator widely supposed to provide chemotactic signals for leukocytes polymorphonuclear neutrophils, as well as on lymphocyte proliferation and maturation16. Besides, elevated numbers of polymorphonuclear cells within the first experimental hours, followed by decreased levels on day 3 post-treatment in laser treated wounds have been reported in previous studies, and a close relation between this phenomenon and the stimulation of mast cells degranulation has been pointed19. Therefore, LLLT might provide a short term acute inflammatory response in earlier stages of wound healing, accelerating the phagocutic inflammatory phase of the cicatricial repair. As long as the healing process takes place, the inflammatory phase is gradually substituted by proliferating phase, which is characterized by wide migration of fibroblasts into the wound area12. This cell subset is responsible for synthesizing, depositing and remodeling the collagen fibers required to cicatricial repair after tissue injury. In normal tissues, collagen fibers provide strength, integrity and structure; so, when tissues are disrupted following injury, collagen deposition is essential for replacing the lost tissue and restoring anatomic structure and function17. In this study, although LLLT appeared to stimulate the deposition of collagen fibers at both evaluated stages of wound healing, these findings were not statistically significant. 69 Thus, it seems that despite laser arrays is able to upregulate the activity of enzymes responsible for the synthesis of collagen fibers2,7, this activity, in sutured wounds, seems not to be expressive enough to lead to an overproduction of collagen fibers. These data appears to suggest that the upregulatory effects of LLLT on collagenization, particularly observed in second-intention wound healing2,9,11, do not enhance the possibilityof hypertrophic scars formation in sutured wounds. However, further investigations are required to clarify this mechanism and order to assure the liability of these observations. The classification of collagen fibers stained with Sirius Red and analyzed using polarized light showed that in the earlier stages of tissue healing, fibers are delicate, showing a loose arrangement and a yellow-green birefringence, featuring a type III collagen. On the other hand, in the later stages of the repair process the fibers exhibit an organizational pattern more compact, thicker bundles of red-orange color, indicating a type I collagen2,11,19. In fact, these data disagree with the survey results, where it was noted that the morphological characterization of collagen fibers in the irradiated groups had a predominance of either type III collagen, or the presence of both type III and I collagen in equal proportions, with in parallel orientation, whereas poorly organized type I collagen was dominating in the control groups. It is noteworthy that the predominance of type III collagen, provides a fragile scar on your tension, but on the other hand, excess type I collagen is responsible for a healing of poor quality, showing hypertrophic appearance. Notwithstanding increased collagen synthesis is considered a good marker of healing evolution, over deposition of these fibers within the wound area may provoke excessive accumulation of scar tissue, resulting in hypertrophic scars or keloids18. However, this undesirable effect can be minimized by applying correct dosages of Laser irradiation in order avoid over stimulation of fibroblastic activity. 70 Since no sign of excessive collagen synthesis was observed, it is possible to suppose that the protocol of photobiomodulation employed in this study was suitable to be applied in sutured wounds. Besides, the better orientation of the collagen bundles, as well as the presence of equal proportions of both type I and III collagen fibers, closely resembling the appearance of the normal tissue, seems to point out an important role played by LLLT in the architectural organization of the collagen during wound healing, as suggested in previous investigations2. These data indicate that this protocol was successful in improving wound healing without any apparent deleterious or side effect on scar formation. The exact explanation for these quite beneficial results is not completely understood yet, so that further investigations are still demanded in order to fully elucidate the mechanisms underlying the effects observed in this study. In this study, LLLT appeared to stimulate the proliferation of new blood vessels, but the pathways of laser-induced endothelial activation are still unclear. It is possible that such pro- vascular effects may reflect an over stimulation of endothelial proliferation by cytokines released by inflammatory cells16 or result from laser-related direct stimulation of the cell cycle in angioblasts11,12. However, the blood vessels content in 8 days was significantly reduced in both irradiated and non-irradiated groups when compared to 15 days. Similar findings were reported in previous investigations11, so that it is suggested a close relationship between the evolution of the scarring events and progressive reduction of neovascularization during the healing process. Conclusion Low-level laser therapy resulted in modulate of the inflammatory response, enhanced deposition of collagen fibers and increase in the average number of newly formed vessels. 71 References 1. Gillitzer R, Goebeler M. Chemokines in cutaneous wound healing. J Leukoc Biol. 2001;69:513-21. 2. Medrado AP, Soares AP, Santos ET, Reis SR, Andrade ZA. 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