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Larissa Costa – 4° semestre – FTC 1 – SÍNDROME DO CORRIMENTO VAGINAL VULVOVAGINETES → Inflamação ou infecção de vulva ou vagina. → Essas inflamações correspondem a 50-70% das queixas em consultas ginecológicas. → Estima-se que dez milhões de consultas por ano sejam decorrentes de sintomas relacionados às vulvovaginites. AMBIENTE VAGINAL FISIOLÓGICO → Glândulas sebáceas, sudoríperas, de Bartholin e de Skene: produzem secreções fisiológicas. CONTÉUDO VAGINAL FISIOLÓGICO → Muco cervical, células vaginais e cervicais, secreção das glândulas, proteínas, glicoproteínas, carboidratos, pequena quantidade de leucócitos e microrganismo da flora vaginal. → Aérobicos: lactobacilos acidófilos, staphylocuccus epidemidis, Streptococcus spp., escherichia coli. → Anaeróbios facultativos: gardnerella vaginalis → Anaeróbicos estritos: prevotella spp., bacteroides spp → Fungos com destaque para cândida spp. → O lactobacillus sp. Representa 90% das bactérias presentes na flora normal de uma mulher sadia em idade reprodutiva, e respondem pelo pH ácido que inibe o crescimento de bactérias nocivas à mucosa vaginal. SECREÇÃO VAGINAL FISIOLÓGICA → Consistência flocular → Branca ou transparente → Presente no fundo da vagina → Microscopia da secreção – células epiteliais superficiais, pouco leucócitos e poucas células indicadoras (Gardnerella vaginalis) → Ph: 4,5 VAGINOSE BACTERIANA PATOGENIA → Alteração da flora bacteriana vaginal normal → Perda de lactobacilos produtoras de H2O2 → Supercrescimento de bactérias anaeróbicas: gardnerella vaginalis, mobiluncus, bacteróides, mycoplasma hominis. MICROBIOLOGIA GARDNERELLA → Bastonete, pleomórfico, anaeróbio facultativo, não capsulado e imóvel. CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS → Odor desagradável – peixe podre. → Corrimento: pequena intensidade, homogêneo e branco acinzentado. → Não apresenta habitualmente prurido, ardor e queimação. → Comum recorrência → Maior risco de DIP, DIP pós-abortamento, infecções pós- operatórias da cúpula vaginal após histerectomia, citologia cervical anormal. DIAGNÓSTICO → Critérios de Amsel: o Corrimento vaginal branco acinzentado em pequenas quantidades. o pH igual ou maior que 4,5 o teste de aminas (whiff) positivo o presença de clue cells → Exame bacterioscópio o Usar exame a fresco ou corado pelo gram o Presença de clue cells o Número pequeno ou inexistente de leucócitos o Não se faz culturas Larissa Costa – 4° semestre – FTC 2 TRATAMENTO → Metronidazol é o fármaco de escolha → 2g via oral, dose única → 400 mg, via oral, de 12 em 12 horas, por 7 dias. → Tinidazol, 2g via oral, dose única. → Parceiros: não é necessário tratamento, pois não é uma DST. CANDIDÍASE VULVOVAGINAL EPIDEMIOLOGIA → 75% das mulheres já foram acometidas por uma espécie de Candida → 40 a 50% – 2° episódio. → 5% – Recorrência → 80-90% – Candida albicans → 5-10% – Candida glabrata CARACTERÍSTICAS → Microrganismo comensal → Capacidade dimórfica (esporos/ hifas) → Sistema imune do trato genital – regula transformação para estado infeccioso. → Frequente na menacme – período que compreende desde a primeira a última menstruação. → Sintomáticos – concetração desses organismo > 104/ ml FATORES PREDISPONENTES → Gestação → Diabetes mellitus → Contraceptivos orais → Uso de antibióticos → Uso de corticosteróides → HIV → Hábitos higiênicos inadequados → Roupas íntimas justas ou sintéticas CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS → Principal sintoma: prurido genital → Corrimento branco, aderente à parede vaginal → Pode ocorrer disúria e dispareunia → Piora no período pré-menstrual. → Exame ginecológico: eritema e/ou edema e/ou fissura na vulva. → Exame especular: conteúdo vaginal aumentado e placas aderidas a parede vaginal ou colo uterinos – aspecto de leite coalhado. → Pode ter fluido esbranquiçado → pH menor que 4,5. → Ocasionalmente pode ocorrer corrimento amarelado, devido a presença de vaginose bacteriana. DIANGNÓSTICO → Bacterioscopia a fresco – pode ser negativo em aproximadamente 50% das culturas. o Se for negativo deve continuar a investigação o Visualiza-se no microscópio hifas ou esporos → Bacterioscopia com coloração pelo método de gram – melhor definição de hifas e esporos. → Cultura o Sabouraud o Nickerson → Teste de aminas é negativo TRATAMENTO → Episódios isolados o O tratamento é preferencialmente via vaginal o Miconazol creme vaginal a 25 ou óvulos vaginais de 100mg uma aplicação ao deitar-se durante 7 dias. o Pode-se utilizar também: tioconazol, isoconazol, terconazol, clotrimazol, nistatina, fenticonazol o Os azóis é o tratamento mais frequente e mais efetivo que a nistatina. → Casos recorrentes o O tratamento é preferencialmente sistêmico, e quando a paciente é muito sintomática, pode unir tratamento pela via oral a via vaginal. o Aspectos observados: - Confirmação microbiológica pela cultura. - Identificação e tratamento dos fatores predisponentes Larissa Costa – 4° semestre – FTC 3 - Avaliar a necessidade de indução e manutenção da terapia supressora azólicos. - Apoio psicológico. o A terapia de supressão serve para controlar a recorrência. o Utiliza-se fluconazol – 150mg, 1X por semana por até 6 meses. o Recorrência de até aproximadamente 50% dos casos. → Não é indicado o tratamento do parceiro, pois não é transmissível por via sexual TRICOMONÍASE VAGINAL → Protozoário Trichomonas vaginalis → É uma DST curável → Associa-se de maneira importante com outra DST → Taxa de transmissão é alta → 70% dos homens contraem a doença após uma única exposição. TRICHOMONAS VAGINALIS → Célula polimorfa – pseudópodes → Forma trofozoíca flagelada → Não sobrevive fora do sistema urogenital → Divisão binária longitudinal → Anaeróbico facultativo → Organismo cresce em pH > 5 → Fatores de virulência: → Cisteína proteinase – citotóxica e hemolítica → Degrada a porção C3 do complemento → Degrada IgG, IgM e IgA. → Adesinas → Glicosidases TRANSMISSÃO → Via vaginal → T. vaginalis pode sobreviver por mais de uma semana: prepúcio do homem sadio. → Homem – vetor da doença → Tricomoníase nenonatal é adquirida durante o parto CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS → Pode ser desde assintomática até provocar um quadro inflamatório agudo. → Corrimento purulento com odor desagradável → Queimação, prurido, disúria, polaciúria e dispareunia → Pode ocorrer sangramento pós-coito. → Exame físico e especular: eritema da vulva e mucosa vaginal, corrimento bolhoso amarelo-esverdeado com odor desagradável, colpite multifocal, pequenos pontos hemorrágicos na vagina e no colo Strawberry cérvix. COMPLICAÇÕES → Problemas relacionados com a gravidez o Ruptura prematura de membranas, parto prematuro, baixo peso ao nascer, endometrite pós-parto, natimorto e morte neonatal. → Problemas relacionados com a fertilidade o Risco 2x maior de aborto o Resposta inflamatória pode destruir a estrutura tubária. DIAGNÓSTICO → Microscopia: identificar o protozoário no exame a fresco → pH > 4,5 – teste da amina positivo. → Bacterioscopia pelo gram: identificação do protozoário → Colpocitologia → Cultura em meio Diamond – apresenta elevada sensibilidade e especificidade. TRATAMENTO → Metronidazol, 2g via oral e dose única (secnidazol e tinidazol) Larissa Costa – 4° semestre – FTC 4 → Dose única, maior aderência, por via oral é mais resolutiva que a vaginal. → Recidivas ocorrem por falta de tratamento do parceiro, tratamento primário incompleto ou reinfecção. → Gestantes o Metronidazol é a droga de escolha o 500 mg, via oral 2x ao dia por 5 a 7dias o Tinidazol não é recomendado → A partir do 2° trimestre → Parceiros o Assintomático e transitório o Resolução espontânea em até 10 dias o Tem que ser tratado e suspender relações durante o tratamento, já que esse é considerado o vetor. CERVICITES → Processo inflamatório no colo uterino → Assintomático em 80% dos casos → Presença de corrimento endocervical mucopurulento → Principais agentes etiológicos: Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. → Aumentam risco para doença inflamatória pélvica. NEISSERIA GONORRHOEAE → Diplococo gram-negativo, não flagelado, sem esporos, encapsulados, anaeróbio facultativo. → Acomete, principalmente, mucosas do trato genital inferior. → Período de incubação curto (2 a 5 dias) → Locus primário: endocérvice SINTOMAS → Cervicite → Uretrite → Corrimento vaginal → Disúria → Sangramento intermenstrual → Dor pélvica, geralmente associada à salpingite. EXAME FÍSICO → Exsudato cervical purulento ou mucopurulento, sem dor. → Colo uterino doloroso à mobilização. COMPLICAÇÕES → Doença inflamatória pélvica → Obstrução tubária → Infertilidade → Gravidez ectópica → Aborto espontâneo → Parto prematuro → Conjuntivite gonocócica do neonato DIAGNÓSTICO → Bacterioscopia de secreção: gram negativo com inúmeros leucócitos → Cultura em meio Thayner-Martin: isolamento da bactéria → PCR TRATAMENTO → Azitromicina, 1g dose única e ofloxacina 400mg dose única → Doxiciclina solúvel 100mg, de 12 em 12 horas por 7 dias e tiafenicol 500mg, de 12 em 12 horas por 7 dias. → Gestantes o Eritromicina, 500 mg de 6 em 6 horas por 10 dias o Ampicilina 3,5g/ amoxilina 3g, em dose única, precedido de probenecide, 1g em dose única. CHLAMYDIA TRACHOMATIS → Tipo de DST → Bacilo gram-negativo, intracelular obrigatório, 17 sorotipos. → Tropismo por células epiteliais colunares/ cilíndricas → Sorotipos D à K relacionados as cervicites → Período de incubação: 14 a 30 dias com evolução mais arrastada. → 70% da população é assintomática SINTOMAS → Corrimento vaginal → Dispareunia → Disúria EXAME FÍSICO → Exsurdato mucopurulento → Sangramento endocervical → Colo edemaciado e hiperemiado → Colo doloroso à mobilização. COMPLICAÇÕES Larissa Costa – 4° semestre – FTC 5 → Uretrite → Endometrite → DIP → Esterilidade → Gravidez ectópica → Peri-hepatite → Aborto → Restrição do crescimento fetal → Prematuridade → Baixo peso ao nascer → Conjuntivite e pneumonia no RN DIAGNÓSTICO → Bacterioscopia vaginal → Cultura em meio McCoy → Imunofluorescência direta e PCR TRATAMENTO → Azitromicina, 1g em dose única → Doxiciclina, 100mg 2x ao dia por 7 dias. → Gestante o Azitromicina, de 1g em dose única o Eritromicina 500mg, 6/6 horas, por 7 dias. o Amoxilina 500mg, de 8 em 8 horas, por 7 dias. A OMS recomenda o tratamento conjunto da gonorreia na presença de infecção por clamídia.