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UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA GRADUAÇÃO BACHARELADO EM FONOAUDIOLOGIA Alexandre da Silva Ferreira Ana Sofia Ferreira da Silva Ian Mateus Farias Borges Taissa Pessoa da Silva Thaís Oliveira de Souza “DOENÇAS MUSCULARES DA REGIÃO OROFACIAL” Castanhal – PA 2025 1. Introdução As doenças musculares da região orofacial envolvem alterações nos músculos responsáveis pelos movimentos da face, mandíbula, língua e estruturas associadas à mastigação, fala, deglutição e expressão facial. Essas condições podem causar dor, fraqueza muscular, limitações funcionais e impactar significativamente a qualidade de vida do paciente. 2. Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) A Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) é uma doença genética rara, de caráter progressivo, que compromete os músculos voluntários do corpo. Ela atinge, em sua maioria, meninos, pois está relacionada a uma mutação no gene DMD, localizado no cromossomo X. Esse gene é responsável pela produção da proteína distrofina, fundamental para a estrutura e função normal das fibras musculares. A ausência ou produção inadequada dessa proteína leva à degeneração gradual dos músculos, o que compromete progressivamente a mobilidade e outras funções corporais. A principal causa da DMD é uma mutação no gene DMD, herdada por meio de um padrão de herança ligado ao cromossomo X. Como os meninos possuem apenas um cromossomo X, são mais vulneráveis à manifestação da doença. Já as meninas, por terem dois cromossomos X, geralmente são portadoras, podendo apresentar sintomas leves ou serem assintomáticas. A incidência da DMD é estimada em cerca de 1 a cada 3.500 nascimentos do sexo masculino. Principais Características Os primeiros sinais da doença aparecem normalmente na infância, entre os 2 e 5 anos de idade. Os principais sintomas incluem: • Fraqueza muscular progressiva, inicialmente nos músculos das pernas e da pelve; • Dificuldade para correr, pular e levantar-se do chão; • Quedas frequentes e caminhar na ponta dos pés; • Aumento do volume das panturrilhas, causado pela substituição do tecido muscular por gordura e tecido fibroso; • Por volta dos 12 anos, muitos pacientes já não conseguem mais caminhar; • Em estágios avançados, podem surgir complicações cardíacas e respiratórias. Com o passar do tempo, a doença compromete seriamente a mobilidade e a independência do indivíduo. Tratamento Apesar de não haver cura para a Distrofia Muscular de Duchenne, é possível tratar os sintomas e retardar sua progressão por meio de uma abordagem multidisciplinar. O tratamento inclui: • Fisioterapia, que ajuda a preservar a mobilidade e prevenir deformidades; • Terapia ocupacional, para estimular a autonomia nas atividades diárias; • Fonoaudiologia, quando há comprometimento da fala ou da deglutição; • Acompanhamento cardiológico e respiratório, essencial para o monitoramento das funções vitais; • Suporte psicológico, importante tanto para o paciente quanto para os familiares. Além das terapias, o uso de corticosteroides pode ajudar a preservar a força muscular por mais tempo. Em alguns casos, são utilizados dispositivos de auxílio à respiração e cadeiras de rodas motorizadas para manter a qualidade de vida. O acompanhamento contínuo por uma equipe de saúde é fundamental para garantir os melhores resultados possíveis ao longo do desenvolvimento da doença. 3. Distrofia Miotônica A distrofia miotônica é uma doença genética que afeta os músculos e diversos outros sistemas do corpo. Ela se caracteriza principalmente pela fraqueza muscular progressiva e pela miotonia, que é a dificuldade de relaxar os músculos depois de uma contração. Por ser uma condição multissistêmica, também pode comprometer órgãos como o coração, os olhos, os pulmões, o sistema endócrino e até o sistema nervoso central. Existem dois tipos principais: DM1 (mais comum e grave) e DM2 (mais leve e de início mais tardio). Principais Características Os sintomas da distrofia miotônica variam em intensidade e podem surgir em diferentes fases da vida, dependendo do tipo. Entre os sinais mais comuns estão: • Dificuldade para relaxar os músculos (miotonia), como ao soltar objetos; • Fraqueza muscular nos músculos da face, pescoço, mãos e pernas; • Fadiga frequente e baixa tolerância ao esforço físico; • Catarata precoce; • Problemas cardíacos, como arritmias; • Alterações hormonais e metabólicas, como diabetes; • Dificuldades cognitivas ou emocionais, como depressão. A forma congênita, que surge já no nascimento, costuma ser mais grave e associada a atraso motor e intelectual. Já as formas clássica e leve variam em intensidade e comprometimento funcional. Tratamento Não existe cura para a distrofia miotônica, mas o tratamento pode melhorar a qualidade de vida e controlar os sintomas. A abordagem é multidisciplinar, com o envolvimento de profissionais como neurologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, cardiologistas e psicólogos. A fisioterapia ajuda a manter a força e prevenir contraturas musculares. A fonoaudiologia pode atuar em dificuldades de fala e deglutição. O suporte psicológico é essencial para lidar com os desafios emocionais da doença. Também é importante o monitoramento regular do coração e o controle de complicações respiratórias ou metabólicas, conforme cada caso. O tratamento é individualizado e visa promover a maior independência e bem-estar possível para o paciente. 4. Miastenia Gravis Também conhecida como Myasthenia Gravis, essa doença é autoimune, causada por uma falha de comunicação entre os nervos e os músculos, portanto, uma falha na transmissão neuromuscular, sendo assim, essa doença não possui prevenção, uma vez que ela é adquirida pela falha nesta junção neuromuscular. Os anticorpos bloqueiam ou destroem os receptores de acetilcolina, impedindo a comunicação do nervo com o músculo, impedindo sua contração. Principais Características Devido a contração e comunicação afetada, seu principal sintoma é a fraqueza muscular, nas regiões de perna e braço, e face. Com essa fraqueza na face, surge também a ptose palpebral (queda das pálpebras), visão dupla, fala nasalada e uma fadiga gradativa. Devido a área da face afetada, a fala, deglutição e respiração também serão afetadas, possuindo dificuldade e até em alguns casos disfagia e insuficiência respiratória. Tratamento Apesar da doença não reduzir a expectativa de vida, ela afeta diretamente na qualidade de vida de quem possui miastenia, e é considerada grave pela sua fadiga muscular gradativa e a falta de ar. Portanto, é ideal o olhar cuidadoso aos sintomas e um diagnóstico precoce, para um tratamento adequado e bem feito, através de uma equipe multidisciplinar, é possível intervir com medicamentos que inibam o sistema imunológico como corticosteroide, em alguns casos, é possível intervir com cirurgia, chamada de timectomia. Durante todo processo de tratamento da doença, a terapia também apresenta papel fundamental e indispensável. Timectomia: A timectomia é a remoção do timo (glândula do sistema imunitário) que desempenha um papel fundamental na maturação das células T, que são essenciais para a resposta imunitária do organismo. Terapia Fonoaudiológica: O papel do fonoaudiólogo no tratamento da miastenia grave é de suma importância, pois este entra com abordagens fonoaudiológicas para ajudar nas dificuldades de fala (com exercícios de fortalecimento, em conjunto com o fisioterapeuta) e deglutição (em conjunto ao nutricionista, para uma alimentação reeducada e adaptada), melhorando a qualidade de vida deste paciente. 5. Paralisia de Bell A Paralisia de Bell é uma condição neurológica caracterizada pela paralisia ou fraqueza súbita dos músculos de um dos lados da face. Isso acontece devido à inflamação ou compressão do nervo facial (sétimo par craniano), quecontrola os movimentos faciais, além de funções como salivação, lacrimejamento e sensibilidade gustativa na parte anterior da língua. Em grande parte dos casos, a causa é desconhecida, mas acredita-se que infecções virais, como o vírus do herpes simples, possam estar envolvidas no desencadeamento do problema. Principais Características Os sintomas da Paralisia de Bell surgem de forma repentina e, geralmente, atingem apenas um lado da face. Entre os sinais mais comuns estão a assimetria facial, dificuldade para sorrir, piscar ou fechar o olho do lado afetado, além de queda da pálpebra e do canto da boca. Alguns pacientes também relatam dor ao redor da orelha, sensibilidade aumentada a sons (hiperacusia), alteração no paladar e dificuldade para falar ou comer. É importante ressaltar que, apesar de assustar por seu início súbito, a Paralisia de Bell não está relacionada ao Acidente Vascular Cerebral (AVC), sendo uma condição distinta e, na maioria dos casos, temporária. Tratamento O tratamento da Paralisia de Bell envolve, principalmente, uma abordagem multidisciplinar com foco na reabilitação da função facial. Profissionais como fisioterapeutas e fonoaudiólogos têm papel fundamental nesse processo, atuando na recuperação dos movimentos faciais, da fala e da deglutição. As terapias ajudam a estimular os músculos afetados, prevenir complicações e promover a adaptação funcional enquanto a recuperação acontece. Cuidados com o olho afetado são essenciais, pois a dificuldade de fechamento da pálpebra pode causar ressecamento e lesões na córnea. Para isso, são indicadas lágrimas artificiais, pomadas oftálmicas e, em alguns casos, o uso de proteção ocular durante o sono. Além disso, o acompanhamento psicológico pode ser indicado, já que a paralisia facial pode impactar a autoestima e o bem-estar emocional dos pacientes. Em geral, com a combinação adequada de terapias e suporte profissional, a maioria das pessoas apresenta melhora significativa em semanas ou meses. 6. Síndrome de Moebius A Síndrome de Moebius é uma condição neurológica rara e congênita que afeta principalmente os nervos cranianos VI (abducente) e VII (facial), responsáveis pelos movimentos laterais dos olhos e pelas expressões faciais. Pessoas com essa síndrome apresentam paralisia facial, o que compromete funções como sorrir, piscar ou franzir a testa. A origem da síndrome ainda não é completamente compreendida, mas acredita-se que esteja relacionada a alterações genéticas ou distúrbios vasculares durante o desenvolvimento embrionário. • Principais características Entre as principais características da Síndrome de Moebius estão a paralisia facial bilateral e a dificuldade de mover os olhos lateralmente. Isso pode afetar a comunicação não verbal e a interação social, já que a expressão facial é bastante limitada. Além disso, muitos pacientes apresentam dificuldades na fala e na deglutição, especialmente na infância. Podem ocorrer também outras alterações físicas, como malformações nos membros (pés tortos, ausência de dedos), alterações na língua, no palato e, em alguns casos, atraso motor. Apesar dessas limitações, a inteligência costuma estar preservada. • Tratamento Embora não exista cura para a Síndrome de Moebius, o tratamento pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. A abordagem é multidisciplinar e varia conforme os sintomas de cada indivíduo. Fisioterapia e fonoaudiologia são fundamentais para estimular a musculatura facial, melhorar a fala e a deglutição. Em alguns casos, podem ser indicadas cirurgias reconstrutivas, como a “cirurgia do sorriso”, que permite algum movimento de expressão facial. Além disso, o apoio psicológico é importante para ajudar o paciente a lidar com os desafios emocionais e sociais que a condição pode causar. Referências Bibliográficas Distrofia muscular de Duchenne | Pfizer Brasil. Disponível em: . Distrofia miotônica: o que é, sintomas, tipos e tratamento. Disponível em: . Welcome To Zscaler Directory Authentication. Disponível em: . VARELLA, D. D. Paralisia de Bell (paralisia facial periférica). Disponível em: . Paralisia de Bell: o que é, sintomas, causas e opções de tratamento. Disponível em: . Paralisia de Bell: entenda o que é e quando procurar por um médico. Disponível em: . Acesso em: 28 maio. 2025. ALMEIDA, M. B. V. DE et al. Síndrome de Moebius. Rev. bras. ortop, p. 382–389, 2004. FONTENELLE, L.; ARAUJO, A. P. DE Q. C.; FONTANA, R. S. Síndrome de Moebius: relato de caso. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 59, p. 812–814, 1 set. 2001. • Principais características